cfe bilingue

A Campanha da Fraternidade Ecumênica (CFE) de 2016 será, pela primeira vez, realizada com alcance internacional, ou seja, ultrapassará as fronteiras nacionais. Isso se deve à parceria construída com a Misereor, entidade episcopal da Igreja Católica na Alemanha que trabalha, diuturnamente, na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.

Também somam esforços na CFE a Igreja Católica (CNBB), Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), Visão Mundial, Aliança de Batistas do Brasil.

Juventudes em ação!

Com o objetivo de mobilizar as juventudes brasileira e alemã, os organizadores da Campanha estão propondo a realização de duas ações.

A primeira é um concurso de musica sobre o tema da Campanha "Casa Comum, nossa responsabilidade". Para participar, as pessoas interessadas deverão compor uma música, focando o tema "Direito e Justiça". Importante: o ritmo musical é livre, no entanto, a composição deverá ser inédita e gravada numa produção caseira e amadora, que deverá ser enviada aos organizadores nesse link.

Das músicas recebidas, serão escolhidas, por um júri especial, cinco músicas da Alemanha e cinco do Brasil. Os videoclipes selecionados serão premiados com a gravação de sua música em um estúdio profissional. Será criado um álbum com as dez canções vencedoras. O álbum poderá ser baixado em plataformas online comuns.

A segunda ação conjunta entre as juventudes é um concurso de fotografias sobre o tema "Direito e Justiça". A proposta é que jovens registrem fotograficamente quais direitos são importantes para que crianças, adolescentes e jovens tenham vida digna. Importante: orientar-se na Convenção sobre os Direitos da Criança da ONU, disponível em https://www.unicef.pt/docs/pdf_publicacoes/convencao_direitos_crianca2004.pdf. As fotografias podem ser carregadas neste link.

Ao final, serão selecionadas três fotografias do Brasil e três da Alemanha. As fotografias selecionadas receberão uma cesta com produtos do Comércio Justo.

Veja aqui as condições para participar dos concursos de música e fotografia: www.jugendaktion.de/pt-br

Parceria

No Brasil, participam dessa ação: Rede Ecumênica da Juventude, Pastoral da Juventude, MJPOP e Rede Fale.

Add a comment

big 26fb1fc1dbbff4aec82719d604ab0143

Quatro imigrantes senegaleses participaram do culto da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana (IECLB) de São Sebastião do Caí (RS) no dia 24 de janeiro de 2016. Liderados por Cheikh Ka, eles participaram da liturgia, cantando, em dois momentos, músicas de louvor.

A comunidade luterana, assim como outras instituições, faz parte do Movimento de Solidariedade ao Imigrante de São Sebastião do Caí e cede suas instalações para aulas de português gratuitas.

“Foi um momento muito bacana”, disse a pastora Cristiane Petry. “O trabalho com os imigrantes tem sido uma experiência valiosa, também por ser uma atividade feita em conjunto por diferentes expressões de fé, empresas e o poder público”.

Além da cedência do espaço para as aulas de português, a comunidade arrecada itens de uso pessoal e doméstico – quem deseja ajudar, pode entregar as doações na sede da Igreja. Volumes maiores são coletados gratuitamente – o contato deve ser feito pelo fone (51) 3633-2106 ou (51) 8161-2961.

Add a comment

logo conic site

Em 2016, a Semana de Oração pela Unidade Cristã será realizada entre os dias 8 e 15 de maio. Com o tema “Chamados e chamadas a proclamar os altos feitos do Senhor”, em conformidade com a passagem de 1 Pedro 2:9, que diz: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”.

O material da SOUC 2016 foi preparado pela Letônia em uma Comissão composta, majoritariamente, por católicos, luteranos, ortodoxos e batistas. Posteriormente foi adaptado para o Brasil pelo Movimento Ecumênico de Curitiba.

Promovida mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios. No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro.

No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em diversos estados.

Em 2015, a Semana mobilizou igrejas em todos os estados do Brasil. Milhares de pessoas se mobilizaram para atender a um chamado do próprio Jesus: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam umem nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). E para que a festividade desse ano seja ainda mais completa, é preciso que tod@s participem, a começar pelo Cartaz, que foi escolhido por meio de um Concurso. A seleção da arte vencedora será feita no dia 15 de fevereiro, na sede do CONIC.

Novas informações sobre a SOUC serão passadas oportunamente.

Add a comment

foto16160 g

O presidente do CONIC, dom Flávio Irala, que é bispo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, popularmente conhecido como ‘Conselhão’. O governo divulgou a lista completa dos 92 integrantes na última quinta-feira, 28.

O grupo inclui representações de diferentes organizações da sociedade civil e tem como uma das funções contribuir com sugestões que possam ser incorporadas em projetos que o governo pretende encaminhar, ainda no primeiro semestre, ao Congresso Nacional.

Add a comment

intolerancia2

A comemoração dos 400 anos de Belém ficou marcada pela intolerância religiosa, na manhã do dia 19 de janeiro de 2016. A avenida Marechal Hermes foi o cenário de confronto entre a resistência das populações tradicionais de matriz africana e o fundamentalismo religioso de pessoas que se identificavam cristãs. Numa caminhada que surgiu com o propósito de celebrar a frente de resistência d@s afro-religios@s contra a violência durante o quarto centenário da cidade e denunciar o assassinato de sacerdotes e integrantes das comunidades de terreiro, tornou-se também um momento de evidência não apenas histórica, mas daquilo que essas comunidades cotidianamente ainda sofrem: o racismo religioso.

De um lado, cantos e saudações a orixás e caboclos anunciavam o início do ato, enquanto, também nos arredores, integrantes da Igreja Assembleia de Deus se organizavam para o abraço de oração e gratidão, marcado para 11h00 naquele mesmo dia e local. Entretanto, com a saída da marcha no sentido do Ver-o-Peso, o incômodo começou tomar conta de um conjunto de pessoas que, apostos para o evento seguinte, acabaram se antecipando de forma avessa ao seu propósito inicial.

“Queima Senhor” e “tá amarrado” foram algumas das palavras dirigidas aos participantes da caminhada, em tom de escárnio, desmoralização da manifestação pacífica e demonização da fé alheia, numa atitude contraditória a um ato que tinha em comum o direito a vida para todos (Evangelho de João 10,10) por pessoas que se intitulando cristãs, talvez tenham esquecido que um dia também foram perseguidas por professarem sua fé ou queiram voltar com a Lex Talionis (do latim, Lei do Talião), isto é, do “olho por olho, dente por dente”.

É comum a imprensa brasileira evidenciar conflitos/guerras no oriente médio com raiz nas intrigas religiosas, mas pouco ou nada noticiar sobre episódios como este no cenário brasileiro, reforçando não apenas a invisibilidade de uma tradição, mas de um crime conforme a lei 9.459 de 13 de maio de 1997. E em meio a todo esse silêncio midiático, se tem naturalizado a perseguição aos cultos afro-religiosos e seus adeptos, nas diversas nuances da violência.

Do lobby da bancada “evangélica” no legislativo federal à ausência das tradições de matriz africana no calendário oficial da Prefeitura de Belém, ao lado de outras religiões que também participam da construção dessa cidade, nos provoca a pensar que tais exclusões e seletividades não são fatos desconectados da conjuntura do país, mas refletem uma postura política adotada por alguns grupos da sociedade, assim como setores e instâncias do poder público. Por isso, precisamos ficar muito atent@s, sobretudo no limiar das eleições municipais, para que esse fundamentalismo articulado não alimente o ódio com/entre as religiões e culturas, fragmentando ainda mais nosso povo.

Por isso, na contramão de uma “santa intolerância”, vale destacar que há iniciativas que realmente promovem o diálogo ecumênico entre igrejas cristãs como o Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs - CAIC, entre afro-religiosos como o Movimento Atitude Afro Pará e entre religiões diversas como o Comitê Inter-religioso do Estado do Pará – CIEPA precisam ser mais difusas e apoiadas. E mais do que isso, precisamos incorporar de forma pedagógica a postura da população tradicional de matriz africana presente na caminhada: seguir adiante com fé e resistência, abstraindo quando a coisa for menor que a causa, denunciando quando a vida for ameaçada e contribuindo com um outro mundo possível sempre e com muito axé!

Add a comment

500anosreforma
 
O papa Francisco viajará para a cidade de Lund, na Suécia, no dia 31 de outubro, para participar da cerimônia conjunta entre a Igreja Católica e a Federação Luterana Mundial para comemorar o 500° aniversário da Reforma Protestante.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, explicou que esta visita do papa é "um gesto de diálogo muito significativo".

Na comemoração na Suécia estarão presentes o presidente e secretário-geral da Federação Luterana Mundial, o bispo Munib A. Younan, e o secretário da mesma, o reverendo Martin Junge.

Segundo um comunicado conjunto das igrejas católica e luterana, a comemoração é um exemplo das "sólidas" relações e do diálogo, e incluirá uma "oração comum" que foi redigida por ambas as igrejas.

Na nota, Junge expressou que está "profundamente convencido de que trabalhando pela reconciliação entre luteranos e católicos, trabalhamos pela justiça, pela paz e pela reconciliação em um mundo marcado pelos conflitos e pela violência".

Fonte: EFE
Imagem: Divulgação

Add a comment

holland church e543457

O Recurso do Envolvimento. Assim se intitula o documento ecumênico que as Igrejas na Holanda apresentaram no dia 22 de janeiro em Houten, província de Utrecht, centro do país europeu. Trata-se do primeiro de uma série de volumes dedicados ao compromisso das Igrejas no combate à pobreza no país.

Segundo explica um comunicado do Conselho das Igrejas Cristãs locais, o livro “apresenta 70 iniciativas selecionadas em meio a um leque inexorável de projetos” de ajuda aos indigentes: disponibilidade de refeições para refugiados, organização de férias para pessoas com limitados recursos econômicos, um compromisso constante na política local, atenção especial aos menores.

Encorajar um amplo movimento em prol da caridade e da justiça

Os exemplos são precedidos de uma introdução do secretário do Conselho de Igrejas na Holanda, Klaas van der Kamp, e do professor Herman Noordegraaf, docente da Universidade teológica protestante.

O projeto editorial faz parte da mais ampla iniciativa “Intersecção Igrejas e Pobreza”, espaço de intercâmbio inter-religioso e de reflexão para tornar visível o grande empenho das Igrejas no combate à pobreza na Holanda, encorajar quem já se encontra engajado e estimular aqueles que queiram engajar-se, conscientes de fazer parte de um mais amplo movimento de caridade e de justiça.

Add a comment

160121004404 religioes africanas promo 640x360 fabioteixeira nocredit

Dados compilados pela Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR) mostram que mais de 70% de 1.014 casos de ofensas, abusos e atos violentos registrados no Estado entre 2012 e 2015 são contra praticantes de religiões de matrizes africanas.

A reportagem é de Jefferson Puff, publicada por BBC Brasil, 21-01-2016.

Divulgado nesta quinta-feira (21), Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, o documento reacende o debate: por que os adeptos da umbanda e do candomblé, e suas variações, ainda são os mais atacados por conta de sua religião?

O tema ganhou as páginas dos jornais recentemente, em casos como o da menina Kaylane Campos, atingida por uma pedrada na cabeça em junho do ano passado, aos 11 anos, no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio, quando voltava para casa de um culto e trajava vestimentas religiosas candomblecistas.

Também em 2015, no mês de novembro, um terreiro de candomblé foi incendiado em Brasília, sem deixar feridos. Na época, a imprensa local já registrara 12 incêndios semelhantes desde o início daquele ano somente no Distrito Federal.

A BBC Brasil teve acesso ao relatório da CCIR e ouviu especialistas sobre as razões da hostilidade contra as religiões de origem africana e o que pode ser feito.

Para eles, há duas explicações. Por um lado, o racismo e a discriminação que remontam à escravidão e que desde o Brasil colônia rotulam tais religiões pelo simples fato de serem de origem africana; e, pelo outro, a ação de alguns movimentos neopentecostais que nos últimos anos teriam se valido de mitos e preconceitos para "demonizar" e insuflar a perseguição a umbandistas e candomblecistas.

Relatório e dados

Os entrevistados destacam que, pela primeira vez, a CCIR, criada em 2008, aliou os dados estaduais a números nacionais, informações de outros institutos e relatos de três diferentes pesquisas acadêmicas.

Os dados do Disque 100, criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, apontam 697 casos de intolerância religiosa entre 2011 e dezembro de 2015, a maioria registrada nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No Estado do Rio, o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Ceplir), criado em 2012, registrou 1.014 casos entre julho de 2012 e agosto de 2015, sendo 71% contra adeptos de religiões dematrizes africanas, 7,7% contra evangélicos, 3,8% contra católicos, 3,8% contra judeus e sem religião e 3,8% de ataques contra a liberdade religiosa de forma geral.

Dentre as pesquisas citadas, um estudo da PUC-Rio sugere que há subnotificação no tema. Foram ouvidas lideranças de 847 terreiros, que revelaram 430 relatos de intolerância, sendo que apenas 160 foram legalizados com notificação. Do total, somente 58 levaram a algum tipo de ação judicial.

O trabalho também aponta que 70% das agressões são verbais e incluem ofensas como "macumbeiro e filho do demônio", mas as manifestações também incluem pichações em muros, postagens na internet e redes sociais, além das mais graves que chegam a invasões de terreiros, furtos, quebra de símbolos sagrados, incêndios e agressões físicas.

Ivanir Costa, babalaô registrado há 35 anos e iniciado na Nigéria há 11 anos, está envolvido com a luta contra a intolerância há mais de duas décadas, e encabeçou a redação do relatório, como presidente da CCIR.

Ele diz que a própria ausência de dados consistentes nacionais, que dialoguem entre si, e a subnotificação dos casos, são indícios de como o tema ainda precisa ser levado mais a sério no Brasil.

"Há alguns avanços isolados em lugares como o Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia, mas estamos muito aquém do que precisa ser feito neste setor", diz o religioso, que recebeu em 2014 o Prêmio Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República pelo trabalho na comissão.

Racismo e neopentecostais

Para Francisco Rivas Neto, sacerdote e fundador da Faculdade de Teologia com Ênfase em Religiões Afro-Brasileiras (FTU), baseada em São Paulo e a única reconhecida pelo Ministério da Educação como formadora de bacharéis no tema, é impossível dissociar a intolerância do preconceito contra o africano, o escravo e o negro.

"Os afro-brasileiros são discriminados, preconceituados, para não dizer demonizados, por sermos de uma tradição africana/afrodescendente. Logo, estamos afirmando que o racismo é causa fundamental do preconceito aocandomblé e demais religiões afro-brasileiras", diz.

Já a pesquisadora Denise Pini Fonseca, historiadora, ex-professora da PUC-Rio e coautora do estudo que visitou os mais de 800 terreiros fluminenses, acredita que a origem da intolerância esteja muito mais conectada à crescente influência de alguns grupos neopentecostais no país.

"É claro que o racismo tem influência, mas acredito que é muito mais forte o discurso de alguns movimentos neopentecostais que são na realidade um projeto teo-político que se apropria de símbolos muito poderosos para atingir seus interesses, e que elegeram as religiões de matrizes africanas como alvo", diz.

João Luiz Carneiro, doutor em ciências da religião pela PUC-SP, especialista em teologia afro-brasileira pela FTU e autor do livro Religiões Afro-brasileiras: Uma construção teológica (Editora Vozes), defende que os dois fatores estariam completamente conectados.

"A ligação entre esses dois fatores está muito bem resolvida na academia. As razões profundas na questão racial e o discurso neopentecostal que reforça no imaginário popular que é o macumbeiro, o sujo, o que faz o mal", indica.

Para ele, é nítido o processo em que boa parte do que é produzido pelo negro brasileiro é desumanizado, desvalorizado ou considerado estranho, exótico, folclórico, e a ascensão do discurso de alguns neo-pentecostais que estimula a visão da religião africana como ligada ao culto ao demônio, diabo, satanás, rituais satânicos, macumba ou que fazem o mal.

Casos de intolerância

Luiz Fernando Barros, de 52 anos, já experimentou diversos exemplos de intolerância ao longo dos 37 anos em que atua como religioso da umbanda.

"Já coloquei minha roupa branca religiosa no trabalho e vi que as pessoas queriam caçoar, fazer pouco dos meus valores espirituais. Temos filhos que frequentam escola pública e não podem usar as contas (colares religiosos). Já tive estátuas quebradas no meu templo, tentativas de invasão. Uma irmã nossa foi demitida de um hotel na Zona Sul do Rio quando a gerente descobriu que ela era de umbanda. Não foi o argumento oficial, mas ficou nítido para ela", conta.

Ele foi um dos vários pais de santo que revelaram à BBC Brasil em reportagem publicada no ano passado que se viu forçado a aumentar a segurança de seus terreiro após repetidas invasões. Um deles, Pai Costa, de 63 anos e há 45 atuando como líder religioso, já tinha sofrido três invasões na época e teve de gastar R$ 4.500,00 em sistemas de vigilância.

Outro exemplo é o de Pai Márcio de Jangun, babalorixá, advogado e escritor iniciado há 36 anos no candomblé e com terreiro aberto há 15 anos. Ele diz que a intolerância pode ser sutil e parte do cotidiano, o que também configura discriminação e crime, apesar de não envolver violência física.

"Já me recusaram vender flores quando perceberam que seriam usadas em terreiro de candomblé. No transporte público, a pessoa se levanta por não querer ficar sentada do seu lado, se benze. É algo que infelizmente faz parte do cotidiano e que os praticantes de religiões africanas lidam todos os dias no Brasil", diz.

No relatório da CCIR há casos como a invasão e depredação do centro de umbanda "A Caminho da Paz", no Cachambi, na Zona Norte do Rio, em fevereiro de 2015, assim como incêndios e destruição de estátuas no Distrito Federal.

Também são documentados xingamentos contra crianças judaicas num clube de elite da Zona Sul do Rio, na Lagoa, durante as Mascabadas, olimpíadas de colégios judaicos de todo o país, e o ataque a uma professora de teatro que recebeu uma pedrada na perna aos gritos de "muçulmana maldita" uma semana após os atentados à sede da revista Charlie Hebdo, em Paris, no início do ano passado.

Papel do Estado

Um dos objetivos de aumentar o escopo do relatório da CCIR é chamar a atenção para o problema e nacionalizar o debate, além de pressionar Estados e o governo federal para a implementação de políticas públicas mais efetivas. Outra meta é cobrar a execução da legislação já existente, que tipifica o crime de intolerância religiosa.

No Rio de Janeiro, apesar de alguns avanços pontuais, os especialistas cobram a implementação de uma delegacia especializada, aprovada por lei em 2011 mas ainda sem previsão para sair do papel. São Paulo e Distrito Federal já criaram tais espaços.

Consultado pela BBC Brasil, o governo fluminense confirmou que "não há previsão para a criação" da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância como determinou a Lei Estadual 5931, aprovada em 25 de março de 2011. O governo ressaltou, no entanto, papel pioneiro com a criação do Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos, em 2012, e disse que todas as delegacias de polícia do Estado estão aptas a registrarem casos de intolerância religiosa.

Na visão dos especialistas, este é justamente um dos principais problemas. "Quando a pessoa vai a uma delegacia, o policial registra a queixa como briga de vizinho, rixa, ameaça. Falha ao não aplicar a lei de intolerância religiosa, que prevê a tipificação penal adequada", diz o professor André Chevarese, do Instituto de História da UFRJ, que coordena o Laboratório de História das Experiências Religiosas.

"Além disso, juízes tendem a ser condescendentes, não punem da forma adequada. O Estado falha ainda ao não educar melhor, não incluir mais o ensino sobre África, sobre religiões de matrizes africanas, sobre a importância dasculturas africanas para a construção do país", diz.

Ivanir Costa, da CCIR, diz que ao longo do tempo já presenciou a entrega de documentos às mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, e que ouviu promessas, mas até agora falta vontade política para implementar medidas nacionais mais eficientes, a exemplo do que foi colocado em prática na questão da violência contra a mulher.

"Não temos órgãos que acolham denúncias e orientem vítimas em todos os Estados. Não temos uma base de dados nacional, os números são muito discrepantes ao redor do país. Há pouquíssimas delegacias. Delegados, policiais e juízes descumprem a lei. É um cenário muito incipiente ainda", avalia.

Fonte: BBC Brasil
Foto: Reprodução / Fabio Teixeira

Add a comment

4335322456643

2015 foi um ano em que as crenças de matriz africana sofreram atentados de todas as ordens contra o patrimônio material, físico, moral e espiritual.

Muitos religiosos e seguidores sofreram com a violência e a intolerância religiosa. Invasões de terreiros, demonização ao culto dos orixás e até morte de uma Ialorixá fez deste ano um marco da intolerância religiosa.

Agressões físicas se multiplicaram, dentre elas a de uma criança que, em razão das vestimentas, foi apedrejada quando saía do terreiro. Uma imensa lista de denúncias de injúrias e cerceamento de direitos no âmbito das práticas religiosas, que incluem, entre outras, a realização de rituais sagrados dentro dos terreiros.

Sob o manto do estado democrático de direito, a intolerância demonstrada das mais diversas formas não poupou ninguém. Aquele que pratica a injúria não tem um objetivo maior, senão o de dizer onde aquele que foi injuriado deve estar: no campo da invisibilidade. Não a toa, registra o psiquiatra e filósofo Franzt Fanon em sua obra “Peles Negras, Máscaras Brancas”:

“(…) Enquanto o negro estiver em casa não precisará, salvo por ocasião de pequenas lutas intestinas, confirmar seu ser diante do outro.”

Assim como ocorreu com as mulheres que tiveram determinadas a sua presença no âmbito da vida privada, restando aos homens as disputas no campo público, com negros e não cristãos não foi diferente. Foram e ainda são diversas e poderosas as formas de colonização e exclusão do povo negro e sua religiosidade.

Combater a intolerância religiosa significa rejeitar o racismo como sistema de opressão e dar corpo e voz a uma parcela da população que vem sendo sistematicamente agredida em sua dignidade pelo cerceamento de direito de liberdade de culto.

A questão da liberdade de religião e de culto amplamente requerida pela população negra e pelos religiosos de matriz africana deve ser vista sob a ótica da afirmação e reiteração da identidade negra e de toda a sua ancestralidade. Negar esse direito, compactuar com esta lógica é o mesmo que permitir que os tambores continuem abafados e os adeptos das religiões de matriz africana permaneçam naquilo que o “outro” considera a sua senzala. Não há democracia racial, como não há respeito à diversidade religiosa.

Em 2007, o dia 21 de janeiro foi instituído como a data de Combate à Intolerância Religiosa, em reflexão e memória da Ialorixá Gildásia dos Santos – vítima de um dos casos mais drásticos de intolerância que a história brasileira conheceu. O crime começou em outubro de 1999, quando O jornal Folha Universal estampou em sua capa a imagem de Mãe Gilda, trajada com roupas de sacerdotisa para ilustrar uma matéria cujo título era: “Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes”. Sua casa foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente, e seu Terreiro, depredado por evangélicos. A Ialorixá não suportou os ataques e, após enfartar, faleceu em 21 de janeiro de 2000.

15 anos após a trágica morte de mãe Gilda, a história se repete, e em Camaçari/BA, Mãe Dede de Iansã, também enfarta após uma noite se insultos protagonizada por um grupo evangélico, na porta de seu terreiro.

Em resposta a tanta violência que, assustadoramente, aumenta a cada dia e tem se mostrado uma das faces mais cruéis do racismo, comunidades religiosas de matriz africana promoverão manifestações em todo Brasil.

As ruas serão ocupadas pela promoção da cultura de paz em nossas relações.

Com informações da Carta Maior
Foto: Reprodução

Add a comment

fc3a9rias

Num período do ano, marcado por um quase recesso – festas de final de ano e férias de janeiro e fevereiro -, as pessoas procuram um novo clima. Elas desejam novos ares. Aproveitam para fortalecer os seus vínculos e reafirmam as suas relações mútuas. Este tempo especial convida para um novo olhar para a vida e para Deus.

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil procura estar próxima das pessoas nesta época do ano. Coloca à disposição espaços celebrativos para comunhão e oração. O Espírito de Deus em sua liberdade sopra onde quer. Desperta e movimenta as pessoas para uma relação viva com ele.

“Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração” (Sl 95.7).

Clique aqui e veja algumas opções de espaços celebrativos em diversas praias do litoral gaúcho.

Add a comment