Casados há cinco anos, a advogada Tatiane Spitzner e o biólogo Luís Felipe Manvailer saíram de casa para comemorar o aniversário dele, na noite de 21 de julho. A esposa pega uma mensagem de outra mulher no celular dele e os dois começam a discutir. Voltam para casa lá pelas duas e meia da manhã.
 
A briga não para. Vizinhos escutam as discussões, ouvem a mulher dizer que vai pular da sacada, e pedidos de socorro dela. Em seguida, escutam um barulho, “como se fosse uma batida de carro”. Luís Felipe desce até a frente do prédio e, segundo testemunhas, diz “o que você fez, meu amor?”. Recolhe o corpo, leva a esposa morta até o apartamento, e foge com o carro dela.
 
Na última sexta 3, os vídeos daquela madrugada vazaram na internet. Tatiane apanhou do marido ainda dentro do carro, antes de entrar no prédio, e, na sequência, tomou um golpe que a deixou desacordada no chão da garagem. Luís Felipe chuta a esposa, que acorda e corre do marido. No elevador, tenta, sem sucesso, descer no térreo e escapar das agressões. Violentamente, Luís Felipe a empurra de volta e a obriga a sair de lá quando chegam ao quarto andar.
 
A violência toda foi filmada. Vizinhos escutaram gritos e pedidos de socorro. Então, por que ninguém fez nada? O porteiro não viu as imagens em tempo real? Não escutou a gritaria no térreo? Ninguém pensou em intervir, tocar a campainha? Quando a polícia chegou, Tatiane já estava morta – o corpo tinha até sido levado de volta ao apartamento.
 
A sociedade (todos nós) se omite, ignorando “brigas de casais”, por achar que esses desentendimentos fazem parte da vida privada dos dois. Enquanto isso, a cada sete segundos uma brasileira é vítima de violência física, segundo a pesquisa Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha.  Metade (54%) dos brasileiros conhece ao menos uma mulher que já foi agredida pelo companheiro. Em 2016, foram 58 mil registros desse tipo captados pelos dados do Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
 
"Os dados revelam que a violência de gênero não é um problema pontual. É um problema grande. A maioria dos feminicídios é pelas mãos do companheiro ou do ex. O assassinato é o último estágio, e por isso tentamos atacar o problema antes de ele chegar às últimas consequências", conta Aline Silveira, designer e uma das co-criadoras do aplicativo "Mete a Colher", que busca auxiliar mulheres vítimas de violência.
 
Antes de chegar ao fim, familiares e amigos contam que Tatiane vivia um relacionamento abusivo há tempos. Em mensagens trocadas com uma amiga, a advogada contou que o marido tinha um “ódio mortal dela” e que havia “mudado completamente” muito depois de começar a tomar anabolizantes. A irmã, que estava com o casal no bar, contou que Tatiane queria o divórcio.
 
Não é fácil se dar conta do que é um relacionamento abusivo, principalmente quando envolve a sua história – o amor apaga algumas cenas de violência e faz acreditar nas promessas de melhora do parceiro. Para alertar outras mulheres, a família de Tatiane criou as páginas TodosPorTatiane, no Facebook e Instagram. E já tem dado resultado. Segundo um dos posts, uma psicóloga próxima à família disse ter escutado histórias de várias pacientes que perceberam ser vítimas de violência depois de assistir aos vídeos de Tatiane.  
 
A polícia investiga se Tatiane morreu antes, ainda no apartamento, depois da queda. Luís Felipe segue preso como suspeito pela morte de Tatiane. Os advogados dele ainda insistem na história de quem formavam uma família de comercial de margarina. Os vídeos e a família dela contam uma versão bem diferente.
 
Em caso de flagrante de violência, você pode chamar imediatamente a polícia pelo 190. Se souber de agressões constantes, mesmo que a própria vítima ainda não tenha denunciado, é possível alertar sobre o caso pelo Disque Mulher (180). Pelo 180, não é aberta uma chamada de emergência e, portanto, a polícia não aparece imediatamente - só quando acionada pelo 190.
 
