O CONIC criou, em seu site, o espaço Religiões e Democracia. A ideia é refletir as relações entre a religião e a democracia e trabalhar a temática com o auxílio de perguntas feitas a lideranças religiosas, teólogos e teólogas, cientistas da religião e de outras áreas do conhecimento. Convidamos vocês para lerem as entrevistas e manifestarem opiniões. Sempre em um espírito de diálogo e respeito às ideias.
 
Desta vez, falamos com Rodrigo Portella, doutor em Ciência da Religião.
 
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1) De que modo as religiões podem contribuir para o aprofundamento da democracia?

É uma questão complexa, pois "as religiões" têm paradigmas muitas vezes discordantes entre si (e, portanto, é complicado generalizá-las), e nascem em ambientes culturais, refletidos em seus textos fundantes e teologias, em que a democracia, assim como a conhecemos hoje, não existia. Aliás, podem mesmo refletir, em suas mensagens e literaturas, modelos não democráticos. Contudo, seja a partir de novas hermenêuticas de seus textos e teologias (desde que não os forcem desonestamente ou os manipulem para concordar com o espírito de nossa época), seja independentemente delas, as religiões organizadas enquanto instituições burocráticas de representação e normatização da fé de seus adeptos deveriam, a meu ver, colocar em suas agendas questões em comum referentes aos direitos humanos, conforme normatização da ONU, dentre eles a questão da liberdade e democracia. Neste sentido, partiriam de um dado externo a elas, e secular, para seu debate e contribuição a estes temas. Porém, a questão complica porque as religiões, a priori, não têm a obrigação de reconhecer os parâmetros da ONU, por exemplo, como "sagrados" ou vinculativos, e religiões como o Islã, o Confucionismo, dentre outras, têm perspectivas diferentes sobre a organização da sociedade, que diferem dos modelos democráticos modernos. Mesmo a Igreja Católica não reflete, em sua organização interna, um modelo democrático moderno e, assim, como poderá dialogar sobre democracia na sociedade? Não seria incoerente? Contudo, como certa vez afirmou o frade dominicano português, Bento Domingues, se a Igreja não é uma democracia, não precisa, por isso, ser uma ditadura. Penso que aqui está um paradigma interessante: as religiões podem não conter mensagens explicitamente democráticas em suas mensagens fonte, mas as instituições que as representam não necessitam, por isso, fugir a este debate, ou propor modelos autoritários de sociedade; ao contrário, podem e devem fazer leituras de suas tradições que sejam dialógicos com os modelos modernos de democracia.

2) Algumas religiões acreditam que a democracia é incompatível com aquela fé. Como lidar com isso?

Creio que isto, de alguma forma, já foi respondido acima. De fato não é um processo dialógico fácil, mas é necessário o esforço, principalmente quando está em jogo o bem do ser humano e do planeta.

3) No Brasil, expressões religiosas, sobremaneira cristãs, se apossam cada vez mais dos espaços públicos e conquistando grandes representações no Congresso Nacional. Como avalia esse fenômeno?

Numa democracia me parece legítimo. Em democracia qualquer grupo - LGBT, sem terra, ruralistas, movimentos populares, industriais, religiões - podem e têm direito de participar, através dos meios político-democráticos, das decisões do país, fazendo valer, no cenário político-democrático, suas vozes e pensamentos. Isto, me parece, é democracia, e faz parte da democracia o conflito de ideias, às vezes tenso e polêmico. Já a forma como tais grupos atuam é outra discussão. E, claro, nem sempre precisamos os podemos concordar com a forma de atuar dos vários grupos, inclusive os religiosos. Mas este é o bônus e o ônus da democracia, que andam juntos.

4) As religiões de matriz africana, por outro lado, estão pouco representadas. Como você interpreta isso?

Tais religiões têm tido um decréscimo numérico no Brasil, conforme o último censo, e também não costumam ter o poder econômico e midiática das Igrejas evangélicas, por exemplo, o que acaba por se refletir em pouca representação no cenário político. Infelizmente o poder político no Brasil ainda é calcaldo, e muito, a partir do poder econômico, o que, evidentemente, torna injusta uma representação mais plural nos meios políticos decisórios, prejudicando, assim, as minorias (principalmente econômicas) que se vêem prejudicadas quanto à sua representação e força.

5) Agora, uma pergunta provocativa: é possível, a partir da teologia ou das teologias cristãs, estabelecer relação entre religião e democracia? Se sim, quais seriam as chaves teológicas? Se não, quais seriam as chaves teológicas?

É pergunta ampla, sem condições de resposta clara aqui, pois é pergunta para muitos livros, e muitas teses (rs). Em questão de "chaves teológicas" tudo parece possível, desde as mais fundamentalistas até as mais libertárias. O teólogo e exegeta Rudolf Bultmann assinalou, com justeza, que “toda exegese dirigida por preconceitos dogmáticos não ouve o que o texto está dizendo, mas fá-lo dizer o que ela quer ouvir” (Rudolf Bultmann, Será possível a exegese livre de premissas?, p. 224).Portanto, em sentido, inverso, também será possível dizer que toda exegese ou hermenêutica dirigida por concepções teóricas pré-definidas faz com que o texto | mensagem revele o que se deseja dele entender. Não há chave teológica "pura", todas nos refletem, nossas biografias, nosso mundo, nossos interesses e opções. Portanto, de muitas maneiras, creio que esta pergunta por ser respondida, de várias maneiras, tanto por "chaves teológicas" que abrem ou que fecham a relação religião-democracia. É, religião e democracia não são temas fáceis... São complexas como a vida e o mundo.

6) É comum utilizar a bíblia para legitimar e justificar posturas antidemocráticas. É possível identificar possíveis iluminações bíblicas que contribuiriam para fortalecimento da democracia e para a valorização das diversidades?

Sem dúvida!! É como já respondi acima: a Bíblia pode justificar atrocidades ou grandes atos de humanidade. Depende de quem a lê e de que "chaves" usa para a abrir e entender. A Bíblia, e não só ela, em muito nos reflete como somos e com as idéias que temas e sempre há uma mão dupla: se nós nos convertemos a ela, ela também se converte a nós. É uma dialética complexa.

