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O Cacique Marcos Xukuru mal teve tempo de avisar a todos os membros de sua comunidade sobre a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos de condenar o Brasil por violar a propriedade coletiva de seu povo. "O nosso território é muito grande, com aldeias distantes. Mandei mensagem aos grupos de WhatsApp para famílias e lideranças que compõem a organização política de nosso território. Mas ainda não chegou a todos".
 
Também não teve tempo de ler a íntegra da decisão da Corte, que, pela primeira vez julgou um caso de disputa de terra indígena no Brasil. Por isso ficou surpreso ao ser informado pela reportagem do EL PAÍS Brasil que seu povo, que vive em Pernambuco, terá direito a receber 1 milhão de dólares de reparação pela lentidão do Estado brasileiro em devolver suas terras. "Se realmente tivermos direito a 1 milhão de dólares poderemos fazer investimentos coletivos para o povo", afirmou o cacique, em um misto de surpresa e desconfiança da promessa da Corte.
 
Atualmente o povo Xukuru é formado por cerca de 7.700 pessoas, distribuídos em 24 comunidades na Serra do Ororubá, em uma área de aproximadamente 27.555 hectares, a cerca de 6 quilômetros da cidade de Pesqueira, na região do Agreste de Pernambuco.
 
Aos 39 anos, Marcos Xukuru cresceu em meio a uma violenta luta por terras, um ambiente onde não há espaço para promessas. Assumiu o cacicado aos 21 anos, após o assassinato de seu pai, o Cacique Xicão, morto a tiros em 20 de maio de 1998. O fazendeiro acusado de ser o mandante do crime, José Cordeiro de Santana, que possuía terras dentro da reserva indígena, se suicidou em 2002, dentro de uma cela da Polícia Federal no Recife, logo após ser preso.
 
O processo administrativo de reconhecimento, titulação e demarcação começou em 1989, mas acredita-se que a violência tenha sido motivada pela demarcação das terras feitas em 1995, o que, sem apoio do Governo, aumentou os embates entre indígenas e fazendeiros. O próprio cacique Marcus sofreu um atentado em 7 de fevereiro de 2003, que causou a morte de outros membros de seu povo. Em 2005, um agente da Funai, Geraldo Rolim, também foi assassinado em meio aos conflitos. Foi nessa época que se confirmou o título de propriedade formal no registro de imóveis aos indígenas.
 
A esperança do cacique é que a decisão da Corte Interamericana seja o prenúncio de tempos de paz. "O que almejamos é viver em paz e tranquilidade, que nossos netos possam viver em harmonia no espaço recuperado", afirma o cacique.
 
Com a condenação da Corte, que é inapelável, o Governo federal terá cerca de um ano e meio para garantir a retirada dos invasores da terra, concluir o pagamento da indenização de melhorias de boa fé a cerca de 45 agricultores que deixaram a região, além da criação de um fundo de um milhão de dólares em nome do povo Xukuru, no prazo de 18 meses.
 
O caso dos Xukuru foi levado à Corte pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), em parceria com as ONGs Justiça Global e o Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações populares (Gajop). "A expectativa é que a decisão sirva de jurisprudência e precedente para outros casos em tramitação na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), como a dos indígenas Guarani Kaiowá e Terena, do Mato Grosso do Sul", afirma Adelar Cupsinski, advogado do Cimi.
 
Até então, o caso mais relevante levado à CIDH contra o Brasil havia sido o da Comunidade Yanomami, em 1985. Os Yanomani denunciaram a construção de uma estrada em seu território que levou à penetração maciça de estrangeiros e à exploração mineira causadas pela omissão do Estado brasileiro em fornecer proteção adequada para a segurança e a saúde das comunidades indígenas. O caso não chegou até a Corte, mas em 1992 o Parque Yanomani foi finalmente demarcado.
 
Fonte: El País
Foto: Cimi

 
 
Homens e mulheres são seres humanos dotados de diferenças biológicas. Os povos, ao longo da história da humanidade, construíram modos de vida (culturas) que determinaram papéis específicos para machos e fêmeas/homens e mulheres. Assim foi construída a cultura do patriarcado.
 
