Com a passagem do Livro do Levítico em que o Senhor anuncia a Moisés que o quinquagésimo ano prevê a libertação dos escravos e uma referência ao Decreto Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II, o Papa Francisco abriu o seu discurso à delegação do Conselho Metodista Mundial, recebido em audiência na manhã da última quinta-feira, 19/10, no Vaticano.
 
O encontro realizou-se por ocasião do 50º aniversário do início do diálogo teológico metodista-católico. “Somos agradecidos a Deus porque, num certo sentido, podemos proclamar termos sido libertados da escravidão da estranheza e da suspeita recíproca”.
 
Recordando as palavras de São Paulo, o Papa recordou que temos um Batismo comum, “somos e nos sentimos familiares de Deus. E esta consciência nos levou ao diálogo”.
 
O Concílio Vaticano II exorta a existir “um conhecimento mais profundo e um apreço mais justo entre os cristãos das diversas Confissões, por meio de um diálogo que proceda “com amor da verdade,com caridade e com humildade”.
 
“O diálogo verdadeiro – enfatizou o Papa – encoraja continuamente uns aos outros, sem irenismos e sem fingimentos. Somos irmãos que, depois de uma longa separação, estão felizes em se reencontrar e se redescobrir reciprocamente, de caminhar juntos, abrindo com generosidade o coração ao outro”.
 
“Assim prosseguimos, sabendo que este caminho é abençoado pelo Senhor: por Ele foi iniciado e a Ele é dirigido”.
 
“Os outros familiares de Deus podem nos ajudar a nos aproximarmos ainda mais ao Senhor – prosseguiu o Papa, recordando o convite à santidade do teólogo John Wesley, fundador do movimento protestante metodista – e estimular-nos a dar um testemunho mais fiel ao Evangelho”.
 
“Quando vemos sinais de vida santa nos outros, quando reconhecemos a ação do Espírito Santo nas outras Confissões cristãs, não podemos que não nos alegrar. É belo ver como o Senhor semeia largamente seus dons, é belo ver irmãos e irmãs que abraçam em Jesus a nossa mesma razão de vida”.
 
A fé torna-se tangível, sobretudo quando “se concretiza no amor”, e, em particular, “no serviço aos pobres e aos marginalizados”, como resposta ao antigo convite da Palavra: “Proclamem a libertação para todos os moradores, para todos os habitantes do país”:
 
“Quando católicos e metodistas acompanham e levantam juntos os fracos e os marginalizados – aqueles que mesmo habitando as nossas sociedades, se sentem distantes, estrangeiros, estranhos – respondemos ao convite do Senhor”
 
Trata-se do “mesmo chamado à santidade que, sendo chamado à vida de comunhão com Deus – enfatizou Francisco – é  necessariamente chamado à comunhão com os outros”.
 
Olhando em frente, temos uma certeza: “De não poder crescer na santidade sem crescer em uma maior comunhão”.
 
Neste sentido, a exortação para  prosseguir no caminho que se abre “com uma nova fase de diálogo que está por aproximar-se sobre o tema da reconciliação”.
 
“Não podemos falar de oração e caridade se, juntos, não rezamos e não trabalhamos pela reconciliação e pela plena comunhão entre nós”.
 
“Que o vosso trabalho pela reconciliação seja um dom, e não somente para as nossas comunidades, mas para o mundo: seja de estímulo a todos os cristãos a serem em todos os lugares ministros de reconciliação.  É o Espírito Santo que realiza o milagre da unidade reconciliada. E o faz com o seu estilo, como fez em Pentecostes, suscitando carismas diversos e recompondo tudo em unidade, que não é uniformidade, mas comunhão. Por isto é necessário que estejamos juntos, como os discípulos a espera do espírito, como irmãos a caminho”.
 
