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Uma pesquisa do Instituto Trata Brasil e do IBOPE, realizada em 2009, mostrou que 31% da população não sabe o que é saneamento básico. Dos que afirmavam conhecer, 54% relacionavam o termo a serviços de esgoto, 28% a serviços de água, 15% a coleta de lixo e 14% a limpeza pública. Saneamento básico vai além de uma única ação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), saneamento “é o controle de todos os fatores do meio físico do homem que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre o bem estar físico, mental e social”.

Para muita gente, saneamento básico é a diferença entre saúde e a falta dela: uma criança morre a cada 3 minutos por não ter acesso a água potável, por falta de redes de esgoto e por falta de higiene. Crianças com diarreia comem menos e são menos capazes de absorver os nutrientes dos alimentos, o que as torna ainda mais vulneráveis a doenças relacionadas com bactérias. “A situação do saneamento básico no Brasil é muito ruim. Historicamente, foi uma das áreas da infraestrutura que ficaram mais esquecidas. Hoje nós não temos coleta de esgoto nem para metade da população brasileira” , afirma Édison Carlos, presidente do Trata Brasil, no site do instituto.

Compreender a importância do saneamento básico na vida da população, e buscar fazer dele um direito acessível e real a todos, é a proposta da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, que traz como tema “Casa Comum, nossa responsabilidade”, e lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5, 24), deixando claro que é obrigação de todos – sociedade, empresas públicas e privadas e os governos – a preocupação com estas questões. Para esclarecer como cada um pode fazer sua parte, a Revista Pastoral da Criança conversou com o presidente do Instituto Trata Brasil, Édison Carlos.

ACC 4794A Campanha da Fraternidade de 2016 é ecumênica, envolvendo diversas igrejas cristãs, e como sempre, quer contar com a colaboração de outras organizações da sociedade, como o Instituto Trata Brasil. Como as diferentes entidades podem colaborar para construir um cenário mais favorável para o saneamento no país?

Édison Carlos: O Trata Brasil já está colaborando, fazendo palestras para os Regionais da Conferẽncias Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) por todo o país, explicado a situação do saneamento básico no Brasil, as consequências da falta de água tratada, coleta e tratamento de esgotos para o meio ambiente e para a saúde da população, sobretudo com doenças que atingem mais as crianças pequenas. Penso que cada entidade tem que ajudar com a especialidade que possui, pois é da soma dessas especialidades que podemos ajudar a conscientizar mais pessoas.

No Brasil, menos de 50% da população tem acesso à coleta de esgoto e 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada. Como mudar essa situação?

A mudança passa por formarmos cidadãos mais informados sobre o problema e fazermos cobranças mais fortes às nossas autoridades. Atualmente, são poucas as comunidades que lutam para ter direito ao saneamento básico, que é a mais essencial das infraestruturas de um bairro ou cidade. Ao mesmo tempo, temos que cobrar mais envolvimento dos prefeitos, governadores e governo federal, com mais recursos para as obras e fiscalização nas empresas. Poucas pessoas sabem que a falta de saneamento reduz o valor de nossas casas, atrapalha o turismo, reduz as horas de trabalho das famílias, entre muitas outras consequências.

Apesar de existir uma legislação específica relacionada a saneamento básico, a lei 11.445, de 2007, vem tendo a sua implementação adiada. Por que isso acontece e o que falta para que o Brasil consiga ter qualidade no saneamento básico oferecido para sua população?

Está provado que por mais importante que seja a Lei do Saneamento, ela não está sendo suficiente para que as coisas avancem no ritmo que o país precisa. Algumas obrigações, como a de cada cidade entregar seu Plano Municipal de Saneamento Básico e a regulação dos serviços, têm sido pouco atendidas e constantemente têm seus prazos adiados pelo governo federal. Isso, muitas vezes, é um desincentivo aos municípios a cumprirem os prazos. Precisamos estimular os municípios que cumprem e colocar cláusulas mais rígidas para quem não cumpre. O Plano Municipal de Saneamento Básico deve envolver discussões por toda a cidade e, assim, planejar o futuro sanitário do município, evitando que a cidade continue crescendo sem saneamento. Já a regulação dos serviços é fundamental, porque é a fiscalização para que eles sejam feitos com qualidade.

Como é possível mudar a realidade das crianças que vivem em locais sem o mínimo de saneamento e diminuir ainda mais o índice de mortalidade infantil brasileiro?

São vários os fatores que impactam a mortalidade infantil, mas é conhecida em todo o mundo a estreita relação da falta de saneamento adequado com os altos índices de mortalidade em crianças. A redução da pobreza no Brasil tem contribuído muito para a queda nos índices, mas a lentidão do saneamento faz com que o Brasil se mantenha longe dos países mais desenvolvidos socialmente. É preciso que o saneamento seja foco principal do governo federal, mas especialmente de prefeitos e governadores, principalmente nas regiões Norte e grande parte do Nordeste, onde a lentidão dos avanços é mais acentuada.

O desastre em Mariana, Minas Gerais – que recebeu de alguns especialistas o título de pior desastre ambiental do Brasil – mostra a despreocupação de grandes empresas com a sustentabilidade e com o povo que habita a região explorada. Como promover uma consciência ambiental desde a população ribeirinha até os grandes empresários?

Precisamos implantar uma verdadeira Educação Ambiental no país; algo que esteja formalmente ligado ao Ministério da Educação e cuja didática mínima seja obrigatória, considerando toda a amplitude das questões ambientais, não somente a reciclagem de lixo. É fundamental que as crianças saibam o que é uma crise hídrica e os fatores que a agravam, a necessidade de usar racionalmente a água, de buscar informações ambientais sobre a região onde mora, de cobrar providências de seus pais e responsáveis. Criando crianças mais informadas, teremos adultos mais atentos aos possíveis problemas e não seremos tão passivos a tantas catástrofes.

