"Neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os padres enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação", afirmou o Papa Francisco, na manhã do último sábado, 21 de outubro, no Vaticano, ao receber em audiência a Comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro de Roma, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
 
O Papa chamou a atenção para a 'doença' do 'academicismo' e a tentação de fazer dos estudos um mero meio de engrandecimento pessoal e alertou para que os padres não se deixem "levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo". "Por favor, pediu Francisco, não se esqueçam que antes de serem mestres e doutores, vocês são e devem permanecer padres, pastores do povo de Deus!"
 
Eis o texto.
 
Queridos irmãos e irmãs,
 
Recebo-lhes hoje, por ocasião dos trezentos anos do achado da veneranda Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Agradeço o Cardeal Sérgio da Rocha, Presidente da CNBB, pelas palavras amáveis que me dirigiu, em nome de toda a Comunidade presbiteral do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, juntamente com as religiosas e funcionários que colaboram para fazer dessa casa “um pedacinho do Brasil em Roma”.
 
Como é importante sentir-se num ambiente acolhedor, quando estamos longe e com saudades da nossa terra! Isso ajuda a superar as dificuldades para adaptar-se a uma realidade onde a atividade pastoral não é mais o centro do dia-a-dia. Vocês já não são mais párocos ou vigários, mas padres estudantes. E, essa nova condição pode trazer o perigo de gerar um desequilíbrio entre os quatro pilares que sustentam a vida de um presbítero: a dimensão espiritual, a dimensão acadêmica, a dimensão humana e a dimensão pastoral. Evidentemente, neste período concreto da vida de vocês, a dimensão acadêmica vem acentuada. Contudo, isso não pode significar um descuido das outras dimensões.
 
É preciso cuidar da vida espiritual: a Missa diária, a oração quotidiana, a lectio divina, a oração pessoal com o Senhor, a recitação do terço. Também a dimensão pastoral deve ser cuidada: na medida do possível, é saudável e recomendável desenvolver algum tipo de atividade apostólica.
 
E, pensando na dimensão humana, é preciso, acima de tudo, evitar que, diante de um certo vazio ligado à solidão, por não ter mais a consolação do povo de Deus, como quando estavam nas suas dioceses, acabe-se perdendo a perspectiva eclesial e missionária dos estudos. Isso abre a porta para algumas “doenças” que podem afetar o padre estudante, como por exemplo o “academicismo” e a tentação de fazer dos estudos um mero meio de engrandecimento pessoal. Em ambos os casos acaba-se por sufocar a fé que temos a missão de guardar, como pedia São Paulo à Timóteo: «Guarda o depósito que te foi confiado. Evita as conversas frívolas de coisas vãs e as contradições da falsa ciência. Alguns por segui-las, se transviaram da fé» (1Tm 6, 20-21). Por favor, não se esqueçam que antes de serem mestres e doutores, vocês são e devem permanecer padres, pastores do povo de Deus!
 
Mas como então manter o equilíbrio entre esses quatro pilares fundamentais da vida sacerdotal? Eu diria que o remédio mais eficaz contra esse perigo é a fraternidade sacerdotal. Na verdade, a nova Ratio Fundamentalis para a formação sacerdotal, ao tratar do tema da formação permanente, afirma que «primeiro âmbito em que se desenvolve a formação permanente é a fraternidade presbiteral» (n. 82). Essa é, portanto, como que o eixo da formação permanente. Isso se fundamenta no fato de que, pela Ordenação sacerdotal, participamos do único sacerdócio de Cristo e formamos uma verdadeira família. A graça do sacramento assume e eleva as nossas relações humanas, psicológicas e afetivas e «se revela e concretiza nas mais variadas formas de ajuda recíproca, não só espirituais mas também materiais» (João Paulo II, Pastores dabo vobis, 74).
 
