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“Ai dos que decretam leis injustas,
dos que escrevem leis de opressão,
para negarem justiça aos pobres,
para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo...”
(Isaías 10:1-2a)
 
Estamos acompanhando com atenção os desdobramentos da intervenção federal de natureza militar decretada no Rio de Janeiro, no dia 16 de fevereiro de 2018.
 
Compreendemos que é tarefa do Estado brasileiro e seus dirigentes preocuparem-se com políticas públicas voltadas para a redução da violência, que apresenta números alarmantes no país.
 
O combate à corrupção na polícia e o esforço para superá-la é outra intencionalidade legítima do Estado brasileiro.
 
No entanto, o que nos preocupa e provoca interrogações é a forma não planejada e não dialogada com que esta intervenção foi decretada. 
 
A Nota Técnica do Ministério Público Federal emitida em 20/02/2018 destaca que a intervenção é um mecanismo do federalismo e tem amparo na Constituição Federal. De igual modo, ressalta que uma intervenção federal precisa ser sujeitada, desde a sua elaboração até a sua execução, ao controle político, social e judicial. Não é o que se observa no Decreto 9.288/2018. Soma-se a isso, o fato de que as medidas e a maneira como a intervenção irá ocorrer são ambíguas e carecem de maior detalhamento. A Nota Técnica especifica que a intervenção federal no poder executivo estadual é, por definição constitucional, de caráter civil. Não cabe, portanto, instituir via decreto uma intervenção militar.
 
Ressalvadas as questões de ordem jurídica, o que muito nos preocupa é o fato de que a intervenção militar está voltada para os morros e periferias do Rio de Janeiro, dando-se a entender que o crime organizado, pessoas em conflito com a lei e o tráfico de drogas são realidades presentes apenas junto à população de baixa renda. A pobreza não é crime e também não induz ao crime. O crime organizado é resultado de teias que possuem variáveis amplas e complexas. Os donos do tráfico não moram nas favelas. Deste modo, construir uma estratégia de enfrentamento à violência e ao tráfico de drogas ou de armas tendo como base o recorte geográfico das comunidades pobres, nos parece uma dissimulação. Tal artifício pode criar a impressão de uma segurança aparente e temporária, mas não resolve a questão da violência, do crime organizado, do tráfico, nem da corrupção policial. A intervenção que resolve a questão da violência em comunidades pobres é a social, uma vez que a pobreza é resultado da ineficiência de políticas de redução da miséria, da ausência de educação e trabalho, da falta de investimento na urbanização das favelas e comunidade periféricas.
 
O marco geográfico da intervenção federal de caráter militar no Rio de Janeiro reflete o racismo institucional dos órgãos de segurança. A população negra e pobre é a que mais tem sido alvo da ação violenta da polícia. Resultado do racismo nunca superado. A intervenção militar tem abordado preferencialmente pessoas negras, como se uma pessoa, pelo fato de ser negra, automaticamente esteja envolvida no mundo do crime. 
 
Sabemos por experiências históricas que ações autoritárias, não dialogadas, não conduzem à resolução da realidade de violência. Um país economicamente desigual, com baixos níveis de educação, com dificuldade de acesso à saúde, entre outras questões, necessita de transformações estruturais e não da criminalização da pobreza.
 
Há tempos a sociedade civil cobra do Estado um Plano Nacional de Segurança Pública que considere, entre outras questões, a desmilitarização da polícia, melhor capacitação dos profissionais da segurança pública, condições mais adequadas de trabalho, redução das desigualdades, respeito e cumprimento dos direitos humanos, política de desencarceramento, desarmamento da população civil, entre outras questões. Lamentamos que este Plano é ignorado e que a sociedade civil não tem sido chamada para dialogar sobre a violência e suas resoluções.
 
