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A Câmara dos Deputados concluiu na madrugada desta quarta-feira (30) a votação do pacote que reúne um conjunto de medidas de combate à corrupção com base nas 10 medidas apoiadas por setores do MP liderados pelo procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação Lava-Jato e que recentemente foi questionado em reportagem por ter comprado dois apartamentos do Minha Casa Minha Vida para especulação imobiliária.

Mas os deputados não aprovaram o texto como apresentado e incluíram punição a juízes e membros do Ministério Público que vierem a cometer crime de responsabilidade.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tinha apresentado essa sugestão em seu relatório, mas por conta das pressões que sofreu de membros do MP, em especial da Lava Jato, retirou-a do texto final que foi votado ontem.

Entre as condutas que passariam a ser crime estariam a atuação dos magistrados com motivação político-partidária e a apresentação pelo MP de ação de improbidade administrativa contra agente público “de maneira temerária”.

Alguns membros do MP e da PF, por exemplo, fizeram nas últimas eleições campanha explícita para o candidato Aécio Neves e depois assumiram uma posição de combate à candidata eleita, Dilma Rousseff.

Nesses casos, os promotores também estariam sujeitos a indenizar o denunciado por danos materiais e morais ou à imagem dos por eles atingidos.

Setores do MP, de novo liderados por Deltan Dallagnol e também por alguns veículos de rede e da imprensa tradicional, estão desde o início da manhã de hoje fazendo uma imensa campanha atacando o Congresso por conta desta votação.

A campanha tem o mote #AI5doCrimeOrganizado. Que é uma clara tentativa de transformar todos os deputados e senadores em bandidos. E busca garantir a partir disso a inimputabilidade do setor judiciário.

Outro ponto que está sendo muito atacado pelos setores da campanha #AI5doCrimeOrganizado era o que previa a responsabilização dos partidos políticos e a suspensão do registro da legenda por crime. Isso poderia fazer com que setores do judiciário cassassem legendas e criassem um ambiente autoritário no país.

Fonte: Revista Fórum
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Muitas vezes, durante o Encontro Ecumênico de Mulheres, me emocionei com as histórias de vida e luta de muitas mulheres, de diversas comunidades; uma cigana que disse simplesmente: “Meu lar é o céu”. As mulheres camponesas, especialmente uma senhora, que aos seus 62 anos concluiu o curso de pedagogia, compartilhou: “Consegui fazer graças um plano do Governo”. Vi mulheres dos Movimentos de Trabalhadores Sem Terra, do Movimento de Mulheres Refugiadas, cada história ia misturando-se com a minha.
 
Quando voltei pra casa e quis postar as fotos que são uma reflexão de momentos, sentimentos e vivências inesquecíveis, pensei num cântico: “Iguais, tenho irmãos, tenho irmãs aos milhões, em outras religiões. Pensamos diferente, louvamos diferente, oramos diferente, mas numa coisa nós somos iguais: buscamos o mesmo Deus, amamos o mesmo Pai, queremos o mesmo céu, choramos os mesmos ais”, pensei num texto bíblico do Salmo 173: 1 “Às margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos lembrando-nos de Sião...”
 
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Os testemunhos de mulheres refugiadas, o desprendimento de tudo o que deixaram para trás, tentando viver entre esses mundos, que pela minha experiência, é viver no Brasil, país que tem me acolhido como pátria amada, e sigo sentindo saudades da minha amada terra.
 
Tudo isto me leva, como clériga do Distrito Missionário, como mulher estrangeira, a assumir, ainda mais, meu compromisso de lutar pelos direitos das pessoas que sofrem não somente da violência doméstica, [mas também] as muitas famílias que hoje mesmo sofrem fome, são estigmatizadas por serem pobres, negras, indígenas e muitos dos casos de jovens que consomem substâncias entorpecentes. Pensei muito no caminho de volta, nas famílias que entram a cada instante nas fronteiras de Roraima, fugindo da situação econômica da Venezuela, sem mencionar todos os refugiados que entram no Brasil.
 
Muito grata à Província Anglicana no Brasil (IEAB), pela oportunidade que me ofereceu de participar desse evento, e saber que nem tudo está perdido, que as mulheres continuam a lutar... já que “um mundo melhor é possível”. Não podemos esquecer as muitas mulheres que, antes de nós, trilharam este caminho. Por isso estamos aqui hoje. Muito orgulhosa de ver os nomes de mulheres líderes, com as quais algumas delas conviveram, [e] me disponho a continuar a escrever esta história de mulheres e homens que buscam o bem, a dignidade a paz de todas e todos.
 
Revda. Maytée de la torre Díaz - Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)

Nós, juventudes ecumênicas reunidas no Encontro Nacional “Desafios e possibilidades no cuidado da casa comum” realizado pela Rede Ecumênica da Juventude/REJU e pela Pastoral Popular Luterana/PPL vinculada a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil/IECLB, entre os dias 12 a 16 de novembro de 2016, em Contagem/MG, acreditamos que a oikumene deve expressar os encontros e a convivência entre as diferenças sociais, culturais e religiosas a fim de superar todas as formas de intolerância. Partilhamos, assim, nosso desejo e nossa luta por justiça, igualdade e dignidade a todas as pessoas que habitam essa casa comum tendo em vista a atual conjuntura em nosso país marcada pelo recrudescimento das violações aos mais diversos direitos. Por conta disso, denunciamos:

▪ Os casos de desrespeito às pessoas pertencentes às diversas manifestações religiosas e ataques aos seus lugares de culto que acometem principalmente as religiões de matrizes africanas e indígenas;
 
▪ Grupos e setores cristãos que utilizam, de forma descontextualizada e sem diálogo com as diversidades humanas, valores religiosos e narrativas bíblicas para promover um fundamentalismo de cunho político que os permitem disputar e garantir seus lugares em espaços de poder em suas igrejas, na sociedade e nos legislativos e executivos;
 
▪ Às violências contra a pluralidade de identidades de gêneros e sexuais validadas por uma sociedade patriarcal, machista e misógina;
 
▪ O golpe jurídico-parlamentar cujas decorrentes propostas visam à implementação de políticas motivadas pela sobreposição do interesse na expansão do lucro sobre a dignidade humana e que ameaçam os direitos sociais, humanos, trabalhistas, previdenciários conquistados pela população brasileira com a Constituição de 1988;
 
▪ Às violações do direito à terra e ao território e à soberania alimentar e o genocídio dos povos indígenas, comunidades tradicionais e quilombolas, campesinos e povos das águas, dos campos e das florestas agenciadas pelos setores do agronegócio, grandes latifundiários e pelos grandes empreendimentos;
 
▪ À PEC 55/2016 que propõe o congelamento por 20 anos nos investimentos do governo federal em diversas áreas e políticas sociais – educação, saúde, benefícios sociais, congelamento do salário mínimo – que atingem diretamente as camadas mais pobres da população brasileira;
 
▪ À proposta de Reforma do Ensino Médio conduzida de forma verticalizada e não dialogada com os setores sociais interessados;
 
▪ O Projeto de Lei denominado Escola sem Partido que tramita no legislativo e propõe que as educações básicas e universitárias deixem de ser pautadas pelo contraditório, pelas divergências de ideias, pela pluralidade e diversidade cultural e, o mais grave, pela laicidade do Estado;
 
▪ A criminalização jurídica, política e midiática dos movimentos sociais e das ocupações nas escolas e nas universidades públicas que protestam de forma legítima e democrática contra as medidas propostas pelo governo Temer como a PEC 55/2016;
 
▪ A impunidade do Grupo Samarco (Vale/BHP), do Governo do Estado de Minas Geral e do Governo Federal responsáveis pelo crime ambiental que matou pessoas e destruiu ecossistemas por completo na região do Vale do Rio Doce, evento que completa um ano;
 
▪ O ataque sofrido pela Pastoral da Juventude da Diocese de Itabira/Coronel Fabriciano por grupos católicos que se opõem a perspectiva do diálogo inter-religioso, na ocasião do Dia Nacional da Juventude/DNJ, ocorrido na cidade de Timóteo/MG;
 
▪ Os diversos casos de abuso sexual e de estupro de jovens, crianças e mulheres que atestam a validade da cultura do estupro em nossa sociedade;
 
▪ A retomada de estereótipos sobre as mulheres e seus corpos para deslegitimar sua participação na política confinando-as novamente ao imaginário de belas, recatadas e do lar validando, assim, diversas formas de violência àquelas que ocupam espaços de decisão e de poder na sociedade; 
 
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Diante do nosso testemunho público e nossa prática ecumênica contra essas e tantas outras violências que comprometem uma casa comum de vida plena a todas as pessoas, estabelecemos para nossa agenda nacional no biênio 2017/2018 o “Estado laico e superação das intolerâncias” como questão articuladora dos eixos temáticos que pautarão nossas incidências políticas, a saber: Juventudes, Desenvolvimento e Justiça socioambiental; Juventudes, Sexualidades e Lutas feministas; Juventudes e Democratização da educação e Enfrentamento ao Racismo.
 
