O papa Francisco chegou nesta sexta-feira (28) ao Cairo, capital do Egito, onde participará da Conferência Internacional de Paz ao lado de líderes muçulmanos, em uma visita de apenas 27 horas, e defenderá a reconciliação entre as religiões.

O Airbus da companhia italiana Alitalia, no qual o pontífice viajou, aterrissou no Aeroporto Internacional do Cairo às 14h (horário local, 9h de Brasília) após decolar do aeroporto romano de Fiumicino três horas antes.

Francisco foi recebido pelo primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, e por vários políticos e autoridades eclesiásticas.

 pope egypt

De lá, ele irá ao palácio presidencial onde se encontrará com Abdel Fatah al Sisi. Depois, o pontífice irá à Universidade de Al-Azhar, o centro de referência do islã sunita, onde está previsto fale da aproximação entre as religiões e da rejeição à violência.

A 18ª viagem internacional do pontífice acontece apenas 20 dias depois dos atentados contra os coptas no norte do Egito, para quem o papa pretende enviar um sinal de unidade dos cristãos.

O principal compromisso desta sexta será a conferência, que acontecerá na Universidade Islâmica de Al Azhar, onde está previsto que Francisco envie uma mensagem de aproximação entre as religiões e rejeição da violência.

Na cerimônia, o papa falará aos participantes após a intervenção do grande imã da instituição sunita, o xeque Ahmed el-Tayeb, com quem alcançou uma abordagem que ultrapassa o esfriamento das relações que marcou o discurso polêmico e famoso que o Papa Bento XVI pronunciou na cidade alemã de Regensburg, em 2006.

Francisco é o segundo papa que visita Egito, após a viagem feita por João Paulo II em 2000, e em seu pontificado reiterou que não há uma "guerra de religiões", após os diversos atentados reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) que vitimaram cristãos e muçulmanos.

Na capital egípcia, o pontífice se reunirá com o papa copta, Teodoro II. A visita também tem caráter pastoral e Francisco se reunirá com representantes da reduzida comunidade católica do país, de aproximadamente 250 mil pessoas; os coptas, por sua vez, somam entre 10% e 12% dos quase 90 milhões de egípcios.

No Cairo, Francisco será recebido pelo presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi. Não se sabe ainda se o papa mencionará a respeito dos direitos humanos por parte do regime. Apesar da preocupação pela segurança, o papa se deslocará pela capital egípcia em um veículo normal, sem estar blindado.

No sábado, o papa vai celebrar uma missa no Estádio do Exército e depois vai almoçar com bispos e clérigos egípcios, antes de deixar o Cairo e retornar para Roma.

Segurança

A Catedral copta de São Marcos no Cairo foi enfeitada para receber o papa. O templo, situado no bairro de Al Abasiya, foi adornado com três cartazes com a bandeira egípcia nas quais se vê a imagem de Francisco junto ao máximo representante da Igreja copta, Teodoro II, além do lema da visita: "O papa da paz em um Egito de paz".

Na praça da catedral começaram a ser distribuídas bandeiras de boas-vindas às pessoas que esperam impacientes a chegada do papa, 20 dias depois que dois atentados terroristas, assumidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), em duas igrejas coptas do norte do Egito sacudiram o Domingo de Ramos.

As autoridades egípcias montaram um amplo esquema de segurança em torno da nunciatura vaticana no Cairo, situada no bairro de Zamalek, onde o papa Francisco se hospedará esta noite.

Desde o dia 25 de abril, os veículos não podem estacionar nas principais vias de Zamalek por onde previsivelmente o pontífice passará e há várias ruas fechadas ao tráfego, além de um amplo esquema policial nos arredores da nunciatura, em coincidência com a visita.

Com informações do G1
Foto: Tony Gentile/Reuters

Dia 28 de abril – Vamos parar!

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) une-se às manifestações das Igrejas e de religiosos e religiosas de diferentes confissões e adere à Greve Geral, um instrumento legítimo de luta de trabalhadores e trabalhadoras.

O que tem acontecido em nosso país, um ano após a ruptura democrática, é grave. Temos acompanhado dia após dia, mês a mês, ataques aos direitos sociais de trabalhadores e trabalhadoras. Junto com isso, têm aumentado a repressão e a violência, em especial contra povos indígenas e trabalhadores e trabalhadoras do campo.

GREVE GERAL2

Temos um Parlamento que, com algumas exceções corajosas, se mobiliza para votar contra os interesses da maioria da população brasileira.

Há uma opção clara por parte do governo contra a democracia. Vivemos uma ditadura do sistema financeiro. Estamos reféns dos interesses do capital especulativo.

O povo não pode ser sacrificado por causa da ganância de alguns poucos.

Parar é preciso! Pelo país, pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Os escândalos prosseguem. Ao mesmo tempo em que aprovam no Congresso a Reforma Trabalhista, que acabou com a CLT, o STF acaba com teto constitucional e libera supersalários para cargos públicos. Há uma clara distorção ética nessas decisões. Cortam direitos de trabalhadores e trabalhadoras ao mesmo tempo em que garantem privilégios de uma elite burocrática.

Paramos nesta sexta-feira, dia 28, porque não aceitamos nenhuma das reformas aprovadas até agora. Essas reformas são antidemocráticas porque a sua aprovação não tem garantido um amplo, profundo e transparente debate com a sociedade.

“Ai dos que juntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores da terra.” (Is 5.8)

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL

Mais de 350 bispos vão se reunir a partir de hoje, 26 de abril em Aparecida, até o dia 5 de maio, na 55ª Assembleia Geral da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Os encontros se realizam no complexo do Santuário Nacional, divididos entre reuniões no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, e missas na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Neste ano, os debates estarão centralizados no tema “Iniciação Cristã”.

O presidente da CNBB o Arcebispo de Brasília, Cardeal Sérgio da Rocha, explica que a definição do tema central foi baseada nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o Brasil, documento que define as necessidades de trabalho da Igreja Católica no país para o período de 2015 a 2019.

assembleia cnbb

“Uma das prioridades das Diretrizes é a Igreja como casa da iniciação cristã. A Assembleia deste ano pretende trabalhar de maneira especial esta urgência”, comenta o purpurado.

Assuntos como o Ano Mariano, os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, o caminho ecumênico, as Novas Formas de consagração e Novas Comunidades, os 10 anos da Conferência de Aparecida e o Sínodo dos Jovens estarão em pauta durante o evento. Temas relacionados à realidade socioeconômica e política do Brasil também devem ser tratados.

Outro ponto importante para os trabalhos da Assembleia será a apresentação de documentos sobre os ritos católicos. Ao menos dois subsídios que tratam do tema devem ser apreciados e debatidos pelos bispos ao longo do encontro.

O primeiro deles será lançado pela Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB e oferece reflexões sobre exorcismos, rituais de cura e libertação. Já o outro passará pela apreciação dos bispos e trata sobre a atualização da celebração da Palavra de Deus, rito que consiste na reflexão das leituras bíblicas e da comunhão eucarística. Esta prática acontece sobretudo em locais que não contam com a presença de um sacerdote.

A 55ª Assembleia Geral da CNBB inicia na manhã desta quarta-feira, com uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, presidida pela Presidência da CNBB. A cerimônia de inauguração da AG será no auditório do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho e será aberta à imprensa.

Todos os dias, exceto no domingo, dia 30, serão celebradas missas com a oração do Ofício Divino, das 7h30 às 8h45, no Santuário Nacional de Aparecida. Haverá transmissão ao vivo pelas emissoras católicas de rádio e televisão.

A programação conta ainda com uma celebração Ecumênica no dia 2 de maio, recordando os 500 anos da Reforma Protestante. Na quinta-feira, dia 4 de maio, será realizada uma Sessão Mariana, em comemoração pelos 300 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida e 100 anos das Aparições de Fátima.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Monique Coutinho

Em comunicado emitido no último dia 13, a Organização das Nações Unidas (ONU) criticou os projetos referentes ao movimento “Escola Sem Partido”, afirmando que ele pode ferir direitos consolidados na Constituição Federal, como à “opinião, sem interferências, e o direito a buscar, receber e partilhar informações e ideias de todos tipos, independentemente de fronteiras ou meios”.

O texto foi publicado por relatorias especiais do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. Nele, a organização pede que o governo brasileiro tome atitudes para revisar os textos dos projetos de lei que tratam do tema.

Escola RJ Marcelo Horn GERJ

Segundo o comunicado, o governo deve assegurar que esses projetos estejam em conformidade com a base de direitos humanos da Constituição brasileira. Os relatores pedem que a resposta seja feita em até 60 dias, mas ela não é obrigatória.

O documento é assinado por Koumbou Boly Barry, relatora especial para o direito humano à educação; David Kaye, relator especial para promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão; e Ahmed Shaheed, relatora especial para liberdade de religião e de crença.

Fonte: Secretaria de Comunicação Nacional do Psol
Foto: Marcelo Horn / GERJ

A luta pelo direito ao território tem dizimado dezenas de indígenas todos os anos no Brasil. Dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) mostram que em 2015, 54 indígenas foram mortos em disputas territoriais no país. Estes povos originários buscam incansavelmente que o Governo demarque as terras para que empresários e fazendeiros não se apossem e destruam o território indígena.

Com espírito de enfrentamento que representantes de cinco etnias indígenas – Xukuru, Guajajara, Guarani, Wapichama e Bororo – se reuniram na Roda de Diálogo pelo Bem Viver, promovido pelo FEACT (Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil), na tarde da última quarta-feira (19), na Catedral Anglicana, em Brasília.

O objetivo da roda foi refletir sobre a ameaça, e em muitos casos as perdas, de direitos constitucionais vividos pelos indígenas no país. A tarde foi iniciada com a apresentação de cantos e ritos pelas tribos representadas. Logo após, os/as índios/os tiveram espaço para expor suas dificuldades enquanto povos tradicionais.

indigenas1

“O índio não existe sem a terra. Estamos lá para manter nossas tradições e nossos encantados, que são ancestrais. Infelizmente, algumas lideranças indígenas têm sido compradas para não lutarem mais pelo território, mas nossa terra não se vende, ela faz parte da nossa cultura. Nos matam quando retiram nossa terra. O tekohá é sagrado e precisa ser reconhecido”, iniciou o cacique Kamuu Dan, da tribo Wapichama.

A diretora da CESE, Sônia Mota, lembrou o compromisso do FEACT em visibilizar as lutas desses povos. “O contexto que está se passando nos territórios indígenas é muito perigoso. Acho importante que as igrejas aqui representadas escutem de vocês (índios/as) essa situação. Porque a gente precisa ouvir para levar para dentro das nossas comunidades qual será o nosso compromisso diante da situação que vocês estão enfrentando”.

A indígena Teresinha Togojebabo mostrou indignação com o que tem vivido. “Eu não quero que meus filhos passem pela mesma situação que eu. Deus nos deu o rio e a terra para sobrevivermos, mas hoje precisamos vender artesanato para comprar o peixe porque nos tiraram da nossa terra. Ainda não enxergaram que nós somos os maiores preservadores da natureza. Onde o índio planta, pode-se plantar várias vezes”, afirmou.

indigenas2

“Não mataram todos nós ainda porque resistimos. O que afeta mais nossos direitos é a falta de demarcação das terras. A gente não tem nem mais madeira para fazer uma horta, estão acabando com todas as árvores. Não sabemos o que será do nosso futuro. Queremos a demarcação do Noroeste e só pedimos que continuem lutando com nós para demarcar as terras”, finalizou o Cacique Francisco Guajajara.

O Noroeste a qual o cacique Francisco se refere é conhecido como “Santuário dos Pajés” e fica localizado na área central de Brasília. O local passou a ser palco de disputa entre os índios e o Governo do Estado, após este licitar a área para construção civil.

Após as declarações dos indígenas, foi lançado oficialmente o site da Missão Ecumênica Guarani Kaiowá (http://www.mecumenicaguaranikaiowa.org.br/). O site conta com informações e relatos das duas missões ecumênicas realizadas pela CESE, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) no Mato Grosso do Sul. Além disso, o local abriga notícias sobre a situação dos povos indígenas em outras regiões do país na luta pela demarcação territorial.

Participaram do evento representantes da CESE, CONIC, Koinonia, Igreja Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Metodista, Comunidade Fé Baha’i, Fundação Luterana de Diaconia, REJU, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia e Aliança Anglicana. A roda de conversa foi encerrada com falas de apoio pelas representações presentes e o compromisso de continuarem unindo forças pela causa indígena no Brasil.

A atividade teve o apoio da agência Heks Eper.

Fonte: CESE
Fotos: Reprodução

"Nenhuma reforma que afete direitos básicos da população pode ser formulada, sem a devida discussão com o conjunto da sociedade e suas organizações", afirmam, em nota conjunta, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Federal de Economia (Cofecon). Segundo as entidades, a chamada reforma da Previdência "não pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as razões de ordem econômica acima das necessidades da população".

Para CNBB, OAB e Cofecon, é preciso priorizar "valores éticos, sociais e solidários" na busca de uma solução para a Previdência. "As mudanças nas regras da Seguridade Social devem garantir a proteção aos vulneráveis, idosos, titulares do Benefício de Prestação Continuada-BPC, enfermos, acidentados, trabalhadores de baixa renda e trabalhadores rurais. Atenção especial merecem as mulheres, particularmente na proteção à maternidade."

4d96194c b2ff 491e adc5 4ebe60888369

As entidades sustentam que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 "vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias de milhares de pequenos municípios do Brasil". Alertam que a sociedade deve ficar "atenta às ameaças de retrocesso".

Leia a íntegra da nota.

POR UMA PREVIDÊNCIA SOCIAL JUSTA E ÉTICA

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, a Ordem dos Advogados do Brasil-OAB e o Conselho Federal de Economia-COFECON, conscientes da importância da Previdência Social para o povo brasileiro, e preocupados com a proposta de reforma encaminhada pelo Executivo ao Congresso Nacional, vêm, conjuntamente, reiterar sua posição sobre a Reforma da Previdência-PEC 287/2016.

Nenhuma reforma que afete direitos básicos da população pode ser formulada, sem a devida discussão com o conjunto da sociedade e suas organizações. A Reforma da Previdência não pode ser aprovada apressadamente, nem pode colocar os interesses do mercado financeiro e as razões de ordem econômica acima das necessidades da população. Os valores ético-sociais e solidários são imprescindíveis na busca de solução para a Previdência.

As mudanças nas regras da Seguridade Social devem garantir a proteção aos vulneráveis, idosos, titulares do Benefício de Prestação Continuada-BPC, enfermos, acidentados, trabalhadores de baixa renda e trabalhadores rurais. Atenção especial merecem as mulheres, particularmente na proteção à maternidade.

Sem números seguros e sem a compreensão clara da gestão da Previdência, torna-se impossível uma discussão objetiva e honesta, motivo pelo qual urge uma auditoria na Previdência Social. Não é correto, para justificar a proposta, comparar a situação do Brasil com a dos países ricos, pois existem diferenças profundas em termos de expectativa de vida, níveis de formalização do mercado de trabalho, de escolaridade e de salários. No Brasil, 2/3 dos aposentados e pensionistas recebem o benefício mínimo, ou seja, um salário mínimo e 52% não conseguem completar 25 anos de contribuição.

A PEC 287 vai na direção oposta à necessária retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, na medida em que agrava a desigualdade social e provoca forte impacto negativo nas economias dos milhares de pequenos municípios do Brasil.

É necessário que a sociedade brasileira esteja atenta às ameaças de retrocesso. A ampla mobilização contra a retirada de direitos, arduamente conquistados, perceptível nas últimas manifestações, tem forçado o governo a adotar mudanças. Possíveis ajustes necessitam de debate com a sociedade para eliminar o caráter reducionista de direitos.

As entidades infra firmadas convidam seus membros e as organizações da sociedade civil ao amplo debate sobre a Reforma da Previdência e sobre quaisquer outras que visem alterar direitos conquistados, como a Reforma Trabalhista. Uma sociedade justa e fraterna se fortalece, a partir do cumprimento do dever cívico de cada cidadão, em busca do aperfeiçoamento das instituições democráticas.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB

Ordem dos Advogados do Brasil-OAB

Conselho Federal de Economia-COFECON

Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução/Rodrigo Zaim

5820648

A Prelazia de São Félix do Araguaia, em reunião com suas/seus agentes de pastoral, seu bispo dom Adriano Ciocca Vasino e o bispo emérito dom Pedro Casaldáliga, na cidade de São Félix do Araguaia (MT), manifesta sua dor, indignação e solidariedade com as famílias assassinadas na Gleba Taquaruçu, município de Colniza (MT), no dia 20 de abril.