O tema proposto, “Casa Comum, nossa responsabilidade”, deixa claro que a responsabilidade não é apenas de um, mas de todos, incluindo poder público e população. De que maneira cada um pode atuar para que esse compromisso seja assumido por todos os grupos da sociedade?

O brasileiro tem por cultura ser muito individualista e pouco se importar com os problemas coletivos. No caso dos serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos é comum vermos que cidadãos que moram onde existem os serviços, pouco se importarem com bairros ao lado que nada possuem. Precisamos ser mais atentos e solidários, pois os impactos da falta de saneamento vêm para todos, especialmente a poluição e as doenças. Podemos fazer uma associação com o mosquito da dengue: podemos fazer tudo certo em nossa casa, mas se o vizinho não fizer, o mosquito se prolifera e o problema pode chegar a nossa família. Se a cidade onde moro, ou o bairro ao lado, não tiver acesso aos serviços, é certo que os impactos chegarão a mim também.

Como os voluntários da Pastoral da Criança e de outras entidades podem se engajar em um movimento de mudança para o saneamento que queremos para o Brasil?

Falando com as pessoas, informando e mostrando formas de mudar essa realidade. Precisamos aprender a usar todos os canais de cobrança: juntar os vizinhos, fazer abaixo-assinado, cobrar a prefeitura, a empresa de água e esgotos, a imprensa, o Ministério Público, a Defensoria Pública, entre outras iniciativas.

A Campanha da Fraternidade acontece na quaresma, época de reflexão para os cristãos. Que gestos concretos as pessoas podem fazer já durante esse tempo?

Se organizar e iniciar debates sobre o tema. Em 2016, teremos eleições para prefeitos e vereadores, justamente as autoridades políticas mais próximas do cidadão. É importante, portanto, deixar claro para os candidatos que, tão importante quanto as promessas de levarem mais hospitais, postos de saúde e asfalto, é resolver definitivamente a falta de saneamento na cidade.

Édison Carlos é presidente Executivo do Instituto Trata Brasil. Químico industrial, o executivo é pós-graduado em Comunicação Estratégica, já tendo atuado nas áreas de tratamento de águas e efluentes. Em 2012, Édison Carlos recebeu o prêmio “Faz Diferença – Personalidade do Ano” do Jornal O Globo – categoria “Revista Amanhã” que premia quem mais se destacou na área da Sustentabilidade em todo o país.

Fonte: Pastoral da Criança
Foto: Reprodução

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No dia 02 de fevereiro, popularmente comemora-se em diversos estados do Brasil, o dia de Yemọja (Yemanjá/Iemanjá). Esta data deriva do sincretismo religioso desta divindade negra africana, principalmente com a santa católica, Nossa Senhora dos Navegantes.

Venerada como “Rainha do Mar”, Yemanjá, da contração da expressão yorùbána Yèyé omo ejá "Mãe cujos filhos são peixes", segundo a mitologia dos Òrìṣàs (Orixás) [1] é filha de Olóòkun associada ao controle dos mares, do poder e sexualidade feminina, do matriarcado e junto com Ọ̀ṣun (Oxum), possuí o título de Grande ìyába (Mãe Rainha).

Segundo D. M. Zenicola [2], "representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo".

Ela exerce um papel muito importante na vida dos pescadores: "Iemanja desempenha duplo papel. De um lado ela é a mãe que propicia a pesca abundante - que controla o movimento das águas - da qual depende a vida do pescador" [3]. Além disso, é comparada com diversas lendas folclóricas brasileiras, como da Mãe d'Água Iara e diversas histórias de sereias marítimas.

Nos cultos afro-brasileiros, a posição de grande mãe é apresentada quase como única, ofuscando e até mesmo levando a perda de características de mulher guerreira e de amante ardorosa, em função de sua associação com Nossa Senhora, a Mãe Imaculada. Nesta perspectiva, a Deusa dos Mares, deixa seu lado africano original, assumindo características europeias; "Quanto mais o papel de Iemanjá como mãe se fortaleceu, mais foi se aproximando da mãe dos católicos, Nossa Senhora, com a qual é sincretizada nas diversas regiões do Brasil”. [4]

Sendo a divindade mais conhecida das religiões de matriz africana do país, suas celebrações anuais atraem para as praias milhares de adeptas e leigas destes cultos carregando consigo diversos “presentes”.

É comum vermos pessoas colocando barquinhos para fazerem seus pedidos, e dentro deles vão as oferendas que não são biodegradáveis. No entanto, o que muitas não se perguntam é: esta oferenda realmente agradará a “Mãe dos Mares”? Vamos Pensar! A embalagem de isopor além de demorar cerca de 150 anos para ser degrado na natureza, quando em pedaços é confundido com organismos marinhos, sendo ingeridos por peixes e cetáceos, causando-lhes graves danos ao sistema digestivo ou a própria morte. Os vidros dos perfumes e garrafas de champagne, segundo dados da UNICEF [5], levam cerca de quatro mil anos para se decompor, além de causar danos à fauna marinha e riscos de ferimentos aos banhistas.

Na atualidade, vários praticantes de cultos de matriz africana já tem iniciada uma consciência de recolhimento dos objetos não biodegradáveis, logo em seguida à oferenda religiosa.

Uma manifestação mais radical vem da renomada Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá, Mãe Stella de Oxóssi, em seu artigo Presença, sim! Presente, não! afirma que, a partir deste ano, a comunidade do seu terreiro não mais colocará presentes nos mares.

Nosso desafio é compreender que podemos reverenciar o que nos é divino com cânticos ou oferendas biodegradáveis, respeitando nossa Casa Comum, e que isso não deslegitima nossos ritos ancestrais.

Na luta por justiça socioambiental, acreditamos na importância de questionamentos das praticas religiosas que visem resgatar a essência do Sagrado, contribuindo para um mundo mais sustentável e fraterno.

Yemọja ágbódò dáhùn ire
Ìyá mi,
Aseperiola.
Abẹrín èye lénu

"Yemanjá de dentro das águas, responde com o bem.
Minha mãe,
Que pode ser chamada para trazer prosperidade.
A que sorri elegantemente”.

