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Reafirmamos nosso Compromisso com a democracia!

"O impedimento da presidenta da república simbolicamente representa o linchamento público de uma mulher e também a ruptura com políticas sociais que garantiam, mesmo que minimamente, a inclusão de grupos mais vulneráveis da sociedade." (Declaração FEACT 17 de maio de 2016)

O sonho ecumênico é o aprofundamento da democracia através da distribuição de renda e riquezas, ampliação de direitos, saneamento básico, fontes renováveis de energia, garantia de direitos de trabalhadores e trabalhadoras, democratização dos meios de comunicação, novas propostas para a segurança pública.

"Essas são agendas que estão cada vez mais fragilizadas nos espaços representativos da política brasileira. Interesses privados, caprichos políticos estão colocados acima do bem coletivo. O recrudescimento dos aparatos repressivos do Estado estão reescrevendo uma história no país que não gostaríamos de ver repetida.

A justiça não deve ser distorcida e nem a lei deve ser usada para fazer prevalecer os interesses dos fortes". (Declaração CONIC 11 de março de 2016)

Foi realizado, no dia 27 de agosto, o Encontro Estadual do regional do CONIC em Minas Gerais. Um dos temas tratados nessa atividade foi a importância do voto popular e o impacto do mesmo na vida da população como um todo.

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Os debatedores buscaram mostrar que cada eleitor ou eleitora tem à disposição uma série de páginas na internet (como www.tse.jus.br) com informações sobre quem está se candidatando a qualquer cargo. Tais informações incluem dados pessoais e informações importantes sobre a declaração de bens de candidatos e candidatas.

A ideia foi mostrar ao público presente que, para que tenhamos um país melhor governado e para que o povo se sinta melhor representado, é preciso escolher bem e, não apenas isso, mas também acompanhar os mandatos dos/das eleitos/as.

“Quando algum eleitor ou eleitora se omite de escolher, anulando seu voto ou se abstendo de escolher ou mesmo de votar, deixa que aqueles/as que fazem sua escolha elejam suas candidatas e seus candidatos, já que apenas os votos válidos (excluindo nulos, em branco e ausentes nas eleições) são computados para a definição das pessoas que se elegerão e governarão.”, dizia um dos textos de divulgação do evento.

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O Grupo de Trabalho por Tempo Indeterminado [OEWG] para Levar Adiante as Negociações visando ao Desarmamento Nuclear Multilateral terminou seu trabalho com êxito no dia 19 de agosto. Agora, está enviando à Assembleia Geral da ONU um chamado para negociar o banimento de armas nucleares no ano que vem. A ação clara, o apoio amplo e uma linha de tempo definida são um marco na abordagem humanitária do desarmamento nuclear.

Muitos passos, de muitas pessoas, governos e organizações diferentes, propiciaram que isso acontecesse. Seus esforços no sentido de focar a incidência ecumênica em uma meta amplamente compartilhada e alcançável fazem parte da história.

Foram dias dramáticos na ONU até que se adotasse o relatório final e sua recomendação de banimento. Quando a decisão final foi tomada, os Estados contrários ao banimento ainda estavam todos na sala, mas somente a metade dos Estados favoráveis ao banimento ainda estavam presentes. Apesar desse obstáculo, o relatório foi adotado com uma margem de três para um – 68 a favor, 22 contra e 13 abstenções. Aqui está a provisão chave do relatório:

“O Grupo de Trabalho recomendou, com apoio amplo, que a Assembleia Geral convoque uma conferência em 2017, aberta a todos os Estados, com a participação e contribuição de organizações internacionais e da sociedade civil, para negociar um instrumento juridicamente vinculante para proibir armas nucleares, levando a sua total eliminação...” (parágrafo 67)

Graças à nossa abrangência geográfica, a incidência ecumênica está envolvendo Estados de todos os lados da questão: Estados a favor do banimento, Estados contra o banimento e Estados em cima do muro. Estamos em uma boa posição para fazer a diferença. Olhando para frente, para a Primeira Comissão da Assembleia Geral da ONU e para além dela, propomos duas metas:

1. Ajudar os governos que dependem de armas nucleares a aceitar o consenso e não votar “não” ou mudar de “não” para “abstém” ou mudar de “abstém” para “sim”. 2. Encorajar mais Estados livres de armas nucleares a se juntar ao debate e demonstrar o apoio majoritário que é o maior ativo do banimento. 

Para mais informações, confira esse artigo sobre o sucesso do OEWG (Grupo de Trabalho): 

www.huffingtonpost.com/susi-snyder/overwhelming-majority-ban_b_11610606.html

Se preferir, leia o release à imprensa do ICAN (International Campaign to Abolish Nuclear Weapons):

www.icanw.org/campaign-news/un-talks-recommend-negotiations-of-nuclear-weapons-ban-treaty

A tarefa do Grupo de Trabalho terminou. Agora é preciso seguir para a Assembleia Geral.

E, depois, quem sabe, uma conferência para negociar um tratado?

Foto: Xanthe Hall

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Cerca de 200 pessoas, em sua maioria, haitianas e senegalesas, participaram da primeira oficina sobre Fluxos Migratórios, que aconteceu neste sábado, dia 27 de agosto, no salão da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Lajeado/RS. O evento teve como objetivo debater o tema da imigração na região, além de oferecer informações sobre o processo de imigração no Brasil, legislação, documentação, espaços de apoio e propostas de acolhimento.

Para o Pastor Vice-Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, Luis Henrique Sievers, conhecer a cultura, os motivos pelos quais se encontram na região, as suas dificuldades e como manter um relacionamento, foi importante. O encontro buscou contribuir para a compreensão da situação de imigrantes, superar preconceitos e proporcionar crescimento mútuo. “Queríamos diminuir as distâncias entre as pessoas, para que elas superem o isolamento. Dessa forma, mostramos interesse e prestamos solidariedade em momentos difíceis”.

O porta voz da comunidade de haitianos em Lajeado, Renel Simon, afirma que o evento contribuiu para tirar dúvidas ligadas aos processos legais que envolvem pessoas imigrantes no Brasil. Ele conta que, no atual momento, uma das maiores dificuldades para pessoas imigrantes é o desemprego. "Me sinto muito mal vendo elas e eles sem emprego. Meu maior desejo é que consigam ajudar a si mesmos e seus familiares", diz. “A ideia é que possamos ter mais encontros como esse".

Causas, consequências e desafios

A secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Pastora Romi Márcia Bencke (IECLB), falou sobre causas, consequências e desafios dos fluxos migratórios mundiais. “Sinto-me triste em saber que existem pessoas sendo desalojadas, expulsas de suas casas por causa de grandes conflitos ambientais. De repente, são jogadas no mundo e obrigadas a recomeçar a vida numa terra distante da cultura e realidade delas”, diz a pastora.

Desafios da acolhida

O assessor de projetos da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Rogério Oliveira de Aguiar falou sobre os desafios da acolhida de imigrantes e refugiados pelas populações dos países solidários e o papel das comunidades religiosas frente às demandas apresentadas pelo fluxo de imigração atual no Brasil. “Queremos incentivar as comunidades a buscar parcerias junto as organizações da sociedade civil, instituições governamentais e igrejas que atuam na garantia de direitos, para auxiliarem nesse trabalho de acolhida e acompanhamento. A ideia é fomentar uma rede de apoio entre organizações da sociedade civil e redes de assistência no município e na região, e que as pessoas imigrantes possam atuar como protagonistas nesse processo”.

Direitos e deveres

O advogado Alexandre Scherer Neto palestrou sobre os direitos e deveres de pessoas imigrantes e refugiadas diante da legislação brasileira, afirmando que o governo aceita que imigrantes venham para o Brasil, mas não proporciona condições adequadas. “Nossas antepassadas e nossos antepassados, quando vieram para cá, tiveram acesso à natureza, que lhes proporcionou a sobrevivência. As pessoas que vêm hoje, estão inseridas no sistema industrializado e desenvolvimentista, com necessidades que vão além de água e luz, como alimentação, transporte e bens“, diz.

Conforme Neto, brasileiras e brasileiros também se sentem desassistidas pelo poder público, e o que deve-se perceber é que imigrantes não querem tirar nada do país, mas contribuir dentro de uma nova terra. “Não sei se foi falta de compromisso do governo, falta de recursos ou descaso. Sabemos que o povo brasileiro também está enfrentando carências devido a esse momento de crise, por isso esse encontro deve passar uma outra visão.“

A oficina contou com apoio da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), da Rede Ecumênica da Juventude (REJU), do Sínodo Vale do Taquari e da Comunidade Evangélica Luterana de Lajeado (IECLB).

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Fonte: Fundação Luterana de Diaconia
Fotos: Renata Leal

O CONIC criou, em seu site, o espaço Religiões e Democracia. A ideia é refletir as relações entre a religião e a democracia e trabalhar a temática com o auxílio de perguntas feitas a lideranças religiosas, teólogos e teólogas, cientistas da religião e de outras áreas do conhecimento. Convidamos vocês para lerem as entrevistas, artigos, e manifestarem opiniões. Sempre em um espírito de diálogo e respeito às ideias.
 
Desta vez, falamos com Pedro Triana, doutor em Ciências da Religião.
 
