"Bem-aventuradas as pessoas que sofrem perseguição por causa da justiça,
porque delas é o reino dos céus" (Mateus 5,10)
 
A CESE busca inspiração no texto das bem-aventuranças para conclamar todas as pessoas de fé, quer atuem ou não juntos/as aos movimentos sociais, a refletirem e se posicionarem diante do quadro político atual.
 
O que estamos vivenciando com a sofreguidão que invade as redes sociais e fustiga mentes e corações com manifestações de ódio e intolerâncias o processo eleitoral, não pode estar dissociado do mal-estar que acomete a humanidade. Ela que se move entre tantas crises no meio da globalização – financeira, energética e ambiental, desemboca numa crise humanitária e civilizatória com levas de migrantes humilhados/as, colocando em xeque as bases da Declaração Universal dos Direitos Humanos duramente construída sobre os escombros da última Grande Guerra. Nós e metade da humanidade que ainda buscávamos tardiamente a afirmação dos direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais, vivemos agora o rebaixamento de direitos civis e políticos sob o tacão das medidas de exceção – um fascismo social que, como ‘pau de aroeira’, fustiga até consolidadas democracias dos chamados países centrais.
 
Como em muitos momentos da nossa história em que o país apontava para um desenvolvimento próprio e menos desigualdade, o mote do combate à corrupção surge como explicação rasteira à legítima explicitação dos conflitos, criando caldo político-cultural mal direcionado de indignação popular em meio a operações que aprofundaram a crise econômica e um enorme exército de desempregados. Como no resto do mundo, os/as trabalhadores/as enfrentam dramática mutação em sua estrutura de classe – dispersa e precarizada – de que se valem as contrarreformas do capital para impor sujeição e maior exploração.
 
Queremos, junto com a sociedade civil organizada, superar o mais rápido possível essa sensação de medo, de insegurança pública e social, de misoginia, racismo, intolerância religiosa e preconceitos de gênero. De descrença nas instituições e na política, decorrentes da situação de desemprego e falta de horizontes, especialmente para parcelas de nossa juventude que passa a desprezar a institucionalidade e buscar saídas aventureiras marcadas pela violência e toda sorte de intolerância com a diversidade de valores das pessoas e de suas crenças. Devemos estar atentos/as para superar a criação de clima beligerante por parte de qualquer grupamento social ou de dentro das instituições que compõem o Estado Brasileiro.
 
Estamos convencidos/as que a falência da política é uma espécie de morte da democracia, bem como a busca insana de ‘salvadores/as da pátria’ que afrontam as instituições sem preocupar-se com a vida democrática e a legítima disputa no campo das ideias. Não por acaso, grupos e movimentos sociais, a opinião pública e a mídia internacional acompanham com vivo interesse e preocupação os destinos do Brasil que será decidido no próximo 28 de outubro. O que está em jogo é o futuro de nossa democracia diante das medidas que cada vez mais desfiguram a Constituição de 88, quando novas identidades coletivas foram reconhecidos/as.
 
Para a CESE e o movimento ecumênico, o encaminhamento das crises econômica, social e ambiental são inseparáveis da luta por direitos, da retomada das políticas públicas inclusivas para atender as condições dignas de vida das amplas parcelas que foram historicamente excluídas. É com esse espírito de confiança nas instituições e na democracia que a CESE convida as igrejas, movimentos sociais e todas as pessoas de boa fé a exercerem sua cidadania ativa neste histórico 28 de outubro. Vamos para as urnas com consciência!
 
#ComFéSemFascismo
CESE – COORDENADORIA ECUMÊNICA DE SERVIÇO

 
O Ministério do Trabalho divulgou uma versão atualizada da chamada “lista suja” do trabalho escravo, que reúne empregadores que submeteram funcionários a condições análogas à de escravo.
 
O documento denunciou 209 empresas pela prática do crime e ainda revelou que, entre 2005 e este ano, 2.879 funcionários foram submetidos por seus empregadores a exercer atividades laborativas sob condições degradantes e desumanas.
 
A nova lista traz tanto empregadores do espaço urbano como da zona rural. A lista oficial será divulgada apenas no final do ano, mas o governo federal já apontou características comuns entre as vítimas, como a baixa escolaridade e o fato de estarem inseridas em bolsões de pobreza.
 
