“Reconciliação: é o amor de Cristo que nos move – Celebração do 500° Aniversário da Reforma”. Este será o tema da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) de 2017, que será realizada de 28 de maio até 4 de junho. Baseado em 2 Coríntios 5:14-20, o tema também faz alusão aos 500 anos da Reforma Protestante. Aliás, quem preparou o material dessa edição do evento foi a Comissão Ecumênica Alemã, país considerado um dos berços da Reforma. No Brasil, quem está adaptando o material é o regional do CONIC no Rio Grande do Sul.
 
souc
Motivações para o tema: Através do convite do Conselho Mundial de Igrejas para a organização do material da SOUC 2017, a Comissão Ecumênica Alemã definiu dois destaques: 1) deveria haver uma celebração do amor e da graça de Deus, a “justificação da humanidade somente pela graça”, refletindo a ideia principal das Igrejas marcadas pela Reforma. 2) deveria ser reconhecida a dor das subsequentes e profundas divisões que afligiram a Igreja, assumindo abertamente as culpas e ofertando uma oportunidade para dar passos na direção da reconciliação.
 
Inspirados em Francisco
 
Em 2013, a Exortação Apostólica do Papa Francisco, Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), inspirou o tema deste ano, com a citação “O amor de Cristo nos move” (parágrafo 9 e 2 Cor 5.14-20). Foi a partir dessa compreensão que a Comissão Alemã formulou o tema.
 
Concurso para escolha Cartaz
 
O CONIC organizou um concurso para escolher o Cartaz da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2017. O prazo final para o envio de propostas era 9 de dezembro de 2016 (contando a data de postagem nos Correios ou a data do envio por e-mail – no caso de envio virtual), mas foi estendido para o dia 16 de janeiro de 2017 - com o objetivo de que mais pessoas pudessem participar. Leia aqui os detalhes desse processo.

Contribuir no processo formativo das igrejas que integram o Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC), dos organismos ecumênicos e da comunidade em geral, é o objetivo do projeto “Ecologia integral: painéis temáticos em perspectiva ecumênica para formação de lideranças”. A ação, organizada pelo MOVEC e Grupo de Pesquisa Teologia, Ecumenismo e Diálogo inter-religioso da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), inicia no dia 22 de novembro, com o painel Ecologia e ecumenismo¬. O painel de abertura terá início às 19 horas, no auditório Thomas Morus, segundo andar do Bloco Amarelo da PUC.
 
EI 1 01

Outros cinco painéis serão realizados entre março e julho de 2017 nas igrejas do MOVEC, e abordarão a ecologia integral em relação com a antropologia, cultura e sociedade, meio ambiente, economia e política. O projeto ainda prevê a publicação dos conteúdos trabalhados, e a articulação de um simpósio estadual relacionado à temática para o segundo semestre do próximo ano.
 
Para além de oportunizar a formação e capacitação de lideranças na perspectiva da ecologia integral, os painéis objetivam desenvolver a compreensão das diferentes dimensões do tema em relação às opções e práticas pessoais e coletivas; favorecer iniciativas efetivas na perspectiva da justiça, paz e integridade da criação junto às comunidades locais e suas esferas de abrangência, em diálogo e cooperação com a pesquisa acadêmica; e fomentar a sensibilidade para o diálogo e cooperação, intensificando a aproximação entre comunidades cristãs e organismos que atuem em perspectiva ecumênica e ecológica.
 
Cada painel temático contará com painelistas e moderadores/as representando grupos acadêmicos e a comunidade eclesial envolvida. Para o primeiro encontro, o professor doutor Elias Wolff (PUCPR), conduzirá o debate sobre ecologia e ecumenismo.
 
A base que sustenta a proposta do projeto deriva do conceito de Ecologia Integral cunhado pelo Papa Francisco na encíclica Laudato Si’ (2015). Somam como referências a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, promovida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), que teve como tema ‘Casa comum, nossa responsabilidade’, bem como o tema orientador da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil para 2016 intitulado ‘Pela graça de Deus, livres para cuidar’.
Segundo os coordenadores do projeto, a tese de fundo da proposta sugere que a questão ecológica não se reduz a uma dimensão simplesmente ambiental, mas transversalisa as dimensões e relações entre pessoas, planeta e sociedade. Esta interconexão “amplia as possibilidades de reflexão sobre o tema, possibilitando a interação propositiva entre o discurso teológico e a práxis das comunidades”, explicam.
 
Além do GP Teologia, Ecumenismo e Diálogo inter-religioso, colaboram na promoção do projeto o Núcleo Ecumênico e Inter-religioso (NEIr) da PUCPR e a Paróquia Santo Agostinho. A Faculdade Luterana de Teologia, de São Bento do Sul, Santa Catarina, e a Faculdade Unida, de Vitória, Espírito Santo, são instituições parceiras da iniciativa. O projeto conta com o financiamento do Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS) da Arquidiocese de Curitiba.
 
Para mais informações, acesse: www.facebook.com/movimentoecumenicocuritiba

Fonte: MOVEC
Imagem: Divulgação

Diferentemente do que ocorreu nos últimos quatro centenários da Reforma Protestante, em que “o protestantismo se afirmava contra a Igreja Católica, e esta denunciava as ‘heresias’ da Reforma”, neste ano, em que se caminha para os 500 anos da Reforma, “pela primeira vez, a comemoração ocorre num clima de empenho pela unidade e em espírito ecumênico”, diz Walter Altmann à IHU On-Line.
 
Walter Altmann 097986987
O culto ecumênico que será realizado hoje, 31 de outubro de 2016, pelo bispo luterano palestino Munib Younan, o  pastor chileno Martin Junge, e o papa Francisco, na “antiga catedral medieval católica que passou a ser catedral luterana no século XVI”, em Lund, na Suécia, “é um gesto de grande significado simbólico, que poderá ser muito reforçado ainda com as palavras que estará proferindo”, afirma o pastor luterano.
 
Na avaliação de Altmann, o “sentido” desse ato que marca a abertura das comemorações do quinto centenário da Reforma, pode ser entendido em duas perspectivas. “Há um sentimento de gratidão pelo legado teológico de Lutero, afirmando a preponderância da graça de Deus, o acolhimento desta através da fé e o compromisso em favor da prática do amor ao próximo, da justiça e da paz. Mas há também um sentido autocrítico para com as limitações, falhas e deturpações que ocorreram em Lutero e, sobretudo, na história das igrejas após o período da Reforma. O papa Francisco tem dado demonstrações de que encara a história, também a da Igreja Católica, da mesma forma. Portanto, a Reforma deve ser comemorada em espírito de gratidão pelo legado evangélico, penitência pelos pecados cometidos e reafirmação do compromisso evangélico”, afirma.
 
