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As mortes provocadas por aids e câncer começaram a ser combatidas com maior eficácia por meio de campanhas informativas, que estimulam as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. “Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda”, salienta Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.”
 
O “primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto”, salienta Paris, porque “não se faz prevenção em silêncio”. Desta forma, ele defende que o tema seja debatido de maneira séria e aberta em ambientes tão distintos como escolas, empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família, ou seja, “onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas”.
 
Paris está à frente de um universo de 2 mil voluntários espalhados pelo Brasil, que anualmente realizam mais de 1 milhão de atendimentos de brasileiros residentes no país e no exterior. “Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional”, explica.
 
A metodologia do CVV é “conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio”. Com isso, esperam que a pessoa se sinta fortalecida e busque atendimento médico ou de outros profissionais da área da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico.
 
Robert Gellert Paris Junior é empresário, formado em engenharia e trabalhou na área comercial por mais de 20 anos. É presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio - ABEPS e membro do board do Befrienders Worldwide, organização internacional que congrega entidades de 40 países que oferecem serviços voluntários de prevenção do suicídio.
 
Confira a entrevista.
 
IHU On-Line – O Centro de Valorização da Vida - CVV realiza mais de 1 milhão de atendimentos anuais no Brasil. São expressivos os casos de pessoas que manifestam a intenção de se matar?
 
Robert Paris – As pessoas que procuram o CVV geralmente o fazem por estarem em momentos difíceis, de naturezas variadas. Muitos expressam claramente desespero e/ou desesperança e comentam que pensam ou estão planejando se matar; muitos deixam a ideação suicida nas entrelinhas, pois às vezes a pessoa tem dificuldades de expressar essa intenção até mesmo anonimamente para um voluntário do CVV.
 
IHU On-Line – O CVV é apontado por especialistas como a principal referência à prevenção de suicídio no Brasil. Como ele opera? Que metodologia é empregada?
 
Robert Paris – Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional. Somos uma ONG independente, sem orientação religiosa e político-partidária, que se dedica a apoiar as pessoas que nos procuram, mantendo atendimento 24 horas, todos os dias. Nosso trabalho é como uma espécie de pronto-socorro emocional, com voluntários devidamente selecionados e preparados para acolher, sem julgamentos, qualquer pessoa que peça nossa ajuda. A proposta do CVV é conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio. Buscamos que essa pessoa possa se sentir fortalecida, inclusive para buscar atendimento médico ou de outros profissionais da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico. Pessoas em tratamento com profissionais da área de saúde mental também nos procuram pela disponibilidade constante e apoio que oferecemos.
 
IHU On-Line – A repercussão da série 13 Reasons Why, da Netflix, e a polêmica do jogo Baleia Azul, que estimulava crianças e adolescentes a cometerem suicídio, tiveram impacto nos atendimentos do CVV?
 
Robert Paris – Tivemos um aumento na procura pelo serviço do CVV e pelo curso de voluntariado em consequência do seriado 13 Reasons Why, especialmente no primeiro mês após seu lançamento. Acreditamos que, apesar das ressalvas que devem ser feitas à produção do seriado (tendo como base as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre a forma de abordagem do tema), as pessoas passaram a dar mais importância aos sinais de pensamentos suicidas, falar mais abertamente sobre suicídio e passaram a buscar mais ajuda. Em relação ao Baleia Azul (que não podemos considerar de maneira nenhuma um jogo, mas sim uma atitude criminosa), não percebemos expressiva repercussão dentro do CVV.
 
IHU On-Line – O suicídio é um problema de saúde pública. Os governos, em suas diversas instâncias, estão preparados para o enfrentamento desta questão?
 
Robert Paris – De uma maneira geral, os governos estão se preparando. Há poucos anos o tema “prevenção do suicídio” era raramente endereçado pela maioria das secretarias de Saúde e mesmo no ministério. Hoje temos um movimento iniciado no Ministério da Saúde com a organização e análise dos dados sobre suicídio, o que permite a melhor elaboração de estratégias de ação de prevenção. Em decorrência disso, houve a criação pelo Ministério da Saúde da linha telefônica de emergência para prevenção do suicídio, outorgada ao CVV, de número 188, para ligações sem tarifação, em implantação gradual em todo o país.
 
IHU On-Line – Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. O que fazer para prevenir que pessoas eliminem a própria vida?
 
Robert Paris – O primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto. Não se faz prevenção em silêncio. Só foi possível mudar os números de mortes por aids e câncer com campanhas informativas, estimulando as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda. Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.
 
IHU On-Line – Há muito tabu e preconceito em relação ao suicídio. Isso atrapalha que o tema seja abordado de maneira mais clara e objetiva? Onde se deve discutir o assunto?
 
Robert Paris – O CVV entende que esse assunto pode e deveria ser debatido de forma séria e aberta em escolas, RH das empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família – ou seja, onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas. É o mesmo caminho trilhado pela prevenção de DSTs [doenças sexualmente transmissíveis], por exemplo, que hoje já é abordado por muitos lares na educação de filhos. Há não muitos anos existia o tabu de que falar sobre suicídio poderia incentivá-lo; hoje esse tabu está sendo quebrado e, principalmente neste ano, em especial na campanha do Setembro Amarelo, foram muitas as iniciativas de esclarecimento. Esperamos que passe a ser discutido amplamente, em breve.
 
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
 
Robert Paris – O CVV é uma ONG com 55 anos de trabalho voluntário, oferecido gratuitamente. Fomos nos adaptando à evolução dos meios de comunicação, agregando ao telefone outras formas de atendimento, como chat, e-mail e Skype. Nossos voluntários já estão atendendo remotamente, sem necessariamente se deslocarem para um dos 80 postos de atendimento. Porém, o que não muda é a necessidade de termos sempre novos voluntários. São pessoas sem uma formação técnica específica, com pelo menos 18 anos de idade e disponibilidade de quatro horas por semana para o trabalho. A inscrição é feita pela internet. Elas participam de um programa de formação e, uma vez que se identificarem com a causa e os valores do CVV e aprenderem a forma de atuação, começam seus plantões de atendimento. Hoje somos cerca de 2 mil voluntários em todo o Brasil recebendo contatos de brasileiros, inclusive residentes em outros países.
 
Fonte: IHU On-Line
Foto: Reprodução

 
 
 
Que o Brasil é um país cheio de detalhes burocráticos para empresas funcionarem não é novidade para ninguém. Agora, o que muita gente pode não saber é que igrejas e outras organizações religiosas também precisam se preocupar com esses pormenores. Com a finalidade de auxiliar essas instituições, o consultor Jonatas Nascimento publicou a Cartilha da Igreja Legal. Um livro detalhando diversos aspectos financeiros, administrativos e trabalhistas aos quais as igrejas devem dar atenção para funcionar corretamente.
 
Especializado em contabilidade eclesiástica, direcionada a organizações religiosas, Jonatas Nascimento explica que as igrejas devem cumprir uma série de exigências, tanto no âmbito jurídico quanto trabalhista, de modo a exercer suas funções dentro da lei. Também é necessário que essas instituições providenciem os certificados referentes ao edifício, como licenças da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros. De acordo com o consultor, é preciso ainda respeitar as obrigações financeiras.
 
