wicas new york csw interfaith collaboration

“A colaboração inter-religiosa entre a Federação Luterana Mundial (FLM) e a agência Islamic Relief Worldwide (IRW, sigla em inglês) é um exemplo concreto de articulação que vai muito além de plataformas de incidência. Tem um papel central na resposta aos desafios da justiça de gênero”, afirmou a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), organização diaconal ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastora Cibele Kuss. A fala foi proferida em um dos painéis organizados pela FLM, por meio da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS, sigla em inglês), durante a 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher, realizado na sede da ONU, em Nova Iorque, EUA, de 14 a 24 de março.

Cibele e as demais delegadas da FLM defendem uma maior colaboração entre a ONU e organizações da sociedade civil baseadas na fé, para tratar de temas que afetam o empoderamento das mulheres e o desenvolvimento sustentável, que orientou a sessão da Comissão do Status da Mulher este ano.

Representantes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), da Associação Mundial de Jovens Mulheres Cristãs e da Federação dos EUA para a Paz no Oriente Médio participaram do painel.

A assessora de gênero da IRW, Sharifa Abdulaziz, disse que “a fé é um componente integral do tecido social e é considerada por muitas pessoas como a principal força para provocar mudanças em comunidades”. Uma parceria firmada em 2014 entre a FLM e a IRW no Nepal ajudou no trabalho de apoio às pessoas que perderam suas casas e seu sustento, no terremoto de abril de 2015, e também junto a refugiadas e refugiados sírios que vivem na Jordânia.

Por sua vez, a secretária executiva da FLD citou que o UNFPA apoiou, em 2015, uma ação inter-religiosa de incidência, relacionada com a Campanha dos 16 dias de Ativismos pelo fim da Violência contra a Mulher, que enfocou o casamento infantil, seu impacto na educação das meninas e o papel da fé nessas realidades tão desafiadoras.

Cibele, que é membro do Conselho da FLM, lembrou que racismo, intolerância religiosa e outras formas de discriminação acentuam e reproduzem desigualdades no Brasil. Os grupos que têm sofrido injustiças incluem, na sua maioria, afrodescendentes, povos indígenas e comunidades de diferentes orientações sexuais. De acordo com ela, a escalada da violência contra esses grupos é alimentada por membros da Câmara e do Senado federais, que apoiam fundamentalistas cristãos, em um cenário religioso que está em mutação no país.

Dra. Azza Karam, assessora sênior para a Cultura do UNFPA, disse que a situação no Brasil reafirma sua convicção da necessidade de troca de experiências sobre intolerâncias religiosas, especialmente na perspectiva Sul-Sul.

Concluindo, Cibele disse que a Política de Justiça de Gênero da FLM, de 2013, ajudou a Fundação Luterana de Diaconia a desenvolver um documento similar em 2014. “Tem sido uma ferramenta poderosa para assegurar que nossas outras políticas, como uma organização baseada na fé, sejam construídas a partir da justiça de gênero”.

A secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), pastora Cibele Kuss, participou da 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher como uma das seis delegadas da Federação Luterana Mundial (FLM), através da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS), que tem presença histórica nas sessões da comissão, assim como outras organizações baseadas na fé.

Fonte: www.lutheranworld.org / Fotografia: LWF/C. Rendón
Tradução: Susanne Buchweitz

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Uns vão à missa, outros ao terreiro, outros ao culto e a outros ritos. Em comum, a defesa de valores que dignificam o homem, e entre eles a democracia. Contrários à utilização do impeachment para legitimar o afastamento da presidente Dilma, violando a vontade popular, religiosos de diferentes credos realizam um ato amanhã, quata-feira, às 18h, no Auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados, em defesa da democracia. Dele vão participar povos indígenas, povos de terreiros, budistas, espíritas, cristãos católicos e protestantes, evangélicos pentecostais, entre outros.

A iniciativa é do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC, Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB e Comitê pró-democracia no Congresso Nacional.

Segue o manifesto.

Manifesto de Religiosas e Religiosos em Defesa da Democracia

“Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”.
Artigo 1ª da Declaração Universal de Direitos Humanos.