Ao contrário, as propostas em curso seguem outro itinerário. Um exemplo são as mudanças nas regras de controle de porte de armas nas residências, local de trabalho, caso a pessoa portadora da arma seja dona do estabelecimento ou em propriedades rurais. Essas alterações são contraditórias com as ações que têm como objetivo a redução da violência, como é o caso do Estatuto do Desarmamento, defendido pela sociedade civil. 
 
Cabe-nos destacar a dúvida em relação ao risco de outros estados sofrerem a intervenção militar, considerando que até o momento a população brasileira não foi devidamente informada das intencionalidades reais deste Plano. Não menos importantes são os altos custos de uma operação desta natureza, em um período em que se tem cortado recursos para a educação e a saúde, além de outras políticas públicas relevantes para se garantir um mínimo de dignidade à população de baixa renda.
 
Neste tempo de quaresma é difícil ignorar a imagem que melhor caracteriza esta intervenção: militares armados revistando crianças pobres e negras na porta das escolas. 
 
O que esperar do futuro?
 
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC

 
 
 
Neste mês de março, Brasília sediará dois grandes eventos relacionados à água. 
 
O primeiro é o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), organizado e protagonizado por organizações da sociedade civil que compreendem a água como direito e não como mercadoria. A data de realização do FAMA será de 17 a 22 de março. 
 
O segundo é o Fórum Mundial da Água (FMA). Organizado pelo Conselho Mundial da Água, reunirá corporações empresariais e organizações públicas interessadas no estabelecimento de parcerias público-privadas, incluindo a privatização, para a gestão da água.
 
O CONIC, junto com outras organizações, está empenhado na organização da participação ecumênica e inter-religiosa no FAMA. Para tanto, está organizando uma Tenda Inter-religiosa em defesa da água como direito. 
 
Os objetivos da Tenda são:
 
- Reforçar a dimensão espiritual da água e a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado, mas deve estar à disposição de todos os seres vivos;
- Fortalecer as articulações nacionais e internacionais em defesa da água;
- Ampliar processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; 
- Aprofundar a relação entre a democracia e a superação das desigualdades econômicas e sociais como estratégia para a superação das mudanças climáticas. 
 
A Tenda Inter-Religiosa será a única Tenda temática do FAMA. 
 
Veja aqui a programação completa da Tenda.
 
Tour de Violações e Alternativas
 
No âmbito da Tenda Inter-Religiosa, o CONIC organizará, no dia 18 de março, o “Tour de Violações e Alternativas”, uma atividade autogestionada que visitará pontos específicos no Distrito Federal onde a questão da água sofre pressões de todos os lados. 
 
 
A participação nesse Tour dará aos presentes uma noção bem clara de como a água é, muitas vezes, tratada com verdadeiro descaso pelas autoridades e demais atores interessados. Também será uma oportunidade de conhecer pessoas incríveis que, dia após dia, lutam para ter um pouco de acesso – ainda que precariamente – a este recurso tão precioso.
 
IMPORTANTE: O ônibus para o Tour sairá do do Centro Comunitário Athos Bulcão - UnB, pontualmente às 8h00. Para saber exatamente onde fica localizado o Centro, basta clicar aqui (para acessar o endereço via Google Maps).
 
CLIQUE AQUI e veja outras informações importantes sobre o Tour.

 
 
A Justiça Global envia informe à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) denunciando a intervenção militar decretada pelo Governo Federal no Estado do Rio de Janeiro. O documento aponta diversas irregularidades no decreto que instituiu a intervenção, além de sinalizar sua absoluta incompatibilidade com os tratados e convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário. Em face da gravidade da medida e de suas prováveis consequências, a denúncia pede a criação de um canal de diálogo permanente dos organismos internacionais com a sociedade civil brasileira que está dedicada à crítica, ao monitoramento e denúncia desta medida de exceção, assim como uma manifestação pública dos organismos internacionais sobre as violações de direitos no país.
 
