A presidente do Conselho Mundial de Igrejas para a América Latina, Glória Ulloa, estará presente no encontro Mulheres: Direitos e justiça - Compromisso Ecumênico, que será realizado em São Paulo, entre os dias 17 e 20 de novembro. Na oportunidade, ela falará sobre alguns dos principais desafios que o movimento ecumênico de mulheres entrenta nos dias de hoje. Outra presença já confirmada será a da secretária-geral do Conselho de Igrejas Cristãs de Angola, Deolinda Teka.

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O encontro é promovido pelo CONIC, em parceria com o Dia Mundial de Oração e o Movimento Lado a Lado. O objetivo é trabalhar a questão da violência contra mulheres, recuperar a história do protagonismo feminino no movimento ecumênico e desafiar as igrejas e a sociedade, nos dias de hoje, para o compromisso com a efetivação dos direitos e da justiça para as mulheres.

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Foto: Peter Williams/WCC

A paróquia Bom Pastor, em Brusque (SC), com apoio do Sínodo Vale do Itajaí sediou, dos dias 19 a 23 de outubro, o XXX Concílio da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Este ano, o Concílio trabalhou o seguinte tema: “Por uma Comunidade Missional: agora são outros 500”, em sintonia com a temática “Missão” e o Tema do Ano da IECLB para 2017, ano do Jubileu da Reforma.
 
No dia 21, foi realizado um culto ecumênico com a presença de diversos convidados. Entre eles estava o presidente do CONIC, dom Flávio Irala, que é bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).
 
A Pregação foi feita pelo pastor Breno Willrich, a partir do texto bíblico de Mateus 4.1-5. “A missão é de Deus. É Ele mesmo, pelo Espírito Santo, que age mediante o Evangelho, que cria e mantém a Igreja. Portanto, devemos afirmar que a missão que Deus concedeu à Igreja não está condicionada à nossa força. Não é o nosso ‘discurso a respeito de Deus’ nem a nossa incansável atividade que promove a fé. Esta compreensão nos chama à humildade e à oração para que Deus nos conceda o seu Espírito Santo. Caso contrário, não há Igreja, por mais que façamos. Também é verdade que a Missão de Deus não está condicionada aos nossos limites e fraquezas – Deus faz missão por nós apesar das nossas fraquezas. Sim, Deus faz missão por nós, IECLB, por nós, Ministros e Ministras, lideranças que aqui representamos, mulheres e homens, pessoas falhas que somos – instituição falha que somos”, afirmou.
 
Tome nota!
 
O Concílio da Igreja, órgão deliberativo máximo da IECLB, é realizado, ordinariamente, a cada dois anos, sempre em uma Comunidade diferente da IECLB.
 
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CONIC com informações da IECLB
Foto: IECLB

A Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou uma nota ao final de um encontro realizado em Brasília (DF), nos dias 18 e 19 de outubro. No texto, os membros da Comissão e os bispos referenciais das Pastorais Sociais manifestam preocupação com o cenário de retrocessos dos direitos sociais em curso no Brasil.
 
A nota refere-se às sugestões de reforma trabalhista e terceirização; reforma do Ensino Médio; reforma da Previdência Social e à Proposta de Emenda Constitucional 241/2016, que estabelece teto nos recursos públicos para as políticas sociais, por 20 anos. As proposições estão em pleno andamento na pauta política e social do Brasil com o novo governo, que tem apoio amplo no Congresso Nacional. Segundo o texto, tais medidas “colocam em risco os direitos sociais do povo brasileiro, sobretudo dos empobrecidos”.
 
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“Em sintonia com a Doutrina Social da Igreja Católica, não se pode equilibrar as contas cortando os investimentos nos serviços públicos que atendem aos mais pobres de nossa nação. Não é justo que os pobres paguem essa conta, enquanto outros setores continuam lucrando com a crise”, afirmam os bispos.
 
Ainda no texto, assinado pelo bispo de Ipameri (GO) e presidente da Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, dom Guilherme Antônio Werlang, há a afirmação de solidariedade com os movimentos sociais e o encorajamento para que as Pastorais Sociais manifestem-se “na defesa das conquistas sociais garantidas na Constituição Federal de 1988, na qual a CNBB tanto se empenhou no final da década de 1980”.
 
