A segunda-feira 17 de abril marcou um ano da aprovação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para lembrar a data, a Plataforma Pela Reforma do Sistema Político, vinculada ao Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos, realizou o debate 'A Democracia que queremos', organizado a partir dos olhares da população negra, dos povos indígenas, mulheres e defensores do Estado Laico. A atividade aconteceu no Auditório do Museu Nacional da República, em Brasília.

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Estiveram presentes Lucia Xavier, integrante do Criola e Articulação de Mulheres Negras do Brasil (Amnb), Paulo Rubem Santiago, professor da Universidade Federal de Pernambuco, Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Romi Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). Na coordenação dos debates, Carmen Silva, da SOS Corpo e Articulação de Mulheres Brasileiras.

Partindo do princípio de que é urgente uma maior representação dos vários povos, matizes e gêneros que constituem a população Brasileira, o debate procurou evidenciar que aquilo que se discutia antes do impeachment ser consumado já pode ser sentido por uma grande parcela do povo brasileiro. Além da retirada de direitos, as novas revelações da operação Lava Jato mostram que a articulação para afastar a presidenta Dilma tinha o objetivo de blindar e proteger esquemas de corrupção de integrantes do governo Temer.

Representação e participação populares

Lucia Xavier foi direta: "queremos uma Democracia onde o homem branco não seja o centro do processo", afirmando que "o movimento negro tem a agenda política mais antiga do País". Citando as levas de negras e negros escravizados trazidos à força para o Brasil, ela destacou que "desde o nosso primeiro ancestral brasileiro lutamos por liberdade, por respeito e por oportunidades". Lucia disse, ainda, que o "debate sobre a questão racial é um termômetro, pois fala sobre representação, classe social e educação".

Para o professor Paulo Rubem, os "governos democráticos e populares eleitos a partir de 2002 não foram capazes de abalar as oligarquias brasileiras presentes no Congresso Nacional". Ex-deputado federal, Rubem lembrou das grandes mobilizações populares para a inserção de direitos e garantias sociais na Constituição Federal de 1988. Entretanto, "a disputa entre Economia e Democracia foi gradativamente desequilibrada", com favorecimento paras as elites financeiras que hoje retiram direitos da população.

A 'Constituição Cidadã' veio com o objetivo de remover todo o entulho autoritário legado pela Ditadura Militar e "os povos indígenas acreditaram nos dispositivos voltados para as suas demandas", contou Sônia Guajajara. Hoje ela lamenta o enfraquecimento de órgãos como a Funai, cujo presidente afirmou que "índio não pode ficar parado no tempo", o que mostra a total falta de entendimento da questão indígena pelo gestor. Sônia também disse que "precisamos unificar a luta, afinal somos todos indígenas", aludindo à miscigenação que caracteriza a população brasileira.

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O forte protagonismo político de integrantes de congregações religiosas também foi discutido na atividade. "Há um ano uma presidenta legitimamente eleita foi deposta em nome de Deus", lembrou Romi Bencke. Para ela, no Brasil "nota-se uma instrumentalização da Política pela Religião e vice-versa", afirmando que o "fundamentalismo e o conservadorismo não andam isolados." A liberdade religiosa não deve ser confundida com a promoção religiosa. "A Religião não pode ser absoluta, somente em consonância com os Direitos Humanos", arrematou.

Desafios para a expansão da Democracia

Para os debatedores, uma representação popular mais fidedigna àquilo desejado pela população só será possível com reformas estruturantes e uma profunda mudança do sistema político. "Estamos em um momento em que as questões voltam ao solo fértil do debate para que possamos traduzir para o povo as consequências dessas reformas empreendidas pelo governo Temer", comemorou o Professor Paulo Rubem.

A despeito de sua religiosidade, o povo brasileiro não é misericordioso, acredita Romi Bencke. "Existe mais espaço para o ódio do que para a compaixão, basta perceber a permanência da intolerância religiosa em nossa sociedade, em especial àquelas de matriz africana, que perpassa pelo racismo", disse. Romi acredita que a crítica à Religião é importante para relembrar o vínculo entre Religião e Poder, "pois sempre que este vínculo existiu os seus resultados foram complicados."

"Uma mesa composta por cinco pessoas, sendo quatro mulheres e um homem, já é um avanço nesse Brasil de homens brancos de Michel Temer", brincou Sônia Guajajara. "Hoje o ódio é incitado por figuras públicas, parlamentares, que não se envergonham de manifestarem todo o seu preconceito", aludindo à naturalidade com que são desferidos ataques a contingentes populacionais inteiros, e não somente às minorias, historicamente marginalizadas.

Um novo pacto em que toda a riqueza do País seja distribuída, como o acesso à terra, educação e oportunidades, é fundamental para que sejam diminuídas as distorções entre a população, acredita Lucia Xavier. "Queremos compartilhar, mostrar nossa capacidade de construir os pilares da sociedade. Enquanto mulheres negras não forem parte do processo, viveremos em uma Democracia Branca. E vocês não sabem o tanto que ela é ruim", finalizou.

