Há uma ecumenicidade latente nos corredores seminarísticos protestantes, cuja efervescência vai se diluindo na passagem para os corredores paroquiais.

Tento trabalhar uma percepção de Rubem Alves levantada no livro Dogmatismo e Tolerância, segundo a qual grande parte dos alunos e alunas formado(a)s nos seminários protestantes são liberais em seu tempo de formação teológica e quando vão paras as igrejas experimentam uma recaída conservadora.

Para Rubem a organização institucional do protestantismo é tal que inibe, na fonte, o fluxo de ideias novas. Essa mesma lógica explica o isolamento do pensamento teológico europeu, mantido sob rígida quarentena – em certo sentido, até hoje – nas igrejas do protestantismo histórico como as presbiterianas, da qual sou membro.

Inibe o fluxo do novo, as ânsias do Espírito, na forte expressão de Jether Pereira Ramalho, para quem o repertório de significantes ecumênicos é um dos mais lindos e inspiradores sinais dos tempos. É um processo, um movimento rico e desafiador que jamais poderá ser reduzido às suas expressões institucionalizadas, embora importantes e significativas. E não é monopólio de nenhum grupo e muito menos uma simples estratégia eclesiástica.

É, no limite, um processo de conversão e abertura às surpreendentes formas e lugares da presença e atuação da Ruah Javeh. Trata-se de uma atitude ecumênica que passa pelas camadas institucionais, mas vai além delas. Trata-se, como dizia um antigo folheto do CONIC, de um movimento de saída dos interlocutores do isolamento, da desconfiança, para uma atmosfera de mais simpatia, estima e respeito.

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Por isso Rubem Alves vai dizer no Dogmatismo e Tolerância, que “os fundamentos do ecumenismo” só possam advir a partir do colapso dos critérios institucionais e doutrinários na definição da comunidade cristã. Dado o perigo da redução do registro institucional como poder político da afirmação de uma ortodoxia, corre-se o risco perene de um ecumenismo reduzido a negociação entre corpos eclesiásticos.

Naquele momento Rubem referia-se ao impacto exercido pelas comunidades eclesiais de base, na segunda metade dos anos setenta, ecoando a afirmação do Pe Comblin que escrevera: Não se trata de modificar, nem de melhorar as instituições existentes: foi o que se fez nos últimos cinquenta anos sem resultado. Trata-se de substituir instituições obsoletas por outras mais adequadas à evolução contemporânea das metrópoles. (Comblin, in Alves, p.53)

Àquele momento, Rubem identificava dois discursos distintos que tentavam dar conta das ânsias do Espírito pela via das nascentes comunidades eclesiais de base. O primeiro seria o discurso da reforma, ou seja, as comunidades de base seriam expressões novas de uma realidade institucional eterna. O segundo discurso seria o da ruptura, que entende que a igreja só se preserva por um constante processo de morte e ressurreição das formas institucionais para que as marcas da comunidade cristã em seu dinamismo e potência criadoras possam advir.

Tais marcas dizem respeito a qualidade de vida que a comunidade crista é capaz de produzir no mundo: A marca do amor em sua abertura à concretude das relações humanas; a marca do perdão e não a performance dos débitos e créditos que alimenta a contabilidade do mal e reduz a igreja a um simples moralismo; a liberdade: a vida não é cópia de princípios morais abstratos e, por último, uma espécie de mundaneidade cristã: sal e luz nas dores, angustias e alegrias de um tempo.

Curioso, registrava Rubem Alves, que ambos, os corpos eclesiais e as comunidades, tenham os olhos voltados para os mesmos universos simbólicos. Mas, enquanto a instituição afirma as cristalizações que passado afirmou, a comunidade quer criar novas significações, reverberando uma dialética que já está presente na tradição biblica: Israel como Estado, de um lado, e o remanescente, a semente santa, de outro. O sacerdote, produzindo funcionalidades institucionais e o profeta apontando disfuncionalidades. O sacerdote privilegiando o que já é o profeta anelando o que está por vir.

Zwinglio Mota Dias tem afirmado com frequência que o ecumenismo espelha a dialética das instituições eclesiais que tendem a cristalizar e reproduzir experiencias passadas e os movimentos que surtem no interior procurando caminhos para a atualização da fé dada aos santos. (Mota Dias, 2017)

É interessante notar que todos os organismos ecumênicos nascidos desde a segunda metade do século passado brotaram do interior de diversos corpos eclesiásticos, como expressões das ânsias do Espírito. A CEB (Confederação Evangélica do Brasil), o CEI (Centro Ecumênico de Informação) que mais tarde faria nascer o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação, a CESE (Coordenadoria Ecumênica do Serviço), o CEBI (Centro de Estudos bíblicos), o CESEP (Centro Ecumênico de Serviços à evangelização e Educação popular, o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) são alguns destes organismos.