Fonte: Carta Capital
Imagem: A Tribuna / App Mete a Colher

 
A atual realidade política brasileira, a retirada de direitos que atinge diretamente a população mais vulnerável e empobrecida, o desânimo do povo diante da péssima e irresponsável atuação de muitos parlamentares nas Assembleias Legislativas Estadual e Federal, o avanço de ideologias conservadoras alinhadas aos interesses dos grupos econômicos que insistem na lógica da concentração de poder, riqueza e destruição do nosso patrimônio ambiental nos convidam e nos desafiam a uma profunda reflexão sobre as consequências do voto ERRADO e, ao mesmo tempo, nos levam a uma necessária e urgente ampliação do debate  com o conjunto da sociedade sobre esses temas que nos últimos anos vêm sendo refletidos no conjunto das pastorais do campo, movimentos e organizações sociais na Bahia.
 
Diante desse cenário nasce a Campanha SEU VOTO VALE? ENTÃO, VOTE CERTO! #NenhumDireitoaMenos, inciativa de um coletivo de Pastorais, Organizações e Organismos da Bahia para incentivar: eleitores e eleitoras a refletirem sobre o papel de cada pessoa e do voto na transformação social; e a votarem CERTO em candidatos e candidatas comprometidos com a justiça social, com a perspectiva da garantia dos direitos nas eleições em 2018.
 
A campanha também pretende contribuir para o eleitorado pensar sobre a atuação dos/as deputados/as, senadores/as baianos/as e do/a presidente da República nesta última legislatura, convidando eleitores/as a perceber se de fato o seu voto tem o poder de mudar ou se esse instrumento político não passa de um FAZ DE CONTA para legitimar os interesses de um Estado controlado por determinados setores do Judiciário, Executivo e Legislativo, historicamente patrocinados e financiados por grandes empresas, bancos e redes de rádios, jornais e televisão.
 
Também é preciso que cada eleitor/a analise se o conjunto dos parlamentares representa a CARA DO POVO BRASILEIRO. Podemos afirmar que o Congresso Nacional não representa nossa juventude, as mulheres, os grupos LGBT+, a população negra, os povos indígenas e as comunidades tradicionais. VOTAR CERTO nas próximas eleições é garantir que o povo brasileiro seja respeitado em seus direitos e representado, na sua diversidade cultural, religiosa e de gênero; é garantir a participação ativa do nosso povo nas decisões política e das instâncias de poder que existem em nosso país.
 
Sugerimos que o eleitorado pense bem sobre as consequências do seu poder de escolha e reúnam seus pares para investigar a trajetória política dos/as candidatos/as, seus projetos políticos, para que os resultados das eleições representem, de fato, os legítimos anseios, necessidades e interesses do povo brasileiro.
 
A partir de hoje até 6 de outubro, você pode contribuir com a campanha, que esclarecerá pontos importantes do cenário eleitoral, como a importância de não anular seu voto; o nome e partidos de quem já votou a favor de muitas perdas de direitos; a importância de ampliar a participação da mulher, da juventude, população negra e indígena no parlamento; a renovação do Congresso; questões ambientais, terra água e território e os conflitos a partir da defesa dos territórios; e a intolerância religiosa e suas consequências.
 
PARTICIPE! Compartilhe nossos conteúdos, promova rodas de diálogo e apresente o conteúdo da campanha em suas paróquias e comunidades e participe de nosso ato de lançamento. Assim construiremos uma VERDADEIRA DEMOCRACIA a partir do PODER POPULAR.
 
Salvador, 1 de agosto de 2018
 
Ação Social Arquidiocesana – ASA
Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3
Centro de Estudos Bíblicos – CEBI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Comunidades Eclesiais de Base – CEBS
Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP
Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs – CEBIC
Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito
Pastoral da Juventude – PJ
 
Fonte: CESE
Foto: Agência Brasil/EBC

 
A Sede Nacional da Igreja Metodista, em São Paulo (SP), recebeu, no dia 3 de agosto, reunião do Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI). O encontro contou com a participação de representantes de igrejas e organizações membros do Conselho para discutir, entre outros temas, a eleição da nova diretoria da organização. 
 
