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Será que mulheres são consideradas relevantes para a sociedade? Será que desejamos, de fato, que mulheres participem ativamente nos espaços políticos de decisão? Ou será que a importância da mulher é pura retórica?

Muitas vezes, observando as dinâmicas sociais, quase chego à conclusão de que nós, mulheres, não temos real importância para a sociedade e nem para a política formal. Nós somos parte daquele grupo social sobre o qual é bom falar quando se deseja mostrar inclusividade, mas, na hora de mostrar na prática que a transformação nas relações sociais é possível, ai...bem...a conversa muda! Somos o tema que se pode deixar para depois.

Por que nosso desejo de participação, protagonismo, liberdade, autonomia acaba sendo sempre colocado em segundo plano? Uma das respostas possíveis é que somos um desses temas que provoca a pergunta sobre atéonde estamos dispostos a ir quando falamos em participação das mulheres na sociedade e na política?

A plena inserção das mulheres nas diferentes esferas da vida traz à tona a incômoda, indesejável e provocativa discussão sobre relações de poder. Sem uma disposição profunda de transformação nos paradigmas que orientam as relações de poder, não haverá mudanças para nós mulheres.

Acontecimentos recentes no país têm indicado, que qualquer discussão que problematize as relações de poder entre mulheres e homens é rapidamente banida. Falar sobre a situação em que vivem as mulheres brasileiras é perigoso e um ato de subversão da ordem!

No entanto, não há como deixar de falar sobre este assunto, porque mulheres estão sendo agredidas e assassinadas todos os dias em nosso país.

Dados nacionais sobre a violência contra as mulheres de 2015, chamam a atenção que dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2014, 50,3% foram cometidos por familiares das vítimas. A maioria desses crimes, 33,2% foram praticados pelos parceiros das mulheres assassinadas. O Mapa da Violência 2015 chama a atenção que o número de mortes violentas de mulheres negras cresceu em 54% entre 2003 e 2013.

Mais do que contabilizar as agressões e as mortes de mulheres, estes dados revelam uma profunda cultura misógina, ou seja, de ódio contra as mulheres. Outros fatos que também indicam que a cultura misógina é um elemento que não pode ser ignorado, são: as agressões verbais dirigidas contra mulheres parlamentares no Congresso Federal e as expressões de ódio dirigidas contra a presidente do Brasil no processo de admissibilidade do impedimento da chefe maior do Estado brasileiro. A expressão máxima desse ódio foi a declaração do voto do parlamentar que homenageou o coronel Ustra, que torturou a presidenta Dilma, no período em que ela esteve presa. Esta foi a consagração e a expressão máxima da misoginia brasileira.

A nossa presença na política brasileira incomoda. Ainda mais quando não fortalecemos o papel de sermos sedutoras, frágeis e manipuláveis.

A presença de mulheres no Congresso Federal mostra o quanto precisamos avançar para aprofundarmos nosso processo civilizatório. Nós, mulheres, representamos 51,51% da população total do país. Entretanto, nossa presença na política formal é mínima. No Senado Federal representamos 15,81%. Na Câmara dos Deputados somos 9, 94%. Na política formal, juntando Senado e Câmara dos Deputados, representamos 10,6% do total de políticos. Este é um percentual nada significativo, depois de tantos anos de luta das mulheres.

Assustam também os retrocessos que temos sofrido. O tema participação da mulher na sociedade é um tema sussurrado, porque mulher foi transformado em um tema tabu.

Para transformar a situação em que vivem as mulheres, em especial, as mulheres pobres, é necessário falar abertamente sobre a pergunta “até onde estamos dispostos e dispostas a ir” para que as mulheres sejam realmente sujeitos de sua própria história? Temos disposição de abrir mãos dos nossos micro poderes? Sem a superação dos tabus criados em torno dos direitos humanos para mulheres, o reconhecimento da nossa participação na sociedade e na política será sempre um reconhecimento parcial, nunca pleno.

Enquanto isso, mulheres continuarão sendo assassinadas e humilhadas e seus agressores invocados como heróis.

Texto escrito pela secretária-geral do CONIC, Romi Bencke,
para o jornal Conquistar, da Pastoral Operária.

Ilustração: Jarbas/Arte DP/ D.A.Press

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“Semear a Palavra – Missão da SBB” é o tema da tradicional campanha de aniversário da Sociedade Bíblica do Brasil para este ano, uma forma de ressaltar a importância do trabalho da organização na disseminação das Escrituras. Desta vez, a iniciativa apresenta um diferencial: inspirada no programa Clube Uma Bíblia por Mês, busca conquistar mais apoiadores estratégicos para a Causa da Bíblia, sensibilizando-os a fazer ofertas mensais.

A ideia surgiu da observação de que igrejas e pessoas que ofertam anualmente por ocasião do aniversário da SBB, colaborando para a manutenção do trabalho bíblico, agem com o mesmo propósito do programa Clube uma Bíblia por Mês: fazer a Bíblia chegar às mãos de pessoas em situação de risco e vulnerabilidade social, por meio de ações missionárias com impacto social.

“Muitas dessas pessoas e igrejas têm o perfil para assumir um compromisso mensal com a distribuição gratuita de Bíblias”, afirma Mário Rost, gerente de Desenvolvimento Institucional e coordenador da campanha. Com o novo direcionamento, ele acredita, que será possível alcançar um engajamento mais duradouro.

