NOTA CBDH

O Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa e as organizações que assinam este documento consideram gravíssima e destemperada a atitude do governo brasileiro em relação ao comunicado conjunto (1) da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e do Escritório Regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH). No comunicado, emitido em 26 de maio de 2017, as entidades condenam o uso excessivo da força durante as manifestações e em operativos de segurança no Brasil.

A linguagem desrespeitosa e agressiva adotada pelo Itamaraty se distancia demasiadamente da postura que se espera de um país membro do Conselho de Direitos Humanos da ONU e que se diz comprometido com a proteção internacional dos direitos humanos. Ao dirigir-se de forma a menosprezar e questionar a boa-fé da CIDH e do ACNUDH, o governo de Michel Temer demonstra preocupante desconsideração com dois dos principais organismos internacionais e regionais de direitos humanos que se dedicam ao tema.

Ademais, a reação ofensiva do Ministério das Relações Exteriores (MRE) indica desconsideração aos princípios tradicionalmente conferidos à política externa brasileira, como o multilateralismo e a valorização do direito internacional. A condenação pela CIDH e ACNUDH do uso excessivo da força é pertinente uma vez que o país padece desse abuso de forma crônica e estrutural.

A falta de protocolos claros e públicos sobre uso da força por agentes de segurança, os inúmeros casos de permissividade por parte do poder público frente à ação e repressão violenta da polícia e o modelo de segurança pública anacrônico, militarizado e que privilegia o confronto com cidadãos, são elementos notórios da violência institucional que persiste no Brasil.

O comunicado conjunto da CIDH e do ACNUDH menciona o violador decreto presidencial que autoriza o emprego das Forças Armadas para garantia da lei e da ordem no Distrito Federal entre os dias 24 e 31 de maio como resposta a manifestações de rua. A revogação do decreto no dia seguinte demonstra a desproporcionalidade de tal ato. Reiteramos e apoiamos o pedido da CIDH e ACNUDH de que a “ação das forças de segurança deve respeitar em todo momento as normas internacionais de direitos humanos”.

A manifestação das entidades internacionais também faz referência à sucessão de violações de direitos humanos em episódios recentes, como uso excessivo da força em operações tanto no marco do conflito de terras como no contexto da remoção urbana de dependentes químicos usuários de drogas ilícitas. Causa-nos preocupação a classificação pelo governo de “cínica” e “fora de contexto” à atitude da CIDH e do ACNUDH de incluir essas violações no comunicado conjunto sobre uso excessivo da força.

De acordo com a organização Global Witness (2), o Brasil é o país mais perigoso do mundo para o ativismo ambiental. Além disso, segundo a Comissão Pastoral da Terra (3), a chacina em Pau D’Arco, que aconteceu no último dia 24, elevou para 37 o número de mortes no campo apenas nos primeiros cinco meses de 2017. Já a violenta operação de segurança na região da Cracolândia, em São Paulo, foi classificada (4) como “desastrosa” pela própria Secretária Municipal de Direitos Humanos, Patrícia Bezerra, que pediu exoneração após o episódio.

Reiteramos nosso apoio à Comissão Interamericana de Direitos Humanos e ao Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. A CIDH possui um vasto histórico de contribuição ao avanço dos direitos humanos no Brasil e em todo o continente americano. O ACNUDH representa o compromisso do mundo com os ideais universais da dignidade humana e possui o mandato de promover e proteger todos os direitos humanos internacionalmente.

Por fim, cabe reafirmar que a Constituição Federal de 1988 vincula as relações internacionais do país à prevalência dos direitos humanos (5) e clamamos para que o Itamaraty se retrate imediatamente pela forma desrespeitosa e descompromissada em que se dirigiu à CIDH e ao ACNUDH, reiterando os compromissos nacionais e internacionais assumidos pelo Estado Brasileiro em matéria de direitos humanos.

