Movimentos populares farão, no primeiro semestre de 2018, uma atividade inédita na cena política e social brasileira: o Congresso do Povo Brasileiro. A ideia parte do objetivo de “construir com o povo e para o povo um projeto de nação”. A proposta foi anunciada neste fim de semana (09 e 10/12) durante a 2ª Conferência Nacional da Frente Brasil Popular (FBP), realizada na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, no interior paulista.
 
O congresso terá diversas etapas, partindo de organizações de bairro, encontros municipais e estaduais até chegar à etapa nacional. “Nós vamos fazer uma mobilização ampla, com reuniões que acontecerão nos salões paroquiais, nos ginásios e escolas para discutir a situação em que o povo está vivendo e quem são os culpados desse quadro”, disse João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em entrevista à comunicação da FBP.
 
Para a frente, a transformação do país em uma “nação forte, independente, soberana e desenvolvida” depende da participação organizada da classe trabalhadora. O congresso é considerado inédito por sua amplitude, tendo em vista que contará com a mobilização de movimentos populares em todo o país, bem como pela perspectiva de que o povo está sendo chamado a construir “com as suas próprias mãos o projeto que busca o desenvolvimento do Brasil”.
 
O objetivo da FBP é que o Congresso do Povo Brasileiro possa incidir na disputa eleitoral ao mesmo tempo em que construa uma agenda de mobilização e de formação da sociedade brasileira. “Nós vamos aprovar um projeto unificado para comprometer todos os candidatos do campo democrático com uma plataforma mínima num projeto amplo e com princípios firmes que tenha no centro o compromisso com a retomada das conquistas democráticas, com um Estado que garanta desenvolvimento, educação pública, ciência e tecnologia”, explicou Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres, em entrevista à comunicação da FBP.
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Reprodução

 
 
São Nicolau, cuja memória a Igreja [Católica] celebrou no dia 6 de dezembro, tornou-se conhecido por seu costume, segundo uma antiga tradição, de entregar presentes secretos aos pobres e necessitados, o que lhe valeu ser a figura hoje tão conhecida do “Papai Noel”, bastante comum nos festejos de Natal. 
 
Em nossos dias, porém, o mítico sobreviveu ao místico: a lenda explorada com fins comerciais acabou ofuscando a verdadeira biografia deste grande homem. Qual é, então, a sua verdadeira história?
 
Nicolau nasceu na antiga cidade de Pátara, território da atual Turquia, por volta do ano 270, sendo educado por uma família de pais nobres e muito virtuosos. Seu desejo de dedicar-se a Deus brotou na mais tenra idade, fazendo-o viver inteiramente devotado à Palavra de Deus, de tal maneira que, tendo herdado, com a morte dos pais, grande fortuna, fez-se apenas um administrador daqueles bens que se tornaram dos pobres.
 
Ao mudar-se para a cidade de Mira, onde quis viver mais secretamente, Nicolau, já muito virtuoso e de uma piedade divina, foi aclamado bispo, e logo ficou famoso tanto pelos inúmeros milagres que por ele Deus realizava quanto por sua grande caridade, da qual procediam as esmolas e os presentes “secretos” aos necessitados.
 
Ninguém confunda sua caridade, porém, com leniência ou complacência.
 
Nesse sentido, um episódio marcante de sua vida ficou registrado nas atas do Concílio de Niceia, a primeira grande reunião de bispos da Igreja Católica, ocorrida em 325. Na ocasião, os cristãos deparavam com uma grande e perigosa heresia: o arianismo, que negava a divindade de Jesus. O historiador católico Daniel-Rops relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos” [1].
 
Um deles foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau: já cansado da insolência de Ário, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca.
 
Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, parece ter sido bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal.
 
É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus.
 
Hoje, São Nicolau é muito venerado tanto no Oriente, onde nasceu e exerceu seu ministério episcopal, quanto no Ocidente. Foi da cidade italiana de Bari, afinal, onde se encontram suas relíquias, que a devoção ao “bom velhinho” se espalhou por todo o continente europeu.
 
Santo Tomás de Aquino, por exemplo, foi um grande devoto de São Nicolau. Foi em um 6 de dezembro, a propósito, que o Doutor Angélico, celebrando Missa numa capela dedicada a São Nicolau, recebeu de Deus uma visão que o fez dizer, poucos meses antes de entregar sua alma a Deus: “Tudo que escrevi até hoje parece-me unicamente palha, em comparação com aquilo que vi e me foi revelado”. Sem sombra de dúvida, um presente extraordinário recebido pelas mãos de São Nicolau.
 