Prestes a completar 68 anos, no dia 10 de junho, a SBB se mantém atenta a todas as oportunidades de divulgar seus objetivos em favor da Causa da Bíblia. O tema “Semear a Palavra – Missão da SBB” vem ao encontro deste esforço, no sentido de explicitar de que os recursos doados como presente pelo aniversário serão integralmente utilizados na distribuição de Bíblias para os diversos públicos atendidos: crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos.

“Ofertando para a SBB, os doadores estarão presenteando a mais incrível de todas as sementes, a que transforma vidas”, ressalta Rost. E o importante é que todos os interessados terão opção de contribuir, mensalmente ou em ofertas avulsas.

As pessoas que decidirem fazer uma oferta avulsa (individual) podem escolher quantas Bíblias querem doar nesta ocasião. Por exemplo, uma Bíblia, R$ 20,00; duas Bíblias, R$ 40,00; dez Bíblias, R$ 200, 00, e assim por diante. Basta fazer a transferência ou depósito no Banco Bradesco – agência 3390-1, conta corrente 18.512-4. Solicita-se que seja enviado comprovante, com nome e CPF/CNPJ, para relacionamento@sbb.org.br.

Aqueles que quiserem aderir ao Programa Clube Uma Bíblia por Mês, passando a ofertar mensalmente, podem confirmar sua inscrição por telefone 0800-727-8888, pelo e-mail relacionamento@sbb.org.br ou no site www.sbb.org.br/.

A SBB: Fundada em 1948, no Rio de Janeiro, a Sociedade Bíblica do Brasil tem como missão "promover a difusão da Bíblia e sua mensagem como instrumento de transformação e desenvolvimento integral do ser humano”. É uma entidade sem fins lucrativos, de natureza religiosa, social e cultural. Sua finalidade é traduzir, produzir e distribuir a Bíblia, um bem de valor inestimável, que deve ser disponibilizado a todas as pessoas. Por seu caráter social, desenvolve programas com o objetivo de promover o desenvolvimento espiritual, ético e social da população brasileira.

Foto: Daniel de Oliveira

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É com pesar que o CONIC recebeu a notícia de falecimento da pastora luterana Rosa Marga Rothe, no último sábado, 4 de junho.

Rosa Marga Rothe nasceu em 01.06.1940 em Mückenberg, na Alemanha. Migrou com a família para o Brasil e, após duas décadas em Teófilo Otoni, Minas Gerais, fixou residência em Belém, onde se naturalizou (brasileira e paraense por opção).

Estudou Teologia na Universidade Federal do Pará e foi Especialista e Mestra em Antropologia Social. Sua paixão pelo Brasil a envolveu de corpo e alma na luta pelos direitos e a levou, entre tantas outras coisas, a fundar a Sociedade Paraense de Defesa de Direitos Humanos (dados e informações prestados pelo nosso colega em Belém, P. Antonio Teles da Silva).

Na carta de condolências enviada pela Secretaria Geral e Presidência da Igreja Evangélica de Confissão Luterana (IECLB), lê-se: “A IECLB agradece a Deus pela vida da Pa. Rosa Marga. Ela era pessoa comprometida com o Evangelho e com as pessoas. Seu compromisso com a democracia e com os direitos humanos ultrapassa a memória de Belém e do Pará. Seu testemunho é referencial para a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e também para o país.”

O Senhor é minha luz e minha salvação;
de quem terei medo?
O Senhor é a fortaleza da minha vida;
a quem temerei?
(Salmo 27.1)

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La Red de Mujeres y Justicia de Género de las Iglesias miembro de la Federación Luterana Mundial (FLM) en América Latina y el Caribe ha emitido un comunicado público expresando desacuerdo y no aceptación contra la violencia hacia las mujeres y la cultura de la violación que culpabiliza a las víctimas.

¡No en Nuestro Nombre!

Conscientes de las realidades de violencia desafiantes y sintiendo el dolor de muchas mujeres, jóvenes mujeres y niñas viven en el mundo que viven bajo culturas de violencia donde las violaciones y los feminicidios se siguen perpetrando atribuyendo la responsabilidad a las propias víctimas; la Red de Mujeres y Justicia de Género ha levantado la voz para “denunciar estas violencias y al mismo tiempo expresar una palabra de ánimo y de motivación desde la fe para seguir forjando procesos de cambio, de relaciones justas basadas en el amor y la justicia” indica el comunicado.

Las impactantes imágenes del video de la violación colectiva de una joven de 16 años en manos de aproximadamente 30 hombres ha sido el evento culminante que ha causado dolor e indignación entre las mujeres, lideres Cristianas y comunitarias y pastoras y teólogas quienes, haciendo uso de los medios de comunicación, decidieron expresar su indignación y rechazo a la brutalidad de la violencia contra las mujeres en el continente.

La Pastora Ángela Trejo Haager de la Iglesia Luterana Mexicana ha expresado junto con otras líderes su agradecimiento por el trabajo profético hecho durante estos días. "En Argentina marchamos de nuevo el viernes 3 de junio #Ni una menos. En Misiones cada día hay un nuevo crimen de violencia de género, sea violación, femicidio, u otro tipo de violencia" expresó Maria Elena Parras, Diácona de la Iglesia Evangélica Luteana Unida.

