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Com o objetivo de contribuir com o debate sobre novas formas de desenvolvimento em contraposição ao atual modelo dominante produtivista-consumista, a Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong) em parceria com sua associada Iser Assessoria lançaram a cartilha Para evitar o desastre: como construir a sociedade do bem viver e o livro Para além do desenvolvimento: construir horizontes utópicos.
 
Escrita pelo sociólogo e secretário executivo do Iser Assessoria Ivo Lesbaupin, a cartilha está estruturada em três capítulos. No primeiro, aborda a degradação do meio ambiente, em diversos aspectos, começando pelo desmatamento, passando pela poluição da terra e perda da biodiversidade, aquecimento global e outros, até a poluição ambiental. São analisadas, no segundo capítulo, as causas que levam à destruição do meio ambiente e tornam insustentável a vida. Já o terceiro capítulo discute as saídas para a crise atual e apresenta algumas práticas alternativas já existentes no Brasil.
 
 
Ivo Lesbaupin e Evanildo Barbosa, membro da Direção Executiva da Abong, foram os organizadores do livro Para além do desenvolvimento: construir horizontes utópicos, resultado de contribuições recolhidas nos seminários “Desenvolvimento em disputa: por uma economia a serviço da vida”, realizado em novembro de 2015, em Brasília (DF); e “Novos paradigmas: rumo ao bem viver”, em junho de 2016, em São Paulo (SP). Os seminários reuniram especialistas, militantes e outros/as profissionais parceiros/as.
 
 
“A maioria dos governos ainda se submete aos interesses das empresas multinacionais, que privilegiam o lucro em detrimento do bem estar da humanidade. Há, porém, outros caminhos e inúmeras iniciativas no sentido de superar a concepção produtivista-consumista”, observa Ivo.
 
As publicações fazem parte do “Projeto Novos Paradigmas: pensar, propor, difundir”, realizado pela Abong e pelo Iser Assessoria com apoio da entidade de cooperação internacional Misereor e também da DKA (Áustria) e da Fastenopfer (Suíça).

 
 
O Banco Mundial entregou na manhã desta terça-feira (21) aos ministros Henrique Meirelles (Fazenda) e Dyogo Oliveira (Planejamento) um relatório com diagnóstico detalhado sobre os gastos públicos no Brasil analisando oito áreas.
 
O documento avalia os gastos sobre três aspectos: o peso no Orçamento, a eficiência e a avaliação sobre o ponto de vista da justiça social. A conclusão não é favorável ao Brasil.
 
O relatório foi encomendado ao Banco Mundial pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, teve prosseguimento durante a gestão do sucessor, Nelson Barbosa.
 
O título é provocativo. Um Ajuste Justo: Uma Análise da Eficiência e da Equidade do Gasto Público no Brasil.
 
Analisa oito áreas do gasto público no Brasil, com diagnóstico detalhado de cada uma delas, levando-se em conta o peso no Orçamento, o grau de eficiência e, ponto importante, o quanto é socialmente justo. Ou injusto.
 
A conclusão é severa: no Brasil, os governos (federal, estaduais e municipais) gastam mais do que podem; os gastos são ineficientes, pois não cumprem plenamente seus objetivos; e, em muitos casos, de forma injusta, beneficiando os ricos em detrimento dos mais pobres.
 
Aponta que, nas últimas duas décadas, o gasto público no Brasil aumentou de forma “consistente”, colocando em risco a sustentabilidade fiscal do país. O déficit fiscal alcança 8% por cento do PIB, e a dívida saltou de 51,5% do PIB, em 2012, para 73% neste ano.
 
Alguns destaques do relatório:
 
- Previdência: o estudo aponta que 35% dos subsídios beneficiam aqueles que estão entre os 20% mais ricos. E apenas 18% dos subsídios vão para os 40% mais pobres. Na aposentadoria do serviço público, a injustiça é ainda maior. O subsídio para os servidores federais custam o equivalente a 1,2% do PIB e, no caso dos servidores estaduais e municipais, mais 0,8% do PIB.
 
- No caso do serviço público, conclusões incômodas. De acordo com o Banco Mundial, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da iniciativa privada. A diferença quando comparada com os servidores estaduais também é elevada: 30% a mais.
 
O problema no Brasil, comparando com outros países, não é o número de servidores, mas a remuneração incompatível com a capacidade de pagamento do estado. De acordo com o estudo, 83% dos servidores públicos integram o conjunto dos 20% mais ricos da população.
 
- Educação: as despesas com o ensino médio e fundamental apresentam elevado grau de ineficiência e seria possível reduzir em 1% do PIB os gastos, mantendo o mesmo nível dos serviços prestados. O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades federais. A universidade gratuita é também injusta: 65% dos alunos estão entre os 40% mais ricos. Aos mais pobres, que não conseguem ingressar na universidade pública, resta a opção do FIES. “Não existe um motivo claro que impeça a adoção do mesmo modelo para as universidades públicas”, afirma o estudo, sugerindo o fim da gratuidade na universidade pública, criando-se bolsas para quem não pode pagar.
 