Neste tempo de Advento, preparando a vinda do Senhor, peçamos a São Nicolau que obtenha também a nós este dom de Deus: o desapego deste mundo de palha e a posse inamissível do Cristo.
 
Referências:
 
[1] Henri Daniel-Rops, A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, São Paulo: Quadrante, 1988, p. 455.
[2] Taylor Marshall, Saint Nicholas Allegedly Punched This Heretic in the Face…Who was He?.
 
Fonte: Blog Padre Paulo Ricardo
Foto: Reprodução

 
 
Mohamed Ali, refugiado sírio residente no Brasil há três anos, foi hostilizado e agredido verbalmente em Copacabana, região nobre do Rio de Janeiro, onde trabalha vendendo esfihas e doces típicos.
 
Em vídeo publicado nas redes sociais é possível ver um homem exaltado que grita repetidas vezes "sai do meu País!", ostentando dois pedaços de madeira nas mãos e ameaçando o refugiado. "O nosso país tá sendo invadido por esses homens bombas, que matam crianças", diz, em discurso xenofóbico.
 
No Brasil, xenofobia é crime tipificado na lei 9.459, de 1997. Seu primeiro artigo diz: serão punidos, na forma desta lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
 
"Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá lutando como eles fazem", afirma Ali, agradecendo a todos que o defenderam.
 
Apesar da fama de "cordial" e de receber bem imigrantes, o aumento das denúncias mostra um lado triste do Brasil. Entre 2014 e 2015, os casos aumentaram 633%, pulando de 45 para 333 registros recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, via plataforma Disque 100. Na Justiça, quase não há registros de denúncias que prosseguiram ou de xenófobos punidos.
 
Olhando os dados de 2015 mais de perto, vê-se que os principais alvos de preconceito são os refugiados. As principais vítimas são haitianos (26,8%), depois pessoas de origem árabe ou de religião muçulmana (15,45%).
 
Três vezes agredido pelo "crime" de ser imigrante
 
Em Chapecó (SC), o haitiano Malko Joseph foi agredido pela terceira. Essas agressões escancaram a xenofobia crescente de muitos brasileiros. A última agressão aconteceu nesta terça-feira (6), quando Malko Joseph caminhava pela avenida Getúlio Vargas, Centro do município.
 
O rapaz procurou as redes sociais para falar sobre o fato. Em seu perfil no Facebook, Malko contou o que um homem chegou de bicicleta e disse a ele palavras agressivas, como por exemplo: “preto sujo”, “aqui não é sua terra”, “preto fedido”, “macaco perdido”. O agressor também teria dito que ele estaria roubando emprego dos brasileiros.
 
Malko disse que não reagiu às agressões, mas o indivíduo pegou uma corrente com cadeado e passou a lhe agredir fisicamente, deixando ferimentos nas pernas e braços. Segundo a vítima, é a quinta vez que ele é alvo de racismo no Brasil “Duas vezes em Porto Alegre, três em Chapecó”, sendo que três, dessas cinco ocorrências, resultaram em agressão.
 
Malko Joseph disse ainda que realizou o boletim de ocorrência na quando sofreu as agressões em Porto Alegre e em Chapecó, porém nada foi feito até o momento.
 
O país das contradições
 
Os fenômenos do racismo e da xenofobia no Brasil deveriam ser exceções. Sim, pois o país foi (e ainda é) imensamente povoado por imigrantes de todas as origens, religiosas, culturais e étnicas: judeus, árabes, asiáticos, europeus, africanos (que vieram forçados no período da escravidão), entre outros. Com tanta diversidade étnica, como ser racista? Enquanto os bárbaros bradam contra quem chega, tudo o que os imigrantes e refugiados esperam é encontrar acolhida e contribuir com o Brasil. 
 
CONIC com informações do El País, Carta Capital e ClicRDC
Foto: AFP

 
 
Um grupo de deputados lançou nesta quarta-feira (6) na Câmara a Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução de Homicídios. Ao todo, 198 deputados de 25 partidos estavam presentes. Também marcaram presença representantes da sociedade civil e entidades, entre os quais, o CONIC, que se fez representar pela secretária-geral Romi Bencke.
 
O objetivo do grupo é desenvolver projetos voltados a prevenir a violência e reduzir o número de homicídios no país.
 