De acordo com a Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete), jornada exaustiva é todo expediente que, por circunstâncias de intensidade, frequência ou desgaste, cause prejuízos à saúde física ou mental do trabalhador, que, vulnerável, tem sua vontade anulada e sua dignidade atingida.
 
Já as condições degradantes de trabalho são aquelas em que o desprezo à dignidade da pessoa humana se instaura pela violação de direitos fundamentais do trabalhador, em especial os referentes a higiene, saúde, segurança, moradia, repouso, alimentação ou outros relacionados a direitos da personalidade.
 
Clique aqui e veja a lista completa.
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução

 
O Papa Francisco proclamou santos duas das figuras mais importantes da Igreja Católica no século XX: o Papa Paulo VI, cujo pontificado foi de 1963 a 1978, e Oscar Romero, arcebispo de El Salvador assassinado em 1980. Os dois foram canonizados neste domingo (14) em uma grande cerimônia na Praça de São Pedro, no Vaticano.
 
A cerimônia contou com dezenas de milhares de peregrinos, entre eles cerca de 5 mil salvadorenhos e alguns presidentes. Os presidentes de El Salvador, Salvador Sánchez Cerén; Panamá, Juan Carlos Varela; do Chile, Sebastián Piñera; e da Itália, Sergio Matarella, assim como a rainha Sofia da Espanha estavam entre os participantes do ato solene.
 
"Declaramos e consideramos santos Paulo VI e Oscar Arnulfo Romero Galdámez", declarou Francisco em latim, na cerimônia em que também canonizou os religiosos Francisco Spinelli, Vicente Romano, María Catalina Kasper, a Nazaria Ignacia de Santa Teresa de Jesus e o leigo Núncio Sulprizio.
 
Na cerimônia, o Papa usou como vestes litúrgicas o cíngulo com sangue que Romero usava na cintura no dia de seu assassinato, bem como a casula (veste litúrgica) de Paulo VI.
 
O Papa Paulo VI é lembrado por ter presidido as sessões finais do Segundo Concílio Vaticano, reuniões que abriram a Igreja Católica para o mundo, e por ter conduzido a implementação de suas reformas modernizadoras.
 
Também é conhecido pela encíclica Humane Vitae (Sobre a Vida Humana), na qual eternizou a proibição católica a métodos contraceptivos artificiais, como pílula anticoncepcional, em 1968.
 
Paulo se tornou Papa em 1963 após a morte do papa João XXIII. Passou boa parte da carreira no serviço diplomático do Vaticano, antes de se tornar cardeal de Milão. Ele morreu em 1978 e foi beatificado em 2014, após o primeiro milagre atribuído a ele.
 
O milagre atribuído pela Congregação para a Causa de Todos os Santos a Paulo VI foi a cura de um feto de uma doença supostamente irreversível.
 
Este é o terceiro papa que Francisco converte em santo depois de João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005).
 
Romero, que foi arcebispo de San Salvador, é reverenciado em seu país como herói nacional e defensor dos pobres, da paz e da justiça.
 
Ele denunciava publicamente a repressão da ditadura militar de El Salvador no início da guerra civil do país, entre 1980 e 1992, e foi assassinado quando celebrava uma missa em 1980. Seu assassinato foi um dos mais chocantes do longo conflito. Ninguém nunca foi julgado por sua morte.
 
Francisco, o primeiro papa latino-americano, reconheceu Romero como "mártir da Igreja" em 2014, e o colocou no caminho da santidade em 2015, dizendo ao beatificá-lo que ele havia sido assassinado "por ódio à fé".
 
Em San Salvador, outras milhares de pessoas assistiram à cerimônia de canonização em telões instalados na catedral da cidade em que fica seu túmulo.
 
Com informações do G1
Foto: Filippo Monteforte / AFP

 
O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), organização da sociedade civil que há 39 anos atua na defesa dos direitos humanos, na promoção da cidadania e no fortalecimento da participação popular, vem a público reafirmar seu compromisso com a democracia - que já não é plenamente exercida e sofre graves ameaças em nosso país - e repudiar a violência física e simbólica com as quais se tem atacado os direitos humanos, civis, políticos, sociais, e, sobretudo, as pessoas que os defendem.
 
