A superação da intolerância religiosa deve ser um compromisso de nós, pessoas cristãs luteranas, ao reconhecermos que todas as manifestações de fé devem ser respeitadas como sinal de nosso compromisso com a paz, a compaixão, a humildade e o ecumenismo. Para isso devemos buscar sempre o diálogo, que ocorre quando há encontro e escuta.
 
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Sob a assessoria da pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC, o X Seminário Sinodal de Formação de Lideranças da Juventude Evangélica (JE) trabalhou o tema Intolerância Religiosa com 96 jovens, sendo a edição com maior número de participantes.
 
Entre os dias 16 e 18 de setembro, a Comunidade de Baixo Guandu - Morro da Caixa D'Água e a JE local não somente receberam os jovens e as jovens com muito carinho, como também acolheram o encontro da OASE da UP Guandu. Assim, os grupos se encontraram e participaram em conjunto da celebração de domingo. O P. Simão Schreiber, de Laranja da Terra, ressaltou que para ele aquele momento era histórico, pois não recordava-se de um encontro dos dois grupos em 17 anos de ministério.
 
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Esperamos que as pessoas jovens permaneçam comprometidas com esse diálogo intra e inter-religioso, valorizando semelhanças e respeitando diferenças.

Fonte: www.jesesb.com
Fotos: Reprodução

Com representação de diversos movimentos sociais foi realizada no último dia 17 de setembro a Roda de Conversa “Haiti e Brasil: o que temos em comum?”. A atividade aconteceu na sede do Sindicato dos Advogados, em São Paulo, e levantou discussões e problemas semelhantes enfrentados tanto por brasileiros/as com os imigrantes haitianos que estão morando no Brasil.
 
A Roda de Conversa acontece dentro da Campanha Permanente de Solidariedade com o Haiti, que a rede Jubileu Sul juntamente com outras entidades vêm realizando há 12 anos.
 
roda conversa
Durante o debate muitas falas apontaram para a união de forças no que diz respeito à soberania dos dois povos. Se de um lado, o Haiti está ocupado por forças militares há 12 anos – tendo à frente o Brasil no comando da força de paz e estabilização da ONU – por outro as Unidades de Polícia Pacificadora têm feito um papel semelhante ao ter como público-alvo a população mais vulnerável que está nas favelas e comunidades brasileiras, as quais têm servido como espaço de treinamento das tropas que vão para o Haiti devido à forte semelhança entre os dois países. Soraya Misleh, da Frente em Defesa do Povo Palestino, denuncia o uso de tecnologia israelense nos dois aparatos militares. “As pacificações das UPPs no Rio de Janeiro têm tecnologia israelense e treinamento israelense. Infelizmente, nos últimos cinco anos o Brasil se tornou um dos 5 maiores exportadores de tecnologia militar israelense”, falou. Acrescentou que este pedido pela retirada das tropas acontece também de forma contundente na Palestina.
 
O debate contou também com a participação de Cleyton Borges, da Uneafro, que elencou como ponto comum o genocídio histórico vivido tanto pelos haitianos como os povos negros e pobres no Brasil. “Esse assunto nos liga diretamente como o Haiti e nos faz pensar a necessidade de que tenhamos também políticas públicas estruturadas de acolhimento e que enfrentem não só a ausência de acolhimento institucional, mas principalmente combatam o racismo e a xenofobia. Percebemos que na força dos haitianos também temos que enfrentar o racismo no Brasil”, falou.
 
Já Claudicéia Durães, do movimento Quilombo Raça e Classe, trouxe a história para falar sobre a dívida histórica que o sistema capitalista tem para com as vítimas da escravidão e a devida reparação. “Temos em comum este processo da diáspora – a separação do povo de sua origem. Daí surgiu um movimento de exploração e opressão. Exigimos reparações não só no Brasil, mas no mundo. O capitalismo deve a esse povo negro sua reorganização, deve o traço que foi perdido de sua humanidade, sobretudo no atual cenário. Cabe a qualquer país receber com muita honestidade delegando a esse povo direitos em políticas públicas, direito para seres humanos”, afirmou.
 
Hertz Dias, do movimento hip-hop Quilombo Urbano, disse que mais do que nunca é oportuno realizar atividades como estas, envolvendo populações que são oprimidas. “Não é só uma troca de experiências. Acho que isso aqui está apontando para algo que estamos precisando neste momento que é construir unidade. Importante darmos continuidade a esse processo”, afirmou.
 