A frente será integrada pelos 198 parlamentares de 25 partidos. Segundo o coordenador do grupo, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), além de defender projetos no Congresso, os deputados vão trabalhar nos estados para procurar boas experiências e replicá-las pelo país.
 
"São mais de 60 mil pessoas assassinadas por ano no Brasil. A gente precisa enfrentar esse problema. Vamos defender boas iniciativas que ajudem a superar essa gravíssima violação ao direito mais básico que é a vida", afirmou.
 
A iniciativa conta com o apoio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, da Organização das Nações Unidas (ONU), e de institutos como Sou da Paz e Igarapé.
 
O Monitor da Violência, parceria entre o G1, o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi ressaltado no evento como iniciativa relevante para a divulgação do alto índice de homicídios no país.
 
Na primeira etapa, o projeto registrou todos os casos de homicídio, latrocínio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídios ocorridos no país entre 21 e 27 de agosto. Nesse período, 230 jornalistas do G1 espalhados pelo país apuraram e escreveram as histórias dos 1.195 mortos em 553 cidades – quase 10% do total de municípios brasileiros. O levantamento apurou média de uma morte a cada oito minutos no país.
 
Durante o evento, outros projetos apontados como contribuição para a redução da violência foram apresentados aos membros da frente.
 
No do Instituto Igarapé, por exemplo, 55 organizações trabalham em sete países da América Latina com altos índices criminais. O objetivo é reduzir a taxa de homicídios em 50% em 10 anos. A entidade deverá prestar apoio no desenvolvimento de propostas no Congresso.
 
"Uma das estratégias é oferecer apoio técnico para o poder público, no sentido de construir e aprovar propostas positivas e também conter projetos que possam provocar retrocessos", explicou Dandara Tinoco, representante do Igarapé.
 
O projeto Jovem Negro Vivo também apresentou aos deputados informações sobre o elevado índice de assassinatos de jovens negros no Brasil.
 
Morador do Rio de Janeiro e membro do projeto, Joel Costa lembrou no lançamento da frente que a educação é o principal caminho para a redução dos homicídios de crianças e adolescentes negros.
 
"Sou filho de ex-traficante e só estou aqui porque tive acesso à educação. A educação é o norte para mudar a situação violenta do nosso país", disse aos deputados, alertando para o número de jovens que morrem em ações policiais nas ruas e escolas do Rio.
 
Romi falou do papel do CONIC para a construção de uma cultura de paz. Ela destacou as inúmeras ações do Conselho pelo fim da intolerância religiosa e, como exemplo, citou a reconstrução de um terreiro em Duque de Caxias (RJ), trabalho que contou com a liderança do regional do CONIC no Rio. Também destacou a criação, no último mês, do Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas, iniciativa que visa destinar recursos aos templos de fé destruídos em função de atos de violência religiosa.
 
Com informações do G1
Foto: Alessandra Modzeleski / G1

 
 
Entre janeiro e agosto deste ano, 58 defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil, segundo o relatório “Ataques letais, mas evitáveis: assassinatos e desaparecimentos forçados daqueles que defendem os direitos humanos”, divulgado nesta terça-feira (5) pela Anistia Internacional. Para comparação, em 2016 foram 66 ativistas mortos no país.
 
"Nas Américas, o Brasil é o país com o maior número de defensores de direitos humanos assassinados e os números crescem a cada ano", diz Renata Neder, coordenadora de pesquisa e políticas da Anistia. De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, a maioria das mortes está ligada ao meio ambiente e à disputa da terra.
 
O documento também cita ataques à comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Queer) e afirma que “o Brasil tem um dos maiores números de homicídios registrados de transgêneros no mundo, o que aumenta os riscos para ativistas transgêneros”. Guadalupe Marengo, coordenadora do Programa Global de Defensores de Direitos Humanos da Anistia Internacional, as mortes e os desaparecimentos relatados no documento foram, muitas vezes, precedidos de agressões anteriores "para as quais as autoridades fecharam os olhos ou até mesmo encorajaram".
 
Segundo a Anistia Internacional, a situação "parece ter piorado desde que o Programa Nacional para a Proteção dos Defensores de Direitos Humanos foi enfraquecido, em 2016”. Em maio, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça), o governo brasileiro foi cobrado a adotar medidas mais eficazes no combate às violações de direitos humanos no país.
 