O dom da graça que “descobrimos uns nos outros”, com o consequente enriquecimento recíproco e a consciência de sermos “irmãos e irmãs em Cristo”, marcam aquele novo tempo – explica o Papa – para o qual devemos “nos preparar, com esperança humilde e empenho concreto”, ao “pleno reconhecimento que terá lugar, com a ajuda de Deus, quando finalmente podermos nos reencontrar juntos na fração do Pão”.
 
Ao concluir, o Papa Francisco convidou todos a rezarem juntos o Pai Nosso, para que o Senhor conceda “o pão de cada dia” em sustento do novo caminho comum.
 
Por Rádio Vaticano
Foto: Reprodução
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Na próxima quarta-feira, 25, o Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, da Arquidiocese de São Paulo, realizará o evento “Evolucionismo e Criacionismo: um diálogo entre fé e ciência”, com apoio do Núcleo Fé e Cultura e da Pastoral Universitária da PUC-SP.
 
O evento, que acontecerá às 19h30 no Auditório 333 da PUC Campus Perdizes, é aberto ao público e terá como palestrantes o professor da PUC-SP, Eduardo Rodrigues da Cruz, e o padre Bruno Muta Vivas, da arquidiocese de São Paulo.
 
Eduardo Rodrigues é doutor em Teologia pela Universidade de Chicago e atualmente dedica-se à pesquisa sobre as relações entre Teologia, Religião e Ciências Naturais.
 
Padre Bruno é sacerdote formado em Ciências Biológicas pela USP e graduado em Teologia pela PUC-SP. Atualmente, o sacerdote exerce seu ministério sacerdotal na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
 
Fonte: Canção Nova / Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade
Imagem: Divulgação
 
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O aumento das desigualdades e falhas na proteção dos direitos das mulheres, em especial as mais pobres, são grandes ameaças ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, de acordo com o novo relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado mundialmente nesta terça (17).
 
Em mais de 140 países analisados, as mulheres enfrentam desigualdade não apenas financeira, mas especialmente na saúde e na garantia de direitos sexuais e reprodutivos, o que acarreta consequências em praticamente todos os sentidos.
 
De acordo com as conclusões do relatório, intitulado “Mundos Distantes: Saúde e direitos reprodutivos em uma era de desigualdade”, a situação enfraquece o progresso dos países e ameaça inclusive a paz e o desenvolvimento econômico global.
 
A demanda de planejamento reprodutivo não atendida nos países em desenvolvimento afasta mulheres do mercado de trabalho e reduz seus rendimentos. Entre os dados apontados, é verificado que, em pelo menos 34 países, a disparidade aumentou entre 2008 e 2013, com a renda dos 60% mais ricos da população crescendo mais rapidamente do que a dos 40% nas camadas inferiores. Além disso, dos 142 países cobertos pelo índice em 2016, em 68 a disparidade de gênero se mostrou maior que a do ano anterior.
 
As mulheres têm ainda mais probabilidade de ficarem desempregadas do que os homens. No mundo todo, 6,2% das mulheres estão desempregadas, em comparação aos 5,5% dos homens. As maiores diferenças no desemprego de homens e mulheres estão no norte da África e nos Estados Árabes. Nas duas regiões a taxa de desemprego de mulheres jovens (44%) é quase o dobro da taxa para homens jovens.
 
Outro fator apontado é que, globalmente, mulheres ganham 77% do que os homens ganham, e se as tendências atuais continuarem, levará mais de 70 anos até que a disparidade de salário por gênero seja eliminada.
 
Também na educação, que pode levar a melhores condições de trabalho e desenvolvimento econômico - pessoas analfabetas ganham até 42% a menos que suas contrapartes alfabetizadas -, mulheres sofrem desvantagem: da população mundial estimada de 758 milhões de adultos analfabetos, cerca de 479 milhões são mulheres e 279 milhões são homens.
 
Outro aspecto negativo é a questão da proteção. Quarenta e seis das 173 economias analisadas em um relatório do Banco Mundial em 2015 não tinham qualquer lei contra violência doméstica, enquanto 41 não tinham leis sobre assédio sexual.
 