O encontro
 
Dois grandes objetivos permearam o encontro realizado no Centro Cultura de Brasília (CCB) com a presença dos membros da Comissão, dos bispos referenciais das Pastorais em âmbito nacional e regional, coordenadores e agentes. O primeiro foi abrir espaço para que os bispos partilhassem sobre a presença episcopal nas Pastorais e organismos vinculados à CNBB e os agentes indicassem as necessidades de apoio e incentivo que esperam da Comissão. O segundo ponto foi a reflexão a respeito do aprofundamento da Doutrina Social da Igreja por parte dos bispos que assumem o papel de referencial nas Pastorais.
 
Além das atividades de partilha e reflexão, foi proposto aos bispos, presbíteros, religiosos e leigos um estudo sobre “Pastoral Social: dimensão socioestrutural da caridade cristã”, assessorado pelo autor do livro que aborda a temática, o doutor em Teologia padre Francisco de Aquino Júnior.
 
Leia a nota na íntegra:
 

Nota da Comissão Episcopal Pastoral Para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz

“Nenhuma família sem casa,
Nenhum camponês sem terra,
Nenhum trabalhador sem direitos,
Nenhuma pessoa sem dignidade”.
Papa Francisco.
 
Nós, Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz, e bispos referenciais das Pastorais Sociais, da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil, reunidos em Brasília, nos dias 18 e 19 de outubro de 2016, manifestamos nossa preocupação com o cenário de retrocessos dos direitos sociais em curso no Brasil.
 
Entendemos que as propostas de reforma trabalhista e terceirização, reforma do Ensino Médio, reforma da Previdência Social e, sobretudo, a Proposta de Emenda Constitucional, PEC 241/2016, que estabelece teto nos recursos públicos para as políticas sociais, por 20 anos, colocam em risco os direitos sociais do povo brasileiro, sobretudo dos empobrecidos.
 
Em sintonia com a Doutrina Social da Igreja Católica, não se pode equilibrar as contas cortando os investimentos nos serviços públicos que atendem aos mais pobres de nossa nação. Não é justo que os pobres paguem essa conta, enquanto outros setores continuam lucrando com a crise.
 
Afirmamos nossa solidariedade com os Movimentos Sociais, principalmente de trabalhadores e trabalhadoras, e com a juventude, que manifestam seu descontentamento com as propostas do governo, bem como todas as organizações que lutam na defesa dos direitos da população.
 
Encorajamos as Pastorais Sociais a participarem, com os demais movimentos e organizações populares, na defesa das conquistas sociais garantidas na Constituição Federal de 1988, na qual a CNBB tanto se empenhou no final da década de 1980. Não desanimemos diante das dificuldades. Somos povo da esperança!
 
Com compromisso profético, denunciamos, como fez o Profeta Amós: “Eles vendem o justo por dinheiro, o indigente, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam a vida dos oprimidos impossível” (Am 2,6-7).
 
O Espírito do Senhor nos anima no serviço da Caridade, da Justiça e da Paz. Com Maria cantamos a grandeza de Deus que “derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes; enche de bens os famintos e manda embora os ricos de mãos vazias” (Lc 1, 51s).
 
Brasília, 19 de Outubro de 2016.
 
Dom Guilherme Werlang
Bispo de Ipameri - GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para
o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado.

O CONIC promoverá, em parceria com o Dia Mundial de Oração e o Movimento Lado a Lado, entre os dias 17 e 20 de novembro, em São Paulo (SP), o encontro Mulheres: Direitos e Justiça - Compromisso Ecumênico. O evento será realizado no Centro de Formação Sagrada família (www.centrosagradafamilia.com.br). A ideia é trabalhar a questão da violência contra mulheres, recuperar a história do protagonismo feminino no movimento ecumênico e desafiar as igrejas e a sociedade, nos dias de hoje, para o compromisso com a efetivação dos direitos e da justiça para as mulheres.

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Confira, a seguir, uma breve entrevista com a secretária-geral do CONIC sobre o encontro.

CONIC: Discutir mulheres, direitos e justiça, em pleno século XXI, ainda é necessário. Por qual motivo que, com o passar dos séculos, senão milênios, a mulher ainda é oprimida em praticamente todas as esferas sociais?

Romi Bencke: Em primeiro lugar, é importante destacar que um encontro ecumênico de mulheres é pedido há bastante tempo por mulheres das Igrejas ao CONIC. No Seminário Ecumênico sobre Missão, realizado em 2013, as mulheres participantes se reuniram para conversar sobre necessidade de um encontro específico para refletir sobre a participação das mulheres na vida das igrejas, o seu papel na missão da Igreja e para falar sobre o protagonismo das mulheres nas Igrejas. Finalmente, estamos conseguindo realizar o Encontro, depois de muito esforço. Realmente, discutir e refletir sobre mulheres, direitos e justiça no século XXI, lamentavelmente, ainda é necessário. Os casos de discriminação às mulheres e de violência contra as mulheres são numerosos. As mulheres são culpabilizadas pela violência que sofrem. Valores orientados por uma cultura patriarcal contribuem para a não superação da violência contra as mulheres. Sabemos que muitas Igrejas têm trabalhado o tema da superação da violência contra as mulheres. Outras Igrejas têm refletido criticamente sobre a relação entre valores religiosos patriarcais e a legitimação da violência contra mulheres. Estas iniciativas são muito louváveis, pois contribuem para gerar novas relações entre as pessoas. No entanto, a cultura leva muito tempo para ser transformada.

Com tristeza, vemos que o século XXI não apresenta mais direitos e justiça para as mulheres. Os casos de violência contra as mulheres são muitos. No Brasil, por exemplo, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. A pergunta de como as igrejas podem contribuir para mudar essa cultura de violência contra mulheres é fundamental. E isso  é o que queremos possibilitar neste encontro. Queremos que ele seja um espaço seguro para falar sobre as dores e as esperanças das mulheres.

CONIC: A igreja cristã é um ambiente menos hostil à mulher?

Romi Bencke: Creio que as Igrejas conseguem ter espaços menos hostis para as mulheres. As mulheres são maioria nas Igrejas. São elas que movimentam o dia-a-dia das Igrejas. No entanto, quando se olha para as estruturas das Igrejas, para as direções, para os espaços de representação, as mulheres são minoria ou não estão presentes. Isso precisa mudar. Outra questão é que ainda não estão totalmente superados os discursos patriarcais em relação às mulheres. Ainda há discursos religiosos que justificam porque é que mulheres devem ser submissas. É necessário fortalecer os vários ensaios e as diferentes experiências que ocorrem nas Igrejas e que mostram que é possível ampliar e fortalecer espaços em que mulheres são protagonistas e vistas como iguais. Fortalecer o discipulado de iguais é um desafio permanente para as igrejas. Mulheres e homens trabalhando em igualdade na missão. Eis o desafio.

CONIC: Em muitos países, as mulheres conseguem avançar muito pouco na questão dos direitos. Há nações em que uma mulher simplesmente não pode dirigir um automóvel ou sair de casa sem a presença de um homem. O que está faltando para que o mundo supere, de uma vez, esse apartheid de gênero?

Romi Bencke: Reconhecer-se como iguais. A partir da fé, acreditamos que Deus criou o ser humano com diferenças e caraterísticas. Logo, qualquer discriminação, preconceito, desigualdade é incoerente com um Deus de amor e justiça. Não é Deus quem cria a desigualdade entre homens e mulheres. São os seres humanos que criam estas desigualdades. A opressão das mulheres e a violência contra elas é pecado, porque rompe com a aliança com Deus. Mulheres e homens são imagem e semelhança de Deus.

Finalmente, gostaria de chamar a atenção que o encontro é aberto. Queremos motivar as mulheres a participar deste espaço de diálogo, celebração e partilha. Acessem o site do CONIC (http://bit.ly/2elYQgr), leiam sobre o encontro e inscrevam-se. A presença de vocês será muito importante. Vamos nos fortalecer, unir e dialogar. Um mundo sem violência contra as mulheres é possível. E é isso que Deus espera e exige de nós.

Foto: Mulheres reunidas por ocasião do Simpósio Ecumenismo e Missão – Testemunho Cristão em um Mundo Plural, 2014

Diversas entidades, incluindo o CONIC, e personalidades que atuam no âmbito dos direitos humanos apresentaram, nesta terça-feira, 18, uma reclamação disciplinar contra o desembargador Ivan Sartori, do Tribunal de Justiça de São Paulo. O documento foi encaminhado à presidente do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a ministra Carmen Lúcia.

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O objetivo da ação é que o órgão apure abusos, falta de isonomia e imparcialidade em sua atuação no julgamento do “Massacre do Carandiru”. As organizações defendem ainda seu afastamento provisório, para evitar que haja influência nas decisões dos demais desembargadores no caso, e, posteriormente, a aposentadoria compulsória do juiz, caso a investigação do CNJ confirme as violações.

Em audiência realizada na 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, no dia 27 de setembro, Sartori votou pela anulação do julgamento e pela absolvição de 74 policiais envolvidos no crime alegando que “não houve massacre, houve legítima defesa”.

“O argumento de legítima defesa para anular o veredicto do júri popular foi apresentado sem relação com todo o conteúdo de provas apresentadas. O voto do desembargador é incabível em crimes contra direitos humanos na qual os policiais militares excederam seu poder, matando os presos que não apresentavam resistência”, afirmam as entidades no documento.

O documento pede ainda investigação sobre a postura apresentada pelo desembargador nas redes sociais, onde insinua que a repercussão negativa de sua decisão sobre o Carandiru estaria relacionada ao financiamento da imprensa e de organizações de direitos humanos pelo crime organizado.

Entre as instituições que assinam o documento estão o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Conectas Direitos Humanos, a Justiça Global, o Conic (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), a Comissão Justiça e Paz, o Laboratório de Políticas Públicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o Cejil (Centro pela Justiça e o Direito Internacional) e os institutos Paulo Freire, Sou da Paz e Vladimir Herzog.

Também ratificam a reclamação personalidades, juristas e acadêmicos como Angelo Alonso, Antonio Funari Filho, Cláudio Gonçalves Couto, Dalmo Dallari, Fábio Konder Comparato, José Luiz Del Roio, Luiz Felipe de Alencastro, Marco Lucchesi, Maria Arminda do Nascimento Arruda, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Maria Victória Benevides, Marilena Chauí, Rogério Cézar Cerqueira Leite, Rosa Freire Furtado, Walnice Galvão, além de ex-ministros do governo FHC Gilberto Saboia, José Gregori, Luiz Carlos Bresser Pereira e Paulo Sérgio Pinheiro.

Tramitação

De acordo o pedido das entidades, a reclamação será encaminhada diretamente à ministra Carmen Lucia, que precisará submetê-la ao plenário do CNJ. Todos os quinze conselheiros, inclusive a ministra, devem avaliar a matéria e decidir se irão abrir um Processo Administrativo Disciplinar que, na prática, seria uma acusação formal contra Ivan Sartori, ou se encaminharão o pedido ao Corregedor Nacional de Justiça, João Otávio de Noronha. Neste caso, a corregedoria tem a possibilidade de pedir a instauração do processo, abrir uma sindicância para apurar a conduta do desembargador, e devolver o caso à decisão do plenário, ou arquivar o pedido.

Leia aqui a reclamação disciplinar.

Fonte: CONECTAS
Foto: TV Brasil / Divulgação - Cena do documentário As Marcas da Intolerância
Obs.: o título foi adaptado

Latina é uma cidade da Itália central, a mais nova da península, construída durante os vinte anos do regime fascista, na região saneada do Agro Pontino. A sua população é de origem “mista”, proveniente de várias regiões; atualmente é enriquecida pela grande variedade cultural, fruto das correntes migratórias.
 
Basma chegou a Latina há 18 anos, com o marido Ben, da Tunísia. Têm dois filhos que nasceram na Itália. “Um dia – ela nos conta – enquanto eu esperava o meu filho menor, na frente da escola, eu conheci uma senhora italiana que também esperava o filho e, com o passar do tempo, nasceu uma profunda amizade entre nós. Até então, eu havia conhecido muitas pessoas cristãs ou que, ao menos afirmam ser cristãos, que me haviam causado uma impressão negativa do cristianismo, no qual tudo era permitido e não se via a diferença entre o bem e o mal. Com esta nova amiga cristã, começamos a conversar sobre a nossa fé e descobríamos, sempre mais, que temos muitas coisas em comum: cada uma havia colocado Deus no centro da própria vida. As nossas casas são relativamente próximas e ela me deixava em casa após as aulas e, desta forma, começamos a visitar-nos, envolvendo também as nossas respectivas famílias. Descobri que esta minha amiga fazia parte de um povo de cristãos e que, todos, viviam por Deus.”
 