Tais violências incentivam e corroboram a intolerância, já tão grave no Brasil: país com mais mortes violentas de LGBT no mundo; 5º em número de feminicídios; que mais mata indígenas na América Latina; onde a taxa de homicídios de pessoas negras é o dobro das não negras; e onde há mais assassinatos de ativistas de direitos humanos e ambientalistas no mundo.
 
Neste momento decisivo para o país, nos posicionamos em favor de um Brasil que respeita as diferenças, defende as liberdades civis e políticas, bem como promova os direitos humanos e sociais, sem os quais é impossível o aprimoramento da nossa recente e frágil democracia.
 
Fonte: Inesc

 
A experiência da prática de espiritualidade da igreja cristã na história tem demonstrado um esforço da grande parte do povo de Deus em buscar uma espiritualidade individualista marcada pelo reducionismo que aponta para uma relação Deus-homem/mulher. Como igreja, nossa história é pontuada pelo esforço pessoal em uma relação individual com Deus na linha unicamente vertical em detrimento de um encontro com o outro, em uma perspectiva comunitária na dimensão de um novo horizonte. Um cenário que se caracteriza pelo individualismo religioso, sem perspectivas de uma vida comunitária que acolhe, compartilha e encarna na vida o evangelho libertador de Jesus de Nazaré.
 
As palavras de Jesus no Evangelho de Marcos nos animam na busca de uma nova espiritualidade. Jesus exalta o amor como o maior mandamento que transcende toda a lei o os profetas. É na força do amor que o ódio, a opressão, a divisão e a exclusão são superados. Jesus desafia seus discípulos e discípulas à prática do amor que é supremo, que vence as barreiras do preconceito e do individualismo.
 
“Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes”. (Mc.12:30,31)
 
O mandamento de Jesus supera em muito a espiritualidade dos religiosos de sua época. A prática de amar a Deus e ao próximo é um rompimento radical com a velha doutrina do pensamento judaico/fundamentalista que obrigava as pessoas a amar apenas os seus pares e odiar os inimigos. Jesus desconstrói essa doutrina e aponta para o amor incondicional e verdadeiro, com base na liberdade (Lc.6.27-36). Jesus ensina que amar a Deus implica diretamente em amar o nosso próximo que pode ser também nosso inimigo. Não pode haver uma dicotomia pois os dois mandamentos se completam em um (v.30). Quem pratica o amor o faz com liberdade, não espera nada em troca, não impõe condições e limites, apenas ama a todos, assim como Jesus nos amou.
 
A maneira concreta para uma práxis da espiritualidade cristã completa-se quando temos um encontro com Deus e com o nosso próximo. Uma nova espiritualidade que vai muito além do cumprimento de códigos, ritos e dogmas estabelecidos pelo sistema religioso. Uma nova vida que é demonstrada na caminhada com as pessoas, principalmente com o pobre. Esta nova espiritualidade deve ser vivenciada em nós nos mais diversos lugares. No bairro onde moramos, na família, no trabalho, na sala de aula, nas comunidades periféricas onde atuamos e nos encontros onde expressamos a nossa fé. É nos diversos encontros da vida que se manifesta essa espiritualidade libertadora que acolhe, compartilha, que é misericordiosa e fraterna, que desfruta da liberdade de amar a todos/as.
 
Uma espiritualidade libertadora celebra e exalta a vida. Valoriza as pessoas e reconhece o seu grande valor como ser humano. Esta foi vivida intensamente por Jesus de Nazaré. Por isso, Jesus preferiu caminhar com o povo em vez de centralizar suas energias no templo. Jesus foi para a Galileia e lá iniciou sua caminhada de libertação. Um lugar de esquecidos, de diversidade e desafios libertários. Para Jesus, a vida estava acima de todas as observâncias da lei e do seu rigoroso cumprimento, e por esta razão, convida as pessoas a aprender com ele sobre mansidão, humildade, amor e libertação da opressão (Mt.11.30). Uma caminhada a partir do povo, de baixo para cima, da Galileia para Jerusalém, centro do poder.
 