Em suas conclusões, o relatório propõe 10 ações para um mundo mais igualitário, incluindo cumprir compromissos e obrigações com direitos humanos de tratados e convenções internacionais, derrubar leis e normas discriminatórias e que possam impedir que mulheres tenham acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva, estender assistência pré-natal e materna essencial às mulheres mais pobres e atender a demanda de planejamento reprodutivo.
 
Outras medidas indicadas são oferecer garantia de renda básica e serviços essenciais, inclusive relacionados à maternidade, eliminar obstáculos econômicos, sociais e geográficos ao acesso de ensino para meninas e mulheres, acelerar transição de empregos informais para formais e eliminar situações de desigualdade através de políticas públicas, entre outras.
 
Com informações do G1
Foto: StockSnap/Creative Commons
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Nos dias 17, 18 e 19 de março de 2018, em Brasília, no Campus da UnB, será realizado o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) – um evento internacional e democrático que pretende reunir organizações e movimentos sociais do mundo todo em defesa da água como direito elementar à vida. O FAMA acontecerá de forma paralela ao Fórum Mundial da Água. 
 
O CONIC está com a missão de articular parceiros e, com eles, marcar presença no FAMA de modo dar voz às comunidades ecumênicas que tanto se empenham no tema. “Temos bastante trabalho pela frente. Estamos acompanhado as reuniões que ocorreram até o momento no Comitê Nacional de preparação do FAMA e, também, estamos em diálogo com a Rede Ecumênica da Água do Conselho Mundial de Igrejas que participa do FAMA”, explicou a secretária-geral do Conselho, Romi Bencke.
 
Nos dias 11 e 18 de outubro foram realizadas as primeiras reuniões ecumênicas para planejar a presença no FAMA. Dentre as ações pensadas até o momento estão:
 
1- Organizar a mobilização ecumênica para o FAMA já no período do Advento. 
 
2- Nos dias de realização do FAMA, realizar a peregrinação/caminhada ecumênica da água, seguindo o “caminho das águas” mapeados no DF.
 
Participam do processo de preparação da presença ecumênica no FAMA, além do CONIC, a Cáritas, o Fórum de Mudanças Climáticas e as igrejas-membro do Conselho.
 
“Estamos motivando as comunidades locais das nossas igrejas, além dos regionais ecumênicos, a se mobilizarem em defesa da água como direito humano. Sem água não há vida”, concluiu Romi.
 
Tome Nota!
 
O FAMA é um contraponto ao Fórum Mundial da Água, que reúne as grandes corporações do mercado, excluindo a sociedade do debate. Já o Fórum Alternativo tem como objetivo unificar internacionalmente a luta contra a tentativa das grandes corporações de transformar a água em mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água.
 
 
 

 
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O Ministério do Trabalho publicou portaria que estabelece novas regras para a caracterização de trabalho análogo ao escravo e para atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a  tal condição, a chamada lista suja do trabalho escravo. As novas normas servirão também para a concessão de seguro-desemprego ao trabalhador que for resgatado em fiscalização do Ministério do Trabalho.
 
A portaria foi publicada na última segunda-feira, 16, no Diário Oficial da União. Segundo a norma, para integrar a lista suja é necessário que seja constatada e comprovada a existência de trabalho análogo ao escravo. Pela definição do Código Penal, submeter alguém a atividade análoga ao escravo é submeter a trabalho forçado ou jornada exaustiva, quer sujeitando o trabalhador a condições degradantes, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída.
 
A portaria estabelece que, para que seja considerada jornada exaustiva ou condição degradante, é necessário que haja a privação do direito de ir e vir, o que no Código Penal não é obrigatório. 
 
Além disso, agora, a divulgação da lista suja ficará a cargo do ministro do Trabalho e a atualização será publicada no sítio eletrônico do Ministério do Trabalho duas vezes ao ano, no último dia útil dos meses de junho e novembro. Antes, a organização e divulgação do lista suja era responsbailidade da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) e a atualização da relação podia ocorrer a qualquer momento.
 