-Eu diria que toda igreja precisa observar as leis brasileiras para então se estabelecer. Não é porque igreja goza de imunidade tributária, que deve achar que está fora do alcance dos obrigações acessórias inerentes a elas. A igreja que deixar de cumprir suas obrigações acessórias, sofrerá múltiplas multas; especialmente por parte da Receita Federal – afirma.
 
Porém, mesmo seguindo essas obrigações, nem todas conseguem ser bem-sucedidas. O principal aspecto no qual muitas igrejas falham, segundo Jonatas, é não dar a devida atenção à área contábil, seja com a falta de profissionais em seus quadros, ou na prestação dos documentos necessários para manter a organização legalizada.
 
– É necessário que a igreja contrate os serviços de um profissional da área contábil. E para que esse profissional consiga trabalhar para a igreja, é necessário que a igreja forneça a ele os documentos comprobatórios de suas receitas e despesas – destaca.
 
Para o consultor, o problema que muitas instituições enfrentam ao se descuidarem das questões administrativas e financeiras é cultural. Principalmente porque os pastores não são preparados, em seus estudos, para lidar com esses aspectos legais. Ele explica que o problema atinge igrejas de todos os tamanhos, grandes ou pequenas, já que nem todas estão bem aparelhadas, nessa questão, ou olham para sua administração de maneira profissional.
 
– As próprias escolas de teologia e seminários não se preocuparam em preparar os pastores para assuntos administrativos e eclesiásticos senão há pouquíssimo tempo. As nossas igrejas ficam muito preocupadas com a propagação do Evangelho e demais projetos de cunho espiritual ou social e se esquecem de outros fatores que são importantes e até mesmo determinantes para a sua continuidade – ressalta.
 
Jonatas Nascimento destaca a necessidade de as organizações religiosas estabelecerem um padrão de gestão eficaz para cumprirem suas obrigações fiscais. O consultor também apresenta algumas dicas para itens importantes que precisam ser respeitados para que as igrejas mantenham sua imunidade tributária:
 
- Não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;
 
- Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais;
 
- Manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
 
- Conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contando da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial;
 
- Apresentar, anualmente, Declarações de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal;
 
- Recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem como cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes;
 
- Assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público.
 
Fonte: Pleno.News
Imagem: Reprodução

 
 
A leitura da Bíblia a serviço da liberdade e na defesa dos direitos das mulheres nos impõe a não aceitar que a decisão sobre a vida das mulheres violentadas seja conduzida por homens com seus poderes muitas vezes pagos e por interesses moralistas e religiosos.
 
A pergunta que fazemos: quem está a defender a PEC 181 (que tende a proibir a interrupção da gravidez nos casos em que já é legal, sendo: estupro, anencefalia e risco de morte para a mãe) em algum momento escutou o choro de quem sofreu a violência em seus corpos?
 
A aprovação de tal PEC cai na armadilha moral de livrar quem pratica violência e culpabilizar as mulheres com seus corpos machucados, violentados, abusados (ab-usados).
 
Tal situação nos remete à condição de muitas mulheres na Bíblia, prisioneiras de uma sociedade e de sua religião androcêntrica, patriarcal, sacrificial, violenta e culpabilizadora, através da teologia de pecado. Sacerdotes, juízes, reis, pais, maridos e irmãos decidiam sobre a vida e o corpo das mulheres.
 
A mulher do levita, em Jz 19, é uma das memórias das mulheres numa sociedade que não escuta as vozes da margem. Ela foi violentada, estuprada, morta. As marcas da violência em seu corpo são a prova de quem, com as forças que teve, lutou e ousou se rebelar. Sua morte na porta da casa é memória dessa luta. E sinal de que não deram a ela o simples direito de decidir.
 
É imprescindível que as mulheres possam participar das decisões sobre seus corpos, seus passos e seu futuro. Em nome da fé em Jesus Cristo, o CEBI e o dinamismo da leitura da Bíblia a partir dos pobres e marginalizados/as da sociedade vêm a interpelar que a luta das mulheres por dignidade e a liberdade prevaleça sobre moralismos e aprisionamentos.
 
A Direção Nacional do CEBI.
 

 
 
Ainda no clima das tantas reflexões relacionadas aos 500 anos da Reforma Protestante, celebrados no dia 31 de outubro, vale recordar um forte desafio: como compreender e conviver com a diversidade de igrejas e grupos? Como lidar com as tantas manifestações de segregação e intolerância da parte de evangélicos, contra evangélicos e entre evangélicos mesmos?
 
Religiões são a representação da busca do ser humano pelo sagrado, pelo transcendente, mas são projetos humanos, que refletem características humanas. Apesar de defender e apresentar imagens do sagrado como amor, compaixão, misericórdia, como projetos humanos, as religiões são também marcadas por manifestações de exclusivismo (apropriação de uma compreensão como única verdade), competição, disputa de poder, desprezo à dimensão da alteridade, negação do diálogo.
 
Entre os cristãos, o protestantismo assentado na perspectiva da liberdade e cujo governo é descentralizado (diferente do catolicismo), acaba por tornar possível a profusão de diferentes denominações e se configura em um grande mosaico de igrejas e vertentes.
 
É preciso reconhecer ser um direito que grupos tenham a liberdade de se articular para expressar e viver a sua fé. Entretanto, o que é negativo para a história da humanidade é a construção de muros, a rejeição e a competição entre os diferentes segmentos religiosos.
 
Um dos movimentos protestantes mais significativos do século XX, nasce de seres humanos sensíveis a esta realidade, inspirados nos ventos dos humanismos que sopravam entre cristãos no século XIX. Estes ventos levaram estes  a retornar às bases cristãs do respeito, da misericórdia, do diálogo, do entendimento.
 
Em especial, inspiravam-se no trecho do Evangelho de João, na Bíblia, que traz uma oração de Jesus de Nazaré. Nela, Jesus pede a Deus por seus seguidores daquele presente e do futuro: “Que eles sejam um para que o mundo creia que tu me enviaste”. 
 
Surge então o movimento ecumênico, alicerçado no respeito às diferenças, na superação das tensões em torno de divergências e na busca de diálogo, na comunhão e na cooperação entre os diferentes cristãos e as distintas religiões em ações em prol da paz e da justiça. A ênfase no relacionamento entre os diferentes grupos passa a se assentar nas bases da fé que unem e não no que divide.
 
O termo ecumenismo vem do grego oikoumene (ecumene), que quer dizer “mundo habitado”, “casa comum”.  Recupera-se com ele a compreensão de fé sobre a casa de todos, o mundo criado por Deus que precisa ser cuidado, para que os indivíduos e tudo o mais que nele existe vivam de acordo com o projeto do Criador baseado em harmonia, comunhão, justiça e paz.
 
O movimento ecumênico e o princípio do ecumenismo brotaram de ações de protestantes que se uniam em muitas frentes desde o século XIX: movimentos de jovens, de missionários, de educadores, de mulheres, de pacifistas, de grupos que atuavam na restauração de cidadãos e povos nas situações de guerra, de quem se unia em torno de práticas de oração e de estudo da Bíblia. Gente sensível que enfatizava os elementos do Cristianismo, que chamavam à aproximação e à cooperação incondicionais em nome da justiça e da paz.
 