Cultura patriarcal y fundamentalismo religioso contribuyen a la violencia

La distribución social roles y poderes en la sociedad todavía guarda rasgos fuertes de una cultura patriarcal donde el ejercicio de la violencia contra las mujeres es casi “normalizado”. La Red de Mujeres, analiza los últimos acontecimientos políticos en la región que en gran medida son influenciados por grupos religiosos fundamentalistas, se desvincula de toda forma que use las escrituras para institucionalizar la violencia. “En el ámbito patriarcal se crea y mantiene una cultura de legitimación y normalización de la violencia” indica el comunicado. “Los fundamentalismos religiosos han empujado a que de nuevo las mujeres seamos silenciadas e invisibilizadas en todos los sectores religiosos, políticos y sociales. (…) En nombre de la religión y de una lectura fundamentalista y literal de la Biblia, ten textos sagrados se intenta sacralizar las injusticias usando el nombre de Dios para justificar prácticas de exclusión, maltrato, sufrimiento” explica el documento.

Las mujeres de la Red explican que el lenguaje religioso es sutilmente usado para continuar afirmando el poder de poco hombres contras muchos, especialmente contra las mujeres. La violencia verbal, que muchas veces se camufla en mensajes subliminales pero que afirman una segunda o tercera categoría para muchas poblaciones vulneradas, especialmente mujeres, en los tejidos sociales desfigura “la dignidad de las mujeres”. Por otro lado, el silencio de las organizaciones sociales, de la cual la iglesia hace parte, no solo amenazan a los cuerpos femeninos sino contribuyen a la violencia y concretamente al asesinato que las mujeres viven día a día.

“Anunciamos que ninguna forma de violencia va con el deseo de Dios quien como Padre y Madre ha creado al ser humano –hombre y mujer- a su imagen y semejanza (Génesis 1:27). Todos y todas somos personas dignas. En el texto bíblico encontramos narraciones que dan importancia y respeto a las corporalidades. Pero también encontramos una voz de denuncia ante los eventos de violencia basada en el género, doméstico, sexual, y de todo tipo” indica el comunicado.

¡Esto no puede seguir así; esto debe acabar!

El Secretario General de la FLM Rev. Dr. Martin Junge ha escrito una carta pública a las iglesias miembro de la FLM en la región expresando su total apoyo al poderoso y claro mensaje de la Red de Mujeres. No obstante, Junge afirma que la superación de toda forma de violencia no es un tema que trasciende la inquietud de las mujeres solamente. Este asunto concierne a todos, varones y mujeres. “La erradicación de todo tipo de violencia contra las mujeres no puede ser asunto de mujeres. Requiere de hombres y mujeres que a partir de su fe han comprendido que lo que culturalmente pueda aparecer como aceptable, el Evangelio lo desenmascara como inaceptable, y que los procesos de cambio necesariamente pasan por una transformación de las relaciones entre hombres y mujeres que coloque la dignidad y el bien de todas las personas al centro”.

La FLM está comprometida con la superación de la violencia contra las mujeres y promueve los documentos que la Secretaría para las Mujeres en la Iglesia y la Sociedad (MEIS) ha desarrollado y usa para el empoderamiento y la conversión: “La Iglesias dicen NO a la violencia contra las Mujeres” y la “Política de Justicia de Género”. “Insto a las iglesias a nuevamente retomar estos temas, o continuar profundizándolos. Las invito a sumarse a quienes desde otras vocaciones comparten la visión de superar la violencia contra la mujer. Las llamo a aportar a la conversión de mentes y corazones, desplegando con ello todo el potencial liberador del Evangelio de Jesucristo quien, antes de que perpetuar la violencia, tomó sobre si la violencia para que todos tengamos vida – vida en abundancia” termina su carta.

Llamado a la solidaridad y acciones contra la violencia

Animando a que las iglesias continúen involucradas en trabajar políticas de género, en promover la educación para el respeto, equidad, la justicia de género en las relaciones y estructuras de las propias iglesias, la Red de Mujeres hace un llamado para:

- Crear grupos de información y reflexión sobre el tema con jóvenes y adultos, ya sean laicos u ordenados
- Discutir sobre el lugar que tiene el tema de la violencia en su país y ciudad
- Enterarse de quienes trabajan en este tema en su país, ciudad (organismos gubernamentales, no gubernamentales, NGOs, iglesias, otros)
- Si todavía no es el caso, ¿cómo puede su iglesia unirse a estas organizaciones?
- ¿Cómo trata su iglesia este tema y cómo quisieran hacerlo desde ahora?
- Incluir este tema en las oraciones y liturgias de la iglesia.

Carta del Secretario General de la FLM

Fonte: Red de Comunicaciones FLM
Foto: Reprodução

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Por iniciativa do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC-RS) e da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), foi dado o primeiro passo para a criação do Fórum Inter-religioso e Ecumênico em Porto Alegre (RS), no dia 1º de junho, em um encontro que teve participação representativa e diversa. O fórum se propõe a ser um espaço livre e aberto para diálogo, reflexão e formação. Sua atuação vai se dar a partir de três eixos: Democracia, Diversidade e Direitos Humanos.