Fonte: Mídia Ninja
Fotos: Reprodução

Com o tema Espiritualidade e Cooperação na Celebração dos 500 Anos da Reforma, foi realizado, no início desse mês, em Campina Grande, Paraíba, o I Seminário Ecumênico de diálogo sobre cultura de paz. O evento, realizado no acampamento da igreja batista, reuniu católicos, batistas, luteranos, metodistas e anglicanos dos estados da Paraíba, Pernambuco e Brasília.

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Cerca de 80 pessoas participaram de palestras que, entre outros assuntos, discutiram ecumenismo e política no contexto atual. A secretária geral do CONIC, Romi Bencke, esteve entre os participantes.

Para o pastor e coordenador geral do evento, Wilkens Lenon, o grande problema dos brasileiros está relacionada à intolerância. – A intolerância que cresce de forma desacerbada no Brasil nos agride e nos divide, provoca a violência e estamos aqui irmanados na discussão com olhar profético para o nosso país – disse ele.

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Fonte: Paraíba Online com informações da TV Paraíba
Fotos: Reprodução

Quando o seu biógrafo Peter Seewald lhe perguntou sobre a descristianização da Europa, o papa emérito Bento XVI respondeu: “É tudo uma questão de repensar a presença, encontrar novas formas, trabalhar com talento”.

Ou seja: em vez de repetir a ladainha das igrejas vazias, fechadas e abandonadas, é mais útil entender que o problema é mesmo a fé, que está sedada e distraída. É desta questão fundamental que se deve recomeçar, testemunhando Cristo de formas novas.

Philip Jenkins, um dos maiores especialistas em história e ciência das religiões, reforçou recentemente no jornal The Catholic Herald: nada de fim, nada de extinção. O problema, segundo Jenkins, está em pensar no catolicismo como algo europeu, ligado à teoria das antigas catedrais, aos ritos de um tempo que se foi, à catequese em doses maciças para crianças de 5, 6, 7 anos, toda manhã, depois da missa e antes da escola. Afinal, na maioria das vezes, essas crianças são hoje os adultos que, desligados de deveres impostos, nem colocam mais os pés na igreja nem levam para dentro dela os seus filhos.

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De fato, em grande parte das atuais democracias laicas, a tendência é a da não identificação com religião nenhuma. Na República Checa, nada menos que 60% da população se declara sem religião. O cenário levou a American Physical Society a publicar, em 2011, um detalhado dossiê no qual sentenciava inapelavelmente que o mundo se livraria de todas as religiões até 2100; no topo da lista dos países já prontos para abandonar tudo aquilo em que acreditaram durante séculos, estariam a Áustria e a Irlanda.

Há, no entanto, uma grande distância entre essas tabelas de Excel e a realidade da fé individual. O fato de haver cada vez menos católicos em Praga pode preocupar quem ainda se emociona com o som dos sinos das igrejas, mas não sela o destino de uma religião.

O próprio Jenkins já tinha escrito um livro, “A história perdida do cristianismo“, em que observava que muitas religiões morrem: “Ao longo da história, algumas religiões desaparecem totalmente, outras se reduzem de grandes religiões mundiais a um punhado de seguidores”.

No caso da Igreja Católica, porém, o catastrófico prognóstico não parece aplicável, prossegue ele. A Igreja, que “é a maior instituição religiosa do planeta”, vem desfrutando de crescimento global. Em 1950, a população católica somava 347 milhões de indivíduos. Em 1970, eram 640 milhões. Em 2050, conforme estimativas conservadoras, serão 1,6 bilhão.

“Eu falei de crescimento global, e o elemento ‘global’ requer ênfase”, sublinha Jenkins. “Ao longo da história, houve muitos impérios chamados ‘mundiais’ que, na realidade, estavam confinados principalmente à Eurásia. Foi apenas no século XVI que os impérios espanhol e português realmente abraçaram o mundo. Para mim, a verdadeira globalização começou em 1578, quando a Igreja Católica estabeleceu uma diocese em Manila, nas Filipinas, do outro lado do imenso Oceano Pacífico”.

Ele prossegue:

“Estamos habituados a pensar no cristianismo como uma fé tradicionalmente ambientada na Europa (…), mas essa religião se propaga em escala global. O número dos cristãos está aumentando rapidamente na África, na Ásia e na América Latina. O cristianismo está tão enraizado no patrimônio cultural do Ocidente que faz com que pareça quase revolucionária essa globalização, com todas as influências que ela pode exercer na teologia, na arte e na liturgia. Uma fé associada principalmente à Europa deve se adaptar a esse mundo mais vasto, redimensionando muitas das suas premissas”.

É natural perguntar: esse “novo” cristianismo global permanecerá autêntico?

É uma interrogação legítima, só que um tanto sem sentido quando nos damos conta de que os grandes reservatórios do catolicismo estão hoje em países como o Brasil, o México e as Filipinas – aliás, neste último país houve mais batismos no ano passado que na França, Espanha, Itália e Polônia juntas.

A objeção é fácil: as tendências demográficas explicariam as razões desse crescimento. Onde nascem mais crianças, crescem mais católicos, se o substrato estiver presente. Onde isso não acontece, o catolicismo seca.

