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O CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil realiza, entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017, a XVII Assembleia Geral Ordinária. O encontro, que será no Instituto Bíblico de Brasília, contará com a presença da Diretoria do Conselho, delegados/as das Igrejas-membro, além de representantes dos regionais ecumênicos, dos membros-fraternos e demais parceiros.

Confira, a seguir, a convocação oficial para a Assembleia:

 

Brasília 03 de julho de 2017.
É o amor de Cristo que nos move” (2 Co 5-19)

CONVOCAÇÃO PARA A XVII ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA

Na qualidade de Presidente da Diretoria do CONIC, cumprindo o Art. 16, item I do Estatuto do CONIC, convoco os membros da Diretoria e os/as delegados/as das Igrejas-membro, regionais ecumênicos e membros-fraternos para XVII Assembleia Geral Ordinária do CONIC no período de 21 de agosto, noite, e encerra no dia 24 de agosto de 2017, ao meio-dia. O local da XVII Assembleia Geral Extraordinária será o Instituto Bíblico de Brasília, SGAN 601 – Módulo F – Asa Norte – Brasília – DF (Antiga Caritas).

A XVII Assembléia Geral Ordinária contará com a seguinte pauta:

Seminário “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI”;
Apresentação do relatório de atividades 2014-2016;
Apresentação e apreciação dos Relatórios Financeiros;
Avaliação da IV Campanha da Fraternidade Ecumênica;
Filantropia e Imunidade Tributária para templos religiosos.

Na unidade do Espírito Santo,

Dom Flávio Borges Irala
Presidente.

Uma sala de aula onde os alunos são todos - e somente - homens. Brancos, negros, jovens, idosos, de todas as classes sociais, eles formam um grupo heterogêneo e cheio de diferenças, mas carregam consigo uma característica em comum: todos estão ali por terem cometido crimes de violência contra a mulher.

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O texto é de Renata Mendonça, para a BBC Brasil.

O caso de João* aconteceu no último dia 25 de dezembro, no Natal. Uma discussão com a mulher por uma foto apagada de um celular motivou uma briga que fugiu do controle. Entre xingamentos e insultos, ele a empurrou na cama, deu tapas e quebrou o espelho, até ela gritar por socorro e o filho chamar a polícia.

Aos 27 anos, Pedro* nunca teve um perfil violento, segundo a mulher, mas um dia também a agrediu por ciúme - uma raiva que não conseguiu conter no momento, como ele diz.

Já separados, os dois viviam na mesma casa por causa dos filhos, e quando ela chegou mais tarde do trabalho um dia ele resolveu tirar satisfação. Foi de "vagabunda' para baixo, com outros xingamentos que ele mesmo descreve como "impublicáveis" - mas não parou por aí.

"Com essa mão aqui eu dei três tapas na orelha dela que fizeram sangrar. Dei chute no útero, acho que no joelho também. Agredi, sim, não vou mentir", disse à BBC Brasil. Tudo isso na frente dos filhos de quatro anos e dois anos.

Rubens* partiu para cima da filha. Com 60 anos de idade - e um corpo todo de fisiculturista de vidrado em academia -, ele teve seus desentendimentos com a jovem de 18 anos.

"Eu a repreendia, controlava muito horário dela sair e chegar", conta. Um dia, avançou para a agressão e, quando a mãe, que sofre de câncer e está em tratamento, entrou na frente para defender a menina, acabou apanhando também. As duas o denunciaram.

Esses três homens agora estão sendo processados com base na lei Maria da Penha e viraram colegas de sala no curso "Tempo de Despertar", promovido pelo Ministério Público de São Paulo com o objetivo de reduzir a reincidência de casos de violência contra a mulher.

"É uma forma de prevenir a violência contra a mulher. Percebi que os casos de reincidência de violência doméstica eram muito altos, em torno de 65%. Buscando projetos internacionais de sucesso, consegui achar dois que trabalhavam com o homem, com a desconstrução do machismo, da masculinidade", explicou à reportagem a promotora e criadora do curso, Gabriela Manssur.

"A pessoa mais beneficiada com esse curso é a mulher. Nas três edições (do curso) que fizemos, tivemos somente um homem que voltou a cometer violência. Ou seja, reduzimos a reincidência para praticamente zero. Portanto, se temos 17 homens aqui, vamos ter menos 17 casos de violência contra a mulher no Ministério Público ano que vem", afirmou.

"O que é melhor: não é só o processo, dentro do processo tem uma vida, uma família que sofre, uma vítima que sofre. Então são menos 17 vítimas sofrendo de violência contra a mulher."

O curso é composto por oito aulas que, em geral, são realizadas a cada duas semanas. Aborda temas relacionados a gênero, direitos das mulheres, lei Maria da Penha, masculinidade, sexualidade e DSTs (doenças sexualmente transmissíveis), álcool e drogas, paternidade e afetividade, entre outros.

Participam da iniciativa homens denunciados por violência doméstica e sob investigação, cumprindo medida protetiva e/ou aguardando julgamento. O comparecimento é obrigatório e pode reduzir eventuais penas em caso de condenação.

A BBC Brasil acompanhou três dias de curso e conversou com organizadores, participantes e mulheres vítimas de violência cometida por eles.