De acordo com levantamento da ONG Front Line Defenders repassado à Anistia, ao menos 281 defensores de direitos humanos foram mortos em 2016 em cerca de 40 países, número maior que os registrados em 2015 (156 mortes) e em 2014 (136 mortes). 
 
Fonte: Brasil 247
Foto: Reprodução

 
 
Estamos chegando ao final de mais um ano! Iniciamos a época de Advento. O Natal se aproxima. E assim, mais uma vez, somos chamados a pensar: O que realmente é importante na nossa vida? De tudo o que acontece no Natal, o que realmente importa ser valorizado?
 
Quando faço essa pergunta sobre o que temos de mais importante, lembro de uma estória: 
 
Um rei tinha dois filhos e quando ficou velho, quis escolher um deles para ser seu sucessor. Reuniu, então, os filhos e lhes deu uma tarefa. Vocês deverão encher o saguão do palácio até o anoitecer com aquilo que temos de importante no nosso reino.
 
O filho mais velho saiu e chegou a uma plantação onde os trabalhadores estavam justamente moendo a cana-de-açúcar que haviam colhido. O bagaço da cana estava jogado por todos os lados. Ele pensou: Esta é uma boa oportunidade para encher o saguão de meu pai com o bagaço da cana – que é o que nossos colonos mais plantam. E assim o fez. Foi então procurar o pai e disse: Eu cumpri a tarefa. Não precisas mais esperar pelo meu irmão. Faze de mim o teu sucessor. O pai respondeu: Ainda não é noite. Eu vou esperar.
 
Logo depois, chegou o filho mais moço e colocou no meio do saguão algo que as mulheres do reino fabricavam: velas. Acendeu algumas velas e, de repente, a luz delas encheu até o último cantinho do saguão do palácio.
 
O rei então disse: Tu serás o meu sucessor. O teu irmão encheu o saguão com algo que serve materialmente. Mas tu o encheste com luz. Encheste o saguão com aquilo que as pessoas mais precisam: luz.
 
Prezado irmão e irmã na fé: É justamente de luz que precisamos nos dias de hoje, especialmente da luz dos ensinamentos de Jesus em meio às injustiças e maldades que ocorrem em nossa sociedade.
 
Nessa época de Advento, nossos lares e cidades se transformam com a beleza dos enfeites Natalinos, sendo que uma das simbologias marcantes são as luzes (brilhantes, coloridas – de todas as formas e jeitos).
 
Que lembremos do real significado delas: não servem só de enfeite – mas servem para nos lembrar da maior LUZ que devemos ter na vida: Jesus Cristo e seus ensinamentos!
 
Em Isaías 9. 2 e 6 lemos: “O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas. Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de Conselheiro Maravilhoso, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”.
 
Essa é a mensagem de Advento e Natal que importa: Jesus nasceu para iluminar os caminhos da nossa vida, para que vivamos em paz, perdão, amor e justiça com as pessoas ao nosso redor!
 
Deus abençoe e ilumine a sua vida – seu ser e viver – suas atitudes e palavras, hoje e sempre. Amém.
 
P. Rubeval Küster – Paróquia da IECLB de Alto Bela Vista (SC)
Foto: Reprodução IECLB
Obs.: o título original deste artigo é: "Luz da Vida!!"

 
 
Entre os dias 14 e 16 de dezembro, o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) estarão realizando a Missão Ecumênica em Solidariedade aos Povos Indígenas Kaingang e Guarani do RS, uma iniciativa do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil).
 
O objetivo é denunciar, também em âmbito internacional, o contexto de desmonte, retirada de direitos, intolerância e violência, especialmente no que se refere aos povos historicamente invisibilizados pelas políticas públicas e às defensoras e defensores de direitos humanos.
 
As visitas se darão em uma comunidade Kaingang, em Carazinho, onde vivem 35 famílias, e em duas comunidades Guarani, uma em Maquiné, com 18 famílias, e a outra em Capivari, com 20 famílias. As três comunidades estão aguardando a demarcação das terras, que vem sendo protelada pela Funai. Além da questão da terra, preconceito e violência, os problemas enfrentados incluem a falta de acesso à água, ao saneamento básico e habitação.
 
Na agenda, também está marcada uma apresentação e debate da publicação Direitos Humanos no Brasil: Informe da Sociedade Civil sobre a situação dos DHESCAs, na sede da FLD, em Porto Alegre (RS). A publicação é organizada pela Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil e coordenada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), pelo Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD) e por parceiros da agência de cooperação internacional Misereor. Logo após o debate, haverá o lançamento das publicações Tecendo Vidas, do COMIN, e Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora, da FLD.
 