- As políticas de apoio às empresas consumiram 4,5% do PIB, em 2015, e, segundo o relatório, não há evidências de que tenham contribuído para o aumento da produtividade e geração de emprego. “Pelo contrário, tais programas provavelmente tiveram consequências negativas para a concorrência e a produtividade no Brasil”.
 
- Na área de saúde, o Banco Mundial afirma que seria possível gastar 0,3% menos do PIB mantendo o mesmo nível dos serviços.
 
- E uma economia de até R$ 35 bilhões em três anos poderia ser obtida com melhorias no sistema de licitação e compras governamentais, sem que para isso seja necessário mudar a legislação. Apenas mudando os métodos.
 
Somando tudo, o Banco Mundial conclui que o governo federal poderia economizar cerca de 7% do PIB com ações que aumentassem a eficácia dos gastos públicos, reduzisse os privilégios, focando o atendimento dos serviços nos segmentos mais pobres da população. Incluindo estados e municípios, o ganho fiscal, a economia, chegaria a 8,36% do PIB. O equivalente a mais ou menos R$ 500 bilhões por ano.
 
Fonte: G1

 
 
O calvinismo não pode se reduzir apenas à predestinação, diz o biógrafo francês de Calvino, Bernard Cottret. Em entrevista especial à IHU On-Line, por e-mail, ele explica também em que medida essa religião pode ser considerada uma reação ao protestantismo e ao catolicismo. “A purificação calvinista do cristianismo consiste em extirpar impiedosamente a idolatria, incluindo a liturgia. Praticamente não há arte sacra calvinista – quando há evidentemente uma arte sacra luterana, anglicana, para não falar da arte sacra católica, e do estilo jesuíta”.  Em sua opinião, um bom calvinista não deveria dizer-se “calvinista”, já que “em sua origem, o calvinismo é uma invenção de luteranos da segunda ou terceira geração, hostis à teologia de Calvino, em particular sobre as questões eucarísticas”.
 
Cottret é professor da Universidade de Versailles – Saint-Quentin e membro do Instituto Universitário da França. É autor de, entre outros, Calvin. Biographie (2ª. Ed. Paris: Payot, 1999).
 
Confira a entrevista.
 
IHU On-Line - Em que medida Calvino teria sido para a língua francesa o que Lutero  foi para a língua alemã – uma figura quase paternal?
 
Bernard Cottret - Calvino e Lutero ocupam situações inversas: Lutero é percebido pelos alemães de todas as confissões como o fundador de seu idioma. Sua tradução da Bíblia é uma grande data na história da língua alemã e é o estabelecimento do Hoch Deutsch [alemão clássico]. Calvino, por sua vez, não traduziu a Bíblia, deixando este cuidado a seu primo Olivétan  e fazendo o prefácio dessa obra. Porém e, sobretudo, o protestantismo sempre foi minoria na França, enquanto é percebido como majoritário no espaço germânico, ou, mais em geral, em toda a Europa.
 
IHU On-Line - Por que Calvino é um “filósofo pré-cartesiano”? Poderia comentar essa afirmação?
 
Bernard Cottret - Meus próprios trabalhos, após meu artigo publicado nos Annales ESC até minha recente edição do Tratado das relíquias (Traité des reliquess. Paris: Éditions de Paris, 2008)¸ passando por minha biografia do reformador (reeditada na França em 2009) tiveram por objetivo dar a Calvino seu merecido lugar na tradição intelectual francesa. Por sua reflexão sobre a língua, por sua semiótica exigente, Calvino iniciou os trabalhos de um Saussure,  por exemplo, distinguindo bem o significante do significado. Toda sua doutrina eucarística pretende ver, nas espécies, simples significantes, recusando que lhe seja votado um culto julgado idolátrico. É o que implica o recurso às figuras da retórica e, em particular, a definição do sacramento como “metonímia”, e não como metáfora. A recusa da transubstanciação tomista é, sob este título, ligada a uma concepção gramatical. Tive ocasião de falar há uns trinta anos sobre essas coisas com Michel de Certeau,  que me encorajara a prosseguir.
 
Ora, isso me levou a tomar distância em relação ao maravilhoso livro de Michel Foucault  sobre As palavras e as coisas — uma arqueologia das ciências humanas (3 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1985), que atribui a Descartes  uma dissociação entre a realidade e as aparências “enganadoras” que, a meu ver, encontra-se em Calvino. Eis como eu o situaria agora no nominalismo medieval.
 
IHU On-Line - O que faz a diferença do empreendimento de Calvino e de Lutero de “purificar” o cristianismo?
 
Bernard Cottret - Lutero, em sua concepção do sacramento, permanece ligado à substância. Nele, fala-se de consubstanciação a propósito da Santa Ceia, e o pão e o vinho coexistem com o corpo e o sangue do Salvador. Para Calvino, isso não tem sentido; ele muda radicalmente de perspectiva por sua teoria do signo. A purificação calvinista do cristianismo consiste em extirpar impiedosamente a idolatria, incluindo a liturgia. Praticamente não há arte sacra calvinista – quando há evidentemente uma arte sacra luterana, anglicana, para não dizer da arte sacra católica, e do estilo jesuíta. 
 
IHU On-Line - Quais são os pontos de proximidade e de ruptura que o senhor destacaria entre estes dois reformadores?
 
Bernard Cottret - Lutero e Calvino têm, ao mesmo tempo, teologias próximas por sua afirmação da justificação pela fé ou sua recusa do sacrifício da missa, mas também dessemelhanças. É, pois, falso reduzir, como se faz com frequência, o calvinismo somente à predestinação.
 
IHU On-Line - Quais são as influências do “Calvino jurista” no “Calvino teólogo”? A austeridade de seu pensamento seria explicada por esta diferença?
 
Bernard Cottret - Calvino é jurista onde Lutero e os outros receberam uma formação clássica de teólogos católicos. Isso induz diversas características notáveis que eu destaquei em minha biografia: 
 
1) Calvino permanece profundamente laico;
2) Ele jamais recebeu consagração pastoral, enquanto Lutero e os outros são antigos padres;
3) De maneira igualmente essencial, ele recusa dissociar a Lei e a Graça, a Torah  e o Evangelho. De onde provém, sem dúvida, o filo-semitismo notável de diversos reformadores, no qual Lutero se mostra funcionalmente antijudaico.
 
IHU On-Line - Em que medida o calvinismo é uma reação ao protestantismo e ao catolicismo?
 
Bernard Cottret - O calvinismo é uma construção dogmática que eu distinguiria da fé viva de Calvino. Muitos protestantes calvinistas preferem dizerem-se reformados para não incorrer na censura de idolatria. Um bom calvinista não deveria dizer-se “calvinista”, e, em sua origem, o calvinismo é uma invenção de luteranos da segunda ou terceira geração, hostis à teologia de Calvino, em particular sobre as questões eucarísticas. Calvino em todo o caso não queria ser calvinista, como, de resto, Marx  não queria ser marxista... Eu, aliás, trabalho atualmente sobre Marx, e constato que sua teoria do fetichismo é de inspiração tão amplamente bíblica quanto hegeliana.
 
IHU On-Line - O calvinismo foi uma segunda fase do protestantismo?
 
Bernard Cottret - Embora ele tenha aparecido historicamente após Lutero, Calvino promoveu uma teologia profundamente original, e é difícil falar de uma segunda fase ou de um aprofundamento. É fundamentalmente outra tradição cultural, ligada ao humanismo francês – pista que eu explorei em minha biografia.
 
IHU On-Line - Qual é a atualidade de Calvino 500 anos após seu nascimento?
 
Bernard Cottret - Há dez anos escrevi um pequeno livro sobre o Renascimento, chamado La Renaissance 1492-1598. Civilisation Et Barbarie (Paris: Éditions de Paris, 2000 - O Renascimento 1492-1598. Civilização e barbárie). Ali eu falava de Calvino, de Lutero, mas também de Inácio de Loyola  e de alguns outros. Para mim, existe uma atualidade da história, da história enquanto tal, da história em geral. Mas, a tarefa do historiador parece-me ser a de sempre descartar o anacronismo, e eu desconfio de expressões como “a atualidade de Calvino”. No fundo, e para retomar Calvino sobre este ponto, sua atualidade se dá no aspecto do olhar ou da fé. Não existe atualidade em si de Calvino, de Marx ou de Jesus, mas continua a permanente exigência de uma renovação interior. Ou, para empregar outra palavra, de uma reforma sempre ativa. Ecclesia reformata semper reformanda.
 
Fonte: IHU On-Line

 
 
Diante dos inúmeros casos de violência cometidos contra adeptos de religiões de matriz africana, bem como contra seus locais de culto, o CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil criou o Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas. O objetivo é auxiliar na reconstrução de templos que foram destruídos Brasil afora. Para contribuir, basta fazer um depósito, de qualquer valor, na conta que consta abaixo.
 
A seguir, leia a nota do CONIC sobre o assunto:
 
Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas 
 
“Esforçai-vos para viver em paz com todas as pessoas” (Hb 12:14)
 
As violências perpetradas por grupos fundamentalistas aos fiéis e aos terreiros de religiões de matriz africana no Rio de Janeiro têm se tornado cada vez mais frequentes. 
 