Para a Justiça Global, a ruptura institucional instaurada pela medida de intervenção insere-se em um contexto mais amplo de afrouxamento das garantias constitucionais, dos princípios democráticos e das políticas sociais no país, levado a cabo por um governo com déficit de apoio popular e de legitimidade política. A gravidade desta medida ameaça, assim, os direitos e garantias individuais de toda a população do Rio de Janeiro, sobretudo as populações negras e pobres, moradoras de favelas e periferias urbanas.
 
A denúncia internacional insere-se em um contexto de ampla mobilização da sociedade civil contra a intervenção militar. A preocupação crescente com as violações que ela pode desencadear amplifica-se ainda mais à luz de episódios anteriores de utilização das Forças Armadas como agentes de segurança pública na cidade e no estado do Rio de Janeiro. O documento enviado aos organismos internacionais recupera alguns exemplos deste trágico desvirtuamento das funções constitucionais das tropas militares, como a invasão à favela da Rocinha em setembro de 2017, e a operação militar em novembro do mesmo ano na favela do Salgueiro, em São Gonçalo.
 
“A utilização das Forças Armadas na segurança pública na cidade do Rio de Janeiro tem se tornado uma constante durante o período de redemocratização. Esta prática tem promovido um verdadeiro festival de violações de direitos humanos, sobretudo para a população negra e pobre”, afirma Sandra Carvalho, coordenadora da Justiça Global. “Um dos pontos de maior relevo em nossa denúncia é o fato de que a Constituição não autoriza que a autoridade política dos estados seja transferida da esfera civil para a esfera militar, mas tão somente da esfera estadual para a esfera federal. Ao definir que ‘o cargo de Interventor é de natureza militar’, o decreto de intervenção afronta a ordem constitucional”, conclui Sandra.
 
A denúncia destaca dois episódios que evidenciam a gravidade e necessidade de alerta quanto à transferência de poder para um comando militar. O primeiro se trata da declaração do Comandante do Exército brasileiro de que “[os] militares precisam ter garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”, referindo-se à Comissão Nacional da Verdade, que foi responsável pela investigação e documentação dos crimes cometidos pelos agentes do Estado brasileiro durante os anos da ditadura militar no país. O outro episódio, igualmente grave, consiste na mensagem do chefe do centro de comunicação social do Exército Brasileiro sobre a intervenção militar no Rio de Janeiro, direcionada a todas as organizações militares do país, que transmitiu o seguinte recado do Comandante do Exército às suas tropas: “O Comandante do Exército entende que a solução exigirá comprometimento, sinergia e sacrifĩcio dos poderes constitucionais, das instituições e, eventualmente, da população”.
 
Fonte: Justiça Global
Imagem: Reprodução

 
O pastor luterano alemão Martin Niemöller (foto acima) é daquelas personalidades da história que nos desafiam à reflexão. O seu eterno dilema estava entre obedecer a Deus ou cumprir a lei. A resposta para ele parecia óbvia, numa realidade em que o governo da Alemanha estava nas mãos dos nazistas.
 
Suas prédicas eram contundentes, e ele não temia as ameaças dos oficiais do regime. Ele desafiava sua comunidade à desobediência civil e não se calava diante das atrocidades contra os judeus e outras minorias. O resultado de sua ousadia profética foi um período de sete anos na prisão. Muitos outros pastores e padres o acompanharam e foram presos, torturados e até condenados à morte.
 
Já outros clérigos, entretanto, foram coniventes. Ficaram calados ou se sujeitaram ao regime. O medo e, em diversos casos, a concordância com o que estava acontecendo, os levava a silenciar ou até a colaborar.
 
No início do tempo que Niemöller passou na prisão, ele recebeu a visita de um colega pastor, que lhe perguntou: “Irmão, por que você está na prisão?”. Em vez de explicar a razão do seu encarceramento, o pastor Martin devolveu com outra pergunta: “Irmão, por que você NÃO está na prisão?”.
 
Para o combativo pastor, parecia óbvio contestar o regime e ser condenado por isso. Não havia alternativa para um cristão. A desobediência e a contestação eram atitudes proféticas e a prisão uma consequência óbvia para quem não concorda. Isso aconteceu há 80 anos.
 
