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Será realizada, nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo, a segunda edição da oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”. O evento, que conta com a organização do CONIC e a promoção do Fórum Ecumênico ACT-Brasil, objetiva sensibilizar igrejas e organizações de diferentes tradições religiosas para a situação dos imigrantes e refugiados. Além disso, busca fortalecer a rede de acolhida, criando espaços de escuta e diálogo com os imigrantes e, ainda, fortalecer a ação de incidência pública com o objetivo de denunciar a violação de direitos.

Para mais informações, confira o folder (abaixo).

Se preferir, clique aqui e confira a PROGRAMAÇÃO (clique para acessar) desse evento.

INSCRIÇÕES

As inscrições podem ser encaminhadas para o e-mail conic@conic.org.br, com as seguintes informações:

1) Nome Completo; 
2) Igreja/Tradição Religiosa; 
3) Idade; 
4) Se precisa de hospedagem (sim ou não).

Em caso de dúvidas, ligue: (61) 3321-4034

EVENTO ANTERIOR

Nos dias 8 e 9 de dezembro de 2015, São Paulo foi sede da mesma oficina. Essa primeira edição foi importante, pois reuniu organizações que já desenvolvem trabalhos com o tema migração e refúgio, além de representações de igrejas que, todavia, não desenvolvem ações pastorais em torno desse tema. Percebeu-se, na ocasião, a relevância e urgência de se buscar aproximação entre as comunidades locais e as organizações que trabalham com migrantes e refugiados.

Desse diagnóstico, surgiu o indicativo dos e das participantes de se realizar uma nova oficina – esta que está sendo anunciada acima –, que deveria reunir um número maior de representações de igrejas. O objetivo é a organização de uma rede ecumênica de apoio aos migrantes e refugiados.

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A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) orientou a celebração realizada no Centro de Eventos Rodeio 12, em Rodeio (SC), hoje, dia 29 de março, no primeiro dia da Assembleia da Fundação Luterana de Diaconia (FLD). O culto teve a participação de ministras e ministros do Sínodo Norte Catarinense/Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que promove encontro no mesmo local. A CFE é uma iniciativa da CNBB, com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC). A IECLB faz parte da comissão da campanha, por intermédio do CONIC, com outras igrejas, organizações e entidades.

A partir do tema escolhido para a CFE, "Casa comum, nossa responsabilidade", e o lema "Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca" (Amós 5.24), o pastor sinodal do Sínodo Norte Catarinense, Inácio Lemke, fez a pregação.Ele lembrou que o tema e lema 2016 da IECLB têm um vínculo muito forte com a CFE: "Pela graça de Deus, livres para cuidar", e o lema: "Buscai o bem e não o mal, também com base em Amós (Amós 5.14a). “Queremos ver a justiça brotar, mas ainda existe lugar para justiça hoje em dia?”, perguntou. “Só a nossa geração já desperdiçou e destruiu tantas coisas, plantas, frutas, sementes crioulas”, disse.

No entanto, não se deve perder a esperança. “Precisamos caminhar com um mesmo pensamento, de cuidado, de olhar à volta, de ter qualidade de vida, mas não à custa da natureza e das pessoas”.

O pastor sinodal também reforçou o dever de ministras e ministros da IECLB, conselheiras e conselheiros da FLD e pessoas convidadas para a assembleia a atuarem como lideranças. “Nosso papel é questionar e se posicionar de forma crítica, desafiando nossas comunidades a olhar e também se responsabilizar pela transformação de uma realidade de injustiça.”

Participaram da condução do culto a presidenta da Diretoria da FLD, diácona Valmi Becker, o vogal da Diretoria da FLD, pastor Siegmund Berger, a secretária executiva da FLD, pastora Cibele Kuss, e o pastor vice-sinodal do Sínodo Norte Catarinente pastor Marcos Aurélio de Oliveira.

Campanha ecumênica

A primeira campanha da fraternidade ecumênica foi realizada em 2000, com o tema Dignidade Humana e Paz e lema "Novo milênio sem exclusões". A segunda, em 2005, teve como tema Solidariedade e Paz e lema "Felizes os que promovem a paz". A campanha de 2010 tratou de Economia e Vida, a partir do lema "Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro".