Reação
 
A nova portaria desagradou o Ministério Público do Trabalho (MPT), que a considerou ilegal e diz que adotará, junto com entidades públicas e privadas, medidas judiciais e extrajudiciais na sua esfera de atuação. O vice-coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, Maurício Ferreira Brito, defendeu que "por meio de instrumento normativo inadequado, portaria, o Ministério do Trabalho deseja modificar o conceito de trabalho análogo ao de escravo do artigo nº 149 do Código Penal, fazendo-se substituir pelo legislador ordinário". Ele destacou ainda o que chamou de uma nova "desregulamentação sobre a lista suja do trabalho escravo".
 
O coordenador nacional da Conaete, Tiago Muniz Cavalcanti, defendeu que o governo "está de mãos dadas com quem escraviza". "Não bastasse a não publicação da lista suja, a falta de recursos para as fiscalizações, a demissão do chefe do departamento de combate ao trabalho escravo, agora o ministério edita uma portaria que afronta a legislação vigente e as convenções da OIT [Organização Internacional do Trabalho]".
 
Em nota, o Ministério do Trabalho, diz que a portaria aprimora e dá segurança jurídica à atuação do Estado Brasileiro, ao dispor sobre os conceitos de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas à de escravo. "O combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana", diz em nota.
 
A pasta diz ainda que o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores à condição análoga a de escravo "é um valioso instrumento de coerção estatal, e deve coexistir com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório".
 
Preocupação da OIT
 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou hoje (19) que a iniciativa do governo federal de alterar a conceituação de trabalho escravo e mudar as regras para a fiscalização e de divulgação da lista com o nome de empregadores que pratiquem esse crime ameaça “interromper uma trajetória de sucesso que tornou o Brasil uma referência e um modelo de liderança mundial no combate ao trabalho escravo”.
 
Braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por zelar por condições globais de trabalho decente e produtivo, a OIT sustenta que a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, pode enfraquecer e limitar a efetiva atuação dos fiscais do trabalho, deixando uma “parcela da população brasileira já muito fragilizada ainda mais desprotegida e vulnerável”.
 
Fonte: Brasil 247
Foto: Tiago Queiroz/Estadão
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Fundada pelo sociólogo Betinho em 1993, a ONG Ação da Cidadania relançou no último domingo (15) a Campanha Natal Sem Fome, encerrada há dez anos. A nova edição do projeto tem a parceria inédita de duas agências da ONU — a UNESCO e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Iniciativa arrecadará doações de comida para populações que passam fome no Brasil.
 
A retomada da campanha será marcada pela montagem da tradicional mesa de aproximadamente 1 km no próximo domingo (22) no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Parceiros ficarão responsáveis por um espaço de 60 metros e pela doação de alimentos no local. Atividade se estenderá da passarela da rua Barão do Flamengo até a passagem de pedestres localizada em frente ao Hotel Novo Mundo.
 
O relançamento da Natal Sem Fome conta ainda com o apoio da Agência África, escritório de publicidade que preparou ações de divulgação para as TVs abertas e por assinatura, além de rádio, out of home (espaços publicitários em relógios de rua e pontos de ônibus) e sites e redes sociais. Influenciadores digitais e artistas ajudarão a mobilizar o público.
 
Já é possível fazer doações para a campanha — pelo site http://www.natalsemfome.org.br/ ou nos postos de coleta espalhados por vários estados brasileiros. A lista com todos os endereços de recebimento de doações está disponível também na página da Natal Sem Fome.
 
A Ação da Cidadania lembra que 11% da população mundial passa fome. Apenas no Brasil, 7 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade necessária de comida para sobreviver, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Fonte: Nações Unidas (ONU)
Imagem: Reprodução
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O Fórum Inter-religioso da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) comemorou seus 10 anos de atuação com uma programação especial. No dia 18 de setembro, o evento reuniu representantes e lideranças de tradições religiosas, além de estudiosos, professores e alunos que lotaram o auditório da universidade.
 
