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Foi realizado, nos dias 22, 23 e 24 de abril, o 10º Encontro Nacional de Fé e Política. O evento reuniu cerca de 500 pessoas, entre lideranças, religiosos de diferentes igrejas, sociólogos, professores, militantes e estudantes vindos de todas as regiões do Brasil, na Universidade Federal de Campina Grande (PB).

A ação foi uma realização do Movimento Nacional de Fé e Política, em parceria com a Diocese local e a Cáritas. Houve momentos de plenárias e de grupos temáticos, além de palestras e painéis, com temas como “Entendendo as Crises”, “Águas da Solidariedade, Convivência com o Semiárido”, “Espiritualidade do Cuidado com a Vida” e “Sementes de Esperança”. Nos grupos temáticos, o participante pôde escolher uma das 22 opções, que traziam temáticas diversificadas, como Crise Climática, Juventude e Transformação Social, Protagonismo Popular, Democratização da Mídia, Crise do Modelo Partido Político, entre outros.

O CONIC esteve representado pelo leigo anglicano João Francisco dos Santos Esvael (Xico Esvael), responsável pelo regional do CONIC na Paraíba. A secretária-geral do Conselho, Romi Bencke, também esteve presente.

A seguir, confira a nota pública lançada por ocasião do evento.

Nota Pública

"Se também você compreendesse hoje
o caminho da Paz!" (Lc. 19, 42)

Nós, participantes do 10º Encontro Nacional de Fé e Política, viemos a público para afirmar nossa rejeição ao golpe que está sendo executado por forças antidemocráticas e antipopulares. Não aceitamos que essas forças tomem o governo federal contrariando a vontade nacional expressa nas eleições de 2014, assim como rejeitamos o modelo econômico baseado na restrição dos direitos trabalhistas, dos programas sociais e da soberania nacional.

A votação da Câmara Federal do dia 17 de abril foi uma fraude patrocinada por pessoas corruptas e pela grande mídia, porque ficou evidente não haver crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma Rousseff. Repudiamos as declarações de deputados e deputadas que usaram o nome de Deus e citações da Bíblia para justificar seu apoio à ruptura constitucional.

Conclamamos as forças democráticas e populares a se manifestarem publicamente em defesa do Estado de Direito. Comprometemo-nos a nos unir a todos os movimentos e entidades do campo democrático participando da jornada contra o golpe no dia 1º de maio.

Neste momento difícil, seremos coerentes com os princípios éticos que devem guiar a ação política.

As águas da Solidariedade e as sementes da Esperança nos firmam nesse compromisso!

Campina Grande - PB, 24 de abril de 2016.

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Não é difícil perceber que a desunião entre as Igrejas cristãs é um escândalo que prejudica a própria pregação do evangelho. Quem vê, de fora, Igrejas em oposição fica com a triste impressão de que estamos disputando espaço em vez promover o projeto de Jesus. A união faz a força – diz o provérbio bem conhecido. Na mesma proporção a desunião produz fraqueza. Igrejas unidas terão mais condição de promover a paz e a justiça. Estarão, com seu próprio comportamento, gritando ao mundo que a reconciliação, o perdão, a retificação de caminhos são sempre possíveis, quando há abertura para a graça.  Mas, ainda que essa razão seja poderosa, temos outra ainda maior para buscar a unidade: Jesus pediu que os seus seguidores fossem um como ele e o Pai são um. Como ignorar tal desejo do Senhor?  A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um momento especial para colocarmos nas mãos da Trindade nossos esforços e dificuldades no caminho da busca do relacionamento fraterno de Igrejas, superando séculos de  uma história de enfrentamento mútuo.

- Clique aqui para acessar informações sobre a SOUC em 2016

Já o papa Leão XIII tinha pensado em fazer uma novena pela unidade, aproveitando a semana que vai do dia de Ascensão à festa de Pentecostes. Mais tarde a idéia foi muito divulgada por Lewis Thomas Wattson, um anglicano que se tornou católico romano. A proposta de data feita por Wattson  era outra: de 18 de janeiro (festa da cátedra de S. Pedro em Roma) a 25 de janeiro (festa de S. Paulo); estariam assim representados nos dois apóstolos estilos diferentes de vivência cristã.  Mas, de acordo com a mentalidade católica da época, pensava-se em unidade como retorno de todos os cristãos à Igreja com sede em Roma. Como era de se esperar, tal proposta não foi bem aceita por ortodoxos e evangélicos. Em 1926, o movimento Fé e Constituição, que mais tarde vai estar na origem da formação do Conselho Mundial de Igrejas, lançou um apelo para a realização de uma Semana de Oração pela Unidade, a ser feita nos dias que antecedem a festa de Pentecostes.

Um grande impulso veio também do sacerdote católico francês Paul Couturier a partir de 1935. Mas dessa vez, a proposta mostrava uma abertura da parte católica: não se tratava de um retorno ao catolicismo, mas da reunião fraterna de Igrejas, cada uma com a sua identidade. Pe. Couturier dizia: “Que chegue a unidade do Reino de Deus, tal como Cristo a quer e pelos meios que ele quiser!”  Essa atitude ficou mais fácil para os católicos depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), que reconheceu valores nos então chamados “irmãos separados” e em suas Igrejas, afirmando que a fé comum em Cristo é princípio de comunhão e assumindo a proposta ecumênica que respeita a identidade religiosa do outro.

Para explicar o tipo de ecumenismo que queremos, hoje usamos muito a imagem dos raios de uma roda cujo centro é Jesus. As Igrejas, cada uma no seu raio, ao se aproximarem do centro, ficarão inevitavelmente mais próximas umas das outras. Não se pede conversão de uma Igreja para outra. O que se quer é o respeito e acolhida aos diferentes caminhos que conduzem à prática da unidade por amor e fidelidade a Jesus.

A partir de 1968, a Semana é preparada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, representado por sua comissão de Fé e Constituição. A data pode variar: na Europa em geral a Semana se faz de 18 a 25 de janeiro. No Brasil, preferimos o período que fica entre Ascensão e Pentecostes.

A cada ano, um país prepara a Semana de Oração pela Unidade, escolhendo o tema e elaborando indicações gerais de textos, orações, reflexões. Aqui no Brasil, o texto é recebido pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e adaptado ao nosso jeito de celebrar. 

Para orientar os que vão viver a Semana, O CONIC prepara todos os anos, um livrinho com textos para as celebrações, reflexões, orações e estudos bíblicos dentro do tema. Há um cartaz para divulgar a Semana e um folheto para ser distribuído para as pessoas que participam da SOUC. Nesse material, são explicadas linhas fundamentais do ecumenismo que queremos.  O CONIC tem cinco Igrejas como membros plenos:  Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. Outras Igrejas têm-se mostrado favoráveis ao diálogo e à proposta ecumênica. Elas são parceiras tanto na oração como na ação a favor da paz e do respeito entre igrejas e religiões. Existem experiências interessante de Igrejas que não assumiram oficialmente a proposta ecumênica, mas que participam da Semana de Oração pela unidade Cristã.  Essa disposição é sempre acolhida com alegria.

A Semana de Oração pela Unidade Cristã exige cuidado, delicadeza, respeito e abertura para conhecer e reconhecer o outro como irmão e irmã. Quando várias Igrejas oram juntas é preciso conversar antes, ver se o que vai ser feito não causa problemas à sensibilidade religiosa dos participantes. Todos devem se sentir à vontade. Se algum canto, gesto ou oração causa problema para alguma das Igrejas envolvidas, o mais sensato e caridoso é substituir por algo que seja de aceitação comum. O mesmo se dirá a respeito do local de reunião. Isso não é calar a própria identidade: é dar tempo ao tempo, deixar a confiança mútua crescer aos poucos e não pressupor que podemos consertar em uma semana o que levamos séculos estragando.

Existem também situações especiais. Imaginemos que, numa cidade muito pequena, não haja duas Igrejas que já queiram rezar juntas; é possível uma Igreja viver a Semana com seus próprios fiéis, educando-os para o amor e o respeito às diferentes tradições de fé.

O ecumenismo orienta para uma espiritualidade de acolhida, escuta, aproximação e respeito entre diferentes formas de viver a fé em Jesus Cristo. Isso é muito importante também para o convívio dentro da própria Igreja, na família e no trabalho. Todos e todas nós conhecemos e convivemos com pessoas com diferentes pertenças religiosas.

Pentecostes é uma festa que tem tudo a ver com ecumenismo: as pessoas, nesse dia, não passaram a falar, todas, a mesma língua, mas entenderam a pregação de Pedro cada uma do seu jeito. Elas se sentiram unidas por um Evangelho comum. Bom mesmo será se o espírito da Semana de Oração pela Unidade Cristã perdurar e dela nascerem outras iniciativas: grupos conjuntos de reflexão bíblica, festivais de música entre as Igrejas, ações de promoção social realizadas ecumenicamente... e o que mais o Espírito Santo inspirar.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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Integrantes do Fórum Ecumênico Brasil decidiram lançar, no dia 20 de abril, uma campanha em defesa da democracia e do Estado laico. A iniciativa é um repúdio ao uso do nome de Deus repetido por deputados e deputadas – dos mais diversos partidos, de Norte a Sul do país – para justificar “sim” na votação do impeachment de Dilma Rousseff, fato que representa claro atentado à laicidade que o Congresso deve ter.

Pois bem: a partir de uma visão crítica desse episódio, onde houve uma literal instrumentalização do nome de Deus e da Bíblia para justificar ações dentro do parlamento, qual seja, a admissibilidade ou não da deposição de uma presidente, a ideia é mobilizar pessoas de diferentes confissões religiosas para reafirmar a necessidade de que o Estado permaneça laico, de fato e de direito, de modo que credos religiosos (sejam eles quais forem) não sejam a razão pela qual vota este ou aquele político.

O nome da campanha é #NãoEmNomeDeDeus e defende que todo candidato tem o dever de representar a sociedade como um todo e não apenas grupo religioso ao qual ele pertence.

COMO A CAMPANHA SERÁ FEITA?

Ela será feita pelas redes sociais. Portanto, se você concorda com o mote dessa iniciativa, encaminhe sua foto para a equipe de comunicação da CESE (cesecomunica@cese.org.br), usando a hashtag #NãoEmNomeDeDeus. Ela será postada na página da organização (www.facebook.com/cese1973). Se preferir, basta postar uma foto sua nas redes sociais com a descrição #NãoEmNomeDeDeus.

Vamos juntos fazer com que essa hashtag chegue aos trending topics de todas as mídias sociais Brasil afora.

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Membros do Fórum Ecumênico ACT Brasil estiveram reunidos, na última sexta-feira (15), com Pauliina Parhiala e Sushant Agarwal, diretora executiva e moderador de ACT Aliança, respectivamente. Buscando compartilhar com os visitantes as ações do fórum nacional, foram apresentadas as ações de incidência pública na defesa de direitos do Fórum Ecumênico ACT Brasil que também indicou a necessidade e importância do apoio de ACT Aliança para a internacionalização de causas. Pauliina Parhiala compartilhou sobre os processos de efetivação da Aliança nas diferentes regiões e sua visão estratégica.

As ações de luta pela democracia promovidas pelo movimento ecumênico frente à atual conjuntura brasileira foram apresentadas aos representantes da Aliança, que ressaltaram a importância da promoção do desenvolvimento transformador e da incidência pública para a garantia de direitos de grupos mais vulneráveis.

A reafirmação do Estado Laico foi pontuada por Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), como questão fundamental de enfrentamento à crescente onda de ódio no país. A articulação de estratégias que garantam a atuação do movimento ecumênico no Brasil neste sentido também foi considerada indispensável. Cibele Kuss, da Fundação Luterana de Diaconia, completou afirmando quão “necessário é pensar o que as organizações ecumênicas farão frente ao conservadorismo e ao fundamentalismo religioso”.

Pauliina Parhiala ressaltou que “os membros de ACT Aliança esperam que sejam realizadas mais ações de enfrentamento” ao cenário apresentado. Para isto apontou como ponto estratégico o fortalecimento do Fórum Ecumênico Sul Americano, que neste ano está no foco de trabalho do recém inaugurado escritório da Aliança em El Salvador.

Além disso, a força da sociedade civil organizada foi reconhecida pelos representantes da Aliança. “A partir desta reunião, está claro que temos muito que compartilhar”, disse a diretora executiva de ACT se referindo à atuação do movimento ecumênico brasileiro e latino americano.

“A reunião se desenrolou em espírito fraternal e de cooperação, o que possibilitou o diálogo franco sobre questões de membresia, de contribuição financeira, de políticas institucionais e de estratégias de fortalecimento das relações entre o secretariado de ACT e o Fórum Ecumênico ACT Brasil”, analisou Marilia Schüller, assessora de projetos de KOINONIA.

Foto: koinonia.org.br
Imagem: Reprodução

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A Fundação Luterana de Diaconia - FLD é uma organização da sociedade civil, com pertença religiosa, criada pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. A FLD atua em Diaconia Transformadora, por motivação evangélica. Não atuamos em nome de Deus. A atuação se dá porque o amor de Deus nos faz conectar fé, história, teologia, religião, cultura e pensamento crítico para um testemunho plural e amoroso, sem proselitismo e fundamentalismo religioso, com profundo respeito às diversidades e ao Estado Laico. Em 2014, a FLD aprovou sua Política de Justiça de Gênero, afirmando e reiterando seu compromisso com processos de reflexão sobre religião e violências no enfrentamento das estruturas patriarcais.

O conteúdo religioso, proclamado pela quase maioria absoluta de deputadas e deputados dia 17 de abril de 2016, utilizando-se da religião cristã para justificar posições e atitudes desprovidas de análise política e repletas de violências, no contexto de votação do processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff, trouxe a público a relevância de um contínuo debate sobre o papel da religião na sociedade brasileira e, de forma estratégica, a responsabilidade de organizações confessionais e ecumênicas contribuírem com a reflexão teológica.

O que vimos e ouvimos domingo, para jamais esquecer, foi a mais completa alienação entre o ser humano e Deus, dita por muitos parlamentares que comprovadamente respondem a processos por atos de corrupção, que perseguem e vociferam todos os dias discursos criminosos de ódio contra comunidades afro-religiosas, povos indígenas, comunidades quilombolas, pessoas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

A teologia também está em disputa, infelizmente. Falamos de teologia do lugar de quem faz a opção pela diaconia transformadora, afirmadora e defensora de direitos para toda a Criação.

É urgente resgatar e afirmar o pensamento teológico protestante. Este pensamento dialogou com a filosofia, com sociologia da religião, com a razão crítica e com a perspectiva profética de interpretação histórico crítico dos textos bíblicos.

Paul Tillich é um pensador que nos chama à razão e ao amor. Ele diz: “Mas também você quer saber que se pode fazer para receber o Espírito, se ele, de fato for auto-autenticador. Essa pergunta não pode ser respondida, pois se eu conseguisse respondê-la, então eu estaria lhe ensinando um método para obrigar Deus a fazer a sua vontade. Mas Deus destruiria um tal método da mesma maneira como destrói nossa auto-justificação moral. A única resposta consiste em permanecermos abertos aos impactos da vida -que podem vir de outras pessoas, da leitura da Bíblia, do culto, ou de atos de amor - por meio dos quais Deus age sobre nós. Podemos experimentar o Espírito escutando e esperando; mais do que isso não se pode fazer. Não existe nenhum método válido para forçar a vontade de Deus”.

Deus não é objeto de autojustificação moral. Foi público e notório o abuso intencional do nome de Deus no dia 17 de abril de 2016. O Brasil não é uma nação cristã. É um país de muitas diversidades. O Estado brasileiro é laico e democrático. A FLD repudia todas as manifestações contrárias à democracia e às diversidades. Por uma vida sem violências!

Porto Alegre/RS, 21 de abril de 2016.

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No último domingo, 17 de abril, vivemos um verdadeiro ataque ao Estado laico. É lastimável que mais de uma centena de deputados e deputadas tenham feito uso do nome de Deus ou justificar com os votos que recebeu de alguma Igreja, para votar SIM ou NÃO pela abertura do processo de Impeachment.

Neste contexto, nós, pessoas jovens luteranas, reafirmamos: “A IECLB faz parte da tradição protestante que se empenha pela separação de religião e Estado. Preconiza a defesa do Estado laico. A IECLB incentiva sempre a participação em partidos políticos como canais institucionais que expressam valores e ideologias presentes na sociedade brasileira. Condena vícios nefastos presentes na cultura política brasileira. Dentre eles, destaca-se o clientelismo, o coronelismo e a defesa de interesses meramente corporativos e pessoais. Por isso, para a IECLB, o assédio às pessoas identificadas com a fé evangélica por parte de candidatos/as e a tentativa de transformá-las em um curral eleitoral representam um grande desserviço à democracia. […] Com base nessa visão, torna-se CONDENÁVEL o uso e abuso de símbolos religiosos ou mesmo o nome de Deus como forma de sensibilização para ganhar o voto das pessoas” (Carta Pastoral – Eleições 2014).

Entre nessa campanha pelo Estado laico e poste uma foto com as hashtags e reafirme seu compromisso com a laicidade do Brasil.

#NãoEmMeuNome

#NãoEmNomeDeDeus

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As referências à religião e a Deus nos discursos de parte dos deputados que decidiram, no domingo (17), pela abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff incomodaram religiosos. Em defesa da separação entre a fé e a representação política, líderes de várias entidades criticaram as citações e disseram que os posicionamentos violam o Estado laico.

Durante a justificativa de voto, os parlamentares usaram a palavra "Deus" 59 vezes, quase o mesmo número de vezes que a palavra "corrupção", citada 65 vezes. Menções aos evangélicos aparecem dez vezes, enquanto a palavra "família" surgiu 136, de acordo com a transcrição dos discursos, no site da Câmara dos Deputados. A votação foi aberta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, evangélico, com os dizeres: "Que Deus esteja protegendo esta Nação".

Para o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), composto pelas igrejas Evangélica de Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil, Metodista e Católica, que havia se manifestado contra o impeachment, assim como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ligada à Igreja Católica, as menções não surpreenderam. A presidenta da entidade, a pastora Romi Bencke, disse que as citações distorcem o sentido das religiões. "Não concordamos com essa relação complexa e complicada entre religião e política representativa", afirmou.

Segundo Romi, uma das preocupações dos cristãos é com o uso da religião para justificar posicionamento em questões controversas. A fé, esclareceu, pode contribuir, com uma cultura de paz, com a promoção do diálogo e com o fortalecimento das diversidades. Porém, advertiu, "Tem uma faceta de perpetuar violência", quando descontextualizada. "Infelizmente, vimos que os parlamentares que se pronunciaram em nome de Deus, ao longo do mandato, se manifestam contra mulheres, defendem a agenda do agronegócio e assim por diante. Nos preocupa bastante o fato de Deus ser invocado na defesa de pautas conservadoras – é ruim adjetivar, mas é a primeira palavra que me ocorre – e de serem colocadas citações bíblicas descontextualizadas. Não aceitamos isso e eu acho que é urgente refletir sobre o papel da religião na sociedade".

O teólogo Leonardo Boff, que já foi sacerdote da Igreja Católica, expoente da Teologia da Libertação no Brasil e hoje é escritor, também criticou o discurso religioso dos parlamentares que, na sua opinião, colocaram em segundo plano os motivos para o pedido de impeachment, as pedaladas fiscais e a abertura de créditos suplementares pelo governo de Dilma.

Golpe de 64

Em seu blog na internet, Boff disse que os argumentos apresentados se assemelharam aos da campanha da sociedade que culminou com o golpe militar em 1964, quando as marchas da religião, da família e de Deus contra a corrupção surgiram. Ele destacou o papel de parlamentares da bancada evangélica que usaram o nome de Deus inadequadamente.

"Dezenas de parlamentares da bancada evangélica fizeram claramente discursos de tom religioso e invocando o nome de Deus. E todos, sem exceção, votaram pelo impedimento. Poucas vezes se ofendeu tanto o segundo mandamento da lei de Deus que proíbe usar o santo nome de Deus em vão", afirmou. O teólogo também criticou aqueles que citaram suas famílias.

O Interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, entidade que reúne representantes de várias religiões, o babalawó Ivanir dos Santos, comentou que os deputados transformaram o que deveria ser uma decisão política, neutra, em um ato messiânico. "As pessoas têm tentado fazer uma atuação messiânica, voltada a uma orientação religiosa, que não leva em conta a diversidade da sociedade, ao justificar ações no Congresso Nacional", disse.

Ele alertou para os riscos de as convicções morais e religiosas, na política, serem usadas para atacar religiões com menos fiéis, como é o caso do candomblé e da umbanda.

"Parte das pessoas que falaram em Deus e religião, e que agora ganham mais força, persegue religiões de matriz africana", denunciou. "A nossa preocupação é com as casas irresponsavelmente associadas ao diabo e incendiadas, as de candomblé, e com a educação sobre a África e a cultura afro-brasileira, onde dizem que queremos ensinar macumba".

Budistas

Os budistas acreditam que os deputados misturaram religião e interesses particulares. O líder do Templo Hoshoji, no Rio, o monge Jyunsho Yoshikawa, se disse incomodado e lembrou que os representantes deveriam ter mais cuidado. "Não foi agradável ouvir os discursos em nome de Deus, como se representassem Deus e como se Deus estivesse falando ou decidindo", advertiu. "Religião e política não se misturam. Política envolve interesses pessoais".

O monge afirmou que, como seres humanos, os políticos são "imperfeitos", e lamentou que o Congresso seja uma pequena mostra disso ."É preciso olhar no espelho. Tudo que vimos é o que a sociedade é. Se teve citação despropositada de Deus, um xingando o outro de 'bicha', se teve cusparada ou defesa do regime militar é porque nossa sociedade é assim. Não adianta querer melhorar a política se nós não buscamos nos tornar pessoas melhores", disse Jyunsho, em relação ao episódio em que o deputado Jean Willys (PSOL) cuspiu em Jair Bolsonaro (PP).

Da mesma forma pensam ateus e agnósticos, aqueles que não acreditam em Deus ou qualquer outra divindade. O presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior, também questionou a postura de deputados, evangélicos principalmente. Para ele, a falta de compreensão sobre um Estado Laico, neutro, fere a liberdade da população.

Com informações da Agência Brasil

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Desde que se fecharam as urnas em fins de 2014 e foi consagrada a eleição de Dilma Rousseff por mais de 54 milhões de eleitores, não cessaram as tentativas de pedido de impeachment sem caracterização de crime de responsabilidade – exigência básica no presidencialismo. Sabíamos da composição ultra conservadora do Congresso e quanto estava marcado pelos vícios do financiamento empresarial das campanhas. Só não imaginávamos o grau de despreparo e irresponsabilidade de grandes bancadas que no dia 17 de abril, durante o julgamento da admissibilidade o impeachment, protagonizaram um espetáculo indecente invocando ao mesmo tempo a família e o nome de Deus, mesclado com manifestações de ódio que remetem à ditadura e desapreço pela democracia, justamente na data que marca os 20 anos de impunidade da Chacina de Eldorado de Carajás.

Tal momento político tem mobilizado diversos segmentos da sociedade brasileira tanto a favor do impedimento da presidenta como em defesa da democracia e do estado de direito ameaçados pela aliança entre os setores conservadores, a grande mídia, Globo em particular, e parte da estrutura jurídica que cumprem um papel importante nesse processo de tentativa de restabelecimento da hegemonia neoliberal.

Preocupa-nos sumamente a onda conservadora e de retrocesso que se observa na América Latina, expressa no parlamento brasileiro sob a égide das bancadas do agronegócio, dos fundamentalistas religiosos e dos representantes das empresas de armamentos e policiais, além de outros interesses corporativos sob a liderança ostensiva da FIESP – o que tem propiciado um persistente processo de violação de direitos.

Os movimentos sociais ao longo dos últimos meses e ainda mais evidente nas últimas semanas, com forte adesão de igrejas históricas e do movimento ecumênico e de grupos culturais não vinculados às intitucionalidades partidárias, entenderam o momento de ameaça à democracia e que por trás do discurso contra a corrupção se orquestra uma extensa pauta de subtração de direitos sociais e culturais conquistados nos últimos anos.

As cidades foram tomadas por grandes atos de resistência e celebração da democracia como há muito não se via. Ao mesmo tempo movimentos e brasileiros e brasileiras residentes no exterior replicavam iniciativas solidárias despertando a preocupação dos povos e nações que têm o Brasil como exemplo de construção democrática.

Perdemos esta batalha, mas continuaremos firmes de olho no processo de impeachment no Senado Federal e demais poderes em defesa e garantia dos Direitos Humanos e o fortalecimento dos movimentos sociais por um novo modelo de desenvolvimento justo e solidário a partir das vozes roucas que ecoam nos campos e cidades.

Continuaremos exercendo a cidadania ativa, na esperança de que seja honrado o estado de direito e as liberdades democráticas.

#NÃO HAVERÁ GOLPE!

Fonte: CESE

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Na terça-feira, 12 de abril, a 54ª Assembleia da CNBB abriu, como de costume, um espaço para diálogo com outras denominações cristãs. Entre os presentes estava o presidente do CONIC, dom Flávio Irala, que é bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB); o pastor presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Nestor Friedrich; a pastora Sônia Mota, da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) e atual diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviços (CESE); o pastor Joel Zeferino, da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), além de dois representantes da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, o bispo auxiliar dom Ramanós Dowd e o hipodiácono Georgios Jener Verçosa.

A Assembleia que aconteceu em Aparecida (SP), nos dias 6 a 15 de abril, teve como tema central: “Cristão leigos e leigas na Igreja e na sociedade. Sal da Terra e luz do mundo”. Ao final da última sessão de trabalhos, foi realizada uma celebração ecumênica. A cerimônia foi organizada pela Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-Religioso.

Dom Francisco Biasin, presidente da Comissão, considera este evento muito importante na programação da Assembleia Geral. “É uma atitude de abertura e acolhimento de toda a riqueza que as igrejas e as religiões podem dar ao nosso caminho de fé”, afirmou.

CONIC com Radiovaticana.va
Foto: CNBB/CESE

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Denúncias relacionadas ao massacre de trabalhadores rurais sem terra no Paraná foram enviadas à Organização das Nações Unidades (ONU), na última quarta-feira (13).

Encaminhado pela Terra de Direitos, o documento relata irregularidades na investigação dos acontecimentos ocorridos em Quedas do Iguaçu, a partir do dia 7 de abril, quando trabalhadores rurais sem-terra foram vítimas de uma emboscada promovida pela Polícia Militar do Paraná e seguranças particulares da empresa Araupel. Na ocasião foram assassinados Vilmar Bordim (44) e Leonir Orback (25). Outros sete trabalhadores ficaram gravemente feridos.

A emboscada aconteceu quando 25 trabalhadores circulavam de caminhão, a cerca de 6 km de distância do acampamento Dom Tomás Balduíno – dentro do perímetro da área decretada pública pela justiça – quando foram surpreendidos pelos policias e seguranças entrincheirados.

Por quase duas horas a área foi isolada pela PM, impedindo o acesso de familiares, socorro aos feridos bem como acesso de qualquer pessoa que quisesse documentar a cena do crime. A sociedade civil e os movimentos sociais apontam que a polícia militar está agindo de forma a incriminar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Após pedido da Terra de Direitos e de outras organizações, o Ministério da Justiça determinou abertura de Inquérito Policial pela Policia Federal.

HOMENAGENS

No dia 9 de abril o CONIC foi representado pelo reverendo anglicano Luiz Carlos Gabas durante no Ato em Solidariedade ao MST e aos mortos e feridos do Acampamento D. Tomás. Leia, abaixo, o relato dele.

A concentração na Praça São Pedro, em Quedas do Iguaçu, reuniu em torno de 5.000 pessoas: acampados e assentados de varias regiões do Paraná, também militantes do MST de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, sindicalistas, a senadora Gleisi Hoffmann, deputados estaduais e federais de vários estados do Brasil, a representante da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, o presidente do Conselho Nacional de Defensores dos Direitos Humanos, o representante da organização Terra de Direitos, o Coordenador Nacional e o Superintendente do Incra no Paraná, o assessor agrário do Governo do Paraná, lideranças religiosas e de outras organizações.

Falei em nome do CONIC e da IEAB [Igreja Episcopal Anglicana do Brasil] dizendo que somos e continuaremos parceiros do MST e de outros Movimentos Sociais na luta pela Reforma Agrária, pela produção de alimentos orgânicos, por moradia, saúde, educação e na construção de uma sociedade justa e fraterna. Ressaltei a importância da resistência e da continuidade da luta, embora a perversa aliança do Governo do Paraná (Casa Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, etc.), da Assembleia Legislativa, das Prefeituras e Câmaras Municipais, das organizações classistas do campo e das cidades (indústria, comércio, agronegócio, etc.), de lideranças religiosas e dos meios de comunicação que querem silenciar e criminalizar os Movimentos Sociais.

Disse ainda da nossa solidariedade para com os familiares dos que morreram ou foram feridos durante a emboscada patrocinada pela Polícia Militar do Paraná e Seguranças da Araupel. Lembrei que diante da violência jamais podemos nos acovardar, e que ela deve enfrentada para podermos construir uma sociedade onde todas as pessoas possam viver em paz. Ressaltei que as mortes dos que tombaram na luta pela terra não foram em vão, São sementes que gerarão novos companheiros e companheiras de caminhada e luta.

Foi feita a leitura integral da nota do CONIC, e foram citadas as Igrejas que o compõem.

INFORMES GERAIS

Palavras do comandante à tropa da Polícia Militar, horas antes do Ato, na mesma Praça São Pedro: “Lembrem-se soldados... Vocês foram formados para a guerra... Ajam sem medo... Não é um movimentozinho que vai nos intimidar...”

Na Assembleia Legislativa do Paraná, em Câmaras Municipais, nos Meios de Comunicação e Redes Sociais há uma intensa campanha de ódio e criminalização do MST. Deputados querem instalar uma CPI. Houve tentativa de uma moção de apoio de parte dos vereadores de Cascavel à PM.

Por determinação do Ministro da Justiça as investigações do ocorrido em Quedas do Iguaçu ficam sob a responsabilidade da Polícia Federal, e sob o comando do Delegado Chefe de Cascavel.

O GAECO, sob a coordenação do Ministério Público também entrou no caso. Dificilmente, haveria imparcialidade por parte das Polícias Militar e Civil do Paraná nas investigações.

Darci Frigo do Conselho Nacional de Defensores dos Direitos Humanos sinalizou as evidências de execuções dos sem terra pela Polícia Militar e Seguranças da Araupel. Há um áudio de um PM que pode ajudar nesse sentido. Os mortos e feridos receberam balaços pelas costas enquanto tentavam se proteger. Por duas horas os feridos não puderam ser atendidos. As ambulâncias foram impedidas pela PM de chegar ao local. Houve violação do cenário. Os mortos foram retirados do meio da mata.

Ontem, ouvi de advogados que acompanham o caso de que provavelmente o Vilmar tenha levado um primeiro tiro pelas costas ao correr para a mata e depois um segundo tiro na cabeça à queima roupa quando tentava se segurar em uma árvore.

Henrique, um dos feridos, recebeu alta do Hospital Universitário de Cascavel e foi levado à carceragem da 15ª Delegacia de Cascavel. Os médicos atestaram que por mais de trinta dias não poderá pisar no chão por causa do tiro na perna, mesmo assim está recolhido em meio a mais de outros quase quinhentos presos. O cadeião foi construído para abrigar apenas 132 presos. Os Advogados já entraram com um pedido de prisão domiciliar.

Pedro, o outro ferido, continua no Hospital São Lucas de Cascavel. Passou por cirurgia. Também está em regime de prisão. Sem a presença de Advogado a Delegada Civil de Cascavel colheu seu depoimento, gravado em áudio em que ele afirma que um sem terra deu o primeiro tiro. Logicamente entendemos que sob pressão as pessoas acabam falando o que querem que elas falem. Os Advogados vão tentar invalidar tal depoimento. Ao receber alta deve ir também para a 15ª Delegacia.

Ontem de manhã, aconteceu uma reunião em Quedas do Iguaçu com a presença do Ouvidor Agrário Nacional, representantes do Incra, Assessor Agrário do Paraná e Advogados da Araupel. A empresa apresentou a proposta de permanência dos acampados do MST nas áreas ocupadas, desde que liberassem a entrada de tratores, caminhões e funcionários. Ainda não conversei com lideranças para saber a posição do Movimento.

Temos informação de que Policiais e Seguranças da Araupel continuam intimidando as famílias acampadas. Há um clima de medo generalizado.

O INCRA se comprometeu em acelerar os processos de Reforma Agrária em todo o Paraná, principalmente na região de Quedas do Iguaçu.

Com informações do Brasil 247
Foto: acervo Luiz Carlos Gabas

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