Omi o! Odò Iyá!

Autores do artigo:

Alexandre Magno da Glória (Candomblecista)
Cristiane Alves (Candomblecista)
Integrantes da REJU – Rede Ecumênica da Juventude

 

[1] Òrìṣà (No Brasil, Orixá): Divindades representadas pelas energias da natureza, forças que alimentam a vida na terra, agindo de forma intermediária entre Deus e as pessoas, de quem recebem uma forma de culto e oferendas. Possuem diversos nomes de acordo com sua natureza. (BENISTE, José. Dicionário Yorubá-Portugês. pg. 592. 2º Ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2014).

[2] ZENICOLA, Denise Mancebo. Performance e Ritual: a dança das iabás no xirê. 1ª ed. - Rio de Janeiro: Mauad X: Faperj, 2014.

[3] VALLADO, Armando, IEMANJÁ, a grande mãe africana do Brasil. Pallas. 1 edição. p 38.

[4] VALLADO, Armando, IEMANJÁ, a grande mãe africana do Brasil. Pallas. 1 edição. p 199.

[5] UNICEF: Fundo das Nações Unidas para a Infância. Disponível em http://www.unicef.org.br/

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O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Carlos Lamachia, informou que irá entregar ainda nesta terça-feira (16) ao Conselho de Ética da Câmara um pedido para que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) seja afastado do cargo A recomendação, aprovada pelo Conselho Federal da OAB, também será entregue ao relator da Lava Jato, ministro Teori Zavascki, no Supremo Tribunal Federal (STF). Em relação ao pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, porém, a OAB encontra-se dividida.

"Não podemos ter hoje um presidente da Câmara dos Deputados com todas essas acusações e ainda podendo interferir no caso. Entendemos que a permanência dele na presidência fere o devido processo legal", disse Lamachia. Nesta terça-feira, Cunha recebeu a notificação de seu processo no STF e tem um prazo de dez dias para apresentar sua defesa.

A recomendação da OAB será entregue ao presidente do Conselho de Ética, deputado José Carlos Araújo (PSD-BA), e ao relator do caso contra Cunha no colegiado, deputado Marcos Rogério (PDT-RO).

Em dezembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ingressou com uma ação no STF solicitando afastamento de Cunha, além de pedir que o parlamentar perdesse o mandato de deputado federal.

Zavascki, porém, quer levar primeiramente ao plenário do colegiado a denúncia apresentada pela própria PGR sobre o recebimento de uma propina de US$ 5 milhões que o presidente da Câmara teria recebido para permitir a contratação de navios-sonda pela Petrobras.
Lamachia disse, ainda, que a OAB encontra-se dividida acerca de um posicionamento do impeachment da presidente Dilma. Segundo ele, enquanto parte da entidade deseja que a ordem se pronuncie a favor do afastamento, outra parte alega que não existem provas que justifiquem a ação.

"Não é o Conselho Federal, o Brasil está dividido hoje. Nós podemos ter uma parte dessa divisão maior e outra menor, mas o Brasil está dividido. Mais do que normal ter grupo de 81 conselheiros numa situação como esta, de complexidade e interpretação jurídica, que ele esteja dividido, que ele dependa de determinado tempo para formar sua convicção. Vejo de uma forma muito tranquila", disse Lamachia sobre o assunto.

"Se nós tivermos a tranquilidade de podermos mostrar para a sociedade de que a OAB vai apreciar esse e todos os demais temas, mas com a responsabilidade que a OAB e com a profundidade que o tema merece, nós vamos ter uma decisão muito mais segura e muito mais responsável frente à sociedade", completou.

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A preocupação com a epidemia de dengue e ao risco do aumento de casos de zika e chicungunha predominou nos discursos proferidos durante sessão solene do Congresso Nacional realizada nesta segunda-feira (15) no Plenário do Senado em homenagem à Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, relacionada ao direito à saúde e ao saneamento básico.

A campanha deste ano tem como tema "Casa comum, nossa responsabilidade". A exemplo de anos anteriores, a Campanha da Fraternidade é promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em conjunto com o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), da qual fazem parte, além da Igreja Católica, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, a Igreja Episcopal Anglicana, Igreja Presbiteriana Unida e a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia.

Mais de 100 milhões de pessoas carecem de serviços básicos de tratamento de esgoto e coleta de lixo no Brasil, lembraram os convidados para a sessão solene. O presidente do Senado, Renan Calheiros, lamentou os problemas e lembrou que têm facilitado a propagação de doenças como dengue, zika e chicungunha. Para ele, a campanha vai ajudar a sensibilizar a população e autoridades:

— A proliferação dengue, zika e chicungunha se deve à boa vida que temos dado ao mosquito aedes aegypti - disse o presidente do Senado, que elogiou a campanha.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), que solicitaram conjuntamente a realização da sessão solene, também falaram da facilidade com que doenças se disseminam no Brasil em razão da falta de saneamento básico. De acordo com o senador o Brasil tem colocado, historicamente, a questão do saneamento em segundo plano.

— É óbvio que o Brasil teria calamidades por conta do problema do saneamento. É positivo e alvissareiro que a CNBB tenha escolhido o tema para a campanha — disse Cristovam.

Raul Jungmann acrescentou que a carência de água potável e tratamento de esgoto aflige principalmente periferias e regiões rurais, o que evidencia as desigualdades sociais do país.

— Temos o dever e compromisso de romper com esse passado que nos leva a viver a tragédia da dengue, da zika e da chikungunya. Essas são doenças da pobreza, do descaso — avaliou.

Mobilização

O presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha lembrou as palavras do papa Francisco. O pontífice escreveu em mensagem por ocasião da abertura oficial da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 que “o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental”.

Dom Sérgio da Rocha fez ainda um apelo para que senadores e deputados aprofundem a discussão sobre saneamento básico.

— A falta de saneamento básico destrói a casa comum, a família comum que habita essa casa, especialmente os mais pobres. A falta de saneamento básico mata.

