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O Ministério da Cultura lançou hoje (10) a campanha Filhos do Brasil. É contra a intolerância religiosa e será divulgada por meio de peças publicitárias a serem veiculadas na televisão e na Internet. A ação é uma iniciativa do Ministério da Cultura (MinC) e da Fundação Cultural Palmares.

Segundo o MinC, a campanha Filhos do Brasil, cujo embaixador é o cantor e compositor Arlindo Cruz, tem como meta valorizar a diversidade religiosa e o respeito ao próximo.

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, lembrou os atos de violência contra terreiros de candomblé e casas de umbanda: “Violência física, inclusive. A religião é um caminho para as pessoas se realizarem, terem contato com o divino. O direito à religião ou à falta de religião está previsto na Constituição. As pessoas que praticam a intolerância praticam um ato que não é permitido e é nocivo para a sociedade. É preciso estimular o respeito e coibir essa prática de intolerância.”

Agressividade

De acordo com ministro, a intolerância tem sido mais observada contra religiões de matriz africana. “É muito comum alguns líderes religiosos terem postura agressiva contra o candomblé e a umbanda. O Brasil é um país plural, com uma diversidade cultural enorme. Temos representação de praticamente todas as culturas do mundo. Com essas pessoas chegam suas culturas e religiões e a gente tem que criar um ambiente favorável de convivência pacifica e de respeito”, disse Jucá.

Um dos casos que ganhou destaque no ano passado foi o da menina Kailane Campos, de 11 anos, apedrejada na saída de um culto de candomblé em junho, no Rio de Janeiro. Em novembro, um terreiro de candomblé foi incendiado no Núcleo Rural Córrego do Tamanduá, no Paranoá, Distrito Federal. O fogo começou por volta das 5h30 e destruiu o barracão da casa. Cinco pessoas dormiam na casa, mas ninguém ficou ferido.

No mês passado, a imagem do orixá Oxalá, instalada na Praça dos Orixás, foi incendiada de madrugada. Na praça, que fica na área conhecida como "Prainha", no Lago Sul, em Brasília, há mais 15 esculturas que representam orixás do candomblé, que não foram atingidas.

Segundo o ministério, a campanha conta com um hotsite e a população poderá enviar seus próprios vídeos em defesa da liberdade de crença e pela garantia dos direitos previstos na Constituição.

Fonte: Agência Brasil

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
Edição: Kleber Sampaio

Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil

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O ecumenismo vive um momento "muito bom" graças ao Papa Francisco, um "reformador" próximo das pessoas, capaz de gestos apreciados no mundo reformado, como a viagem a Lampedusa. Palavra de uma bispa luterana, a alemã Margot Kässmann, embaixadora para o Ano Luterano da da Igreja Evangélica da Alemanha, que abriu um congresso internacional e interconfessional (católico-luterano) em preparação ao 500º aniversário da "Reforma" de Martinho Lutero em 2017, no Pontifício Ateneu S. Anselmo.

A reportagem é de Iacopo Scaramuzzi, publicada no sítio Vatican Insider, 05-05-2016. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

No Pontifício Ateneu S. Anselmo, Margot Kässmann, teóloga e bispa, abriu nessa quarta-feira, o congresso intitulado "Sinais de perdão – Caminhos de conversão – Práxis de penitência: uma Reforma que interpela a todos". O colóquio vai se concluir nesta sexta-feira, 6 de maio, com o relatório da professora Susan Wood sobre o tema "Do conflito à comunhão".

Eis a entrevista.

O 500º aniversário da Reforma Luterana, por um lado, e, por outro, a presença de um papa comprometido com uma reforma da Igreja Católica e com o diálogo com as outras confissões cristãs: é um momento especial para o ecumenismo?

Eu diria que sim: este papa é um reformador na sua Igreja, e eu diria que Martinho Lutero era um reformador na sua Igreja. Ele queria reformar a sua Igreja Católica Romana. Estamos em um estágio muito bom do ponto de vista ecumênico, porque ecumenismo, por um lado, significa discussão sobre a Igreja, a eucaristia, o batismo, os ministérios, mas, por outro, significa agir como cristãos no mundo. E, nisso, atualmente, estamos muito próximos.

O fato de que este papa venha de uma ordem religiosa, os jesuítas, nascidos em 1500 como resposta à Reforma Protestante ou como resposta à crise da Igreja Católica, é um problema para vocês?

Em certo sentido, Inácio de Loyola também queria reformar a Igreja. Eu diria que não é um problema. O papa, com as suas origens latino-americanas, tem uma visão muito diferente sobre o mundo, e muitos luteranos ou pessoas das Igrejas reformadas estão muito entusiasmados que ele vá para Lampedusa, que ele lave os pés de pessoas pobres em uma prisão, que ele vá ao encontro das pessoas. Não é um problema que ele seja jesuíta. A oportunidade é que ele é um papa próximo das pessoas.

Os problemas no diálogo ecumênico nascem das diferenças entre as Igrejas cristãs ou dos setores conservadores dentro de cada uma dessas Igrejas?