Martin Niemöller segue sendo uma inspiração perene para a igreja em tempos de injustiça. Ser profético tem consequências dramáticas. Mas, fugir delas nos torna culpados, tremendamente culpados.
 
*Clovis Horst Lindner é teólogo luterano

 
 
Foi inaugurada oficialmente, no dia 15 de fevereiro, na Província de Minya, no Egito, a Igreja dos “mártires coptas na Líbia”, dedicada aos 21 egípcios decapitados nas costas da Líbia em 2015 por terroristas da facção Estado Islâmico.
 
A igreja – localizada no povoado de Our, proximidades de Lamalut, área de onde provinham 17 dos 21 cristãos executados de joelhos em uma praia – “é um sinal muito positivo, porque imortaliza seus nomes e seus testemunhos ao Evangelho”, comentou o bispo copta-católica de Minya, dom Boutros Fahim Awad Hanna.
 
Tal iniciativa, que contou com total apoio do presidente egípcio, Abdul Fatah Khalil Al-Sisi, “encoraja todos os cristãos do Egito a serem firmes na própria fé”, apesar das adversidades, enfatiza.
 
A dor do Papa pelo ato bárbaro
 
O papa Francisco, informado do ocorrido, exprimiu horas mais tarde – ao receber uma delegação da Igreja reformada da Escócia – sua profunda tristeza, recordando que ao serem assassinados  eles pronunciaram a frase “Jesus, ajuda-me!”.
 
A Província de Minya
 
A dedicação da igreja aos mártires coptas egípcios na Líbia assume um significado particular na Província de Minya, região em que nos últimos tempos foram atacados locais de culto e habitações de cristãos.
 
Com informações da agência Vatican News
Foto: Reprodução / AFP or licensors

 
 
A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) se caracteriza pela sua abertura e participação na área do ecumenismo. Esse caráter ficou mais uma vez notório nos últimos anos, por ocasião dos festejos do Jubileu dos 500 Anos da Reforma. Centenas de eventos aconteceram em todo o território nacional, e as Comunidades Evangélicas de Confissão Luterana participaram de celebrações de forma bastante ativa.
 
Neste ano comemoramos os 70 anos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Isso é motivo de júbilo e alegria. Milhões de pessoas cristãs, que participam de centenas de Igrejas espalhadas pelo mundo, receberam impulsos e motivações para um testemunho comum da fé em seu contexto de vida.
 
Todo o engajamento na vida ecumênica está ancorado em uma espiritualidade abastecida pelo encontro de irmãs e de irmãos que se reúnem para orar, ouvir a Palavra de Deus, louvar e confessar a sua fé no Trino Deus. Neste sentido merecem destaque, no cultivo da espiritualidade ecumênica, o Dia Mundial de Oração (DMO) e a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC).
 
Animo a todas as Comunidades vinculadas à IECLB a tomarem parte das celebrações previstas para este ano. Chamo a atenção para o Dia Mundial de Oração (DMO) e a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC).
 
O Dia Mundial de Oração (DMO) celebra em 2018 seus 80 anos de realização no Brasil. Na primeira sexta-feira do mês de março - 2 de março de 2018 – mulheres do mundo inteiro se encontrarão sob o tema “Toda Criação de Deus é Muito Boa!” A celebração foi preparada por mulheres do Suriname.
 
A Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) ocorre na semana anterior a Pentecostes (13-20 de maio de 2018) e tem como tema “A mão de Deus nos une e liberta”. O material foi preparado pelas Igrejas do Caribe.
 
Convidem amigos, vizinhos e familiares de outras denominações cristãs para fazerem parte das celebrações. Aproveitem a oportunidade para dar um testemunho claro e visível de afirmação da vontade de Jesus, que desejou que os seus seguidores e as suas seguidoras fossem um, assim como ele e o Pai o são (Jo 17.21).
 