Chegada

Quem entrasse desavisado naquela sala no fórum regional da Penha (zona leste de São Paulo) dificilmente entenderia quem eram aqueles homens e o que faziam ali.

Um grupo que reunia jovens de 20 e poucos anos com óculos Rayban escorados na testa; idosos de cabelos brancos; brancos, ruivos, negros, pardos, barbudos, com dreads no cabelo; homens escolarizados, com diploma universitário; ou que mal haviam terminado o colégio; homens fortes, altos, musculosos; outros franzinos, miúdos.

"Não existe perfil do agressor. É aquele homem, aquele jovem, aquele idoso, que não respeita os direitos das mulheres. São homens que não entendem que as mulheres têm os mesmos direitos que eles, que foram criados no reflexo de uma sociedade machista de forma a entender que a mulher tem que servi-lo, que a mulher tem que ser controlada, que a mulher que sai com roupa curta é vadia, etc", afirma Manssur.

E, logo no primeiro dia de curso, já era possível perceber um sentimento em comum: a revolta por estarem ali "sem terem cometido crime nenhum".

"Eles chegam aqui revoltados. Sem entender por que estão ali. Eles falam: 'Eu não sou criminoso, o que eu estou fazendo aqui?'. Não entendem por que as mulheres estão querendo tantas coisas, por que elas querem se igualar aos homens. Xingam até a Maria da Penha", conta Sergio Barbosa, um dos gestores do curso.

O primeiro trabalho é de conscientização sobre os direitos das mulheres, o feminismo e a masculinidade. Nas aulas, especialistas convidados pelos organizadores falam sobre mudanças da sociedade e conquistas recentes das mulheres, sobre a importância de combater a ideia de que "homem tem que ser duro" ou de que "homem não pode chorar" e tentam chamar a atenção para as razões dos erros dos participantes.

"Cheguei aqui e achava que jamais tinha sido agressivo, que nunca tinha sido agressor. Não entendia o que estava fazendo aqui. comecei a entender e aprender coisas que eu nunca tinha ouvido na vida, que existem vários tipos de agressão, que agressão verbal também é violência. Aí no primeiro encontro já vi que eu estava errado", relatou João.

Reflexões

Além das palestras, os homens são reunidos em grupos de reflexão onde debatem como podem melhorar suas atitudes. Em um deles, em que o assunto era autocontrole, a reportagem acompanhou o momento em que a conversa passou a tratar das "roupas que as mulheres vestem".

"Minha mulher pode vestir o que quiser. Eu só aviso para ela: 'Você quer sair assim? Você sabe como os homens vão olhar'. Mas eu respeito a escolha dela", disse um deles. O outro reclamou do batom escuro e vermelho que a esposa usava - semelhante ao da repórter diante dele. "Não gosto. Acho ridículo", disse com veemência.

Sergio Barbosa, que monitorava o grupo, imediatamente tentava direcionar o pensamento deles de outra forma. "Mas qual é o problema do batom? E ela não pode usar?"

Um dos acusados também chegou a transparecer uma insatisfação por estar respondendo pelo crime. "No meu caso, foi só (violência) verbal, ela não precisava ter colocado na lei Maria da Penha". Ao que Barbosa rebatia: "Mas agressão verbal também é violência. Quando alguém te xinga, te rebaixa, te humilha, você gosta? Como você se sente?"

"Nós damos um panorama sobre o que é esperado da mulher na sociedade, como são colocados os direitos das mulheres na Constituição formalmente e como é isso na prática, mostrando o quanto a mulher sofre pra ter os mesmos direitos que os homens", explicou a promotora.

"Eu sempre pergunto: onde é o lugar da mulher? Eles respondem: onde ela quiser. A mulher pode trabalhar? Pode. Pode ser promotora? Pode. E eu sei que tem casos aqui que a mulher apanhou porque foi trabalhar ou foi estudar."

Além de propor a reflexão sobre a questão de gênero, o curso também traz profissionais da Justiça, para tirar dúvidas dos acusados sobre as implicações da lei Maria da Penha, e profissionais da saúde para orientá-los sobre o vício em álcool e drogas - muitos sofrem desse problema - e sobre DSTs.

Mudanças

No penúltimo encontro do curso, era possível perceber outra semelhança entre todos os homens que estavam ali. Se na primeira participação eles se sentiam revoltados, sem entender o motivo de estarem ali, neste a sensação era de aprendizado.

"A principal mudança deles foi falar mais de si mesmo como responsável pelo fato que aconteceu, e não ficar mais delegando a culpa à companheira. Eles perceberam que o comportamento machista os levou a essa situação", observou Sergio Barbosa.

Rubens ainda se vê com dificuldades de aceitar essas "novas regras" da sociedade que aprendeu no curso. Mas reconhece seu erro.

"Eu tenho 60 anos, é muito difícil mudar (o pensamento). Talvez eu tenha que manter minha máscara e fingir que está tudo bem. É difícil esquecer meus valores, tudo que aprendi. Mas tenho certeza que mudei", disse na reflexão com os companheiros de grupo.

"Eles mostraram para mim que de graça não foi, algo eu fiz. E a partir desse dia comecei a refletir que eu não era tao bom quanto achava que fosse. Se você fica preso aos paradigmas antigos, você se torna um opressor. Um dia a gente (ele e a filha) vai se aproximar, e eu penso que serei uma pessoa mais compreensiva, melhor. Ficar preso a esses paradigmas não leva a nada."