Jenkins discorda: basta ir à África e ver que não é bem assim. Em 1900, havia no imenso continente africano talvez 10 milhões de cristãos (não apenas católicos), constituindo 10% de toda a população. Hoje, há na África meio bilhão de cristãos (200 milhões dos quais são católicos). E eles vão duplicar nos próximos 25 anos. Acontece que não há “substrato cristão” na África, brutalmente marcada por invasões, ocupações e islamização mais ou menos forçada. Mesmo assim, a África terá mais católicos em 2040 do que havia no mundo inteiro em 1950. Antes ainda, em 2030, os católicos africanos já terão superado os europeus. Em seguida, a África vai disputar com a América Latina o título de região mais católica do mundo. Em somente uma geração, Nigéria, Uganda, Tanzânia e Congo estarão entre os dez países mais católicos do planeta – e o catolicismo começou a se enraizar nesses lugares faz apenas um século.

Mesmo diante deste cenário, há dúvidas legítimas, especialmente no tocante às conversões e batismos em massa. Bento XVI, em 2009, reconheceu que existem riscos mesmo numa Igreja jovem e entusiasta como a da África: é verdade que ela é “um imenso pulmão espiritual para uma humanidade em crise de fé e de esperança”, mas também é verdade que um pulmão sempre pode ficar doente.

E, afinal, quais são os riscos de “contaminação” do cristianismo euroamericano, considerado por muitos como o “único autêntico”?

A resposta está não só nas massas de fiéis africanos e asiáticos que lotam as igrejas italianas para a missa dominical, mas também na forma do rito – muitas vezes bem mais respeitosa do que aquilo que se vê em algumas catedrais centenárias, de rosácea brilhante e altares majestosos. Basta ver como o Papa foi acolhido na paupérrima República Centro-Africana: enquanto ele entrava na catedral depois de abrir a Porta Santa, o povo estava ajoelhado, recolhido em adoração, sem empurrões nem tentativas superficiais e grosseiras de tirar uma selfie com seu smartphone. Trata-se de respeitar a fundo o essencial, o Sagrado – e não apenas de supervalorizar, apegadamente, formas e rituais que, sem o essencial, não fazem sentido.

Nesse mesmo contexto, Jenkins menciona a cidade de Aarhus, na Dinamarca. Embora aquele país tenha muito pouco de católico, tanto nos costumes quanto na prática religiosa, as poucas igrejas católicas que existem na cidade têm visto grupos numerosos de fiéis, provenientes de terras distantes, entrarem com frequência crescente para rezar, em mostra evidente do caráter global (ou seja, católico) da fé cristã.

Diante destas realidades, a pergunta que não cala é: existe vontade e capacidade de experimentar novas formas de testemunho e de presença? Isso implica focar no essencial e deixar de lado os discursos menos cristãos do que partidaristas sobre “a verdadeira raiz do cristianismo”, bem como os debates sectários que divagam indagando se a sua “imagem mais correta” é a da velha Europa (que não se reconhece mais) ou a da jovem África (que abraça cada vez mais o cristianismo).

Na mensagem enviada aos participantes do 14º Simpósio Intercristão, realizado em agosto do ano passado, em Salônica, para tratar justamente da reevangelização das comunidades cristãs na Europa, o Papa Francisco escreveu que o continente já está lidando com “a realidade generalizada dos batizados que vivem como se Deus não existisse, das pessoas que não estão conscientes do dom da fé recebida, das pessoas que não experimentam a Sua consolação e não são plenamente partícipes da vida da comunidade cristã”.

A Igreja no Velho Mundo está, claramente, diante do desafio de renovar as suas raízes cristãs cada vez menos percebidas. Como? O Papa Francisco propõe: “Identificando caminhos novos, métodos criativos e uma linguagem capaz de fazer que o anúncio de Jesus Cristo, em toda a sua beleza, chegue ao homem europeu contemporâneo”.

Fonte: Aleteia com informações de Matteo Matuzzi, do jornal Il Foglio
Foto: Jay Directo/AFP

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Tem início, no dia 28 de maio, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC). Com o tema “Reconciliação: é o amor de Cristo que nos move – Celebração do 500° Aniversário da Reforma”, a ideia da SOUC para este ano é conclamar cristãos e cristãs, de todas as denominações, à unidade.

Já é possível adquirir os cadernos da Semana. Basta encaminhar e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. com o número de cadernos que deseja. É importante que no e-mail estejam informações como CNPJ ou CPF de quem encomenda e endereço para emissão de boleto bancário. O boleto será emitido para pedidos acima de 10 cadernos. Quem desejar menos de 10 cadernos terá que realizar depósito bancário na conta:

Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4

O valor do caderno é R$ 4,45. Neste valor estão inclusos frete e despesas com Correios. A cada dez cadernos encomendados, será enviado um cartaz da Semana. Individualmente, o Cartaz não será vendido. Para baixá-lo em alta resolução, clique aqui.

