Na última semana, a delegação do Sínodo Norte Catarinense da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) teve agenda cheia na Alemanha. Foram vários encontros com o tema imigração e as diversas maneiras que a Igreja da Baviera contribui e desenvolve trabalhos de acolhida, integração e formação com os refugiados. Um dos exemplos conhecidos foi a ONG Tür an Tür.
 
470771dcb04293
 
Também foi possível contato com o Grand Hotel, que oferece parte de sua estrutura como abrigo e integração para refugiados.
 
Na sexta-feira, luteranos brasileiros estiveram em München para conhecer a sede administrativa da Igreja Luterana da Baviera. Em conversa com Michael Martin, que é o responsável por este trabalho em toda a Igreja, foi possível ter uma maior visão sobre a situação do Iraque e Síria, de onde vem o maior número de imigrantes para a Europa.
 
No final de semana, o grupo se dividiu em dois, onde participaram das celebrações de culto.
 
Na terça-feira da próxima semana serão iniciadas as visitações nas cidades onde Lutero viveu e onde iniciou a Reforma: Eisenach, castelo de Wartburg onde Lutero traduziu o NT; Erfurt, onde viveu no Mosteiro agostiniano e, por último, Wittenberg, o centro da Reforma Luterana.
 
Fonte: IECLB
Foto: Reprodução
Add a comment

Entre os dias 24 e 29 de julho, Timbó (SC), no Sínodo Vale do Itajaí, receberá caravanas de todo o país e de igrejas-irmãs da Federação Luterana Mundial (FLM) para o 23º Congresso Nacional da Juventude Evangélica da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Serão cerca de 1.500 pessoas reunidas em torno do tema: Pela Graça (não?) temos valor! O CONIC está representado no evento pela secretária-geral Romi Bencke, que também é pastora luterana.
 
big 933d4e5dc045c6036b37cb4e6e80555e
“A juventude da IECLB tem dado um bonito testemunho de vivência da fé luterana, de compromisso com o evangelho de Jesus Cristo e de unidade. O trabalho que os jovens estão realizando nos grupos, nas comunidades, nos sínodos e na IECLB como um todo tem trazido muita alegria e despertado lideranças. Neste Congrenaje queremos reafirmar que, pela graça de Deus, o jovem tem valor”, enfatiza o pastor-presidente da Igreja, Dr. Nestor Paulo Fredrich.
 
A programação inicia no domingo, às 15h, no Centro de Eventos Henry Paul, com celebração especial e cerimonial. No decorrer dos cinco dias, estão previstas palestras, estudos bíblicos, música, apresentações culturais e painéis com debates, que terão como foco a diaconia, com temas como tráfico de seres humanos, a justiça de gênero, cuidados ambientais, mercantilização dos seres humanos e dos bens, direitos humanos e espiritualidade. Também os mais de 30 jovens vindos de outros países terão espaço para relatar suas experiências e seu protagonismo na sociedade em que estão inseridos.
 
O pastor sinodal Breno Carlos Willrich diz que o evento é uma oportunidade que a juventude tem para mostrar a força da IECLB. “Somos uma Igreja viva e atuante e queremos experimentar esta espiritualidade com outras pessoas, vindas de várias partes do mundo. Queremos compartilhar nossa experiência de que a graça de Deus supera nossas obras, de que a graça de Deus nos concede valor”, afirma.
 
Grito da Juventude
 
Sempre, durante o Congresso, pessoas jovens saem às ruas e compartilham com a sociedade suas experiências. O Grito da Juventude é uma manifestação pública e ativa da fé Luterana, por um mundo mais justo e solidário, que promova vida digna para todas as pessoas, independente de raça, credo religioso, gênero, etc. O ato acontecerá na quinta-feira, 28/07, às 16h e terá como itinerário a saída do Centro de Eventos Henry Paul até o Parque Central de Timbó, passando pelas ruas principais da cidade. No final, formarão a Rosa de Lutero, principal símbolo do luteranismo mundial e agradecerão a Deus, com uma celebração especial. “A ideia é envolver a população local, integrando centenas de moradores, numa demonstração de que Deus é presença viva neste mundo. Queremos transmitir alegria e fé e marcar nossa visita pela região”, compartilha o coordenador do Conselho Nacional da Juventude Evangélica da IECLB, Rodolfo Fuchs.
 
Jovens estrangeiros
 
A Rede de Jovens da América Latina e Caribe, que está organizando o programa internacional, ampliou a participação na conferência, como parte dos preparativos para o 500º aniversário da Reforma Luterana no próximo ano. Os delegados irão incluir membros da rede global de ‘jovens reformadores’ da FLM, que foi iniciada em 2013 para mobilizar a contribuição dos jovens para as comemorações em 2017.
 
A Secretária para a Juventude da FLM, Caroline Bader, participará e falará sobre o movimento dos reformadores jovens em igrejas-membro da federação em todo o mundo. “Ao conectar uns com os outros em todas as regiões, podemos aprender sobre as igrejas da Reforma no século 21. Através da experiência intercultural e discussões sobre como os jovens estão servindo as pessoas em situação de necessidade, nós nos tornamos uma expressão da comunhão global”, enfatiza.
 
Países que estarão representados: Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Indonésia, Guatemala, Guyana, Honduras, Letônia, Lituânia, Myanmar, Nicarágua, Peru, Suécia e Suriname.
 
Impacto Ambiental
 
O encontro também terá um viés ambiental. O programa Galo Verde estará presente em Timbó. Reunir pessoas num evento deixa uma pegada ambiental considerável. A juventude da IECLB deixará uma bonita demonstração do cuidado com a criação, deixando exemplos concretos de ações para reduzir este impacto.
 
Está prevista uma campanha de conscientização durante o Congrenaje; o monitoramento do consumo de água e energia elétrica nos alojamentos e no centro de eventos; a separação dos resíduos sólidos com reciclagem e compostagem dos orgânicos; o cálculo das emissões de carbono e a compensação com o plantio de árvores, entre outros.
 
