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No dia 9 de fevereiro, completaram-se quatro anos desde a morte do Reverendo João Dias Araújo, um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida no Brasil e membro da Comissão Teológica do CONIC durante anos.
 
Quando a ditadura se implantou no Brasil, João foi um dos perseguidos por defender os direitos do povo oprimido e censurado. João foi escritor e publicou “Inquisição sem Fogueiras”, além de ser o autor do hino oficial da Igreja Presbiteriana Unida, “Que estou fazendo se sou Cristão?”. Também era entusiasta junto aos órgãos ecumênicos nacionais e internacionais.
 
Durante os mais de 35 anos de ministério pastoral e ensino teológico, assessorou grupos junto a IPU e ao CONIC. Trabalhou de forma ecumênica entre as igrejas cristãs e tinha muito interesse no diálogo com religiões afro-brasileiras.
 
Seu compromisso com a democracia era pleno. Trabalhou com temas como:
 
  • economia
  • raças
  • pobreza
  • políticas públicas
  • ênfase na participação solidária com os despoderados e marginalizados
  • cidadãos sem vez e sem voz
  • combatente do neoliberalismo e do capitalismo
  • colaboração eclesiástica diaconal e ecumênica
  • interesse ético de combate ao racismo
  • à homofobia
  • à exclusão social
  • defesa dos direitos humanos e cidadania insurgente
  • luta em defesa de sem-terras
  • povos indígenas
  • esforço por manter o culto não-pentecostalizado e liturgia contemporânea ecumênica
 
Memória
 
João Dias Araújo faleceu no dia 09 de fevereiro de 2014, em Feira de Santana na Bahia, aos 83 anos de idade.
 
João foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) e colaborador de organismos ecumênicos mundiais, tais como Conselho Mundial de Igrejas, Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas (CMI), Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL) e Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
De acordo com o Pastor Cláudio Rebouças (IPU, Salvador/BA, atual coordenador da CEDITER – Comissão Ecumênica dos Direitos pela Terra), “a figura do Rev. João Dias tem a capacidade de remontar um modo de produção teológica que passa necessariamente pelo ecumenismo, pela justiça social, pela luta por terra”. Pastor Cláudio lembra que “a voz de João Dias é muito atual neste cenário cheio de conservadorismo político e de crescimento da ‘população evangélica’ em solo brasileiro. Diante de mecanismos onde ocorre um processo de mercantilização da fé, e de espetacularização de líderes religiosos que tentam transformar o Brasil em uma espécie de teocracia, é fundamental testemunhos como o de João Dias”.
 
Para o teólogo e pastor da IPU, Derval Dasilio, “João Dias registrou um momento dos mais importantes do protestantismo e da opção calvinista e ecumênica, realçando o papel do grande mestre da Reforma Protestante, matriz do ecumenismo que conhecemos e aplaudimos, hoje. Significativamente, seu livro [“Inquisição sem fogueiras”] rebela-se contra a religiosidade ‘equidistante’, no protestantismo, sem engajamento aparente, político e social – porém, aliado da ditadura militar, a quem evangélicos, na grande maioria, aplaudiram e abençoaram”.
 
Dentre os livros publicados encontram-se “A Inquisição Sem Fogueiras” e “Sê Cristão Hoje”. É de sua autoria também, o hino “Que estou fazendo?” (nº 297), que foi muito criticado por conservadores durante o Regime Militar.
 
Fonte: CEBI
Imagem: Reprodução

 
 
Na manhã desta quinta-feira (8/2), o bispo diocesano de Colatina, dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, e o pastor sinodal Joaninho Borchardt receberam a sociedade para uma coletiva pública, a fim de manifestar um posicionamento a respeito da Reforma da Previdência Social.
 
O evento, que aconteceu no auditório do Edifício João Paulo II, em Colatina, foi marcado pela divulgação de uma nota ecumênica assinada pelas duas Igrejas.
 
Confira, a seguir, essa nota em sua íntegra.
 
NOTA DAS IGREJAS CATÓLICA E DE CONFISSÃO LUTERANA
DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”
 
O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito [no Brasil e em qualquer lugar], e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios” [e de todos os inimigos dos mais empobrecidos] (Ex 3.7ss).
 
As Igrejas Católica Apostólica Romana, representada aqui pela Diocese de Colatina, e Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), sediadas no Estado do Espírito Santo, são servas do Evangelho do Cristo Jesus; buscam testemunhar juntas esse Evangelho, convidando a humanidade a ouvir e acolher a Boa Notícia da ação redentora de Deus, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres; confessam-se herdeiras da tradição profética da Bíblia, profundamente comprometida com a paz e a justiça social, pondo-a a serviço da sociedade brasileira; trabalham pela justiça e rejeitam todas as formas de violência e de injustiça.
 