Apesar dessa comemoração histórica, Altmann frisa que “provavelmente não haverá uma unanimidade” entre católicos e luteranos acerca do significado deste dia, mas mesmo assim “pode-se dizer já agora que prevalece entre as igrejas luteranas do mundo o sentimento de alegria com o fato de que as relações entre luteranismo e catolicismo tenham progredido tanto a ponto de essa comemoração conjunta se tornar possível”. E destaca: “Qualquer divisão da cristandade é lamentável e contrária à vontade expressa de Jesus Cristo (João 17:21). Aliás, teologicamente, confessamos todos haver apenas uma igreja una, santa, católica (universal) e apostólica, ainda que, por múltiplos fatores teológicos e ‘não-teológicos’, esteja institucionalmente dividida”.
 
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, Walter Altmann comenta as principais contribuições da Reforma para a modernidade, as aproximações entre o catolicismo e o luteranismo nos últimos 50 anos e frisa que “em vez de uma uniformidade” entre católicos e luteranos, “devemos vislumbrar um futuro de uma diversidade reconciliada, reformada sempre de novo no que for preciso. A Reforma afirmou e o papa Francisco também tem afirmado que a Igreja necessita estar em permanente reforma”.
 
Walter Altmann é pastor luterano, graduado em Teologia pela Escola Superior de Teologia e doutor em Teologia Sistemática pela Universidade de Hamburgo. Atualmente é professor titular da Faculdades EST. Entre 1995 e 2001 exerceu o cargo de presidente do Conselho Latino Americano de Igrejas – CLAI, com sede em Quito. De 2003 a 2007 foi membro do Conselho da Federação Luterana Mundial – FLM, com sede em Genebra, na Suíça e, de 2002 a 2010, foi presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil. Entre suas obras, destaca-se Lutero e Libertação – Uma leitura de Lutero em perspectiva latino-americana.
 
Confira a entrevista.
 
IHU On-Line - O que diferencia a comemoração da Reforma a ser realizada neste ano em relação a outros momentos históricos? Por que se optou por dar um tom ecumênico à celebração, incluindo a participação do papa Francisco?
 
Walter Altmann - Todas as celebrações centenárias anteriores ocorreram num espírito de confrontação com o “outro”. Isto é, o protestantismo se afirmava contra a Igreja Católica, e esta denunciava as “heresias” da Reforma. Agora, pela primeira vez, a comemoração ocorre num clima de empenho pela unidade e em espírito ecumênico. A Federação Luterana Mundial intencionalmente evita a palavra “jubileu”, bastante usada na Alemanha (afinal, 500 anos não é uma data qualquer!) ou mesmo “celebração”, mas, mais modestamente, “comemoração”. O sentido é: há um sentimento de gratidão pelo legado teológico de Lutero, afirmando a preponderância da graça de Deus, o acolhimento desta através da fé e o compromisso em favor da prática do amor ao próximo, da justiça e da paz. Mas há também um sentido autocrítico para com as limitações, falhas e deturpações que ocorreram em Lutero e, sobretudo, na história das igrejas após o período da Reforma. O papa Francisco tem dado demonstrações de que encara a história, também a da Igreja Católica, da mesma forma. Portanto, a Reforma deve ser comemorada em espírito de gratidão pelo legado evangélico, penitência pelos pecados cometidos e reafirmação do compromisso evangélico.
 
IHU On-Line - Qual é o significado da participação do papa Francisco na abertura das comemorações do quinto centenário da Reforma Protestante, que inicia neste dia 31-10-2016, em Lund, na Suécia? Que leitura o senhor faz dessa participação?
 
Walter Altmann - O papa Francisco que já como arcebispo de Buenos Aires deu claras demonstrações de seu compromisso ecumênico, também como “bispo de Roma”, como gosta de ser intitulado, tem recebido lideranças luteranas (e de outras confissões cristãs e religiosas), no Vaticano. Agora, no início dos 500 anos da Reforma, ele vai a “território” luterano e co-oficiará com o Presidente da Federação Luterana Mundial – FLM, o bispo luterano palestino Munib Younan (e com o Secretário Geral da FLM, o pastor chileno Martin Junge) o culto comemorativo, e isso numa antiga catedral medieval católica que passou a ser catedral luterana no século XVI, quando a totalidade dos bispos suecos e todo o povo, a começar pelo rei, aderiram à Reforma. É um gesto de grande significado simbólico, que poderá ser muito reforçado ainda com as palavras que estará proferindo. Deverá ocorrer também a assinatura de uma declaração conjunta pelo Papa Francisco e pelo Bispo luterano Younan.  
 
IHU On-Line - Como a participação do papa no encontro está repercutindo entre os luteranos?
 
Walter Altmann - Isso será sentido mais após o evento comemorativo do que antes, também em face do que concretamente haverá de ser dito e feito na ocasião. Provavelmente não haverá uma unanimidade. Haverá quem o verá de forma crítica, talvez recordando, de um lado, que há ainda diferenças significativas entre as igrejas e, de outro, que a Reforma luterana não deveria ser comemorada neste momento “apenas” com a Igreja Católica, já que há muitas afinidades teológicas e eclesiais com outras igrejas oriundas da Reforma. Mas pode-se dizer já agora que prevalece entre as igrejas luteranas do mundo o sentimento de alegria com o fato de que as relações entre luteranismo e catolicismo tenham progredido tanto a ponto de essa comemoração conjunta se tornar possível. Está prevista também a assinatura de um convênio de cooperação entre o Departamento de Serviço ao Mundo da FLM, muito engajado no apoio a refugiados, e a Caritas Internacional da Igreja Católica, o que reforçará o significado do evento. Acrescento, de outra parte, que a FLM estará realizando sua próxima assembleia geral em maio próximo, na Namíbia, um país do Sul do planeta, em que a maioria da população é luterana. Nessa ocasião haverá também um culto comemorativo conjunto da FLM com todas as confissões cristãs parceiras da FLM.
 
IHU On-Line - Hoje, como está a relação entre católicos e luteranos em geral? Quais foram pontos de diálogo ecumênico entre ambos ao longo dos últimos 50 anos? Como as comunidades reagem a esse processo de diálogo e aproximação?
 
Walter Altmann - Em nível local há numerosas experiências de cooperação, embora em muitos lugares isso tenha mais característica de uma convivência pacífica do que propriamente de estreita cooperação. Em nível nacional temos tido de tempos em tempos a organização ecumênica da Campanha da Fraternidade e, anualmente, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, muito difundida em comunidades locais. Tem havido cooperação em pastorais específicas, como a indígena, a da terra e outras. Em nível teológico-eclesial encontra-se regularmente desde 1974 a Comissão Bilateral Católico-Luterana da CNBB e da IECLB. Processos análogos podem ser registrados em muitos outros lugares do mundo. De um modo geral, há hoje, em lugar da confrontação e condenação mútua do passado, uma relação de respeito, de reconhecimento mútuo do ser cristão e, de maneira pontual, de cooperação.
 
IHU On-Line - Como o senhor vê a celebração da Reforma 500 anos depois, num mundo que é bastante secularizado e no qual as pessoas, inclusive, vivem sem necessariamente adotar ou seguir os valores proclamados pela Reforma?  Que contribuições o protestantismo pode dar à sociedade secularizada?
 
