Mais de 50 mil pessoas são assassinadas no Brasil todos os anos há mais de uma década. E cenas de horror como as ocorridas nos presídios do Amazonas e de Roraima não são uma novidade no país. Já haviam sido registradas na penitenciária de Pedrinhas, no Maranhão, e relembram o massacre do Carandiru, em São Paulo.

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A violência e a falta de uma política eficaz de segurança pública estão entre os problemas mais graves enfrentados pelo Brasil hoje. O professor Titular do Departamento de Sociologia da USP e diretor do NEV (Núcleo de estudos da Violência), Sergio Adorno, fala, em entrevista ao [portal] Nexo, a respeito dessas fragilidades e mostra como elas explicitam questões estruturais da sociedade brasileira, incluindo a desigualdade social e a violência praticada pelo próprio Estado. Nas palavras de Adorno, “o Estado não pode fomentar a violência, o Estado tem que conter a violência”.

Fonte: Nexo Jornal
Foto: Ricardo Monteiro/Nexo

A Semana de Oração pela Unidade Cristã de 2017, que no hemisfério norte foi celebrada de 18 a 25 de janeiro, evocou os 500 anos da Reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero. “Reconciliação: é o amor de Cristo que nos compele – Celebração do 500° Aniversário da Reforma” foi o tema central do documento de reflexão, preparado e publicado em conjunto pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e a Comissão Fé e Constituição, do Conselho Mundial de Igrejas. Clique aqui e obtenha mais detalhes sobre a celebração no Hemisfério Sul.

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“Que pessoas e Igrejas possam ser impelidas pelo amor de Cristo a viver vidas reconciliadas e a derrubar as paredes da divisão”, lê-se no texto. O tema deste ano foi sugerido pelo Conselho de Igrejas na Alemanha, a convite do Conselho Mundial de Igrejas.

A publicação das “95 teses”, em 1517 por Lutero, é apresentada no documento como “dolorosa divisão”. Em função disto, as Igrejas cristãs na Alemanha propõem que, 500 anos depois, se reflita sobre a “reconciliação como centro da fé”.

O tema da Semana de Oração pela Unidade Cristã de 2017 inspira-se numa passagem da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios: “Reconciliação: é o amor de Cristo que nos impele”.

“Como embaixadoras de reconciliação, as Igrejas ativamente prestaram assistência aos refugiados na busca de novos lares, enquanto, contemporaneamente, tentavam melhorar as condições de vida nos países que eles tinham deixado para trás”, afirma o documento.

Em 31 de outubro de 2016, o Papa Francisco e o Presidente da Federação Luterana Mundial (LWF, siga em inglês) assinaram, na Suécia, uma Declaração Comum por ocasião da comemoração católico-luterana dos 500 anos da Reforma protestante.

“Pedimos a Deus inspiração, ânimo e força para podermos continuar juntos no serviço, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres, trabalhando pela justiça e rejeitando todas as formas de violência”, refere o texto, firmado por Francisco e por Munib Younan na Catedral de Lund, após uma oração ecumênica.

Com informações: JE com Ag. Ecclesiae
Foto: Daniel Ibáñez (ACI Prensa)

Segundo informações de diversos portais da internet, entre eles o portal Geledés e o blog Olhar de um Cipó, o Terreiro Vó Maria de Aruanda teve seu culto brutalmente interrompido no último dia 14/01, aproximadamente às 21h, por agentes da Guarda Civil Metropolitana de Diadema, em São Paulo. De acordo com os relatos, além da interrupção do culto, foram anotadas as placas dos veículos utilizados pelos fiéis, que se sentiram intimidados.

O silencio dos atabaques

Tal episódio, por si só, já é capaz de gerar revolta entre todos aqueles que defendem a o direito a Liberdade de Culto e Crença, contudo, está longe de ser um fato isolado. No início do ano de 2016, a Polícia Militar do Estado de Sergipe interrompeu um culto de matriz africana, apreendeu os atabaques que nele eram utilizados e caracterizou o acontecido como sendo Perturbação do sossego (Art. 42 da Lei de contravenções penais), responsabilizando por tal conduta o proprietário do local onde o culto era realizado, entre outros inúmeros casos de intolerância religiosa e perseguição às religiões de matriz africanas perpetrados por agentes públicos.