O ecumenismo passa a se configurar numa diversidade enorme de experiências espalhadas pelo mundo. Entre elas o Conselho Mundial de Igrejas, que surge no ano de 1948, a partir da fusão de uma série de movimentos consolidados, e encontra-se, quase 70 anos depois, em plena atividade.  
 
No Brasil, além dos movimentos estudantis cristãos desde os anos 1920, a Confederação Evangélica do Brasil, fundada em 1934, marcou a história do protestantismo no País. Foi marcada por atividades como o Setor de Responsabilidade Social da Igreja (Departamento de Estudos), o Departamento de Ação Social (com o importante trabalho relacionado à imigração), o Departamento da Mocidade (Juventude), prestação de serviços à mídia (para uma digna cobertura das atividades das igrejas evangélicas), entre outras.
 
A ditadura civil-militar, imposta ao País em 1964, teve ação repressiva devastadora sobre os organismos ecumênicos brasileiros. Lideranças foram perseguidas, presas, torturadas, mortas, exiladas. Os ideais cristãos calcados na justiça e na paz sobreviveram à custa de muita perseverança em tornos do princípio do ecumenismo e de ações subversivas. Isto tornou possível que o movimento ecumênico brasileiro continue vivo na forma de muitas organizações de igrejas, de jovens, de promoção humana, de estudos.
 
É fato que há muita suspeita e reação ao ecumenismo por conta de exclusivismos, de competição e de indiferença com as possibilidades de encontro e cooperação, que predominam entre os segmentos evangélicos. É sempre importante, porém, lembrar que entre estes há muita gente sensível ao desafio de se derrubar muros e construir pontes, que aproximem não apenas cristãos e outros grupos religiosos, mas também as outras tantas parcelas de um mundo cada vez mais dividido.
 
Fonte: Carta Capital

 
 
O dinheiro nem sempre é tudo. O grande projeto tributário do presidente Donald Trump encontrou um adversário inesperado: 400 milionários e bilionários assinaram uma carta pedindo ao Congresso para não reduzir seus impostos. A missiva, firmada por nomes como George Soros e Steven Rockefeller, considera que a redução de impostos só favorecerá a desigualdade e aumentará a dívida. “Acreditamos firmemente que a forma de criar mais empregos de qualidade e fortalecer a economia não é reduzindo os impostos de quem tem mais, mas investindo no povo norte-americano”, diz o texto.
 
“Esse corte é absurdo. Segundo os republicanos, não podemos nos permitir gastar mais dinheiro público, mas podemos reduzir os impostos dos mais ricos. Isso não faz sentido”, afirmou Bob Crandall, ex-presidente da American Airlines e um dos signatários da carta. Promovida pela Responsible Wealth (Riqueza Responsável), organização próxima aos democratas e à qual também pertencem os fundadores da marca de sorvetes Ben & Jerry's, a designer Eileen Fischer e outros milionários, a carta está em sintonia com a grande tradição da filantropia norte-americana. “Somos ricos profundamente preocupados com nossa nação e nossa gente, e escrevemos com um único pedido: não reduzam nossos impostos”, começa o texto.
 
Já com outros presidentes, potentados como Bill Gates e Warren Buffet, considerados os dois homens mais ricos do planeta, declararam-se a favor de pagar mais. “Enquanto as classes médias e baixas combatem por nós no Afeganistão, enquanto os norte-americanos lutam para ganhar vida, nós os megarricos, continuamos tendo isenções fiscais extraordinárias”, escreveu Buffet a Barack Obama em 2011. Naquele momento, o principal acionista da Berkshire Hathaway recolhia 17%, quando seus funcionários pagavam acima de 33%.
 
Agora a batalha se repete, mas com um golpe adicional à credibilidade de Trump. Diferentemente de outras épocas, a Casa Branca declarou que seu projeto mantém intacta a pressão tributária sobre os mais ricos. Mas uma leitura atenta dos documentos enviados ao Senado e à Câmara dos Representantes mostra que os cortes são múltiplos. A iniciativa enviada à Câmara Baixa não só reduz de 39,6% para 38,5% o teto tributário dos casais que ganham mais de um milhão de dólares (3,3 milhões de reais) por ano como também elimina o imposto sobre as sucessões, pago por 5.000 famílias todo ano e que se circunscreve a heranças acima dos 5,49 milhões de dólares.
 
“Cortar esse imposto acarretaria perdas de 269 bilhões de dólares em uma década, mais do que se gasta em conjunto na Agência do Medicamento, no Centro de Controle de Doenças e na Agência de Proteção Ambiental”, indica a carta. “Não é justo nem inteligente proporcionar uma redução tributária aos ricos à custa das famílias trabalhadoras, especialmente se se financia desmantelando programas que permitem cobrir necessidades fundamentais como a saúde e a alimentação”, acrescenta.
 
A Casa Branca ainda não respondeu. Mas ninguém ignora que o assunto é altamente inflamável. A redução de impostos é um dos grandes trunfos eleitorais de Trump. Um presidente multimilionário que fez de sua pretensa habilidade de administrar a economia uma marca de identidade. Ele mesmo apresentou sua proposta como “a maior redução tributária da história dos Estados Unidos”. Mas, por trás das grandes palavras, as fissuras são evidentes.
 
Os cálculos mais conservadores estabelecem que a redução tributária aumentará a dívida pública em 1,5 trilhão de dólares em 10 anos. Uma alta difícil de assimilar para cofres que já devem 20 trilhões e que no próximo decênio aumentarão a carga em outros 10 trilhões.
 
A resposta oficial a esse desequilíbrio é o otimismo reaganiano. Os republicanos, com Trump à frente, sustentam que a redução desencadeará uma onda de investimentos de tal magnitude que destravará o crescimento e permitirá rapidamente compensar a perda tributária. “Nosso plano foi pensado para favorecer o investimento”, resumiu o conselheiro econômico da Casa Branca, Gary Cohn.
 
Os democratas desconfiam dessa previsão. E os milionários que assinam a carta também. Para eles, as empresas já alcançaram benefícios recordes e vivem dias de enorme bonança. Consideram mais importante direcionar os recursos públicos para a educação, a saúde e a pesquisa. Áreas em que Trump acionou a guilhotina. “Eu ganho muito dinheiro. Se minha renda cresce, não penso investir mais, simplesmente pouparei mais”, sentenciou Crandall. E não é o único.
 
Fonte: El País
Foto: Jonathan Larsen/Getty Images/iStockphoto

 
 
Vinte e cinco anos depois que cientistas do mundo todo lançaram um "alerta para a humanidade" sobre os perigos para o meio ambiente, uma nova atualização divulgada nesta segunda-feira (13) diz que a maioria das ameaças ao planeta está ficando "muito pior".
 
A carta foi assinada por 15.364 cientistas de 184 países, denominada "Alerta dos cientistas do mundo para a humanidade: um segundo aviso" e publicada pela revista científica "BioScience".
 