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Pedro Triana – Doutor em Ciências da Religião
 
Tua verdade?
Não, a Verdade, e vem comigo buscá-la.
A tua guarda-te lá.[1]
 

Uma reflexão sobre o diálogo inter-religioso e a teologia do pluralismo religioso
 
“As religiões e caminhos espirituais devem dialogar juntos
para serem a consciência ética da humanidade
e o grito pacífico dos empobrecidos”.
Dom Helder Câmara[2]
 
“Não haverá paz entre as nações
sem a paz entre as religiões.
Não haverá paz entre as religiões
sem o diálogo entre as religiões.
Não haverá diálogo entre as religiões
se não se investigam os fundamentos das religiões”.
Mahatma Gandhi[3]
 
Excluídos da Democracia?
 
A missão da Igreja no mundo é proclamar, em palavra e ação, a Boa Nova de salvação em Jesus Cristo (Mc 16,15). Isso quer dizer que a evangelização é uma das tarefas prioritárias da Igreja em obediência ao que Jesus ordenou (Mt 28,20). E a Igreja foi chamada, pelo Espírito Santo, a dar testemunho da obra de Deus, nosso Pai e nossa Mãe, que traz reconciliação, cura e transformação. Dessa maneira a promoção da justiça e da paz é parte fundamental da evangelização.
 
Apesar de que nem sempre no passado a religião dos outros foi tratada com o respeito que lhe é devido. A evangelização deve sempre respeitar as pessoas de outras crenças. E hoje estamos cada vez mais conscientes tanto da grande variedade de religiões quanto das verdades e valores positivos que elas contêm.
 
No contexto contemporâneo, e de consciência crescente do pluralismo religioso, os cristãos têm refletido e discutido cada vez mais questões como a possibilidade de salvação para as pessoas que não creem explicitamente em Cristo ou a relação entre diálogo inter-religioso e proclamação do senhorio de Cristo.[4]
 
No entanto, dados do Disque 100, criado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, apontam 697 casos de intolerância religiosa entre 2011 e dezembro de 2015, a maioria registrados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. No estado do Rio, o Centro de Promoção da Liberdade Religiosa e Direitos Humanos (Cpril) registou 1.014 casos entre julho de 2012 e agosto de 2015, sendo 75% contra adeptos de religiões de matrizes africana.
 
Para Francisco Rivas Neto, sacerdote e fundador da Faculdade de Teologia com Ênfase em Religiões Afro-Brasileiras (FTU), baseada em São Paulo, e a única reconhecida pelo Ministério de Educação como formadora de bacharéis no tema, é impossível dissociar a intolerância do pré-conceito contra o africano, o escravo e o negro. Diz Francisco Rivas Neto: “Os afro-brasileiros são discriminados, preconceituados, para não dizer demonizados, por sermos de uma tradição africana/afrodescendente. Logo, estamos afirmando que o racismo é causa fundamental do preconceito ao candomblé e demais religiões afro-brasileiras”.[5]
 
E quando escutamos e tomamos noticia desses fatos, poderíamos nos perguntar: onde está o Estado Democrático de Direito? Porque a Democracia não se realiza na sua plenitude quando se exclui, marginaliza, discrimina e demoniza parcelas da população, e não se reconhece o direito de cada pessoa ter uma vida digna, assim como o direito à vida em todas suas dimensões, direito à liberdade, à igualdade, à educação, à saúde, assim como à prática religiosa. Entretanto, a Constituição Federal, da República Federativa do Brasil, já em seu preambulo, afirma-se que o Estado Democrático de Direito está: “destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”.[6]
 
No entanto, poderíamos nos perguntar também, qual o papel social da religião e as religiões nessas situações de marginalidade, exclusão e discriminação, assim como na sociedade em geral? É uma realidade que na sociedade contemporânea, a religião não constitui a motivação principal do comportamento humano. A própria existência dos estados não depende da sanção religiosa, e o debate social, cultural e filosófico no se centra em temas religiosos. Porém, quando a religião e os sistemas religiosos se integram na dinâmica da resistência e dos reclamos dos setores populares excluídos e discriminados, indígenas, afrodescendentes, feministas etc., ai a religião e as religiões assumem um papel social importantíssimo cuja força e alcance não podem ser subestimados.
 
Dois profetas, Dom Elder Câmara e Mahatma Gandhi, desde contextos culturais e religiosos diferentes, comentam esse papel social da religião. Por um lado, Dom Elder Câmara salientou: “As religiões e caminhos espirituais devem dialogar juntos para serem a consciência ética da humanidade e o grito pacífico dos empobrecidos”. E por outro lado, Mahatma Gandhi afirmou: “Não haverá paz entre as nações sem a paz entre as religiões. “Não haverá paz entre as religiões sem o diálogo entre as religiões. Não haverá diálogo entre as religiões se não se investigam os fundamentos das religiões”.
 
Então, tendo como pano de fundo os comentários acima expressados, refletir sobre o pluralismo religioso e a teologia do pluralismo religioso se faz uma necessidade e um desafio tanto teológico como ecumênico, tanto na realidade brasileira quanto global. E isso é o que estamos propondo fazer a seguir.
 
Uma época de mudanças
 
Fala-se que não estamos vivendo em uma época de mudanças, mas sim em uma mudança de época. Fala-se, também, que estamos vivendo na chamada época «pós-moderna»[7], onde, desde uma visão e interpretação unitária da realidade passa-se à vivência de uma pluralidade radical, da descontinuidade e da fragmentação. Daí que também se fale do fim dos paradigmas e das utopias[8], e de que o caos é uma das principais formas nas quais a sociedade, e dentro dela particularmente os empobrecidos, experimentam o panorama social e espiritual de hoje[9].
 
Isto se faz uma realidade no meio de um processo planetário que se identifica com o termo de «globalização». Não é nosso objetivo principal refletir sobre os aspectos positivos e negativos da globalização, porém, é uma realidade que a globalização marca os tempos de hoje. É um fenômeno que penetra tudo e integra tudo, e cujos efeitos se fazem presente em toda a sociedade a nível mundial: na política, na economia, nas comunicações, na tecnologia, nos Estados, nas nações, afetando até as instituições e sistemas religiosos.
 
No entanto, anota José María Vigil[10], que o termo «globalização» é um termo errado. E ainda que muitos o utilizem no sentido de «mundialização», seria melhor lembrar seu sentido original, o qual não é mais que o nome que o neoliberalismo atual deu a seu próprio processo de expansão de capitais depois do fim da guerra fria. A «mundialização», segundo ele, por sua vez, é um fenômeno muito mais amplo e antigo, que se refere ao processo de unificação e concentração do mundo em sistemas sociais cada vez mais amplos, aproximando-se cada vez mais às dimensões mesmas do planeta. Mas processo que se intensificou nos últimos séculos, e que, particularmente no século XX, tem alcançado a totalidade de nosso planeta. Hoje temos a impressão de estar vivendo no apenas no mesmo planeta, mas realmente «em um mesmo mundo», ou como também tem se falado «em uma aldeia comum», em uma sociedade mundial mundializada.[11]
 
Assumindo nesta reflexão as colocações de Vigil, caberia agora nos perguntarmos, quais efeitos tem a «mundialização» sobre a religião, as religiões e a teologia?
 
Por um lado, a mundialização faz que as religiões não possam mais se ignorar. Muitas sociedades são pluriculturais, formadas por imigrantes procedentes de outros países, bairros habitados por diferentes etnias e culturas. As diferentes religiões já não se encontram longe, mas na mesma sociedade e até na mesma cidade. Em uma mesma quadra podemos encontrar uma igreja católica romana, uma igreja evangélica e até um terreiro de candomblé. Dessa maneira, querendo o não querendo as diferentes religiões são obrigadas a viver em sociedade, a conviver, a comparar-se, a confrontar-se, e a desafiar-se mutuamente. Deste modo, os membros das diferentes religiões vão se dando conta que sua religião não é a única que existe. E aí começam a conhecer e conviver com pessoas de outras religiões (vizinhos/as, amigos/as, até membros da própria família), tão cheias de amor como os membros de sua própria religião. E começam a se perguntarem se sua religião realmente é a «única e verdadeira». Por isso, a mundialização desafia as religiões, talvez colocando em perigo sua identidade distintiva, mas por sua vez, oferecendo novas possibilidades de fecundação e revitalização. Fala-se que a inter-espiritualidade é a religião do terceiro milênio[12].
 
Por outro lado, a mundialização trás também desafios para a tarefa teológica. Comenta José Maria Vigil que na época da mundialização o teólogo poderá ter uma confissão religiosa determinada, mas uma teologia que fale para a sociedade e ao mundo deverá ser uma teologia que possa ter sentido para um destinatário que é multireligioso, porque em caso contrario não estaria realmente fazendo teologia no mundo plurirreligioso de hoje, mas em um mundo monoreligioso que já não existe.[13]
 
Entretanto, em um mundo onde a globalização neoliberal perpetua o empobrecimento das grandes maiorias, matizado por guerras, violência e divisões culturais, onde se desrespeita e agride nosso lar natural, e onde inclusive a luta contra o terrorismo tem no fundo matizes religiosos, a mundialização desafia a todas as religiões a lutarem juntas por alcançar uma ética mundial.
 