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A amizade aumentou, com a troca de presentes simples e o conhecimento recíproco: cuscuz para toda a família, acompanhado por pratos tunisianos, um jantar que reuniu as duas famílias. “Atravessamos a cidade a pé, como estamos acostumados a fazer, e eles diziam ter descoberto uma cidade antes escondida, povoada por todos os amigos muçulmanos”. Depois, houve uma festa tunisiana, com a contribuição financeira voluntária para suprir as despesas do material escolar das crianças, em um período no qual Ben havia sofrido um acidente de trabalho. Os amigos cristãos colocaram a própria casa à disposição decorando-a para a ocasião e criando um ambiente árabe, com tapetes, cortinas, almofadas, mesinhas baixas e velas. “Nós fizemos as compras e Basma cozinhou – eles contam – Foi grande a alegria ao constatar que conseguimos o valor exato para a compra dos livros. Uma noite muito bonita na qual assumimos como nossa a cultura árabe e nós nos sentimos irmãos. Ao entregar-lhes o valor arrecadado, escrevemos um bilhete: ‘Obrigado por esta viagem que você nos proporcionou pela sua terra, uma viagem com você. A sua família de Latina’. Comovida até as lágrimas, Basma consolidou este vínculo entre todos”.
 
Depois, um imprevisto: a doença e a morte do marido. “Antes de deixar-nos, Ben confiou-me a esses amigos cristãos. Eu fui a primeira a ficar muito admirada: havia os seus familiares, os irmão da mesquita, mas, talvez, ele sentia que, com eles, existia realmente uma relação cuja base era Deus. Bem morreu deixando-nos em uma grande dor. Éramos sós em uma terra estrangeira. Eu não tinha forças para viver”, nos disse Basma. Naqueles dias marcados pelo sofrimento, os amigos se alternavam no cuidado com aquela família, preparando alimentos, procurando sustentá-la e encorajá-la a recomeçar. “O sofrimento dela era nosso, os seus filhos eram nossos filhos”, nos dizem. Nasceu uma grande comunhão de bens para sustenta-los naquele período. Depois de poucos dias, uma pessoa levou a eles dez sacolas de verduras, que a proprietária de um mercado quis doar. A “Providência”, como dizem os amigos cristãos, tornou-se contagiosa e, também Basma começou a partilhar aquilo que recebia.
 
Finalmente chegou uma proposta de trabalho. Mas era para o turno das 4h da manhã, em uma fábrica distante da cidade. Uma das amigas se propôs a acompanha-la. Deste gesto começou uma corrente entre várias pessoas que a levavam, de forma a não pesar para ninguém e conseguir ajuda-la. “No novo ambiente de trabalho – nos conta Basma – eu também comecei a amar a todos, inclusive quem me considerava uma inimiga por causa do meu véu. Atualmente existe uma atmosfera muito serena e os meus amigos não precisam mais me acompanhar porque os colegas de trabalho se ofereceram para isso. Nos primeiros dias era difícil e eu repetia comigo mesma uma frase que ouvi dos meus irmãos cristãos: “Onde não há amor, coloque amor e encontrarás amor”. E é exatamente assim, o amor é contagioso”.

Fonte: Focolares
Foto: Reprodução / Rosario De Rosa
Obs.: o título foi adaptado.

A prestigiosa Universidade de Georgetown, fundada pelos jesuítas e sediada em Washington, enfrentou de maneira justa o fato histórico de que os próprios jesuítas venderam 272 escravos em 1838 para manter vivas as finanças dessa instituição acadêmica.
 
No relatório do Grupo de Trabalho sobre Escravidão, Memória e Reconciliação, o reitor da universidade, John G. DeGioia, anunciou em 1º de setembro um vasto pacote de medidas para encarar e reparar os abomináveis acontecimentos de 178 anos atrás.
 
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DeGioia tinha pedido ao Grupo de Trabalho, em setembro de 2015, três tarefas: que fizessem recomendações para fomentar um melhor conhecimento dos assuntos históricos que envolveram a universidade com a escravidão; que examinassem e interpretassem a história de determinados lugares do campus e que montassem uma lista de eventos adequados para dialogar sobre a questão.
 
O pacote de iniciativas incluiu também um pedido formal de perdão; a oferta de condições preferenciais na admissão dos descendentes não apenas dos escravos vendidos naquele ano, mas de todos os escravos que trabalharam para a universidade; um novo programa acadêmico de estudos sobre a escravidão; um monumento em memória dos escravos que, com seu trabalho, beneficiaram a instituição; a troca de nome de dois edifícios do campus de Washington; e uma missa de reconciliação.
 
Além de qualquer outra instituição
 
Entrevistado pelo New York Times, o professor do Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), Craig Steven Wilder, que estudou as relações entre as universidades norte-americanas e o escravagismo, disse que o projeto exposto por DeGioia “vai muito além do que foi feito por qualquer outra instituição (…) Dá passos que uma grande quantidade de universidades tem se negado a dar”.
 
Mais de uma dezena de universidades nos Estados Unidos são questionadas pelo seu passado escravista, incluindo instituições renomadas como Harvard, Brown e a Universidade da Virgínia. A maior parte delas reconheceu publicamente que comercializou e usou escravos na época anterior à abolição da escravatura. Mas nenhuma delas ofereceu tratamento preferencial na admissão dos descendentes dos escravos.
 
A Universidade de Georgetown já oferecia prerrogativas especiais aos filhos e netos de ex-alunos. A decisão de DeGioia oferece aos descendentes dos escravos essas mesmas vantagens, o que, segundo os historiadores, é algo sem precedentes. Que seja um passo importante para a reconciliação nos Estados Unidos em tempos nos quais parece crescer a barreira do racismo e da indiferença perante a história.

Fonte: Aleteia
Imagem: Wikimedia Commons

O Papa Francisco recebeu em audiência, no dia 6 de outubro, na Sala dos Papas, no Vaticano, o Arcebispo de Cantuária, Dr. Justin Welby, Primaz da Comunhão Anglicana, e trinta e cinco Primazes das Províncias Anglicanas. Também estava presente o presidente do CONIC - que também é bispo anglicano - dom Flávio Irala. Na oportunidade, o Pontífice disse que ver os Primazes de várias Províncias da Comunhão Anglicana juntos com o Bispo de Roma é “um bonito sinal fraterno”.
 
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Encontro histórico
 
“Celebramos solenemente o 50° aniversário do encontro histórico entre o Beato Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey. Esse encontro deu muitos frutos, basta pensar na criação do Centro Anglicano em Roma, na nomeação do representante permanente do Arcebispo junto à Santa Sé e no início do diálogo teológico, cujo resultado é o volume que contém cinco documentos da segunda fase da Comissão Internacional Anglicano-Católica (ARCIC 1982-2005). Esses frutos provêm de uma árvore que tem suas raízes no encontro de 50 anos atrás.”
 
Referindo-se ao prosseguimento do caminho comum entre católicos e anglicanos, o Papa pensou em três palavras: oração, testemunho e missão.
 
Oração
 
“Ontem à noite celebramos as Vésperas. Esta manhã, vocês rezaram aqui no Túmulo do Apóstolo Pedro. Não nos cansemos de pedir sempre e insistentemente ao Senhor o dom da unidade.”
 
Testemunho
 
“Estes 50 anos de encontro e troca de experiências, assim como a reflexão e os textos comuns, nos falam de cristãos que, por fé e com fé, se ouviram e partilharam tempo e forças. Aumentou a convicção de que o ecumenismo não é um empobrecimento, mas uma riqueza. Amadureceu a certeza de que aquilo que o Espírito semeou no outro produz uma colheita comum. Conservemos esta herança como um tesouro e nos sintamos chamados, todos os dias, a doar ao mundo, como Jesus pediu, o testemunho do amor e da unidade entre nós.”
 
Missão
 
“Há momento para tudo e este é o tempo em que o Senhor nos interpela, de modo particular, a sair de nós mesmos e de nossos ambientes para levar o seu amor misericordioso a um mundo sedento de paz. Ajudemo-nos reciprocamente a colocar no centro as exigências do Evangelho e a nos doar concretamente nesta missão.”

CONIC com informações da Rádio Vaticano
Foto: CTV / Rádio Vaticano

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Ainda existem obstáculos no caminho ecumênico, mas desejamos que aquilo que já é iminente, dê energia ao trabalho ecumênico no nosso país e dê sinais encorajadores e de esperança em todo o mundo.
 
Evento histórico
 
Assim conclui-se um longo artigo publicado, no dia 4 de outubro, no jornal sueco de inspiração cristã Dagen, assinado conjuntamente pelo Bispo católico da Diocese de Estocolmo, Anders Arborelius, e a Arcebispa da Igreja da Suécia, Antje Jackelen, a menos de um mês da visita do Papa Francisco a Lund, “evento que pode ser definido como histórico”, escrevem os bispos.
 
Em 31 de outubro, aniversário da Reforma, “pela primeira vez em absoluto, os líderes da Igreja Católica e da Federação Luterana mundial lançarão um olhar conjunto sobre a Reforma”.
 
Visita é fruto visível dos 50 anos de diálogo entre católicos e luteranos
 
O evento é um dos “frutos visíveis” dos “cinquenta anos de diálogo entre católicos e luteranos”, escrevem os bispos citados pela Agência Sir, recordando a assinatura da “Declaração conjunta sobre a doutrina da justificação” e o documento “Do conflito à comunhão”.
 
Os expoentes religiosos explicam, ademais, que o evento na Arena de Malmö intitulado “Juntos na esperança”, quer ser um “testemunho ao mundo da misericórdia de Deus” e anunciam que “como sinal concreto da vontade de fortalecer os laços, Caritas Internationalis e o World Service, subscrevem um memorandum conjunto”.
 
O convite é “colher a oportunidade de testemunho de Jesus Cristo para que o mundo creia” e “a rezar e a trabalhar pelo bem do Evangelho”.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: L'Osservatore Romano

O dia 4 de outubro de 2016, data em que se comemora São Francisco de Assis, entrará para a história como a data em que a Igreja Católica deu um grande passo na luta contra as mudanças climáticas. Nada menos do que sete instituições católicas de peso ao redor do mundo anunciaram globalmente sua adesão à campanha de desinvestimento do setor de combustíveis fósseis. Trata-se do maior anúncio conjunto feito pelo segmento religioso até o momento.
 
A Diocese Divino Espírito Santo de Umuarama, no estado do Paraná, no Brasil, se apresenta não só como a primeira Diocese, mas também como a primeira instituição da América Latina a aderir ao desinvestimento. Sua proposta é reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a fim de tornar-se uma Diocese de Baixo Carbono.
 
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Além da Diocese de Umuarama, as outras seis instituições que se comprometeram com o desinvestimento são: os Padres Jesuítas do Alto Canadá; a Federação das Organizações Cristãs para o Serviço Voluntário Internacional (FOCSIV), na Itália; a Congregação das Irmãs de Apresentação de Maria da Austrália e Papua Nova Guiné; SSM Saúde, nos Estados Unidos; a Sociedade Missionária de São Columbano, baseada em Hong Kong e com presença em 14 países; e o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, em Milão e Nápoles, na Itália.
 
Os compromissos vão desde a retirada de investimentos em carvão, como é o caso da instituição SSM de Saúde dos Estados Unidos, até o redirecionamento dos fundos para energias limpas e renováveis, como a FOCSIV anunciou.
 
A Diocese de Umuarama, uma das dezenas de instituições católicas que integram a COESUS - Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida, se comprometeu a motivar seus fiéis a realizar uma vigília pelos refugiados e impactados pelas mudanças climáticas, a apresentar aos membros da Igreja propostas de ações para redução de atividades poluentes ligadas aos hidrocarbonetos, além de conscientizá-los sobre os impactos do aquecimento global e sobre a importância do incentivo às fontes renováveis de energia.
 
Outras ações também estão previstas na proposta, como a elaboração, em conjunto com a 350.org, de um plano de eficiência energética, com autogeração de energia solar e geração de biogás através de resíduos orgânicos, a ser implementado nas edificações paroquiais e casas de formação; incentivo aos membros da Diocese e à comunidade a repetir o modelo de eficiência energética nas indústrias, comércios, escritórios e residências, visando a independência energética e a redução de emissões de gases do efeito estufa; e a formação e capacitação, por meio de workshops e treinamentos, para membros da Diocese, a fim de que esta e outras instituições católicas reduzam suas emissões de gás carbônico (CO2).
 
"Como Bispo da Diocese de Umuarama, em comunhão com a Igreja Católica e atento aos apelos do Evangelho, compreendo com clareza as mensagens do Papa Francisco através da Encíclica Laudato Si, que nos convoca ao cuidado da Casa Comum por meio de iniciativas que defendam a vida como um todo. Não podemos nos acomodar e seguir permitindo que interesses econômicos que buscam o lucro antes do bem-estar das pessoas, destruindo a biodiversidade e os ecossistemas, continuem ditando nosso modelo energético, baseado nos combustíveis fósseis. Sabemos que o Brasil conta com fontes abundantes de energias limpas e renováveis que não agridem a nossa Casa Comum. Por isso, acredito que a proposta de tornar a Diocese de Umuarama de baixo carbono é um dos caminhos práticos para se alcançar o que propõe a Laudato Si", defende Dom Frei João Mamede Filho, Bispo da Diocese de Umuarama.
 
Dom Mamede é colaborador da campanha Não Fracking Brasil, coordenada pela350.org Brasil e pela COESUS, tendo participado de ações no Paraná e internacionalmente. Recentemente, ele foi orador do evento 'Perigos do Fracking para a América Latina', encontro que aconteceu em Montevidéu, no Uruguai, e onde ocorreu o lançamento da Coalizão Latino-americana contra o Fracking pela Água, Clima e Agricultura Sustentável. Em setembro ele também esteve presente em umseminário organizado pela Diocese de Umuarama e Cáritas Paraná, que reuniu especialistas, ambientalistas, climatologistas, agentes da pastoral e gestores públicos para debater as mudanças climáticas e justiça social.
 
"Como parte de um movimento global, não vamos admitir que a indústria do hidrocarboneto continue a colocar em risco as vidas de milhões de pessoas ao redor do mundo. Desinvestir dos combustíveis fósseis é o único caminho para conter as mudanças climáticas. Essa decisão conjunta é muito importante, pois mostra o compromisso das comunidades católicas com a segurança do planeta. Precisamos urgentemente diminuir as nossas emissões de CO2, e para isso, é fundamental o incentivo ao crescimento das energias renováveis", afirma Juliano Bueno de Araujo, coordenador de campanhas climáticas da 350.org Brasil e fundador da COESUS.
 
O movimento de desinvestimento dos combustíveis fósseis foi reconhecido pelo Papa Francisco durante a mensagem enviada aos fiéis, no dia 01 de setembro - Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação -, chamando-os a rezar pela criação. Em sua fala, ele afirma que "a pressão social - que inclui o boicote a certos produtos - pode forçar as empresas e o mercado a reverem sua pegada climática e seus padrões de produção. Esta lógica anima o movimento de desinvestimento dos combustíveis fósseis."
 
A campanha pelo desinvestimento dos combustíveis fósseis é a que apresenta mais rápido crescimento na história, de acordo com um relatório da Universidade de Oxford. Até esta data, cerca de 600 instituições, que juntas somam mais de US$ 3,4 trilhões, já anunciaram globalmente seus compromissos. "Nós celebramos o anúncio de hoje e esperamos que ele influencie pessoas de todos os credos e inspire ainda mais instituições católicas, incluindo o próprio Vaticano, a retirar seus fundos da indústria dos combustíveis fósseis", reforçou Yossi Cadan, coordenador sênior da campanha do desinvestimento da 350.org.
 
Segundo Tomás Insua, coordenador global do Movimento Católico Global pelo Clima, o redirecionamento das políticas de investimento anunciado pelas instituições católicas segue a orientação emitida pelos bispos de todo o mundo. "Em uma poderosa declaração no ano passado, todas as Conferências Episcopais do mundo fizeram um apelo ao 'fim da era do combustível fóssil'", afirmou.

Fonte: Não Fracking Brasil
Foto: Guryanov Andrey/Shutterstock
Obs.: o título foi adaptado