Nesse modo de vida, a organização coletiva é baseada no poder do homem como reprodutor da espécie, provedor da família: o patriarca – o pai, os irmãos, os tios, o marido, os filhos. Este poder é justificado pela ideia de que o homem é o ser com mais força física, mais inteligência e capacidade de liderar. A mulher teria seu próprio papel: participar da reprodução da espécie com a gestação, cuidar da sua cria e da moradia que abriga a família. Por ser considerada mais frágil, dotada de menor inteligência e baixa capacidade de liderança, a mulher é destinada a cuidar e servir.
 
Resultado disso é a submissão das mulheres ao poder do homem e a repressão e controle dos seus corpos. Com isso emergem a exploração sexual, a opressão do trabalho da mulher, a discriminação das mulheres que rompem com o papel de dominação, a condenação dos homens que se solidarizam com as mulheres.
 
Esta forma cultural é assimilada nas religiões, e entre os cristãos é fundamentada pela interpretação literalista dos escritos bíblicos. Nesta compreensão, a mulher seria responsável pela existência dos males no mundo, devendo se resumir ao cuidado com o lar e estar em silêncio nos espaços públicos destinados aos homens.
 
Esta ideologia de gênero continua sendo difundida pela educação formal, pelo conjunto de leis, pelos meios de comunicação, pelas religiões. Como o poder de uma ideologia é tornar as coisas naturais, homens e mulheres a reproduzem como algo “normal” e certo. E dela vêm o silenciamento, a conformação e também a violência nas suas mais diversas formas: física, psicológica, sexual, patrimonial.
 
Nos primórdios da Igreja Cristã, à luz das ações de Jesus de Nazaré, houve um rompimento com o patriarcado e abertura ao lugar de atuação das mulheres (várias narrativas da Bíblia mostram isto). O silenciamento das mulheres no Cristianismo se dá a partir da institucionalização do movimento cristão e o lugar delas volta a ser enfatizado como reprodutoras, domésticas, cuidadoras.
 
O questionamento desta lógica nas sociedades ocidentais emergiu, marcadamente, na Revolução Francesa, por meio das noções de cidadania, igualdade, liberdade, que deflagraram processos de transformação na compreensão de família, com a inserção da dimensão da afetividade.
 
Os movimentos feministas dos séculos 19 e 20, baseados nas descobertas da psicanálise, da filosofia e da biociência, consolidaram este processo com a desnaturalização do poder do homem sobre o corpo da mulher, com a emergência do conceito de gênero para além do feminino e do masculino, pela afirmação da sexualidade como autônoma em relação à reprodução humana. Garantiu-se mais direitos civis das mulheres ao próprio corpo, ao seu destino e à participação sociopolítica.
 
Cristãs identificadas com esta visão passaram então a buscar um novo olhar sobre o movimento de Jesus de Nazaré e das mulheres da Bíblia. Buscaram ocupar seu espaço nas igrejas em papéis de liderança como pastoras, bispas e leigas. Surge a teologia feminista com uma releitura da Bíblia sob a ótica das mulheres, bem como uma nova abordagem da história da Igreja e de suas teologias.
 
No Brasil, ganham destaque teólogas evangélicas como a luterana Romi Bencke (atual secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs/CONIC), a metodista Nancy Cardoso, a batista Odja Barros, entre outras.
 
Também em nosso País, grupos como Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG), liderado por Valéria Vilhena, de tradição pentecostal, se espalham em diferentes espaços, e cada vez mais mulheres de distintas faixas etárias se descobrem como sujeitos da ação libertadora de Deus e não do seu castigo.
 
É fato que todo este avanço tem provocado reações. Elas têm como alvo os movimentos por justiça de gênero dentro e fora das igrejas, interpretados por segmentos defensores da cultura patriarcal como inimigos a serem combatidos.
 