A versão inicial, lançada em 1992 pela Union of Concerned Scientists, foi assinada por 1,7 mil especialistas.
 
Desde então, quase todas as principais ameaças ao meio ambiente se tornaram mais graves, em particular a crescente população mundial, que adicionou dois bilhões de pessoas ao planeta desde 1992, um aumento de 35%, de acordo com a atualização.
 
Outras grandes ameaças são o aquecimento global e as constantes emissões de carbono geradas pelo uso de combustíveis fósseis, bem como as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos.
 
Os animais estão sofrendo como resultado das atividades humanas e estão desaparecendo a um ritmo sem precedentes.
 
"Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século", lembrou o documento.
 
A carta destaca 13 passos que devem ser tomados, incluindo ampliar o acesso aos métodos contraceptivos, "estimar um tamanho de população humana sustentável e respaldado cientificamente a longo prazo" e mobilizar "nações e líderes para apoiar esse objetivo fundamental".
 
Outras medidas incluem promover dietas à base de plantas e energias renováveis, e ao mesmo tempo eliminar os subsídios para combustíveis fósseis.
 
A desigualdade de renda deve ser corrigida e "os preços, a tributação e os sistemas de incentivo (devem) levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao nosso meio ambiente".
 
Na natureza, as reservas protegidas devem ser estabelecidas "em uma proporção significativa do planeta", e o tráfico de animais silvestres e a caça furtiva ilegal devem parar.
 
"Para evitar a miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade, a humanidade deve praticar uma alternativa mais sustentável aos negócios", afirmou a carta, acrescentando que "em breve, será tarde demais para mudar o curso da nossa trajetória fracassada, e o tempo está acabando".
 
Fonte: G1

 
 
O Papa Francisco nomeou duas italianas como subsecretárias do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, departamento presidido pelo Cardeal Kevin Farrell.
 
O Vaticano fez o anúncio no dia 7 de novembro, e deu os nomes e perfis profissionais delas: a professora Gabriella Gambino e a doutora Linda Ghisoni. Elas agora se tornam autoridades de terceiro escalão no referido dicastério e são mais uma prova da determinação do papa em designar cargos importantes para mulheres na Cúria Romana.
 
Gambino e Ghisoni já colaboraram profissionalmente com o Pontifício Conselho para os Leigos, de 2013 a 2016, então poderão assumir os respectivos postos a todo vapor, por assim dizer.
 
A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 07-11-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
 
No anúncio, o Vaticano informa que o papa nomeou a professora Gambino, de 49 anos, para ser a subsecretária do departamento para a vida deste dicastério. Natural de Milão, ela se formou em ciência política pela Universidade de Milão em 1995 e, em seguida, cursou doutorado em bioética pelo Instituto de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma.
 
De 2001 a 2007, lecionou e coordenou pesquisas em bioética na Libera Università Internazionale degli Studi Sociali, em Roma. Em 2002, foi nomeada especialista científica do Comitê Nacional de Bioética, órgão anexado ao gabinete do primeiro-ministro italiano. Colaborou com o Pontifício Conselho para os Leigos e com a Pontifícia Academia para a Vida entre os anos de 2013 a 2016, e em 2017 foi professora visitante do instituto de bioética da Universidade Católica de Salvador.
 
Na época de sua nomeação, Gambino era professora de bioética na faculdade de filosofia da Universidade de Roma Tor Vergata e professora pesquisadora associada da faculdade de jurisprudência da mesma instituição, bem como professora do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família e da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. É casada e mãe de cinco.
 
Francisco também nomeou a Dra. Linda Ghisoni, de 52 anos, como subsecretária para o mesmo dicastério voltado aos leigos, à família e à vida.
 
Nascida em Piacenza, no norte da Itália, Ghisoni formou-se em filosofia e teologia pela Universidade de Tübingen, na Alemanha, em 1991, e doutorou-se em direito canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, em 1999. Após isso, recebeu o diploma em Práxis Administrativa pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 1994, e um segundo diploma de advogada no Tribunal da Rota Romana, em 2002. É casada e mãe de duas filhas.
 
Com suas qualificações, Ghisoni atuou numa ampla gama de papéis, tanto no Vicariato de Roma quanto no Tribunal da Rota Romana, onde lidou com os casos de anulação matrimonial. Ela colaborou com o Pontifício Conselho para os Leigos de 2013 a 2016 em estudos especializados relativos aos leigos na Igreja.
 
Na época da nomeação, atuava como juíza do tribunal matrimonial do Vicariato de Roma, professora de direito canônico da Gregoriana e professora no departamento de direito da Universidade Roma Tre.
 
Quando conservei com o Cardeal Farrell alguns meses atrás, ele enfatizou que “os leigos têm uma vocação a ser desempenhada na Igreja”. Como Francisco, disse ele, “estou firmemente convencido de que o futuro da Igreja depende deles”, acrescentou o Cardeal, para completar: “Sempre senti a necessidade de promover os leigos dentro da Igreja e dentro de sua organização”.
 
Na entrevista, o cardeal enfatizou o fato de que os novos estatutos do dicastério propõem que leigos qualificados assumam postos-chaves. O prefeito deve ser um cardeal, mas o secretário – posto número dois – poderia ser dado a um leigo, disse, porém “A pessoa que dirige o departamento dos leigos tem que entender tudo sobre movimentos dentro da lei da igreja e de direito canônico”. A nomeação de Ghisoni, hoje, preenche estes critérios.
 
Estas duas nomeações são as mais recentes desde que o Papa Francisco estabeleceu o novo dicastério vaticano para os leigos, a família e a vida, incorporando, num único departamento, três conselhos que eram, antes, independentes entre si. Ele em seguida começou a reforma deste novo dicastério. Deu a si um tempo para nomear leigos a postos centrais e para internacionalizar o departamento. Porém, como o cardeal havia me dito, “tem sido uma briga encontrar leigos competentes para preencher estes cargos”.
 
Em maio passado, Francisco nomeou o padre brasileiro, de 46 anos, Alexandre Awi Mello, diretor nacional do movimento Schoenstatt no Brasil, a quem veio a conhecer na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, para ser o secretário desse departamento.
 
Naquele mesmo mês, o pontífice nomeou a espanhola Marta Rodriguez, leiga consagrada do Regnum Christi (grupo de leigos da Legião de Cristo), então diretora do Instituto de Altos Estudos das Mulheres, do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (dos legionários de Cristo) em Roma, para ser a primeira diretora do departamento para assuntos da mulher no novo dicastério.
 
O Papa Francisco deverá fazer outras nomeações também, provavelmente antes do Natal.
 
Fonte: IHU Unisinos / America
Foto: Reuters / Tony Gentile

A Missão Ecumênica Pau d´Arco realizou, entre os dias 08 e 10 de novembro, incursões ao Sudeste paraense, em solidariedade aos massacres e desapropriações de terra que vêm ganhando força na região devido aos conflitos fundiários. A ação contou com realização do Fórum Ecumênico Brasil (FeBrasil), Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD), organização do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, Diocese de Marabá, Conceição do Araguaia e Xinguara, e apoio da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e das agências internacionais Misereor, Brot für die Welt, Christian Aid, Heks Eper e Fundação Ford.
 
