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Leia a íntegra, o manifesto pela democracia e contra a corrupção escrito por pastores e pastoras, catequistas, diáconos e diáconas do Sínodo Espírito Santo a Belém, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil:

Nós, pastores e pastoras, catequistas, diáconos e diáconas, do Sínodo Espírito Santo a Belém, filiado à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), estivemos reunidos em Conferência Ministerial no dia 13.04.2016, em Ibiraçu (ES), e de forma consensual, decidimos nos manifestar.

Vivemos hoje no Brasil uma forte ameaça à democracia, que foi conquistada com tanta luta. Uma democracia que conseguiu avançar na luta contras as desigualdades históricas e estruturais do Brasil e na busca de um país mais justo, de todos, sobretudo dos mais empobrecidos, mais sofridos e mais destituídos da possibilidade de participação.

Juntamente com outras entidades ecumênicas e movimentos sociais, reafirmamos o seguinte:

- somos contra o processo do impeachment da Presidenta da República, por não ter fato jurídico consistente, o que coloca em risco a democracia;

- a maioria dos que julgam o processo de impeachment estão citados nas listas de corrupção, e, portanto, não são aptos em termos éticos e políticos para conduzi-lo;

- há evidências de que todo este processo está sendo conduzido para encobrir uma investigação mais profunda, sem partidarização, de todos os envolvidos nas estruturas de corrupção;

- evidencia-se, ainda, que as investigações têm sido direcionadas apenas para alguns, enquanto outros, comprovadamente envolvidos com corrupção, são protegidos politicamente;

- somos a favor da investigação de todos os partidos e de todas as pessoas envolvidas em atos ilícitos;

- reafirmamos o nosso compromisso com a justiça social, com a ética, com a igualdade de direitos, a solidariedade com os pobres e excluídos;

- unimo-nos a todas as vozes e movimentos em defesa da democracia e de uma profunda reforma política.

Ibiraçu, 13 de abril de 2016.

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"Globalizamos a Luta! Globalizamos a esperança!" Com esse grito de luta, começou oficialmente a Conferência Internacional da Reforma Agrária na manhã de hoje (13), em Marabá, no sudeste do Pará.

O evento, organizado pela Via Campesina, tem como objetivos fortalecer a unidade e a solidariedade entre os povos, estudar as estratégias do capital e suas crises, trocar informações e experiências sobre políticas públicas e debater as diversas propostas de reforma agrária apresentadas pelos movimentos populares que lutam pela terra. Representantes de organizações camponesas de dez regiões de todos os continentes do mundo estão presentes.

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"O objetivo principal é atualizar o debate sobre reforma agrária e contribuir para a construção de um calendário de lutas comuns. Independentemente se é a 'reforma agrária popular' ou a 'reforma camponesa'. Se está na Ásia, na África ou na Europa. O importante é a gente ter elementos comuns de enfrentamento do inimigo, que é o mesmo: o capital”, afirma Marina dos Santos, membro da direção nacional do MST e coordenadora Internacional da Via Campesina pela América Latina.

Para Faustino Torrez, da Asociación de Trabajadores del Campo (ATC) e da Via Campesina pela Centro América, o significado da reforma agrária vem sendo apropriado e deturpado pelos Estados e e pelo capital. Por isso, o debate neste momento é fundamental para a articulação.

"Alguns acadêmicos querem que a gente esqueça o conceito da reforma agrária e falam da distribuição de terra, da compra de terra, porque não querem resolver esse problema grave.

Então, com a força de vários países e dos povos originários, estamos dizendo que devemos recuperar a Reforma Agrária e dizer que a Reforma Agrária Popular é a mais completa. É ela que garante trabalhar para resolver a pobreza no campo e é base para garantir soberania alimentar.

As outras são políticas de governos populistas, em alguns casos com outros interesses, que entregam terra, mas não dão crédito aos camponeses. E, sem apoio, eles as colocam à venda. Essa é a lógica de alguns países capitalistas. Então, defendemos a mais pura, genuína, popular e democrática [reforma agrária]”, defende Torrez.