A esposa de João tem sentido na prática as mudanças. Os dois ficaram separados por quatro meses após a agressão dele, mas se reaproximaram e acabaram reatando o relacionamento. "Ele mudou bastante. Na hora que vai ficar nervoso, ele pensa em outra coisa e acalma. Mudou a maneira de pensar. Está mais controlado, não é tão ciumento", contou ela à BBC Brasil.

Já no caso de Pedro, o casal prefere se manter separado. Mas a relação dos dois é outra a partir de agora. "Mudou completamente. Até mesmo a relação com a minha família, ele não falava com a minha mãe, hoje ele vai lá, fala com a minha família. Realmente houve uma modificação, não sei se é duradoura", pontuou a esposa.

"A gente vê até pela forma de se comunicar. Ele senta, conversa, não tem aquela ignorância de se sentir superior, agora é de igual pra igual."

Pedro não esconde a vergonha pelo que fez e diz que "não se perdoa". Mas agora se compromete a transmitir aos filhos tudo o que tem aprendido com a situação.

"Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje na época, eu não teria feito isso. O que eu fiz foi um acidente, eu nunca mais vou fazer e é algo que eu me envergonho, me arrependo, nao consigo me perdoar. Converso muito com meu filho, explico que ele não pode bater em mulher, que não pode bater na irmã dele, tento consertar a c***** que fiz", disse.

"Acredito que tinha que ter um pouco disso em todas as escolas do Brasil pra essas crianças e adolescentes. Isso iria eliminar muito o tipo de homem que vira agressor, porque ele iria entender a importância da mulher na sociedade."

* Os nomes são fictícios - os personagens conversaram com a reportagem sob a condição de não serem identificados.

Fonte: BBC Brasil
Foto: Reprodução

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Dar uma nova vida àquela que, por longo tempo, foi o epicentro do conflito sírio, deixando para trás morte, destruição, combates entre facções que dividiram a cidade em dois.

Este é o objetivo do projeto “Aleppo mais bela” - lançado pela comunidade católica latina, em colaboração com a prefeitura da segunda cidade em importância da Síria – que tem a intenção de fazer renascer do pó e dos escombros uma renovada ideia de beleza, de limpeza, de ordem, pois a paz passa também por meio da organização das ruas, casas, comércio e pequenas atividades.

Cristão e muçulmanos trabalhando lado a lado

A iniciativa ganhou corpo nos dias passados, com uma solene cerimônia inter-religiosa presidida pelo Padre Ibrahim Alsabagh - franciscano de 44 anos, guardião e pároco da Paróquia latina de Aleppo – na área adjacente ao templo. Na celebração, também tomaram parte representantes do governo e membros da comunidade muçulmana.

O primeiro gesto concreto – conforme relatou o sacerdote à Agência Asianews – “foi a pintura do meio-fio das calçadas”. “E foram as próprias autoridades a dar as primeiras pinceladas” nas ruas e vielas, que ainda preservam sinais do conflito.

Tornar “Aleppo mais bela” – acrescentam os promotores – é uma “preocupação” e um “desafio” que “une” cristãos e muçulmanos, porque – como sublinharam líderes muçulmanos – não são as religiões que alimentam a guerra. A fé é fonte de paz, de renascimento, de convivência harmoniosa”.

Segundo os membros da paróquia, este projeto “nos faz uma só nação, uma só família, independente da religião ou de nossas convicções”.

Recuperar o “maravilhoso” mosaico da “nossa sociedade”

“Ademais – acrescenta Padre Ibrahim – nos demos conta, desde o início, que esta iniciativa é uma boa oportunidade para recuperar ou renovar aquele maravilhoso mosaico que é a nossa sociedade”.

“Lutamos com amor pela nossa cidade mártir – prossegue o sacerdote – com o desejo de promover a reconciliação em uma realidade que ainda permanece ferida e dilacerada. E fazer isto hoje adquire ainda uma maior relevância, para que o bem seja contagiosa e possa, assim, ser transmitido e propagado”.

Neste sentido, o convite da comunidade católica local é extensivo a todas as igrejas, aos escoteiros cristãos, aos movimentos eclesiais, enfim, a todos os habitantes da cidade, cristãos e muçulmanos, sem distinção de fé.

“A paróquia latina – diz Pe. Ibrahim – assumiu os custos do projeto e adquiriu todo o material necessário”.

Envolvimento dos jovens

Ao falar sobre os primeiros dias da iniciativa, o sacerdote conta que “todos os jovens da nossa paróquia junto a homens e mulheres de boa vontade – cerca de 200 pessoas – armados de pincéis, baldes e tinta, foram à conquista da cidade, para torná-la mais bela”.

O projeto terá continuidade nos próximos dias, seguindo uma orientação bem precisa: os voluntários serão subdivididos em equipes, cada uma das quais composta por 10 pessoas e um responsável.

A área a ser limpa e pintada será subdividida em setores e cada equipe será responsável por algumas ruas e vielas.

Centro de verão

Ao mesmo tempo, a paróquia organiza um “centro de verão” para as crianças, com o lema “Com Jesus, trazemos cor para a vida”.