Walter Altmann - Bem, a meu ver o que caracteriza o cenário religioso hoje não é simplesmente secularização, porque há também um forte recrudescimento das religiões. Assim, o cenário hoje é caracterizado precisamente pela concomitância de secularismo e forte impacto religioso. Nesse sentido, o próprio secularismo poderia ser entendido como uma forma secular do religioso e muitos de seus adeptos assumem uma postura por assim dizer “missionária” de suas convicções. Isso é, claro, radicalmente diferente do cenário religioso na época da Reforma, em que se deu um conflito religioso, mas à base de um entendimento comum de se estar num ordenamento de cristandade. Daí porque a divergência acabou confluindo para a ruptura e até em trágicos conflitos bélicos. Mas, sem dúvida, a Reforma, ao defender que o âmbito secular não podia ser tutelado pelo espiritual, contribuiu para a emergência paulatina do Estado moderno e laico. Contudo, a Reforma também confrontou os poderes políticos com o que lhe parecia ser o bem comum e advogando, em especial, em favor do cuidado social com todos os cidadãos, em especial os mais vulneráveis. Isso continua altamente relevante.
 
IHU On-Line – A ênfase no aspecto pessoal da fé não serviria também a um processo de relativização que culmina na enorme explosão numérica de igrejas? Como equalizar essa questão de modo que as pessoas tenham uma fé pessoal, mas que não gere esse efeito e que não se tenha, de outro lado, uma fé e uma espiritualidade esvaziadas?
 
Walter Altmann - Fé pessoal não significa uma fé arbitrária, cada qual a seu gosto, o que de fato daria no resultado que apontas. Isso seria um desvirtuamento do que Lutero propunha: uma fé pessoalmente assumida em suas implicações e consequências, por exemplo, o compromisso de amor ao próximo. Acrescentaria à valorização da fé pessoal e da consciência de cada qual, contudo vinculadas à Palavra de Deus.
 
IHU On-Line - Quais são as principais contribuições da Reforma para a modernidade?
 
Walter Altmann - Mencionei na pergunta anterior a distinção entre o secular e o espiritual, distinção, não separação, o que seria um grosseiro mal-entendido do que a Reforma defendeu. Acrescentaria a valorização da fé pessoal e da consciência de cada qual. Dessa forma, a Reforma afirmou o sacerdócio geral de todas as pessoas batizadas. Ao enfatizar a justificação por graça mediante a fé, valorizou todos os seres humanos por igual. Teve também um acento todo especial na constituição de comunidades, como base da igreja no seu todo. Quanto à educação, propugnou por uma educação universal e ordenada pelos agentes públicos, municipais em primeira linha, inclusive e explicitamente em favor das meninas, algo totalmente revolucionário na época. É interessante notar-se também, por sua relevância para hoje, que, sem ser pacifista, Lutero rechaçou totalmente o conceito de uma guerra santa e colocou estritos limites para uma guerra ser considerada justa (apenas defensiva, com meios não excedentes aos sofridos pela agressão ocorrida, busca da conciliação etc.). Acrescento ainda como altamente relevante Lutero ter identificado entre os ídolos que se contrapõem a Deus, como principal deles, Mâmon, isto é, as riquezas, o que permite uma crítica contundente a valores materialistas de um capitalismo especulativo e espoliador.
 
IHU On-Line – O senhor concorda que o luteranismo, diferente do catolicismo, não teve uma expansão de caráter universal? Por quê?
 
Walter Altmann - Em dimensão mais modesta do que o catolicismo, o luteranismo também teve uma expansão universal, sim. Aliás, a FLM propõe a comemoração da Reforma não como um evento “alemão”, mas, sim, “global”. A FLM representa hoje uma comunhão de 145 igrejas luteranas em 98 países, de todos os continentes, com mais de 74 milhões de membros. Se bem que o maior número de luteranos ainda hoje se encontra na Alemanha (mas divididos administrativamente em várias igrejas luteranas territoriais), a maior igreja luterana no mundo hoje é a Igreja Mekané Yesus, da Etiópia, disputando a primazia com a Igreja da Suécia. Também a Igreja Evangélica Luterana na Tanzânia tem experimentado um notável crescimento. Já mencionei que na Namíbia pouco mais da metade da população é luterana. Também a Indonésia deveria ser lembrada. Precisamente as igrejas da África e da Ásia estão experimentando crescimento.  Na América Latina a presença é numericamente menos significativa, sendo a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB a maior das igrejas luteranas. Há ainda, adicionalmente mais algumas igrejas luteranas não afiliadas à FLM, como, no Brasil a Igreja Evangélica Luterana do Brasil – IELB, no tal mais alguns milhões de fiéis. É verdade, porém, que a expansão global do catolicismo foi muito mais vigorosa, tendo se dado fortemente a partir das navegações e colonizações do século XVI. A expansão do luteranismo deu-se só séculos mais tarde e de outras formas. Na época da Reforma, o catolicismo e a ação política do Imperador Carlos V não foram capazes de restituir a unidade da Igreja Católica, extinguindo a Reforma, mas pôde contê-la praticamente confinada à Europa Central e à Escandinávia.
 
IHU On-Line - Qual foi o impacto da Reforma no cristianismo como um todo? Alguns fazem uma crítica de que a Reforma gerou uma divisão na Igreja e, mas outros consideram que a divisão proporcionou momentos importantes. Que leitura o senhor faz?
 
Walter Altmann - Qualquer divisão da cristandade é lamentável e contrária à vontade expressa de Jesus Cristo (João 17:21). Aliás, teologicamente, confessamos todos haver apenas uma igreja una, santa, católica (universal) e apostólica, ainda que, por múltiplos fatores teológicos e “não-teológicos”, esteja institucionalmente dividida. Já a divisão entre cristandade oriental (igrejas ortodoxas, em torno do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla) e ocidental (sob Roma) é dolorosa, como também a divisão na Igreja Ocidental, com a Reforma. Lutero jamais pretendeu “criar” uma nova igreja nem queria que qualquer pessoa se designasse de “luterana”, mas apenas de “cristã”. Igualmente lamentável também são as sucessivas divisões ocorridas posteriormente, inclusive a enorme fragmentação da cristandade que temos hoje. Importante é lembrar que os 500 anos de Reforma não significam 500 anos de uma nova igreja, mas 500 anos da Reforma no intuito de fidelidade ao evangelho apostólico, 2.000 anos atrás. Por outro lado, é certo também que as diferentes confissões cristãs têm características e ênfases próprias, a maioria delas perfeitamente legítimas, que, uma vez reconciliadas, podem conferir uma inusitada beleza à Igreja una. Em vez de uma uniformidade, devemos vislumbrar um futuro de uma diversidade reconciliada, reformada sempre de novo no que for preciso. A Reforma afirmou e o papa Francisco também tem afirmado que a Igreja necessita estar em permanente reforma.  
 
IHU On-Line - Alguns luteranos têm sugerido que com a data de celebração dos 500 da Reforma - conforme demonstra o documento “Do conflito à comunhão", redigido pela Comissão Internacional Católico-Luterana em 2013 -, os luteranos deveriam ter um olhar crítico sobre si mesmos não só considerando o passado, mas também o futuro. O que seria, para o senhor, esse olhar crítico? Ele é plausível nesse momento? Por quê?
 