Outros segmentos religiosos de matriz cristã utilizam diversos instrumentos sonoros, como microfones, caixas de som, amplificadores e realizam cultos diariamente e nos mais variados horários. Não se vê a mesma conduta dos agentes do Estado, não há relatos de interrupção de cultos, de apreensão de aparatos sonoros, responsabilização dos proprietários dos locais de culto ou de intimidação de seus fiéis.

Forma-se um cenário no qual o Estado, por meio de seus agentes, faz uso de dois diplomas legais para perseguir os cultos de matriz africana, em uma conduta absolutamente racista que, porém, não é novidade. Desde os anos do Estado Novo, o artigo 42 da Lei de Contravenções Penais é utilizado para perseguir os membros do Candomblé e da Umbanda, fato magistralmente registrado por Jorge Amado em seu “Tenda dos Milagres”, com o passar dos anos e o advento do Estado Democrático de Direito, houve um refinamento no mecanismo de intolerância religiosa: já não se podia utilizar de métodos tão brutais quanto a prisão para os praticantes das já mencionadas religiões. Surge, então, a popularmente conhecida Lei do Psiu, que em prevê pena de multa para quem exceder o limite de decibéis previsto pela A.B.N.T., transmutando a perseguição de coação física para econômica.

Todavia, nos últimos anos o que se vê é um aumento não só do número de casos de intolerância religiosa, mas um aumento da gravidade, com agressões físicas e invasões de terreiros. O discurso de ódio ao Candomblé e a Umbanda, notadamente às figuras dos Exus e Pombas-Gira, que é veiculado durante horas a fio e diariamente nas Televisões, legitima e incentiva tais práticas. Voltando à tona o instrumento repressivo Varguista que se soma à Lei do Psiu.

Portanto, é crucial que se lute contra a intolerância religiosa, que se lute para que se possa professar livremente e sem medo o seu credo, adotando a postura resumida no discurso de Carlos Marighella na Assembleia Constituinte de 1946:

garantir, no Brasil, a liberdade de consciência, respeitando-se todos os credos, fazendo que se não estabeleça privilégio de um credo sobre os demais, ou não se recorra a essa situação, no sentido de impedir a liberdade democrática e acorrentar mais ainda a nossa gente.

Texto: Fernando Perez da Cunha Lima
Publicado originalmente em: justificando.cartacapital.com.br
Foto: Rafael Martins/Ilê Asipá (Reprodução)
Obs.: o título foi adaptado

A Federação Luterana Mundial (FLM), o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a Aliança ACT, da qual a FLD é membra, publicaram uma declaração sobre a Ordem Executiva Presidencial dos EUA, intitulada Protegendo a nação contra a entrada de terroristas estrangeiros, e seu impacto sobre pessoas refugiadas.

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"Nossa fé chama cristãs e cristãos a amar e acolher pessoas estrangeiras, refugiadas, deslocadas internamente, ou seja, a outra e o outro”, diz o documento. "Somos chamadas e chamados a tratar as pessoas como gostaríamos de ser tratados. A Escritura e o ensinamento de nosso Senhor Jesus Cristo são categóricos quanto a isso”.

A declaração exorta os EUA a honrar sua tradição de receber e refugiar populações ameaçadas por violências, perseguições e guerras, e honrar suas obrigações sob as leis do direito internacional.

"A proibição da entrada de mais da metade do número de pessoas que o país recebe a cada ano não só afeta gravemente pessoas em situação de risco de vida, mas também incentiva outros países desenvolvidos a diminuírem seu compromisso com ações futuras de proteção internacional para pessoas refugiadas”.

"Lamentamos particularmente a suspensão específica e indefinida da admissão de refugiadas e refugiados vindos da Síria, em vista do grave conflito e da crise humanitária na região", diz a declaração. "Este é um fracasso enorme em termos de compaixão e de responsabilidade."