“Começamos a sonhar com esta proposta no Ato Inter-religioso e Ecumênico em Defesa da Democracia e Direitos, realizado no dia 14 de abril, em Porto Alegre”, disse o bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), presidente da Diretoria do CONIC/RS, Dom Humberto Maiztegui, na abertura do encontro. “É por isso que estamos aqui.” A secretária executiva da FLD, Cibele Kuss, pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), fez a acolhida, agradecendo pela resposta positiva ao convite.

Depois da apresentação individual, as pessoas dividiram-se em pequenos grupos, elencando suas expectativas em relação ao fórum, depois levadas à plenária: este deve ser plural, como também é a sociedade, deve ser um contraponto ao crescente conservadorismo no cenário religioso, comungar com as diferenças e cultivar o respeito, promover o diálogo, mas também garantir que ideias e ações tenham impacto para fora, na sociedade, construir uma caminhada conjunta entre as e os integrantes, criando vínculos de confiança e de participação política, entre diversas outras propostas .

Participaram do lançamento representantes de religião de matriz africana, de organizações cristãs, de entidades de ensino e de organizações da sociedade civil. Também estiveram presentes pessoas cidadãs, com interesse pela proposta.

A próxima reunião será no dia 30 de junho, às 18h30, novamente na sede da FLD, Rua Dr. Flores, 62, 9º andar, no Centro Histórico de Porto Alegre.

Fonte: www.fld.com.br
Foto: Reprodução

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luto cultura do estupro

Programa de Gênero e Religião da Faculdades EST

Nos últimos dias temos acompanhado a repercussão do crime do qual foi vítima uma adolescente no Rio de Janeiro. Aos 16 anos de idade ela foi vitimada por mais de 30 homens que cometeram estupro contra ela. Embora as palavras possam parecer fortes e, cada vez que são pronunciadas, violentem mais uma vez essa menina e todas as outras mulheres vítimas de violência ou com medo de serem a próxima, é preciso dizê-lo: enquanto do ponto de vista da lei se trata de um crime, do ponto de vista da teologia e da igreja se trata de um pecado cometido contra ela, contra todas as mulheres e toda a humanidade e contra Deus, que diz: Justiça quero, e não sacrifícios (Mateus 9.13).

A repercussão do caso gerou uma ampla reação e discussão, mobilizando principalmente grupos de mulheres e de defensoras e defensores de seus direitos. Surgiram campanhas e manifestações espontâneas em vários lugares e em diversos meios, denunciando a cultura do estupro e todas as formas de violência contra as mulheres. Infelizmente, entre essas manifestações também se contaram posicionamentos que perpetuam essa mesma cultura, buscando culpabilizar a vítima e justificar o injustificável. Dentre esses, alguns, inclusive, apelando para argumentos pseudo religiosos que tanto questionam a legitimidade da vítima quanto oferecem a adesão a uma instituição ou grupo religioso como forma de superação dessa realidade. Ora, como se a violência contra as mulheres não estivesse presente em nossas igrejas e não fossem elas e suas teologias, muitas vezes, que legitimassem esses mesmos atos.

Nesse sentido, como espaço que promove o ensino e a pesquisa sobre gênero e religião, tanto na instituição quanto para além dela, nos sentimos desafias a erguer nossa voz juntamente com tantas outras para denunciar tais injustiças que se materializam no sacrifício dos corpos de tantas mulheres todos os dias. Há décadas as teologias feministas têm denunciado uma teologia do sacrifício que, aplicada diferentemente para homens e mulheres, justifica atos de violência praticados contra mulheres como sofrimento justo a ser recompensado em uma outra vida. Esse tipo de teologia contraria a mensagem evangélica trazida por Jesus: eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância (João 10.10) e condiciona a graça e a justiça de Deus destinada a todas as pessoas como efeito de terem sido criadas à imagem e semelhança de Deus. Os sacrifícios e torturas a que milhares de mulheres são submetidas cotidianamente através de atos extremos como o estupro ou de práticas desumanizantes consideradas inocentes e que configuram a cultura do estupro atentam contra a vontade de Deus e a sua justiça.

Não podemos deixar de denunciar todo o sistema que permite que esse tipo de cultura e esse tipo de teologia se mantenham intactos. Nossas relações interpessoais e institucionais são marcadas por estruturas patriarcais que reproduzem as desigualdades de gênero, as quais se manifestam como violência e, muitas vezes, são aceitas como naturalizadas. No momento de crise política que vivemos em nosso país, não podemos deixar de relacionar o ataque às práticas democráticas em diversos âmbitos com o ataque e o retrocesso no campo dos direitos das mulheres. A misoginia que tem marcado os processos políticos vividos e as práticas políticas em âmbito governamental, restringindo legislações e políticas públicas de promoção da igualdade de gênero e proteção dos direitos das mulheres, é a mesma revelada no aumento de feminicídios e de outras formas de violência contra as mulheres em intensidade e frequência. Precisamos de novas relações que estejam pautadas pela justiça de gênero, pois não se coloca remendo de pano novo em roupa velha (Mateus 9.16).