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Fonte: FLD
Foto: Reprodução

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Cerca de 300 religiosos de diversas tradições se reuniram na última quarta-feira, 30, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), para um ato em defesa da democracia. O movimento quer contribuir para o diálogo como forma de superar a crise que, como destacam seus representantes, não é só brasileira atingindo a vários países da América Latina. Os religiosos criticam também a judicialização da política e a partidarização da justiça em nosso país, afirmando que estas só têm feito acirrar a polarização.

O ato inter-religioso programado para acontecer no Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, acabou sendo transferido para a Plenária 10 porque, a princípio, o presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entendeu que o encontro seria para uma vigília que ocuparia o local por tempo indeterminado. Mesmo com o engano, o ato teve de acontecer num lugar diferente do que havia sido definido.

Ao lado da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB e do Comitê pró-democracia no Congresso Nacional, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) foi uma das entidades responsáveis por organizar o ato. A secretária geral da instituição, pastora Romi Bencke avaliou o evento como um grande sucesso, principalmente pela variedade expressões religiosas. “A presença de uma diversidade religiosa significativa foi o grande destaque. Estiveram representantes de tradições indígenas, africanas, budistas, cristãs. Todas elas em apoio a democracia. A tônica nas falas das lideranças era a seguinte: somente a democracia possibilita a coexistência entre as religiões”, comentou.

“O momento também foi oportuno para criticarmos a intolerância religiosa que afeta, de maneira especial, as tradições religiosas de matriz africana e indígena. Aproveitamos, ainda, para ler o Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”, completou Romi.

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Compareceram também parlamentares como Érika Kokay (PT-DF), Benedita da Silva (PT-RJ), Chico Alencar e Jean Willys (PSOL-RJ), além de representantes do Sindicato dos Petroleiros e do Movimento dos Sem Terra. Durante o evento, liturgias, canções que contam um pouco da história da resistência a todo tipo de autoritarismo e bênçãos.

A irmã Sueli Bellato, da Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, descreveu o ato como uma grande festa que remeteu a outros momentos históricos nos quais a luta pela democracia ocupou o primeiro lugar na agenda de diferentes segmentos. “Algo que as religiões têm de muito importante é isso, essa prática de celebrar a fé. Esse ato envolvendo um leque amplo de manifestações da religiosidade mostrou o que deve prevalecer: o diálogo, a paz e a justiça. Esses três elementos são básicos para a democracia. É ela que permite a diversidade, ao contrário dos regimes de exceção”, afirmou.

Ao fim do evento os religiosos fizeram a leitura de uma carta da presidente Dilma Rousseff. O documento afirma que “a ruptura da democracia corrói as bases sobre as quais os seres humanos constroem formas pacíficas de convivência e respeito mútuo”. O grupo que realizou o ato segue mobilizado coletando assinaturas de religiosos em defesa da democracia em uma petição online a ser entregue aos parlamentares.

Confira, neste link, uma outra lista de assinaturas (que se somam à petição online).

Clicando aqui, você também acessa a petição feita via Google.docs.

Com informações de koinonia.org.br
Fotos: Tatiane dos Santos Duarte

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O que está acontecendo?

Do Estado Democrático de Direito a um Estado Policial

O Brasil vive um dos momentos mais importantes de sua História após o final da ditadura civil-militar. Estamos em um entroncamento onde teremos que escolher entre consolidar, ampliar e aprofundar o processo democrático ou aceitar que forças retrógradas e anti-democráticas façam retroceder nossas conquistas democráticas. A grande maioria dos mais destacados juristas brasileiros já demonstraram que o instituto do impeachment só pode ser usado no caso comprovado de cometimento de crime de responsabilidade por parte da/o Presidente da República. E esse não é o caso. A presidenta Dilma não é acusada de nenhum crime. E por isso, o que ocorre neste momento não é um processo de impeachment. É claramente uma tentativa de Golpe.