"Ao mesmo tempo, aplaudimos todas e todos, incluindo igrejas e organizações relacionadas a igrejas, que têm sido incansáveis em servir as pessoas que conseguiram fugir – especialmente da Síria e do Oriente Médio – e apoiá-las em suas novas vidas nos EUA e em outros países".

“Estamos juntos com todas e todos que pedem a reversão imediata da ordem executiva".

A FLM e seus parceiros da Aliança ACT estão atendendo pessoas refugiadas e pessoas deslocadas de 25 países. Em 2016, a FLM concedeu ajuda a 2,3 milhões de refugiadas e refugiados no mundo.

Texto e foto: www.lutheranworld.org
Tradução: Susanne Buchweitz/Comunicação FLD

Será celebrado, no dia 3 de março, o Dia Mundial de Oração (DMO). Este ano, os materiais para celebração foi elaborado por cristãs das Filipinas. O tema será: "Estou eu sendo injusto com você?". Vale lembrar que o DMO é uma excelente oportunidade para refletir sobre qual caminho tem sido trilhado pelas igrejas cristãs, suas contribuições para a sociedade, bem como a importância da oração em prol de um mundo mais justo.

Cartaz DMO

As origens do Dia Mundial de Oração remontam ao século XIX, quando mulheres cristãs dos Estados Unidos e do Canadá iniciaram, através da oração, uma variedade de atividades de cooperação e apoio à participação de mulheres em obra missionária nacional e estrangeira.

Em artigo publicado há dois anos no site do CONIC, Dreher também lembrou que "desde seu início, o movimento foi interdenominacional. Em 1968, fixou-se a primeira sexta-feira de março como data oficial para celebração do Dia Mundial de Oração, curiosamente tão próxima da comemoração do Dia Internacional da Mulher".

Hoje, o Dia Mundial de Oração reúne mulheres cristãs, de muitas tradições, em todo o mundo, para observar um dia comum de oração por ano. Em muitos países, esse contato tem continuidade em reuniões de oração e trabalho posteriores.

- É um movimento iniciado por mulheres e realizado em mais de 170 países e regiões.
- É um movimento simbolizado por uma celebração anual – primeira sexta-feira de março – à qual todos são bem-vindos.
- É um movimento que tem o dom de aproximar mulheres de várias nacionalidades, culturas e tradições.

Para celebar o DMO, clique aqui e acesse alguns recursos.

Se preferir, acesse o site: www.dmoracao.comunidades.net

Traçar um panorama das religiões do planeta usando apenas 50 verbetes de uma página cada um soa, à primeira vista, como a proverbial missão impossível. A equipe coordenada pelo filósofo britânico Russell Re Manning, no entanto, conseguiu operar esse pequeno milagre, e o resultado funciona como uma bem-vinda introdução ao fenômeno das crenças religiosas.

Com o título um tanto desajeitado "Religião: 50 Conceitos e Crenças Fundamentais Explicados de Forma Clara e Rápida", o livro organizado por Manning, que é professor da Universidade de Cambridge, poderia ser apenas superficial quando se considera o espaço limitadíssimo concedido a cada crença –afinal de contas, quando se tenta resumir 3.000 anos de judaísmo ou 2.500 anos de budismo com menos de mil palavras, quase tudo parece ter ficado de fora.

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Por outro lado, a concisão e a abrangência acabam favorecendo o enfoque comparativo, o que ajuda o leitor a se dar conta de temas comuns, paralelos e influências mútuas entre as diferentes crenças.

Graças a isso, e à organização temática que não é apenas geográfica nem temporal (com seções como "Tradições indígenas", "Espiritualidades do Oriente", "Cristianismos pelo mundo" e "Novas religiões"), fica mais fácil perceber o quanto as mais variadas fés, apesar das contradições superficiais do ponto de vista teológico, expressam tendências muito similares e profundamente arraigadas à mente humana.

ANIMISMO E CARMA

Uma dessas linhas-mestras é o animismo –grosso modo, a ideia de que entidades não humanas, de animais e plantas a lugares e fenômenos da natureza, possuiriam algo similar à alma atribuída às pessoas.