Como sinal desse compromisso com a justiça de gênero nossa instituição adotou, em 2015, uma Política de Justiça de Gênero[1], seguindo a proposta da Federação Luterana Mundial que adotou documento semelhante em 2013 e tantas outras iniciativas em âmbito teológico e eclesiástico.[2] Esse ato é também resultado de uma caminhada de 25 anos da Cátedra de Teologia Feminista na Faculdades EST, agora assumida pelo Programa de Gênero e Religião, reafirmando através do ensino e da pesquisa a dignidade das mulheres e a necessidade do engajamento firme dos homens para a superação das relações injustas de gênero.

Como espaço de reflexão teológica que busca incidir na prática da Igreja da sociedade conclamamos todas as igrejas e grupos religiosos, em especial aos grupos de mulheres nesses espaços, para que se manifestem em solidariedade a todas as mulheres vítimas de violência e sejam espaços seguros e de acolhimento para essas mesmas vítimas, na esperança de que as pessoas que choram, serão consoladas (Mateus 5.4)!

[1] Disponível em: http://periodicos.est.edu.br/index.php/genero/article/view/2490.

[2] Veja o material “As igrejas dizem não à violência contra as mulheres” da Federação Luterana Mundial, disponível em: http://www3.est.edu.br/biblioteca/ebooks/Igrejas%20dizem%20nao%20a%20violencia.pdf; e material produzido pela Coordenação de Gênero da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil “Estudos sobre gênero”, disponível em: http://www.luteranos.com.br/conteudo/estudos-sobre-genero.

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Fiel à luta pela universalização do saneamento básico, a Assemae realizou, de 16 a 19 de maio, a 46ª Assembleia Nacional da entidade, que reuniu 1.874 participantes em uma intensa programação de palestras, painéis, apresentação de trabalhos técnicos e feira de tecnologias. O evento ocorreu na Sociedade Cultura Artística (Scar) de Jaraguá do Sul (SC), debatendo como tema central o acesso ao saneamento básico enquanto direito de todos. O 1º vice-presidente do CONIC, pastor Inácio Lemke, participou do evento falando sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica que, este ano, trabalhou o tema do saneamento.

A Assembleia unificou representantes de todas as regiões do país, entre gestores públicos, técnicos, ambientalistas, lideranças de movimentos sociais, empresários, pesquisadores e organizações não governamentais. A programação de debates abordou 13 temas sobre a gestão do saneamento básico, como os desafios para a manutenção de barragens, geração de eletricidade em saneamento, prevenção a enchentes, perspectivas de financiamentos públicos, gerenciamento de resíduos sólidos e a relação do saneamento com as doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti.

Segundo o presidente da Assemae, Aparecido Hojaij, o evento se consagrou como um dos principais pontos de encontro anual para o debate das políticas públicas relacionadas ao saneamento básico. “As Assembleias Nacionais representam um esforço contínuo da Assemae, que há 32 anos empunha a bandeira municipalista a favor da saúde da população brasileira e da preservação dos recursos naturais, ambas garantidas pela implementação das atividades do setor. Esperamos que as reflexões destacadas no evento sejam ecoadas nos gabinetes de nossos governantes, e que a força dos municípios nos conduza rumo à universalização do saneamento básico de qualidade”, destaca.

O prefeito de Jaraguá do Sul (SC), Dieter Janssen, afirmou ser uma honra para o município receber a Assembleia da Assemae, especialmente porque o evento abordou a questão do saneamento básico. “Temos uma cidade que cresce em parceria com o desenvolvimento sustentável. Daí a importância de mostrar os avanços de nosso município, incluindo a construção de obras e o apoio à gestão. Com este investimento nas ações de saneamento, quem ganha saúde e qualidade de vida é a população brasileira”, completa.

Conforme ressaltou o presidente da Assemae Regional de Santa Catarina e diretor-presidente do Samae de Jaraguá do Sul, Ademir Izidoro, a 46ª Assembleia da Assemae cumpriu seu papel de promover o debate nacional a respeito do saneamento básico público, tendo como meta a universalização do acesso aos serviços do setor. “Ao receber um evento dessa grandiosidade temos a oportunidade de mostrar o que temos feito de bom, e assim, podemos contribuir para a ampliação do conhecimento e da troca de experiências entre os profissionais”, disse.

Experiências exitosas foram apresentadas

A 46ª Assembleia também promoveu a 20ª Exposição de Experiências Municipais em Saneamento (EEMS), que apresentou mais de 140 trabalhos técnicos sobre temas do setor. Representando o SAAE de Guarulhos (SP), a proposta de ferramenta computadorizada para cadastro de redes em tempo real foi considerada o melhor trabalho da Exposição, com a autoria de Thiago Garcia da Silva Santim, Fernando Cesar Uzan e Luiz Eduardo Mendes.

Feira de saneamento mostrou tecnologias para o setor

Além da programação de debates, a 46ª Assembleia ofereceu uma feira de saneamento básico de 1.639m², com a participação de empresas nacionais e internacionais que fornecem tecnologias ao setor de saneamento. No local, os visitantes apreciaram diversas inovações tecnológicas em processos, serviços e equipamentos, sobretudo, para os operadores de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza e drenagem urbana.

Visitas técnicas atraíram grande público

No âmbito de atividades paralelas, os participantes da Assembleia tiveram a oportunidade de realizar visitas monitoradas à sede da empresa WEG, uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, e também à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) São Luís, inaugurada em março desse ano. A programação do encontro disponibilizou, ainda, um minicurso sobre modelagem hidráulica em redes de água e esgoto, que foi recorde de inscrições.