Desde 2015, organizações realizam missões ecumênicas, mobilizando lideranças de todo o Brasil, para estarem junto a comunidades e territórios ameaçados e criminalizados. A I Missão Ecumênica ocorreu no Mato Grosso do Sul, em outubro de 2015. Desde então, foram organizadas mais ações, também no MS, e em novembro deste ano, em Pau D´Arco (PA). A participação é de representações de igrejas, organismos ecumênicos e inter-religiosos, organizações da sociedade civil e defensoras e defensores de direitos humanos.
 
Programação
 
14/12, quinta-feira:
 
17h às 20h: Debate sobre direitos humanos no Brasil e situação dos DHESCAs e lançamento das publicações Tecendo Vidas, do COMIN, e Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora da FLD.
Local: Sede da Fundação Luterana de Diaconia, Rua Dr. Flores 62/901, centro de Porto Alegre (RS).
 
15/12 , sexta-feira:
 
Visita à comunidade Kaingang, em Carazinho, e Audiência Pública sobre Criminalização, território e políticas públicas, em Passo Fundo. Após, celebração Ecumênica.
 
16/12, sábado:
 
Visita a comunidades Guaraní em Maquiné e Capivari.
 
Fonte: FLD
Foto: Cimi

 
 
Já pensou ter dia e hora marcados para sair à força de sua casa? Faltando alguns dias para o Natal, quando se celebra o nascimento do menino Jesus, pisca-piscas brilham e decoram árvores coloridas, aproximando toda a família no aconchego do lar. Mas as 300 famílias do Acampamento Hugo Chávez, no Pará, com seus 150 meninos e meninas, serão arrancadas de suas casas devido a uma liminar de despejo e jogadas em alguma beira de estrada, sem casa, comida ou acesso à escola.  
 
Assim como no Acampamento Hugo Chávez, nesta região de Marabá, desde o final do mês de outubro de 2017, cerca de 8 mil homens, mulheres e crianças convivem, diariamente, com essa triste expectativa. Serão expulsas e expulsos de suas casas, com plantações destruídas, escolas vindo abaixo, assim como os sonhos de ter um lugar para viver.
 
As liminares de despejo foram expedidas pela Vara Agrária de Marabá e pelo Tribunal de Justiça do Estado. Para despejar essas famílias, o Governo do Estado do Pará ordenou que cerca de 115 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar permaneçam na região por tempo indeterminado para cumprir liminares em 20 fazendas localizadas nos municípios próximos de Marabá. (Obs: No documento abaixo, você entenderá melhor a situação jurídica de algumas dessas áreas)
 
No mês de novembro deste ano, para manifestar apoio aos camponeses e camponesas do Pará, a Missão Ecumênica Pau d´Arco, formada por líderes religiosos, representantes de movimentos populares, e organizações de direitos humanos, visitou os acampamentos Jane Júlia e Hugo Chávez, ambos na lista de despejos.
 
“A história da concentração de terras, de riqueza e de poder nas mãos de pouca gente deixa um rastro de sangue e miséria nas terras do Sul e Sudeste do Pará há muitos anos”, concluíram, em documento divulgado após a Missão, os membros da comitiva. Veja a carta completa aqui: https://goo.gl/jcnJtx.
 
Crianças, jovens, adultos, e idosos: todos e todas clamaram para que os membros da Missão Ecumênica ajudassem as famílias a “não serem jogadas fora na beira da estrada”, como ressaltou uma professora e acampada do Hugo Chávez. Diante disso, faz-se necessário e urgente que nos mobilizemos para que milhares de pessoas não sejam tiradas à força de seus lares.
 
A Campanha #DespejosDeNatal tem como objetivo mobilizar a sociedade civil brasileira e a comunidade internacional a sensibilizar e pressionar as autoridades públicas do estado do Pará  a suspender o despejo de cerca de 300 famílias (e em torno de 150 crianças) do Acampamento Hugo Chávez, que já têm data certa para acontecer: no dia 13 de dezembro, às vésperas do Natal!
 
AJUDE A EVITAR OS #DespejosDeNatal! ENVIE MENSAGENS AO GOVERNO DO ESTADO DO PARÁ, À VARA AGRÁRIA E AO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ.
 