A conferência também homenageia os 19 mortos no Massacre de Carajás, que completa 20 anos no próximo domingo (17). Nesse dia, os participantes irão se juntar à juventude do MST que está acampada na Curva do S, em Eldorado dos Carajás, local onde aconteceu o ataque contra os trabalhadores Sem Terra.

Por Gisele Brito
Da Página do MST
Foto: Reprodução

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Como já é tradição, o Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER) reuniu, mais uma vez, pessoas de diferentes confissões cristãs para um harmonioso estudo sobre o tema da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2016.

O seminário do CIER foi no Centro de Eventos Rodeio 12, nos dias 4 e 5 de abril. A ação foi assessorada pelo professor e historiador Emerson R. A. da Silva, secretário da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB de Curitiba. Durantes estes dois dias, mais de trinta pessoas se reuniram para estudar o Tema: “Proclamai os altos feitos do Senhor” (1 Pe.2,9).

A proposta da SOUC 2016 foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptada para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC). O Movimento chamou a atenção que no Brasil temos comunidades letãs constituídas, em especial na região sul. A presença letã em nosso país é resultado de migração ocorrido no final do séc. XIX e a primeira década do séc. XX.

“Motivados e motivadas pela proposta da SOUC e provocados pela experiência do povo letão em nosso país, queremos, na SOUC deste ano, chamar a atenção para os novos e novas migrantes que estão chegando ao nosso país”, declarou o pastor Inácio Lemke, 1º vice-presidente do CONIC.

SOUC 2016

A SOUC 2016 acontece entre 8 e 15 de maio, semana que antecede Pentecostes.

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Em 2016, foi realizada a 4° edição da Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). A ação reuniu as igrejas Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil e Sirian Ortodoxa de Antioquia. A estas igrejas integrantes do CONIC, somaram forças a Aliança de Batistas do Brasil, o Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) e a Visão Mundial.

À comunhão entre estas igrejas e organizações se juntou, ainda, a Misereor, instituição que promove na Alemanha uma Campanha de Quaresma com o intuito de suscitar a solidariedade para com os povos do Sul. Assim, a CFE 2016 apresentou um belo testemunho de unidade na diversidade, a clamar e suscitar ações pela universalização dos serviços de saneamento básico para nossa população.

FUNDO ECUMÊNICO DE SOLIDARIEDADE

Como de costume, por ocasião da Campanha Ecumênica CFE 2016 instituiu-se o Fundo Ecumênico de Solidariedade – FES. O Fundo é constituído pelos valores da coleta ecumênica, realizada no âmbito da CFE no domingo de Ramos, 20 de março. Os valores arrecadados na coleta serão destinados para o apoio a projetos e iniciativas de associações, grupos comunitários, ONGs, movimentos sociais, pastorais, projetos diaconais, entre outros. É importante que cada projeto enviado tenha relação com o tema da CFE: "Casa Comum, nossa responsabilidade".

PROJETOS

A instituição ou grupo que pretende buscar apoio do Fundo Ecumênico Nacional de Solidariedade – FES deverá enviar um projeto preferencialmente relacionado ao tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, para uma das seguintes instituições:

COORDENADORIA ECUMÊNICO DE SERVIÇO – CESE
Rua da Graça, 164 - CEP: 40.150-055 – Salvador – Bahia
Telefone: (71) 2104-5457
www.cese.org.br
Contato: e-mail: projetos@cese.org.br

OU

CNBB – DEPARTAMENTO SOCIAL
Cadastrar a entidade e o projeto no sistema on-line no endereço eletrônico:
http://fns.cnbb.org.br
Depois enviar para: SE/SUL Quadra 801 Conjunto B
CEP: 70.200-014 – Brasília – DF
Contato: e-mail: fns@cnbb.org.br

A CESE e a CNBB receberão os projetos, farão os procedimentos de cadastro e de averiguação técnica de cada projeto, bem como sua análise. Após esse processo, serão apresentadas ao Conselho Gestor do Fundo Ecumênico Nacional de Solidariedade, composto por representantes das Igrejas-membro do CONIC, para a análise.