O presbítero Daniel Gonçalves Amaral Filho, da Igreja Presbiteriana Unida, conclamou toda a sociedade a se unir pela campanha e mobilizar-se em torno de planos municipais de saneamento básico e da eliminação de focos de mosquitos aedes aegypti. Ele pediu ainda consciência no uso sustentável da agua e dos recursos naturais.

— O Brasil está vivenciando uma crise hídrica e do saneamento básico. É um momento urgente de tomada de consciência por parte daqueles que se preocupam com a vida no planeta — disse.

Além de deputados e senadores, participaram da sessão solene autoridades como o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias.

Com informações da Agência Senado
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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“É preciso agir. Os céus clamam por ação comunitária, governamental e solidariedade. Como ver a lama matando gente, inundando povoados, contaminando o Rio Doce por causa da desmedida ganância de quem está se lixando para a vida e o planeta? Como assistir à quase destruição da cidade do verde, a Porto Alegre dos túneis verdes, suas árvores e parques, depois de um temporal ou tufão nunca antes visto? Como deixar um mosquito instalar-se nos corpos, picar e invadir mulheres, ver nascer meninas e meninos de cérebro diminuído, quase sem movimentos, só choros de dor, enquanto bacias, pneus, recipientes, lixo na rua criam o ‘aedes’ por falta de saneamento, consciência e cuidados? A denúncia das ações ou das não ações de governos e sociedade clama aos céus e exige piedade, meu Deus, exige, em pleno século XXI, que seres humanos, vilas, árvores, rios não sejam destruídos, não morram porque os direitos não foram respeitados, a justiça não foi feita, a Casa Comum foi violada!”

Seriam essas as palavras do profeta Amós hoje, passando por cidades e povoados, invadindo os meios de comunicação, falando em templos e palácios? Denunciaria governos, reis, impérios? Chamaria à consciência comunidades, igrejas, pessoas, a humanidade?

Amós, o profeta da justiça social, que nos revela um Deus que defende o direito dos pobres, anunciou/denunciou nove séculos antes de Cristo: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24).

Quando as igrejas que integram o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) escolheram como tema central da IV Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) ‘Casa Comum, Nossa Responsabilidade’, tendo como eixo central o saneamento básico e lema bíblico as palavras do profeta Amós, as tragédias acima descritas não tinham acontecido. Mas há outras tantas, iguais ou mais graves, nos últimos tempos. A escolha do CONIC foi profética.

Diz o texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica/2016: “O abastecimento de água potável, o esgoto sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos, o controle de meios transmissores de doenças e a drenagem de águas pluviais são medidas necessárias para que todas as pessoas possam ter saúde e vida dignas. A combinação do acesso à água potável e ao esgoto sanitário é condição para se obter resultados satisfatórios também na luta para a erradicação da pobreza e da fome, para a redução da mortalidade infantil e pela sustentabilidade ambiental. Há que se ter em mente que ‘justiça ambiental’ é parte integrante da ‘justiça social’. Segundo o relatório ‘Progresso no Saneamento e Água potável – Atualização e Avaliação dos ODMs 2015 da UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (ODMS)’, 2,4 bilhões de pessoas ficaram sem acesso ao saneamento melhorado no ano de 2015. O Índice de Desenvolvimento no Brasil foi de 0,581. Essa posição é inferior aos países desenvolvidos, mesmo frente a vários países da América do Sul. Muito embora tenhamos uma lei que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico, este tema permanece um dos grandes desafios para a qualidade de vida de todas as pessoas.”

O Objetivo geral da Campanha/2016 é: “Assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.”

Diz o texto-base: “A responsabilidade pela Casa Comum é de todos, dos governantes e da população. As comunidades cristãs são convocadas por esta Campanha da Fraternidade Ecumênica a mobilizar em todos os municípios grupos de pessoas para reclamar a elaboração de Planos de Saneamento Básico e exercer o controle social sobre as ações de sua execução.”

O papa Francisco, em mensagem lida na abertura da Campanha na Quarta-Feira de Cinzas na CNBB, escreveu: “Na Encíclica Laudato Si’, recordei que o ‘acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas, e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos’ e que a grave dívida social com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover de água limpa e saneamento as populações mais pobres. E, numa perspectiva de ecologia integral, procurei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que a ‘deterioração do meio ambiente e a da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta’. Aprofundemos a cultura ecológica. Ela ‘deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático’.”

D. Flávio Irala, da Igreja Anglicana do Brasil (IEAB) e presidente do CONIC, falou, no lançamento da Campanha, que é preciso fechar o abismo que existe entre ricos e pobres e que “podemos ter justiça e podemos ter paz”.

O texto-base da Campanha da Fraternidade Ecumênica/2016 está construído no método Ver, Julgar, Agir. Nas ações, a CFE propõe: cada um conhecer a realidade na sua casa, bairro, cidade; participar e assumir responsabilidades com o espaço onde se habita; educar para a sustentabilidade; conhecer as estruturas legais existentes e implementar a política pública de saneamento básico existente; ir além do urbano, também para a área rural; agir nos espaços condominiais; fazer o reuso da água; canalizar a água da chuva; construir uma nova lógica e novas práticas; estimular o papel dos meios de comunicação na construção de novas lógicas de relacionamento com o meio ambiente, realizando campanhas educativas.

Nada impossível de ser feito. São gestos concretos, que cada um pode fazer na sua casa, ambiente de trabalho, comunidade, e cada governo, se for responsável e pensar no futuro, pode assumir como compromisso e implementar. Aliás, as eleições municipais estão aí e são um bom momento de fazer o debate do Cuidado com a Casa Comum e hora do/a eleitor/a cobrarem programas de governo e propostas concretas.