Afirma a «Declaração sobre o papel da religião na promoção de uma cultura de paz» (Catalunha, Espanha, 1994): “Nossas comunidades têm a responsabilidade de fomentar uma conduta inspirada na sabedoria, a compaixão, a partilha, a caridade, a solidariedade e o amor, que guie a todos pelos caminhos da liberdade e a responsabilidade. As religiões devem ser uma fonte de energia liberadora”.[14]
 
Portanto, em nosso mundo mundializado de hoje o diálogo inter-religioso se torna urgente, não apenas para teorizar teologicamente, senão para possibilitar a paz, a justiça e a fraternidade humana, contribuindo assim a dar uma resposta comum na solução dos grandes e graves problemas que enfrenta a humanidade.
 
Fundamentos bíblicos e teológicos para uma teologia do pluralismo religioso
 
O conceito fundamental que sustenta uma visão conservadora, fundamentalista e/ou exclusivista do cristianismo é o conceito de «revelação». Uma pessoa que assim pensa, e mantém uma postura contraria ao pluralismo, invocará a Bíblia e a revelação como sua razão última: «é Deus mesmo quem nos revelou a verdade e nós devemos aceitá-la». Mas a teologia do pluralismo religioso propõe uma visão diferente da revelação. Por isso, é a revisão e transformação do conceito de revelação o que está na base da emergência do pluralismo como superação tanto do «exclusivismo» como do « inclusivismo».
 
Porém, convém agora realizar algumas clarificações do que se entende por exclusivismo e inclusivismo. Mas ofereceremos apenas os conceitos mais comuns e aceitos dentro da teologia das religiões.
 
Até a primeira metade do século XX a posição teológica dominante dentro do cristianismo tem sido o «exclusivismo». E a expressão simbólica desta posição encontra-se na famosa sentença atribuída por uns a Orígenes e por outros a Cipriano «extra ecclesiam nulla salus», ou seja, «fora da igreja não há salvação». Essa posição manteve-se constante dentro do catolicismo praticamente até a primeira metade do século XX.
 
Entretanto, o exclusivismo pode ser eclesiocêntrico ou não. Assim, vemos que no campo protestante o exclusivismo adquire uma forma no eclesiocêntrica «a sola Fé, a sola Graça, a sola Escritura». A figura típica e simbólica desta posição a encontramos em Karl Barth (1886-1968). Barth, apesar de não ser um fundamentalista protestante, opõe revelação e religião, negando que a religião pudesse ser canal de revelação. Segundo Barth a religião é a relação que as pessoas instauram com o poder divino por suas próprias forças, ou seja, um intento de manipular a Deus, enquanto a fé é a relação que Deus instaura gratuitamente. Daí acrescenta Barth, a religião é obra humana sendo nossa tarefa a supressão de toda religião, nossa fé é a invalidação radical de tudo o que é humano: experiência, saber, posse e atividade. Fora do cristianismo, que é a religião perfeita e verdadeira, conclui Barth, tudo é trevas e afastamento de Deus.[15]
 
Entretanto, o «inclusivismo» afirma que ainda que a salvação encontra-se presente de maneira particular no cristianismo, também pode ser encontrada de maneira «deficiente e imperfeita» nas outras religiões. E esta posição será a que vai se afirmar no mundo teológico, particularmente dentro da Igreja Católica Romana, e influirá os debates e documentos do Concilio Vaticano II. No entanto, fazemos a ressalva que no presente esta é a posição teológica majoritária no cristianismo, tanto católico como protestante (cf. Hans Küng, Wolfhart Pannenberg, Mark S. Heim, Gregory Baum, Monika Hellwig, Edward Schillebeeckx, Harvey Cox, Roger Haight, Marcus Borg entre outros).
 
Podemos assinalar o católico Karl Rahner (1904-1984) como uma figura típica desta posição. A visão de Rahner em sua teologia das religiões se resume em sua teoria de «cristãos anônimos», ou seja, os não cristãos são salvos pela graça e presença de Cristo que age anonimamente entre suas religiões. Deste modo, com uma visão inclusivista/cristocêntrica, postulou que as diversas religiões não somente apresentam elementos de uma crença natural em Deus, mas trazem consigo traços substanciais da graça doada a Deus ao homem em Jesus Cristo e que, portanto, os cristãos não apenas podem, mas devem considerar outras religiões como legitimas e como caminhos de salvação.[16]
 
Passo, na sequência, a oferecer uma síntese dos elementos principais, bíblicos e teológicos, dessa nova visão que possibilita as transformações teológicas que levam a uma mudança de mentalidade a partir do inclusivismo para o pluralismo.
 
Por um lado, Paul Knitter[17] afirma que é idolatria insistir que há apenas um caminho uma norma, uma verdade. Nenhuma religião ou revelação pode ser somente ou a Palavra de Deus final ou exclusiva ou inclusiva. A realidade é plural, desde átomos até religiões, e Deus precisa de multiplicidade para ser Deus. E, por outro lado, afirma também o teólogo indiano Panikkar, que porque a realidade é pluralista, o mistério da Trindade é o fundamento último para o pluralismo[18].
 
Na carta aos Hebreus se diz: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho” (Hb 1,1). E comentando esse texto diz Jacques Dupuis[19] que o fato de Deus ter falado “muitas vezes e de muitas maneiras” antes de falar pelo Filho não é acidental, nem o caráter plural da auto-manifestação de Deus é apenas uma coisa do passado. O caráter decisivo da vinda do Filho na carne em Jesus Cristo não cancela a presença e ação universal do Verbo e do Espírito. O pluralismo religioso se funda sobre a imensidade de um Deus que é Amor.[20] Por outro lado, Paulo, na Carta aos Gálatas afirma uma visão universalista, inclusiva e plural do evangelho quando diz: “... não existe diferença entre judeus e não-judeus, entre escravos e livres, entre homens e mulheres, todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gl 3,28).
 
Assim sendo, o pressuposto bíblico básico e fundamental para uma teologia cristã do pluralismo religioso é a compreensão de que Deus é amor e salvação universal (Cf. 1 Jo 4,7-8). E se o amor de Deus é ilimitado, nosso amor para com o próximo deve ser ilimitado também Por isso o evangelho nos chama a amar a nosso próximo como a nós mesmos (Cf. Mt 23,37; Mc 12,30 e Lc 10,27).
 
Mas amar ao próximo significa respeitá-lo, escutá-lo, tratá-lo como gostaríamos que ele nos trata-se. Significa confrontá-lo quando penso que está errado, mas também estar preparado para ser também confrontado por ele. Em fim, amar ao próximo significa ser capaz de dialogar com ele.
 
No entanto, a partir do amor ilimitado de Deus, que nos chama também a amar a nosso próximo como a nós mesmos, Knitter reflexiona e afirma que há uma coisa errada nas visões tradicionais sobre as outras religiões. Porque se sustentamos como cristãos que nossa verdade é única ou absolutamente final, na qual todos os outros devem estar incluídos, não estamos tratando aos outros como nossos irmãos e nossas irmãs. E com essa maneira de agir e pensar entramos em uma contradição ou tensão entre o primeiro e o segundo mandamento. Deste modo, tendo em conta a prioridade da ortopraxia de amar o nosso vizinho e a nossa vizinha, sobre a ortodoxia das teologias tradicionais, a teologia do pluralismo religioso propõe que para compreender o grande mandamento, os modelos tradicionais –tanto exclusivos como inclusivos- devem ser revistos e revisados. Porque o amor sem limites de Deus não está restrito somente a uma religião ou caminho espiritual.[21]
 
A partir desses pressupostos a teologia cristã do pluralismo religioso se afasta, por um lado, da visão exclusivista não eclesiocêntrica, mas centrada na «sola Fé a sola Graça e a sola Escritura» de Karl Barth, e por outro lado, da visão inclusivista dos «cristãos anônimos» de Karl Rahner. Mas também, se afasta de outro «Karl» ou seja, de Karl Marx que não conseguiu entender que a religião pudesse ser um veiculo de transformação social[22].
 
Milton Schwantes acostuma dizer que: “A Bíblia não é de ninguém. A Bíblia é de todos”. E a partir dessa afirmação postulava uma leitura ecumênica da Bíblia. Esse enfoque evoluiu para leituras em direção ao pluralismo religioso, a partir de descobertas recentes da arqueologia que questionam conceitos como “povo eleito” e “Deus único”, conceitos que tem uma origem tardia. Essas descobertas mostraram que na sua origem Israel não era uma nação, mas uma multidão de cananeus excluídos com costumes diversos e com crenças em uma pluralidade de divindades como El, Astarte, Baal, Ashera, Anat, Elohim, Javé, etc.
 