A solenidade começou com a apresentação do MPB Unicap. Percy Marques, Natércia Dantas, Jéssica Aragão e o coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião (PPGCR), Newton Darwin Cabral, interpretaram canções marcadas pela religiosidade. Karina Afrodite também se apresentou, entoando um cântico da religião wicca. Dez dançarinos do grupo de dança de matriz africana Fulôres de Palco mostraram suas coreografias (foto). A organização do evento exibiu também um vídeo sobre os 10 anos do Fórum.
 
Em seguida, professores de escolas públicas e privadas apresentaram trabalhos desenvolvidos com alunos dos ensinos fundamental e médio a partir de ensinamentos e experiências adquiridas do Fórum Inter-religioso. Um deles foi Moisés Germano, integrante da Assembleia de Deus e educador em uma unidade de ensino pública de Cavaleiro, Jaboatão dos Guararapes (PE). Moisés contou que despertou para estimular o diálogo religioso e a tolerância depois que presenciou duas meninas se agredindo por terem crenças diferentes. “A intenção em levar o Fórum para a escola foi a de promover o diálogo, não deslocar ninguém de sua religião e sim ouvir o outro”, disse Moisés, que fez mestrado em Ciências da Religião na Unicap.
 
Os estudantes do curso de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Rayana Burgos, Victor Siqueira e Caio Malaquias apresentaram o projeto de Extensão Angapé, desenvolvido junto com o curso de Filosofia da universidade. O trio participou de uma competição internacional patrocinada pelo Facebook que buscava combater o extremismo por meio da empatia.
 
A única equipe brasileira na competição promoveu ações em duas escolas da Região Metropolitana do Recife. “Fizemos uma dinâmica de grupo em que os alunos tinham de desvendar as imagens de cada uma das religiões e explicar o que elas simbolizavam. A ideia era fazer cada um estar no lugar do outro, tentar fazer com que a pessoa sentisse o que o outro sentia por causa do preconceito”, explicou Rayana.
 
Logo depois das apresentações, a representante do budismo tibetano Flori Cavalcanti apresentou o Fórum Diálogos, que surgiu com o apoio da Assembleia Legislativa de Pernambuco e hoje assessora o Ministério Público Estadual por meio da mediação de conflitos religiosos. No auditório, estavam presentes 22 representantes das mais diversas tradições religiosas. A programação contou ainda com lançamento de livros e com uma sessão de agradecimentos e abraços no térreo da Biblioteca da Unicap, onde está em cartaz a exposição Arte e Religião da artista e irmã salesiana Adélia Carvalho.
 
“Este é um ambiente acadêmico que se abriu para uma intervenção social no meio religioso. Temos orgulho em oferecer espaço de estudo para que as religiões se entendam. Nós conseguimos multiplicar ideias, criar redes que multiplicam nossas ideias. Inauguramos uma história que ganhou as ruas, as escolas e isto é motivo de contentamento”, celebra o coordenador do Fórum Inter-religioso, Gilbraz Aragão.
 
Fonte: Unicap
Foto: Reprodução
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No dia 10 de outubro, o CONIC recebeu a visita de Hagai El-Ad, diretor executivo da B´Tselem – organização não-governamental israelense que trabalha a questão dos direitos humanos nos territórios israelenses e palestinos. O objetivo foi dialogar sobre o papel da religião no conflito e a importância das lideranças religiosas no processo de paz. 
 
Hagai frisou a necessidade de se olhar às muitas formas de violência que não aparecem na TV, como, por exemplo, em processos burocráticos que acabam por impedir o acesso de minorias étnicas ou religiosas a determinados direitos básicos dos demais cidadãos.
 