O Portal Luteranos criou páginas especiais para dar visibilidade a tudo aquilo que acontece nas Comunidades por ocasião das celebrações. Vejam: IECLB e Dia Mundial de Oração e IECLB e Semana de Oração pela Unidade Cristã. Escrevam sobre a sua programação local e encaminhem posteriormente notícias sobre estes momentos tão significativos para a comunhão de irmãos e irmãs de diferentes Igrejas cristãs.
 
Desejo que o Espírito Santo de Deus ilumine a todos e todas nestes momentos celebrativos. Que ele desperte e fortaleça o dom da unidade dada em Cristo Jesus.
 
Em Cristo,
 
P. Dr. Nestor P. Friedrich
Pastor Presidente

 
 
“O pai de vocês é o diabo, e vocês querem realizar o desejo do pai de vocês.
Desde o começo ele é assassino, e nunca esteve com a verdade, porque nele não existe verdade.
Quando ele fala mentira, fala do que é dele, porque ele é mentiroso e pai da mentira.” (João 8:44, Edição Pastoral)
 
A Diocese Anglicana do Paraná vem a público defender a família e os valores cristãos e humanistas. Fazemos isso no ensejo da organização do denominado “Movimento Gênesis – Homem e Mulher os Criou”, que, segundo a imprensa, se trata de uma iniciativa de união entre católicos e evangélicos “na criação de um projeto contra a ideologia de gênero” que “tem como objetivo reforçar o conceito de que a família, baseada no casamento entre um homem e uma mulher, é um projeto de Deus para o desenvolvimento saudável da sociedade e do ser humano”.
 
Acreditamos que toda iniciativa de diálogo ecumênico é positiva e deve ser fomentada, mas reafirmamos nossa convicção na importância de um ecumenismo de serviço, voltado às necessidades humanas e no combate à discriminação e violência. Como pessoas cristãs é nosso dever abraçar a totalidade da dimensão humana, valorizando a família em todas as suas configurações, inclusive àquelas formadas por pessoas do mesmo sexo. A família é sim um lindo projeto de Deus, onde relações saudáveis se constroem em amor, respeito e solidariedade. No seio de nossas famílias nascem pessoas lésbicas, gays, bi e transexuais; tais pessoas devem ser amadas e protegidas contra toda forma de discriminação e preconceito, e um Estado laico deve favorecer sua formação integral como seres humanos livres e iguais para que elas também possam formar suas próprias famílias.
 
Cabe ressaltar que a denominada “ideologia de gênero” que várias pessoas se propõem a combater não existe. Existem sim mulheres e homens que dedicam suas vidas a estudar o complexo fenômeno da sexualidade humana, em suas várias vertentes e performances. As Instituições Acadêmicas perpetram tais estudos cientes de sua vocação humanística e seu compromisso com a verdade e a ciência. Nem sempre as pesquisas científicas podem concordar com textos obscuros escritos para outras culturas e distantes cronologicamente de nossas vidas por vários milênios.
 
O Anglicanismo acredita na leitura das Sagradas Escrituras amparadas pela Tradição da Igreja, pela Razão e com sentimentos e compaixão por todas as pessoas. Portanto, denunciamos como diabólica (no sentido de maltratar e dividir famílias e a própria sociedade) essa leitura rasa e fundamentalista do mito bíblico da criação e como mentirosa a desculpa de combate a qualquer ideologia, sobretudo a de gênero.
 
Rememoramos as cruéis “Marchas da Família com Deus pela Liberdade”, que ajudaram a mergulhar nossa nação em décadas de morte. Nas mãos de lideranças cristãs conservadoras de 1964 está o sangue de uma geração torturada e brutalmente assassinada por um Regime Ditatorial. Em 2018, às vésperas do processo eleitoral mais complexo da história do Brasil as mesmas lideranças buscam novas ideologias para combater, com exatamente o mesmo objetivo: eclipsar o verdadeiro debate político, eivando o processo eleitoral com fanatismo religioso, se aproveitando da boa fé do povo brasileiro para facilitar o poder às mesmas elites conservadoras que sempre instrumentalizaram uma visão desencarnada da moralidade cristã como plataforma política em detrimento de um projeto de nação e das pautas progressistas.
 
