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Queridos irmãos e irmãs,

“Reconciliação - é o amor de Cristo que nos move” é o tema da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) de 2017. Inspirada em 2 Co 5.15-20 a SOUC deste ano traz como mensagem central a afirmação de que é a graça de Deus que nos reconcilia. A relação entre graça e reconciliação é motivada pela celebração dos 500 anos da Reforma, ocorrida em 1517, na Alemanha.

A Reforma não foi um evento histórico isolado. Ela ocorreu em um contexto de muita efervescência social, política e religiosa. Antes de Martim Lutero, outras pessoas falaram sobre a importância de uma reflexão crítica sobre os diferentes papéis desempenhados pela Igreja na sociedade europeia da Idade Média. Recuperar o testemunho cristão como uma expressão da graça de Deus era uma das reivindicações de diferentes movimentos.

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O movimento da Reforma não foi isento de conflitos e extremismos religiosos, causados pelos lados envolvidos. É justamente por causa desses conflitos que a palavra reconciliação torna-se central ao refletirmos sobre estes 500 anos.

O tempo em que vivemos, infelizmente, se caracteriza por muitos conflitos. Alguns deles são legitimados em nome de religiões. Também hoje extremismos são provocados. Ressurgem formas antigas de intolerância religiosa. A ideia de disputa por um mercado religioso tende a colocar Igrejas em oposição. Não raras vezes nos vemos como ameaças uns aos outros. Não podemos cair na tentação de nos sentirmos uns melhores do que os outros. Todas as pessoas, independentemente da confessionalidade, professamos a fé em Jesus Cristo, cujo testemunho foi o de reconhecer o próximo naquela pessoa que está distante de mim e com quem, muitas vezes, tenho dificuldades de me relacionar em função dos preconceitos e das desigualdades socais.

O amor de Cristo desperta a reconciliação. Ele não divide e nem constrói muros. As diferentes formas de expressar a fé em Jesus Cristo são riquezas graça. Por isso, em um mundo que tem se caracterizado por diferentes formas de intolerâncias, reafirmarmos que o amor de Cristo nos reconcilia é uma forma de mostrar que as divisões, as brigas, as violências, as desigualdades econômicas, os racismos e preconceitos nos distanciam de Deus e criam muros entre nós. O que nos aproxima é a possibilidade de nos reconhecermos como irmãos e irmãs, em Jesus Cristo é que somos um!

Temos, em nosso país muitos exemplos do testemunho comum entre Igrejas. Os vários espaços de diálogo bilateral, o reconhecimento mútuo do Batismo, a possiblidade de celebrarmos a Declaração conjunta pela Justificação por Graça e Fé, a realização do Dia Mundial de Oração, a Semana de Oração pela Unidade Cristã. Estas experiências não se devem somente ao nosso esforço, mas brotam da fé em Deus que possibilita os encontros e a comunhão.

A Semana de Oração pela Unidade Cristã, nos ajude a caminharmos ao encontro de nossos irmãos e irmãs. Vamos retirar tijolos dos muros que nos dividem. Através das frestas, veremos a beleza do amor de Deus que se expressa na diversidade que pode ser reconciliada. O Deus da reconciliação nos conduza cada vez mais para a unidade!

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Lute¬rana no Brasil

Dom Francisco de Assis da Silva
Bispo Primaz da Igreja Anglicana

Presbítero Wertson Brasil de Souza
Moderador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil

Dom Paulo Titus
Arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia

O cartaz da SOUC 2017 foi elaborado por Rosemary Araújo, do Rio de Janeiro.

O fundo remete a um muro firme, sem fissuras. O que o muro divide? O que há por trás dele? Como seria o cenário sem este bloco de concreto?

De um lado do muro, pessoas difusas celebram em oração em torno de luzes e da cruz. Parecem não se importar muito com o muro. Reconciliação, é o amor de Cristo que nos move, desafia para que olhemos para os muros que nos separam como sociedade, igrejas e religiões.

