saneamento basico

A Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Seção Distrito Federal (ABES-DF), por intermédio de sua Câmara Temática de Resíduos Sólidos, em parceria com o GDF e outras instituições, promove concurso voltado para o público das escolas das redes pública e privada do Distrito Federal visando a promoção na melhoria do saneamento básico local, por meio de atividades de educação ambiental e da mobilização da comunidade escolar, mediante os critérios e condições estabelecidas neste Edital.

O concurso “SANEAMENTO NA ESCOLA: Nós Fazemos” está aberto, exclusivamente, às escolas das redes pública e privada, sendo imprescindível, ao gestor escolar ou aos demais integrantes da gestão realizar a inscrição no concurso.

O Concurso tem como objetivo incentivar que as escolas promovam um diagnóstico da situação do saneamento básico em seu ambiente interno e entorno e promovam ações para melhoria dos pontos críticos identificados, premiando as melhores iniciativas.

A proposta está aberta a qualquer comunidade escolar que se interessar sobre o tema e se dispuser a participar do processo.

Todas as escolas da rede pública e privada estão aptas a se inscrever e concorrer ao concurso “Saneamento na Escola: Nós Fazemos”, desde que preencham os requisitos presentes no Edital de chamamento, em especial, no que diz respeito ao envio de formulário de inscrição, Plano de atividades a ser desenvolvido no ano de 2016, relatório de execução do Projeto, documentos comprobatórios, e auto avaliação.

O formulário obrigatório para inscrição deve ser preenchido aqui e as declarações devem ser baixadas aqui, preenchidas e enviadas com as devidas assinaturas para o email: sec.abesdf@gmail.com (coloque no assunto do email o nome da escola) até dia 20 de junho de 2016. A homologação da inscrição das escolas no concurso “Saneamento na Escola: Nós Fazemos” ocorrerá no dia 27 de junho de 2016 no sítio www.abes-df.org.br.

Add a comment

13443261 114 o

As organizações, igrejas e agências que compõem o PAD e o FEACT-Brasil, que em outubro passado realizaram uma missão ecumênica em apoio aos Guarani-Kaiowá, vêm outra vez manifestar primeiramente sua solidariedade aos povos indígenas do Mato Grosso do Sul, diante do assassinato de mais uma liderança e do grave ferimento a bala de mais cinco indígenas.

O ataque aos Guarani-Kaiowá aconteceu nessa terça-feira, 14 de junho,quando mais de 70 fazendeiros e pistoleiros invadiram a comunidade Guarani-Kaiowá no tekohá TeyiJusu, município de Caarapó-MS e colocaram fogo nos pertences dos indígenas.

O líder indígena Cloudione Rodrigues Souza foi assassinado com um tiro na cabeça, disparado por pistoleiros no momento da chegada. Os ataques dos latifundiários teriam sido reação à retomada que os indígenas fizeram de suas terras. Cansados de esperar por providências, no último domingo, dia 12, um grupo significativo de indígenas reocupou as terras da fazenda Ivu, que já haviam sido demarcadas pelo Governo Federal, como sendo da etnia Guarani-Kaiowá.

PAD e FEACT- Brasil repudiam com veemência estas ações paramilitares, que com a conivência do poder público, culminaram em mais um líder indígena assassinado em terras brasileiras e cinco indígenas feridos com risco de morte. Exigimos providências imediatas frente a mais esse ataque dos ruralistas. Um massacre contra os indígenas Guarani-Kaiowá está em curso no estado de Mato Grosso do Sul. É urgente a intervenção do Ministério da Justiça em defesa da vida e da garantia de direitos dos povos originários deste estado, inclusive com a apuração dos fatos e a punição dos autores do assassinato da liderança indígena.

Conclamamos todas as organizações e movimentos a se unirem em prol da defesa dos direitos fundamentais dos povos indígenas, principalmente do direito originário às suas terras, garantidos pela Constituição Brasileira e por tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

Brasil, 14 de junho de 2016.

Add a comment

160607203552 dsc 0200site

Momentos de encontro, incentivo, partilha de experiências e uma juventude bem decidida a praticar a Justiça e a defesa de direitos sem abrir mão de sua fé, a partir dos seus espaços de atuação. Esta é apenas uma amostra do que foi construído no Encontro Interterritorial Proclamando Justiça, realizado entre os dias 3 e 5 de junho, no Centro Pastoral Diocesano Stella Maris, na cidade de Triunfo (PE). O encontro, realizado pela Diaconia com o apoio da Igreja da Suécia, reuniu 25 jovens de Igrejas e projetos apoiados na Região Metropolitana do Recife (RMR), Agreste e Sertão do Pajeú.

