Uma palavra sintetiza a aula sobre nazismo que um grupo de brasileiros tentou dar aos próprios alemães na Internet: fremdschämen (vergonha alheia). O que era para ser um vídeo sobre como se ensina a história do nazismo, publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília e pelo Consulado Geral no Recife, se tornou um campo de guerra nas redes sociais.
 
De um lado, brasileiros que não acreditam no holocausto e garantem que o nazismo era uma ideologia de esquerda, contestavam a história divulgada pelo Governo alemão. Do outro, brasileiros envergonhados pediam desculpas pelos comentários exaltados. E no meio, a embaixada alemã tenta equilibrar os ânimos e corrigir os néscios: "O holocausto é um fato histórico, com provas e testemunhas que podem ser encontradas em muitos lugares da Europa", publicou em resposta a um internauta que afirmou que  o "holofraude está com os dias contados".
 
No vídeo institucional, a Alemanha explica que desde cedo as crianças são ensinadas confrontar os horrores do holocausto, como parte do pensamento de conhecer e preservar a história para não repeti-la. No país é crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas, fazer a saudação "Heil Hitler". O vídeo deixa claro que o nazismo é uma ideologia da extrema direita. "Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas", afirma no vídeo Heiko Mass, ministro das Relações Exteriores.
 
Muitos internautas contestaram o ministro: "Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?", perguntou um internauta, em relação ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), que ficou ativo no país entre 1920 e 1945. O partido de Hitler misturava uma cultura paramilitar racista, populista, antissemita e anti-marxista, algo como "contra tudo o que está aí" e " ou pelos verdadeiros alemães "de bem".
 
Houve quem tentasse explicar onde estava o erro da embaixada: "Não é só pelo nome do partido. É uma concentração de poder no Estado. A esquerda (comunismo/socialismo) acredita em poder centralizado no governo para a construção de uma sociedade melhor. A direita acredita na descentralização desse poder, por isso advoga um poder maior ao indivíduo e não ao coletivo (...)". Isto é, como Hitler centralizava o poder, logo, ele não poderia ser de direita, segundo esse internauta.
 
Enquanto alguns tentavam ver o lado positivo da iniciativa e marcavam amigos para tentar provar que o nazismo é, sim, de direita - "(...) se o Consulado alemão explicando que o nazismo é de extrema direita não te convencer, não sei o que mais poderá", escreveu um internauta. Outros até ameaçaram a embaixada: "[Vocês] perderam uma enorme chance de ficar de boca fechada. Mas não se preocupem. Estou compartilhando este post na Alemanha. Vamos ver o que irão dizer!"
 
Damaris Jenner, responsável para assuntos de imprensa na embaixada, explica que a ideia era falar sobre como se ensina história na Alemanha. “Na semana em que pensamos em fazer esse vídeo, aconteceram as manifestações em Chemnitz e vários jornais brasileiros noticiaram”, diz ela. Os protestos foram realizados por militantes da extrema direita desde o final de agosto contra a morte de um alemão, supostamente esfaqueado por dois imigrantes, e que terminaram em atos de violência.
 
“Achamos que seria interessante ligar esses dois assuntos para mostrar essa discussão na Alemanha”, afirma Jenner. Mas a reação dos internautas surpreendeu. “Não imaginávamos que repercutiria dessa forma”, diz. “Nosso vídeos costumam ser bem assistidos, mas esse foi excepcional”. Até o fechamento desta reportagem, o vídeo tinha mais de 630.000 visualizações na página da embaixada. Jenner diz que, além da audiência alta, fez diferença o engajamento dos usuários. "Geralmente tem menos debate”, diz. Ela afirma que alguns comentários foram respondidos “de forma cordial” pela própria embaixada ou pelos consulados que replicaram o vídeo, mas que em muitos casos os próprios usuários responderam uns aos outros.
 
Apesar da polêmica e de alguns comentários pouco cordiais de usuários, a embaixada não pretende retirar do ar a publicação. “Isso é um assunto importante em muitos países atualmente”, diz Jenner, sobre a temática levantada pelo vídeo. “Mas as reações daqui são devido a situação política do Brasil”, afirma. Desde as jornadas de junho de 2013, o país vive um clima acirrado de polarização política. Grupos alinhados ao pensamento da direita se uniram em torno do impeachment da petista Dilma Rousseff. Enquanto grupos de esquerda acusavam os adversários de golpe. Neste cenário, a defesa falaciosa de que o nazismo seria um movimento de esquerda se tornou comum entre militantes da direita nas redes sociais.
 
Na escola, os alemães começam a aprender sobre o nazismo quando têm  entre 13 anos e 15 anos. E no Brasil também. "Os alunos da rede pública estudam este tema em História em dois momentos do ciclo básico: no nono ano do ciclo fundamental e no terceiro ano do ensino médio", afirma o professor de história da rede pública de São Paulo Danilo Oliveira. A diferença é que, enquanto na Alemanha a história do Terceiro Reich está nas ruas, no turismo e nas memórias das famílias, no Brasil, as lembranças do passado de influência nazista vão sendo apagadas pelo desinteresse sobre o tema.
 
É o que aconteceu com a Fazenda Cruzeiro do Sul, em Paranapanema, interior do Estado, onde funcionou na década de 1930 uma colônia nazista. A história da fazenda ganhou destaque a partir do trabalho do historiador Sydney Aguilar que descobriu como 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro foram escravizados por dez anos a ponto de terem sido privados até mesmo de seu nome, eles só ganhavam números. Essa história foi contada no filme Menino 23, lançado em 2016. O prédio da sede, construído com tijolos com o desenho da suástica, já não existe mais. O proprietário começou a demolir a estrutura em 2012, e terminou em 2016. E só restou à Procuradoria Geral do Estado processar o dono.
 