Centenas de crianças (cerca de 860, segundo as estimativas), entre 4 e 15 anos, já aderiram à iniciativa, um número que triplicou em relação aos anos precedentes.

Assim, por dois meses, os jovens poderem desenvolver inúmeras atividades, da dança ao esporte, da música às artes.

Por meio destes “pequenos gestos” e “pequenas ações” – conclui o sacerdote – podemos “reconstruir juntos a nossa cidade e a nossa sociedade”, aproveitando “o grande potencial” que existe na Igreja e na comunidade católica da cidade.

E “é nosso dever e nossa missão compartilhar este grande potencial” e contribuir ao bem-estar de todos os nossos irmãos e de todas as nossas irmãs.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Reprodução

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Pesquisadores da Universidade de Tubinga e do Instituto Max Planck para Ciência da História Humana, na Alemanha, conseguiram identificar a origem étnica de parte dos egípcios antigos. De acordo com uma análise realizada com mais de 90 DNAs de múmias, a maioria dos egípcios era parente de povos que viveram na região do Oriente Médio, como a Palestina, Mesopotâmia e Arábia Saudita. Foi a primeria vez que uma extração de genoma utilizando os últimos recursos tecnológicos foi realizada com sucesso em múmias de mais de 2.000 anos de idade.

Após as descobertas genéticas surpreendentes, outros questionamentos estão surgindo sobre o tempo em que essas pessoas mumificadas viveram e o que mais será possível provar a partir destas pesquisas. Outros especialistas afirmam que tais descobertas podem ajudar a comprovar cientificamente o relato bíblico sobre a origem dos egípcios.

"O estudo concluiu que os restos preservados encontrados em Abusir-el Meleq, no Médio Egito, eram parentes genéticos mais próximos das populações do Neolítico e da Idade do Bronze dos países orientais mais próximos. Os egípcios modernos, em comparação, atualmente compartilham muito mais DNA com as populações subsaarianas", informou a CNN.

Biblicamente, o que isto significa?

De acordo com site 'Christian Post', alguns especialistas acreditam que a evidência do DNA dessas múmias pode reforçar a narrativa bíblica que afirma que a primeira dinastia egípcia surgiu através do filho de Noé, Cam (ou Cão, como está algumas versões).

Em Gênesis 10: 5-6 está escrito: "Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações. E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã".

Essas novas descobertas se encaixam na Teoria da Corrida Dinástica, defendida pelo arqueólogo David Rohl. A teoria de Rohl é que os antigos egípcios chegaram ao mar da Mesopotâmia, conquistaram o Vale do Nilo e estabeleceram as primeiras dinastias egípcias. Isso está em contradição direta com a teoria anterior, de que os primeiros governantes egípcios e grande parte da população chegaram por uma rota terrestre da África.

Trabalho faraônico

Na maioria das múmias, os cientistas utilizaram o DNA mitocondrial — aquele presente nas mitocôndrias das células — para a análise, já que essa estrutura tende a ser preservada por mais tempo. No caso de um dos corpos, no entanto, os pesquisadores conseguiram mapear carcterísticas específicas como a pele clara, os olhos escuros e uma possível intolerânica à lactose.

Desde 1980 os especialistas tentam retirar o código genético das múmias encontradas, mas só há pouco tempo atrás a tecnologia necessária para isso começou a aparecer. Os cientistas pretendem, no futuro, analisar melhor as múmias enterradas mais ao sul do país, próximos à fronteira do Sudão. Os arqueólogos acreditam que nessas áreas existiram habitantes com descendência comum a de outros povos africanos.

CONIC com informações da Revista Galileu e do portal Guia-me
Foto: Discovery Channel via Getty Images

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A síria Myriam Rawick, 13 anos, teve que fugir de seu bairro, sofreu bombardeios e se tornou refugiada em sua própria cidade. Um pesadelo de cinco anos, que ela registrou em seu diário.

“O diário de Myriam” conta a guerra síria vista por uma criança de uma família cristã de classe trabalhadora, de origem armênia, cuja vida foi alterada por “coisas de adultos”.

Myriam escrevia tudo que via: lemas revolucionários pintados nos muros, manifestações contra o governo, o sequestro do seu primo, o bloqueio e os combates.

“Quando a guerra começou, minha mãe sugeriu que eu escrevesse um diário. Nele, contava tudo o que tinha feito no meu dia. Eu pensei que assim eu poderia um dia lembrar de tudo o que aconteceu”, conta Myriam em uma entrevista à AFP em Paris.

Em dezembro de 2016, o jornalista francês Philippe Lobjois ouviu falar sobre a menina e seu diário, um caderno de cerca de 50 páginas escritas em árabe, e pensou que era a ocasião de contar esta guerra de dentro.

O diário, que cobre o período de novembro de 2011 a dezembro de 2016, foi traduzido para o francês e acaba de ser publicado pela editora Fayard.

“Aleppo era um éden”

Antes de se tornar o principal campo de batalha da guerra na Síria, Aleppo, uma das cidades mais antigas do mundo, transbordava tesouros declarados Patrimônio da Humanidade da Unesco.

“Aleppo era um éden, era nosso éden”, conta Myriam, vestida com uma calça jeans e uma camiseta com a palavra ‘love’ estampada.

Mas este paraíso se transformou em um inferno.