DATA LIMITE PARA RECEPÇAO DE PROJETOS

(NO SITE/Correios)

ANÁLISE DO PROJETO PELO CONSELHO GESTOR

01/06/2016

16/06/2016

10/08/2016

25/08/2016

12/10/2016

27/10/2016

EDITAL PARA O ENVIO DOS PROJETOS

Clique aqui e confira o Edital 2016.

 

PROJETOS JÁ APROVADOS

Clique aqui e confira a lista completa.

 

PROJETOS APROVADOS EM REUNIÕES POSTERIORES

Acesse diretamente o site do FES, clicando aqui.

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A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada no âmbito da Câmara dos Deputados para investigar as atividades da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto Nacional da Reforma Agrária (Incra) tem se constituído num espaço de perseguição e criminalização de lideranças dos Povos Indígenas, Quilombolas e das entidades que lhes prestam apoio. Os deputados ruralistas, além de investigarem as ações e serviços realizados pelo órgãos de assistência do governo, decidiram transformar a CPI num verdadeiro tribunal inquisitório.

Nas últimas semanas, parlamenteares e assessores da referida CPI fizeram diligências em várias regiões do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Dirigiram-se de forma abrupta e autoritária para dentro de comunidades indígenas sem comunicá-las, sem informar o Ministério Público Federal, a quem cabe o dever Constitucional de fazer a defesa e acompanhamento dos povos indígenas, sem comunicar o órgão indigenista e, mais grave, foram acompanhados da Polícia Federal, com a evidente intenção de tratar as comunidades indígenas como organizações perigosas e criminosas. Fizeram questão de demonstrar que as comunidades e suas lideranças estariam sendo investigadas pelo fato de serem indígenas e de lutarem por seus direitos.

O desrespeito ao modo de ser dos povos indígenas, de suas culturas, de suas organizações sociais e o autoritarismo com que se dirigiram às lideranças, como se estas fossem objeto de investigação, constituem-se crimes. Portanto, esses fatos tornam a CPI ilegítima. No entender do Cimi, há necessidade de se ingressar judicialmente contra a CPI para impugná-la, bem como para responsabilizar os parlamentares e seus assessores que, ao longo das últimas semanas, adentraram nas comunidades indígenas sem comunicá-las, sem consultá-las e inquirindo as pessoas como se fossem criminosas. Desrespeitaram não só a Constituição Federal, mas os tratados e convenções internacionais, como a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Há parlamentares membros desta CPI da Funai e do Incra, que deveriam, no entender do Cimi, responder juridicamente por crime de racismo e por incitação ao ódio e à violência contra indígenas. Notadamente o Cimi se refere aos deputados Alceu Moreira (PMDB/RS) e Luis Carlos Heinze (PP/RS), que, no final do ano de 2013, numa audiência pública promovida pela Câmara dos Deputados no município de Vicente Dutra/RS, propuseram aos agricultores que se armassem e expulsassem os indígenas do jeito que fosse necessário, além de bradarem publicamente que indígenas, quilombolas, gays e lésbicas seriam “tudo o que não presta”. Os discursos de ódio dos dois parlamentares foram gravados e difundidos pela internet, mas, apesar disso, permanecem impunes.

Outro parlamentar que fomenta o ódio e o separatismo no país é o Deputado Valdir Colatto (PMDB/SC). Ele recentemente proferiu discurso na CPI para dizer que não se deve demarcar terras para os índios porque estes não contribuem com o desenvolvimento do país. E, mais grave, vem postulando, através de sua página na rede social Facebook, a separação da região Sul do restante do país, com o slogan “O Sul é o meu País”. Argumenta que deve haver a separação da região Sul das demais porque, no Sul, se paga mais impostos e se recebe menos benefícios, fazendo a alusão de que os demais estados não produzem e são beneficiados pela União.