E aqui chamo a atenção do CONIC como uma espécie e organismo borderline, não no sentido psicológico, obviamente, mas como um significante para expressar as ânsias do Espírito em sua dinâmica fronteiriça, corajosa; a vida na tensão criativa do avanço e recuo, da reforma e da ruptura, na tensa sustentação do embate entre o sacerdotal e o profético. Abra-se a página do CONIC na Rede e está lá estampada a polifonia boenhoeferiana: 1. Direitos humanos e democracia no Brasil – violações e retrocessos. 2. Igrejas reformadas assinam testemunho em Wittenberg...

No primeiro texto que escrevi para esta mesa eu faço um convite a trazermos à lume a história desses organismos ecumênicos, filhos rejeitados de diversas matrizes eclesiais. Que sonhos sonharam, que respostas históricas deram às ânsias do Espírito? Quais foram suas estratégias de sobrevivência e sua presença marginal nos sulcos protestantes. Como se apresentam hoje? Quais suas linhas de continuidade? Como se apresentam na cena ecumênica contemporânea?

A minha homenagem aos que ousaram e ousam caminhar nas bordas para serem fieis às ânsias do Espírito. Para esses, ficam alguns pontos do Sermão da Montanha do Ecumenismo e diálogo inter-religioso, segundo a pena do teólogo católico Paulo Cesar Botas. Tais pontos me vem à memória pelos seguintes fragmentos: Bem-Aventurado(a) sejas quando afrontares incompreensões de tua própria comunidade ou de outros por causa da tua fidelidade à Verdade / Bem aventurado(a)s sejas quando dialogares com outro como se estivesses a ouvir o próprio Deus / Bem aventurado(a) sejas quando confiares no outro, como confias em mim.
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Fontes bibliográficas:

Rubem Alves. Dogmatismo e tolerância. São Paulo: Loyola, 2004
José Ricardo Ramalho (org). Uma presença no tempo: a vida de Jether Ramalho. São Leopoldo: Oikos, 2010.
Zwinglio Mota Dias. Para a reinvenção do protestantismo reformado no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2017.

Texto: Edson Fernando de Almeida, professor do Seminário Batista do Rio de Janeiro
Foto: Reprodução da internet

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Neste domingo, dia 6 de agosto, a Igreja estará unida em oração pelos cristãos perseguidos em todo o mundo. A iniciativa do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos é promovida pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e mais uma vez recebe o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ainda participação de todas as paróquias do país.

A edição deste ano amplia as intenções de oração realizadas nas edições anteriores, que estavam voltadas para os grupos perseguidos no Oriente Médio. De acordo com a ACN, a mudança ocorre porque em alguns países da África, por exemplo, morrem mais pessoas por serem cristãos do que em qualquer outro lugar do mundo.

“A Igreja é uma grande comunhão, nós até chamamos de comunhão dos santos aqueles que pertencem a Cristo, que foram revestidos de Cristo. E manifestarmos através da nossa oração essa comunhão, essa caridade, significa sermos cada vez mais Igreja”, motiva o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.

Pontuando a percepção de que a vivência da fé em determinados lugares do mundo presume o testemunho com o sangue, dom Leonardo afirma que todos os cristãos participam do martírio e da perseguição: “Participarmos deste dia de oração pelos cristãos perseguidos é mostrarmos também a nossa fé comum em Cristo Jesus”.

O membro da ACN-Brasil Rodrigo Arantes ressalta que desde a primeira edição do Dia de Oração a fundação recebe o apoio da CNBB. Ele conta que muitos frutos foram colhidos desde então e lembra que, a cada ano, a ACN traz uma personalidade de algum país onde os cristãos sofrem perseguição para dar seu testemunho no Brasil e de uma forma bem concreta na Assembleia Geral da CNBB. Neste ano, foi à Aparecida (SP) o bispo copta católico de Assiut, no Egito, dom Kyrillos Samaan, que falou aos bispos do Brasil sobre os cristãos perseguidos no seu país. “Dom Kyrillos ficou maravilhado ao saber como os cristãos brasileiros se dedicam a rezar pelos cristãos perseguidos do Egito e do mundo todo”, disse Rodrigo.

“É impressionante como, desde que esse Dia de Oração teve início com o apoio da CNBB, sinais de esperança têm aparecido: há alguns anos as estimativas é de que os cristãos no Iraque iriam desaparecer, hoje vemos a Planície de Nínive pacificada e os cristãos retornando e reconstruindo seus lares”, recorda, citando o local de onde foram expulsos mais de 100 mil cristãos na noite do dia 6 para o dia 7 de agosto de 2014 pelo Estado Islâmico.