Carta de Jaraguá do Sul reafirma compromisso da Assemae com a gestão pública

Como resultado do evento, a Assembleia Geral de associados aprovou a “Carta de Jaraguá do Sul”, documento que reafirma o compromisso da Assemae a favor do municipalismo autônomo e soberano nos rumos do saneamento básico. De acordo com o texto, a entidade não medirá esforços para que os serviços municipais tenham capacidade técnica e financeira de gestão, garantindo a continuidade da prestação dos serviços, a manutenção da estrutura e a otimização dos recursos disponíveis.

Fonte: Assemae
Foto: Reprodução

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A última quinzena do mês de maio foi bastante movimentada para a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke. Entre os dias 18 e 30, ela cumpriu uma série de compromissos representando o Conselho de Igrejas. Romi é pastora luterana, vinculada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Consulta Educação, Transformação e Reforma

De 18 a 22, Romi participou da Consulta Educação, Transformação e Reforma. O evento, que está inserido no contexto do jubileu da Reforma Protestante (que em 2017 completa 500 anos), foi realizado em Halle e é uma continuidade da Consulta – de mesmo teor – realizada 2015, em São Leopoldo (RS). O objetivo principal desse evento foi refletir sobre os significados da Reforma para a atualidade.

Cerca de 140 pessoas, oriundas de países da África, América Latina, América do Norte e da Europa, participaram das discussões. Entre os assuntos debatidos, em plenárias e oficinas, estava a relevância da Reforma para as tradições eclesiais originárias desse processo. Ações diaconais e sociais promovidas pelas diversas Igrejas envolvidas foram discutidas e avaliadas.

O documento final da Consulta enfatizou que são necessárias formas criativas e inovadoras para a promoção da aprendizagem ecumênica global, capazes de incentivar diálogos interculturais e parcerias transnacionais entre diferentes igrejas. Ao mesmo tempo, as congregações e igrejas precisam ser transformadas para que nenhuma pessoa seja excluída.

A transformação exige o envolvimento de todo o povo de Deus. As vozes dos povos indígenas devem ser ouvidas, as mulheres valorizadas como sujeitos. As comunidades deveriam compreender-se como comunidades de diversidade intercultural, abertas ao diálogo e à mudança.

Para que as igrejas sejam agentes de transformação é necessário abertura para o contexto e a tolerância. Igrejas precisam ser agentes de reconciliação, oferecendo um testemunho profético.

Em relação ao atual contexto mundial, o documento final da Consulta destacou que o mundo precisa de transformação. As realidades são de fragmentação e conflitos. Muitas das tensões atuais envolvem fundamentalismo religioso. Muitas violências são justificadas com a instrumentalização da religião. É tarefa da educação teológica promover uma compreensão crítica dos textos sagrados e das tradições religiosas para superar o comportamento religioso que legitima a promoção da violência e das divisões entre diferentes tradições de fé.

A Reforma Protestante foi um não à ganância financeira, à corrupção e à idolatria religiosa. Os princípios da Reforma têm profundas implicações para o reconhecimento, promoção e desenvolvimento de alternativas para as realidades econômicas atuais. Por isso, é fundamental o empenho em favor dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio da Organização das Nações Unidas. Igrejas e organizações religiosas têm um contributo significativo para oferecer. Elas podem contribuir para o fortalecimento da relação entre educação e de desenvolvimento holísticos. Nestas tarefas, transformação social, ecológica, econômica e espiritual precisa ir de mãos dadas.

A Consulta foi promovida por: Pão Para o Mundo, EMW, Faculdades EST, martim-Luther Universität Halle-Wittenberg, Frankesche Stiftungen zu Halle, e recebeu o apoio de: CMI, Federação Luterana Mundial, EKDA (Igreja Evangélica da Alemanha) e Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas.

Do Brasil, participaram pessoas das Faculdades Est (professores e estudantes), CONIC e Pe. Elias Wolff (Católico Romano e membro da Comissão Teológica do CONIC).

Outros compromissos

Também fizeram parte da agenda da pastora Romi as seguintes atividades:

- 23 a 25 de maio: reunião de trabalho com Misereor

- 25 a 27: reunião com Christian Aid

- 28 a 30: participação no Dia da Igreja Católica, em Leipzig

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Nós da Comunidade Anglicana Bom Pastor – Vitória, ES, da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, não encontramos palavras para descrever nosso repúdio, nossa indignação e nossa revolta contra toda a violência sexual, física, moral, psicológica, dentre outras violências as quais as mulheres vêm sendo submetidas hoje e sempre em nosso país.

As terríveis notícias da adolescente de 16 anos barbaramente estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro e da adolescente de 17 estuprada por 5 homens no Piauí, nos causam profunda dor e indignação. Contudo, não devemos nos enganar, esses não foram casos isolados, os estupros coletivos no Brasil ocorrem com frequência. O fato é que no Brasil uma mulher é estuprada a cada 11 minutos.