Myriam diz que nunca conseguirá esquecer os dias sombrios de março de 2013, quando “homens vestidos de preto”, rebeldes islamitas, obrigaram ela e sua família a abandonarem seu lar.

“Eu acordei uma manhã com o barulho de coisas quebrando, pessoas gritando ‘Alá Akbar’ (Deus é grande, em árabe). Senti tanto medo que fiquei com vontade de vomitar. Abracei forte minha boneca, dizendo ‘não tenha medo, não tenha medo, eu estou aqui com você'”, recorda.

Açúcar para passar o medo

“Corri para colocar meus livros na mochila. Eu adoro os livros, não podia abandoná-los. Eu coloquei dois anoraques, um por cima do outro, para me proteger das balas perdidas”, conta.

“Na rua, vi um homem barbudo, vestido de preto e com uma arma na mão. Eu estava com muito medo. Nós andamos muito tempo até chegar a uma área mais segura”, acrescentou.

A família chegou à parte ocidental da cidade, que estava sob controle do governo mas era regularmente alvo de bombas de rebeldes.

“Os mísseis eram o que mais me assustava. Uma noite, eu estava indo me deitar quando o céu ficou vermelho e houve um barulho ensurdecedor. Um míssil tinha caído na rua ao lado da nossa. Para nos acalmar, meus pais nos deram açúcar, dizendo que isso nos ajudaria a ter menos medo. Mas eu não senti nenhuma diferença”, lembra.

“Nos refugiamos na casa de uma vizinha, me colocaram em um colchão que ficava em frente a uma janela, e eu tinha medo de janelas, dos fragmentos de vidro. Não queria ficar desfigurada”, conta à AFP.

A rendição dos rebeldes em dezembro de 2016 fez com que uma certa normalidade voltasse à Aleppo, embora o abastecimento de água e eletricidade tenha permanecido intermitente.

“Já não temos medo de que bombas caiam nas nossas cabeças. Estou recuperando a minha infância, voltando a brincar com as crianças da vizinhança”, conta sorridente.

Ela só voltou uma vez ao seu antigo bairro desde que os combates terminaram. “Era como se meu coração estivesse voltando a bater, tudo estava destruído mas eu me lembrei de todos os momentos que vivi lá. Havia um perfume da felicidade passada. Mas eu não vou voltar a morar ali”.

A adolescente, que sonha ser astrônoma “porque ama as estrelas”, continua escrevendo no seu diário. “Não quero me esquecer do que estou vivendo agora”, afirma.

Fonte: AFP
Foto: Joel Saget/AFP

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O salão escuro, de paredes pretas, está tomado de jovens, que cantam e vibram com o som alto de uma banda formada por músicos cabeludos. Quando a cantoria acaba, a turma com pinta roqueira cede o lugar a um rapaz de calça jeans skinny, botas, camiseta podrinha e jaqueta de couro. Imediatamente, o silêncio reina no ambiente, e todos os olhos se voltam para o jovem, que segue para um púlpito e abre a Bíblia. Em inglês, ele prega: “crie oportunidade para ser mudado hoje à noite”. Era uma das mensagens do californiano Joshua Adams, de 29 anos, designer, fotógrafo e agora pastor, num culto de quinta-feira na Igreja United da Tijuca, que faz parte de uma nova safra de templos que arrebata fiéis no Rio. À frente de Joshua, alguns choram copiosamente. Todo o discurso do pastor é traduzido por sua mulher, Hannah, de 26, que já fala um português quase perfeito.

Os dois chegaram ao Rio há três anos, quando fundaram a United, considerada uma das novas igrejas diferentonas que vêm atraindo a atenção de uma parcela da juventude evangélica. A diferença está, sobretudo, na forma, no jeito de se comunicar e por não se enquadrarem em nenhuma denominação (como pentecostal ou neopentecostal). Enquanto isso, a essência não difere muito dos templos convencionais: sexo antes do casamento continua pecado, assim como homossexualidade. Consumo de álcool também não faz parte da realidade ali.

Criada na Igreja Batista, a estudante de design de moda da PUC Malu Gama, de 19 anos, conheceu a United no Instagram. Para ela, voluntária da parte de mídias sociais, a igreja “enxerga as coisas de Deus de forma criativa”. Com um visual hipster, que inclui barba, o músico Igor Montijo, de 29, tocava violão num culto. Ele cresceu na Assembleia de Deus e na adolescência frequentou a Batista:

— Eu queria uma igreja que não impusesse tradições. Uma pessoa de bermuda ou tatuada no rosto não vai ser mal vista aqui. Nas igrejas conservadoras, todo mundo tem que estar num padrão.

A United investe pesado em design e nas redes sociais. Um dos vídeos de divulgação no Facebook é protagonizado por uma menina de cabelos azuis. Hannah e Joshua são filhos de pastores. Os dois se conheceram na igreja Rhema de Oklahoma. As famílias eram amigas e “super crentes”, explica Hannah. Joshua tinha um irmão pastor em Belo Horizonte e veio algumas vezes ao Brasil antes de receber “um chamado de Deus” e embarcar com a mulher grávida de sete meses para o Rio. Os dois iniciaram as reuniões dentro do apartamento. Pais de duas meninas — de 3 e 1 ano —, vivem em Botafogo e comandam três unidades — Tijuca, Campo Grande e Caxias —, que reúnem cerca de três mil seguidores. O casal tem uma meta clara: abrir a cada ano um novo templo. Os recursos vêm de dízimos e ofertas.