Outra história “que não se explica sem considerar o poder da oração” foi o retorno de uma menina chamada Cristina que, com apenas 3 anos de idade, havia sido sequestrada pelos terroristas do EI no dia 6 de agosto de 2014 e foi devolvida à família sã e salva em junho 2017.

“Graças a essa iniciativa da ACN com o apoio da CNBB, os cristãos brasileiros não apenas passaram a saber o que acontece com aqueles que correm o risco de perderem suas vidas para viver sua fé como ainda podem rezar por eles e os encher de esperança por meio da oração”, afirma Rodrigo.

Para dom Leonardo, o testemunho dos cristãos perseguidos no Oriente Médio, na África e na Ásia, por exemplo, “nos ajuda a viver uma fé transparente, mais límpida, que realmente mostre a eternidade já encarnada, o reino de Deus já presente neste mundo, mas que será também um reino definitivo”. Aos brasileiros, de acordo com o bispo fica a mensagem de testemunhar a fé onde se vive. “Nós também temos intempéries, dificuldades, nós do Brasil temos corrupção, às vezes nos deixamos envolver por determinados elementos de corrupção”. Mesmo assim, o exemplo é para “sermos esse testemunho transparente e livre do evangelho”.

Ações locais

Em São Paulo (SP), haverá uma celebração na catedral da Sé, no domingo, dia 6, às 9h, presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Na ocasião, ACN-Brasil exibirá antes e depois da celebração, vídeos realizados nos países onde ocorrem perseguição religiosa, com imagens e relatos dos cristãos que conseguiram escapar e sobreviver aos ataques extremistas.

Já no Rio de Janeiro, será realizado no Cristo Redentor, às 17h, um momento de Oração pelos Cristãos Perseguidos, conduzido pelo arcebispo local, cardeal Orani João Tempesta. Esse evento contará com a presença de testemunhos daqueles que sofrem com a perseguição religiosa e o monumento será iluminado de vermelho para representar o sangue dos mártires de hoje.

Histórico

O Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos no Mundo ocorre anualmente no dia 6 de agosto em referência à mesma noite e madrugada de 7 de agosto de 2014, quando milhares de cristãos fugiram do norte do Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico.

“Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram de suas casas sem nada, somente com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas, precisando de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar”, declarou na ocasião o patriarca Louis Raphael Sako, chefe da Igreja Católica Caldeia.

Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer materialmente e espiritualmente os perseguidos e refugiados. Desde então a Fundação Pontifícia realiza um dos maiores projetos de ajuda da sua história, direcionando esforços para alimento, abrigo e educação para os refugiados, ação que já resulta em mais de 2 mil projetos no Oriente Médio desde o início da crise.

Saiba mais

Segundo recente relatório da Catholic Near East Welfare Association (CNEWA) – agência criada pelo papa Paulo XI em 1926 para o apoio dos pobres – os cristãos médio-orientais que vivem entre Chipre, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Líbano, Cisjordânia, Gaza, Síria e Turquia são 14,5 milhões. O dado foi divulgado na primeira metade de 2017. Há sete anos, o número era de 200 mil pessoas a mais.

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Fonte: CNBB
Imagens: Reprodução

Entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017, o CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil realiza a XVII Assembleia Geral Ordinária. O encontro, que será no Instituto Bíblico de Brasília, contará, no dia 22, com a realização de um seminário sobre “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI”.

A abordagem do tema é bastante oportuna, uma vez que em outubro deste ano, 2017, serão comemorados os 500 anos da Reforma Protestante, uma data emblemática não apenas para a história da Igreja no ocidente, mas também para a política, a economia e as artes.

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A história da Reforma não foi isenta de conflitos e violência. A intolerância religiosa foi uma de suas consequências. Parte dessas intolerâncias e preconceitos ainda não foram superados.

Nesse contexto, o movimento ecumênico desempenha papel fundamental no sentido de lembrar permanentemente que a essência do cristianismo não são os exclusivismos, mas a diversidade em torno de uma única fé: a fé em Jesus Cristo. O ecumenismo é importante para lembrar constantemente que precisamos ir além de uma Igreja autocentrada, de modo a assumir o testemunho profético que reivindica dignidade de vida para todas as pessoas.

Vale lembrar que o seminário “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI” pretende resgatar a importância da Reforma para a história das Igrejas, a fim de identificar os principais desafios e perspectivas apresentados por este evento para o movimento ecumênico do século XXI. Além disso, o seminário irá tentar resgatar a Reforma como um evento plural que teve a participação de mulheres e homens; identificar as rupturas e tensões presentes no âmbito do movimento da Reforma e as principais heranças teológicas da Reforma; analisar as principais perspectivas e desafios apresentados pela Reforma, em especial, sua compreensão de Igreja, relação Religião/Estado e valores como liberdade de consciência e liberdade religiosa e, finalmente, elaborar um documento conjunto com desafios para a ação pública do movimento ecumênico.