Walter Altmann - Em relação ao passado essa visão crítica, ainda que nunca um empreendimento agradável, é mais fácil. É possível detectar à distância o que em meio à confrontação não era possível: as radicalizações de parte a parte, os desvirtuamentos das posições alheias, as lutas por poder e espaço, até ao ponto de guerras religiosas. Como herdeiros dessa tradição, devemos solicitar perdão uns aos outros e, sobretudo, ao próprio Deus. Mais difícil é sermos críticos a nós mesmos em nosso próprio tempo. Mas é algo igualmente necessário. Não devemos tomar como algo absoluto nossas próprias concepções, nossas teologias, nossas estruturas, mas exercitar a abertura ao outro, buscar a convergência e enfrentar conjuntamente os grandes desafios à nossa frente: como ter um testemunho de credibilidade em nosso tempo, como viver a solidariedade do amor de Cristo para com as pessoas que padecem, como sermos instrumentos da paz e da justiça, como cuidar da criação que nos foi confiada por Deus. Não precisamos assumir esses compromissos de maneira isolada. Ao contrário, seremos mais eficazes e teremos mais credibilidade se unirmos esforços, no espírito de uma comunhão fraterna.
 
IHU On-Line - Uma vez o Papa João XXIII disse que “o que nos une é maior do que o que nos divide”. O que une e o que divide católicos e luteranos hoje? Quais são os pontos teológicos em que católicos e luteranos divergem substancialmente, caracterizando as diferenças entre ambos? E quais são os principais pontos de aproximação entre ambos?   
 
Walter Altmann -  “O que nos une é maior do que o que nos divide” é uma formulação que passou a ser hoje praticamente um lugar-comum, mas expressa uma realidade básica. Fundamentalmente, nos une a fé em Jesus Cristo, como também o batismo que reconhecemos mutuamente. Muitos pontos doutrinais nos são comuns, ainda que, aqui e ali, tenhamos algumas formulações diferentes, mas sem afetar a substância. A salvação, a Trindade, o batismo, a valorização da Bíblia como fonte da revelação, a compreensão de um sacerdócio geral das pessoas batizadas e muitos outros aspectos nos unem. Desde 1999, quando foi assinada em Augsburgo, Alemanha, pelo Vaticano e pela FLM, a Declaração Conjunta acerca da Doutrina da Justificação, também há consenso na verdade básica de que a salvação é concedida por graça de Deus e não à base de nossas obras, mas é acolhida em fé. As diferenças de formulação e ênfase remanescentes na formulação da doutrina já não invalidam o consenso básico alcançado. Isso é particularmente significativo porque para Lutero esse era precisamente o ponto em que a Igreja “permanece ou cai”.
 
Os 50 anos de diálogo bilateral católico-luterano registaram enormes consensos. O documento “Do conflito à comunhão” registra a necessidade de maior diálogo acerca da organização eclesiástica, acerca do ministério e do ministério ordenado. Mas já houve muitos avanços nesses tópicos também, em particular no que diz respeito à Eucaristia. Ainda assim, até agora a Igreja Católica não vê alcançada a condição que permitiria a comunhão em torno de uma única mesa eucarística, tampouco para uma hospitalidade eucarística (a recepção de fieis da outra igreja na sua própria Eucaristia), o que não seria dificuldade para a esmagadora maioria dos luteranos. No fundo, para a Igreja Católica está a pergunta do ministério ordenado: quem está autorizado a presidir a mesa eucarística?

Quanto ao ministério petrino (o ministério do papa), há ainda muito a dialogar. A Igreja Católica o considera essencial para a igreja, enquanto o luteranismo desenvolveu outras formas de liderança na Igreja. Uma porta aberta para o diálogo consta na Encíclica Que Todos sejam Um, do papa João Paulo II, ao mencionar a possibilidade de ser revista a forma de exercício do ministério petrino. Há no luteranismo vozes que defendem um “ministério da unidade”, sem, contudo, o poder jurisdicional que o papado detém na atualidade na Igreja Católica.

No tocante à mariologia está removida a concepção muito arraigada no protestantismo de que os católicos “adorariam” a Virgem Maria. Permanece, porém, na concepção protestante, a noção de que as orações a Deus são mediadas sempre pelo próprio Cristo, valorizando-se a Virgem Maria e os santos não como intercessores, mas como exemplos de fé a inspirar os fiéis.
 
IHU On-Line - Que leitura o senhor faz da organização do documento “Do conflito à comunhão”, redigido pela Comissão Internacional Católico-Luterana, a partir da sua perspectiva religiosa? Como esse documento repercutiu nas comunidades?
 
Walter Altmann - O documento é de alta importância, mas até agora não repercutiu muito em nível de comunidades, por ter sido publicado em português mais recentemente e ainda não ter sido muito difundido. Seus grandes méritos são fazer uma cuidadosa retrospectiva dos 50 anos de diálogo, apresentar uma interpretação católica e uma luterana acerca dos fatos da Reforma e da teologia de Lutero de maneira convergente e em espírito ecumênico, bem como traçar o mapa para conversações futuras. Mas ele próprio não avançou em novas áreas teológicas pendentes, em parte, talvez, porque propostas anteriores, como em relação à Eucaristia, ainda não foram assumidas oficialmente na prática das igrejas. Como seja, ele é um poderoso convite a perseverarmos na caminhada do entendimento e na busca da unidade plena. A comemoração dos 500 anos da Reforma em espírito ecumênico poderá gerar novos impulsos para a caminhada ecumênica das igrejas.

Fonte: IHU On-Line
Foto: Divulgação / Wikipédia

Do ponto de vista da Reforma Protestante as atividades de um sacerdote ordenado seriam superiores às de uma mãe? Não. Se olharmos para o tema a partir da perspectiva da vocação, a resposta continua sendo um sonoro e uníssono não. Entretanto, isso não significa que Lutero era um homem à frente de seu tempo, livre de quaisquer preconceitos, era antes seu filho dileto. “Na ordem natural, o papel da mulher corresponde à sua função materna — e nisto Lutero ecoa a visão medieval, onde a mulher era subordinada ao homem. Ainda assim, Lutero não propõe uma submissão cega e unilateral das mulheres, mesmo que muitas vezes se refira a elas em linguagem crassa”, pondera a professora e pesquisadora Wanda Deifelt, em entrevista por e-mail à IHU On-Line.

wandac

Ao pensar os ecos da Reforma Protestante na atualidade, Wanda analisa criticamente o protestantismo ao mesmo tempo que leva em conta o período histórico em que o movimento ocorre. “Pode-se dizer que a ideia do ministério feminino encontrou resistências em teólogos como Lutero e Calvino muito mais a partir dos seus limites históricos do que de suas convicções teológicas”, sustenta. Todavia, ao mirar o futuro a professora o vê positivamente. “Continuamos trabalhando em direção a um futuro que conduza a uma comunhão ainda maior, onde possamos entender hospitalidade eucarística uns aos outros, reconhecer a variedade de dons e ministérios existentes em nossas igrejas e afirmar que nossas comunhões eclesiais são igualmente Corpo de Cristo, apesar das diferenças teológicas que continuam nos separando”, completa.