Pertencemos a várias tradições religiosas. Queremos, com o nosso testemunho, contribuir para o diálogo e para a superação da crise pela qual passam o Brasil e diversos países da América Latina. Em nossas tradições a justiça é sagrada e sustenta a vida em igualdade. Os princípios que nos orientam não admitem que a avaliação de um grupo social se sobreponha ao outro, determinando, a partir de seus critérios e interesses, se um governo é bom ou ruim. Todos somos filhas e filhos do Criador. Por isso, todas as pessoas são portadoras dos mesmos direitos de avaliação e as mesmas obrigações com o bem comum e o bem viver, buscando o fortalecimento para irmãs e irmãos, companheiras e companheiros que vivem o seu testemunho em coerência com o projeto de igualdade e justiça.

Colocamo-nos em comunhão com todas as pessoas perseguidas por causa do seu compromisso pela paz, pela justiça social e por um novo mundo possível. Por isso, afirmamos ser como dores de parto, portadora de uma vida nova. Que essa experiência de dor nos ajude a rever os erros cometidos pelas instituições e poderes constituídos e por nós mesmos. Como pessoas de diferentes tradições religiosas, nem sempre cumprimos a missão de permanecer vigilantes para cuidar do exercício da Política e de seu papel de garantir direitos e promover o bem comum.

Que esse tempo nos encoraje para as autocríticas necessárias. Não nos deixemos tomar pelo desânimo e pessimismo. Repudiamos as manifestações de ódio, violência e intolerância que os meios de comunicação e a elite desse país têm insuflado a população. Não concordamos com a judicialização da política, com a partidarização da justiça e com a espetacularização de ações judiciais. Essas são práticas que contribuem para o descrédito das instituições e o acirramento de posições polarizadas, o que leva a população brasileira a desacreditar na justiça. Optamos por manter o respeito a quem pensa diferente. Defendemos o direito ao pluralismo democrático e ao contraditório. Sejamos fiéis ao diálogo sincero, mesmo com quem tem posições políticas contrárias às nossas.

Lembramos que a corrupção, infelizmente, é antiga. Ela é inerente ao espírito do capitalismo, competitivo e individualista.espírito do capitalismo, competitivo e individualista. Devemos nos empenhar para a superação dessa prática, nas esferas pública, empresarial e pessoal. Mas o combate à corrupção não pode ser um pretexto, como em diversas vezes na história do Brasil, para legitimar golpes de Estado que acarretaram perseguições e sofrimento para o povo.

Reconhecemos que, além das causas decorrentes de situações que são da realidade nacional, há sinais claros de interferências e patrocínios, oriundos de interesses internacionais. Esses interesses visam desestabilizar nossos países, quando nossas nações buscam independência política e econômica. Portanto, o que está acontecendo no Brasil não pode ser desvinculado das intervenções golpistas como as que aconteceram em Honduras e no Paraguai. Na Argentina, decisões judiciais a serviço dos interesses de corporações internacionais acarretaram prejuízos graves para aquele país. Vemos também a realidade brasileira ligada às tentativas de desestabilizar os governos da Bolívia, Venezuela, Equador e outros do continente.

Expressamos o nosso compromisso com as pessoas em situações de vulnerabilidade: quilombolas, ciganos, matriz africana, seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco-de-babaçu, comunidades de fundo de pasto, faxinalenses, pescadores artesanais, marisqueiras, ribeirinhos, varjeiros, caiçaras, praieiros, sertanejos, jangadeiros, açorianos, campeiros, varzanteiros, pantaneiros, caatingueiros, negras e negros, povos indígenas, mulheres, juventude da periferia, trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo, LGBTTs, população idosa, pessoas com deficiência, entre outros que poderão ser profundamente impactados com os ajustes econômicos e com a ruptura da ordem democrática e do Estado de Direito.

A democracia é essencial para a convivência e a coexistência entre diferentes religiões, grupos e pessoas não religiosos. Por isso, permaneceremos vigilantes. É com a democracia que aprendemos a ser tolerantes com o outro. No entanto, nossas experiências de fé nos desafiam a irmos para além. Devemos caminhar em direção ao reconhecimento do direito do outro à existência .

Vamos fortalecer o diálogo e anunciar a paz!

Clique aqui e veja de quem assinou.