O tema será refletido a partir de três abordagens:

1) A herança da Reforma – abordagem histórica: Dra. Bianca Daebs
2) A Herança da Reforma – abordagem Teológica: Dr. Elias Wolff
3) A herança da Reforma – desafios e perspectivas para nossos tempos: Dr Rudolf Von Sinner

Serviço:
Seminário “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI”

Quando: 22 de agosto de 2017, a partir das 9h00.
Onde: Instituto Bíblico de Brasília - Av. L2 Norte, próximo aos anexos dos ministérios, quase em frente ao Serpro. O acesso é pela rua interna paralela a L2 Norte (acesse pela Via Embaixadas Norte).

Imagem: Lutero em 1529, por Lucas Cranach

Os bispos que compõem a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e os referenciais das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicaram uma mensagem ao final do encontro realizado em Brasília, nos dias 31 de julho e 1º de agosto. Na ocasião, os prelados procuraram “luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade”.

“Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social”, lê-se no texto. Para os bispos, o governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, “falsamente justificada”.

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“Interpelados pelo Espírito do Senhor”, dizem no texto, os mebros da comissão e referenciais das Pastorais convidaram comunidades eclesiais, organismos do Povo de Deus e pessoas de boa vontade “a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira”.

O encontro aconteceu na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e teve assessoria do padre José Oscar Beozzo. As reflexões foram inspiradas no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança). A partir da II Conferência do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em Medelín, há 49 anos, foi feito um resgate da aplicação do texto conciliar no continente, “reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social”.

Leia a mensagem dos bispos na íntegra:

MENSAGEM DOS BISPOS DAS PASTORAIS SOCIAIS
“Eu vi… e ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3,7)


Nós, Bispos da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e Referenciais das Pastorais Sociais, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos em Brasília, na sede das Pontifícias Obras Missionárias, nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2017, procuramos luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade, hoje.

Contando com a magnífica assessoria do Pe. José Oscar Beozzo, inspiramo-nos no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), resgatando sua aplicação na América Latina e no Caribe, a partir da 2a. Conferência Episcopal deste Continente, em Medellín, cujo aniversário de 50 anos celebraremos em 2018, reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social.

Reconhecendo que não há realidade alguma, verdadeiramente humana, que não encontre eco no coração de Cristo (cf. Gaudium et Spes, nº 1), entendemos que a Igreja tem por missão pastoral atuar frente à globalidade da realidade, particularmente as situações que geram sofrimentos humanos, com a mesma compaixão de Jesus Cristo.

“Para levar a cabo esta missão, é dever da Igreja estar atenta a todo momento aos sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático” (Gaudium et Spes, nº 4).

Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social. O governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, falsamente justificada.

Não seremos um país diferente sem superarmos a ingenuidade, a passividade e a indiferença. Urge-nos, portanto, como Igreja, realizar nossa missão pastoral em profunda comunhão, com coragem profética, promovendo e fortalecendo ações comuns com todos os setores democráticos deste país, em favor de novos rumos para a sociedade brasileira, fundados na dignidade humana de todos os cidadãos e cidadãs e no bem comum.

Interpelados pelo Espírito do Senhor, convidamos nossas comunidades eclesiais, os organismos do Povo de Deus e todas as pessoas de boa vontade a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira, afinal, como diz o Papa Franscisco, o coração de Deus é e continuará incandescente por amor a seu povo (cf. Audiência Geral, 26 de abril de 2017). Assim, também, estejam, hoje e sempre, os nossos corações!

Que Nossa Senhora Aparecida, a quem expressamos nosso louvor especial neste Ano Mariano, nos inspire a revelar o rosto misericordioso de Deus, defensor da justiça em favor dos empobrecidos, sendo sinais e instrumentos da ação libertadora e humanizadora de Cristo, frente às novas formas de escravidão dos tempos atuais.

Brasília, 1º de agosto de 2017.

Dom Guilherme Antonio Werlang, Msf
Bispo de Ipameri/GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora

Fonte: CNBB
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi modificado

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A Rede Ecumênica da Juventude anunciou neste sábado (22) a composição de sua nova Facilitação Nacional Colegiada (FNC).

Após um período de (re)pensar a REJU e o jeito de se fazer o trabalho em Rede, o GT de Transição, composto por integrantes da REJU representando 4 regiões do país, propôs uma novidade metodológica – uma Facilitação Nacional Colegiada, com o intuito de fortalecer a horizontalidade e a participação democrática das juventudes que compõem a Rede.

As atribuições da Facilitação Nacional Colegiada passarão a ser exercidas pelas jovens Naiara Soares (BA), Thalia Schuh (SC) e pelo jovem Felipe Bernado (PE).