O projeto de lei sobre migrações que aguarda votação na Câmara dos Deputados, em Brasília, foi o ponto central da apresentação de Vera Gers Dimitrov, voluntária do Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante. De acordo com ela, este projeto pode apresentar um perigo para a população migrante porque vai contra várias reivindicações feitas e defendidas pelos/as imigrantes/as e por movimentos e entidades que atuam na defesa do direito de migrar. “Sobretudo no que concerne a políticas públicas regionais, a ausência de uma diretriz ou de um órgão, autarquia, agência que regule a política migratória. Importante frisar a importância disso no âmbito das cidades, que é onde os imigrantes têm suas vidas”, falou.
 
Laure Jeanty e Fedo Bacourt, integrantes da União Social dos Imigrantes Haitianos (Usih), avaliaram a Roda de Conversa – que aconteceu em dois momentos (19 de agosto e 17 de setembro) – como muito positiva para compartilhar a história de luta tanto de haitianos como de brasileiros. Para a Usih está definido que é preciso traçar estratégias de irmandade contra o preconceito, o racismo, a xenofobia e a discriminação. “Devemos nos unir para enfrentar tudo isso. Sem violência. Vamos resistir. Essa força está dentro de nós, negros e pobres, e será construída para vencer esses obstáculos”, afirmou Laure.
 
Para a rede Jubileu Sul Brasil que, há 12 anos, desde antes da ocupação militar do Haiti, realizava debates e ações em solidariedade com o povo haitiano, a Roda de Conversa é mais uma oportunidade de afirmar e defender a soberania e a autodeterminação dos povos. Os imigrantes haitianos são portadores de uma história de luta e resistência de mais de 100 anos. Temos que aprender com eles e ao mesmo tempo continuar a nossa luta em defesa do povo pobre que está sendo exterminado nas periferias, nossa juventude. As Rodas de Conversa foram mais um espaço para reafirmar nossa luta conjunta pela retirada das tropas militares do Haiti e defender os direitos dos povos de migrar, por um mundo sem fronteiras.
 
A Roda de Conversa foi uma realização da USIH e da rede Jubileu Sul Brasil. São parceiros da atividade: o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), a UneAfro e o Comitê Pró-Haiti.

Fonte: Jubileu Sul Brasil
Texto: Rogéria Araújo
Foto: Reprodução

A Paróquia dos Apóstolos, da Comunidade Evangélica de Joinville (CEJ) em Santa Catarina, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), acolheu, nos dias 19 e 20 de setembro, a Oficina Pessoas Imigrantes e Refugiadas – Desafios da Casa Comum, uma iniciativa do Fórum Ecumênico ACT Brasil, executada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e apoio de Pão para o Mundo (PPM). O objetivo do projeto é sensibilizar e mobilizar comunidades religiosas a atuar de forma articulada em processos de acolhida a pessoas imigrantes, a partir de ações diaconais ecumênicas e políticas públicas.
 
A Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Sínodo Norte Catarinense/IECLB e a Rede Ecumênica da Juventude (REJU) organizaram a programação e logística  do encontro, que contou com a participação de 27 pessoas, representando grupos de diaconia da CEJ, de imigrantes, da Pastoral da Pessoa Imigrante da Igreja Católica Apostólica Romana, Centro de Defesa de Direitos Humanos de Joinville, Comissão Ecumênica de Joinville, Universidade Federal da Fronteira Sul (SC), Viva Rio (RJ), Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), de Lajeado (RS).
 
FLD oficina
Nos dois dias, foram abordados temas relacionados a fluxo migratório e ajuda humanitária, assessoria bíblica e teológica, projetos de pesquisa e extensão sobre imigrantes do Haiti em Santa Catarina e relatos de experiência e apresentação de iniciativas com protagonismo de imigrantes. Renel Simon, imigrante haitiano que reside em Lajeado, compartilhou o processo de articulação que envolveu a Paróquia Luterana de Lajeado/IECLB, junto com a Associação de Imigrantes de Lajeado e a REJU, em uma iniciativa que buscou organizar ações de integração e diálogo intercultural e pela superação do racismo e xenofobia.  Os momentos de espiritualidade (meditações) foram preparados e conduzidos pelas diáconas Ângela Lemke e Nádia de Oliveira.
 