Na prática, isso significa saber que o primeiro objeto da nossa caridade pastoral deve ser o nosso irmão no sacerdócio: «carregai – nos exorta o Apóstolo – os fardos, uns dos outros; assim cumprireis a Lei de Cristo» (Gal 6,2). Rezar juntos, compartilhar as alegrias e desafios da vida acadêmica. Ajudar àqueles que sofrem mais com as saudades. Sair juntos para passear. Viver como família, como irmãos, sem deixar ninguém de lado, sobretudo aqueles que passam por alguma crise ou, quem sabe, têm comportamentos repreensíveis, pois «a fraternidade presbiteral não exclui ninguém» (Pastores dabo vobis, 74).
 
Queridos sacerdotes, o povo de Deus gosta e precisa de ver que seus padres se amam e vivem como irmãos, ainda mais pensando no Brasil e nos desafios tanto de âmbito religioso como no social que lhes esperam ao retorno. De fato, neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os padres enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação.
 
Para isso, contem sempre com uma ajuda particular: a ajuda da Nossa Mãe do Céu, a quem vocês brasileiros chamam de Nossa Senhora Aparecida. Vem a minha mente as palavras daquele canto com o qual vocês a saúdam: «Virgem santa, Virgem bela; Mãe amável, mãe querida; Amparai-nos, socorrei-nos; Ó Senhora Aparecida». Que essas palavras se confirmem na vida de cada um de vocês. Possa a Virgem Maria, amparando e socorrendo, ajudá-los a viver a fraternidade presbiteral, fazendo com que o período de estudos em Roma tenha muitos frutos, para além do título acadêmico.
 
Que Ela, Rainha do Colégio Pio Brasileiro, ajude a fazer desta comunidade uma escola de fraternidade, transformando cada um de vocês em um fermento de unidade para as suas Dioceses, pois a “diocesanidade” do sacerdote secular se alimenta diretamente da experiência da fraternidade entre os presbíteros. E, para confirmar esses votos, concedo de coração à direção, alunos, religiosas e aos funcionários juntamente com suas famílias, a Bênção Apostólica, pedindo também que, por favor, não deixem de rezar por mim. Obrigado.
 
Fonte: IHU Unisinos
Obs.: o título foi adaptado

 
Entre os dias 16 e 18 de outubro, o Instituto São Boaventura de Brasília (ISB) recebeu a primeira Jornada Teológica com o tema "500 anos da Reforma Protestante de Martin Lutero".
 
A finalidade era realizar um tempo de reflexão e ecumenismo. Dentre os temas e conferencistas estavam a pastora Romi Bencke, que no primeiro dia refletiu “A liberdade cristã em Martin Lutero”. Já no segundo dia da Jornada, o pastor Leônidas Guelli refletiu o tem dos “Fundamentos da Reforma Radical” e, por fim, no último dia realizou-se a celebração ecumênica no templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Brasília (IECLB).
 
Segundo o Reitor do ISB, frei Rafael Normando, esse foi um momento de reflexão e comunhão entre os católicos, de modo especial a comunidade franciscana do ISB, e os luteranos por terem realizado passos concretos de comunhão e oração acerca dos 500 anos da Reforma.
 
Na celebração, católicos e luteranos, além de celebrarem a palavra de Deus em comum, trocaram presentes simbólicos de comunhão. Da parte dos franciscanos, um TAU foi presenteado à comunidade luterana. Os luteranos entregaram aos frades um símbolo da Reforma.
 
Com informações do ISB
Foto: Reprodução

 
Com a passagem do Livro do Levítico em que o Senhor anuncia a Moisés que o quinquagésimo ano prevê a libertação dos escravos e uma referência ao Decreto Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II, o Papa Francisco abriu o seu discurso à delegação do Conselho Metodista Mundial, recebido em audiência na manhã da última quinta-feira, 19/10, no Vaticano.
 
O encontro realizou-se por ocasião do 50º aniversário do início do diálogo teológico metodista-católico. “Somos agradecidos a Deus porque, num certo sentido, podemos proclamar termos sido libertados da escravidão da estranheza e da suspeita recíproca”.
 
Recordando as palavras de São Paulo, o Papa recordou que temos um Batismo comum, “somos e nos sentimos familiares de Deus. E esta consciência nos levou ao diálogo”.
 