Wanda Deifelt é brasileira, luterana, possui graduação em Teologia pela Escola Superior de Teologia – EST, de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. Tem mestrado pelo Garrett-Evangelical Theological Seminary e doutorado pela Northwestern Univesity, ambas na cidade de Evanston, estado de Illinois, EUA. Atua como professora e coordenadora do departamento de Religião da Luther College, na cidade de Decorah, estado de Iowa, EUA. Trabalha com teologias contextuais, em especial teologia feminista. Entre os temas que aborda estão Lutero e luteranismo, criação, cristologia, direitos humanos e sexualidade. É autora de, entre outras obras, À flor da pele - Ensaios sobre gênero e corporeidade (São Leopoldo: Sinodal, EST, CEBI, 2004).

Confira a entrevista.

HU On-Line O que aprendemos (ou deveríamos ter aprendido) com Martinho Lutero e com a Reforma Protestante?

Wanda Deifelt - Lutero desafiou muitos ensinamentos e práticas da Igreja Católica medieval ao afirmar que a fé em Cristo é suficiente para a salvação. Deus nos aceita e nos pronuncia justos não por causa de nossas obras ou méritos, mas através da nossa fé em Jesus Cristo — que nasceu, sofreu, foi crucificado e morreu por nossos pecados. Em seu comentário sobre Gálatas, Lutero resume isto dizendo que salvação e vida eterna não vêm pela lei mas pela graça, não pelas obras que fazemos mas pelo amor de Deus que opera em nós, não por nossa vontade mas por Jesus Cristo.

Acreditar que a salvação pode ser alcançada através dos nossos próprios esforços pode levar tanto à arrogância quanto ao desespero. Lutero vivia na angústia de não saber se ele havia feito tudo o que podia para assegurar o favor de Deus. Ele era tomado pelo temor de não ter cumprido todos os mandamentos, de não ter confessado todos os seus pecados, de não ter feito todas as boas obras que a lei exige, ou de não ter vivido uma vida sem máculas. Como aplacar a ira de Deus? Como encontrar um Deus misericordioso? Este peso de nunca conseguir fazer o suficiente para assegurar o favor de Deus o atormentava a ponto dele muitas vezes chegar a odiar Deus — um Deus juiz e carrasco que pune os pecadores.

A justificação pela fé se tornou um dos principais temas na Reforma Protestante. A partir da leitura das Sagradas Escrituras, Lutero foi inspirado pela teologia paulina de que “o justo viverá pela fé” (Romanos 1:17). A postura da Igreja Católica medieval, de que à fé também boas obras deveriam ser acrescentadas para alcançar a salvação, havia levado a muitos abusos, em particular a venda de indulgências. Lutero compreendeu que somente a fé nos justifica perante Deus, ou seja, que em um sentido forense Deus nos pronuncia justos e justas mesmo que sejamos pecadores e pecadoras. A justiça de Deus, revelada pelo evangelho, é a justiça passiva com que Deus nos justifica pela fé (Deus nos justifica, não somos nós quem nos justificamos).

Esta foi a descoberta de Lutero: O encontro salvífico entre Deus e a humanidade, entre criador e criatura, só é possível através da iniciativa de Deus, chegando a encontrar-nos em nosso mundo quebrado e pecaminoso. Deus vem a nós como um presente, uma dádiva. Nossos esforços não são suficientes para produzir a salvação. Antes, recebemos salvação pela fé em Cristo e através da graça de Deus.

IHU On-Line Qual foi o impacto da Reforma Protestante no que diz respeito à participação das mulheres nas Igrejas Luterana e Católica?

Wanda Deifelt - No século XVI, o espaço ocupado pelas mulheres era bastante restrito: casa, convento, ou prostíbulo. A casa oferecia a manutenção da família, o convento dava oportunidade de educação e o prostíbulo era uma forma de sobrevivência. Lutero foi crítico à vida monástica e entendeu o celibato como contrário à ordem natural ditada por Deus. Também foi severo em relação à prostituição por entender que ela corrompe a integridade pessoal. Para Lutero, a maternidade e o matrimônio eram o lugar natural das mulheres. Em sua visão de vocação, as atividades de um sacerdote ordenado não são superiores às de uma mãe que troca as fraldas de uma criança. Lutero atribui um teor espiritual à procriação, atentando que cabia à mulher, como boa esposa e mãe, também o cuidado das crianças e a educação cristã na família.

Para Lutero, o casamento não é mais considerado um sacramento, mas uma instituição temporal (weltlich) ordenada por Deus, e que deve conter a realidade de pecado. A sexualidade deveria ser vivida dentro do matrimônio. Como imagem de Deus, homem e mulher são iguais, o que se reflete especialmente na ordem da redenção: ambos são justificados e chamados a viver em Cristo. Porém, na ordem natural, o papel da mulher corresponde à sua função materna — e nisto Lutero ecoa a visão medieval, onde a mulher era subordinada ao homem. Ainda assim, Lutero não propõe uma submissão cega e unilateral das mulheres, mesmo que muitas vezes se refira a elas em linguagem crassa. Percebe-se em Lutero um descompasso entre o avanço teológico e a aquiescência à cultura da época.

IHU On-Line – A propósito, na avaliação da senhora, a Reforma foi um evento positivo ou negativo para os cristãos?

Wanda Deifelt - Apesar de darmos crédito a Lutero, é necessário lembrar que ele não foi o primeiro e nem o único reformador. Antes dele, John Wycliffe e Jan Huss haviam ensaiado reformas dentro da igreja, mas foram perseguidos como heréticos. Como movimentos, os cátaros e valdenses inauguraram certas práticas, como a tradução de textos da Bíblia para o vernáculo e o questionamento sobre a autoridade do papa, que encontraram eco na teologia de Lutero. Além disso, Lutero não trabalhou sozinho. Seus colegas da Universidade de Wittenberg (Phillip Melanchton, por exemplo) foram colaboradores neste processo.

Como um todo, a Reforma teve efeitos positivos mas também teve consequências indesejadas. A cisão no corpo de Cristo (a separação entre a igreja católica e as igrejas protestantes) foi uma destas consequências indesejadas. Há que se entender que este não foi o intento inicial do movimento da Reforma. Quando Lutero postou suas 95 teses em Wittenberg, em 1517, ele estava chamando para um debate, no verdadeiro sentido do engajamento acadêmico. Ele queria debater a validade das indulgências, a autoridade do papa em vendê-las e a bagatelização do arrependimento que as indulgências provocam na vida cristã.

E aí, está está gostando da entrevista?

Então CLIQUE AQUI para ler na íntegra.

Fonte: IHU On-Line
Foto: Revista Missões

No dia 9 de novembro, Brasília vai sediar a Marcha Mundial do Clima. O encontro, que acontecerá na Esplanada dos Ministérios, será realizado simultaneamente em mais de 100 países para chamar a atenção à grave ameaça que representa as mudanças climáticas. Um dos objetivos da marcha é pressionar os chefes de estado de todo o mundo, que estarão reunidos na Conferência de Clima da ONU do dia 7 a 18 de novembro, no Marrocos, a tomarem medidas efetivas e concretas que garantam o equilíbrio climático.
 