 
 
O Brasil é campeão de assassinatos de ativistas e defensores do meio ambiente no mundo, de acordo com a ONG Global Witness. Segundo dados da CPT, de 2010 a 2015 ocorreram 210 mortes e 300 tentativas de homicídio devido a conflitos de terra. Só em 2016 foram registrados 25 casos de assassinatos e até agosto de 2017 já foram mortos 59 defensores e defensoras de direitos humanos que atuam na luta pela terra. Hoje uma grande parcela (18 assassinatos) foi registrada no Estado do Pará.
 
Tendo em vista essa realidade, os objetivos da Missão Ecumênica são prestar solidariedade às famílias e comunidades atingidas pela violência no campo; comprometer as igrejas e pastorais para se posicionarem contra a violência no campo; incidir junto aos órgãos do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário; e ampliar a visibilidade dos acontecimentos locais para o mundo.
 
Visita a Pau d´Arco
 
Em 24 de maio de 2017, dez trabalhadores rurais (uma mulher e nove homens) foram brutalmente assassinados no município de Pau d´Arco (Sudeste paraense), na fazenda Santa Lúcia. A chacina de Pau d´Arco é considerada o pior massacre por conflito agrário desde a chacina de Eldorado dos Carajás em 1996.
 
Um dos sobreviventes, que presenciou de perto o assassinato de seus companheiros e companheira pela força policial, relembra os momentos da madrugada de terror daquele dia 24. “Quando deu umas 18h [do dia 23], vimos a polícia chegando. Mas a polícia de norma sempre vinha pra ver se estava tudo bem, eles nunca faziam isso que eles fizeram. Então a gente não ficou com receio de eles virem pra matar. Ninguém imaginava isso. Daí, nós dormimos. Quando deu umas 5h, 6h, aí nós ouvimos de novo outro carro chegando, batendo porta. Os meninos foram lá e, quando viram, eles já estavam descendo o caminho pra represa e uns estavam de capuz. Aí já assustou a forma que eles estavam vindo, tudo metralhado, quebrando tudo, as panelas. Tinham uns lá na turma nossa que assustou e correram com medo”, relata, em detalhes.
 
E foi neste momento, segundo a fonte (cuja identidade não será revelada por motivo de segurança), que a polícia percebeu o local onde o grupo estava. “Aí começou a chover, muita chuva e relâmpago. Dava pra ouvir eles chegando. Eu escutei: “não corre não, se não vai morrer, bando de bandido. Foram falando e atirando, não deu chance nenhuma. Ali, como a gente estava, dava pra prender todo mundo, sem ter matado e batido em ninguém. Foi um susto tão grande, que o pessoal se embolou por cima da lona, um caindo por cima do outro. Quando eu consegui levantar pra correr, levei um tiro nas costas e caí. Eu olhei, tinha um matinho, uma moita, eu consegui ir pra lá. Foi quando eu ouvi a polícia: “não corre não, se não morre. Mas era com alguém deles, eu achei que era comigo, aí eu parei, fiquei imóvel ali”.
 
Escondido atrás de babaçus, a uns 15 metros do local dos assassinatos, a fonte ouviu o espancamento e morte violenta de cada um do grupo de dez pessoas. “Se eu olhasse pra trás, dava pra eu ver, mas eu estava em choque, só ouvindo eles pisando, massacrando, batendo nos meninos, muita pancada e tiro e humilhando. E a dona Jane [Jane Júlia de Oliveira, a única mulher entre os assassinados], ‘não, não faz isso com os meninos, não’. E eles, “era tu que nós queria mesmo’ [ela era liderança do acampamento]. Eles atiraram muitas vezes na dona Jane [que também teve a perna quebrada]. Eu escutei os meninos chorando, dizendo ‘por favor, a gente não vai correr não, a gente está quieto senhor’. E aí começaram a atirar. Atiraram muito. Mas foi coisa de muito tiro, fiquei sufocado com aquele cheiro de pólvora. Quando eu vi que não era comigo o ‘não corre’, foi quando eu consegui rastejar pra uma moita. Fiquei escondido no capim, esperando, a polícia rodeando, atirando. Eles riam, riam”, destaca, desolado.
 
Segundo o entrevistado, a polícia chegou ao local do massacre por volta de 5h horas da manhã e só deixou a região seis horas depois, às 11h do dia 24 de maio.
 
Giodete Oliveira Santos, parente de sete dos trabalhadores e trabalhadora assassinados, era amiga próxima de Jane. “Não foi só uma mulher que eles mataram. Mataram uma mãe, uma filha, uma amiga. Nossa, pra mim ela era tudo. Eles [foram dois sobreviventes] falam que eles pediram muito pra não fazer aquilo. Porque eles se entregaram, sabe? E mesmo assim eles mataram. Eu ainda vivo porque eu estou nessa luta por eles. Mas eu não falo nem vida, porque a gente para. A gente não vive não”.
 
Durante a visita à comunidade de Pau d´Arco, Thiago Valentim, que integra a coordenação executiva da CPT, informou aos trabalhadores e trabalhadoras rurais presentes que, além de prestar solidariedade e conhecer de perto a realidade da região, a Missão levará o compromisso de convocar forças para pressionar o Governo Federal, especificamente o Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária], para que dê celeridade na garantia de terra para a comunidade.
 
Ato ecumênico
 
“Jane Júlia de Oliveira, presente!
Oseir Rodrigues da Silva, presente!
Hércules Santos de Oliveira, presente!
Regivaldo Pereira da Silva, presente!
Ronaldo Pereira de Sousa, presente!
Bruno Henrique Pereira Gomes, presente!
Antônio Pereira Milhomen, presente!
Nelson Souza Milhomem, presente!
Weldson Pereira Milhomem, presente!
Weclebson Pereira Milhomem, presente!”
 
Aos brados, em homenagem aos dez trabalhadores e trabalhadoras massacrados em Pau d´Arco, teve início o Ato Ecumênico realizado pela Missão, no município de Marabá. A celebração ecumênica contou com a presença do bispo de Conceição do Araguaia, Dom Dominique Marie Jean Denis You.
 
Familiares dos assassinados estiveram presentes na celebração. Régis Marcos perdeu sete pessoas da família – dos dez assassinados. “O que ficou ainda é a dor, o desespero, é o sentimento de revolta, de injustiça, porque foram dez vidas, dez seres humanos, e só da nossa família foram sete pessoas. Eu perdi meu irmão, perdi meus dois primos, meus dois tios e a minha tia. A minha tia aqui presente perdeu dois filhos que cuidavam dela e hoje em dia, nós, os mais próximos cuidamos dela, os sobrinhos, as sobrinhas, e alguns irmãos que ainda ficaram, porque foram dois irmãos dela assassinados”, detalha, revelando a completa desestruturação familiar.
 