Vivemos numa sociedade machista e patriarcal, herdamos a noção que mulher é propriedade do homem e a nossa educação que é impedida de falar sobre questões de gênero na escola ainda hoje cultiva isso, pois, os meninos não são educados a respeitar as mulheres. Também os meios de comunicação com propagandas favorecem a cultura machista seja pela objetificação da mulher como em propaganda de cervejas ou de desodorantes que mostram as mulheres como se estivessem disponíveis aos homens ou em novelas e programas de TV onde a violência contra a mulher é banalizada e romantizada – muito distante da realidade que frequentemente termina em morte de mulheres – ou pelo reforço de papéis sociais onde as mulheres são diminuídas e colocadas em papéis domésticos ou em funções de dependência do homem. Com tudo isso, vemos que não educamos os futuros homens do Brasil.

É nosso dever como Igreja de Cristo não permanecer alheios e omissos nesta situação, portanto, devemos denunciar e agir contra toda a violência contra as mulheres. Precisamos nos conscientizar dos erros do passado e do presente para mudar nossos corações para que, renovados pelo Espírito Santo, possamos seguir o exemplo de Cristo que, em sua caminhada na terra, sempre acolheu e protegeu às mulheres até das leis da sua época.

Devemos assumir que mudança dessa cultura machista e patriarcal depende de todos nós, que todos nós sejamos responsáveis debatendo e combatendo todas as formas de violência contra a mulher dentro e fora das igrejas, sobre tudo nas escolas; que as autoridades ajam com rigor contra esses e contra todos os crimes cometidos contra as mulheres, visto que a sensação de impunidade contribui com a ocorrência da violência; que tenhamos em mente que o combate ao machismo e sexismo precisar ser um assunto fundamental dentro da Igreja.

Rogamos a Deus que as duas adolescentes possam reorganizar suas vidas, com o acompanhamento das famílias e amigos e o consolo e conforto para todas as mulheres vítimas da violência sexual. E, pedimos também que Deus de coragem a todos os homens para assumir a responsabilidade pelo enfrentamento de todas as violências contra as mulheres.

Comunidade Anglicana Bom Pastor – Vitória ES

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blue entrega certificado
 
“É com grande prazer que conferimos à Universidade Federal de Lavras o certificado Blue University – a segunda universidade do mundo a receber o reconhecimento”. Essa foi a declaração de Maude Barlow, cofundadora e líder do movimento global Blue Community (Projeto Comunidades Azuis) – do Council of Canadians, durante  conferência internacional realizada no dia 13 de maio, na Universidade de Berna, Suíça. O certificado foi recebido pelo reitor da UFLA, professor José Roberto Scolforo, idealizador e gestor do Plano Ambiental e Estruturante que conduziu a Instituição ao status de universidade mais sustentável do País e exemplo internacional de gestão ambiental.
 
O reconhecimento internacional é fruto das ações implementadas na Universidade, atendendo a seis critérios fundamentais: reconhece a água como um direito humano; promove o consumo de água por meio de infraestrutura pública e gratuita; a gestão da água é de forma responsável; mantém serviços de tratamento da água para consumo e residuais; cultiva parcerias para defender o direito à água em nível internacional e desenvolve pesquisas sobre a gestão sustentável da água.
 
A UFLA é a segunda universidade do mundo a receber o reconhecimento, a primeira foi a Universidade de Berna. O certificado atesta que a Universidade é uma instituição que pratica e defende os recursos hídricos compartilhados. Um reconhecimento de que a Universidade prima pela produção, tratamento, uso e reaproveitamento da água.
 
Para Scolforo, um momento de realização e alegria. “Gostaria de dividir com toda a comunidade da UFLA e a cidade de Lavras e região um dos mais expressivos certificados que a Universidade já ganhou durante toda a sua história. A certificação ‘Universidade Azul’ é decorrente da gestão democrática das águas e da responsabilidade ambiental confirmada pelas ações praticadas em nosso câmpus”, considerou o reitor.
 
Resgatando brevemente as linhas prioritárias do Plano Ambiental e Estruturante, Scolforo destaca as ações de revegetação e proteção das nascentes, o tratamento adequado da água e com qualidade, sua distribuição democrática e o tratamento de esgoto que além de tratar a água residuárias de todo os processos, fornece água para reuso em atividades de irrigação dentro do câmpus. “As práticas sustentáveis influenciaram de forma positiva o envolvimento de toda a comunidade acadêmica, ampliando o orgulho de pertencer à Instituição”, enfatizou.
 
“Naturalmente, esse certificado aumenta a responsabilidade da Universidade, sobretudo, na gestão dos recursos hídricos. Vamos continuar contando com a colaboração de todos para aprimorar nossos processos e tornar nossa Instituição cada vez mais reconhecida internacionalmente como exemplo de gestão ambiental. Ficamos encantados com a receptividade e ainda mais felizes por sermos a segunda Universidade a receber a certificação no mundo”, destacou, reconhecendo a missão de levar essa experiência para além dos muros da Universidade, impactando positivamente as cidades do nosso entorno, do Estado e do País.
 
De forma simbólica, o certificado reforça os ideais da UFLA no que tangem à conservação do meio ambiente, em três vertentes fundamentais: formação de profissionais mais conscientes e com vivência de práticas de sustentabilidade tornando-se embaixadores dessa causa no mercado de trabalho; incentivar que a extensão universitária compartilhe soluções e práticas reais para a transformação da sociedade; e, por fim, ampliar a rede de colaboradores e parceiros, para a definição de políticas que sejam de convergência com o desenvolvimento sustentável.
 
Representação institucional
 
A cerimônia da entrega do certificado contou com a presença do diretor de Relações Internacionais da UFLA, professor Antônio Chalfun Junior; do pró-reitor de Pesquisa, professor José Maria de Lima; do pró-reitor de Extensão e Cultura, professor José Roberto Pereira.
 
A cerimônia teve a participação de Franklin Frederick , defensor das causas que envolvem a água como bem público e um dos articuladores da iniciativa junto a Council of Canadians.
 
O evento ainda teve a presença do promotor de Justiça Bergson Cardoso Guimarães, convidado pelos organizadores do evento para explanar sobre o papel da promotoria pública brasileira em defesa da ordem jurídica, do Regime Democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. A cerimônia também contou com a presença do conselheiro Rubem Mendes de Oliveira, representando o  embaixador do Brasil na Suíça, José Borges dos Santos Júnior.
 
Maude Barlow foi convidada e aceitou publicamente o convite do reitor para visitar a UFLA e palestrar no próximo Dia Mundial da Água, em 22 de março de 2017.
 
Plano Ambiental premiado
 
Associado à necessidade de se organizar para acomodar novos públicos, a Universidade tinha, em 2008, o desafio de resolver problemas ambientais que marcavam a rotina no câmpus. Diante do cenário, o professor Scolforo, na época pró-reitor de Planejamento e Gestão idealizou o Plano Ambiental e Estruturante, com ações que previam a resolução dos problemas existentes e a garantia de um crescimento sustentável. Para tal, buscou a colaboração de professores, técnicos administrativos e estudantes e, juntos, possibilitaram o desenvolvimento do Plano. Com medidas que envolveram toda a comunidade acadêmica, a experiência resultou em reconhecimento externo, com a conquista de prêmios nacionais e a primeira colocação na América Latina no principal ranking internacional de sustentabilidade. Em apenas oito anos, tornaram-se visíveis os reflexos que essas práticas projetaram sobre a reputação, a identidade e a imagem organizacional. Atualmente reconhecida como “Eco Universidade”, a instituição teve um percurso de sucesso no trato com as questões ambientais.
 
O desafio da gestão hídrica
 
Todos os dias, são gastos na UFLA 800 mil litros de água tratada, 120 mil litros de água não tratada nas estufas e casas de vegetação, 80 mil litros no atendimento aos animais dos departamentos de Medicina Veterinária (DMV) e Zootecnia (DZO), além de 50 mil litros com as obras em andamento. Esse volume vem de reservas da própria Universidade, alimentadas por 15 nascentes presentes na instituição.
 
Reservas próprias: benefícios para o ensino e a pesquisa na Instituição
 
Já é uma realidade a nova estrutura da Estação de Tratamento de Água, que permite o processamento de 1,6 milhão de litros de água por dia, atendendo com folga à demanda crescente da Universidade, com a abertura dos novos cursos. Além disso, em todas as novas estruturas físicas que estão sendo construídas na UFLA, as torneiras são automáticas e os vasos sanitários têm caixas acopladas, o que contribuirá para diminuir o consumo. De forma adicional, está em curso processo para a reforma de 50 banheiros presentes nas estruturas antigas da Instituição.
 
A utilização, pela UFLA, da água de reservas próprias e o tratamento de esgoto possibilitam uma economia financeira de R$ 6 milhões ao ano, recursos que são aplicados na melhoria da qualidade do ensino. O tratamento da água e do esgoto pela instituição contribui para o desempenho positivo na área ambiental, é fonte de pesquisa para iniciação científica e pós-graduação, além de constituir espaço de ensino em que os estudantes podem ter acesso a laboratórios reais de tratamento de água e de esgoto.
 
Proteção da nascente principal da UFLA
 
A nascente principal está localizada fora da área da Universidade. Ao longo do tempo, ações vêm sendo desenvolvidas, envolvendo diferentes atores sociais, para que ela possa ser preservada e revitalizada. Entre as ações já em execução estão a contenção de encostas, com terraceamento e construção de bacias de contenção.
 
Ativação de três poços artesianos
 
Três poços, com vazão total de 400 mil litros de água, foram abertos em 2014. Já existiam também dois outros poços em atividade, que servem ao alojamento estudantil e à parte da experimentação implantada na UFLA.
 
Revegetação de nascentes
 
A revegetação de nascentes é outra medida em andamento, que deve resultar em retorno mais efetivo em médio e longo prazo. Há seis anos, o procedimento foi iniciado, já tendo sido plantadas na UFLA 90 mil mudas de 49 espécies diferentes. Em 2016, os plantios continuam e devem envolver 50 mil mudas.
 
Substituição dos destiladores dos laboratórios
 
Os destiladores que havia em todos os laboratórios da UFLA foram substituídos em 2012 por purificadores que operam por osmose reversa. O sistema possibilita a economia de 90% no consumo de água. Esses destiladores consumiam 100 mil litros de água em  8 horas de funcionamento; os purificadores reduziram o gasto para 10 mil litros de água.

Fonte: UFLA (Ascom)
Foto: Reprodução
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