Os exclusivismos são os muros que nos dividem. Assim como os preconceitos, a falta de diálogo, a arrogância, a intolerância. A possibilidade da reconciliação é ofertada pela fé em Jesus Cristo. Reconciliação é graça de Deus. Cabe-nos dar os passos para a superação das barreiras que nos dividem. O muro sólido precisa ser gradativamente desconstruído.

O desafio que a reconciliação nos apresenta é o de retirarmos, um a um, os tijolos que formam estes muros.Olhar por suas frestas e descobrir que no outro lado há belezas que desconhecemos. A grandiosidade do amor de Deus pode ser encontrada nesses gestos de ir além dos muros que nos dividem. Esta grandiosidade pode ser experimentada quando vamos ao encontro das pessoas que excluímos por argumentos, muitas vezes, injustificáveis. Dar-nos o direito de conhecer o outro, ouvi-lo, conhecer sua história de vida é um exercício de reconciliação.

As mãos dadas em oração precisam encontrar as mãos em oração que estão do outro lado do muro.

Vamos descobri-las ao longo dessa Semana de Oração pela Unidade Cristã?

Veja o cartaz:
 
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O Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD) vem a público repudiar o ataque cruel contra a vida dos indígenas do Povo Gamela em seu território, no Povoado de Bahias, município de Viana (MA).Mais de dez indígenas Gamela foram cruelmente atacados no último domingo (30) e um deles teve as mãos decepadas, segundo o Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

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A ação violenta aconteceu quando os indígenas decidiram sair de uma área tradicional retomada prevendo a violência iminente e foram atacados por dezenas de pistoleiros armados com facões e armas de fogo no momento que deixavam seu território. Não mais suportando a violenta invasão, os indígenas intensificaram sua luta e decidiram por retomar seu Território sagrado.

A Comissão Pastoral da Terra Regional Maranhão (CPT-MA) denunciou em Nota, que “A ação criminosa e violenta ocorrida neste domingo foi planejada e articulada por fazendeiros e pistoleiros da região, que, através de um texto no Whatsapp, convocavam pessoas para o ataque contra os indígenas”.

"Adeli Ribeiro Gamela foi atingido por um tiro na costela e um na coluna, e teve mãos decepadas e joelhos cortados. O irmão dele, José Ribeiro Gamela, levou um tiro no peito", disse a Pastoral da Terra em comunicado, acrescentando que o terceiro hospitalizado foi atingido com tiros na cabeça, no rosto e no ombro. Ao todo dez indígenas Gamela foram violentamente atacados.

Segundo a CPT Maranhão há um alto índice de violência contra os povos e comunidade tradicionais do Maranhão. Atualmente, há cerca de 360 conflitos no campo no estado, destes, somente em 2016 foram registradas 196 ocorrências de violência contra os povos do campo. 13 pessoas foram assassinadas e 72 estão ameaçadas de morte.

Nós do PAD solicitamos a investigação ampla e irrestrita sobre mais esse crime contra os povos indígenas pelas autoridades federais e, imediata posição da Polícia Federal para a garantia dos direitos dos povos Gamela e a proteção às suas vidas.

BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA OS INDÍGENAS

Convocamos toda as organizações da Sociedade Civil a promover ampla denúncia do caso aos mais altos orgãos nacionais e internacionais em defesa das vítimas e do povo Gamela e pela proteção e garantia de direitos de todos os povos indígenas do Brasil. Basta de violência!

A situação do povo indígena Gamela, no povoado de Bahias, município de Viana (MA), vítima de uma investida de homens armados de facões, paus e armas de fogo que resultou no ferimento de 15 pessoas, cinco em estado grave, no último dia 30 de abril, quando decidiu-se retirar de uma área retomada, foi assunto de Coletiva de Imprensa que a CNBB realizou, no 1º de Maio, no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida-SP.

O bispo de Viana (MA), dom Sebastião Lima Duarte, disse que a situação se agravou após o processo de organização para retomada da terra colocado em curso pelo povo Gamela. Este povo chegou a ser considerado extinto, perdendo traços de sua cultura e língua. Há três anos, após um processo de organização popular acompanhado por organismos como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e outras organizações, os indígenas resolveram assumir a sua identidade e organizar-se para a retomada de suas terras.