Este massacre acontece num momento histórico de usurpação do poder político através de um golpe institucional, com avanços tão graves na perda de direitos fundamentais para o povo brasileiro que coloca o governo do atual presidente Temer numa posição de guerra contra os pobres, isso refletido de forma concreta nos projetos, como as Medidas Provisórias 215 e 759, que violam direitos dos povos do campo e comunidades tradicionais, como também no acirramento do cenário de violações contra as/os defensores de direitos humanos. Diversos políticos expõem abertamente seus discursos de ódio e incitação à violência contra as comunidades que lutam pelos seus direitos. Vivemos um clima de “Terra sem lei”, uma verdadeira guerra civil em nosso país.

Como consequência, o ano de 2016 foi o mais violento dos últimos 13 anos, apontando para uma perspectiva desoladora no campo. E esta situação de Colniza, onde assassinaram inclusive crianças, nos expõe diante dos objetivos de ruralistas que não temem nada para conseguir as terras que buscam.

As famílias de agricultores da Gleba Taquaruçu vêm sofrendo violência desde o ano de 2004. Neste período, em decisão judicial, a Cooperativa Agrícola Mista de Produção Roosevelt ganha reintegração de posse concedida pelo juiz de Direito da Comarca de Colniza, como anunciada na Nota da Comissão Pastoral da Terra, de 20 de abril deste ano. Em 2007, ao menos 10 trabalhadores foram vítimas de tortura e cárcere privado e, neste mesmo ano, três agricultores foram assassinados.

Como estão, neste momento, as famílias que vivem em Colniza? O município já foi considerado o mais violento do país. Sabemos que na região existem outros conflitos de extrema gravidade, como o da fazenda Magali, desde o ano 2000, e o conflito na Gleba Terra Roxa, desde o ano de 2004. A população teme que outros massacres possam acontecer.

Clamamos justiça e que os autores desses crimes sejam processados e punidos. A consequente impunidade no campo, fruto da omissão dos órgãos públicos, perpetua a violência.

Na semana em que lamentamos o massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1997, que vitimou 19 lutadoras e lutadores do povo, somos surpreendidos por outro massacre no campo, que quer amedrontar, calar as vozes e submeter a dignidade do povo brasileiro.

Temos a certeza que o massacre ocorrido jamais roubará os sonhos e as esperanças do povo. E jamais calará a voz das comunidades que lutam.

O sangue dos mártires será sempre semente de JUSTIÇA e VIDA!

São Félix do Araguaia, abril de 2017.

A segunda-feira 17 de abril marcou um ano da aprovação da abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Para lembrar a data, a Plataforma Pela Reforma do Sistema Político, vinculada ao Inesc - Instituto de Estudos Socioeconômicos, realizou o debate 'A Democracia que queremos', organizado a partir dos olhares da população negra, dos povos indígenas, mulheres e defensores do Estado Laico. A atividade aconteceu no Auditório do Museu Nacional da República, em Brasília.

645 1280x853 639213723 900x600

Estiveram presentes Lucia Xavier, integrante do Criola e Articulação de Mulheres Negras do Brasil (Amnb), Paulo Rubem Santiago, professor da Universidade Federal de Pernambuco, Sônia Guajajara, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e Romi Bencke, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). Na coordenação dos debates, Carmen Silva, da SOS Corpo e Articulação de Mulheres Brasileiras.

Partindo do princípio de que é urgente uma maior representação dos vários povos, matizes e gêneros que constituem a população Brasileira, o debate procurou evidenciar que aquilo que se discutia antes do impeachment ser consumado já pode ser sentido por uma grande parcela do povo brasileiro. Além da retirada de direitos, as novas revelações da operação Lava Jato mostram que a articulação para afastar a presidenta Dilma tinha o objetivo de blindar e proteger esquemas de corrupção de integrantes do governo Temer.

Representação e participação populares

Lucia Xavier foi direta: "queremos uma Democracia onde o homem branco não seja o centro do processo", afirmando que "o movimento negro tem a agenda política mais antiga do País". Citando as levas de negras e negros escravizados trazidos à força para o Brasil, ela destacou que "desde o nosso primeiro ancestral brasileiro lutamos por liberdade, por respeito e por oportunidades". Lucia disse, ainda, que o "debate sobre a questão racial é um termômetro, pois fala sobre representação, classe social e educação".