A destruição de vários locais de culto, tanto de umbanda, quanto de candomblé, virou rotina em muitas localidades, com riscos, inclusive, de vida para alguns adeptos dessas religiões. Tal violência de cunho religioso não está circunscrita ao estado do Rio. Ela é notada quase todo o Brasil. 
 
Para enfrentar esta realidade e reafirmar o compromisso ecumênico com uma agenda de respeito pelas diferenças, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) conclama a todos para um gesto concreto de amor em favor de todos os terreiros que têm sofrido violências. E como forma efetiva de apoio às lutas de resistência e às intolerâncias de caráter religioso, o CONIC criou um Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas. 
 
Para implementá-lo, pede o apoio de todas as pessoas e organizações que acreditam na paz e na solidariedade como meio de construir uma sociedade mais justa e mais amorosa. Para isso, basta depositar qualquer valor na conta abaixo. Ele será integralmente utilizado no auxílio a locais de culto que foram danificados por atos de intolerância e desrespeito ao próximo.
 
#BastaDeRacismoReligioso
 
Dados da conta bancária: 
 
Banco Bradesco
Agência: 0606
Conta Corrente: 21234-2
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
CNPJ: 00721266/0001-23. 

 
 
Estudantes do curso de arquitetura e urbanismo de uma faculdade no Centro de Fortaleza se depararam com uma imagem artística, encoberta por camadas de tinta e revestimento de reboco, resultado de reforma realizada no prédio centenário tombado, onde funcionou por 90 anos o Colégio Marista Cearense. O achado ocorreu durante um minicurso de restauração patrimonial na escola tombada como patrimônio cearense.
 
A descoberta revelou o que seria a imagem, em baixo relevo, de Padre Anchieta, ambientada em uma paisagem litorânea. Quem afirma é Walden Luiz, professor e coordenador do Departamento de Artes da Estácio na década de 1980, época em que a arte foi feita.
 
A memória de Walden é, até agora, o único arquivo da idealização da imagem. De acordo com ele, a arte se trata de um painel com extensão por toda a parede, em que o padre segura um cajado e escreve poemas à Virgem Maria, na areia. "É um painel muito bonito. De início pintaram de dourado, mas ficou muito chamativo e depois fizeram um envelhecimento. Fiquei surpreso de terem tratado o painel com argamassa, foi feito numa talha de cimento, era bem interessante", relembra o professor aposentado.
 
Ele diz que a arte ainda está clara na memória porque o painel ficava na entrada do colégio, por onde passava diariamente.
 
'Enterrando a história'
 
Para Carolina Alves, professora do curso de restauração em que a arte foi revelada – juntamente com o professor do curso de arquitetura, Frederico Barros – o achado reflete a falta de educação patrimonial na cidade, já que a peça é parte histórica do prédio.
 
"O minicurso, de dois dias, era pra apresentar processos que norteiam a restauração em edificações como essa, com valor de prédio tombado. A proposta das aulas era intervir numa área que sabiam que tinha passado por uma reforma sem critérios. Quem cobriu a arte com reboco pode ter feito porque a arte já não estava íntegra. Mas isso mostra que a cidade vem priorizando a estética e enterrando a história."
 
Segundo Carolina, a faculdade de arquitetura foi um dos primeiros cursos a ocupar o prédio do antigo colégio, que tem valor histórico e arquitetônico, tombado pelo município e pelo estado. "Além de ter ocupado o local, uma das propostas era educar no sentido patrimonial, tanto para os alunos, quanto na promoção de eventos e visitações pra sociedade". Com essa ideia, organizou-se a Semana de Arquitetura, que trouxe o minicurso de restauração como experiência além das disciplinas da grade curricular.
 
"Esse local onde começamos a trabalhar já estava desprendendo da parede. Achamos que íamos encontrar uma sequência de cores que mostrariam as pinturas que já tinham ocorrido lá ao longo dos anos. Iniciamos a prospecção com bisturi, e encontramos esse baixo relevo artístico", conta a professora. Ela diz que a turma buscou documentos e fotos antigas do prédio para identificar a arte, mas nada foi encontrado.
 
A atividade, a princípio, com propósito mais particular de demonstrar a restauração, passou a ser a de revelar um material histórico esquecido do prédio. "Esse trabalho pode suprir uma lacuna documental", destaca Carolina.
 
Pesquisa
 
Coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da faculdade Estácio Fic, Clélia Monasterio reforça que ter encontrado a obra "foi uma bênção" para dar oportunidade aos estudantes de trabalhar a investigação e preservação do patrimônio. "É muito importante porque desenvolve esse sentimento e vontade de trabalhar com a cultura, o patrimônio e a arte. Encontramos um tesouro perdido, agora vamos continuar a busca", declara.
 