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Segundo o religioso, há documentos e registros, inclusive da Universidade Federal do Maranhão, que comprovam que a terra foi doada aos indígenas ainda no período do Império. O processo de regularização da terra indígena se encontra parado em Brasília e no Incra. Na área, inclusive, segundo dom Sebastião, existem também acampamentos de Sem Terra.

Presença pastoral

A área foi ocupada por fazendeiros, entre eles uma juíza federal e o próprio vice-prefeito de Viana. Uma agente das Pastorais Sociais da diocese de Viana foi destacada, pelo bispo, para ir ao local e fornecer informações mais apuradas sobre o caso. Entre os feridos, há casos de indígenas que tiveram suas mãos decepadas. Cinco indígenas, que tiveram ferimentos mais graves, foram levados para hospitais em São Luis (MA). Os outros foram atendidos em hospitais da região.

Dom Sebastião denuncia a morosidade para resolver esta situação e o que considera “ausência do Estado”. O bispo de Viana pede maior presença da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e também do governador do Maranhão, Flávio Dino para resolver definitivamente a questão.

O bispo disse que os indígenas estão proibidos de colher os frutos de sua própria terra, como o coco de babaçu e o açaí. Há no Maranhão, segundo o bispo, um processo de reorganização dos povos indígenas e quilombolas para retomada de suas terras e reafirmação de suas culturas. “A Igreja está ao lado destas lutas por mais dignidade. Na Semana Santa celebrei a Páscoa nesta comunidade”, disse o bispo.

Fonte: CNBB
Foto: Maurício Sant’ana

É com repúdio que o Movimento Ecumênico recebe a notícia da prisão de três manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) durante os atos da Greve Geral do último dia 28/04/2017. A Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e diversas organizações ecumênicas manifestam solidariedade aos ativistas, detidos no Centro de Detenção Provisória, na Vila Prudente (São Paulo-SP).

Juraci Santos, Luciano Firmino e Ricardo Santos, que se somaram às vozes populares contra a Reforma Trabalhista e da Previdência, são acusados de incitação ao crime, incêndio e explosão.

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De acordo com informações do Mídia Ninja, o delegado considerou como “incitação” as palavras de ordem dirigidas pelos militantes contra o Governo Temer, as reformas trabalhistas e previdenciária. Luciano está sendo acusado pela prática de incêndio, quando na verdade nenhum pneu chegou a ser queimado na pista ao longo de toda a manifestação. Juracy e Ricardo estão sendo acusados de explosão, pois teriam atirado rojões na direção dos policiais. No entanto, a única prova que fundamenta esta versão é a palavra dos próprios policiais, já que nenhum rojão foi encontrado.

Na visão do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, o Brasil conta, no momento, com um governo ilegítimo que criminaliza os movimentos sociais e ataca brutalmente os direitos. “E quando as pessoas se levantam para resistir a esses ataques são tratadas com polícia, com aparato de repressão. Isso ficou muito evidente na greve do dia 28, que tem esses três presos políticos. Teve também o Mateus [Ferreira da Silva], o estudante de Goiás, que está hospitalizado em estado grave por agressão policial. Isso é resultado de um governo que trata a questão social como caso de polícia e não de política pública”, avalia Boulos.

O “Seminário da Sociedade Civil União Europeia-Brasil em Direitos Humanos”, realizado na cidade de Bruxelas, Bélgica, no dia 26 de abril, reuniu representantes de organizações brasileiras e europeias para um diálogo sobre a situação vivida pelos povos indígenas, população privada de liberdade, migração e discriminação racial e intolerância religiosa.

O evento foi preparatório ao diálogo oficial entre a União Europeia e o Brasil sobre direitos humanos, que ocorreu no dia 27 de abril, também em Bruxelas. As conclusões do Seminário da sociedade civil foram levadas e consideradas como parte do Diálogo Bilateral, que contarou com a participação do corpo diplomático da União Europeia, representada pela Comissão Europeia, e do Brasil, representado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Do Brasil, além do CONIC, participaram representantes da Associação Nacional de Organizações Não Governamentais (Abong), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), Cimi, Koinonia, Reju, Movimento Nacional de População de Rua e FASE. Da Europa, dentre outros, participaram representantes da Anistia Internacional, FIAN Internacional, AVSI Fundation e Povo Saami.