Nesta quarta-feira, 6, a CPI aprovou requerimentos determinando que haja, por parte da Polícia Federal, investigação do Cimi e de lideranças indígenas que lutam pelo cumprimento da Constituição Federal, artigos 231 e 232. E não há necessidade de ser muito letrado para entender que tais artigos expressam claramente que os povos indígenas têm o direito à demarcação de suas terras. Portanto, lutar por este direito é legítimo. No entanto, os ruralistas da CPI, preocupados com os interesses daqueles que financiaram suas campanhas milionárias, fazem uso da estrutura do Estado brasileiro para atacar os povos, suas lideranças e aliados caracterizando-os como subversivos e determinando que sejam investigados e criminalizados.

O Cimi também alerta para os riscos deste momento nacional, quando se conduz, no Parlamento brasileiro, um processo de impedimento de uma presidente da República através uma bancada de deputados sobre a qual também pesa suspeita de corrupção. Quando passam a ocorrer processos ilegítimos como este no núcleo do Poder do Estado, abrem-se fendas para que em outras esferas da sociedade pessoas ou grupos venham a se sentir legitimadas a praticar crimes. E fatos nesta direção já ocorrem. Por exemplo, no Paraná, dentro do acampamento Dom Tomás Balduino, em Quedas do Iguaçu, na tarde desta quinta-feira, 7, a Polícia Militar promoveu uma ação contra uma comunidade de acampados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Na ocasião, a PM do Paraná matou dois trabalhadores sem terra e feriu outras pessoas, sendo que algumas estão em estado grave.

Na Bahia, Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, e o irmão, José Aelson Jesus da Silva, o Teity Tupinambá, foram presos, ilegal e arbitrariamente, no final da manhã desta quinta-feira, 7, pela Polícia Militar no município de Olivença. Ambos tinham passado momentos antes pela aldeia Gravatá, Terra Indígena (TI) Tupinambá de Olivença, no extremo sul baiano, onde indígenas Tupinambá denunciavam o crime ambiental da retirada ilegal de areia – depois de terem sofrido despejo no dia anterior. A prisão do cacique Babau e de seu irmão constitui-se numa retaliação pelo fato de estarem em luta pela demarcação da terra tradicional Tupinambá. As lideranças correm risco de vida ao estarem presas em Ilhéus. O Cimi entende que a escalada de violência em curso é potencializada pela omissão do Governo Federal que se nega a dar sequência regular ao procedimento administrativo de demarcação da Terra Indígena Tupinambá de Olivença.

No entender do Cimi está em curso, de forma intencional, um processo de quebra dos parâmetros da institucionalidade do país, com o consequente ataque aos direitos fundamentais das pessoas. Num país onde a Presidente da República é cerceada do direito do contraditório, da ampla defesa e se sente atacada por autoridades que estão sob suspeição, o que há de se esperar das relações sociais, políticas e jurídicas na sociedade?

No entender do Cimi a CPI da Funai e do Incra é, em sua essência, parcial, inquisitória e rompe com a perspectiva de consolidação do Estado Democrático de Direito no Brasil.

Trilhamos, se nada for feito com o objetivo de alterar o caminho da ilegalidade, para tempos ainda mais sombrios no que tange às liberdades individuais e coletivas e ao direito à vida dos que lutam por justiça no Brasil.

Brasília, 08 de abril de 2016

Cimi - Conselho Indigenista Missionário

Foto: Elza Fiuza/ABr

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Expressamos nossa solidariedade às famílias dos agricultores Vilmar e Leonir assassinados ontem, 07 de abril, nas terras reconhecidas pela justiça como pertencentes a União, griladas pela empresa Araupel, e também, para todas as famílias que lutam por anos no MST e em outros movimentos sociais por uma sociedade mais justa e mais humana onde todas as pessoas e famílias tenham o necessário para viver com dignidade.

Estarrecidos, recebemos notícias da presença de forças do Estado do Paraná participando e apoiando esse massacre o que nos causa muita insegurança visto que o estado deve zelar pela paz, segurança e defesa das pessoas. Esperamos que os líderes políticos, os órgãos públicos e a justiça, esclareçam essas execuções e punam exemplarmente os culpados evitando que este caso se estenda por tempo indeterminado como ocorre com o Massacre de Carajás, que celebra 20 anos sem que a justiça tenha sido feita.

Lamentamos a falta de diálogo e a lentidão com que essas questões sociais são acompanhadas pelo poder público. Repudiamos toda manifestação de violência e da criminalização dos movimentos sociais que tem ceifados seus líderes prematuramente pelo aumento da violência a eles dirigida como aponta o Relatório da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos – Direitos Humanos no Brasil 2015.

Como cristãos comprometidos com a justiça e a paz social, fundamentada no respeito às pessoas e as instituições democráticas e populares, comprometidos com o diálogo e com os direitos humanos universais, e, acima de tudo, com o amor fraternal, solidário e profético do Senhor da Vida, reconhecemos que atos como esse sofrido pelas famílias acampadas em Quedas do Iguaçu, fortalecerão ainda mais a luta por cidadania, dignidade no caminho da construção de uma nova sociedade quando a vida será mais importante que o patrimônio e o ser humano mais importante do que o lucro.

Naudal Alves Gomes
Bispo da Diocese Anglicana do Paraná
Comissão de Incidência Pública da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

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Nota de solidariedade aos trabalhadores e às trabalhadoras sem-terra
do Acampamento Dom Tomas Balduíno, de Quedas do Iguaçu (PR)

Foi com pesar que recebemos a notícia do crime que provocou a morte de Vilmar Bordim e de Leonir Bhorback, além de deixar feridas outras sete pessoas. Expressamos nossa solidariedade aos e às trabalhadores e trabalhadoras sem-terra de Quedas do Iguaçu. Que o amor consolador de Deus possa fortalecer aos acampados e às acampadas nesse contexto de insegurança e violência.

Infelizmente as mortes de Vilmar e de Leonir não são fatos isolados em nosso país. Essas mortes retratam a realidade do campo, caracterizada pela violência e pelo abuso de poder. Tudo em nome de um desenvolvimento agrário orientado pela lógica da financeirização da terra e dos demais recursos naturais.

O Brasil passa por momentos de tensão. Violência, intolerância, são recorrentes. As agressões e mortes decorrentes de conflitos agrários são inaceitáveis em um país como o Brasil. Nossas feridas sociais são profundas. Ainda não esquecemos Carajás e nem Corumbiara.

Acumular terra é pecado. Grilar terra é pecado. Utilizar a terra com o único objetivo de gerar lucro é pecado.

As mortes de Vilmar e Leonir não devem ser naturalizadas e nem resumidas a números da estatística sobre a violência no campo. Elas devem provocar, no mínimo, constrangimento na sociedade e também no Estado.

Que nação nós estamos construindo quando o Estado, que deveria zelar pelo bem comum, é instrumentalizado sempre em favor de uma mesma elite econômica que historicamente extrai as riquezas do país, ao invés de produzi-la? Não conseguimos nos libertar dos patrimonialismos, dos colonialismos, do tronco e da chibata.

Quedas do Iguaçu nos coloca a pergunta pela função dos profissionais da segurança pública. Estes devem zelar por todos os cidadãos e cidadãs. Não cabe a mobilização da polícia militar para defender propriedades cujos direitos são ilícitos, já que a grilagem de terra é juridicamente ilegal. Da mesma forma, a polícia, não pode violar a lei no exercício da sua função. Não há lei que dê sustentação para o assassinato deliberado, uma vez que, segundo relatos, os camponeses teriam sido assassinados pelas costas.

Por isso, pedimos a investigação imparcial dessas mortes, a proteção das famílias acampadas e a responsabilização dos mandantes e executores do crime. Que as terras onde os assassinatos ocorreram sejam destinadas para a Reforma Agrária.

A fé mantém a esperança de que um dia será garantido ao povo o direito de viver em regiões pacíficas, em moradas seguras, em lugares tranquilos de paz e repouso!

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL

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“Comida boa é cheiro, é comunhão, é uma ação solidária e política de quem come e de quem produz”, afirmou Ingrid Giesel, coordenadora do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA)/núcleo Erexim, durante o lançamento da campanha Comida boa na Mesa (veja o vídeo aqui), realizado dia 6 de abril, em Porto Alegre (RS).

A campanha promove o reconhecimento do papel da agricultura familiar na produção e consumo de alimentos saudáveis, das feiras e cooperativas na promoção do comércio justo e solidário e das organizações de apoio. Além disso, é um espaço para articulação de ações de incidência pública.

No evento, foi feito o lançamento do videoclipe Comida Boa na Mesa, produzido com o protagonismo de agricultoras e agricultores familiares, quilombolas e indígenas apoiados pelos cinco núcleos do CAPA, localizados em Erexim, Pelotas e Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, além de Marechal Cândido Rondon e Verê, no Paraná. Também foi apresentada a canção-tema de mesmo nome, composta especialmente para a campanha. Banners com imagens do trabalho no campo, da comercialização em feiras e de momentos de famílias à volta da mesa incluem a lista de materiais que vão dar visibilidade à iniciativa.

“Lembro a criação do CAPA, pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), como um grande desafio de fazer com que a fé tivesse expressão no dia-a-dia”, disse o pastor presidente da IECLB, Nestor Friedrich, na oportunidade. “Olhando para essa história, vejo que fomos muito teimosos, e hoje é possível perceber o quanto essa proposta avançou.”

O pastor presidente também falou sobre a conexão do trabalho do CAPA com o tema e lema da IECLB em 2016 no que se refere ao cuidado com a fé, as pessoas e a natureza: Pela graça de Deus, livres para cuidar e o lema Buscai o bem e não o mal, de Amós 5.14ª.

A secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Cibele Kuss, afirmou que comida boa na mesa é cultura, religiosidade, democracia e justiça de gênero. “A campanha nos conecta com a espiritualidade e a prática radical e subversiva de Jesus que viveu e proclamou a inclusão de todas as pessoas e o cuidado da terra, afirmando que a mesa é lugar para todas as pessoas, ninguém ficará de fora e ninguém ficará com fome” .

Na sua fala, o representante da Rede Ecovida, Laércio Meireles, declarou que o assunto “comida boa” está sendo colocado cada vez mais na mesa de discussão. “A iniciativa tem um nome singelo e um profundo significado”, disse. “O CAPA está de parabéns.” A Rede Ecovida é um espaço de formação de agricultoras e de agricultores familiares ecológicos, de troca de experiências, de produtos e de informações. Um dos seus serviços é a Certificação Participativa Solidária.

“Essa campanha nasce do amor e da esperança de que todas as pessoas que ainda passam fome tenham alimento”, disse a representante do Movimento Agroecológico Latino Americano (Maela), a argentina Alícia Alem. O Maela articula organizações campesinas, de famílias agricultoras, comunidades indígenas e organizações sociais, em defesa da agroecologia.

Nota pública

O lançamento da campanha aconteceu durante o Seminário Comida boa na Mesa – Agroecologia em defesa da vida, realizado de 5 a 7 de abril, em Porto Alegre (RS). Com a participação de integrantes das equipes do CAPA, de representantes dos conselhos, de agricultoras e agricultores familiares e organizações convidadas, o encontro debateu e reafirmou as políticas públicas de fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia, discutindo também o papel estratégico das organizações da sociedade civil no controle social e incidência pública.

Ao final do seminário, o CAPA lançou a nota pública 'Em defesa da democracia, agricultura familiar e agroecologia'. Leia a nota aqui.

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Pernambuco ganhou, no dia 30 de março, um novo espaço de diálogo e defesa de políticas públicas para as mulheres. Foi lançado oficialmente nesta tarde o Fórum de Mulheres Cristãs e Políticas Públicas, iniciativa que marca o encerramento da campanha “Eu Sou uma Mulher de Coragem: Eu Defendo Políticas Públicas para as Mulheres”, capitaneada pela ONG Diaconia.

O lançamento aconteceu na sede da entidade, precedido pela “Roda de Diálogo – Mulheres e Políticas Públicas”, com a participação da deputada estadual Tereza Leitão e da Secretária Executiva da Mulher e dos Direitos Humanos da Prefeitura de Olinda, Eliane Cavalcanti.

Segundo a coordenadora da Diaconia na Região Metropolitana do Recife (RMR), Gleizy Gueiros, o novo Fórum é uma articulação apartidária de mulheres que tem por finalidade refletir sobre possibilidades de superação de injustiças de gênero, partilhar iniciativas de promoção de justiça, formar politicamente e biblicamente e incidir em políticas públicas para mulheres.

“É fruto de um trabalho de mobilização a partir de processos sociopolíticos e educativos, vivenciados por mulheres de diferentes comunidades que professam a fé cristã. Ele surge da necessidade de criar um espaço específico que favoreça o diálogo entre mulheres cristãs e os diferentes contextos que envolvem políticas públicas para mulheres”, explicou, acrescentando que o Fórum reunirá mulheres cristãs de igrejas, coletivos, grupos, redes e ministérios que estejam comprometidas e empenhadas com a defesa e promoção do direito de mulheres.

Eu Sou Uma Mulher de Coragem

Esta é a quarta edição da Campanha que, em anos anteriores, teve como foco principal o incentivo à denúncia e o enfrentamento dos casos de violência contra a mulher. Desta vez, a proposta é despertar e encorajar mulheres de diferentes comunidades de fé para os processos que envolvem a construção e o monitoramento de políticas públicas para mulheres. Durante todo o mês de março, foram realizadas atividades como palestras e distribuição de material informativo em igrejas e espaços públicos, rodas de diálogos, seminários, oficinas e exposição itinerante sobre a temática da violência doméstica. As ações aconteceram na RMR, no Sertão do Pajeú (PE), em Fortaleza (CE) e no Alto Oeste Potiguar.

Fonte: Renas/Diaconia
Imagem: Reprodução

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A Diaconia, organização não-governamental de inspiração cristã, plenamente comprometida com a defesa de direitos e o empoderamento das populações mais pobres do Brasil, particularmente no Nordeste, diante do atual cenário político, econômico e social em que vivemos, declara sua confiança na prevalência do Estado democrático de direito com todas as repercussões necessárias ao exercício da cidadania e da justiça pessoal e coletiva.

Cabe-nos declarar que a vontade soberana popular deve ser respeitada dentro dos balizadores do ordenamento jurídico brasileiro, sem que por quaisquer justificativas, sejam atropeladas a Constituição e as instâncias decisórias que regem o país. Interesses partidários, particulares, empresariais e/ou ideológicos não devem pautar a condução de processos tão amplos e complexos como estes que nos cercam. O personalismo surge, neste contexto, como uma das maiores armadilhas para implementação da justiça, salvaguardados todos os prazos e direitos à defesa dos acusados.

Ressaltamos especial preocupação com a participação midiática neste cenário, pois ao nosso ver, diferentes atores têm utilizado técnicas e estratégias que pouco auxiliam no processo de elaboração de uma consciência coletiva saudável. Informações seletivas, reportagens tendenciosas e opiniões de "especialistas", em geral, têm conduzido nossa população à desinformação, ao acirramento de posições, quando não ao surgimento de expressões de intolerância, radicalizações e violências, marcas características de conflitos sociais.

Aguardamos pela presença da sabedoria, da prudência e da firmeza na condução desta situação que atinge os poderes da República, onde diferentes atores encontram-se comprometidos com a correção, mas tantos outros praticam descaminhos e malfeitos. É necessário que estejamos atentos aos interesses que permanecem encobertos em situações como estas, bem como aos sujeitos e às instituições que integram movimentos para impedir a continuidade do atual governo.

Cremos que o Reino de Deus se faz presente através da prática da justiça, do diálogo e da paz. Renovamos nossa confiança na democracia e na capacidade que esta possui para resolver conflitos e desafios que tanto afligem a sociedade, especialmente os mais pobres.

A Diaconia, por fim, reafirma seu compromisso com a verdade e a vida para todos e todas!

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