Assumimos assim, um lugar de resistência constante diante de formas homogêneas e fundamentalistas de entender e viver a espiritualidade no contexto atual. Esse lugar implica em disputas de sentidos e de práticas no campo político cotidiano. Também significa vivermos maneiras que evidenciem o amor e a justiça que são os imperativos que movem nossa fé plural e diversa e que alimentam nossa caminhada de luta.  Nessa caminhada conjunta nos reencantamos com novas utopias acreditando que as nossas espiritualidades dançantes transcendem os muros institucionais.

Contagem/MG, 23 de Novembro de 2016.
Rede Ecumênica da Juventude – REJU
Pastoral Popular Luterana –PPL

Apoio:
Fundo Ecumênico de Solidariedade, Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, Minas Gerais, SOS Corpo.
 
Parceria:
Zwei Arts, Fernanda Scherer Fotografia e Vídeo.

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No dia 18 de novembro, o Encontro começou com a mesa “Conjuntura sócio-política, econômica e religiosa de direitos e justiça para as mulheres”, a pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana e teóloga feminista Cibele Kuss (FLD) apresentou uma análise da conjuntura política atual apontando para o quadro de retrocessos no plano dos direitos já conquistados e, em especial, as consequências da misoginia sofrida pela presidenta eleita Dilma Rousseff, durante todo o processo de seu impedimento, para a vida das mulheres brasileiras. Uma das consequências visíveis desse processo são é a deslegitimação da participação das mulheres na política e em outros espaços de poder e representação. Em seguida, Maria Matilde Alvarez Valdes (migrante colombiana da Pastoral da Mobilidade Humana relatou sobre a situação das mulheres refugiadas no Brasil. Ela relatou experiências de xenofobia vividas por ela e sua família. Um exemplo foi a dificuldade de seu filho ser acolhido na escola pública. Seu filho não sabia a língua portuguesa, por isso, não era aceito nas escolas públicas. A orientação era que ela deveria pagar uma pessoa para ensinar português ao seu filho para então matriculá-lo. No entanto, Matilde e sua família não tinham dinheiro para isso. Foi um processo difícil até ela conseguir matricular seu filho. No entanto, Matilde também destacou a solidariedade que recebeu de pessoas brasileiras, que a ajudaram tanto a matricular seu filho na escola quanto na inserção na sociedade brasileira. Apesar de tudo, diz ser muito grata ao Brasil que a acolheu.

Na segunda mesa da manhã, “Bíblia- direitos e justiça para as mulheres, a teóloga anglicana Bianca Daebs provoca a reflexão sobre a temática a partir da hermenêutica feminista da narrativa bíblica sobre Dalila e Sansão. Deste modo, Bianca nos instigou a pensar sobre como a teologia patriarcal não dialoga com as mulheres e promove, não apenas, a exclusão das mulheres nas histórias bíblicas, mas realizam exegeses marcadas por preconceitos de gênero e descontextualizadas historicamente. Após cada palestra, as participantes agrupadas em mesas de conversa. As mesas forma nomeadas com o nome de mulheres que lutaram pelos direitos das mulheres e cujas histórias de caracterizam por usa atuação no movimento ecumênico. Nas mesas de conversa, as participantes não apenas refletiram, mas também propuseram ações e incidências políticas efetivas em favor das mulheres. Na parte da tarde, as participantes saíram em grupo para contar umas às outras sobre o que fizeram ou não pelo caminho, depois transformaram em arte suas caminhadas pelo movimento ecumênico. Houve um momento específico em que cada uma pode falar de sua obra de arte produzida. Na oração da noite, coordenada pela estudante de teologia Sabrina Senger e pela Pastora Paula Naegle fomos inspiradas a pensar nos diferentes sabores que experimentamos durante a nossa caminhada ecumênica.

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No dia 19 de novembro, o Encontro contou com a mesa “História das mulheres” Claudete Ulrich (teóloga e professora da Faculdade Unida-Vitória) e a antropóloga Tatiane Duarte (UnB) que pesquisa a presença e protagonismo das mulheres no movimento ecumênico, resgatando a história das organizações ecumênicas, os cursos de teologias feministas nas faculdades de teologia e os encontros ecumênicos promovidos pela Década ecumênica de solidariedade das igrejas com as mulheres (1988-1998) implementada pelas igrejas-membro do CMI no Brasil e da Nova Década– Ação Ecumênica de Mulheres (1999-2008). No levantamento histórico, chamam a atenção e as ausências das mulheres na historiografia e na história ecumênica. Apesar das mulheres terem sido importantes protagonistas desse movimento, suas histórias não estão registradas. Há urgência em conhecer e dar visibilidade a estas histórias. Para tanto, é necessária uma análise crítica do próprio ecumenismo, que registra a história de lideranças masculinas e ignora a história das lideranças mulheres. A partir dessa constatação, importa pensar novas formas de atuação ecumênica que promova de fato justiça e igualdade para as mulheres.

Em seguida, a teóloga e Reverenda da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil Sônia Gomes Mota (CESE) provocou o debate, a partir da reflexão da mesa anterior, sobre o que fizemos e o que não fizemos pelo caminho. Para isso, as mulheres se reuniram mais uma vez à mesa para destacar os avanços e os retrocessos em suas comunidades religiosas no que diz respeito aos direitos e a justiça e igualdade de gênero. Como avanço foram destacados a ordenação de mulheres, criação, em algumas igrejas, de Coordenação de Gênero, curso em comunidade sobre violência de gênero. Como retrocesso, chamam a atenção o aumento do clericalismo, o fortalecimento da utilização de textos bíblicos para justificar a submissão e silenciamento das mulheres, entre outros.

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Na parte da tarde, na mesa “Desafios para o movimento ecumênico de mulheres – direitos e justiça”, a Reverenda Glória Ulloa, Presidente do Conselho Mundial de Igrejas/CMI para América Latina) apresentou o histórico do CMI na temática sobre direitos das mulheres nas igrejas e na sociedade. Glória fez ainda considerações sobre as mesas temáticas do evento e nos instigou a pensar sobre as ações futuras do movimento ecumênico de mulheres para superar as injustiças e desigualdades de gênero em suas comunidades religiosas. Reunidas e conversando à mesa, instigadas a pensar sobre “O que é que faremos pelo caminho?”, os grupos de mulheres refletiram e propuseram ações neste sentido.

O encontro terminou no domingo, 20 de novembro, com a aprovação do documento final do Encontro, a ser divulgado nos próximos dias, e com uma celebração, presidida pela Reverenda Sônia Mota e Pastora Claudete Beise Ulrich, que destacaram o dia Da Consciência Negra com destaque para o protagonismo de mulheres negras na luta por justiça. Ao final, cada participante recebeu uma Aboyomi, pequenas bonecas feitas em tecido por mulheres negras transportadas nos navios negreiros. Essas bonecas serviam de acalanto para os filhos dessas mulheres. As mães africanas rasgavam retalhos de suas vestes e a partir delas criavam pequenas bonecas feitas de trança ou nós, que serviam como amuleto de proteção. Essas bonecas são símbolo de resistência. Abayomi significa “Encontro Precioso” em Iorubá.

Grupo no Facebook

Foi criado um grupo, no Facebook, para aprofundar os debates do encontro: clique aqui e acesse.

Texto: Tatiane Duarte
Revisão: Romi Bencke
Fotos: Tatiane Duarte

Durante um encontro dos diretores das revistas culturais europeias da Companhia de Jesus, em meados de junho, eu expressei ao Pe. Antonio Spadaro, diretor da La Civiltà Cattolica, um desejo que tinha no meu coração há muito tempo: entrevistar o Papa Francisco às vésperas da sua viagem apostólica à Suécia, no dia 31 de outubro de 2016, para participar da comemoração ecumênica dos 500 anos da Reforma Luterana.