A ideia é transformar o trabalho em um grupo de pesquisa e extensão, capacitar estudantes para seguirem com a investigação da obra e, posteriormente, de outros pontos do prédio. Por ser patrimônio tombado, é necessário antes regularizar a situação no município e estado.
 
Segundo a coordenadora, o local de investigação do painel tem aproximadamente 9m². "Para acontecer, tem que ter cooperação entre a instituição e a Estácio. É um trabalho de conversação, se trata de uma obra de arte, precisa de pessoas especializadas."
 
Fonte: G1
Foto: Reprodução

 
 
Frente às violências perpetradas aos terreiros de candomblé no estado do Rio de Janeiro, e diante da destruição do terreiro Kwe Cejá Gbé, em Duque de Caxias (RJ), em 2014, a então presidente regional do Conselho Nacional de Igrejas no estado, CONIC-Rio, pastora Lusmarina Campos Garcia, luterana, teve a ideia de promover a reconstrução do mesmo com a ajuda de parceiros ecumênicos que, como ela, acreditavam que a ideia seria viável.
 
Aprovada pela então diretoria do CONIC-Rio, uma campanha de reconstrução foi iniciada. Nos primeiros meses a campanha conseguiu arrecadar R$ 2,121.85. Por motivos diversos, a captação de recursos acabou interrompida, mas uma das igrejas-membro do CONIC-Rio manteve-se mobilizada: a Igreja Cristã de Ipanema. Através da atuação sensibilizadora do pastor Edson Fernando, foi possível identificar um grupo de pessoas, dentre as quais dois empresários, Eduardo Wanderley e Simone Cadinelli, que retomaram a ideia e decidiram, então, fazer uma doação para que o compromisso assumido em 2014 pudesse ser cumprido. Na oportunidade, Eduardo e Simone ofereceram R$ 10,000.00.
 
Somado o valor inicial arrecadado, mais a doação dos dois empresários, acrescidas das contribuições coletadas nas igrejas, o terreio Kwe Cejá Gbé poderá, enfim, iniciar a reconstrução já neste ano, 2017.
 
Num café da manhã marcado para o dia 22 de novembro de 2017, as doações serão repassadas para Conceição d´Lissá, líder do terreiro.
 
A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio, através do seu interlocutor, o babalorixá Ivanir dos Santos, viabilizou o contato e a comunicação entre as pessoas e organizações envolvidas neste processo. “Mais do que a reconstrução do espaço físico, esta ação reconstrói relações e afirma que é a partir da solidariedade que é possível estabelecer a paz, a comunhão e o amor entre as diferentes religiões”, declarou Lusmarina.
 
“O compromisso ecumênico com uma agenda de respeito pelas diferenças e com o acolhimento às diversidades encontra uma ação de profunda importância nesta iniciativa de reconstrução do terreiro Kwe Cejá Gbé”, concluiu a pastora.

 
 
As mortes provocadas por aids e câncer começaram a ser combatidas com maior eficácia por meio de campanhas informativas, que estimulam as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. “Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda”, salienta Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.”
 
O “primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto”, salienta Paris, porque “não se faz prevenção em silêncio”. Desta forma, ele defende que o tema seja debatido de maneira séria e aberta em ambientes tão distintos como escolas, empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família, ou seja, “onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas”.
 
Paris está à frente de um universo de 2 mil voluntários espalhados pelo Brasil, que anualmente realizam mais de 1 milhão de atendimentos de brasileiros residentes no país e no exterior. “Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional”, explica.
 
A metodologia do CVV é “conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio”. Com isso, esperam que a pessoa se sinta fortalecida e busque atendimento médico ou de outros profissionais da área da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico.
 
Robert Gellert Paris Junior é empresário, formado em engenharia e trabalhou na área comercial por mais de 20 anos. É presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio - ABEPS e membro do board do Befrienders Worldwide, organização internacional que congrega entidades de 40 países que oferecem serviços voluntários de prevenção do suicídio.
 
Confira a entrevista.
 
IHU On-Line – O Centro de Valorização da Vida - CVV realiza mais de 1 milhão de atendimentos anuais no Brasil. São expressivos os casos de pessoas que manifestam a intenção de se matar?
 
Robert Paris – As pessoas que procuram o CVV geralmente o fazem por estarem em momentos difíceis, de naturezas variadas. Muitos expressam claramente desespero e/ou desesperança e comentam que pensam ou estão planejando se matar; muitos deixam a ideação suicida nas entrelinhas, pois às vezes a pessoa tem dificuldades de expressar essa intenção até mesmo anonimamente para um voluntário do CVV.
 
IHU On-Line – O CVV é apontado por especialistas como a principal referência à prevenção de suicídio no Brasil. Como ele opera? Que metodologia é empregada?
 