As palavras do profeta Amós, um pastor de um pequeno povoado uns nove quilômetros ao Sul de Belém, não são apenas denúncia para aqueles tempos. São denúncia e anúncio em tempos de zika e microcefalia, de temporais e inundações, de barragens que se rompem, de multidões que vagam sem pátria, de ganância. O direito muitas vezes não tem brotado como fonte. Os riachos estão secando à nossa volta e a justiça está por ser construída.   

Autor: Selvino Heck

Diretor do Departamento de Educação Popular e Mobilização Cidadã
Secretaria Nacional de Articulação Social
Secretaria de Governo da Presidência da República
Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política

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Desenvolver uma vacina contra a ação do zika vírus, que causa microcefalia em bebês, é um dos objetivos de uma agenda positiva criada pelos Estados Unidos, em parceria com entidades científicas brasileiras. A informação da agenda, publicada pela Agência Brasil, foi comunicada pelo Instituto Norte-Americano de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid), organização que coordena pesquisas para combater doenças infecciosas, imunológicas e alérgicas.

De acordo com o embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Luiz Alberto Figueiredo Machado, a cooperação entre instituições norte-americanas e brasileiras de pesquisa já vinha ocorrendo para combater a dengue. Segundo ele, a ampliação dessa cooperação, com o objetivo de incluir o combate ao zika, foi o assunto mencionado no telefonema da presidenta Dilma Rousseff ao presidente Barack Obama, em 29 de janeiro último. “O vírus zika gerou uma crise [de saúde] global e tem de ser atacado por todos os meios possíveis”, disse o embaixador.

O governo norte-americano pediu autorização do Congresso para a liberação de US$ 1,8 bilhão para combater o vírus zika. Parte desse dinheiro (US$ 41 milhões) será alocada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos em outros países. Sobre o repasse ao Brasil, os recursos serão transferidos para o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que vai aplicar o dinheiro na melhoria do diagnóstico do vírus, na implementação de equipamentos de controle da doença e no treinamento dos profissionais que lidam com as pessoas afetadas.

O diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Tom Frieden, considera importante a aprovação desses recursos emergenciais. No entanto, ele alerta para a necessidade de que sejam adotados procedimentos práticos e imediatos: "Reduzir a ameaça do zika não vai ser rápido ou fácil", disse Frieden. E acrescentou: "É muito difícil para um país se livrar dos mosquitos que transmitem o vírus, e a aparente conexão com microcefalia é sem precedentes”.

Segundo Frieden, “a prioridade agora é reduzir o risco para as mulheres grávidas, para que possam proteger a sua saúde e a de seus bebês".

O zika atualmente está circulando em cerca de 30 países, especialmente na América Latina e no Caribe. A necessidade do desenvolvimento da vacina contra o vírus foi mencionada também em uma declaração conjunta, assinada por representantes do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Brasil, em Manaus, em dezembro de 2015.

Desde então, técnicos dos dois institutos vêm se reunindo frequentemente com o objetivo de aprofundar as pesquisas sobre o tema, informou o Niaid. As discussões entre as duas entidades ganharam relevância à medida que, coincidentemente, a epidemia se espalhou no Brasil e em outros países – no início deste ano.

A colaboração entre autoridades norte-americanas e cientistas brasileiros não se resume ao Instituto Fiocruz. Segundo o Niaid, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o CNPq, o Instituto Butantã e várias universidades brasileiras vêm mantendo colaboração, em diversos níveis, com entidades de saúde norte-americanas visando a combater a doença.

Na etapa atual, anterior à aprovação dos recursos emergenciais para combater a epidemia da doença, solicitada pelo presidente Barack Obama, o orçamento para as pesquisas sobre o zika e outros vírus similares corresponde a US$ 100 milhões. De acordo com o Niaid, trata-se de um orçamento “limitado” devido ao fato de o zika ser um fenômeno emergente, que ganhou contornos de preocupação mundial nos últimos meses.

Em 2015, o Niaid disponibilizou US$ 17 milhões para apoiar os cientistas brasileiros em projetos colaborativos de pesquisas na área de doenças infecciosas. Com o alastramento do vírus zika, porém, os cientistas brasileiros podem tentar se associar a outros projetos. O Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), por exemplo, acaba de anunciar que vai incluir, entre suas prioridades, o financiamento para investigar como a infecção pelo vírus zika pode afetar a reprodução, a gestação e o desenvolvimento do feto.

O NIH é uma agência de pesquisa médica que engloba 27 institutos e centros de saúde em território norte-americano.

Uma das prioridades do programa é estabelecer de forma conclusiva o papel que o vírus zika desempenha no aumento dos casos de microcefalia. No Brasil, mais de 4 mil casos de microcefalia foram registrados desde outubro de 2015. Em 2014, houve apenas 147 casos conhecidos da doença. Além disso, os cientistas querem saber se há outros fatores que provocam a microcefalia.

Transmissão

O programa vai analisar também se o zika pode ser sexualmente transmissível. A investigação permitirá saber se os governos devem adotar políticas para evitar a propagação do vírus por meio do sexo. Além disso, os estudos podem indicar se o zika representa perigo para a fertilização in vitro e outras técnicas de reprodução assistida.

Fonte: Portal Brasil com informações da Agência Brasil
Foto: Venilton Kuchler/ ANPr

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papaCFE

“Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida”, escreveu o papa Francisco, em mensagem, por ocasião da abertura oficial da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016. Durante evento realizado, na Quarta-feira de Cinzas, 10, na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi lido o texto enviado pelo Vaticano.

Na mensagem, o papa Francisco destaca que a Campanha da Fraternidade, deste ano, trata de uma temática importante para a vida do planeta, parabenizando a Conferência dos Bispos pela iniciativa. “O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”, disse o papa.

Ainda no texto, Francisco convida a todos para a vivência da Quaresma, a partir de ações concretas de cuidado com o meio ambiente: “Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos ‘a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor’ e descobrimos que Jesus quer ‘que toquemos a carne sofredora dos outros’, dedicando-nos ao ‘cuidado generoso e cheio de ternura’ de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação”.

Confira a íntegra da mensagem:

Mensagem do Papa Francisco por ocasião da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016

Queridos irmãos e irmãs do Brasil!