O Concílio Vaticano II exorta a existir “um conhecimento mais profundo e um apreço mais justo entre os cristãos das diversas Confissões, por meio de um diálogo que proceda “com amor da verdade,com caridade e com humildade”.
 
“O diálogo verdadeiro – enfatizou o Papa – encoraja continuamente uns aos outros, sem irenismos e sem fingimentos. Somos irmãos que, depois de uma longa separação, estão felizes em se reencontrar e se redescobrir reciprocamente, de caminhar juntos, abrindo com generosidade o coração ao outro”.
 
“Assim prosseguimos, sabendo que este caminho é abençoado pelo Senhor: por Ele foi iniciado e a Ele é dirigido”.
 
“Os outros familiares de Deus podem nos ajudar a nos aproximarmos ainda mais ao Senhor – prosseguiu o Papa, recordando o convite à santidade do teólogo John Wesley, fundador do movimento protestante metodista – e estimular-nos a dar um testemunho mais fiel ao Evangelho”.
 
“Quando vemos sinais de vida santa nos outros, quando reconhecemos a ação do Espírito Santo nas outras Confissões cristãs, não podemos que não nos alegrar. É belo ver como o Senhor semeia largamente seus dons, é belo ver irmãos e irmãs que abraçam em Jesus a nossa mesma razão de vida”.
 
A fé torna-se tangível, sobretudo quando “se concretiza no amor”, e, em particular, “no serviço aos pobres e aos marginalizados”, como resposta ao antigo convite da Palavra: “Proclamem a libertação para todos os moradores, para todos os habitantes do país”:
 
“Quando católicos e metodistas acompanham e levantam juntos os fracos e os marginalizados – aqueles que mesmo habitando as nossas sociedades, se sentem distantes, estrangeiros, estranhos – respondemos ao convite do Senhor”
 
Trata-se do “mesmo chamado à santidade que, sendo chamado à vida de comunhão com Deus – enfatizou Francisco – é  necessariamente chamado à comunhão com os outros”.
 
Olhando em frente, temos uma certeza: “De não poder crescer na santidade sem crescer em uma maior comunhão”.
 
Neste sentido, a exortação para  prosseguir no caminho que se abre “com uma nova fase de diálogo que está por aproximar-se sobre o tema da reconciliação”.
 
“Não podemos falar de oração e caridade se, juntos, não rezamos e não trabalhamos pela reconciliação e pela plena comunhão entre nós”.
 
“Que o vosso trabalho pela reconciliação seja um dom, e não somente para as nossas comunidades, mas para o mundo: seja de estímulo a todos os cristãos a serem em todos os lugares ministros de reconciliação.  É o Espírito Santo que realiza o milagre da unidade reconciliada. E o faz com o seu estilo, como fez em Pentecostes, suscitando carismas diversos e recompondo tudo em unidade, que não é uniformidade, mas comunhão. Por isto é necessário que estejamos juntos, como os discípulos a espera do espírito, como irmãos a caminho”.
 
O dom da graça que “descobrimos uns nos outros”, com o consequente enriquecimento recíproco e a consciência de sermos “irmãos e irmãs em Cristo”, marcam aquele novo tempo – explica o Papa – para o qual devemos “nos preparar, com esperança humilde e empenho concreto”, ao “pleno reconhecimento que terá lugar, com a ajuda de Deus, quando finalmente podermos nos reencontrar juntos na fração do Pão”.
 
Ao concluir, o Papa Francisco convidou todos a rezarem juntos o Pai Nosso, para que o Senhor conceda “o pão de cada dia” em sustento do novo caminho comum.
 
Por Rádio Vaticano
Foto: Reprodução

 
Na próxima quarta-feira, 25, o Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade, da Arquidiocese de São Paulo, realizará o evento “Evolucionismo e Criacionismo: um diálogo entre fé e ciência”, com apoio do Núcleo Fé e Cultura e da Pastoral Universitária da PUC-SP.
 