Com o tema “Juventude, Qual é a Sua? Fé, Gênero e Defesa de Direitos”, a formação traçou inicialmente uma linha do tempo dos movimentos sociais de mulheres ao longo da história, e de como estes movimentos têm conseguido se inserir nos espaços dentro das igrejas, um desafio que se acentua diante de uma conjuntura de desconhecimento e até oposição às discussões sobre relações de gênero, sexualidade, violência, direitos humanos, dentre outros. Facilitando esta discussão, estiveram presentes a assessora político-pedagógica Risoneide Lima e a missionária Cristiane Sales, integrante do Fórum de Mulheres Cristãs e Políticas Públicas.

Dentre as participações do público presente, os/as jovens se reuniram em grupos e construíram propostas concretas de ação em suas regiões, como oficinas em escolas e igrejas, formação de grupos de estudo, peças teatrais e outras iniciativas. Experiências também serviram de inspiração, como a do Coletivo Vozes Marias, grupo de mulheres cristãs da RMR que discutem os direitos da mulher na comunidade eclesiástica e sociedade em geral. O grupo contou com a garantia de apoio por parte da Diaconia para a realização das ações, e deverá apresentar os primeiros resultados já no próximo intercâmbio de experiências, no mês de agosto.

Fortaleza - O encontro prossegue nos próximos dias 17 a 19, reunindo as juventudes da região metropolitana de Fortaleza e do Oeste Potiguar no Hotel Palácio Hebrom, na praia de Iguape (Aquiraz/CE). Durante a formação, o grupo contará com a parceria do Instituto Negra do Ceará (INEGRA) e Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), além das Coordenadorias da Mulher do Estado do Ceará e do Município de Fortaleza.

Confira alguns depoimentos:

“O que estimulamos aqui é a resposta à pergunta: na prática, como nós podemos utilizar a força da juventude para lutar e defender direitos? Nosso objetivo é de que esse potencial de criatividade, determinação e inquietação saia do campo dos desejos e vá para além da igreja, na participação político-social.” Joselito Costa, assessor político-pedagógico.

“Pra mim, o encontro foi libertador. Participo de discussões como essas desde o início da faculdade, e às vezes a gente se sente muito só, sem outras pessoas que tenham as mesmas preocupações e a mesma visão de Reino que você. E quando participamos de um espaço como este, vivenciamos a visão da Igreja além das quatro paredes.” Bruna Coelho, da 1ª Igreja Batista do Recife.

“Se a gente deixar as situações nos abaterem, vamos nos sentindo sem condições de vencer. Acho que o jovem tem essa capacidade de superar dificuldades e mostrar a si próprio que é capaz. Foi muito proveitoso encontrar pessoas que têm uma bagagem interessante, e assim a gente consegue se engajar e trazer ideias novas pra nossa comunidade.” Iraquitan, da Igreja Luterana em Gravatá.

Texto: Carlos Henrique Silva / Diaconia
Foto: Reprodução

Add a comment

bandeira cor

Provavelmente não haja mais muito o que ser dito sobre o massacre ocorrido na Boate Pulse, em Orlando, nos Estados Unidos. E ainda assim muito teremos que falar sobre o massacre ocorrido na Boate Pulse, em Orlando, nos Estados Unidos.

Eu morri ontem em Orlando!

Não apenas porque me identifico como homem gay, mas porque compartilho a humanidade daqueles e daquelas que lá morreram, porque sou cristão e porque minha fé me ensina que quando alguém sofre todxs sofremos.

Nós morremos ontem em Orlando!

Não apenas aqueles e aquelas de nós que não preenchem os requisitos da norma heterocêntrica (incluindo pessoas auto identificadas como heterossexuais), a assim chamada comunidade/população LGBTIQ, mas todxs que fazem parte da criação de D*s, que são imagem e semelhança de D*s, pois foi essa imagem e semelhança que foi morta.

E D*s morreu conosco!

Ainda no sábado conversávamos sobre o significado de abominações no Levítico, os motivos da destruição de Sodoma e Gomorra, as traduções de arsenokoitai e malakoi (termos gregos) e do sentido de “contra a natureza” em Paulo. E pessoas eram mortas em Orlando, ou nas ruas do Brasil, por causa da disputa pelo sentido desses termos e dessas narrativas. Sim meus irmãos e minhas irmãs: enquanto gastamos horas em discussões exegéticas e hermenêuticas sobre esses textos, o evangelho da vida e da justiça se esvai pelo ralo e morremos todxs um pouquinho. Não, não dá para resolver esse dilema com slogans fáceis como “amar o pecador e condenar o pecado”. Nós temos o direito de sermos amadxs por inteiro! E não há pecado em nosso amor!