O comentário é do jesuíta sueco Ulf Jonsson, no texto de introdução da entrevista publicada na revista La Civiltà Cattolica, 28-10-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Francisco Blog
Eu pensava que uma entrevista era a melhor forma de preparar o país para a mensagem que o pontífice dirigiria às pessoas durante a sua visita. Como diretor da revista cultural dos jesuítas suecos, Signum, pensei que esse objetivo entrava plenamente na nossa missão.

O ecumenismo – assim como o diálogo entre as religiões e também com os não crentes – é muito apreciado pelo papa. Ele fez com que se compreendesse isso de muitos modos. Mas, acima de tudo, ele mesmo é um homem de reconciliação. Francisco está profundamente convencido de que as pessoas devem superar barreiras e cercas, sejam elas de qualquer tipo. Ele acredita naquela que define como a "cultura do encontro". E isso porque todos podem cooperar para o bem comum da humanidade. [...] Eu disse isso ao Pe. Spadaro, com o qual eu continuei a reflexão até agosto, quando, juntos, chegamos à conclusão de que era realmente oportuno apresentar ao pontífice esse pedido, de modo que ele pudesse decidir se gostaria de realizá-la ou não. O papa tomou algum tempo para refletir sobre a sua oportunidade. No fim, a resposta foi positiva, e ele marcou um compromisso conosco em Santa Marta, no sábado, 24 de setembro, no fim da tarde.

Era um dia realmente agradável pela temperatura e pela luminosidade do céu. Atravessando o tráfego de Roma no carro com o Pe. Spadaro, eu me sentia ansioso, mas contente. Chegamos em Santa Marta 15 minutos antes do previsto. Pensávamos em esperar, mas, em vez disso, logo fomos convidados para subir até o andar onde o papa tem o seu quarto. Quando o elevador abriu, vi um guarda suíço que nos cumprimentou com cortesia. Eu ouvia a voz do papa falando cordialmente com outras pessoas em língua espanhola, mas não o via. Em certo ponto, ele apareceu com duas pessoas, dialogando amavelmente. Ele cumprimentou a mim e ao Pe. Spadaro com um sorriso, indicando-nos para entrar no seu quarto: ele chegaria em breve.

Fiquei impressionado com essa simples e calorosa familiaridade na acolhida. Foi-nos dito na portaria que o papa tinha tido um dia sem descanso, e, portanto, eu pensava que ele estava cansado no fim dia. Mas, em vez disso, fiquei muito impressionado ao vê-lo tão cheio de energia e relaxado.

O papa entrou no seu quarto e nos convidou para nos sentarmos onde preferíssemos. Eu me sentei em uma poltrona, e, assim, o Pe. Spadaro se sentou na minha frente. O papa se sentou no sofá no meio das duas poltronas. Eu quis me apresentar no meu italiano não rico, mas suficiente para entender e para dialogar com simplicidade. Depois de algumas piadas do papa, ligamos os gravadores e começamos a conversa. O Pe. Spadaro tinha traduzido do inglês algumas perguntas que eu queria fazer ao papa e que, portanto, eu tinha preparado, mas, depois, a conversa entre nós três fluiu naturalmente, em um clima amigável e sem distâncias artificiais.

Sobretudo, foi franca e direta, sem rodeios e sem aquela atmosfera típica dos encontros com grandes líderes ou pessoas de referência. Eu não tenho mais nenhuma dúvida de que o Papa Francisco ama a conversa, comunicar-se com os outros. Às vezes, ele toma tempo para refletir antes de responder, e as suas respostas sempre transmitem um senso de envolvimento sério, mas não pesado ou triste. Ou, melhor, durante a nossa visita, ele deu sinais do seu humor várias vezes.

Eis a entrevista.

Na Argentina, os luteranos compõem uma comunidade bastante restrita. O senhor teve a oportunidade de ter contatos diretos com eles no passado?

Sim, bastante. Recordo a primeira vez que fui a uma igreja luterana: foi justamente na sua sede principal na Argentina, na calle Esmeralda, em Buenos Aires. Eu tinha 17 anos. Lembro-me bem daquele dia. Um companheiro meu de trabalho, Axel Bachmann, se casava. Ele era o tio da teóloga luterana Mercedes García Bachmann. E também a mãe de Mercedes, Ingrid, trabalhava no laboratório onde eu trabalhava. Essa era a primeira vez que eu assistia a uma celebração luterana. A segunda vez foi uma experiência mais forte. Nós, jesuítas, temos a Faculdade de Teologia em San Miguel, onde eu lecionava. Ali perto, a menos de 10 quilômetros de distância, havia a Faculdade de Teologia Luterana. O reitor era um húngaro, Leskó Béla, realmente um grande homem. Com ele, eu tinha relações muito cordiais. Eu era professor e tinha a cátedra de Teologia Espiritual. Eu convidei o professor de Teologia Espiritual daquela faculdade, um sueco, Anders Ruuth, para dar, junto comigo, aulas de espiritualidade. Eu me lembro que aquele era um momento realmente difícil para a minha alma. Eu tive muita confiança nele e lhe abri o meu coração. Ele me ajudou muito naquele momento.

Depois, ele foi enviado para o Brasil – ele conhecia bem o português também – e, depois, voltou para a Suécia. Lá, publicou a sua tese de habilitação sobre a "Igreja Universal do Reino de Deus", que tinha surgido no Brasil no fim dos anos 1970. Era uma tese crítica. Ele a havia escrito em sueco, mas tinha um capítulo em inglês. Ele me enviou-a, e eu li aquele capítulo em inglês: era uma joia. Depois, o tempo passou... Enquanto isso, eu me tornei bispo auxiliar de Buenos Aires. Um dia, veio me visitar no episcopado o então arcebispo primaz de Uppsala. O cardeal Quarracino não estava. Ele me convidou para o culto deles na calle Azopardo, na Iglesia Nórdica de Buenos Aires, que antes era chamada de "Igreja Sueca". Com ele, falei de Anders Ruuth, que, depois, voltou mais uma vez para a Argentina, para celebrar um casamento. Naquela ocasião, vimo-nos novamente, mas foi a última: um dos seus dois filhos, o musicista – o outro era médico –, um dia, me telefonou para me dizer que ele tinha morrido.

Outro capítulo das minhas relações com os luteranos diz respeito à Igreja da Dinamarca. Eu tinha uma bela relação com o pastor da época, Albert Andersen, que agora está nos Estados Unidos. Ele me convidou duas vezes para fazer uma pregação. A primeira era em um contexto litúrgico. Naquela ocasião, ele foi muito delicado: para evitar que se criassem constrangimentos acerca da participação na comunhão, naquele dia, ele não celebrou o culto, mas um batismo. Posteriormente, ele me convidou para proferir uma conferência aos seus jovens. Eu me lembro que, com ele, eu tive uma discussão muito forte à distância, quando ele já estava nos Estados Unidos. O pastor me repreendeu tanto por causa daquilo que eu tinha dito sobre uma lei que dizia respeito a problemas religiosos na Argentina. Mas eu devo dizer que ele me repreendeu com honestidade e sinceridade, como um verdadeiro amigo. Quando ele voltou para Buenos Aires, eu fui lhe pedir desculpas, porque, com efeito, o modo como eu tinha me expressado naquele caso tinha sido um pouco ofensivo.

Depois, eu também tive uma grande proximidade com o pastor David Calvo, argentino, da Iglesia Evangélica Luterana Unida. Ele também era uma boa pessoa. Lembro-me também que, para o "Dia da Bíblia", que se celebrava em Buenos Aires no fim de setembro, voltei à primeira igreja na qual eu tinha estado quando jovem, na calle Esmeralda. E lá eu me encontrei com Mercedes García Bachmann. Tivemos uma conversa. Esse foi o último encontro institucional que eu tive com os luteranos quando eu era arcebispo de Buenos Aires.

Depois, entretanto, eu continuei tendo relações com amigos luteranos individuais em nível pessoal. Mas o homem que fez muito bem para a minha vida foi Anders Ruuth: eu penso nele com muito afeto e reconhecimento. Quando a arcebispa primaz da Igreja da Suécia veio me encontrar aqui, fizemos uma referência àquela amizade entre nós dois. Lembro-me bem quando o arcebispa Antje Jackelén veio aqui no Vaticano, em maio de 2015, em visita oficial: ela fez um grande e belo discurso. Eu a encontrei posteriormente também por ocasião da canonização de Maria Elizabeth Hesselblad. Então, eu pude cumprimentar também o marido: são pessoas realmente amáveis. Depois, como papa, fui pregar na Igreja Luterana de Roma. Fiquei muito impressionado com as perguntas que me foram feitas então: a do menino e a de uma senhora sobre a intercomunhão. Perguntas belas e profundas. E o pastor daquela igreja é realmente bom!