Assinam:

1. ABA – Associação Brasileira de Antropologia
2. ABIA – Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids
3. Ação Educativa
4. Aliança Nacional LGBTI
5. APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
6. Articulação Justiça e Direitos Humanos (JusDh)
7. Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil
8. Artigo 19
9. ASP – Associação Palotina
10. Associação de Advogadas Pela Igualdade de Gênero, Raça e Etnia
11. Associação Tapera Taperá
12. CAMI – Centro de Apoio e Pastoral do Migrante
13. Campanha Nacional pelo Direito à Educação
14. CBDDH – Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensoras e Defensores de Direitos Humano
15. CENDHEC – Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social
16. CIMI – Conselho Indigenista Missionário
17. Circuito de Apoio ao Imigrante
18. CLADEM/BRASIL – Comitê da América Latina e do Caribe de Defesa dos Direitos das Mulheres
19. Clínica de Direitos Humanos da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE
20. Clínica de Direitos Humanos e Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas
21. Clínica de Direitos Humanos PUC-SP “Maria Augusta Thomaz”
22. Coletivo Estadual de Combate à LGBTfobia da APP Sindicato
23. Comitê Brasileiro de Direitos Humanos e Política Externa
24. Conectas Direitos Humanos
25. CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
26. Conselho Federal de Psicologia
27. DDH – Instituto de Defensores de Direitos Humanos
28. FAOR – Fórum da Amazônia Oriental
29. FIAN Brasil
30. GAIRE – Grupo de Assessoria a Imigrantes e a Refugiados
31. GAJOP – Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares
32. Gestos – Soropositividade, Comunicação e Gênero
33. Grupo Dignidade
34. IBCCRIM – Instituto Brasileiro de Ciências Criminais
35. IDDH – Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos
36. INCIDE
37. INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
38. Instituto EQUIT
39. Instituto Sou da Paz
40. ISER – Instituto de Estudos da Religião
41. Justiça Global
42. Laboratório de Justiça Global e Educação em Direitos Humanos na Amazônia (LAJUSA)
43. Núcleo de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública do Paraná
44. Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre Deslocados Ambientais – NEPDA/ UEPB
45. PBPD – Plataforma Brasileira de Política de Drogas
46. PFDC – Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão
47. Plataforma de Direitos Humanos Dhesca Brasil
48. RCA – Rede de Cooperação Amazônica
49. Rebrip – Rede Brasileira de Integração dos Povos
50. Redes da Maré
51. RENAP – Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares
52. SMDH – Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
53. Terra de Direitos
54. Vigência!

Notas:

1- http://www.oas.org/pt/cidh/prensa/notas/2017/069.asp

2- Global Witness: https://www.globalwitness.org/en/press-releases/brasil-anfitriao-das-olimpiadas-e-o-pais-mais-perigoso-do-mundo-para-o-ativismo-ambiental/

3- Comissão Pastoral da Terra: https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/conflitos-no-campo/3801-onu-e-cidh-condenam-chacina-em-pau-d-arco

4- O Globo: https://oglobo.globo.com/brasil/secretaria-de-direitos-humanos-de-doria-se-demite-apos-acao-desastrosa-na-cracolandia-21391046

5- Artigo 4, inciso II

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“Agora eu me levantarei porque o povo pobre está sendo oprimido,
as pessoas perseguidas gemem de dor.” (Salmo 12.5)

Diaconia Transformadora é manifesto público contra o Massacre em Pau D´Arco no Pará. À violenta higienização e extermínio da população de rua, em Porto Alegre e São Paulo. Ao Racismo, que faz do Brasil um dos países que mais mata jovens no mundo, juventude negra, assassinada e encarcerada, que grita pela libertação de Rafael Braga. Voz profética, que denuncia o avanço da mineração em territórios ocupados e protegidos por povos e comunidades tradicionais.

A sociobiodiversidade do Bioma Mata Atlântica exige justiça e reparação às mineradoras SAMARCO, VALE E BHP. Denunciamos o projeto de mineração da Votorantin e da Canadense Iamgold Brasil no Alto Camaquã, Bioma Pampa.

Diaconia Profética opõe-se firmemente ao ódio e à criminalização dos povos indígenas, declarado na CPI do Incra e Funai, à truculenta reintegração de posse da Comunidade Vila Alto da Colina em Porto Alegre, às Reformas Trabalhista, da Previdência, ao congelamento dos gastos com saúde, educação e assistência social. É voz insurgente por justiça de gênero e democracia, pelo fim da criminalização dos movimentos e lutas sociais. Denuncia a mídia promotora de informações mentirosas, aliadas ao seu próprio interesse capitalista no pacto com as elites que governam nosso país.

O povo tem direitos que não podem ser revogados por reformas autoritárias e pela violência do aparato de segurança pública contra o direito constitucional de participar da vida política do país nas grandes manifestações, que estão reunindo milhares de pessoas que não legitimam esse governo e sua política rentista. Manifestar-se, sem medo de ações policiais e violentas, é exercício democrático.

A democracia que defendemos é descolonial e afirmada em justiça de gênero. Apoiamos uma ampla Reforma Política e a Revogação de todas as reformas que retiram direitos do povo brasileiro. Queremos a garantia e a ampliação de direitos, a participação popular, o reconhecimento dos acordos sociais conquistados e contratados, a proteção das leis trabalhistas e ambientais.

A Diaconia Transformadora afirma o direito, a justiça e misericórdia, o bem viver em pluralidade e diversidade. A Diaconia Transformadora sempre estará ao lado da Democracia.

Levantamos porque o povo pobre está sendo oprimido e as pessoas perseguidas gemem de dor!

Apoiamos o manifesto Religiões por Democracia dizem Diretas Já, do Fórum Ecumênico ACT Brasil e Evangélicos pelo Estado de Direito. Para ler o documento e assinar a petição, acesse aqui.

Fonte: FLD

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Um grupo de 50 jovens muçulmanos de Mossul, no Iraque, começou a limpar e restaurar uma igreja dedicada à Nossa Senhora numa área recentemente dilacerada pelos combatentes do autoproclamado Estado Islâmico (ou ISIS). O responsável por uma das ONGs que promove a iniciativa sublinhou que o objetivo é passar “uma mensagem de paz ao mundo inteiro”.

A Igreja da Virgem Maria fica no bairro de Dergazliya. Durante os dois anos e meio de ocupação da organização jihadista, o local foi transformado em uma sede da polícia moral do proclamado “califado”. Muitos outros lugares de culto, entre igrejas e mesquitas, também foram destruídas pelos combatentes.

O chefe da Rede das Organizações da Sociedade Civil, Maher Al Obaidi, disse terem assumido esse papel de limpar a cidade destruída e que “agora é o momento de reestruturar mesquitas, igrejas e outros lugares de culto”. Ele acrescentou que “todos os voluntários no serviço são muçulmanos, porque os membros de outras comunidades foram caçados das suas casas pelos combatentes do Estado Islâmico e ainda não se sentem seguros para voltar”.

Os jihadistas do ISIS tinham conquistado Mossul em 9 de junho de 2014. Nas semanas seguintes, todos os cristãos presentes na cidade tiveram que abandonar as próprias casas, muitas das quais desapropriadas pelos combatentes.

Mohammad Badrany, da ONG Ramah, que colabora com a iniciativa, afirmou que “essa é uma mensagem aos nossos irmãos cristãos para que voltem às suas casas, porque Mossul precisa deles”.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: ankawa.com

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O silêncio, a neutralidade e a ausência de reflexão não são opções para as pessoas que têm fé, em especial quando a vida dos pobres é agredida. A gravidade do momento por que passa o Brasil exige seriedade e serenidade para que a sociedade brasileira resgate a dignidade da política. Esta é um caminho legítimo para o exercício da cidadania e da participação por luta e afirmação de direitos. A prática da política do cotidiano, que problematiza as relações de poder e as desigualdades, é um caminho seguro para recuperarmos a ética na política. Não são possíveis as manipulações e distorções para atender interesses das oligarquias e do capital financeiro. Política não é corrupção. Política não é traição. Política é falar sobre a vida, é participação.

Há tempos criou-se no Brasil uma crise de institucionalidade. O impeachment da Presidenta Dilma Roussef intensificou esse quadro. É urgente recuperar a função e a relevância das instituições. Elas não devem ser subordinadas aos interesses do lucro e do poder. As instituições públicas devem garantir políticas que atendam o direito à terra, o acesso universal à saúde e à educação, aposentadoria digna e garantias trabalhistas. Portanto compreendemos que precisam ser imediatamente revogadas as propostas de reformas constitucionais: de congelamento do investimento social por vinte anos; de terceirização total da mão de obra; de reforma trabalhista, que prevê que trabalhadores e trabalhadoras negociem direto com os patrões sem a presença dos sindicatos, expondo quem trabalha a todo tipo de assédio; do fim da aposentadoria. Não é possível aceitá-las, porque foram impostas de forma autoritária e sem discussão com a sociedade. Reafirmamos que o nosso papel é estar ao lado das pessoas que serão diretamente afetadas por essas medidas que ferem a dignidade humana.

As provas tornadas públicas no dia 17 de maio de 2017 não são delações; elas demonstram a falta de autoridade política, ética e moral de um governo que não foi eleito para a condução das saídas para a crise que vivemos – econômica, social e ambiental.

Todos e todas somos chamadas a assumir responsabilidades. É momento de empenho, promoção de reflexões e participação em toda parte, em todas as instituições e grupos de gente de fé, para alcançarmos um rumo democrático - com distribuição de renda, taxação de grandes fortunas, com estado de bem estar social que respeite a separação entre religião e estado.

Para isso, anunciamos a todas e todos que aqui assinamos o compromisso com:

• Eleições Diretas Já em 2017, e que sejam Eleições Gerais para evitar arranjos que excluam a maioria do povo dos rumos da Nação e para reinstituir as bases legítimas da nossa Democracia;

• A tarefa explícita de qualquer novo dirigente eleito de submeter a referendo popular todas as reformas feitas e de impedir as que estiverem em curso, que ocorreram sem ampla participação da sociedade e sem legitimidade;

• A exigência de empenho político público de qualquer governante eleito com eleições, em 2018, para uma Assembleia Nacional Constituinte autônoma do Congresso Nacional, de modo a que possamos repactuar nosso presente e futuro, principalmente reformando as estruturas políticas de representação no País;

• O empenho contra todos e todas parlamentares eleitos em nome da fé, que compuseram de forma fundamentalista e capitalista a base política de aliados do governo ilegítimo para a condução de tantas atrocidades contra o povo.

Pela Dignidade! Pela Reforma do Sistema Político! Pela Democracia!

#PelaFéMeComprometo #DiretasJá

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Entre os dias 17 a 20 de maio de 2017, a Arquidiocese de Teresina (PI), no Salão da Paróquia de Fátima, realizou o Simpósio Teológico Mariano, sob o título Maria no Mistério de Cristo e da Igreja.

Os Conferencistas abordaram aspectos relacionados ao tema, como Maria na obra Joanina, Maria em Lucas e o 8º Capítulo da Lumen Gentium - Maria no Mistério de Cristo e da Igreja. Convidado pelo Arcebispo Metropolitano de Teresina, Dom Jacinto Furtado de Brito Sobrinho, o Assessor Teológico da Presidência da IECLB, P. Dr. Romeu Ruben Martini, contribuiu com uma palestra sob o título Magnificat, o Cântico de Maria, com arranjo de Lutero, cantado na Ecumene.

Segundo Dom Jacinto, a grande expectativa das pessoas que participaram desse Simpósio era ‘ouvir um Pastor luterano falar sobre Maria’. Avaliando a sua experiência de falar sobre esse tema para uma plateia de 450 lideranças católicas (Irmãs de distintas Ordens Religiosas, Padres, estudantes de Teologia, Diáconos, além de pessoas atuantes em muitos outros setores da Igreja), o P. Romeu afirmou ter sido “uma experiência única, desafiadora e inspiradora, pela forma como foi acolhido e abraçado por esse povo no Estado mais católico do Brasil, em termos de percentual da população. O calor humano corresponde à temperatura normal média do ano, sempre acima de 30 graus!”, ressaltou.

Para o Assessor da Presidência da IECLB, foi uma experiência desafiadora, por tratar-se de uma abordagem sobre Maria e o seu cântico nesse contexto católico, no qual o povo percebe uma hostilidade muito grande por parte de grupos ‘evangélicos’, que simplesmente condenam a religiosidade e a espiritualidade católica para com Maria. Nesse sentido, o P. Romeu avaliou que “é possível, sim, estabelecer um diálogo sobre Maria, como a entendemos e a incluímos na nossa espiritualidade na comparação com o seu lugar e o seu significado na espiritualidade católica”.

“Ao invés de hostilizar, o Evangelho nos motiva a dialogar com profundidade sobre Maria a partir do Magnificat segundo a interpretação de Lutero”, explicou. “Essa postura possibilita afastar preconceitos, compreender o que é comum para a espiritualidade de pessoas católicas e luteranas e, sobretudo, fortalece o nosso testemunho. Estou muito feliz por mais essa experiência nos caminhos da Ecumene”, concluiu o P. Romeu Martini.

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Fonte: IECLB
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

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A crise institucional aberta há um ano pela deposição de uma presidenta legitimamente eleita não chegou ao seu fim. Quebraram as regras democráticas para manter os privilégios das grandes empresas comprado a peso de muito recurso público em conluio com a elite da classe política brasileira composta pelo PMDB, PSDB e PP. Infelizmente, alguns parlamentares de partidos de esquerda também aceitaram o jogo sujo de serem pagos para defender os interesses dos grandes e poderosos agentes econômicos.

As delações da JBS, maior empresa de produção de produtos derivados de carne animal do mundo põe por terra os alicerces do golpe de 2016 e deixa em suspenso as estratégicas do esquema Moro-Globo-STF.

Estes novos fatos, somados ao sucesso da Greve Geral de 28 de abril, aos esclarecimentos convincentes do depoimento do ex-presidente Lula em Curitiba e à crescente adesão do povo brasileiro contra as reformas trabalhista e previdenciária indicam que é possível abrir uma nova agenda do campo democrático e popular, retomando a ofensiva por um desfecho à esquerda, da crise institucional criada pelo golpe.

As medidas urgentes são a retirada imediata dos golpistas do Poder Executivo e a abertura de um processo de transição que culmine com eleições diretas ainda em 2017 para escolha de novos ocupantes no Palácio do Planalto. Da mesma forma, a retirada imediata das agendas de reformas que devem ser suspensas até que sejam restabelecidos os ritos democráticos e retomado o poder popular pelo voto direto e secreto.

Finalmente, é preciso que seja processada a reforma do sistema político com a adoção das medidas propostas pela Plataforma da Sociedade Civil para a Reforma do Sistema Político que conta com uma série de medidas que visam ao fortalecimento da democracia, dentre elas, o controle do monopólio dos meios de comunicação social, o controle social sobre o poder judiciário e a adoção de instrumentos de democracia participativa e direta.

Essas medidas somente serão possíveis com mobilização popular, nas ruas, nas escolas, nas fábricas, universidades, nos campos de futebol, nos templos, terreiros e igrejas. A Abong sempre acreditou no desejo do povo brasileiro em reconquistar as rédeas de seu próprio destino, por isso, sempre apostou na organização e mobilização popular. Por isso, está engajada no processo de construção da Frente Brasil Popular e da Frente Povo Sem Medo, uma construção pela base, com núcleos de moradia, de local de trabalho, por segmentos sociais, por bandeiras de lutas. Só organizados pela base teremos condições de resistir e reorganizar um projeto democrático e popular para o Brasil.

A saída é mais democracia porque só assim garantiremos nenhum direito a menos.

Que o povo brasileiro decida seu futuro!

Diretas Já!!!

Abong – Organizações em Defesa dos Direitos e Bens Comuns

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

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O Acampamento Terra Livre (ATL) de 2017, realizado no mês passado, em Brasília, foi um marco histórico de denúncia e resistência dos povos indígenas no Brasil. Mais de 4 mil representantes de todas as regiões do país, uma das maiores participações entre as edições do ATL, estiveram acampadas na Esplanada dos Ministérios, próximo ao Teatro Nacional.

Estima-se que mil mulheres estiveram no encontro, mostrando sua crescente importância na luta indígena, especialmente com as pautas da saúde e da articulação nacional. Aliás, quem viu a multidão tomar a Esplanada dos Ministérios, talvez não tenha notado que quatro mulheres estavam à frente da marcha: Sonia Guajajara, Nara Baré, Angela Katxuyana e Pui Tembé.

O ATL manifestou-se contra os ataques aos direitos e garantias dos povos indígenas. Os ataques ocorrem nos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário, revelando uma situação dramática de discriminação, desrespeito e etnocídio inédito da democracia brasileira. A principal reivindicação é a conclusão dos processos de demarcação das terras indígenas, que estão paralisadas devido ao mercado especulativo da terra e do agronegócio.