Às mulheres que rompem com a compreensão patriarcal do seu papel social é atribuída a culpa pela “destruição da família”, porque buscam mais estudo, trabalho e atuação na sociedade, liderança de processos, controle da natalidade. Com isso, lideranças reacionárias, homens e mulheres, pregam que as “as rebeldes” retornem para dentro dos lares, que se casem e vivam para agradar maridos e filhos, e evitar as “feminazis” destruidoras de famílias.
 
Esta reação se dá porque há avanços e transformação. Mas ainda há muito o que enfrentar. Doze mulheres são assassinadas todos os dias, em média no Brasil, e 135 sofrem estupro diariamente. Em 2017, houve aumento para 29% do número de mulheres brasileiras que sofreram violência doméstica. O rendimento médio dos brasileiros em 2015, segundo o IBGE, era de 1.808 reais, mas a média masculina era mais alta (2.012 reais), e a feminina, mais baixa (1.522 reais).
 
São dados alarmantes de muita injustiça ancorada na ideologia de gênero patriarcal! A leitura das mulheres cristãs que buscam justiça de gênero é que Deus não criou o patriarcado, algo contraditório com o seu amor, pois produz silenciamento, violência e morte. Pelo contrário, o Criador ama as mulheres, sua imagem e semelhança, e compartilha com elas do desejo de “vida e vida em abundância”.
 
Fonte: Carta Capital
Imagem: Fotomovimiento

 
 
Com o tema central “Povos, Territórios e Movimentos em Resistência”, e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Fórum Social Mundial (FSM), que começou esta semana, em Salvador, deve ser um evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil. Criado em 2001, em Porto Alegre, o FSM 2018 iniciou na terça (13) e vai até sábado (17).
 
Com programação vasta e diversificada, o evento tem como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.
 
Com mais de 1.500 coletivos, organizações e entidades cadastradas, e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reúne representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países sul-americanos e representações nacionais.
 
Entre as presenças confirmadas estão a dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Fernando Lugo, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai. Também participarão o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, a militante indígena Sônia Guajajara, a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña, e o filósofo do Congo Godefroid Ka Mana Kangudie.
 
Participarão ainda das atividades do FSM Abdellah Saaf, ex-ministro da Educação de Marrocos; Eda Duzgun, liderança das mulheres curdas; Sara Soujar, do Movimento de Combate ao Racismo e Xenofobia do Norte de Marrocos; Mamadou Sarr, militante da Mauritânia para defesa dos negros; e Gustave Massaih, membro fundador do movimento de Maio 68, na França, entre dezenas de outras lideranças e ativistas internacionais.
 
Mulheres no FSM
 
O debate "Mulheres, Democracia e Direitos" foi uma das principais atividades do primeiro dia do Fórum Social Mundial. A contou com a participação de representantes de movimentos sociais nacionais e internacionais. Durante o evento foram discutidas as diversas formas de violência e desigualdade sofridas pelas mulheres. De acordo com os participantes do debate, o momento é de analisar e traçar estratégias para resistir e combater a retirada de direitos. 
 
Sobre o Fórum Social Mundial
 
O Fórum Social Mundial é uma iniciativa da sociedade civil organizada, nascida em Porto Alegre, em 2001, para promover o encontro democrático, plural e de resistência com o objetivo de incentivar debates, aprofundar a reflexão coletiva, troca de experiências e a constituição de coalizões e de redes entre os movimentos da sociedade civil e organizações comunitárias que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do capital. O evento é realizado a cada dois anos. Nos intervalos, fóruns temáticos descentralizados e autônomos são realizados para dar seguimento às articulações e reflexões críticas nos diferentes países e regiões. O último foi realizado no Canadá, em 2016.
 
Com informações da Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução

 
 
 
O Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER) promove, nos dias 2 e 3 de abril, um Seminário para abordar a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2018, cujo tema é: “A mão de Deus nos une e liberta” (Cf Ex 15,1-21).
 
A atividade será realizada no Centro de Eventos Rodeio 12 (foto acima), na cidade de Rodeio (SC), e as atividades contemplarão estudo, reflexão e devocionais sobre a Semana de Oração. A ideia trabalhar a atualidade do tema e abordar como ele pode ter impactos e desdobramentos nas diferentes comunidades de fé.
 