Os que se ajuntam para o seguimento de Jesus, são em sua maioria do grupo dos oprimidos. São os camponeses, os doentes, os leprosos, as prostitutas, os possuídos por espíritos malignos, as mulheres pobres, as crianças, escravos e empregados do baixo escalão do estado, como no caso dos coletores de impostos e soldados que estavam a serviço de Roma. A ala dos excluídos, vítimas da opressão dos poderes do estado e da religião compões o grupo dos seguidores do caminho. Essa nova espiritualidade de libertação e amor, construída longe do templo e de seu controle sobre as pessoas, caracteriza uma revolução da parte de Jesus em um contexto de exclusão aos mais pobres. É a chegada do reino de Deus, que aponta para uma nova esperança.
 
A igreja cristã de hoje tem buscado viver a espiritualidade, e não são poucas as formas e entendimentos. Ir ao templo, orar, ler a bíblia e buscar o poder de Deus para resolver questões pessoais são algumas das diversas formas de espiritualidade hoje. Mas qual espiritualidade Jesus nos ensinou e viveu? Nos diversos encontros da vida, quem temos encontrado? Nossa caminhada está seguindo os passos do seguimento de Jesus de Nazaré, que caminhou com os pobres vítima da opressão? Estamos acolhendo a todos/as para a construção de uma nova espiritualidade libertadora?
 
Fonte: CEBI
Texto: Marcos Aurélio, para o projeto Voz Popular
Imagem: Reprodução

 
ELEIÇÃO PRESIDENCIAL: O QUE ESTÁ EM JOGO NO SEGUNDO TURNO
 
Não se pode dissociar a defesa dos direitos humanos da defesa da democracia. A democracia pressupõe disputas de projetos e de campos ideológicos, assim como a aceitação incondicional dos resultados das urnas — expressão soberana dos anseios populares. Tais disputas são naturais e, em certa medida, saudáveis desde que travadas no campo estrito das ideias e do respeito às regras estabelecidas.
 
Mas existem limites que se esperam de qualquer candidatura que postule o cargo de representante máximo do Estado, entre eles a adesão inconteste ao texto Constitucional, aos valores democráticos e republicanos, bem como o respeito à pluralidade e às minorias que compõem a sociedade brasileira.
 
Não é novidade que os conceitos de direitos humanos, justiça e cidadania vêm sendo deliberadamente distorcidos nos palanques eleitorais em diversas partes do mundo em busca de votos daqueles que se encontram profundamente desiludidos com a política. Neste pleito, porém, a ameaça está se traduzindo em um discurso abertamente violento, autoritário e discriminatório –uma retórica anacrônica que remete aos horrores dos anos de chumbo. Inaceitável sob qualquer circunstância.
 
Devemos disputar o significado dos direitos humanos e não aceitar sua captura pelo discurso de ódio. É preciso, incansavelmente, esclarecer e reafirmar: os direitos humanos são um marco na defesa dos cidadãos e cidadãs e das liberdades individuais. Eles não pertencem a partidos nem a ideologias. Os direitos humanos são de todos e todas nós, sem distinção de raça, classe, credo, gênero, orientação sexual ou qualquer outra condição.
 
O próximo presidente da República deve assumir e respeitar esses princípios. Não queremos o Brasil governado pelo ódio e a intolerância, com o total desrespeito às instituições democráticas e ao que determina nossa Constituição.
 
A Conectas nasceu para defender e promover os princípios dos direitos humanos como pilar básico para uma sociedade justa, livre e democrática e será incansável na sua defesa. Esperamos que os eleitores e eleitoras votem nesse segundo turno por quem defenda e respeite esses valores. De forma independente e apartidária, nós na Conectas seguiremos firmes em nossa missão.
 
Fonte: Conectas
Imagem: Reprodução

 
O Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2017, lançado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no último dia 27, em Brasília, foi divulgado pela imprensa nacional e internacional. Publicado anualmente há 21 anos, os dados do Relatório constatam, nesta edição, o preocupante aumento de tipos de violência, saltando de 14 para 19, praticadas contra os povos indígenas e seus territórios.
 