Ideias animistas provavelmente acompanham nossa espécie há dezenas de milhares de anos (vemos indícios delas nas primeiras pinturas e estatuetas pré-históricas, produzidas na Europa da Era do Gelo), e ainda podem ser encontradas em culturas tão diversas quanto as tribos da Amazônia e os xintoístas do Japão.

Manning e seus colegas, aliás, acertam na mosca ao citar o papel do animismo na origem das crenças religiosas. Para muitos dos pesquisadores que estudam a gênese da religião sob o prisma da teoria da evolução, coisas parecidas com o animismo seriam um subproduto natural da chamada teoria da mente - a aguçada capacidade dos seres humanos para adivinhar intenções, pensamentos e desejos nas outras criaturas ao seu redor.

Esse "detector de mentes" típico do Homo sapiens, ao ser aplicado não apenas a outros seres vivos, mas também à ordem do Cosmos como um todo, seria uma das explicações para o surgimento da crença em entes sobrenaturais e divindades.

Um punhado de outros conceitos-chave parece ter dominado a evolução subsequente das religiões. É impressionante constatar, por exemplo, a longevidade do conceito de carma (literalmente, algo como "ação", no sentido de descrever como as ações presentes determinam o futuro espiritual de cada indivíduo).

Ele parece ter sido formalizado pela primeira vez há cerca de 3.000 anos pelos adeptos do hinduísmo e se tornou central, com elaborações e transformações, para outras grandes religiões do Oriente, como o budismo, o jainismo e o taoismo, sem falar em influências mais remotas da ideia sobre o espiritismo ocidental.

Fica clara ainda a "evolução convergente" de coisas como a crença num Deus único (compartilhada entre judeus, cristãos e muçulmanos, de um lado, e várias tradições espirituais indianas, de outro) e a veneração de livros sagrados (entre os siques, pouco conhecidos no Brasil mas importantes na Índia, no Canadá e na Austrália, há o costume de "colocar para dormir" à noite e "acordar" de manhã o compêndio religioso Guru Granth Sahib, uma reverência que talvez supere a dos judeus pela Torá).

Embora as religiões tenham perdido espaço entre a população dos países desenvolvidos nas últimas décadas, não há como negar o fato de que elas continuarão a estar entre as forças políticas e sociais mais poderosas do planeta por muito tempo –ou talvez para sempre. Para quem deseja entender o que elas significam e para onde podem caminhar, o livro é um bom ponto de partida.

Serviço:

RELIGIÃO: 50 CONCEITOS E CRENÇAS FUNDAMENTAIS EXPLICADOS DE FORMA CLARA E RÁPIDA
AUTOR: Russell Re Manning (editor)
TRADUTOR: Luis Reyes Gil
EDITORA: Publifolha
QUANTO: R$ 47,90; 160 págs.

A matéria também pode ser acessada aqui.

Fonte: Folha de S. Paulo
Foto: Reprodução

Si se pretende hacer frente a la creciente desigualdad mundial que se ha puesto de relieve recientemente, los líderes mundiales deben tomar medidas 'tangibles' inmediatas, dice el Secretario General del Consejo Mundial de Iglesias (CMI), el Rev. Dr. Olav Fykse Tveit.

El líder del CMI participa esta semana en el Foro Económico Mundial de 2017, en Davo (Suiza), que tiene como tema: “Liderazgo responsable y receptivo”.

Como líder religioso, el Rev. Tveit dijo que quería trasladar el urgente mensaje de que “si los líderes del mundo aspiran a ser responsables y receptivos, deben considerar la desigualdad como un asunto prioritario y hacerle frente de forma tangible; y deben hacerlo ya”.

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El Rev. Tveit dijo: “El problema de la desigualdad tiene su origen en estructuras profundas de diferencias y divisiones relacionadas con la clase, la raza, y el género, entre otros aspectos”. “Lo que sí sabemos a ciencia cierta es que no todos los niños nacen con las mismas oportunidades, sobre todo en un país como los Estados Unidos de América, donde la igualdad de oportunidades ha sido un eslogan tan frecuente”.