A Igreja Metodista foi representada pela Secretária Executiva do Colégio Episcopal, pastora Giselma de Souza Almeida Matos, e pelo bispo Honorário Stanley da Silva Moraes. O metodista bispo emérito Paulo Ayres, também esteve presente na reunião, mas representando a Presença Ecumênica e Serviço – KOINONIA e o Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião IEPG-UMESP.
 
Durante o encontro, o jornal Expositor Cristão (EC) gravou uma entrevista especial com o presbítero da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Nilton Emmerick Olievira, que atua hoje como presidente do CLAI-Brasil. Na conversa, ele conta mais sobre a atuação do CLAI junto às demandas sociais. Ele também falou sobre a crise institucional enfrentada pelo Conselho no último ano, assunto que já foi notícia no EC. Leia aqui. A presbítera Yone Moreira, tesoureira do CLAI-Brasil, também representou a diretoria na reunião. A entrevista com o presbítero Nilton será publicada em breve no podcast Giro de Notícias.
 
O encontro também contou com a presença de Sônia Mota, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), do pastor Joel Zeferino e Josileide José dos Santos, da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), da presbítera Anita Sue Wright Torres, da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), e da reverenda Lúcia Dal Pont Sirtoli, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), que também representou o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI).
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) foi representado pelo reverendo Márcio, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). O grupo contou ainda com a presença do reverendo Luiz Carlos Ramos, representando o Centro Ecumênico Brasileiro de Experiências Pastorais (CEBEP), de José Carlos Dionízio, do Programa de Formação e Educação Comunitária (PROFEC), além de representações do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) e convidados/as que atuam junto ao CLAI.
 
A reunião começou às 9 horas e foi encerrada por volta das 17h, com um momento de devocional dirigido pela pastora Giselma Matos. 
 
Para saber mais sobre o CLAI, acesse o site oficial do Conselho: www.claiweb.org
 
Com informações do Expositor Cristão
Foto: Reprodução

 
Entidades reagiram nesta terça-feira (7) à declaração do general Antonio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições de 2018, que disse que o Brasil herdou "indolência" da cultura indígena e "malandragem" do africano.
 
A declaração foi dada durante um evento em Caxias do Sul (RS).
 
"Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador de Caxias do Sul), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas", afirmou Mourão, em trecho gravado pelo jornal "Pioneiro".
 
Por meio de nota, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) disse que repudia veementemente a declaração do general, e que ela alimenta o racismo. Segundo a entidade, a fala é injusta, injuriosa e criminosa, e deve ser investigada pelo Ministério Público Federal.
 
"Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país", diz o CIMI na nota.
 
Também por meio de nota, a ONG Educafro disse estar preocupada com a visão "equivocada" da participação do povo negro na construção do Brasil. Para a ONG, a fala do general Mourão é "ofensiva" à comunidade negra.
 
Por telefone, a presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Cármeno Dora de Freitas, disse que a fala do general caracteriza apologia ao racismo.
 
General Mourão
 
Após a repercussão de sua fala, Mourão disse por telefone que foi mal interpretado e que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa.
 
Afirmou ainda que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que "o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas".
 
Em nota divulgada nesta terça, o candidato a vice-presidente disse que, ao dar a declaração, se baseou em "estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade" e que o contexto da fala foi o da "herança cultural".
 
"Esse contexto trouxe heranças positivas e negativas, sem distinção de cor e raça, para todos os brasileiros", concluiu.
 
Bolsonaro
 
Questionado por jornalistas no plenário da Câmara, nesta terça-feira (7), sobre as declarações de Mourão, Bolsonaro afirmou:
 
"A mãe dele [do Mourão] é índia. O que é indolência? Capacidade de perdoar, é isso? Funcionário, vê aí, funcionário, o que é indolência... Aquele que perdoa, não é isso?"
 