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Intolerância Religiosa

As organizações do movimento ecumênico brasileiro foram responsáveis em abordar e sugerir recomendações para o tema intolerância religiosa. Foram apresentados dados sobre a configuração religiosa brasileira e os impactos provocados pela instrumentalização entre religião e política na agenda de direitos humanos. Foi dado destaque para a intolerância religiosa contra religiões de matriz africana e indígena e contra a população LGBTT. Nesta mesma temática, os europeus destacaram a intolerância contra cristãos e a islamofobia.

A partir da realidade religiosa, foram sugeridas as seguintes recomendações:

a) que tradições religiosas originárias (como indígena e de matriz africana) sejam consideradas como patrimônio religioso da humanidade para garantir a proteção a essas tradições;
b) vinculação entre liberdade religiosa e liberdade de expressão aos direitos humanos;
c) garantia pelo Estado Brasileiro do preceito constitucional de laicidade;
d) maior controle – por parte do Estado brasileiro – em relação à utilização de meios de comunicação para a difusão de mensagens religiosas com conteúdo discriminatório;

Outros Assuntos

A delegação brasileira, em diferentes momentos, denunciou a ruptura democrática ocorrida no Brasil e a retirada de direitos. Também foi falado sobre o aumento da violência no campo, citando a chacina de nove trabalhadores rurais em Colniza (MT) e a condenação de Rafael Braga – único brasileiro condenado pelos protestos de junho de 2013 – por portar um frasco de desinfetante Pinho Sol.

“Para o CONIC e para o movimento ecumênico, participar dessa reunião foi muito importante. É a primeira vez que a agenda da intolerância religiosa é abordada nesse espaço. Vale lembrar que o movimento ecumênico tem como uma das principais ações a promoção do diálogo entre igrejas e religiões para a justiça e a paz”, declarou a representante do Conselho no Seminário, Romi Bencke.

CONIC com informações do Cimi
Foto: Divulgação/Fian

O CIER – Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão promoveu, nos dias 24 e 25 de abril, um seminário para tratar do tema da SOUC – Semana de Oração pela Unidade Cristã, edição 2017: “Reconciliação: o amor de Cristo nos move” (Cf.: 2 cor 5,14-20)

A atividade foi realizada no Centro de Eventos Rodeio Doze, na cidade de Rodeio (SC). Participaram da iniciativa 41 pessoas, representantes das igrejas luterana (IECLB e IELB) e católica (ICAR), com a assessoria do teólogo e biblista Celso Loraschi, a partir dos subsídios disponibilizados pelo CONIC (clique aqui e adquira os cadernos da SOUC).

SOUC 24 2017

Através do estudo, reflexão e devocionais, os participantes partiram animados para a preparação e execução da SOUC 2017 nas diferentes regiões em que atuam.

O CONIC congratula o CIER por mais essa ação de apoio.

Em várias dioceses católicas do Brasil, muitos ministros e fieis se revelam surpresos ao perceber que os responsáveis pela Igreja decidiram se manifestar publicamente sobre o que está acontecendo no Brasil. Bispos se pronunciam contra iniciativas do atual governo, como a Proposta de Reforma da Previdência Social. Também se declaram contra as mudanças da Constituição, empreendidas pelo Congresso, sem nenhuma consulta ou respaldo popular. Na Igreja Católica, essa nova postura profética dos bispos, depois de décadas de uma pastoral mais autocentrada, é uma boa surpresa. Sem dúvida, devemos isso a esses tempos que vivemos, embalados pela profecia do papa Francisco. No entanto, além dos bispos católicos e de uma nota da própria CNBB, também o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e autoridades evangélicas têm se unido na denúncia das medidas que vão diretamente contra os interesses da imensa maioria dos brasileiros.