Naiara, 20 anos, é uma jovem candomblecista integrante da REJU Bahia e acredita que a nova FNC poderá “garantir uma mistura de ideias que fortalece a construção coletiva e mobilização” da Rede, além de potencializar a representatividade e autogestão. Diz ainda que sonha com uma REJU sem barreiras, que fale para os mais diversos públicos, podendo espalhar muito mais a sua mensagem de combate à todas as formas de intolerância.

Thalia, jovem de confissão luterana integrante da REJU Santa Catarina, tem 18 anos e afirma crer numa Facilitação fortalecida para o diálogo, visando somar e aproximar pessoas para o movimento ecumênico. “Quanto mais a diversidade e as diferentes realidades da Rede forem representadas, mais abrangente e impactante serão os diálogos e a nossa incidência”.

Felipe, protestante, tem 22 anos e faz parte da REJU Pernambuco. Ele conta que a Facilitação Nacional Colegiada será uma alternativa frente aos desafios de construir uma rede cada vez mais plural, com rostos, histórias, vivências e sagrados que se unam na luta por direitos e contra as intolerâncias. Felipe também acredita que a Rede precisa alcançar novos espaços. “Falo de periferias, guetos, espaços religiosos em contradição, inserção nas comunidades”.

A nova Facilitação Nacional Colegiada passa a articular a Rede nacional e será apresentada ao movimento ecumênico na próxima reunião anual do FE ACT Brasil (Fórum Ecumênico do Brasil, membro da ACT Aliança) em agosto.

A REJU se alegra com a conclusão de mais um processo construído coletivamente, e sonha com uma Rede mais diversa, com corpos, histórias, danças e sagrados que nos unam nas diferenças e semelhanças.

Entenda o processo:

a) Composição de um Grupo de Trabalho para acompanhar e encaminhar o processo de transição, com a tarefa de acolher as sugestões enviadas pel@s integrantes da rede, bem como colaborar na transição e outros encaminhamentos do processo de escolha da nova FNC;

b) O lançamento da metodologia de indicação em junho/2017, respeitando um período de acolhida das devolutivas das regionais em relação ao plano metodológico proposto;

c) Acolhida das indicações d@s integrantes da Rede para a composição da FNC em junho-julho/2017;

d) A escolha da FNC no Grupo de Trabalho, a partir das indicações e diálogos com @s indicad@s em julho/2017;

e) Transição para a nova Facilitação Nacional Colegiada e apresentação desta na reunião anual do FE ACT Brasil em julho-agosto/2017.

Fonte: Reju

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Foi realizada, entre os dias 20 e 23 de julho, a XIII Assembleia Geral Ordinária da Igreja Presbiteriana Unida (IPU). Além da eleição do novo Conselho Coordenador da IPU (veja abaixo), o evento também contou com a seguinte pauta:

- Relatório de Gestão (triênio 2014-2017);
- Culto Ecumênico com a presença do reverendo Dr. Valdir Xavier de França;
- Lançamento do livro "Igreja Presbiteriana Unida do Brasil - Identidade Eclesiológica e Teologia Reformada;
- Palestras sobre os desafios atuais às igrejas reformadas e o contexto mundial das igrejas reformadas (com enfoque para a América Latina).

O novo Conselho Coordenador, que terá mandato para o triênio 2017-2020, ficou assim composto:

Moderadora - Presba. Anita Wright (PVTR)
Vice-Moderador - Rev. Wislanildo Franco (PRNV)
Tesoureiro - Presb. Davi Natal (PJDI)
1º. Secretário - Presb. Sérgio Miranda (PSVD)
2º. Secretário - Presb. Daniel Castro (PSPL)
1º. Suplente - Rev. José Roberto (PCRJ)
2º. Suplente - Presb. Jésser Pacheco (PEB)

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A organização internacional ONG internacional Global Witness divulgou relatório em que aponta que o Brasil é o país mais perigoso para lutar pela defesa por direitos e pelo meio ambiente. Segundo dados da ONG, 49 defensoras e defensores assassinados em 2016. “Ano após ano, este é o país mais perigoso em termos de números”, afirma a entidade.

Segundo eles, a indústria madeireira está vinculada a 16 assassinatos, enquanto proprietários de terras são suspeitos de perpetrarem vários assassinatos na Amazônia. “O governo diminuiu a legislação ambiental e debilitou instituições de direitos humanos”, afirmam.

O Brasil tem sido sistematicamente o país mais funesto para defensoras e defensores do meio ambiente e para os que lutam pela permanência na terra e em seus territórios, desde que a Global Witness começou a compilar dados mundiais. Em 2016, um espantoso número de 49 pessoas foram assassinadas por protegerem suas terras: 16 delas defendendo as ricas florestas brasileiras dos madeireiros ilegais e um número cada vez maior, lutando contra a expansão do agronegócio e o seu poderoso lobby dentro do governo.