As inscrições ficam abertas até o dia 20 de março e podem ser feitas via e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O pacote com hospedagem e alimentação está saindo a R$ 155,00. Para obter mais informações, ligue: (48) 98426-5058.

 
 
 
Entre os dias 13 e 20 de maio, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, CONIC, mobiliza igrejas e comunidades em todo o país para as celebrações da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), cujo tema é “A mão de Deus nos une e liberta”, inspirado no livro de Êxodo. 
 
Para subsidiar as celebrações da SOUC e enriquecer ainda mais a partilha entre as diferentes comunidades cristãs, o CONIC disponibiliza CADERNOS (que podem ser adquiridos ao preço de R$ 4,50) além do CARTAZ, que é gratuito e pode ser baixado em alta resolução neste link.
 
Como comprar?
 
Para adquirir os cadernos, envie um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. indicando a quantidade. É importante que no e-mail estejam informações como CNPJ ou CPF de quem encomenda e endereço para emissão de boleto bancário. O boleto será emitido para pedidos acima de 10 cadernos. Quem desejar menos de 10 cadernos terá que realizar depósito bancário na conta:
 
Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4
 
Ganhe um brinde na compra acima de 10 cadernos!
 
A cada 10 cadernos comprados você ganha 1 (um) cartaz já impresso e, caso ainda precise de mais, basta indicar a quantidade de cartazes necessários que, sendo possível, o CONIC os envia.
 
O que é a SOUC?
 
Promovida mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios. 
 
No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908, por Paul Watson, pois cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo, e tinham, portanto, um significado simbólico.
 
No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em todos os estados.

 
 
Quando começou a escrever o livro que levaria seu nome, por volta do ano 687 a.C., o profeta Isaías jamais poderia imaginar que, 28 séculos depois, estaria metido em uma polêmica nas redes sociais. Segundo postagens que viralizaram nos últimos dias, o maior de todos os profetas de Israel teria predito, lá no século 7º antes da Era Cristã, a guerra civil na Síria.
 
Ou, para ser mais exato, a destruição de Damasco, a capital do país.
 
O versículo da discórdia é o primeiro do capítulo 17. "Damasco deixará de ser cidade e se transformará em um monte de ruínas", diz o profeta. Outro trecho da Bíblia, também compartilhado pelos internautas, é o versículo 24 do capítulo 49 de Jeremias. "Damasco desfalece e prepara a fuga. O medo se apodera dela. Está possuída de angústia e dores, como a mulher que está dando à luz."
 
Será que, passado tanto tempo, os oráculos de Isaías e Jeremias finalmente se cumpriram? Ou, ao contrário, o uso dos textos da escritura não passam de ignorância ou mesmo má-fé para justificar, com base na religião, o conflito?
 
"Quando digo que a responsabilidade pela guerra na Síria é da profecia de Isaías, isento de culpa quem está por trás daquele genocídio", raciocina o teólogo Frei Isidoro Mazzorolo, professor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. "É como se dissesse: não há nada que eu possa fazer para mudar aquela catástrofe porque ela é da vontade de Deus."
 
O reverendo Arthur Nascimento, da Paróquia da Santíssima Trindade, da Diocese Anglicana de São Paulo, faz coro: "Não podemos jogar nos ombros de Deus uma responsabilidade que é nossa. Cabe a nós, comunidade internacional, encontrar uma solução para a guerra civil na Síria".
 
Além disso, ele diz que é preciso cuidado ao interpretar textos sagrados: "A Bíblia foi escrita dentro de um contexto histórico. Recorrer a textos bíblicos fora de seus contextos originais pode ser altamente perigoso". Quando isso acontece, explica Nascimento, tudo - de intolerância racial à discriminação contra LGBTs - pode ser justificado pelos textos sagrados.
 
O papel do profeta
 
Doutorando em História pela Universidade de Campinas (Unicamp), Jefferson Ramalho pondera que, ao contrário do que se imagina, profeta não é aquele que prevê ou adivinha o futuro, e sim quem denuncia o presente.
 