OS CARTÕES DE NATAL PERSONALIZADOS (EM PORTUGUÊS E INGLÊS) ESTÃO DISPONÍVEIS AQUI: https://goo.gl/9LwNPZ.
 
ENVIE OS CARTÕES PARA OS E-MAILS DAS AUTORIDADES:
 
Governo do Estado do Pará: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.; Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Vice-Governadoria do Pará: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Juiz da Vara Agrária Pará: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Tribunal de Justiça do Pará: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Procuradoria Geral do Estado: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Comando Geral da PM: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Secretaria de Educação: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Secretaria de Justiça e Direitos Humanos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
Instituto de Terras do Pará: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
INCRA Nacional: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
INCRA Marabá: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
ENTENDA: mais de 2 mil famílias perderão suas casas e plantações em operação de despejo autorizada pela Vara Agrária de Marabá (PA)!
 
Em Nota Pública divulgada no dia 1º de novembro de 2017, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) denunciam que “cerca de de 8 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças, estão sendo expulsas de suas casas e tendo suas plantações destruídas em decorrência de uma operação de despejo”.
 
Confira o documento na íntegra e entenda o caso:
 
Cerca de 8 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças, estão sendo expulsas de suas casas e tendo suas plantações destruídas em decorrência de uma operação de despejo iniciada em Marabá na semana passada [última semana de outubro]. Por ordem do Governo do Estado, 115 policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar do Pará permanecerão na região por tempo indeterminado, para cumprir liminares em 20 fazendas localizadas nos municípios próximos de Marabá. As liminares foram expedidas pelo juízo da Vara Agrária de Marabá e pelo Tribunal de Justiça do Estado. A operação atende aos pedidos dos fazendeiros que nos últimos meses vem exigindo do Governo do Estado e do Juiz da Vara Agrária de Marabá o cumprimento das liminares e o despejo das famílias.
 
Três das fazendas (Cedro, Maria Bonita e Fortaleza) em que as famílias serão despejadas pertencem ao grupo Santa Bárbara, do Banqueiro Daniel Dantas. Essas três fazendas estão ocupadas desde 2009 por 850 famílias ligadas ao MST. Na fazenda Maria Bonita 212 dessas famílias já estão na posse da terra há 4 anos. Cada uma reside em seu lote, tem sua casa com energia instalada e uma vasta produção de alimentos. Há 06 anos que o Grupo Santa Bárbara fechou um acordo de venda dessas fazendas para o INCRA. O processo está na fase final para pagamento. A Santa Bárbara não exerce atividade em nenhuma dessas fazendas. A pergunta que os movimentos fazem é: se o INCRA está comprando os imóveis, porque o Justiça vai mandar despejar essas famílias?
 
A Fazenda Fortaleza, com áreas de 2.900 hectares, é resultado de uma fraude grosseira, na verdade, conforme informações do próprio INCRA, a área a sua totalidade é composta de terra pública federal, devidamente arrecadada e matriculada em nome da União. Criminosamente, foi utilizado um título “voador”, expedido pelo Estado do Pará, para outra área, a mais de 150 km do local, localizada no município de Água Azul do Norte.
 
O Grupo Santa Bárbara comprou essas áreas da família Mutran. São antigos castanhais que foram destruídos e sua finalidade desviada para a formação de pastagem e criação de gado. As liminares foram conseguidas no ano de 2010 num processo nebuloso, envolvendo uma juíza de Marabá. Em pleno funcionamento da Vara Agrária, a juíza recebeu os pedidos de reintegração de posse em um plantão de fim de semana, ignorou todos os procedimentos obrigatórios da Vara Agrária e deferiu as liminares no mesmo dia. Na segunda-feira seguinte, a juíza titular da Vara Agrária cassou todas as liminares e marcou audiência para ouvir as partes e os órgãos de terra. O grupo Santa Bárbara recorreu da decisão e o Tribunal confirmou a decisão da juíza do plantão.  Há 7 anos que essas liminares se arrastam e agora o juiz da Vara Agrária determinou o seu cumprimento.
 
Outro imóvel ocupado por 200 famílias do MST é a Fazenda Santa Tereza. Um antigo castanhal, destruído e transformado em pastagem pela família Mutran. O último comprador do aforamento foi o empresário Rafael Saldanha. Mesmo sabendo dos crimes ambientais praticados no interior do imóvel e de uma decisão da Vara Agrária de Marabá que confirmava a propriedade do castanhal como sendo do Estado do Pará, o ITERPA, numa operação definida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Pará como fraudulenta, titulou definitivamente o imóvel em nome do Empresário.  De posse do título, Rafael Saldanha requereu o despejo das famílias.
 