El Secretario General del CMI hizo la siguiente observación: “En el día de la investidura del 45º Presidente de los Estados Unidos de América, elegido con el sólido apoyo de quienes temen perder su superioridad como blancos y los privilegios que su raza les procura, son muchos los que se preguntan qué hará el nuevo gobierno de la nación más poderosa a este respecto”.

El Rev. Tveit destacó: “Este es el momento de emitir un mensaje claro, desde todos los sectores de la sociedad norteamericana y del mundo entero, de que ni los EE. UU. ni el resto del mundo necesitan más separaciones, más brechas, ni más personas que queden relegadas o excluidas del desarrollo económico. Eso solo aumentaría los riesgos para todos”.

En respuesta a un informe recientemente publicado por Oxfam, el Rev. Tveit señaló que en este se habla de un “creciente cisma socioeconómico entre ricos y pobres” que constituye un cargo que pesa constantemente sobre nuestro sistema económico mundial.

El análisis de Oxfam, titulado “Una economía para el 99 por ciento”, constata que ocho multimillonarios poseen la mitad de la riqueza del mundo.

“Es evidente que un sistema económico que premia a quienes practican la explotación, la corrupción y la evasión fiscal, que genera más y más beneficios para los multimillonarios y los millonarios, pero es incapaz de alimentar, dar cobijo y vestido a casi mil millones de personas, es un sistema disfuncional”, dijo el Secretario General del CMI. “Y más que disfuncional, es inmoral. La desigualdad alimenta la pobreza, y la pobreza mata”.

“Ahora más que nunca, las iglesias y los creyentes deben escuchar la llamada de la peregrinación de justicia y paz, y reclamar una economía de vida que acoja y proteja a todos los seres humanos, sobre todo a aquellos que han sido apartados: los empobrecidos, muchos de ellos mujeres, niños y migrantes”, añadió. “En las Sagradas Escrituras Dios manifiesta, una y otra vez, una preferencia por los pobres.”

En la práctica, esto significa que las iglesias deben defender de forma efectiva e incansable la reglamentación financiera, las políticas comerciales justas, los trabajos dignos, los sistemas fiscales justos, la protección social para los sectores vulnerables y las medidas alternativas para alcanzar el progreso socioeconómico.

Fonte: CMI
Foto: Albin Hillert / WCC (Pozo junto a la Iglesia de la Resurrección en el Cairo)

“…Não tenho medo de morrer ou ficar preso, na verdade já estou preso na angústia da injustiça, além do que eu preso, vou ter 3 alimentações completas, banho de sol, salário, não precisarei acordar cedo pra ir trabalhar, vou ter representantes dos direito humanos puxando meu saco, também não vou perder 5 meses do meu salário em impostos. No Brasil, crianças adquirem microcefalia e morrem por corrupção, homens babacas morrem e matam por futebol, policiais e bombeiros morrem dignamente pela profissão, jovens do bem (dois sexos) morrem por celulares, tênis, selfies e por ídolos, jornalistas morrem pelo amor à profissão, muitas pessoas pobres morrem no chão de hospitais para manter políticos na riqueza e poder! A justiça brasileira é igual ao Lewandowski, (um marginal que limpou a bunda com a constituição no dia que tirou outra vadia do poder) um lixo! Filho, não sou machista e não tenho raiva das mulheres (essas de boa índole, eu amo de coração, tanto é que me apaixonei por uma mulher maravilhosa, a Kátia). Tenho raiva das vadias que se proliferam e muito a cada dia se beneficiando da lei vadia da penha…”

A carta, que destila raiva e intolerância por diversos setores da sociedade, foi encontrada após a chacina ocorrida na noite de Ano Novo, em Campinas, no interior de São Paulo. Foi escrita por Sidnei Ramis de Araújo, de 46 anos, que executou 12 pessoas de uma mesma família, sendo nove mulheres. O filho de 8 anos a quem ele se dirige no texto também foi morto pelo pai. A justificativa para a matança que chocou o País foi o fato de Araújo estar impedido de conviver com o menino, após decisão da Justiça. Inconformado com a atitude da “vadia”, como chamava a ex-mulher, Isamara Filier, 41 anos, decidiu executá-la sumariamente, assim como todas as suas parentes presentes na celebração. Mais um crime de feminicídio, atitude apoiada por muitas pessoas nas redes sociais, como pode ser observado no quadro com comentários da pagina 64. Mas Araújo não vociferou apenas contra as mulheres. Critica ainda a legislação que pune homens que agridem companheiras, como se eles estivessem agindo corretamente, fala contra presos, defensores de direitos humanos e Judiciário, numa narrativa vertiginosa e carregada de ódio.

