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O Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, disse, ao defender a continuação da operação “lava jato”, que nenhum magistrado está acima da lei que deve aplicar e da Constituição que dá garantias ao seu trabalho. Ele não cita nenhum juiz especificamente, mas diz que é “imperativo” o avanço das investigações.  
 
Na opinião dele, o Estado de Direito requer que todos sejam responsáveis e iguais perante a lei. “A democracia não pode ser vítima do oportunismo, mas deve ser sustentada pelo poder das ideias e da ética”, disse, na sexta-feira (18/3)
 
Ele defendeu também o mandato da presidente Dilma Rousseff e criticou as tentativas de tirá-la do cargo sem fundamento jurídico, como o processo de impeachment iniciado na Câmara. Para ele, o mandato deve ser garantido, de acordo com a Constituição e as leis, por todos os poderes do governo e todas as instituições do país. “Qualquer deterioração da sua autoridade deve ser evitada, de onde quer que venha”.
 
Na avaliação de Almagro, que diz ter “grande respeito” por Dilma, ela demonstra um claro compromisso com a transparência institucional e a defesa dos ganhos sociais alcançados pelo país. “Neste momento, a sua coragem e honestidade são ferramentas essenciais para a preservação e o fortalecimento do Estado de Direito”.
 
Fonte: Conjur
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vladimirsafatle
 
Você na rua, de novo. Que interessante. Fazia tempo que não aparecia com toda a sua família. Se me lembro bem, a última vez foi em 1964, naquela "Marcha da família, com Deus, pela liberdade". É engraçado, mas não sabia que você tinha guardado até mesmo os cartazes daquela época: "Vai para Cuba", "Pela intervenção militar", "Pelo fim do comunismo". Acho que você deveria ao menos ter tentado modernizar um pouco e inventar algumas frases novas. Sei lá, algo do tipo: "Pela privatização do ar", "Menos leis trabalhistas para a empresa do meu pai".
 
Vi que seus amigos falaram que sua manifestação foi uma grande "festa da democracia", muito ordeira e sem polícia jogando bomba de gás lacrimogêneo. E eu que achava que festas da democracia normalmente não tinham cartazes pedindo golpe militar, ou seja, regimes que torturam, assassinam opositores, censuram e praticam terrorismo de Estado. Houve um tempo em que as pessoas acreditavam que lugar de gente que sai pedindo golpe militar não é na rua recebendo confete da imprensa, mas na cadeia por incitação ao crime. Mas é verdade que os tempos são outros.
 
Por sinal, eu queria aproveitar e parabenizar o pessoal que cuida da sua assessoria de imprensa. Realmente, trabalho profissional. Nunca vi uma manifestação tão anunciada com antecedência, um acontecimento tão preparado. Uma verdadeira notícia antes do fato. Depois de todo este trabalho, não tinha como dar errado.
 
Agora, se não se importar, tenho uma pequena sugestão. Você diz que sua manifestação é apartidária e contra a corrupção. Daí os pedidos de impeachment contra Dilma. Mas em uma manifestação com tanta gente contra a corrupção, fiquei procurando um cartazete sobre, por exemplo, a corrupção no metrô de São Paulo, com seus processos milionários correndo em tribunais europeus, ou uma mera citação aos partidos de oposição, todos eles envolvidos até a medula nos escândalos atuais, do mensalão à Petrobras, um "Fora, Alckmin", grande timoneiro de nosso "estresse hídrico", um "Fora, Eduardo Cunha" ou "Fora, Renan", pessoas da mais alta reputação. Nada.
 
Se você não colocar ao menos um cartaz, vai dar na cara de que seu "apartidarismo" é muito farsesco, que esta história de impeachment é o velho golpe de tirar o sujeito que está na frente para deixar os operadores que estão nos bastidores intactos fazendo os negócios de sempre. Impeachment é pouco, é cortina de fumaça para um país que precisa da refundação radical de sua República. Mas isto eu sei que você nunca quis. Vai que o povo resolve governar por conta própria.
 
VLADIMIR SAFATLE, professor de filosofia da USP
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No dia 7 de março, a catedral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), em Brasília (DF), recebeu a Roda de Conversa Casa Comum. O evento, realizado pelo CONIC em parceria com a IEAB, abordou a temática da violência contra a mulher. Um dos pontos centrais do debate foi o fato de que muitas pessoas, ainda, utilizam-se de textos religiosos para justificarem a violência e a opressão contra as mulheres, seja no contexto doméstico ou mesmo no âmbito das congregações cristãs.
 
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Um fato observado na Roda: algumas mulheres quando procuram por ajuda nas igrejas ouvem de seus pastores que o marido está ‘com o demônio’. Que é necessário orar para que o demônio saia do corpo. Assim, se o marido a violenta, a responsabilidade acaba sendo da mulher, que deve orar e jejuar para ajudar a ‘libertar’ o marido.
 
Em Brasília, a cada duas horas uma mulher sofre agressão sexual. Mesmo assim, conforme relatou Lúcia Bessa, presidente do Conselho de Mulheres do DF (da Comissão de Combate à Violência Familiar Contra a Mulher) e vice-presidente da Comissão das Mulheres da OAB, “é muito difícil levantar o tema da violência contra a mulher no meio das igrejas”, disse. “Para ONU violência contra a mulher é uma chaga no Brasil. Precisamos perder tempo em nossas igrejas para falar sobre a violência contra as mulheres. Este é um assunto sobre o qual precisamos falar todos os dias e tirá-lo de traz das cortinas do púlpito”, acrescentou Lúcia.
 
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Na avaliação da pastora e teóloga Claudete Beise Ulrich, a primeira questão a ser tratada é: na Bíblia, temos que olhar para um texto dentro de seu contexto, pois senão corremos o risco de ver a Palavra de Deus ser usada contra as mulheres como violência simbólica. “É importante se perguntar como Jesus se relacionou com as mulheres e com os grupos. Nesse sentido, é preciso se ater a leituras onde a mulher tem papel igualitário, como Gn 1.27, Gl 3.27, entre outros”, disse.
 
Nas igrejas ainda há muita violência, mas as mulheres – dentro dessa dinâmica – nem sempre sabem que aquilo é uma violência. A violência aparece de forma tão sutil que elas não percebem. Vão se moldando aos ‘trejeitos’ do marido. Soma-se a isso que em muitas igrejas novas que tem surgido os pastores não possuem preparação alguma para atender temas relacionados à violência contra a mulher.
 
Foi consenso, no grupo, que o debate sobre a violência contra as mulheres precisa chegar nas igrejas, precisa ser abordado em todos os espaços: catequese, escola dominical, etc. Mas também nas escolas, pois senão, a cultura não muda. Educação é a palavra-chave.
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É com satisfação que o CONIC apresenta o cartaz da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) de 2016. A peça foi elaborada por Aurélio Fred Macena dos Santos, que compartilha a inspiração para seu processo criativo. Diz Aurélio:
 
“Para a confecção do cartaz usamos como base a imagem da cruz, sinal da salvação e representação da nossa fé, dentro dela, os traços foram desenhados e coloridos.
 
O batismo está presente em várias partes do cartaz, pois acreditamos que é através dele que nos tornamos povo chamado a proclamar os altos feitos do Senhor.
 
No topo da cruz temos a pomba, que representa o Espírito Santo que desce sobre a comunidade cristã no Pentecostes. Os raios amarelos são seus dons.
 
Utilizamos também as bandeiras do Brasil e da Letônia para demonstrar a parceria entre os dois países.
 
Ao centro temos um batistério, que nos remete ao batistério que se encontro no centro da Catedral Luterana de Riga, na Letônia. Em volta dele vemos Jesus Cristo, além de membros das igrejas católica romana, luterana, ortodoxa e batista, que integraram a comissão letã que preparou o material da Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016. Eles seguem os símbolos: bíblia, sal, luz e pão, destacados para a SOUC 2016.
 
Na base da cruz há uma imagem que lembra o favo de uma colméia. Cada alvéolo representa um povo. Nossa intenção é mostrar a base da SOUC como uma unidade orante que integra diferentes confissões, culturas e povos”.
 
Proclamai os altos feitos do Senhor” (1Pe 2,9) é o tema da Semana de Oração deste ano. A proposta foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC).
 
E-mail específico para a SOUC 2016
 
Para assuntos relativos à SOUC, o CONIC criou um e-mail específico (inclusive para pedidos de materiais): souc2016@gmail.com.
 
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Foi realizado, nos dias 7 e 8 de março, na sede do CONIC, em Brasília (DF), um encontro com representações das igrejas-membro do Conselho para organizar o Encontro Ecumênico de Mulheres, previsto acontecer entre os dias 17 e 20 de novembro deste ano, em São Paulo.
 
Participaram da reunião irmã Claudina Scapini (Igreja Católica Apostólica Romana), pastora Vera Engelhardt (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), Christina Winnischofer (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - presidente da União das Mulheres Episcopais Anglicanas), presbítera Ledi Damasceno (Igreja Presbiteriana Unida do Brasil) e Zulmira Inês Lourena (Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia).
 
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Além das representantes indicadas oficialmente pelas igrejas-membro, participaram da reunião, a convite do CONIC, a reverenda Magda Guedes Pereira, presidente do Conselho latino-americano de Igrejas (Clai-Brasil); Tatiane Duarte, pesquisadora que desenvolve trabalho sobre a atuação de mulheres do movimento ecumênico; pastora e professora Claudete Beise Ulrich que contribuiu para a reflexão sobre os objetivos e metodologia do encontro, além da anfitriã Romi Bencke, secretária-geral do CONIC, que esteve assessorada pela secretária (administrativo) do Conselho, Leila Gomes.
 
A pastora Claudete resgatou parte da história da participação das mulheres no movimento ecumênico e motivou as participantes a partilharem em que momento começaram a se engajar no movimento ecumênico e em que momento de suas vidas passaram a ter consciência sobre questões específicas relacionadas às mulheres.
 
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Alguns relatos chamaram a atenção. 1) Foi lembrado que, há poucos anos, mulheres escreviam textos e sermões nas igrejas, mas seus nomes não apareciam. A autoria dos textos era dada para homens, mesmo que as autoras fossem mulheres. 2) O trabalho missionário das mulheres sempre existiu nas igrejas, mas é pouco visibilizado. 3) Outro aspecto lembrado foi que, também nas igrejas, o trabalho da mulher em algumas ocasiões é menos remunerado que o dos homens. 4) Nas igrejas que ordenam mulheres, em situações em que marido e mulher são ordenados, a preferência pelo trabalho pastoral é geralmente do homem. A mulher ordenada fica com o trabalho voluntário ou com o que paga menos. 5) O movimento ecumênico, embora de maneira tímida, contribui para visibilizar o trabalho das mulheres nas igrejas.
 
Inserção do Movimento Ecumênico
 
Chamou atenção que a inserção no movimento ecumênico se deu através da participação em torno de agendas específicas relacionadas aos direitos humanos: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, Década Ecumênica para a Superação da Violência contra as Mulheres. Uma das participantes compartilhou que a primeira vez que ouviu falar da relação sobre violência contra as mulheres e religião foi no Espaço Colméia, organizado por ocasião da Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas, em Porto Alegre, no ano de 2006.
 
A partir dessas reflexões definiu-se como tema do Encontro Ecumênico de Mulheres:
 
MULHERES: DIREITOS E JUSTIÇA - COMPROMISSO ECUMÊNICO

Objetivo Geral:
 
- Recuperar a história das mulheres no movimento ecumênico, desafiando as igrejas e a sociedade para o compromisso com a efetivação dos direitos e da justiça das mulheres.
 
Objetivos específicos:
 
- Reunir mulheres de diferentes igrejas e movimentos;
- Recuperar os caminhos da década e pós década ecumênica das mulheres. O que avançou? O que estagnou?
- Diagnosticar os desafios atuais para a garantia dos direitos e da justiça das mulheres nas igrejas e na sociedade;
- Estimular hermenêuticas bíblicas comprometidas com os direitos e justiça das mulheres;
- Fomentar a organização ecumênica das mulheres.
 
Mais informações serão compartilhadas em breve!
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NOTA gen
 
POSICIONAMENTO DO CLAI-BRASIL
EM DEFESA DA DEMOCRACIA, DA PAZ E DA JUSTIÇA
 
Considerando o ambiente político nacional e o clima de mobilizações políticas destes últimos dias, cremos que se faz necessário agir com discernimento e sabedoria na luta pela manutenção da democracia, da paz e da justiça.
 
Por isso, juntamo-nos a todas as vozes proféticas, que vêm denunciando a injustiça cometida por pessoas ou grupos que querem acabar com a democracia do nosso país.
 
Em meio aos poderosos que matam e querem calar a voz de todas as pessoas que lutaram e lutam para libertar o povo oprimido, que vivia à margem da sociedade, sem direitos e sem voz, devemos perceber os “sinais” libertadores onde a justiça se faça presente.
 
Dessa forma, nosso desafio é seguir firmes na resistência negando ao ódio, a violência e a opressão;
 
Devemos nos manter em constante diálogo, fortalecendo nossos direitos fundamentais de uma democracia justa e transparente;
 
Continuemos firmes no anúncio e na denúncia de injustiças, pois Jesus afirma que “Felizes aqueles que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim. Fiquem alegres e contentes, porque será grande para vocês a recompensa no céu, pois foi assim que perseguiram os profetas, que vieram antes de vocês” (Mateus 5,10-12).
 
Lembremo-nos que Jesus disse aos fariseus e escribas: “Se meus discípulos se calarem, até as pedras gritarão.” Que descubramos juntos, nesses processos sociais e políticos, sinais de que o projeto libertador vem para todas as pessoas e os poderes violentos deste mundo, sejam eles, econômicos, políticos, jurídicos ou religiosos não terão vez e nem voz.
 
Não podemos nos calar e nem tolerar mudanças políticas conservadoras e retrógadas que nos afastam dos projetos de paz e justiça para todas as pessoas. Sigamos na busca e luta pelos direitos e pela dignidade de vida. Pois o desafio de todo cidadão e toda cidadã, cristão e cristã está em meditar sobre a verdade, ler criticamente o que a imprensa vincula, buscar a paz que promove em sua vida frutos advindos da justiça. E com isso, não apenas oremos, mas também pratiquemos ações para que o Deus da justiça gere em nosso país uma limpeza completa, pois não aceitaremos mais imposição de espinheiros (Juízes 9.7-20). E que Deus seja misericordioso para com o nosso país e para com todos!
 
Diretoria do CLAI - Região Brasil
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Ao Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil
 
Queridos irmãos,
 
Nós, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), expressamos a vocês nossa solidariedade e apoio pelo testemunho público corajoso expressado no Pronunciamento “Sobre o momento político do Brasil e as ações da operação Lava Jato” 08 de março de 2016.
 
Temos ciência das intolerâncias sofridas pela Igreja nas redes socais em função de sua coragem em manifestar o testemunho público em favor da democracia. Expressamos nosso apoio, concordância e solidariedade quando conclamam que as investigações da Operação Lava Jato sejam simétricas, sem privilegiar ou discriminar quaisquer partidos políticos, buscando-se o alcance da justiça sob os auspícios do estado de Direito, da lei e da serenidade.
 
O momento de tensão pelo qual estamos passando exige que as igrejas e religiões expressem seu testemunho em favor do diálogo e de espaços seguros onde todas as pessoas possam manifestar suas ideias e opiniões sem constrangimentos.
 
No período histórico mais difícil vivido pelo país, a IPU foi uma das igrejas que corajosamente levantou sua voz e denunciou práticas de tortura. Seu testemunho profético atual é coerente com sua história e com a missão do próprio movimento ecumênico. O Evangelho dá às Igrejas o mandato de fazer discípulos e discípulas em todas as nações (Mt 28.19). O discipulado exige que sejamos porta-vozes do diálogo, do respeito e da acolhida. Essa é a postura que a IPU, ao longo de seus 38 anos, tem apresentado de maneira coerente.
 
Por isso, o CONIC coloca-se ao lado da IPU. Queremos um país democrático, em que a cultura da paz e do diálogo sejam valores inegociáveis. As práticas de ódio e de intolerância são contrárias ao Evangelho.  
 
“Bem aventurados os pacificadores,
porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5.9).
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Considerando o ambiente político nacional e o clima de mobilizações políticas destes últimos dias, desejo dirigir uma palavra pastoral a todas as pessoas cidadãs de nosso país, prevenindo consequências cuja medida ainda não é possível avaliar.
 
Desejo transmitir uma mensagem de esperança e confiança em nosso Deus para que o diálogo respeitoso permaneça e as manifestações políticas aconteçam com o respeito às leis e ao Estado democrático de Direito.
 