O professor Oliveira admite que o nível de informação dos brasileiros sobre grandes temas da humanidade, como o nazismo, pode piorar nos próximos anos. Isso porque a diferença entre as ideologias de direita e esquerda são mais aprofundadas nas disciplinas de história e sociologia no ensino médio, que deixarão de ser obrigatórias se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esta etapa de estudos for aprovada. Por enquanto, como disse um internauta, "brasileiros questionando a embaixada alemã sobre nazismo é 8 a 1 para Alemanha". Mas pelo andar das coisas, esse placar ainda tem potencial para crescer muito.
 
Fonte: El País
Foto: Reprodução / GETTY | EPV


O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) alertou, na última sexta-feira (14), na Suíça, para o risco de genocídio de diversos povos indígenas no Brasil, durante a 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A denúncia reitera, inclusive, o caótico cenário enfrentado por esses povos frente às políticas anti-indígenas aplicadas no país, em específico nos últimos dois anos.

O alerta do Cimi é um pedido de providência contra as violações praticadas aos povos indígenas, que correm risco de total extinção, como é o caso de grupos isolados, se nenhuma providência efetiva de defesa seja adotada. Os dados apresentados pela entidade revelam o massacre às comunidades, tendo em vista que no último século a população indígena passou de 4% para apenas 0,4% no Brasil, segundo senso de 1872 e 2010, respectivamente.

Para Flávio Vicente Machado, missionário do Cimi que acompanha a delegação, este dado censitário é revelador, porque no primeiro censo de 1872, as populações indígenas correspondentes a 4%, cerca de 384 mil pessoas, eram aquelas que perfaziam os convívios populacionais, no entorno das paróquias, unidade populacional utilizada há época para a pesquisa. “Isto é, não contabilizou, obviamente, a grande maioria dos povos que estavam massivamente isolados nas florestas. No entanto, já no censo de 2010, não só houve uma quantidade enorme de povos contatados nos últimos 138 anos, mas se consolida o elemento da autodeclararão. E é este o dado aterrador porque não chegam a 0,4% (817 mil) da população brasileira. É obvio que existe uma série de fatores relacionados a estes dados gerais, no entanto, quando comparamos os dados absolutos é aterrorizante, por exemplo, constatar que em 1991, quando os indígenas são novamente incluídos no Censo, pois foram excluídos durante 120 anos, a população à época era de 294 mil pessoas. Portanto, quase 100 mil a menos que há 120 anos. A grosso modo, o Brasil assassinou quase mil indígenas por ano, entre 1872 a 1991”, ainda que nasciam crianças há uma alta taxa de natalidade e mais povos tinham seus territórios invadidos, principalmente na Amazônia brasileira.

Segundo o representante do Cimi, Paulo Lugon Arantes, o discurso político de ódio no país, um dos 14 fatores de risco de genocídio, tem legitimado e alimentado uma série de ataques violentos contra povos indígenas. “A taxa de homicídios da população Guarani e Kaiowá em Dourados é de 88 por 100.000 habitantes, quase um triplo da taxa total brasileira. Seguindo a metodologia estabelecida pelo Escritório de Prevenção de Genocídio da ONU, o caso Guarani e Kaiowá se encaixa em 7 fatores e 16 indicadores, de acordo com a análise de risco de crimes de atrocidades que submetemos ao seu escritório”.

Na declaração, o Cimi também ressaltou a recomendação da Comissão Nacional da Verdade no Brasil, acerca da criação de uma comissão da verdade específica para investigar os massacres contra populações indígenas, demarcação dos territórios, reconhecimento oficial estatal das violações estatais, como formas de reparação e não repetição. O representante do Cimi pontuou também a identificação, por parte dessa Comissão, de políticas específicas e deliberadas, praticadas pelo regime militar, de extermínio dos povos indígenas e práticas horríveis, a exemplo do desfile público de indígenas submetidos à tortura.

Em caráter inédito, a liderança da Aty Guasu, Grande Assembleia dos Guarani e Kaiowá, Leila Rocha Guarani Nhandeva, entregou um estudo com as análises dos fatores de risco, apontando mais de 30 indicadores de genocídio ou crimes atrozes, ao assessor especial do secretário-geral da ONU sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng. O documento, com 160 páginas, foi produzido a pedido da Aty Guasu – Grande Assembleia Guarani e Kaiowá -, do Cimi e Ministério Público Federal – MPF, pelas Clínicas de Direitos Humanos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos – RS, da Cardoso School of Law – Yeshiva University NYc, contando ainda com apoio de pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.

No marco dos 70 anos da Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, Cimi pede a tipificação do crime de Etnocídio

A manifestação do Cimi contra as violações de direitos indígenas foi iniciada no dia 13, durante o Painel comemorativo do 70º aniversário da convenção na 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que contou com a participação da nova Alta-comissária para os direitos humanos da ONU, Sra. Michelle Bachelet, o Assessor Especial do Secretário Geral da Onu para prevenção do Crime de Genocídio Sr. Adama Dieng, o Ministro de relações exteriores Armênio, Sr. Zohrab Mnatsakanyan, e a juíza da Corte Penal Internacional, Sra. Kimberly Prost.

O pedido protocolado no sistema do conselho pede a tipificação do crime de etnocídio praticado contra os povos indígenas e originárias, com foco na situação dos povos em isolamento voluntário, considerados os grupos mais ameaçados do planeta. O etnocídio relatado, corresponde ao ato de destruir qualquer traço remanescente de uma cultura, seja material, como símbolos ou obras artísticas que possuem representação cultural, seja imaterial, como uma língua ou uma crença religiosa.

