nota de repudio

A Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) manifesta seu repúdio à declaração do secretário nacional de Saneamento Ambiental, Sr. Alceu Segamarchi Júnior, que revelou, em entrevista à rádio CBN na quinta-feira, 30 de junho, a intenção do atual Governo Federal de priorizar a iniciativa privada no setor de saneamento básico brasileiro.

Na luta a favor do saneamento autônomo e municipal, a Assemae reitera sua posição contrária a qualquer forma de privatização ou concessão dos serviços públicos do setor. Há claros modelos no país que comprovam a face perversa da privatização, uma verdadeira ameaça no acesso das famílias mais pobres aos serviços de saneamento básico, pela ganância do lucro a qualquer preço, com o risco de aumento geral nas tarifas dos serviços prestados.

A proposta desconsidera a tendência mundial de investimento na gestão pública municipal do saneamento básico, a exemplo de diversos serviços que foram retomados das mãos da iniciativa privada em cidades importantes do mundo. Enquanto isso, o Brasil parece que se propõe a andar na contramão.

O acesso à água de qualidade e ao esgoto tratado é um direito básico de todo ser humano, e por isso, não deve ser pensado como mercadoria. Ao contrário do que disse o secretário Alceu, o Brasil só alcançará a universalização do saneamento básico mediante o investimento na gestão pública, que possui total proximidade com o cidadão e conhecimento técnico das demandas locais.

A Assemae e seus quase dois mil associados não medirão esforços para que a titularidade municipal seja garantida na gestão do saneamento básico, priorizando a otimização dos recursos, a qualidade dos serviços públicos, a inclusão social e a saúde da população brasileira.

Fonte: Assemae

Add a comment

O Pontifício Conselho para a Cultura instituiu uma Consultoria Permanente formada somente por mulheres. O organismo reuniu-se pela primeira vez na última terça-feira. A colega do Programa alemão, Gudrun Sailer, entrevistou o Cardeal Gianfranco Ravasi sobre os objetivos da nova e inédita iniciativa.

RV7407 Articolo

“Os objetivos são, substancialmente, de dois gêneros: por um lado – e este é o fundamental – convidar as mulheres a oferecer, com o seu olhar e interpretação pessoal, um juízo sobre todas as atividades do dicastério. Portanto, não se trata de uma consultoria decorativa. A segunda dimensão a que nós queremos chegar é a de ter, por meio das mulheres, a sugestão de levar-nos além, em terras incógnitas, isto é, em novos horizontes... Pois, aqui somos todos homens, não temos um oficial que seja mulher e as mulheres têm somente funções do tipo administrativo e de secretaria. Justamente por este motivo, queremos pedir às mulheres para indicar também percursos que nunca tenhamos percorrido”.

Então, se poderia dizer que seja realmente inovadora a instituição de uma consultoria voltada ao feminino...

É inovadora justamente neste sentido, porque não quer simplesmente ter também vozes femininas. Eu sou substancialmente cético sobre a tese da 'cota rosa'. Estou mais convencido de que seja absolutamente necessária uma presença, e uma presença relevante, que não somente dê vagamente uma cor, mas que entre, pelo contrário, no mérito das questões, também com a sua capacidade crítica.

Vimos este núcleo, este primeiro núcleo que reuniu-se pela primeira vez aqui na sede do dicastério. Quais são os passos seguintes?

Eu gostaria um pouco de descrever esta primeira reunião, que ocorreu naturalmente a partir de uma manifestação de todas as mulheres presentes, que – justamente por meio desta apresentação, não meramente biográfica – já deram uma mexida em nós que assistíamos, mas também nelas mesmas, pois cada uma se recontou, não somente do ponto de vista profissional, mas também do ponto de vista humano. Portanto, esta já é uma contribuição também para nós: ouvir, isto é, as experiências existenciais. Eu propus um exemplo a partir do qual se poderia iniciar. Eu tenho ao menos sete, oito atividades dentro de meu dicastério que gostaria que fossem julgadas, interpretadas, apoiadas pelas mulheres. Uma destas, a primeira, é talvez, aparentemente, somente aparentemente, marginal: a do esporte. O esporte, de fato, tornou-se uma espécie de ‘esperanto dos povos’ e é também um dos fenômenos nos quais mais se reflete a figura do homem e da mulher, do bem no jogo, na riqueza, na fantasia, mas também na degeneração. Pensemos o que é o doping, a corrupção, a violência nos estádios, o racismo e assim por diante. Este, portanto, foi o primeiro exemplo. Nós gostaríamos agora de continuar, de etapa em etapa, com dois percursos: de um lado, ampliar este grupo, e de outro, solicitar o juízo delas sobre uma série de outros temas que temos já prontos.

As componentes do grupo devem ser todas católicas?

Atualmente a totalidade, acredito, seja de mulheres católicas. Na verdade, justamente o tema, que apareceu de imediato, foi não somente o da dimensão ecumênica, mas também o da dimensão inter-religiosa. E eu coloquei uma terceira dimensão: não somente os fieis, os diversamente crentes, mas também os não-crentes. Eu tenho intenção, portanto, de introduzir também mulheres que não tenham nenhuma fé religiosa explícita.

Seria pensável formar grupos deste gênero, de consultoria feminina, em outros dicastérios da Cúria romana?