Já naquela época, Isaías tinha muito a denunciar: corrupção política, desigualdade socioeconômica, exploração do trabalho... "O texto de Isaías se refere à queda de Damasco, ocorrida no ano 732 a.C.", diz o historiador.
 
Na época, Efraim (Reino de Israel) e Damasco (Reino de Aram) se uniram para lutar contra a Assíria. No capítulo 17, em vez de suspostamente predizer a queda da Síria no século 21, o profeta Isaías anuncia a derrota da coalizão e lamenta a destruição de Damasco. Dez anos depois, o exército assírio conquistou Samaria, a capital de Israel.
 
"Atrelar a atual guerra na Síria à profecia de Isaías é oportunismo religioso", critica o reverendo Egon Kopereck, presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). "Essa interpretação provém de fundamentalistas religiosos que querem causar alvoroço dentro do povo cristão."
 
Boatos sobre genocídios
 
Rumores que associam confrontos militares a profecias bíblicas não são novidade no mundo virtual. De tempos em tempos, surge um novo boato atribuindo atos de genocídio ao cumprimento de oráculos. Uma versão em inglês dessa profecia de Isaías que se espalhou agora pelo Brasil já havia corrido a Europa em 2013.
 
Outro exemplo disso é o versículo 28 do capítulo 23 do Evangelho de Lucas.
 
Nele, Jesus diz: "Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos!". E continua: "Felizes das mulheres que nunca tiveram filhos, dos ventres que nunca deram à luz e dos seios que nunca amamentaram!". Já houve quem interpretasse esse trecho do Novo Testamento como uma profecia do Holocausto nazista, que dizimou 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra.
 
Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a pastora Romi Márcia Bencke reage com indignação às correntes de profecias relacionadas à Guerra na Síria: "Atribuir a Jesus a profecia pela morte dos judeus é uma afronta ao Evangelho. Jesus jamais expressou o desejo de morte de pessoas, ainda mais de um grupo. As críticas que Jesus fazia a Jerusalém tem relação com o Templo, um lugar não só religioso, mas também político e econômico", contextualiza.
 
E hoje, o que fazer diante da guerra civil que, desde 2011, já matou 470 mil pessoas e expulsou outras 5 milhões de suas casas? "Mais do que simplesmente fazer uma leitura religiosa e um tanto quanto fantasiosa e anacrônica da Bíblia, devemos denunciar a crueldade e a violência dos que hoje estão matando de maneira discriminada o povo sírio", opina o historiador.
 
Fonte: BBC Brasil
Foto: Reprodução / GETTY IMAGES
Obs.: o título foi adaptado

 
 
Houve um bispo nas ilhas Tiwi, costa norte da Austrália, que teve 150 “esposas”. O próprio dom Francis Xavier Gsell destaca esse fato insólito na sua autobiografia, que foi publicada quando ele se tornou emérito, em 1956.
 
90% dos habitantes das ilhas Tiwi são da etnia aborígene kiwi. Em 1922, depois de vários anos na região, aconteceu algo na vida do bispo que mudaria a sua vida: uma adolescente que vivia na missão local se queixou de que iam entregá-la a um esposo já idoso.
 
Dom Gsell não podia fazer nada, porque essa era a lei da ilha. Soluçando, a jovem foi obrigada a ir embora para uma vida de sacrifícios imprevisíveis. Cinco dias depois, porém, ela voltou sangrando, com uma ferida de lança na perna. Tinha escapado e afirmava que não queria mais sair da missão.
 
O “esposo” e os familiares, enfurecidos, foram falar com o bispo, que lhes ofereceu uma série de presentes: tabaco, um espelho, carne, latas de melado… Mas havia uma condição: “A menina fica”. A negociação durou várias horas, mas, no final, eles concordaram.
 