O pecado da mentira recai sobre quem inventa uma “ideologia de gênero” para combater, escondendo seu preconceito e incapacidade de amar o próximo. Mas nessa cruzada fundamentalista mais pecados são cometidos. O pecado de famílias destruídas, de crianças transexuais expulsas de casa e condenadas a prostituição. O pecado de jovens que se suicidam por se sentirem desamparados pela religião em que nasceram.  Esse sangue clama por justiça diante de um Deus, que encarnou seu filho, nascido de uma mulher e com dois pais, para amar!
 
Nos colocamos à disposição para um diálogo ecumênico e inter-religioso de amor e liberdade, que valorize a dignidade de todas as pessoas. Acreditamos no diálogo e na aceitação das diferenças e estamos prontos para contribuir com nossa tradição humanística de interpretação bíblica na construção de uma sociedade de pleno direito e de um cristianismo acolhedor.
 
Naudal Alves Gomes
Bispo Diocesano
 
Emerson Robson Aparecido Silva
Secretário Diocesano; Vice presidente do MOVEC; Vice coordenador Estadual do CEBI/PR

 
 
Em nota de esclarecimento divulgada nesta terça-feira (21), os bispos do Brasil apresentam de forma clara e transparente a  destinação dos recursos arrecadados na Coleta Nacional da Solidariedade de 2017. A iniciativa é realizada anualmente sempre no período da quaresma, que no Brasil coincide com a Campanha da Fraternidade, como gesto concreto comunitário de ajuda e incentivo a projetos comprometidos com o desenvolvimento humano integral. São os recursos financeiros arrecadados nas paróquias e comunidades de todo Brasil, fruto da generosidade e do compromisso de milhares de cristãos/ãs com uma sociedade mais justa e uma vida mais digna para todas as pessoas, que formam o Fundo Nacional de Solidariedade (FNS).
 
Na última semana publicações em sites e redes sociais emitiram uma série de acusações sobre a destinação dos recursos e julgamentos quanto a finalidade das ações apoiadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil através do Fundo Nacional de Solidariedade.
 
Em resposta a essas acusações a CNBB divulgou a presente nota para que as inverdades veiculadas não encontrem ressonância nos crtistãos/ãs católicos/as que generosamente se unem nessa corrente solidária de doação – Coleta Nacional da Solidariedade – que este ano acontecerá no próximo dia 25 de Março, Domingo de Ramos. 
 
A Cáritas Brasileira compõe o Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), instância de aprovação das iniciativas a serem apoiadas pelo fundo. As ações apoiadas pelo FNS contribuem para a melhoria das condições de vida de muitas pessoas. Os projetos apoiados priorizam ações de formação de agentes de mudanças baseado nos princípios da construção coletiva de conhecimentos e transformação da realidade.
 
Eis a nota:
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) esclarece que, ao contrário do que se veicula em redes sociais, não financiou projeto algum de “ONGs abortistas”, nem de “grupos terroristas”, com recursos do Fundo Nacional de Solidariedade (FNS), constituído pela coleta da Campanha da Fraternidade-2017. Um dos projetos financiados em 2017 foi o V Encontro dos Signatários da Plataforma por um Novo Marco Regulatório para as Organizações da Sociedade Civil, realizado em São Paulo, no mês de outubro de 2017.
 
O referido projeto foi apresentado pela Plataforma que, por não possuir CNPJ, recorre às organizações da sociedade civil que compõem sua Secretaria Executiva a fim de firmar acordos para a execução de seus projetos que implicam doação de recursos financeiros. Seguindo essa prática, a Plataforma indicou a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), uma de suas entidades signatárias, para assinar a parceria com o Fundo Nacional de Solidariedade, constando, apenas por isso, o nome da ABONG no site do Fundo como entidade responsável pelo projeto. O financiamento, portanto, foi para a Plataforma no valor de R$ 40.500,00 (quarenta mil e quinhentos reais) e não para a ABONG, conforme se tem divulgado, por má fé ou desinformação.
 
A Plataforma foi constituída em 2010 e reúne mais de cem instituições não governamentais e religiosas como a Associação Nacional de Educação Católica (ANEC), Cáritas Brasileira, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), a Pastoral da Criança, a Pastoral da Pessoa Idosa. Trata-se de um fórum de articulação de entidades, formado com o objetivo de construir, em diálogo com o Estado, um marco regulatório que favoreça a atuação das Organizações da Sociedade Civil, num ambiente legalmente favorável e adequado às suas realidades.
 
Fruto dessa articulação é a Lei 13.019/2014, conhecida como Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil, que regulamenta as parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, inclusive as instituições religiosas que prestam serviços nas áreas da educação, da saúde e de assistência social.
 
A CNBB continuará cumprindo rigorosamente os critérios que determinam a aplicação dos recursos do Fundo Nacional de Solidariedade que, em 2017, financiou 237 projetos, num valor total de R$ 5.886.475,39 (cinco milhões, oitocentos e oitenta e seis reais e trinta e nove centavos). Na oportunidade, a CNBB expressa seu agradecimento a todos que, generosamente, com sua doação, tornam possível a realização de inúmeros projetos na defesa e promoção da vida em todas as suas expressões, com uma particular atenção aos mais necessitados.
 
Brasília-DF, 21 de fevereiro de 2018

 
Para ajudar na reflexão da Campanha da Fraternidade 2018, a Província Franciscana, através da Frente de Evangelização da Comunicação, produziu uma série de entrevistas, disponibilizada na plataforma Soundcloud. A Campanha da Fraternidade deste ano traz como tema “Fraternidade e superação da violência” e como lema “Vós sois todos irmãos”.
 
O objetivo é ajudar o ouvinte a refletir e buscar formas de superar a violência em todos os seus aspectos, empenhando-se na busca da paz e da solidariedade. Este Especial apresenta também alguns exemplos de iniciativas já realizadas que caminham nesta direção.
 
Além da reprodução nas emissoras, os áudios poderão ser utilizados para formação de agentes pastorais, agentes comunitários, catequistas e também para reprodução em mídias sociais.
 
O material teve produção do Departamento de Comunicação da Província e contou com a colaboração da equipe da Universidade São Francisco (USF) e da Fundação Cultural Celinauta.
 
Para acessar o conteúdo, clique aqui.
 
Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Foto: Reprodução

 
 
Conheça o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no olhar do documentarista baiano Dado Galvão aluno da 7ª turma (foto acima) do curso de pós-graduação em Fé e Política do CEFEP, uma parceria com a PUC/RJ (Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro). O vídeo-reflexão intitulado: “não se esqueça dos pobres” é inspirado na recomendação do cardeal brasileiro Cláudio Hummes para o Papa Francisco.
 
A 7ª edição do Curso de Formação Política para Cristãos Leigos e Leigas 2018/2019 começou dia 14 de janeiro. A primeira etapa do curso, organizado pelo Centro de Fé e Política Dom Helder Câmara (Cefep), contou com 45 participantes e se estendeu até o dia 27/01.
 
De acordo com o padre José Ernanne Pinheiro, coordenador do Cefep, o objetivo da formação é fomentar no Brasil um pensamento social cristão à luz do Ensino Social da Igreja e dos valores evangélicos. O Cefep ainda pretende contribuir com a formação de lideranças na política, a partir de uma reflexão bíblica e teológica, das ciências sociais e da filosofia. Ele calcula que mais de 25 vereadores já passaram pela formação oferecida pelo Cefep.
 
O vídeo pode ser acessado neste link.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Arquivo Pessoal / 7ª turma da pós-graduação em Fé e Política do CEFEP