Robert Paris – Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional. Somos uma ONG independente, sem orientação religiosa e político-partidária, que se dedica a apoiar as pessoas que nos procuram, mantendo atendimento 24 horas, todos os dias. Nosso trabalho é como uma espécie de pronto-socorro emocional, com voluntários devidamente selecionados e preparados para acolher, sem julgamentos, qualquer pessoa que peça nossa ajuda. A proposta do CVV é conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio. Buscamos que essa pessoa possa se sentir fortalecida, inclusive para buscar atendimento médico ou de outros profissionais da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico. Pessoas em tratamento com profissionais da área de saúde mental também nos procuram pela disponibilidade constante e apoio que oferecemos.
 
IHU On-Line – A repercussão da série 13 Reasons Why, da Netflix, e a polêmica do jogo Baleia Azul, que estimulava crianças e adolescentes a cometerem suicídio, tiveram impacto nos atendimentos do CVV?
 
Robert Paris – Tivemos um aumento na procura pelo serviço do CVV e pelo curso de voluntariado em consequência do seriado 13 Reasons Why, especialmente no primeiro mês após seu lançamento. Acreditamos que, apesar das ressalvas que devem ser feitas à produção do seriado (tendo como base as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre a forma de abordagem do tema), as pessoas passaram a dar mais importância aos sinais de pensamentos suicidas, falar mais abertamente sobre suicídio e passaram a buscar mais ajuda. Em relação ao Baleia Azul (que não podemos considerar de maneira nenhuma um jogo, mas sim uma atitude criminosa), não percebemos expressiva repercussão dentro do CVV.
 
IHU On-Line – O suicídio é um problema de saúde pública. Os governos, em suas diversas instâncias, estão preparados para o enfrentamento desta questão?
 
Robert Paris – De uma maneira geral, os governos estão se preparando. Há poucos anos o tema “prevenção do suicídio” era raramente endereçado pela maioria das secretarias de Saúde e mesmo no ministério. Hoje temos um movimento iniciado no Ministério da Saúde com a organização e análise dos dados sobre suicídio, o que permite a melhor elaboração de estratégias de ação de prevenção. Em decorrência disso, houve a criação pelo Ministério da Saúde da linha telefônica de emergência para prevenção do suicídio, outorgada ao CVV, de número 188, para ligações sem tarifação, em implantação gradual em todo o país.
 
IHU On-Line – Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. O que fazer para prevenir que pessoas eliminem a própria vida?
 
Robert Paris – O primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto. Não se faz prevenção em silêncio. Só foi possível mudar os números de mortes por aids e câncer com campanhas informativas, estimulando as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda. Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.
 
IHU On-Line – Há muito tabu e preconceito em relação ao suicídio. Isso atrapalha que o tema seja abordado de maneira mais clara e objetiva? Onde se deve discutir o assunto?
 
Robert Paris – O CVV entende que esse assunto pode e deveria ser debatido de forma séria e aberta em escolas, RH das empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família – ou seja, onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas. É o mesmo caminho trilhado pela prevenção de DSTs [doenças sexualmente transmissíveis], por exemplo, que hoje já é abordado por muitos lares na educação de filhos. Há não muitos anos existia o tabu de que falar sobre suicídio poderia incentivá-lo; hoje esse tabu está sendo quebrado e, principalmente neste ano, em especial na campanha do Setembro Amarelo, foram muitas as iniciativas de esclarecimento. Esperamos que passe a ser discutido amplamente, em breve.
 
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
 
Robert Paris – O CVV é uma ONG com 55 anos de trabalho voluntário, oferecido gratuitamente. Fomos nos adaptando à evolução dos meios de comunicação, agregando ao telefone outras formas de atendimento, como chat, e-mail e Skype. Nossos voluntários já estão atendendo remotamente, sem necessariamente se deslocarem para um dos 80 postos de atendimento. Porém, o que não muda é a necessidade de termos sempre novos voluntários. São pessoas sem uma formação técnica específica, com pelo menos 18 anos de idade e disponibilidade de quatro horas por semana para o trabalho. A inscrição é feita pela internet. Elas participam de um programa de formação e, uma vez que se identificarem com a causa e os valores do CVV e aprenderem a forma de atuação, começam seus plantões de atendimento. Hoje somos cerca de 2 mil voluntários em todo o Brasil recebendo contatos de brasileiros, inclusive residentes em outros países.
 
Fonte: IHU On-Line
Foto: Reprodução

 
 
 
Que o Brasil é um país cheio de detalhes burocráticos para empresas funcionarem não é novidade para ninguém. Agora, o que muita gente pode não saber é que igrejas e outras organizações religiosas também precisam se preocupar com esses pormenores. Com a finalidade de auxiliar essas instituições, o consultor Jonatas Nascimento publicou a Cartilha da Igreja Legal. Um livro detalhando diversos aspectos financeiros, administrativos e trabalhistas aos quais as igrejas devem dar atenção para funcionar corretamente.
 