O evento, que acontecerá às 19h30 no Auditório 333 da PUC Campus Perdizes, é aberto ao público e terá como palestrantes o professor da PUC-SP, Eduardo Rodrigues da Cruz, e o padre Bruno Muta Vivas, da arquidiocese de São Paulo.
 
Eduardo Rodrigues é doutor em Teologia pela Universidade de Chicago e atualmente dedica-se à pesquisa sobre as relações entre Teologia, Religião e Ciências Naturais.
 
Padre Bruno é sacerdote formado em Ciências Biológicas pela USP e graduado em Teologia pela PUC-SP. Atualmente, o sacerdote exerce seu ministério sacerdotal na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima.
 
Fonte: Canção Nova / Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade
Imagem: Divulgação
 

 
O aumento das desigualdades e falhas na proteção dos direitos das mulheres, em especial as mais pobres, são grandes ameaças ao cumprimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, de acordo com o novo relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), divulgado mundialmente nesta terça (17).
 
Em mais de 140 países analisados, as mulheres enfrentam desigualdade não apenas financeira, mas especialmente na saúde e na garantia de direitos sexuais e reprodutivos, o que acarreta consequências em praticamente todos os sentidos.
 
De acordo com as conclusões do relatório, intitulado “Mundos Distantes: Saúde e direitos reprodutivos em uma era de desigualdade”, a situação enfraquece o progresso dos países e ameaça inclusive a paz e o desenvolvimento econômico global.
 
A demanda de planejamento reprodutivo não atendida nos países em desenvolvimento afasta mulheres do mercado de trabalho e reduz seus rendimentos. Entre os dados apontados, é verificado que, em pelo menos 34 países, a disparidade aumentou entre 2008 e 2013, com a renda dos 60% mais ricos da população crescendo mais rapidamente do que a dos 40% nas camadas inferiores. Além disso, dos 142 países cobertos pelo índice em 2016, em 68 a disparidade de gênero se mostrou maior que a do ano anterior.
 
As mulheres têm ainda mais probabilidade de ficarem desempregadas do que os homens. No mundo todo, 6,2% das mulheres estão desempregadas, em comparação aos 5,5% dos homens. As maiores diferenças no desemprego de homens e mulheres estão no norte da África e nos Estados Árabes. Nas duas regiões a taxa de desemprego de mulheres jovens (44%) é quase o dobro da taxa para homens jovens.
 
Outro fator apontado é que, globalmente, mulheres ganham 77% do que os homens ganham, e se as tendências atuais continuarem, levará mais de 70 anos até que a disparidade de salário por gênero seja eliminada.
 
Também na educação, que pode levar a melhores condições de trabalho e desenvolvimento econômico - pessoas analfabetas ganham até 42% a menos que suas contrapartes alfabetizadas -, mulheres sofrem desvantagem: da população mundial estimada de 758 milhões de adultos analfabetos, cerca de 479 milhões são mulheres e 279 milhões são homens.
 
Outro aspecto negativo é a questão da proteção. Quarenta e seis das 173 economias analisadas em um relatório do Banco Mundial em 2015 não tinham qualquer lei contra violência doméstica, enquanto 41 não tinham leis sobre assédio sexual.
 
Em suas conclusões, o relatório propõe 10 ações para um mundo mais igualitário, incluindo cumprir compromissos e obrigações com direitos humanos de tratados e convenções internacionais, derrubar leis e normas discriminatórias e que possam impedir que mulheres tenham acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva, estender assistência pré-natal e materna essencial às mulheres mais pobres e atender a demanda de planejamento reprodutivo.
 
Outras medidas indicadas são oferecer garantia de renda básica e serviços essenciais, inclusive relacionados à maternidade, eliminar obstáculos econômicos, sociais e geográficos ao acesso de ensino para meninas e mulheres, acelerar transição de empregos informais para formais e eliminar situações de desigualdade através de políticas públicas, entre outras.
 
Com informações do G1
Foto: StockSnap/Creative Commons

Nos dias 17, 18 e 19 de março de 2018, em Brasília, no Campus da UnB, será realizado o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) – um evento internacional e democrático que pretende reunir organizações e movimentos sociais do mundo todo em defesa da água como direito elementar à vida. O FAMA acontecerá de forma paralela ao Fórum Mundial da Água. 
 