Brasil e Alemanha unidos na produção dos Cadernos

O material da SOUC foi preparado pela Comissão Ecumênica Alemã, país considerado um dos berços da Reforma. A Comissão Ecumênica Alemã definiu dois destaques para a SOUC: 1) deveria haver uma celebração do amor e da graça de Deus, a “justificação da humanidade somente pela graça”, refletindo a ideia principal das Igrejas marcadas pela Reforma. 2) deveria ser reconhecida a dor das subsequentes e profundas divisões que afligiram a Igreja, assumindo abertamente as culpas e ofertando oportunidades para dar passos na direção da reconciliação. Depois, no Brasil, quem adaptou o material foi o regional do CONIC no Rio Grande do Sul.

Oferta da Semana de Oração

A oferta da SOUC simboliza o comprometimento das pessoas com o ecumenismo. É uma forma concreta de mostrar que acreditamos realmente na unidade dos cristãos (João 17:21). Os frutos das ofertas doadas ao longo da Semana são distribuídos, anualmente, da seguinte maneira: 40% para a representação regional do CONIC (onde houver), que é destinado a subsidiar reuniões e atividades ecumênicas locais, e 60% para o CONIC Nacional, para projetos de maior alcance.

Vale lembrar que a oferta faz parte da celebração, logo, reserve um momento da liturgia para realizá-la. É um momento de gratidão pelas coisas boas que recebemos de Deus. Ofertas também poderão ser recolhidas nos encontros temáticos, durante a Semana.

Conta para depósito da coleta

Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4

Sempre que possível, faça depósito identificado: CNPJ: 00.721.266/0001-23.

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Brasília recebe, nesta segunda, 17 de abril, o Debate sobre Democracia, Reforma do Sistema Político e Economia. O evento, que será realizado no Museu da República, terá transmissão ao vivo pela página da Mídia Ninja (ninja.oximity.com). Entre os debatedores está a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, a representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Sônia Guajajaras, além de Lucia Xavier, da CRIOLA e Articulação de Organizações de Mulheres Negras do Brasil (AMNB) e do professor da UFPE, Paulo Rubem Santiago.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/1856355677946620/

“Ai daqueles que fazem leis injustas, que escrevem decretos opressores,
para privar os pobres dos seus direitos e da justiça os oprimidos do meu povo,
fazendo das viúvas sua presa e roubando dos órfãos!” (Isaías 10:1,2)


MENSAGEM DE PÁSCOA

Estamos na Semana Santa. Tempo de refletir sobre as violências cotidianas, sobre as desigualdades e sofrimentos provocados pelos diferentes abusos de poder: econômico, político e religioso.

O caminho da cruz pelo qual Jesus passou foi marcado por escárnio, linchamento moral e humilhação. Este caminho revela a face violenta do ser humano.

A celebração da Páscoa não é só de alegrias. Celebrar a Páscoa é encarar uma essência violenta do ser humano.

Nesse sentido, cabe-nos um olhar sobre o nosso país. Talvez nunca tenhamos vivido um momento tão crítico como o que estamos vivendo agora. A iminência de alterações relevantes em nossa Constituição aponta para um futuro incerto.

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Nessa Semana de Páscoa é impossível não ter presente em nossas conversas, celebrações, orações os impactos profundos que irão gerar as reformas da previdência e trabalhista.

A Previdência Social é parte integrante de um sistema de proteção social amplo. Ela é também um dos poucos mecanismos de distribuição de renda de nosso país. Este sistema está colocado em risco. A legislação trabalhista garante que trabalhadores e trabalhadoras tenham seus direitos assegurados. Assim como a Previdência Social, também a legislação trabalhista está em risco.

Sabemos que, ao contrário do que se argumenta, nem a Previdência Social e nem as leis trabalhistas são as causas da crise econômica pela qual passa nosso país. O problema maior de nosso país é que não temos um projeto econômico de desenvolvimento capaz de superar o rentismo.

Somos uma das nações mais desiguais do mundo. Tanto a reforma da Previdência, quanto a reforma trabalhista aprofundarão as desigualdades. Novamente, prevalece a lógica de enriquecimento dos super ricos e empobrecimento dos pobres.

O argumento de que existe um déficit na Previdência é falacioso. Isso é mostrado de forma inequívoca no documento “Previdência: reformar para excluir? “, elaborado pela ANFIP e pelo DIESE. Segundo este documento, nossas maiores despesas financeiras não são com a Previdência, mas com o pagamento de juros e amortizações. No ano de 2015, o Brasil pagou 502 bilhões de juros. Enquanto os gastos com benefícios previdenciários foram de 436 bilhões. Portanto, as despesas com juros representaram 8,5% do PIB. Já as despesas previdenciárias representaram 7,5% do PIB. Isso sem falar nos valores significativos que representam a sonegação de impostos por grandes empresas e pela corrupção, praticada tanto pelo Estado, quanto pelo setor privado.

Existe, portanto, muito a ser explicado ao povo brasileiro antes de se realizar uma Reforma que impactará diretamente na vida das pessoas mais vulneráveis. A lógica do neoliberalismo é considerar os investimentos públicos em políticas sociais como gastos irresponsáveis e não como parte da solidariedade social necessária para o bem-estar da sociedade.