greve geral

Infelizmente, para muitos cristãos, o compromisso social e político não parece fazer parte da fé. Nesse tempo pascal, todas as comunidades de Igrejas antigas leram as passagens do livro do Êxodo que contam a Páscoa judaica. Ali, Deus ordenou aos hebreus saírem da escravidão. Ele os conduziu para a terra prometida e revelou que a vocação de todo ser humano é ser livre e ter sua dignidade reconhecida. Daqui há poucos dias, leremos nas Igrejas o texto do evangelho no qual Jesus se proclama o verdadeiro pastor do povo que veio para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10, 10). No entanto, muitos ministros e fieis interpretam o evangelho de forma espiritualista e individualista. Como se Deus se interessasse apenas pelas consciências e desse sua salvação só para depois da morte. Mesmo muitos que estão d e acordo com as pastorais sociais e os trabalhos de solidariedade os veem apenas como consequência da fé e da caridade.

É preciso um processo de conversão para descobrir que a dimensão social libertadora é o eixo central da revelação bíblica e o coração da espiritualidade judaico-cristã. Ela expressa a relação com um Deus que é amor e cujo projeto é a libertação de todos os humanos, o direito à vida de todos os seres viventes e a comunhão do universo. Esse projeto que a Bíblia chama de "reino de Deus" nos chama todos a sermos cidadãos. Paulo diz que deixamos de pertencer ao mundo como sociedade dominante para vivermos livres. Então, "o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro, tudo é de vocês e vocês são do Cristo e o Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 22- 23).

Nesses dias, muitos bispos e pastores estão se pronunciando publicamente favoráveis à greve geral dessa sexta-feira, 28. Eles conclamam as pessoas de fé a apoiarem as mobilizações populares. Setores mais conservadores se perguntam o que isso tem a ver com a fé.

De fato, essa greve geral é um movimento autônomo dos movimentos sociais. Totalmente laical e nada ligada à Igreja. No entanto, para quem tem fé, essa greve recorda que, na Bíblia, a aliança de Deus com o seu povo tem como centro a celebração do sábado. É o direito sagrado do povo parar o trabalho e descansar. Até hoje, os rabinos explicam: "Deus criou o sábado para lembrar a todo fiel a sua dignidade de pessoa livre e que não pode se deixar oprimir". Não é por acaso que no idioma hebraico dos nossos dias, o termo greve é traduzido por Shabbat , o mesmo vocábulo que sábado.

Quando lutamos por cidadania e direito dos trabalhadores, estamos revivendo o que uma canção das comunidades eclesiais de base cantam até hoje: "No Egito, antigamente, no meio da escravidão, Deus libertou o seu povo. Hoje, Ele passa de novo, gritando a libertação".

Foto: Reprodução JB

O papa Francisco chegou nesta sexta-feira (28) ao Cairo, capital do Egito, onde participará da Conferência Internacional de Paz ao lado de líderes muçulmanos, em uma visita de apenas 27 horas, e defenderá a reconciliação entre as religiões.

O Airbus da companhia italiana Alitalia, no qual o pontífice viajou, aterrissou no Aeroporto Internacional do Cairo às 14h (horário local, 9h de Brasília) após decolar do aeroporto romano de Fiumicino três horas antes.

Francisco foi recebido pelo primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, e por vários políticos e autoridades eclesiásticas.

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De lá, ele irá ao palácio presidencial onde se encontrará com Abdel Fatah al Sisi. Depois, o pontífice irá à Universidade de Al-Azhar, o centro de referência do islã sunita, onde está previsto fale da aproximação entre as religiões e da rejeição à violência.

A 18ª viagem internacional do pontífice acontece apenas 20 dias depois dos atentados contra os coptas no norte do Egito, para quem o papa pretende enviar um sinal de unidade dos cristãos.

O principal compromisso desta sexta será a conferência, que acontecerá na Universidade Islâmica de Al Azhar, onde está previsto que Francisco envie uma mensagem de aproximação entre as religiões e rejeição da violência.