Nos diálogos ecumênicos, as diferentes comunidades deveriam tentar se enriquecer reciprocamente com o melhor das suas tradições. O que a Igreja Católica poderia aprender com a tradição luterana?

Vêm à minha mente duas palavras: "reforma" e "Escritura". Tento me explicar. A primeira é a palavra "reforma". No início, o gesto de Lutero foi um gesto de reforma em um momento difícil para a Igreja. Lutero queria remediar uma situação complexa. Depois, esse gesto – também por causa de situações políticas, pensemos também no cuius regio eius religio – tornou-se um "estado" de separação, e não um "processo" de reforma de toda a Igreja, que, ao contrário, é fundamental, porque a Igreja é semper reformanda. A segunda palavra é "Escritura", a Palavra de Deus. Lutero deu um grande passo para colocar a Palavra de Deus nas mãos do povo. Reforma e Escritura são as duas coisas fundamentais que podemos aprofundar olhando para a tradição luterana. Agora, vêm à minha mente as Congregações Gerais antes do conclave e como o pedido de uma reforma foi vivo e esteve presente nas nossas discussões.

Apenas uma única vez antes do senhor um papa visitou a Suécia, João Paulo II, em 1989. Aquele era um tempo de entusiasmo ecumênico e de profundo desejo de unidade entre católicos e luteranos. Desde então, o movimento ecumênico parece ter perdido vigor, e novos obstáculos surgiram. Como deveriam ser geridos esses obstáculos? Quais são, na sua opinião, os melhores meios para promover a unidade dos cristãos?

Claramente, cabe aos teólogos continuar dialogando e estudando os problemas: sobre isso, não há dúvida alguma. O diálogo teológico deve continuar, porque é um caminho a se percorrer. Penso nos resultados que, sobre essa estrada, foram alcançados com o grande documento ecumênico sobre a justificação: foi um grande passo à frente. É claro, depois desse passo, imagino que não será fácil seguir em frente por causa das diversas capacidades de compreender algumas questões teológicas. Eu perguntei ao Patriarca Bartolomeu se era verdade o que se conta do Patriarca Atenágoras, isto é, que ele teria dito a Paulo VI: "Sigamos em frente nós e coloquemos os teólogos para discutir entre si em uma ilha". Ele me disse que é uma piada verdadeira. Mas, sim, deve-se continuar o diálogo teológico, embora não será fácil.

Pessoalmente, também acho que se deve deslocar o entusiasmo para a oração comum e para as obras de misericórdia, isto é, o trabalho feito juntos na ajuda dos doentes, dos pobres, dos encarcerados. Fazer algo juntos é uma forma alta e eficaz de diálogo. Eu também penso na educação. É importante trabalhar juntos e não sectariamente. Deveríamos ter um critério muito claro em todos os casos: fazer proselitismo no campo eclesial é pecado. Bento XVI nos disse que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração. O proselitismo é uma atitude pecaminosa. Seria como transformar a Igreja em uma organização.

Falar, rezar, trabalhar juntos: esse é o caminho que devemos fazer. Veja, na unidade, aquele que nunca erra é o inimigo, o demônio. Quando os cristãos são perseguidos e mortos, é porque são cristãos e não porque são luteranos, calvinistas, anglicanos, católicos ou ortodoxos. Existe um ecumenismo do sangue.

Lembro-me de um episódio que eu vivi com o pároco da paróquia de Sankt Joseph, em Wandsbek, Hamburgo. Ele levava adiante a causa dos mártires guilhotinados por Hitler, porque ensinavam o catecismo. Foram guilhotinados um atrás do outro. Depois dos dois primeiros, que eram católicos, foi morto um pastor luterano condenado pelo mesmo motivo. O sangue dos três se misturou. O pároco me disse que, para ele, era impossível continuar a causa de beatificação dos dois católicos sem inserir o luterano; o seu sangue tinha se misturado! Mas me lembro também da homilia de Paulo VI em Uganda, em 1964, que mencionava juntos, unidos, os mártires católicos e anglicanos. Eu tive esse pensamento quando também visitei a terra de Uganda. Isso também acontece nos nossos dias: os ortodoxos, os mártires coptas mortos na Líbia... É o ecumenismo do sangue. Portanto: rezar juntos, trabalhar juntos e compreender o ecumenismo do sangue.

Uma das maiores causas de inquietação do nosso tempo é a difusão do terrorismo revestido de termos religiosos. O encontro de Assis enfatizou também a importância do diálogo inter-religioso. Como o senhor o viveu?

Havia todas as religiões que têm contato com [a Comunidade de] Santo Egídio. Eu me encontrei com aqueles que a Santo Egídio contatou: não fui eu que escolhi quem encontrar. Mas estavam em tantos, e o encontro foi muito respeitoso e sem sincretismo. Todos juntos falamos da paz e pedimos a paz. Dissemos juntos palavras fortes pela paz, que as religiões realmente querem. Não se pode fazer a guerra em nome da religião, de Deus: é uma blasfêmia, é satânico. Hoje eu recebi cerca de 400 pessoas que estavam em Nice e cumprimentei as vítimas, os feridos, pessoas que perderam esposas ou maridos ou filhos. Aquele louco que cometeu aquele massacre fez isso crendo que o fazia em nome de Deus. Pobre homem, era um desequilibrado! Com caridade, podemos dizer que era um desequilibrado que tentou usar uma justificativa no nome de Deus. Por isso, o encontro de Assis é muito importante.

Mas o senhor recentemente falou também de outra forma de terrorismo, o das fofocas. Em que sentido e como é possível vencê-lo?

Sim, existe um terrorismo interno e subterrâneo que é um vício difícil de extirpar. Eu descrevo o vício das murmurações e das fofocas como uma forma de terrorismo: é uma forma de violência profunda que todos temos à disposição na alma e que requer uma conversão profunda. O problema desse terrorismo é que todos podemos colocá-lo em ação. Toda pessoa é capaz de se tornar terrorista mesmo que simplesmente usando a língua. Eu não estou falando das disputas que se fazem abertamente, como as guerras. Estou falando de um terrorismo furtivo, escondido, que é feito jogando palavras como "bombas" e que faz muito mal. A raiz desse terrorismo está no pecado original, e é uma forma de criminalidade. É um modo de ganhar espaço para si, destruindo o outro. É necessária, portanto, uma profunda conversão do coração para vencer essa tentação, e é preciso se examinar muito sobre esse ponto. A espada mata muitas pessoas, mas a língua mata mais, diz o apóstolo Tiago no terceiro capítulo da sua carta. A língua é um membro pequeno, mas pode desenvolver um fogo de maldade e incendiar toda a nossa vida. A língua pode se encher de veneno mortal. Esse terrorismo é difícil de domar.

A religião pode ser uma bênção, mas também uma maldição. Os meios de comunicação muitas vezes reportam notícias de conflitos entre grupos religiosos no mundo. Alguns afirmam que o mundo seria mais pacífico se a religião não existisse. O que o senhor responde a essa crítica?

As idolatrias é que estão na base de uma religião, não a religião! Há idolatrias ligadas à religião: a idolatria do dinheiro, das inimizades, do espaço superior ao tempo, da cobiça da territorialidade do espaço. Há uma idolatria da conquista do espaço, do domínio, que ataca as religiões como um vírus maligno. E a idolatria é um fingimento de religião, é uma religiosidade equivocada. Eu a chamo de "uma transcendência imanente" isto é, uma contradição. Ao contrário, as religiões verdadeiras são o desenvolvimento da capacidade que o ser humano tem de transcender ao absoluto. O fenômeno religioso é transcendente e tem a ver com a verdade, a beleza, a bondade e a unidade. Se não há essa abertura, não há transcendência, não há verdadeira religião, há idolatria. A abertura à transcendência, portanto, não pode, absolutamente, ser causa de terrorismo, porque essa abertura está sempre unida à busca da verdade, da beleza, da bondade e da unidade.

O senhor falou muitas vezes em termos muito claros sobre a terrível situação dos cristãos em algumas áreas do Oriente Médio. Ainda há esperança para um desenvolvimento mais pacífico e humano para os cristãos naquela área?