7) Algumas vozes analisam a laicidade do Brasil como ambígua. É possível a relação entre religião e política sem ferir a laicidade? Como analisar a presença pública da religião no Brasil e sua relação com o Estado?

A laicidade do Estado indica que o Estado não pode privilegiar nenhuma religião específica. Por outro lado, indica que todas as religiões têm o direito de exercer sua cidadania política perante o Estado. Esta é a dialética delicada que precisa sempre ser equacionada, ou seja, o Estado deve dar direito de voz e participação política a todos os grupos sociais (inclusive, aí, os religiosos), mas nenhum grupo social - religioso ou civil - numa democracia laica, pode ter voz mais forte do que o outro em sua participação política. E aí estão os conflitos, que é a alma da democracia: uns pensam de um jeito, outros pensam de outro, e todos têm direito igual à voz e de decidir o rumo da sociedade. Como chegar a consensos? Será possível numa democracia? Sim, é o ideal, mas como o próprio nome diz, é o "ideal", o horizonte a ser perseguido, mas este caminho se faz no conflito de ideias e interesses. A democracia não é um sistema político fácil, aliás, é o mais complexo de todos, o mais difícil (mas também, creio, o melhor). E a laicidade, o tênue fio dela, também está nesta complexidade. O que não pode é que prevaleça os extremos de interpretar laicidade erroneamente, isto é, como exclusão das religiões de sua voz e participação nos rumos políticos da sociedade.

Biografia:

Rodrigo Portella foi pastor da IECLB e é doutor em Ciência da Religião (UFJF), com estágio pós-doutoral em Teologia pela PUC-RJ. Atualmente, é professor adjunto III no Departamento de Ciência da Religião da UFJF. É autor dos livros "Mirar Maria: reflexos da Virgem em espelhos da História" (Editora Santuário, 2016) e, junto com Antônio Magalhães, "Expressões do Sagrado: reflexões sobre o fenômeno religioso" (Editora Santuário, 2008).

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Os membros da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reuniram-se na terça-feira, dia 27 de setembro, em Duque de Caxias (RJ), para o encontro anual. Também estiveram presentes o assessor da Comissão, articuladores e auxiliares regionais, além de convidados. Na pauta, partilha e planejamento de iniciativas e atividades.
 
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Os participantes da reunião partilharam as atividades ecumênicas realizadas nos regionais da CNBB. Durante o encontro, foi feito o planejamento das atividades que constam do plano quadrienal da Comissão. Já no próximo ano, haverá o Simpósio Ecumênico, em fevereiro, e as celebrações relacionadas aos 500 anos da Reforma de Lutero, cujas memórias já iniciam no dia 31 de outubro deste ano com a cerimônia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial, que acontecerá em Lund, na Suécia, com possível participação do papa Francisco.
 
Outras atividades previstas até 2019, quando será concluído o atual quadriênio, é a elaboração de subsídios sobre ecumenismo, planejamento do diálogo das Comissões Bilaterais, avaliação da Comissão sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, ações para a Campanha da Fraternidade de 2017 e o Mutirão Ecumênico - Sulão 2017.
 
A Comissão Episcopal para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da CNBB tem como missão promover a unidade dos cristãos e diálogo inter-religioso no âmbito da Igreja Católica no Brasil, conforme as orientações do Magistério em atenção ao cenário religioso no país.
 
Estiveram presentes os bispos de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ) e presidente da Comissão, dom Francesco Biasin, o de Cornélio Procópio (PR), dom Manoel João Francisco, e o arcebispo de Feira de Santana (BA), dom Zanoni Damettino Castro. Também participaram o assessor da Comissão, padre Marcus Barbosa Guimarães, e articuladores, auxiliares dos regionais e convidados: Therezinha Motta Lima da Cruz, Izaias de Souza Carneiro, padre José Bizon, padre Jurandyr Azevedo Araújo, padre Volnei Carlos de Campos, padre José Antonio Pecchia e Edoarda Sopelsa Scherer.

Fonte: CNBB
Foto: Reprodução
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Munique (RV) – A Conferência Episcopal Católica alemã (DBK) e o Conselho da Igreja Protestante na Alemanha (EKD) apresentaram em Munique, no dia 16 de setembro, um novo documento ecumênico conjunto intitulado “Curar a memória, testemunhar Jesus Cristo”.
 
O texto de 92 páginas, fruto de um trabalho iniciado em 2012 - e que ao menos em parte tem como precursor o documento “Do Conflito à Comunhão”, publicado em 2013 pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pela Federação Luterana Mundial  - foi apresentado com satisfação pelos dois respectivos Presidentes, o  Cardeal Reinhard Marx e seu colega Bispo (Landesbischof)  Heinrich Bedford-Strohm, que reiteraram a intenção de recordar conjuntamente o aniversário de “um grande evento ecumênico”, em referência aos 500 anos da Reforma Protestante.
 
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Purificação da memória
 
O título do documento sintetiza toda a ação de caráter cultural e pedagógico implementado na África do Sul com o fim do apartheid, explicaram os representantes das duas Igrejas na apresentação do documento. “Cura, restauração, ou se quisermos, purificação”, entendido quer como referência às recíprocas feridas destes 500 anos, quer a todos os passos do caminho ecumênico pós-conciliar não ainda concluídos, mas sobretudo não sempre conhecido e não assimilado plenamente no tecido conectivo das respectivas comunidades.
 
“Palavra comum”
 
Sinteticamente, o documento poderia ser definido como “uma Palavra comum”, disseram o Cardeal Marx e Dom Heinrich.  Comum porque representa a base teológica para as celebrações que ganharão corpo neste outono em diversas localidades de toda a Alemanha e se concluirão em 31 de outubro de 2017, aniversário da publicação das famosas “teses” por Lutero e considerada, de fato, o início da Reforma Protestante.
 
De fato, já é grande a expectativa para o evento conjunto previsto para Hildesheim, na Baixa-Saxônia, em 17 de março próximo, véspera do II Domingo da Quaresma. Católicos e luteranos também escreveram diversas orações para uso comum nas diversas iniciativas ao longo das celebrações.
 