A Fundação Vianei vai calcular o índice de emissões do CO2, levando em conta o número de participantes, os dias do encontro, tipo de transporte para ir a Timbó e outros fatores. O plantio de árvores para compensar o impacto será feito pelos indígenas Laklãnõ-Xokleng com acompanhamento via internet pelos jovens, que serão padrinhos das árvores por meio de coleta para comprar as mudas.
 
A cidade de Timbó
 
Em Santa Catarina, no Vale do Itajaí, no Sul do Brasil, encontra-se a cidade de Timbó, com seus quase 40 mil habitantes. É formada, em sua grande maioria, por descendentes de alemães e italianos. Hoje, também reúne pessoas que vieram de outras regiões do Brasil e, inclusive, acolhe estrangeiros vindos do Haiti ou outros países em dificuldade.
 
Timbó é classificada pela ONU como a 10ª melhor cidade do país para morar. Economicamente ocupa o 14º posto de arrecadação do Estado de Santa Catarina. O índice de analfabetismo é de apenas 1,9%, sendo Timbó, em nível estadual, a 3ª cidade em qualidade de ensino.
 
Timbó foi fundada por Frederico Donner, imigrante alemão, em 12 de outubro de 1869; data em que construiu sua moradia e a primeira casa comercial às margens do rio Benedito. Logo chegaram outras famílias alemãs. Nos anos seguintes vieram também os imigrantes italianos, cujos descendentes atualmente correspondem à metade da população. As primeiras famílias se estabeleceram na região rural e a agricultura era basicamente de subsistência. Atualmente é uma cidade industrializada, que abriga as sedes de grandes empresas de renome nacional.
 
A comunidade luterana é muito forte na localidade. Hoje, a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Timbó, reúne 10.500 membros, divididos em cinco comunidades. A Igreja da Ressurreição é o principal templo da cidade e é considerada a maior construção luterana da América Latina.
 
“Estamos esperando a juventude luterana em Timbó. Somos uma cidade bonita e acolhedora em uma das regiões mais seguras do Brasil”, convida o prefeito da cidade, Laercio Schuster Junior.
 
Promoção
 
O Congrenaje é uma parceria entre a Secretaria Geral da IECLB, o Conselho Nacional da Juventude Evangélica (CONAJE), o Sínodo Vale do Itajaí e a Paróquia Evangélica de Confissão Luterana em Timbó. Com apoio da Prefeitura Municipal de Timbó.
 
Fonte: IECLB
Foto: Reprodução
Add a comment

A aprovação pelo governo alemão do relatório 2015 sobre exportações de armamentos apresentou a oportunidade para as Igrejas do país de exigir uma legislação mais severa na matéria. De fato, a venda de equipamentos de guerra por parte da Alemanha praticamente dobrou em um ano.

À luz das novas autorizações - que permitem exportação de armas também para as chamadas “regiões de conflito” - as Igrejas Protestantes e Católica sublinharam a urgência na mudança de rota.

EPA1785335 ArticoloaBlindado "Panther" é uma das armas exportadas pela Alemanha - Foto: EPA

"A necessidade de uma lei mais precisa - observa Martin Dutzmann, delegado da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) junto ao Bundestag e ao governo - já havia sido acenada em fevereiro passado também pelo Ministro da Economia, Sigmar Gabriel; por exemplo, deveria ser possível anular os pedidos, uma vez verificado que o comprador não respeita os direitos humanos ou tem intenções que possam tornar-se perigosas para a segurança pública. Não podemos permanecer em silêncio diante de tão poucas certezas”.

Por parte dos católicos, o Bispo Dom Karl Justen usou palavras semelhantes, divulgadas por meio de um comunicado da GKKE, uma Comissão Inter-religiosa protestante e católica que se ocupa do desenvolvimento.

Nas 132 páginas do documento, aprovado na última quarta-feira pelo Governo alemão, lê-se que armas e equipamentos renderam 7,9 bilhões de euros, em comparação com os 4 bilhões em 2014, ou seja um aumento enorme.

Somente as entregas ao Catar chegaram ao montante de 1,6 bilhões de euros, o que levantou fortes críticas das Igrejas: "O Catar está envolvido no conflito iemenita, em uma área geográfica no centro da violência e dos conflitos, e nós nos tornamos então cúmplices de obscuras tramas e violências que estamos cansados de saber”.

41% das vendas de 2015 foram direcionadas a países da União Europeia e da OTAN, enquanto 59% foram direcionadas para outros países.

Por outro lado, a exportação de armas de baixo calibre decresceu em um terço no valor total, “mas isto é devido em parte, também ao fato de que a Alemanha concedeu licenças, por exemplo, à Arábia Saudita, para que possa produzir as armas que lhe são necessárias dentro das próprias fronteiras”, conclui Martin Dutzmann.

Fonte: Rádio Vaticano

Add a comment

encontro pela paz2Em 2002,João Paulo II esteve em Assis para encontro pela paz / Foto: Rádio Vaticano

Passados 30 anos do histórico Dia de Oração das Religiões pela Paz, convocado pelo Papa João Paulo II em 1986 em Assis, será realizado em Úmbria, na Itália, de 18 a 20 de setembro, um novo encontro internacional pela paz promovido pela Comunidade de Santo Egídio.