A exacerbação de ânimos não pode extrapolar os limites das liberdades constitucionais, conquistados pelo povo brasileiro e que não devem sofrer qualquer recuo. Estão  em jogo dois projetos de sociedade: um que prega a continuidade dos avanços dos direitos sociais da maioria do povo brasileiro e outro que se constrói sobre pressuposto conservador, autoritário e que serve apenas às elites e seus interesses.
 
Diante disso, as Igrejas do Brasil conclamam o povo brasileiro a respeitar a legalidade republicana e democrática, construída a duras penas e banhada pelo sangue de homens e mulheres que deram a sua vida a serviço das causas libertárias de uma sociedade justa, inclusiva e pacífica..
 
As investigações de corrupção cometidas por agentes do Estado em todos os poderes em conluio com segmentos empresariais são um atentado contra o povo e devem ser enfrentados com a lei é somente dentro dela. São legítimas somente quando existam provas concretas e quando garantem o direito à ampla defesa. Interesses corporativos de órgãos da grande mídia não podem e não devem ser ideologicamente seletivos e nem condenar a priori ninguém por causa de seu perfil ideológico. A tentativa de desqualificar pessoas como a do ex-presidente Lula, sem provas concretas, bem como a outras pessoas com perfil político mais à esquerda, é uma nítida estratégia corporativa que não ajuda no processo de esclarecimento da verdade. Apenas acentua o caráter político e agrava a tensão no meio da sociedade.
 
Este é um processo global e latinoamericano que tem realizado mudanças políticas conservadoras, em prejuízo da ampla maioria do povo e tem provocado desastroso retrocesso político que nossa consciência evangélica não deve tolerar.
 
Mas há algo que não deve ser esquecido: jamais deixemos que o ódio prevaleça na militância política e em meio às tensões que vivemos nestes tempos em nossa sociedade. O ódio será sempre um mal conselheiro. Firmeza de convicções não pode ser instrumentalizada pela eliminação simbólica de nossos opositores.
 
Portanto, dirijo uma palavra ao nosso povo anglicano, recomendando que se observe o seguinte:
 
1) Que se respeite o estado democrático de direito e se evite qualquer manobra de desconstrução do resultado das urnas;
2) Que se rechace qualquer tentativa de retorno ao autoritarismo e a qualquer modelo que represente cerceamento dos direitos individuais e coletivos conquistados;
3) Que se respeite a livre manifestação do pensamento dentro de padrões que não contemplem o ódio e a violência contra pessoas e grupos.
 
Que Deus nos abençoe e que sejamos capazes de defender com firmeza um projeto de sociedade que traga consigo os valores da justiça e da paz! Um projeto que beneficie toda a sociedade. Que haja mais amor e menos ódio!
 
Do vosso Primaz,
++FRANCISCO
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DECLARAÇÃO EM FAVOR DA DEMOCRACIA E DO ESTADO DE DIREITO
 
Nas últimas duas semanas, temos acompanhado acontecimentos políticos que provocam a necessidade de profundas reflexões sobre o atual momento do Brasil. É positivo que as pessoas acompanhem e se posicionem sobre os diferentes fatos e possibilidades que envolvem a política e a economia do país. Igualmente importantes são a inconformidade e a não aceitação da corrupção. Defendemos que todas as ações de corrupção, independentemente de quem as pratica, sejam investigadas e seus autores responsabilizados.

No entanto, surpreende-nos o viés presente nos processos que investigam casos de corrupção. Observamos com grande preocupação o processo de judicialização da política e o risco claro que este processo apresenta à democracia brasileira. Percebe-se que, para determinados julgamentos, não se têm observado o amplo direito à defesa, ao contraditório e à imparcialidade do julgamento, garantidos pela Constituição. É necessário que sejam respeitados os princípios da inocência e afastados os riscos de julgamentos sumários. Em vez disso, o que temos visto são ordens judiciais com ações repressivas absolutamente à revelia da nossa Constituição.

As polarizações, coerções e uso abusivo de poder não são condizentes com a prática da justiça. Um país democrático como o Brasil precisa garantir espaços seguros de diálogo, debate de ideias e projetos sem que os adversários políticos sejam considerados inimigos a serem aniquilados a qualquer custo.