Uma semana antes, na noite do dia 25, o ambulante Luiz Carlos Ruas, conhecido como Índio, 54 anos, foi espancado até a morte dentro do metrô de São Paulo por Alipio dos Santos e Ricardo do Nascimento porque tentou defender uma travesti dos ataques dos dois. Poucos dias antes, Débora Soriano de Melo foi espancada e estuprada por Willy Gorayeb Liger em um bar na zona leste de São Paulo. Ele confessou tê-la matado com um taco de beisebol após uma discussão e está preso. Não há um único dia sem que um crime pavoroso ocorra no País. Mas apenas esses três relatados acima, ocorridos nas últimas semanas, mostram que o Brasil vive tempos de cólera.

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Em algum momento do processo histórico brasileiro nos reconhecemos como o povo da cordialidade, da alegria, do samba. Mas essa construção social tem perdido força à medida que o discurso de ódio se prolifera, seja nas conversas no ônibus, nas mesas de bar ou nos comentários nas redes sociais. O que se vê são xingamentos, embates, críticas vazias, ironias e provocações. “A verdade é que somos uma sociedade extremamente violenta, são 50 a 60 mil homicídios por ano”, afirma a socióloga Wânia Pasinato, especialista em violência de gênero. “Além disso, aceitamos a violência em sua forma mais seletiva. 95% das vítimas são negros e jovens e 10% são mulheres.” Para o filósofo e professor de ética e filosofia política da Universidade de São Paulo, Renato Janine Ribeiro, entramos num estado de anomia, de falta de regras, em que a sociedade abre espaço para atitudes extremas. “Há uma propagação do ódio. Não passamos um dia sem um crime motivado por esse sentimento”, afirma.

A chacina em Campinas é carregada de misoginia. Antes de ser morta, a vítima havia feito cinco boletins de ocorrência contra o ex-marido por agressão e violência. A ironia é que, mesmo assim, a lei Maria da Penha, que ele critica em sua carta, não foi posta em prática, já que mesmo com tantas denúncias nenhum processo de investigação foi aberto contra ele. Em outro bárbaro crime de feminicídio também na noite de Ano Novo, em Minas Gerais, Renata Rodrigues Aureliano foi incendiada pelo ex-companheiro que exigia retomar o relacionamento. Diante da negativa, jogou gasolina nela e a incendiou na frente do filho de 9 anos. Renata morreu por falência múltipla de órgãos. A vítima também já havia registrado um boletim de ocorrência contra Jeferson Diego Caetano da Costa. Na quarta-feira 4, um homem de 43 anos foi detido em Jaboticabal (SP) depois de postar mensagens no Facebook dizendo que iria invadir o Fórum para matar duas juízas e uma promotora envolvidas em uma disputa judicial que ele travava com a ex-mulher pela guarda do filho. Nas mensagens, dizia repetir o que aconteceu em Campinas.

“Há uma guinada conservadora que reforça a intolerância”, afirma a socióloga Wânia Pasinato. Quando se tratam de crimes motivados por preconceito, há vários grupos sociais que são alvo, além das mulheres, como negros, gays e transexuais. “Isso acontece porque o ódio busca o que pareça mais fraco”, afirma o historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas Leandro Karnal. Além disso, quando há uma parcela social que legitima essas ações, que culpa o outro pelos próprios problemas, o sentimento fica ainda mais perigoso. “O indivíduo que matou em Campinas deveria compartilhar essas opiniões na rede e receber apoio de outras pessoas também fracas e frustradas. Lentamente, ele percebeu que havia base para fazer algo.”

De onde vem a raiva?