Em sua grande misericórdia, Deus não se cansa de nos oferecer sua bênção e sua graça e de nos chamar à conversão e ao crescimento na fé. No Brasil, desde 1963, se realiza durante a Quaresma a Campanha da Fraternidade. Ela propõe cada ano uma motivação comunitária para a conversão e a mudança de vida. Em 2016, a Campanha da Fraternidade trata do saneamento básico. Ela tem como tema: “Casa comum, nossa responsabilidade”. Seu lema bíblico é tomado do Profeta Amós: “Quero ver o direito brotar como fonte e a justiça qual riacho que não seca”. (Am 5, 24).

É a quarta vez que a Campanha da Fraternidade se realiza com as Igrejas que fazem parte do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic). Mas, desta vez, ela cruza fronteiras: é feita em conjunto com a Misereor, iniciativa dos católicos alemães que realiza a Campanha da Quaresma desde 1958. O objetivo principal deste ano é o de contribuir para que seja assegurado o direito essencial de todos ao saneamento básico. Para tanto, apela a todas as pessoas convidando-as a se empenharem com políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum.

Todos nós temos responsabilidade por nossa Casa Comum, ela envolve os governantes e toda a sociedade. Por meio desta Campanha da Fraternidade, as pessoas e comunidades são convidadas a se mobilizar, a partir dos locais em que vivem. São chamadas a tomar iniciativas em que se unam as Igrejas e as diversas expressões religiosas e todas as pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis, e para a sustentabilidade ambiental.

Na encíclica Laudato Si´, recordei que “o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos” (n.30) e que a grave dívida social para com os pobres é parcialmente saldada quando se desenvolvem programas para prover da água limpa e saneamento as populações mais pobres (cf. ibid.) E, numa perspectiva de ecologia integral, procurarei evidenciar o nexo que há entre a degradação ambiental e a degradação humana e social, alertando que “a deterioração do meio ambiente e da sociedade afetam de modo especial os mais frágeis do planeta” (n. 48).

Aprofundemos a cultura ecológica. Ela não pode se limitar a respostas parciais, como se os problemas estivessem isolados. Ela “deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático” (Laudato Si´, n. 111). Queridos irmãos e irmãs, insisto que o rico patrimônio da espiritualidade cristã pode dar uma magnífica contribuição para o esforço de renovar a humanidade. Eu os convido, principalmente durante esta Quaresma, motivados pela Campanha da Fraternidade Ecumênica, a redescobrir como nossa espiritualidade se aprofunda quando superamos “a tentação de ser cristãos, mantendo uma prudente distância das chagas do Senhor” e descobrimos que Jesus quer “que toquemos a carne sofredora dos outros” (Evangelii Gaudium, n. 270), dedicando-nos ao “cuidado generoso e cheio de ternura” (Laudato Si´, n. 220) de nossos irmãos e irmãs e de toda a criação.

Eu me uno a todos os cristãos do Brasil e os que, na Alemanha, se envolvem nessa Campanha da Fraternidade Ecumênica, pedida a Deus: “ensinai-nos a descobrir o valor de cada coisa, a contemplar com encanto, a reconhecer que estamos profundamente unidos com todas as criaturas no nosso caminho para a vossa luz infinita. Obrigado porque estais conosco todos os dias. Sustentai-nos, por favor, na nossa luta pela justiça, o amor e paz (Laudato Si´, n. 246). Aproveito a ocasião para enviar a todos minhas cordiais saudações com votos de todo bem em Jesus Cristo, único Salvador da humanidade e pedido, que, por favor, não deixem de rezar por mim.

Papa Francisco

Com informações da CNBB
Foto: Reprodução CNBB

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A presidenta Dilma Rousseff fez hoje (10) um apelo a todas as igrejas cristãs para que mobilizem os fiéis no combate ao mosquito transmissor do vírus Zika.

Dilma recebeu esta tarde, no Palácio do Planalto, líderes de diferentes denominações religiosas para pedir que ajudem na orientação à sociedade sobre o trabalho para eliminar os criadouros do Aedes aegypti, que também transmite a dengue e a febre chikungunya.

A presidenta destacou que as lideranças religiosas possuem credibilidade para engajar os fiéis no combate ao inseto, evitando o acúmulo de água parada em casa. Segundo o governo, dois terços dos focos do mosquito estão localizados em residências.

Mais cedo, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lançaram a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, cujo objetivo é alertar sobre o direito de todas as pessoas ao saneamento básico e debater políticas públicas e ações que garantam a integridade e o futuro do meio ambiente.

De acordo com o bispo dom Flávio Irala, presidente do CONIC, Dilma lançou fez o convite e lançou um “desafio” para que as congregações ajudem na mobilização. “Historicamente, somos deficitários quanto à questão do saneamento básico. Mas a gente vê uma grande vontade e um grande investimento que já tem sido feito pelo atual governo no sentido de resolver esse sério problema”, disse.

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O bispo disse que o cuidado com o espaço comum também é de responsabilidade dos moradores, e não somente do Poder Público, e que o objetivo da campanha é fazer um “grande chamado” para que os cristãos participem dos conselhos municipais e cobrem melhorias no saneamento. Segundo o presidente da Aliança Batista do Brasil, Joel Zeferino, o tema ainda é um “grande problema” que não foi resolvido no Brasil.

“Antes da epidemia do Zika, nós temos milhares de outros problemas relacionados ao saneamento básico. As crianças ainda morrem de diarreia. Embora o Brasil tenha uma grande cobertura de água potável, ainda há locais onde as pessoas não têm acesso à água potável, e isso também mata as pessoas. É preciso que a sociedade cobre dos Poderes Públicos, sobretudo os municipais, sobre o investimento de recursos para solucionar o problema”, disse.

O arcebispo núncio apostólico da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Titus Paulo Tuza, disse que vai orientar os padres da sua religião, que possui cerca de 200 mil fiéis, para que dediquem cinco minutos de cada celebração a orientarem as pessoas sobre a necessidade de se evitar o acúmulo de lixo e de água parada em casa.