Portanto, tanto a reforma da Previdência, quanto a reforma trabalhista são políticas da cruz, porque irão afetar diretamente a vida das pessoas. São políticas que ampliam as injustiças.

Temos caminhos para mudar. Um deles é a taxação sobre grandes fortunas e heranças. Por que não, tirar dos ricos para dar aos pobres. Por que não dar ao Brasil a possibilidade de experimentar a distribuição justa das riquezas?

Temos esperança na ressurreição do corpo, isso significa que temos esperança em um país que não violentará as pessoas pobres, que se orientará pela justiça e pela solidariedade.

Páscoa, tempo de reflexão! Reflexão que nos leva à persuasão e à ação transformadora de superação de tudo que gere morte. Na atual conjuntura, isso significa que, se quisermos passar pelo vale das lágrimas e fazer dele um lugar de fonte, que preserve a vida (Sl 84.6). Não podemos fugir à luta, temos que enfrentar sem descanso a nefasta política socioeconômica que privilegia o capital especulativo.

Que a Páscoa desperte em nós uma espiritualidade lúcida e que ela nos mobilize para agirmos em favor da preservação de nossos direitos constitucionais!

Diferente de Jesus, que na cruz clamou: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem.” (Lc 23.34), em relação aos que têm o poder de mudar as leis constitucionais que garantem dignidade de vida para todas as pessoas, podemos dizer que, sim, estas pessoas sabem o que fazem.

Que Deus ilumine mentes e corações para que a lucidez e o bom senso despertem consciências.


Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Em parte por causa do ativismo conservador de alguns líderes evangélicos - especialmente no Congresso Nacional -, pastores e fiéis herdaram uma reputação de intolerância aos olhos dos defensores do Estado laico e dos direitos humanos.

Para muitos evangélicos, no entanto, a realidade é outra - em diversas vertentes religiosas, existem iniciativas que pretendem evitar a disseminação de ideias preconceituosas e a defesa dos direitos humanos nas igrejas.

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Em São Paulo, por exemplo, o pastor batista Marco Davi de Oliveira coordena um grupo de estudos sobre raça e evangelho com o objetivo de combater o racismo dentro da igreja, enquanto a pastora metodista Lídia Maria de Lima organiza eventos religiosos para fazer um alerta sobre a violência doméstica e praticar o que chama de "teologia feminista".

A centenas de quilômetros dali, o teólogo batista e pastor José Barbosa organiza em Belo Horizonte o movimento "Jesus Cura a Homofobia", que busca combater o preconceito contra gays entre os evangélicos.

E eles garantem que há outros pastores fazendo trabalhos semelhantes em vários Estados brasileiros.

"Em razão do ativismo evangélico conservador no plano político e moral, os evangélicos têm sido muito mal vistos pela imprensa, por defensores da laicidade do Estado, dos direitos humanos e por grupos feministas e LGBT", diz à BBC Brasil Ricardo Mariano, professor de sociologia da USP e autor do livro Neopentecostais, que traça o perfil das igrejas evangélicas no país.

"Existem mais de 50 milhões de evangélicos no Brasil, um quarto da população, então é um grupo que não pode ser visto como um bloco coeso nem no plano político nem no moral. Há uma imensa pluralidade", afirma.

Demônios e racismo

Em 2011, o pastor evangélico e deputado Marco Feliciano (PSC-SP), disse em sua conta no Twitter que "africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé", o que provocou uma série de críticas de defensores de direitos humanos e variados grupos evangélicos.

Acusado de discriminação, o deputado disse não ser racista nem homofóbico, mas voltou a repetir, desta vez em sua defesa apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) que a "maldição sobre a África" teria ligação com o "primeiro ato de homossexualismo na história".

O pastor batista Marco Davi de Oliveira diz ter vivido na pele os efeitos desse tipo de discurso que liga a negritude a maldições.

Alguns anos atrás, ao participar de um conselho de pastores em uma igreja da Assembleia de Deus, a maior denominação evangélica e pentecostal no Brasil, ele decidiu falar sobre o racismo dentro da igreja - e relata ter enfrentado uma reação violenta por parte de um líder evangélico, que prefere não identificar.

"Eu estava falando sobre a questão racial e um pastor começou a gritar dizendo que eu estava cheio de demônios, tentando dividir a igreja, que eu não tinha o espírito santo em mim e, portanto, não era evangélico nem cristão", conta Oliveira à BBC Brasil. "Isso só me fortaleceu porque percebi que, se causava tanto incômodo, devemos continuar falando sobre isso."

Oliveira organizou um grupo de estudos de raça com integrantes negros e brancos de diferentes segmentos evangélicos, batizado de Discipulado Justiça e Reconciliação.

"Temos batistas, pentecostais, presbiterianos, todos convivem muito bem", afirma Carlos Diogo, integrante do grupo.

"Dialogamos a questão racial na Bíblia e dentro das igrejas com base no livro de Frantz Fanon Pele Negra, Máscaras Brancas. Cada membro lê um trecho do livro e faz um resumo", explica - a obra citada por ele fala sobre a negação do racismo contra o negro na França e ficou conhecida por oferecer um maior senso crítico sobre o impacto do racismo na sociedade.