A partir dessa experiência, dom Francis Xavier Gsell começou a “comprar” a liberdade das moças. No total, libertou 150 delas – que, segundo a lei tribal, passavam a ser consideradas como suas “esposas”, embora, obviamente, não o fossem na prática. O bispo pagava o dote e as recebia na missão, onde as jovens aprendiam a ler e escrever, a desempenhar um ofício e, finalmente, conseguiam formar a própria família.
 
A história e a vida de dom Francis Xavier Gsell é cheia de aventuras e de formas originais de evangelização. Você pode ler mais sobre ele nesta matéria, em espanhol, do site Religión en Libertad.
 
Fonte: Aleteia
Foto: Reprodução

 
 
 
Moradias no meio do mato, cobertas por lonas e com chão de terra batida; alojamentos perto ou dentro de currais e chiqueiros, em locais com cobras e camundongos, sem água potável nem local para fazer refeições. Trabalhadores expostos a riscos sem equipamentos de segurança e sem acesso a atendimento médico. Relatos assim são comuns nos relatórios de fiscalização e configuram condição degradante, presente em 94,9% das autuações realizadas no Estado desde 2004.
 
Esse aspecto, sozinho, já é suficiente para caracterizar o trabalho escravo de acordo com a legislação, mas não no imaginário popular, que ainda associa a prática à presença de correntes, navios negreiros ou senzalas. Pesquisa encomendada pela ONG Repórter Brasil à Ipsos Public Affairs, em 2016, mostrou que 70% dos brasileiros sabem que existe trabalho escravo no país, mas pouquíssimos sabem defini-lo.
 
Apenas 8% reconhecem as condições degradantes, 7% citaram trabalho forçado, e a jornada exaustiva só foi considerada por 1%. Uma em cada quatro pessoas disse, ainda, que receber um salário abaixo do que é considerado justo para a função não significa trabalho escravo.
 
As vítimas também não se reconhecem como escravos. “Em muitos julgamentos as pessoas diziam que não eram escravas, mas elas não conheciam outra forma de viver”, conta o juiz Carlos Haddad.
 
No último dia 6 de fevereiro, a reportagem acompanhou uma fase da operação Canaã: A Colheita Final, deflagrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Polícia Federal (PF) contra uma seita religiosa que convence os seguidores a trabalhar sem remuneração justa, em troca da salvação. Em uma casa comunitária, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, dos 12 moradores que supostamente trabalhavam para a igreja, só um falou com a reportagem e disse que todos estavam ali por vontade própria.
 
Com os auditores, a recepção não foi diferente. “Quando perguntamos sobre os contratos de trabalho, sobre a forma como foram aliciados e sobre qual era a relação deles com a organização religiosa, eles apresentaram muita resistência”, diz a auditora fiscal que acompanhou a operação, Dayane Alves Pereira.
 
A operação também aconteceu em outras cidades, onde mais trabalhadores foram encontrados na mesma condição, mas ninguém admitiu ser escravo nem quis ir embora. “O fato de alguém não se importar em trabalhar sem receber não deixa de configurar a situação como análoga à escravidão”, ressalta o coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo do MTE em Minas, Marcelo Campos.
 
Semana de Oração pela Unidade Cristã
 
Este ano, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) trabalha justamente a questão. Com o tema inspirado no livro do Êxodo, "A mão de Deus nos une e liberta", a ideia é refletir sobre o trabalho análogo à escravidão que, em pleno século XXI, fere tanto a humanidade quanto a imagem de um Deus de amor e liberdade. 
 
Organize seus grupos de oração, estudos bíblicos. Experimente orar e viver ecumenicamente. Participe da Semana de Oração pela Unidade Cristã.
 
Os pedidos para o material da SOUC 2018 poderão ser encaminhados para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O preço do caderno é R$4,50. O cartaz ficará liberado para download, em alta resolução, neste link (em PNG), ou neste link (em PDF).
 
Com informações do site O Tempo
Imagem: Reprodução

 
 
“A mulher catadora empoderada é quando ela se apossa do seu conhecimento pra transformar o momento que ela vive e se projetar para ocupar o espaço que ela realmente tem direito", disse a catadora Maria Tugira da Silva Cardoso, da Associação de Amigas e Amigos da Natureza (Aclan), Uruguaiana (RS), no vídeo Mulher Catadora é Mulher que Luta, criado e produzido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e mulheres catadoras de materiais recicláveis. 
 