Diante do apelo bíblico, as duas Igrejas vêm a público manifestar preocupação com relação à Proposta de Emenda à Constituição 287/2016, conhecida como PEC da Previdência, de iniciativa do Poder Executivo que será votada, no mês de fevereiro próximo, pelo Congresso Federal cujo objetivo versa sobre a reforma da Previdência Social do nosso País.
 
As graves ameaças que pairam sobre o povo brasileiro não podem deixar apáticas as Igrejas e o Povo de Deus. Devem ser alerta e apelo à reação, pois Deus não é da confusão ou da exploração social e sim da paz e da justiça (cf. 1Cor 14.33). Colaborar na percepção e na implantação que serve à paz e à justiça social (cf. Lc 19.42) constitui o nobre e inalienável mandato político dos cristãos em parceria com todas as pessoas de boa vontade.
 
No seu manifesto “O direito e o poder”, a IECLB defende, para o bem da sociedade, a urgência em recuperar a primazia do direito sobre o poder. O direito é incompatível com o crime, com a ditadura do poder e com a reserva de privilégios indevidos. Cabe ao Estado zelar para que todo cidadão tenha assegurado o amparo do direito e seja cumpridor dos deveres nele implícitos. O poder está a serviço disso. Inclusive mais: é a única maneira de legitimá-lo. O poder se torna útil somente quando se submete ao direito e a ele se presta como braço instrumental.
 
A responsabilidade pública da comunidade cristã não se esgota com a participação nas eleições. Ela se estende ao longo do mandato das pessoas eleitas. Neste tempo, ela adquire maturidade na vigilância e na consciência crítica. Cabe-nos vigiar e contestar as autoridades sempre que descumpram os seus compromissos e deveres para com o povo e a sociedade, como ainda dizia Lutero: “Não é subversivo criticar a autoridade quando ocorre livre, pública e honestamente no ministério ordenado da Palavra de Deus. Ao contrário, é uma rara virtude louvável e nobre, até mesmo um serviço a Deus especialmente grande”.
 
Em nota divulgada em março de 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já nos alertava sobre alguns perigos referentes a esta proposta de reforma. Dizia: “Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias.
 
É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade. O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores ético-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016, não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica”.
 
As reformas previstas pela PEC 287 como estão sendo propostas pelo Governo Federal deverão dificultar o acesso aos benefícios (tanto para contribuintes urbanos como para os rurais), exigindo mais tempo de contribuição e reduzindo drasticamente os valores a serem recebidos por meio de aposentadorias e pensões.
 
Convocamos os cristãos e todas as demais pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem, reagindo contra a PEC 287 e contra os Deputados Federais que defendem a proposta da reforma da Previdência do Governo Federal, a fim de buscar as garantias de justiça social e econômica para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados. Também convocamos os Deputados Federais do nosso Estado para que votem contra esta reforma da Previdência Social proposta pelo Governo Federal. Estaremos atentos aos votos deles no Congresso.
 
Essa proposta de reforma da Previdência do Governo Temer não pode acontecer. É fim de mandato. É preciso discutir mais com a sociedade. A reforma que precisamos é outra, é a reforma moral e política. Acompanhe o voto do seu Deputado Federal e do seu Senador, pois é ano eleitoral. Se eles apertarem o botão “sim”, a favor desta reforma, aperte, você eleitor, o botão “não” para eles, no dia das eleições.
 
Exortamos a todas as paróquias e comunidades da Diocese de Colatina e luteranas do Estado do Espírito Santo para que sejam corajosas e criativas, alegres e cheias de esperança no seu compromisso de prosseguir na grande aventura que nos espera. Mais do que os conflitos do passado, há de ser o dom divino da unidade entre nós a guiar a colaboração e a aprofundar a nossa solidariedade, estreitando-nos a Cristo na fé, rezando juntos, ouvindo-nos mutuamente e vivendo o amor de Cristo nas nossas relações. Nós, católicos e luteranos, abrimo-nos ao poder de Deus Uno e Trino radicados em Cristo e, testemunhando-O, renovamos a nossa determinação de ser fiéis arautos do amor infinito de Deus por toda a humanidade.
 
Atenciosamente,
 
Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias
Bispo diocesano de Colatina
 
Pr. Joaninho Borchardt
Pastor Sinodal – Sínodo Espírito Santo a Belém
 
DIGA NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA PROPOSTA PELO GOVERNO FEDERAL!

 
Lideranças religiosas, membros da diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e parlamentares da bancada do PT se reuniram, na manhã da última quinta-feira, 8 de fevereiro, no Senado Federal, para um debate que envolveu temas como processo de ruptura do pacto democrático estabelecido com a constituição de 1988, processos de privatização, em especial da Eletrobrás, e os riscos que isso representa à soberania do país, a reforma da previdência e o papel relevante das igrejas ao desenvolvimento de ações estratégicas para um pacto em favor da democracia brasileira e temas como os riscos da privatização da água e a fragilidade da segurança hídrica brasileira. 
 
Na avaliação do líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), o Brasil tem passado por um processo de desnacionalização “sem precedentes”, com a venda do patrimônio nacional para empresas estrangeiras, além da diminuição da proteção social aos mais necessitados.
 
“Tenho uma grande preocupação com a democracia brasileira e com a situação do povo mais pobre. Tudo estoura no povo mais pobre. É impressionante o número de pessoas dormindo nas ruas das grandes cidades. E numa situação como essa, o governo cortou mais de um bilhão de reais em recursos do Bolsa Família”, denunciou.
 
O aumento da violência, em suas mais diferentes formas, principalmente violência agrária e contra populações indígenas, as contínuas manifestações de ódio e intolerância relacionados ao preconceito e ao racismo também entraram na pauta da conversa, destacando-se a importância do papel das Igrejas para estabelecer pontes de diálogo para a superação destas práticas.
 
Os senadores e as senadoras presentes enfatizaram a importância das Igrejas no passado para a abertura democrática e destacaram que nesse atual momento é fundamental que as Igrejas continuem mobilizando e conscientizando a sociedade sobre a necessidade de se garantir direitos às pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
 
A senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que após a ditadura militar houve uma construção nacional na qual foram pactuados três importantes pontos na Constituição: voto universal e eleições livres, um cinturão social de proteção ao povo com a seguridade social e a soberania nacional. Pilares fundamentais para o desenvolvimento nacional, segundo ela. “Esses pilares estão sendo rompidos”, enfatizou.
 
CONIC
 
Os integrantes da diretoria do CONIC destacaram que o Conselho tem buscado, desde a sua criação, confrontar a sociedade brasileira com os valores do Evangelho. A preocupação do CONIC é com a vida das pessoas mais pobres, por isso, o organismo tem se manifestado em favor da garantia dos direitos humanos e da universalização da saúde e da educação. Neste sentido, ratificaram que o CONIC é um espaço privilegiado para as Igrejas expressarem seu testemunho em favor da justiça social e do aprofundamento da democracia, que se faz com a distribuição de riquezas e a preservação de recursos naturais, como a água. Dom Teodoro, membro da diretoria do CONIC, lembrou que as igrejas-membro do Conselho representam cerca de 200 milhões de pessoas, justamente por isso, a responsabilidade do Conselho é grande. 
 
Finalmente, a diretoria do  CONIC chamou atenção para a importância do encontro, sobretudo porque também contou com a presença de pessoas vinculadas à igrejas que ainda não fazem parte do Conselho, declarou estar aberto para dialogar com outras forças políticas, pois essa postura é uma das formas para que sejam avaliadas as atuações dos parlamentares e seu compromisso com plataformas políticas que beneficiem o conjunto da população brasileira.
 

 
 
 
Com o objetivo de propor uma reflexão teológica, feminista, diaconal e política sobre temas e contextos de permanente debate e incidência pública, em diálogo com os 500 anos da Reforma Protestante, foi lançada a publicação Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora, organizada pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD).
 
“Não haverá outros 500 anos se não relacionarmos os conflitos vividos no passado e os que marcam a atualidade”, afirma o texto de apresentação do livro, assinado pela presidenta da Diretoria da FLD, diácona Valmi Becker, e pela secretária executiva da FLD, pastora Cibele Kuss. “E a religião desempenha um papel estratégico e também, infelizmente, instrumentalizado em momentos de crise política, no nosso país e no contexto global em que estamos atuando e vivendo”.
 
Não é coincidência que recente estudo divulgado por Pão para o Mundo, parceiro da FLD, mostra que o clima político no Brasil é cada vez mais determinado pelo conservadorismo religioso, que “desrespeita especialmente os direitos de mulheres e da população LGBT, elevando as tensões e as diferenças sociais". O Brasil aparece ao lado de outros 52 países onde a livre expressão das liberdades individuais é limitada por governantes, por meio de uma combinação de limitações práticas e legais.
 
Os artigos da publicação lançada pela FLD são: Mulheres reformadoras fazendo Diaconia e Direitos; 500 anos da Reforma e também do racismo no Brasil – uma questão que precisa sair do silêncio; Descolonizando a Reforma; Diaconia em corpos e sexualidades negadas há mais de 500 anos de Reforma; Teologia da cruz e Diaconia Transformadora; Pessoas não estão à venda; Ecumenismo e cooperação inter-religiosa na Diaconia Transformadora; O movimento da Reforma e a resistência popular no Brasil – pela convergência nos “outros 500”; Diaconia institucional em movimento de reforma; Conversas à mesa com comida boa; Perspectivas críticas sobre o movimento da Reforma e o papel atribuído às mulheres – de protagonismos à superação da violência doméstica; Luteranismo e democracia; Lutero e seu legado para compreender a Economia.
 
O livro pode ser obtido sem custo (com exceção dos valores de envio, que ficam a cargo das pessoas solicitantes). A tiragem é limitada, mas a versão eletrônica está disponível em http://www.fld.com.br/digishop/. Mais informações, pelo telefone 51 3225 9066 e pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
 
Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora
 
Organização: Cibele Kuss
 
146 páginas
 
Editora: Fundação Luterana de Diaconia
 
Autoras e autores: André S. Musskopf, Cibele Kuss, Claudete Beise Ulrich, Eduardo Borchardt, Elaine Neuenfeldt, Gottfried Brakemeier, Kjell Nordstokke, Marilu Nörnberg Menezes, Renate Gierus, Rodolfo Gaede Neto, Rogério Oliveira de Aguiar, Romi M. Bencke, Ronilso Pacheco, Ruthild Brakemeier, Valério Guilherme Schaper, Wanda Deifelt.
 
Fonte: FLD
Imagem: Reprodução

 
 
A Organização das Nações Unidas celebra, de 1º a 7 de fevereiro a 8ª Semana Mundial de Harmonia Inter-Religiosa entre todos os credos, religiões e crenças. A Semana Mundial de Harmonia Inter-Religiosa (World Interfaith Harmony Week) foi proclamada pela Assembleia Geral em A/RES/65/5 resolução aprovada em 20 de outubro de 2010.
 
Na resolução, a Assembleia Geral, aponta que a compreensão mútua e o diálogo inter-religioso constituem dimensões importantes de uma cultura de paz e estabelece esta semana como uma forma de promover a harmonia entre todas as pessoas, independentemente de sua fé.
 
Segundo dom Francisco Biasin, que preside a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), esta semana é uma preciosa ocasião para buscar harmonia, coexistência pacífica e colaboração fraterna entre os seguidores de diferentes caminhos de fé. “Independente da religião que professamos, somos todos seres humanos chamados a construir um mundo de paz”, disse.
 
Reconhecendo a necessidade imperativa do diálogo entre diferentes crenças e religiões para melhorar a compreensão mútua, harmonia e cooperação entre as pessoas, a Assembleia Geral incentiva os Estados a apoiarem, durante essa semana, a propagação da mensagem de harmonia inter-religiosa e boa vontade nas igrejas do mundo, mesquitas, sinagogas, templos e outros lugares de culto, numa base voluntária e de acordo com suas próprias tradições religiosas ou convicções.
 
“O respeito pela diversidade e o diálogo pacífico são essenciais para que a família humana seja capaz de cooperar a nível mundial para enfrentar as ameaças comuns e aproveitar as oportunidades comuns”, disse à época do lançamento da iniciativa, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 

O Fórum Econômico Mundial (FEM), que ocorreu de 23 a 26 de janeiro, em Davos, na Suíça, serve como lembrete anual sobre o estado da renda global e da desigualdade na distribuição de riqueza, fenômeno que tem aumentado nos últimos 30 anos.

A globalização do mercado ajudou a criar novas ilhas de riqueza descarada em um amplo mar de pobreza em todo o mundo: de Pequim (China) a Moscou (Rússia), bem como as classes médias em Nairóbi (Quênia) e Lagos (Nigéria) – estas últimas capitais representando o avanço do capitalismo e de uma classe média que enriqueceu muito nos últimos anos.

Mas o que está impulsionando esse aumento?

Na última semana, a elite do mundo reuniu-se em Davos. O 1% mais rico do mundo é responsável ​​pela desigualdade ou a culpa deve ser compartilhada mais amplamente?

O domínio sem precedentes da globalização impulsionada pelo mercado significa que não há mais forças contrárias para parar a desigualdade e apresentar realidades alternativas, conforme exigido por ativistas, incluindo a Aliança de Combate à Desigualdade e outras organizações da sociedade civil.

A "curva do elefante"

Os defensores de tal visão deveriam simplesmente esperar que os mecanismos de mercado de oferta e demanda terminassem por acabar com a desigualdade econômica?

Este é o argumento de muitos acadêmicos que estudam a desigualdade quando se referem à "curva do elefante" – no qual um país experimenta primeiro um aumento da desigualdade de renda em seu estágio inicial de desenvolvimento. À medida que os serviços públicos são construídos, fazendo uso dos crescentes recursos internos acumulados pelo crescimento econômico, os salários aumentam, o que leva a um menor estado de desigualdade de renda.

Este argumento tem muitas falhas. Identificar a desigualdade como um estágio de crescimento inevitável só ajuda a legitimar a resposta do Estado capitalista a uma pandemia global que ignora as causas profundas e as condições estruturais de opressão e exploração, muitas vezes consideradas "muito confusas" para aborda-las de forma significativa.

Ele também negligencia a dinâmica da desigualdade de riqueza, que só agora está sendo entendida por meio do trabalho histórico de Thomas Piketty [1] e outros, embora principalmente limitado a nações de alta renda em vez de países em desenvolvimento, onde os registros de impostos, ativos e propriedade da terra são menos completos.

Desigualdade além da renda e da riqueza: discriminação

Em primeiro lugar, a desigualdade não pode simplesmente ser expressa em termos econômicos. Ela também tem a ver com a discriminação e a exclusão de certas identidades de participar plenamente das oportunidades geradas pelo crescimento econômico – negros e indígenas, mulheres, membros da comunidade LGBTI, pessoas com deficiência e minorias religiosas.

No sul da Ásia, por exemplo, a discriminação baseada em castas continua a ser uma prática abrangente que afeta cerca de 260 milhões de pessoas. Legalmente banido, este sistema está profundamente arraigado na sociedade e é a própria negação dos princípios da igualdade e da não discriminação, o que prejudica o gozo de uma ampla gama de direitos econômicos, civis, políticos, sociais e culturais para os dalits (grupo inferior no sistema de castas, também chamados de "intocáveis") e outros grupos afetados por castas.

As mulheres e meninas dalits estão expostas a múltiplas formas de discriminação baseadas em gênero e casta e são, portanto, vulneráveis ​​a várias camadas de marginalização e violência.

Bem público

Em segundo lugar, reduzir a desigualdade demanda políticas ativas dos governos nacionais para garantir que o bem público esteja sendo cumprido. Isso também deve ser apoiado por atores progressistas do setor privado que sejam a favor da inclusão de seus funcionários e clientes nos benefĩcios, a longo prazo, do crescimento econômico.

No Brasil, um país muitas vezes considerado um dos mais desiguais do mundo, o investimento contínuo em serviços públicos da última década começou a mostrar sinais de redução da desigualdade. Desde programas de assistência social em larga escala, como o Bolsa Família, até os salários e planos de pensão indexados ao salário mínimo – todos contribuíram para o declínio constante da desigualdade no Brasil. [2]

No entanto, a introdução da Emenda Constitucional 95 no país, no final de 2016, impôs um limite máximo às despesas públicas para os próximos 20 anos. Essa medida agressiva de austeridade irá desfazer as políticas de bem-estar universal garantidas na Constituição brasileira de 1988.

Os indicadores iniciais mostram uma redução de 14% [3] nas despesas primárias, o que agravará as desigualdades e afetará de maneira ainda mais forte as mulheres, as populações indígenas e os negros. Ainda que o presidente brasileiro, Michel Temer, seja um dos poucos que irão no encontro das elites globais em Davos com o objetivo de reivindicar a criação de um futuro compartilhado em um mundo fraturado.

Então, quais são algumas das alternativas e o que pode ser feito para parar a desigualdade aqui e agora?

Os países que enfrentaram com sucesso a desigualdade tendem a criar uma narrativa sobre o bem público e compartilharam uma identidade positiva de uma nação que permite, em alguns casos, colocar o bem público e o social acima da lealdade pessoal, familiar ou étnica.

Isso exige que um Estado esteja disposto a criar uma desregulamentação financeira inclusiva, sistemas tributários progressivos, regras que impedem a sonegação, criando políticas fiscais expansionistas e assegurando que as receitas de recursos naturais sejam em benefício de todos e não para ganhos privados.

Do mesmo modo, vivemos em um mundo onde a desigualdade é causada pela dinâmica da globalização impulsionada pelo mercado, que é amplamente desregulado e não transparente.

De fato, a presença de empresas e elites políticas na última semana em Davos mostra que uma elite global está tomando decisões em nosso nome sem qualquer sentido de responsabilidade ou de representação.

Em vez de Davos, o encontro de líderes globais deveria ocorrer sob os auspícios das Nações Unidas, e no qual a desigualdade histórica e atual deve ser considerada em temas importantes como mudança climática, discriminação baseada na identidade e pobreza extrema.

Metas de desenvolvimento sustentável

Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ode número dez já reconhece a questão da desigualdade econômica a partir dessa visão e, portanto, devemos concentrar nossos esforços na resolução da desigualdade por meio de políticas intergovernamentais melhores e também uma melhor regulamentação e transparência das mesmas multinacionais que procuram criar orientações e códigos voluntários no Fórum Econômico Mundial.

Então, este fórum apoiaria a transparência tributaria total, país por país, nos relatórios corporativos e revelaria todos os beneficiários efetivos das corporações, além de confiar no início de uma conversa sobre equidade e justiça na era da globalização? O fórum apoiaria leis de salário mínimo e políticas de tributação progressiva?

Se o Fórum Econômico Mundial constrói apoio para iniciativas intergovernamentais, pode ser um espaço global significativo, mas se acabar por minar os meios institucionais de enfrentar a desigualdade global, pode acabar exacerbando o fosso global entre ricos e pobres.

Notas:

[1] Piketty, T. (2014). Capital in the twenty-first century. Cambridge Massachusetts: The Belknap Press of Harvard University Press

[2] The Scandal of Inequality 2: The Multiple Faces of Inequality in Latin America and the Caribbean, Christian Aid, 2017

[3] Spotlight on Sustainable Development 2017: Reclaiming policies for the public, Civil Society Reflection Group 2017, 2030spotlight.org
 
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Matti Kohonen é Conselheiro de Princípios, Setor Privado, Christian Aid.

Fonte: Brasil de Fato
Edição: Christian Aid | Tradução: Pilar Troya
Foto: Reprodução


A compreensão de que a diversidade das tradições de fé é muito enriquecedora para o debate da água como bem comum, fez nascer a Tenda Inter-Religiosa do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) 2018. Um espaço aberto, democrático e plural onde cada grupo ou participante é protagonista para contribuir com seu entendimento sobre problemas e soluções em torno do tema.

Preparado por um coletivo de organizações religiosas ou com vínculo religioso, o local vai reforçar a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado e precisa estar disponível a todos os seres vivos. Para isso, serão fortalecidas articulações nacionais e internacionais e ampliados processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; tudo isso relacionado à democracia, participação social e ao debate sobre mudanças climáticas.

Até o momento, a programação deve incluir uma atividade autogestionada, com visitas a experiências do Distrito Federal e o seminário “Água como elemento sagrado: a crise hídrica e a vocação profética das tradições de fé.”

Se você acredita na força da espiritualidade e da fé como valores sociais transformadores, junte-se a nós! Participe, traga uma boa ideia, traga sua fé para somar com a nossa!

ÁGUA, MEIO AMBIENTE E VISÕES DE FÉ

As diferentes correntes religiosas sempre se atentaram às questões relacionadas ao meio ambiente, à água, ao trato dos animais, entre outros assuntos correlatos. Veja, a seguir, como as religiões lidam, do ponto de vista de seus livros sagrados e de suas tradições, com a temática. E surpreenda-se!

Cristianismo

Do ponto de vista do cristianismo, o trato com a natureza deve ser levado a sério. A Bíblia é clara quanto ao dever de respeitar todas as criaturas. “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.” (Provérbios 12:10). O assunto é tão importante que Deus faz um alerta de castigo aos que não cumprirem o dever de cuidar da natureza, e isso inclui a água e todos os seus mananciais: “Chegou o tempo de (…) destruir os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:18) .

Islamismo

No Islamismo, a água é sagrada. Ela tem importância prática (na vida comum) e ritual (nas atividades religiosas). O Alcorão diz: “Enviamos do céu água pura, para com ela reviver uma terra árida” (Alcorão 25:48-49). Para o muçulmano, a água é um bem coletivo, algo que não pode ficar nas mãos de uma só pessoa. É por isso que no mesmo livro sagrado do Islam é dito: “E anuncia-lhes [aos humanos] que a água deverá ser compartilhada entre eles...” (Alcorão 54:28).

Judaísmo

O judaísmo ensina o respeito à natureza como criação de Deus. “A terra é do Senhor e tudo o que há nela; o mundo e todos os que nela habitam.” (Salmos 24:1). O princípio da sustentabilidade estava presente na cultura dos antigos hebreus, eles vivenciavam uma ética ecológica, viviam numa sociedade agrária e se dedicavam à preservação da natureza. Como a pertence a Deus, os povos deviam usar com sabedoria os recursos naturais. A terra podia ser cultivada durante seis anos seguidos, tendo o sétimo ano para descansar. Isso ajudava a recuperar a terra e tinha, certamente, um impacto positivo nos mananciais de água.

Budismo

Como várias outras religiões, o budismo tem grande admiração e respeito pelo meio ambiente e pelos seres vivos que habitam nele. O budismo evidencia em seus ensinamentos o respeito com a natureza e todas as formas de vida. Algumas vertentes acreditam que são nos lugares repletos pela natureza que o coração do homem se acalma e que a mente fica tranquila, uma vez que ambiente e ser humano são interdependentes. Além disso, de acordo com os ensinamentos desta doutrina, coisas sem sentimento, como a rocha, a árvore, a flor, a montanha, a água, possui natureza búdica.

Candomblé

As religiões afro-brasileiras são ecológicas por natureza. Seus fiéis aprenderam com os antepassados uma grande lição africana: o equilíbrio surge da convivência harmoniosa entre todos os seres vivos, dos quais o homem é apenas uma pequena semente. Conforme explica Mãe Beata de Yemanjá, “só alcançamos o sagrado quando nos aproximamos da natureza, o que inclui pedra, água, folha, raiz, caule, frutos e o nosso próprio corpo.”. Vendo as coisas por este prisma, o respeito à água e às suas nascentes passa a ser parte da prática de fé dessa religião.
 
CONIC com Assessoria de Imprensa FAMA

 
 
Entre todas as ações que impactam o aquecimento global no Brasil, o desmatamento é o pior. De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em 2016, 51% do total das emissões nacionais foram em decorrência da supressão de florestas. O equivalente a 218 milhões de toneladas de gás carbônico.
 
Um novo estudo, conduzido por um time internacional de pesquisadores com participação do Instituto de Física da USP (IFUSP) e da UNIFESP concluiu que o impacto no desmatamento pode ser ainda mais grave.
 
Ao calcular as consequências da destruição das florestas, pesquisadores em geral levam em consideração o carbono, que constitui 80% do tronco das árvores; o metano, liberado no processo de decomposição; e o “carbono negro”, que são partículas resultantes da queima incompleta de compostos orgânicos.
 
A conta, porém, está incompleta. Toda árvore, no processo de fotossíntese, liberam na atmosfera uma série de compostos gasosos, como o isopreno, que são chamados BVOCs (sigla em inglês para Compostos Orgânicos Voláteis Biogênicos). Parte desses compostos, quando na atmosfera, passam por reações químicas e formam partículas maiores, que refletem a radiação solar para o espaço e resfriam o clima.
 
“Se você matar uma floresta e plantar pasto, que não emite esse composto, acaba trocando um ambiente que resfria o clima por um que não resfria”, afirma um dos autores do estudo, físico Paulo Artaxo, do IFUSP. “Foi o primeiro trabalho que calculou isso certinho”.
 
Dessa forma, em uma situação hipotética de desmatamento total, o aumento da temperatura seria de 0.8ºC. Pode não parecer muito, mas se considerar que todas as emissões de gases de efeito estufa decorrente da atividade humana desde 1850 provocou um aumento médio de 1.2ºC, este cenário seria catastrófico.
 
Por outro lado, o estudo reafirma o melhor caminho conhecido para combater as mudanças climáticas. “Hoje não existe nenhuma tecnologia para reduzir o aquecimento global melhor que replantar a floresta”, conta Artaxo. “Pode fazer qualquer coisa que quiser, o mais eficiênte, além de parar de queimar combustíveis fósseis, é plantar floresta”.
 
O poder das árvores não é bem uma novidade. A China mantém o maior programa de reflorestamento do mundo, investindo mais de US$ 100 bilhões na última década com árvores. Já o Brasil, se comprometeu no Acordo de Paris a recuperar 12 milhões de hectares de florestas, uma área equivalente ao estado de São Paulo, até 2030.
 
“As questões que envolvem o aquecimento global são simples. Difícil é cumprir esses compromissos”, diz Artaxo. “Mas a pressão do agronegócio da América Latina e África é enorme. Não é à toa que as florestas estão sendo destruídas. É para abrir caminho para plantações, áreas de pastagens. É um compromisso complicado”.
 
Fonte: Revista Galileu
Foto: Reprodução (CREATIVE COMMONS / PICOGRAPHY)

 
Fundado em agosto de 1948, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) completa este ano 70 anos de história. Ao longo de sete décadas, o CMI tem sido um testemunho vivo de unidade cristã. Igrejas, entidades parceiras e colaboradores do CMI em todo o mundo são chamados a comemorar a data e, também, a meditar sobre os inúmeros desafios que o Conselho tem pela frente, sobretudo em um mundo cada vez mais multipolar, diverso e, ao mesmo tempo, egoísta.
 
Celebrando durante todo o ano!
 
O CMI, as igrejas membros e os parceiros estão planejando uma variedade de eventos para avançar na Peregrinação da Justiça e da Paz em curso e, concomitantemente, honrar e aprender com esses 70 anos de esforço ecumênico.
 
A Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), tanto no hemisfério Norte, quanto no Sul, foi e será momento de comemorar esses 70 anos. No Brasil, a SOUC será de 13 a 20 de maio (saiba mais aqui).
 
Um só Deus. Um só Espírito. Uma só fé.
 