Assim, a arqueologia que volta seu olhar para o entorno do ambiente bíblico que busca resgatar o considerado insignificante mundo cananeu do Israel do Norte, oculto na Bíblia, vai ao encontro às minorias e maiorias excluídas da América Latina e Caribe. Ela é um auxilio para a hermenêutica que privilegia a leitura a partir dos povos ameríndios e afrodescendentes, quilombolas, indígenas, campesinos, da leitura de gênero etc. Afinal de conta os pobres e excluídos continuam presente na Bíblia e mais do que nunca presentes em nosso tempo.[23]
 
Portanto, e resumindo, a teologia do pluralismo religioso parte: em primeiro lugar, do questionamento, à pretensão cristã de ter a verdade absoluta, de ser a única religião autêntica, e de ser o único caminho de salvação e, consequentemente, da valorização das outras religiões como caminhos de salvação e como revelação de Deus à humanidade. Assim, na visão do pluralismo religioso «há muitos Povos de Deus»; em segundo lugar, do reconhecimento de que a Divina Realidade e Verdade é, por sua própria natureza, sempre mais do que qualquer ser humano possa compreender ou qualquer religião possa expressar[24]; em terceiro lugar, da afirmação de que Jesus é uma Palavra que pode ser compreendida apenas em conversa com outras Palavras; é o caminho que está aberto para outros caminhos[25]; em quarto lugar, da certeza de que quando pessoas religiosas escutam juntas as vozes do sofredor e do oprimido, quando tentam responder juntas às necessidades deles, são capazes de confiar umas nas outras e sentir a verdade e o poder da singularidade de cada um[26], reconhecendo, também, assim, o direito à diferença como legitimo; finalmente, da certeza de que não é autêntica uma religião que não se dirige como preocupação primordial, à pobreza e a opressão que infesta nosso mundo[27].
 
Por todo o anteriormente dito, a teologia do pluralismo religioso não é apenas um reconhecimento mecânico e oportunista da realidade religiosa plural de nosso mundo, seja por uma necessidade de convivência ou sobrevivência, porém, como bem afirmam Faustino Teixeira[28] e José María Vigil, a afirmação de um conhecimento mútuo e de um enriquecimento recíproco[29], no compromisso com a construção de um Reinado de Deus que seja vida, justiça, paz, graça e amor para todos, mas em primeiro lugar para os menos favorecidos e empobrecidos, que são injustiçados e privados de seus direitos[30].
 
Não há outro nome?
 
Sem dúvida nenhuma o aspecto mais difícil, conflitante e neurálgico da teologia do pluralismo religioso é a cristologia. E a questão cristológica tem a ver com o que se tem chamado «a essência do cristianismo», ou seja, a compreensão tradicional da unicidade de Cristo como elemento central e fundamental da identidade cristã.
 
Para os críticos da teologia do pluralismo religioso, colocar Jesus numa comunidade de iguais com outros reveladores significa roubar a força do compromisso de discípulos de Cristo e diluir a coragem da denuncia profética cristã do mal. Poderia contribuir para uma comunidade feliz de religiões, mas à custa da identidade cristã[31].
 
E as provocações e desafios mais fortes, tanto à visão tradicional de entender a unicidade de Cristo como ao inclusivismo, vêm de duas figuras chaves da teologia do pluralismo religioso: John Hick[32] e Paul Knitter.
 
Assim, por um lado, Hick postula a validade de todas as religiões mundiais como contextos autênticos de salvação/libertação, os quais não são secretamente dependentes da cruz de Cristo[33]. E, por outro lado, Knitter, ainda que reconheça que Jesus é verdadeiramente a Palavra salvífica de Deus, afirma que Ele (Jesus) não é a única Palavra salvífica que Deus pronunciou[34].
 
Segundo o Prólogo do evangelho de João (Jo 1,1-18), o Deus revelado em Jesus é o Deus que antes tem estado no mundo desde o inicio, criando, salvando e procurando atrair todas as coisas à pessoa de Deus (cf. Pr 1,20; Sb 9,1-3;10,1-2.15-19; 11,1-3; Jo 1,1-5). Desta maneira, afirmar uma visão cristológica a partir do Logos/Sabedoria (cf. Pr 1-2; Sb 9-12; Jo 1,1-18) presente no Prólogo do evangelho de João, pode abrir a porta e facilitar para os cristãos entrar no diálogo inter-religioso com afirmações do que Deus fez em Jesus (Jo 1,14-18), mas sem insistir em que Deus o fez somente em Jesus.[35]
 
Para Knitter todo o que Jesus diz e faz está inspirado em seu compromisso com a vinda do «Reino de Deus» (cf. Mt 6,33; Lc 4,16ss; 7,18-23)[36]. Jesus nunca se pregou a si mesmo, nem pregou simplesmente «Deus». Sempre que falava de Deus falava do Reino de Deus. O Reino foi a causa e a razão da sua vida e de sua morte, porém, nunca deu uma definição do Reino de Deus. E não o explicita ou define porque não é um conceito que ele tenha criado ou inventado, mas um conceito bem antigo nas tradições de Israel, particularmente das tradições proféticas e apocalípticas (cf. Ex 15,18; Sal 47,8; Is 24,23; 52,7; Dn 4,3; Ob 21; Mq 4,7). E sempre que falava do Reino o fazia mediante a simbologia e a metáfora das parábolas, onde o Reino não é um fato para além da historia, mas uma realidade deste mundo. É Deus em relação a esta Terra e a esta historia. E para Knitter será precisamente o símbolo do Reino de Deus a chave hermenêutica para compreender a unicidade de Jesus, a unicidade do cristianismo e a base e a meta para o diálogo inter-religioso.
 
Anota ainda Harvey Cox[37] que a visão centrada no Reino muda todo o significado da discussão entre as pessoas de diferentes tradições religiosas. A finalidade da conversação é diferente. O diálogo inter-religioso não se converte em meta por si mesmo nem numa busca estritamente religiosa, mas em meio para a antecipação da justiça de Deus. Converte-se em práxis[38].
 
Desta maneira, quando os cristãos hoje fundamentam a unicidade de Jesus no Reino de Deus e no símbolo da sua morte e ressurreição eles estabelecem uma «relação» com outras religiões que pode ser «exclusiva», ou «inclusiva» ou «pluralista correlacional». É «exclusiva» no sentido de que esta compreensão da unicidade de Jesus desafiará qualquer crença ou prática que no promova um compromisso com o amor e a justiça, particularmente com as pessoas oprimidas assim como também com a Terra oprimida; «inclusiva» no sentido que esclarece e realiza o potencial de outras religiões para promover o que os cristãos chamam de Reino de Deus; «pluralista no sentido de que reconhece as outras visões encontradas em outras religiões e será por sua vez plenamente realizada por elas. E será isto o que Knitter chama «cristologia correlacional e globalmente responsável».
 
Finalmente, termino esta caminhada pelo pensamento cristológico da teologia do pluralismo religioso com as acertadas palavras do teólogo indiano já falecido, George Soares Prabhu, “a verdadeira «unicidade» de Cristo é a unicidade do caminho da solidariedade e luta (um caminho que não é masculino nem feminino) que Jesus mostrou como o caminho para a Vida. Convidamos outros para percorrê-lo conosco e compartilhar da experiência que temos tido, sem afirmar que é o único caminho ou o único melhor”[39].
 
Ora, a mudança do «cristocentrismo» para o «reinocentrismo», na visão da teologia do pluralismo religioso, tem profundas implicâncias. Buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6,33), o qual no presente significa promover a felicidade de todas as pessoas deste mundo, em vez de procurar primeiro o bem-estar da Igreja, significa uma profunda revisão das visões eclesiológica e missiologia tradicionais, E essa será a temática que pretendemos desenvolver na próxima seção.
 
Na busca do Reino de Deus: Missão é dialogar
 
Foi na prática do seguimento de Jesus que os primeiros cristãos o conheceram e acreditaram nele. Seguimento que implicava estar comprometido ativamente com a vida e as lutas deste mundo, preocupar-se especialmente com as pessoas que estão sofrendo por causa da injustiça e a opressão, na esperança de que, apesar de fracasso e morte, este mundo pode mudar para melhor[40]. E aqui certamente nos encontramos no campo do serviço e da missão.
 
E afirmar, como faz a teologia do pluralismo religioso, uma visão «reinocêntrica» da Igreja e a missão, implica, por um lado, reconhecer que as outras religiões não são apenas «caminhos de salvação» (Karl Rahner/Hans Küng), mas «caminhos» e possíveis «agentes» desse Reino; e, por outro lado, que fazer possível que todas as pessoas se tornem membros do Reino é mais importante que fazê-los membros da Igreja, porque a missão de Deus «missio Dei» é maior que a missão da Igreja, e o Reino mais importante que a própria Igreja (Dupuis).
 
Portanto, na visão da teologia do pluralismo religioso, a missão só tem sentido em uma perspectiva pluralista e dialogal. Ou seja, a melhor forma como a Igreja e os seguidores de Jesus podem servir ao Reino de Deus no mundo atual, religiosamente plural e globalmente ameaçado, pela globalização neoliberal, é por meio do diálogo, porque do contrário, a natureza e o propósito da missão estão perdidos e tornam-se irrelevantes [41].
 
O anteriormente dito implica ter uma visão missionária dialogal e abrangente, onde a proclamação e a prática da boa notícia do Reino de Deus devem permear todas as atividades: o dia-a-dia, a luta pela justiça e pela democracia, assim como a liturgia, a espiritualidade e a teologia.
 
Portanto, aqui é oportuno observar e concluir, que ao se afirmar como um novo paradigma, a teologia do pluralismo religioso e o diálogo inter-religioso têm serias e profundas implicâncias tanto para o trabalho teológico em geral, quanto para o movimento ecumênico em particular.
 