Para o professor Paulo Rubem, os "governos democráticos e populares eleitos a partir de 2002 não foram capazes de abalar as oligarquias brasileiras presentes no Congresso Nacional". Ex-deputado federal, Rubem lembrou das grandes mobilizações populares para a inserção de direitos e garantias sociais na Constituição Federal de 1988. Entretanto, "a disputa entre Economia e Democracia foi gradativamente desequilibrada", com favorecimento paras as elites financeiras que hoje retiram direitos da população.

A 'Constituição Cidadã' veio com o objetivo de remover todo o entulho autoritário legado pela Ditadura Militar e "os povos indígenas acreditaram nos dispositivos voltados para as suas demandas", contou Sônia Guajajara. Hoje ela lamenta o enfraquecimento de órgãos como a Funai, cujo presidente afirmou que "índio não pode ficar parado no tempo", o que mostra a total falta de entendimento da questão indígena pelo gestor. Sônia também disse que "precisamos unificar a luta, afinal somos todos indígenas", aludindo à miscigenação que caracteriza a população brasileira.

646 1280x853 288703106 900x600

O forte protagonismo político de integrantes de congregações religiosas também foi discutido na atividade. "Há um ano uma presidenta legitimamente eleita foi deposta em nome de Deus", lembrou Romi Bencke. Para ela, no Brasil "nota-se uma instrumentalização da Política pela Religião e vice-versa", afirmando que o "fundamentalismo e o conservadorismo não andam isolados." A liberdade religiosa não deve ser confundida com a promoção religiosa. "A Religião não pode ser absoluta, somente em consonância com os Direitos Humanos", arrematou.

Desafios para a expansão da Democracia

Para os debatedores, uma representação popular mais fidedigna àquilo desejado pela população só será possível com reformas estruturantes e uma profunda mudança do sistema político. "Estamos em um momento em que as questões voltam ao solo fértil do debate para que possamos traduzir para o povo as consequências dessas reformas empreendidas pelo governo Temer", comemorou o Professor Paulo Rubem.

A despeito de sua religiosidade, o povo brasileiro não é misericordioso, acredita Romi Bencke. "Existe mais espaço para o ódio do que para a compaixão, basta perceber a permanência da intolerância religiosa em nossa sociedade, em especial àquelas de matriz africana, que perpassa pelo racismo", disse. Romi acredita que a crítica à Religião é importante para relembrar o vínculo entre Religião e Poder, "pois sempre que este vínculo existiu os seus resultados foram complicados."

"Uma mesa composta por cinco pessoas, sendo quatro mulheres e um homem, já é um avanço nesse Brasil de homens brancos de Michel Temer", brincou Sônia Guajajara. "Hoje o ódio é incitado por figuras públicas, parlamentares, que não se envergonham de manifestarem todo o seu preconceito", aludindo à naturalidade com que são desferidos ataques a contingentes populacionais inteiros, e não somente às minorias, historicamente marginalizadas.

Um novo pacto em que toda a riqueza do País seja distribuída, como o acesso à terra, educação e oportunidades, é fundamental para que sejam diminuídas as distorções entre a população, acredita Lucia Xavier. "Queremos compartilhar, mostrar nossa capacidade de construir os pilares da sociedade. Enquanto mulheres negras não forem parte do processo, viveremos em uma Democracia Branca. E vocês não sabem o tanto que ela é ruim", finalizou.

Fonte: Mídia Ninja
Fotos: Reprodução

Com o tema Espiritualidade e Cooperação na Celebração dos 500 Anos da Reforma, foi realizado, no início desse mês, em Campina Grande, Paraíba, o I Seminário Ecumênico de diálogo sobre cultura de paz. O evento, realizado no acampamento da igreja batista, reuniu católicos, batistas, luteranos, metodistas e anglicanos dos estados da Paraíba, Pernambuco e Brasília.

2017 04 15 PHOTO 00000003

Cerca de 80 pessoas participaram de palestras que, entre outros assuntos, discutiram ecumenismo e política no contexto atual. A secretária geral do CONIC, Romi Bencke, esteve entre os participantes.