“Eles tiraram tudo da gente. Tudo. Não só a vida dos nossos familiares, mas a dignidade da família. A gente não pode ter o direito de ter um velório digno, ninguém pode se despedir de seus familiares, ninguém viu eles pela última vez porque o Estado fez a covardia de assassiná-los e nem os corpos entregaram pra gente. E quando vieram entregar os corpos pra nós, já estavam todos em estado de putrefação. A gente não teve o direito de dar o último adeus”, denuncia.
 
Régis Marcos ressalta que o que eles desejam é justiça. “A gente quer um grito de liberdade, de todos terem o direito a um pedaço de terra, de plantar, de cultivar. Porque de quem é a terra? A terra é de quem quer trabalhar. Aí se resume a meio grupo de latifundiários que se apodera de tudo e nós voltamos a ser aqueles escravos de tantos anos atrás. Escravidão acabou? Onde que acabou?”, relativiza.
 
A necessidade de que as igrejas se posicionem de maneira firme e constante é apontada pelo Reverendo Luiz Carlos Gabas, integrante da Missão. “É muito confortável para a Igreja, quando nós só nos dedicamos à oração, ao louvor, às idas aos templos. E nós precisamos como Jesus estar no meio do povo, atentos às necessidades do povo, preocupados com a sorte dos pobres. É uma exigência evangélica. É muito confortável a gente pensar em uma igreja que prepara as pessoas para a salvação depois da morte. Igreja tem que se preocupar com a vida das pessoas. O céu tem que começar aqui. E céu é o que? É terra, é comida, é casa, é saúde, educação. Então como lideranças religiosas, que a gente se comprometa a não nos calarmos diante de nenhuma forma de injustiça. Eu vou repetir o que é muito presente no Movimento Sem Terra. Diante da morte, diante da violência, nem um minuto de silêncio”, conclama os presentes.
 
Além das organizações realizadoras e que organizaram a missão, estiveram presentes durante toda a missão representações da Igreja Presbiteriana Independente, Igreja Presbiteriana Unida, Aliança de Batistas do Brasil, Paróquia da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, familiares dos trabalhadores e trabalhadora assassinados, Conselho Indigenista Missionário, Movimento de Trabalhadores Sem Terra. Prestaram apoio à missão a Pastoral da Juventude, irmãs leigas, comunidades eclesiais de base, movimento estudantil, Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura  regional, Movimento dos Atingidos por Barragens, estudantes de direito a terra e docentes da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará.
 
Reunião no Ministério Público
 
Uma reunião no Ministério Público do Estado do Pará foi realizada, como forma de incidência junto ao poder público local e para acompanhar o andamento das investigações do massacre de Pau d´arco. No momento, os 17 policiais envolvidos na chacina estão presos.
 
De acordo com os promotores criminais destacados para o caso, Alfredo Martins de Amorim e Leonardo Jorge Lima Caldas, é preciso estar atento e fazer pressão durante o inquérito e julgamento em júri popular – este último ainda sem data prevista para acontecer. A estratégia da defesa dos policiais será desqualificar as vítimas para justificar a conduta dos policiais. “A justificativa vai ser essa, que o que a polícia fez ali foi uma faxina social, uma benesse para a sociedade”, explica o promotor Leonardo Caldas.
 
Os promotores ainda afirmam que um dos fatores que levaram à prisão dos executores foi o fato da investigação ter sido realizada pela Polícia Federal, com equipe especializada trazida de fora da região. “Com o fechamento dessa etapa, a equipe acabou saindo. O inquérito continua, mas nossa luta é que essa equipe volte para essa segunda instância. Até porque pra não ficar naquele clichê, os executores foram identificados, então cumprimos nosso papel, quando a gente sabe, pelo que ficou apurado, que tem algo a mais nisso aí. Se existem indícios de que houve um patrocínio, é dever do Ministério Público ir atrás”, assegura Caldas.
 
De acordo com dados da Anistia Internacional, um levantamento no Pará mostrou que trinta dos quarenta municípios do sul e sudeste do Estado têm taxa de 100% de impunidade em relação aos assassinatos de trabalhadores e trabalhadoras rurais nos últimos 43 anos.
 
Acampamento Hugo Chávez
 
Aproveitando a presença na região, a Missão Ecumênica Pau d´Arco não poderia deixar de conhecer de perto a problemática de desapropriações de terra no Sul e Sudeste do Pará. Um total de 1200 famílias serão despejadas de suas casas só neste mês de dezembro. No acampamento Hugo Chávez, a 40 km do município de Marabá, serão 300 famílias expulsas de suas residências.
 
A Fazenda Santa Tereza [onde se estabeleceu, há três anos, o Acampamento Hugo Chavéz] é, supostamente, de propriedade de Rafael Saldanha. Supostamente porque há indícios de que a fazenda localiza-se em terra pública e tenha sido grilada pela família Saldanha. “Então, não estamos em área particular, estamos em terra pública, área do Estado, área que deveria ser destinada à reforma agrária para assentar essas famílias que não tem terra e que não tem condições de comprar essa terra”, esclarece a pedagoga e acampada Polliane Soares.
 
Em negociações entre o Incra e a família Saldanha, o órgão público se dispôs a comprar a área por 8 milhões, mas o fazendeiro Rafael Saldanha não aceitou. A partir desse momento foi arquivado o processo de negociação da área e foi pedida a reintegração de posse, protocolada em outubro do ano passado. Agora a reintegração está marcada para daqui um mês, em 13 de dezembro de 2017.
 
A acampada Polliane Soares conta que a convivência com os proprietários da fazenda nunca foi pacífica. “Em 2014, quando da ocupação, nós tivemos vários períodos de ataques constantes da pistolagem da fazenda. Tivemos nossas roças queimadas, incendiadas. Agora, em 2017, a gente teve um episódio em julho, quando a mando do fazendeiro os pistoleiros atearam fogo nas nossas roças, passaram atirando na frente do acampamento e atearam fogo ao redor dele, com o intuito de queimar as famílias que vivem aqui. Nós já tivemos episódios de perder nossos barracos, de pistoleiros entrarem à noite no acampamento e atearem fogo no barraco com as famílias dentro, e aí a pessoa acordou no meio da noite com o barraco pegando fogo, saiu correndo, deixando tudo pra trás, documentos, todos os pertences”, rememora.
 
Polliane denuncia também que o inclusive o direito de ir e vir dos acampados e acampadas têm sido impedido, já que os pistoleiros têm abordado os trabalhadores e trabalhadoras na estrada que dá acesso à cidade de Marabá e intimidado os assentados da região a não darem trabalho para os trabalhadores e trabalhadoras do Hugo Chávez.
 
“Como professora, eu me sinto muito triste, angustiada. O Hugo Chávez é nossa moradia, de onde tiramos nosso sustento, da nossa horta mandala, nossas roças. Enquanto acampada eu pretendo lutar até o último momento. Enquanto educadora, eu acredito que não é porque a gente é acampado, que a gente não tem direito à dignidade para nossas crianças. Nós não trabalhamos só com educação primária, nós trabalhamos com a EJA também. Nos temos à noite cerca de 70 alunos na EJA”, descreve a professora Maria do Socorro. Entre crianças, jovens e adultos, a escola atende 150 pessoas.
 
