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Desde que se fecharam as urnas em fins de 2014 e foi consagrada a eleição de Dilma Rousseff por mais de 54 milhões de eleitores, não cessaram as tentativas de pedido de impeachment sem caracterização de crime de responsabilidade – exigência básica no presidencialismo. Sabíamos da composição ultra conservadora do Congresso e quanto estava marcado pelos vícios do financiamento empresarial das campanhas. Só não imaginávamos o grau de despreparo e irresponsabilidade de grandes bancadas que no dia 17 de abril, durante o julgamento da admissibilidade o impeachment, protagonizaram um espetáculo indecente invocando ao mesmo tempo a família e o nome de Deus, mesclado com manifestações de ódio que remetem à ditadura e desapreço pela democracia, justamente na data que marca os 20 anos de impunidade da Chacina de Eldorado de Carajás.

Tal momento político tem mobilizado diversos segmentos da sociedade brasileira tanto a favor do impedimento da presidenta como em defesa da democracia e do estado de direito ameaçados pela aliança entre os setores conservadores, a grande mídia, Globo em particular, e parte da estrutura jurídica que cumprem um papel importante nesse processo de tentativa de restabelecimento da hegemonia neoliberal.

Preocupa-nos sumamente a onda conservadora e de retrocesso que se observa na América Latina, expressa no parlamento brasileiro sob a égide das bancadas do agronegócio, dos fundamentalistas religiosos e dos representantes das empresas de armamentos e policiais, além de outros interesses corporativos sob a liderança ostensiva da FIESP – o que tem propiciado um persistente processo de violação de direitos.

Os movimentos sociais ao longo dos últimos meses e ainda mais evidente nas últimas semanas, com forte adesão de igrejas históricas e do movimento ecumênico e de grupos culturais não vinculados às intitucionalidades partidárias, entenderam o momento de ameaça à democracia e que por trás do discurso contra a corrupção se orquestra uma extensa pauta de subtração de direitos sociais e culturais conquistados nos últimos anos.

As cidades foram tomadas por grandes atos de resistência e celebração da democracia como há muito não se via. Ao mesmo tempo movimentos e brasileiros e brasileiras residentes no exterior replicavam iniciativas solidárias despertando a preocupação dos povos e nações que têm o Brasil como exemplo de construção democrática.

Perdemos esta batalha, mas continuaremos firmes de olho no processo de impeachment no Senado Federal e demais poderes em defesa e garantia dos Direitos Humanos e o fortalecimento dos movimentos sociais por um novo modelo de desenvolvimento justo e solidário a partir das vozes roucas que ecoam nos campos e cidades.

Continuaremos exercendo a cidadania ativa, na esperança de que seja honrado o estado de direito e as liberdades democráticas.

#NÃO HAVERÁ GOLPE!

Fonte: CESE

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Na terça-feira, 12 de abril, a 54ª Assembleia da CNBB abriu, como de costume, um espaço para diálogo com outras denominações cristãs. Entre os presentes estava o presidente do CONIC, dom Flávio Irala, que é bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB); o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Nestor Friedrich; a pastora Sônia Mota, da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e atual diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE); o pastor Joel Zeferino, da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), além de dois representantes da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, o bispo auxiliar dom Ramanós Dowd e o hipodiácono Georgios Jener Verçosa.

A Assembleia que aconteceu em Aparecida (SP), nos dias 6 a 15 de abril, teve como tema central: “Cristão leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Sal da Terra e luz do mundo”. Ao final da última sessão de trabalhos, foi realizada uma celebração ecumênica. A cerimônia foi organizada pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso.

Dom Francisco Biasin, presidente da Comissão, considera este evento muito importante na programação da Assembleia Geral. “É uma atitude de abertura e acolhimento de toda a riqueza que as igrejas e as religiões podem dar ao nosso caminho de fé”, afirmou.

CONIC com Radiovaticana.va
Foto: CNBB/CESE

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Denúncias relacionadas ao massacre de trabalhadores rurais sem terra no Paraná foram enviadas à Organização das Nações Unidades (ONU), na última quarta-feira (13).

Encaminhado pela Terra de Direitos, o documento relata irregularidades na investigação dos acontecimentos ocorridos em Quedas do Iguaçu, a partir do dia 7 de abril, quando trabalhadores rurais sem-terra foram vítimas de uma emboscada promovida pela Polícia Militar do Paraná e seguranças particulares da empresa Araupel. Na ocasião foram assassinados Vilmar Bordim (44) e Leonir Orback (25). Outros sete trabalhadores ficaram gravemente feridos.