Clique aqui e assine a lista no Avaaz.

Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

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Queridas irmãs e irmãos das comunidades cristãs brasileiras!

“Chamados e chamadas para proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pe2.9). Este é o lema bíblico que inspira a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016.

A Semana de Oração foi preparada pelas Igrejas da Letônia. Participaram diretamente do processo de elaboração do material as Igrejas: Católica Apostólica Romana, Luterana, Ortodoxa e Batista.

O povo letão, no final do século XIX e primeira metade do século XX, foi obrigado a migrar por ocasião da ocupação russa. Parte dessa migração ocorreu por causa da perseguição religiosa. A Letônia foi submissa aos czares, que tentaram impor a religião oficial como expressão de fé. As pessoas de outras expressões religiosas, entre elas Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã, foram perseguidas.

Essa realidade mudou com o passar do tempo. Hoje, a Letônia é bem diferente. É possível o convívio entre diferentes expressões de fé. A realização e preparação da Semana de Oração pela Unidade é o exemplo concreto disso.

Nossos irmãos e nossas irmãs da Letônia escolheram o texto do apóstolo Pedro, que lembra que nós, pessoas batizadas, somos “chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”. Proclamar os altos feitos de Deus significa não esquecermos a perspectiva de que através do Batismo que somos declarados filhos e filhas de Deus. O Batismo jamais deve ser banalizado. Ele é um sacramento que nos apresenta o desafio permanente de praticarmos e proclamarmos o amor gratuito de Deus pela humanidade. Uma das formas de proclamar esse amor é assumindo posturas de diálogo e de acolhida, em especial, com as pessoas que são diferentes de nós: de outras igrejas, religiões e culturas.

O ano de 2015 foi caracterizado pelas ondas migratórias. Também no início deste ano, vimos, na Europa, migrantes e refugiados desesperados em busca de novas condições de vida. Seus países foram destruídos por guerras e catástrofes ambientais. Alguns países optaram por fechar suas fronteiras para evitar a entrada de migrantes. Outros estão pensando nessa possibilidade.

No Brasil, a situação não é tão dramática como é na Europa. Mas também aqui aumentou o número de pessoas migrantes e refugiadas. Muitas delas buscam o nosso país na esperança de encontrar amparo e resgatar a dignidade de vida. Infelizmente, no ano de 2015, alguns migrantes foram agredidos e sofreram preconceito. Atitudes racistas e preconceituosas não são coerentes com os altos feitos de Deus. Também é oportuno lembrar que é expressivo o número de grupos étnicos que, em tempos idos, vieram ao Brasil por razões de fome e guerra, aqui encontrando acolhida e amparo.

O Batismo nos conclama ao respeito pelo migrante. Mais do que tolerantes, precisamos ser respeitosos. A tolerância deveria ser uma convicção passageira. Ela deveria conduzir ao reconhecimento do direito à dignidade que é inerente a cada ser humano.

Somos chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor! Que essa proclamação se traduza em posturas de diálogo, acolhida e respeito para com aquelas pessoas que vêm ao nosso país em busca de novas oportunidades de vida.

Que nossas Igrejas sejam motivadas para esse testemunho permanente de acolhida!

Na unidade de Cristo,

Dom Leonardo Ulrich Steiner (Secretário Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil)
Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich (Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil)
Dom Francisco de Assis da Silva (Bispo Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)
Presbítero Wertson Brasil de Souza (Moderador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil)
Dom Paulo Titus (Arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia)

PEDIDOS para materiais da SOUC 2016

Para assuntos relativos à SOUC, o CONIC criou um e-mail específico
(inclusive para pedidos de materiais): 
souc2016@gmail.com.

Tema da SOUC

Proclamai os altos feitos do Senhor” (1Pe 2,9) é o tema da Semana de Oração deste ano. A proposta foi elaborada pelo movimento ecumênico da Letônia e adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC).