Indagado sobre a possibilidade de a fala de Mourão prejudicá-lo como candidato a presidente, Bolsonaro disse: "Eu respondo pelos meus atos e ele responde pelos dele".
 
Leia a íntegra da nota do CIMI:
 
Nota do Cimi Sobre Declarações do General Hamilton Mourão
 
O CIMI – Conselho Indigenista Missionário repudia veementemente as declarações injuriosas e injustas aos povos indígenas e à população negra do Brasil proferidas pelo candidato a vice-presidente da república, General Hamilton Mourão, nesta segunda-feira, 06 de agosto. Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país.
 
As afirmações do General Mourão corroboram a posição manifestada em diversas ocasiões pelo candidato Jair Bolsonaro, já denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por racismo. O Cimi encaminhará uma Representação ao Ministério Público Federal (MPF) no intuito que sejam adotadas as providências cabíveis para averiguação sobre possível prática criminosa resultante das declarações do General Hamilton Mourão.
 
Conselho Indigenista Missionário
Brasília, DF, 07 de agosto de 2018
 
Fonte: G1 / CIMI
Foto: Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo

 
O burburinho dentro da Igreja de São Paulo, em Margate, cidade litorânea a 130 km de Londres, parece mais com o de uma cafeteria em horário de pico do que com uma missa. As pessoas conversam descontraidamente na nave central, a área que vai da porta até o altar, mas não estão sentadas em fileiras como costuma ser em uma igreja. As cadeiras formam pequenos grupos, e os copos de café estão por todas as partes.
 
Este é mais um encontro do pioneiro projeto "Ignite" (do inglês, inflamar ou incendiar), que prega o Evangelho em reuniões descontraídas e interativas e que, após dez anos de existência, será replicado em outras nove paróquias como parte do plano de renovação e reforma da Igreja Anglicana, anunciado em julho.
 
No mundo, segundo a Comunhão Anglicana, são 85 milhões de seguidores em 165 países, incluindo o Brasil.
 
Com o novo e ambicioso plano, a instituição pretende inaugurar cem novas igrejas na Inglaterra. Somente na Diocese da Cantuária serão investidos 887 mil euros (cerca de R$ 3,8 milhões) em novas igrejas-café. "É uma abordagem diferente da igreja 'mainstream', porque normalmente você vem como um membro da congregação, as coisas já estão feitas de antemão e você responde. No 'Ignite' você consegue se envolver muito mais, fazer perguntas", detalha Debbie Ellisdon, uma das lideranças do projeto.
 
A cada reunião semanal, ela e o marido, o reverendo Patrick Ellisdon, recebem os participantes com café e uma refeição de cortesia. Cada um ganha uma etiqueta com nome, o que torna a abordagem mais próxima. São pessoas que vivem na região, uma das mais pobres do país. Algumas têm problemas com álcool, outras são moradoras de rua. 
 
Clique aqui e leia a matéria na íntegra.
 
Fonte: Uol
Foto: Reprodução

 
A prática de sacrificar animais para rituais é muito comum em algumas religiões. No entanto, este ritual realizado há milhares de anos poderá ter um fim sob a justificativa de que os animais são mortos de forma cruel. Para decidir a legalidade da sacralização – como é chamada a utilização de animais em celebrações religiosas, o Supremo Tribunal Federal (STF) realizará no dia 9 de agosto, em Brasília, o julgamento da ação interposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Em todo o país, representantes de religiões de matriz afro criticam a proibição e alegam que se trata de preconceito e racismo contra um segmento. Na visão deles, o abate para fins de culto não fere a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
 
A candomblecista Raíssa Gomes explica que na sacralização são utilizados animais que fazem parte da cultura alimentar de matriz africana e também do Brasil, como galinha, caprinos e galinha d’angola, por exemplo. Segundo ela, há a utilização de animais porque eles estão inseridos na cultura alimentar. O ato de sacralização consiste em agradecer por aquele animal estar servindo ao consumo da comunidade e também dando sua energia vital (seu axé) para alimentar o axé daquela comunidade.
 