A iniciativa, apresentada na manhã desta quarta-feira, 20, em Perugia, dá continuidade ao caminho traçado pelo Papa Wojtyla, como resposta às violências e aos desafios enfrentados pelo mundo de hoje. Confira detalhes sobre o encontro na entrevista com o Presidente da Comunidade de Santo Egídio, Marco Impagliazzo:

Marco Impagliazzo – Em 1986, a questão central era a Guerra Fria: o mundo estava dividido em dois blocos e havia muitas guerras e focos de guerra provocados por esta Guerra Fria. Por isto João Paulo II quis reafirmar o papel decisivo das religiões pela paz. Foi um discurso profético, porque depois – como se viu – nos anos sucessivos não somente cai o Muro de Berlim, mas nasceram tantas “pazes” deste compromisso também das religiões. Eu penso em 1992, na paz em Moçambique: depois de tantos anos de guerra e mais de um milhão de mortos, foi mediada precisamente por uma comunidade cristã – a nossa – junto à Igreja de Moçambique. Também penso em tantos outros conflitos que terminaram nestes anos, até as boas notícias que chegam da Colômbia recentemente ou a reconciliação entre Estados Unidos e Cuba, graças à ação do Papa Francisco. Portanto, foi uma ideia profética e também genial para um mundo em que – infelizmente – as religiões, também em outros contextos, foram utilizadas como gasolina no fogo da guerra. Hoje o contexto é o do terrorismo, da violência difusa, da violência que nasce do narcotráfico, da difusão das armas. Portanto, os religiosos que nós chamamos para Assis, serão este ano chamados para tratar destes temas e, sobretudo, sobre o tema do valor de continuar a rezar pela paz, de fazê-lo mais, com mais força e com mais insistência.

Qual a contribuição concreta para a paz que vocês esperam deste encontro?

Marco Impagliazzo – Antes de tudo, não isolar nenhuma religião. Nós sabemos que o Islã não é um problema: é uma religião de paz nos seus livros sagrados, mas tem um problema no sentido de que dentro de certos países, que se definem islâmicos, nasceram grupos terroristas que estão semeando o terror e não somente na Europa e no Ocidente, mas sobretudo no Oriente Médio. Penso em particular na Síria e no Iraque. Assim, nós devemos, antes de tudo, pedir aos nossos irmãos muçulmanos um esforço mais forte e mais claro neste ponto, de uma separação total da violência de qualquer tema religioso. E depois, naturalmente, de serem todos mais unidos para trabalhar, junto à nossa gente e os nossos povos, pela paz: as religiões devem fazer da pregação de paz e da educação à paz um elemento muito mais forte do que foi feito até agora. Devem deixar de falar sempre com uma linguagem pouco clara sobre este tema, mas ser muito mais fortes precisamente sobre o tema da paz.

Quem serão os representantes do mundo islâmico e das outras religiões que participarão deste evento?

Marco Impagliazzo – Do mundo islâmico, temos personalidades expressivas: certamente o Reitor da Universidade de al-Azhar, o Grão Mufti do Líbano e de todos os países do Oriente Médio. Estarão também líderes da Ásia: penso na presença de dois líderes das duas maiores Irmandades muçulmanas indonésios, que englobam 60-70 milhões de seguidores. Depois, estamos muito felizes em poder anunciar a presença de Patriarcas das Igrejas Ortodoxas, primeiro de todos o Patriarca Bartolomeu, do Arcebispo de Cantuária. Estarão presentes os grandes líderes – quer pastores como bispos – das Igrejas Luteranas reformadas. Participarão também personalidades do mundo do budismo japonês, do mundo judaico de Israel e da Europa. Em suma, existe realmente uma sede de paz no mundo: uma sede que é a sede dos pobres, que é a sede das pessoas que sofrem pela guerra e pelas vítimas da violência. E penso nas tantas mulheres que são vítimas da violência. Portanto, a presença de um número tão vasto de personalidades religiosas, ao lado das populações que sofrem, me parece ser um belo sinal para o futuro do mundo.

Os representantes islâmicos que irão ao encontro são líderes que, com esta participação, manifestam também uma disposição ao diálogo e à abertura. O senhor espera e pensa que eles possam ter alguma influência significativa sobre aqueles que estejam, talvez, um pouco mais distantes deste diálogo?

Marco Impagliazzo – Acredito que o Islã esteja se confrontando com este problema: as grandes escolas, as grandes universidades são desafiadas hoje por uma mensagem simplificada, que é uma caricatura da religião, do qual fazem uso os terroristas e os seus apoiadores. Portanto, acredito que também o Islã esteja colocando o problema – e se o colocar também em Assis – de renovar a linguagem e de encontrar novos caminhos para tocar o coração dos jovens, para educar para a paz. Nós estaremos ao lado deles para ajudá-los nesta grande batalha para a paz.

O que se poderia falar sobre a presença do Papa Francisco?

Marco Impagliazzo – Nós soubemos recentemente que o Papa Francisco visitará Assis em 4 de agosto próximo, para a Festa do Perdão. É o Ano Jubilar e o Papa está muito empenhado em Roma com as celebrações jubilares. Certamente nós sentimos a sua presença, que será testemunhada de uma forma ou outra, como foi anunciado. Não sabemos ainda de que forma, mas certamente não com a sua presença física. Mas haverá um acompanhamento da parte dele. O Papa foi atualizado recentemente sobre o evento pelo Prof. Riccardi e expressou toda a sua satisfação e apoio. Naturalmente, estarão presentes também personalidades da Cúria Romana, ou bispos ou cardeais que representarão – de uma forma ou outra – o pensamento do Papa neste evento.

Fonte: Notícias Cancaonova / Rádio Vaticano

Add a comment

Os povos indígenas do Amazonas, suas organizações e redes de articulação como a Coiab, Foreeia, Umiab, Copime, IAJA, caciques, lideranças, mulheres, jovens, agentes de saúde, professores, estudantes e entidades aliadas e militantes da causa indígena preocupados com o atual contexto político marcado por um governo ilegítimo, que assumiu o poder de forma oportunista, para impor a sociedade brasileira um projeto que foi derrotado pelas urnas, vem a público denunciar e manifestar sua indignação diante da anunciada desconstrução dos direitos indígenas, de anulação de atos demarcatórios de terras indígenas, da violência, do desmonte das políticas sociais e de extinção ou ocupação dos órgãos públicos afetos a questão indígena por pessoas, cujo interesse é beneficiar os setores que tentam se apossar das riquezas existentes em nossos territórios.

braz unc 2010 01 hr crop screen

Manifestamos nossa indignação e repúdio:

  • De modo particular contra a bancada de deputados federais do Amazonas, estado em que vivem mais de 65 povos e onde se localiza a maior população indígena do país, que de forma articulada e unânime se prestou ao papel mesquinho de pleitear junto ao governo interino de Michel Temer, a pedido de fazendeiros e grileiros, a anulação da demarcação de duas terras indígenas localizadas no município de Autazes e Careiro da Várzea. Com esse ato consciente contra os direitos indígenas eles nos deram a certeza de que não temos nenhum representante na Câmara Federal e esperamos que eles tenham a decência de não se apresentar em nossas comunidades como aliados em futuras eleições.
  • A decisão do governo de paralisar ou rever a demarcação de terras indígenas, com a anulação dos recentes atos demarcatórios oficiais.
  • As crescentes manifestações de racismo, intolerância religiosa e estímulo a violência contra os povos indígenas e negros, bem como a criminalização de lideranças, organizações e comunidades indígenas e de organizações de apoio para desarticular e enfraquecer a luta em defesa dos direitos dos povos indígenas, especialmente os direitos territoriais.
  • A violência do Estado, através da execução de reintegrações de posse em favor dos fazendeiros invasores.
  • O desmonte dos órgãos responsáveis pelas políticas públicas voltadas para os povos indígenas como a Funai (corte anunciado de 33% no orçamento e de 142 cargos, o que inviabiliza o funcionamento das Coordenações Regionais e Coordenações Técnicas Locais do órgão), da Secretaria de Direitos Humanos, a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi)/MEC e do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA).
  • A paralisação das atividades do Conselho Nacional de Política Indigenista (CNPI).
  • A indicação de nomes manifestamente contrários aos direitos indígenas, a serviço daqueles que pretendem saquear as riquezas existentes nas terras indígenas ou promover a conquista religiosa e ideológica das nossas comunidades, para a presidência da Funai e para outros cargos da administração pública voltada para os povos indígenas.
  • A intenção de municipalizar a saúde indígena, jogando na lata do lixo a proposta indígena, em construção, do subsistema próprio com autonomia administrativa, financeira e controle social, inviabilizando qualquer possibilidade de uma atenção específica, diferenciada e de respeito e valorização dos saberes indígenas e da medicina tradicional, além de facilitar enormemente o desvio dos recursos financeiros federais destinados a saúde indígena.
  • A PEC 215 e a numerosas outras iniciativas legislativas no âmbito do Congresso Nacional para a supressão dos direitos dos povos indígenas, protagonizada pela base do governo interino vinculada a setores do agronegócio, da mineração e da conquista espiritual.
  • A construção de megaempreendimentos de infraestrutura para promover o saque dos recursos naturais da Amazônia pelas grandes empresas petrolíferas, mineradoras, madeireiras, de energia e aquelas vinculadas ao agronegócio, num processo violento de agressão aos povos da região, a seus direitos e suas formas próprias de organização e de convivência com a natureza.
  • A negação da identidade indígena para a supressão de direitos e a ausência do debate em torno de políticas públicas especificas para responder as demandas indígenas nas cidades.

Afirmamos que os direitos dos povos indígenas não são moedas de troca colocadas num balcão de negócios para barganhas políticas, mas estão assegurados na Constituição federal e em tratados internacionais e cabe ao Estado respeitá-los e fazê-los respeitar.

Manifestamos nossa disposição firme e inarredável de lutar em defesa do Estado Democrático de Direito, para salvaguardar esses direitos conquistados a duras penas, num processo que dizimou povos indígenas inteiros ao longo da história.

Não admitimos uma política, que pretende retroceder na história, fechando as portas para o futuro dos povos indígenas.

Foto: © G. Miranda/FUNAI/Survival

Add a comment

fe ess 56543

Em 2014, aconteceu o primeiro Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora, em Fortaleza. Reunindo mais de 400 jovens de diversas cidades do Brasil.

Neste ano, em preparação para o II Encontro nacional, acontecerá o Encontro de Juventudes e Espiritualidade Libertadora da Região Sudeste entre os dias 09 a 11 de setembro em Belo Horizonte/MG no Centro Referencial da Juventude. Teremos como tema e lema:

Fé que oprime ou Fé que liberta?
Desafios contemporâneos e o Amor como critério ético

A proposta é construir um espaço onde os Sagrados dialoguem, a partir das distintas vivências de espiritualidade das Juventudes. Por meio de partilhas e vivências de uma mística libertadora que fortaleça nas juventudes um senso de cidadania, compromisso com os movimentos sociais, tendo em vista a construção de um caminho de transformação revolucionária da sociedade, para a garantia de direitos juvenis e a incidência em Políticas Públicas para as Juventudes, faremos debates e experiências com pessoas que fizeram/fazem de sua produção intelectual uma expressão de fé e amor pelos excluídos.

O evento contará com a participação de jovens cristãos, judeus, candomblecistas, umbandistas e diversas outras religiões e sem religião.

As vagas são limitadas e a programação pode ser conferida no site: www.espiritualidade2016.com.br

O Encontro é uma promoção conjunta da Rede Ecumênica da Juventude, Pastoral da Juventude Leste II, CEBI Sudeste, Caritas, Judeus Progressistas e Observatório de Evangelização da PUC Minas.

Informações:
Jonathan Felix – (31) 9 9353-1725
Larissa Pirola (31) 9 9220-0773 – TIM/WhatsApp

SETEMBRO ENCONTRO REJU MG

Add a comment

O CONIC criou, em seu site, o espaço Religiões e Democracia. A ideia é refletir as relações entre a religião e a democracia e trabalhar a temática com o auxílio de perguntas feitas a lideranças religiosas, teólogos e teólogas, cientistas da religião e de outras áreas do conhecimento. Convidamos vocês para lerem as entrevistas e manifestarem opiniões. Sempre em um espírito de diálogo e respeito às ideias.
 
Nessa terceira entrevista da série, falamos com Fábio Py, pós-doutorando em Ciências da Religião.

d py 56754

1) De que modo nas religiões podem contribuir para o aprofundamento da democracia?

Em algumas das discussões da mídia oficial brasileira tem se atrelado a democracia à calmaria social, especificamente, como uma política de “Paz” social. No discurso de (certos) setores sociais passa-se a impressão que a democracia seria a verdadeira beneficiária com a acomodação pacífica no território. Mas, esse dado parece tão ingênuo quanto o trabalho de Hans Küng sobre projeto de ética mundial quando compreende que “Não haverá paz no mundo sem paz entre as religiões. Sem paz entre as religiões não haverá diálogo entre as religiões” (Projeto de ética mundial: uma moral ecumênica em vista da sobrevivência humana. São Paulo: Paulinas, 1993, p.7). Küng dá a impressão de que simplesmente as religiões devem traçar caminhos para construção da “Paz”.

Eu cá, latino-americano, implicado até os poros com as desigualdades, acredito, na linha do rapper paulista Criolo, que a rezadeira do bairro é mais importante que qualquer doutor ou artista “Têm o mesmo valor que a benzedeira do bairro. Disse que não ali o recém formado entende” - verso da musica Sucrilhos (CD: Nó na orelha). Digo isso porque percebo que toda demanda mais estrutural das religiões esta devidamente implicada, em maior grau, ao capitalismo e seu status quo – como Marx nos avisou. Assim, o único caminho das religiões seria da descentralização, da valorização da autonomia das pessoas. Um movimento das religiões ‘de baixo’: mistura ao modus latino-americanos - africanos, imigrantes, ilegais, heterodoxos, indígenas... Apelo de uma organização descentralizada na resistência e atuação contra a lógica meritocrática moderna – fórmula que pode firmar a construção da “Paz”. Nisso, sejamos realistas. Não existe qualquer possibilidade de “Paz” no meio das desigualdades do Mundo – creio que esse seja o problema central da ética moral e ecumênica de Hans Küng. Qualquer discurso, como esse parece ser refém do espectro de uma “Paz” burguesa, branca, eurocêntrica e heteronormativa que não critica a coisificação do homem/mulher modernos. Portanto, para que se aprofunde a democracia se deve construir um projeto de “Paz” que venha abolir o medo, a falcatrua, a injustiça.

Esse é o projeto de paz concebido por Martin Luther King, negro americano, debruçado sobre as lutas sociais. Por outro lado, a percepção de “Paz” ecumênica das grandes instituições internacionais é filha do placebo europeu de lindas rosas compradas pelos ricos que pisoteiam os demais continentes a custa das escravidões modernas. Afinal, as chibatadas seguem arrancando os sangues dos negros, dos indígenas, das mulheres, dos latinos-americanos. Concordo com Giorgio Agamben (Homo sacer: o poder soberano e a vida nua I, Belo Horizonte: UFMG, 2010): quando indica o fraco processo político da democracia atual, pois se alicerça apenas na votação em míseros comparecimentos às urnas de, no máximo, uma vez ao ano, como dever cívico. Para ele, isso seria uma falseação do político, na verdade, é uma face da despolitização - pois, a política democrática deveria ser um exercício mais amplo, diário. Percebo que o projeto de “Paz” democrática é, sobretudo, uma demanda em disputa, implicado entre a luta de classe/raças/etnias. Novamente, a única chave de “Paz”, verdadeiramente democrática das religiões (se ocorrer), seria ‘a partir de baixo,’ obrigatoriamente, convergindo a corrosão dos pilares que sustentam esse Mundo. São as mesmas vigas e pilares que mantém os EUA, Canadá, Brasil e a Austrália (com seus projetos imperialistas) e a Europa (sob mentalidade colonizadora). A única “Paz que a vida me diz” (verso d’O Rappa) deveria questionar o capitalista e aplicar-se no horizonte de experimentações combativas para sua impossibilidade.

2) Algumas religiões acreditam que a democracia é incompatível com aquela fé. Como lidar com isso?

É uma longa discussão se o monoteísmo poderia ser integralmente contra violência, uma vez que, opera, desde sua formação por meio da prática da “violência simbólica” aproveitando-se (englobando)de ritos locais/particulares (Pierre Bordieu, A economia das trocas simbólicas, São Paulo: Perspectiva, 2001). Penso que embora nos encontros ecumênicos se condicione a identificação de uma tradição religiosa a cada sujeito, se é urgente que o religioso monoteísta caminhe no encontro de outra forma religiosa, exercendo uma ‘dupla pertença’ religiosa - como aponta Faustino Teixeira no livro Buscadores cristãos no dialogo com o Islã (São Paulo: Paulus, 2014). Isso significa, na prática, uma relativização do discurso religioso adestrador do centro religioso, repleto de regras, princípios e obrigações. Interessante que essa forma não se distancia da fluidez evangélica quando sua parcela de fiéis freqüentam, por exemplo, a igreja metodista aos domingos, mas durante a semana, participam de celebrações da igreja Universal, da Sara Nossa Terra, ou, até, alguns, falam com divindades nas celebrações umbandistas. Penso que, aos praticantes dos monoteísmos (cristãos, judeus e mulçumanos) assumir a ‘dupla-pertença’ deve ser um bom caminho para o diálogo tanto para o sentido pessoal até para convívio social. O que, obrigatoriamente, traz dificuldades para estruturais religiosas (dos credos e dos líderes religiosos centralizadores), pois, seus fiéis assumiriam uma lógica de relativização das crenças religiosas. Contudo, entendo que não existe caminho religioso de aprofundamento democrático no Brasil atual, sem o questionamento das instituições eclesiais, porque mesmo Giorgio Agamben avisa, em tom denunciativo sobre as máquinas religiosas: “O centro da máquina governamental está vazio” (Reino e gloria, São Paulo: Boitempo Editorial, 2005, p.65). Enfim, voltando diretamente á questão, se na história da igreja cristã se busca silenciar as religiosidades particulares esse dispositivo constitui-se por um resquício de intolerância ativado explicitamente num dispositivo antidemocrático.