Em reunião com as famílias do Hugo Chávez, Sônia Mota, diretora executiva da CESE, se lembrou de quando a CESE esteve presente na região, em 1996, quando do massacre de Eldorado dos Carajás. “Desde lá caminhamos em Missão Ecumênica, porque acreditamos que as igrejas são conclamadas, sim, a estar do lado do povo e do povo pobre, porque o Cristo que acreditamos nunca deixou de lado o povo pobre, aliás, era a sua plataforma de missão”, afirma.
 
E prestou solidariedade e esperança na luta pela terra. “O povo do acampamento Hugo Chávez não está só. Nós acreditamos, sim, que tem terra e tem terra pra todo mundo. E terra é pra quem planta, terra não é pra ficar parada para os grandes latifundiários ganharem dinheiro com ela. O sangue das pessoas que tem caído nessa terra tem que regar a nossa esperança e a nossa luta, porque a luta de vocês é a nossa luta também. Porque se o campo não planta, a cidade não come”, brada Sônia Mota.
 
Fazendo uma referência bíblica, a diretora executiva da CESE se remete ao momento em o povo do Egito precisou fugir da condição de escravos no Egito e se deparou com o mar. “Quando chegaram diante do mar e o povo ficou com medo, o que foi que eles ouviram? ‘Diga ao povo que marchem. E é em marcha que o MST tem feito a reforma agraria nesse país. É em marcha que a gente caminha. É em marcha que essa Missão Ecumênica vem e está disposta a continuar marchando com vocês e tentando fazer aquilo que a gente pode, amplificar essas vozes que lutam por justiça”.
 
A pedagoga e acampada Polliane pede que as pessoas que entrarem em contato com essa realidade, se sensibilizem e somem forças para que o despejo não aconteça. “As famílias que aqui estão não têm para onde ir, não têm casa, não têm trabalho na cidade. As crianças que aqui estão não conseguirão cumprir os 200 dias letivos, que é garantido na Constituição. As famílias vão perder a produção. Eu tenho filha, o sofrimento que eu tenho é de outras famílias aqui. O desespero de não saber pra onde ir. O desespero de saber que vai ser jogado fora”, desespera-se.
 
E finaliza: “Nós vamos ter um total de 1200 famílias despejadas de suas casas agora em dezembro. 591 crianças fora da escola. Em torno de cem toneladas de alimento destruídas. Estamos contando com a solidariedade de muita gente nesse momento de dificuldade. Que as pessoas possam pensar, quando estivessem nas suas casas, numa noite chuvosa, quentinhas, com um prato de comida para os filhos, onde estarão as outras pessoas? Que não esqueçam que vão ter 1200 famílias do sul e sudeste do Pará que não vão ter essa condição”.
 
CARTA OFICIAL
 
8 a 10 de novembro de 2017
 
Somos testemunhas vivas dos limites cruéis a que a ganância humana pode chegar, voltando-se contra irmãs e irmãos criaturas de Deus.
 
A história da concentração de terras, de riqueza e de poder nas mãos de pouca gente deixa um rastro de sangue e miséria nas terras do Sul e Sudeste do Pará há muitos anos.
 
No ano de 2017 já são 20 pessoas assassinadas nesta região.
 
No acampamento Jane Júlia, no município de Pau d’Arco, aconteceu em 24 de maio deste ano o brutal massacre contra uma mulher e nove homens, morta e mortos pelas forças policiais do município de Redenção. Essa irmã e irmãos, de ao menos 25 famílias, aguardavam as negociações do INCRA de compra da Fazenda Santa Lúcia, por interesse social, ora acampadas ora sofrendo despejos por ordem judicial, ora acusadas de crime, até que sob mais uma ordem de inquérito as forças policiais, ao invés de cumprirem seu mandato, decidiram cumprir uma execução – caçando, encurralando, torturando e assassinando a queima roupa essa irmã e irmãos.
 
Devido à ação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Ministério Público Estadual, 15 policiais estão presos e aguardam processo e julgamento. Ante a impunidade histórica na Região esse é um passo que dá esperança de que se faça justiça.
 
Mas para alcançar a verdadeira Justiça é preciso mais. As investigações feitas com apoio da Polícia Federal (PF) chegaram às prisões. Mas a  PF precisa voltar à Região e ir mais fundo nas investigações, produzindo mais provas e encontrando os financiadores de pistoleiros, do uso de empresas privadas de segurança e até mesmo de agentes policiais para matar mulheres e homens que querem um pedaço de terra para produzir e viver.
 
As famílias em Pau D’Arco ainda se sentem ameaçadas. Pressionadas por ordens judiciais de despejo e pela morosidade do INCRA na compra definitiva da Fazenda onde precisam ser assentadas.
 
Esse tipo de ameaça com despejos decretados pelo juiz agrário não é um fato que se restringe a Pau D’Arco, mas hoje se espalha por uma extensa área entre os Municípios de Redenção e Marabá, onde acampamentos onde habitam cerca de mil famílias têm seus despejos decretados, todos com data marcada para ocorrer entre os meses de novembro e dezembro de 2017.
 
Que justiça é essa? Para onde irá esse povo, com suas crianças e idosos?
 
O que será feito dessas vidas que há mais de cinco anos ali vivem, produzem, cuidam com carinho dos seus idosos e educam suas crianças em escolas feitas com suas próprias mãos?
 
É em busca de miséria e morte que o juiz agrário toma decisões em favor de latifundiários, legitimando a grilagem na região? Exemplo disso são as reintegrações de posse em favor do Grupo Santa Bárbara, do ex-banqueiro Daniel Dantas, envolvido em escândalo, que se apresenta agora como produtor rural. É escandaloso o fato dessa agropecuária concentrar 500 mil hectares de terras somente no Sul e Sudeste do Pará. Outro exemplo de grilagem é a Fazenda Santa Teresa, atualmente área reivindicada pelo Acampamento Hugo Chávez, cujo suposto proprietário é Rafael Saldanha.
 
Vimos e sentimos com as dores em nossos corações a indignação à flor da pele das trabalhadoras e trabalhadores, acuadas pelo medo, querendo viver por esperança e coragem. Gente que nos acolheu em missão, carinhosos e clamando por Justiça, em calorosos abraços, ainda que expostos em carne viva.
 
Não podemos calar! Juntamos nossos corações e vozes para que se cumpra um tempo de Justiça e Paz nesse Sul e Sudeste do Pará. Por isso, reivindicamos lado a lado:
 
– Para que os juízes da varas agrárias de Marabá e Redenção cessem suas ordens de despejo por reintegração de posse contra acampamentos e ocupações;
– Para que o Governador do Estado do Pará não faça cumprir as ordens de despejo judiciais em favor da verdadeira Justiça, considerando que as áreas reivindicadas não cumprem sua função social, são frutos de grilagem e que devem ser destinadas à Reforma Agrária;
– Para que o INCRA cumpra seu papel na Reforma Agrária e compre imediatamente a Fazenda Santa Lúcia, trazendo o assentamento e alento para as famílias de Pau D’Arco, assim como finalize os procedimentos de aquisição de outras áreas ocupadas na região;
– Para que o Ministro da Justiça Torquato Jardim determine o imediato retorno da PF a Redenção, para dar seguimento ao trabalho coordenado com o Ministério Público Estadual no local, aprofundando investigações para apurar os mandantes do massacre de Pau d’Arco e os financiadores da violência agrária crescente na Região.
Assim nos dispomos em Missão, conclamando a todas e todos que querem ver o fruto da verdadeira Justiça, a Paz.
 