Para o pastor e coordenador geral do evento, Wilkens Lenon, o grande problema dos brasileiros está relacionada à intolerância. – A intolerância que cresce de forma desacerbada no Brasil nos agride e nos divide, provoca a violência e estamos aqui irmanados na discussão com olhar profético para o nosso país – disse ele.

2017 04 15 PHOTO 00000002

2017 04 15 PHOTO 00000004

Fonte: Paraíba Online com informações da TV Paraíba
Fotos: Reprodução

Quando o seu biógrafo Peter Seewald lhe perguntou sobre a descristianização da Europa, o papa emérito Bento XVI respondeu: “É tudo uma questão de repensar a presença, encontrar novas formas, trabalhar com talento”.

Ou seja: em vez de repetir a ladainha das igrejas vazias, fechadas e abandonadas, é mais útil entender que o problema é mesmo a fé, que está sedada e distraída. É desta questão fundamental que se deve recomeçar, testemunhando Cristo de formas novas.

Philip Jenkins, um dos maiores especialistas em história e ciência das religiões, reforçou recentemente no jornal The Catholic Herald: nada de fim, nada de extinção. O problema, segundo Jenkins, está em pensar no catolicismo como algo europeu, ligado à teoria das antigas catedrais, aos ritos de um tempo que se foi, à catequese em doses maciças para crianças de 5, 6, 7 anos, toda manhã, depois da missa e antes da escola. Afinal, na maioria das vezes, essas crianças são hoje os adultos que, desligados de deveres impostos, nem colocam mais os pés na igreja nem levam para dentro dela os seus filhos.

catolicismo papa

De fato, em grande parte das atuais democracias laicas, a tendência é a da não identificação com religião nenhuma. Na República Checa, nada menos que 60% da população se declara sem religião. O cenário levou a American Physical Society a publicar, em 2011, um detalhado dossiê no qual sentenciava inapelavelmente que o mundo se livraria de todas as religiões até 2100; no topo da lista dos países já prontos para abandonar tudo aquilo em que acreditaram durante séculos, estariam a Áustria e a Irlanda.

Há, no entanto, uma grande distância entre essas tabelas de Excel e a realidade da fé individual. O fato de haver cada vez menos católicos em Praga pode preocupar quem ainda se emociona com o som dos sinos das igrejas, mas não sela o destino de uma religião.

O próprio Jenkins já tinha escrito um livro, “A história perdida do cristianismo“, em que observava que muitas religiões morrem: “Ao longo da história, algumas religiões desaparecem totalmente, outras se reduzem de grandes religiões mundiais a um punhado de seguidores”.

No caso da Igreja Católica, porém, o catastrófico prognóstico não parece aplicável, prossegue ele. A Igreja, que “é a maior instituição religiosa do planeta”, vem desfrutando de crescimento global. Em 1950, a população católica somava 347 milhões de indivíduos. Em 1970, eram 640 milhões. Em 2050, conforme estimativas conservadoras, serão 1,6 bilhão.

“Eu falei de crescimento global, e o elemento ‘global’ requer ênfase”, sublinha Jenkins. “Ao longo da história, houve muitos impérios chamados ‘mundiais’ que, na realidade, estavam confinados principalmente à Eurásia. Foi apenas no século XVI que os impérios espanhol e português realmente abraçaram o mundo. Para mim, a verdadeira globalização começou em 1578, quando a Igreja Católica estabeleceu uma diocese em Manila, nas Filipinas, do outro lado do imenso Oceano Pacífico”.

Ele prossegue:

“Estamos habituados a pensar no cristianismo como uma fé tradicionalmente ambientada na Europa (…), mas essa religião se propaga em escala global. O número dos cristãos está aumentando rapidamente na África, na Ásia e na América Latina. O cristianismo está tão enraizado no patrimônio cultural do Ocidente que faz com que pareça quase revolucionária essa globalização, com todas as influências que ela pode exercer na teologia, na arte e na liturgia. Uma fé associada principalmente à Europa deve se adaptar a esse mundo mais vasto, redimensionando muitas das suas premissas”.

É natural perguntar: esse “novo” cristianismo global permanecerá autêntico?

É uma interrogação legítima, só que um tanto sem sentido quando nos damos conta de que os grandes reservatórios do catolicismo estão hoje em países como o Brasil, o México e as Filipinas – aliás, neste último país houve mais batismos no ano passado que na França, Espanha, Itália e Polônia juntas.