Além de depoimentos, o vídeo traz informações sobre o processo, atividades e resultados do projeto Mulher Catadora é Mulher que Luta, executado pela FLD, em parceria com o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), e financiado pela União Europeia.
 
Clique aqui para assistir.
 
Fonte: FLD
Imagem: Reprodução / Vídeo

 
 
O fundador, junto ao frei Hans, da Fazenda da Esperança, Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, se mostra maravilhado diante de sua nomeação para a Comissão para Proteção de Menores. Ele é o único brasileiro convidado pelo Papa Francisco para integrar a comissão, e teve sua nomeação anunciada no mês passado. “Foi um susto!”, relembrou.
 
“Estava tranquilamente com o frei Hans e os nossos irmãos da nossa casa, tomando café, quando de repente vi uma chamada dos Estados Unidos. Era o cardeal O’ Marley, que se apresentou (…) com um perfeito português. Logo tomei um susto. Ele de uma forma paterna e franciscana logo entrou no assunto dizendo que o Santo Padre indiciou meu nome e perguntou se eu aceitaria”, relatou Giovanelli.
 
De acordo com o brasileiro, após consultar seus irmãos consagrados e responsáveis, o convite foi aceito. “Liguei para dizer meu sim, foi quando ele [O’ Marley] me explicou as coisas concretas do ponto de vista da nomeação e me pediu silêncio. A nomeação só deveria sair depois, então eu não imaginava que fosse tão veloz porque foi logo no sábado subsequente” contou.
 
Giovanelli vê no chamado de Francisco um reconhecimento da Igreja às instituições e obras que nasceram para a proteção dos menores, adolescentes e de pessoas vulneráveis. Como um dos fundadores da Fazenda da Esperança, o brasileiro acredita que a sua experiência nestes 35 anos de acompanhamento de mais de 30 mil jovens e adolescentes que passaram pela dependência química contribuirão para o grupo formado pelo Pontífice.
 
“Nessa experiência de anos constatamos que grande parte daqueles que entraram nas dependências químicas entraram por conta de sofrimentos, inclusive abusos que sofreram na sua infância e adolescência”, relatou Giovanelli. Ele disse que admira a postura do Santo Padre de se preocupar com a problemática e criar, em 2013, uma comissão para poder fazer com que casas, famílias e a igreja sejam lugares seguros para crianças, adolescentes e adultos. “A Igreja é mãe e como mãe não poderia fazer outra coisa a não ser criar formas de proteger seus filhos”, refletiu.
 
A Comissão
 
Segundo o brasileiro escolhido pelo Papa, a Comissão para Proteção de Menores tem três objetivos, o primeiro deles é ajudar na cura e cuidado das vítimas e das famílias, depois orientar as igrejas locais na proteção dos menores e também auxiliar na educação de líderes que trabalham na tutela dos menores. Estes objetivos são conquistados, de acordo com Giovanelli, por meio da partilha de experiências e de resultados vividos pelos membros da comissão.
 
As reuniões da comissão acontecem em Roma, duas vezes ao ano, sendo que a primeira de 2018 acontecerá do dia 19 a 23 de abril. Nos dois dias subsequentes desta data, membros participarão de grupos de escuta das vítimas, vivência que segundo Giovanelli, será essencial para dar luz aos trabalhos.
 
O representante brasileiro destacou o cuidado do Papa em chamar membros de todos os continentes como uma atitude maravilhosa, e mostrou grande expectativa para o início dos trabalhos. “A expectativa é de poder construir um ambiente de família com a comissão, é um grupo maravilhoso! Não guardar para nós as alegrias que durante estes anos colhemos na Fazenda da Esperança é muito bom, mas mais importante ainda é receber a experiência de todos os lugares de onde estes membros fazem parte”, comentou.
 
Por Canção Nova
Foto: Wesley Almeida