— A nossa igreja quer ser uma bússola para os jovens — diz Hannah, negando que o culto seja um show.

A interpretação da Bíblia ali é “preto no branco”:

— Costumo dizer: levantem as bundas e façam algo para Jesus — conta Joshua, descontraído.

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Louvor com sabor de pipoca

Como o nome já adianta, a Igreja no Cinema (INC) não funciona num templo tradicional. Os cultos — ou melhor, sessões — são numa sala de cinema alugada no Recreio Shopping, aos domingos. Uma mulher com um colete flúor de contrarregra (denominação para os diáconos) resume o espírito:

— Imagine um culto tradicional. Agora, inverta.

O pastor Vinicio Silva, de 30 anos, que trouxe para o Rio a INC, fundada há três anos em Curitiba, costuma distribuir pipoca. No telão, videoclipes com canções da própria igreja, acompanhados por músicos ao vivo. No templo são trabalhados os cinco sentidos. Antes das sessões, há um café da manhã. Na sala, toda perfumada, as pessoas se tocam com mãos gigantes de pano. Numa poltrona, o pastor, conhecido como Vini, fala sobre a filosofia da INC consultando a Bíblia num aplicativo no celular:

— Tem gente que acha que Bíblia é desodorante. Mas, ler que é bom, nada.

Vini descobriu a INC no Facebook e mergulhou de cabeça no projeto após refletir sobre a evasão de igrejas evangélicas e a sua desconexão com a velocidade de informação e as novas tecnologias. Contador responsável pela parte fiscal de uma grande rede de sapatarias, o pastor coordenava a juventude da igreja Vida Nova. Bem humorado, Vini afirma que a INC segue a “inteligência Uber”: não quer construir nem multiplicar templos, mas sim compartilhar espaços. Não há planos de comprar um cinema. Também são feitos encontros na praia, no estilo luau. O pastor não tem salário, e as contribuições são aplicadas nos aluguéis. O que sobra, garante Vini, serve para ajudar gente da própria igreja.

As sessões reúnem cerca de 50 pessoas, basicamente de 18 a 35 anos. A proposta é ser uma igreja para quem não gosta de igreja.

— Há um incômodo com as igrejas convencionais, que batem nas pessoas, que falam o tempo todo em pecado, em inferno. Nunca vi uma pessoa entrar em disciplina e voltar depois melhor. Isso só gera mais feridas na alma — destaca o pastor, dizendo que um jovem tatuado pode ser visto como o “belzebu” em outras igrejas. — Não impomos um checklist de vida.

Com um piercing no nariz, a estudante de relações internacionais Aryanny Carvalho, de 21 anos, chegou à INC por curiosidade. Ela é da Igreja Batista também:

— As outras igrejas são muito quadradas nos métodos. São cheias de processos.

Depois de orar a Deus, a turma está livre para emendar, de graça, nas sessões de filmes do shopping. Uma das últimas produções vista pela turma foi, justamente, o polêmico “A cabana”, que vem sendo rechaçado por parte dos evangélicos ao valorizar a experiência religiosa pessoal em vez de a igreja.

Por Ludmilla de Lima, para O Globo
Fotos: Reprodução (Alexandre Cassiano/O Globo e Leo Martins/O Globo)

Angelus Papa Francisco

O papa Francisco reforçou ontem (26), no Vaticano, a sua denúncia das perseguições contra os cristãos, elogiando o testemunho de fé destas pessoas.

“Também nos nossos dias a perseguição contra os cristãos está presente. Rezamos pelos nossos irmãos e irmãs que são perseguidos e louvamos Deus porque, apesar disso, continuam a testemunhar com coragem e fidelidade a sua fé”, disse, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro para a recitação do ângelus.

Francisco pediu que o exemplo destes fiéis ajude todos os católicos a “não hesitar em tomar posição a favor de Cristo”, testemunhando a sua fé “corajosamente” nas situações de cada dia.

“O Senhor, também hoje, envia-nos como sentinelas ao meio das pessoas que não querem ser despertadas do seu torpor mundano, que ignora as palavras de verdade do Evangelho, construindo as suas próprias verdades efêmeras”, acrescentou.

O papa pediu que os cristãos não tenham “medo” da violência ou da rejeição, nem vivam com uma ilusão de “tranquilidade” na sua ação missionária, porque esta tem de incomodar.

“Jesus não nos deixa sós, porque somos preciosos para Ele”, assinalou.

Após a oração, Francisco falou sobre a beatificação do bispo Teófilo Matulionis, martirizado na Lituânia em 1962, quando já tinha quase 90 anos.

“Demos graças a Deus pelo testemunho deste acérrimo defensor da Igreja e da dignidade do homem”, declarou, pedindo uma salva de palmas para o novo beato e para “todo o povo lituano”.

O papa saudou depois uma representação de católicos da Ucrânia e da Bielorrússia, no 150.º aniversário de canonização de São Josafat, invocando para todos “a coragem do testemunho cristão e o dom da paz para a querida terra ucraniana”.