“Existe um erro comum de entender que os animais são mortos sem propósito e jogados fora, quando isso não é verdade. Muito dessa falta de conhecimento se deve ao racismo e ao fetiche criado em torno do candomblé, por ser uma religião de culto à ancestralidade africana e que chegou e se manteve até hoje com o esforço e dedicação de pessoas negras. Então, todo animal sacralizado tem suas partes utilizadas na alimentação da comunidade”, explica.
 
Raíssa esclarece ainda que, sobre o sofrimento animal, essa não é a preocupação de quem propõe essa proibição. “Senão, não teríamos, por exemplo, a grande indústria da carne, onde lá sim, os animais são assassinados brutalmente, sem qualquer respeito e compromisso com sua natureza, despreocupados com a origem do animal, mortos de qualquer maneira e levando muitas vezes ao desperdício, contaminação, etc. Proporcionalmente, a quantidade de animais abatidos no candomblé é muitíssimo inferior à quantidade animais que são abatidos e vendidos em frigoríficos e açougues mundo afora e essa não parece ser uma preocupação do estado”, chama atenção.
 
No candomblé, todo o ritual é pensado e executado de maneira a que aquele animal não sofra, pois é da carne que os religiosos irão se alimentar. “Em nossa visão, se alimentar de um produto de sofrimento é perpetuar esse sofrimento em nosso corpo, por isso não é oferecida uma galinha de frigorífico abatida para o orixá. Se todos voltássemos ao tempo em que ainda vivemos nos rituais do candomblé, e todo mundo tivesse suas galinhas no quintal, nosso consumo de carne e de outros alimentos seria mais consciente e conectado à natureza”, acredita.
 
Sobre animais que são vistos em vasilhas pelo meio da rua, Gomes assegura que isso não condiz com a religião que ela pratica. “O que oferecemos aos orixás é o que desejamos para nós. Oferecemos comidas, água, sementes, que simbolizam a prosperidade e o poder de cultivar o alimento, frutas, etc. O animal é uma parte importante deste culto, mas não é a única. O desconhecimento e o racismo é que fazem esse tipo de proibição ser cogitada e ninguém questionar os abatedouros e frigoríficos. E o peru de Natal, que é um animal oferecido em ritual religioso também? Mas ninguém julga violento, sofrimento animal, ou qualquer coisa do tipo um animal que muitas vezes nunca viu a luz do dia, ser alimentado 24 horas por dia, em tempo recorde para engordar rápido, morrer e ir para a mesa em um ritual religioso cristão. É para se pensar”, evidencia Raissa Gomes.
 
Em sua página na internet, a Fundação Cultural Palmares (FCP) se solidariza com os povos de terreiro em sua luta pelo reconhecimento legal de seus ritos sagrados. “Os povos de terreiro apresentam um forte envolvimento com a natureza e com a preservação do meio ambiente. A proibição do sacrifício tem sim sido mais usada como manifestação de intolerância religiosa e racismo, perseguindo-se as crenças de matriz africana, do que como uma preocupação real com os animais”, diz a Fundação.
 
Ação 
 
O recurso foi interposto pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça estadual (TJ-RS) que validou a Lei gaúcha 12.131/2004, que permite o sacrifício de animais destinados à alimentação nos cultos das religiões africanas.
 
Fonte: Jornal da Cidade (JC) / Grecy Andrade
Foto: Pixabay

 
"O tempo é o dom mais precioso que Deus nos concede todos os dias e devemos saber usá-lo. Os cristãos devem santificar o seu tempo".
 
Com um anúncio surpresa justamente nas redes sociais, o patriarca copta-ortodoxo Tawadros II decidiu cancelar seu perfil na página do facebook. A notícia foi divulgada pela mídia oficial egípcia.
 