Eu acredito que o Senhor não deixará o Seu povo entregue a si mesmo, não o abandonará. Quando lemos as duras provações do povo de Israel na Bíblia, ou fazemos memória das provações dos mártires, constatamos como o Senhor sempre veio em auxílio do Seu povo. Recordemos no Antigo Testamento a morte dos sete filhos com a sua mãe no livro dos Macabeus. Ou o martírio de Eleazar. Certamente, o martírio é uma das formas da vida cristã. Recordemos São Policarpo e a carta à Igreja de Esmirna, que nos dá o relato das circunstâncias da sua prisão e da sua morte. Sim, neste momento, o Oriente Médio é uma terra de mártires. Podemos, sem dúvida, falar de uma Síria mártir e martirizada. Quero citar uma recordação pessoal que ficou gravada no meu coração: em Lesbos, eu me encontrei com um pai com dois filhos. Ele me disse que era muito apaixonado pela sua esposa. Ele é muçulmano, e ela era cristã. Quando os terroristas vieram, quiseram que ela tirasse a cruz, mas ela não quis, e eles a degolaram na frente do seu marido e dos seus filhos. E ele continuava me dizendo: "Eu a amo tanto, eu a amo tanto". Sim, ela é uma mártir. Mas o cristão sabe que há esperança. O sangue dos mártires é semente de cristãos: sabemos isso desde sempre.

O senhor é o primeiro papa não europeu há mais de 1.200 anos, e muitas vezes ressaltou a vida da Igreja em regiões consideradas "periféricas" do mundo. Onde, na sua opinião, a Igreja Católica terá as suas comunidades mais vidas nos próximos 20 anos? E de que modo as Igrejas da Europa poderão contribuir com o catolicismo do futuro?

Essa é uma pergunta ligada ao espaço, à geografia. Eu tenho alergia de falar de espaços, mas sempre digo que, a partir das periferias, veem-se as coisas melhor do que a partir do centro. A vivacidade das comunidades eclesiais não depende do espaço, da geografia, mas do espírito. É verdade que as Igrejas jovens têm um espírito com mais frescor e, por outro lado, existem Igrejas envelhecidas, Igrejas um pouco adormecidas, que parecem estar interessadas apenas em conservar o seu espaço. Nesses casos, eu não digo que falta o espírito: ele existe, sim, mas está fechado em uma estrutura, de um modo rígido, temeroso de perder espaço. Nas Igrejas de alguns países, vê-se justamente que falta frescor. Nesse sentido, o frescor das periferias dá mais espaço ao espírito. É preciso evitar os efeitos de um mau envelhecimento das Igrejas.
É bom reler o capítulo terceiro do profeta Joel, onde ele diz que os anciãos terão sonhos e que os jovens terão visões. Nos sonhos dos idosos, há a possibilidade de que os nossos jovens tenham novas visões, tenham novamente um futuro. Em vez disso, as Igrejas, às vezes, estão fechadas nos programas, nas programações. Eu admito: eu sei que eles são necessários, mas eu custo muito para colocar muita esperança nos organogramas. O espírito está pronto para nos empurrar, para ir em frente. E o espírito se encontra na capacidade de sonhar e na capacidade de profetizar. Esse, para mim, é um desafio para toda a Igreja. E a união entre idosos e jovens é, para mim, o desafio do momento para a Igreja, o desafio para a sua capacidade de frescor. Por isso, em Cracóvia, durante a Jornada Mundial da Juventude, eu recomendei que os jovens falassem com os avós. A Igreja jovem rejuvenesce mais quando os jovens falam com os idosos e quando os idosos sabem sonhar coisas grandes, porque isso faz com que os jovens profetizem. Se os jovens não profetizam, falta o ar da Igreja.

O senhor é um jesuíta. Desde 1879, os jesuítas desempenharam as suas atividades na Suécia com paróquias, exercícios espirituais, a revista Signum e, nos últimos 15 anos, graças ao Instituto Universitário Newman. Que compromissos e que valores deveriam caracterizar o apostolado dos jesuítas hoje neste país?

Eu acredito que a primeira tarefa dos jesuítas na Suécia é favorecer de todos os modos o diálogo com aqueles que vivem na sociedade secularizada e com os não crentes: falar, compartilhar, compreender, estar ao lado. Depois, claramente, é preciso favorecer o diálogo ecumênico. O modelo para os jesuítas suecos deve ser São Pedro Fabro, que sempre estava a caminho e que era guiado por um espírito bom, aberto. Os jesuítas não têm uma estrutura quieta. É preciso ter o coração inquieto e ter estruturas, sim, mas inquietas.

Quem é Jesus para Jorge Mario Bergoglio?

Jesus para mim é aquele que me olhou com misericórdia e me salvou. A minha relação com Ele sempre tem esse princípio e fundamento. Jesus deu sentido à minha vida aqui na terra e esperança para a vida futura. Com a misericórdia, Ele me olhou, me pegou, me colocou na estrada... E me deu uma graça importante: a graça da vergonha. A minha vida espiritual está toda escrita no capítulo 16 de Ezequiel. Especialmente nos versículos finais, quando o Senhor revela que estabeleceria a sua aliança com Israel dizendo-lhe: "Tu saberás que eu sou o Senhor, para que te recordes e te envergonhes e, na tua confusão, tu não abras mais a boca, quando eu tiver te perdoado por aquilo que fizeste". A vergonha é positiva: faz você agir, mas faz você entender qual é o seu lugar, quem você é, impedindo toda soberba e vaidade.

* * *

O papa, o Pe. Spadaro e eu passamos juntos em conversa por cerca de uma hora e meia. No fim, Francisco nos acompanhou ao elevador. Ele nos recomendou para rezar por ele. As portas se fecharam enquanto ele nos saudava com a mão e com um sorriso radiante que nunca vou esquecer.

Lá fora, já estava escuro. A cúpula de São Pedro, iluminada, revelava o seu esplendor enquanto entrávamos no carro para voltar a tempo para a janta na comunidade da Civiltà Cattolica.


Fonte: IHU Unisinos
Foto: Reprodução padrepauloricardo.org/blog

O ex-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), dom Manoel João Francisco, atual bispo de Cornélio Procópio (PR), escreveu, neste fim de semana, uma nota em que se posiciona acerca da PEC 55 (PEC 241). No texto, divulgado pelo site da Diocese local, ele afirma que, caso a PEC seja aprovada, “as consequências para o povo pobre [...] vão ser desastrosas”.

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“Na prática assistiremos a privatização da saúde, e o aumento das doenças. As mortes nas filas dos postos de saúde se tornarão rotina. Os pedágios das rodovias vão se multiplicar. A educação vai ser privilégio de poucos”, afirma um dos trechos do documento. A seguir, leia a carta na íntegra:


Caros Irmãos e Irmãs em Cristo Jesus!

Está para ser aprovada no Senado Federal a PEC 55, Proposta de Emenda à Constituição. Trata-se da popular PEC 241, sobre o “Teto dos Gastos Públicos”. Ela já foi aprovada na Câmara dos Deputados.

As consequências para o povo pobre como nós vão ser desastrosas. Prevê “a transferência de recursos públicos das áreas sociais para o pagamento de juros e para a redução da dívida pública”.

Isto significa cortes drásticos na saúde, na educação, na habitação, nos transportes, etc. Na prática assistiremos a privatização da saúde, e o aumento das doenças. As mortes nas filas dos postos de saúde se tornarão rotina. Os pedágios das rodovias vão se multiplicar. A educação vai ser privilégio de poucos.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou uma nota, chamando nossa atenção para as injustiças que esta Emenda à Constituição vai significar. Procurem lê-la e meditá-la.

É preciso que nós, pessoas que acreditam que Jesus Cristo veio a este mundo para que todos tenham vida e vida plena (Jo 10,10), manifestemos nosso repúdio e indignação contra esta medida anti-vida e causadora de morte do nosso povo. Hoje, através das redes sociais tornou-se mais fácil manifestar nossa opinião.

Vamos encher os computadores e os celulares dos Senadores dizendo que, eles como nossos representantes devem defender os interesses dos trabalhadores e dos pobres e, não dos que não tem necessidade.

Nossa Senhora interceda por nós e alcance de seu divino Filho dias melhores para o nosso povo.