O grupo teve início na metade de 2016, com 20 integrantes negros e 10 brancos, e durou até novembro. Ao longo desse período, participou do Fórum de Igualdade de Gênero na Igreja Batista no Parque Doroteia (São Paulo), cujo pastor é Oliveira, e do Culto Contra o Genocídio da População Negra.

Oliveira diz ter retomado o grupo de estudos há uma semana, com novos integrantes.

"O nosso cristianismo nasce na África, Jesus Cristo era negro. Quando os negros começam a entender que a Bíblia é um livro escrito para povos negros, eles começam a se libertar, as meninas param de alisar o cabelo, deixam o cabelo crespo", diz.

Para o pastor batista, visões como a defendida por Feliciano no Twitter se devem a erros de interpretação do evangelho.

"O racismo está presente na igreja porque ela é uma instituição formada por gente. Há racismo por falta de compreensão do texto bíblico. Muitos acreditam que se aproximar da negritude é se aproximar do diabo, e isso oprime muitas pessoas negras."

Teologia feminista

Divergências em torno da interpretação dos preceitos bíblicos também se manifestam em outros temas sobre os quais há preconceitos.

Há, por exemplo, pastores que utilizam passagens bíblicas para justificar a subordinação feminina ao homem, afirma a pastora Lídia Maria de Lima.

"O que sempre aparece em discursos machistas são trechos que dizem que a mulher foi criada para ser auxiliadora. São textos escritos por homens que refletem a sua época", diz.

Por esse motivo, Lima organiza eventos voltados a mulheres em São Paulo junto à Assessoria de Direitos Humanos da Koinonia, uma instituição ecumênica que reúne diversas tradições religiosas envolvidas em movimentos sociais. Em cada encontro, que reúne cerca de 20 a 30 pessoas, há uma discussão sobre a condição da mulher na sociedade brasileira e são distribuídas cartilhas sobre o enfrentamento à violência doméstica, um material didático que ultrapassou os limites da igreja metodista e foi replicado em outras denominações.

"A leitura bíblica que se faz nas igrejas é pensada a partir do patriarcado, dizendo que Deus é homem, fala dos pais da igreja (Abraão, Isaac), e o lugar da mulher está sempre em posição de submissão. Quando pensamos em teologia feminista, fazemos uma releitura dessa história bíblica", afirma ela.

Enquanto Lima distribui cartilhas para coibir a violência contra a mulher, tramita no Congresso um projeto de lei de autoria do Pastor Eurico (PHS-PE), da Assembleia de Deus, revogando a lei (12.845/2013), que obriga os hospitais públicos a prestarem atendimento médico gratuito às vítimas de violência sexual.

A justificativa apresentada pelos defensores do projeto é que o atendimento a vítimas de violência sexual promove o "aborto químico" ao garantir a elas o acesso à chamada pílula do dia seguinte.

'Cura da homofobia'

Outros projetos da chamada "bancada evangélica" atingem diretamente a comunidade LGBT, como o Estatuto da Família, que fixa como conceito de família apenas aquela formada por homem e mulher, o que pode dificultar o processo de adoção de crianças por casais gays.

Em reação a esse tipo de proposta, José Barbosa, teólogo batista e pastor, criou um movimento contra a homofobia dentro das igrejas.

Ele conta que teve a ideia quando viu cristãos pedindo perdão à comunidade LGBT, pela forma como a igreja os tratou, durante a parada gay em Chicago, em 2012. Três anos depois, o religioso organizou um grupo - que virou um movimento com 50 pessoas - para fazer o mesmo na parada gay em São Paulo, sob o mote "Jesus Cura a Homofobia".

"A maioria (dos participantes) são héteros e evangélicos que assumiram essa causa dentro das igrejas que frequentam, como batistas, presbiterianas, anglicanas... É uma tentativa de levar essa discussão para as igrejas", explica o líder do "Jesus Cura a Homofobia".

"Principalmente, quando veio essa onda de conservadorismo no Brasil, com (o pastor Silas) Malafaia e Feliciano, achei necessário 'colocar a cara no sol' para dizer que há outro tipo de evangélico. Nem todo evangélico é homofóbico e contra os direitos humanos", afirma.

De acordo com Barbosa, o interesse de evangélicos por causas do tipo não é novidade e teria se desenvolvido nos anos 1980 com a chamada "Teologia de Missão Integral", uma leitura do evangelho voltada para assistência social.

"A partir dos anos 2000, quando começou a efervescência do conservadorismo que vemos no Brasil hoje, esses grupos começaram a se organizar melhor, principalmente no Nordeste e no Sudeste. Há também as igrejas inclusivas, voltadas aos homossexuais. A diferença do 'Jesus Cura a Homofobia' é que tentamos trabalhar dentro das igrejas tradicionais", diz.

Especialista em igrejas evangélicas, Mariano, da USP, chama essa "efervescência do conservadorismo" nas igrejas de "ativismo político evangélico".