Fonte: Agência Ecclesia

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Membros de várias denominações religiosas e autoridades civis se reuniram, no dia 18 de junho, em uma capela mórmon (como é popularmente conhecida a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) de São Paulo, para debater o tema Liberdade Religiosa. O evento foi uma realização da própria Igreja e contou com a presença de cerca de 150 pessoas.

Samuel Luz, presidente da Associação Brasileira de Liberdade Religiosa e Cidadania, foi o primeiro palestrante da noite. Ele falou sobre casos de intolerância religiosa no Brasil e como isso é uma ameaça a todos. Ressaltou que as crenças podem ser diferentes, mas o respeito deve ser o mesmo. Na sequência, falou a Dra. Charlyane Silva e Souza, muçulmana e integrante da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP. Charlyane contou sobre os desafios que os muçulmanos enfrentam no Brasil devido à sua crença. Ela foi proibida de prestar o exame da OAB por estar usando o hijab (véu usado pelas muçulmanas). O caso teve grande repercussão e acabou alterando as diretrizes do exame da OAB, que passou a admitir o uso de vestimentas religiosas durante os exames.

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O Dr. Douglas McAllister, assessor legal da Igreja anfitriã, enfatizou o significado de Liberdade Religiosa segundo uma declaração da própria Igreja: “A liberdade religiosa, ou liberdade de consciência, é fundamental à saúde de uma sociedade diversificada. Ela permite que diferentes crenças se desenvolvam. A liberdade religiosa protege os direitos de todos os grupos e indivíduos, incluindo os mais vulneráveis, quer sejam religiosos ou não”. A Dra. Damaris Moura Kuo, presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB-SP, encerrou o evento com entusiasmo. “A liberdade religiosa deve ser protegida, promovida e defendida”, enfatizou. Ela ainda comentou os três grandes desafios atuais da liberdade religiosa: o secularismo, o extremismo religioso e o individualismo.

O evento também contou com as presenças do Dr. Ricardo Sale Jr, desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo, do Sheikh Rodrigo Jalloul, Imam no Centro Islâmico Fátima Az-Zahara, do Dr. Nemias Martins, do Departamento de Liberdade Religiosa da Associação Paulistana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, entre outros.

CONIC com informações da Sala de Imprensa Mórmon
Foto: Sala de Imprensa Mórmon

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Para a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as acusações recebidas pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi) são infundadas e injustas. Em nota divulgada pela presidência da entidade nesta quinta-feira, 22, a Conferência manifesta seu total apoio e solidariedade ao Cimi, alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito denominada CPI da Funai e Incra, que indiciou mais de cem pessoas, entre lideranças indígenas, antropólogos, procuradores da República e ligadas ao próprio organismo. No texto, aprovado pelo Conselho Permanente, os bispos ressaltam aumento da violência no campo no período de funcionamento da CPI.

Leia o texto na íntegra:

NOTA DA CNBB EM DEFESA DOS DIREITOS INDÍGENAS E DO CIMI

O Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunido em Brasília-DF, nos dias 20 a 22 de junho de 2017, manifesta seu total apoio e solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) diante das infundadas e injustas acusações que recebeu da Comissão Parlamentar de Inquérito, denominada CPI da Funai e Incra, encerrada no último mês de maio. A CNBB repudia o relatório desta Comissão que indicia mais de uma centena de pessoas: lideranças indígenas, antropólogos, procuradores da república e aliados da causa indígena, entre eles, missionários do CIMI.

Criado há 45 anos, o CIMI inspira-se nos princípios do Evangelho. Por isso, põe-se ao lado dos povos indígenas, defendendo sua vida, sua dignidade, seus direitos e colaborando com sua luta por justiça, no respeito à sua história e à sua cultura. O indiciamento de missionários do CIMI é uma evidente tentativa de intimidar esta instituição tão importante para os indígenas, e de confundir a opinião pública sobre os direitos dos povos originários.

Em seu longo processo, a CPI desconsiderou dezenas de requerimentos de alguns de seus membros, não ouviu o CIMI e outras instituições citadas no relatório, mostrando-se, assim, parcial, unilateral e antidemocrática. Revelou, dessa forma, o abuso da força do poder político e econômico na defesa dos interesses de quem deseja a todo custo inviabilizar a demarcação das terras indígenas e quilombolas, numa afronta à Constituição Federal. São inadmissíveis iniciativas como o estabelecimento do marco temporal, a mercantilização e a legalização da exploração de terras indígenas por não índios, ferindo o preceito constitucional do usufruto exclusivo e permanente outorgado aos povos.

Chama a atenção que o aumento da violência no campo coincida com o período de funcionamento da CPI da Funai e Incra. Segundo dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT), em 2016 foram registrados 61 assassinatos em conflitos no campo, um aumento de 22% em relação a 2015. As atrocidades ocorridas em Colniza (MT) e Pau D’Arco (PA) elevaram para 40 o número de assassinatos no campo, só neste primeiro semestre de 2017. Levadas adiante, as proposições da CPI podem agravar ainda mais esses conflitos. É preciso que os parlamentares considerem isso ao votarem qualquer questão que tenha incidência na vida dos povos indígenas e demais populações do campo.