Vontade de perdoar e olhar para o futuro
 
Depois de uma série de aniversários caracterizados por acusações recíprocas, “desta vez será diferente”, prometem o Cardeal Marx e Dom Heinrich no Prefácio. “Será um momento extraordinário para as nossas comunidades. Depois de séculos de fechamentos, hoje existe a vontade de perdoar e olhar para o futuro”, completam.
 
Conflito enraizado na memória coletiva
 
O texto apresenta um preciso panorama do ponto de vista histórico em relação ao “acontecimento” envolvendo Lutero, um acontecimento assumido dentro da igreja Católica a nível político (cfr. Dieta de Worms, 1521) e ligada às guerras de religiões que ensanguentaram a Europa antes e depois dele. Conflito tão “profundamente enraizado na memória coletiva”, cujo impacto histórico chega até os nossos dias, mesmo que “com o Vaticano II tenha se iniciado a respirar um novo ar”.
 
Cultura da memória
 
A primeira parte do texto é dedicada à “cultura da memória”, com uma descrição das diversas perspectivas e recíprocas feridas do passado e sucessivamente um olhar sobre os passos realizados pelo movimento ecumênico, sem negligenciar as numerosas questões ainda abertas, como a da Eucaristia, mas tudo numa perspectiva de grande esperança para o futuro: “é necessário resistir à tentação de tomar a própria identidade como medida teológica”.
 
Precisamente sobre isto concentrou-se grande parte da apresentação do documento em Munique. “Aquele de 2017 será o primeiro aniversário na história celebrado conjuntamente por parte de duas Igrejas separadas”, repetiram com satisfação os dois bispos.
 
Mas o documento não para por aí. Em linha com toda uma obra de reavaliação e estima pela figura de Lutero (cfr as palavras do Papa Francisco na coletiva de imprensa no voo de retorno da Armênia: “as suas intenções não eram erradas, era um reformador”, ou o recente texto do Cardeal Kasper, “Martinho Lutero, uma perspectiva ecumênica”, Queriniana, 2016), o Cardeal Marx sublinhou:
 
“Como católicos, podemos reconhecer com todas honestidade que a sua intenção era a de renovar a Igreja Católica, não fundar outra. Queria chamar a atenção ao Deus clemente e misericordiosos e despertar as pessoas de seu tempo”.
 
“É necessário admitir com toda sinceridade que os conflitos do passado, hoje aparecem um tanto vergonhosos”, acrescentou por sua vez o Bispo Heinrich.
 
Tratar conjuntamente os acontecimentos do passado
 
“Os preconceitos por tantos anos enraizados nas nossas Igrejas poderiam constituir um obstáculo à reunificação - explica o Presidente dos Bispos Católicos alemães – por isto é tão necessário  tratar juntos os acontecimentos do passado e pedir perdão a Deus hoje. Estou seguro de que o processo espiritual da cura da memória e a recíproca reconciliação permitirá de aproximarmo-nos com sinceridade e compreendermo-nos um ao outro nas respectivas posições. Se pode dizer que uma ferida está curada, somente se, tocando-a, a cicatriz não faz mais mal...”.
 
Cura da memória
 
O processo de “cura da memória” representa uma parte essencial das iniciativas conjuntas pré-dispostas pela EKD e pela Conferência Episcopal alemã, para recordar o aniversário de 2017, um processo que, por vontade das Igrejas, não deverá estar limitado dentro dos dois grupos, mas chegar à sociedade para assumir a conotação de uma “autêntica reconciliação” de toda sociedade alemã.
 
Peregrinação à Terra Santa
 
No contexto das orações comuns, assume um papel relevante a peregrinação conjunta entre os membros dos dois Conselhos de Presidência que se realizará de 16 a 22 de outubro próximo à Terra Santa, local da origem da única fé em Jesus Cristo.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Reprodução
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A imprensa brasileira não tem tratado o tema da migração e do refúgio com a seriedade que merece e com as devidas informações que a sociedade espera.
 
Os imigrantes e os refugiados são vistos e descritos pelos jornais a partir de preconceitos alimentados nos profissionais e nas empresas quando a tarefa é escrever sobre o assunto. “Os estrangeiros são ‘fulanizados’. A cobertura é sazonal e ocasional, dependente de mortes, de afundamento de um barco. Quando o tema é tratado assim com contagem de mortos, uma contagem de vítimas, não estamos tratando o assunto com a seriedade, com complexidade que isso exige”.
 
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Este é ponto de vista do professor Luiz Cláudio Ferreira em entrevista feita pela assessoria scalabriniana de comunicação de São Paulo, por ocasião do encontro internacional da Comissão Scalabriniana de Comunicação, de 22 a 25 de setembro passado, em Jundiaí (SP).
 
Durante o evento, o jornalista fez uma análise da migração vista pelos grandes meios de comunicação nacionais. Luiz Cláudio é mestre em comunicação e doutorando em literatura. Atualmente, é professor de jornalismo do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e editor da Empresa Brasil de Comunicação.
 
Qual tema o senhor trabalhou com o grupo?
 
Luiz Cláudio - Conversamos sobre as possibilidades que a comunicação institucional tem no âmbito de cenários que não são cobertos pela mídia tradicional na medida e da forma que a sociedade precisaria.  Discutimos sobre as importantes contribuições que a Congregação tem a oferecer para a sociedade e como pode colaborar com a situação dos imigrantes. Neste sentido, a comunicação é ferramenta estratégica desse trabalho. Entendo que é uma excelente ideia que a congregação de vocês possa ter uma agência de notícias.
 
E quais seriam essas contribuições que as religiosas scalabrinianas podem dar ao tema da comunicação e da migração hoje?
 
Luiz Cláudio - São contribuições fundamentais para que possamos primeiro, democratizar mais a comunicação sobre este tema da migração e do refúgio, que tem sido tratado apenas como se fosse crise e não da forma humana que necessariamente deveria ser evidenciado pela grande mídia. Se as instituições conseguirem se comunicar com a sociedade não só mudará a visão da grande mídia como também  poderá pautar de novo o assunto na agenda social.  
 