Para a ONG, apesar do chocante e crescente número de assassinatos, o governo brasileiro tem, na verdade, diminuído a proteção a defensoras e defensores ambientais. Quase imediatamente após assumir o poder, em agosto do ano passado, a administração de Michel Temer desmantelou o Ministério dos Direitos Humanos. O Programa Nacional de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos conta com poucos recursos e é ineficaz.

Os assassinatos são emblemáticos dos níveis extremos da violência rural no Brasil. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) atribui isso ao avanço agressivo, com respaldo estatal, de projetos empresariais - incluindo agronegócios, mineradoras e empresas de energia - sobre as terras de comunidades indígenas e tradicionais, assim como de pequenos agricultores, os quais têm organizado uma crescente resistência coletiva para enfrentar o problema. De acordo com a CPT, as raízes do conflito encontram-se na história do colonialismo e da escravidão no Brasil, e o fato de o governo nunca ter resolvido os problemas estruturais do setor agrário.

“É por isso que muitas organizações sugerem que o conflito só pode ser resolvido através da implementação da política de reforma agrária, estabelecida na Constituição Brasileira. No entanto, a forte influência da elite rural sobre a política nacional, a qual se aprofundou com a atual crise política, tem impedido que isso aconteça. Enquanto isso, a violência aumenta”, destaca a Global Witness. A CPT documentou 61 assassinatos devido a conflitos no campo no Brasil em 2016[1], maior número dos últimos 13 anos. Em 2017, a entidade já registrou, até o momento, 46 assassinatos em conflitos no campo.

Para a ONG estrangeira, “para deter o curso de assassinatos, o governo brasileiro deve fortalecer o seu apoio a defensoras e defensores do meio ambiente e da terra, especialmente nas áreas mais remotas do país”.

[1] Cumpre também dizer que a CPT não trabalha com a categoria de defensor/a de direitos humanos ou do meio ambiente e nem com a categoria ambientalista. Os casos incluídos nesse relatório, portanto, aqueles que se enquadram em violência contra defensoras e defensores de direitos humanos e ambientalistas, de acordo com o conceito da Global Witness.

Fonte: Comissão Pastoral da Terra
Foto: Arquivo ANPr

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Há poucos dias da "Conferência Internacional de Louvor e Adoração Somos Um", o centro de eventos da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro (RJ), já se prepara para receber cristãos católicos e evangélicos vindos de diversas regiões do Brasil e também de outros países, com o propósito de adorarem a Deus em unidade. O evento acontece entre os dias 3 e 6 de agosto (sendo os dias 5 e 6 abertos ao público em geral) e contará com as participações de padres e pastores do Brasil e dos Estados Unidos.

O projeto foi idealizado pelo missionário católico e fundador da Comunidade Coração Novo no Rio de Janeiro (RJ), Izaias de Souza Carneiro, que também integra a equipe de serviço do Encontro de Cristãos em Busca da Unidade e Santidade (ENCRISTUS) no Brasil. O objetivo é promover a unidade entre os cristãos através do louvor e da adoração.

Um dos conferencistas do evento, o pastor e líder há 30 anos do Ministério Koynonia de Louvor, Bené Gomes, fala sobre sua experiência com o tema da unidade. Segundo ele, foi em 2007, depois de um convite para ministrar em uma igreja católica no bairro do Meier, zona norte do Rio de Janeiro, que percebeu a oportunidade de estreitar laços com os irmãos. "Fomos muito bem recebidos por eles, que sabiam cantar a maior parte de nossas músicas. Desde então passamos a nos reunir uma vez por mês para orarmos, compartilharmos a palavra e termos comunhão, o que acontece até hoje".

Para Bené, as diferenças doutrinárias existentes entre os cristãos não deveriam servir de justificativas para a divisão no Corpo de Cristo. "Eu costumo dizer que é possível sim ter unidade nas coisas essenciais como, por exemplo, a confissão de Cristo como único Salvador e sua centralidade em nossas vidas. Por outro lado, naquilo que não é essencial podemos divergir com maturidade e respeito, entendendo que a importância da unidade está acima das nossas diferenças de visões, leituras e interpretações bíblicas". O líder do Koynonia também vê na ignorância espiritual e no preconceito os principais fatores que impedem o avanço da unidade entre os cristãos. "Quando Deus olha para os católicos e os evangélicos vê filhos lavados e remidos pelo sangue de Jesus que servem as igrejas nas quais estão inseridos".