O CONIC está com a missão de articular parceiros e, com eles, marcar presença no FAMA de modo dar voz às comunidades ecumênicas que tanto se empenham no tema. “Temos bastante trabalho pela frente. Estamos acompanhado as reuniões que ocorreram até o momento no Comitê Nacional de preparação do FAMA e, também, estamos em diálogo com a Rede Ecumênica da Água do Conselho Mundial de Igrejas que participa do FAMA”, explicou a secretária-geral do Conselho, Romi Bencke.
 
Nos dias 11 e 18 de outubro foram realizadas as primeiras reuniões ecumênicas para planejar a presença no FAMA. Dentre as ações pensadas até o momento estão:
 
1- Organizar a mobilização ecumênica para o FAMA já no período do Advento. 
 
2- Nos dias de realização do FAMA, realizar a peregrinação/caminhada ecumênica da água, seguindo o “caminho das águas” mapeados no DF.
 
Participam do processo de preparação da presença ecumênica no FAMA, além do CONIC, a Cáritas, o Fórum de Mudanças Climáticas e as igrejas-membro do Conselho.
 
“Estamos motivando as comunidades locais das nossas igrejas, além dos regionais ecumênicos, a se mobilizarem em defesa da água como direito humano. Sem água não há vida”, concluiu Romi.
 
Tome Nota!
 
O FAMA é um contraponto ao Fórum Mundial da Água, que reúne as grandes corporações do mercado, excluindo a sociedade do debate. Já o Fórum Alternativo tem como objetivo unificar internacionalmente a luta contra a tentativa das grandes corporações de transformar a água em mercadoria, privatizando as reservas e fontes naturais de água.
 
 
 

 
O Ministério do Trabalho publicou portaria que estabelece novas regras para a caracterização de trabalho análogo ao escravo e para atualização do cadastro de empregadores que tenham submetido trabalhadores a  tal condição, a chamada lista suja do trabalho escravo. As novas normas servirão também para a concessão de seguro-desemprego ao trabalhador que for resgatado em fiscalização do Ministério do Trabalho.
 
A portaria foi publicada na última segunda-feira, 16, no Diário Oficial da União. Segundo a norma, para integrar a lista suja é necessário que seja constatada e comprovada a existência de trabalho análogo ao escravo. Pela definição do Código Penal, submeter alguém a atividade análoga ao escravo é submeter a trabalho forçado ou jornada exaustiva, quer sujeitando o trabalhador a condições degradantes, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída.
 
A portaria estabelece que, para que seja considerada jornada exaustiva ou condição degradante, é necessário que haja a privação do direito de ir e vir, o que no Código Penal não é obrigatório. 
 
Além disso, agora, a divulgação da lista suja ficará a cargo do ministro do Trabalho e a atualização será publicada no sítio eletrônico do Ministério do Trabalho duas vezes ao ano, no último dia útil dos meses de junho e novembro. Antes, a organização e divulgação do lista suja era responsbailidade da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae) e a atualização da relação podia ocorrer a qualquer momento.
 
Reação
 
A nova portaria desagradou o Ministério Público do Trabalho (MPT), que a considerou ilegal e diz que adotará, junto com entidades públicas e privadas, medidas judiciais e extrajudiciais na sua esfera de atuação. O vice-coordenador nacional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) do MPT, Maurício Ferreira Brito, defendeu que "por meio de instrumento normativo inadequado, portaria, o Ministério do Trabalho deseja modificar o conceito de trabalho análogo ao de escravo do artigo nº 149 do Código Penal, fazendo-se substituir pelo legislador ordinário". Ele destacou ainda o que chamou de uma nova "desregulamentação sobre a lista suja do trabalho escravo".
 
O coordenador nacional da Conaete, Tiago Muniz Cavalcanti, defendeu que o governo "está de mãos dadas com quem escraviza". "Não bastasse a não publicação da lista suja, a falta de recursos para as fiscalizações, a demissão do chefe do departamento de combate ao trabalho escravo, agora o ministério edita uma portaria que afronta a legislação vigente e as convenções da OIT [Organização Internacional do Trabalho]".
 