A demora nos processos de demarcação das terras indígenas tem potencializado as situações de violências, atentados, assassinatos, discriminações e preconceitos contra os povos indígenas. Durante o ATL, foi realizada uma caminhada pela Esplanada dos Ministérios, na qual indígenas carregavam caixões pretos, que representavam a morte dos povos indígenas no Brasil. Estes caixões foram colocados no espelho d’água do Congresso Nacional, como um gesto de protesto e denúncia. O ato foi reprimido pelas forças policiais, dando início a um confronto. A reação das forças policiais desconsiderou a presença de crianças e pessoas idosas, que também participavam do ato. O confronto foi desproporcional no uso da força, uma vez que policiais usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, contra arcos e flechas de participantes indígenas, que levavam os instrumentos tradicionais de sua resistência.

Repúdio à repressão

O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN) repudia as insistentes repressões que afligem os povos indígenas, tanto durante o ATL, como as alterações para a restrição e anulação das conquistas de direitos dos povos indígenas, que estão em curso no Brasil. Estas situações desconsideram tanto as conquistas quanto os tratados internacionais de direitos humanos, civis e políticos, os quais a República Federativa do Brasil ratificou ou se associou de livre e espontânea convicção política, no comprometimento pela defesa de direitos de todas as pessoas indígenas e da sociedade em geral. Neste sentido, destaca-se a Convenção 169 da OIT-Organização Internacional do Trabalho, a Declaração de Direitos dos Povos Indígenas da ONU, as declarações e acordos da OEA-Organização dos Estados Americanos, entre outras. Todas elas estão em conformidade com as disposições e o espírito da Constituição Federal do Brasil, de 1988.

O COMIN soma-se ao grito dos povos indígenas pela Demarcação Já!

Fonte: COMIN e ISA
Foto: Mídia Ninja/ISA

Sem Título 1

Orai sem cessar.

O 34º Concílio da Diocese Anglicana de Brasília, reunido na Paróquia do Espírito Santo, Novo Gama, estado de Goiás, nos dias 19 a 21 de maio do ano de 2017, movido pelo espírito de fraternidade, amor e diaconia transformadora se manifesta sobre o momento atual do contexto brasileiro, preocupante e desafiador.

Tendo em vista o grave, imprevisível e instável momento em que o Brasil atravessa, (1) considerando-se que é imprescindível garantir o respeito absoluto ao Estado Democrático de Direito, (2) considerando-se ainda que tanto a autoridade quanto a legitimidade das instituições são decorrências diretas de uma postura republicana e, o contrário, que a defesa de interesses privados fere a ética republicana e deslegitima toda e qualquer ação ainda que bem-intencionada, (3) considerando-se finalmente, o alto índice de desconfiança que recai sobre as autoridades e lideranças políticas brasileiras, gerando perigoso risco de autoritarismos e arbitrariedades e (4) considerando-se ainda o imperativo de fé nos chama à justiça, prática do direito, defesa das criação em vulnerabilidade, exercício da transparência em todos os níveis bem como o chamado ao cuidado, misericórdia, diálogo, carinho, ternura e coerência com os valores do Evangelho do Reino,

Conclamamos:

1 – a toda a igreja que esteja sempre atenta e comprometida com a prática da justiça e do direito, envolvendo-se e influenciando as devidas autoridades para que cumpram seu papel na divulgação de informações, julgamento e ações nitidamente republicanas e democráticas; 
2 – aos líderes religiosos que continuem profetizando energeticamente para que os mais vulneráveis não sejam novamente punidos e excluídos das nossas sociedade;
3 – a Diocese Anglicana de Brasília que continue em seu caminho de denuncia contra os ataques sistemáticos contra a democracia e aos direitos dos mais pobres neste país, bem como continue orando sem cessar para que a vontade de Deus seja feita aqui e agora.

"Corra o juízo como as águas, e a justiça como o ribeiro impetuoso." (Amós 5:24)

Novo Gama - GO, 20 de maio de 2017

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Os membros da Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), emitiram na manhã da última sexta-feira, 19 de maio, uma Nota Oficial com o título “Pela Ética na Política” na qual afirmam que a Conferência está “unida aos bispos e às comunidades de todo o país” e acompanha “com espanto e indignação” as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal.

Na Nota, os bispos afirmam que “tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum”.

“Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito. Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil”, concluem os membros da Presidência.