O evento recebe também o apoio do cardeal arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ), Dom Orani João Tempesta, que lembra que “a igreja católica tem o documento do Concílio Vaticano II que fala justamente sobre o ecumenismo, que é o diálogo com todas as denominações cristãs, reconhecendo toda a disponibilidade e vontade de, daqueles que creem em Cristo, saberem se respeitar, se amar, rezar juntos e, ao mesmo tempo, vivenciar a unidade”. O cardeal também revela a importância da unidade no início de sua jornada e ordenação presbiteral. “Em minha ordenação de padre escolhi como lema ‘que todos sejam um’ e, de uma certa forma, levei para frente durante toda a minha vida até hoje como lema do meu trabalho pastoral, convicto de que realmente o Senhor nos deseja vivendo a diversidade e o respeito ao outro, sabendo que não se resume à uniformidade, mas sim à unidade em meio a diversidade. Tenho visto como isso é importante para mim, para a igreja enquanto tal e para o mundo” reforça.

Na programação da "Conferência Somos Um", os participantes terão a oportunidade de acompanhar ministrações que falam a respeito da importância da música para a unidade dos cristãos. O pastor, músico e compositor Asaph Borba, que exerce grande influência no meio evangélico desde os anos 70, também será um dos conferencistas e conta que sempre acreditou na unidade da igreja. "Quando compus o cântico 'Alto Preço' foi uma declaração sincera de quem crê nessa verdade. Acredito que o louvor une sempre. Quem aprende a cantar junto aprende a viver junto", reforça o cantor que possui livros, CDs e DVDs em diversas partes do mundo.

A mesma visão é compartilhada pelo assessor para o diálogo ecumênico da Diocese de Osasco (SP), padre Douglas Pinheiro, outro conferencista do projeto que vê o louvor e a adoração como alguns dos elementos que, de fato, unem os cristãos. “O movimento carismático no Brasil, quando chegou ali pelas décadas de 70 e 80, não tinha ainda um arcabouço artístico do qual se servir nos grupos de oração. Então, por muitos anos nós nos alimentamos espiritualmente de louvores evangélicos, que era o que existia naquele tempo. Temos essa gratidão aos irmãos evangélicos por nos terem possibilitado um encontro com Deus através de músicas compostas por eles”, explica o padre, que também é professor de teologia sistemática na UNISAL-SP.

O pastor Mike Herron é pianista, compositor e um dos líderes fundadores do "John 17 Movement" (Movimento João 17), uma iniciativa internacional que promove a unidade entre os cristãos. Ele é um dos convidados a ministrar no evento e diz ver na música a ferramenta que Deus está utilizando para restaurar o Corpo de Cristo. "Nós teremos católicos, protestantes, evangélicos e carismáticos e estaremos unidos para adorar ao nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Temos um só Senhor e um único Salvador. Estaremos lá para celebrá-Lo, aprender sobre Ele e como podemos adorá-lo mais efetivamente em nossos ministérios".

Para mais informações, inscrições e sugestões de hospedagem, basta que o interessado acesse o site do evento (missaosomosum.com.br) ou baixe o aplicativo "Rede Somos Um", uma plataforma lançada recentemente que facilita a busca por informações sobre o evento e outras notícias a respeito da unidade entre os cristãos. O App está disponível gratuitamente nos sistemas Google Play e iOS.

Conferência Internacional de Louvor e Adoração Somos Um
Data: 03 a 06 de Agosto
Local: Cidade das Artes - Avenida das Américas, 5300 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro (RJ)

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E se aquele desejo pelo transcendente que nos toma resultasse em um amor concreto pelo mundo, especialmente pelos/as mais pobres e injustiçados/as?

O 2º Encontro Nacional de Juventudes e Espiritualidade Libertadora se propõe a ser um grande mar onde convergirão os mais diversos rios de espiritualidade, povo que caminha em busca da libertação. Seguindo a esteira da Teologia da Libertação, esperamos desaguar correntezas de jovens, caudalosos/as de utopia, a fim de partilhar suas vivências de espiritualidade que são também de rebeldia e esperança.

Escolhemos como tema a Mística do Bem-viver, proposta de uma sociedade pautada em relações e valores bem diversos do capitalismo que nos genocida a cada dia. Solidariedade, harmonia com a natureza, ética, igualdade de gênero, justiça social, sementes que começaram a ser plantadas e que nos dispomos a radicalizá-las. A expressão Bem-viver (sumak kawsay) tem origem andina, esse paradigma planetário não está distante do que sempre, como subalternizados/as, ousamos viver em nossos territórios de resistência. Corre em nossas veias. Acreditamos que esses rios nos trarão experiências concretas que estamos construindo nos mais diversos espaços de vida.

Serão dias que prometem ser intensos e desafiadores. Nos revezaremos entre oficinas, grupos de trabalhos, mesas de debate, atividades culturais e espaços livres, alinhavados por uma metodologia que permitirá a escuta e a fala, o sentir e o tocar. Sobre a pergunta inicial, a espiritualidade, quando alienante, faz escravas mulheres, homens e natureza, mas quando libertadora é rebeldia, insurreição, potencializadora de qualquer processo revolucionário.