3) No Brasil, expressões religiosas, sobremaneira cristãs, se apossam cada vez mais dos espaços públicos e conquistando grandes representações no Congresso Nacional. Como avalia esse fenômeno?

De fato, os atores sociais que vêm assumindo cargos públicos têm pautas bem preocupantes em relação á democracia, uma vez que originalmente confundem sua vivencia religiosa (particular – religiosa – cristã) como modus de representação política do todo. Embora, também seja verdade, que alguns desses atores busquem na arena política amenizar o discurso religioso (diferente do que se afirmava entre as décadas de 1980-1990 pela linha da sociologia em: Pierucci, “Representantes de Deus em Brasília: a bancada evangélica na constituinte”. Ciências Sociais Hoje. São Paulo, 11, 1989, p. 104-32; e Pierucci e Mariano, “O envolvimento dos pentecostais na eleição de Collor”, Novos Estudos Cebrap, 34, 1992, p. 92-106), contudo, mesmo assim, é clara a vontade de incrementar as pautas conversadoras, como que ocorreu na questão do dia contra “cristofobia” em São Paulo. Esses setores evangélicos e católicos, de fato, levam a sério o termo “violência simbólica” oficial e política no Brasil, mais, preocupante ainda, é que o Congresso atual é o mais conservador da história recente do Brasil, representada pelo segmento segregado apelidado de bancada Bala, Bíblia e Boi – BBB (Marco Aurelio Nogueira, “Esgotamento de um ciclo político”, V.V.AA. Esgotamento de um ciclo, São Paulo: Fundação Astrijildo Pereira, 2015). Portanto, a tendência é de cada vez mais aumentar as resistências para o reconhecimento positivo da diversidade e da pluralidade apreciável nas geografias democráticas. Ao mesmo tempo, nas palavras de Walter Benjamin (no seu: As teses sobre o conceito de história) ao analisar o avanço do fascismo/nazismo na Europa, percebe que ele ocorreu mediante a falta de construção de alternativas da esquerda. Assim, questiono os erros trilhados pelas tendências mais progressistas ao sucumbir ante ao projeto intolerante. Acredito que o crescimento da agenda conversadora mostra a incompetência dos segmentos progressistas brasileiros, mas, mesmo assim, não se pode perder de vista que a resistência no mundo virulento capitalista é fundamental. Para se reverter esse quadro de projetos intransigentes deve-se construir pautas para avançar em direitos. Sem articulação, a bancada BBB seguirá tendo êxito político, espalhando seu ódio nas linhas dos projetos de lei – encarnados por seu pavor pelo outro.

4) As religiões de matriz africana, por outro lado, estão pouco representadas. Como você interpreta isso?

Historicamente, os africanos estão exilados nas terras brasileiras desde a colonização como escreveu Adbias Nascimento (O Quilombismo, Petropolis: Vozes, 1980). Como qualquer exílio nos tempos modernos a culpa a priori seria do capitalista e do capitalismo que chegou ao território brasileiro, no nosso caso com a Companhia das Índias Orientais, que, por seu aparato altamente desenvolvido, conseguiram sufocar as pressões contra-colonizadoras locais. Pela força da metrópole os movimentos de contestação foram dispersos e pouco sistêmicos (como demonstram os brasilianistas Jacob Gorander, Theo Pinheiro, João Fragoso,...). É importante dizer que o que se apostou no Brasil, no período da colonização, foi o de melhor que tinha na Europa - sinal disso é o tamanho do território mantido pelo Brasil desde a colonização. Assim, a pauta sobre as matrizes africanas implicadas na cultura brasileira sempre foram pouco reconhecidas. É por isso que obrigando, recentemente, incluiu-se nas escolas básicas o estudo da história africana. Da mesma forma, muito recentemente se fortaleceram as organizações dos movimentos negros, que articularam e reivindicaram as cotas nas universidades, trazendo à valorização da cultura africana. Nesse sentido, assume-se que a questão das cotas não são o início nem o fim desse processo: mas apenas um meio de afirmação/visibilidade aos que foram explorados desde a formação brasileira. Logo, infelizmente, embora o Brasil, seja um país de maioria negra e parda, suas religiões e expressões culturais não estão representadas como deveriam nas cenas oficiais. É por isso, que precisam ser incentivadas e apoiadas, inclusive, para que sejam fortalecidas suas representações oficiais, até, quando se tenha a igualdade em termos de representação nos locais oficiais. Por isso, se diz que a estrutura social brasileira é diretamente ligada ao racismo, algo tão enraizado na cultura que se disfarça na contratura de pessoas e instituições (como se denuncia Florestan Fernandes, 1965: A integração do negro na sociedade de classes [para o Brasil]; e também, Frantz Fanon no racismo mundial, Os condenados da terra, Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1968). Penso que inicialmente o fortalecimento do movimento negro ocasionará, aos poucos, a maior identificação de forma menos depreciativa de sua expressão religiosa nos espaços políticos oficiais.

5) É comum utilizar a bíblia para legitimar e justificar posturas antidemocráticas. É possível identificar possíveis iluminações bíblicas que contribuiriam para fortalecimento da democracia e para a valorização das diversidades?