O Estado Democrático de Direito, resultado de lutas intensas consubstanciado na Constituição de 1988, está sob ataque de setores partidarizados do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal em conluio gritante com os grandes veículos de comunicação. A banalização das prisões preventivas, torturas psicológicas para obter delações premiadas, uso abusivo da condução coercitiva, invasões ilegais de privacidade, linchamentos públicos de reputações, vazamentos seletivos de documentos e interceptações ilegais de conversas telefônicas, inclusive da Presidente da República sob o olhar complacente de instâncias judiciárias responsáveis por zelar pela constituição, transformaram o Brasil em um Estado Policial. O que era considerado exceção vai se transformando em regra em um movimento típico do surgimento de regimes totalitários como o fascismo e nazismo.

Para um septuagenário como eu que conseguiu sobreviver às torturas praticadas nos porões da ditadura e que viveu e presenciou as tentativas de golpe contra Getúlio Vargas (1954), duas tentativas de golpe militar contra Jucelino 1956 e 1959), contra Jango (1961 e 1964), não é difícil entender o atual processo golpista no Brasil como uma continuidade da tradição das "elites" brasileiras. Essas elites sempre tiveram suas costas voltadas contra o Brasil e nunca olharam para este território como um local onde se pudesse construir um país justo e democrático.

Entretanto, apesar dessas nuvens sombrias que se abatem sobre o Brasil o que me mantém otimista e esperançoso é constatar que não estamos assistindo impassíveis a esses ataques. Milhões de brasileiros têm ido às ruas demostrar seu compromisso com a Democracia e em defesa da legalidade democrática. Saúdo com grande alegria a participação da juventude nas centenas de comitês contra o golpe que estão pipocando nas escolas, universidades e nas periferias das grandes cidades. É uma demonstração de que setores importantes da sociedade estão conscientes de que, neste momento, o que está em jogo não é o destino de um governo mas, sim, e acima de tudo, o futuro das gerações jovens de hoje e de nossos filhos e netos do futuro.

Anivaldo Padilha

A Campanha

Estando cientes também do papel que as distintas comunidades de fé representam no Brasil, convidamos cada religiosa e religioso. Temos um lado, a defesa da democracia que simplesmente clama por uma justiça legítima, imparcial e que defenda o Estado Democrático de Direito.

A Campanha #religiosxspelademocracia será realizada nos dias 31 de março a 07 de abril é coordenada pelo Fórum Ecumênica ACT- Brasil e integra as iniciativas da Comissão Pró-democracia no Congresso e da Frente Brasil Popular. Pedimos que cada fiel ou liderança religiosa publique uma foto nas rede sociais de forma pública, com a #religiosxspelademocracia. Se preferir utilize um cartaz, com a hastag.

As fotos também podem ser enviadas ao e-mail comunicacao@reju.org.br para serem compartilhadas nas redes dos apoiadores.

Apoiem e compartilhem também o “Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”.

Segue no link: http://bit.ly/1ZO8fNi

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Hoje, 30 de março, às 18h, no Auditório Nereu Ramos, Anexo II da Câmara dos Deputados acontece o Ato Público “Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”.

Evento coordenado pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC, Comissão Brasileira Justiça e Paz e Comissão Pró-Democracia no Congresso Nacional, a atividade reunirá religiosas e religiosos de diferentes tradições do cristianismo (católica romana, protestantes, anglicana, evangélica-pentecostal), tradições afro (candomblé, umbanda), espiritismo, hinduísmo, indígenas, jurema sagrada, budismo.

O Manifesto “Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia”, que será lido, já recebeu centenas adesões (somando as assinaturas colhidas no Avaaz e via e-mail). Ele destaca, entre outras coisas, que "A democracia é essencial para a convivência e a coexistência entre diferentes religiões, grupos e pessoas não religiosos. Por isso, permaneceremos vigilantes. É com a democracia que aprendemos a ser tolerantes com o outro. No entanto, nossas experiências de fé nos desafiam a irmos para além. Devemos caminhar em direção ao reconhecimento do direito do outro à existência".

SERVIÇO

Ato Público: Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia
Local: Auditório Nereu Ramos - Anexo II
Horário: 18h00

CONTATOS

CONIC: (61) 3321-4034
CBJP: (61) 3323-8713
Romi Bencke: (61) 9583-3873

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“A colaboração inter-religiosa entre a Federação Luterana Mundial (FLM) e a agência Islamic Relief Worldwide (IRW, sigla em inglês) é um exemplo concreto de articulação que vai muito além de plataformas de incidência. Tem um papel central na resposta aos desafios da justiça de gênero”, afirmou a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), organização diaconal ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastora Cibele Kuss. A fala foi proferida em um dos painéis organizados pela FLM, por meio da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS, sigla em inglês), durante a 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher, realizado na sede da ONU, em Nova Iorque, EUA, de 14 a 24 de março.

Cibele e as demais delegadas da FLM defendem uma maior colaboração entre a ONU e organizações da sociedade civil baseadas na fé, para tratar de temas que afetam o empoderamento das mulheres e o desenvolvimento sustentável, que orientou a sessão da Comissão do Status da Mulher este ano.

Representantes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), da Associação Mundial de Jovens Mulheres Cristãs e da Federação dos EUA para a Paz no Oriente Médio participaram do painel.

A assessora de gênero da IRW, Sharifa Abdulaziz, disse que “a fé é um componente integral do tecido social e é considerada por muitas pessoas como a principal força para provocar mudanças em comunidades”. Uma parceria firmada em 2014 entre a FLM e a IRW no Nepal ajudou no trabalho de apoio às pessoas que perderam suas casas e seu sustento, no terremoto de abril de 2015, e também junto a refugiadas e refugiados sírios que vivem na Jordânia.

Por sua vez, a secretária executiva da FLD citou que o UNFPA apoiou, em 2015, uma ação inter-religiosa de incidência, relacionada com a Campanha dos 16 dias de Ativismos pelo fim da Violência contra a Mulher, que enfocou o casamento infantil, seu impacto na educação das meninas e o papel da fé nessas realidades tão desafiadoras.

Cibele, que é membro do Conselho da FLM, lembrou que racismo, intolerância religiosa e outras formas de discriminação acentuam e reproduzem desigualdades no Brasil. Os grupos que têm sofrido injustiças incluem, na sua maioria, afrodescendentes, povos indígenas e comunidades de diferentes orientações sexuais. De acordo com ela, a escalada da violência contra esses grupos é alimentada por membros da Câmara e do Senado federais, que apoiam fundamentalistas cristãos, em um cenário religioso que está em mutação no país.

Dra. Azza Karam, assessora sênior para a Cultura do UNFPA, disse que a situação no Brasil reafirma sua convicção da necessidade de troca de experiências sobre intolerâncias religiosas, especialmente na perspectiva Sul-Sul.

Concluindo, Cibele disse que a Política de Justiça de Gênero da FLM, de 2013, ajudou a Fundação Luterana de Diaconia a desenvolver um documento similar em 2014. “Tem sido uma ferramenta poderosa para assegurar que nossas outras políticas, como uma organização baseada na fé, sejam construídas a partir da justiça de gênero”.

A secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), pastora Cibele Kuss, participou da 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher como uma das seis delegadas da Federação Luterana Mundial (FLM), através da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS), que tem presença histórica nas sessões da comissão, assim como outras organizações baseadas na fé.

Fonte: www.lutheranworld.org / Fotografia: LWF/C. Rendón
Tradução: Susanne Buchweitz

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Uns vão à missa, outros ao terreiro, outros ao culto e a outros ritos. Em comum, a defesa de valores que dignificam o homem, e entre eles a democracia. Contrários à utilização do impeachment para legitimar o afastamento da presidente Dilma, violando a vontade popular, religiosos de diferentes credos realizam um ato amanhã, quata-feira, às 18h, no Auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados, em defesa da democracia. Dele vão participar povos indígenas, povos de terreiros, budistas, espíritas, cristãos católicos e protestantes, evangélicos pentecostais, entre outros.

A iniciativa é do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC, Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB e Comitê pró-democracia no Congresso Nacional.

Segue o manifesto.

Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.
Artigo 1ª da Declaração Universal de Direitos Humanos.

Pertencemos a várias tradições religiosas. Queremos, com o nosso testemunho, contribuir para o diálogo e para a superação da crise pela qual passam o Brasil e diversos países da América Latina. Em nossas tradições a justiça é sagrada e sustenta a vida em igualdade. Os princípios que nos orientam não admitem que a avaliação de um grupo social se sobreponha ao outro, determinando, a partir de seus critérios e interesses, se um governo é bom ou ruim. Todos somos filhas e filhos do Criador. Por isso, todas as pessoas são portadoras dos mesmos direitos de avaliação e as mesmas obrigações com o bem comum e o bem viver, buscando o fortalecimento para irmãs e irmãos, companheiras e companheiros que vivem o seu testemunho em coerência com o projeto de igualdade e justiça.

Colocamo-nos em comunhão com todas as pessoas perseguidas por causa do seu compromisso pela paz, pela justiça social e por um novo mundo possível. Por isso, afirmamos ser como dores de parto, portadora de uma vida nova. Que essa experiência de dor nos ajude a rever os erros cometidos pelas instituições e poderes constituídos e por nós mesmos. Como pessoas de diferentes tradições religiosas, nem sempre cumprimos a missão de permanecer vigilantes para cuidar do exercício da Política e de seu papel de garantir direitos e promover o bem comum.

Que esse tempo nos encoraje para as autocríticas necessárias. Não nos deixemos tomar pelo desânimo e pessimismo. Repudiamos as manifestações de ódio, violência e intolerância que os meios de comunicação e a elite desse país têm insuflado a população. Não concordamos com a judicialização da política, com a partidarização da justiça e com a espetacularização de ações judiciais. Essas são práticas que contribuem para o descrédito das instituições e o acirramento de posições polarizadas, o que leva a população brasileira a desacreditar na justiça. Optamos por manter o respeito a quem pensa diferente. Defendemos o direito ao pluralismo democrático e ao contraditório. Sejamos fiéis ao diálogo sincero, mesmo com quem tem posições políticas contrárias às nossas.

Lembramos que a corrupção, infelizmente, é antiga. Ela é inerente ao espírito do capitalismo, competitivo e individualista.espírito do capitalismo, competitivo e individualista. Devemos nos empenhar para a superação dessa prática, nas esferas pública, empresarial e pessoal. Mas o combate à corrupção não pode ser um pretexto, como em diversas vezes na história do Brasil, para legitimar golpes de Estado que acarretaram perseguições e sofrimento para o povo.

Reconhecemos que, além das causas decorrentes de situações que são da realidade nacional, há sinais claros de interferências e patrocínios, oriundos de interesses internacionais. Esses interesses visam desestabilizar nossos países, quando nossas nações buscam independência política e econômica. Portanto, o que está acontecendo no Brasil não pode ser desvinculado das intervenções golpistas como as que aconteceram em Honduras e no Paraguai. Na Argentina, decisões judiciais a serviço dos interesses de corporações internacionais acarretaram prejuízos graves para aquele país. Vemos também a realidade brasileira ligada às tentativas de desestabilizar os governos da Bolívia, Venezuela, Equador e outros do continente.

Expressamos o nosso compromisso com as pessoas em situações de vulnerabilidade: quilombolas, ciganos, matriz africana, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, açorianos, campeiros, varzanteiros, pantaneiros, caatingueiros, negras e negros, povos indígenas, mulheres, juventude da periferia, trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, LGBTTs, população idosa, pessoas com deficiência, entre outros que poderão ser profundamente impactados com os ajustes econômicos e com a ruptura da ordem democrática e do Estado de Direito.

A democracia é essencial para a convivência e a coexistência entre diferentes religiões, grupos e pessoas não religiosos. Por isso, permaneceremos vigilantes. É com a democracia que aprendemos a ser tolerantes com o outro. No entanto, nossas experiências de fé nos desafiam a irmos para além. Devemos caminhar em direção ao reconhecimento do direito do outro à existência .

Vamos fortalecer o diálogo e anunciar a paz!

Clique aqui e veja de quem assinou.

Clique aqui e assine a lista no Avaaz.

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

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Queridas irmãs e irmãos das comunidades cristãs brasileiras!

“Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe2.9). Este é o lema bíblico que inspira a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016.

A Semana de Oração foi preparada pelas Igrejas da Letônia. Participaram diretamente do processo de elaboração do material as Igrejas: Católica Apostólica Romana, Luterana, Ortodoxa e Batista.

O povo letão, no final do século XIX e primeira metade do século XX, foi obrigado a migrar por ocasião da ocupação russa. Parte dessa migração ocorreu por causa da perseguição religiosa. A Letônia foi submissa aos czares, que tentaram impor a religião oficial como expressão de fé. As pessoas de outras expressões religiosas, entre elas Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã, foram perseguidas.

Essa realidade mudou com o passar do tempo. Hoje, a Letônia é bem diferente. É possível o convívio entre diferentes expressões de fé. A realização e preparação da Semana de Oração pela Unidade é o exemplo concreto disso.

Nossos irmãos e nossas irmãs da Letônia escolheram o texto do apóstolo Pedro, que lembra que nós, pessoas batizadas, somos “chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”. Proclamar os altos feitos de Deus significa não esquecermos a perspectiva de que através do Batismo que somos declarados filhos e filhas de Deus. O Batismo jamais deve ser banalizado. Ele é um sacramento que nos apresenta o desafio permanente de praticarmos e proclamarmos o amor gratuito de Deus pela humanidade. Uma das formas de proclamar esse amor é assumindo posturas de diálogo e de acolhida, em especial, com as pessoas que são diferentes de nós: de outras igrejas, religiões e culturas.

O ano de 2015 foi caracterizado pelas ondas migratórias. Também no início deste ano, vimos, na Europa, migrantes e refugiados desesperados em busca de novas condições de vida. Seus países foram destruídos por guerras e catástrofes ambientais. Alguns países optaram por fechar suas fronteiras para evitar a entrada de migrantes. Outros estão pensando nessa possibilidade.

No Brasil, a situação não é tão dramática como é na Europa. Mas também aqui aumentou o número de pessoas migrantes e refugiadas. Muitas delas buscam o nosso país na esperança de encontrar amparo e resgatar a dignidade de vida. Infelizmente, no ano de 2015, alguns migrantes foram agredidos e sofreram preconceito. Atitudes racistas e preconceituosas não são coerentes com os altos feitos de Deus. Também é oportuno lembrar que é expressivo o número de grupos étnicos que, em tempos idos, vieram ao Brasil por razões de fome e guerra, aqui encontrando acolhida e amparo.

O Batismo nos conclama ao respeito pelo migrante. Mais do que tolerantes, precisamos ser respeitosos. A tolerância deveria ser uma convicção passageira. Ela deveria conduzir ao reconhecimento do direito à dignidade que é inerente a cada ser humano.

Somos chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor! Que essa proclamação se traduza em posturas de diálogo, acolhida e respeito para com aquelas pessoas que vêm ao nosso país em busca de novas oportunidades de vida.

Que nossas Igrejas sejam motivadas para esse testemunho permanente de acolhida!

Na unidade de Cristo,

Dom Leonardo Ulrich Steiner (Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich (Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil)
Dom Francisco de Assis da Silva (Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)
Presbítero Wertson Brasil de Souza (Moderador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil)
Dom Paulo Titus (Arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia)

PEDIDOS para materiais da SOUC 2016

Para assuntos relativos à SOUC, o CONIC criou um e-mail específico
(inclusive para pedidos de materiais): 
souc2016@gmail.com.

Tema da SOUC

Proclamai os altos feitos do Senhor” (1Pe 2,9) é o tema da Semana de Oração deste ano. A proposta foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC).

Confira o cartaz da SOUC 2016:

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“Quero ver o direito brotar como fonte
e correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am5.24)

Queridas irmãs e queridos irmãos de peregrinação ecumênica,

Queremos agradecer por essa Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). Muito nos alegraram as experiências relatadas, as fotografias que foram enviadas. As cartas das crianças, que foram estimuladas a pensar sobre o cuidado com a Casa Comum a partir do material da CFE, foram sinais de esperança. Os relatos dos trabalhos das juventudes foram igualmente animadores.

A CFE 2016 conseguiu fortalecer a bela experiência do diálogo, da oração conjunta, do abraço entre diferentes expressões cristãs.

Ao longo dos quarenta dias da Quaresma, conversamos sobre nossa Casa Comum, o lugar em que habitamos. Pensamos nas rupturas cotidianas provocadas pelo pecado.

O pecado se torna visível sempre que a Casa Comum é agredida por causa do nosso consumismo, da nossa ambição, da nossa dificuldade de superar visões de mundo que entendem o ser humano como o centro do universo. Revela-se também quando a política é orientada para o interesse do mercado financeiro e não para o bem comum.

A Quaresma, período que, para as pessoas batizadas, representa tempo de conversão, está chegando ao fim. Na Sexta-Feira Santa, iremos nos confrontar com a violência que representa a cruz de Jesus Cristo. Nos confrontaremos com as consequências do ódio e da intolerância. História, que nos tempos de hoje, se repete no extermínio da juventude negra, na violência contra as mulheres, nas agressões aos povos indígenas, na perseguição aos LGBTTs, nos ataques às Casas das religiões de matriz africanas.

A cruz de Cristo também nos provoca a olhar para as destruições provocadas por nós no lugar em que habitamos: a nossa Casa Comum. O lixo jogado na rua, o rio em que se despeja esgoto, o agrotóxico que contamina os alimentos e os lençóis freáticos, o não tratamento de esgoto, a utilização indiscriminada da água, a privatização dos bens da natureza... Tudo isso também fere o sonho de Deus, que é o de um mundo onde reinem o direito e a justiça.

Aprendemos, nessa Campanha, que a fragilidade de políticas públicas para o saneamento básico, compromete a justiça ambiental. Também aprendemos que a justiça ambiental exige de nós que transformemos radicalmente nosso estilo de vida. Sejamos menos consumistas e mais responsáveis com o lugar em que habitamos.

Ao longo do tempo de Quaresma, lemos e fomos orientados sobre o mosquito Aedes aegypti, a forma como ele se prolifera e sobre os males que provoca. Com o aumento das notificações do Zika Vírus, ficamos sabendo que uma das consequências desse vírus é a microcefalia.

Dados do Ministério da Saúde indicam já foram notificados 6.158 casos suspeitos de microcefalia. Deste total, 745 bebês tiveram diagnóstico comprovado para microcefalia.
Por trás desses números há histórias de vida, em especial, de mulheres, que em algumas situações, são abandonadas por seus maridos.

Outros dados do Ministério da Saúde mostram que, nesses primeiros três meses de 2016, o Brasil já registrou 495 mil casos prováveis de dengue e 13.676 casos prováveis de chikungunya. Estas doenças podem causar sequelas graves, como a síndrome de Guillian Barré, que provoca paralisia dos músculos.

Casa Comum, nossa responsabilidade! Direito e Justiça. Cruz e ressurreição. Como ficam essas perspectivas diante dos impactos provocados não pelo Aedes aegypti, mas sim, por nosso pouco cuidado com a Casa Comum?

A falta de saneamento básico, a caixa d’água que não é devidamente limpa, o pneu abandonado, a política de saneamento não executada refletem nosso desleixo com a Criação. Isso tem consequências para a vida do planeta e das pessoas.

Na Campanha da Fraternidade Ecumênica falamos que o saneamento básico é um direito humano básico, portanto, é inegociável. Mas, também falamos que o cuidado com a Casa Comum exige que mudemos radicalmente nosso estilo de vida. Não podemos mais ser desleixados com o lugar em que habitamos. Por isso, nessa Páscoa, pedimos que observem se há criadouros de mosquito no lugar onde celebramos, convivemos e oramos. Vamos prestar atenção nos caminhos que fizemos até a Igreja, até a casa de nossos amigos e amigas. Não esqueçamos que os impactos provocados pela falta de cuidado da Casa Comum causam dor e sofrimento para muitas pessoas.

A cruz de Jesus Cristo nos coloca frente-a-frente com nossas imperfeições, injustiças, abuso de poder. A ressurreição mostra que é possível a transformação. A mensagem da ressurreição é de que novas realidades são possíveis, mas, para isso, precisamos nos reconhecer livres para agir em favor do cuidado com a Casa Comum.

A epidemia de dengue, Zika, chikungunya e a insuficiência de serviços de saneamento básico nos indicam que precisamos ser bem mais responsáveis com a nossa Casa Comum. A Campanha se encerra com a Quaresma, mas o tema da CFE “Casa Comum, nossa responsabilidade”, precisa ser assumido ao longo de todo o ano. Vamos, portanto, nos mobilizar por políticas públicas de saneamento básico e eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti.

Que o direito e a justiça brotem. Sejamos partícipes da construção de um mundo sustentável!

Feliz Páscoa!

Dom Flávio Irala – Presidente
P. Sinodal Inácio Lemke – Primeiro vice-presidente
Pe. Joanilson Pires – Segundo vice-presidente
Dom Teodoro Mendes Tavares – Tesoureiro
Reverendo Daniel do Amaral – Secretário

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Na Quaresma, a fala do profeto Amós “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” acompanha-nos na Campanha de Fraternidade Ecumênica.

Como nós vivemos na nossa casa comum? Como nós nos responsabilizamos para que todos os seres – humanos, animais, plantas, arvores, rios: toda a criação em sua diversidade maravilhosa – possam aproveitar seus direitos?

Isso também é uma pergunta que os povos indígenas colocam para a sociedade Brasileira.

No caderno para a ‘Semana dos Povos Indígenas de 2016, Laklãnõ/Xokleng: O povo que caminha em direção ao sol’, do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), estas perguntas são apresentadas em dois momentos que refletem dois dias da Semana Santa: a Sexta-Feira Santa e Páscoa. O momento da ausência de luz e da esperança é representado para o poema de João Adão Nunc-nfoônro de Almeida, intitulada Saudade.

Saudade do índio, sentando no chão,
Em volta do fogo, comendo pinhão.
Saudade do cântico, que o kujá cantava,
E de todo povo, que alegra dançava.

Saudade de mata, por onde andavam,
Saudade de caça, que todos tratavam.
Saudade de mõg, que o índio bebia,
Saudades das festas, tudo era alegria.

Saudade do fogo, que o índio acendia,
Saudade das danças, grande era a alegria.
Saudade do rio, onde as crianças nadavam,
Saudade dos peixes que os índios alimentavam.

Saudade das festas, e dos casamentos,
Sempre em luas cheias, era uma grande evento.
Saudade de tudo, que o índio usava,
E a tradição sempre continuava.

Saudade da terra, que foi invadida,
Saudade da mata, que foi destruída.
Saudade da relva, que o fogo queimou,
Saudade de tudo que o tempo apagou.

Saudade do ouro e do pau brasil,
Saudade de tudo, que daqui sumiu.
Saudade do índio que o branco matou,
Com esta Saudade para o túmulo vou.

A Páscoa não nos deixa no túmulo. Ela nos abre para um outro mundo possível: onde as forças da morte não vencem, mas onde o direito brota como fonte e onde a justiça corre como um riacho que não seca.

O povo Laklãnõ/Xokleng também nos oferece um exemplo da esperança nas suas comunidades: o renascimento da consciência da sua cultura, língua, espiritualidade. Eles levam as pessoas não-indígenas na Mata Atlântica, mostram a biodiversidade e ensinam sobre a sua cultura. No encontro, no diálogo, eles mostram não são como “aquele indígena retratado em livros e programas de televisão, mas o indígena real que tem sua língua, tem voz, tem sonhos, alegrias e tristezas; tem sabedoria, tem vida e que é Laklãnõ/Xokleng.”

Desde o ensino sobre a sua cultura, os Laklãnõ/Xokleng oferecem um olhar numa maneira diferente de viver e de cuidar da nossa casa comum.

Link para o Caderno da Semana dos Povos Indígenas: comin.org.br/publicacoes/interna/id/104

Foto: Tiago Zenero/Flickr CC

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