A emboscada aconteceu quando 25 trabalhadores circulavam de caminhão, a cerca de 6 km de distância do acampamento Dom Tomás Balduíno – dentro do perímetro da área decretada pública pela justiça – quando foram surpreendidos pelos policias e seguranças entrincheirados.

Por quase duas horas a área foi isolada pela PM, impedindo o acesso de familiares, socorro aos feridos bem como acesso de qualquer pessoa que quisesse documentar a cena do crime. A sociedade civil e os movimentos sociais apontam que a polícia militar está agindo de forma a incriminar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Após pedido da Terra de Direitos e de outras organizações, o Ministério da Justiça determinou abertura de Inquérito Policial pela Policia Federal.

HOMENAGENS

No dia 9 de abril o CONIC foi representado pelo reverendo anglicano Luiz Carlos Gabas durante no Ato em Solidariedade ao MST e aos mortos e feridos do Acampamento D. Tomás. Leia, abaixo, o relato dele.

A concentração na Praça São Pedro, em Quedas do Iguaçu, reuniu em torno de 5.000 pessoas: acampados e assentados de varias regiões do Paraná, também militantes do MST de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sindicalistas, a senadora Gleisi Hoffmann, deputados estaduais e federais de vários estados do Brasil, a representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o presidente do Conselho Nacional de Defensores dos Direitos Humanos, o representante da organização Terra de Direitos, o Coordenador Nacional e o Superintendente do Incra no Paraná, o assessor agrário do Governo do Paraná, lideranças religiosas e de outras organizações.

Falei em nome do CONIC e da IEAB [Igreja Episcopal Anglicana do Brasil] dizendo que somos e continuaremos parceiros do MST e de outros Movimentos Sociais na luta pela Reforma Agrária, pela produção de alimentos orgânicos, por moradia, saúde, educação e na construção de uma sociedade justa e fraterna. Ressaltei a importância da resistência e da continuidade da luta, embora a perversa aliança do Governo do Paraná (Casa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, etc.), da Assembleia Legislativa, das Prefeituras e Câmaras Municipais, das organizações classistas do campo e das cidades (indústria, comércio, agronegócio, etc.), de lideranças religiosas e dos meios de comunicação que querem silenciar e criminalizar os Movimentos Sociais.

Disse ainda da nossa solidariedade para com os familiares dos que morreram ou foram feridos durante a emboscada patrocinada pela Polícia Militar do Paraná e Seguranças da Araupel. Lembrei que diante da violência jamais podemos nos acovardar, e que ela deve enfrentada para podermos construir uma sociedade onde todas as pessoas possam viver em paz. Ressaltei que as mortes dos que tombaram na luta pela terra não foram em vão, São sementes que gerarão novos companheiros e companheiras de caminhada e luta.

Foi feita a leitura integral da nota do CONIC, e foram citadas as Igrejas que o compõem.

INFORMES GERAIS

Palavras do comandante à tropa da Polícia Militar, horas antes do Ato, na mesma Praça São Pedro: “Lembrem-se soldados... Vocês foram formados para a guerra... Ajam sem medo... Não é um movimentozinho que vai nos intimidar...”

Na Assembleia Legislativa do Paraná, em Câmaras Municipais, nos Meios de Comunicação e Redes Sociais há uma intensa campanha de ódio e criminalização do MST. Deputados querem instalar uma CPI. Houve tentativa de uma moção de apoio de parte dos vereadores de Cascavel à PM.

Por determinação do Ministro da Justiça as investigações do ocorrido em Quedas do Iguaçu ficam sob a responsabilidade da Polícia Federal, e sob o comando do Delegado Chefe de Cascavel.

O GAECO, sob a coordenação do Ministério Público também entrou no caso. Dificilmente, haveria imparcialidade por parte das Polícias Militar e Civil do Paraná nas investigações.

Darci Frigo do Conselho Nacional de Defensores dos Direitos Humanos sinalizou as evidências de execuções dos sem terra pela Polícia Militar e Seguranças da Araupel. Há um áudio de um PM que pode ajudar nesse sentido. Os mortos e feridos receberam balaços pelas costas enquanto tentavam se proteger. Por duas horas os feridos não puderam ser atendidos. As ambulâncias foram impedidas pela PM de chegar ao local. Houve violação do cenário. Os mortos foram retirados do meio da mata.

Ontem, ouvi de advogados que acompanham o caso de que provavelmente o Vilmar tenha levado um primeiro tiro pelas costas ao correr para a mata e depois um segundo tiro na cabeça à queima roupa quando tentava se segurar em uma árvore.

Henrique, um dos feridos, recebeu alta do Hospital Universitário de Cascavel e foi levado à carceragem da 15ª Delegacia de Cascavel. Os médicos atestaram que por mais de trinta dias não poderá pisar no chão por causa do tiro na perna, mesmo assim está recolhido em meio a mais de outros quase quinhentos presos. O cadeião foi construído para abrigar apenas 132 presos. Os Advogados já entraram com um pedido de prisão domiciliar.

Pedro, o outro ferido, continua no Hospital São Lucas de Cascavel. Passou por cirurgia. Também está em regime de prisão. Sem a presença de Advogado a Delegada Civil de Cascavel colheu seu depoimento, gravado em áudio em que ele afirma que um sem terra deu o primeiro tiro. Logicamente entendemos que sob pressão as pessoas acabam falando o que querem que elas falem. Os Advogados vão tentar invalidar tal depoimento. Ao receber alta deve ir também para a 15ª Delegacia.

Ontem de manhã, aconteceu uma reunião em Quedas do Iguaçu com a presença do Ouvidor Agrário Nacional, representantes do Incra, Assessor Agrário do Paraná e Advogados da Araupel. A empresa apresentou a proposta de permanência dos acampados do MST nas áreas ocupadas, desde que liberassem a entrada de tratores, caminhões e funcionários. Ainda não conversei com lideranças para saber a posição do Movimento.

Temos informação de que Policiais e Seguranças da Araupel continuam intimidando as famílias acampadas. Há um clima de medo generalizado.

O INCRA se comprometeu em acelerar os processos de Reforma Agrária em todo o Paraná, principalmente na região de Quedas do Iguaçu.

Com informações do Brasil 247
Foto: acervo Luiz Carlos Gabas

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Tudo o que é sadio pode ficar doente. Também as religiões e as igrejas. Hoje particularmente assistimos a doença do fundamentalismo contaminando setores importantes de quase todas as religiões e igrejas, inclusive da Igreja Católica. Há, às vezes, verdadeira guerra religiosa. Basta acompanhar alguns programas religiosos de televisão especialmente, de cunho neopentecostal, mas também de alguns setores conservadores da Igreja Católica, para ouvir a condenação de pessoas ou de grupos, de certas correntes teológicas ou a satanização das religiões afro-brasileiras.

A expressão maior do fundamentalismo de cunho guerreiro e exterminador é aquele representado pelo Estado Islâmico que faz da violência e do assassinato dos diferentes, expressão de sua identidade.

Mas há um outro vício religioso, muito presente nos meios de comunicação de massa especialmente na televisão e no rádio: o uso da religião para arrebanhar muita gente, pregar o evangelho da prosperidade material, arrancar dinheiro dos fregueses e enriquecer seus pastores e auto-proclamados bispos. Temos a ver com religiões de mercado que obedecem à lógica do mercado que é a concorrência e o arrebanhamento do número maior possível de pessoas com a mais eficaz acumulação de dinheiro líquido possível.

Se bem repararmos, para a maioria destas igrejas midiáticas, o Novo Testamento raramente é referido. O que vigora mesmo é o Antigo Testamento. Entende-se o porquê. O Antigo Testamento, exceto os profetas e de outros textos, enfatiza especialmente o bem estar material como expressão do agrado divino. A riqueza ganha centralidade. O Novo Testamento exalta os pobres, prega a misericórdia, o perdão, o amor ao inimigo e a irrestrita solidariedade para com os pobres e caídos na estrada. Onde que se ouve, até nos programas católicos, as palavras do Mestre: “Felizes vocês, pobres, porque de vocês é o Reino de Deus”?

Jesus e de Deus, como se fossem realidade disponíveis no mercado. Tais realidades sagradas, por sua natureza, exigem reverência e devoção, o silêncio respeitoso e a unção devota. O pecado que mais ocorre é contra o segundo mandamento: ”não usar o santo nome de Deus em vão”. Esse nome está colado nos vidros dos carros e na própria carteira de dinheiro, como se Deus não estivesse em todos os lugares. É Jesus para cá e Jesus para lá numa banalização desacralizadora irritante.

O que mais dói e verdadeiramente escandaliza é usar o nome de Deus e de Jesus para fins estritamente comerciais. Pior, para encobrir falcatruas, roubo de dinheiros públicos e de lavagem de dinheiro. Há quem possui um empresa cujo título é “Jesus”. Em nome de “Jesus” se amealharam milhões em propinas, escondidas em bancos estrangeiros e outras corrupções envolvendo bens públicos. E isso é feito no maior descaramento.

Se Jesus estivesse ainda em nosso meio, seguramente, faria o que fez com os mercadores do templo: tomou o chicote e os pôs a correr além de derrubar suas bancas de dinheiro.

Por estes desvios de uma realidade sagrada, perdemos a herança humanizadora das Escrituras judeo-cristãs e especialmente o caráter libertador e humano da mensagem e da prática de Jesus. A religião pode fazer o bem melhor mas também pode fazer o mal pior.

Sabemos que a intenção originária de Jesus não era criar uma nova religião. Havia muitas no tempo. Nem pensava reformar o judaismo vigente. Ele quis nos ensinar a viver, orientados pelos valores presentes em seu sonho maior, o do Reino de Deus, feito de amor incondicional, misericórdia, perdão e entrega confiante a um Deus, chamado de “Paizinho” (Abba em hebraico) com características de mãe de infinita bondade. Ele colocou em marcha a gestação do homem novo e da mulher nova, eterna busca da humanidade.

Como o livro dos Atos dos Apóstolos o mostra, o Cristianismo inicialmente era mais movimento que instituição. Chamava-se o “caminho de Jesus”, realidade aberta aos valores fundamentais que pregou e viveu. Mas na medida em que o movimento foi crescendo, fatalmente, se transformou numa instituição, com regras, ritos e doutrinas. E aí o poder sagrado (sacra potestas) se constituiu em eixo organizador de toda a instituição, agora chamada Igreja. O caráter de movimento foi absorvido por ela. Da história aprendemos que lá onde prevalece o poder, desaparece o amor e se esvai a misericórdia. Foi o que infelzmente aconteceu. Hobbes nos alertou que o poder só se assegura buscando mais e mais poder. E assim surgiram igrejas poderosas em instituições, monumentos, riquezas materiais e até bancos. E com o poder a possibilidade da corrupção.

Estamos assistindo a uma novidade que cabe saudar: o Papa Francisco nos está resgatando o Cristianismo mais como movimento do que como instituição, mais como encontro entre as pessoas e com o Cristo vivo e a misericórdia ilimitada que a férrea disciplina e doutrina ortodoxa. Ele colocou como Jesus, a pessoa no centro, não o poder, nem o dogma, nem o enquadramento moral. Com isso permitiu que todos, mesmo não se incorporando à instituição, podem se sentir no caminho de Jesus na medida em que optam pelo amor e pela justiça.

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Ignatius Kaigama, arcebispo da cidade de Jos, na região central da Nigéria, foi uma das primeiras vozes a denunciar as atrocidades praticadas pelos jihadistas do Boko Haram, grupo terrorista que matou mais de 20.000 pessoas nos últimos sete anos só no estado de Borno, um dos mais atingidos pela violência dos extremistas islâmicos, de acordo com o Banco Mundial.

Para combater a violência em seu país, dom Kaigama aposta no diálogo com os líderes muçulmanos da Nigéria e nas promessas do presidente Muhammadu Buhari. "O Boko Haram nos aproximou dos muçulmanos. Nem todo muçulmano é uma pessoa ruim, nem todo muçulmano é terrorista", afirma. Em visita ao Brasil, o religioso falou ao site de VEJA sobre sua batalha para chamar a atenção da comunidade internacional para os problemas da Nigéria e de suas esperanças para o futuro do país.

O Boko Haram vem espalhando terror na Nigéria há sete anos e suas ações têm se tornado cada vez mais violentas. Por que a comunidade internacional não une forças para combater os jihadistas? Essa é a pergunta que faço ao mundo com frequência. Deveriam haver esforços internacionais constantes para reprimir a atuação dessas células terroristas na Nigéria e nos países vizinhos. Eu sempre comparo nosso conflito com os ataques em Paris. Fiquei muito feliz em ver os líderes dizendo ao mundo que estavam todos unidos contra o terrorismo, e acredito que a comunidade internacional tem a capacidade de criar esse mundo pacífico para todos.

O conflito na Nigéria não desperta tanta comoção mundial como um atentado em Paris, por exemplo. Como reverter esse quadro? As pessoas só se preocupam com sua própria localização geográfica, mas é muito importante sabermos do que acontece em outros lugares. Algumas pessoas nem sabem onde fica a Nigéria. Se algo acontece nos grandes países, a notícia é exibida 24 horas por dia em todos os outros grandes jornais do mundo. No entanto, quando a notícia acontece onde não existem interesses econômicos, ela acaba se perdendo. Eu luto pela proteção das áreas menos conhecidas e para que as pessoas saibam que vivemos todos no mesmo mundo. Direta ou indiretamente, os problemas daqueles que sofrem devem atingir quem está em situação de conforto.

Relatos de ataques do Boko Haram, que se concentravam no noroeste da Nigéria, são cada vez mais frequentes nos países vizinhos. Você acha que haverá uma escalada no conflito? Acredito que sim. Há muitas ações sendo feitas para expulsar os terroristas da Nigéria, mas o grupo se espalhou para Camarões, Chade, Níger e outros lugares. O esforço agora deve agora ser estendido para esses outros países.

A aliança com o Estado Islâmico fortaleceu o Boko Haram? Eles juraram lealdade ao Estado Islâmico, que adotou o Boko Haram como seu 'filhote'. Mas, por enquanto, estamos contando com agências de inteligência e com a comunidade internacional para entender qual o nível de cooperação entre eles e qual será o impacto dessa aliança na vida das pessoas.

Estima-se que o Boko Haram tenha usado pelo menos 105 mulheres e crianças em atentados suicidas desde junho de 2014. Esse tipo de ataque se tornou uma das marcas do conflito? Este não é um modelo de guerra convencional. Na Nigéria, o terrorista entra em um restaurante ou bar vestido como homem comum e se explode. Ou então uma garota de 10 ou 14 anos, que se veste normalmente, mas dentro de suas roupas carrega um colete de bombas, se explode no mercado. Esses ataques são muito difíceis de prever e impedir.

O senhor acredita que o presidente Muhammadu Buhari está cumprindo suas promessas de combate ao Boko Haram? Sim, ele é um sopro de ar fresco para nós. Seu governo foi capaz de recapturar áreas tomadas pelo Boko Haram no passado e motivar as agências de segurança e os militares a fazer mais. Ele realocou a estrutura de comando dos militares para Borno e Maiduri e está sempre tentando dialogar com os líderes de países como Chade, Camarão e Benim, para fazer com que trabalhem juntos. Em nível internacional, ele busca o auxílio dos Estados Unidos e de nações europeias. Muito está sendo feito para combater o Boko Haram.

Qual o seu papel e da Igreja Católica no conflito? Nós exercemos um papel moral, encorajamos as vítimas a denunciar os males sofridos e as pessoas de fora a fazer algo para mudar o que acontece na Nigéria. Através da Conferência dos Bispos Católicos da Nigéria estamos tentando manter contato com o presidente para reportar o que vemos em nossas cidades, o que aconteceu com as pessoas que foram atacadas.

Como a Igreja Católica se relaciona com a comunidade muçulmana na Nigéria? Vocês estão unindo forças para lutar contra o extremismo religioso? O Boko Haram nos aproximou dos muçulmanos. Nem todo muçulmano é uma pessoa ruim, nem todo muçulmano é terrorista, nem todo muçulmano faz parte do Boko Haram. Nós tentamos nos aproximar dos seus líderes mais influentes e criar diálogo. Agora nós falamos a mesma língua de condenação à violência e ao terrorismo. O Boko Haram é diferente, não dialogamos com eles. Seus membros se tornaram pessoas más, irracionais, insensíveis, incapazes de dialogar. Eles não ouvem.

Nigéria e África do Sul brigam pelo posto de maior economia da África. No entanto, seu país ainda sofre com muitos contrastes sociais e econômicos. Como você imagina a Nigéria no futuro? A Nigéria é o meu país e eu desejo só o melhor para seu povo. O país tem potencial; fomos presenteados por Deus com vastos recursos naturais. A descoberta do petróleo motivou as pessoas a buscarem dinheiro fácil e se tornarem corruptas, mas ainda estamos muito otimistas de que o presidente Buhari vai recuperar nossa economia.

Fonte: Veja.com
Foto: Ricardo Matsukawa/Veja.com

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"Amarás o teu próximo como a ti mesmo." (Mc 12.31)
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) expressa profunda preocupação com o dia de hoje, 17 de abril, e seus desdobramentos.
 
Preocupam-nos as tentativas de erguerem muros que dividem a sociedade brasileira, fragilizando os poucos espaços seguros de diálogo e reflexão. Preocupam-nos as manifestações de intolerância, ódio e as ações de violência que resultaram na morte de lideranças camponesas e indígenas. Da mesma forma, preocupa-nos o aumento da intolerância religiosa e a negação dos processos de construção de uma sociedade plural, com distribuição de riquezas, com participação popular, com direito à diversidade e à pluralidade.

Preocupa-nos a paralisação do Brasil. Por isso, pedimos prudência e a superação das polarizações.

É necessário que sejam criadas bases que viabilizem um diálogo maior e constante com todos os movimentos sociais. A proteção aos direitos de trabalhadores e trabalhadoras alcançados com participação da sociedade civil é urgente. Para garantir a quase absoluta dominação do sistema financeiro, ameaçam a democracia, como se tivéssemos excesso de democracia. A tensão entre capitalismo e democracia que ocorre no mundo inteiro ameaça direitos sociais, civis, políticos conquistados e que precisam ser aprofundados.
 
Também pedimos serenidade à sociedade. Soluções imediatas não existem. Fórmulas mágicas também não.

Por fim, chamamos a atenção para o pronunciamento da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) que manifestaram temor em relação à estabilidade jurídica e política não apenas de nossa nação, mas de toda a região.
 
"Por que não inventamos a paz preventiva?
Fazendo das armas um monte de lixo,
para reciclá-las em rodas, em discos,
em livros, em berços,
em barcos e enxadas,
em húmus de vida."
 
(Dom Pedro Casaldáliga)

CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
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Em documento divulgado nesta quinta-feira, 14, intitulado "Declaração da CNBB sobre o momento nacional", a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil diz que o processo de impeachment de uma presidente da República não pode atender "interesses pessoais, partidários e corporativistas", e deve-se respeitar "o ordenamento jurídico do Estado Democrático de Direito".

O documento foi lido durante a 54ª Assembleia Geral da CNBB, que termina nesta sexta-feira, 15, em Aparecida, interior paulista. A entidade católica diz que o "bem da nação requer de todos a superação de interesses pessoais, partidários e corporativistas".

O presidente da CNBB, dom Sergio da Rocha, afirmou que a entidade optou por "não manifestar uma posição político-partidária, nem emitir uma parecer mais técnico" sobre o impeachment de Dilma porque seria entrar em um campo que não diz respeito à Igreja Católica.

Já o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, defendeu o que estabelece a Constituição sobre o assunto. "Seria deselegante de nossa parte ficarmos citando nomes, mas creio que essas questões todas envolvem também o julgamento do impeachment. É preciso ter consciência de que não pode ser um mero interesse pessoal, partidário e corporativista. Tem que seguir a Constituição e a verdade dos fatos", afirmou.

CONIC com agências

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Leia a íntegra, o manifesto pela democracia e contra a corrupção escrito por pastores e pastoras, catequistas, diáconos e diáconas do Sínodo Espírito Santo a Belém, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil:

Nós, pastores e pastoras, catequistas, diáconos e diáconas, do Sínodo Espírito Santo a Belém, filiado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), estivemos reunidos em Conferência Ministerial no dia 13.04.2016, em Ibiraçu (ES), e de forma consensual, decidimos nos manifestar.

Vivemos hoje no Brasil uma forte ameaça à democracia, que foi conquistada com tanta luta. Uma democracia que conseguiu avançar na luta contras as desigualdades históricas e estruturais do Brasil e na busca de um país mais justo, de todos, sobretudo dos mais empobrecidos, mais sofridos e mais destituídos da possibilidade de participação.

Juntamente com outras entidades ecumênicas e movimentos sociais, reafirmamos o seguinte:

- somos contra o processo do impeachment da Presidenta da República, por não ter fato jurídico consistente, o que coloca em risco a democracia;

- a maioria dos que julgam o processo de impeachment estão citados nas listas de corrupção, e, portanto, não são aptos em termos éticos e políticos para conduzi-lo;

- há evidências de que todo este processo está sendo conduzido para encobrir uma investigação mais profunda, sem partidarização, de todos os envolvidos nas estruturas de corrupção;

- evidencia-se, ainda, que as investigações têm sido direcionadas apenas para alguns, enquanto outros, comprovadamente envolvidos com corrupção, são protegidos politicamente;

- somos a favor da investigação de todos os partidos e de todas as pessoas envolvidas em atos ilícitos;

- reafirmamos o nosso compromisso com a justiça social, com a ética, com a igualdade de direitos, a solidariedade com os pobres e excluídos;

- unimo-nos a todas as vozes e movimentos em defesa da democracia e de uma profunda reforma política.

Ibiraçu, 13 de abril de 2016.

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"Globalizamos a Luta! Globalizamos a esperança!" Com esse grito de luta, começou oficialmente a Conferência Internacional da Reforma Agrária na manhã de hoje (13), em Marabá, no sudeste do Pará.

O evento, organizado pela Via Campesina, tem como objetivos fortalecer a unidade e a solidariedade entre os povos, estudar as estratégias do capital e suas crises, trocar informações e experiências sobre políticas públicas e debater as diversas propostas de reforma agrária apresentadas pelos movimentos populares que lutam pela terra. Representantes de organizações camponesas de dez regiões de todos os continentes do mundo estão presentes.

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"O objetivo principal é atualizar o debate sobre reforma agrária e contribuir para a construção de um calendário de lutas comuns. Independentemente se é a 'reforma agrária popular' ou a 'reforma camponesa'. Se está na Ásia, na África ou na Europa. O importante é a gente ter elementos comuns de enfrentamento do inimigo, que é o mesmo: o capital”, afirma Marina dos Santos, membro da direção nacional do MST e coordenadora Internacional da Via Campesina pela América Latina.

Para Faustino Torrez, da Asociación de Trabajadores del Campo (ATC) e da Via Campesina pela Centro América, o significado da reforma agrária vem sendo apropriado e deturpado pelos Estados e e pelo capital. Por isso, o debate neste momento é fundamental para a articulação.

"Alguns acadêmicos querem que a gente esqueça o conceito da reforma agrária e falam da distribuição de terra, da compra de terra, porque não querem resolver esse problema grave.

Então, com a força de vários países e dos povos originários, estamos dizendo que devemos recuperar a Reforma Agrária e dizer que a Reforma Agrária Popular é a mais completa. É ela que garante trabalhar para resolver a pobreza no campo e é base para garantir soberania alimentar.

As outras são políticas de governos populistas, em alguns casos com outros interesses, que entregam terra, mas não dão crédito aos camponeses. E, sem apoio, eles as colocam à venda. Essa é a lógica de alguns países capitalistas. Então, defendemos a mais pura, genuína, popular e democrática [reforma agrária]”, defende Torrez.

A conferência também homenageia os 19 mortos no Massacre de Carajás, que completa 20 anos no próximo domingo (17). Nesse dia, os participantes irão se juntar à juventude do MST que está acampada na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, local onde aconteceu o ataque contra os trabalhadores Sem Terra.

Por Gisele Brito
Da Página do MST
Foto: Reprodução

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IMG 6229 Seminário CIER 2016

Como já é tradição, o Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER) reuniu, mais uma vez, pessoas de diferentes confissões cristãs para um harmonioso estudo sobre o tema da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2016.

O seminário do CIER foi no Centro de Eventos Rodeio 12, nos dias 4 e 5 de abril. A ação foi assessorada pelo professor e historiador Emerson R. A. da Silva, secretário da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB de Curitiba. Durantes estes dois dias, mais de trinta pessoas se reuniram para estudar o Tema: “Proclamai os altos feitos do Senhor” (1 Pe.2,9).

A proposta da SOUC 2016 foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptada para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC). O Movimento chamou a atenção que no Brasil temos comunidades letãs constituídas, em especial na região sul. A presença letã em nosso país é resultado de migração ocorrido no final do séc. XIX e a primeira década do séc. XX.

“Motivados e motivadas pela proposta da SOUC e provocados pela experiência do povo letão em nosso país, queremos, na SOUC deste ano, chamar a atenção para os novos e novas migrantes que estão chegando ao nosso país”, declarou o pastor Inácio Lemke, 1º vice-presidente do CONIC.

SOUC 2016

A SOUC 2016 acontece entre 8 e 15 de maio, semana que antecede Pentecostes.

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