Ah sim! A leitura popular da Bíblia vem desenvolvendo inúmeras chaves de leituras bíblicas a partir da vida e das lutas da América Latina. Vale a pena investir tempo na leitura dos autores clássicos dessa leitura, por exemplo: Carlos Mesters, Milton Schwantes, Alessandro Gallazzi, Mercedes Lopez, Nancy Cardoso Pereira, Ildo Bom Gass e etc. São autores que, de alguma forma, tentam a partir do conhecimento das criticas históricas da pesquisa bíblica, praticar uma leitura do sagrado fora da leitura viciada e fundamentalista. Penso que, até nas atividades do que vem se desenhando na disciplina do Ensino Religioso, deve-se ter um tópico (não tão destacado) de uma formação desse tipo, uma vez que, por sermos um país de maioria cristã, a argumentação dos estudantes é influenciada pela lógica de interpretação da Bíblia, oferecida nas comunidades religiosas. Claro, no Ensino Religioso, isso não pode ser prioridade, mas é uma demanda que, ao longo do tempo, merece ser discutida. Voltando à arena pública, a partir de um forte segmento da bancada evangélica, se propôs (e se fundamentou) um projeto de lei para redução da maioridade penal no Brasil, textos bíblicos foram utilizados para justificar a redução da maioridade penal. Ocorre que não houve o mínimo de questionamento da utilização de textos a partir do contexto, ou então, não se pensou em textos que problematizassem, por dentro, tal costura fundamentalista-cristã. No caso, questiona-se porque não se separou na própria Bíblia hebraica, textos como 2 Reis 22 que trata do reinado de Josias, que segundo a história literal bíblica, tornou-se rei muito cedo. Só assumiu o reino de Judá a partir dos 18 anos sofrendo a intervenção do “povo da terra”, pois por ser novo não teria condições de assumir tal responsabilidade (Shigeyuki Nakanose, A Páscoa de Josias, São Paulo: Paulinas, 2001). O que estou dizendo é que a leitura popular da Bíblia, nos moldes dialogais e ecumênicos, torna-se um eixo central para marcar posição diante do fundamentalismo. Até porque, em certos momentos, é importante cerrar posições. Para isso, é necessário um mínimo conhecimento da leitura e do histórico das leituras bíblicas, a fim de poder argumenta na própria “estrutura de sentido” (Pierre Bordieu, A economia das trocas simbólicas, São Paulo: Perspectiva, 2001) fundamentalista relativizando suas certezas. A leitura popular da Bíblia seria uma forma mais encarnada, plural, logo, mais democrática para a trilha da valorização do humano no meio da diversidade.

Biografia:

Fábio Py é pós-doutorando em Ciências da Religião pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião (PPCIR) da UFJF, doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), com estágio sanduíche no Centre d études Interdisciplinaires dês Facts religieux (CEIFR), no École des Hautes em Sciences Sociales (EHESS). Professor da Universidade Candido Mendes (UCAM) estuda as implicações da Fé e Política na America Latina. Atua como colunista do site Caros Amigos nos temas de Religião, Movimentos Sociais e Direitos Humanos.

Add a comment

mecaap 01

A Missão Ecumênica Guarani-Kaiowá promove, nesta semana, Ato em Defesa dos Povos Indígenas. A ação é uma resposta ao ataque da última terça-feira (12), que feriu gravemente três indígenas no Mato Grosso do Sul: um homem de 32 anos e dois jovens, de 15 e 17 anos. Os crimes ocorreram em meio ao processo de demarcação de terras na região de Caarapó. Os indígenas estavam acampados no “Tekoha-Guapoy”, e foram atacados por pistoleiros que chegaram em quatro caminhonetes e um trator.

Esse é o terceiro ataque aos Guarani-Kaiowá no último mês, na região de Dourados (MS). No dia 14 de junho, o indígena Clodiodi de Souza foi assassinado, e outros seis indígenas foram baleados, incluindo uma criança de 12 anos.

mecaap 02

Frente à guerra em curso no estado, travada por ruralistas e suas milícias armadas contra indígenas, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) e a Articulação e Diálogo Internacional (PAD), que desde outubro de 2015 coordenam a Missão Ecumênica, convocaram toda a sociedade para o Ato nessa quinta-feira (14), em frente à Assembleia Legislativa, em Campo Grande (MS).

mecaap 03

Objetivo é Denunciar

Há uma guerra em curso no estado do mato Grosso do Sul. Segundo relatório do Conselho Missionário – CIMI, só entre o ano de 2000 e 2014, 390 indígenas foram assassinados no estado.

Além de denunciar os crimes cometidos por ruralistas e com a omissão do Estado, a ideia é sensibilizar a população da importância do apoio de todos na luta pela garantia dos direitos dos povos indígenas garantidos pela Constituição Brasileira de 1988.

Além do Ato, os membros da Missão se reuniram com lideranças e apoiadores da causa indígena no estado e participam de encontro com o procurador do Ministério Público Federal do MS.

Solidariedade

Amanhã, sexta-feira (15), será feita uma visita à região de Caarapó, Dourados (MS). Os integrantes da missão, entre os quais estão o presidente do CONIC, Flávio Irala, e a secretária-geral do Conselho, Romi Bencke, farão entrega de cobertores e roupas de inverno aos indígenas.

Com informações da CESE
Imagem: Acervo Pessoal (Romi Bencke)

Add a comment

O papa Francisco é geralmente elogiado por seu alcance inter-religioso, característica central desde o início do seu pontificado. Pouco depois de sua eleição, em março de 2013, por exemplo, ele foi a um centro de detenção juvenil em Roma e lavou os pés dos presos, incluindo os de dois muçulmanos.

Desde então, ele viajou para Israel e impressionou os judeus com o seu comprometimento com o relacionamento judaico-cristão, foi o segundo papa a entrar em um templo budista no Sri Lanka, onde também vestiu uma túnica cor de açafrão dada a ele por um homem sagrado hindu durante um encontro inter-religioso.

A reportagem é de John L. Allen Jr., publicada por Crux, 30-06-2016. A tradução é de Luísa Flores Somavilla.

04999802

O respeito palpável do papa Francisco com outras tradições religiosas, juntamente com a sua determinação de que as várias religiões devem trabalhar juntas para promover os valores compartilhados da paz e do cuidado com a criação, fizeram dele um modelo global para a cooperação inter-religiosa.

Claro, há discordâncias. No Sri Lanka, por exemplo, o líder budista extremista Galagoda Atte Gnanasara considerou em grande parte os gestos do papa como sem sentido até ele se desculpar por "atrocidades cometidas pelos governos coloniais cristãos no sul da Ásia".

(Era uma exigência um tanto curiosa, uma vez que, com exceção de um breve período de domínio português, as potências coloniais dominantes no Sri Lanka foram os holandeses e os britânicos, e não potências católicas, mas, evidentemente, a lógica histórica não era o ponto principal.)