Evento paralelo à 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU

Também na tarde desta sexta-feira (14), foi realizado um evento paralelo à 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU para destacar o quadro agudo de violações de direitos humanos. Foi ressaltado no contexto da política de desmonte baseada em uma perspectiva de austeridade e de ruptura do Estado Democrático de Direito pelo qual passa o Brasil. O evento foi proposto por Terra de Direitos, Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil e Cimi, com apoio da Justiça Global e FIAN Brasil.

Programação

Nesta semana o debate em defesa dos povos indígenas também integra o evento paralelo “Entre o Brasil e a Venezuela: a situação dos direitos humanos dos povos Warao e E’ñepa”. A liderança da Aty Guasu, Leila Rocha, fará parte do evento, no dia 20, como painelista. Em solidariedade aos povos indígenas Warao e E’ñepa, cuja migração da Venezuela ao Brasil vem se intensificando nos últimos anos, Leila partilhará a realidade vivenciada pela população Guarani, que tem seu território originário atravessado pelas fronteiras entre Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina.

Além disso, a programação também prevê painel sobre a situação dos povos indígenas no mundo, bem como o diálogo interativo entre a relatora especial para os Povos Indígenas e o Mecanismo de peritos do qual a Yamada faz parte e preside.
 
Fonte: Cimi
Foto: Cimi


O voto é, ao mesmo tempo, um direito individual e uma manifestação de desejo comunitário. Por meio dele, expressamos nossas aspirações para o nosso País, Estado e Cidade. Quando olhamos o voto a partir de nossa perspectiva cristã, podemos encará-lo como expressão da paz, da justiça e da verdade que buscamos como princípios do Reino de Deus. Os candidatos e candidatas que os recebem devem, sob a nossa análise, ser pessoas capazes de realizar a defesa intransigente da dignidade da pessoa humana, da preservação de toda a criação, da transformação de nossa sociedade para melhor e da garantia de direitos em todos os segmentos sociais, com maior ênfase sobre as pessoas menos favorecidas e, portanto, mais necessitadas, representadas pela categoria bíblica dos órfãos, estrangeiros e viúvas. Cada voto é o acolhi­mento de ideias, programas partidários, alianças e pessoas. Por isso propomos, de modo prático, algu­mas orientações para o povo metodista no exercício de sua cidadania. Para isso, usaremos a sabedoria de sete provérbios bíblicos para nossa reflexão.

1. Mais vale o bom nome do que muitas riquezas (Provérbios 22.1)

Conheça a vida e o caráter de quem se apresenta como candidato(a). Precisamos analisar as princi­pais linhas de ação e compromissos do partido e a natureza das alianças estabelecidas para cumprimento do programa. “Candidatos [e candidatas] que a cada eleição se apresentam de maneira diferente, fruto de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos(as) de nosso apoio. De igual modo, ninguém deve receber nosso voto simplesmente por expressar uma religiosidade evangélica. Antes, devemos recordar que ‘a fé, se não tiver obras, por si só estará morta’ (Tg 2.1)” [Carta Pastoral sobre as eleições, 2010].

2. Ao que cuida em fazer o mal, mestre de intrigas lhe chamarão (Provérbios 24.8)

Estas eleições se caracterizarão por uma grande briga por espaço nas redes sociais. Para desquali­ficarem-se mutuamente e, principalmente, afetar o grupo das pessoas indecisas quanto ao voto, certamente que muitos candidatos e candidatas, e até mesmo pessoas que lhes são simpatizantes, recorrerão ao expediente das famosas fake news (notícias falsas). Não se deixe levar por intrigas nem contribua para que elas se espalhem. Evite compartilhar notícias sem checar as fontes e muito cuidado com vídeos, que podem ser completamente editados. Nada disso contribui para a democracia. Compartilhe informações consistentes sobre os(as) candidatos(as), que permitam a percepção de sua coerência política, sua integridade ética e moral, sua capacidade de dialogar com a sociedade e sua sensibilidade aos problemas e demandas sociais.

3. O que anda em integridade será salvo (Provérbios 28.18)

“Exerça um voto ético, comprometido com o Rei­no de Deus, pois a vontade soberana do Senhor deve ser vista e sentida na vida de todos os seres humanos. E ainda, o voto ético não se destina a políticos des­comprometidos, e sim aos que são ‘sal da terra e luz do mundo’. Ele não é vendido ou trocado por bens materiais, mas ‘traz vida em abundância’. Não se deixa levar pelas aparências, e sim, fortalece a verdade que liberta. Ele é consciente e traz à memória o que nos pode dar esperança de uma sociedade cidadã” [Carta Pastoral sobre as eleições, 2010].

4. Informa-se o justo das causas dos pobres, mas o perverso de nada disso quer saber (Provérbios 29.7)

Se você pensa em votar em candidatos(as) que já exerceram mandatos anteriores, procure conhecer profundamente a maneira como atuaram em situ­ações determinantes, na aprovação de projetos nos diversos níveis e, conforme sua análise, conclua quais devem ou não ser reeleitos(as).

5. Muitos buscam o favor daquele que governa, mas o que confia no Senhor está seguro (Provérbios 29.26)

Escolha candidatos e candidatas cujos valores e histórico de vida se aproximem àqueles que o Evangelho de Cristo aponta como características da boa autoridade e da promoção da justiça. Nosso discernimento precisa ser exercido com seriedade para escolher quem melhor corresponda à nossa esperança de um país mais justo, com crescimento e desenvolvimento para todas as pessoas, especial­mente quem mais precisa. Coloque-se em atitude de oração durante o tempo das eleições. Esta é uma ação humana, mas certamente Deus quer nos inspirar nas melhores escolhas. A responsabilidade pelo país que construímos é nossa, mas Deus deseja abençoar nossa nação e pode fazer isso nos inspirando não apenas no voto, mas nas ações cidadãs de cada dia.

6. Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda (Provérbios 26.20)

Tanto o corpo pastoral quanto os membros das igrejas possuem o direito à opinião e à livre manifes­tação de suas preferências quanto a candidatos(as) e partidos. É um direito constitucional, inclusive. No entanto, o exercício deste direito deve respeitar a máxima bíblica do amor e do respeito entre irmãos e irmãs. A lei assegura que as igrejas não podem ser espaço de promoção de candidatos nem currais eleitorais. Portanto, o púlpito está vedado à propaganda política de qualquer candidato(a), embora outros espaços de debates possam ser abertos, desde que respeitem a variedade das posições existentes, sempre no espírito democrático de ouvir posicionamentos diferentes. As redes sociais de pastores e pastoras e de metodistas não expressam o pensamento da denominação como um todo. Ocorrendo em paz, o debate poderá nos ajudar não apenas no voto, mas no crescimento da consciência cidadã e democrática.

7. Praticar a justiça é alegria para o justo (Provérbios 21.15)

A despeito de descrédito ou desconfianças que alguém possa ter em relação à política partidária, a busca de uma sociedade mais justa, mais solidária, requer perseverança e continuidade histórica na luta por tais ideais. Assim, entendemos que o exer­cício do voto é uma das garantias permanentes da construção de um Estado democrático de direito. Portanto, recomendamos aos irmãos e irmãs não deixarem de votar, e que não anulem seu voto!

Nós, bispos e bispas da Igreja Metodista, reafir­mamos nossa fé no Reino de Deus e na sua justiça, pela qual cremos que o poder do Espírito Santo nos dará, a nós, metodistas, visão aguçada e coração quebrantado para exercermos, como Igreja, nossa ação política neste ano eleitoral, de modo a exaltar e engrandecer Àquele que governa eternamente.

Ó Deus, dá aos que governam os teus juízos, e a tua justiça aos filhos dos que governam. (Salmo 72.1)
 
Fonte: Igreja Metodista
Foto: Reprodução

 
Em 2017, o deslocamento forçado bateu recorde no mundo: 68,5 milhões de pessoas terminaram o ano fora de suas casas por motivos como guerras, conflitos e perseguições. Esse número envolve refugiados, solicitantes de refúgio, deslocados internos (quando a pessoa foge para um lugar dentro do próprio país) e apátridas. O dado é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
 
No Brasil, até o fim de 2017, foram reconhecidos 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. Destes, 39% são sírios. E os estados com mais refugiados são São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a 3ª edição do relatório Refúgio em Números, do Ministério da Justiça.
 
Vendo a situação dos refugiados nos últimos anos, a ONG Atados decidiu dar início a uma iniciativa que acabou virando uma organização independente: a Abraço Cultural. A organização capacita refugiados para atuarem como professores de idiomas e contrata esses mesmos profissionais para ensinarem sua língua e sua cultura.
 
A escola de idiomas teve início na cidade de São Paulo, em 2015, e chegou ao Rio de Janeiro em 2016. Mas a ideia surgiu ainda em 2014, durante a Copa dos Refugiados, organizada pela ONG Atados.
 
A Atados é uma plataforma social online que conecta pessoas interessadas em fazer voluntariado e organizações sem fins lucrativos que precisam de voluntários. A entidade apoia e divide espaço com o projeto Abraço Cultural nas unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
 
Seleção dos refugiados
 
O processo de seleção é realizado anualmente e envolve análise de currículos, entrevista e capacitação. O processo dura de dois a três meses. “Na capacitação, é trabalhada a metodologia do Abraço Cultural, a atuação da política brasileira nas questões de refúgio, e assuntos relacionados a mercado de trabalho”, explica Mateus Lima Oliveira, assistente de projetos no Abraço Cultural.
 
Uma vez selecionado, o profissional pode permanecer por tempo indeterminado atuando como professor do projeto.
 
Os professores são cadastrados como Microempreendedores Individuais (MEI) e são contratados formalmente como pessoas jurídicas. Desta forma, eles pagam impostos. Cada professor consegue uma renda diferente com base no número de aulas que ministra por mês. “Já foi gerado mais de R$ 1,5 milhão em renda para os professores do projeto”, conta Mateus Oliveira.
 
Clique aqui e veja as histórias de refugiados que atualmente trabalham como professores de idiomas no Abraço Cultural.
 
Texto: Adriana Brandão / Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução

 
Pelo menos dois terços, ou 66,5%, dos deputados federais que são candidatos à reeleição neste ano votaram ou apresentaram projetos de lei que prejudicam o meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais.
 
Os dados são resultado de levantamento que levou em conta 14 votações nominais e 131 projetos de lei nessa área. Para medir se os projetos e proposições teriam impacto negativo ou positivo, oito organizações do setor socioambiental foram chamadas para fazer uma avaliação de mérito. O cruzamento de dados faz parte do Ruralômetro, ferramenta jornalística para consulta sobre os deputados federais produzida pela Repórter Brasil.
 
Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a sua temperatura – podendo atingir níveis de febre. Assim, se o deputado tem mais do que  37,3°C, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Se o deputado tem mais do que  37,3°C no Ruralômetro, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Dos 248 deputados candidatos à reeleição que têm a ‘febre ruralista’, 138 deles (ou 55%) fazem parte da Frente Parlamentar Agropecuária, a chamada bancada ruralista. Entre os candidatos à reeleição que têm febre, há ex-ministros do governo do presidente Michel Temer, nomes envolvidos em escândalos de corrupção, lideranças da bancada ruralista e membros de tradicionais famílias da política brasileira.
 
Quem tem febre?
 
Candidato à reeleição por Santa Catarina, o deputado federal Valdir Colatto (MDB) é um dos que tem a febre mais alta: 41,5°C. Ele é autor de nove projetos de lei prejudiciais ao meio ambiente e aos povos do campo. Um deles regulamenta a caça de animais silvestres e outro pede a suspensão de norma do Ministério do Meio Ambiente que lista espécies da fauna e da flora que devem ser protegidas.
 
Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à presidência Jair Bolsonaro, tenta se reeleger à Câmara dos Deputados por São Paulo. Ele tem febre de 39°C e votou a favor da redução da área protegida em Jamanxim, no coração da Amazônia. Luiz Nishimori (PR), relator do projeto de lei que flexibiliza a liberação de agrotóxicos , também tenta se reeleger pelo Paraná. Ele tem febre de 40°C por ter votado majoritariamente com o governo Temer: foi favorável à ampliação da terceirização, que dificulta o combate ao trabalho escravo, e também à “MP da Grilagem”, que pode ampliar os conflitos por terra no país.
 
Entre os ex-ministros do governo Temer, Ricardo Barros (Saúde), Leonardo Picciani (Esportes) e Osmar Serraglio (Justiça e Segurança Pública) são candidatos à reeleição e apresentam febre alta: 39,9°C, 40,2°C e 39,5°C, respectivamente.
 
Lucio Vieira Lima (MDB), irmão de Geddel Vieira Lima, tenta reeleição pela Bahia mesmo sendo réu no caso do bunker de R$ 51 milhões – quando a polícia encontrou no apartamento de Geddel funcionários com notas de dinheiro. Sua temperatura no Ruralômetro é de 39,6°C.
 
Procurados pela Repórter Brasil, Nishimori e Colatto informaram que suas pautas estão “voltadas, entre outros temas, para o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira”. A assessoria de imprensa do deputado Ricardo Barros informou que ele esteve “dois anos ausente da Câmara dos Deputados em razão de sua função à frente do Ministério da Saúde”. Os demais candidatos à reeleição citados nesta reportagem também foram procurados, mas não se pronunciaram.
 
‘Agronegócio predatório’
 
A atual composição da Câmara dos Deputados é uma das mais conservadoras desde a redemocratização, e esse grupo deve se fortalecer nesta eleição. É essa a avaliação da cientista política da Unicamp, Andrea Freitas.
 
Para a pesquisadora, há uma excessiva representação do grupo ligado ao que ela chama de “agronegócio predatório”, segmento que defende não apenas os interesses do empresário rural, mas que foca suas ações na defesa da propriedade de terra – sendo contrários à reforma agrária, por exemplo – e que defende o afrouxamento do processo de licenciamento ambiental.
 
A renovação desse grupo no Congresso está relacionada, na análise de Freitas, ao poder econômico do lobby do setor e do financiamento de campanhas. Nestas eleições, com a proibição do financiamento empresarial, a tendência é que candidatos ricos sejam privilegiados por conta do autofinanciamento irrestrito, já que candidatos não têm limitação financeira para bancar suas próprias campanhas. “E parte importante dos representantes do agronegócio predatório estão entre os mais ricos do Brasil”, avalia Freitas.
 
“Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade”, analisa Andrea Freitas, cientista política da Unicamp.
 
A cientista política destaca que ter grupos “excessivamente” presentes  no Congresso prejudica uma representação equilibrada. “O que torna o Congresso o coração da democracia é que ali deveria estar a representação da sociedade como um todo. Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade. Mas não é o que acontece”, conclui.
 
Para Caio Pompeia, doutor em antropologia pela Unicamp e pesquisador visitante em Harvard, o poder de influência do agronegócio no Congresso brasileiro não pode ser explicado somente em função da força do chamado ruralismo. “O agronegócio é uma composição de natureza intersetorial, envolvendo representantes da indústria e de serviços relacionados à agropecuária”, analisa. “Não estamos falando apenas de grandes fazendeiros, eles são minoritários nessa história, ainda que tenham certa força política”.
 
Além dos deputados que concorrem à reeleição, o Ruralômetro mostra todos os deputados eleitos em 2014 que disputam algum cargo, tanto no Legislativo como no Executivo. Dois presidenciáveis estão na ferramenta – Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e Cabo Daciolo (Patriotas-RJ) –, assim como 9 candidatos a governador, 41 candidatos ao senado, 373 candidatos à deputado federal e 8 candidatos à deputado estadual.
 
Consulte o Ruralômetro, ferramenta que monitora como a ação dos deputados federais e candidatos impacta o meio ambiente e povos do campo.
 
Foto: Christian Braga / Greenpeace

 
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito repudia o voto de cajado: pastores não devem usar o púlpito para orientar o voto dos seus membros. Pastores não devem, de forma alguma, fazer campanha eleitoral durante a celebração dos cultos - corrompendo a mensagem central do Evangelho, de anunciar o Cristo que se fez justiça para a redenção da humanidade. Pastores não devem estimular o fascismo, a intolerância, o ódio e nenhuma forma de opressão. Como seguidores de Cristo, estamos comprometidos com o restabelecimento da democracia brasileira, e que o processo eleitoral nos garanta parlamentares e governantes empenhados na construção de um país mais justo e igual, com oportunidades.
 
Ao escolher seus candidatos considere se ele ou ela está comprometido coma recuperação dos direitos dos trabalhadores, com a educação pública e gratuita, com a manutenção e recuperação do Sistema Único de Saúde, com a distribuição de terra e moradia, com a defesa da soberania nacional, com a defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente, com investimento em saúde, educação e infraestrutura, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a igualdade de gênero, com o combate à desigualdade, com a reforma tributária, com a democratização dos meios de comunicação, com a manutenção do sistema previdenciário, com o combate às violências, com a desmilitarização da polícia.
 
Fonte: Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Foto: Reprodução

 
Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.
 
O ano de 2017 foi um marco nacional nesse quesito com a ocorrência de alguns fatores que colaboraram a população como um todo a dar mais atenção ao tema e procurar informações. Em 2018, o CVV (www.cvv.org.br), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, programou diversas atividades em todas as cidades nas quais possui um de seus mais de 90 postos de atendimento.
 
Leia também:
 
Alguns exemplos são caminhadas, palestras, balões amarelos, pontos turísticos e edifícios públicos iluminados, distribuição de folhetos e atendimentos em locais públicos.
 
Carlos Correia, voluntário e porta-voz do CVV comenta que é o período mais intenso para todos os voluntários da instituição. “Nos preparamos desde o início do ano para aproveitar esse importante momento de falar sobre prevenção do suicídio e, aos poucos, quebrar alguns tabus”, comenta.
 
Correia comenta que os 32 suicídios que ocorrem diariamente no país, média de 1 morte a cada 45 minutos, é algo que pode ser reduzido. “Perceber que a pressão interna está muito elevada, que o copo está para transbordar e, nesse momento ou antes disso, pedir e aceitar ajuda é muito eficiente. Conversar com alguém, seja conhecido ou desconhecido, de forma acolhedora e sem críticas já ajudaria essa pessoa a superar aquele momento.” O voluntário do CVV complementa que muitas vezes as pessoas precisam de acompanhamento médico e/ou psicológico, mas que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.
 
Não é preciso estar ligado ao CVV ou a outra instituição para se mobilizar. Empresas podem fazer ações internas, distribuir materiais informativos disponíveis no site www.setembroamarelo.org.br e promover palestras. Órgãos públicos podem iluminar de amarelo fachadas de prédios, promover atividades, falar sobre prevenção nas unidades de saúde e escolas. E cada pessoa pode se mobilizar usando uma fita amarela ou vestindo amarelo, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto.
 
O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.
 
Fonte: CVV
Imagem: Reprodução

 
Na batalha da humanidade contra a fome, os seres humanos estão perdendo. Em 2017, 821 milhões de pessoas iam dormir todos os dias sem ingerir as calorias mínimas para suas atividades diárias, 15 milhões a mais do que no ano anterior, o que significa um retrocesso a níveis de 2010. Os dados reunidos no relatório A Segurança Alimentar e a Nutrição no Mundo da ONU, publicado nesta terça-feira, confirmam que não é um aumento isolado; ainda que os especialistas resistam em falar de uma mudança de tendência, já são três anos seguidos de aumento.
 
Os conflitos, os eventos climáticos extremos e as crises econômicas são os principais responsáveis por essa regressão, de acordo com o estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) junto com outras quatro agências da ONU. As graves secas ligadas ao forte fenômeno El Niño de 2015 e 2016 são especialmente culpadas. Sem água, as plantações e o pasto aos animais não crescem. Isso significa que, nos países altamente dependentes da agricultura, milhares de pessoas ficam sem alimentos suficientes para comer e sem fonte de renda para comprar comida no mercado. A falta de chuvas, de fato, causa mais de 80% dos danos e perdas totais na produção agrícola e de gado.
 
“Se não fizermos mais, os três anos de aumento serão quatro. Reduzir a fome não é uma questão de fé, depende de nossas ações”, diz Kostas Stamoulis, diretor adjunto da FAO. Se no ano passado o órgão pedia o fim da violência para uma melhora na situação alimentar mundial, a nova edição foca na necessidade de se melhorar a resiliência das pessoas diante dos eventos climáticos extremos, ou seja, fortalecer sua capacidade de se adaptar, resistir e enfrentar uma adversidade.
 
“Pense em um terremoto. Dependendo de sua intensidade uma casa resistirá ou desabará. Não podemos mudar a intensidade do tremor, mas podemos mudar a resistência da casa”. Stamoulis afirma que o mesmo deve ser feito com as pessoas: prepará-las para o pior. “Temos os conhecimentos e as ferramentas para isso, devemos colocá-los em andamento”. E é preciso fazê-lo “em larga escala e de maneira acelerada”, diz Marco Sánchez-Cantillo, diretor de economia e desenvolvimento agrícola da FAO. “Por exemplo, os sistemas de alerta precoce que permitem antecipar soluções no caso de uma eventualidade se mostraram eficientes. Existem países que implantaram esse sistema, mas não é generalizado”, afirma.
 
A maioria dos países que enfrentam crises alimentares relacionadas ao clima (20 de 34) atravessa contextos de paz. Mas quando os choques climáticos ocorrem em áreas de conflito, é desencadeada a tempestade humanitária perfeita. Isso aconteceu nos 14 países restantes, entre eles, os que estão nas margens do lago Chade (Níger, Nigéria, Camarões e Chade), onde 10,7 milhões de pessoas precisam de ajuda para sobreviver todos os dias pela espiral de violência do terrorismo do Boko Haram e as secas. “O exemplo mais claro é que no ano passado foi declarada fome no Sudão do Sul. E o Iêmen, Somália e o norte da Nigéria chegaram bem perto. Nos quatro existe uma situação de conflito grave e condições climáticas extremas e desfavoráveis”, diz Blanca Carazo, responsável de programas e emergências do comitê espanhol da Unicef.
 
A África foi a região onde a fome assolou em maior proporção. Quase 21% de sua população estava subalimentada no ano passado: 256 milhões de pessoas, das quais 236 milhões eram da região subsaariana, 30,4% a mais em relação aos 181 milhões de famintos contabilizados nessa região do mundo em 2010. Em termos absolutos, a Ásia lidera com 515 milhões, 11,4% de seus habitantes. O clima e os conflitos sozinhos não explicam esses dados, diz Stamoulis. “Não foi exclusivamente o El Niño, ainda que tenha muito a ver. Não podemos nos esquecer que existem países que não estão em conflito, não atravessam uma crise econômica e não enfrentam eventos climáticos extremos, e têm taxas elevadas de fome”. Também “a marginalização, a desigualdade e a pobreza fazem com que as pessoas não tenham acesso a uma alimentação suficiente e nutritiva”, afirma.
 
As estatísticas e a realidade que refletem vão em direção contrária ao objetivo marcado na Agenda 2030 da ONU: conseguir erradicar a fome até essa data. “Ainda é arriscado falar de uma tendência de alta. Os dados desse ano mostram um aumento menor do que o do ano passado. Quero pensar que se trata de uma anomalia na diminuição que vinha ocorrendo na última década”, diz Jennifer Nyberg, diretora do Escritório na Espanha do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, entidade coautora do relatório. “Precisamos ser positivos e acreditar que conseguiremos alcançar os objetivos, porque se nos dermos por vencidos agora, não seremos bem-sucedidos”, dá um pouco de esperança o diretor adjunto da FAO.
 
“Isso é uma chamada de atenção para que coloquemos mais inovações e recursos para combater a fome. É preciso se perguntar o que não funciona”, diz Nyberg. É missão impossível, entretanto, calcular o financiamento total destinado a essa luta e, consequentemente, saber se ocorreram cortes nos últimos exercícios. O que se sabe é que os pedidos de fundos para emergências alimentares quase nunca arrecadam o necessário. Um exemplo: o PMA solicitou 9,10 bilhões de dólares (37 bilhões de reais) para realizar seu trabalho de distribuição de alimentos em áreas em crise em 2017; recebeu 6,8 bilhões (27 bilhões de reais). “Basicamente, quando não temos dinheiro, precisamos decidir quem não receberá comida”, afirma Peter Smerdon, porta-voz da agência na África oriental, em uma entrevista ao PNR em janeiro.
 
É urgente encontrar soluções, novas ou conhecidas, para atingir as metas que a comunidade internacional colocou em matéria alimentar para 2030. Em somente três anos, o avanço conseguido na luta contra a fome desde 2003 foi revertido, de tal maneira que em 2017 existia exatamente a mesma quantidade de famintos que em 2010. Outros indicadores do estado alimentar e nutricional no mundo também não estão melhores. As prevalências de anemia em mulheres em idade reprodutiva e a obesidade em adultos também aumentam.
 
Em relação às primeiras, passaram de 30,3% em 2012 a 32,8% em 20106. “É vergonhoso”, escrevem os redatores do relatório, “que uma em cada três mulheres em idade reprodutiva ainda sofra anemia, com importantes consequências tanto para sua saúde como para a de seus filhos”. Por outro lado, o número de adultos obesos não para de crescer desde 1975. Em 2016 existiam 672,3 milhões, 13,2% da população do planeta, o que representa um ponto e meio a mais em relação a 2012 (11,7%).
 
Em resumo: há mais famintos e mais obesos. Ainda que os primeiros se concentrem praticamente nas nações pobres, os segundos não vivem exclusivamente nas ricas; de fato, é um problema de saúde pública crescente em países em desenvolvimento. “Como essas duas tendências aparentemente contraditórias da segurança alimentar e da nutrição podem ocorrer?”, colocam os autores do estudo. Vários fatores explicam esse paradoxo. Um deles é, de acordo com os pesquisadores, que as mudanças demográficas, sociais e econômicas rápidas em muitos países de rendas baixas e médias levaram a uma maior urbanização e uma alteração dos estilos de vida e dos hábitos, que se inclinaram a um maior consumo de comida processada e hipercalórica, com um alto conteúdo de gorduras saturadas, açúcares e sal, e um baixo conteúdo de fibras.
 
O encarecimento de determinados alimentos também está relacionado com esse fenômeno. “Os mais nutritivos e frescos são os mais caros e os que têm menos recursos tendem a comprar outros mais calóricos e de pior qualidade nutricional”, diz Sánchez-Cantillo, da FAO. “O sobrepeso também tem a ver com a pobreza. Cresce em países em que para as famílias mais pobres é mais fácil conseguir comida de baixo valor nutritivo do que alimentos saudáveis”, afirma Carazo, da Unicef.
 
As crianças, a única esperança
 
Somente dois dados relativos ao estado nutricional das crianças lançam um pouco de luz em um panorama obscuro. Existem menos crianças que sofrem desnutrição crônica, também chamada stunting (atraso no crescimento, em inglês) por ser esse o resultado do déficit de nutrientes essenciais como a proteína, o ferro, o ácido fólico, a vitamina A e o iodo durante a primeira infância. “Mas não estamos contentes com as taxas atuais”, diminui o entusiasmo Stamoulis, da FAO. De acordo com suas estimativas, 22% dos menores de cinco anos sofrem esse tipo de desnutrição (150,8 milhões). Muitos na opinião do diretor adjunto da FAO, mas menos do que em 2012, quando a porcentagem de afetados chegava a 25% (165,2 milhões).
 
Esse progresso não está relacionado somente com o sucesso de programas alimentares focados na infância. O ponto fundamental está, diz a especialista da Unicef, em realizar “um trabalho integral de prevenção que inclui garantir o acesso a uma alimentação adequada, mas também à água potável e serviços de saneamento”. Significa, definitivamente, cobrir a ingestão mínima de nutrientes e evitar a perda dos mesmos por doenças como as diarreias, que contribuem para gerar uma situação de desnutrição crônica. É preciso prevenir porque, quando o atraso no crescimento ocorre, diz Carazo, já não há tratamento e as sequelas (físicas e cognitivas) durarão a vida toda.
 
“Outro aspecto que contribui à redução do atraso do crescimento é o fortalecimento dos sistemas de saúde”, diz Carazo. “Primeiro, para que as mães grávidas tenham uma alimentação adequada e acesso aos suplementos que precisam, como o ferro”, afirma. O acesso a centros de saúde por parte da população também facilita que os bebês recebam o atendimento adequado para seu desenvolvimento normal durante os cruciais primeiros mil dias.
 
Por fim, as campanhas para promover a lactância materna exclusiva recomendada pela Organização Mundial da Saúde e a Unicef surtem efeitos limitados. No mundo, 40,7% dos menores de seis meses se alimentavam somente dessa forma, contra 37% em 2012. “É importante para salvar vidas e fortalecer o sistema imunológico das crianças”, frisa Carazo.
 
No capítulo do sobrepeso e da obesidade infantil não existem notícias excelentes, mas também não são péssimas. “Há uma manutenção”, diz Stamoulis entre as notas positivas dos resultados do relatório desse ano. Desde 2012, a proporção mundial de crianças menores de cinco anos com sobrepeso “parece ter estancado”, afirma o documento. Naquele ano a taxa era de 5,4%, e em 2017 subiu somente a 5,6% (38,3 milhões).
 
As alegrias chegam até aqui. Não existem perspectivas de que a quantidade e a intensidade dos conflitos diminuam e que o clima dará uma trégua a curto e médio prazo. A perda de tudo o que foi conseguido em décadas de luta contra a fome, entretanto, é rápida. “Por isso, decidimos que é preciso agir com antecipação, criar resiliência”, diz Carazo. Se não é possível evitá-los, é necessário encaixar os golpes.
 
Fonte: El País
Foto: MICHAEL TEWE (FAO)

 
Uma delegação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) esteve na Nicarágua, nos dias 28 e 29 de agosto, com o objetivo de fornecer cuidado pastoral às igrejas no contexto atual daquele país. A visita, se deu no âmbito das Peregrinações de Justiça e Paz do CMI, incluiu reuniões com representantes de diversas igrejas, incluindo católicas e evangélicas, além de lideranças locais e representantes da sociedade civil. 
 
"Temos procurado apoiar o diálogo como um meio de resolver as diferenças, reafirmando e fortalecendo os apelos por justiça, paz e respeito pelas diferentes formas de pensar nas sociedades contemporâneas", diz um trecho da mensagem.
 
Em outra parte, o CMI pontua a vocação cristã para lidar com situações complexas. "Algo que testificamos nestes dois dias foi a reafirmação da vocação cristã para construir a paz em meio a tensões e conflitos", afirma.
 
Clique aqui e leia a íntegra do texto (em espanhol).
 
Fonte: CMI
Foto: Sean Hawkey/Consejo Mundial de Iglesias

 
A gente sempre acha que não dá mais para se surpreender, mas se surpreende. E até se assusta. Estou assustado com a maneira avassaladora como a “igreja brasileira” – usando um termo bastante impreciso para me referir a esse grande fenômeno de massa que ocupa enormes espaços na mídia, arrebanha multidões, e que tem um projeto claro de aparelhamento dos espaços de decisão, inclusive com representações nas câmaras, parlamentos e outros espaços da política nacional, como o Judiciário – vem dando mostras escancaradas de engajamento não apenas político, mas partidário. 
 
Pois essa “igreja brasileira” – formada por uma salada infinita, que vai do fundamentalismo protestante e seus derivados, até as novíssimas igrejas pentecostais-neo-pós-tudo, e que se somam a um grande contingente de católicos (no plural mesmo, pois longe da uniformidade pensada, o Catolicismo se constitui de numerosíssimos movimentos que guardam entre si uma relação muito mais simbólica, posto que no campo das ideias e práticas são absurdamente diferentes, divergentes e contraditórios) – está se superando a cada dia que passa em seus malabarismos bíblico-teológicos para escancarar o seu apoio a um candidato que apoia abertamente a tortura e a eliminação de grupos divergentes. 
 
Qual o sentido de um cristão apoiar um candidato que se dizendo cristão, faz apologia à TORTURA??? 
 
Não há sentido bíblico, ao menos não à luz da pessoa e das obras do Jesus de Nazaré. Como combinar “Bandido bom é bandido morto” com o “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt. 5:43-44)? Simplesmente não dá para “esticar” o texto para desdizer o óbvio ululante. Ou você apoia o candidato-torturador e abre mão de ser discípulo do nazareno, ou vice-versa. 
 
Não há, certamente, um sentido lógico. Minimamente uma reflexão lógica há de nos fazer refletir que, por exemplo, dois erros não fazem um acerto. Não é possível achar que por termos uma situação de violência vamos aumentar a violência para diminuir a violência. Não faz sentido.
 
Não há sentido ético. Se pensamos ética como uma busca pela realização humana, como é possível combiná-la com ideais de eliminação da diferença, imposição de uma moral estrita, e falta de respeito às diferenças? 
 
Resta o sentido histórico... Sim, talvez seja isso. Pois se lembrarmos que grandes porções dos “cristãos” ao longo da história apoiaram as Cruzadas, apoiaram a Inquisição, participaram das Guerras de Religião, da Caça às Bruxas, estiveram do lado de Hitler e de Mussolini, participaram e participam da “guerra contra o mal” empreendida pelo “gigante protestante” que são os EUA, matando com bombas e disfarçando com bíblias...
 
Sim, sim... Há um sentido histórico naqueles que cantam louvores ao Jesus, preso, torturado e morto como um bandido entre bandidos, mas que apoiam os torturadores e seus apoiadores de plantão. Talvez retorne aqui a frase de Nietzsche, que dizia lavar as mãos depois de apertar as mãos de um cristão. No caso atual, talvez seja por que essas mãos estão cobertas de sangue.
 
Joel Zeferino é pastor na Igreja Batista Nazareth