Por que, a seu ver, a imprensa tem preferido tratar de forma negativa a situação da migração e do refúgio?
 
Luiz Cláudio - Conversamos sobre o tratamento que os grandes portais e os maiores veículos brasileiros tem dado à imigração no Brasil. Sempre esse tema tem sido tratado como crise migratória. Esse termo crise migratória podemos considerá-lo como superficial e errado porque imigração sempre houve e sempre terá. Estamos em um mundo sem fronteiras. Há sim, por parte da mídia um preconceito de diversos gêneros tanto homem x mulher, quanto de etnia, cor e credo que estão criando estigmas dentro do discurso jornalístico. Estes surgem tanto a partir das empresas quanto dos profissionais. Daí a grande importância dos profissionais da Congregação de colaborar com o conteúdo que tem sido levado à sociedade.
 
O senhor acha que essa ideia da congregação de investir num alto serviço de comunicação à sociedade é o melhor caminho para tratar do tema da migração nos Meios de Comunicação?
 
Luiz Cláudio - A ideia da criação de um espaço web que trate de assuntos de migração é genial e é o que a sociedade espera e precisa porque não está bem informada a cerca desses temas que são caros a todos nós. Todos somos filhos de imigrantes e o assunto não tem sido tratado da melhor forma, então ao meu ver, falta protagonismo e humanização dos conteúdos. Atualmente esse tema tem sido tratado, podemos adjetivar, como uma espécie de “fulanização”, isto é, são sazonais, são ocasionais, dependem de uma morte, do afundamento de um barco.  E quando o tema é tratado assim, com contagem de mortos, uma contagem de vítimas, não estamos tratando o assunto com a seriedade, com complexidade que isso exige.
 
Para as religiosas que trabalham com os imigrantes, seria necessário o aprendizado de uma análise crítica das notícias que são divulgadas pelos grandes meios?
 
Luiz Cláudio - É fundamental não só para as religiosas scalabrinianas, mas para todos os cidadãos. Observar de que forma temos sido bem ou mal informados sobre este tema. Devemos, sim, olhar com criticidade para os veículos de comunicação de massa, para os veículos alternativos e verificar nós, como cidadãos, como religiosos consagrados ou não, o que mais precisaríamos saber sobre aquele tema e não estamos sendo contemplados? É fundamental que quando assistimos ou ouvimos algo, que nos deparemos com uma visão muito mais crítica e saibamos de que forma podemos colaborar com aquele conteúdo. Não adianta acusar que o conteúdo não está sendo bem coberto mas devemos como instituição ou mesmo com cidadãos, participar da comunicação que é feita, no caso do jornalismo.
 
Como o senhor avalia as colocações do presidente interino, Michel Temer sobre este tema, na Assembleia da ONU?
 
Luiz Cláudio - A forma como o presidente Temer tratou a imigração e o refúgio beirou falsidade porque ele não tinha os números corretos sobre migração, sobre refugiados, foi muito mal assessorado a respeito e isso pautou a mídia de uma forma muito ruim. Ainda bem que alguns veículos verificaram que estava errado, que havia alguma informação errada de uma fonte oficial que é, no caso, o presidente da República e conseguiram corrigir. O governo não deve ser o protagonista único também por esse motivo, pois ele não detém todas as informações.
 
Petra Laszlo, que passou rasteira no refugiado e chutou outros, afeta a moral dos jornalistas em exercício?
 
Luiz Cláudio - Muito triste. A gente fica envergonhado quando acontece isso e entende, também, o viés das informações porque o problema pode estar na formação profissional ou mesmo na formação de cidadão, de quem está chegando no mercado para honrar essa maravilhosa profissão que é do jornalismo. Temos uma missão social importantíssima que já está clara para todos que a seguem e não podemos nos desatrelar da nossa função social como primeira das missões nossas. É lamentável quando isso acontece e ficamos envergonhados  e ficamos nos perguntando o porquê os conteúdos estão saindo desse jeito, porquê somos preconceituosos, racistas, homofóbicos.

Fonte: Rosinha Martins / MSCS
Foto: Reprodução
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A decisão do Governo Federal em apresentar uma reforma do ensino médio por meio de uma Medida Provisória (MP) constitui mais uma decisão autoritária na área educacional que fere o princípio constitucional da gestão democrática e contraria o investimento na construção de uma institucionalidade participativa nas políticas educacionais e da juventude, ocorrido nas últimas décadas. A MP nº 746, de 2016, estabelece mudanças drásticas na oferta do ensino médio no Brasil sem permitir a devida discussão pelos diferentes setores educacionais, partindo de um diagnóstico limitado e ignorando o importante acúmulo existente nesse campo.
 
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A reforma apresentada pelo Ministro da Educação Mendonça Filho foi concebida junto a um restrito grupo de interlocutores privilegiados e técnicos da atual gestão, sem transparência ou diálogo com a comunidade educacional, sobretudo aquelas e aqueles que mais são afetados por ela. É, portanto, uma intervenção de caráter antidemocrático que modifica a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9394, de 1996) e a normatização do Fundeb (Lei n.º 11.494, de 2007), duas importantes conquistas da sociedade brasileira na educação após a redemocratização e que, enquanto tal, foram alvos de construção coletiva, escrutínio público e apreciação no Congresso Nacional.
 
O instrumento da MP não é adequado para a realização de mudanças estruturais em políticas públicas. De um lado, traz grande insegurança e instabilidade jurídica para o campo das políticas educacionais, conforme aponta a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) em nota pública. De outro lado, impõe resposta apressada, sem a devida avaliação dos impactos no sistema, podendo provocar uma desorganização profunda na oferta do ensino médio, prejudicando milhares de estudantes, suas famílias e aquelas e aqueles profissionais que trabalham nas escolas.
 