"A insistência do ativismo evangélico é cada vez mais radical, com dezenas de projetos de lei para combater a igualdade de gênero, impedir que casais gays tenham os mesmos direitos civis, entre outros", avalia ele.

"Uma das motivações centrais do ativismo político evangélico é de ordem moral, eles querem restaurar a ordem social e moral de acordo com seus padrões tradicionalistas de moralidade bíblica, que são diferentes dos cenários sociais modernos. É uma espécie de reação conservadora à secularização jurídica", afirmou.

Mariano sublinha, porém, que há diferentes imagens a respeito do evangélico no imaginário do país.

"Tradicionalmente, o evangélico é pensado como alguém que não bebe, não fuma, tem um comportamento honesto", diz o professor da USP.

"Essa reputação do evangélico como aquele com um comportamento moral rigoroso é uma imagem muito forte que prevalece, mas destoa um pouco de outra imagem pública deles, a do envolvimento de lideranças evangélicas pentecostais em escândalos", explica.

"Quando se olha para as autoridades evangélicas há uma imagem, e os fiéis têm outra."

Fonte: BBC Brasil
Foto: Reprodução

Na tarde da última sexta-feira (10/4), 50 organizações da sociedade civil e 24 ativistas e especialistas se juntaram para pedir aos senadores a aprovação do projeto Substitutivo da Câmara dos Deputados 7/2016, que revoga o Estatuto do Estrangeiro e institui a nova Lei de Migração.

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Segundo a nota pública conjunta, a proposta “é coerente com uma sociedade mais justa, livre e democrática” e “moderniza o sistema de recepção e registro das pessoas migrantes”. O texto reforça, ainda, que a nova Lei de Migração é resultado de um amplo processo de debate público e responde a demandas históricas das entidades.

Clique aqui para ler a íntegra da nota pública.

Fonte: Conectas
Foto: Reprodução

No dia 20 de abril de 2017, às 18 horas, na Praça do Compromisso, via W-3 Sul, em Brasília (DF), será realizado o Ato Inter-Religioso em memória aos 20 anos sem Galdino Jesus dos Santos. Galdino, indígena do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, foi queimado na madrugada do dia 20 de abril de 1997, quando dormia sob um abrigo de usuários de ônibus, em Brasília.

Ele foi vítima de um grupo de cinco rapazes de classe média alta, entre 17 e 19 anos, que com álcool combustível, comprado cerca de duas horas antes do crime, ateou fogo às suas vestes a título de “brincadeira”. Galdino foi socorrido e deu entrada em estado de agonia no hospital. Completamente cego devido as queimaduras nas córneas, mas ainda consciente, conseguiu se identificar à equipe médica e indicar a localização de seus parentes indígenas. Antes de entrar em coma, perguntou repetidas vezes: “Por que fizeram isso comigo?”. Com queimaduras em 95% do corpo, Galdino não resistiu e faleceu às 2 horas da madrugada do dia seguinte, 21 de abril.

Galdino2

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Brasília (CJP-DF), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) promovem o Ato Inter-Religioso para trazer à memória a história e a vida de Galdino, o Pataxó Hã-Hã-Hãe.

Estarão presentes povos indígenas que farão a dança ritual em homenagem ao parente, haverá declamação de poesias, testemunhos, reflexões acerca do assassinato de Galdino, bem como a realidade vivida pelos povos indígenas hoje no Brasil, sobre a violação dos seus direitos constitucionais e originários e das políticas anti-indígenas do Estado brasileiro. Também serão lembradas as populações vulnerabilizadas no País, pois um dos jovens que participou do crime afirmou terem cometido tal ato, por acreditarem ser Galdino, um morador a em situação de rua.

Outro momento de destaque será o ritual do pedido de perdão e do arrependimento como pressuposto da reconciliação e a ressignificação do fogo que tirou a vida de Galdino, mas que é um elemento respeitado e sagrado pela cultura indígena.

No encerramento, os participantes receberão velas que serão acessas com a motivação de não deixar a luz da vida ser apagada e cada pessoa será convidada a ser luz uns para os outros.

Venha, participe!

O que: Ato Inter-religioso.
Onde: Praça do Compromisso, entre as Quadras 703 e 704 Asa Sul do Plano Piloto – Brasília (DF).
Quando: Dia 20 de abril de 2017.
Horário: Às 18 horas.

Lideranças da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) tornaram público o posicionamento da igreja sobre dois temas que têm pautado as discussões políticas no Brasil: reforma da previdência e trabalhista. Em um texto claro e muito bem redigido, bispos anglicanos ampliam o debate e conclamam o povo brasileiro “à mobilização em favor dos direitos das pessoas trabalhadoras, das melhores condições de trabalho e do amparo justo especialmente para mais pobres e vulneráveis de nossa sociedade”. A carta finaliza com uma pergunta inquietante: “Como poderemos ter paz, se promovemos a injustiça, a morte e a exclusão?”

Igreja Anglicana

Leia o texto na íntegra.


Carta Aberta sobre a Reforma da Previdência e Reforma Trabalhista

Como Câmara Episcopal da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, manifestamos, por meio desta nossa preocupação através deste posicionamento profético e pastoral diante do Projeto de Reforma da Previdência (PEC 287/2016), Projeto de Reforma Trabalhista, e a recentemente aprovada Lei da Terceirização, questionada pelo Ministério Público no Supremo Tribunal Federal.