Especializado em contabilidade eclesiástica, direcionada a organizações religiosas, Jonatas Nascimento explica que as igrejas devem cumprir uma série de exigências, tanto no âmbito jurídico quanto trabalhista, de modo a exercer suas funções dentro da lei. Também é necessário que essas instituições providenciem os certificados referentes ao edifício, como licenças da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros. De acordo com o consultor, é preciso ainda respeitar as obrigações financeiras.
 
-Eu diria que toda igreja precisa observar as leis brasileiras para então se estabelecer. Não é porque igreja goza de imunidade tributária, que deve achar que está fora do alcance dos obrigações acessórias inerentes a elas. A igreja que deixar de cumprir suas obrigações acessórias, sofrerá múltiplas multas; especialmente por parte da Receita Federal – afirma.
 
Porém, mesmo seguindo essas obrigações, nem todas conseguem ser bem-sucedidas. O principal aspecto no qual muitas igrejas falham, segundo Jonatas, é não dar a devida atenção à área contábil, seja com a falta de profissionais em seus quadros, ou na prestação dos documentos necessários para manter a organização legalizada.
 
– É necessário que a igreja contrate os serviços de um profissional da área contábil. E para que esse profissional consiga trabalhar para a igreja, é necessário que a igreja forneça a ele os documentos comprobatórios de suas receitas e despesas – destaca.
 
Para o consultor, o problema que muitas instituições enfrentam ao se descuidarem das questões administrativas e financeiras é cultural. Principalmente porque os pastores não são preparados, em seus estudos, para lidar com esses aspectos legais. Ele explica que o problema atinge igrejas de todos os tamanhos, grandes ou pequenas, já que nem todas estão bem aparelhadas, nessa questão, ou olham para sua administração de maneira profissional.
 
– As próprias escolas de teologia e seminários não se preocuparam em preparar os pastores para assuntos administrativos e eclesiásticos senão há pouquíssimo tempo. As nossas igrejas ficam muito preocupadas com a propagação do Evangelho e demais projetos de cunho espiritual ou social e se esquecem de outros fatores que são importantes e até mesmo determinantes para a sua continuidade – ressalta.
 
Jonatas Nascimento destaca a necessidade de as organizações religiosas estabelecerem um padrão de gestão eficaz para cumprirem suas obrigações fiscais. O consultor também apresenta algumas dicas para itens importantes que precisam ser respeitados para que as igrejas mantenham sua imunidade tributária:
 
- Não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;
 
- Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais;
 
- Manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
 
- Conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contando da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial;
 
- Apresentar, anualmente, Declarações de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal;
 
- Recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem como cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes;
 
- Assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público.
 
Fonte: Pleno.News
Imagem: Reprodução

 
 
A leitura da Bíblia a serviço da liberdade e na defesa dos direitos das mulheres nos impõe a não aceitar que a decisão sobre a vida das mulheres violentadas seja conduzida por homens com seus poderes muitas vezes pagos e por interesses moralistas e religiosos.
 
A pergunta que fazemos: quem está a defender a PEC 181 (que tende a proibir a interrupção da gravidez nos casos em que já é legal, sendo: estupro, anencefalia e risco de morte para a mãe) em algum momento escutou o choro de quem sofreu a violência em seus corpos?
 
A aprovação de tal PEC cai na armadilha moral de livrar quem pratica violência e culpabilizar as mulheres com seus corpos machucados, violentados, abusados (ab-usados).
 
Tal situação nos remete à condição de muitas mulheres na Bíblia, prisioneiras de uma sociedade e de sua religião androcêntrica, patriarcal, sacrificial, violenta e culpabilizadora, através da teologia de pecado. Sacerdotes, juízes, reis, pais, maridos e irmãos decidiam sobre a vida e o corpo das mulheres.
 
A mulher do levita, em Jz 19, é uma das memórias das mulheres numa sociedade que não escuta as vozes da margem. Ela foi violentada, estuprada, morta. As marcas da violência em seu corpo são a prova de quem, com as forças que teve, lutou e ousou se rebelar. Sua morte na porta da casa é memória dessa luta. E sinal de que não deram a ela o simples direito de decidir.
 
É imprescindível que as mulheres possam participar das decisões sobre seus corpos, seus passos e seu futuro. Em nome da fé em Jesus Cristo, o CEBI e o dinamismo da leitura da Bíblia a partir dos pobres e marginalizados/as da sociedade vêm a interpelar que a luta das mulheres por dignidade e a liberdade prevaleça sobre moralismos e aprisionamentos.
 
A Direção Nacional do CEBI.
 