Parece haver consenso na sociedade brasileira da necessidade de realizar mudanças efetivas no ensino médio do país. O caminho adotado faz uma aposta na ampliação de jornada escolar, na flexibilização do currículo, na ênfase em conteúdos de matemática e português como resposta aos desafios de aprendizagens dos e das estudantes, e aponta para uma separação nas trajetórias educacionais, sendo uma direcionada à educação superior e outra à formação técnica e profissional focada em uma escolaridade abreviada e precária com vistas ao ingresso no mundo do trabalho.
 
Nesse contexto, a discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é também enquadrada nos parâmetros dados pela MP, obrigando a uma nova reorganização de uma BNCC que nem chegou a nascer. Diversas disciplinas têm sua carga horária reduzida sem que se tenha clareza como se fará a reorganização dos conteúdos, nem se isso é realmente benéfico. Outras disciplinas deixaram de ter obrigatoriedade – artes, educação física, sociologia e filosofia – dando a escola um viés tecnicista, que não atende ao princípio de uma formação integral com base no pleno desenvolvimento humano, assim como afirmado na Constituição brasileira.
 
A progressiva ampliação do ensino integral se adequa às metas do Plano Nacional de Educação. Mas não avança nos principais desafios dessa agenda, tais como o atendimento das necessidades formativas de jovens que estão trabalhando ou mesmo de conseguir escapar de ser uma simples ampliação esvaziada de sentido da rotina de sala de aula, já bastante exaustiva para muitos estudantes.
 
Ao contrário do que afirma o governo, a proposta não amplia as oportunidades de escolha dos e das estudantes, mas as restringe. Um dado importante é que ela propõe cinco diferentes “itinerários formativos”, que possibilitariam aos jovens elegerem campos de interesse e aprofundamento. No entanto, o próprio texto não garante que os sistemas de ensino ofertem os cinco itinerários, de modo que o estudante poderá se ver obrigado a seguir um caminho pela ausência das demais. A proposta também parece impor barreiras ao acesso ao ensino superior por parte do público que frequenta a escola. Aparentemente são os e as jovens da escola pública, na qual estão mais de 85% das matrículas do ensino médio, que serão especialmente afetados por essa mudança proposta uma vez que a escolha precoce de algum itinerário formativo implicará em percursos formativos restritos para obter sucesso no ingresso na educação superior, uma vez que esse acesso continua pautado por um Enem que cobra conhecimentos das quatro áreas de conhecimento. Entretanto, estes estudantes, a partir de agora, não terão mais acesso ao conjunto dessas áreas.
 
Não se melhoram os indicadores educacionais sem debater conjuntamente parâmetros de qualidade atrelados a novos mecanismos e fontes de financiamento da educação, assim como estabelecido pelo Custo Aluno-Qualidade inicial e o Custo Aluno-Qualidade, ou mesmo sem estratégias claras, transparentes e permanentes de gestão democrática. Segmentos importantes do campo educacional, aos quais a Ação Educativa se vincula, vêm lutando nas últimas décadas pela ampliação dos recursos destinados à educação, pela garantia de melhores condições de trabalho dos profissionais e por uma escola sintonizada com as expectativas de adolescentes e jovens. Tais demandas foram reforçadas pela juventude que ocupou escolas em todo o país e exigiu maior participação nas decisões, melhorias de infraestrutura e utilização, entre outras coisas, da cultura e do esporte como forma de tornar o espaço escolar mais interessante do ponto de vista pedagógico. No entanto, tais questões não foram consideradas na proposta agora apresentada.
 
A Ação Educativa é uma organização que há mais de 20 atua pela defesa, garantia e ampliação de direitos educativos e de juventude, atuando pela construção democrática e pelo fortalecimento de políticas públicas.  Coerentemente com sua trajetória e seu papel na promoção de uma sociedade justa, plural e democrática, coloca-se contrária à MP que reorganiza o ensino médio, compreendendo-a como uma iniciativa que acirrará ainda mais as profundas desigualdades educacionais no país, em especial, as raciais, de renda, regionais e entre campo e cidade. Da mesma forma, Ação Educativa tem-se colocado veementemente contrária à Proposta de Emenda à Constituição n.º 241 de 2016, que estabelece o teto para gastos sociais e praticamente inviabiliza o cumprimento do Plano Nacional de Educação, instrumento de suma importância para que o país avance na garantia do direito humano à educação pública, gratuita, laica e de qualidade para todas as pessoas.

Fonte: Ação Educativa (www.acaoeducativa.org)
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O coração de São Paulo abriga a biblioteca mais antiga da cidade, que também é uma das mais antigas do país. Com 418 anos de história, a coleção de livros do Mosteiro de São Bento é conservada em amplas salas no segundo andar do histórico prédio localizado a poucos metros do local onde a metrópole nasceu.
 
Os títulos da biblioteca do Mosteiro de São Bento estão disponíveis para consulta dos próprios monges, que têm a leitura como um de seus hábitos diários, e para os alunos da Faculdade de São Bento. O acesso ao ambiente da biblioteca, no entanto, é de claustro e restrito aos 40 monges beneditinos que lá vivem.
 
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A reportagem do UOL teve a oportunidade de conhecer o local na companhia do monge bibliotecário, Dom João Baptista. O alagoano de 34 anos vive no mosteiro há oito e abriu as portas do claustro para dividir um pouco da história dos 115 mil livros que lá chegaram desde 1598 junto com os primeiros monges.
 
Os exemplares mais antigos - como uma bíblia de Gutenberg do século 15 - foram trazidos da Europa pelos monges vindos do Velho Mundo ou sob encomenda. Já os mais recentes datam deste ano e atendem à demanda dos cerca de 200 alunos dos cursos de Filosofia e Teologia oferecidos pela Faculdade de São Bento.
 
Muito além da religião
 
Se engana, porém, quem pensa que apenas títulos de filosofia e teologia fazem parte do acervo. Obras de literatura, como "O Pequeno Príncipe", e ficção, como o polêmico "O Código Da Vinci", de Dan Brown, fazem companhia aos muitos títulos religiosos. "Temos que nos adaptar e adquirir essas obras. A gente tem que acompanhar sempre, não estagnar", explica Dom João.
 
O menino louro criado por Saint-Exupéry em 1943 ganhou até uma exposição, "O Pequeno Príncipe Descobre o Mosteiro", em cartaz até o dia 6 de agosto. Segundo Dom João, que também exerce o cargo de produtor cultural do mosteiro, esta é uma forma de aproximar a população da biblioteca exclusiva dos monges. "Eu uso as obras da biblioteca em 80% das exposições", explica o monge bibliotecário.
 
Livros mais populares, como auto-ajuda ou biografias de artistas, só não entram no acervo por falta de espaço físico. A biblioteca, antes restrita a um clássico salão repleto de estantes de madeira escura e um mezanino, hoje também ocupa um amplo espaço que antes servia como dormitório dos monges.
 
Os alunos da faculdade têm à disposição uma antessala com mesas e computadores, onde podem consultar as obras trazidas pelos poucos funcionários da biblioteca. O ambiente onde os livros ficam armazenados tem acesso restrito aos bibliotecários e aos monges que leem diariamente seguindo o capítulo 48 da Regra de São Bento. "A conservação dessa maneira acabou salvando nossa cultura", defende o monge.
 
Os livros "proibidos"
 
"A biblioteca é um local de consulta de arquivo para você resguardar conhecimento, seja ele qual for. O livro é como uma faca de dois gumes. Ele pode trazer uma verdade ou não. Temos no acervo Dan Brown e tantos outros autores, inclusive obras que destroem a ideia e teorias do 'Código da Vinci'. Mesmo porque a gente tem que saber o que está acontecendo e o que as pessoas estão lendo para saber rebater". Com cerca de 80 milhões de cópias vendidas no mundo, a obra do escritor americano causou polêmica ao questionar a divindade de Jesus Cristo.
 
O monge entende o sucesso da obra de Dan Brown como uma salada de teorias que já existiam e que viraram uma literatura interessante. Ao segurar um exemplar de "O Nome da Rosa", do escritor italiano ateu Umberto Eco, Dom João retoma a ideia do que avalia como uma boa ficção que atrai leitores comuns e curiosos sobre a vida religiosa. "Nós (monges) temos que ter acesso para que saibamos lidar com o assunto. Não basta repetir que não presta. Por que não presta? Essa barreira seria de uma ignorância extrema."
 
As obras polêmicas fazem lembrar o Index Librorum Prohibitorum, lista de livros proibidos pela igreja que esteve em vigor até o início dos anos 60. O monge explica que esses livros sempre estiveram presentes nas bibliotecas, inclusive as monásticas. Os títulos apenas ficavam longe do alcance de uma interpretação equivocada da massa. Nomes fundamentais para a filosofia, como René Descartes, estavam presentes no índice elaborado pela igreja católica.
 
"O Index deixou de existir, mas a ideia de cuidado de como você vai ler deve prevalecer. Isso não é censura, é simplesmente cuidado", defende o monge. "As pessoas tinham pouco acesso à educação e essas obras poderiam causar um tumulto, um terror".
 
Obras raras
 
Uma bíblia de Gutenberg, o pai da imprensa, é o livro mais raro do acervo da biblioteca de São Bento. Datada de 1496, cerca de cem anos antes de os monges chegarem ao Brasil, e quatro anos mais velha que o nosso país, a bíblia fica isolada em uma sala com umidade e temperatura controladas e acesso restrito às pessoas que conservam estas obras e a estudiosos.
 
O UOL teve acesso a cinco exemplares raros da coleção: um comentário da bíblia de 1500, uma bíblia em alemão de Lutero, de 1656, a enciclopédia "História Natural do Brasil", de 1658, os tratados de Aristóteles, de 1607, e um antifonal - base para o canto gregoriano - de 1715. Os exemplares, impressos em latim, grego e alemão, estão bastante conservados também pela alta qualidade do papel usado na época.
 
Uma das curiosidades sobre os exemplares mais antigos é que alguns  - como o comentário da bíblia de 1500 - usavam os antigos papiros como material de encadernação. O monge conta que existem lombadas mais valiosas do que as próprias obras que carregam. Como grande parte dos livros raros possuem edições mais recentes, as obras raras ficam restritas à conservação museológica.
 
"Essa biblioteca é uma descoberta diária. Eu não sei todas as obras que estão aqui. Vamos andando pelos corredores e descobrindo", revela o monge bibliotecário. Apenas 25% do acervo está digitalizado. Os outros 75% estão catalogados em fichas de papel dispostas em um antigo armário de ferro. Os livros novos e de consulta aos alunos da faculdade têm prioridade na digitalização. "É um processo lento. Sinto que vou sair daqui e ainda deixar essa tarefa para o próximo."

Fonte: UOL
Texto: Renata Nogueira
Foto: Junior Lago/UOL
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Dos dias 9 a 11 de setembro, Londrina sediou o 2º Encontro Estadual de Ecumenismo. O tema “Casa Comum: cuidado e responsabilidade” inspirado na Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.
 
Assessoram o Encontro a pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC, e o pastor Werner Fuchs, da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil).
 
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Contamos com a presença marcante da REJU (Rede Ecumênica da Juventude), trazendo a esperança e a alegria dos jovens cristãos. Também se fizeram presentes dom Orlando Brandes, arcebispo de Londrina, e dom Manoel João Francisco, bispo de Cornélio Procópio.
 
O Paraná tem uma forte organização ecumênica, contando com o MECUM (Movimento Ecumênico de Maringá), o MEL (Movimento Ecumênico de Londrina) e o MOVEC (Movimento Ecumênico de Curitiba), que vivenciam a busca da unidade entre as igrejas cristãs, num processo de entendimento que reconhece e respeita a diversidade, colocando-se a serviço na vivência do Evangelho e as exigências do Reino de Deus.
 
Atuam na busca do diálogo, da defesa dos direitos humanos e da promoção de uma cultura da paz. Muitas são as iniciativas da ação ecumênica, porém, a ecologia e o cuidado com a criação aparecem como urgência, visto que todos percebem a gravidade dessas questões.
 
É reconhecido que o papa Francisco, desde os primeiros dias do seu pontificado, suscita expetativas de uma comunhão com palavras e gestos reforçando o desejo de Jesus de Nazaré “Que sejam um para que o mundo creia” (Jo 17, 21).
 
A estrada é ainda longa, mas o ecumenismo não é uma moda nem um sinal dos tempos: está na vontade do Senhor Jesus Cristo e ser ecumênico faz parte do ser cristão.

Texto: Leoni Garcia / PASCOM Arquidiocesana
Foto: Reprodução / arquidioceselondrina.com.br
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Trinta e seis bispos - representando as comunidades católicas e anglicanas de todo o mundo - farão juntos uma peregrinação, inicialmente a Cantuária e depois a Roma, para celebrar os 50 anos de diálogo oficial entre a Igreja Católica e a Comunhão Anglicana, iniciado oficialmente em 1966 com a “Declaração Comum” assinada por Paulo VI e pelo então Arcebispo de Cantuária, Michael Ramsey.
 
A iniciativa é uma promoção da Iarcuum (International Anglican-Roman Catholic Commission for Unity and Mission) a Comissão Internacional pela Unidade e a Missão instituída no ano 2000, como ponto de referência pastoral no diálogo entre Roma e Cantuária, e atualmente presidida pelo Arcebispo católico de Regina (Canadá) Dom Donald Bolen e pelo Bispo anglicano Dom David Hamid.
 
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Liturgia com o Papa Francisco e Justin Welby
 
Serão precisamente os bispos que fazem parte deste organismo oficial – e que virão em duplas de 18 diferentes países – que tomarão parte da peregrinação que culminará, na tarde de 5 de outubro em Roma, com uma liturgia presidida pelo Papa Francisco e pelo Primaz da Igreja Anglicana, Justin Welby. Os prelados chegarão juntos a Roma, vindos de Cantuária, depois de terem lá vivido um primeiro momento comum, naquela por eles definida como “um itinerário de novos passos, numa antiga peregrinação”. O CONIC estará representado no evento pelo presidente Flávio Irala, bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).
 
Caminho percorrido e novos desafios
 
A partir de sexta-feira (30 de setembro), portanto, a IARCUUM estará reunida na Grã-Bretanha para tratar do caminho percorrido nestes cinquenta anos e – em particular – do documento “Crescer juntos na unidade e na missão”, o texto em que, em 2007, católicos e anglicanos resumiram os frutos e os novos desafios abertos pelo diálogo teológico entre as duas comunidades.
 
João Paulo II
 
Também em Cantuária a peregrinação viverá o seu primeiro forte momento celebrativo com a peregrinação ao túmulo de São Tomás Becket, mesmo local onde em 1982 João Paulo II e o então Arcebispo Robert Runcie rezaram juntos, naquela que foi uma pedra fundamental na história recente das relações entre católicos e anglicanos.
 
História do diálogo
 
História de um diálogo iniciado, na realidade, já em 1960, com o primeiro encontro entre um Papa, João XXIII, e um Primaz anglicano, Geoffrey Francis Fisher. Naquela ocasião, porém, tratou-se de uma visita de caráter privado.
 
Para se chegar a um encontro oficial, foi necessário esperar até 24 de março de 1966, quando Paulo VI e o Arcebispo Ramsey assinaram pela primeira vez uma Declaração Comum.
 
Desde então – por meio do ARCIC, organismo de debate teológico entre as duas Confissões – chegou-se à elaboração de numerosos documentos comuns sobre temas como a Eucaristia, o Ministério Ordenado, Maria, a eclesiologia.
 
Relações cresceram com encontros
 
Mas sobretudo, fez crescer as relações fraternas entre Roma e Cantuária  os repetidos encontros entre os Pontífices e os Primazes anglicanos (o últimos há poucos dias, em Assis). Isto, apesar dos desgastes criados pelas divisões também sobre questões novas, como o tema do sacerdócio feminino, ordenação de bispos mulheres, ou a homossexualidade.
 
Ocasião para relançar diálogo
 
A peregrinação comum quer ser, portanto, uma ocasião para relançar este diálogo sobretudo a nível pastoral. Os Bispos chegarão em Roma no dia 3 de outubro, peregrinando ao túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo.
 
O Pontífice e o Primaz anglicano
 
O dia 5 de outubro será aberto por um Simpósio acadêmico na Pontifícia Universidade Gregoriana. Mas o momento mais importante terá lugar na Igreja São Gregorio al Celio, a igreja romana que teve como Prior o monge Agostinho, quando em 595 foi enviado pelo Papa Gregório a evangelizar as populações anglo-saxônicas.
 
Precisamente ali o Papa Francisco e o Arcebispo Justin Welby rezarão juntos, presidindo um rito durante o qual aos Bispos presentes será confiado o mandato de dar prosseguimento ao diálogo na vida cotidiana das próprias comunidades.
 
Na Igreja Católica e na Comunhão Anglicana, Agostinho é venerado como um santo, um proeminente Doutor da Igreja e o Patrono dos agostinianos. Sua festa é celebrada no dia de sua morte, 28 de agosto. Muitos protestantes, especialmente os calvinistas, consideram Agostinho como um dos "pais teológicos" da Reforma Protestante por causa de suas doutrinas sobre a salvação e graça divina.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: AP / Reprodução
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Em reunião com deputados do parlamento sueco (Riksdag), o Guarani Kaiowa Elizeu Lopes denunciou o acordo que autoriza municípios do Mato Grosso do Sul a exportar carne produzida em áreas de conflito com indígenas para a Europa, em Gotemburgo (Suécia), na última sexta, 23. Ainda, Elizeu também falou na Feira do Livro Internacional de Gotemburgo (Bokmässan), onde contestou informações sobre demarcação de terras indígenas no país, dadas pelo governo brasileiro a parlamentares suecos, durante sua visita ao Brasil em março deste ano.
 
Segundo decisão da União Europeia (UE) aprovada em julho deste ano, treze municípios do Mato Grosso do Sul localizados na fronteira com o Paraguai estão autorizados a vender carne bovina in natura para países da UE. “O que eles não sabiam é que é nessas cidades que a maioria das nossas lideranças estão sendo mortas. É onde tem maior conflito”, explica Elizeu Lopes.
 