A Reforma da Previdência

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) enviou para todas as igrejas membro um estudo feito pela ANIFP (Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) e pelo DIESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), sob o título “Previdência: reformar para excluir?”. Neste estudo fica amplamente demonstrado que:

1) A política de “austeridade econômica” que promove “o corte nos gastos públicos, sem poupar as políticas sociais e os investimentos, acompanhado por aumento das taxas de juros e por restrição severa do crédito, contribuiu para (…) uma depressão econômica”, com diminuição de contribuições para a Previdência Social.

2) Que a ANFIP demonstra que “a Seguridade Social é superavitária mesmo com a crescente subtração das suas receitas pela incidência da Desvinculação das Receitas da União (DRU)(…) com as desonerações tributárias concedidas pela área econômica do governo sobre as suas principais fontes de financiamento”.

3) Que aposentadoria por idade, 60 anos para a mulher e 65 anos para o homem, já está estabelecida no artigo 201 da Constituição de 1988, é que “atualmente 53% das aposentadorias são por idade, contra 29% por tempo de contribuição e 18% por invalidez”.

4) Em caso da invalidez, o projeto exige “incapacidade permanente”, com 51% da remuneração mais um porcentual por ano contribuído, o que, além de deixar estas pessoas necessitadas em situação precária não ampara as vítimas de acidentes de trabalho ou a chamadas “doenças profissionais”.

5) A não consideração de uma série de desigualdades como: entre homens e mulheres (sendo que as mulheres têm maiores dificuldades para encontrar emprego, com menor remuneração e, geralmente, dupla jornada); entre o meio rural e urbano (sendo que o benefício previdenciário tem permitido às pessoas a permanência no meio rural e tem apoiado o desenvolvimento a 88% dos municípios do país, com menos de 50 mil habitantes) e entre expectativa de vida e saúde (considerando as diferenças regionais, e as atividades laborais), entre outras.

6) O fim da vinculação do piso da aposentadoria ao salário mínimo condenará à miséria a 28,3 milhões de pessoas que recebem benefícios diretos e suas famílias, além de mais 40 milhões de pessoas amparadas pelo seguro desemprego e outros benefícios.

O impacto de uma reforma desta índole para a Previdência Social do Brasil é desumano, cruel e devastador, com consequências que levarão para a miséria extrema a milhões de pessoas, e forçarão outros tantos milhões a trabalharem até sua morte, desamparando suas famílias. O Brasil que já destaca pela injusta distribuição da riqueza entre pessoas ricas e pobres verá aumentada esta desigualdade.

Reforma Trabalhista e flexibilização da negociação coletiva e terceirização

O mesmo estudo, antes mencionado, afirma que “liberação da terceirização, inclusive com a possibilidade de ‘terceirização em cadeia’ e intensificação da rotatividade, e a prevalência do negociado sobre o legislado apontam no sentido contrário, de enfraquecimento da remuneração do trabalho e de expansão das formas informais e ilegais de contratação”.

Quando a terceirização é aplicada a educação, saúde e segurança, servirá como caminho de evasão de responsabilidades públicas sobre estes setores, e o progressivo desamparo da população.

Por que nos manifestar

O Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, declara bem-aventuradas, as pessoas que tem “fome e sede de justiça” por que é elas serão fartas! (Mateus 5.9), e a Carta de Tiago nos lembra “Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (3.18). Portanto, não podemos nos omitir diante desta tragédia humanitária que estas reformas promovem. Trata-se, pela sua simples proposição em um desrespeito e uma violenta ameaça para este país. Sinal de governantes ilegítimos que, não conseguindo defender esta agenda em um processo democrático com participação popular ampla, o fazem usurpando os poderes que pertencem ao conjunto de cidadãs e cidadãos do Brasil.

Cremos que, pela união das forças de todas as pessoas de boa vontade, este haverá reversão deste quadro. Conclamando assim à mobilização em favor dos direitos das pessoas trabalhadoras, das melhores condições de trabalho e do amparo justo especialmente para mais pobres e vulneráveis de nossa sociedade. Como poderemos ter paz, se promovemos a injustiça, a morte e a exclusão?

Dom Francisco de Assis da Silva, Bispo Primaz e Diocesano da Sul Ocidental

Dom Naudal Gomes, Bispo da Diocese Anglicana de Curitiba

Dom Filadelfo Oliveira, Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Mauricio Andrade, Bispo da Diocese Anglicana de Brasilia

Dom Saulo Barros, Bispo da Diocese Anglicana da Amazônia

Dom Renato Raatz, Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas

Dom Flavio Irala, Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo

Dom Humberto Maiztegui, Bispo da Diocese Meridional

Dom João Peixoto, Bispo da Diocese Anglicana do Recife

Dom Eduardo Grillo, Bispo Coadjuntor da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Dom Clóvis Rodrigues, Emérito

Dom Almir dos Santos, Emérito

Dom Celso Franco, Emérito