Em nota, o Ministério do Trabalho, diz que a portaria aprimora e dá segurança jurídica à atuação do Estado Brasileiro, ao dispor sobre os conceitos de trabalho forçado, jornada exaustiva e condições análogas à de escravo. "O combate ao trabalho escravo é uma política pública permanente de Estado, que vem recebendo todo o apoio administrativo desta pasta, com resultados positivos concretos relativamente ao número de resgatados, e na inibição de práticas delituosas dessa natureza, que ofendem os mais básicos princípios da dignidade da pessoa humana", diz em nota.
 
A pasta diz ainda que o Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores à condição análoga a de escravo "é um valioso instrumento de coerção estatal, e deve coexistir com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório".
 
Preocupação da OIT
 
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) afirmou hoje (19) que a iniciativa do governo federal de alterar a conceituação de trabalho escravo e mudar as regras para a fiscalização e de divulgação da lista com o nome de empregadores que pratiquem esse crime ameaça “interromper uma trajetória de sucesso que tornou o Brasil uma referência e um modelo de liderança mundial no combate ao trabalho escravo”.
 
Braço da Organização das Nações Unidas (ONU) responsável por zelar por condições globais de trabalho decente e produtivo, a OIT sustenta que a Portaria 1.129 do Ministério do Trabalho, pode enfraquecer e limitar a efetiva atuação dos fiscais do trabalho, deixando uma “parcela da população brasileira já muito fragilizada ainda mais desprotegida e vulnerável”.
 
Fonte: Brasil 247
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

 
Fundada pelo sociólogo Betinho em 1993, a ONG Ação da Cidadania relançou no último domingo (15) a Campanha Natal Sem Fome, encerrada há dez anos. A nova edição do projeto tem a parceria inédita de duas agências da ONU — a UNESCO e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Iniciativa arrecadará doações de comida para populações que passam fome no Brasil.
 
A retomada da campanha será marcada pela montagem da tradicional mesa de aproximadamente 1 km no próximo domingo (22) no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro. Parceiros ficarão responsáveis por um espaço de 60 metros e pela doação de alimentos no local. Atividade se estenderá da passarela da rua Barão do Flamengo até a passagem de pedestres localizada em frente ao Hotel Novo Mundo.
 
O relançamento da Natal Sem Fome conta ainda com o apoio da Agência África, escritório de publicidade que preparou ações de divulgação para as TVs abertas e por assinatura, além de rádio, out of home (espaços publicitários em relógios de rua e pontos de ônibus) e sites e redes sociais. Influenciadores digitais e artistas ajudarão a mobilizar o público.
 
Já é possível fazer doações para a campanha — pelo site http://www.natalsemfome.org.br/ ou nos postos de coleta espalhados por vários estados brasileiros. A lista com todos os endereços de recebimento de doações está disponível também na página da Natal Sem Fome.
 
A Ação da Cidadania lembra que 11% da população mundial passa fome. Apenas no Brasil, 7 milhões de pessoas não têm acesso à quantidade necessária de comida para sobreviver, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
 
Fonte: Nações Unidas (ONU)
Imagem: Reprodução

 
O Fórum Inter-religioso da Unicap (Universidade Católica de Pernambuco) comemorou seus 10 anos de atuação com uma programação especial. No dia 18 de setembro, o evento reuniu representantes e lideranças de tradições religiosas, além de estudiosos, professores e alunos que lotaram o auditório da universidade.
 
A solenidade começou com a apresentação do MPB Unicap. Percy Marques, Natércia Dantas, Jéssica Aragão e o coordenador do Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião (PPGCR), Newton Darwin Cabral, interpretaram canções marcadas pela religiosidade. Karina Afrodite também se apresentou, entoando um cântico da religião wicca. Dez dançarinos do grupo de dança de matriz africana Fulôres de Palco mostraram suas coreografias (foto). A organização do evento exibiu também um vídeo sobre os 10 anos do Fórum.
 