A imprensa repercutiu, na maioria das publicações, o número de suicídios (128 casos), assassinatos (110 casos), mortalidade na infância (702 casos) e as violações relacionadas ao direito à terra originária e à proteção delas.
 
Houve destaque, ainda, para o aumento de situações nos três tipos de “violência contra o patrimônio”, que integram o primeiro capítulo do Relatório: omissão e morosidade na regularização de terras (847 casos), conflitos relativos a direitos territoriais (20 casos), além de invasões possessórias, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio (96 casos registrados).
 
As invasões aos territórios tradicionais, situação comumente denunciada por veículos de comunicação e projetos especiais de jornalismo, receberam atenção no que tange o roubo de bens naturais, como madeira e minérios; caça e pesca ilegais; contaminação do solo e da água por agrotóxicos e incêndios, dentre outras ações criminosas. No ano passado, o Relatório do Cimi registrou 59 casos – houve, portanto, um aumento de 62% em 2017.
 
A invasão de madeireiros, garimpeiros e venda de lotes dentro de sua terra já demarcada foi um dos pontos trazidos na apresentação do Relatório pela liderança indígena André Karipuna. O povo Karipuna (RO) denuncia a situação que levou 10 mil hectares de floresta a serem destruídos em território demarcado há 28 anos.  Em março, a situação foi relatada para a Funai, IBAMA e MPF. 
 
A violação aos direitos dos povos, conforme o entendimento visto nesta cobertura da imprensa, sobretudo em relação ao usufruto exclusivo do território pelos indígenas e dos bens nele contidos, é agravada pelo fato de, recorrentemente, haver intimidações, ameaças e, muitas vezes, ações físicas violentas contra os indígenas, como ataques às comunidades e atentados previamente articulados.
 
Fonte: Cimi
Foto: Ana Amélia/Cimi

 
Reunidos no salão de eventos da residência patriarcal em Atchane – Líbano, metropolitas (arcebispos) da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA) tanto do oriente quanto da diáspora, sob a presidência de S.S. O Patriarca Mor Ignatius Aphrem II Karim, Patriarca de Antioquia e Todo Oriente, discutiram a atual situação da Igreja em todo o mundo, seus movimentos com a juventude, as relações ecumênicas, as missões nas Américas Central e do Sul, com destaque ao Brasil, ressaltando as comunidades do Oriente Médio que ainda sofrem com a guerra e as consequentes perseguições as minorias da região.
 
Sua Eminência Mor Tito Paulo Hanna, Arcebispo Presidente e Núncio Apostólico da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil, representa as comunidades em missão em nosso país durante o Sínodo, apresentando a expansão missionária da Igreja e a consolidação dos projetos de organização administrativa e pastoral que vinham sendo implementadas nos últimos anos e que, neste ano, tomaram um novo impulso com a eleição do arcebispo Mor Titos como presidente da Igreja no Brasil e a transferência da Secretaria Executiva para o Mosteiro Sirian Ortodoxo São Basílio e Santo Efrém em Samambaia – DF.
 
Desde 2012 no Brasil, Mor Tito Paulo Hanna, nascido em Nínive – Iraque, é o representante direto do Patriarcado Sirian Ortodoxo no país, não somente confirmando a missão da Igreja iniciada com Mor Crisóstomos Salama em 1983 (com aprovação patriarcal) como confirmando a legitimidade da mesma até hoje, sem interrupções, haja visto que antes da criação das missões já haviam no Brasil comunidades da Igreja formadas por imigrantes e descendentes de países como Síria, Líbano e Turquia, enquanto as missões foram iniciadas entre brasileiros sem ascendência oriental.
 
O Santo Sínodo foi iniciado com uma Celebração Eucarística presidida pelo Patriarca na presença dos arcebispos, e se estenderá para os próximos dias. Na tarde do dia 09/10 o presidente do Líbano, Michel Naim Aoun, visitou a residência patriarcal e cumprimentou os membros do Santo Sínodo, fazendo votos de bom trabalho nas reuniões em prol de todo povo siríaco ortodoxo no oriente e todo o mundo.
 
Clique aqui e confira outras fotos do Santo Sínodo.
 
Fonte: Assessoria ISOA
Foto: Reprodução

 
Nos últimos tempos, temos o incômodo sentimento de que as expressões públicas de intolerância só aumentam. Muitas, lamentavelmente, alimentadas por lideranças políticas, religiosas e midiáticas, muito especialmente nestes tempos de campanha eleitoral.
 
É fato que nunca vivemos só de coerências, convergências, certezas, similaridades, ordem, completudes, plenitudes, luzes. A vida é muito complexa. Lidamos o tempo todo conosco mesmos e com os outros em meio às divergências, às dúvidas, às diferenças, ao caos, às incompletudes, às contradições, às implenitudes, às sombras...
 
Por isso, um grande desafio para o ser humano é existir e coexistir: escolher e se apegar no que representa um bem para si e para os outros. Ninguém vive sozinho.
 
Assim emerge a ética – a responsabilidade que cada um tem por suas atitudes e pelas consequências delas para si próprio e para o mundo. Por isso a tolerância, a atitude de aceitação e respeito ao ser humano que é diferente de nós, que não se revela igual a nós, torna-se uma ética.
 
Para uma coexistência, não é obrigação viver a mesma vida, ter as mesmas posturas, a mesma visão de mundo, os mesmos símbolos, as mesmas crenças, a mesma ideologia, a mesma opinião. Divergência, discordância, são componentes de uma atitude tolerante, com respeito ao outro, tendo consciência das diferenças, que acabam por compor o incrível mosaico que é o mundo.
 
A atitude de tolerância não é “aguentar”, “suportar”, não conseguir evitar o outro diferente, mas é a aceitação do direito que cada um tem de ser aquilo que é e de continuar a ser.
 
A regra de ouro do cristianismo reflete bem este direito: “Não faça ao Outro aquilo que você não quer que façam a você” (Mateus 7.12). Ou “Faça ao Outro o que você quer que façam a você”. Esta perspectiva está bem presente em muitas outras religiões.
 
Alguém pode questionar: Então, tudo é relativo? Cada um vive como quer e faz o que quer? Qualquer postura deve ser aceita? Não. Por isso temos regras de coexistência que passam pelos direitos e deveres, fundamentalmente no direito da vida humana e da terra, com leis para se manter a vida.
 
É preciso agir coletivamente para se garantir, com tolerância, o direito de ser e existir. Um assassino tem de ser punido por impedir a vida. Corruptos precisam responder pelo uso abusivo e ilegal de recursos que garantem a vida. Torturadores têm que ser punidos por não tratar quem está preso como ser humano. Racistas e sexistas têm que ser punidos por tratarem um ser humano igual como inferior.
 
Quem abusa da liberdade de expressão para ofender e violentar com palavras e imagens aquele não aceita como igual, ou de quem discorda, deve ser punido.
 
A intolerância, ao contrário, é a negação do direito do diferente existir. É enxergar a vida somente por “um lado”. Na verdade é uma cegueira: decreta-se que o certo, a verdade, o que vale, o que deve ser é um único modo de vida.
 
Daí a tentação de uma única postura, uma única visão de mundo, os únicos símbolos, uma única crença, uma única opinião. Quem é intolerante quer impor um pensamento único – aquele com o qual se identifica - chegando até mesmo a usar da força física, dos vários tipos de violência, para que todos assumam a sua perspectiva.
 
A intolerância se concretiza em preconceitos, discriminação e ódio de diferentes formas: racismo (contra negros), machismo/sexismo (contra mulheres), classismo (contra pobres), xenofobismo (contra estrangeiros e populações de regiões inferiorizadas), LGBTfobismo (contra pessoas LGBTX), etaísmo (conta determinadas idades), contra expressões religiosas, contra opções políticas.
 
Estas atitudes sociais podem se manifestar em ações coletivas particularizadas como o bullying, segregações e exclusões em escolas, espaços de trabalho, vizinhanças.
 
Podem também se reverter em ações coletivas organizadas como atentados, assassinatos, “limpezas locais”, como ações da Ku Klux Klan, nos EUA, dos skinheads, em várias partes do mundo, do Estado Islâmico, das milícias (inclusive religiosas) e de grupos de linchamentos.
 
Estas manifestações de intolerância podem também ser assumidas por governantes e se reverter em políticas, com uso da lei, como guerras, regimes de separação, genocídios, limpezas étnicas, perseguições.
 
Temos como exemplos o apartheid na África do Sul, o sistema de castas na Índia, a dizimação das populações indígenas nas Américas, o holocausto imposto pelo Nazismo, a eliminação do povo bósnio e da juventude negra das periferias do Brasil, entre tantos outros.
 
Daí a discussão entre oportunismos que se estabelecem entre a legalidade e a legitimidade. Nem tudo o que é imposto como lei pode ser considerado legitimamente humano.
 
Intolerância não tem idade, não tem gênero, não tem cor, não tem classe social, não tem nacionalidade, não é sinônimo de conservadorismo, não é sinônimo de “direita”.
 
Intolerância é coisa de gente que não quer lidar com as diferenças e o direito de ser e existir que é de todos que habitam o mundo. Reconhecer a própria intolerância (deixar de se ver como o centro do universo e tirar a venda dos olhos para o grande mosaico mundial) é grande passo de superação.
 
Fazer política de forma respeitosa e digna é outro. Qual é o meu-seu-nosso próximo passo?
 
Imagem: Reprodução / Pixabay

 
O grande volume de notícias falsas, as chamadas fake news, e a prática de desinformação são preocupantes, mas não chegam a ser uma novidade em época de eleição. Esta é a avaliação de Sérgio Amadeu, sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), e de Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
 
“O processo de combate com ideias exageradas, falsas, deslocadas, não surgiu com a internet, é bem anterior à Internet. Quero lembrar que quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi eleita ocorreu um conjunto de mentiras, nas eleições de 89, quando a Internet nem era comercial no Brasil, o Lula foi atacado. Diziam que ele iria dividir o apartamento das pessoas e tomar os quartos para alocar os pobres. Existe há muito tempo”, relembra Amadeu.
 
Mentira, fake e boatos
 
Segundo ele, a grande novidade deste processo eleitoral vem dos EUA. A direita estadunidense passou a utilizar de forma consciente o trabalho de desinformação. “E o que é uma desinformação. Não é só uma notícia falsa, é encher de verdade exagerada uma situação, é descontextualizar. Inclusive, aquelas informações de difícil checagem”, explica o sociólogo.
 
É diferente do fake news, “um fato que não ocorreu", segundo Amadeu. "Mas o problema não é esse, o problema é tentar transformar opinião em fato e eles fazem isso o tempo todo. É isso que está acontecendo aqui [também]. Nós vamos ter que trabalhar este fenômeno e não é tão simples”, admite.
 
Renata Mielli acrescenta que sempre houve a "boataria em política", no entanto o que chama a atenção é o alcance. "Qual é o fenômeno novo? É a escala, o alcance e a velocidade que a Internet permite dar a este tipo de conteúdo”, pontua.
 
No entanto, para ela, a questão mais grave é a polarização atual da sociedade. Uma boataria, uma desinformação no atual momento político tem um impacto muito diferente do que em um cenário com instituições com alto grau de credibilidade, política ocorrendo em um ambiente saudável de democracia. Segundo Mielli, as particularidades econômicas, politicas e das novas tecnologias fizeram com que uma questão que sempre existiu na sociedade ganhasse a dimensão que está ganhando hoje.
 
Mídia Corporativa
 
Sobre os meios de comunicação hegemônicos, a avaliação dos especialistas é que os interesses que os movem nas eleições não são inéditos “Eles sempre atuaram nos períodos eleitorais, e fora dos períodos eleitorais, como um partido político. Eles têm posição, têm interesses econômicos, interesses políticos que estão muito explícitos hoje na sociedade”, afirma a coordenadora-geral do FNDC.
 
Segundo ela, não é novidade que os meios de comunicação construam suas narrativas, os seus conteúdos sob determinado objetivo. Mielli acredita que, ao se apresentarem de forma mais explicita em relação os interesses que defendem, os veículos corporativos acabaram perdendo um pouco de credibilidade com alguns setores da sociedade. 
 
Edição: Cecília Figueiredo
Imagem: Pixabay