20151029071500797rts
Após a abertura oficial da Marcha um grupo descerá em passeata pela Esplanada e entregará ao governo Michel Temer um manifesto com as reivindicações para o Brasil. Outro manifesto será entregue à comunidade internacional através da embaixada dos Estados Unidos.
 
O modelo econômico atual tem dirigido o mundo a uma crise social sem precedentes. Com base no excesso de produção e consumo excessivo, este sistema econômico é diretamente responsável pela mudança climática, que ameaça a integridade dos ecossistemas e a sobrevivência das populações. O ano de 2015 foi fundamentalmente marcado tanto pelo Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, bem como pela adoção de 17 novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), pela ONU.
 
As consequências brutais e extremas das mudanças climáticas agravam-se em todo o mundo. Entre os exemplos podemos destacar a degradação do meio ambiente e dos recursos naturais, insegurança alimentar, escassez de água, aumento dos níveis de pobreza, graves riscos para a saúde pública e ondas maciças de migração ligadas ao clima, milhões de mortes ao ano.
 
Tome nota!
 
A Marcha Mundial do Clima, fórum mundial composto por integrantes de diversas organizações da sociedade civil (ONGs, universidades, sindicatos, estudantes, igrejas,  movimentos sociais), tem como objetivo principal ampliar o debate e as urgentíssimas providências sobre as mudanças climáticas, nas ruas e mídias. Anualmente a Marcha Mundial do Clima é realizada em mais de 100 países, por ocasião de cada Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU (CoPs).
 
A crescente série de chuvas violentas, de granizo, inundações, incêndios florestais e secas, ondas de calor escaldantes, furacões, ciclones, frio congelante, provocados sobretudo pela poluição de GEEs (gases de efeito estufa) e o consequente aquecimento global - que vem ocorrendo em todo o mundo,  são claras evidências que a mudança climática é uma trágica realidade que se agrava a cada ano, constituindo-se, na verdade, em emergência climática. Tal cenário deve piorar catastroficamente se a sociedade não se mobilizar para as cobranças que levem a medidas necessárias à redução das emissões de GEEs na atmosfera.
 
Some-se a estas tragédias, o forte impacto na produção de alimentos, a degradação do meio ambiente e dos recursos naturais, escassez de água, aumento dos níveis de pobreza, graves riscos para a saúde pública e ondas maciças de migração ligadas ao clima, entre vários outros impactos noticiados diuturnamente e alarmantemente divulgados no último relatório da ONU – IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU). Hoje já morrem no planeta em torno de 10 milhões de pessoas ao ano em função das consequências diretas e indiretas das mudanças climáticas.

Com informações do comitê organizador da Marcha Mundial do Clima e do Sinprodf
Foto: KHAM / REUTERS

conic logo WEB

Brasília, 7 de novembro de 2016

Senhor, faze-me um instrumento de tua paz”, Oração da Paz

É com apreensão e preocupação que acompanhamos, em especial nas últimas semanas, o aumento da repressão e da perseguição aos movimentos sociais e de direitos humanos que expressam a sua contrariedade em relação às medidas adotadas após a ruptura na democracia.

Medidas como a PEC 55/2016, reforma do Ensino Médio, Escola Sem Partido, flexibilização das leis trabalhistas, reforma da previdência afetam diretamente a vida das pessoas. Nesse sentido, é direito constitucional que a sociedade se organize, se mobilize e expresse a sua discordância com tais medidas.

A imagem de estudantes algemados em Tocantins e a decisão do juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que autorizou a aplicação de técnica de tortura (leia mais aqui: http://bit.ly/2f8lk37) para pressionar os estudantes a desocuparem as escolas indicam que não vivemos mais em um Estado Democrático de Direito. Estamos, cada vez mais, nos aproximando de um estado totalitário.

Que reformas sejam necessárias, é possível compreender. No entanto, nenhuma reforma pode ser imposta, em especial, quando tais reformas afetam a vida e a existência de dezenas de milhares de pessoas, principalmente as mais pobres.

A prisão do ator Caio Martínez Pacheco é outro caso que exemplifica que a ruptura democrática é real. A arte foi e sempre será um instrumento formador de consciência. Coibir a criatividade e a manifestação artística não pode jamais ser uma prática aceitável.

No dia 4 de novembro, recebemos informações das várias ações realizadas contra o Movimento de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST), que já tem passado por um conjunto de perseguições e prisões de lideranças.

A ação da polícia contra o MST foi orquestrada em diferentes estados, em especial, Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A intervenção realizada pela polícia na Escola Florestan Fernandes foi emblemática. O ataque a um centro de formação que se orienta no pensamento e na elaboração de teóricos e teóricas importantes para a formação de pensamento crítico é simbólico em um contexto em que se pretende aprovar um Projeto Lei denominado Escola Sem Partido. Esta ação leva a suspeitar que a preocupação não é somente com reformas econômicas ou com a corrupção. O foco também é o aniquilamento de qualquer pensamento crítico. Não é possível desconsiderar que todas as atuais medidas são impopulares e impostas à força, sem quaisquer possibilidades de críticas e diálogo com a sociedade.

A proibição do pensamento crítico, a livre manifestação de ideias, a organização e mobilização populares foram práticas adotadas pelos governos mais autoritários que o mundo conheceu. Não podemos aceitar essa prática em nosso país.

Por tudo isso que foi exposto acima, o CONIC:

Critica todas as medidas e reformas que sacrificam os mais pobres em benefício dos ricos;

Conclama a realização de referendos populares antes das tomadas de decisão, sobretudo quando essa decisão tiver impactos enormes sobre a população, como é o caso da PEC-55/16 e a reforma do Ensino Médio;

Encoraja a todos/as os/as estudantes do Brasil a manterem firmes seus ideais. A esperança de um País melhor reside na juventude que não tem medo de lutar pelos seus direitos mais básicos e que não se cala;

Pede às autoridades o respeito ao Estatuto das Crianças e dos Adolescentes. Não se pode aceitar qualquer violação de direitos a quem quer que seja, mas sobretudo contra crianças e adolescentes, que reivindicam o direito à Educação Pública de qualidade; - pede que a liberdade de expressão seja garantida, conforme a Constituição brasileira;

Conclama entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a se posicionarem de maneira mais veemente toda vez que ocorrerem abusos de poder por parte de autoridades públicas, sejam elas juízes, promotores, delegados.

Como Conselho de Igrejas, mantemos a esperança de uma humanidade transformada e de uma sociedade de paz e justiça. Nossa oração é para que consigamos superar a falta de diálogo, as rivalidades e os autoritarismos.

CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

A Constituição Federal garante que, no Brasil, o estado é laico. Ainda assim, casos de intolerância religiosa são frequentes no país. E o assunto foi tratado na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2016. Com o tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) fez milhões de jovens discutirem a pauta. A escolha foi aprovada por líderes religiosos.