As outras áreas onde as famílias já estão sendo despejadas envolvem grupos menores e são ligadas a outros movimentos sociais. Algumas delas incidem em terras públicas e as famílias já residem e produzem no local há anos, mesmo assim, estão sendo despejadas. Os despejos ocorrem no momento em que inicia o período chuvoso e as famílias já estão plantando suas roças. Despejadas, as famílias não terão para onde ir. A situação é de desespero e indignação.
 
Apenas nas fazendas Maria Bonita e Santa Tereza, são 255 crianças que atualmente estão matriculadas e frequentando a sala de aula no local. O despejo das famílias significará a perda do ano letivo para todas elas.
 
Para proteger o interesse de uma meia dúzia de latifundiários, o Estado e o Poder Judiciário dão as costas para mais de 2 mil famílias que só querem terra para morar e produzir.
 
Organizações envolvidas
 
A Campanha #DespejosDeNatal é uma realização das organizações envolvidas na Missão Ecumênica: Realização do Fórum Ecumênico Brasil (FeBrasil), Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD). Organização do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), Diocese de Marabá, Conceição do Araguaia e Xinguara. E apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e das agências internacionais Misereor, Brot für die Welt, Christian Aid, Heks Eper e Fundação Ford.
 
Além das organizações realizadoras, participaram ativamente da Missão e construção da Campanha representações da Igreja Presbiteriana Independente, Igreja Presbiteriana Unida, Igreja Católica, Aliança de Batistas do Brasil, Paróquia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, e Movimento de Trabalhadores Sem Terra (MST).
 
Fonte: Cese
Imagem: Reprodução

 
 
Mensagem da Presidência e do Conselho da Igreja
para o lançamento do Tema do Ano 2018
Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB
 
Igreja, Economia, Política. Eis o Tema do Ano da IECLB em 2018. O que Igreja tem a ver com Economia e Política? Na tradição evangélico-luterana, tem tudo a ver! Nós optamos por este assunto para destacar a importância de grandes temas da Reforma que precisamos aprofundar em continuidade ao Jubileu da Reforma, celebrado em 2017.
 
Igreja, Economia, Política. Lutero considerou estes três âmbitos da vida como Ordens da Criação Divina. Lutero falou em Economia, Política e Igreja a partir de três funções básicas: alimentar, proteger e ensinar. Naquela época, a função de alimentar estava a cargo das pessoas agricultoras. Este era o âmbito da Economia. A função de proteger cabia aos membros da nobreza e caracterizava o âmbito da Política. A função de ensinar estava ligada ao clero, o âmbito da Igreja.
 
Esta divisão de funções se manifestava em uma organização de classes desiguais. Quem era membro de uma classe não participava da outra. Lutero, por seu lado, entendia que Deus organiza a existência humana em Igreja, Economia e Política e que cada pessoa participa nos três âmbitos.
 
De acordo com Lutero, a Igreja é a Primeira Ordem da Criação. Para ele, a Igreja foi instituída como parte do paraíso. Ali, a Igreja consistia na Palavra que Deus dirige ao ser humano e na resposta que Deus dele espera. Deus nos dá a sua Palavra. Nós respondemos com gratidão e obediência aos seus Mandamentos. Na compreensão luterana, cada pessoa é chamada a ouvir o Evangelho, reunir-se em Comunidade, contribuir com recursos e dons e dar testemunho da vontade de Deus. Lutero compreendia esse testemunho como cooperação com Deus para o melhoramento do mundo.
 
Depois da Igreja, foi instituída a Economia. A palavra Economia tem origem no termo grego oikos, que significa casa. O oikos, a casa, era a unidade básica de produção. Para Lutero, a Economia é a produção e a reprodução da vida como dádiva divina. Deus criou tudo e nos provê o alimento, permitindo que a terra produza aquilo que precisamos. Deus criou o ser humano em condição econômica igualitária. A Economia é entendida como meio para proporcionar o sustento da vida. A Economia organiza a produção e a distribuição justa dos meios de sustento da vida.
 
De acordo com Lutero, a Igreja e a Economia existiam em sua forma ideal no paraíso. O ser humano recebeu autonomia para organizar a sua vida, mas, em vez de viver responsavelmente a sua liberdade, caiu em pecado e se afastou da vontade de Deus.
 