A objeção é fácil: as tendências demográficas explicariam as razões desse crescimento. Onde nascem mais crianças, crescem mais católicos, se o substrato estiver presente. Onde isso não acontece, o catolicismo seca.

Jenkins discorda: basta ir à África e ver que não é bem assim. Em 1900, havia no imenso continente africano talvez 10 milhões de cristãos (não apenas católicos), constituindo 10% de toda a população. Hoje, há na África meio bilhão de cristãos (200 milhões dos quais são católicos). E eles vão duplicar nos próximos 25 anos. Acontece que não há “substrato cristão” na África, brutalmente marcada por invasões, ocupações e islamização mais ou menos forçada. Mesmo assim, a África terá mais católicos em 2040 do que havia no mundo inteiro em 1950. Antes ainda, em 2030, os católicos africanos já terão superado os europeus. Em seguida, a África vai disputar com a América Latina o título de região mais católica do mundo. Em somente uma geração, Nigéria, Uganda, Tanzânia e Congo estarão entre os dez países mais católicos do planeta – e o catolicismo começou a se enraizar nesses lugares faz apenas um século.

Mesmo diante deste cenário, há dúvidas legítimas, especialmente no tocante às conversões e batismos em massa. Bento XVI, em 2009, reconheceu que existem riscos mesmo numa Igreja jovem e entusiasta como a da África: é verdade que ela é “um imenso pulmão espiritual para uma humanidade em crise de fé e de esperança”, mas também é verdade que um pulmão sempre pode ficar doente.

E, afinal, quais são os riscos de “contaminação” do cristianismo euroamericano, considerado por muitos como o “único autêntico”?

A resposta está não só nas massas de fiéis africanos e asiáticos que lotam as igrejas italianas para a missa dominical, mas também na forma do rito – muitas vezes bem mais respeitosa do que aquilo que se vê em algumas catedrais centenárias, de rosácea brilhante e altares majestosos. Basta ver como o Papa foi acolhido na paupérrima República Centro-Africana: enquanto ele entrava na catedral depois de abrir a Porta Santa, o povo estava ajoelhado, recolhido em adoração, sem empurrões nem tentativas superficiais e grosseiras de tirar uma selfie com seu smartphone. Trata-se de respeitar a fundo o essencial, o Sagrado – e não apenas de supervalorizar, apegadamente, formas e rituais que, sem o essencial, não fazem sentido.

Nesse mesmo contexto, Jenkins menciona a cidade de Aarhus, na Dinamarca. Embora aquele país tenha muito pouco de católico, tanto nos costumes quanto na prática religiosa, as poucas igrejas católicas que existem na cidade têm visto grupos numerosos de fiéis, provenientes de terras distantes, entrarem com frequência crescente para rezar, em mostra evidente do caráter global (ou seja, católico) da fé cristã.

Diante destas realidades, a pergunta que não cala é: existe vontade e capacidade de experimentar novas formas de testemunho e de presença? Isso implica focar no essencial e deixar de lado os discursos menos cristãos do que partidaristas sobre “a verdadeira raiz do cristianismo”, bem como os debates sectários que divagam indagando se a sua “imagem mais correta” é a da velha Europa (que não se reconhece mais) ou a da jovem África (que abraça cada vez mais o cristianismo).

Na mensagem enviada aos participantes do 14º Simpósio Intercristão, realizado em agosto do ano passado, em Salônica, para tratar justamente da reevangelização das comunidades cristãs na Europa, o Papa Francisco escreveu que o continente já está lidando com “a realidade generalizada dos batizados que vivem como se Deus não existisse, das pessoas que não estão conscientes do dom da fé recebida, das pessoas que não experimentam a Sua consolação e não são plenamente partícipes da vida da comunidade cristã”.

A Igreja no Velho Mundo está, claramente, diante do desafio de renovar as suas raízes cristãs cada vez menos percebidas. Como? O Papa Francisco propõe: “Identificando caminhos novos, métodos criativos e uma linguagem capaz de fazer que o anúncio de Jesus Cristo, em toda a sua beleza, chegue ao homem europeu contemporâneo”.

Fonte: Aleteia com informações de Matteo Matuzzi, do jornal Il Foglio
Foto: Jay Directo/AFP