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Fonte: CESE
Fotos: CESE

 
 
A Igreja realiza, de 12 a 19 de novembro, a Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Trata-se, segundo mensagem do papa Francisco, publicada dia 17 de junho deste ano, de um convite dirigido a todos, independente de sua crença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.
 
Segundo o santo padre, o amor não admite álibes. “Quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”, diz trecho do texto. Instituído pelo chefe da Igreja Católica na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o primeiro Dia Mundial dos Pobres será celebrado pela Igreja em todo mundo no próximo dia 19 de novembro, 33º domingo do Tempo Comum.
 
No Brasil, a animação e coordenação das atividades foi delegada à Cáritas Brasileira, um dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por sua experiência na realização Semana da Solidariedade. Para o bispo de Aracaju (SE), presidente da Cáritas Brasileira, dom João José Costa, as respostas sobre que fazer só virão se a Igreja e os cristãos se colocarem de forma próxima aos empobrecidos e sentir a sua dor. “A proximidade faz com que o Espírito Santo desperte em cada um de nós a criatividade para que possamos ter iniciativas concretas para transformar a realidade”, disse.
 
De acordo com estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Segundo o documento, a atual crise econômica representa uma séria ameaça aos avanços na redução da pobreza e da desigualdade. O Banco Mundial também atribuiu a ações sociais protetivas como o Bolsa Família, um papel fundamental para evitar que mais brasileiros entrem na linha da miséria. A pesquisa aponta ainda que o aumento da pobreza vai se dar principalmente em áreas urbanas, e menos em áreas rurais, isso porque nas áreas rurais essas taxas já são mais elevadas.
 
Objetivo e material da Jornada – O diretor-executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Claudio Mandela, lembra que a Jornada Mundial dos Pobres, em comunhão com a Semana da Solidariedade, quer acima de tudo chamar atenção de forma organizada, reflexiva e também em oração para a grande condição de vulnerabilidade e desigualdade por que passa grande parte da população do mundo e do Brasil.
 
A Cáritas Brasileira preparou o cartaz e o subsídio com sugestões de ações para esta semana. A proposta, segundo o diretor-executivo da Cáritas, é que as comunidades, igrejas, escolas e toda sociedade realizem, por meio do que propõem a cartilha, as “Ruas Solidárias” e “Rodas de Conversa” cujo objetivo é proporcionar espaços, momentos e dinâmicas para que as pessoas, em suas mais várias localidades, possam refletir e olhar, em forma de oração, sobre esta realidade.
 
O presidente da Cáritas Brasileira convida cada um a dar a sua contribuição. “Se vamos mudar o mundo não sei, mas o importante é cada um fazer a sua parte”, disse. O bispo lembrou de madre Tereza de Calcutá que não desanimava quando se tratava de realizar obras em favor dos pobres. A religiosa, declarada santa pelo papa Francisco em 04/09/2016, dizia que somos uma gota d’água no oceano, mas que este seria menor sem aquela. “Que durante esta semana possamos fixar o nosso olhar nesta realidade que desafia todo nosso mundo para que se transforme na casa do Bem Viver, onde todas as pessoas sejam reconhecidas e acolhidas em sua dignidade”, concluiu dom João José.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
 
O Conselho Mundial de Igrejas, a Act Alliance e a Federação Luterana Mundial – que juntas representam mais de meio bilhão de cristãos no mundo inteiro – lançaram um apelo em favor de uma ação conjunta sobre a justiça climática, refere o jornal vaticano “L’Osservatore Romano”. Lançado dias atrás, o apelo é o maior na história desta natureza.
 
Numa mensagem conjunta, os líderes das três organizações religiosas convidaram os participantes da Conferência das Nações Unidas a confirmar o Acordo assumido em Paris e a torná-lo praticável para poder dar início a uma ação responsável e ambiciosa.
 
Regulamento para estabelecer modalidades de implementação do Acordo de Paris
 
A Cop23 está em andamento em Bonn, na Alemanha, até a sexta-feira da próxima semana, 17 de novembro. Presidida neste caso pela República das Ilhas Fiji, a conferência deverá dar passos na redação de um regulamento que estabeleça as modalidades de implementação do Acordo de Paris (Cop21).
 
As negociações de 195 países, mais a União Europeia, são chamadas a progredir sobretudo na redução das emissões de gases produtores do efeito estufa. Após o Acordo de Paris, aprovado dois anos atrás e em vigor desde 4 de novembro de 2016, líderes mundiais são chamados à tarefa mais difícil: superar a discrepância entre os objetivos fixados pelo Acordo e as contribuições nacionais voluntárias.
 
Reduzir o quanto antes emissões de gás nocivo no ambiente
 
A esse respeito, o primeiro-ministro das Ilhas Fiji, Frank Bainimarama, pediu uma ação concreta mais urgente para reduzir o quanto antes as emissões de gases nocivos no ambiente.
 
“Devemos agir juntos em favor da justiça climática. Especialistas provenientes de nossas organizações intervirão para assegurar que os resultados da Cop23 reflitam as exigências e os direitos dos mais vulneráveis”, declarou o secretário geral de Act Alliance, Rudelmar Bueno de Faria.
 
Mudança climática deve ser enfrentada
 
Segundo o secretário geral da Federação Luterana Mundial, pastor Martin Junge, a mudança climática “é uma realidade que deve ser enfrentada de modo concorde. Ouvimos as histórias, a dor e as fadigas”.
 
Nessa mesa linha pronuncia-se também o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, Olav Fykse Tveit. “Aproveitemos novamente esta importante oportunidade da Cop23 para tomar decisões que nos levem na justa direção. Ao centro encontram-se todos aqueles que neste momento mais sofrem, ameaçados por aquilo que está acontecendo”, disse Tveit.
 
Enfrentamento mudança climática: compromisso comum de caminhar juntos com suas Igrejas e seus fiéis
 
Apoiando, em particular, as populações das Ilhas Fiji, os três líderes ecumênicos expressaram seu compromisso comum de continuar caminhando juntos com suas Igrejas e seus fiéis para enfrentar as questões e os desafios urgentes sobre a mudança climática naquela região do mundo, pedindo que seja assegurada uma contribuição financeira a fim de permitir aos países em desenvolvimento adaptar-se às necessidades do ambiente, enfrentando e mitigando perdas e danos econômicos que podem registrar-se.
 
Bueno de Faria, Junge e Tveit recordaram que “é nossa reponsabilidade comum” o cuidado com a Terra. O planeta, reitera-se mais uma vez, “já superou os níveis de segurança em relação ao efeito estufa. E se estes níveis não forem rapidamente reduzidos corre-se o risco de criar impactos irreversíveis para centenas de milhões de pessoas no mundo”. 
 
Por: Rádio Vaticano