Há muitas moradas? (Jo 14,2)
 
Chegamos ao final desta caminhada pela teologia do pluralismo religioso. Certamente o caminho proposto insere-se no horizonte da reflexão teológica cristã, mas está aberto a uma perspectiva global mais abrangente.
 
E tentando amarrar, agora, os fios desta caminhada, o grande desafio da proposta da teologia do dialogo e do pluralismo religioso significa, em primeiro lugar, reconhecer que a «verdade» cristã é «a nossa verdade», mas não é a única e absoluta «verdade»; “há mais verdade religiosa em todas as religiões juntas do que em uma religião específica [...]. Isto se aplica também ao cristianismo”, comenta Schillebeeckx[42]; em segundo lugar, implica o reconhecimento da diferença genuína que marca as diversas tradições religiosas, mas também sua riqueza, enquanto autenticamente preciosas, assim como o caráter irredutível e irrevogável do outro interlocutor, com o qual se instaura a busca de um conhecimento mútuo e de um recíproco enriquecimento[43]; e, finalmente, e resumindo, significa e implica estar convencidos de que todas as religiões são «verdadeiras», têm sua «Verdade», são caminhos pelos quais Deus sai ao encontro, mas que também são todas humanas, e por isso limitadas, relativas, incompletas, e com pecados históricos que as condicionam[44].
 
Penso, em minha opinião, que os cristãos, assim como todas as pessoas religiosas, têm que admitir honestamente que dentro de nossa condição humana limitada e finita, não pode haver uma palavra final, nem um único modo de conhecer a verdade que seja válido para todos os tempos, para todos os lugares, e para todas as pessoas.
 
Dom Pedro Casaldáliga expressou: “A verdade é caminhante, como as pessoas, como a Historia, como o Deus vivo que nos acompanha. Não é minha nem tua, é nossa, ou somos dela, melhor”[45].
 
E retomo, para terminar, a frase do poeta espanhol Antonio Machado, que dá título a esta reflexão e que nos adverte: “Tua verdade? Não, a Verdade, e vem comigo buscá-la. A tua guarda-te lá.”.
 
Sem dúvida nenhuma, na casa do Pai e da Mãe comum de toda a humanidade «há muitas moradas».
 
Biografia:
 
Pedro Julio Triana Fernández é presbítero da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), Diocese Anglicana de São Paulo (DASP). Doutor em Ciências da Religião (área Ciências Sociais e Religião/Bíblia/Antigo Testamento) pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Representante da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil perante a Comissão Teológica do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC); Coordenador Geral do Centro de Estudos Anglicanos (CEA) da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
 
__________________________
[1] Antonio Machado (1875-1939), poeta espanhol. Nascido em Sevilla, deixou um grande legado dentro do modernismo espanhol e formou parte da denominada “Geração do 98”, foi membro da Real Academia Espanhola. Alguns de seus livros mais importantes foram: “Soledades”, “Campos de Castilla” e “La Guerra. Dentre sua obra poética podemos destacar: A um olmo seco, Caminante no hay camino, El crimen fue em Granada, Anoche cuando dormia, Elegía de um madrigal, Españolito que vienes al mundo e La mujer manchega.
Veja: Antonio Machado - Poemas de Antonio Machado http://www.poemas-del-alma.com/antonio-machado.htm#block-bio#ixzz4BwBaeI4L
[2] Dom Hélder Câmara, na Conferência das Religiões pela Paz, Kyoto, Japão, 1970.
[3] Ainda que fosse Hans Küng quem popularizou a frase, realmente foi pronunciada por Mahatma Gandhi. Confira Wayne, Teasdale, “Sacred Community at the Dawn of the Second Axial Age”, em, Sourcebook of the World’s Religions, J. Beversluis (ed.), (Novato, California, New World Library, 2000) .238. Citado por José María Vigil, Teología del Pluralismo Religioso, (Colección Tiempo Axial, Edición digital de ATRIO) 368, http://cursotpr.adg-n.es/archivos/Vigil/TPRVigilCap07.pdfe. Em português Teologia do pluralismo religioso -.para uma releitura pluralista do cristianismo, (São Paulo, Paulos. Coleção tempo axial, 2006). Este é o primeiro livro de teologia do pluralismo religioso publicado no Brasil com a pretensão de fazer uma exposição sistemática e completa deste ramo tão jovem da teologia. Confira ainda Hans Küng, Islão: Passado, Presente e Futuro, (Lisboa, Edições 70, 2010).
[4] Veja A Igreja: Uma visão ecumênica (São Paulo, ASTE/CONIC, 2015), 72-73. Tradução do original “The Church Toward a Common Vision” CMI, por Odair Pedroso Mateus e Marie Ann Wagnen Krahn. ,
[5] Informativo do CONIC, (Ano III – janeiro-abril, 2016)
[6] http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
[7] Os termos “pós-modernismo” e/ou “pós-modernidade” foram primeiramente utilizados na segunda metade do século XX para se referir às mudanças acontecidas na literatura, na arquitetura e na arte. Porém, também se chama “pós-modernismo” e/ou “pós-modernidade” às novas visões do pensamento filosófico, particularmente da segunda metade do século XX, onde o pluralismo torna-se princípio hermenêutico fundamental. Assim, a verdade existe unicamente «plural», já não existe «a verdade», mas «as verdades». Confiera Joaquín Garay, “Teología del pluralismo religioso y teología de la liberación”, em: (Koinonia, Relat), 310, http//latinoamericana.org/2003/textos.
[8] Franz J. Hinkelammert, “El cautiverio de la utopía – las utopías conservadoras del capitalismo actual, el neoliberalismo y el espacio para alternativas”, em: Ensayos, (La Habana, Editorial Caminos, 1999), .200.
[9] Harvey Cox, “Misión en las Américas – Siglo XXI – Perspectiva del Norte”, em: Esperanza y justicia en las Américas – discerniendo la misión de Dios, (s.l, s.e, 1998).96.
[10] José María Vigil, espanhol/nicaragüense, católico, teólogo (Salamanca/Roma), estudou psicologia em Salamanca, Madrid e Managua/Nicaragua, Coordenador da Comissão Teológica Americana da Associação de Teólogos/as do Terceiro Mundo (ASETT/EATWOT).
[11] Vigil, 358-359.
[12] Ibid. 365. O termo «Inter-espiritualidade» é um termo que designa o fenômeno crescente do compartilhar inter-religioso dos recursos interiores, dos tesouros de cada tradição. Wayne Teasdale, The Mystic Heart. Discovering a Universal Spirituality in the World’s Religions, prólogo do Dalai Lama, (Novato, California, New World Library, 1999) 10. Citado por Vigil, 365.
[13] Ibid. 366.
[14] Citado por Vigil, .368-369..
[15] Karl Barth, La revelación como abolición de la religión, (Madrid, 1973); citado por Vigil, 62-63, Confira também Karl Barth, Der Römerbrief, 84; citado por Marcelo Barros, “A reconciliação de quem nunca se separou”, em: Pelos muitos caminhos de Deus – Desafios do pluralismo religioso à Teologia da Libertação, (Goiás, Editora Rede, 2003), 140.
[16] Veja Paul F. Knitter, Jesus e os Outros Nomes, (São Bernardo do Campo/Brasil, Nhanduti Editora, 2010) 24-26 e Faustino Teixeira, “O desafio do pluralismo religioso para a teologia latino-americana”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, 73-74.
[17] Paul F. Kniter, católico, é um dos principais teólogos do pluralismo religioso. É licenciado em teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, Itália (1966), e doutor em teologia pela Universidade de Marburgo, Alemanha (1972). Atualmente é professor de Teologia, Religiões do Mundo e Cultura no Union Theological Seminary em Nova Iorque.
[18] Veja Knitter, 58-60.
[19] Jacques Dupuis, sacerdote belga, jesuíta, foi professor de Teologia e Religiões não Cristãs na Universidade Gregoriana em Roma. Morreu em 2004.
[20] Jacques Dupuis, “Verso una teologia cristiana del pluralismo religioso”, (Brescia, Queriniana, 1997),.520. Citado por Vigil, .98.
[21] Knitter, 60-62.
[22] Paul K. Knitter, “Para uma teologia da libertação das religiões”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, 16. Capítulo final do libro coordinado por John Hick e Paul Knitter titulado The Myth of Christian Uniqueness. Toward a Pluralistic Theology of Religions, (Maryknoll, New York, Orbis Book, 1987), 178-200. Capítulo também traduzido ao espanhol com autorização do editor Maryknoll, em: Koinonia, Reslat, 255, www.servicioskoinonia.org/relat/255.htm.
[23] Conferir agora, José Ademar Kaefer, “Hermenêutica Bíblica: refazendo caminhos”, em: Estudos de Religião (Revista Semestral de Estudos e Pesquisas em Religião, São Bernardo do Campo, Universidade Metodista de São Paulo, 2014), 132-133.
[24] Knitter, Jesus e os Outros Nomes, 58.
[25] Ibid. 106-113.
[26] Ibid. 34.
[27] Paul F. Knitter, “Para uma teologia da libertação das religiões”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, 16.
[28] [28] Faustino Teixeira, brasileiro, mestre em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica de Rio de Janeiro (PUC-RJ), doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma).
[29] Faustino Teixeira, “O desafio do pluralismo religioso para a teologia latino-americana” em: Pelos muitos caminhos de Deus, p.65.
[30] José María Vigil, “Espiritualidade do pluralismo religioso – Uma experiência espiritual emergente”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, 132.
[31] Veja Knitter, Jesus e os Outros Nomes, 67-82.
[32] John Hick, (1922-2012), norte-americano, filósofo da religião e teólogo.
[33] John Hick, A metáfora do Deus encarnado, (Petrópolis, Vozes, 2000), 121.
[34] Paul F. Knitter, No Other Name? A Critical Survey of Christian Attitudes toward World Religions, (Maryknoll, Orbis Books, 1985).
[35] Ibid., 62-65.
[36] O termo «Reino de Deus» aparece 112 vezes nos evangelhos e delas 90 vezes nos lábios de Jesus. Leonardo Boff, Jesucristo el liberador, (Sal Terrae, 1980), p.66. Em português: Jesus Cristo, Libertador, (Ed. 19), (Petrópolis, Vozes, 2008). Também uma ampla visão sobre o conceito do «Reino de Deus» pode ser encontrada em José María Vigil, Teología del Pluralismo Religioso, 128-152.
[37] Harvey Cox, Batista, teólogo, proeminente teólogo norte-americano, ativista pelos direitos civis, professor na Escola de Divindades em Harvard
[38] Harvey Cox, Religion in the Secular City: Toward a Postmodern Theology, (New York, Simons and Schuster, 1984),.238. Citado por Knitter, “Para uma teologia da libertação das religiões”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, p.27.
[39] George Soares Prabhu, The Jesus of Faith, India (Pune). Mimeo, 27-28. Citado por Teixeira, “O desafio do pluralismo religioso para a teologia latino-americana” em: Pelos muitos caminhos de Deus, 78-79.
[40] Knitter, Jesus e os Outros Nome, .122.
[41] Ibid.141-155 e 175-180.
[42] Edward Schillebeeckx, (1914-2019) belga, proeminente teólogo católico romano, da ordem dos Dominicanos assessor durante o Concilio Vaticano II. Veja agora, The Church: The Human Story of God, (New York, Crossroad, 1990), 166. Citado por Knitter, Jesus e os Outros Nome, .50.
[43] Teixeira, .“O desafio do pluralismo religioso para a teologia latino-americana” em: Pelos muitos caminhos de Deus, 65.
[44] Vigil, Teología del Pluralismo Religioso, 387.
[45] Pedro Casaldáliga, “Prólogo”, em: Pelos muitos caminhos de Deus, 8.

Martin Junge, da Federação Luterana Mundial, vê na cerimônia programada com o papa para o 500º jubileu da Reforma um ótimo exemplo para a superação dos conflitos e acredita que o encontro demonstra o alto valor do diálogo.

A reportagem é do sítio Domradio.de, 15-08-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

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Em um mundo "ferido por violências e guerra", o encontro entre confissões no mais alto nível conta "a história de conflitos superados", declarou o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, na segunda-feira, em Genebra.

No dia 31 de outubro, em Lund, Suécia, a Federação Luterana Mundial e o Papa Francisco vão celebrar juntos o culto e recordar a Reforma.

Essa "Comemoração Luterano-Católica da Reforma" oferece uma maravilhosa possibilidade "de expressar a nossa esperança comum em Cristo", disse Junge. Em um mundo em que muitos diálogos foram interrompidos, o encontro testemunha "o alto valor do diálogo".

Além disso, Junge comunicou alguns detalhes das duas partes da cerimônia. No início da tarde, o Papa Francisco, o bispo Munib A. Younan (presidente da Federação Luterana Mundial), Junge e altos representantes da Igreja sueca e da diocese católica de Estocolmo vão celebrar juntos um culto na Catedral de Lund, com convidados. O encontro tem como lema "Do conflito à comunidade. Unidos na esperança". Ele será transmitido na arena da cidade vizinha de Malmö.

Depois da celebração, os participantes, incluindo o Papa Francisco, vão se deslocar para o estádio. No centro, haverá "a confissão do testemunho comum e do serviço comum de católicos e luteranos em todo o mundo".

A arena pode acolher até 10 mil pessoas. Haverá bilhetes de entrada por um valor correspondente a 13 euros, disponíveis a partir do início de setembro. Além disso, a celebração e a manifestação no estádio serão transmitidos em streaming na internet. Junge convidou as comunidades evangélicas e católicas de todo o mundo para assistirem juntas a transmissão.

Lund foi escolhida como local do evento porque, há quase 70 anos, em 1947, foi fundada nessa cidade a Federação Luterana Mundial. A celebração comum da Federação Luterana Mundial, que representa mais de 72 milhões de cristãos em 98 países, e da Igreja Católica Romana, com cerca de 1,3 bilhão de pessoas no mundo, irá salientar a importância do diálogo ecumênico entre católicos e luteranos.

O 500º aniversário da Reforma faz referência ao ano de 1517. No dia 31 de outubro, Martinho Lutero tinha publicado as suas 95 teses contra os desvios da Igreja do seu tempo.

Fonte: IHU Unisinos
Foto: AFP

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Um empresário judeu que sobreviveu aos atentados terroristas de Bruxelas encontrou na defesa da comunidade muçulmana uma motivação para superar o trauma, convertendo em símbolo desse combate a nova amizade com um sobrevivente muçulmano.

Em 22 de março deste ano, 32 pessoas morreram em duas explosões no aeroporto internacional de Zaventem e uma na estação de metrô de Maelbeek, na capital belga. O grupo extremista autodenominado Estado Islâmico reivindicou a autoria dos ataques.

"Percebi que, depois disso, muitos amigos meus desenvolveram uma raiva generalizada de muçulmanos. Acho importante lutar contra isso para salvar nosso modelo atual de sociedade e evitar que a situação degenere", explica Walter Benjamin, judeu não praticante em uma família na qual há também cristãos e muçulmanos.

Vítima de terroristas que atacam em nome do islã, Benjamin defende que "99,9% dos muçulmanos são formidáveis e não merecem ser culpados pelo que fazem 20 ou 30 idiotas".

Ele diz acreditar que o melhor exemplo disso é Hassan Elouafi, muçulmano fervoroso que foi a primeira pessoa a ajudá-lo no dia do atentado.

Explosão

Os caminhos de Benjamin, 47, e Elouafi, 41, ambos belgas, se cruzaram no aeroporto.

O judeu se preparava para embarcar para Tel Aviv, em Israel, onde mora a filha de 16 anos. Já o muçulmano se preparava para consertar uma máquina no edifício onde trabalha como técnico há 20 anos.

Benjamin perdeu a perna direita, teve a esquerda gravemente comprometida por uma fratura múltipla e estilhaços de bomba, e várias partes do corpo perfuradas por pregos que compunham os artefatos. Elouafi saiu fisicamente ileso, mas profundamente abalado.

"Foi tudo muito rápido. Lembro de ter ouvido a primeira explosão e pensado: 'Quem é o idiota que solta fogos de artifício em um aeroporto?' Aí vi muita gente correndo na minha direção, gritando, mas nem deu tempo de entender o que estava acontecendo", contou Benjamin à BBC Brasil.

A segunda explosão ocorreria poucos segundos depois, a cerca dois metros de onde ele se encontrava, na fila para registrar as bagagens.

"Houve um barulho e uma luz muito forte. Fui projetado pela bomba e caí sentado. Vi minha perna do lado, arrancada, e meu sangue jorrando. O homem que tinha estado atrás de mim na fila estava a meu lado, morto. Ele tinha perdido a cabeça. Todos ao meu redor estavam mortos."

Mais afastado, enquanto passava pela fila um, Elouafi viu "uma bola de fogo" acompanhada de "um barulho gigantesco", e em seguida "tudo ficou negro de poeira por causa do teto que caía".

"Quando a poeira baixou, vi Walter sentado no meio de todos aqueles corpos, sozinho. Ele gritava de dor, com uma voz frágil. Me senti mal e dei a volta para ir até lá consolá-lo. Não podia deixá-lo lá sozinho", lembra Elouafi, pai de quatro filhos.

Ainda assim, Benjamin considera que o novo amigo ajudou a salvar sua vida.

"Eu me sentia morrendo. Hassan me emprestou o telefone para que eu avisasse minha mãe. O socorro demorou a chegar e ele ficou o tempo todo comigo, ajudou o militar que chegou depois a me fazer um torniquete e me acompanhou até a ambulância. Ele não precisava, podia ter ido embora, ter se protegido. Mas ele ficou lá", lembra, emocionado.

Reencontro

Uma semana depois dos atentados, Elouafi, ainda traumatizado, decidiu telefonar para a mãe de Benjamin para ter notícias do desconhecido que ele havia ajudado e temia não ter sobrevivido aos ferimentos.

"Quando ela me falou que ele estava vivo e que estava me procurando, eu comecei a chorar. A psicóloga, que estava ao meu lado, também começou a chorar. Foi um alívio. Eu não tinha parado de pensar nele. Fui direto para o hospital onde ele estava internado."