Dom Manoel João Francisco
Bispo Diocesano

Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo
(...) e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores.
Conheço-lhes o sofrimento (Êxodo 7.7)
 
Vivemos dias de muita expectativa e temor em nosso país. Para onde estamos indo? Nosso atual cenário político é tal que não sabemos o que poderá nos surpreender daqui a algumas horas. Afinal, nós temos um projeto de país? Ele é para todos? Para onde nos levará a atual lógica que nega o direito do outro? Que polariza? Que incita ao confronto? Que potencializa a violência? Que criminaliza quem ousa contestar? Que não apresenta propostas para superar o abismo entre quem tem muito e quem é privado das necessidades mais elementares, como emprego, educação e saúde? O quadro atual preocupa, gera perguntas, dúvidas, sim, muitas dúvidas. Também nós as temos na Igreja. Esta carta abarca alguns aspectos do que vivemos no Brasil hoje. É um convite para reflexão e diálogo, contribuição para a construção de visão própria, de forma livre, consciente, respeitosa e propositiva.
 
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A nossa preocupação com os rumos do Brasil não se limita à situação contingente. Na carta pastoral intitulada Do confronto ao diálogo, em março passado, escrevemos:
 
¨Acreditamos que o convite feito às Comunidades da IECLB pode ser um convite também para o povo brasileiro em geral, diante do que se passa em nosso país hoje, cujos desdobramentos são imprevisíveis e perigosos. (...) Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo? (...) A democracia, a política, a cidadania, a palavra como meio – é o que dispomos para, como gente cidadã, buscar o bem e não o mal. Afinal, a democracia não está à venda! É nossa convicção de que somos livres, por graça divina, para cuidar bem desse bem!¨
 
Também na mensagem pastoral dirigida às Comunidades por ocasião do Dia da Reforma deste ano (31 de outubro) voltamos nosso olhar novamente para a sociedade brasileira:
 
¨Como podemos cuidar na nossa sociedade? Navegando pelas Redes Sociais, constato que diálogo e mediação são experiências raras. Vivemos momentos de muito confronto. Vivemos tempos de extrema polarização religiosa e política. Crescem assustadoramente os gestos de intolerância, agressividade e violência. As diferentes manifestações de rua e as Redes Sociais o atestam. Nesse contexto, como evitar o confronto pelo simples confronto? Quem ganha ou lucra em uma sociedade polarizada?¨
 
Nessas cartas, temos insistido que, hoje, dialogar é resistir à lógica do confronto. Por quê? Porque a democracia no Brasil é frágil, e ela está ferida. Historicamente, tivemos uma sistemática fragilização das instituições sob as quais a democracia se sustenta e é promovida, enquanto sistema de Governo. E hoje não é diferente, mas com o agravante de lesar a democracia como forma de cidadania. Exemplos desse processo de fragilização são o confronto acirrado em torno da PEC 241, a já prevista reforma da Previdência e a pergunta pela legitimidade de quem está propondo as reformas.
 
Considerando os impactos da referida PEC, não é assim que setores representativos da sociedade brasileira deveriam ser envolvidos numa análise e numa profunda discussão, com vistas à moralização e à justiça diante da aplicação dos recursos públicos, em todos os níveis? Afinal, sendo a PEC necessária e justa ou maléfica e inoportuna, ela mudará a cultura já petrificada do desvio dos recursos públicos, da malversação do dinheiro dos nossos impostos, dos desvios que a Lava-Jato desvelou? Ela dará acesso a uma educação que emancipa e eliminará as filas humilhantes nos nossos hospitais?
 
E a Previdência, com ou sem reforma? Há quantas décadas ouvimos que recursos desse caixa são desviados para viabilizar outros projetos. Há quanto tempo ouvimos que é incalculável o montante de contribuições ao INSS que é sonegado. O noticiário é farto em dados que denunciam aposentadorias astronômicas para uma minoria privilegiada. Afinal, como os recursos pagos à Previdência são administrados?  Não está na hora de a sociedade brasileira, os e as contribuintes, terem acesso aos números e dados, bem como à sua gestão? Como confiar nas propostas apresentadas, se as informações divulgadas são contraditórias e parciais?
 
O noticiário dos últimos dias do mês de outubro escancarou o fato de que a PEC 241, a reforma da Previdência – e uma lista infindável de dramas da população sofrida e marginalizada, bem como de todo brasileiro e brasileira dignos – estão sendo avaliadas e decididas em meio a negociações e manjares pouco comprometidos com a superação da aflição da população (Amós 6.6). Não por acaso Martim Lutero alertou: “Desde o início do mundo, um príncipe [pessoa instituída de autoridade política] sábio é ave rara, e um príncipe honesto, mais raro ainda”.
 
A história da IECLB registra exemplos de cidadania ancorada na fé, tendo clareza da distinção entre Igreja e Estado, sem deixar de questionar enfaticamente o Estado a partir do Evangelho. Exercer a cidadania nesta perspectiva é uma das marcas da fé evangélico-luterana. Exemplo clássico desse exercício foi a atitude das Comunidades da IECLB em Domingos Martins/ES e Santa Maria/RS. No tempo do Brasil Império, quando imigrantes não seguidores da religião oficial eram proibidos de testemunhar sua fé, não podiam ser eleitos para o parlamento e os locais de culto não deviam ter identificação externa para tal, essas duas Comunidades construíram torre em seu templo e colocaram sino, em janeiro e outubro, respectivamente, do ano de 1887. Os sinos, que passaram a ressoar nessas localidades, foram sinais de afirmação de cidadania, protesto por direitos iguais para todas as pessoas no que diz respeito ao exercício da liberdade de crença e de culto. Hoje, a simbologia presente nesse repicar dos sinos faz com que a IECLB reafirma a importância do Estado laico e, ao mesmo tempo, admoesta as autoridades diante do quadro brasileiro com a Palavra do Senhor: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar (Jeremias 22.3).
 
O cuidado para o qual a graça de Deus nos chama no contexto atual de “desgraça” passa pela atitude geral de um “cair em si”, como fez o filho pródigo (Lucas 15.17), depois de mergulhar na desgraça por deixar a casa do pai. Os partidos políticos conseguem perceber a insatisfação e a falta de credibilidade manifesta nas últimas eleições? Conseguem ouvir o clamor pela ética, que exige uma nova forma de fazer política neste país?! Não por último, a todos e todas nós está dirigido o convite e o desafio de “cair em si”, para romper a lógica perversa que nos colocou em confronto, dividiu, isolou e fragilizou, como sociedade democrática.
 
Neste mês de novembro, mais uma vez rememoramos a proclamação da República. Não estará na hora de a sociedade brasileira assumir a República? Cuidar deste país? Parar de terceirizar esta tarefa e zelar por processos transparentes, responsáveis, sérios, que culminem na justiça social para todos e todas? Não é hora para parar de acreditar que uma ou outra pessoa irá “salvar a pátria”, enquanto nós aguardamos de braços cruzados? Democracia não se exercita de tempos em tempos, mas se exercita no dia a dia, na comunidade de fé, nas escolas, nas empresas, nos sindicatos, nos partidos políticos, enfim, em todos os lugares, inclusive nas urnas!
 
Diante do quadro brasileiro atual, a IECLB propõe e irá atuar para que sejam criados espaços e mecanismos para ampla discussão dos temas que incidem diretamente na vida de toda a população brasileira, principalmente a parcela historicamente fragilizada, com transparência total de dados e números, para que a verdade seja trazida à luz do dia. Porque sem a verdade não há justiça e, sem justiça, não há paz.
 
Pela graça revelada em Jesus Cristo este mundo é de Deus. Por isto, não podemos perder, enquanto cidadãos e cidadãs, o horizonte do cuidado com a justiça, ancorada na verdade, e direcionada à paz social. Deus mesmo quer nosso envolvimento e engajamento consciente para que as leis e os recursos promovam vida, defendam os fracos e respeitem a Criação. E é por isso que a IECLB conclama especialmente integrantes do Parlamento brasileiro: Busquem o bem! E empenhem-se para vencer e evitar o mal!
 
Pastor Dr. Nestor P. Friedrich - Pastor Presidente

Fonte: IECLB
Foto: IECLB

Entre 17 e 20 de novembro, em São Paulo (SP), o CONIC realiza, com o apoio do Dia Mundial de Oração/DMO e do Movimento Lado a Lado, o encontro Mulheres: Direitos e justiça - Compromisso Ecumênico, motivado por três perspectivas: fazer memória da história da participação das mulheres no movimento ecumênico, refletir sobre o que foi feito e o que não feito pelas mulheres em suas comunidades religiosas e propor ações a fim de promover a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades de fé e na sociedade.