Na cerimônia, o papa falará aos participantes após a intervenção do grande imã da instituição sunita, o xeque Ahmed el-Tayeb, com quem alcançou uma abordagem que ultrapassa o esfriamento das relações que marcou o discurso polêmico e famoso que o Papa Bento XVI pronunciou na cidade alemã de Regensburg, em 2006.

Francisco é o segundo papa que visita Egito, após a viagem feita por João Paulo II em 2000, e em seu pontificado reiterou que não há uma "guerra de religiões", após os diversos atentados reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) que vitimaram cristãos e muçulmanos.

Na capital egípcia, o pontífice se reunirá com o papa copta, Teodoro II. A visita também tem caráter pastoral e Francisco se reunirá com representantes da reduzida comunidade católica do país, de aproximadamente 250 mil pessoas; os coptas, por sua vez, somam entre 10% e 12% dos quase 90 milhões de egípcios.

No Cairo, Francisco será recebido pelo presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi. Não se sabe ainda se o papa mencionará a respeito dos direitos humanos por parte do regime. Apesar da preocupação pela segurança, o papa se deslocará pela capital egípcia em um veículo normal, sem estar blindado.

No sábado, o papa vai celebrar uma missa no Estádio do Exército e depois vai almoçar com bispos e clérigos egípcios, antes de deixar o Cairo e retornar para Roma.

Segurança

A Catedral copta de São Marcos no Cairo foi enfeitada para receber o papa. O templo, situado no bairro de Al Abasiya, foi adornado com três cartazes com a bandeira egípcia nas quais se vê a imagem de Francisco junto ao máximo representante da Igreja copta, Teodoro II, além do lema da visita: "O papa da paz em um Egito de paz".

Na praça da catedral começaram a ser distribuídas bandeiras de boas-vindas às pessoas que esperam impacientes a chegada do papa, 20 dias depois que dois atentados terroristas, assumidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), em duas igrejas coptas do norte do Egito sacudiram o Domingo de Ramos.

As autoridades egípcias montaram um amplo esquema de segurança em torno da nunciatura vaticana no Cairo, situada no bairro de Zamalek, onde o papa Francisco se hospedará esta noite.

Desde o dia 25 de abril, os veículos não podem estacionar nas principais vias de Zamalek por onde previsivelmente o pontífice passará e há várias ruas fechadas ao tráfego, além de um amplo esquema policial nos arredores da nunciatura, em coincidência com a visita.

Com informações do G1
Foto: Tony Gentile/Reuters

Dia 28 de abril – Vamos parar!

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) une-se às manifestações das Igrejas e de religiosos e religiosas de diferentes confissões e adere à Greve Geral, um instrumento legítimo de luta de trabalhadores e trabalhadoras.

O que tem acontecido em nosso país, um ano após a ruptura democrática, é grave. Temos acompanhado dia após dia, mês a mês, ataques aos direitos sociais de trabalhadores e trabalhadoras. Junto com isso, têm aumentado a repressão e a violência, em especial contra povos indígenas e trabalhadores e trabalhadoras do campo.

GREVE GERAL2

Temos um Parlamento que, com algumas exceções corajosas, se mobiliza para votar contra os interesses da maioria da população brasileira.

Há uma opção clara por parte do governo contra a democracia. Vivemos uma ditadura do sistema financeiro. Estamos reféns dos interesses do capital especulativo.

O povo não pode ser sacrificado por causa da ganância de alguns poucos.

Parar é preciso! Pelo país, pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Os escândalos prosseguem. Ao mesmo tempo em que aprovam no Congresso a Reforma Trabalhista, que acabou com a CLT, o STF acaba com teto constitucional e libera supersalários para cargos públicos. Há uma clara distorção ética nessas decisões. Cortam direitos de trabalhadores e trabalhadoras ao mesmo tempo em que garantem privilégios de uma elite burocrática.

Paramos nesta sexta-feira, dia 28, porque não aceitamos nenhuma das reformas aprovadas até agora. Essas reformas são antidemocráticas porque a sua aprovação não tem garantido um amplo, profundo e transparente debate com a sociedade.

“Ai dos que juntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores da terra.” (Is 5.8)

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL