captacao agua 1

A captação da água de chuva hoje é realidade para muitos moradores de cidades brasileiras. Levando em conta este cenário, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) oferece um manual que busca oferecer à população orientações para melhorar a qualidade dessa água, apresentando as boas práticas para a sua captação, armazenamento e utilização doméstica.
 
O manual é direcionado a famílias que vivem situações emergenciais e dissemina uma técnica relativamente simples, mas que respeita os requisitos que garantem o funcionamento do sistema e, principalmente, assegura a qualidade da água coletada.
 
De acordo com o pesquisador e autor do manual Luciano Zanella, do Centro Tecnológico do Ambiente Construído do IPT, o projeto nasceu da constatação de que não apenas a captação da água de chuva, mas também seu tratamento e armazenagem, muitas vezes são feitos de maneira equivocada. “Embora a melhor água seja aquela oferecida pela concessionária, não podemos fechar os olhos ao fato de que muitas famílias hoje convivem com abastecimento irregular e têm se valido dessa solução. É preciso, no entanto, oferecer condições para que a captação seja feita de maneira mais segura, lacuna que o IPT pretende preencher com este manual”.
 
O trabalho do IPT mostra como requisitos fundamentais a captação da água pelo telhado, e não pelo piso, além da filtragem que será responsável pela primeira limpeza, separando o líquido dos objetos sólidos como as folhas das árvores que acabam entrando no captador. Outro passo essencial no processo, geralmente desconhecido, é o descarte da água da primeira chuva, que carrega a poluição atmosférica e os contaminantes presentes no telhado. O recomendado é que sejam descartados dois litros de água para cada metro quadrado de área do telhado utilizado na captação, o que corresponde aos dois primeiros milímetros de precipitação.
 
O sistema proposto no manual é de fácil instalação. Foi pensado para situações emergenciais e não está integrado ao sistema hidráulico predial. “Os usuários podem fazer adaptações ao material, desde que sigam os parâmetros fundamentais. Essa água poderá ser usada para descarga de bacias sanitárias, limpeza de pisos e veículos e rega de jardins e áreas verdes”, explica Zanella. Numa situação extrema, caso falte água de qualidade superior, a água de chuva – desde que captada, tratada e armazenada adequadamente – também pode ser utilizada para ingestão e preparo de alimentos. Para esse uso, além das etapas anteriores, recomenda-se ainda a fervura por um tempo superior a três minutos, melhorando a segurança sanitária.
 
Add a comment

Aparecido Assemae03
 
Aproveitando o contexto da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, que tem por objetivo o debate de questões relativas ao saneamento básico, desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida aos cidadãos, a equipe CONIC foi falar com quem está engajado no assunto. Na entrevista abaixo, o presidente da Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae), Aparecido Hojaij, fala sobre a questão no Brasil. De forma muito clara, ele explica que é muito "importante destacar que o país só alcançará a universalização do saneamento básico por meio do investimento na gestão pública, afinal, não interessa à iniciativa privada a prestação dos serviços em regiões carentes e periféricas, onde a possibilidade de lucro é menor." Confira.
 
1) No âmbito dos planos municipais de saneamento, qual a porcentagem de municípios que conseguiu implementá-los?
 
Segundo pesquisa que realizamos no ano passado, apenas 30% dos municípios finalizaram seu Plano Municipal de Saneamento Básico. O baixo número é reflexo da pouca cultura de planejamento no Brasil, tanto no saneamento como em outros setores públicos, ou seja, a preocupação com o investimento em ações preventivas precisa avançar junto aos gestores públicos.
 
O marco regulatório do saneamento básico, lei nº 11.445/2007, inovou ao estabelecer o planejamento das atividades do setor, o que consideramos essencial para melhorar os índices de atendimento e ampliar a qualidade de vida da população. Entretanto, é necessário garantir o envolvimento da União, dos estados e dos municípios, compartilhando responsabilidades em políticas planejadas e integradas.
 
2) Quais sãos as principais dificuldades e desafios que o Brasil enfrenta nesse setor?
 
A melhoria do planejamento e da gestão pode ser considerada um dos principais desafios para o setor de saneamento básico. Por isso, é fundamental gerenciar de maneira mais adequada as ações realizadas, incluindo o cuidado com a construção de obras, a aquisição de equipamentos e a utilização de novas tecnologias. A gestão também merece atenção especial por parte das políticas públicas de saneamento básico, mediante o investimento na capacitação técnica dos profissionais do setor. Nesse sentido, considero que o avanço do planejamento e da gestão é decisivo para garantir a qualidade dos serviços oferecidos à população, combatendo problemas históricos do saneamento como a grande quantidade de perdas de água nos sistemas de abastecimento.
 
Outro desafio está relacionado ao aporte de recursos destinados aos serviços de água, esgoto, resíduos sólidos e drenagem urbana. É necessário garantir o investimento público permanente para o setor. Entretanto, vejo com preocupação os recentes cortes no orçamento da União, que impactam diretamente as políticas de universalização do saneamento básico. Principal vertente de investimentos do Governo Federal, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) terá cortes de R$ 3,7 bilhões em 2016. Já na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que subsidia as ações de saneamento básico nos municípios pequenos, o orçamento de 2016 foi reduzido em quase 70%. É preciso destacar que a retomada do crescimento econômico passa pelo investimento nos serviços de saneamento básico, uma vez que o setor está relacionado à melhoria da infraestrutura do país e ao avanço da saúde pública. Por essa razão, o saneamento básico deve ser uma política de Estado e não de governo, buscando o atendimento de toda a população brasileira, especialmente a parcela dos excluídos, que ainda sofrem com a ausência de esgoto e de água potável.
 
O exercício da regulação no saneamento básico também deve avançar em todas as regiões do Brasil, ou seja, precisamos de uma regulação que auxilie a melhoria da gestão dos serviços, garantindo o cumprimento das metas estabelecidas pelos Planos Municipais de Saneamento Básico. A regulação é importante para assegurar o equilíbrio econômico do setor, por isso, deve ser pensada a partir dos princípios de transparência, tecnicidade, celeridade e objetividade das decisões, conforme prevê a lei 11.445/2007.
 
Não posso deixar de citar os órgãos colegiados de controle social como mais um grande desafio para o saneamento básico. O controle social tornou-se uma realidade concreta em muitas instâncias, na tentativa de comprometer o cidadão no interesse pelo comum, pelo que é de todos. Na área do saneamento não poderia ser diferente, dada a importância do setor para a qualidade de vida da população. Por isso, os gestores precisam cumprir o que determina a lei e instituir os órgãos de controle social no saneamento básico do município, reforçando a transparência das políticas públicas e assegurando a prestação dos serviços a todos os segmentos da sociedade, de forma democrática e participativa.
 
Por fim, ressalto a necessidade de incentivar a criação de consórcios públicos de saneamento como instrumentos que incrementam a qualidade dos serviços. A gestão associada auxilia em compras conjuntas e reduz os custos com a operacionalização do saneamento, especialmente em municípios pequenos. Com a diminuição das despesas, é possível investir na melhoria dos serviços públicos do setor, o que resulta em benefícios sociais e ambientais para todos.
 
3) Não é um paradoxo pensar que um país com recursos, como o Brasil, não consiga sanar os problemas que ainda enfrenta no tocante ao saneamento básico? Podemos afirmar que, nesse caso, aplica-se a mesma lógica da ‘falta de vontade’ política, já que sanear esgoto não traz votos?
 
De fato, por muito tempo, os investimentos no saneamento básico não foram prioridade em nosso país, devido à falsa ideia de que as ações do setor não rendem voto para os políticos e são obras enterradas. Entretanto, nos últimos anos, tivemos avanços em relação aos investimentos, a exemplo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
 
Os desafios ainda são grandes e pedem uma atenção especial dos órgãos executivos, como a necessidade de recuperar a capacidade de endividamento dos operadores públicos. Para tanto, merece prioridade a implementação do Plano Nacional de Saneamento (Plansab), que prevê o investimento de 508 bilhões de reais até 2033 para a universalização do acesso aos serviços do setor.
 
Sob essa perspectiva, consideramos essencial a união de esforços a favor do saneamento básico, com o compromisso dos gestores da União, estados e municípios. Para nós, o saneamento básico deve ser colocado na agenda política do país, já que o avanço do setor contribui diretamente à retomada do PIB e, principalmente, à melhoria da qualidade de vida da população.
 
4) Privatizar o sistema: seria a solução ou traria mais transtornos?
 
Privatizar não é a solução para o saneamento básico, nem no Brasil, nem em outros países. Segundo reportagem do jornal El País, 235 cidades retomaram a gestão do tratamento e fornecimento de água das mãos de empresas privadas, entre elas, pequenos municípios de países pobres, mas também grandes capitais como Berlim, Paris ou Buenos Aires.
 
Para nós, o fortalecimento institucional dos municípios e de seus serviços é a alternativa mais segura na construção de políticas de desenvolvimento urbano e rural, com qualidade e participação social. Há claros exemplos no país que comprovam a face perversa da privatização no setor de saneamento, sobretudo, para a população de baixa renda.  Por isso, entendemos que o acesso ao saneamento deve ser considerado um bem de caráter público, destinado à garantia da qualidade de vida dos brasileiros.
 
É importante destacar que o país só alcançará a universalização do saneamento básico por meio do investimento na gestão pública, afinal, não interessa à iniciativa privada a prestação dos serviços em regiões carentes e periféricas, onde a possibilidade de lucro é menor. As diretrizes do setor devem se constituir enquanto políticas públicas e de modo permanente, o que significa priorizar o saneamento como uma ação de combate à miséria e de incentivo à inclusão social.
 
5) De que modo avalia que a CFE poderá contribuir para o assunto?
 
Quero parabenizar as igrejas cristãs pela escolha do saneamento básico como tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016. Por se tratar de uma iniciativa já consolidada e de alta credibilidade no país, a Campanha será muito importante para que as igrejas reflitam a realidade do saneamento básico no país e cobrem o avanço das políticas destinadas ao setor.
 
Precisamos disseminar a ideia de que saneamento é sinônimo de saúde e que ele contribui para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. O saneamento é um dos fatores mais importantes ao desenvolvimento econômico, social e cultural, além de ser responsável pela redução dos custos com a saúde pública e diminuição das doenças de veiculação hídrica.
 
Nesse sentido, acreditamos que a Campanha da Fraternidade auxiliará os gestores a se conscientizarem sobre o papel dos Planos Municipais de Saneamento Básico, contribuindo no que se refere ao enfrentamento dos principais desafios do setor. A mobilização será importante para resgatar a dignidade humana e denunciar os problemas de saneamento que atentam contra o meio ambiente, como também para cobrar a instituição dos órgãos de controle social, a garantia de investimentos públicos e de melhoria na gestão dos serviços.
Add a comment

seropedica 1024x683
 
Cem mil litros de chorume ameaçam o Aquífero Piranema, o maior do Rio. Eles vazaram do  Centro de Tratamento de Resíduos (CTR) de Seropédica. A Embrapa diz que o tamanho do reservatório é incompatível com o volume. Dois dos maiores bancos no Brasil, o Bradesco e o Santander, estão entre os controladores da empresa responsável pelo aterro.
 
É para o CTR de Seropédica, na Baixada Fluminense, que vai o lixo domiciliar produzido no Rio, a capital. A ponto de aparecer no material de divulgação da Cidade Olímpica como “o mais moderno centro de tratamento da América latina”, por obedecer “normas internacionais de respeito ao meio ambiente”.
 
Apesar dos avisos, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) promoveu a concessão, adquirida pela empresa Saneamento e Energia Renovável do Brasil (Serb), mais conhecida pelo nome fantasia, Ciclus. O tratamento do chorume demorou a começar e, em 2013, motivou uma multa de R$ 252 mil para a empresa. Depois disso o tratamento foi iniciado. Mas terá sido da maneira correta?
 
O transbordamento de sábado (20 de fevereiro) foi considerado inevitável pela agrônoma Rosângela Straliotto, pesquisadora da Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa). Em entrevista ao site Vozerio, ela disse que o reservatório para o chorume é pequeno demais: “A área é conhecida por apresentar chuvas fortes, então a capacidade de armazenamento deve ser pensada para segurar esse acréscimo no volume. Se não for feito o devido reparo, a repetição do episódio parece inevitável”.
 
CULPA DA CHUVA
 
A Ciclus nega que o chorume possa atingir o aquífero. Segundo a empresa, a região estava sem energia e o gerador instalado no CTR foi atingido por um raio. O vazamento teria atingido área impermeabilizada, da própria empresa, “e o início do Canal da Vila que foi totalmente limpo”. “O aquífero Piranema não foi atingido pelos efluentes e não corre risco de contaminação”, diz a Ciclus, em nota. O site da empresa ignorou o transbordamento.
 
O secretário de Ambiente e Agronegócio (uma combinação, em si, curiosa) de Seropédica, Ademar Quintella, conta que, após saber do vazamento, teve sua entrada na Ciclus barrada por quase meia hora. Ele relatou que foram encontrados cachorros e marcas de pata de gado dentro da área da empresa, que afirma estar cooperando com as autoridades. E informou que a Ciclus será autuada e multada.
 
Curiosamente, a empresa que criou a Ciclus, a Haztec, surgiu em 1999, um ano após a Lei de Crimes Ambientais, justamente para diminuir a dívida de empresas. Percebeu que havia um nicho de mercado para a consultoria a empresas multadas por crimes ambientais. Somente em 2003 ela seria vendida ao grupo Synthesis, de Paulo Tupynambá, e a fundos de investimento. O Synthesis, por sinal, classifica os CTRs como investimentos “de risco”.
 
QUEM CONTROLA O ATERRO?
 
Essa empresa responsável pelo aterro localizado em cima de um aquífero, a Ciclus, é controlada por dois grupos, que têm cada um 50% da empresa. Um deles é o grupo de transportes Julio Simões, responsável pela logística. O outro é a empresa Haztec, que se apresenta como “líder em soluções ambientais no Brasil”. É esta segunda parte a que mais nos interessa.
 
Os sócios da Haztec na época da concessão eram o Bradesco, o Santander e  Tupynambá. Em 2013 a Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental se fundiu com a Foxx Holding. Ambas formam a Haztec Investimentos e Participações. A Foxx Holding quase foi parar nas mãos do investidor mexicano George Soros, mas na última hora ele desistiu. Os donos da Foxx, Milton Pilão Jr e Ismar Assaly, aceitaram, então, o investimento da FKG Capital, de Daniel Goldberg, ex-presidente do banco Morgan Stanley.
 
Uma das duas pontas do grupo, a Haztec Ambiental ainda orbita em torno de Tupynambá e dos investidores controlados por Santander (fundo InfraBrazil) e Bradesco. O fundo de investimentos em participações InfraBrazil, por sua vez, tem como investidores os principais fundos de pensão do país, como o Funcef (Caixa Econômica Federal), o Petros (Petrobras), a Previ (Banco do Brasil) e a Banesprev (Banespa), além do BNDES.
 
A Haztec Investimentos e Participações possui uma dívida de R$ 440 milhões, com debêntures emitidas pelos dois bancos. O total de ativos do grupo é de R$ 642 milhões, conforme um relatório publicado no ano passado. O grupo teve uma receita de R$ 174 milhões, em 2014, com lucro de R$ 26 milhões.
 
É, portanto, o capital financeiro que, em boa parte, move (cada vez mais com essas bifurcações rocambolescas) a Haztec. A empresa é dona também de 100% dos aterros sanitários de Nova Iguaçu, Barra Mansa e Alcântara (São Gonçalo).
 
Em 2014, a Haztec Ambiental doou R$ 630 mil para campanhas eleitorais. Desse total, R$ 280 mil para a direção nacional do PT; R$ 150 mil para a direção nacional do PSDB; e R$ 150 mil para a direção estadual do PMDB do Rio.
 
Por Alceu Luís Castilho / outraspalavras.net
Foto: Reprodução
Add a comment

saneamento ambiental
 
Em carta encaminhada ao CONIC no dia 23 de fevereiro, assinada pelo coordenador Edson Aparecido da Silva, a Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA), integrada por sindicatos, associações de classe, ONGs e movimentos sociais com o objetivo de lutar pela preservação da gestão e operação pública do saneamento básico, congratulou o CONIC em função da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, que trata da questão do saneamento básico no Brasil.
 
Em um dos trechos do documento, a FNSA afirma: “Com base nos princípios que nortearam a criação da Frente, consideramos que o conteúdo da declaração ecumênica da Campanha, sobre a realidade do saneamento básico no Brasil, que inclusive foi entregue à presidenta Dilma Rousseff, vem ao encontro do que defendemos”.
 
Esse reconhecimento da FNSA é de suma importância, uma vez que o tema afeta diretamente - e com maior intensidade - famílias menos favorecidas, tirando de uma grande parcela da população brasileira as oportunidades mínimas de uma sobrevivência digna e justa.
 
Em outro trecho, a carta afirma saber que “é um grande desafio a universalização do acesso aos serviços de saneamento com qualidade e controle social, por isso mesmo defendemos que o avanço nos níveis de cobertura de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos e destinação dos resíduos sólidos, só será possível com fortalecimento do papel do Estado e garantia da gestão e prestação pública do saneamento. O avanço do saneamento no Brasil é incompatível com a visão do lucro, a negociação de ações das empresas de saneamento nas bolsas e a qualquer forma de privatização. Por tudo isso nos somamos ao CONIC e à Campanha da Fraternidade na busca dos objetivos aqui expostos”.
 
Para o CONIC, é uma alegria saber que mais e mais parceiros estão juntos na causa.
 
Avante!
Add a comment

clovis bofleur

A Campanha da Fraternidade não é só um discurso, mas uma oportunidade para realizar ações concretas para melhorar a vida na nossa comunidade. Neste ano, tem como tema algo que permeia a vida de cada cidadão: “Casa comum, nossa responsabilidade”. E o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). A campanha destaca a relação que há entre saneamento básico, saúde integral e qualidade de vida para todos, buscando fortalecer o empenho, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro desta “casa comum”, ou seja, do planeta Terra.

O saneamento básico constitui um dos mais importantes meios de prevenção de doenças, por isso é muito importante lutar para que todas as famílias tenham acesso ao saneamento. Para dar mais informações sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, a Pastoral da Criança entrevistou seu gestor de relações institucionais, Clóvis Boufleur - que apoiou a escolha do tema desde as discussões iniciais da campanha.

“Casa comum, nossa responsabilidade”. Por que foi escolhido este tema?

O saneamento básico refere-se à água, esgoto, lixo, drenagem e limpeza de bueiro nas cidades. Esta temática, hoje, faz parte das necessidades de todo o país e o tratamento de esgoto, a coleta de lixo, e o acesso à água de qualidade produzem saúde. O contrário produz doenças, problemas e sofrimento para as pessoas.

O que tem de diferente na Campanha da Fraternidade deste ano?

Ela tem esta diferença de ser ecumênica, porque reúne igrejas do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e também outros organismos, como a Misereor, que é um organismo da Alemanha que apoia projetos sociais, ela também acontece numa situação muito propícia, muito favorável para discutir problemas relacionados com meio ambiente, como a saúde. O Papa Francisco recentemente lançou uma encíclica chamada “Laudato Si”, que significa “Louvado Seja”, e tem vários itens que destacam que a água de qualidade precisa estar disponível para todas as pessoas.

Como a falta de saneamento básico afeta a vidas das pessoas e, principalmente, das crianças?

Além das doenças, a falta de saneamento básico causa outros prejuízos às famílias. O doente adulto vai faltar mais ao trabalho, as crianças perdem mais dias de aula quando ficam doentes. Elas deixam de brincar e a origem está no saneamento.

O que as famílias e as comunidades podem fazer para ter acesso ao saneamento básico?

Nós encontramos as mais variadas experiências relacionadas com saneamento. No interior de Pernambuco, os moradores de um conjunto habitacional, cansados de esperar, fizeram a canalização do esgoto por conta própria, mas aí no final eles se perguntaram onde iam jogar este esgoto coletado. Enquanto eles decidem, o esgoto está correndo em um rio que passa próximo. Em uma outra situação, no Ceará, o repórter local resolveu mostrar imagens na internet do esgoto que corre a céu aberto pelas ruas. O sistema de coleta foi instalado, mas o sistema de tratamento que estava previsto não foi concluído. Os canos entupiram, o esgoto veio para cima e corre tranquilamente pelas ruas do local. Este vídeo foi colocado na internet. Será que o fato de colocar na internet resolve? Algo a se pensar. E eu gostaria de finalizar dizendo uma experiência que aconteceu no Rio de Janeiro. Como a prefeitura lá não ofereceu serviço de saneamento, algumas pessoas entraram na justiça e ganharam a causa. O juiz determinou que a prefeitura fosse lá e fizesse o serviço de saneamento. O resumo destes três exemplos serve para dizer o seguinte: nós precismos nos mobilizar para fazer correto, ter água, tratar o esgoto, coletar o lixo e limpar os bueiros.