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Guiadas pelo compromisso profético ecumênico, pela justiça e pelo direito para todas as pessoas que habitam nossa Casa Comum, as cerca de 100 mulheres participantes - de diversas denominações religiosas - estão reunidas para celebrar, debater, refletir e propor ações provocadas por três perguntas: O que fizemos pelo caminho? O que estamos fazendo pelo caminho? Quais caminhos queremos caminhar?

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Na celebração de abertura, realizada na noite de ontem (17), Glória Ulloa (foto abaixo), presidente do Conselho Mundial de Igrejas para a América Latina, inspirada pelo texto de João 8:1-11, refletiu sobre a sacralidade e a dignidade do corpo feminino e sobre as pedras atiradas às mulheres em suas igrejas e na sociedade. Segundo ela, as igrejas têm não apenas se omitido sobre as violações contra as mulheres no mundo, mas também perpetrado estas mesmas violências, pois, continuam a fomentar as desigualdades entre homens e mulheres teologicamente e em suas formas de ser Igreja.

Por conta desse contexto, Ulloa trouxe os exemplos de movimentos sociais e feministas que tem pautado pela América Latina a necessidade de que nenhuma mulher sofra violência em qualquer espaço da sociedade. Glória Ulloa apresentou, ainda, dados de uma recente pesquisa que atesta que 40% das mulheres que sofrem violências são cristãs, e fez uma conclamação pastoral para que as comunidades de fé se engajem na luta contra as violências contra as mulheres. Seguindo a ideia de que qualquer violência é pecado, Glória inspirou as participantes a assumirem este ato profético de justiça às mulheres como um dos caminhos que deve ser trilhado em todas as comunidades religiosas.

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No fim da celebração, as mulheres ordenadas se apresentaram à comunidade congregando, com as demais mulheres, a diversidade e o compromisso ecumênico em prol da luta contra as desigualdades. Num gesto simbólico, a congregação “transformou” as pedras que têm sido jogadas contra os corpos das mulheres em gesto concreto de partilha e de engajamento enquanto cristãs na luta contra as injustiças às mulheres.

Texto: Tatiane Duarte
Revisão: Comunicação CONIC

Fotos: Tatiane Duarte

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O patriarca da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Mor Ignatius Aphrem II Karim, realizou entre os dias 26 de outubro e 7 de novembro sua primeira visita apostólica ao Brasil, como 123º patriarca de Antioquia e Todo Oriente. Acompanhado da delegação formada pelos arcebispos dom Titos Paulo Tuza, núncio apostólico no Brasil, dom José Faustino Filho, arcebispo das Igrejas Sirian Ortodoxas em Missão do Brasil, dom Selwanos Boutros Alnemeh, arcebispo de Homs – Síria e dom Crisóstomos John Ghassali, vigário patriarcal da argentina, além de seu secretário o monge Joseph Babil, o patriarca foi recepcionado no aeroporto internacional de Brasília por um grande número de clérigos e fiéis.
 
A visita do patriarca Ignatius Aphrem II foi marcada por uma série de encontros com autoridades, iniciando-se com a recepção oficial feita pela senhora embaixadora Ligia Maria Scherer, diretora dos assuntos sobre o oriente médio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e pelo senhor Ghassan Nseir, embaixador da Síria no Brasil. Na sequência, o patriarca e sua comitiva foram recebidos no Palácio do Planalto, onde o patriarca agradeceu ao governo brasileiro pelo apoio do Brasil na busca pela paz no Oriente Médio. O patriarca recebeu ainda Liliana Ayalde, embaixadora dos Estados Unidos da América no Brasil, e o recém nomeado cardeal dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília, destacando a cooperação ecumênica entre a Igreja Católica Romana e a Igreja Sirian Ortodoxa no Brasil.
 
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O patriarca e sua comitiva, acompanhado do clero do Distrito Federal, visitou diversas comunidades e obras sociais da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. A primeira visita foi ao Mosteiro e Seminário Teológico São Basílio e Santo Efrém, em Samambaia – DF, onde conheceu as instalações do centro de formação e foi apresentado aos projetos educacionais desenvolvidos. O patriarca tam bém visitou a Paróquia Sirian Ortodoxa de São Jorge e Santo Expedito, em Taguatinga – DF, onde foi recepcionado por centenas de fiéis e conheceu todos os diversos projetos sociais desenvolvidos pela referida comunidade, comandada pelo monsenhor Ribamar Dias.
 
Em Taguatinga – DF, o patriarca e os arcebispos dom Titos Paulo Tuza, dom José Faustino Filho, dom Selwanos Boutros Alnemeh e dom Crisóstomos John Ghassali celebraram a Divina Liturgia e consagraram a Catedral Sirian Ortodoxa Nossa Senhora da Anunciação, condecorando os sacerdotes padre Isaac Souza e padre Caio Queiroz com a cruz peitoral, além disso, o patriarca abençoou o monumento em homenagem aos mártires do genocídio SAYFO em 1915. Em Recanto das Emas – DF, o patriarca visitou a Paróquia Sirian Ortodoxa São Judas Tadeu, condecorando também o pároco padre João Leite Neto com a cruz peitoral. No domingo (31/10) o patriarca consagrou a Igreja Sirian Ortodoxa Nossa Senhora do Santo Cinto, em Riacho Fundo I – DF, onde entregou à Igreja, na pessoa do padre Flávio Moreira, uma relíquia do Santo Cinto de Nossa Senhora, que é preservada pela Igreja com o mesmo nome em Homs – Síria.
 
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No dia 31 de outubro o patriarca viajou a Goiás, onde foi recepcionado na Catedral Sirian Ortodoxa São Miguel Arcanjo, em Aparecida de Goiânia – GO, pelo arcebispo dom José Faustino Filho, pelo clero de Goiás, além de padres, diáconos e caravanas de fiéis de todo Brasil, representando os mais de 15 estados onde a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia possui missões de evangelização. Na ocasião, o patriarca presenteou o arcebispo dom José Faustino com uma cruz de benção (usada somente pelos bispos na Igreja Sirian Ortodoxa) por seu árduo trabalho missionário pela Igreja em todo Brasil.
 
Ainda em Goiás, o patriarca foi recepcionado no Palácio das Esmeraldas, para um almoço a convite do Governador do Estado. Na ocasião, além da comitiva patriarcal, estavam o senhor Embaixador da Síria Ghassan Nseir e sua esposa, além de padres representantes do clero do Distrito Federal, Goiás e de outros estados, como São Paulo e Maranhão. O discurso durante o almoço enfatizou a honra do Governo de Goiás em receber o patriarca, que é mundialmente reconhecido como um defensor da paz, especialmente no Oriente Médio. Ainda em Goiás, o patriarca e sua comitiva viajaram para o município de Piracanjuba, a convite do monsenhor Paulo Milton Justus, onde foram recebidos na Faculdade de Piracanjuba pela Comunidade Universitária Sirian Ortodoxa Santa Mãe de Deus e São Paulo Apóstolo. Na ocasião, o patriarca recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela referida instituição e abençoou tanto o monumento em homenagem aos mártires do genocídio SAYFO em 1915 quanto a pedra fundamental no futuro Mosteiro Sirian Ortodoxo de Santo Estevão, em terreno doado pelo monsenhor Paulo Milton Justus.
 
Cumprindo a agenda em Goiás, o patriarca reuniu-se com o clero missionário do Brasil, no salão de evento do hotel onde estava hospedado com sua comitiva. O patriarca saudou a todos, respondeu questionamentos, ouviu propostas e abençoou todas as comunidades missionárias do Brasil através de seus párocos presentes no encontro.
 
No dia 1º de novembro o patriarca viajou para Belo Horizonte – MG com sua comitiva, onde foi recebido na Igreja Sirian Ortodoxa São Pedro pelo pároco Manoel e a comunidade local. Na ocasião, o patriarca celebrou a Divina Liturgia acompanhado pelos arcebispos dom Titos Paulo Tuza e dom Selwanos Boutros Alnemeh, além dos sacerdotes monsenhor Paulo Milton Justus, monge Joseph Bali e padre Manoel. Ainda na capital mineira, o patriarca participou de uma recepção oficial no Clube Sírio de Belo Horizonte, organizada pela presidente do clube Najwa Seif e a comunidade local, formada por imigrantes e descendentes de sírios e libaneses.
 
No dia 3 de novembro o patriarca chegou a Campo Grande – MS onde foi recepcionado oficialmente pelo Cônsul da Síria Gabriel Youssef, acompanhado de sua comitiva e pelo monsenhor Antônio Nakkoud, pároco da Catedral Sirian Ortodoxa São Jorge, em Campo Grande. Ainda na capital sul-mato-grossense, o patriarca celebrou a Divina Liturgia na referida Catedral, assistido pelos arcebispos dom Titos Paulo Tuza e dom Selwanos Boutros Alnemeh, e pelos padres monsenhor Antônio Nakkoud, monsenhor Paulo Milton Justus e monge Joseph Bali.
 