Ele também chamou a atenção para algumas situações em que leis são usadas para legitimar a restrição de direitos. “Os palestinos dos territórios ocupados muitas vezes dependem exclusivamente de Israel para aspectos simples da vida cotidiana, como: poder viajar, poder se casar com alguém de Gaza, erguer casas, etc.”, disse.
 
Dualidade
 
O diretor ainda destacou o que chamou de “dualidade do Estado de Israel”. Em sua opinião, Israel, apesar de ser democrático, age por vezes de maneira opressora em relação aos palestinos. 
 
Paz
 
Sobre a paz, ele defendeu que a comunidade internacional precisa atuar de maneira mais proativa, reafirmando a necessidade da garantia de direitos humanos para todos os lados. “Impedir que injustiças continuem é importante para a paz hoje e no futuro”, garantiu.
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O arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, recebeu na manhã da última terça-feira (10/10) um grupo de babalorixás na sede da Cúria Metropolitana, no bairro das Graças, no Recife. Acompanhados pelo diácono Carlos Lisboa, da Igreja Ortodoxa Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), os babalorixás Pai Ivon T’Oyá Egun, Pai Edson T’Omolu e Pai Iguaracy T’Oxum expuseram ao arcebispo algumas situações de intolerância religiosa ocorridas nos últimos dias em Olinda.
 
“Participei no auditório da Cúria, em setembro, do Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco, e encontrei aí um espaço para uma discussão amigável com o arcebispo, trazendo alguns representantes das casas de matriz africana e afro-brasileira que vêm sofrendo atos de intolerância religiosa”, explicou o diácono Carlos.
 
Pai Iguaracy contou a dom Fernando os momentos de terror vividos em seu terreiro, no bairro de Cidade Tabajara, em Olinda, durante homenagem ao orixá Oxum, em setembro.  “Quatro homens chegaram em motos e começaram a atirar em nossa casa, depois apontaram armas para as cabeças dos frequentadores, inclusive crianças e idosos, enquanto promoviam a destruição dos símbolos sagrados do terreiro”, contou o babalorixá. “Por não saber exatamente a religião dessas pessoas intolerantes, é preciso conversar com todas as lideranças, não para pedir ou exigir punições, mas para nos unirmos em prol da justiça e do respeito”, finalizou.
 
O arcebispo repudiou as manifestações de intolerância religiosa e externou seu apoio e concordância às relações respeitosas entre grupos religiosos diferentes. “O olhar cristão não compactua com atitudes de violência ou falta de respeito às pessoas”, comentou o arcebispo. “A mídia tem divulgado episódios como esse em todo o país, especialmente contra os cultos de matriz africana, e a Igreja Católica está atenta aos fatos, disposta e atuante no combate a essas manifestações”, completou.
 
A disposição da Arquidiocese em promover o entendimento entre religiões diferentes gerou, há cinco anos, a Comissão Arquidiocesana de Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, que promove fóruns de discussão sobre o assunto. “A comissão arquidiocesana de Justiça e Paz também fará acompanhamento das questões envolvendo intolerância religiosa no território da Arquidiocese, que envolve 19 municípios, zelando com caridade e respeito por nossos irmãos”, disse dom Fernando.
 
Após a reunião, Pai Ivon expressou sua satisfação em participar da conversa. “Estava um pouco reticente, sem saber o que esperar, mas senti a solidariedade de dom Fernando em suas palavras”, comentou o babalorixá, que contou admirar as figuras de dom Helder Câmara e do papa Francisco. “O mundo precisa de pessoas como eles”, concluiu.
 
Com informações da Arquidiocese de Olinda e Recife
Foto: Reprodução
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Segundo a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), uma em cada 113 pessoas no planeta é solicitante de refúgio, deslocada interna ou refugiada. Pela primeira vez na história, o número de deslocamentos forçados ultrapassou os 60 milhões de pessoas e chegou à marca de 65,3 milhões, de acordo com o relatório Tendências Globais.
 