Esta é uma tríade que vem sinalizando o caminho do cristianismo no mundo. Atualmente existem mais de 38 mil tipos de denominações cristãs diferentes, entre católicos, ortodoxos, anglicanos, metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, pentecostais, neopentecostais, etc. Na teoria, um só povo. Na prática, grandes ou pequenas diferenças ideológicas parecem delimitar – seja com muros, cercas, interpretações, doutrinas ou costumes – esta afirmação.
 
Mas, afinal: é possível existir união verdadeira entre denominações distintas apenas pelo fato de confessarem a mesma fé em Cristo Jesus?
 
Foi diante desse desafio que, em 1948, um grupo de delegados, representando diversas igrejas cristãs, reuniu-se em Amsterdã (Holanda), para selar “um firme propósito de permanecerem juntos”, não deixando que as diferenças fossem muros para o diálogo. Num período de pós-guerra, surge o Conselho Mundial de Igrejas, uma organização que chegou em boa hora, porque além de conjugar missão, espiritualidade e diálogo teológico, se empenha no desenvolvimento de projetos de promoção de uma cultura de paz e responsabilidade social.
 
A instituição cresceu rapidamente. Ganhou notoriedade junto à sociedade e órgãos internacionais, sobretudo pelos programas de serviço como combate à fome, miséria, Aids e discriminação racial. Em pouco tempo, se notabilizou como a maior organização cristã empenhada na luta pela unidade da igreja e pelo diálogo inter-religioso.
 
Se por um lado o ecumenismo ainda ganha forte apoio, sobretudo por parte das denominações ortodoxas, anglicanas, luteranas etc., por outro, principalmente entre algumas igrejas evangélicas conservadoras, ele se estabelece como um dos principais empecilhos para o engajamento nesta unidade, uma vez que muitas igrejas entendem ecumenismo como a “criação de uma única igreja que englobe todas”, quando na verdade trata-se da abertura para o diálogo entre as denominações cristãs. Esta abertura é está alicerçada na certeza de que  “em Cristo somos todos um.” 
 
Para acompanhar mais notícias sobre os 70 anos do CMI, acesse: www.oikoumene.org.
 
Fonte: CONIC com IECLB e Revista Enfoque
Imagem: CMI

 
 
Nós, 60 bispos presentes no 14º Intereclesial das CEBs, em Londrina – PR, de 23 a 27 de janeiro de 2018, dirigimo-nos a nossos irmãos e irmãs de fé, para testemunhar a alegria que brota de nossos corações de pastores, por esse encontro que congregou 3.300 delegados e delegadas de Arquidioceses, Dioceses e Prelazias do Brasil, bem como convidados de outras igrejas, religiões e entidades, inclusive de outros países.
 
O tema desse Intereclesial, “CEBs e os desafios no Mundo Urbano”, e seu lema, “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7), na forma que foram tratados, expressam sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e com a mensagem do Papa Francisco dirigida a esse encontro, desejando “que as Comunidades Eclesiais de Base possam ser, na sociedade e Nação brasileira, um instrumento de evangelização e de promoção da pessoa humana”.
 
Nesse encontro, conduzido com zelo pastoral pela Ampliada Nacional das CEBs e pela Arquidiocese de Londrina que, cordialmente, o acolheu, testemunhamos a espiritualidade e a vitalidade das CEBs, manifestadas nos momentos vibrantes de oração e celebração. Sentimos pulsar muito forte em nossos corações o apelo de Deus para continuarmos acompanhando, avaliando e apoiando o desenvolvimento das CEBs, com o compromisso de sermos, em comunhão com Cristo, uma Igreja misericordiosa, profética e missionária, dedicada à formação, especialmente de cristãos leigos e leigas, como sujeitos na vida eclesial e social (cf. Doc. 105 da CNBB).
 
Louvamos e bendizemos a Deus pelos testemunhos de vida cristã partilhados no 14º Intereclesial, que sinalizam a força do seu Reino em meio à crise profunda da sociedade brasileira. No espírito do Ano Nacional do Laicato que estamos realizando, suplicamos a Deus que o protagonismo laical vivenciado no processo desse encontro, possa se manifestar ainda mais intenso em todas as situações desafiadoras de nosso país, especialmente do mundo urbano, nas quais as CEBs se fazem presentes e atuam, anunciando a “alegria do Evangelho”.
 
Encorajamos os participantes do Intereclesial, com o apoio, sobretudo de ministros ordenados e membros da vida religiosa, a difundirem amplamente as ações sinalizadas por esse encontro e a “grande esperança”, por ele revitalizada de tornar nossa sociedade mais solidária, justa e saudável, contando com a bênção de Deus e a proteção de nossa mãe, Maria.
 
Em nome de todos os bispos presentes:
 
Dom Severino Clasen, OFM
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato
 
Dom Guilherme Antônio Werlang, MSF
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora
 
Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo da Arquidiocese de Londrina – PR
 
Fonte: CEBs
Foto: CEBs