Isto eu pensaria como um desejo, porque o Papa Francisco insistiu sobre isto, fez frequentes declarações nesta linha, reconhecendo que a presença das mulheres na Cúria vaticana é ainda muito exígua. Isto deve ocorrer, na minha opinião – como disse uma vez o Papa Francisco – não somente na via funcional, isto é, não segundo a mentalidade clerical, para a qual a presença é somente se tu consegues ter uma função do tipo sacerdotal, do tipo dicasterial, ou seja, funções que sejam substancialmente ainda aquelas que foram codificadas pelos homens. Seria preciso ter grande criatividade e eu espero que sejam criados ministérios, funções, responsabilidades que sejam primorosamente femininas. Devemos recordar também, como frequentemente citado pelo Papa Francisco, que a figura de Maria é mais relevante do que aquela dos Cardeais e aquela dos próprios bispos. Por este motivo, eu acredito que deva vir uma revolução, uma evolução em nível teórico, antes de tudo, isto é, de mentalidade, de teologia e, em nível prático, certamente, tendo presente, porém, sempre esta observação: que não devemos considerar o modelo masculino, que até agora construiu, também legitimamente, as funções, os ministérios dentro da Igreja, como o modelo a ser imitado, o único exclusivo.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Reprodução

Add a comment

A Plataforma dos Movimentos sociais pela Reforma Política entrevistou Romi Bencke, secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, graduada em Teologia pelas Faculdades EST, pastora luterana e mestre em Ciência das Religiões pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Em pauta, o sistema político e o Estado Laico.

estado religiao

Nesse momento de crise política, visualizamos o aumento do discurso religioso em espaços políticos, contra avanços no âmbito dos direitos individuais e sociais. A defesa do Estado laico deve estar atrelada à busca por uma reforma politica ampla?

Certamente sim. Isso porque o debate sobre a relação entre religião e estado no Brasil nunca foi feito de maneira ampla e aprofundada. Ela foi mais resultado de pressão de grupos religiosos, nesse caso, protestantes, que se sentiam violados por não terem seus ritos e cultos reconhecidos. Entretanto, se a separação entre religião e Estado, em um primeiro momento, possibilitou que protestantes tivessem seu direito a culto e seus rituais reconhecidos, isso não ocorreu, por exemplo, para as religiões de matriz africana, espírita e indígenas. Estas continuaram sendo perseguidas e suas práticas identificadas como charlatanismo e feitiçaria. Nossa laicidade não é um resultado de um amadurecimento da sociedade. Tanto é que existe uma grande confusão em torno do conceito laicidade. Há pessoas que pensam que um estado laico irá perseguir as religiões. Isso é completamente equivocado. O Estado laico não persegue religiões. A concepção sobre laicidade do estado brasileiro, tem como função garantir às pessoas a liberdade de seguir ou não uma religião. Também é função do estado garantir tratamento igual para todas as religiões, crenças ou convicções. Para ser coerente com a constituição, não deve existir tratamento privilegiado com essa ou aquela religião. Da mesma forma, o Estado não pode interferir na formação espiritual e na crença das pessoas. Uma vez que a fé pertence ao âmbito privado do indivíduo.

A lei garante que o Estado não intervenha nos sistemas de fé. A natureza laica do estado brasileiro torna-o neutro em termos religiosos. Com isso, ele tem a função de mediar a relação entre as tradições religiosas e não de apoiar confessionalidades religiosas específicas.

A laicidade brasileira compreende que é uma possível a cooperação entre religião e estado para a promoção do bem comum. Nossa concepção de laicidade, portanto, não esvazia e nem expulsa a religião da esfera pública. Logo, não há motivos para ver na laicidade um inimigo a ser combatido. Agora, uma questão que é mais complexa e que gera tensões é quando vemos grupos religiosos reivindicando o direito de impor ao conjunto da sociedade seus valores, símbolos e concepções de mundo em nome da liberdade religiosa. Isso é complicado, pois o direito à liberdade religiosa não é um direito absoluto. O direito à liberdade religiosa precisa estar em conformidade com os direitos humanos.

Uma das bancadas que mais cresceram nas ultimas eleições foi a bancada evangélica, em sua maioria, representando a proteção de um modelo de família que se distancia da atual realidade das famílias brasileiras. Nesse contexto em que uma parte da sociedade elege parlamentares com esse perfil, como limitar a atuação de determinadas praticas políticas?

Em primeiro lugar, gostaria de chamar a atenção para o fato de que sim, temos uma Frente Parlamentar Evangélica articulada no Congresso. No entanto, não é a única. Também há uma Frente Parlamentar Mista Católica que se orienta, praticamente pelos mesmos valores da Frente Parlamentar Evangélica.

Nos últimos anos, tem se criado um estigma contra os evangélicos. Só que este não é o único grupo religioso no Brasil que se orienta por valores conservadores. Entre evangélicos há grupos bastante ativos na promoção de direitos humanos. Importante recuperar que a concepção da separação entre religião e estado é um princípio protestante, ou seja, evangélico.

A pauta pela defesa da família patriarcal transcende as fronteiras confessionais.

Em relação à segunda parte da pergunta, sobre limitar a atuação de determinadas práticas políticas, penso que o caminho não seria por aí.

No espaço público, principalmente em uma sociedade plural como a nossa, todos os grupos têm direito a se manifestar e expressar suas opiniões e visões de mundo, inclusive conservadores. Agora, no âmbito da esfera pública da política formal, parlamento, judiciário, etc o que deveria reger as decisões não deveriam ser as convicções religiosas do ente público, mas os princípios democráticos e republicanos. Creio que o que precisamos no Brasil, é um debate aprofundado sobre o papel da religião na sociedade. Nós somos um país estranho. Bastante religioso, mas a teologia, por exemplo, não é reconhecida como uma área do conhecimento. Ela é vista como uma dimensão menor do conhecimento. Entretanto, as disputas sobre valores, visão de mundo são fortemente carregados com conteúdos religiosos. Para este debate, a teologia é fundamental, no entanto, ela não é considerada. A bíblia, por exemplo, está no centro das discussões sobre direitos humanos. Não vemos nenhum biblista sendo convidado para falar sobre a bíblia desde uma perspectiva de direitos humanos. E temos pessoas excelentes no nosso país que podem fazer isso.

Na sua avaliação, a relação entre o avanço de determinadas igrejas neo-pentecostais nos meios de comunicação e na política, tem haver com um projeto de poder?

Creio que o avanço de grupos religiosos conservadores de diferentes expressões tem relação com um projeto de poder, sim. Não em uma lógica conspiratória, mas no avanço de políticas neoliberais. O fundamentalismo e o conservadorismo religiosos não estão isolados dos sistemas econômicos e políticos. O neoliberalismo fortalece o conservadorismo naquilo que diz respeito à religião, gênero, família. Isso porque, o crescimento de uma sociedade de mercado causa desintegração social. As pessoas sentem-se inseguras. Na busca por uma sensação de segurança e certezas, elas se agarram às narrativas que oferecem forte grau de plausibilidade e certezas. Isso é um prato cheio para o fundamentalismo. Fortalecem-se as ideias de aniquilamento do outro. A identificação do inimigo é necessária. E quem são os inimigos que o fundamentalismo nomeia? Mulheres que lutam por suas autonomias, LGBTTs, indígenas, tradições religiosas diferentes da minha: cristão X candomblé, judeu X muçulmano e assim por diante. Reivindicam que o estado defenda seus valores morais, mas pregam a interferência mínima do estado na economia. Nesse caso, leva-se para o privado o que seria da esfera pública, como saúde, educação, mobilidade e direitos humanos. E, tenta-se levar para a esfera pública, o que é da esfera privada, como por exemplo, as crenças e doutrinas religiosas.

Fonte: reformapolitica.org.br

Add a comment

As Escrituras Sagradas estão disponíveis para 2.935 idiomas falados por 6,039 bilhões de pessoas. Só em 2015, foram feitas traduções para 50 idiomas, falados por quase 160 milhões de pessoas, com auxílio das Sociedades Bíblicas Unidas (SBU). Graças aos esforços dessa aliança global presente em mais de 200 países e territórios, a Bíblia na íntegra está disponível em 563 idiomas, falados por cerca de 5,1 bilhões de pessoas e o Novo Testamento em 1.334 idiomas adicionais falados por 658 milhões de pessoas. Esta tarefa, fundamental, para o desenvolvimento da obra bíblica no mundo estará em destaque nas palestras do 12º Fórum de Ciências Bíblicas, que a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) promoverá nos dias 25 e 26 de agosto, com o tema “Tradução da Bíblia: Uma Tarefa Inacabada”.

gsar main

Em seu Relatório de Traduções de 2015, as SBU registram que 11 comunidades ao redor do mundo agora têm a sua primeira Bíblia na íntegra, seis receberam um Novo Testamento e outras onze a sua primeira porção ou porções adicionais das Escrituras. No entanto, existem ainda 497 milhões de pessoas que não contam com nenhuma parte da Bíblia traduzida para o idioma que fala ao seu coração, além dos 281 milhões que contam apenas com partes da Bíblia traduzidas para o seu idioma.

Como os idiomas estão em constante desenvolvimento, as SBU também têm o compromisso de revisar traduções existentes e fornecer novas versões, quando solicitadas, para ajudar o máximo possível de pessoas a se engajarem com a mensagem bíblica. Em 2015, isso resultou em 20 novas traduções e revisões, além de duas edições de estudo com o potencial de alcançar mais de 127 milhões de pessoas.

Paralelamente, de acordo com as SBU, crescem as traduções das Escrituras para línguas de sinais e em Braile. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, em todo o mundo, tenham deficiência auditiva e 70 milhões delas utilizam a língua de sinais para se comunicar. Há mais de 400 línguas de sinais únicas, porém, o Novo Testamento somente está disponível na Língua de Sinais Americana. Entre as produções de 2015 em línguas de sinais, destacam-se as do Brasil, com 15 novas histórias bíblicas; Sri Lanka, com seleções do livro Atos; México, que concluiu os livros de Lucas e Atos; e a equipe ViBi, no Japão, que terminou os livros Êxodo, Tito e Efésios.

Em Braile, os avanços foram registrados no Sri Lanka, com a Bíblia em sinhala, o 44° idioma do país e no México, com a primeira porção em purepecha. Também foram produzidas porções adicionais em espanhol e armênio e uma nova versão da Bíblia em holandês. São obras que beneficiam um grande contingente, diante da estimativa de que, em todo o mundo, 285 milhões de pessoas tenham deficiência visual, das quais 40 milhões são cegas. Desde 2002, a Sociedade Bíblica do Brasil disponibiliza a Bíblia completa em Braile para esse público.

Outro recurso estratégico das SBU para a disseminação da Palavra de Deus é a Biblioteca Digital da Bíblia® (DBL), que, até o final de 2015, contava com 1.201 Bíblias, Testamentos e porções em 957 idiomas falados por mais de 4,6 bilhões de pessoas. A DBL é de propriedade e mantida pelas SBU em parceria com outras agências bíblicas com o apoio da aliança Every Tribe Every Nation (Todas as Tribos, Todas as Nações). Ela torna a Bíblia acessível fornecendo textos das Escrituras ao público por meio de parceiros como a BibleSearch e a YouVersion.

O relatório completo das SBU e a lista de traduções concluídas em 2015 podem ser consultados em: http://bit.ly/29k1mkt

12º Fórum de Ciências Bíblicas

Renomados palestrantes estarão no Centro de Eventos de Barueri – Museu da Bíblia, em Barueri (SP), para mais uma edição do Fórum de Ciências Bíblicas, que homenageará os 70 anos das Sociedades Bíblicas Unidas. Embora iniciada em 1804, a cooperação entre Sociedades Bíblicas foi formalizada em 1946 e hoje reúne 149 organizações, entre elas a SBB.

SERVIÇO:

Tema: Tradução da Bíblia: Uma Tarefa Inacabada.
Data: 25 e 26 de agosto de 2016.

Horário: 14h30 às 22h00.
Público-alvo: Professores e estudantes de Teologia, Ciências da Religião e Linguística, lideranças religiosas, estudiosos da Bíblia e cristãos em geral.

Local: Centro de Eventos de Barueri | Museu da Bíblia.
Endereço: Avenida Pastor Sebastião Davino dos Reis, 672 – Vila Porto – Barueri (SP).

Inscrições: http://www.sbb.org.br/eventos/forum-de-ciencias-biblicas/
Informações: https://xii-forum-de-ciencias-biblicas.eventbrite.com.br ou (11) 3474-5827.

Add a comment

O CONIC criou, em seu site, o espaço Religiões e Democracia. A ideia é refletir as relações entre a religião e a democracia e trabalhar a temática com o auxílio de perguntas feitas a lideranças religiosas, teólogos e teólogas, cientistas da religião e de outras áreas do conhecimento. Convidamos vocês para lerem as entrevistas e manifestarem opiniões. Sempre em um espírito de diálogo e respeito às ideias.
 
Nessa segunda entrevista da série, falamos com Ezequiel Hanke, facilitador da REJU.
 
ezequiel h

1) De que modo as religiões podem contribuir para o aprofundamento da democracia?

Esta questão é extremamente pertinente. Em relação ao momento político atual que vivemos no Brasil, penso que o crescimento, tanto em termos políticos, quanto sociais da sociedade brasileira se dá apenas por meio de processos radicais de democracia. Nesse sentido, é evidente que a vivência da religião em um contexto multicultural é um direito constitucionalmente assegurado e deveria assim – fazer parte da esfera privada da vida das pessoas e não da esfera pública de forma a influenciar o Estado nas suas políticas públicas. Garantir, portanto, o caráter laico do Estado, como defensor e protetor da liberdade de crença e convicção (em professar ou não uma religião ou manifestação religiosa) é para mim um importante ponto que garante a organização de uma sociedade plural, solidária e democrática.

Ainda o sucesso de uma democracia, ou de um projeto democrático depende da capacidade humana em encontrar caminhos de diálogo entre as diversas tradições. Assim sendo, penso que o pluralismo e o diálogo inter-religioso são fundamentais nesse processo. A partir destes aspectos podemos visualizar igualdade na diferença, abrir espaço para a confiança e convivência construtiva e respeitosa. Em suma: viabilizar o caráter laico do Estado brasileiro de fato e aprofundar o diálogo e a cooperação entre as religiões me parece um caminho possível para superar os extremos de uma sociedade injusta e de tendências fundamentalistas. Os direitos humanos transcendem os espaços institucionais da religião, e penso dessa forma que humanismo e religião se pertencem mutuamente.

2) Algumas religiões acreditam que a democracia é incompatível com aquela fé. Como lidar com isso?

O Estado Democrático de Direito compreende a capacidade das pessoas cidadãs de elegerem seus representantes, que terão funções previstas em Constituição para determinar os rumos políticos do país. Sistema este que vem sendo atropelado no Brasil com a admissão do processo de impeachment da presidenta da república sem fundamento jurídico legal para tal. Onde quero chegar com isso? Uma democracia não pode ser confundida com demagogia, interesses pessoais ou de determinada classe social. O filósofo Aristóteles já destacava que um governo deve ser de todas as pessoas para todas as pessoas.

Portanto, é dever de cada pessoa cidadã não dar espaço para valores ou ideias que contrariem o bem comum e direitos básicos conquistados a duras penas pelo povo. Ideias totalizantes ou homogeneizantes podem rapidamente se aproximar a regimes totalitários que impõe a sua crença como “única e verdadeira”. Não são compatíveis com o Estado Democrático de Direito que assegura as liberdades de crença, consciência e expressão. Garantir e preservar as liberdades é fundamental numa democracia. Esta é também tarefa das Igrejas e expressões religiosas!

3) No Brasil, expressões religiosas, sobremaneira cristãs, se apossam cada vez mais dos espaços públicos e conquistando grandes representações no Congresso Nacional. Como avalia esse fenômeno?

Minha primeira reação a esta questão: uma catástrofe! O princípio do Estado laico vem sofrendo sérias ameaças no Brasil. Um Estado que é laico de fato defende a liberdade religiosa de todas as pessoas cidadãs e não possibilita a interferência da religião em questões de políticas públicas. Voltemos para Aristóteles quando fala que a democracia é uma forma de governo de todas as pessoas para todas as pessoas.

Quando expressões religiosas se apossam dos espaços públicos, e formam, por exemplo, a bancada da Bíblia no Congresso Nacional, vemos o caráter laico e a democracia do Brasil sendo duramente ameaçada. A bancada evangélica põe a meu ver em risco a paz pública e vem comprometendo as relações respeitosas de convivência. Seguidos ataques e agressões incentivam a intolerância e a apologia ao ódio, algo incompatível com o Brasil que assegura em Constituição o direito à vida, de ir e vir, à manifestação de pensamento, a liberdade de credo e crença. Há ainda muito a ser feito!

4) As religiões de matriz africana, por outro lado, estão pouco representadas. Como você interpreta isso?

É de se lamentar profundamente quando se lê que as religiões de matriz africana são o principal alvo da intolerância no Brasil. O racismo e a discriminação remontam o Brasil colônia, rotulam e “demonizam” as religiões de matriz africana simplesmente pelo fato de serem originárias do continente africano.

A representação das religiões de matriz africana no parlamento brasileiro é de fato de pouquíssima expressão. Diante disso, penso que um caminho necessário é o combate ao fundamentalismo religioso e fazer valer a lei 12.288 que instituiu o Estatuto da Igualdade Racial, decreto assinado pela presidenta Dilma Rousseff no ano de 2010. O Estatuto da Igualdade Racial busca a igualdade de oportunidades para a população negra e combate às formas de intolerância étnica, procurando assim a postura de respeito às religiões de matriz africana.

5) Agora, uma pergunta provocativa: é possível, a partir da teologia ou das teologias cristãs, estabelecer relação entre religião e democracia? Se sim, quais seriam as chaves teológicas? Se não, quais seriam as chaves teológicas?

Minha origem é luterana e a teologia de Lutero é também um dos meus campos de pesquisa. Para mim, particularmente, um tema central, e que também foi importante para Lutero, é a promoção da liberdade: foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Como pessoas livres não somos mais escravas e sujeitas a ninguém. Como pessoas livres, podemos buscar caminhos que conduzem a uma vida livre e responsável para todas as pessoas, pois somente existe liberdade com responsabilidade.

Como pessoa livre, eu posso servir a outras pessoas, em amor. Como pessoa livre eu me coloco em postura de serviço e diálogo. É isto que Lutero expressa em seu importante escrito intitulado “Da Liberdade Cristã”, em que afirma: Um cristão é senhor livre sobre todas as coisas e não está sujeito a ninguém. Um cristão é servidor de todas as coisas e sujeito a todos.”

Esta perspectiva a meu ver preserva a democracia, pois é uma postura de diálogo, de respeito e invoca o sentimento de alteridade. Uma vida livre implica em respeito mútuo e a preservação das liberdades e dos direitos humanos.

6) É comum utilizar a bíblia para legitimar e justificar posturas antidemocráticas. É possível identificar possíveis iluminações bíblicas que contribuiriam para o fortalecimento da democracia e para a valorização das diversidades?

Prefiro não citar versículo algum, já que, dito em linguagem coloquial “a Bíblia tem resposta pra tudo”. Ou seja, é possível com a Bíblia legitimar qualquer tipo de opinião. Ainda assim acredito numa perspectiva libertária ou libertadora da Bíblia. Conforme dito na pergunta anterior, penso que movido pelo espírito da liberdade posso caminhar e contribuir para a construção de espaços mais acolhedores, inclusivos e sensíveis à vida humana. Minhas convicções jamais podem ser um obstáculo para a escolha da outra pessoa. Ainda penso que enquanto cristão tenho o dever de defender o caráter laico do Estado para que a democracia que por hora fragilizada possa se fortalecer e para que a riqueza da diversidade brasileira possa ser valorizada e preservada.

7) Algumas vozes analisam a laicidade do Brasil como ambígua. É possível a relação entre religião e política sem ferir a laicidade? Como analisar a presença pública da religião no Brasil e sua relação com o Estado?

Penso já ter respondida esta questão em partes nas perguntas feitas anteriormente. Ao mesmo tempo, lembrei de um texto do sociólogo brasileiro, Ricardo Mariano, intitulado “Laicidade à Brasileira” em que analisa os limites da laicidade brasileira e fala sobre a relação entre política e religião no Brasil. Para Mariano a concorrência religiosa no Brasil, principalmente entre católicos e pentecostais migrou para a esfera político partidária, fato que vem gerando intensos debates entre grupos cristãos e grupos laicos sobre o papel da religião.

Eu penso que é possível discutir religião e política, desde que não leve a posições que firam o principio da laicidade. É importante destacar que o Estado não pode ser orientado por opções religiosas. Estados democráticos são laicos! É também importante dizer do enorme patrimônio de sermos uma sociedade diversa e plural. Portanto, religião é um direito – que fica no plano individual. O Estado Democrático de Direito é de todas as pessoas para todas as pessoas. TODAS!

Biografia:

Ezequiel Hanke é natural do interior gaúcho, possui graduação e mestrado em teologia pela Faculdades EST, São Leopoldo/RS onde atualmente faz seu período de doutorado sob orientação do professor Dr. Rudolf von Sinner. É facilitador da Rede Ecumênica da Juventude (REJU) no Rio Grande do Sul, militante dos direitos humanos e integra a Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR).

Add a comment

c aid logo 16

A visita na Chrisitan Aid, nos dias 25, 26 e 27 de maio, se caracterizou por um conjunto de reuniões entre CONIC, representado pela secretária-geral, Romi Bencke, e diferentes setores da instituição. A primeira foi com a diretoria do Departamento de Igrejas da Christian Aid. Dione Gravesande, chefe de Departamento de Igrejas da Christian Aid, explicou que a Christian Aid é uma organização de 40 Igrejas que busca mostrar a voz pública das Igrejas. Para tanto, a reflexão teológica é central.

Dione falou sobre os novos desafios que surgem com o aumento de igrejas pentecostais na Inglaterra. Essa particularidade desafia a organização a identificar novas formas de diálogo com estes movimentos. Há um esforço grande em produzir análises teológicas sobre temas em que as igrejas estão atuando, entre estes temas, podem ser destacados a reflexão teológica sobre mudança climática. Outro tema relevante é sobre teologia e gênero.

Há uma compreensão clara da Christian Aid que potencializar a atuação das Igrejas e sua voz pública, na defesa de direitos, da justiça e da paz é fundamental para promover mudanças em favor de um mundo com mais igualdade.

O outro encontro foi com a equipe do Programa Lado a Lado, que tem como um dos objetivos a promoção da justiça de gênero. “Reuni-me com Josh Levine, o coordenador do Programa, e as integrantes da equipe, Chiara e Helen Denis. Nessa reunião, foram recuperados os resultados do Encontro desse Programa ocorrido no Brasil, no final de 2015, com representações de diferentes países da América Latina e Caribe. Compartilhei as dificuldades existentes no Brasil em torno da temática justiça de gênero e as polêmicas ocorridas com os Planos Municipais de Educação de como parte das Igrejas militaram contra a perspectiva de gênero nesses planos. Também foi dado destaque para os trabalhos de fortalecimento da justiça de gênero realizado por algumas igrejas no Brasil”, explicou Romi Bencke.

A reunião com a equipe responsável pela Angola e Brasil foi realizada por Skype. Participaram Deolinda Teka, secretária do Conselho de Igrejas da Angola e Sarah Roure, responsável pelo Brasil. A reunião centrou-se na ação realizada pelos dois Conselhos de Igrejas em favor da diminuição das desigualdades e do fortalecimento dos espaços democráticos. Reverenda Deolinda relatou que alguns problemas da Angola são similares com os problemas enfrentados pelo Brasil. O Conselho de Igrejas da Angola trabalha fortemente na superação das desigualdades e do abuso de poder. Um dos desafios do país hoje é um maior equilíbrio nas relações de poder.

O Conselho de Igrejas da Angola é bastante ativo também na resolução de conflitos relacionados aos direitos humanos. Há clareza do papel relevante das igrejas para a educação na sociedade, em especial a educação para a paz e para a justiça de gênero. O Conselho de Igrejas da Angola tem 40 anos de existência. Seu esforço, no momento, tem sido o de promover espaços de formação sobre o tema justiça de gênero nas cinco províncias do país. Destaca-se que maioria das lideranças das igrejas da Angola são mulheres, mas elas geralmente não ocupam espaços de decisão. Em algumas igrejas elas são impedidas de pregar. Nesse sentido, o desafio é melhorar a relação de poder nas Igrejas.

Reunião com David Clarck sobre direitos LGBTTs: ele é responsável por promover a discussão interna na Christian Aid sobre direitos LGBTTs. A reunião foi um momento interessante para conversar sobre os principais limites existentes, em especial, no âmbito de organizações religiosas para que os direitos LGBTTs sejam respeitados em sua integralidade. Também foram compartilhadas experiências de Igrejas inclusivas e daquelas que estão abrindo espaço para que as pessoas LGBTTs possam falar livremente sobre fé e sexualidade. A violência contra pessoas LGBTTs também foi um dos aspectos abordados. Por fim, foi falado de como as interpretações bíblicas que não levam em consideração os aspectos sociais e históricos dos textos bíblicos contribuem para legitimar o preconceito e a discriminação por orientação sexual.

Add a comment

Nos dias 28 e 29 de maio, a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esteve na cidade alemã de Leipzig para participar do Katholikentag (Dia da Igreja Católica). O evento é realizado a cada dois anos, sempre em cidades diferentes. Este foi o evento de número 100. Valores humanos como compaixão, misericórdia, diálogo, ecumenismo, convivência, justiça climática, entre outros, foram centrais no evento.

dilpz1 IMG 2830

No dia 28, o CONIC se fez representado em um evento para falar sobre “Testemunho cristão em um mundo plural”. O Seminário iniciou com a saudação do presidente da Missio (organização promotora do evento), Laus Krämer, e do Dr. Christoph Anders, diretor da Evangelischen Missionswerk (EMW), parceira do CONIC.

Duas perspectivas foram apresentadas: a brasileira, que chamou a atenção para o aumento do fundamentalismo religioso com ênfase cristã no Brasil e de como os espaços políticos formais, como o Congresso, tem sido instrumentalizado por grupos religiosos. Também se deu destaque para iniciativas de muitas igrejas que se organizam para chamar a atenção de que ser evangélico não é ser fundamentalista e nem contrário à democracia. O trabalho do movimento ecumênico brasileiro em favor da diversidade religiosa também foi destacado.

dilpz2 IMG 2830

Outra perspectiva foi apresentada pelo arcebispo indiano Felix Machado, que refletiu sobre o crescimento e os impactos do nacionalismo hindu em seu país. Por fim, destacou-se que as ondas migratórias atuais apresentam um desafio para a Alemanha, que precisará refletir sobre conceitos como a liberdade religiosa. A perspectiva do diálogo inter-religioso e sua importância para o reconhecimento da diversidade como um princípio foi a tônica do painel.

O encerramento do Katholikentag foi no dia 29, com uma grande celebração. Destaca-se a homilia do cardeal Reinhard Marx, que refletiu sobre a força do Evangelho na transformação da sociedade. Ele ainda falou da importância da Igreja estar sempre aberta e engajada pelo ser humano. Ressaltou que a Europa precisa valorizar a democracia e não levantar fronteiras. Ser aberta para a acolhida das pessoas refugiadas e migrantes. Ao final, da celebração, representações da Igreja Evangélica Alemã fizeram um chamado especial para os 500 anos da Reforma.

Add a comment

Os trabalhos do Santo e Grande Concílio da Igreja Ortodoxa foram selados pela concelebração dos 10 primazes sob a presidência do patriarca ecumênico na Igreja dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo em Chania. A liturgia foi caracterizada por um grande temor reverencial e por solenidades dignas da tradição bizantina da qual a Igreja Ortodoxa se orgulha de ser a herdeira e a continuadora.

27299821574 b87

A reportagem é de Ioannis Maragós, publicada no sítio Settimana News, 29-06-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Durante a liturgia foi lida a "Mensagem do Santo e Grande Concílio ao povo ortodoxo e a todas as pessoas de boa vontade", da qual oferecemos uma síntese.

1) A prioridade absoluta do Santo e Grande Concílio foi a proclamação e a manifestação da unidade da Igreja Ortodoxa, fundada sobre a Eucaristia e a sucessão apostólica dos bispos. A unidade é realidade presente, mas é necessário que ela seja reforçada continuamente para trazer novos frutos. A Igreja una, santa, católica e apostólica é uma sociedade-comunhão divino-humana, antecipação e experiência vital das realidades últimas dentro da Eucaristia. A Igreja Ortodoxa manifesta a sua unidade e a sua catolicidade no Sínodo. A sinodalidade inspira a organização, o modo de decidir e determinar o próprio caminho. As Igrejas ortodoxas autocéfalas não são uma confederação de Igrejas, mas a Igreja una, santa, católica e apostólica.

2) A Igreja não cessa de rezar e de se esforçar para dar testemunho aos que estão perto e aos que estão longe. É a re-evangelização do povo de Deus que vive dentro das modernas sociedades secularizadas, assim como a evangelização daqueles que ainda não conheceram Cristo.