Leia a Nota:

Brasília-DF, 19 de maio de 2017
P – Nº 0291/17

Pela Ética na Política
Nota da CNBB sobre o Momento Nacional

“O fruto da justiça é semeado na paz” (Tg 3,18)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, por meio de sua Presidência, unida aos bispos e às comunidades de todo o país, acompanha, com espanto e indignação, as graves denúncias de corrupção política acolhidas pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo a Constituição, Art. 37, é dever de todo servidor público, principalmente os que detêm elevadas funções, manter conduta íntegra, sob pena de não poder exercer o cargo que ocupa.

Tais denúncias exigem rigorosa apuração, obedecendo-se sempre as garantias constitucionais. Apurados os fatos, os autores dos atos ilícitos devem ser responsabilizados. A vigilância e a participação política das nossas comunidades, dos movimentos sociais e da sociedade, como um todo, muito podem contribuir para elucidação dos fatos e defesa da ética, da justiça e do bem comum.

A superação da grave crise vivida no Brasil exige o resgate da ética na política que desempenha papel fundamental na sociedade democrática. Urge um novo modo de fazer política, alicerçado nos valores da honestidade e da justiça social. Lembramos a afirmação da Assembleia Geral da CNBB: “O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre os interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção”.

Recordamos também as palavras do Papa Francisco: “Na vida pública, na política, se não houver a ética, uma ética de referimento, tudo é possível e tudo se pode fazer” (Roma, maio de 2013). Além disso, é necessário que saídas para a atual crise respeitem e fortaleçam o Estado democrático de direito.

Pedimos às nossas comunidades que participem responsável e pacificamente da vida política, contribuam para a realização da justiça e da paz e rezem pelo Brasil.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, nos ajude a caminhar com esperança construindo uma nova sociedade.

Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBB

Dom Murilo S. Ramos Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB

Fonte: CNBB

Desde seu primeiro pronunciamento, em 13 de março de 2013, o Papa Francisco ressaltou o caminho da Igreja como um caminho de “fraternidade”. “Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade”. E não é apenas no discurso que o Papa Francisco vem dando passos concretos na direção de construir a fraternidade e a unidade entre os cristãos no mundo.

Em 31 de outubro de 2016, o papa Francisco e o presidente da Federação Luterana Mundial (LWF, siga em inglês), assinaram na Suécia uma Declaração Comum, por ocasião da comemoração católico-luterana dos 500 anos da Reforma protestante.

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Na semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, de 2015, o papa ressaltou que “muitas controvérsias entre os cristãos, herdadas do passado, podem ser superadas, colocando de lado qualquer atitude polêmica ou apologética e procurando juntos de compreender profundamente o que nos une, ou seja, a chamada a participar do mistério de amor do Pai que nos revelado pelo Filho por meio do Espírito Santo”.

Para o papa Francisco, a unidade dos cristãos não será o fruto de refinadas discussões teóricas, em que cada um vai tentar convencer os outros da justeza das suas opiniões. “Virá o Filho do Homem, e nos encontrará ainda a discutir. Devemos reconhecer que para chegarmos à profundidade do mistério de Deus, precisamos uns dos outros, precisamos de nos encontrar para nos confrontarmos guiados pelo Espírito Santo, que harmoniza as diversidades e supera os conflitos”, disse.

Passos concretos

Na Semana pela Unidade dos Cristãos, comemorada no hemisfério Norte de 18 a 25 de janeiro desse ano, cujo tema foi “Reconciliação, é o amor de Cristo que nos impele”, os 500 anos da Reforma protestante, iniciada por Martinho Lutero, foi evocado.

“O movimento ecumênico vai frutificando, com a graça de Deus. Que o Pai do Céu continue a derramar as suas bênçãos sobre os passos de todos os seus filhos. Irmãs e irmãos muito amados, servi a causa da unidade e da paz”, disse o papa na abertura da semana.

Em encontro histórico em Havana-Cuba, em 12 de fevereiro de 2016, o papa Francisco e o patriarca ortodoxo russo Kirill defenderam o restabelecimento da unidade do Cristianismo, fraturado por um cisma milenar, e pediram a proteção de todos os cristãos perseguidos no Oriente Médio.

No Egito, em reunião com líderes muçulmanos, o papa pediu aos líderes religiosos que digam “um não forte e claro” a toda violência cometida em nome de Deus e alertou contra a “instrumentalização” da religião por parte do poder.

Fonte: CNBB
Foto: Reprodução