Recentemente, o papa atraiu outras duas reações inter-religiosas.

Em meados de junho, Gorakhpur Yogi Adityanath, político indiano ligado aos movimentos nacionalistas hindus de direita do país, detonou a decisão do papa de canonizar Madre Teresa, dizendo que o icônico "apóstolo dos pobres" tinha desenvolvido uma trama para "cristianizar" a Índia.

Em seguida, o vice-primeiro-ministro da Turquia, Nurettin Canikli, criticou o uso da palavra "genocídio" pelo papa para descrever o massacre de armênios pelos otomanos em 1915, afirmando que ela reflete uma "mentalidade de cruzadas".

Canikli é co-fundador do Partido da "Justiça e Desenvolvimento" da Turquia, que, embora afirme ser atualmente baseado na democracia conservadora, se originou de correntes nacionalistas e islâmicas na sociedade turca.

Na verdade, nenhuma das críticas ao papa Francisco é realmente tão surpreendente - especialmente a reação turca, que é mais ou menos pro forma sempre que um líder ou organização mundial reconhece o genocídio armênio.

Além disso, é difícil levar a sério qualquer um destes protestos quando se conhece bem como as coisas funcionam.

Em termos da objeção de Adityanath, a ideia de que o pontífice está usando a canonização de Madre Teresa como um pretexto para "cristianizar" a Índia menospreza a inteligência da maioria das pessoas, já que "proselitismo" não faz parte do vocabulário do papa, lado a lado com "clericalismo" e "rigidez".

Sim, o papa Francisco é um pontífice missionário, mas sua noção de missão está enraizada no serviço e no crescimento por atração, e não em um foco específico para aumentar a "quota de mercado" confessional da Igreja.

Quanto a Canikli, dizer que o papa tem uma "mentalidade das cruzadas" é ainda mais hilariante.

Por um lado, seu nome remete a um santo que percorreu as linhas de batalha durante as Cruzadas e arquitetou um vínculo com Sultan al-Kamil, o que eventualmente levou a ordem franciscana a se tornar a guardiã da Terra Santa.

Por outro, o papa está tão distante da "mentalidade das cruzadas" quanto se possa imaginar, uma vez que ele denuncia repetidamente a violência em nome da religião e insiste na coexistência pacífica entre as religiões, povos e culturas.

É possível, é claro, que as pessoas na Índia ou na Turquia que desconhecem as ações do papa se deixem levar por esses argumentos, mas tais acusações certamente cairão por terra quando avaliadas criticamente.

Por mais que os conteúdos de tais queixas possam não ter muito fundamento, em um certo sentido eles são significativos. Com efeito, essas queixas podem ser um sinal de que a ambição de Francisco de ser o "presidente do conselho" mundial de religiosos moderados está funcionando.

Sem usar essa linguagem, obviamente, esta é uma posição desejada por todos os papas recentes - tentando estimular uma coligação de autoridades moderadas dentro das tradições religiosas do mundo para demonstrar que a religião pode ser parte da solução tanto quanto é parte do problema.

Como o papa não vem de nenhuma potência ocidental tradicional, ele traz uma capacidade especial para sair disso, pois não carrega a mesma bagagem em relação à história colonial do Ocidente ou a suas escolhas políticas e militares contemporâneas. Sua popularidade global também significa que ele carrega o maior megafone religioso no mundo, o que lhe permite alavancar a potência das vozes moderadas em outras tradições.

Se os extremistas dessas tradições nunca foram atrás do papa Francisco, pode ser porque pensem que seu impacto é insignificante; se for esse o caso, isso pode ser um sinal de preocupação de que o papa esteja virando a maré.

Lembro-me de ouvir o falecido Cardeal Aloysius Ambrozic de Toronto citar um provérbio de sua terra natal, a Eslovênia, em um momento de controvérsia cujo contexto não lembro agora, mas lembro que a essência era: "Se eles não estão lhe apedrejando, você não está no caminho".

No âmbito inter-religioso, as pedras recentemente lançadas contra Francisco, tanto do hinduísmo quanto do islamismo, poderiam realmente ser vistas não como um problema, mas como prova de que o papa Francisco chamou a sua atenção.

Foto: Agência Ecclesia

Add a comment

O papa Francisco mais uma vez assumiu o papel de porta-voz dos povos indígenas e denunciou as dificuldades e ameaças contra a identidade de tribos de todo o mundo. Em um aúdio divulgado pela Rádio Vaticano sobre as intenções de oração para o mês de julho, o líder da Igreja Católica pede para todos se unirem em torno do respeito aos povos indígenas.
 
Midia NINJA Foto de Gabriel Ivan

"Quero pedir, em nome de todos os povos indígenas, que seja respeitado o estilo de vida deles, seus direitos e suas tradições. Me escutaram?", questionou. "Quero ecoar e ser porta-voz dos desejos mais profundos dos povos indígenas. E quero que vocês unam suas vozes à minha", afirmou Francisco. "Rezem [durante julho] com todo o coração para que sejam respeitados os povos indígenas."

A página em português da Rádio Vaticano também publicou hoje um texto sobre a "eliminação" dos índios no Brasil (clique aqui para ler). "A história do Brasil é de eliminação, de 'desindianizar' os índios. Podemos ver o número de indígenas no século XVI e o de hoje. Eles são considerados pessoas de segunda classe, sem cultura, sem perspectivas, onde seus direitos - assegurados pela Constituição - são negados", destacou a reportagem.

De acordo com o texto da Rádio Vaticano, "é lamentável no Brasil principalmente a invasão de áreas das terras indígenas". Durante uma viagem ao México em fevereiro, o papa fez um duro pronunciamento em Chiapas contra "a dor, o abuso e a desigualdade" sofridos pelos povos indígenas, que somam 11 milhões de pessoas no país e 50 milhões na América Latina.

Francisco também pediu perdão pelos males causados às tribos.

Fonte: Agência Brasil com informações da Agência Ansa
Foto: Gabriel Ivan/Mídia Ninja

Add a comment