Com informações da Pastoral da Criança
Foto: Reprodução

Add a comment

12705522 100844973
Começo essa reflexão com a necessidade de nos perguntarmos sobre os sentidos de ecumenismo assumidos pela Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE), com todos os seus desafios e os seus desdobramentos éticos e políticos. Para começar, como aprendi com a teóloga Nancy Cardoso, é importante retomar que o ecumenismo se relaciona com mais outras duas palavras, organizadas desde a oikos: a unidade básica da sociedade, a casa e também o mundo. Assim, teríamos: economia (oikos + nomos, lei/norma); ecologia (oikos + logos, compreensão/estudo); e ecumenismo (oikos + particípio passivo feminino, habitado/habitantes) (PEREIRA & SOUZA, 2014, p. 45). Essas três formas de organização da vida humana no mundo interagem: a normatização do modo de produção da vida (economia), com a compreensão das relações e dos sistemas no mundo (ecologia), com a pergunta pelas formas de ocupação/vivência na casa-comum (ecumenismo) (PEREIRA & SOUZA, 2014, p. 45).
 
Nessa interação entre ecumenismo, ecologia e economia, o sentido ecumênico liga-se diretamente com uma pergunta, uma ética: como habitamos o mundo? Como vivemos e nos relacionamos ante as normas, os valores e compressões de nossa casa? De maneira mais direta, assumir o desafio ecumênico - como faz essa Campanha da Fraternidade -, é reconhecer que o ecumenismo é um movimento, não um lugar fixo, uma espécie de “baú” transmitido de geração em geração. O tom e a interpretação assumida aqui é compreender o ecumenismo como uma ação e um desafio de se construir uma casa-comum (oikoumene) justa, sustentável e habitável para todas as pessoas. Essa leitura pode nos movimentar, pode nos colocar numa ação permanente de construção coletiva e solidária de “outros mundos possíveis”, com o reconhecimento dos limites e das ambiguidades das ações humanas, inclusive das religiões. Além disso, com esses sentidos iniciais, a Campanha da Fraternidade pode assumir-se ecumênica desde um critério: no coração da vivência ecumênica está a luta pela justiça, a partir das feridas da história e numa crítica radical em um mundo estruturado pelo capitalismo, pelo racismo e pelo patriarcado, que afetam as maiorias empobrecidas, as vidas das mulheres, a juventude negra, o meio ambiente e tantas outras vítimas de um mundo injusto.
 
Dizer ecumenismo, assim, implica em assumirmos uma postura radical pela superação do racismo ambiental: “a distribuição desigual dos riscos e danos ambientais em populações por recortes étnicos, tradicionais e de gênero” (IULIANELLI, 2012, p. 127). A crise socioambiental que vivemos tem pesos distintos e completamente diferentes para determinadas parcelas da população. A ausência de saneamento básico toca a vida das maiorias empobrecidas. O avanço do agronegócio devasta povos e comunidades tradicionais, como as realidades vivenciadas pelos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, e a vida das mulheres e suas tentativas de produzir alimentos por meio da agroecologia, em Apodi (RN). Além das mudanças climáticas que fazem aumentar o deslocamento de jovens em regiões de Alagoas e Santa Catarina.
 
Nessa abordagem de ecumenismo, também podemos retomar princípios presentes em Edimburgo (1910) - Primeira Conferência Missionária Mundial, marco ambíguo e inicial do ecumenismo contemporâneo, que vem dos traços de um caminho ecumênico marcadamente leigo, protestante e jovem. Um desses princípios é o diálogo com as outras religiões, algo que foi encoberto em alguns desdobramentos da Conferência de Edimburgo devido ao imperativo de “evangelizar o mundo nesta geração”. Como sabemos, nada é neutro. Tudo se constrói em relações de poder e traz consigo implicações para o modo de viver no mundo e para nossos argumentos teológicos.
 
Embora reconheço a importância das diferentes abordagens em relação ao ecumenismo, com seus contextos e disputas contingências, procuro me afastar daquela tradicional separação entre ecumenismo e diálogo inter-religioso ou ecumenismo e macro-ecumenismo. Acredito que há uma proposta nesta Campanha da Fraternidade em beber em outras fontes deste "rio ecumênico", uma delas é esta reflexão elaborada no Conselho Mundial de Igrejas e reinterpretada e reconstruída por redes como a Rede Ecumênica da Juventude (REJU), que compreende ecumenismo em três dimensões. Nesta perspectiva, seguindo o horizonte em que se busca unidades em um mundo dividido, tem-se: i) a unidade intra-religiosa, em que se busca construir uma interação e respeito no interior de cada tradição religiosa e comunidade de pertença (ex.: a unidade das cristãs e dos cristãos); ii) a unidade inter-religiosa, em que se procura estabelecer pontes de diálogo, fraternidade/solidariedade e interação por ações transformadoras entre pessoas de distintas vivências de fé; e iii) a unidade na luta pela justiça, paz e integridade da criação.
 
Com essa compreensão de ecumenismo em sentido mais amplo, quais desafios estão postos para se refletir sobre a casa-comum, assumindo-a como nossa responsabilidade? A resposta a essa pergunta e a incidência política na tentativa de “ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca" (Am 5,24), é o que movimenta esta Campanha da Fraternidade. No entanto, para instaurar diálogos, cabe-nos apontar alguns desafios que essa temática e as feridas de nossa realidade nos provocam. Uma delas é a necessidade de se refletir criticamente sobre modelos de desenvolvimento e as utopias e a confessionalidade do progresso. Por exemplo: há de fato sustentabilidade do planeta para manter o projeto de civilização que organiza a política do desenvolvimentismo que tem orientado muitos governos, como o do Brasil (basta recordarmos a demarcação das terras indígenas e as grandes obras como Belo Monte?) Ainda: estamos dispostas(os) a abandonar privilégios oriundos do progresso para construirmos outros modelos de desenvolvimento ou alternativas ao desenvolvimento hegemônico? Para trazer uma outra problemática decorrente das questões anteriores: como se estruturam as nossas cidades? Quem tem acesso ao saneamento básico, de fato? Na crise da água vivenciada no sudeste do país no ano passado, que teve no estado de São Paulo um caso emblemático, quem foi responsabilizado pela falta de planejamento? Em quais regiões do estado e da cidade de São Paulo o racionamento da água começou? As grandes empresas sofreram com estes cortes?
 
Perguntas como estas nos abrem bons diálogos e boas possibilidades de incidência e transformação desde uma compreensão da emergência de uma justiça socioambiental. Nesse processo, uma Campanha da Fraternidade Ecumênica coloca-se, articulando Igrejas Cristãs, outras religiões e distintos movimentos sociais e organizações, no papel de criticar - desde o critério da justiça e a defesa das maiorias subalternas que resistem/insistem - a aliança entre religião (como o cristianismo) e o capitalismo, com seus modelos de desenvolvimento injustos que exigem sacrifícios e vítimas, como a vida das mulheres, de jovens e da natureza. Mas também denunciar a confessionalidade do progresso, desmontando os argumentos religiosos que organizam as narrativas de crescimento a qualquer custo e as orientações estabelecidas desde o mercado. E também, a Campanha da Fraternidade, por ser ecumênica, pode construir incidências políticas entre as igrejas, entre as religiões e movimentos na superação do “escândalo da divisão” socioeconômica e do racismo ambiental que estruturam a nossa casa comum.
 
Para aprofundar a leitura:
 
IULIANELLI, Jorge Atílio. Juventude e Justiça socioambiental: no horizonte das mudanças climáticas. Em SOUZA, Daniel Santos (org.). Juventude e Justiça Socioambiental: perspectivas ecumênicas. São Leopoldo: CEBI, 2012.
 
PEREIRA, Nancy Cardoso & SOUZA, Daniel Santos. Ecumenismo: um grão de salvação escondido nas coisas do mundo. São Paulo: Fonte Editorial, 2014.

Daniel Souza, teólogo, membro da Igreja Episcopal Anglicana no Brasil
e integrante da Rede Ecumênica da Juventude (REJU)
 
Foto: Catedral de São Tiago (IEAB)
Add a comment

hindu saint sag
 
Desde o início do ano, os meios de comunicação na Índia têm dado atenção especial para o Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), uma ONG nacional patriótica, baseada na ideologia indiana, em defesa da cultura e dos valores civilizacionais. Agora, a RSS quer abrir uma filial para os cristãos, o Rashtriya Isai Manch (Fórum Nacional Cristão). Mas a ideia foi totalmente desaprovada e muitos cristãos se manifestaram, rejeitando qualquer tipo de cooperação, já que a organização hindu é conhecida por seu radicalismo e tem sido responsável por ataques contra cristãos, ao longo dos últimos anos.
 
A RSS já participou de vários momentos políticos e sociais, incluindo o movimento de independência da Índia. A organização inspirou-se nos grupos de direita da Europa, durante a Segunda Guerra Mundial e, gradualmente, tornou-se um grupo nacionalista hindu, estabelecendo escolas, instituições de caridade e clubes, para espalhar ainda mais suas crenças ideológicas.
 
Em 2016, pela primeira vez, desde a criação da Classificação da Perseguição Religiosa, a Índia está presente na relação dos 20 países onde é mais perigoso seguir a fé cristã e o aumento do nível de perseguição se deu, principalmente, pelos extremistas hindus. Incidentes ocorrem quase diariamente. Igrejas e casas de cristãos são destruídas, pastores e membros de igrejas são espancados e até mesmo mortos. Hindus que atacam cristãos e muçulmanos podem fazê-lo livremente por causa da impunidade judicial. Aqueles que deixam sua fé hindu são os mais pressionados. Eles enfrentam pressão para voltar à antiga religião, sofrendo espancamentos e, por vezes, morte.
 
Com informações do Portas Abertas
Foto: hadynyah / E+ / Getty Images
Add a comment

3639252
O patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa participou, na manhã do último sábado, dia 20, de uma oração em ação de graças no alto do Morro do Corcovado, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro. Foi o ato mais simbólico de sua visita ao Brasil.
 
O patriarca russo realizou sua oração acompanhado pelo arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, com quem rezou em particular na capela do Santuário do Cristo Redentor.
 
Kirill, que teve sua oração transmitida por alto-falante a fiéis e turistas que visitavam o monumento, falou por 45 minutos. Ele pediu a renovação da fé cristã e chamou ortodoxos e católicos a enfrentarem juntos os desafios globais.
 
“Nós ainda temos algumas divergências quanto à doutrina, mas nada nos impede dar as mãos para enfrentar questões como a perseguição aos cristãos no Oriente Médio e a descristianização da civilização humana.”
 
Com sua visita ao Brasil, o patriarca pôs fim a uma viagem história à América Latina, iniciada no dia 12 de fevereiro, com um encontro com o papa Francisco, em Cuba. Foi o primeiro encontro dos líderes cristãos desde o Grande Cisma de 1054. A viagem continuou com visitas a Paraguai e Chile, onde Kirill visitou a base antártica Bellinghausen, na ilha de Waterloo.
 
Cabe lembrar que apesar de ser a primeira visita de um patriarca russo ao Brasil, não foi a primeira visita de Kirill. Em 2008, ele esteve no país como chefe do departamento de relações exteriores do Patriarcado de Moscou — cargo que abandonou quando assumiu o posto de líder espiritual da Federação Russa.
 
Com informações da Sputniknews.com
Foto: Wilton Júnior / Estadão Conteúdo
Add a comment

terra casa comum 0987654a
 
“Para o direito brotar como fonte e a justiça como riacho que não seca, como Amós inspira a Campanha da Fraternidade deste ano, ao saneamento básico de respeito à terra, à agua, à flora e à fauna, à toda a natureza e seu meio-ambiente, enfim, um outro saneamento, esse ético-político, talvez se constitua até em condição prévia”, escreve Jacques Távora Alfonsin, procurador aposentado do estado do Rio Grande do Sul e membro da ONG ACesso, Cidadania e Direitos Humanos.
 
Eis o artigo.
 
O saneamento básico é daquelas condições de vida digna por si só comprobatório da indivisibilidade e da interdependência dos direitos humanos sociais, especialmente o da saúde e o da moradia. Condição de vida e bem-estar de qualquer ser humano, a universalidade da sua extensão e reconhecimento garantido a toda a terra e a toda a gente não pode sofrer limitação ditada, por exemplo, pelo grau do poder econômico de quem quer que seja.
 
A oportunidade dessa lembrança foi valorizada em nota do jornal Estado de São Paulo, deste 15 de fevereiro. Sob o título “A urgência do saneamento”, ele chama a atenção para a iniciativa da CNBB em “lembrar, na sua Campanha da Fraternidade deste ano, que não é possível alcançar a almejada justiça social se o país não resolver urgentemente suas graves deficiências na área de saneamento básico. A mensagem, transmitida pelo papa Francisco, é que "o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da fome".
 
Objetivos dessa dimensão impõem ser debatidos e estudados, com propostas de solução também independentes de posicionamentos ideológicos, classes sociais, religiões, conveniências de mercado ou de outra natureza qualquer.
 
Por isso mesmo, a Campanha da Fraternidade deste ano não é de iniciativa exclusiva da CNBB, como o jornal parece ter esquecido. Ela é ecumênica, conta com a adesão expressa de cinco Igrejas integrantes do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) e o próprio tema escolhido “Casa Comum, nossa responsabilidade” (edições CNBB, CONIC, Brasilia, 2015), ter-se abrigado sob lema retirado do profeta Amós (5,24), de leitura e respeito também comuns para elas:
 
“Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça como riacho que não seca”.
 
Parte da análise do texto base da Campanha sobre a situação do direito ao saneamento básico no Brasil, é dedicada a dados estatísticos de quanto a nossa realidade carece desse serviço público e de como o nosso costumeiro atraso em implantá-lo, para só agir depois de catástrofes, compromete a saúde da população, gera doenças e morte. Assim como acontece com outros direitos, moradia e alimentação, por exemplo, também o saneamento básico reflete os efeitos dramáticos da nossa desigualdade social:
 
“Basta uma volta pelas cidades para constatar a diferenciação entre os bairros, tanto no que diz respeito às caraterísticas urbanísticas, à infraestrutura, á conservação dos espaços e aos equipamentos e serviços públicos, quanto ao perfil da população. Os mais pobres são justamente os que gastam proporcionalmente mais com o transporte diário, têm mais problemas de saúde por conta da falta de saneamento e são penalizados com escolas de baixa qualidade. Dos domicílios em bairros precários, 76% têm problemas de qualidade de construção e dos serviços básicos, como saneamento e iluminação. Os indicadores que refletem mais explicitamente as desigualdades nas condições de vida são os relacionados ao saneamento básico. O problema do empobrecimento não é exclusivo das cidades. Também no meio rural existem locais com péssimas condições de moradia. Muitos moradores não têm documento de identidade, 16% são analfabetos e 83% têm escolaridade limitada ao Ensino Fundamental ou Médio.” (p.21).
 