4256066

— Acho extremamente oportuno que esse tema seja tratado com a juventude brasileira. É um problema mundial, mas, sobretudo, local. O Brasil é muito intolerante — afirmou o diácono Nelson Águia, da Arquidiocese do Rio.

Nelson se mostrou curioso em relação ao pensamento dos candidatos. Para ele, a divulgação de algumas redações poderia ser benéfica, por revelar a visão dos jovens sobre o tema. E a presidente da Congregação Espiritual Umbandista, Fátima Damas, concorda.

— Entender o que a garotada pensa seria fundamental. É importantíssimo para ampliar as ideias e o conhecimento. Acontece no mundo inteiro, mas aqui, contra a umbanda e o candomblé, está demais. Por mais que a gente lute, não temos respaldo — comenta Fátima.

O pastor Silas Malafaia considera o tema contextualizado com o atual momento do país. Ele diz que sua própria religião também é vítima de intolerância. E critica os mais radicais.

— Se tem algum evangélico, espírita ou católico intolerante, ele não representa o pensamento das religiões, menos ainda suas lideranças. As práticas de uns não podem ser espalhadas para o todo — afirma o pastor.

Para o babalaô Ivanir dos Santos, da Comissão de combate à Intolerância Religiosa, a escolha do tema foi um passo importante. Mas pede que o assunto seja ainda mais aprofundado.

— Nós de matriz africana sofremos muito com essa violência. Importante tratarmos não só na redação, mas continuamente na escola. É o melhor meio para disseminar o respeito — diz Ivanir.

Vítimas comemoram a escolha do tema

A menina Kaylane Coelho (foto acima) ainda não chegou no momento de fazer o Enem. Mas, aos 13 anos, conhece muito bem o tema da redação. Ela foi uma das muitas vítimas do ódio e da intolerância contra religiões afro-brasileiras. Quando ainda tinha 11 anos, foi apedrejada na cabeça, simplesmente por estar na rua com trajes brancos do candomblé. A pedra fez dela mais forte e a transformou em ativista contra a intolerância, apesar da pouca idade. Ao saber, pela internet, o assunto tratado na prova, comemorou.

— Nem todo mundo presta atenção no caso da religião, nem todo mundo sabe do que se trata ou procura saber. Quando você faz a prova do Enem, é obrigado a pensar sobre a respeito e acaba sabendo mais — diz.

A avó de Kaylane, Kátia Marinho, é mãe de santo e também ficou satisfeita com o tema.

— Para a gente que levanta essa bandeira, foi um avanço na conscientização dos jovens. Principalmente para quem não entende a intolerância com a gravidade que ela tem — afirma Kátia.

Em coletiva de imprensa, a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Maria Inês Fini, afirmou que o tema foi uma oportunidade de provocar reflexões na juventude: “Eu espero que a reflexão desse tema tão festejado possa de fato trazer para nossa juventude o ideário de reflexão de tolerância, de respeito aos Direitos Humanos, as nossas diversidades de crença, de religião”.

Com informações do Jornal Extra e do Portal Brasil
Foto: Reprodução TV Globo / RJTV

Foi realizada, no dia 18 de outubro, a Assembleia do Movimento Ecumênico de Londrina-MEL. Além de tratar de assuntos internos, a atividade teve por objetivo a eleição da nova diretoria, que ficou assim composta:

Presidente: Revda. Lucia Dal Pont Sírtoli - Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – Pároco da Paróquia São Lucas em Londrina.
 
Vice-Presidente: Pastor Telmo Emerich - Igreja Evangélica de Confissão Luterana – Pastor da Igreja Luterana em Londrina.
 
Secretaria: Rosa Eugenia Diniz Pereira – Igreja Católica Apostólica Romana – Membro do CEBI e secretariado do 14º das CEBs.
 
Vice-Secretário: Franciel Wille Ribeiro de Souza da Silva- Igreja Episcopal Anglicana do Brasil- Membro da Rede Ecumênica do Juventude.
 
Tesoureira: Ir. Dirce Gomes da Silva - Igreja Católica Apostólica Romana – Coordenadora da Comissão Arquidiocesana para o Ecumenismo na arquidiocese de Londrina.
 
Vice Tesoureira: Joana D’Arc Schulze - Igreja Evangélica de Confissão Luterana - Presidente da Igreja Luterana em Londrina.
 
Conselho Fiscal: Pastor Carlos Jeremias Klein - Igreja Presbiteriana Independente / Jose Carlos Drapes - Igreja Católica Apostólica Romana.
 
A Assembleia foi encerrada com um bonito momento de oração.
 
Membros eleitos

CONIC com informações do MEL
Foto: MEL

image large

“Em 2011, o iPhone ainda era redondinho. Escapuliu das mãos de Fernando e foi parar debaixo do banco exíguo do seu Palio Weekend. Sua mãe não parava de falar do outro lado da linha. “Calma, mãe! Tô procurando o celular” foram as últimas palavras de Fernando antes do coma. Entrou com tudo num poste da avenida Nossa Senhora de Copacabana e só acordou em 2020.

Quando abriu os olhos, a primeira coisa que viu foi um sujeito de camisa branca e gravata lilás. “Olá, eu sou seu médico, Zaqueu”. “Essa é a Clínica São Vicente?”, Fernando perguntou. “Antiga São Vicente, hoje Clínica Vitória em Cristo.” “Mas isso é no Rio de Janeiro?” “Antigo Rio de Janeiro, hoje Novo Rio Jordão. Muita coisa mudou desde a revolução, Ezequiel.” “Meu nome é Fernando.” “Desculpa, Fernando não existe mais. Seu equivalente bíblico é Ezequiel.”

Fernando desceu a rua Marquês do Sétimo Dia até chegar no Jardim Messiânico, onde, olhando pro alto, se deparou com uma enorme pomba no alto do Corcovado. Na avenida Nosso Senhor de Copacabana sentiu falta dos botecos. Entrou numa padaria, a televisão passava um jogo de futebol: FluCristense jogava contra o Coríntios. No lugar da bola, uma santa. Abdias, zagueiro corintiano, chuta a santa pro gol. Na trave. “Tá amarrado em nome de Jesus!”, grita o garçom.

No intervalo, Fernando comprou uma “Folha de São Salmo” e percebeu que se aproximava o Carnaval. “Certas coisas não mudam”, pensou Fernando, ao ver o concurso de Mulata da Record. Logo percebeu que todas vestiam saia até o tornozelo. O samba-enredo da Ungidos da Tijuca versava sobre o perigo da maconha: “Desde a Galileia, os fariseus só querem te drogar/ é coisa do tinhoso/ sete-pele escabroso/ vai te enfeitiçar”.

Pagou com o cartão. Não esqueceu a senha, mas esqueceu dos 10%, lembrou o garçom. “Achei que o serviço tava incluído”, explicou Fernando. “O serviço tá incluído. Tô falando do dízimo.”