Também não temos tempo para ficar discutindo se a motivação para o massacre foi mais uma ou mais outra. Foram ambas e muitas mais. O terror que faz com que pessoas LGBTIQ não saiam de casa com medo de sofrerem violência nas boates ou nas ruas ou nas igrejas; o terror que faz com que mulheres não andem sozinhas na rua com medo de serem estupradas; o terror de imigrantes que não ultrapassam as fronteiras com medo da prisão e deportação ou até mesmo da morte; o terror de quem teve suas terras e moradias saqueadas pelos grandes interesses econômicos que sangram com juros, lucros e outras invenções em forma de commodities; o terror de quem vê que o salário não vai chegar até o final do mês para comprar comida e pagar as contas, de quem não pode adoecer porque não tem plano de saúde; o terror... revestido, ou não, de religião!

Eu morri ontem em Orlando!

Nós morremos ontem em Orlando!

Assim como morremos a cada dia nos quatro cantos do nosso país, na Palestina, na Europa ou nos Estados Unidos. Nossa humanidade e nossa relação com o mundo que nos cerca é roubada e não se trata de um debate acadêmico para saber quem, no final, tem razão. É a vida que vai sendo morta em nossos corpos, no corpo do mundo e no corpo de D*s, mesmo quando é feito em nome dEle.

D*s morreu ontem em Orlando!

E ressuscitará! Junto com todxs aquelxs que foram mortos em seu nome!

Enquanto isso resistimos, lutamos e choramos a dor de termos sido mortxs... também em Orlando.

Texto: André S. Musskopf

Add a comment

Assembleia

Cumprido com a prática de apresentar relatórios e discutir anualmente as diretrizes e perspectivas da organização, a Assembleia Geral da CESE foi encerrada nesta sexta-feira (10) com carta reflexiva sobre a conjuntura e o compromisso das igrejas e organismos ecumênicos com as com as lutas populares e as liberdades democráticas.

Estiveram presentes representantes de organizações como CEADe, Cáritas Brasileira, Koinonia, Odara, IDEAS e Associação Gamboa de Baixo e as Igrejas IEAB (Episcopal Anglicana do Brasil), IPU (Presbiteriana Unida do Brasil), ABB (Aliança de Batistas do Brasil), ICAR (Católica Apostólica Romana), IECLB (Evangélica de Confissão Luterana no Brasil) e IPI (Presbiteriana Independente do Brasil).

Carta da Assembleia da CESE
09 e 10 de junho de 2016

“Por isso é que hoje temos esperança;
que lutamos destemidos; que olhamos com confiança,
para o porvir dos povos oprimidos” (Federico Pagura)

Reunidas em Assembleia da CESE, nós, pessoas das distintas Igrejas que compõem essa entidade ecumênica, declaramos nosso compromisso com a esperança.

A vocação diaconal e a indignação ética soprada em nossos corações pelo Espírito desvenda nosso olhar sobre o violento avanço contra as instituições democráticas no Brasil. Isso tem consequências desastrosas sobre o Estado como garantidor de direitos para as populações atingidas pelas desigualdades e a propagação do ódio entre as pessoas.

A vida da população negra, das mulheres, das comunidades e povos tradicionais, entre tantas, está ameaçada, assim como a igualdade entre as religiões. Nossas visões e braços seguem o desejo mais profundo de seguir abraçando essas irmãs e irmãos, em especial crianças e jovens, para quem esperamos que floresça uma Primavera para a Vida.

Como pessoas cristãs declaramos nosso repúdio aos que têm usado a bíblia para justificar a retirada de direitos de nossa Constituição de 1988.
“Tudo que fizerem a um desses pequeninos, a mim o fazeis” (Mt 25, 40) é o que proclamamos que será a ressurreição para todas e todos, nascida da solidariedade e da defesa do bem comum, humildemente reconhecendo nossa ligação com o mundo habitado e toda a criação representada na “Mãe Terra”, nossa Casa Comum.

A CESE estará presente nas comunidades eclesiais, nos recantos e nas ruas, pela democracia e pelos direitos humanos em sua integralidade, em cada pequeno projeto apoiado, em cada formação realizada, em cada articulação e ações de incidência.

A CESE reafirma que a teimosia do amor, que é divino, seguirá como luz para nosso caminhar.
As derrotas prenunciam as vitórias e a profecia de um novo tempo deve animar a todas e todos a permanecerem mobilizados. Sigamos em unidade. NÃO VAMOS DESISTIR.

Salvador, 10 de junho de 2016

Add a comment

612198 970x600 1

Saí de casa de bicicleta com minhas flores e cartazes para participar da Caminhada das Flores, evento convocado pelas redes sociais por educadoras e educadores do DF em conjunto com outros movimentos sociais a fim de mobilizar a sociedade civil para exigir mais rigor das instituições e dos governos contra as violências contras as mulheres. Estava muito impactada com o estupro coletivo sofrido por uma jovem no Rio Janeiro e inconformada com os comentários nas redes sociais que, em grande maioria, justificava o injustificável. Afinal, quem sabe, ela provocou ou mereceu, mas, claro, nossa sociedade patriarcal e machista, moralista e hipócrita, é contra o estupro, mas quem sabe ela não...

Quando cheguei próximo ao Museu da República, local da concentração, a marcha já havia partido. De longe via a multidão caminhando pela Esplanada em direção ao Supremo Tribunal Federal, onde flores seriam depositadas aos pés da estátua da justiça. Pude alcançar a manifestação antes de sua chegada ao STF, fazer alguns registros fotográficos e observar participativamente, como antropóloga que sou. Grupos de mulheres entoavam palavras e cânticos feministas, muitas pessoas trajavam branco, uma maioria com flores nas mãos. Mulheres grávidas, mulheres mais velhas, muitas jovens, casais, crianças, cachorros, famílias, grupos de amigos, coletivos e movimentos sociais. Cartazes pediam justiça, diziam que a culpa nunca é da vítima, que nada justificava o estupro, que eram 30 contra todas, clamavam pelo fim da de cultura do estupro, pela igualdade de gênero, pediam um basta nas violências contra as mulheres, dentre outras reivindicações.

A polícia havia fechado duas pistas da Esplanada para que a marcha fizesse seu percurso e um carro da PM acompanhou o trajeto. Chegando ao STF, toda a área em sua volta estava cercada por grades, seguranças estavam a postos. Continuamos a protestar, mesmo barradas por aquelas grades que separavam nossos corpos e existências do maior tribunal de justiça do país. Aquilo era simbolicamente cruel. Após muitos gritos de protesto, um grupo de mulheres puxou uma contagem regressiva, a partir dos 30, para que as flores fossem jogadas, sob as grades. Como aceitar que o espaço público que é do povo por direito em uma democracia pudesse cercear uma manifestação de mulheres por justiça? Queríamos colocar as flores na estátua da justiça como um gesto simbólico de visibilização das violências contra as mulheres e também das lutas das mulheres. Violências essas também perpetradas por aquele tribunal machista e classista que concede habeas corpus para médico de classe média alta que abusou sexualmente de suas pacientes, mas que diante da prisão ilegal de um jovem negro por portar desinfetante e de sua condenação imoral... Bem, sabemos que aqui é Brasil, não é a Dinamarca!

Aquelas grades que nos apartava eram mais um símbolo da violação cotidiana dos direitos das mulheres, mas também das juventudes negras periféricas, das parcelas mais pobres da população, das pessoas LGBTs, dos povos e comunidades tradicionais praticadas por nossas instituições, repito, todos os dias. Por isso, não poderíamos aceitar mais uma violação ao nosso direito democrático de existir, resistir e protestar. E essa indignação nos contagiou. Vamos derrubar! Ocupa tudo mulherada!, gritei em êxtase.

Então uma de nós, corajosa e valente, atravessou o cerco com suas flores nas mãos. Seu ato nos convocava a não aceitar mais cerceamentos de nossos corpos e direitos em uma democracia, mesmo golpeada e cambaleante. Derrubem essas grades!, gritei de novo! E assim, as mulheres derrubaram as grades sem incidentes e sem quaisquer ferimentos às pessoas que ali estavam. A reação imediata dos seguranças foi “proteger” a estátua da justiça das mulheres, seguindo ordens, claro, da instituição. Era mais um ato extremamente simbólico do momento antidemocrático que vivemos. A justiça sendo protegida das mulheres quando nós deveríamos ser protegidas pela justiça.

Imediatamente após a caída das grades, a reação também cotidiana da Polícia Militar do DF foi jogar spray de pimenta na gente. Mas, cercas e violência policial não nos impediram de acessar a estátua da justiça e ocupar o espaço que é nosso.

Ocupar a democracia deve ser nossa atividade cotidiana de resistência e de reivindicação. E naquele domingo, a ocupação foi marcada por variadas intervenções das mulheres. Um grupo pintou as mãos de vermelho aludindo a omissão da sociedade diante das violências contra as mulheres, outro grupo pendurou um varal de calcinhas ensanguentadas nos pilares do STF, nesses mesmos pilares frases de repúdio à cultura do estupro foram escritas, o hino nacional foi entoado, palavras de ordem feministas foram constantemente proferidas.

Há muito não sentia uma energia feminista e revolucionária tão potente e renovadora. O ato mais emocionante para mim foi quando por diversas vezes as mulheres iniciaram a contagem a partir dos 30 até NENHUM. Até nenhuma violência mais, até nenhum homem mais autorizado a nos estuprar. Estávamos ali para lembrar às vítimas (e a nós mesmas) que a culpa não é nossa e que não estamos sozinhas. Somos muitas e estamos organizadas, em coletivos de mulheres ou não, lutando diariamente para que nenhuma mais sofra qualquer tipo de violência. Nenhuma a menos; nenhum, nunca mais!

DEPOIS DE UMA MANHÃ DE DOMINGO...

A cultura do estupro explica analiticamente como numa sociedade patriarcal e machista, por isso mesmo promotora da desigualdade de gênero, as violências contra as mulheres podem ser justificadas através da culpabilização das vítimas. Ao acionar a cultura do estupro afirma-se que há um parâmetro social vigente que estrutura e confere sentidos aos lugares de homens e mulheres em nossa sociedade. Deste modo, visibiliza-se como a construção patriarcal da masculinidade como caçadora, violenta e opressora promove violências contra as mulheres, todos os dias, em todos os espaços sociais.

Ao mesmo tempo, as mulheres são aquelas a ser domadas, violadas, objetificadas sexualmente e propriedade do macho. E essas ideias fazem parte do nosso repertório social, sendo (re)produzidas cotidianamente enquanto padrões culturais a ser seguidos. Porque a ideia da desigualdade de gênero e dos lugares subalternos destinados às mulheres, sempre objetificada sexualmente, está presente nas mídias, nas propagandas, nas ruas, nas escolas, nas famílias, na política e em cada pessoa. Por isso falamos em cultura do estupro.

Nos últimos dias tenho visto nas redes sociais homens preocupados com sua honra masculina se afirmando distinto dos estupradores. A maioria deles nada interessado em repensar seu lugar privilegiado na sociedade muito menos em ouvir os argumentos das mulheres e dos movimentos feministas. A negação da cultura do estupro por parte desses homens e dos setores conservadores revela uma nova face da criminalização dos movimentos sociais, em especial, dos coletivos feministas. Cultura do estupro virou “invencionice da esquerda”, pois, não existe na sociedade. O que existe são crimes etéreos praticados por criminosos.

Aqueles que compartilharam o vídeo, violando também a jovem, aqueles que compartilham em seus grupos masculinos de whatsupp fotos de mulheres nuas, xingam as mulheres que os rejeitam de vagabundas, ensinam os meninos a “ser homem” e a violar os corpos femininos, protege sua propriedade de outro macho, aqueles que afirmam que não é sim, esses são homens distintos e não há nenhuma contradição nisso. Isso é cultura do estupro senhores!

Outro modus operandi da cultura do estupro, além da isenção e da recusa em debater sobre igualdade de gênero e não violência contra as mulheres como dever de toda a sociedade, é afirmar a ideia de que esse tipo de crime é patológico ou então que os criminosos são animais, monstros, não são humanos, não são como nós. Por isso, a cultura do estupro não é algo externo, patológico, animalesco ou crime de favela. Pesquisas demonstram que estupros e abusos sexuais ocorrem em todos os lugares todos os dias justamente por que está autorizado pela sociedade como forma de punição e de vingança. Em 70% dos casos notificados, as vítimas são crianças e adolescentes, em grande parte os agressores são do seu círculo familiar, de vizinhança, de amizade ou seus companheiros .

Como tem viralizado nas redes sociais, eles são filhos legítimos do patriarcado, pois, foram socializados nessa sociedade que naturaliza as violências contra as mulheres e que incentiva que os homens sejam violentamente superiores e proprietários e que construam a sua masculinidade através da recusa da mulher como pessoa, cidadã, uma igual. Com isso, não afirmo que os abusadores e estupradores não são responsáveis pelos crimes que cometem. Devem ser punidos segundo a lei e não violentados nas prisões ou castrados como se fossem naturalmente incontroláveis. Violência sexual como punição é cultura do estupro!

Apesar dos avanços conquistados pelas mulheres, a lógica misógina própria da cultura do estupro reafirma o lugar das mulheres como cidadãs de segunda classe, sem voz e sem direitos, que devem sucumbir ao poder do macho. E é essa sociedade patriarcal e machista que não apenas regula nossas existências, comportamentos e vivências enquanto mulheres, mas que autoriza que nossos corpos sejam violentados pelo masculino como correção, vingança, piada, escárnio social, isso é cultura do estupro senhores!

Estamos em um momento de profundo retrocesso no plano dos direitos humanos e sociais que atingem de forma contundente os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Somado a essa conjuntura há um avanço de um fundamentalismo religioso cristão que tem verbalizado e balizado projetos de lei que negam a igualdade de gênero e os direitos das mulheres. É importante destacar que a laicidade do Estado laico garante que políticas públicas e leis sejam pensadas e construídas sem quaisquer influências religiosas que se recusam a dialogar com a diversidade cultural da sociedade bem como que não reconhecem a cidadania plena das mulheres e das minorias sociais.

É necessário trazer esse aspecto porque diversos setores religiosos se posicionaram contra a inserção da discussão de gênero nos planos municipais de educação. Afirmaram que a assim chamada “ideologia de gênero” queria acabar com a família tradicional e com as formas naturais de ser homem e ser mulher. Lembremos que na ocasião do tema da prova do ENEM sobre feminicídio proliferaram-se nas redes sociais comentários que banalizavam o mal que as formas de violências causam às mulheres. O tema foi tratado como assunto que não precisa ser debatido. O conceito de gênero e os movimentos feministas têm sido cotidianamente ridicularizados e diabolizados por esses setores conservadores nas redes, nas ruas e no Congresso Nacional como inimigos dessa tradicionalidade que assimetriza pessoas, reifica poderes, promove violências, nega direitos e recusa os livres afetos.

Por isso, há que se afirmar a cultura do estupro como estratégia política em nossa sociedade tão avessa a igualdade de gênero fomentadora de relações justas e igualitárias e não violentas entre homens e mulheres. Igualdade de gênero é marco civilizatório para uma sociedade onde oito mulheres são estupradas por dia e treze mulheres são assassinadas por dia. Precisamos ocupar as escolas e universidades, mas também nas associações de bairro, as famílias, os locais de trabalho, as igrejas. Precisamos nos organizar cada vez mais para denunciar as violações que sofremos, não é mais possível sofrer calada, silenciada, culpabilizada. Precisamos ocupar cada dia mais a democracia para continuar avançando e não permitir nenhum retrocesso em relação aos nossos direitos. Precisamos reafirmar nossas existências e resistências enquanto donas de nossas vidas e autoras de nossas histórias, cidadãs brasileiras e titulares dos direitos constitucionais desse país, mulheres, no plural, parte da humanidade.

Não nos enganemos, nenhuma conquista nos foi dada, todas foram conquistadas por nossas antepassadas com muito sangue, dor e suor. Por isso, não tem arrego! Continuamos em luta! Nenhuma a menos! Nenhuma violência, nunca mais!

Tatiane dos Santos Duarte:
Mulher, antropóloga, feminista.

Foto: Alan Marques/Folhapress

Add a comment

rio jordao israel

Não farei considerações a respeito do rebatismo, hoje tão comum no Brasil. Pessoas batizadas numa igreja tradicional, após a conversão ao mundo evangélico, que inclui Igrejas como a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus, passam por um novo batismo. O fato chama a atenção pelo viés político. Enquanto o Senado brasileiro votava a adissibilidade do processo de impedimento da presidente Dilma, eleita pelo povo, lá no rio Jordão, em Israel, o pastor Everaldo, derrotado fragorosamente nas últimas eleições, rebatizou o católico Bolsonaro, que recentemente dedicou o seu voto ao torturador coronel Carlos Ustra, em sessão da Câmara Federal.

A questão do rebatismo seria um assunto íntimo dele, se não fosse publicado no YouTube, que o vincula à política. Logo, sendo um assunto público, é passível de avaliação no campo político. E para quem leva a sério o Batismo cabe a pergunta que nos reporta para a vida e obra de Jesus, em nome do quem se batiza. No rito exposto no YouTube, Bolsonaro se compromete a crer na obra do Cristo. Nisto não há novidade para os cristãos.

A novidade se torna contraditória e absurda quando lembramos que Jesus, também batizado no Jordão, foi torturado por militares da época, a mando do império. Antes de sofrer sob a cruz que carregava, foi preso pela guarda. Tudo aconteceu sem que houvesse uma acusação contra Jesus. Por três vezes Pilatos disse que não via crime em Jesus. Mas as lideranças do povo pediam a morte dele e a soltura do bandido Barrabás. Vemos que a pessoa cristã segue um torturado e morto na cruz, por Deus ressuscitado. Aqui se estabelece a contradição: ser batizado em nome deste Jesus e defender a tortura e torturadores. Evidente que o absurdo já havia se estabelecido no final da vida de Jesus. Ele havia curado enfermos, surdos e mudos, incluído os doentes, alimentado multidões famintas, perdoado pecados, libertado presos, etc. Tudo como sinal de um Novo Reino. Então, por sua obra de amor, foi condenado à tortura e à morte.

Independente da dimensão pessoal do rito, que não cabe a mim julgar neste espaço público, permito-me olhar para este ato do Jordão como subordinação das igrejas à política; política esta exercida contra os Direitos Humanos e contra o próprio Cristo que se deu sem tomar a vida de ninguém. No batismo de Jesus uma voz veio do céu dizendo que Ele era o seu filho amado, em quem o divino se comprazia. Desta vez, a voz silenciou.

Oneide Bobsin é doutor em Ciências da Religião e professor da Faculdades EST
Publicado originalmente no Jornal Vale do Sinos

Add a comment

20151118131654376112e

Será que mulheres são consideradas relevantes para a sociedade? Será que desejamos, de fato, que mulheres participem ativamente nos espaços políticos de decisão? Ou será que a importância da mulher é pura retórica?

Muitas vezes, observando as dinâmicas sociais, quase chego à conclusão de que nós, mulheres, não temos real importância para a sociedade e nem para a política formal. Nós somos parte daquele grupo social sobre o qual é bom falar quando se deseja mostrar inclusividade, mas, na hora de mostrar na prática que a transformação nas relações sociais é possível, ai...bem...a conversa muda! Somos o tema que se pode deixar para depois.

Por que nosso desejo de participação, protagonismo, liberdade, autonomia acaba sendo sempre colocado em segundo plano? Uma das respostas possíveis é que somos um desses temas que provoca a pergunta sobre atéonde estamos dispostos a ir quando falamos em participação das mulheres na sociedade e na política?

A plena inserção das mulheres nas diferentes esferas da vida traz à tona a incômoda, indesejável e provocativa discussão sobre relações de poder. Sem uma disposição profunda de transformação nos paradigmas que orientam as relações de poder, não haverá mudanças para nós mulheres.

Acontecimentos recentes no país têm indicado, que qualquer discussão que problematize as relações de poder entre mulheres e homens é rapidamente banida. Falar sobre a situação em que vivem as mulheres brasileiras é perigoso e um ato de subversão da ordem!

No entanto, não há como deixar de falar sobre este assunto, porque mulheres estão sendo agredidas e assassinadas todos os dias em nosso país.

Dados nacionais sobre a violência contra as mulheres de 2015, chamam a atenção que dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2014, 50,3% foram cometidos por familiares das vítimas. A maioria desses crimes, 33,2% foram praticados pelos parceiros das mulheres assassinadas. O Mapa da Violência 2015 chama a atenção que o número de mortes violentas de mulheres negras cresceu em 54% entre 2003 e 2013.

Mais do que contabilizar as agressões e as mortes de mulheres, estes dados revelam uma profunda cultura misógina, ou seja, de ódio contra as mulheres. Outros fatos que também indicam que a cultura misógina é um elemento que não pode ser ignorado, são: as agressões verbais dirigidas contra mulheres parlamentares no Congresso Federal e as expressões de ódio dirigidas contra a presidente do Brasil no processo de admissibilidade do impedimento da chefe maior do Estado brasileiro. A expressão máxima desse ódio foi a declaração do voto do parlamentar que homenageou o coronel Ustra, que torturou a presidenta Dilma, no período em que ela esteve presa. Esta foi a consagração e a expressão máxima da misoginia brasileira.

A nossa presença na política brasileira incomoda. Ainda mais quando não fortalecemos o papel de sermos sedutoras, frágeis e manipuláveis.

A presença de mulheres no Congresso Federal mostra o quanto precisamos avançar para aprofundarmos nosso processo civilizatório. Nós, mulheres, representamos 51,51% da população total do país. Entretanto, nossa presença na política formal é mínima. No Senado Federal representamos 15,81%. Na Câmara dos Deputados somos 9, 94%. Na política formal, juntando Senado e Câmara dos Deputados, representamos 10,6% do total de políticos. Este é um percentual nada significativo, depois de tantos anos de luta das mulheres.

Assustam também os retrocessos que temos sofrido. O tema participação da mulher na sociedade é um tema sussurrado, porque mulher foi transformado em um tema tabu.

Para transformar a situação em que vivem as mulheres, em especial, as mulheres pobres, é necessário falar abertamente sobre a pergunta “até onde estamos dispostos e dispostas a ir” para que as mulheres sejam realmente sujeitos de sua própria história? Temos disposição de abrir mãos dos nossos micro poderes? Sem a superação dos tabus criados em torno dos direitos humanos para mulheres, o reconhecimento da nossa participação na sociedade e na política será sempre um reconhecimento parcial, nunca pleno.

Enquanto isso, mulheres continuarão sendo assassinadas e humilhadas e seus agressores invocados como heróis.

Texto escrito pela secretária-geral do CONIC, Romi Bencke,
para o jornal Conquistar, da Pastoral Operária.

Ilustração: Jarbas/Arte DP/ D.A.Press

Add a comment

bible 435678

“Semear a Palavra – Missão da SBB” é o tema da tradicional campanha de aniversário da Sociedade Bíblica do Brasil para este ano, uma forma de ressaltar a importância do trabalho da organização na disseminação das Escrituras. Desta vez, a iniciativa apresenta um diferencial: inspirada no programa Clube Uma Bíblia por Mês, busca conquistar mais apoiadores estratégicos para a Causa da Bíblia, sensibilizando-os a fazer ofertas mensais.

A ideia surgiu da observação de que igrejas e pessoas que ofertam anualmente por ocasião do aniversário da SBB, colaborando para a manutenção do trabalho bíblico, agem com o mesmo propósito do programa Clube uma Bíblia por Mês: fazer a Bíblia chegar às mãos de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social, por meio de ações missionárias com impacto social.

“Muitas dessas pessoas e igrejas têm o perfil para assumir um compromisso mensal com a distribuição gratuita de Bíblias”, afirma Mário Rost, gerente de Desenvolvimento Institucional e coordenador da campanha. Com o novo direcionamento, ele acredita, que será possível alcançar um engajamento mais duradouro.

Prestes a completar 68 anos, no dia 10 de junho, a SBB se mantém atenta a todas as oportunidades de divulgar seus objetivos em favor da Causa da Bíblia. O tema “Semear a Palavra – Missão da SBB” vem ao encontro deste esforço, no sentido de explicitar de que os recursos doados como presente pelo aniversário serão integralmente utilizados na distribuição de Bíblias para os diversos públicos atendidos: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

“Ofertando para a SBB, os doadores estarão presenteando a mais incrível de todas as sementes, a que transforma vidas”, ressalta Rost. E o importante é que todos os interessados terão opção de contribuir, mensalmente ou em ofertas avulsas.

As pessoas que decidirem fazer uma oferta avulsa (individual) podem escolher quantas Bíblias querem doar nesta ocasião. Por exemplo, uma Bíblia, R$ 20,00; duas Bíblias, R$ 40,00; dez Bíblias, R$ 200, 00, e assim por diante. Basta fazer a transferência ou depósito no Banco Bradesco – agência 3390-1, conta corrente 18.512-4. Solicita-se que seja enviado comprovante, com nome e CPF/CNPJ, para relacionamento@sbb.org.br.

Aqueles que quiserem aderir ao Programa Clube Uma Bíblia por Mês, passando a ofertar mensalmente, podem confirmar sua inscrição por telefone 0800-727-8888, pelo e-mail relacionamento@sbb.org.br ou no site www.sbb.org.br/.

A SBB: Fundada em 1948, no Rio de Janeiro, a Sociedade Bíblica do Brasil tem como missão "promover a difusão da Bíblia e sua mensagem como instrumento de transformação e desenvolvimento integral do ser humano”. É uma entidade sem fins lucrativos, de natureza religiosa, social e cultural. Sua finalidade é traduzir, produzir e distribuir a Bíblia, um bem de valor inestimável, que deve ser disponibilizado a todas as pessoas. Por seu caráter social, desenvolve programas com o objetivo de promover o desenvolvimento espiritual, ético e social da população brasileira.

Foto: Daniel de Oliveira

Add a comment

big ad79d6301c0f881e7f9cbdcd4203a155

É com pesar que o CONIC recebeu a notícia de falecimento da pastora luterana Rosa Marga Rothe, no último sábado, 4 de junho.

Rosa Marga Rothe nasceu em 01.06.1940 em Mückenberg, na Alemanha. Migrou com a família para o Brasil e, após duas décadas em Teófilo Otoni, Minas Gerais, fixou residência em Belém, onde se naturalizou (brasileira e paraense por opção).

Estudou Teologia na Universidade Federal do Pará e foi Especialista e Mestra em Antropologia Social. Sua paixão pelo Brasil a envolveu de corpo e alma na luta pelos direitos e a levou, entre tantas outras coisas, a fundar a Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (dados e informações prestados pelo nosso colega em Belém, P. Antonio Teles da Silva).

Na carta de condolências enviada pela Secretaria Geral e Presidência da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), lê-se: “A IECLB agradece a Deus pela vida da Pa. Rosa Marga. Ela era pessoa comprometida com o Evangelho e com as pessoas. Seu compromisso com a democracia e com os direitos humanos ultrapassa a memória de Belém e do Pará. Seu testemunho é referencial para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e também para o país.”

O Senhor é minha luz e minha salvação;
de quem terei medo?
O Senhor é a fortaleza da minha vida;
a quem temerei?
(Salmo 27.1)

Add a comment