Como a história não cansa de repetir, os efeitos dessa ausência de prestação de serviço devida como direito de todas/os, acabam vitimando as pessoas mais fracas, pobres e indefesas, exatamente as indicadas na Constituição Federal e na maioria das leis, como as merecedoras da maior atenção e respeito:
 
“As crianças são as mais atingidas pela falta de saneamento básico. Substâncias tóxicas e bactérias provocam alergias respiratórias, nasais, intestinais e de pele, que vão permanecer com essa criança por muito tempo. As crianças mais afetadas são aquelas que têm entre 0 e 5 anos. A universalização do acesso à coleta de esgoto e água tratada teria uma redução de 6,8% no atraso escolar dos alunos que vivem em regiões sem saneamento, segundo o estudo do ITB e do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). A diferença de aproveitamento escolar entre crianças que têm e que não têm acesso ao saneamento básico pode chegar a 18%. FGV (Fundação Getúlio Vargas)” (p.33).
 
Para o direito brotar como fonte e a justiça como riacho que não seca, como Amós inspira a Campanha da Fraternidade deste ano, ao saneamento básico de respeito à terra, à agua, à flora e à fauna, à toda a natureza e seu meio-ambiente, enfim, um outro saneamento, esse ético-político, talvez se constitua até em condição prévia.
 
Para nascer pura, a fonte do direito não pode brotar da terra, poluída pela imposição de um bem como esse ser reduzido a mercadoria, e para a justiça fazer-se valer como riacho que não seca, nenhum dique de dinheiro pode desviar o seu curso para chegar a quantas/os estão sedentos dela.
 
Com informações do IHU Unisinos
Add a comment

esgotoceuabertovaltercampanatoagenciabrasil
 
Você sabia que muitas famílias ainda convivem com esgoto a céu aberto, falta de coleta regular de lixo e de água potável? Essa cena não fica restrita a lugares menores, de interior, que possuem menos visibilidade. Também fazem parte da realidade de periferias dos grandes centros urbanos.
 
No estado do Maranhão, por exemplo, cidades de diferentes tamanhos possuem este cenário que mescla falta de informação, de atuação das autoridades e de recursos melhor aplicados. “Praticamente nenhuma cidade do Maranhão tem saneamento básico”, afirma a coordenadora estadual da Pastoral da Criança, Adriana Aleixo. Nos últimos anos, ela tem conversado com os demais coordenadores e líderes do estado e percebido o quanto essa situação afeta as famílias, gerando riscos para a saúde e o bem estar, especialmente para as crianças.
 
Impossibilidades ou descaso?
 
No município de Itinga, que possui uma população de aproximadamente 25 mil habitantes (IBGE), já foi observada a relação da falta de condições adequadas de saneamento e a ocorrência de casos de diarreia. “Não há visita dos órgãos da saúde no Vale do Itinga e no assentamento Santa Maria. Algumas comunidades, por mais que a Pastoral visite e oriente, não é o suficiente. Com esgoto a céu aberto e água de poço não tratada, até os adultos adoecem”, informa a coordenadora, a partir dos relatos locais e visitas à Paróquia Bom Jesus da Lapa.
 
Em Pindaré Mirim, onde moram mais de 30 mil pessoas, a situação não é muito diferente. O esgoto corre pelas ruas e fica acumulado junto com o lixo que não tem um descarte correto. É o que mostram as fotos da região. “Semelhante à capital São Luís”, compara.
 
Incomodar para mudar
 
O saneamento básico deve ser uma preocupação dos órgãos de todas as cidades. Se não for, cabe aos cidadãos não se conformarem e se unirem para cobrar seus direitos.
 
“Nossa participação tem sido em alguns Conselhos de Saúde”, conta Adriana. E, também, a partir do contato frequente com a coordenação nacional da Pastoral da Criança, para que o assunto seja lembrado em reuniões, encontros, viagens e outras oportunidades para trazer à tona o assunto e promover mudanças. O processo é lento, mas não se pode desistir.
 
Com a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano e o envolvimento de todas as religiões, mais uma força é somada a essa luta. “A Pastoral da Criança sempre lutou pelo cuidado do planeta, pelo cuidado da natureza, pelo cuidado da vida e sempre lutou pelos saneamento básico, que traz vida. Por isso, este tema da Campanha da Fraternidade 2016 nos estimula a realizar ações concretas”, afirma Lenita Gripa, coordenadora diocesana da Pastoral da Criança no munício indígena de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas.
 
Por lá, o caso também é alarmante, segundo o relato da coordenadora: “Não tem água encanada e nem esgoto. Existe uma captação de água do Rio Negro, que chega até algumas casas, sem tratamento algum. O esgoto está a céu aberto. O lixo da cidade é jogado num espaço chamado “Lixão”, na frente de uma comunidade acompanhada pela Pastoral  da Criança. A Câmara de Vereadores, juntamente com algumas entidades locais, está denunciando e procurando caminhos de saída”.
 
Com isso, as famílias acompanhadas pela Pastoral da Criança sofrem pela situação de descaso do poder público. As crianças e os adultos são afetados por verminoses, doenças de pele e outras. “Vamos, nesse ano, investir forças no trabalho de conscientização sobre o cuidado da casa comum e os direitos garantidos na Constituição Federal a cada pessoa. A Pastoral da Criança, por meio dos líderes e dos articuladores dos Conselhos Municipais, quer apresentar questões práticas, concretas, organizando reuniões, levantando quais são os problemas que existem na comunidade e tentando encontrar saída para que haja saneamento básico, para que haja coleta de lixo, para que as pessoas possam transitar livremente numa rua saudável”, acredita Lenita.
 
Fonte: Pastoral da Criança
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
Add a comment