Segundo Benjamin, os dois formam agora uma "nova família recomposta, apesar de todas as diferenças".

"Nos falamos quase todos os dias. Ele vem me visitar com frequência, me traz pratos preparados pela esposa dele, pergunta sempre se eu preciso de alguma coisa. Age como um verdadeiro irmão", afirma.

Para Elouafi, as conversas com o amigo judeu, sempre otimista e de bom humor, são "uma espécie de tratamento psicológico".

"Quando eu não consigo dormir, eu ligo pra ele. Quando ele tem dificuldade pra dormir, é ele quem me liga. Só nós podemos entender o que sentimos", afirma.

Batalha

Benjamin diz acreditar que a amizade entre um judeu e um muçulmano surgida de um atentado terrorista é "um símbolo forte, que permite enviar uma mensagem importante a todos os que tentam estigmatizar toda uma comunidade".

"Hassan é uma pessoa excepcional. Como alguém poderia relacionar ele com os terroristas que fizeram isso comigo? Se não fizermos nada contra esse tipo de ideias, estaremos abaixando os braços definitivamente e dando espaço para uma sociedade violenta e incivil."

Por isso, ele decidiu contar a história em uma nota pública em sua página Facebook, onde também cobra ações das autoridades belgas para evitar que mais jovens "vejam o terrorismo como a única saída para suas vidas".

A publicação gerou centenas de mensagens de apoio e despertou o interesse de um grupo de jovens de Molenbeek, bairro de Bruxelas de onde eram originários muitos dos terroristas que atacaram a cidade e Paris.

"Eles vieram me ver, disseram que sentem muito pelo que aconteceu comigo, falaram dos problemas do bairro e do que querem da vida. Eles querem que as coisas mudem. Precisamos ajudá-los a colocar os políticos diante de suas responsabilidades."

De sua cama no hospital, de onde ainda não tem prazo para sair, Benjamin prepara um livro sobre os atentados e planeja dar conferências nas escolas belgas quando voltar a andar.

Também faz planos de acompanhar seu novo amigo muçulmano em uma viagem a Jerusalém, cidade sagrada para católicos, judeus e muçulmanos, que Elouafi sonha em conhecer.

"Plantarei uma árvore para ele, sua esposa e seus filhos em Israel", disse o judeu.

Por Márcia Bizzotto (de Bruxelas para a BBC Brasil)
Foto: Reprodução BBC Brasil / Arquivo Pessoal

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"A fidelidade e a verdade encontraram-se,a justiça e a paz se beijaram.
A verdade brotará da terra, e a justiça se inclinará lá dos céus" (Sl. 85. 11, 12)

Nós Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, manifestamos nossa indignação diante da arbitrariedade cometida na prisão do Professor Jaider Batista da Silva, acusado, sem provas, por corrupção e mantido incomunicável; a ele, membro em plena comunhão da nossa igreja, e a sua família, nosso total apoio.

Durante a operação de investigação levada adiante pela Polícia Federal, em Governador Valadares, nosso irmão Jaider tem contribuído fornecendo documentos e comparecendo às audiências, prestando todas as informações que comprovam sua inocência e sempre cooperando para a elucidação dos fatos.

No entanto, Jaider está sendo vítima de uma delação premiada realizada por um réu confesso que, no intuito de beneficiar-se, envolveu o seu nome, mesmo sem haver qualquer indício de sua participação nos fatos.

Sua prisão, no último dia 10 de agosto, fere todos os princípios éticos e morais, tendo em vista sua cooperação com as investigações e a presunção de inocência de um cidadão que sempre esteve comprometido com a vida, com a justiça, com na luta pelos direitos humanos, atendendo e solidarizando-se com as pessoas excluídas e empobrecidas, e também com a causa das crianças e adolescentes, além da luta solidária junto aos povos indígenas. Assim, em sua caminhada, sempre demonstrou ética e transparência em suas ações.

Como cristãos, somos veementemente contra todas as formas de corrupção e entendemos que o que está acontecendo com Jaider Batista não passa de uma ação insana e totalmente descabida. Preocupa-nos sobremaneira, que as ações de combate a corrupção sejam usadas para o abuso do poder policial e judicial, em especial contra pessoas que defendem os direitos humanos, a justiça, a paz e igualdade, dando a estas medidas um caráter repressivo e ideológico que não corresponde ao convívio social e político dentro de um ordenamento democrático. É inadmissível que os recursos e políticas públicas sejam utilizados para atender e beneficiar uma classe e alguns setores políticos e seus representantes, que lucram, e sempre lucraram, com a miséria de um povo sofrido.

Portanto, exigimos a soltura imediata de Jaider Batista, que a justiça seja feita e que os verdadeiros responsáveis sejam identificados e punidos.

Revmo. Francisco de Assis da Silva – Bispo Primaz e Bispo da Diocese Sul Ocidental;

Revmo. Naudal Alves Gomes – Bispo da Diocese Anglicana do Paraná;

Revmo. Filadelfo Oliveira Neto – Bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janeiro;

Revmo. Maurício José Araújo de Andrade – Bispo da Diocese Anglicana de Brasília;

Revmo. Renato da Cruz Raatz – Bispo da Diocese Anglicana de Pelotas;

Revmo. Saulo Maurício de Barros – Bispo da Diocese da Amazônia;

Revmo. Humberto Maiztegui Gonçalves – Bispo da Diocese Meridional

Revmo. Revmo. Flavio Augusto Borges Irala – Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo;

Revmo. João Câncio Peixoto Filho – Bispo da Dicoese Anglicana do Recife;

Revmo. Clóvis Erly Rodrigues – Emérito;

Revmo. Almir dos Santos– Emérito

Revmo. Juba Pereira Neves– Emérito

Revmo. Orlando Santos de Oliveira – Emérito

Revmo. Sebastião Armando Gameleira Soares – Emérito

Revmo. Celso Franco de Oliveira – Emérito

A FLD está recebendo projetos a partir dos editais do seu Programa de Pequenos Projetos. São seis ao todo: dois, na área de Justiça Econômica; dois, na área de Justiça Socioambiental; um, na área de Diaconia; e um, na área de Direitos.

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O prazo final para encaminhamento dos projetos é 23 de setembro de 2016, às 23h59min (horário de Brasília).

Os projetos devem ser elaborados e enviados através do formulário eletrônico disponível no site da FLD, no endereço www.fld.com.br/projetos/requerente, observando-se as condições e critérios específicos de cada um.

Nenhum edital irá considerar projetos oriundos de pessoas físicas, de instituições privadas, de órgãos públicos e de universidades.

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Foi realizada, nos dias 15, 16 e 17 de agosto, em Brasília (DF), na sede nacional da Cáritas Brasileira, a reunião de coordenação do Fórum Ecumênico ACT (Brasil). Entre os objetivos estava refletir o contexto brasileiro, avaliar as ações realizadas ao longo de 2015, traçar estratégias e definir prioridades para a atuação do movimento ecumênico para o restante do ano (2016) e, também, para o seguinte, 2017.

O encontro contou com a participação da maioria das organizações que integram o Fórum Ecumênico ACT Brasil: Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Rede Ecumênica da Juventude (REJU), KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Conselho Mundial de Igrejas (CMI), ACT Alliance, Chrisitan AID, Processo de Articulação e Diálogo (PAD), Instituto Universidade Popular (Unipop); Aliança de Batistas do Brasil, Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Programa de Formação e Educação Comunitária (PROFEC), Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP), Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB, Igreja Metodista, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Visão Mundial, Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE). Para o painel de abertura, outras organizações também estavam representadas, como a comunidade Bahá’í do Brasil, o Centro Cultural Brasil Turquia (CCBT), o Templo Budista Terra Pura de Brasília, a organização Conectas, a agência HEKS, o Centro Cultural de Brasília, além da anfitriã, Cáritas.

A reunião anual do Fórum Ecumênico ACT Brasil, inciou na segunda-feira, dia 15 de agosto, com a apresentação dos trabalhos de formação realizados pelo Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD), junto às suas comunidades sobre o tema gênero, sexualidades e direito. O trabalho apresentado por Sandra Andrade, coordenadora do SADD.

Na manhã do dia 16 de agosto, foi realizado o painel Religião e Democracia - Dilemas atuais sobre fé e poder. O painel fez parte do lançamento, junto às organizações do Fórum Ecumênico ACT Brasil, da Campanha Mais Direitos Mais Democracia - maisdireitosmaisdemocracia.org.br.

O tema do painel foi abordado por Zwinglio Mota Dias, reverendo emérito da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, Ronilso Pacheco, teólogo e agente social do Viva Rio e Luana Basílio da Plataforma Dhesca.

Professor Zwinglio dedicou sua apresentação em memória à pastora da IECLB Rosa Marga Rothe, ativista pelos direitos humanos, que faleceu este ano. Em relação aos dilemas entre fé e poder, Zwinglio iniciou destacando que:

1) Nossa civilização montou um desafio mentiroso e, assim como vamos, não é possível satisfazer esse sentido de esbanjamento que se deu à vida. Isso se massifica como uma cultura de nossa época, sempre dirigida pela acumulação e pelo mercado. Prometemos uma vida de esbanjamento, e, no fundo, constitui uma conta regressiva contra a natureza, contra a humanidade no futuro. Civilização contra a simplicidade, contra a sobriedade, contra todos os ciclos naturais .Ou pior: civilização contra a liberdade que supõe ter tempo para viver as relações humanas, as únicas que transcendem: o amor, a amizade, aventura, solidariedade, família.” (José ‘Pepe’ Mujica)

2) “O que vemos hoje não são guerras de religião ou de civilização. Estamos diante de algo da ordem do assassinato e estes assassinatos têm relação estreita com as paixões niilistas de uma era que esqueceu justamente os grandes valores do humanismo, valores estes que não são específicos do Ocidente, mas sim compartilhados por muitas culturas e civilizações.” (Roland Gori)

3) Ecumenismo... “é mediar trabalho em unidade e na promoção de diálogos entre as religiões. Em um esforço conjunto para além da tolerância, sem proselitismos, mas na proposta de fraternidade, que una forças para denunciar as desigualdades sociais, a discriminação, a exclusão, o sexismo, o machismo, a homofobia ou quaisquer outros tipos de violências que possam impedir o abraço, o afeto, a ternura em favor da humanidade.” (Valeria Cristina Vilhena)

Em relação ao momento atual, Zwinglio destacou que mais do que em outros períodos, nunca foi tão grande a busca pelo sentido da vida. A situação atual é dominada por uma racionalidade que não consegue satisfazer as carências humanas. Somos desenraizados e sós! Zwinglio recupera Rolin Gore que afirma que “Fomos tão longe no desencantamento do mundo e na dessacralização do universo, que enfrentamos a nudez de uma razão puramente instrumental. O terrorismo também é parte dessa racionalidade. Pertence à mesma civilização. Essa perda de sentido, de existência do mundo alimenta a guerra de todos contra todos e promove o surgimento de uma revolução conversadora.

Perdemos a razão de ter esperança... Temos de dar um basta ao neoliberalismo, que aumenta as desigualdades sociais.O terrorismo também é parte dessa racionalidade. Pertence à mesma civilização, Essa perda de sentido, de existência do mundo alimenta a guerra de todos contra todos e promove o surgimento de uma revolução conversadora.

Perdemos a razão de ter esperança... Temos de dar um basta ao neoliberalismo, que aumenta as desigualdades sociais.

Em relação ao atual momento político brasileiro, Zwinglio afirmou que o golpe político, midiático religioso, com apoio de um grupo dito evangélico, faz parte de nova forma de intervenção do neoliberalismo. O Brasil volta a ser submetido aos interesses do capital do internacional. “Saem do armário” os grupos de direita, retorna a velha ideia de impérios dominantes (EUA e Estados europeus).

Por fim, ofereceu pistas para um novo olhar para a presença religiosa na sociedade destacando que:

"Nossas teologias e percepções religiosas sufocam e impedem as manifestações mais sublimes de fé. O conceito bíblico de fé não tem a ver com “acreditar em”, mas significa confiança e esperança. É preciso esquecer os nomes de Deus e as religiões inventadas para encontrar Deus na vida. Há que se recuperar a graça e a beleza da vida, para além dos compêndios dogmáticos, e nos abrir para leituras mais metafóricas de nossa experiência.

- Busca pela justiça é o desafio primeiro em todas as nossas ações.

- Buscar o diálogo com todas as outras manifestações religiosas = hospitalidade: oferecer ao hóspede o quarto mais arejado e luminoso (Martha Luchese).

- Acolher o/a diferente com admiração e respeito, pois nele/a se reflete o inefável da vida.

- Assumir os mitos fundamentes de nossas culturas.

- Cuidar da terra como lar comum de toda a humanidade.

- Sermos compassivos/as e amorosos/as e cheios/as de misericórdia no trato das questões que nos dividem.

Em seguida, a representante da Plataforma DHESCA apresentou parte dos resultados do relatório sobre o Estado Laico realizado pela Plataforma. Luana iniciou explicando porque é que sentiu-se a necessidade de realizar uma relatoria específica sobre o estado laico no Brasil. Lembrou que por ocasião do relatório sobre Saúde e da Educação foi identificado que havia interferência de religiões nas políticas públicas na área da saúde. Muitos profissionais de saúde negavam-se a realizar determinados procedimentos na saúde com o argumento de objeção de consciência. Se o procedimento necessário não estivesse de acordo com os valores religiosos do profissional de saúde ele simplesmente negava-se a realizar. Em 2015 o Rio aprovou a chamada “Lei de objeção de consciência”: permite aos servidores a negar atendimento por liberdade de crença Aprovada em maio de 2015. Luana citou alguns casos concretos de desrespeito à laicidade do Estado:

1) Uma transexual que no posto de saúde não era chamada pelo nome social e durante o exame foi obrigada a escutar músicas gospel.

2) Um filho de santo vestido com sua roupa religiosa e com guias, embora estivesse sangrando não foi atendido, o profissional de saúde negou-se a tocar no paciente.

3) Prática da benção dos fuzis - para que os traficantes expulsem as mães de santo das comunidades.

4) Pessoas muçulmanas entregaram um dossiê com 300 denúncias de violação de direitos.

5) Uma criança de cinco anos da rede pública - cujos pais são ateus - expressaram sua insatisfação com o fato da criança ser obrigada a fazer oração ou cantar músicas religiosas todos os dias na escola. Quando a escola foi notificada de que não poderiam obrigar a participação da criança neste momento devocional, a criança precisou ser escoltada. Esta criança passou a ser perseguida e precisou trocar de escola.

6) Em Brasília, a parlamentar Sandra Paraji, vem perseguindo professores/as que tratam do assunto LGBT, por exemplo. Nesta mesma cidade, sem anuência dos pais, alunos eram levados para manifestação em prol do projeto “Escola sem partido”.

Luana destacou que a ruptura do estado laico é expressão do racismo e machismo.
Casos (Rio de janeiro):

Lembra que nas câmaras municipais e no congresso nacional, as pautas relacionadas a gênero e racismo têm sido atropeladas. Destacou que há uma profunda violência institucionalizada que está sendo legalmente constituída.

Ronilso Pacheco lembrou que nossa trajetória histórica é violenta. Basta lembrar os períodos de escravidão e de ditadura civil-militar. Enquanto a escravidão é pensada como um grande bloco (mesmo envolvendo a tortura diária de cada homem e mulher negra), a ditadura nos remete a violências mais pessoais. O racismo é um dos legados da violência histórica. A ditadura está presente nas práticas do aparato policial de hoje.

A resposta de Jesus - perdoar 70 X 7 vezes lembra Lamec, que seria vingado 70 vezes. Uma proposta de vingança é contraposta por Jesus com o perdão como forma de quebrar do ciclo de violência.

O perdão, no entanto, está esvaziado de sentido. O perdão precisa ser entendido como capacidade de: a) não repetição da violência; b) reconhecimento da violência; c) enfrentamento da violência.

Ronilso apresentou três desafios:

1. Como é possível esvaziar do poder essa dimensão da fé exclusivista? É possível movimento ecumênico inter-religioso “iconoclasta” que sacralizasse a justiça dignidade e cidadania, toda vez que o poder for o grande ídolo?

2. Como quebrar a força da violência impregnada no poder, frear a atmosfera da violência.

3. Como superar o discurso da tolerância para uma construção comum e igual. Superar a ideia da tolerância como objetivo.

O fruto da justiça será a paz, a obra da justiça consiste na tranquilidade (Jr). A justiça é o amor tornado política pública!

Outro momento de grande importância na reunião do FEACT - Brasil foi a participação do representante para América Latina e Caribe de Act Aliiance, senhor Carlos Rauda. Carlos apresentou a política de emergência e incidência de ACT Alliance e seus desafios para a região. A afirmação da democracia e a luta contra o extermínio de populações indígenas permeou a conversa com Carlos Rauda.

No último dia de reunião, dia 17 de agosto, foram estabelecidos critérios para novas organizações integrarem o Fórum. A Visão Mundial foi acolhida formalmente para integrar o Fórum. Além disto, foram escolhidas as linhas prioritárias de ação de FEACT para o período de agosto de 2016 a agosto de 2017, sendo:

1- Fortalecer a Identidade Ecumênica

– (Re) Encantamento com a causa ecumênica (para dentro e para fora das igrejas);
– Agenda Comum.

3- Incidência por direitos e democracia

– Migração;
– Diversidade religiosa;
– Povos tradicionais;
– Gênero;
– Juventudes com prioridade para REJU.

3- Comunicação

– Formação interna;
– Democratização dos meios de comunicação;
– Criação da Rede de Comunicadores/as das Organizações do FEACT;
– Aproveitar a realização do encontro do CESEEP para animar novas redes de comunicação;
– Fortalecer a Plataforma de Ação e Diálogo como canal de comunicação com as Agências Financiadoras.

Na opinião da secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esse encontro foi importante pela presença expressiva das Igrejas. “Participaram oficialmente da reunião as igrejas Metodista, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil, Católica Romana, Aliança de Batistas. Outro destaque foram as presenças de ACT Alliance, da Plataforma de Ação e Diálogo e da Christian Aid. Muito positiva foi a acolhida da Visão Mundial para fazer parte do Fórum e a possibilidade de acolhermos novas organizações”, afirmou.

Foto: Tatiane Duarte