Para a psicóloga Mafoane Odara, do Instituto Avon, o discurso do politicamente correto também pode estar travestido de violência. “Em uma pesquisa as pessoas dizem que só se pode acabar com o machismo pela educação, mas 50% dos homens e 33% das mulheres afirmam que jamais dariam uma boneca para o filho brincar.” Para mudar, é preciso afincar as políticas de segurança e de disseminação da tolerância e cobrar dos gestores públicos medidas adequadas e punições efetivas. Mas a mudança pode começar também nos pequenos universos individuais. Para Karnal, o ódio sempre vem acompanhado de sentimentos comuns a todos: medo, dor e frustração. A diferença é a capacidade de cada um em gerenciar limites. Ou desenvolvemos essa habilidade ou, parafraseando Gandhi, será olho por olho, e o Brasil acabará cego.

Ecos da intolerância

Os assustadores comentários em portais de notícias sobre a chacina em Campinas mostram que muitas pessoas compartilham do ódio.

“É um discurso coerente de uma pessoa que foi levada ao limite. Quem aqui pode afirmar que não faria o mesmo se tivesse seu filho tirado de si com uma acusação falsa de abuso?”
(Thiago S.)

“Esse cara foi movido pelo desespero. Talvez a mulher tenha feito o que é muito comum em finais de relacionamento: atacar a honra de um homem por meio de mentiras e fofocas. Essa história não tem um vilão só não.”
(Ulysses N.)

“O nome desse desequilíbrio chama-se: injustiça. Está na hora de rever os direitos civis e de família.”
(Eduardo G.)

“Não se deve afrontar a honra de um homem!”
(Paulo S.)

“Enquanto o feminismo continuar incentivando as mulheres a se separarem, humilharem seus maridos e tirarem deles o que eles mais amam (seus filhos) continuarão sendo assassinadas. ”
(André A.)

“Se a mulher fosse submissa, andasse de burca e não tivesse pedido o divórcio, isso não teria acontecido.”
(Alex O.)

Denúncias e mortes

90 mil queixas de violência contra mulher foram recebidas por mês pelo Ligue 180 em 2016. Houve um aumento de 52% em relação a 2015.

133%. Esse foi o aumento no número de relatos de violência doméstica e familiar se comparados os dados do ano passado.

11 mil boletins de ocorrência são registrados por mês somente no Estado de São Paulo.

390 mulheres são assassinadas por mês no Brasil, o equivalente a 13 por dia.

Em 35,1% dos casos de feminicídios, os agressores são parceiros ou ex-parceiros.

Fonte: IstoÉ (o título foi adaptado)
Foto: Reprodução

As organizações abaixo-assinadas vêm manifestar seu repúdio à Portaria n.º 80/2017, expedida pelo ministro da Justiça, dado seu nítido caráter de fazer prevalecer decisões de natureza política sobre conclusões eminentemente técnicas que fundamentam o Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação de terras indígenas, elaborado no âmbito da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A medida segue na linha do enfraquecimento do órgão indigenista federal, atualmente com o pior orçamento de sua história, e consiste numa forte concessão do Governo Michel Temer a bancadas parlamentares anti-indígenas, em contraposição aos direitos ligados à vida dos povos indígenas do Brasil, notadamente o direito originário às suas terras tradicionais.

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Repudiamos, ainda, a ausência de diálogo com o Conselho Nacional de Política Indigenista – CNPI (ligado ao próprio Ministério da Justiça), o descumprimento do direito à consulta livre, prévia e informada, bem como a orquestração de tentativas de impor graves retrocessos à legislação que rege o procedimento de demarcação de Terras Indígenas, mantida em vigor há mais de 20 anos, como a minuta de Decreto divulgada pela imprensa em dezembro de 2016 e a Portaria n.º 68/2017, recentemente revogada após manifestações contrárias do movimento indígena, de especialistas e do Ministério Público Federal.

Todas estas medidas têm o claro objetivo de retardar ou impedir a conclusão dos processos de demarcação, revelando o propósito do atual governo no sentido de enterrar políticas de demarcação de terras indígenas e outras pautas de regularização fundiária, o que só contribui para a ampliação e perpetuação dos conflitos existentes.