3) A Igreja tem o dever de dar testemunho da verdade e dá importância particular ao diálogo com os cristãos heterodoxos, a fim de que tomem conhecimento da tradição ortodoxa na sua genuinidade e inteireza. Os diálogos realizados não devem, por razão alguma, envolver compromissos.

4) "As explosões de fundamentalismo observadas dentro de várias religiões representam uma expressão de religiosidade mórbida. Um diálogo inter-religioso sóbrio ajuda significativamente a promover a confiança, a paz e a reconciliação mútuas." A Igreja Ortodoxa condena inequivocamente a propagação da violência militar, as perseguições, as expulsões e o assassinato de membros das comunidades religiosas, a coerção para mudar de credo religioso, o tráfico de refugiados, os sequestros, as torturas, as abomináveis execuções. Além disso, denuncia a destruição de igrejas, de símbolos religiosos e de monumentos das civilizações passadas. Em particular, expressa a sua angústia e preocupação com a situação dos cristãos e de todas as minorias perseguidas no Oriente Médio e em outros lugares, e declara que o seu direito de viver na própria pátria como cidadãos de igual dignidade com os outros é inviolável.

5) A secularização contemporânea promove a autonomia da pessoa em relação a Cristo e à influência espiritual da Igreja, identificando arbitrariamente o conservadorismo com a Igreja. A civilização ocidental, porém, traz a marca indelével da contribuição do cristianismo ao longo de toda a sua história.

6) Na abordagem moderna do matrimônio, a Igreja Ortodoxa considera indestrutível a relação de amor entre o homem e a mulher, "um grande mistério de Cristo e da Igreja". Ao estilo de vida dos fiéis, ele recomenda "ascese" e "abstinência", que "não diz respeito apenas à vida monástica. O ethos ascético é uma característica da vida cristã em todas as suas manifestações".

7) Quanto às relações entre fé cristã e ciências positivas, a Igreja Ortodoxa evita pôr tudo sob a tutela da pesquisa científica e não toma uma posição sobre questões científicas. Ela agradece a Deus que deu aos cientistas o carisma de descobrir dimensões desconhecidas na criação. Portanto, "o conhecimento científico, por mais rapidamente que possa estar avançando, não motiva por si só a vontade do homem, nem fornece respostas para sérias questões morais e existenciais, e à busca do sentido da vida e do mundo. Essas questões demandam uma abordagem espiritual, que a Igreja Ortodoxa tenta providenciar mediante uma bioética fundada na ética de Cristo e no ensinamento patrístico. Junto com o seu respeito pela liberdade da investigação científica, a Igreja Ortodoxa, ao mesmo tempo, aponta para os perigos escondidos em certas conquistas científicas e enfatiza a dignidade do homem e o seu destino divino".

8) A atual crise ecológica se deve a causas espirituais e morais. O homem deve tomar consciência de que é curador e administrador, e não proprietário da criação.

9) Diante do nivelamento rumo a uma homogeneidade impessoal, que é promovido de inúmeras maneiras, a Ortodoxia proclama e promove o respeito pela personalidade própria e distinta dos indivíduos e dos povos.

10) A Igreja Ortodoxa não interfere na política. A sua palavra continua sendo discreta, mas autônoma e profética como intervenção voltada a promover a dignidade do homem. A Igreja Ortodoxa, ao lado dos direitos humanos – que o defendem das ingerências e dos abusos do Estado –, reconhece a existência de deveres tanto para os cidadãos quanto para os políticos. Para todos é necessário a autocrítica. O direito à liberdade religiosa não se limita apenas ao exercício dos deveres religiosos da pessoa, mas se estende até incluir o ensino público da religião.

11) "A Igreja Ortodoxa se dirige aos jovens, que buscam de uma plenitude de vida repleta de liberdade, justiça, criatividade e também amor. Ela os convida a se unirem conscientemente à Igreja d'Aquele que é a Verdade e a Vida. (…) Os jovens não são apenas o futuro, mas também a dinâmica e o presente criativo da Igreja, tanto em nível local quanto em nível mundial."

12) "O Santo e Grande Concílio abriu o nosso horizonte ao mundo contemporâneo diverso e multifacetado. Ele enfatizou a nossa responsabilidade no espaço e no tempo, sempre com a perspectiva da eternidade."

Alguns dados conciliares

* Os participantes do Santo e Grande Concílio foram 156 bispos e não 290 como anunciado. Isso se deveu ao fato de que nem todas as Igrejas participantes tinham, na sua delegação, 25 bispos, ou seja, o primaz da Igreja mais 24 bispos. Polônia, Chipre, República Tcheca e Eslováquia tinham menos.

* A Igreja da Rússia espera os textos oficiais e definitivos para avaliá-los e, depois, se expressar.

* Alguns observam que as Igrejas ausentes somam a maioria dos fiéis representados.

* Alguns sites especializados relatam informações segundo as quais alguns bispos da Igreja da Grécia, do Chipre e da Sérvia não assinaram alguns textos finais.

* O Patriarcado de Moscou se prepara para avaliar os textos sinodais na reunião de julho do seu Santo Sínodo.

* Já o arcebispo Iov (Jó), responsável pela Sala de Imprensa do Concílio, quando perguntado por um jornalista russo, havia respondido que todas as decisões tomadas envolvem todas as Igrejas ortodoxas, incluindo também aquelas que não estavam presentes. E continuou: "Você vem de uma democracia, onde todos podem votar. Ora, alguns optam por não votar. Por acaso isso significa que eles não vivem em uma democracia?".

* O segundo responsável pelo Departamento de Relações Eclesiais Exteriores do Patriarcado de Moscou, Nicolai Balasof, aproveitou a oportunidade para lembrar que Moscou estava escutando. E comentou: "Entendo o esforço destes dias, mas estabelecer uma analogia entre um Sínodo da Igreja e um procedimento democrático não é oportuno nem adequado. Na Igreja, desde os tempos antigos, nunca houve democracia e nunca haverá". E concluiu que a democracia é uma regra da convivência humana, enquanto a força da Igreja provém de Deus. "Se os cânones da Igreja fossem examinados de acordo com os esquemas democráticos, surgiriam grandes perplexidades e embaraços. Por exemplo, nós não ordenamos mulheres bispas, e isso não é nada democrático. Assim como não é democrático permanecer no exercício da autoridade de forma vitalícia. Os mecanismos eclesiásticos são totalmente diferentes. No nível dos bispos, por força da 'homofonia', exige-se um comum acordo."

Fonte: ihu.unisinos.br
Foto: Reprodução

Add a comment

69JnctX

Os cristãos são o maior grupo religioso perseguido no mundo e suas condições continuam piorando em muitos dos países que enfrentam graves limites à liberdade religiosa. É o que afirma o mais recente Relatório sobre a liberdade religiosa, publicado pela fundação “Ajuda à Igreja que Sofre” (AIS).

Para sensibilizar mais a opinião pública ao tema da perseguição, a AIS iluminará a Fontana di Trevi de vermelho, simbolizando o sangue dos mártires cristãos mortos hoje por ódio à fé cristã (a Fontana de Trevi é a maior fonte luminosa de Roma).

Estima-se que os cristãos perseguidos no mundo inteiro são cerca de 200 milhões. E em muitas áreas as condições deles continuam piorando.

Na África, grupos jihadistas muçulmanos como Boko Haram e al Shabab ganham sempre mais terreno. Na Ásia, os fundamentalismos islâmico, hindu e budista se soma à perseguição perpetrada por regimes totalitários, como o norte-coreano.

Entre os cenários mais difíceis, obviamente, está o do Oriente Médio. No Iraque, de 2002 até hoje, a população cristã passou de um milhão para menos de 300 mil, com uma impressionante média de 60/100 mil que deixaram o país a cada ano. Se a tendência continuar, em apenas cinco anos a comunidade cristã deixará de existir no País do Golfo.

O patriarca caldeu de Bagdá, dom Louis Raphael I Sako, ressaltou a necessidade de crescer na opinião pública a consciência do martírio. “Infelizmente, perseguir os cristãos tornou-se um fenômeno difuso. Não somente no Iraque, mas em muitas partes do mundo e até no Ocidente, onde os fiéis são discriminados”.

Dom Louis recordou o valor do testemunho dos mártires cristãos: “Um modelo de amor total, fidelidade e sacrifício que deve levar todos a refletir. Nós, cristãos iraquianos, adquirimos força do testemunho de fé deles e temos a convicção de que o sangue dos mártires nos dará muita esperança e conseguirá mudar a situação atual”.

Também a Síria corre hoje o risco de acabar sem a presença de cristãos. Segundo o bispo caldeu de Aleppo, dom Antoine Audo, “de um milhão e meio de cristãos que viviam no país antes da guerra, restaram apenas 500 mil. O símbolo do êxodo de fiéis da Síria é a cidade-mártir de Aleppo, até 2011, reduto do cristianismo na Síria e casa de 160 mil fiéis. Hoje restam apenas 40 mil”.

Com informações da Rádio Vaticano
Imagem: Open Doors

Add a comment

Em resposta ao atual cenário de desconstrução do princípio de igualdade entre todas as pessoas e a natureza - baseado em preconceitos, xenofobias, discriminações, patriarcalismos e ações de retiradas de direitos universais, além do uso da força e a orientação do Estado para este fim -, a sociedade civil brasileira e internacional promoverá, no dia 1 de agosto, uma grande Vigília da Dignidade, no Rio de Janeiro, cidade que recepcionará os Jogos Olímpicos 2016. A atividade abrirá o calendário do movimento “Rio 2016: Jogos da Exclusão”, que promove atos entre os dias 2 e 5 de agosto também no Rio.

 r53435

Afirmando a dignidade dos seres humanos e do planeta Terra e defendendo os direitos humanos, as instituições e movimentos sociais convocam todos e todas para somarem suas vozes à iniciativa: “Sejamos no RIO a revelação de que o verdadeiro Espírito de Paz entre os Povos, de Dignidade e de Direitos, que um dia foi o ideal olímpico, está de fato em nossas mãos civis e em nossa vontade de responsabilidade pelo futuro”.

Globalmente e no Brasil estão envolvidos diversos atores de diferentes países e territórios, que se juntarão à Vigília da Dignidade, ponto de acolhida de todas as expressões: das populações deslocadas (refugiadas, pelas guerras, pelo modelo de desenvolvimento para poucos), das mulheres, das crianças, das diversas orientações sexuais e identidades de gênero, dos negros e negras, dos povos indígenas, dos amantes das cidades e do campo, dos que têm fé e dos que não têm e daquelas pessoas mobilizadas em movimentos sociais - todas e todos a enviar seu “fogo simbólico” à Tocha na Vigília da Dignidade.

Aderem à iniciativa:

Conselho Mundial de Igrejas (CMI), The Peoples Movement for Human Rights Learning (PDHRE), Unicef, Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (ABONG), Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil, Associação de Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Rio de Janeiro (Acquilerj), Brahma Kumaris, Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (CEAP), Centro Lúdico da Rocinha, Comissão Pastoral da Terra, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, FASE, Fórum Ecumênico ACT Brasil, Fé Baha´’í, Fórum Social Mundial 2016, Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), Instituto de Estudos da Religião (ISER), KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, Levante Popular da Juventude, Movimento Humanos Direitos (MHuD), Movimento Inter-Religioso (MIR), Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Observatório de Favelas, PAD - Articulação e Diálogo Internacional, Pastoral do Meio Ambiente da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Programa de Formação e Educação Comunitária (Profec), Rede Ecumênica da Juventude (REJU), Via Campesina.

Add a comment