Com o pecado, a liberdade se transformou em poder que ameaça a vida. Por este motivo, Lutero diz que Deus instituiu a Política para manter a ordem e promover a justiça. “Precisamos de autoridades que tenham ânimo para instaurar e manter a ordem em todos os negócios e transações comerciais, para que os pobres não sejam sobrecarregados e oprimidos”, escreveu Lutero no Catecismo Maior. A política é necessária para organizar vida. Isto requer que cada ser humano participe da Política, seja como cidadão ou como pessoa que desempenha um cargo político.
 
Por causa do pecado, o ser humano perdeu o conhecimento de Deus. Quem é Deus? O Lema de 2018 – Eu sou o SENHOR, teu Deus – ajuda a responder esta pergunta. Deus é aquele que tirou o povo da escravidão do Egito. Deus é aquele que se fez humano em Jesus Cristo. A vida, morte e ressurreição de Cristo revelam quem é Deus: um Deus que oferece perdão e nova oportunidade!
 
Na argumentação de Lutero, Igreja, Economia e Política são utilizadas por Deus para efetivar a sua vontade no mundo e cada pessoa é chamada a atuar com Deus nestes três âmbitos da vida. Pela reconciliação em Cristo e pela força do Espírito Santo, podemos agir a serviço de Deus. Desejamos que Deus, por meio do Tema e do Lema do Ano em 2018, motive a nossa reflexão e a nossa ação para o melhoramento do mundo.
 
Fonte: IECLB
Imagem: Reprodução

 
 
“Apesar do Brasil possuir uma das legislações mais avançadas no que diz respeito aos direitos das pessoas com deficiência (PCD), ainda existem muitas barreiras que impedem a plena inclusão dos PCDs tanto no poder público como na pela sociedade em geral”. A avaliação foi feita pelo atual coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, Carlos Alexandre Campos por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro.
 
No Brasil, cerca de 45.606.048 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora, mental ou intelectual), o equivalente a 23,9% da população geral, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. Ainda segundo o IBGE, a deficiência mais recorrente no Brasil é a visual com 18,6%, seguida da motora com 7%, auditiva com 5,10% e, por fim, da deficiência mental com 1,40%.
 
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, instituído pelas Nações Unidas em 1992, tem o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e de mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Para o coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência esta é uma data para lembrarmos da necessidade de incluir as pessoas com deficiência na sociedade de maneira digna e com equiparação de oportunidades. “A equiparação se faz com a promoção de políticas públicas que estimulem e permitam a participação, emancipação e a autonomía social das PCDs em todas as esferas”, disse.
 
A Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo tem desenvolvido um conjunto de ações que buscam incluir as PCDs. Uma delas é a realização de missas e romarias ao Santuário de Aparecida com recursos de acessibilidade, como folhetos em braile, letras ampliadas, áudio-descrição para pessoas com deficiência visual e interpretação em língua brasileira de sinais para pessoas com deficiência auditiva.
 
Além disso, promove fóruns e encontros que propõem iniciativas de plena e efetiva inclusão dentro e fora da igreja. Um exemplo, são as ações que incentivam a produção de folhetos litúrgicos e publicações de conteúdo católico em formato acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva e a promoção e garantia do acesso aos espaços físicos das igrejas e demais espaços católicos por meio da eliminação das barreiras arquitetônicas.
 
Outro campo de ação da pastoral é a realização de cursos de formação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), voltados para interpretação em missas e eventos católicos e curso de áudio-descrição da realidade, com transmissão por meio de um equipamento FM de alcance local para pessoas com deficiência visual.
 
Junto ao poder público, a pastoral cobra maior oferta de transporte acessível, eliminação de barreiras arquitetônicas e melhoria da qualidade das calçadas e passeios públicos. Lutam para a instalação de semáforos sonoros, pisos táteis em vias e calçadas de grande circulação de veículos e pessoas; e também cobram a colocação de telefones públicos e lixeiras em locais que não impeçam o ir e vir e alargamento das calçadas.
 
Além da pastoral, existem outras iniciativas na Igreja voltada para as PCDs, como o grupo Catequese Junto à Pessoa com Deficiência, do Regional Sul 1 da CNBB, que funciona como um espaço para o debate de ideias e propostas que favoreçam a plena e efetiva inclusão do público com deficiência à vida cristã.
 
Fonte: CNBB
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