Diante desse cenário, as organizações signatárias exigem a imediata revogação da Portaria nº 80/2017, bem como pugnam pela atuação do Governo Federal no sentido de fortalecer a Funai para o cumprimento de sua missão institucional e pela retomada urgente dos processos de demarcação de terras indígenas.

Assinam conjuntamente:

Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Centro de Trabalho Indigenista – CTI
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Greenpeace Brasil
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto Internacional de Educação do Brasil – IEB
Instituto Socioambiental – ISA
Operação Amazônia Nativa – OPAN
Plataforma DHesca/Relatoria de Direitos Humanos e Povos Indígenas

Fonte: Cimi
Foto: Reprodução

A PUC-SP recebeu, de 6 a 14 de janeiro, o 30º Curso de Verão. Com o tema “Educar para a paz em tempos de injustiças e violências”, o Curso teve a participação de 333 cursistas, mais de 15 assessorias temáticas, além de 126 monitores e voluntários que debateram a importância de criar a cultura da não violência. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, participou.

Entre as assessorias destacou-se a do professor e diplomata brasileiro, Paulo Sérgio Pinheiro. Em sua exposição, o professor falou sobre a “Violência na cena internacional e os organismos promotores da paz”, principalmente nas regiões de conflito como a Síria. Além de ressaltar a importância da Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas na busca de relações pacíficas entre os povos.

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Houve também a da doutora em Ciências da Comunicação, membro da Sociedade Internacional Mídia, Religião e Cultura, além de Colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas, Magali do Nascimento Cunha, com o tema: “O desafio da humanização das mídias em tempos de espetacularização da violência”.

A professora Magali explicou os tipos de violência a que as pessoas estão expostas. Violência física; violência psicológica; violência sexual; violência de gênero; violência contra a mulher; violência moral; violência familiar/doméstica; violência religiosa; violência étnico-racial; violência patrimonial.

Além das assessorias, o Curso teve momentos nas tendas temáticas e encontros de grupos específicos como dos representantes do povo negro, LGBTs e dos jovens da Pastoral da Juventude.

Dia 13 de janeiro, oitavo dia do Curso de Verão 2017, os participantes refletiram sobre os Biomas Brasileiros e a Defesa da Vida a partir da leitura de fragmentos do vídeo oficial da Campanha da Fraternidade 2017. “Somos responsáveis pela vida e chamados a cuidar de toda a criação, por isso, é importante estarmos atentos aos sinais que produzem a morte como, por exemplo, a ganância, a concentração de terras, de renda e de recursos naturais, o desmatamento, a poluição do meio ambiente”, afirmou padre José Oscar Beozzo, coordenador das atividades. Disse que é preciso transformar a realidade e ter um posicionamento comprometido com a vida, defendendo-a e protegendo-a.

A novidade do dia foi o protagonismo dos cursistas na apresentação sobre quatro biomas: Mata Atlântica, Amazônia, Caatinga e Pampa; trazendo elementos do cotidiano, incluindo lutas e desafios atuais para a preservação desses biomas. O tema apresentado aponta para a necessidade da união de todas as pessoas para a superação das graves violências que destroem os biomas. É um tema de caráter coletivo e universal, com implicações na vida de cada um.

Na carta compromisso de encerramento do Curso de Verão os participantes se comprometeram, entre outras coisas: desarmar a mente e o coração para acolher as pessoas e dialogar, unindo o espiritual com ações políticas e pastorais; promover formação acerca da justiça restaurativa e a sua partilha, a partir do conhecimento adquirido no curso; levar para os espaços onde atuam os saberes compartilhados neste Curso, criando redes multiplicadoras com facilitadoras e animadoras em nossas comunidades; incentivar o uso das mídias alternativas, humanizando-as e apurando a veracidade das informações antes de compartilhá-las; capacitar pessoas nos órgãos públicos; construir uma agenda para formação política, unindo movimentos sociais, com o auxílio das mídias alternativas a partir da rede formada no Curso de Verão.

Mais informações, vídeos e fotos do 30º Curso de Verão podem ser acessadas no site: novo.ceseep.org.br.

Com informações do CESEEP
Foto: Reprodução