 
 
Ainda no clima das tantas reflexões relacionadas aos 500 anos da Reforma Protestante, celebrados no dia 31 de outubro, vale recordar um forte desafio: como compreender e conviver com a diversidade de igrejas e grupos? Como lidar com as tantas manifestações de segregação e intolerância da parte de evangélicos, contra evangélicos e entre evangélicos mesmos?
 
Religiões são a representação da busca do ser humano pelo sagrado, pelo transcendente, mas são projetos humanos, que refletem características humanas. Apesar de defender e apresentar imagens do sagrado como amor, compaixão, misericórdia, como projetos humanos, as religiões são também marcadas por manifestações de exclusivismo (apropriação de uma compreensão como única verdade), competição, disputa de poder, desprezo à dimensão da alteridade, negação do diálogo.
 
Entre os cristãos, o protestantismo assentado na perspectiva da liberdade e cujo governo é descentralizado (diferente do catolicismo), acaba por tornar possível a profusão de diferentes denominações e se configura em um grande mosaico de igrejas e vertentes.
 
É preciso reconhecer ser um direito que grupos tenham a liberdade de se articular para expressar e viver a sua fé. Entretanto, o que é negativo para a história da humanidade é a construção de muros, a rejeição e a competição entre os diferentes segmentos religiosos.
 
Um dos movimentos protestantes mais significativos do século XX, nasce de seres humanos sensíveis a esta realidade, inspirados nos ventos dos humanismos que sopravam entre cristãos no século XIX. Estes ventos levaram estes  a retornar às bases cristãs do respeito, da misericórdia, do diálogo, do entendimento.
 
Em especial, inspiravam-se no trecho do Evangelho de João, na Bíblia, que traz uma oração de Jesus de Nazaré. Nela, Jesus pede a Deus por seus seguidores daquele presente e do futuro: “Que eles sejam um para que o mundo creia que tu me enviaste”. 
 
Surge então o movimento ecumênico, alicerçado no respeito às diferenças, na superação das tensões em torno de divergências e na busca de diálogo, na comunhão e na cooperação entre os diferentes cristãos e as distintas religiões em ações em prol da paz e da justiça. A ênfase no relacionamento entre os diferentes grupos passa a se assentar nas bases da fé que unem e não no que divide.
 
O termo ecumenismo vem do grego oikoumene (ecumene), que quer dizer “mundo habitado”, “casa comum”.  Recupera-se com ele a compreensão de fé sobre a casa de todos, o mundo criado por Deus que precisa ser cuidado, para que os indivíduos e tudo o mais que nele existe vivam de acordo com o projeto do Criador baseado em harmonia, comunhão, justiça e paz.
 
O movimento ecumênico e o princípio do ecumenismo brotaram de ações de protestantes que se uniam em muitas frentes desde o século XIX: movimentos de jovens, de missionários, de educadores, de mulheres, de pacifistas, de grupos que atuavam na restauração de cidadãos e povos nas situações de guerra, de quem se unia em torno de práticas de oração e de estudo da Bíblia. Gente sensível que enfatizava os elementos do Cristianismo, que chamavam à aproximação e à cooperação incondicionais em nome da justiça e da paz.
 
O ecumenismo passa a se configurar numa diversidade enorme de experiências espalhadas pelo mundo. Entre elas o Conselho Mundial de Igrejas, que surge no ano de 1948, a partir da fusão de uma série de movimentos consolidados, e encontra-se, quase 70 anos depois, em plena atividade.  
 
No Brasil, além dos movimentos estudantis cristãos desde os anos 1920, a Confederação Evangélica do Brasil, fundada em 1934, marcou a história do protestantismo no País. Foi marcada por atividades como o Setor de Responsabilidade Social da Igreja (Departamento de Estudos), o Departamento de Ação Social (com o importante trabalho relacionado à imigração), o Departamento da Mocidade (Juventude), prestação de serviços à mídia (para uma digna cobertura das atividades das igrejas evangélicas), entre outras.
 
A ditadura civil-militar, imposta ao País em 1964, teve ação repressiva devastadora sobre os organismos ecumênicos brasileiros. Lideranças foram perseguidas, presas, torturadas, mortas, exiladas. Os ideais cristãos calcados na justiça e na paz sobreviveram à custa de muita perseverança em tornos do princípio do ecumenismo e de ações subversivas. Isto tornou possível que o movimento ecumênico brasileiro continue vivo na forma de muitas organizações de igrejas, de jovens, de promoção humana, de estudos.
 
É fato que há muita suspeita e reação ao ecumenismo por conta de exclusivismos, de competição e de indiferença com as possibilidades de encontro e cooperação, que predominam entre os segmentos evangélicos. É sempre importante, porém, lembrar que entre estes há muita gente sensível ao desafio de se derrubar muros e construir pontes, que aproximem não apenas cristãos e outros grupos religiosos, mas também as outras tantas parcelas de um mundo cada vez mais dividido.
 
Fonte: Carta Capital