Nota de Repúdio da Câmara Episcopal da
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
contra a violência policial dirigida às Universidades
 
E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre. Isaías 32:17
 
Uma das instituições que tem sido alvo de um perigoso processo de intimidação na conjuntura brasileira deste governo ilegítimo é a Universidade.
 
Por um lado se percebe a sistemática construção de um desmonte orçamentário que compromete indubitavelmente a execução orçamentária de programas de pesquisa e, inclusive, a manutenção de serviços básicos nas instituições de ensino superior.
 
Além disso, tem sido visível a remoção por critérios políticos de quadros dirigentes que se opõem a este desmonte, em um processo que só encontra similaridade com idênticos processos utilizados no período da ditadura militar.
 
Por último, o próprio poder judiciário e a Polícia Federal, sob a justificativa de combate à corrupção, promove espetáculos cinematográficos de condução coercitiva de dirigentes de Universidade sem nenhuma justificativa plausível, em meio a processos investigatórios correndo dentro de uma absoluta normalidade processual.
 
Este último episódio ocorrido com dirigentes da UFMG nos preocupa porque há pouco tempo tivemos o cometimento de suicídio de reitor de uma universidade no estado de Santa Catarina devido ao abuso de autoridade cometido pela Polícia Federal em situação de investigação e sem a devida formação de culpa comprovada contra o acusado.
 
Nos preocupa a sistemática adoção de práticas que ferem o Estado democrático de Direito que redundam em coerção e quebra do princípio da autonomia das Universidades, que se aplicadas indiscriminadamente criam o precedente para que outras instituições venham ser alvo de de perseguição dos aparelhos investigativos do Estado.
 
Pautamos nosso protesto pela defesa dos princípios da racionalidade, impessoalidade, ampla defesa e estrita obediência à garantia da integridade física e psicológica de todas as pessoas, inclusive aquelas que sejam alvos de investigação sem que a formação da culpa esteja materialmente e legalmente concluída.
 
O Estado de Direito pressupõe instituições sólidas, livres e onde a justiça seja praticada e aplicada com o predomínio da objetividade, clareza e materialidade. Quando a justiça depender mais de performance midiática de seus agentes estamos toda a sociedade em sério risco.
 
Dom Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul Ocidental – Primaz da IEAB
Dom Naudal Alves Gomes, Diocese de Curitiba
Dom Mauricio Andrade, Diocese de Brasília
Dom João Câncio Peixoto, Diocese do Recife
Dom Eduardo Grillo, Diocese do Rio de Janeiro
Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Almir dos Santos, Emérito
Dom Celso Franco, Emérito
Dom Jubal Pereira Neves, Emérito
Dom Orlando Santos, Emérito
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Emérito
Dom Saulo Barros, Emérito
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Com o objetivo de estudar e discutir a realidade do Rio São Francisco e encaminhar o posicionamento pastoral dos bispos em vista de sua revitalização, em comunhão com o ensinamento do Papa Francisco em sua Carta Encíclica, Laudato Sí, realizou-se nos dias 21 e 22 de novembro, no Centro de Treinamento de Lideres (CTL), em Bom Jesus da Lapa, o primeiro Encontro dos Bispos da Bacia do São Francisco. Uma iniciativa assumida na Assembleia do Regional Nordeste III.
 
Onze bispos da Bahia, Pernambuco, Sergipe e de Minas Gerais juntamente com representações da Igreja Católica reuniram-se para se inteirar de forma mais profunda sobre a realidade hídrica da região da Bacia do São Francisco.
 
O encontro contou ainda com a presença de peritos, estudiosos e agentes de pastorais sociais que apresentaram um diagnóstico sobre a conjuntura hídrica da Bacia do São Francisco, com diversos dados da realidade da região, especialmente do Cerrado, principal fonte de abastecimento do velho Chico. Entre os assessores estavam Roberto Malvezzi (“Gogó”) da Diocese de Juazeiro/BA e especialista no tema, o Prof. José Alves Siqueira da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em Petrolina e membros da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
 
Segundo os participantes, é urgente a criação da Moratória do Cerrado, onde as liberações de supressão vegetal e de outorga precisariam ser suspensas por um período, dando tempo para a recuperação do lençol freático.
 
A teologia e orientação pastoral da Laudato Si repercutiram no encontro com sua chamada à “conversão ecológica”, ao cuidado com a casa comum e à ética da responsabilidade ambiental. Na conclusão do encontro, alguns encaminhamentos foram apresentados, como: (1) Lançamento da Carta do Bom Jesus da Lapa no Primeiro Domingo do Advento; (2) Ações de sensibilização e educação junto às comunidades e ao povo para o cuidado, defesa e revitalização do São Francisco; (3) Ações junto às autoridades e aos governos para responder ao SOS do São Francisco.
 
Representando as 16 dioceses banhadas pelo rio São Francisco, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, Bahia e Ceará, os dez bispos de sua bacia lançaram a “Carta da Lapa”, resultado do I Encontro dos bispos da Bacia do Rio São Francisco, realizado em Bom Jesus da Lapa.
 
Segue o documento na íntegra:
 
CARTA DA LAPA
 
“À luz do Evangelho, em comunhão com o Papa Francisco e inspirados pela carta encíclica “Laudato Sí”, nós, bispos da bacia do Rio São Francisco, representando onze das dezesseis dioceses, diante do processo de morte em que este Rio se encontra e das consequências que isto representa para a população que dele depende, assumimos de forma colegiada a defesa do Velho Chico, de seus afluentes e do povo que habita sua bacia. Como pastores a serviço do rebanho que nos foi confiado, constatamos, com profunda dor:
 
(a) o sumiço de inúmeras nascentes de pequenos subafluentes e, em consequência, o enfraquecimento dos afluentes que alimentam o São Francisco;
 
(b) o aumento da demanda da água para a irrigação, indústria, consumo humano e outros usos econômicos, sem levar em conta a capacidade real dos rios de ceder água;
 
(c) a destruição gradativa das matas ciliares expondo os rios ao assoreamento cada vez maior;
 
(d) a decadência visual dos rios e da biodiversidade;
 
(e) o aumento visível dos conflitos na disputa pela água em toda a região;
 
(f) empresas sempre fazem prevalecer seus interesses e o Estado acaba por ser legitimador de um modelo predatório de desenvolvimento.
 
Tudo isso vem gerando a destruição lenta e cruel da biodiversidade do Velho Chico e, consequentemente, sua morte gradativa. Diante dessa triste realidade, enquanto bispos da bacia do Rio São Francisco e pastores do rebanho que nos foi confiado, propomos:
 
1. Sermos uma “Igreja em Saída”: Ir ao encontro do povo e, como pastores, convocar os cristãos e as pessoas sensíveis à causa, para juntos assumirmos o grande desafio de salvar o rio da morte e garantir a vida humana, da fauna e da flora que dele dependem;
 
2. Sermos uma “Igreja Missionária”: Realizar visitas às nossas comunidades, missões, peregrinações, romarias e estabelecer um diálogo aberto com as pessoas para que entendam e assumam, à luz da fé, o cuidado com a “Casa Comum”, particularmente, a defesa do nosso Rio;
 
3. Sermos uma “Igreja Profética”: Elaborar subsídios educativos sobre meio-ambiente e o modo de preservá-lo. Utilizar os meios de comunicação, rádios, periódicos diocesanos para levar ao maior número de pessoas a boa nova da preservação da vida;
 
4. Sermos uma “Igreja Solidária”: Reforçar as iniciativas populares de recomposição florestal, recuperação de nascentes, revitalização de afluentes; incentivar a ética da responsabilidade socioambiental capaz de gerar um modo de vida sustentável de convivência com a caatinga, o cerrado e a mata atlântica; defender políticas públicas para implementação do saneamento básico, apoio à agricultura familiar, manutenção de áreas preservadas, a exemplo dos territórios das comunidades tradicionais de fundo e fecho de pasto, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores, etc.
 
5. Finalmente, declaramos nossa posição em defesa do “Repouso Sabático” para os nossos biomas a fim de que possam se reconstituir. Particularmente, uma moratória para o Cerrado, por um período de dez anos. Durante esse período não seria permitido nenhum projeto que desmate mais ainda o Cerrado, a Caatinga e a Mata Atlântica, biomas que alimentam o Rio São Francisco e dele também se alimentam.
 
6.  Nesse sentido chamamos as autoridades federais, os governadores, prefeitos, deputados, senadores, o Ministério Público, para que assumam sua responsabilidade constitucional na defesa do Velho Chico e do seu povo.
 
Que São Francisco, padroeiro da Ecologia e do Rio que traz o seu nome, nos inspire a cuidar da Criação. Que o Bom Jesus da Lapa, de cujo Santuário provém a água da torrente, abençoe e dê vida ao nosso Velho Chico e ao povo do qual ele é pai e mãe. Bom Jesus da Lapa, 1º Domingo do Advento de 2017.
 
Bispos participantes:
 
Dom José Moreira da Silva – Bispo de Januária (MG)
Dom José Roberto Silva Carvalho – Bispo de Caetité (BA)
Dom João Santos Cardoso – Bispo de Bom Jesus da Lapa (BA)
Dom Josafá Menezes da Silva – Bispo de Barreiras (BA)
Dom Luiz Flávio Cappio, OFM – Bispo de Barra (BA)
Dom Tommaso Cascianelli, CP – Bispo de Irecê (BA)
Dom Carlos Alberto Breis Pereira, OFM – Bispo de Juazeiro (BA)
Monsenhor Malan Carvalho – Administrador Diocesano de Petrolina (PE)
Dom Gabriele Marchesi – Bispo de Floresta (PE)
Dom Guido Zendron – Bispo de Paulo Afonso (BA)
 
Fonte: CNBB Regional Leste 2
Foto: Reprodução
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O Natal na Ucrânia será diferente este ano, isso por causa de uma lei ratificada recentemente pelo Presidente do país, Petro Poroshenko, que reconhece como festa nacional o dia de Natal segundo o calendário católico latino. O país celebrava o Natal unicamente de acordo com o calendário grego, empregado pela maioria ortodoxa e pela Igreja Católica Greco Ucraniana, sendo a data da celebração o dia 07 de janeiro.
 
A declaração da festa de Natal em 25 de dezembro foi aprovada com 238 votos pelo Parlamento ucraniano no dia 16 de novembro passado, e significa a celebração de dois natais. A medida permitirá aos católicos de rito latino cumprir suas obrigações religiosas com maior facilidade, assim como beneficiará a outras comunidades cristãs.
 
“Na Ucrânia há por volta de 11 mil comunidades religiosas católicas e protestantes que celebram o Natal segundo o calendário gregoriano, quer dizer, no dia 25 de dezembro”, reconhece o memorando do projeto de lei aprovado. “Esta data é também aceitável”.
 
A diferença dos calendários se registra a partir da reforma do Papa Gregório XIII em 1582, que atendeu os estudos de cientistas da Universidade de Salamanca e corrigiu a inexatidão do calendário juliano para que concordasse de forma precisa com o ano solar. Com a reforma se obteve que várias festas litúrgicas pudessem ser celebradas em datas fixas.
 
Fonte: Gaudium Press
Foto: Arran Moffat | CC BY 2.0
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Movimentos populares farão, no primeiro semestre de 2018, uma atividade inédita na cena política e social brasileira: o Congresso do Povo Brasileiro. A ideia parte do objetivo de “construir com o povo e para o povo um projeto de nação”. A proposta foi anunciada neste fim de semana (09 e 10/12) durante a 2ª Conferência Nacional da Frente Brasil Popular (FBP), realizada na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), em Guararema, no interior paulista.
 
O congresso terá diversas etapas, partindo de organizações de bairro, encontros municipais e estaduais até chegar à etapa nacional. “Nós vamos fazer uma mobilização ampla, com reuniões que acontecerão nos salões paroquiais, nos ginásios e escolas para discutir a situação em que o povo está vivendo e quem são os culpados desse quadro”, disse João Pedro Stédile, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), em entrevista à comunicação da FBP.
 
Para a frente, a transformação do país em uma “nação forte, independente, soberana e desenvolvida” depende da participação organizada da classe trabalhadora. O congresso é considerado inédito por sua amplitude, tendo em vista que contará com a mobilização de movimentos populares em todo o país, bem como pela perspectiva de que o povo está sendo chamado a construir “com as suas próprias mãos o projeto que busca o desenvolvimento do Brasil”.
 
O objetivo da FBP é que o Congresso do Povo Brasileiro possa incidir na disputa eleitoral ao mesmo tempo em que construa uma agenda de mobilização e de formação da sociedade brasileira. “Nós vamos aprovar um projeto unificado para comprometer todos os candidatos do campo democrático com uma plataforma mínima num projeto amplo e com princípios firmes que tenha no centro o compromisso com a retomada das conquistas democráticas, com um Estado que garanta desenvolvimento, educação pública, ciência e tecnologia”, explicou Nalu Faria, da Marcha Mundial de Mulheres, em entrevista à comunicação da FBP.
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Reprodução
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São Nicolau, cuja memória a Igreja [Católica] celebrou no dia 6 de dezembro, tornou-se conhecido por seu costume, segundo uma antiga tradição, de entregar presentes secretos aos pobres e necessitados, o que lhe valeu ser a figura hoje tão conhecida do “Papai Noel”, bastante comum nos festejos de Natal. 
 
Em nossos dias, porém, o mítico sobreviveu ao místico: a lenda explorada com fins comerciais acabou ofuscando a verdadeira biografia deste grande homem. Qual é, então, a sua verdadeira história?
 
Nicolau nasceu na antiga cidade de Pátara, território da atual Turquia, por volta do ano 270, sendo educado por uma família de pais nobres e muito virtuosos. Seu desejo de dedicar-se a Deus brotou na mais tenra idade, fazendo-o viver inteiramente devotado à Palavra de Deus, de tal maneira que, tendo herdado, com a morte dos pais, grande fortuna, fez-se apenas um administrador daqueles bens que se tornaram dos pobres.
 
Ao mudar-se para a cidade de Mira, onde quis viver mais secretamente, Nicolau, já muito virtuoso e de uma piedade divina, foi aclamado bispo, e logo ficou famoso tanto pelos inúmeros milagres que por ele Deus realizava quanto por sua grande caridade, da qual procediam as esmolas e os presentes “secretos” aos necessitados.
 
Ninguém confunda sua caridade, porém, com leniência ou complacência.
 
Nesse sentido, um episódio marcante de sua vida ficou registrado nas atas do Concílio de Niceia, a primeira grande reunião de bispos da Igreja Católica, ocorrida em 325. Na ocasião, os cristãos deparavam com uma grande e perigosa heresia: o arianismo, que negava a divindade de Jesus. O historiador católico Daniel-Rops relata que, quando os bispos ali reunidos ouviram “alguns fragmentos” dos escritos de Ário, “os erros mostraram-se tão patentes que uma onda de indignação sacudiu todos aqueles homens fervorosos” [1].
 
Um deles foi justamente o “bom velhinho”, São Nicolau: já cansado da insolência de Ário, conta-se que o corajoso bispo confrontou fisicamente o heresiarca, esbofeteando-lhe a boca.
 
Os prelados ao redor se assustaram e, mesmo discordando de Ário, viram-se obrigados a punir o “zelo excessivo” de Nicolau, trancafiando o bispo na prisão e confiscando o seu pálio e a cópia que ele possuía dos Evangelhos. A resposta do Céu à ira de São Nicolau, no entanto, parece ter sido bem outra. Alguns dias depois do ocorrido, os próprios Jesus e Maria visitaram o bispo em sua cela. “Por que estás aqui?”, teria perguntado Nosso Senhor a Nicolau, ao que ele respondeu: “Porque vos amo, meu Deus e Senhor” [2]. Imediatamente, foram-lhe devolvidos os símbolos de sua dignidade episcopal.
 
É por isso que, em muitos ícones do santo, é possível vê-lo ladeado de Nosso Senhor e de Nossa Senhora, respectivamente com um livro e um pálio nas mãos. Destituído do ofício episcopal por seus irmãos, o bispo de Mira terminou o grande Concílio de Niceia readmitido diretamente pelo próprio Deus.
 
Hoje, São Nicolau é muito venerado tanto no Oriente, onde nasceu e exerceu seu ministério episcopal, quanto no Ocidente. Foi da cidade italiana de Bari, afinal, onde se encontram suas relíquias, que a devoção ao “bom velhinho” se espalhou por todo o continente europeu.
 
Santo Tomás de Aquino, por exemplo, foi um grande devoto de São Nicolau. Foi em um 6 de dezembro, a propósito, que o Doutor Angélico, celebrando Missa numa capela dedicada a São Nicolau, recebeu de Deus uma visão que o fez dizer, poucos meses antes de entregar sua alma a Deus: “Tudo que escrevi até hoje parece-me unicamente palha, em comparação com aquilo que vi e me foi revelado”. Sem sombra de dúvida, um presente extraordinário recebido pelas mãos de São Nicolau.
 
Neste tempo de Advento, preparando a vinda do Senhor, peçamos a São Nicolau que obtenha também a nós este dom de Deus: o desapego deste mundo de palha e a posse inamissível do Cristo.
 
Referências:
 
[1] Henri Daniel-Rops, A Igreja dos Apóstolos e dos Mártires, São Paulo: Quadrante, 1988, p. 455.
[2] Taylor Marshall, Saint Nicholas Allegedly Punched This Heretic in the Face…Who was He?.
 
Fonte: Blog Padre Paulo Ricardo
Foto: Reprodução
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Mohamed Ali, refugiado sírio residente no Brasil há três anos, foi hostilizado e agredido verbalmente em Copacabana, região nobre do Rio de Janeiro, onde trabalha vendendo esfihas e doces típicos.
 
Em vídeo publicado nas redes sociais é possível ver um homem exaltado que grita repetidas vezes "sai do meu País!", ostentando dois pedaços de madeira nas mãos e ameaçando o refugiado. "O nosso país tá sendo invadido por esses homens bombas, que matam crianças", diz, em discurso xenofóbico.
 
No Brasil, xenofobia é crime tipificado na lei 9.459, de 1997. Seu primeiro artigo diz: serão punidos, na forma desta lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
 
"Vim com amor, porque os amigos sempre diziam que o Brasil aceita muito outras culturas e religiões e as pessoas são amáveis e todos os refugiados procuram paz. Não sou terrorista, se eu fosse, eu não estaria aqui, estaria lá lutando como eles fazem", afirma Ali, agradecendo a todos que o defenderam.
 
Apesar da fama de "cordial" e de receber bem imigrantes, o aumento das denúncias mostra um lado triste do Brasil. Entre 2014 e 2015, os casos aumentaram 633%, pulando de 45 para 333 registros recebidos pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, via plataforma Disque 100. Na Justiça, quase não há registros de denúncias que prosseguiram ou de xenófobos punidos.
 
Olhando os dados de 2015 mais de perto, vê-se que os principais alvos de preconceito são os refugiados. As principais vítimas são haitianos (26,8%), depois pessoas de origem árabe ou de religião muçulmana (15,45%).
 
Três vezes agredido pelo "crime" de ser imigrante
 
Em Chapecó (SC), o haitiano Malko Joseph foi agredido pela terceira. Essas agressões escancaram a xenofobia crescente de muitos brasileiros. A última agressão aconteceu nesta terça-feira (6), quando Malko Joseph caminhava pela avenida Getúlio Vargas, Centro do município.
 
O rapaz procurou as redes sociais para falar sobre o fato. Em seu perfil no Facebook, Malko contou o que um homem chegou de bicicleta e disse a ele palavras agressivas, como por exemplo: “preto sujo”, “aqui não é sua terra”, “preto fedido”, “macaco perdido”. O agressor também teria dito que ele estaria roubando emprego dos brasileiros.
 
Malko disse que não reagiu às agressões, mas o indivíduo pegou uma corrente com cadeado e passou a lhe agredir fisicamente, deixando ferimentos nas pernas e braços. Segundo a vítima, é a quinta vez que ele é alvo de racismo no Brasil “Duas vezes em Porto Alegre, três em Chapecó”, sendo que três, dessas cinco ocorrências, resultaram em agressão.
 
Malko Joseph disse ainda que realizou o boletim de ocorrência na quando sofreu as agressões em Porto Alegre e em Chapecó, porém nada foi feito até o momento.
 
O país das contradições
 
Os fenômenos do racismo e da xenofobia no Brasil deveriam ser exceções. Sim, pois o país foi (e ainda é) imensamente povoado por imigrantes de todas as origens, religiosas, culturais e étnicas: judeus, árabes, asiáticos, europeus, africanos (que vieram forçados no período da escravidão), entre outros. Com tanta diversidade étnica, como ser racista? Enquanto os bárbaros bradam contra quem chega, tudo o que os imigrantes e refugiados esperam é encontrar acolhida e contribuir com o Brasil. 
 
CONIC com informações do El País, Carta Capital e ClicRDC
Foto: AFP
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Um grupo de deputados lançou nesta quarta-feira (6) na Câmara a Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução de Homicídios. Ao todo, 198 deputados de 25 partidos estavam presentes. Também marcaram presença representantes da sociedade civil e entidades, entre os quais, o CONIC, que se fez representar pela secretária-geral Romi Bencke.
 
O objetivo do grupo é desenvolver projetos voltados a prevenir a violência e reduzir o número de homicídios no país.
 
A frente será integrada pelos 198 parlamentares de 25 partidos. Segundo o coordenador do grupo, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), além de defender projetos no Congresso, os deputados vão trabalhar nos estados para procurar boas experiências e replicá-las pelo país.
 
"São mais de 60 mil pessoas assassinadas por ano no Brasil. A gente precisa enfrentar esse problema. Vamos defender boas iniciativas que ajudem a superar essa gravíssima violação ao direito mais básico que é a vida", afirmou.
 
A iniciativa conta com o apoio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, da Organização das Nações Unidas (ONU), e de institutos como Sou da Paz e Igarapé.
 
O Monitor da Violência, parceria entre o G1, o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi ressaltado no evento como iniciativa relevante para a divulgação do alto índice de homicídios no país.
 
Na primeira etapa, o projeto registrou todos os casos de homicídio, latrocínio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídios ocorridos no país entre 21 e 27 de agosto. Nesse período, 230 jornalistas do G1 espalhados pelo país apuraram e escreveram as histórias dos 1.195 mortos em 553 cidades – quase 10% do total de municípios brasileiros. O levantamento apurou média de uma morte a cada oito minutos no país.
 
Durante o evento, outros projetos apontados como contribuição para a redução da violência foram apresentados aos membros da frente.
 
No do Instituto Igarapé, por exemplo, 55 organizações trabalham em sete países da América Latina com altos índices criminais. O objetivo é reduzir a taxa de homicídios em 50% em 10 anos. A entidade deverá prestar apoio no desenvolvimento de propostas no Congresso.
 
"Uma das estratégias é oferecer apoio técnico para o poder público, no sentido de construir e aprovar propostas positivas e também conter projetos que possam provocar retrocessos", explicou Dandara Tinoco, representante do Igarapé.
 
O projeto Jovem Negro Vivo também apresentou aos deputados informações sobre o elevado índice de assassinatos de jovens negros no Brasil.
 
Morador do Rio de Janeiro e membro do projeto, Joel Costa lembrou no lançamento da frente que a educação é o principal caminho para a redução dos homicídios de crianças e adolescentes negros.
 
"Sou filho de ex-traficante e só estou aqui porque tive acesso à educação. A educação é o norte para mudar a situação violenta do nosso país", disse aos deputados, alertando para o número de jovens que morrem em ações policiais nas ruas e escolas do Rio.
 
Romi falou do papel do CONIC para a construção de uma cultura de paz. Ela destacou as inúmeras ações do Conselho pelo fim da intolerância religiosa e, como exemplo, citou a reconstrução de um terreiro em Duque de Caxias (RJ), trabalho que contou com a liderança do regional do CONIC no Rio. Também destacou a criação, no último mês, do Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas, iniciativa que visa destinar recursos aos templos de fé destruídos em função de atos de violência religiosa.
 
Com informações do G1
Foto: Alessandra Modzeleski / G1
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Entre janeiro e agosto deste ano, 58 defensores dos direitos humanos foram mortos no Brasil, segundo o relatório “Ataques letais, mas evitáveis: assassinatos e desaparecimentos forçados daqueles que defendem os direitos humanos”, divulgado nesta terça-feira (5) pela Anistia Internacional. Para comparação, em 2016 foram 66 ativistas mortos no país.
 
"Nas Américas, o Brasil é o país com o maior número de defensores de direitos humanos assassinados e os números crescem a cada ano", diz Renata Neder, coordenadora de pesquisa e políticas da Anistia. De acordo com o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, a maioria das mortes está ligada ao meio ambiente e à disputa da terra.
 
O documento também cita ataques à comunidade LGBTQ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Queer) e afirma que “o Brasil tem um dos maiores números de homicídios registrados de transgêneros no mundo, o que aumenta os riscos para ativistas transgêneros”. Guadalupe Marengo, coordenadora do Programa Global de Defensores de Direitos Humanos da Anistia Internacional, as mortes e os desaparecimentos relatados no documento foram, muitas vezes, precedidos de agressões anteriores "para as quais as autoridades fecharam os olhos ou até mesmo encorajaram".
 
Segundo a Anistia Internacional, a situação "parece ter piorado desde que o Programa Nacional para a Proteção dos Defensores de Direitos Humanos foi enfraquecido, em 2016”. Em maio, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra (Suíça), o governo brasileiro foi cobrado a adotar medidas mais eficazes no combate às violações de direitos humanos no país.
 
De acordo com levantamento da ONG Front Line Defenders repassado à Anistia, ao menos 281 defensores de direitos humanos foram mortos em 2016 em cerca de 40 países, número maior que os registrados em 2015 (156 mortes) e em 2014 (136 mortes). 
 
Fonte: Brasil 247
Foto: Reprodução
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Estamos chegando ao final de mais um ano! Iniciamos a época de Advento. O Natal se aproxima. E assim, mais uma vez, somos chamados a pensar: O que realmente é importante na nossa vida? De tudo o que acontece no Natal, o que realmente importa ser valorizado?
 
Quando faço essa pergunta sobre o que temos de mais importante, lembro de uma estória: 
 
Um rei tinha dois filhos e quando ficou velho, quis escolher um deles para ser seu sucessor. Reuniu, então, os filhos e lhes deu uma tarefa. Vocês deverão encher o saguão do palácio até o anoitecer com aquilo que temos de importante no nosso reino.
 
O filho mais velho saiu e chegou a uma plantação onde os trabalhadores estavam justamente moendo a cana-de-açúcar que haviam colhido. O bagaço da cana estava jogado por todos os lados. Ele pensou: Esta é uma boa oportunidade para encher o saguão de meu pai com o bagaço da cana – que é o que nossos colonos mais plantam. E assim o fez. Foi então procurar o pai e disse: Eu cumpri a tarefa. Não precisas mais esperar pelo meu irmão. Faze de mim o teu sucessor. O pai respondeu: Ainda não é noite. Eu vou esperar.
 
Logo depois, chegou o filho mais moço e colocou no meio do saguão algo que as mulheres do reino fabricavam: velas. Acendeu algumas velas e, de repente, a luz delas encheu até o último cantinho do saguão do palácio.
 
O rei então disse: Tu serás o meu sucessor. O teu irmão encheu o saguão com algo que serve materialmente. Mas tu o encheste com luz. Encheste o saguão com aquilo que as pessoas mais precisam: luz.
 
Prezado irmão e irmã na fé: É justamente de luz que precisamos nos dias de hoje, especialmente da luz dos ensinamentos de Jesus em meio às injustiças e maldades que ocorrem em nossa sociedade.
 
Nessa época de Advento, nossos lares e cidades se transformam com a beleza dos enfeites Natalinos, sendo que uma das simbologias marcantes são as luzes (brilhantes, coloridas – de todas as formas e jeitos).
 
Que lembremos do real significado delas: não servem só de enfeite – mas servem para nos lembrar da maior LUZ que devemos ter na vida: Jesus Cristo e seus ensinamentos!
 
Em Isaías 9. 2 e 6 lemos: “O povo que andava na escuridão viu uma forte luz; a luz brilhou sobre os que viviam nas trevas. Pois já nasceu uma criança, Deus nos mandou um menino que será o nosso rei. Ele será chamado de Conselheiro Maravilhoso, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz”.
 
Essa é a mensagem de Advento e Natal que importa: Jesus nasceu para iluminar os caminhos da nossa vida, para que vivamos em paz, perdão, amor e justiça com as pessoas ao nosso redor!
 
Deus abençoe e ilumine a sua vida – seu ser e viver – suas atitudes e palavras, hoje e sempre. Amém.
 
P. Rubeval Küster – Paróquia da IECLB de Alto Bela Vista (SC)
Foto: Reprodução IECLB
Obs.: o título original deste artigo é: "Luz da Vida!!"
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Entre os dias 14 e 16 de dezembro, o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) estarão realizando a Missão Ecumênica em Solidariedade aos Povos Indígenas Kaingang e Guarani do RS, uma iniciativa do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil).
 
O objetivo é denunciar, também em âmbito internacional, o contexto de desmonte, retirada de direitos, intolerância e violência, especialmente no que se refere aos povos historicamente invisibilizados pelas políticas públicas e às defensoras e defensores de direitos humanos.
 
As visitas se darão em uma comunidade Kaingang, em Carazinho, onde vivem 35 famílias, e em duas comunidades Guarani, uma em Maquiné, com 18 famílias, e a outra em Capivari, com 20 famílias. As três comunidades estão aguardando a demarcação das terras, que vem sendo protelada pela Funai. Além da questão da terra, preconceito e violência, os problemas enfrentados incluem a falta de acesso à água, ao saneamento básico e habitação.
 
Na agenda, também está marcada uma apresentação e debate da publicação Direitos Humanos no Brasil: Informe da Sociedade Civil sobre a situação dos DHESCAs, na sede da FLD, em Porto Alegre (RS). A publicação é organizada pela Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil e coordenada pelo Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), pelo Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD) e por parceiros da agência de cooperação internacional Misereor. Logo após o debate, haverá o lançamento das publicações Tecendo Vidas, do COMIN, e Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora, da FLD.
 
Desde 2015, organizações realizam missões ecumênicas, mobilizando lideranças de todo o Brasil, para estarem junto a comunidades e territórios ameaçados e criminalizados. A I Missão Ecumênica ocorreu no Mato Grosso do Sul, em outubro de 2015. Desde então, foram organizadas mais ações, também no MS, e em novembro deste ano, em Pau D´Arco (PA). A participação é de representações de igrejas, organismos ecumênicos e inter-religiosos, organizações da sociedade civil e defensoras e defensores de direitos humanos.
 
Programação
 
14/12, quinta-feira:
 
17h às 20h: Debate sobre direitos humanos no Brasil e situação dos DHESCAs e lançamento das publicações Tecendo Vidas, do COMIN, e Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora da FLD.
Local: Sede da Fundação Luterana de Diaconia, Rua Dr. Flores 62/901, centro de Porto Alegre (RS).
 
15/12 , sexta-feira:
 
Visita à comunidade Kaingang, em Carazinho, e Audiência Pública sobre Criminalização, território e políticas públicas, em Passo Fundo. Após, celebração Ecumênica.
 
16/12, sábado:
 
Visita a comunidades Guaraní em Maquiné e Capivari.
 
Fonte: FLD
Foto: Cimi
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