Junte-se a nós entre os dias 7 e 10 de setembro, na cidade de Poá/SP. Ousemos construir um outro mundo possível e necessário!

Saiba mais em: www.espiritualidadelibertadora.org.br

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Três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a assombrar as famílias brasileiras não só no Nordeste e Norte, mas em todo o País. É um resultado desastroso da política cruel adotada pelo governo ilegítimo Michel Temer.

Cortes em programas e políticas de proteção social têm sido a regra de Temer, que optou claramente por cortar benefícios e reduzir, drasticamente, as subvenções dos programas sociais. Esse jeito de governar revela que o golpe é contra os mais pobres, contra o trabalhador. E, infelizmente, a fome é a parte mais visível e cruel deste "Novo Brasil" que eles estão construindo.

Quando a presidenta legítima Dilma Rousseff foi afastada pelo golpe parlamentar, 13,8 milhões de famílias estavam recebendo os benefícios do Programa Bolsa Família. Nas mãos dos golpistas, o Bolsa Família está despencando: o número de famílias atendidas caiu para 13,2 milhões em junho de 2017 e chega a julho com 12,7 milhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.

O golpe já excluiu 1,1 milhão de famílias da rede de proteção. Isto representa 4,3 milhões de pessoas, a maioria crianças (em média cada família tem 3,6 membros). Em meio à crise econômica, consequência da política econômica desastrosa dos golpistas, o governo Temer desprotege justamente os mais vulneráveis. Revelando assim a sua face mais desumana ao intensificar a crise social.

A exclusão de famílias do Bolsa Família, iniciada ano passado, e a redução dos valores investidos no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que compra do pequeno agricultor e distribui a hospitais, escolas públicas e presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços sociais que o colocava como referência em todo o mundo.

Segundo publicou o jornal "O Globo", no norte de Minas Gerais, por exemplo, o corte feito pelo governo federal no repasse de alimentos ao Quilombo Gurutuba, via PPA, vem colocando em risco a alimentação das sete mil famílias que lá vivem. E isso significa que essas pessoas estão voltando a sofrer com a fome.

Os números do orçamento da União são pedagógicos e esclarecem como e por que estamos voltando ao mapa da fome. De janeiro a junho de 2016 foram pagos R$ 43 milhões para aquisição de alimentos; no mesmo período em 2017 foram somente R$ 5 milhões de reais.

O governo Temer disse que estava reduzindo o Bolsa porque não havia mais famílias na fila de espera: outra mentira dos golpistas. O desemprego alcançou o índice mais alto da história, com mais de 14 milhões de desempregados. Como não esperar o aumento na procura do Bolsa Família? Com o desemprego, milhares de famílias perderam renda.

O povo bate à porta das redes de assistência social. Atualmente, 550 mil famílias estão na fila, esperando para receber o cartão. Na expectativa de que o benefício garanta comida e possa espantar o fantasma da fome. É só andar pelas ruas das médias e grandes cidades e se percebe que a pobreza voltou a crescer.

Há um mês, o governo golpista disse que usaria o saldo da redução de famílias para dar o reajuste de 4,6% no Bolsa Família, mas não cumpriu a promessa. Congelou os valores do benefício. E corre solto na Esplanada que a “sobra” está sendo usada para pagar as emendas parlamentares em troca de barrar a denúncia por corrupção contra Temer.

O Brasil, de Lula e Dilma, realizou uma revolução silenciosa, em pouco mais de uma década, ao sair da condição de País conhecido internacionalmente pelo alto índice de pobreza para o País que, de forma pacífica, conseguiu reduzir radicalmente a miséria. Quem diz isto não é o PT, não sou eu, mas o Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (Pnud).

Por exemplo, enquanto o mundo conseguiu reduzir a pobreza extrema pela metade, para 22%, em 2012 – o Brasil, no mesmo período, erradicou a fome e fez com que a população extremamente pobre do País caísse para menos de um sétimo do registrado em 1990 (de 25,5% para 3,5% em 2012). Uma vitória dos governos do PT e do povo mais pobre.

Mas hoje a realidade é que o fantasma da fome volta a rondar. Com o governo Temer, corremos o risco de ser o país que mais rapidamente voltou ao mapa da fome. A única saída para barrar esse triste retrocesso e também acabar com a crise econômica e política é a convocação, ainda em 2017, de eleições diretas. Precisamos retomar a estabilidade política e democrática no Brasil e construir um governo sério, legítimo e comprometido com questões sociais.

Carlos Zarattini é deputado federal (PT-SP) e líder do partido na Câmara.

Fonte: Carta Capital
Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado