fbpx

 
Na manhã desta quinta-feira (25), organizações da sociedade civil brasileira e internacionais enviaram um informe à Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) Michelle Bachelet e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA em que manifestam preocupação quanto à escalada de violência relacionada ao contexto das eleições presidenciais no Brasil e aos ataques feito pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL) aos movimentos sociais e ativismos.
 
“A expressão livre e plural está cerceada, gerando um clima de medo e intimidação. A violência tem tomado proporções preocupantes manifesta em discursos de ódio e ataques concretos, em sua maioria destinados a grupos minoritários (mulheres, população LGBTTI, população negra, povos indígenas, quilombolas e nordestinos/as)”, afirma o documento.
 
Além das denúncias de ameaças, agressões e assassinatos (foto acima: Romualdo Rosário da Costa foi morto a facadas, em Salvador, por motivação política), em decorrência de divergências de posicionamentos políticos, a maior parte promovida por apoiadores de Jair Bolsonaro, o informe discute como a disseminação de fake news e declarações as de Jair Bolsonaro e seus apoiadores contra o Estado democrático de direito põem em xeque a democracia brasileira e violam os compromissos de Direitos Humanos internacionalmente assumidos pelo Estado brasileiro.
 
O documento também apresenta um compilado de manifestações públicas do candidato do PSL que incentivam a violência, humilham minorias e legitimam práticas contrárias aos direitos humanos. Traz ainda declarações em que o político questiona a legitimidade das eleições e instituições brasileiras – afirmando que as urnas eletrônicas estariam sendo fraudadas por seu concorrente e que não se conformaria com resultado distinto de sua vitória, instaurando um clima de insegurança e medo.
 
Fake news
 
Outro ponto que se destaca no documento-denúncia é a difusão de notícias falsas e difamatórias no contexto eleitoral.  Para as organizações, as instituições brasileiras não têm respondido de forma diligente às denúncias referentes às declarações que violam direitos humanos, às agressões ocorridas por motivação política e à difusão de notícias falsas e difamatórias.
 
Pedidos
 
Como providências, são solicitados à ONU e à CIDH um pronunciamento público condenando a violência demonstrada nos diversos casos e um pedido de manifestação formal para que as instituições brasileiras garantam o direito à liberdade de associação e expressão política diante das ameaças ao Estado democrático de direito.
 
Foto: Reprodução

 
Como culminância de um processo de conversas apreciativas sobre a situação política e social do Brasil, CEBB se junta a outras instituições e lança carta aberta de valores.
 
Nos últimos dez dias, as sangas do CEBB de todo o Brasil têm promovido conversas apreciativas sobre a situação política do Brasil, buscando entender e aproveitar este momento para aprofundar nossa prática, individual e coletiva, do darma, bem como pensarmos juntos como podemos fazer para aliviar os sofrimentos e nos movermos gerando benefícios em todas as direções. As conversas culminaram em um encontro nacional das sangas, que produziu um documento-síntese com o título simbólico “Não temos inimigos”. Um ensinamento sobre como olhar a situação de forma profunda e lúcida, a partir da visão do darma.
 
No último domingo, o CEBB deu um passo além, convidando diversas entidades religiosas e civis, movimentos sociais, líderes indígenas e representantes do poder público, para uma conversa aberta para convergir e reafirmar valores humanos e ambientais, que devem ser lembrados entre nós e a quaisquer governantes que assumam o poder pelos próximos quatro anos. O resultado, que vai muito além das eleições, é o fortalecimento de redes de compaixão, entre movimentos que já estão engajados a um longo tempo, de forma que possam sonhar e agir em conjunto.
 
O primeiro resultado desta rede foi uma “Carta Aberta sobre Valores Humanos e Ambientais no Brasil”, assinada por diversas instituições e que sintetiza o pensamento que queremos reforçar. Nas palavras do Lama Samten: “É muito importante entender que estabelecemos uma rede de ação permanente que na nossa visão, segue diretamente a inspiração de construção das terras puras, auto organização e reencantamento. Nossas ações em rede buscarão desenvolver as visões amplas, valores elevados e ações compassivas naturalmente presentes em cada organização.”
 
Segue abaixo o texto completo da carta. 
 
Carta Aberta sobre Valores Humanos e Ambientais no Brasil
 
Em 21 de Outubro de 2018, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), na sua sede em Viamão, Rio Grande do Sul, convidou representantes de diferentes organizações religiosas, movimentos sociais, entidades não governamentais, representantes do poder público, lideranças indígenas e pessoas em geral, com a presença de cerca de 100 pessoas no local e 200 acompanhando virtualmente, para uma conversa aberta sobre a promoção dos valores humanos e ambientais no contexto político e social atual.
 
Acreditamos que, especialmente em tempos de acirramentos e tensões, é importante enfatizarmos a continuidade de diálogos abertos entre diferentes pessoas e setores da sociedade, a fim de constituir terreno comum entre as diferentes visões religiosas e não religiosas, filosóficas, científicas, políticas e sociais, que nos guiem à ação a partir de valores e princípios elevados. No movimento do CEBB, esse encontro constitui mais um capítulo de encontros abertos sobre cultura de paz, saúde, educação, auto organização, reencantamento e redes, que acontecem aqui desde o ano 2000.
 
A partir das conversas neste dia, convergimos em alguns valores fundamentais que acreditamos ser importante retomar e sustentar neste momento. Eles podem ser sumarizados nos seguintes pontos:
 
1. Vida humana sustentável e preciosa. Bem-estar físico, emocional e social. Redes humanas assentadas em compaixão, pacificação, valorização, respeito e lucidez.
2. Cultura de paz, em todos os níveis e em todos os lugares. Nos opomos a posturas autoritárias, sectárias, armamentistas e violentas nas disputas políticas e no convívio social. Que não seja uma paz de conivência silenciadora, mas a paz que nos permite falar e ouvir com abertura e interesse. Nos opomos a visões e não a pessoas; não temos inimigos.
3. Justiça social e liberdade. Acesso amplo às condições básicas (físicas, emocionais e sociais) de apoio à vida: infra-estrutura básica; alimentação de qualidade; saúde integrada e preventiva; segurança física e emocional; justiça ampla e restaurativa; educação que inclua o livre pensar, o respeito à diversidade, o mundo interno e as emoções; liberdade de movimento, pensamento e expressão.
4. Movimentos não sectários. Valorização das diferentes culturas e expressões que compõem nossa sociedade, incluindo os povos tradicionais, as expressões e modos de vida de matriz africana, as diferentes culturas e religiões, as mulheres, as diferentes expressões de gênero, sexualidade e afeto. Uma postura que vá além da tolerância: que inclua generosidade, respeito e um interesse genuíno por todos os humanos.
5. Proteção, apreciação e reconexão com o meio ambiente, a partir da consciência da interdependência entre toda a vida na Terra e da compreensão dos impactos de nossos movimentos nos diferentes grupos humanos, nos animais e vegetais, na terra, nas águas e na atmosfera. Socio-bio-diversidade; proteção dos ecossistemas; defesa de práticas agrícolas familiares, saudáveis, orgânicas, integradas ao meio ambiente e às culturas tradicionais.
6. Auto-organização e redes. Favorecimento da formação de redes baseadas em solidariedade, apoio mútuo e visões não sectárias de coletividade. Construção de espaços múltiplos de diálogo, de associações comunitárias, de fomento de projeto e de ações construídas coletivamente de forma horizontal e descentralizada.
7. Democracia participativa: participação mais ampla da sociedade em conselhos municipais, estaduais e federais. Comunicação pública mais ampla e transparente entre governos e sociedade civil. Mais espaços de abertura para que a inteligência das diferentes redes possa se traduzir em políticas públicas responsáveis e efetivas.
 
Fazemos coro a diversas outras instituições que, neste momento de acirramento político e de disputa eleitoral, relembram compromissos e aspectos que deveriam estar presentes em quaisquer grupos que governem o país e os estados pelos próximos anos. Acreditamos que os candidatos deveriam esclarecer suas posições diante desses valores humanos, sociais e ambientais, bem como suas proposições, metas concretas e indicadores que planejam para seus governos. Para além disso, reafirmamos nosso esforço contínuo, individual e em rede, para que a manifestação desses valores e princípios sejam ampliados e consolidados em nosso tecido social.
 
Viamão, 21 de Outubro de 2018
 
 
Subscrevem este documento:
 
Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB)
Instituto Caminho do Meio (ICM)
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (FONAPER)
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Iniciativa das Religiões Unidas (URI)
Observatório Transdisciplinar das Religiões de Recife
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN)
Via Zen — Associação Zen-budista do Rio Grande do Sul
Instituto ZEN Maitreya
Tekoá Anhetenguá (Guarani)
Assentamento Filhos de Sepé:
Grupo ‘Mulheres da Terra’,
Grupos de Certificação Orgânica ‘Vandana Shiva’ e ‘Adão Pretto’
 
Fonte: CEBB
Foto: Reprodução

 
Reunidos entre os dias 23 e 24 de outubro na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), os bispos que integram o Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da entidade emitiram uma Nota sobre o segundo turno das Eleições 2018. No documento, os bispos reforçam que as eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social.  Os bispos exortam a que se deponham as armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Abaixo, a íntegra do documento.
 
NOTA DA CNBB
 
Por ocasião do segundo turno das eleições de 2018
 
Jesus Cristo é a nossa paz! (cf. Ef 2,14)
 
O Brasil volta às urnas para eleger seu novo presidente e, em alguns Estados e no Distrito Federal, seu governador. Fiel à sua missão evangelizadora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido em Brasília-DF, nos dias 23 e 24 de outubro, vem ratificar sua posição e orientações a respeito deste importante momento para o País.
 
Eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Cabe à população julgar, na liberdade de sua consciência, o projeto que melhor responda aos princípios do bem comum, da dignidade da pessoa humana, do combate à sonegação e à corrupção, do respeito às instituições do Estado democrático de direito e da observância da Constituição Federal.
 
Na missão de pastores e profetas, nós, bispos católicos, ao assumirmos posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, o fazemos, não por ideologia, mas por exigência do Evangelho que nos manda amar e servir a todos, preferencialmente aos pobres. Por isso, “a Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada” (CNBB – Mensagem ao Povo de Deus – 19 de abril de 2018). Inúmeros são os testemunhos de bispos que, na história do país, se doaram e se doam no serviço da Igreja em favor de uma sociedade democrática, justa e fraterna.
 
A CNBB reafirma seu compromisso, sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o País.
 
Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz!
 
Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, invocamos a bênção de Deus para o povo brasileiro.
 
Brasília-DF, 24 de outubro de 2018
 
Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador
Presidente da CNBB em exercício
 
Dom Guilherme Antônio Werlang
Bispo de Lajes
Vice-Presidente da CNBB em exercício
 
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
Desde 23 de maio, Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Santana, também exerce a missão de Administrador Apostólico da Eparquia Greco-Melquita Nossa Senhora do Paraíso, cuja sede está localizada na Capital Paulista. Ele foi nomeado pelo Papa Francisco após a transferência do então Eparca, Dom Joseph Gébara, para a Arquieparquia de Petra e Filadélfia, na Jordânia. A principal tarefa de Dom Sergio é ajudar o clero e os fiéis na revitalização pastoral e administrativa da Eparquia até que seja nomeado um novo Eparca.
 
Instituída em 26 de maio de 1972, pelo Beato Paulo VI, essa Eparquia é uma circunscrição eclesiástica de rito oriental, equivalente a uma diocese, cujo território abrange todo o Brasil. Sua missão é acompanhar e reunir os fiéis de origem sírio- -libanesa e seus descendentes que vivem no Brasil e desejam cultivar suas raízes e identidade culturais. 
 
IGREJA ORIENTAL
 
Para entender melhor o que é Igreja Católica Greco-Melquita, é preciso saber que ela é uma das 24 igrejas autônomas que constituem a Igreja Católica no mundo, em plena comunhão com o Romano Pontífice, o Papa. 
 
A maior e mais conhecida delas é a ocidental, a Igreja Católica Apostólica Romana, também chamada de Igreja Latina, de rito romano. As demais têm sua origem no Oriente Médio e seguem os diversos ritos orientais. 
 
Todas as 24 igrejas são sui iuris, isto é, autônomas para legislar a respeito de seu rito e da sua disciplina, com exceção às matérias dogmáticas, que são universais e comuns a todas e garantem a unidade de fé, formando uma única Igreja Católica sob o pastoreio do Santo Padre que a todas preside na caridade.
 
Internamente, as igrejas orientais são governadas por um patriarca ou arcebispo-maior e por seu sínodo que o elege e submete seu nome à aprovação do Papa. No caso da Igreja Greco-Melquita, o atual Patriarca é Youssef I Absi, eleito em 21 de junho de 2017. 
 
HISTÓRIA
 
Criada em Antioquia, a Igreja Greco- -Melquita é a mais antiga Igreja enquanto instituição no mundo e é a única entre as orientais que não é uma Igreja nacional, pois seu patriarcado envolve três sés apostólicas: Antioquia, Jerusalém e Alexandria. 
 
O nome Melquita vem de mèlek, que é a raiz siríaca para palavras como “rei”, “real” e “reino”. Isso se deve ao fato de todos aqueles que ficaram ao lado do imperador bizantino Marciano no Concílio de Calcedônia, no ano 451, defendendo a fé nas duas naturezas de Cristo, terem sido apelidados de “reais” pelos monofisistas, aqueles que não aceitaram esse dogma. 
 
Já o termo “greco” é atribuído ao idioma oficial do Império Romano, falado pela maioria dos cristãos. Isso também influenciou o rito adotado pelos Melquitas, conhecido como bizantino, cuja Divina Liturgia foi escrita por São João Crisóstomo e São Basílio de Cesareia. Atualmente, o idioma oficial da liturgia do melquitas é o Árabe, mas também há orações em Grego e no idioma do país onde se celebra a liturgia, no caso do Brasil, o Português. 
 
CATÓLICA
 
Embora tenham os mesmos ritos e origens, a Igreja Greco-Melquita é plenamente católica, enquanto que sua “igreja irmã”, a Ortodoxa Antioquina, está separada da comunhão com Roma e possui hierarquia própria. 
 
A origem dessa história remete aos séculos IV e V, quando as cinco primeiras Igrejas apostólicas receberam o título de patriarcados, dando origem à chamada pentarquia: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Na pentarquia, o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, tinha o primado de honra entre os demais patriarcas, sendo o primus inter pares (o primeiro entre os iguais) na ordem de precedência das Igrejas.
 
Em 1054, aconteceu o famoso “Grande Cisma” entre as igrejas do Ocidente e do Oriente, resultante de um longo processo motivado por questões políticas, culturais, eclesiásticas e doutrinais. Assim, as Igrejas dos quatro patriarcados orientais que se separaram denominaram-se ortodoxas. Apesar do Cisma, muitas comunidades orientais não manifestaram total rompimento com Roma, embora o Patriarcado de Constantinopla, que passou a ter o primado de honra entre os ortodoxos, exercia uma forte influência sobre as igrejas do Oriente para manterem-se separadas do Ocidente. 
 
Em 1724, após a morte do Patriarca de Antioquia Atanásio III Dabbas, foi eleito o Patriarca Cirilo Tanás, que era favorável à comunhão com Roma. Em oposição a essa eleição, o Patriarca de Constantinopla nomeou um patriarca com posicionamento contrário à comunhão, Silvestre, o que originou duas linhas de sucessão patriarcal: a católica e a ortodoxa. Esse movimento de união dos Melquitas com à Sé de Pedro foi bastante motivado pela presença dos missionários católicos europeus – jesuítas, franciscanos, capuchinhos e carmelitas – na região. 
 
NO BRASIL
 
Os primeiros cristãos greco-melquitas imigraram para o Brasil entre os anos de 1869 e 1890, e foram genericamente chamados de “turcos”, pelo fato de seus passaportes terem sido fornecidos pelo Império Otomano. Com o crescimento dos imigrantes, a Igreja Católica Greco- -Melquita começou a se preocupar com os seus fiéis na diáspora e, em 1939, enviou ao Rio de Janeiro seu o primeiro Pároco, o Arquimandrita (equivalente a Monsenhor) sírio Elias Couéter, que, durante muitos anos, foi o único sacerdote melquita no País. 
 
Em 1946, Dom Jaime de Barros Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, erigiu a primeira paróquia Greco-Melquita do Brasil, dedicada a São Basílio. Depois de o Patriarca Maximos IV insistir junto à Santa Sé para que existisse uma disciplina eclesiástica adequada para a sua Igreja na diáspora, em 1951, o Papa Pio XII instituiu um Ordinariado para os fiéis católicos de rito orientais no Brasil, tendo como Ordinário Dom Jaime Câmara, que nomeou o Arquimandrita Couéter como Vigário-Geral para os Greco-Melquitas, função que exerceu até ser nomeado, em 1972, bispo e primeiro Eparca da recém- -criada Eparquia Nossa Senhora do Paraíso, cuja sede foi fixada na paróquia de mesmo nome, elevada a catedral, no bairro do Paraíso. 
 
‘A NOSSA EPARQUIA NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR´
 
Com a transferência de Dom Gébara, quinto Eparca melquita no Brasil, e sem contar com um Colégio de Consultores para eleger um Administrador Eparquial dentre seus padres até a nomeação de um novo pastor, a Santa Sé nomeou Dom Sergio para acompanhar essa comunidade oriental e ajudar a organizá-la.
 
“A Igreja Greco-Mequita tem uma tradição litúrgica e pastoral muito rica e bela que eu não conhecia. Mergulhar neste modo de ser Igreja está sendo uma riqueza para mim, porque estou tendo a oportunidade de conhecer e viver uma perspectiva nova na compreensão e vivência da Divina Liturgia, da pastoral e da relação entre os leigos e o clero. Também levo para a Eparquia nossa experiência pastoral, estruturas de governo da Igreja e os caminhos de corresponsabilidade entre os leigos e o clero em vista da evangelização e da vivência da fé na realidade do Brasil”, afirmou Dom Sergio ao O SÃO PAULO. 
 
Desde que assumiu a função, Dom Sergio começou a se reunir com o clero e com os fiéis de São Paulo e das outras paróquias para entender mais a situação. Além da Catedral, a Eparquia tem paróquias no Rio de Janeiro, Juiz de Fora (MG), Fortaleza (CE) e Taubaté (SP). 
 
A primeira grande medida foi a constituição do Colégio de Consultores e do Conselho de Assuntos Econômicos do governo da Eparquia. Foram nomeados: Monsenhor Joaquim José Stein, Chanceler; Philip Fouad Louka, Vigário Geral Delegado; e Padre Ziad Alkhoury, Ecônomo. 
 
O Administrador Apostólico também se reuniu com o Conselho Greco-Melquita, entidade constituída de fiéis leigos responsável pela gestão do patrimônio da Eparquia. Ao contrário do que acontece nas dioceses latinas, o patrimônio da Eparquia, inclusive os templos, não está em nome da Igreja, mas desse conselho. “Estamos dialogando em vista de uma parceria mais proativa em favor da Comunidade Greco-Melquita”, afirmou Dom Sergio. 
 
MANTER VIVA A CULTURA
 
Nascido na Síria, Padre Ziad está há 15 anos no Brasil. Ele descreveu que o grande desafio pastoral da Eparquia é ir ao encontro dos fiéis que estão dispersos pelo País. “Hoje existe um grande número de fiéis de origem sírio-libanesa no Brasil, mas nem todos eles moram próximos das nossas igrejas. Muitos acabam se adaptando às igrejas latinas próximas de suas casas, uma vez que são católicos. No entanto, nas grandes festas, como Natal e Páscoa, essas pessoas vêm participar de nossas celebrações, pois sentem saudade das liturgias”, relatou. 
 
Por essas razões, os greco-melquitas não conseguem contabilizar quantos fiéis existem hoje na Eparquia. “Em São Paulo, que é uma cidade imensa, nós temos apenas a nossa catedral. Isso dificulta que eles participem das nossas celebrações”, completou o Padre. 
 
Há, ainda, a procura por fiéis latinos interessados em conhecer o rito bizantino e participar das liturgias, sobretudo durante a semana. Por se tratar de uma Igreja Católica, não há necessidade de alguma licença ou autorização para participar de um rito oriental. Contudo, quando procurados por pessoas que desejam “mudar de rito”, os padres melquitas a orientam a permanecer em sua tradição. “A pessoa pode participar do rito bizantino e continuar fiel na sua Igreja de origem”, explicou Padre Ziad.
 
ACOLHIDA AOS IRMÃOS
 
Nos últimos anos, a Igreja Greco-Melquita no Brasil tem vivido uma nova experiência migratória causada pela guerra civil na Síria. “Nós abrimos a nossa casa e recebemos aproximadamente 40 famílias da Síria. Muitas dessas pessoas chegaram ao aeroporto, não sabiam para onde ir, se informaram sobre o nome da Igreja e chegaram aqui”, informou o Padre Ziad. 
 
Essas famílias recebiam hospedagem até conseguirem se adaptar ao idioma, encontrar moradia e emprego. A Eparquia também promoveu uma campanha de doações de roupas e alimentos para esses e outros migrantes sírios. 
 
Experiências como a da acolhida dos migrantes sírios justificam a permanência da Igreja Greco-Melquita no Brasil, pois sua principal missão é manter viva a fé, a cultura e a identidade de um povo que deixou sua terra em busca de uma vida melhor. 
 
“A nossa Eparquia não pode deixar de existir, não podemos fechá-la, pois ela não é só nossa. Temos que nos empenhar para deixar uma herança para aqueles que virão e darão continuidade a essa missão”, enfatizou Padre Ziad. Ele reconheceu que a Eparquia não cresceu, mas estagnou-se e não acompanhou o ritmo do crescimento e expansão de seus fiéis pelo País. “Nosso desafio é ir ao encontro desses irmãos”, completou.
 
Padre Ziad afirmou que Dom Sergio tem feito uma “revolução” na Eparquia. “Ele está sendo muito bem quisto pela comunidade. As pessoas até comentam que gostariam que ele fique conosco. É uma pessoa simpática, humilde e muito próxima”. 
 
A acolhida também foi sentida por Dom Sergio. “Chamou-me a atenção e me comoveu a atitude de acolhida por parte da Comunidade Melquita. Quando eu era seminarista, tive contato com os textos espirituais dos padres da Igreja no Oriente e me alegra que hoje estou celebrando e vivenciando deste manancial de espiritualidade”, relatou. Ainda segundo ele, mesmo sendo um bispo latino à frente da Igreja oriental, consegue ver nas pessoas abertura e desejo de contribuir no caminho que a Eparquia deverá percorrer em busca de sua revitalização pastoral.
 
Fonte: O São Paulo
Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

 
Entre janeiro e a primeira quinzena de outubro deste ano, auditores-fiscais do Ministério do Trabalho encontraram 1.246 pessoas em situações análogas à escravidão. Comparado ao registro do ano passado (645), o número  é 93% maior.
 
O estado que registrou o maior número de trabalhadores em situação análoga à escravidão foi Minas Gerais (754), seguido do Pará (129) e Mato Grosso (128). As atividades em que mais se encontraram pessoas trabalhando nestas condições foram a criação de bovinos, o cultivo de café e a produção florestal (plantio de florestas).
 
No decorrer das operações, realizadas em 159 estabelecimentos, 651 trabalhadores foram formalizados, 601 guias de seguro-desemprego foram emitidas e R$ 1,7 milhão em verbas rescisórias foi pago aos resgatados. No meio urbano, os fiscais encontraram trabalhadores nas situações mais degradantes (869); já no âmbito rural, foram 377 casos identificados.
 
Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), avalia que o crescimento do número de trabalhadores encontrados em situação de escravidão moderna corresponde à eficiência das ações de combate a essa prática.
 
Para aqueles que desejarem saber mais informações sobre o combate ao trabalho análogo à escravidão, a ferramenta Radar disponibiliza resultados consolidados da inspeção do trabalho no Brasil. Além disso, a ferramenta também possui informações sobre o combate à informalidade, sonegação de FGTS, inserção de aprendizes e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, entre outras informações.
 
Caso você saiba algo sobre pessoas que trabalham nestasem condições ilegais, as denúncias podem ser feitas nas unidades do Ministério do Trabalho em todo o país e também pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100).
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Sérgio Carvalho/MTE

 
No Brasil, vivemos em um Estado laico e queremos garantir a laicidade do Estado porque ela garante respeito à diversidade cultural e religiosa, assegura igualdade de direitos e não legitima privilégios específicos para uma determinada tradição religiosa. Mas isso não significa que as pessoas são impedidas de se denominarem desta ou daquela tradição religiosa, nem tampouco que não tenham o direito de seguir os princípios de sua fé. A laicidade do Estado, na verdade, assegura o direito a cada pessoa de expressar aquilo que crê, mas isso não lhe dá o direito de ser intolerante ou violenta com quem pensa diferente, isso não lhe dá o direito de discriminar, menosprezar ou agredir outras pessoas, ou mesmo outras tradições religiosas diferentes da sua.
 
Estamos vivendo em nosso Brasil tempos difíceis, tempos de dúvida e angústia com a polarização política. Estamos sofrendo com intolerâncias e violências de toda ordem. Há um clima de ódio e rancor que paira no ar.
 
Como cristãos e cristãs, temos o direito – e até o dever – de votar e exercer nossas escolhas de forma consciente, mas não é adequado e nem tampouco coerente com os princípios cristãos justificar ou reforçar atitudes violentas usando a Bíblia ou usando o Nome de Deus. Que Deus é esse que acreditamos? Que Deus é esse que desejamos esteja sobre todos e todas?
 
O Deus que está acima de todos e todas é o Deus da unidade, e não o “deus” da uniformidade; é o Deus da inclusão e do respeito, e não o “deus” do sectarismo violento; é o Deus que criou a riqueza da diversidade e viu que tudo era muito Bom! (Gênesis 1:31) E não um tirano ditador armado de fuzil e carregado até os dentes de munição.
 
Penso que esse “deus” tão apregoado e alardeado aos quatro ventos por aí em nossos tempos atuais tem mais a ver conosco do que com os princípios do Evangelho. Precisamos, portanto, ter o cuidado de não emprestar para Deus ideias e conceitos que em nada dizem respeito ao seu Reino de Amor, de Justiça e de Paz.
 
Que Deus nos ajude!
 
Marinez Bassotto é bispa anglicana (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)

 
Esse foi [um trecho da] resposta de Amanda Khozi Mukwashi, diretora executiva da Christian Aid*, quando perguntada sobre a onda de intolerância que ficou escancarada nestas eleições no Brasil, inclusive dentro de comunidades religiosas. A entrevista foi feita pela jornalista Natália Blanco, de KOINONIA.
 
Filha de pais zambianos, Amanda nasceu no Reino Unido. É formada em Direito com mestrado em Direito Econômico e tem mais de 20 anos de atuação no trabalho de combate às desigualdades com foco nos direitos das mulheres.
 
Amanda chegou na Christian Aid em 2015, sendo que desde abril de 2018 assumiu o cargo de diretora executiva da organização. E antes de ingressar na Christian Aid, passou pelo Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNDP), na Alemanha; VSO International, com sede em Londres; foi Chefe de Relações Externas e Chefe de Programas na Skillshare International UK, e Coordenadora de Mulheres em Negócios no Mercado Comum da África Oriental e Australia em Lusaka.
 
Em setembro deste ano, Amanda esteve no Brasil ao lado de Rowan Williams para acompanhar o trabalho da Christian Aid no país, e se encontrar com representantes de comunidades religiosas e organizações ecumênicas em São Paulo.
 
Entre um compromisso e outro, pudemos conversar sobre suas impressões, anseios e desafios do ecumenismo no combate às injustiças:
 
– Como começou sua trajetória no movimento ecumênico? Por que trabalhar com Direitos Humanos?
 
Desde que tenho lembranças, eu sempre tive vontade de trabalhar com justiça e na luta contra a desigualdade. Eu estudei direito na universidade e acho que meu primeiro interesse por estes problemas, da luta por direitos iguais, foi quando eu estava terminado a faculdade em Zâmbia. O movimento de mulheres estava com muita força pelos direitos iguais, e na época eu senti o poder deste movimento. Sou cristã e quando olho para a Bíblia, vejo um Deus que criou machos e fêmeas a sua imagem e semelhança, igualmente. Tudo que veio depois disso, as desigualdades, são convenções humanas, foram feitas por humanos, e não porque Deus quis assim.
 
Então fui lentamente começando a trabalhar com direitos humanos, especificamente com o tema do empoderamento econômico para mulheres. Quando eu me mudei para o Reino Unido, eu fui trabalhar em uma organização que trabalha com tema da violência doméstica e outras minorias.
 
– Como foi começar o trabalho na Christian Aid em 2015?
 
Quando veio a oportunidade de trabalhar com a Christian Aid foi uma surpresa, eu realmente queria trabalhar por algo que minha fé acredita, algo mais relacionado aos meus valores cristãos, mas também com algo que eu acredito: a forma que Deus quer que a gente viva as nossas vidas e nossos valores.
 
Mas não é apenas desse modo que algumas pessoas interpretam, porque nós destorcemos o evangelho, nós destorcemos a mensagem de Cristo para que a gente siga nossa própria agenda. Ao invés de viver da forma que Deus gostaríamos que vivêssemos. Então foi por isso que eu aceitei vir para a Christian Aid, e dessa forma trabalhar com os direitos da mulheres.
 
– Por que mulheres?
 
Eu acho que as mulheres provavelmente são as pessoas mais marginalizadas e oprimidas no mundo. Quando você olha a questão da pobreza, você vê faces de mulheres; quando você olha para problemas de abusos, você vê rostos de mulheres; quando você encara as injustiças, na maioria dos lugares, você vê rostos de mulheres. E por isso acho que nós temos que trabalhar para colocar as mulheres onde elas deveriam estar, que é lado a lado aos homens.
 
Há algumas semanas eu estava falando em Londres, e disse “Deus criou o homem e a mulher igualmente, a questão é como nós distorcemos”. E acho que é contra isso que temos que lutar, contra essas ideias distorcidas.
 
E agora, mais do que nunca, porque nós vemos guerras em diferentes partes do mundo, na África, na América Latina, na Ásia, nós vemos essas grandes desigualdades, nós vemos as pessoas enfrentando múltiplas desigualdades, não é apenas uma desigualdade, são em diversos aspectos. Você vê pobreza, você vê falta de emprego, você vê a falta de acesso à saúde, você vê o crescimento de muitas doenças.
 
– O que chamou sua atenção nestes dias aqui no Brasil?
 
Nestes dias aqui no Brasil eu fui visitar um grupo de pessoas sem teto. E eu fiquei tão, tão tocada. Cerca de 2.000 famílias ocuparam um prédio abandonado para sobreviver. E quando eu os vi eu me senti muito sensibilizada. Eles vivem em quartos muito pequenos, muito, muito pequenos. É tão difícil. Mas sabe, quando eu fui conversar com eles, eu fiquei umas três ou quatro horas lá com eles, eu me senti inspirada. Porque eu vi amor naquela comunidade. Eles cuidam uns dos outros, eles têm tolerância zero em relação a violência doméstica, eles são inclusivos. Realmente não importa sua cor, sua crença, sua sexualidade, eles são inclusivos. Nesta comunidade eu vi amor. Uma experiência real de amor. Então eu pensei “é possível”.
 
– E qual o potencial que você vê no movimento ecumênico para combater injustiças hoje?
 
Quando você olha os diferentes movimentos neste momento, em termos de movimentos baseados na fé e teologias, vemos umas mudanças. Eu sei que aqui na América Latina existe a Teologia da Libertação, mas o que a gente vê na maioria dos lugares, vejo no Quênia, Malásia, Zimbábue, é o crescimento da ideia da prosperidade gospel. E eu acho aconteça o mesmo processo aqui na América Latina. Não é meu trabalho criticar essas teologias, ou o gospel, mas, qual é a experiência dessas pessoas no chão, na realidade? Essa é minha pergunta. Essas pessoas de fé acreditam que estão vivendo, na prática, os valores que nossa fé diz que precisamos viver?
 
Quando nós falamos sobre dignidade, por exemplo, qual é o valor cristão sobre dignidade? Minha questão é: eu estou contribuindo para a dignidade de vida de outras pessoas? Como essa dignidade se mostra? Qual é a dignidade? Quando crianças dormem no chão das ruas, como a dignidade aparece para elas? Quando uma pessoa, mesmo dando duro, trabalhando muito, não tem como colocar comida na mesa de casa, não tem como comprar roupas, não tem condições melhores de vida, qual a dignidade dessa pessoa? Quando mulheres sofrem com a violência doméstica, que é tão alta, e quando as pessoas das comunidades religiosas ficam em silencio perante essas situações, qual é a dignidade? Quando crianças são abusadas e exploradas sexualmente, e as pessoas ficam caladas. Qual é a dignidade?
 
Então, eu penso que é hora de, como pessoas de fé, como líderes de fé, como organizações baseadas na fé, nós não podemos ficar em silêncio. Essa é a oportunidade, esse é o potencial. Eu gosto muito da história de Martin Luther King Jr. Porque ele falou sobre problemas de pessoas comuns, nas ruas, ele falou sobre pessoas, fé e realidade juntas. Esse é o nosso potencial.
 
Nós precisamos trazer fé, para que isso se torne uma experiência real na vida das pessoas. Que as pessoas possam ver que nós somos diferentes mesmo. E quando falamos sobre dignidade, nós respeitamos todo ser humano, nós respeitamos o que produzimos, o trabalho que fazemos, somos inclusivos. E que lutamos declaradamente pela justiça.
 
Então eu acho que esse é o grande potencial para o movimento ecumênico neste momento. Politicamente, economicamente e socialmente. Precisamos fazer as pessoas acreditarem de novo. A terem esperança de novo.
 
– Como você vê essa onda de intolerância ao redor do mundo? Aqui no Brasil estamos vivenciando isso, agora nas eleições isso está muito evidente, e muitas pessoas religiosas entraram nessa onda.
 
Olha, é obvio que eu não posso dar uma opinião sobre pessoas individualmente, mas uma coisa que eu sei é: O Deus de quem nós falamos, não é um Deus de exclusividade, Ele é totalmente inclusivo. O respeito é por todo ser humano. Mulheres, homens, crianças, e qualquer pessoa entre isso. Sabe quando Jesus ficou furioso quando disse que transformaram a casa de Seu Pai em um mercado? Para mim nós estamos transformando o gospel e a mensagem de Deus em um mercado.
 
É tudo sobre mim, individualizado. E quando a gente olha para a mensagem de Jesus Cristo, é uma mensagem de esperança, de inclusão, e eu poderia te dar centenas de exemplos. E tudo o que Jesus quis mostrar é que Deus ama a cada um de nós. Então se estamos pregando exclusão em nome de Deus, é hora de nos perguntarmos: sobre qual deus estamos falando? E não acho que isso seja apenas aqui no Brasil, é um fenômeno mundial.
 
E como Christian Aid, afinal nós não somos uma igreja, somos uma organização baseada na fé, o que nós estamos tentando fazer, como valores, é ter a certeza de que as pessoas experimentem o amor de Deus.
 
Fonte: KOINONIA
Foto: Natália Blanco / KOINONIA

 
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) apresentou nota pública “Eleições 2018: Em defesa da democracia e dos nossos direitos” para reforçar o alerta em proteção à vida e aos direitos assegurados pela Constituição Federal e tratados internacionais assinados pelo Brasil, tendo em vista o posicionamento do candidato de extrema direita às eleições presidenciais, Jair Bolsonaro (PLS) que caminha na contramão da democracia no Brasil.
 
Entre as ameaças manifestadas por Jair Bolsonaro, o candidato declarou, reiteradas vezes, acabar com direitos constitucionais dos povos indígenas e de suas terras tradicionais, em favor do agronegócio. A Nota Pública reforça também a necessidade de atenção dos organismos e mecanismos nacionais e internacionais de direitos humanos frente à esse cenário.
 
“Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar e das práticas de tortura, pretende entregar as riquezas nacionais ao capital internacional, regredir com as conquistas sociais, não demarcar mais nem um centímetro de terra indígena e quilombola, desmarcar terras indígenas como a Raposa Serra do Sol, facilitar o roubo e exploração das terras indígenas e dos bens naturais pelo agronegócio e os grandes empreendimentos, colocar mais veneno na mesa dos brasileiros, flexibilizar a legislação ambiental, principalmente as regras do licenciamento ambiental, acabar com os órgãos de fiscalização e juntar o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura (o ministério dos ruralistas), acabar com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBIO) e a FUNAI, armar a população contra os pobres, declarar guerra ao ativismo socioambiental e de direitos humanos e tratar como inimigos os movimentos e organizações sociais que se organizam e mobilizam para defender a democracia e os direitos.”
 
Confira abaixo a Nota Pública na íntegra:
 
NOTA PÚBLICA –  ELEIÇÕES 2018: EM DEFESA DA DEMOCRACIA E DOS NOSSOS DIREITOS
 
A história dos povos e comunidades indígenas , a partir do ano de 1.500, sempre esteve marcada pela violência, o genocídio, etnocídio, roubo e destruição da Mãe Natureza, para favorecer os interesses de acumulação e lucro dos invasores de então e de hoje, condenando os povos ao extermínio ou a invisibilidade, senão com o uso da força, com práticas de preconceito, discriminação e racismo, que vitimam também ao povo negro, os quilombolas, as mulheres, os trabalhadores e trabalhadoras, do campo e da cidade.
 
Esse cenário, piorado pela ditadura militar, após de 30 anos da Constituição Federal, proclamada em 1988, e que possibilitou a abertura democrática e conquistas sociais, incluindo o reconhecimento dos direitos indígenas, tende a se agravar, sobretudo a partir do golpe de 2016, em razão da composição do Congresso Nacional, resultado das eleições de 2018, pior do que o anterior, dominado por partidos de direita e ultra direita, e da possibilidade de um candidato fascista (autoritário, racista, discriminador, antipopular e anti-indígena) ser eleito presidente da República, com o apoio da classe dominante, isto é, dos mais ricos, e seus representantes no Parlamento: as bancadas do capital financeiro, do agronegócio, da mineração, das igrejas evangélicas pentecostais, das empreiteiras, do armamentismo, das forças de segurança, dos cartolas do futebol, entre outros.
 
Jair Bolsonaro, defensor da ditadura militar e das práticas de tortura, pretende entregar as riquezas nacionais ao capital internacional, regredir com as conquistas sociais, não demarcar mais nem um centímetro de terra indígena e quilombola, desmarcar terras indígenas como a Raposa Serra do Sol, facilitar o roubo e exploração das terras indígenas e dos bens naturais pelo agronegócio e os grandes empreendimentos, colocar mais veneno na mesa dos brasileiros, flexibilizar a legislação ambiental, principalmente as regras do licenciamento ambiental, acabar com os órgãos de fiscalização e juntar o Ministério do Meio Ambiente com o Ministério da Agricultura (o ministério dos ruralistas), acabar com o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBIO) e a FUNAI, armar a população contra os pobres, declarar guerra ao ativismo socioambiental e de direitos humanos e tratar como inimigos os movimentos e organizações sociais que se organizam e mobilizam para defender a democracia e os direitos.
 
Em razão dessas ameaças, a APIB orienta as suas bases a que se posicionem votando em Fernando Haddad e solicita aos seus parceiros e aliados que apoiem esta decisão. Aos distintos organismos e mecanismos nacionais e internacionais de direitos humanos a APIB pede que estejam em alerta, visando a proteção das nossas vidas e conjunto dos nossos direitos assegurados pela Constituição Federal e tratados internacionais assinados pelo Brasil.
 
Por um Brasil solidário, justo e realmente democrático.
 
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
 
Fonte: Cimi
Foto: Guilherme Cavalli

 
A Paróquia Cristo Redentor de Curitiba (PR) e o Sínodo Paranapanema sediaram o XXXI Concílio da Igreja, que aconteceu entre os dias 17 e 21 de outubro de 2018, sob o tema Viver o Evangelho: empatia, compaixão, comunhão… O Concílio é órgão deliberativo máximo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e é realizado sempre em uma Comunidade da IECLB.
 
MENSAGEM FINAL
 
Viver o Evangelho: empatia, compaixão, comunhão… Esse tema guiou as reflexões das pessoas integrantes do XXXI Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), realizado entre os dias 17 e 21 de outubro de 2018, na Paróquia Cristo Redentor de Curitiba/PR, no Sínodo Paranapanema.
 
Junto ao alegre e inspirador movimento das crianças do Colégio Martinus, a instância máxima de decisões da Igreja celebrou, refletiu, dialogou e decidiu sobre os rumos e o futuro da IECLB. Em meio às responsabilidades e às expectativas de um momento eclesiástico histórico, o colegiado bastante renovado de representantes sinodais fortaleceu-se pela presença de pessoas convidadas, representantes de entidades identificadas e da Comunidade ecumênica nacional e internacional que reconhecem na IECLB uma referência na caminhada.
 
Nesta mesma cidade, por ocasião do Concílio de 1970, a IECLB, enquanto Igreja de Cristo, manifestou o seu compromisso com a garantia de vida digna para todas as pessoas, ao afirmar que nem situações excepcionais podem justificar práticas que violam os direitos humanos (Manifesto de Curitiba-IECLB/1970).No atual contexto brasileiro, o desafio permanece: em resposta ao amor de Deus, a IECLB afirma a sua Missão de promover a justiça, a paz e o amor, sem se conformar com as injustiças, exercendo voz profética. Afinal, é preciso que o mal do mundo não nos pareça normal.
 
Enquanto pessoas luteranas, comprometidas com a Missão de Deus, o chamado é para viver o Evangelho com o olhar para além de nós, de maneira compassiva, em parceria no caminhar, lado a lado, com vidas em comunhão. Este é o imperativo evangélico e a resposta da IECLB em uma realidade sedenta de referências tais como ‘ovelhas sem pastor” (Marcos 6.34).
 
Ao abraçar essa Mensagem às Comunidades, não tenhamos dúvida: Jesus caminha ao nosso lado como fez em Emaús (Lucas 24.15). Rogamos que a Presidência eleita neste Concílio (Pa. Sílvia Genz – Pastora Presidente, P. Odair Braun – Pastor 1º Vice-Presidente e P. Dr. Mauro Souza – Pastor 2º Vice-Presidente) conduza a IECLB com vistas a uma Igreja que viva o Evangelho com empatia, compaixão e comunhão!
 
Deixo com vocês a paz, a minha paz lhes dou.
João 14.27
 
Fonte: IECLB
Foto: Reprodução

 
O Evangélicxs pela Diversidade busca recursos para a realização de seu Encontro Nacional, a ser realizado entre os dias 21 e 23 de novembro, no Rio de Janeiro. Para isso, lançou uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria a fim de arrecadar 6 mil reais para cobrir os custos do evento.
 
Segundo Bob Luiz Botelho, um dos articuladores nacionais do Evangélicxs, “o encontro nacional é o primeiro passo para a formação de lideranças e organização de grupos locais em todo o Brasil”.
 
Evangélicxs pela Diversidade é uma rede que reúne pessoas LGBTI e aliadxs que se identificam como cristãs evangélicas e que entendem que a diversidade sexual e a identidade de gênero devem ser celebradas como expressões da fé e espiritualidade, e que independente do gênero ou sexualidade, as comunidades de fé podem ser um lugar seguro para todxs.
 
Atualmente são mais de 30 voluntárixs espalhados por todo o território brasileiro conectados de maneira virtual. Mas o objetivo é multiplicar os espaços de encontro e acolhida de pessoas LGBTI evangélicas, e qualificar o diálogo entre elas e as comunidades de fé cristãs evangélicas no Brasil, em todos os estados brasileiros.
 
A partir dessa mobilização de recursos pretende-se viabilizar, por meio do Encontro Nacional, algumas agendas prioritárias como a articulação da rede em nível nacional, a criação de canais sólidos de comunicação entre os participantes e a formação de grupos locais. 
 
O Encontro Nacional Evangélicxs pela Diversidade acontecerá entre os dias 21 e 23 de Novembro, no Rio de Janeiro, em parceria com a Plataforma Intersecções/ISER, o Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos (CLAM/UERJ), o Grupo Multidisciplinar de Estudos em Religião e Incidência Pública (GEMRIP) e a ONG Koinonia Presença Ecumênica e Serviço.
 
Para participar da campanha de financiamento coletivo do Evangélicxs, acesse: benfeitoria.com/evangelicxs