Arrasado, Fernando procurou os amigos. “Como é que vocês deixaram o Rio chegar nesse estado?”, Zebedeu, antigo Duda, não entendeu a revolta. “De vez em quando um amigo some, toma uma surra, mas em geral é porque se desviou do caminho. Se você tem Jesus no coração e vive na paz do Senhor, seu caminho tá iluminado.” O amigo sorri pra câmera. Fernando não acredita. Sussurra entre os dentes: “A gente precisa fazer alguma coisa”.

“Calma, Ezequiel”, o amigo sussurra de volta. “Pode até estar ruim, mas qualquer coisa é melhor que a roubalheira do PT.”

Esse texto é de autoria de Gregorio Duvivier
Publicado originalmente na Folha de S. Paulo, em 31/10/2016
Foto: Paulo Pepe / RBA

536467567658568 09867876

Em oração ecumênica na Catedral Luterana de Lund, na Suécia, nesta segunda-feira, 31, o Papa Francisco e o presidente da Federação Luterana Mundial, Munib Younan, assinaram uma declaração conjunta. O documento insere-se no contextos dos 500 anos da Reforma Protestante.

Confira a íntegra do documento:

DECLARAÇÃO CONJUNTA
por ocasião da comemoração conjunta católico-luterana da Reforma
Lund, 31 de outubro de 2016

«Permanecei em Mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em Mim» (Jo 15, 4).

Com coração agradecido

Com esta Declaração Conjunta, expressamos jubilosa gratidão a Deus por este momento de oração comum na Catedral de Lund, com que iniciamos o ano comemorativo do quinto centenário da Reforma. Cinquenta anos de constante e frutuoso diálogo ecumênico entre católicos e luteranos ajudaram-nos a superar muitas diferenças e aprofundaram a compreensão e confiança entre nós. Ao mesmo tempo, aproximamo-nos uns dos outros através do serviço comum ao próximo – muitas vezes em situações de sofrimento e de perseguição. Graças ao diálogo e testemunho compartilhado, já não somos desconhecidos; antes, aprendemos que aquilo que nos une é maior do que aquilo que nos separa.

Do conflito à comunhão

Ao mesmo tempo que estamos profundamente gratos pelos dons espirituais e teológicos recebidos através da Reforma, também confessamos e lamentamos diante de Cristo que luteranos e católicos tenham ferido a unidade visível da Igreja. Diferenças teológicas foram acompanhadas por preconceitos e conflitos, e instrumentalizou-se a religião para fins políticos. A nossa fé comum em Jesus Cristo e o nosso Batismo exigem de nós uma conversão diária, graças à qual repelimos as divergências e conflitos históricos que dificultam o ministério da reconciliação. Enquanto o passado não se pode modificar, aquilo que se recorda e o modo como se recorda podem ser transformados. Rezamos pela cura das nossas feridas e das lembranças que turvam a nossa visão uns dos outros. Rejeitamos categoricamente todo o ódio e violência, passados e presentes, especialmente os implementados em nome da religião. Hoje, escutamos o mandamento de Deus para se pôr de parte todo o conflito. Reconhecemos que fomos libertos pela graça para nos dirigirmos para a comunhão a que Deus nos chama sem cessar.

O nosso compromisso em prol dum testemunho comum

Enquanto superamos os episódios da nossa história que gravam sobre nós, comprometemo-nos a testemunhar juntos a graça misericordiosa de Deus, que se tornou visível em Cristo crucificado e ressuscitado. Cientes de que o modo como nos relacionamos entre nós incide sobre o nosso testemunho do Evangelho, comprometemo-nos a crescer ainda mais na comunhão radicada no Batismo, procurando remover os obstáculos ainda existentes que nos impedem de alcançar a unidade plena. Cristo quer que sejamos um só, para que o mundo possa acreditar (cf. Jo 17, 21).

Muitos membros das nossas comunidades anseiam por receber a Eucaristia a uma única Mesa como expressão concreta da unidade plena. Temos experiência da dor de quantos partilham toda a sua vida, mas não podem partilhar a presença redentora de Deus na Mesa Eucarística. Reconhecemos a nossa responsabilidade pastoral comum de dar resposta à sede e fome espirituais que o nosso povo tem de ser um só em Cristo. Desejamos ardentemente que esta ferida no Corpo de Cristo seja curada. Este é o objetivo dos nossos esforços ecuménicos, que desejamos levar por diante inclusive renovando o nosso empenho no diálogo teológico.

Rezamos a Deus para que católicos e luteranos saibam testemunhar juntos o Evangelho de Jesus Cristo, convidando a humanidade a ouvir e receber a boa notícia da ação redentora de Deus. Pedimos a Deus inspiração, ânimo e força para podermos continuar juntos no serviço, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres, trabalhando pela justiça e rejeitando todas as formas de violência. Deus chama-nos a estar perto de todos aqueles que anseiam por dignidade, justiça, paz e reconciliação. Hoje, de modo particular, levantamos as nossas vozes para pedir o fim da violência e do extremismo que ferem tantos países e comunidades, e inumeráveis irmãos e irmãs em Cristo. Exortamos luteranos e católicos a trabalharem juntos para acolher quem é estrangeiro, prestar auxílio a quantos são forçados a fugir por causa da guerra e da perseguição, e defender os direitos dos refugiados e de quantos procuram asilo.

Hoje mais do que nunca, damo-nos conta de que o nosso serviço comum no mundo deve estender-se à criação inteira, que sofre a exploração e os efeitos duma ganância insaciável. Reconhecemos o direito que têm as gerações futuras de gozar do mundo, obra de Deus, em todo o seu potencial e beleza. Rezamos por uma mudança dos corações e das mentes que leve a um cuidado amoroso e responsável da criação.

Um só em Cristo

Nesta auspiciosa ocasião, expressamos a nossa gratidão aos irmãos e irmãs das várias Comunhões e Associações cristãs mundiais que estão presentes e unidos connosco em oração. Ao renovar o nosso compromisso de passar do conflito à comunhão, fazemo-lo como membros do único Corpo de Cristo, no qual estamos incorporados pelo Batismo. Convidamos os nossos companheiros de estrada no caminho ecumênico a lembrar-nos dos nossos compromissos e a encorajar-nos. Pedimos-lhes que continuem a rezar por nós, caminhar connosco, apoiar-nos na observância dos compromissos de religião que hoje manifestamos.

Apelo aos católicos e luteranos do mundo inteiro

Apelamos a todas as paróquias e comunidades luteranas e católicas para que sejam corajosas e criativas, alegres e cheias de esperança no seu compromisso de prosseguir na grande aventura que nos espera. Mais do que os conflitos do passado, há de ser o dom divino da unidade entre nós a guiar a colaboração e a aprofundar a nossa solidariedade. Estreitando-nos a Cristo na fé, rezando juntos, ouvindo-nos mutuamente, vivendo o amor de Cristo nas nossas relações, nós, católicos e luteranos, abrimo-nos ao poder de Deus Uno e Trino. Radicados em Cristo e testemunhando-O, renovamos a nossa determinação de ser fiéis arautos do amor infinito de Deus por toda a humanidade.

CONIC com CN Notícias / ACI Digital
Foto: L'Osservatore Romano