Com informações da EBC
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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“O acesso à água potável e ao esgotamento sanitário é condição necessária para a superação da injustiça social e para a erradicação da pobreza e da fome, para a superação dos altos índices de mortalidade infantil e de doenças evitáveis e para a sustentabilidade ambiental”. Com essa mensagem, o papa Francisco convida as pessoas a se mobilizarem, a partir de suas comunidades, para promoção da Justiça e do direito ao saneamento básico, na Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.
 
Lançada hoje (10) pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e pela pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Campanha vai alertar sobre o direito de todas as pessoas ao saneamento básico e debater políticas públicas e ações que garantam a integridade e o futuro do meio ambiente. Com o tema “Casa comum, nossa responsabilidade” e o lema “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, a Campanha também vai tratar do desenvolvimento, da saúde integral e da qualidade de vida dos cidadãos.
 
O presidente do CONIC, dom Flávio Irala, disse que tratar do tema é fundamental porque nem sempre tem visibilidade nas propostas públicas e nos movimentos sociais. “Nos preocupamos com o fato de que mais da metade da população permaneçam sem acesso à rede de coleta de esgoto e que apenas 40% dos esgotos sejam tratados. Nenhuma pessoa deve ser privada do acesso aos benefícios do saneamento básico em função da sua condição socioeconômica. O acesso ao saneamento promove a inclusão social e a garantia dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos e dos inibidores de doenças, como cólera, febre amarela, chikungunya, dengue, diarreia, bem como para evitar a proliferação do vírus Zika”, disse.
 
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Dados divulgados pelo CONIC mostram que, mesmo estando entre as maiores economias do mundo, o Brasil tem mais de 100 milhões de pessoas sem saneamento básico.
 
O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, também esteve na CNBB e disse que o governo federal fará sua parte para dar todo apoio à campanha. “É fundamental que possamos continuar investindo cada vez mais, para que tenhamos condições de combater epidemias, que possamos levar qualidade de vida e dignidade às pessoas”, afirmou.
 
Realizada no Brasil desde 1963, esta é a quarta vez que a Campanha da Fraternidade é lançada pela CNBB junto com o CONIC - as outras ocorreram em 2000, 2005 e 2010. Este ano, a campanha ecumênica conta também com o apoio da Misereor, entidade da Igreja Católica na Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento de países da Ásia, da África e da América Latina.
 
Audiência com presidente Dilma
 
Na parte da tarde, membros da diretoria do CONIC e das igrejas envolvidas na CFE 2016 tiveram uma audiência com a presidenta Dilma Rousseff. Na ocasião, foi entregue a ela uma Declaração Ecumênica cujo teor pode ser conferido na íntegra, a seguir:
 
SOBRE O SANEAMENTO BÁSICO COMO DIREITO HUMANO FUNDAMENTAL
CASA COMUM, NOSSA RESPONSABILIDADE

“Quero ver o direito brotar como fonte e
correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am 5.24)
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e a MISEREOR, organização dos bispos católicos romanos da Alemanha assumem conjuntamente a perspectiva do direito à água potável e saneamento básico, que fazem parte dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS).
 
Essa parceria expressa nossa convicção de que estamos vivendo Numa Casa Comum e que temos responsabilidades conjuntas para enfrentar os grandes desafios da humanidade: fome e miséria, justiça e liberdade, direitos humanos para todas as pessoas e a luta por justiça climática. Entendemos que a nossa responsabilidade é comum e diferenciada, como foi dito na Conferência do Rio 1992.
 
A Campanha da Fraternidade Ecumênica está em consonância com a Encíclica Laudato Sí’: sobre o cuidado com a Casa Comum do Papa Francisco, com a Peregrinação por Justiça e Paz do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e com a convocação feita pela Organização das Nações Unidas (ONU), para que religiões colaborem para a promoção de mudanças de valores no que diz respeito ao meio ambiente.
 
O objetivo dessa Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) é o de “assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenharmo-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro de nossa Casa Comum”.
 
A dimensão ecumênica fortalece a compreensão de que o diálogo e a ação conjunta entre igrejas e religiões são necessários e possíveis. A IV CFE coloca-se na contramão da competição e da intolerância religiosas. É um apelo dirigido para todas as pessoas religiosas e de boa vontade para que contribuam com suas capacidades para a promoção da boa convivência, da justiça, da paz e do cuidado com a Casa Comum, nosso planeta terra. Inspiramo-nos no versículo de Am 5.24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca.” e
 
Compreendemos que:
 
- A água de qualidade e o saneamento básico são bens essenciais para a concretização de todos os direitos humanos, conforme resolução da ONU A/RES/64/291. Nenhuma pessoa, portanto, deve ser privada do acesso aos benefícios do saneamento básico em função de sua menor condição socioeconômica;

- O acesso ao saneamento deve ser considerado um bem de caráter público, destinado à inclusão social e garantia da qualidade de vida;
 
- O país só alcançará a universalização do saneamento básico por meio de redobrados investimentos públicos. Sua gestão também deve ser pública. O fornecimento de água deve ser contínuo e suficiente para os usos pessoal, doméstico, comercial e industrial.
 
- O saneamento básico precisa ser priorizado como uma ação de combate à miséria, buscando a preservação do meio ambiente e a manutenção da saúde pública em níveis adequados;
 
- O acesso ao saneamento básico é um dos principais instrumentos de proteção da qualidade dos recursos hídricos, de inibidores de doenças como diarreia, cólera, febre amarela, chikungunya dengue, zika;

- A construção de grandes obras, como hidroelétricas, não deve ser executada sem o pleno cumprimento da Convenção 169/OIT e sem um planejamento que inclua os serviços de saneamento básico;

- O desperdício de água atinge principalmente as pessoas economicamente vulneráveis. Nesse sentido, é inadmissível que, em meio à mais grave crise hídrica já vivida por nosso país, em especial no Nordeste e no Sudeste, continue-se perdendo aproximadamente 40% da água tratada e potável nos sistemas de distribuição, seja por vazamentos ou ligações clandestinas.  Fortalecer a cultura do não desperdício é um desafio;

- É necessário ouvir as mulheres no processo de implementação das políticas de saneamento básico, tendo em vista que são elas as principais usuárias e cuidadoras da água para consumo doméstico e para a agricultura de subsistência. Também são as mulheres que desempenham as tarefas de educação das crianças e cuidado com a saúde familiar;

- A coleta seletiva do lixo precisa ser ampliada, pois é importante para a destinação e tratamento adequados dos resíduos e para a reciclagem, que beneficia mais de um milhão de recicladores no país;

- É importante a valorização dos Comitês de Bacias Hidrográficas para fortalecer a coordenação entre os municípios nas ações relacionadas ao saneamento básico.

Preocupa-nos:

- O avanço lento dos serviços de saneamento básico no país, apesar dos esforços do governo federal, dos governos estaduais e municipais realizados nos últimos anos;

- Que mais da metade da população permaneça sem acesso às redes de coleta de esgotos e que apenas 40% dos esgotos coletados sejam tratados;

- A situação do saneamento na Região Norte e Nordeste. Na região Norte, menos de 10% dos habitantes tem acesso à coleta de esgoto e na região Nordeste, menos de 25%;  

- A falta de clareza sobre como avançar de forma mais efetiva nos serviços de saneamento básico nas áreas rurais, indígenas, quilombolas, áreas irregulares, semiárido brasileiro, entre outras populações excluídas;

- A falta de uma política de Educação Ambiental, coordenada pelo Ministério da Educação, voltada para as crianças em relação aos temas da água, do esgotamento sanitário, da produção, coleta e destino final dos resíduos sólidos;

- A degradação de rios, lagos, reservatórios e praias pelo lançamento indiscriminado de esgotos. Este é o caso dos rios Paraíba (SP e RJ), Tietê, Pinheiros (SP), Baía da Guanabara (RJ), Rio Ipojuca (PE), Iguaçu (PR), dos Sinos (RS), das Velhas (MG), Doce (MG e ES), São Francisco (MG, BA, PE, SE, AL), sem falar de toda a bacia amazônica;

- A existência dos chamados “rios mortos de Classe 4” na legislação brasileira. Esses rios recebem os esgotos com pouco ou nenhum tratamento;

- A construção das nove usinas hidroelétricas previstas para o rio Tapajós, no Pará sem o cumprimento da Convenção 169 da OIT. Tais obras geralmente não consideram a ampliação dos serviços de saneamento básico;

- Os recentes cortes no Orçamento Geral da União que impactam nas políticas de universalização do saneamento básico. Referimo-nos aos cortes de 3,7 bilhões no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o corte de recursos não onerosos de 50% no Ministério das Cidades e a redução de aproximadamente 70% na Fundação Nacional da Saúde (FUNASA), responsável por subsidiar as ações de saneamento básico nos municípios de pequeno porte.
 
Comprometemo-nos a:
 
- Estimular nossas igrejas, comunidades eclesiais, organismos ecumênicos a se mobilizarem em favor dos Planos Municipais de Saneamento básico;

- Incentivar o consumo responsável dos dons da natureza, em especial da água;

- Apoiar e fortalecer as mobilizações que têm como objetivo a eliminação de focos de mosquitos transmissores da dengue, da febre chikungunya e do zika;

- Incentivar o cultivo de valores espirituais que fortaleçam o cuidado com o planeta;

- Contribuir para a difusão de uma cultura de não desperdício, em especial da água e dos alimentos;

- Contribuir para que catadores e catadoras que trabalham na coleta seletiva do lixo sejam respeitados e respeitadas como cuidadores e cuidadoras especiais do meio ambiente;

- Assumir, em irmandade ecumênica, a corresponsabilidade na construção de um mundo sustentável e justo para todas as pessoas.
 
Brasília, 10 de fevereiro de 2016.
 
CONIC com informações da EBC
Fotos: Elza Fiuza/Agência Brasil
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Mensagem do Rev. Dr Olav Fykse Tveit, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, por ocasião do lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.
 
Queridas irmãs, queridos irmãos do Brasil,
Saudações de Genebra, da comunhão do Conselho Mundial de Igrejas!
 
Hoje, compartilhamos do seu entusiasmo com o lançamento da Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano.
 
Seu tema, “Casa Comum”, nos lembra que a comunidade humana está inserida numa comunidade mais ampla na Terra, que, por sua vez, é parte da morada da vida de Deus.
 
O cuidado com a paz, a justiça e o bem comum da família humana, assim como o cuidado com o bem estar de todas as formas de vida em amor e solidariedade, são preocupações de todas as pessoas.
 
Confrontados com uma crise múltipla da vida, começamos a ver a profunda necessidade de mudança e transformação.
 
Sabemos que ações unilaterais isoladas de países não são suficiente para confrontar os problemas mais profundos.
 
É hora daqueles que formam o discurso moral acerca dos valores sustentáveis para a Terra verem que temos possibilidades e que podemos fazer muito mais pelo futuro do nosso planeta.
 
Não é hora de tornar os países ricos mais sustentáveis e os mais pobres e subdesenvolvidos ainda menos.  
 
Temos que encontrar uma maneira de fechar o abismo que existe entre ricos e pobres.
 
Temos razões para acreditar que as mudanças são possíveis. E vemos que algumas já estão acontecendo. Vemos que muitos mudaram suas prioridades.
 
Muitos estão conosco, física ou simbolicamente, na peregrinação de justiça e paz.
 
Então, o tema da sua Campanha da Fraternidade Ecumênica também aponta na direção de que podemos ter justiça e que podemos ter paz.  
 
Acreditamos que Deus, o Criador, nos deu esta responsabilidade – mas também esta capacidade de mudança.
 
Que Deus os abençoe. Obrigado.
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