No dia 4 de novembro o patriarca chegou a Curitiba – PR, onde foi oficialmente recebido pelo governador Beto Richa no Palácio Iguaçu. Durante a visita ao Paraná, o patriarca lançou a pedra fundamental da futura Igreja Sirian Ortodoxa de Santa Maria e Santo Efrém, no município de Fazenda Rio Grande – PR, acompanhado por sua comitiva e pelo padre Gessé, pároco da Igreja Sirian Ortodoxa Mãe de Deus em Curitiba – PR. Em Fazenda Rio Grande, o patriarca participou de um evento onde foi firmada uma parceria com a prefeitura municipal de cooperação na construção da futura Igreja.  Ainda na capital paranaense, o patriarca celebrou a Divina Liturgia na Igreja Sirian Ortodoxa Mãe de Deus, ordenando dois diáconos leitores.
 
No dia 5 de novembro, o patriarca chegou a São Paulo – SP, sendo recepcionado pelo Cônsul da Síria em São Paulo, Sami Salameh, e pelos padres pe. Gabriel Abdulahad e pe. Andrawos Khazaal. O patriarca celebrou a Divina Liturgia na Igreja Sirian Ortodoxa São João, cujo pároco é o padre Gabriel Abdulahad, saudando a comunidade local que é formada majoritariamente por imigrantes e descendentes sírios. O patriarca também celebrou a Divina Liturgia na Igreja Sirian Ortodoxa Santa Maria, onde ordenou diversos diáconos leitores e subdiáconos, e assinou os manuscritos da biblioteca da referida Igreja, doados pelo professor Abrohom Gabriel Sowmy (+1996), com mais de 300 livros em aramaico, árabe, inglês e francês.
 
Em São Paulo, o patriarca ainda presidiu a Oração da Noite na Igreja Sirian Ortodoxa Santa Maria, onde recebeu S.G. dom Nareg Berberian, bispo ortodoxo armênio do Brasil e visitou o Lar Sírio Pró Infância, acompanhado de sua comitiva e os padres monsenhor Paulo Milton Justus, pe. Andrawos Khazaal, além do bispo auxiliar greco-ortodoxo antioqueno, dom Daoud. Fechando a agenda de compromissos em São Paulo, o patriarca e sua comitiva foram recebidos pelo Cônsul Geral do Líbano no Brasil Kabalan Franjieh, que expressou a honra de receber o patriarca em São Paulo, em especial no Consulado.

Com informações da ISOA
Fotos: Comunicação ISOA

Nota Pública – Manifestação contrária à PEC 55/2016 (PEC 241): A Frente Associativa da Magistratura e do Ministério Público (FRENTAS) composta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE), Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (ANAMATRA), Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (CONAMP), Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), Associação Nacional do Ministério Público Militar (ANMPM), Associação dos Magistrados do Distrito Federal e Territórios (Amagis-DF), Associação dos Membros do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (AMPDFT), em parceria com a Auditoria Cidadã da Dívida, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal no Brasil (ANFIP), a União dos Auditores Federais de Controle Externo (AUDITAR), a Federação Brasileira de Associações de Fiscais de Tributos Estaduais (FEBRAFITE), vêm a público manifestar-se contra a PEC 55/2016, atualmente em tramitação no Senado Federal.

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1 - A PEC 55 (PEC 241) COMPROMETE OS DIREITOS SOCIAIS previstos no art. 6º da Constituição ao congelar as despesas primárias, tendo como base o ano de 2016, já marcado por graves cortes orçamentários, atualizando apenas pelo IPCA. Isso prejudicará a prestação dos serviços públicos no país;

2 - A PEC 55 (PEC 241) pretende inserir no texto constitucional um teto para as despesas primárias. Dessa forma, será gerada uma sobra de recursos, que se destinarão às despesas financeiras, cujo maior beneficiado é o setor financeiro. A PEC também viola o art. 167, III, pois limita exclusivamente “a despesa primária total”, destinando todo o restante dos recursos para a dívida pública, sem qualquer teto, limite ou restrição;

3 - A PEC 55 (PEC 241) NÃO CONTROLA OS GASTOS MAIS ABUSIVOS DO BRASIL, pois exclui do congelamento os gastos com a chamada dívida pública, que nunca foi auditada, como determina a Constituição (art. 26 ADCT), e sobre a qual recaem graves indícios de ilegalidade, ilegitimidade e até fraudes. Os gastos com a dívida pública já consomem, anualmente, quase metade do orçamento federal e sequer sabe-se quem são os sigilosos beneficiários desses gastos;

4 - A PEC 55/2016 PRIVILEGIA OS BANQUEIROS, que lucram extraordinariamente no Brasil. Os juros abusivos, a remuneração da sobra de caixa dos bancos, as operações de swap cambial, os prejuízos do Banco Central e todos os demais privilégios que utilizam o Sistema da Dívida serão beneficiados, enquanto que os investimentos sociais ficarão congelados;

5 - A PEC 55 (PEC 241) COMPROMETE OS DIREITOS SOCIAIS previstos no art. 6º da Constituição ao congelar as despesas primárias, tendo como base o ano de 2016, já marcado por graves cortes orçamentários, atualizando apenas pelo IPCA. A PEC também viola o art. 167, III, pois limita exclusivamente “a despesa primária total”, destinando todo o restante dos recursos para a dívida pública, sem qualquer teto, limite ou restrição;

6 - A PEC 55 (PEC 241) AFRONTA OS OBJETIVOS FUNDAMENTAIS DA REPÚBLICA constantes do art. 3º da Constituição, inviabilizando o direito ao desenvolvimento socioeconômico do país, a erradicação da pobreza, da marginalização e das desigualdades flagrantes que colocam o Brasil na vergonhosa 75ª posição no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), medido pela ONU!;

7 - A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, pois contraria o art. 2º da Constituição Federal (Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário), já que, ao impor um teto fixado unicamente aos interesses do Poder Executivo, viola a independência dos demais Poderes, que terão suas atividades prejudicadas;

8 - A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque viola as cláusulas pétreas estabelecidas no art. 60, § 4º da CF de 88 (§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: I – (...); II – (...); III - a separação dos Poderes; IV - os direitos e garantias individuais. Não pode o Poder Constituinte Derivado suprimir direitos fundamentais consagrados pelo Constituinte Originário, havendo assim limites fixados no próprio texto constitucional;

9 - A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque pretende retirar do Poder Legislativo sua prerrogativa de legislar acerca do orçamento, o que deve ser realizado por meio de lei, não sendo a Emenda Constitucional a forma escolhida pelo Constituinte originário;

10 - A PEC 55 (PEC 241) É INCONSTITUCIONAL, porque pretende reduzir a capacidade do Poder Legislativo de legislar acerca do orçamento por cinco legislaturas (vinte anos);

11 - As entidades que assinam este documento contestam a forma escolhida pelo Governo para equilibrar as contas públicas, já que pretende amputar direitos, penalizando uma população numerosa e necessitada;

12 - A PEC 55 (PEC 241) é injusta e seletiva. Ela elege, para pagar a conta do descontrole dos gastos, os trabalhadores e os pobres, ou seja, aqueles que mais precisam do Estado para que seus direitos constitucionais sejam garantidos. Além disso, beneficia os detentores do capital financeiro, quando não coloca teto para o pagamento de juros, não taxa grandes fortunas e não propõe auditar a dívida pública;

13 - A PEC 55 (PEC 241) não enfrenta o cerne do problema econômico, instalado no modelo tributário injusto e regressivo, e baseia-se em falso diagnóstico, identificando uma suposta e inexistente gastança do setor público, em particular em relação às despesas com saúde, educação, previdência e assistência social, responsabilizando-as pelo aumento do déficit público, omitindo-se as efetivas razões, que são os gastos com juros da dívida pública (responsáveis por 80% do déficit nominal), as excessivas renúncias fiscais, o baixo nível de combate à sonegação fiscal, a frustração da receita e o elevado grau de corrupção;

14 - Por fim, deve o Estado Brasileiro cumprir o disposto no art. 3º da Constituição Federal de 1988: Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Fonte: ANAMATRA
Foto: Patrick Semansky / AP
Obs.: o título foi adaptado