Por apoiar e acreditar na democracia, reivindicamos o respeito aos resultados das eleições de 2014. No entanto, isso não significa não debater o Brasil que temos e que queremos. É necessário que superemos a distância do que nos separa entre o que somos e o que esperávamos ser.

O recrudescimento dos aparatos repressivos do Estado está reescrevendo uma história no país que não gostaríamos de ver repetida. A recente Lei Antiterrorismo é o exemplo mais claro deste fenômeno. A justiça não deve ser distorcida e nem a lei deve ser usada para fazer prevalecer os interesses dos fortes (Hc 1.4).

Os movimentos sociais chamam a atenção e se mobilizam para que a democracia se aprofunde por meio da distribuição de renda e das riquezas, ampliação de direitos, saneamento básico, fontes renováveis de energia, garantia de direitos de trabalhadores e trabalhadoras, democratização dos meios de comunicação e de uma segurança pública eficaz e cidadã. Essas são agendas essenciais para serem encaminhadas nos espaços representativos da política brasileira. Interesses privados e caprichos políticos não devem ser colocados acima do bem coletivo e das tarefas urgentes para superação da crise econômica e social.

Exortamos ao povo brasileiro, diante da polarização estimulada por uma mídia partidarizada e tendenciosa, que expresse pacificamente sua opinião e posição sobre o momento político que vivemos e evite o incentivo e a prática de qualquer tipo de violência e ilegalidade. Precisamos, antes de tudo, preservar a nossa jovem democracia, o Estado de direito e as conquistas sociais que a sociedade brasileira alcançou nos últimos anos.

Brasília, 11 de março de 2016.

"O fruto da justiça será a paz; e a obra da justiça proporcionará tranquilidade e segurança eternas.
O meu povo viverá em regiões pacíficas, em moradas seguras, em lugares tranquilos de paz e repouso."
(Is 32.17-18)

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL - CONIC

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Do confronto ao diálogo
Uma palavra da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
IECLB

As comunidades da IECLB anunciam e vivenciam em 2016 que, Pela graça de Deus, [somos] livres para cuidar. E queremos exercitar esse cuidado, tendo como critério a orientação do profeta Amós: Buscai o bem e não o mal (Amós 5.14a). Acreditamos que o convite feito às comunidades da IECLB pode ser um convite também para o povo brasileiro em geral diante do que se passa em nosso país hoje, cujos desdobramentos são imprevisíveis e perigosos.

O Brasil conquistou a democracia a duras penas. Um dos componentes imprescindíveis para que a democracia cresça e floresça chama-se diálogo. Diá logos: por meio da palavra; através da palavra. Diálogo é a interação entre pessoas através da palavra. Porém, acompanhando as notícias em nosso país hoje, fica-se com a nítida impressão de que estamos desaprendendo a dialogar. Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo?

Do ponto de vista cristão, há o que aprender quando o diálogo é substituído pelo confronto e até pela negação da outra pessoa. Do conflito à comunhão, um documento que avalia numa postura autocrítica a Reforma (1517), contém um parágrafo que pode jogar uma luz sobre o atual momento brasileiro:

“No século XVI, católicos e luteranos frequentemente não apenas entenderam mal, mas também exageraram e caricaturizaram seus oponentes para expô-los ao ridículo. Repetidas vezes violaram o oitavo mandamento que proíbe levantar falso testemunho contra seu próximo. Mas mesmo quando os oponentes eventualmente fossem corretos um com o outro, sua disposição de ouvir o outro e levar a sério suas questões era insuficiente. Os controversos queriam refutar e vencer seus oponentes, muitas vezes exagerando de modo deliberado os conflitos, ao invés de buscar soluções a partir de um olhar do que tinham em comum. Preconceitos e mal-entendidos tiveram um grande papel na caracterização da outra parte. Formaram-se assim oposições que foram passadas à geração seguinte” (parágrafo 233).

A democracia, a política, a cidadania, a palavra como meio – é o que dispomos para, como gente cidadã, buscar o bem e não o mal. Afinal, a democracia não está à venda! É nossa convicção de que somos livres, por graça divina, para cuidar bem desse bem!

Do confronto ao diálogo – respeitoso, persistente, atento – para deixar que o bem cresça e floresça,

Fraternalmente,

Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

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