Tenha-se em conta, ainda, que as proposições da CPI se inserem no mesmo contexto de reformas propostas pelo governo, especialmente as trabalhista e previdenciária, privilegiando o capital em detrimento dos avanços sociais. Tais mudanças apontam para o caminho da exclusão social e do desrespeito aos direitos conquistados com muita luta pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Ao se colocar na defesa da vida dos povos indígenas, ao lado do CIMI e dos missionários, a CNBB o faz com a convicção de que o “serviço pastoral à vida plena dos povos indígenas exige que anunciemos Jesus Cristo e a Boa Nova do Reino de Deus, denunciemos as situações de pecado, as estruturas de morte, a violência e as injustiças internas e externas” (Documento de Aparecida, 95) que ameaçam os primeiros habitantes desta Terra de Santa Cruz.

O Deus da justiça e da misericórdia ilumine o CIMI e venha em auxílio de nossos irmãos e irmãs indígenas, quilombolas e trabalhadores e trabalhadoras do campo, cuja vida confiamos à proteção de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de Deus e Padroeira do Brasil.

Brasília, 22 de junho de 2017.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Kriger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

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Nildes Néri, de 50 anos, ganhou o respeito de dependentes químicos da região, que chegam a esconder o cachimbo quando ela passa.

O texto é de Paula Paiva Paulo, para o G1 SP.

“Você está com a pessoa mais querida do mundo, já sabe ou não?”, pergunta um usuário de crack de 70 anos à reportagem. Ele está falando da Pastora Nildes Néri, que, dos seus 50 anos, há 13 trabalha no atendimento aos usuários de drogas da região da Cracolândia. Neste tempo, além de ganhar o respeito dos dependentes – que chegam a esconder o cachimbo quando ela passa –, a pastora adotou duas crianças.

A história da pastora Nildes na Cracolândia começa em 2004, quando ela chegou de Salvador para morar na Rua Conselheiro Nébias, região da Luz, onde havia uma grande concentração de usuários. “Eu nunca tinha visto na minha vida tanta gente numa rua usando drogas”. Ela chegou com o marido e duas filhas, de 11 e 15 anos, para ser missionária pela Igreja do Evangelho Quadrangular.

“Vendo as famílias ali, comecei a me preocupar com elas. E da janela de onde eu morava eu via as pessoas morrendo. E acho que a maior necessidade delas muitas vezes era ter alguém para conversar. Era um ouvido, um abraço, um aperto de mão, um bom dia. E eu olhei e falei, quero ajudar essas pessoas”, conta Nildes.

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Ela conta que fazia um "trabalho de formiguinha". "Levava eles para um espaço para dar banho, para dar comida, para ouvir. Então a nossa casa se tornou um lugar onde eles batiam todos os dias”, explica. As filhas de Nildes eram chamadas de “irmãs” pelos usuários.

“É um chamado incondicional, não é pela religião, não é pela igreja.
Eu entendo que eu, como cristã, tenho uma responsabilidade”

Acostumados a procurar a pastora quando precisavam, um dia ela escutou: “Pastora, nós estamos com uma criança aqui, o pai saiu e não voltou”. Dias depois descobriram que o pai estava preso. O menino tinha 4 anos. Nildes encontrou o avô da criança, que não tinha condições financeiras para criá-lo e passou a guarda para ela.

Rafael hoje tem 12 anos e conhece sua história. “Faz pouco tempo apresentei o pai biológico dele, falo da história que ele teve lá atrás, e o que ele pode conseguir daqui pra frente”, explicou Nildes.

Pouco mais de um ano depois de adotar Rafael, Nildes acolheu em sua casa uma usuária de crack e seu filho de 6 meses. Certo dia, a mãe saiu e não voltou, e a Justiça deu a guarda para a pastora. Hoje, Kauan tem 7 anos e é o caçula dos quatro filhos.

Em 2012, ela se mudou para a Alameda Dino Bueno, que há alguns anos concentrava o “fluxo” de usuários de drogas. No ano seguinte, Nildes foi convidada para trabalhar no Programa Recomeço, do governo estadual, que atende dependentes químicos. No projeto desde então, hoje ela coordena os conselheiros da tenda que fica na esquina da Rua Helvétia com a Dino Bueno. A pastora também virou presidente de uma ONG que trabalha com dependentes, o Centro Assistencial ao Povo Carente de São Paulo.

“Me sinto muito honrada de estar aqui. Eu me sinto muito honrada quando eu entro dentro da Cracolândia e eles escondem o cachimbo, e eles falam, ‘olha a pastora'. É o respeito, né”. "Eu me sinto grata, porque é uma oportunidade que Deus tá me dando pra eu servir o meu semelhante”, conta Nildes.

Apesar do discurso religioso, Nildes disse que não entra com a Bíblia no "fluxo" e nem fala sobre religião. “Não imponho religião, não ando orando com ninguém, mas quando eles pedem ‘pastora, ora por mim’, eu faço”.

“Costumo dizer que sou uma pastora de uma igreja sem teto,
de uma igreja sem parede, onde eles não são proibidos de entrar”

“Fiquei muito feliz porque o Padre Julio Lancelloti falou uma frase para mim: 'Você é minha pastora'". Católico, o padre Júlio é conhecido por seu trabalho de auxílio aos moradores de rua. “Eu disse ‘e você é o meu padre’. Fiquei muito feliz, porque não há barreiras”, completa Nildes.

Fonte: G1
Fotos: Fábio Tito/G1