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A lista de lideranças assassinadas nesta região é extensa. No município de Antônio João, foram mortos Marçal de Souza (1983), Dorvalino Rocha (2005) e Simeão Vilhalva (2015), todos da retomada Ñanderu Marangatu. Em Aral Moreira, Nízio Gomes (2011). Em Coronel Sapucaia, Xurite e Ortiz Lopes (2007) e Osvaldo Lopes (2009), da retomada Kurusu Ambá, a aldeia de Elizeu. No município de Paranhos, Adriano Pires (2001), da aldeia Pirajuí; Genivaldo e Rolindo Vera (2009), e Teodoro Ricarde, todos do tekoha Y'poi. Em Sete Quedas, foi assassinada a liderança Dorival Benites (2005), do tekoha Sombrerito.
 
Para o indígena, a decisão da Europa de comprar carne exatamente dos municípios em que lideranças foram assassinadas - e de áreas que coincidem com os territórios reivindicados pelos Kaiowa e Guarani - pode ajudar a financiar mais ainda a violência contra as populações tradicionais, além de incidir em mais dificuldades para a demarcação conclusiva das terras indígenas.
 
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Durante o encontro, os parlamentares relataram à Elizeu terem sido informados pelo governo brasileiro de que 90% das terras indígenas no país já estariam regularizadas. Os dados foram contrapostos: de acordo com levantamento do Conselho indigenista Missionário (Cimi) até 31 de agosto de 2016, 654 terras indígenas no Brasil ainda aguardavam atos administrativos do Estado para terem seus processos demarcatórios finalizados. Esse número corresponde a 58,7% do total das 1.113 terras indígenas do país. Destas terras que aguardam algum procedimento, 348 - pouco mais da metade (53%) - não tiveram quaisquer providências administrativas tomadas pelos órgãos do Estado.
 
"O governo brasileiro diz o que quer. É por isso que precisamos continuar vindo aqui, esta é minha terceira vez e vamos continuar vindo porque a Europa precisa saber a verdade e precisa ajudar na situação dos Guarani-Kaiowa e dos povos indígenas no Brasil", continua a liderança.
 
Ele explicou aos deputados que os Guarani e Kaiowa tem mais um problema, quando se trata dos dados oficiais sobre demarcação: 98% da superfície dos territórios indígenas demarcados estão na Amazônia Legal - enquanto 52% da população indígena está fora desta região. Isto é, Sul, Sudeste, Nordeste, e parte do Centro-Oeste concentram o maior contingente populacional indígena do país e, no entanto, possuem apenas 2% dos hectares demarcados como terra indígena no Brasil.
 
Nesse sentido, Elizeu insistiu aos parlamentares que lessem com atenção o relatório apresentado na última semana pela relatora especial sobre direitos dos povos indígenas das Organização das Nações Unidas (ONU), Victoria Tauli-Corpuz, que acusa o governo brasileiro de não ter avançado na garantia dos direitos e na demarcação de terras indígenas no Brasil.
 
Diálogo e instabilidade
 
“Os parlamentares demonstraram preocupação com o aumento da violência contra os indígenas, e também com a instabilidade política no Brasil”, comenta o missionário do Cimi, Flávio Vicente Machado. “Pareceram considerar que a comunicação com nosso país se tornou mais difícil depois do impeachment”.
 
“Nossa intenção foi de provocar o parlamento sueco sobre a situação dos povos indígenas no Brasil”, explica o missionário. Para ele, os diálogos com parlamentares nacionais podem também amplificar a presença da temática indígena no Parlamento Europeu, onde a resolução sobre a carne foi aprovada.
 
Machado defende que o diálogo direto entre indígenas e parlamentares na Europa - viabilizado pela articulação entre organizações indígenas, indigenistas e ONGs europeias - podem ajudar a “desmontar a versão do governo e do agronegócio brasileiros sobre a questão fundiária no Brasil”, além de gerar condicionantes que defendam os direitos humanos e territoriais das populações tradicionais.
 
Circuito europeu
 
Na Alemanha, representantes do Cimi, Fian Brasil e Fian Alemanha apresentaram os relatórios sobreinsegurança alimentar entre os Guarani e Kaiowa e o relatório anual de violência contra os povos indígenas no Brasil de 2015 em reuniões com membros do governo e parlamentares alemães.
 
As agendas fazem parte de um circuito de visitas da delegação - composta por Elizeu e representantes do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e da (Fian Brasil), em articulação com as seções locais da Fian e outras organizações não-governamentais dos países em questão. Além da Suécia e Alemanha, a delegação esteve na Suíça, onde participou do lançamento do relatório sobre a questão indígena da Organização das Nações Unidas (ONU), e ainda viajará para a Áustria e Inglaterra.

Fonte: Cimi
Foto: Ruy Sposati / Cimi
Obs.: o título foi adaptado
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A superação da intolerância religiosa deve ser um compromisso de nós, pessoas cristãs luteranas, ao reconhecermos que todas as manifestações de fé devem ser respeitadas como sinal de nosso compromisso com a paz, a compaixão, a humildade e o ecumenismo. Para isso devemos buscar sempre o diálogo, que ocorre quando há encontro e escuta.
 
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Sob a assessoria da pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC, o X Seminário Sinodal de Formação de Lideranças da Juventude Evangélica (JE) trabalhou o tema Intolerância Religiosa com 96 jovens, sendo a edição com maior número de participantes.
 
Entre os dias 16 e 18 de setembro, a Comunidade de Baixo Guandu - Morro da Caixa D'Água e a JE local não somente receberam os jovens e as jovens com muito carinho, como também acolheram o encontro da OASE da UP Guandu. Assim, os grupos se encontraram e participaram em conjunto da celebração de domingo. O P. Simão Schreiber, de Laranja da Terra, ressaltou que para ele aquele momento era histórico, pois não recordava-se de um encontro dos dois grupos em 17 anos de ministério.
 
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Esperamos que as pessoas jovens permaneçam comprometidas com esse diálogo intra e inter-religioso, valorizando semelhanças e respeitando diferenças.

Fonte: www.jesesb.com
Fotos: Reprodução
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