A secretária executiva da FLD, Cibele Kuss, apresentou o processo de oficinas já realizadas em São Paulo, sobre a formação de uma rede na região Sul-Sudeste e abordou a importância de sensibilizar e preparar as comunidades religiosas a pensar e construir grupos de acolhida, animando-os a uma formação permanente nos temas do fluxo migratório, diaconia em contexto na superação das desigualdades e preconceitos.
 
Nahum Saint Julie, imigrante haitiano que vive em Chapecó (SC), estudante de Letras na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/SC), analisou a conjuntura política do Haiti e do Brasil, com análise crítica ao racismo e ao setor privado, que mobilizou e buscou trabalhadoras e trabalhadores para submissão a condições de trabalho precárias e desumanas. Empresas que buscaram haitianos no Acre prometiam trabalho, moradia e boas condições solidárias. Nahum denunciou: “ Vivemos diariamente a humilhação do racismo no Brasil, vivemos a difícil situação econômica. O Brasil concedeu o visto de residência, mas sem qualquer plano de integração, a situação das mulheres haitianas é dramática, sem empregos – muitas pessoas estão vivendo desespero psicológico”.
 
Ronilso Pacheco, teólogo e interlocutor social da Viva Rio, assessorou a formação sobre Bíblia e Imigração, a partir dos livros do Êxodo (formação do povo de Deus) e Deuteronômio (memória e identidade/consciência do exílio). Relacionar-se com Deus significa se relacionar com Deus em vários lugares, em mobilidade e pluralidade. Êxodo 23.9 afirma a não opressão à pessoa estrangeira. A formulação “pessoa estrangeira ou estrangeiro” é um recurso que quebra a ideia da pureza racial, da exclusividade, pois ser imagem e semelhança de Deus é muito menos ser parecido com Deus e muito mais seguir o rastro de Deus.  A pessoa estrangeira é uma possibilidade de ampliar a solidariedade, que é uma exigência de Deus. Ronilso pontuou que “compreendemos que, assim como Deus viu, ouviu e conheceu a dor e a opressão do povo hebreu e demais povos escravizados e explorados no Egito e desceu para intervir e oferecer a eles libertação (Êxodo 3:7-9), também somos convocados a fazer com que nossa sensibilidade e compromisso com a justiça não nos permita fechar os olhos, tapar os ouvidos e sermos indiferentes à situação das pessoas migrantes e refugiadas. Identificadas, portanto, com o Deus que ama e cuida do migrante e refugiado (Deuteronômio 10: 19) e as protege contra os abusos e maus tratos (Deuteronômio 27: 19), nos sentimos inspirados, provocadas e motivados a, com elas e eles, lutar em defesa da justiça e da dignidade que lhes alcancem. Menos fronteiras, mais dignidade”.
 
Tanara Zunkowski, servidora da prefeitura de Nova Erexim, e Sandra Bordignon, do Grupo de Estudos sobre Imigrações para a Região Oeste de SC (GEIROSC) - UFFS/SC apresentaram o cenário de chegada de imigrantes haitianas e haitianos no estado, a partir de 2013, o processo de organização de aulas de português, a orientação jurídica, as demandas por direitos à saúde, educação, trabalho digno, ações de reconhecimento e valorização cultural, com o apoio da Diocese de Chapecó e a participação de grupos de pessoas voluntárias, e a formação de grupos de pesquisa sobre migração. “É fundamental que o protagonismo seja das pessoas haitianas e que o trabalho do voluntariado e das políticas públicas seja feito numa perspectiva de participação e coletividade”. Uma importante contribuição de imigrantes haitianas e haitianos no campo de direitos diz respeito ao seu perfil mobilizador de direitos, provocando processos de abertura e insistência na afirmação de políticas públicas para todas as pessoas residentes no Brasil, conforme afirma a constituição brasileira. Foram abordados os conceitos “migrar, imigrar e emigrar”.
 
As reflexões mobilizaram debates e encaminhamentos sobre a importância de mapear e conhecer as iniciativas de atuação de comunidades religiosas com pessoas imigrantes em Joinville, e articulá-las a junto ao movimento ecumênico e organizações de direitos humanos. O grupo presente na oficina acolheu e analisou a Carta de Princípios do Coletivo Inter-religioso Pró-Imigrantes e Pessoas Refugiadas, construída nas oficinas de São Paulo, propondo inclusões e alterações. No final do encontro, criou-se um Grupo de Referência, formado por cinco representações, para articular os encaminhamentos e fazer a representação na articulação com o coletivo de São Paulo.

Fonte: FLD
Foto: Nivaldo Klein / Sínodo Norte Catarinense

Queridas companheiras e queridos companheiros!

Esperamos que esse convite lhe chegue em tempos de resistência e esperança.

Seminario oficial Final

No desejo de proporcionar um espaço de debate amplo sobre as realidades das juventudes do Brasil, se atentando especialmente às que se encontram em situações de vulnerabilidade e risco social, a Pastoral da Juventude juntamente com outros parceiros está realizando o

SEMINÁRIO NACIONAL SOBRE REALIDADES JUVENIS
“Estamos pelas praças e somos milhões”

O Seminário acontecerá nos dias 18, 19 e 20 de novembro de 2016 no Centro Social Marista, em Itaquera, na cidade de São Paulo/SP. Objetiva a participação de jovens e adultos/as da Pastoral da Juventude do Brasil inteiro, além de lideranças de outras pastorais e movimentos, bem como de pesquisadores/as e gestores/as de diferentes instituições.

Por meio desta, gostaríamos de convidá-las e convidá-los para participarem do Seminário, estendendo o mesmo também às lideranças de sua pastoral, organização ou movimento.

Sabemos que “pensar juventudes” sempre é algo que provoca a saída de um lugar cômodo, e de romper com o senso comum que insistem em reforçar estereótipos equivocados atribuídos à juventude, olhando-a como desinteressada, apolítica e individualista, e que concebe o/a jovem como um problema social. Isso faz com que os reais problemas sociais não sejam reconhecidos como sintomas dessa sociedade, marcada por relações sociais de desigualdade, exclusão, opressão e exploração. Ao pensar as realidades juvenis, é preciso também (re)conhecer as suas atuais formas de organização, mais horizontais, autogestionárias, alternativas.

Ao mesmo tempo em que urge se ampliar o leque da discussão em torno das realidades, também se identifica, a partir das situações juvenis, qual o público específico que carece de ser atendido e quais serão as ações mais estratégicas e eficazes que precisam ser assumidas, direcionando-as. Para tal, também se deve identificar e combater os meios que são usados como ferramentas de promoção da violência. Essa discussão precisa sensibilizar as diferentes lideranças e atores sociais, políticos e pastorais para que o enfrentamento às diferentes formas de violência e ao genocídio seja assumido de fato por todos os setores da sociedade civil e também pelo Poder Público.

A programação oficial será divulgada em breve. Caso haja alguma dúvida, entre em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., ou pelo telefone 49-9969.3680 (Tim).

Contamos com a sua presença!

A chegada do líder da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia – Patriarcado de Antioquia e Todo Oriente - ao Brasil está marcada para o final do mês de outubro, chegando à Brasília no dia 26/10, onde será recebido por autoridades eclesiásticas e civis, cumprindo uma extensa agenda na capital federal.

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Mor Ignatius Aphrem II foi eleito em março de 2014 como 123º Patriarca de Antioquia e Todo Oriente da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, uma das mais antigas Igrejas cristãs orientais, fruto da evangelização apostólica na cidade de Antioquia da Síria, ainda no primeiro século. Seu ministério patriarcal tem sido marcado pela defesa dos cristãos perseguidos no Oriente Médio, especialmente em países como Síria, Iraque e Líbano, além do diálogo ecumênico e interconfessional. O Patriarca participou no início do mês de setembro, juntamente com o Papa Francisco, do evento em Assis em prol da paz.

O Patriarca visitará as principais comunidades, obras sociais e missões da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil, tanto no Distrito Federal, quando em Goiás e São Paulo. E clero de todo Brasil estará presente, juntamente com as caravanas de fiéis que acompanharão o Patriarca durante sua visita. Autoridades da embaixada Síria, do Itamaraty (Ministério das Relações Exteriores), dos governos e prefeituras do Distrito Federal e Goiás também cumprirão agenda de encontros oficiais com o Patriarca durante a visita. Além disso, encontros ecumênicos com representantes de outras Igrejas também estão marcados.

A Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia chegou ao Brasil com os imigrantes sírios e libaneses. Inicialmente, estabeleceu comunidades em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS), atendendo as famílias cristãs orientais que buscavam melhores condições de vida no Brasil. Na década de 1980, já bastante estabelecida em nosso país, a Igreja iniciou missões de evangelização entre brasileiros sem ascendência oriental, formando comunidades em mais de 15 estados brasileiros. Atualmente, é membro do CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, com nunciatura apostólica sediada em Brasília (DF) e duas dioceses missionárias, que abrangem as comunidades brasileiras em todo país, além das comunidades formadas por imigrantes e seus descendentes.

Fonte: Comunicação ISOA
Foto: Comunicação ISOA

Líderes religiosos assinaram nesta terça-feira, 20, um apelo pela paz como fruto do Encontro Internacional pela Paz realizado em Assis, Itália, desde o último dia 18. O apelo foi entregue a crianças, que o levarão aos representantes das nações.
 
lideres religiosos em assis paz

O apelo traz uma firme condenação aos atos de violência em nome da religião e um forte apelo para construir a paz verdadeira. “A guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso”.
 
Com a guerra todos perdem, inclusive os vencedores, destacam os líderes religiosos. Reconhecendo a necessidade de rezar constantemente pela paz, eles se colocaram à escuta de todos atingidos pelas guerras – pobres, crianças, mulheres, jovens – para clamar uma vez mais: “Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes (…) Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração”.
 
Esse encontro em Assis acontece 30 anos depois que João Paulo II convidou líderes religiosos para que lá se unissem a fim de rezar pela paz. Desse momento histórico, reconhecem hoje os líderes religiosos, inúmeros crentes foram envolvidos no diálogo e na oração pela paz, unindo sem confundir e gerando amizades inter-religiosoas. “Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo”.
 
Ao final do encontro, o tradicional abraço da paz entre os líderes religiosos.
 
Confira, a seguir, a íntegra do apelo:
 
Homens e mulheres de diferentes religiões, congregamo-nos, como peregrinos, na cidade de São Francisco. Aqui em 1986, há trinta anos, a convite do Papa João Paulo II, reuniram-se Representantes religiosos de todo o mundo, pela primeira vez de modo tão participado e solene, para afirmar o vínculo indivisível entre o grande bem da paz e uma autêntica atitude religiosa. Daquele evento histórico, teve início uma longa peregrinação que, tocando muitas cidades do mundo, envolveu inúmeros crentes no diálogo e na oração pela paz; uniu sem confundir, gerando amizades inter-religiosas sólidas e contribuindo para extinguir não poucos conflitos. Este é o espírito que nos anima: realizar o encontro no diálogo, opor-se a todas as formas de violência e abuso da religião para justificar a guerra e o terrorismo. E todavia, nos anos intercorridos, ainda muitos povos foram dolorosamente feridos pela guerra. Nem sempre se compreendeu que a guerra piora o mundo, deixando um legado de sofrimentos e ódios. Com a guerra, todos ficam a perder, incluindo os vencedores.
 
Dirigimos a nossa oração a Deus, para que dê a paz ao mundo. Reconhecemos a necessidade de rezar constantemente pela paz, porque a oração protege o mundo e ilumina-o. A paz é o nome de Deus. Quem invoca o nome de Deus para justificar o terrorismo, a violência e a guerra, não caminha pela estrada d’Ele: a guerra em nome da religião torna-se uma guerra contra a própria religião. Por isso, com firme convicção, reiteramos que a violência e o terrorismo se opõem ao verdadeiro espírito religioso.
 
Colocamo-nos à escuta da voz dos pobres, das crianças, das gerações jovens, das mulheres e de tantos irmãos e irmãs que sofrem por causa da guerra; com eles, bradamos: Não à guerra! Não caia no vazio o grito de dor de tantos inocentes. Imploramos aos Responsáveis das nações que sejam desativados os moventes das guerras: a ambição de poder e dinheiro, a ganância de quem trafica armas, os interesses de parte, as vinganças pelo passado. Cresça o esforço concreto por remover as causas subjacentes aos conflitos: as situações de pobreza, injustiça e desigualdade, a exploração e o desprezo da vida humana.
 
Abra-se, finalmente, um tempo novo, em que o mundo globalizado se torne uma família de povos. Implemente-se a responsabilidade de construir uma paz verdadeira, que esteja atenta às necessidades autênticas das pessoas e dos povos, que impeça os conflitos através da colaboração, que vença os ódios e supere as barreiras por meio do encontro e do diálogo. Nada se perde, ao praticar efetivamente o diálogo. Nada é impossível, se nos dirigimos a Deus na oração. Todos podem ser artesãos de paz; a partir de Assis, renovamos com convicção o nosso compromisso de o sermos, com a ajuda de Deus, juntamente com todos os homens e mulheres de boa vontade.

Fonte: CN Notícias
Foto: Reprodução CTV

“Lá vem o homem-bomba”. Não é difícil que Cícero Soares da Cruz, 68 anos, ouça esse tipo de comentário quando vai estacionar o carro da mesquita em algum ponto da cidade. Normalmente, ele finge que não ouve e segue em paz com as obrigações do seu ofício e religião.

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Há 17 anos, Cícero trabalha como caseiro da Mesquita Brasil, a maior da América Latina, localizada no bairro do Cambuci, em São Paulo. Como tal, transformou-se no faz-tudo do lugar. Ele é o responsável pelas compras do mês, por pequenos consertos elétricos, pela equalização do som durante as cerimônias religiosas e por resolver todo e qualquer imprevisto ao longo do dia. Desde 2008, Cícero converteu-se ao islamismo e, no ano passado, realizou o sonho de fazer a peregrinação à cidade de Meca, na Arábia Saudita – dando, assim, as sete voltas ao redor da Grande Mesquita.

Mas antes de Cícero cumprir sua obrigação como muçulmano, vamos encontrá-lo ainda criança, na pequena cidade de Palmeira dos Índios, em Alagoas. O pai era um homem da roça, trabalhador braçal, sem tempo para “gastar” com religião. A mãe também era da lida, feirante, mas temente a Deus e Católica. Foi da mãe que Cícero herdou sua primeira religião.

Na adolescência, Cícero foi achando que Palmeira dos Índios ia ficando cada vez mais árida. O irmão mais velho já estava em São Paulo e havia passado da hora de tomar o mesmo ônibus em direção ao futuro. Ao desembarcar na velha rodoviária, no final dos anos 60, tomou um susto com o tamanho da cidade – mas também sentiu o prazer de estar solto no mundo.

Cícero foi morar com o irmão que já estava estabelecido por aqui. Por influência dele, começou a trabalhar como metalúrgico e frequentar a Igreja Presbiteriana. Foi do irmão que herdou, portanto, sua segunda religião.

Para conseguir uma melhor condição de sobrevivência em São Paulo, matriculou-se em um curso supletivo (na época, sabia apenas escrever o próprio nome). Nas aulas, aprendendo o básico do português, conheceu Filomena, a Filó – que também fazia o mesmo curso supletivo. Os dois se apaixonaram e não esperaram tempo demais para juntarem os trapos. Como casal, frequentaram a Congregação Cristã do Brasil e abriram uma pequena loja de roupas.

Quando tudo parecia bem encaminhado na vida de Cícero e Filó, a loja de roupas foi invadida e todas as peças foram levadas. O prejuízo foi enorme. Todas as economias do casal estavam naquele comércio. Cícero sentiu o baque de morar em uma cidade grande e insegura: estava quebrado.

A luz veio de um irmão de fé da Filó, um frequentador da Congregação Cristã. “Parece que na mesquita estão contratando, estão precisando de cozinheira”, disse o colega. Mesmo sem saber direito o que era uma mesquita, o que era um muçulmano ou o Islã, Filó foi ver se ali havia uma oportunidade. Cozinheira talentosa, não demorou para conquistar a vaga na cozinha da mesquita. A vida financeira do casal estava salva.

Enquanto a mulher trabalhava como cozinheira, Cícero defendia um troco como manobrista no centro. Mas um dia Filó chegou em casa dizendo que tinha uma vaga no trabalho dela, uma vaga de caseiro, uma vaga boa porque além do salário ainda trazia a possibilidade de o casal morar no próprio trabalho. Ou seja, na mesquita.

Cícero foi conversar, não sabia nada do islamismo, teve receio de não se acostumar. Afinal, ainda era evangélico. “Mas minha mulher também era e estava muito feliz no trabalho. Então, tentei a sorte e me apresentei para o trabalho.”

No começo, além das funções corriqueiras de caseiro, Cícero começou a prestar atenção nas cerimônias, nas palavras do sheik e nas festas de encerramento do Ramadan. “Me senti tocado por Alá. Me senti pertencendo àqueles rituais e entendendo o que aquilo queria dizer”, conta.

Em 2008, começou a jejuar durante o período do Ramadan. “Os frequentadores da mesquita admiraram minha atitude, me apoiaram. Como eu não estava acostumado, tinha muita fraqueza durante o dia, mas Alá me tocou, me manteve firme.” Filó acompanhou o jejum do marido de perto, tentando demovê-lo da ideia no início, mas depois respeitando a opção dele. “Filó continua evangélica. Não tem problema nenhum nisso. Somos a prova de que não existe isso de conflitos entre religiões na nossa vida”, fala Cícero.

Depois do jejum, o próximo passo era realizar aquilo que todo muçulmano precisa fazer pelo menos uma vez na vida: ir a Meca.

Puro sonho, Cícero que nunca havia embarcado em um avião, que nunca havia saído do País e que era um recém-convertido, não tinha nenhuma perspectiva de fazer a peregrinação. Mas...

A direção da mesquita reconheceu em seu caseiro a vontade e a dedicação de vivenciar o islamismo, reconheceu que ali estava um homem realmente tocado pela palavra de Alá. Em 2015, Cícero ganhou uma passagem para a Arábia Saudita e, com um grupo de muçulmanos, foi para Meca. “Me disseram que o único risco do avião era a decolagem e o pouso”.

As elevadas temperaturas da Arábia Saudita fizeram com que Cícero tivesse febre nos primeiros dias. Apesar da provação, ele seguiu em peregrinação. Naquele ano, a aglomeração (3 milhões de muçulmanos) terminou em confusão e mais de 700 pessoas morreram pisoteadas. Em São Paulo, Filó acompanhou tudo pela televisão e chegou a pensar no pior. “Eu não estava próximo de onde aconteceu a tragédia. Minha peregrinação foi dura, mas realizada em paz”, comenta Cícero.

Assim, quando ouve alguém chamá-lo de homem-bomba, Cícero lamenta a ignorância e a intolerância. “Se alguém faz alguma coisa errada, se alguém mata ou se explode, não está fazendo isso em nome de Alá ou do Islã. Nossa religião não tem nada a ver com essas atrocidades”, fala. Ao ouvir esse tipo de acusação sem sentido, Cícero finge que não entendeu e segue seu caminho em paz.


Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Werther | ESTADÃO CONTEÚDO

Primeiramente, fora Temer!

Fé que oprime ou fé que liberta?

Inspirados/as na memória que fortalece a esperança e nos anima a caminhada, o encontro recorda a Tragédia de Mariana que permanece viva em nossas lutas e em nossas lembranças sendo ela um grande desafio contemporâneo que une as diversas expressões de fé e compreensões do sagrado para buscar na diversidade a unidade para, assim, desenvolver novas relações com a casa comum.

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A natureza e os seres humanos não estão dissociados, ao contrário, são frutos da mesma criação e possuem uma interdependência intrínseca, algo que nosso modelo de desenvolvimento excludente, homicida e ecocida têm feito e que, por vezes, esquecemos. Da mesma forma, não existe, para nós, uma justiça ambiental que esteja separada da questão social, já que, em geral, quem menos contribui com a degradação ambiental é quem sofre os maiores danos em momentos de desastre. Repudiamos qualquer forma de privatização da água, terra, vento, energia e demais componentes desse mosaico que se chama criação, bem como nos comprometemos com a luta pela/com a terra dos/das pobres e os/as pobres da terra, buscando neles a sabedoria e a esperança.

Denunciamos o golpe jurídico parlamentar sobre a democracia brasileira. Nas manobras procedimentais ficou claro que não foi respeitado o devido processo legal, visto que a presidenta apeada do poder já entrou condenada no processo e os parlamentares, muitos deles sob investigação ou denunciados por crime de corrupção e obstrução de justiça, já a haviam condenado de antemão, como uma maneira de estancar e encerrar as investigações em curso, que lhes poderia custar o mandato e a liberdade.

Esse golpe deixa claro que há a necessidade de se construir popularmente uma verdadeira reforma política, na qual se radicalize a democracia e o povo possa, de fato, exercer sua soberania. A reforma há de ser construída a partir do povo, com a criação de conselhos populares e participativos.

O enfrentamento ao pensamento capitalista é de fundamental importância para desconstrução do atual modelo antidemocrático de comunicação, no qual a informação é centralizada e distribuída de acordo com o interesse de grandes. Sendo assim, apoiamos e fortalecemos as mídias alternativas como saída para uma educação popular que privilegie o acesso completo às informações. Defendemos, com isso, a independência e a democratização dos meios públicos de comunicação

A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil. Diante desse genocídio, afirmamos nossa denúncia contra um Estado opressor, assassino e racista, cujo seu principal agente é a policia militar, como resquício de nossa história turbulenta da ditadura. Sonhamos com uma realidade em que a juventude negra tenha acessos, direitos e seu espaço reafirmado.

Consideramos fundamental o desafio constante de rever, também, os privilégios de sexualidade, gênero, classe social, religião; assim, destacamos e reivindicamos a necessidade de entender e assumir as lutas, de maneira interconectada. As lutas feministas não estão isoladas, estão perpassadas por outras. Reconhecemos o papel fundamental das juventudes na transgressão como processo na construção de mudanças, com diálogo aberto e crítico com outras gerações. “O corpo é uma festa” (Galeano).

Nos comprometemos com a luta pela construção de um Estado Laico para os diversos povos, no qual se assegure liberdade, respeito e reconhecimento das várias relações com o sagrado e suas manifestações, tendo em vista a superação das desigualdades culturais.

Os nossos corpos se libertam, dançam e sambam em busca de uma fé que liberte e uma espiritualidade que não oprima.

Fonte: Reju
Foto: Reprodução

“O notável desenvolvimento para superar a pobreza no Brasil tem sido uma inspiração para muitos e é extremamente importante que a justiça para os pobres continue na agenda para a liderança do Brasil”, disse o Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Tveit esteve em São Paulo, Brasil, entre os dias 7 e 9 de setembro, participando da Conferência Mundial Pentecostal e conhecendo líderes da igreja local.

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O Senado brasileiro depôs a presidente Dilma Rousseff em 31 de agosto, pondo fim a um processo de impeachment que polarizou o maior país da América Latina em meio a um escândalo de corrupção e crise econômica.

Em 8 de setembro, Tveit reuniu os líderes das cinco igrejas membros do CMI no Brasil, para ouvir suas avaliações sobre a crise em curso e o papel das igrejas.

“As necessidades dos pobres, a opção preferencial pelos pobres, deve ser sempre uma preocupação da igreja”, disse ele. “O respeito pelos direitos humanos, e o cuidado das minorias em particular, será um teste para o Brasil neste momento.”

O secretário geral do CMI também comentou que a crise política do país também tem “dimensões morais e espirituais”.

“Há uma falta de confiança relacionada com a corrupção, mas é muito mais amplo do que isso. Os desafios em termos de confiança para o sistema democrático, uma política que garanta uma fatia do poder entre o povo da grande nação do Brasil e, particularmente, como capacitar todos, incluindo os mais necessitados, para influenciar a direção desta política “, disse ele.

Para Tveit, igrejas membros do CMI oferecem forte compromisso comum com valores que podem servir toda a sociedade, mesmo que as próprias igrejas não representem uma maioria em números.”Muitos no Sul global, mas também no Norte, tem procurado ao Brasil para o compromisso no desenvolvimento”, disse ele.

A reunião em 8 de Setembro foi assistido pelo Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa e Bishop Stanley Moraes, da Igreja Metodista no Brasil; Rev. Dr. Nestor Friedrich, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil; Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretário geral do CMI; Bispo Flavio Irala, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e presidente do Conselho Nacional das Igrejas do Brasil; Rev. Aureo Oliveira, da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil; Rev. Wertson Brasil, da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil; e Dr. Marcelo Schneider, diretor de comunicação do CMI.

Fonte: Expositor Cristão
Foto: Reprodução

Dos dias 7 a 10 de setembro, realizou-se em São Paulo o encontro Cantos da Casa Comum - Seminário Ecumênico de Música e Liturgia. O evento aconteceu na sede da Diocese Anglicana de São Paulo.

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Estiveram presentes participantes dos estados de São Paulo, Bahia, Paraíba, Brasília, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante o encontro, foram apresentadas composições de uso litúrgico e, também, projetos de diálogo entre a música das igrejas e a Música Popular Brasileira, especialmente em temas relacionados com o cuidado da Casa Comum.

Uma das descobertas do Seminário foi a intensa produção litúrgica e musical que está acontecendo nas igrejas, muitas vezes de forma isolada. Por isso, entre as conclusões do encontro destacou-se a necessidade de um canal de compartilhamento dessa produção entre os músicos e liturgistas, de forma a fazê-la circular nas comunidades locais.

O seminário teve uma celebração de encerramento no sábado (dia 10) pela manhã, na Paróquia Anglicana da Santa Cruz, concelebrada pelo bispo anglicano de São Paulo e presidente do CONIC, dom Flávio Irala, e pelo reverendo Daniel do Amaral, diretor secretário do CONIC.

Os participantes formaram um grupo nas redes sociais para manter a articulação surgida no encontro, com vistas a partilhar recursos e preparar um novo seminário em 2017.

Texto: Daniel Souza