Confira o cartaz da SOUC 2016:

logo souc definitiva

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pascoa tumulo aberto 08567

“Quero ver o direito brotar como fonte
e correr a justiça qual riacho que não seca.” (Am5.24)

Queridas irmãs e queridos irmãos de peregrinação ecumênica,

Queremos agradecer por essa Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE). Muito nos alegraram as experiências relatadas, as fotografias que foram enviadas. As cartas das crianças, que foram estimuladas a pensar sobre o cuidado com a Casa Comum a partir do material da CFE, foram sinais de esperança. Os relatos dos trabalhos das juventudes foram igualmente animadores.

A CFE 2016 conseguiu fortalecer a bela experiência do diálogo, da oração conjunta, do abraço entre diferentes expressões cristãs.

Ao longo dos quarenta dias da Quaresma, conversamos sobre nossa Casa Comum, o lugar em que habitamos. Pensamos nas rupturas cotidianas provocadas pelo pecado.

O pecado se torna visível sempre que a Casa Comum é agredida por causa do nosso consumismo, da nossa ambição, da nossa dificuldade de superar visões de mundo que entendem o ser humano como o centro do universo. Revela-se também quando a política é orientada para o interesse do mercado financeiro e não para o bem comum.

A Quaresma, período que, para as pessoas batizadas, representa tempo de conversão, está chegando ao fim. Na Sexta-Feira Santa, iremos nos confrontar com a violência que representa a cruz de Jesus Cristo. Nos confrontaremos com as consequências do ódio e da intolerância. História, que nos tempos de hoje, se repete no extermínio da juventude negra, na violência contra as mulheres, nas agressões aos povos indígenas, na perseguição aos LGBTTs, nos ataques às Casas das religiões de matriz africanas.

A cruz de Cristo também nos provoca a olhar para as destruições provocadas por nós no lugar em que habitamos: a nossa Casa Comum. O lixo jogado na rua, o rio em que se despeja esgoto, o agrotóxico que contamina os alimentos e os lençóis freáticos, o não tratamento de esgoto, a utilização indiscriminada da água, a privatização dos bens da natureza... Tudo isso também fere o sonho de Deus, que é o de um mundo onde reinem o direito e a justiça.

Aprendemos, nessa Campanha, que a fragilidade de políticas públicas para o saneamento básico, compromete a justiça ambiental. Também aprendemos que a justiça ambiental exige de nós que transformemos radicalmente nosso estilo de vida. Sejamos menos consumistas e mais responsáveis com o lugar em que habitamos.

Ao longo do tempo de Quaresma, lemos e fomos orientados sobre o mosquito Aedes aegypti, a forma como ele se prolifera e sobre os males que provoca. Com o aumento das notificações do Zika Vírus, ficamos sabendo que uma das consequências desse vírus é a microcefalia.

Dados do Ministério da Saúde indicam já foram notificados 6.158 casos suspeitos de microcefalia. Deste total, 745 bebês tiveram diagnóstico comprovado para microcefalia.
Por trás desses números há histórias de vida, em especial, de mulheres, que em algumas situações, são abandonadas por seus maridos.

Outros dados do Ministério da Saúde mostram que, nesses primeiros três meses de 2016, o Brasil já registrou 495 mil casos prováveis de dengue e 13.676 casos prováveis de chikungunya. Estas doenças podem causar sequelas graves, como a síndrome de Guillian Barré, que provoca paralisia dos músculos.

Casa Comum, nossa responsabilidade! Direito e Justiça. Cruz e ressurreição. Como ficam essas perspectivas diante dos impactos provocados não pelo Aedes aegypti, mas sim, por nosso pouco cuidado com a Casa Comum?

A falta de saneamento básico, a caixa d’água que não é devidamente limpa, o pneu abandonado, a política de saneamento não executada refletem nosso desleixo com a Criação. Isso tem consequências para a vida do planeta e das pessoas.

Na Campanha da Fraternidade Ecumênica falamos que o saneamento básico é um direito humano básico, portanto, é inegociável. Mas, também falamos que o cuidado com a Casa Comum exige que mudemos radicalmente nosso estilo de vida. Não podemos mais ser desleixados com o lugar em que habitamos. Por isso, nessa Páscoa, pedimos que observem se há criadouros de mosquito no lugar onde celebramos, convivemos e oramos. Vamos prestar atenção nos caminhos que fizemos até a Igreja, até a casa de nossos amigos e amigas. Não esqueçamos que os impactos provocados pela falta de cuidado da Casa Comum causam dor e sofrimento para muitas pessoas.

A cruz de Jesus Cristo nos coloca frente-a-frente com nossas imperfeições, injustiças, abuso de poder. A ressurreição mostra que é possível a transformação. A mensagem da ressurreição é de que novas realidades são possíveis, mas, para isso, precisamos nos reconhecer livres para agir em favor do cuidado com a Casa Comum.

A epidemia de dengue, Zika, chikungunya e a insuficiência de serviços de saneamento básico nos indicam que precisamos ser bem mais responsáveis com a nossa Casa Comum. A Campanha se encerra com a Quaresma, mas o tema da CFE “Casa Comum, nossa responsabilidade”, precisa ser assumido ao longo de todo o ano. Vamos, portanto, nos mobilizar por políticas públicas de saneamento básico e eliminação de focos do mosquito Aedes aegypti.

Que o direito e a justiça brotem. Sejamos partícipes da construção de um mundo sustentável!

Feliz Páscoa!

Dom Flávio Irala – Presidente
P. Sinodal Inácio Lemke – Primeiro vice-presidente
Pe. Joanilson Pires – Segundo vice-presidente
Dom Teodoro Mendes Tavares – Tesoureiro
Reverendo Daniel do Amaral – Secretário

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arco e flecha jmpi

Na Quaresma, a fala do profeto Amós “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” acompanha-nos na Campanha de Fraternidade Ecumênica.

Como nós vivemos na nossa casa comum? Como nós nos responsabilizamos para que todos os seres – humanos, animais, plantas, arvores, rios: toda a criação em sua diversidade maravilhosa – possam aproveitar seus direitos?

Isso também é uma pergunta que os povos indígenas colocam para a sociedade Brasileira.

No caderno para a ‘Semana dos Povos Indígenas de 2016, Laklãnõ/Xokleng: O povo que caminha em direção ao sol’, do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), estas perguntas são apresentadas em dois momentos que refletem dois dias da Semana Santa: a Sexta-Feira Santa e Páscoa. O momento da ausência de luz e da esperança é representado para o poema de João Adão Nunc-nfoônro de Almeida, intitulada Saudade.

Saudade do índio, sentando no chão,
Em volta do fogo, comendo pinhão.
Saudade do cântico, que o kujá cantava,
E de todo povo, que alegra dançava.

Saudade de mata, por onde andavam,
Saudade de caça, que todos tratavam.
Saudade de mõg, que o índio bebia,
Saudades das festas, tudo era alegria.

Saudade do fogo, que o índio acendia,
Saudade das danças, grande era a alegria.
Saudade do rio, onde as crianças nadavam,
Saudade dos peixes que os índios alimentavam.

Saudade das festas, e dos casamentos,
Sempre em luas cheias, era uma grande evento.
Saudade de tudo, que o índio usava,
E a tradição sempre continuava.

Saudade da terra, que foi invadida,
Saudade da mata, que foi destruída.
Saudade da relva, que o fogo queimou,
Saudade de tudo que o tempo apagou.

Saudade do ouro e do pau brasil,
Saudade de tudo, que daqui sumiu.
Saudade do índio que o branco matou,
Com esta Saudade para o túmulo vou.

A Páscoa não nos deixa no túmulo. Ela nos abre para um outro mundo possível: onde as forças da morte não vencem, mas onde o direito brota como fonte e onde a justiça corre como um riacho que não seca.

O povo Laklãnõ/Xokleng também nos oferece um exemplo da esperança nas suas comunidades: o renascimento da consciência da sua cultura, língua, espiritualidade. Eles levam as pessoas não-indígenas na Mata Atlântica, mostram a biodiversidade e ensinam sobre a sua cultura. No encontro, no diálogo, eles mostram não são como “aquele indígena retratado em livros e programas de televisão, mas o indígena real que tem sua língua, tem voz, tem sonhos, alegrias e tristezas; tem sabedoria, tem vida e que é Laklãnõ/Xokleng.”

Desde o ensino sobre a sua cultura, os Laklãnõ/Xokleng oferecem um olhar numa maneira diferente de viver e de cuidar da nossa casa comum.

Link para o Caderno da Semana dos Povos Indígenas: comin.org.br/publicacoes/interna/id/104

Foto: Tiago Zenero/Flickr CC

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Será realizado, entre os dias 30 de setembro e 7 de outubro de 2016, mais uma reunião de diálogo bilateral anglicano-católico, em Roma. O evento marca o 50º aniversário do encontro histórico entre o arcebispo da Cantuária, Michael Ramsey, com o Papa Paulo VI, realizado em 1966. A iniciativa será especial para o CONIC, uma vez que o atual presidente do Conselho, o bispo anglicano Flávio Irala, estará presente.

Anglicanos e católicos romanos concordam que Deus quer a unidade visível de todo o povo cristão e que tal unidade é, em si mesma, parte do testemunho das duas denominações. Ambas as Igrejas partilham um compromisso de trabalhar para essa unidade na verdade, pela qual Cristo orou (Jo 17). Expressam isso nas próprias declarações internas e, desde 1966, papas e arcebispos da Cantuária têm reafirmado em suas Declarações Comuns esse objetivo da restauração da unidade visível e da plena comunhão eclesial. Se quiser ler mais sobre o assunto, clique aqui.

Em breve, aqui no site, serão divulgadas mais informações.

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A secretária-geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Romi Bencke, defendeu nesta terça-feira, 22, na Câmara dos Deputados, uma mudança do estilo de vida das pessoas como ação de cuidado com o saneamento básico. “O saneamento básico é um tema invisibilizado e não angaria votos. Ele tem a ver tanto com política pública quanto com o estilo de vida das pessoas. Se não mudarmos o estilo de vida consumista estaremos destruindo nosso meio ambiente”, afirmou.

Para o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, a fiscalização do poder público precisa ser acompanhada da educação sobre o saneamento básico. “Se não nos educarmos para o saneamento básico, inutilmente faremos cobrança. Sabemos das necessidades da fiscalização, mas creio que é fundamental a prática educativa.”

Romi e dom Leonardo participaram de comissão geral sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016, "Casa Comum, Nossa Responsabilidade".

O deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA), afirmou que não entende como, até hoje, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a sistema de água potável. “É difícil de compreender como esse contingente de pessoas consegue viver assim. É a desumanização da humanidade.” Ele lembrou que a falta de investimento governamental em saneamento e direito à água é uma ação irracional. “Todos os especialistas mostram a correlação do direito à água e ao saneamento com problemas de saúde”, disse.

Para o deputado Padre João (PT-MG), o desafio de cuidar do meio ambiente deve se expressar nas votações. “Falar na tribuna é fácil, mas e as votações nas comissões? Nosso voto mostra nosso zelo à casa comum? Viabiliza que cada cidadão tenha acesso à água, à terra, à moradia?”, questionou.

Vale lembrar que a secretária-geral do CONIC falou sobre dois abaixo-assinados que estão correndo no site do CONIC. Um deles fala sobre a questão dos rios mortos (clique aqui para assinar) e o outro trata da construção de hidrelétricas no Tapajós (clique aqui para assinar).

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 51% da população do território nacional têm saneamento básico.

Fonte: Portal Câmara
Foto: camara.leg.br

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Cerca de 50 milhões de lares brasileiros deverão ser alcançados pelo movimento “A Bíblia em cada casa”, até 2050. A ação, coordenada pela JOCUM (Jovens com uma Missão) e Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), pretende abranger 5.573 municípios do País.

O projeto surge como uma resposta para aqueles que há muito tempo pensam em entregar uma Bíblia às famílias de sua cidade. “Agora este desafio poderá ser enfrentado. Para alcançar o objetivo do movimento, foram preparadas estratégias de distribuição que envolvem pessoas e igrejas de todos os lugares do Brasil”, afirma Mário Rost, gerente de Desenvolvimento Institucional e coordenador do movimento pela SBB.

Mário ressalta que para que o objetivo seja atingido, não bastam apenas os esforços empreendidos pelos organizadores. “A entrega da Bíblia para cada casa só acontecerá pela ampla cooperação das igrejas e dos cristãos individualmente. Temos a expectativa de ter líderes de todas as denominações cristãs transmitindo o desejo de que a Bíblia esteja nas casas de municípios inteiros, ou em bairros inteiros de grandes cidades”, diz ele.

As igrejas serão envolvidas na distribuição da Bíblia em municípios de médio e pequeno porte ou bairros inteiros de grandes cidades, em uma ação bem articulada. Outras organizações também poderão desenvolver as estratégias que sejam adequadas aos locais em que atuam.

Até agora, o movimento já alcançou 16 cidades brasileiras, quatro comunidades urbanas e duas ribeirinhas na região amazônica. De acordo com Wellington Oliveira presidente e coordenador do movimento pela Jocum, o resultado tem sido surpreendente. “As pessoas são receptivas tanto para receber a Bíblia, quanto para conversar sobre suas vidas, sua fé ou a falta dela”.

Em breve, no site do movimento (www.abibliaemcadacasa.com.br), serão disponibilizadas informações sobre cada cidade do Brasil, como número de residências, população por grupo de fé e andamento da cobertura da distribuição.

Fonte: Guia-me

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O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, externou preocupação em relação às atuais turbulências sociais e políticas no Brasil, exortando as igrejas cristãs e a todos os setores da sociedade brasileira “a defenderem os princípios democráticos, respeitarem os direitos humanos fundamentais e assegurarem a liberdade de expressão e opinião a todos".

Tveit sublinhou a necessidade de "respeito à dignidade humana e ao Estado de direito a fim de evitar o incitamento à violência através de discursos de ódio".

Ele também afirmou que "é importante que casos suspeitos de corrupção sejam totalmente investigados, respeitando os direitos constitucionais das pessoas sob investigação e que a sociedade brasileira e os atores políticos previnam o incitamento à violência e superem a crescente polarização e radicalização no país".

O CMI tem tido envolvimento significativo na abordagem de questões ligadas aos direitos humanos e à democracia no Brasil. Tveit acrescentou que "a futura estabilidade democrática no Brasil é muito importante para todos os grupos de cidadãos no país, mas também para a América Latina como um todo".

Tveit exortou às igrejas no Brasil a "orarem pelo país, promoverem o respeito ao Estado de direito e serem embaixadores da reconciliação em nome do Senhor Jesus Cristo"

Fonte: CMI
Foto: Reprodução

Obs.: o título foi adaptado

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A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) encaminhou ontem (22) mensagem à presidenta Dilma Rousseff, manifestando preocupação com os "acontecimentos políticos e judiciais que convulsionaram o Brasil nas últimas semanas" e reconhecendo os avanços sociais e políticos que o país conseguiu na última década. "Nos alarma ver a estabilidade democrática de sua pátria ameaçada", escreveu a secretária-executiva da entidade, Alicia Bárbena, destacando a vigência do Estado democrático de direito.

"A soberania popular, fonte única de legitimidade na democracia, entregou antes a Lula e depois a você, Presidenta Rousseff, um mandato constitucional que se traduz em governos comprometidos com a justiça e a igualdade", diz a mensagem, acrescentando que nunca na história do país tantas pessoas saíram da situação de fome, pobreza e desigualdade. Ainda segundo a Cepal, é significativo o fato de que os recentes governos brasileiros "reforçaram a nova arquitetura de integração de nossa região, da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) à Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos)".

A Cepal diz reconhecer o esforço do Judiciário para "perseguir e punir a cultura de práticas corruptas que historicamente são a parte mais obscura do vínculo entre os interesses privados e as instituições do Estado". Mas acrescenta que a presidenta vem "apoiando permanentemente essa tarefa, com a valentia e honradez que é a marca de sua biografia, apoiando a criação de uma nova legislação mais exigente e de instituições investigativas mais fortes".

Por essa razão, a entidade se diz chocada com o fato de que, sem que haja provas, servindo-se de vazamentos e uma "ofensiva midiática" que condena de antemão, "se tente demolir sua imagem e seu legado, ao mesmo tempo em que se multiplicam os esforços por menosprezar a autoridade presidencial e interromper o mandato que os cidadãos entregaram nas urnas".

Para a entidade, os acontecimentos no Brasil mostram para a América Latina "os riscos e dificuldades a que nossa democracia ainda está exposta".

Fonte: RBA
Foto: Reprodução

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