Para dar cara e vida a essas histórias, o cineasta Hank Levine decidiu fazer um documentário que acompanha a trajetória de seis pessoas de diferentes partes do mundo que tiveram de abandonar seus lares e tentar recomeçar a vida em outra cidade ou país. Produzido por Fernando Meirelles, ‘Exodus - De Onde Eu Vim Não Existe Mais’ foi exibido pela primeira vez em dezembro de 2016, na Mostra Internacional de Cinema.
 
O longa começa com impressionantes cenas no deserto do Saara: crianças gritam por direitos humanos na caçamba de um caminhão e uma multidão forma na imensidão arenosa um gigantesco apelo por liberdade ao som da narração de Wagner Moura: “Eu não sei onde estou indo, sei que ainda não cheguei. Os campos, as marchas, a espera constante, a caminhada sem parada. Uma vida pausada. Uma língua estrangeira, uma angústia estrangeira. Tudo o que deixei para trás: lembranças de sementes de esperança, o cheiro de casa e o próprio sentido. O medo de ser esquecido, o medo de ser temido, a distância de casa”, anuncia a abertura.
 
Durante dois anos, a equipe acompanhou os protagonistas, que contam suas histórias em primeira pessoa: a ativista política Napuli foi obrigada a deixar o Sudão do Sul e ir para a Alemanha, onde luta por seus direitos e contra a saudade da família. Tarcha nasceu no Saara Ocidental e teve de fugir para a Argélia em 1975 devido à invasão do Marrocos, e vive desde então em campos de refugiados. Dana, nascida na Síria, chegou ao Brasil e está desesperada para poder reunir sua família no Canadá. O jovem sírio-palestino Nizar veio para o Brasil, encontrou o irmão em Cuba e seguiu para a Europa, onde espera receber refúgio e reunir a família. Bruno, de Togo, ficou nove anos em campos na Alemanha, até ser finalmente legalizado e passar a lutar pelos direitos de refugiados. Lahtow e Mahka, de Kachin, em Mianmar, tiveram de abandonar suas casas por causa de conflitos militares.
 
Não há no filme discussões sobre a legalidade ou ilegalidade de cruzar fronteiras e permanecer. O que ficam evidentes são as problemáticas que obrigam as pessoas a deixarem tudo para trás para começar – muitas vezes do zero – uma nova vida. 
 
Segundo o filme, as leis alemãs determinam que a maioria das pessoas que pedem asilo vivam em campos até que seus status sejam determinados. Enquanto esperam, eles não podem procurar trabalho e têm a liberdade de movimento severamente restrita. Bruno Watara passou sete anos em um campo de refugiados em Crivitz enquanto esperava a resposta para seu pedido de asilo. “Em algumas noites, não conseguíamos dormir e tínhamos de tomar soníferos, mas às vezes nem isso funcionava. Você fica na cama o dia inteiro e não consegue dormir. E durante o dia, o que poderíamos fazer? […] Poderia dizer que eles roubaram sete anos da minha vida”, afirma o togolês que hoje faz parte do Conselho de Refugiados de Berlim-Brandemburgo.
 
Para os deslocados e refugiados, muitas vezes, a única coisa que sobra, além da imobilidade forçada e do silêncio, é a esperança de poder recomeçar sua caminhada em paz e sem sofrer preconceito. ‘Exodus - De Onde Eu Vim Não Existe Mais’ faz um apelo poético por dignidade e respeito para essas pessoas que já viveram tantas situações complexas: “De onde estou agora, posso ver a casa que deixei. Milhas acumuladas atrás de mim e muros em minha frente. A casa ainda vive dentro de mim, é música para meus ouvidos, é ar na minha pele, é paz nos meus sonhos. Eu vou construí-la de novo. Mas onde? Fora do fogo e no frio, eu começo a mais longa jornada. Milhas à frente antes que eu esteja livre. Milhas à frente antes que eu esteja em casa”, resume a narração.
 
Com informações da RBA
Imagem: Reprodução / Trailer
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