Em seguida, professores de escolas públicas e privadas apresentaram trabalhos desenvolvidos com alunos dos ensinos fundamental e médio a partir de ensinamentos e experiências adquiridas do Fórum Inter-religioso. Um deles foi Moisés Germano, integrante da Assembleia de Deus e educador em uma unidade de ensino pública de Cavaleiro, Jaboatão dos Guararapes (PE). Moisés contou que despertou para estimular o diálogo religioso e a tolerância depois que presenciou duas meninas se agredindo por terem crenças diferentes. “A intenção em levar o Fórum para a escola foi a de promover o diálogo, não deslocar ninguém de sua religião e sim ouvir o outro”, disse Moisés, que fez mestrado em Ciências da Religião na Unicap.
 
Os estudantes do curso de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Rayana Burgos, Victor Siqueira e Caio Malaquias apresentaram o projeto de Extensão Angapé, desenvolvido junto com o curso de Filosofia da universidade. O trio participou de uma competição internacional patrocinada pelo Facebook que buscava combater o extremismo por meio da empatia.
 
A única equipe brasileira na competição promoveu ações em duas escolas da Região Metropolitana do Recife. “Fizemos uma dinâmica de grupo em que os alunos tinham de desvendar as imagens de cada uma das religiões e explicar o que elas simbolizavam. A ideia era fazer cada um estar no lugar do outro, tentar fazer com que a pessoa sentisse o que o outro sentia por causa do preconceito”, explicou Rayana.
 
Logo depois das apresentações, a representante do budismo tibetano Flori Cavalcanti apresentou o Fórum Diálogos, que surgiu com o apoio da Assembleia Legislativa de Pernambuco e hoje assessora o Ministério Público Estadual por meio da mediação de conflitos religiosos. No auditório, estavam presentes 22 representantes das mais diversas tradições religiosas. A programação contou ainda com lançamento de livros e com uma sessão de agradecimentos e abraços no térreo da Biblioteca da Unicap, onde está em cartaz a exposição Arte e Religião da artista e irmã salesiana Adélia Carvalho.
 
“Este é um ambiente acadêmico que se abriu para uma intervenção social no meio religioso. Temos orgulho em oferecer espaço de estudo para que as religiões se entendam. Nós conseguimos multiplicar ideias, criar redes que multiplicam nossas ideias. Inauguramos uma história que ganhou as ruas, as escolas e isto é motivo de contentamento”, celebra o coordenador do Fórum Inter-religioso, Gilbraz Aragão.
 
Fonte: Unicap
Foto: Reprodução

 
No dia 10 de outubro, o CONIC recebeu a visita de Hagai El-Ad, diretor executivo da B´Tselem – organização não-governamental israelense que trabalha a questão dos direitos humanos nos territórios israelenses e palestinos. O objetivo foi dialogar sobre o papel da religião no conflito e a importância das lideranças religiosas no processo de paz. 
 
Hagai frisou a necessidade de se olhar às muitas formas de violência que não aparecem na TV, como, por exemplo, em processos burocráticos que acabam por impedir o acesso de minorias étnicas ou religiosas a determinados direitos básicos dos demais cidadãos.
 
Ele também chamou a atenção para algumas situações em que leis são usadas para legitimar a restrição de direitos. “Os palestinos dos territórios ocupados muitas vezes dependem exclusivamente de Israel para aspectos simples da vida cotidiana, como: poder viajar, poder se casar com alguém de Gaza, erguer casas, etc.”, disse.
 
Dualidade
 
O diretor ainda destacou o que chamou de “dualidade do Estado de Israel”. Em sua opinião, Israel, apesar de ser democrático, age por vezes de maneira opressora em relação aos palestinos. 
 
Paz
 
Sobre a paz, ele defendeu que a comunidade internacional precisa atuar de maneira mais proativa, reafirmando a necessidade da garantia de direitos humanos para todos os lados. “Impedir que injustiças continuem é importante para a paz hoje e no futuro”, garantiu.