Segundo o patriarca, "ocupar-se com mídias sociais é uma perda de tempo, tornou-se um desperdício de vida". E para isso - lê na mensagem publicada em árabe na página "Pope Tawadros II" - vou encerrar a minha página no facebook. Saúdo nossos irmãos, nossos filhos, aqueles que adotarem a mesma postura no respeito à decisão de minha Santa Igreja".
 
A notícia vem depois da morte em circunstâncias ainda ignoradas do bispo copta-ortodoxo Epiphanius, abade do Mosteiro de São Macário, o Grande (Dayr Abu Maqar), encontrado morto dentro do monastério na madrugada do último domingo. O religioso foi morto enquanto se dirigia para a capela para rezar o Ofício da manhã.
 
Um mês para contas serem enecerradas
 
Nos últimos dias, Tawadros convidou monges e freiras da Igreja Copta Ortodoxa, sem exceção, a encerrarem no prazo de um mês as contas pessoais e eventuais blogs por eles administrados nas redes sociais, como Facebook e Twitter.
 
Dentro desse prazo, eles terão que despedir-se destas formas de comunicação consideradas “impróprias para a vida monástica”, se não quiserem incorrer em penalidades canônicas.
 
É esta - informa o site do jornal "La Stampa" - a disposição destinada a provocar mais clamor entre as 12 regras ratificadas pelo patriarca Tawadros II, para todos aqueles que vivem no estado monástica na Igreja copta.
 
A morte violenta do Abade fez com que o patriarca acelerasse uma profunda reflexão e mudança de direção em relação a isto na Igreja Copta Ortodoxa.
 
As novas disposições para os monges coptas foram formuladas pelo Comitê para os mosteiros e a vida monástica do Sínodo copta, convocado pelo Patriarca e com a participação de dezenove bispos e superiores de mosteiros.
 
As medidas visam preservar a vida monástica em seu tradicional estado de condição afastado do frenesi mundano, marcado por momentos de oração, trabalho e silêncio. É por isso que é pedido aos monges para se retirarem das redes sociais.
 
Após as disposições ratificadas pelo patriarca, também outros membros da hierarquia copta, como o bispo Raphael, anunciaram o fechamento de suas contas pessoais e blogs.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução / ANSA

  
Nesta sexta, dia 3 de agosto, uma comitiva brasileira foi recebida pelo Papa Francisco, para entregar documentos denunciando violações de Direitos Humanos no país. O grupo esteve integrado por Marinete Silva, mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano e que ainda aguarda justiça; a jurista Carol Proner, que levou ao Papa os livros A Resistência Internacional ao Golpe de 2016 e Comentários a uma Sentença Anunciada - o Processo Lula; Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro de Direitos Humanos e ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade; e a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia, pastora Cibele Kuss, representando o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), que entregou o documento Intolerância e Violência Religiosa no Brasil e a publicação Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora.
 
O documento Intolerância e Violência Religiosa no Brasil afirma que em um contexto de absoluta incerteza em relação aos rumos da democracia brasileira, o Brasil vive situações cada vez mais graves de violações de Direitos. “As perseguições à espiritualidade afro-brasileira e indígena, por meio da crescente destruição de Terreiros e de Casas de Reza, e o próprio assassinato de Marielle, são apenas alguns exemplos da violência que atravessa o país, em toda sua extensão, e isso precisa ser denunciado internacionalmente”, disse Cibele.
 
O fundamentalismo neo pentecostal e seu ultra-conservadorismo têm resultado em uma extrema violência cultural e simbólica, a partir do interesse em aumentar a “conversão” de mulheres e homens negros. “Templos da religião afro-brasileira são continuamente destruídos, lideranças religiosas são obrigadas a abandonarem suas casas, seus templos, e estão acontecendo assassinatos em ‘nome de Deus’”. 
 
O mesmo se passa em comunidades indígenas, como a dos Guarani Kaiowá, que, na tentativa de preservarem sua religião tradicional, têm sofrido varias formas de pressão, caracterizadas como intolerancia religiosa. “É uma política de genocidio”, afirmou Cibele. A submissão do Estado ao agronegócio mantém milhares de pessoas confinadas em reservas, nas quais a sobrevivencia física e cultural é insustentável. 
 
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT), juntamente com o CONIC e organizações parceiras, têm denunciado de forma contundente a situação. Uma das ações são as missões ecumênicas, realizadas desde 2015. A I Missão Ecumênica ocorreu no Mato Grosso do Sul, e desde então outros locais foram visitados, entre os quais Pau D´Arco, no Pará, e comunidades Kaingang e Guarani, no interior do Rio Grande do Sul. A participação é de representações de igrejas, organismos ecumênicos e inter-religiosos, organizações da sociedade civil e defensoras e defensores de direitos humanos.
 
Texto: Comunicação FLD
Foto: Reprodução

 
Uma nota divulgada este ano durante a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em abril, em Aparecida (SP) demonstrou a preocupação da entidade com a atual situação do país em vista especialmente do período eleitoral que se aproxima, momento que de acordo com o texto serve para “garantir o fortalecimento da democracia e o exercício da cidadania da população brasileira”. A nota foi o pano de fundo para um programa especial sobre as eleições 2018 que chega à tela das emissoras católicas de televisão nos próximos dias.
 
O programa especial “Igreja no Brasil” mostra como as eleições têm sentido particularmente importante e promissor. Constituem-se, na atual conjuntura, um passo importante para que o país reafirme a normalidade democrática, supere a crise vigente, garanta a independência e a autonomia dos três poderes constitutivos – Executivo, Legislativo e Judiciário. A produção, de autoria da assessoria de imprensa da CNBB, é baseada em relatos de bispos e padres que procuram em suas falas conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos quanto de eleitores para além de ideologias e interesses particulares.
 
Um dos entrevistados do programa é o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha. Ele exorta a população brasileira a abandonar os caminhos de intolerância, do desânimo e do desencanto com a política. “Quem quer contribuir para a construção de uma sociedade justa, fraterna, pacífica não pode recorrer à violência ou à agressividade nas suas posições ou nas suas manifestações políticas”, afirma. O presidente da CNBB também alerta para o cuidado com as Fake News, presentes já nesse período eleitoral. “O Cristão deve sempre buscar a verdade, não se deixar levar por notícias falsas, por informações que muitas vezes acabam até destruindo as pessoas”, comenta.
 
A produção reúne ainda relatos sobre um cenário desolador: a corrupção. Segundo o arcebispo de Salvador e vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger, o ato é um verdadeiro câncer social. “O que a gente nota é que com essa disseminação de notícias sobre a corrupção começou a nascer um descrédito do povo sobre a própria política, não só sobre os políticos, o que já é grave! E alguns grupos já começam até a pensar em um autoritarismo, num regime ditatorial, achando que com isso tudo será resolvido e a experiência e a história nos mostram que quanto maior é a força que um governo tem em pouco tempo, maior é a corrupção”, diz.
 
Com aproximadamente 20 minutos de duração, o especial “Eleições 2018: Compromisso e Esperança” também revela a atuação da Igreja no Brasil na formação política dos cristãos leigos e leigas. Um exemplo da ação social da Igreja neste sentido é o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara – Cefep, um serviço que busca fomentar um pensamento social cristão e a formar lideranças inseridas na política no Brasil em diferentes formas e níveis, como é o caso das Escolas de Fé e Política. “Nós entendemos que o Curso de Fé e Política tem esse compromisso de ajudar a fazer as pessoas a entenderem que as transformações se dão na medida em que nós participamos de maneira consciente”, afirma o bispo de Juína e presidente do regional Oeste 2 da CNBB, dom Neri José Tondello.
 
A mudança não pode partir somente de ações da Igreja ou de pequenas iniciativas isoladas. O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner diz que é preciso que os políticos tomem consciência e, mais importante ainda, é que cada cidadão e cidadã acompanhe a política de perto. “A política é o bem comum, é o cuidado do bem comum, então nós que exercemos a nossa função cidadã, nós queremos também agir politicamente, isto é, queremos agir na justiça. Mas, especialmente aos políticos que tem como vocação a política, nós desejamos que tenham esse cuidado para termos um Brasil muito melhor, mais equilibrado, mais fraterno, mais espelho do Reino de Deus”, disse.
 
O programa “Igreja no Brasil” é da CNBB, com roteiro, edição e produção da equipe de assessoria de imprensa da entidade. Vai ao ar a partir do dia 15 de agosto, nas principais emissoras católicas de televisão: Rede Vida, Aparecida, Canção Nova, Evangelizar, Horizonte, Imaculada Conceição,  Nazaré, Século 21.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
O papa Francisco adotou uma medida histórica nesta quinta-feira, 2, ao modificar o Catecismo da Igreja Católica - guia para os católicos em vários assuntos, como sexo e sacramento - para declarar "inadmissível" a pena de morte e incluir um compromisso de luta contra ela em todo o mundo.
 
"A Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se compromete com determinação por sua abolição em todo o mundo", afirmou o pontífice em uma audiência concedida ao secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Luis Ladaria Ferrer.
 
Com a medida, o pontífice modifica o artigo 2.267 do Catecismo, o livro que contém a explicação da doutrina da Igreja Católica. A modificação será explicada por meio de uma carta a todos os bispos, escrita pelo Ladaria.
 
O novo texto explica que "durante muito tempo o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois do devido processo, foi considerado uma resposta apropriada à gravidade de alguns delitos e um meio admissível, embora extremo, para tutela do bem comum". 
 
Mas o novo artigo do Catecismo afirma que "hoje está cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde nem sequer depois de ter cometido crimes muito graves". "Além disso, foram implementados sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a necessária defesa dos cidadãos, mas que, ao mesmo tempo, não tiram do réu a possibilidade de redimir-se definitivamente."
 
O papa já havia se posicionado outras vezes contra a pena de morte, que, segundo ele, jamais se justifica, por mais atroz que seja o crime cometido. A atenção aos presos sempre foi um pilar de sua vocação sacerdotal. Em quase todos as suas viagens visitou penitenciárias para oferecer palavras de solidariedade e esperança e ainda mantém contato com um grupo de presos na Argentina a quem auxiliava quando era arcebispo de Buenos Aires.
 
Francisco anunciou sua intenção de modificar a posição da Igreja sobre a pena de morte em outubro, quando a publicação do Catecismo completou 25 anos. O texto, promulgado por João Paulo II, é um guia para os católicos em vários assuntos, desde os sacramentos até o sexo.
 
Na cerimônia do ano passado, Francisco já havia dito que a pena de morte é contrária ao Evangelho e equivale a tirar voluntariamente uma vida humana, que "sempre é sagrada aos olhos do criador". Também reconheceu que, no passado, este "recurso extremo e desumano" era admitido até nos Estados Papais. Mas disse que a Santa Sé se equivocou ao admitir uma mentalidade "mais legalista que cristã" e que agora reconhecia seu erro.
 
O texto oficial entrará em vigor, como preveem as normas, após a publicação pelo diário oficial L'Osservatore Romano e na Ata Apostólica Sedis. 
 
Como é ao redor do mundo
 
Em seu relatório divulgado em abril deste ano, a Anistia Internacional destacou que 106 países já haviam abolido a pena de morte na lei para todos os delitos e 142 tinham acabado com ela nas legislações ou na prática.
 
Também apontou redução nas execuções para 993 em 23 países - o que representa queda de 4% em relação a 2016 e de 39% em comparação com 2015, ano em que foram registradas 1.634 execuções, o número mais alto já anotado desde 1989.
 
A organização também constatou menos condenações à morte, um total de 2.591 em 53 países, "queda considerável" diante das 3.117 sentenças de 2016. No ano passado, havia pelo menos 21.919 pessoas em todo o mundo condenadas à pena de morte.
 
Com informações da AFP e EFE
Foto: Maurizio Brambatti / EFE