Obviamente, há linhas-duras e fundamentalistas em todas as religiões e em todas as denominações. Mas, por exemplo, na Alemanha, em nível paroquial, as pessoas não querem que o ecumenismo torne todos iguais: seria chato. Podemos permanecer diferentes. Mas, no respeito das diferenças, especialmente nas sociedades secularizadas da Europa, o desejo é dizer: somos diferentes em algumas convicções teológicas, mas estamos mais perto uns dos outros do que com os ateus ou com pessoas de outras religiões. Para mim, esta é a grande oportunidade do ecumenismo. Certamente, as forças conservadoras de cada Igreja e de cada religião não gostam do diálogo, porque o diálogo sempre significa afirmar: a verdade sobre Deus é a minha verdade, mas talvez alguém encontre outra verdade sobre Deus, e isso é tolerável.

Para ampliar o discurso aos ortodoxos, o bom relacionamento que o Papa Francisco tem com o Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, e o encontro histórico que ele teve com o Patriarca de Moscou e de Toda a Rússia, Kirill, mostra, na sua opinião, que o diálogo ecumênico se focaliza mais em questões mais concretas, como a imigração ou a secularização da sociedade, em vez de questões teológicas fundamentais?

Pode ser verdade que o diálogo é diferente, se olharmos para as questões do mundo e para como os cristãos deveriam agir no mundo. Mas, em relação à Igreja Ortodoxa e em particular a Igreja Ortodoxa Russa, devemos dizer que a Igreja Católica e a Luterana são mais próximas, porque ambas passaram pela época do Iluminismo. Eu acho que a Igreja Ortodoxa Russa ainda não está pronta para aceitar que vivemos em uma sociedade secularizada. Para mim, esse é um tema importante, porque eu tenho a impressão de que a ortodoxia russa ainda pensa em termos de Igreja como parte do poder que guia um país, enquanto, na Europa Ocidental, nos afastamos dessa concepção. A Igreja não guia um país, a religião não guia um país.

Sobre a perseguição aos cristãos, este papa afirma que o martírio dos cristãos já é um sinal de ecumenismo, porque aqueles que perseguem os cristãos não fazem distinção entre católicos, protestantes, ortodoxos: você concorda?

Em certo sentido, é triste, mas é verdade que aqueles que perseguem os cristãos não distinguem se são católicos romanos, reformados ou ortodoxos. Como cristãos, porém, devemos dizer que, se outros nos perseguem, a nossa resposta não será de persegui-los. Por exemplo, quando os refugiados chegam à Europa, eu acredito que não devemos distinguir se são cristãos, muçulmanos, judeus ou outra coisa, mas a atitude cristã, como disse Jesus, é de ser aberto ao estrangeiro, seja ele quem for e de onde quer que venha. Penso que a nossa resposta deve ser essa e não começar a distinguir, como fazem alguns países islâmicos radicais.

O que significa para o mundo luterano a viagem do papa para Lund, Suécia, para o quinto centenário da Reforma luterana, no próximo dia 31 de outubro? Você acha que Francisco também irá à Alemanha em 2017?

Na Alemanha, os jornalistas me perguntam constantemente se o papa vai ir para Wittenberg (a cidade alemã de onde partiu a Reforma de Lutero), e eu respondo que não é necessário: teremos um aniversário da Reforma na Alemanha com os católicos, os ortodoxos e os menonitas, teremos também momentos de diálogo com os judeus e os muçulmanos. Essa é uma celebração alemã, e, pela primeira vez, não celebramos o Lutero nacional alemão, mas celebramos globalmente, abertamente, ecumenicamente. O papa em Lund, para mim, é a consequência certa. É a Federação Luterana Mundial que o convidou, é o nível certo. O papa vai para Lund acolhido por uma arcebispa sueca, e eu acho que é um bom sinal global. Se o papa fosse para Wittenberg, eu acho que haveria um foco excessivo sobre o papa. O aniversário da Reforma na Alemanha, ao contrário, a meu ver, é a oportunidade para que pessoas de Deus falem da sua fé na sociedade secularizada alemã.

O que a Igreja Católica pode aprender com a Reforma e o que a Reforma pode aprender com a Igreja Católica?

Perguntar-se sobre o que podemos encontrar em outra Igreja que nós não temos, a meu ver, é uma boa atitude. O que eu realmente admiro na Igreja Católica Romana é que ela mantém a unidade global da Igreja, embora com muitas diferenças em seu interior, porque é muito melhor para mostrar ao mundo global qual é a Igreja. Os luteranos e os reformadores podem aprender com os católicos a não separar tão facilmente. Eu acho que aquilo que a Igreja Católica pode aprender com a Igreja Luterana, por exemplo, é que as mulheres podem ser sacerdotisas, bispas e, se tivéssemos um papa, também papisas, porque, para nós, o batismo é o sacramento-chave, e quem é batizado, como dizia Lutero, pode ser padre, bispo ou papa. Não é preciso ter medo das mulheres, leigas ou ordenadas. Isso ajuda a Igreja a estar mais perto das pessoas.

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El Señor va delante de ti. Él estará contigo,
y no te dejará ni te desamparará.
No temas ni te intimides.

(Deuteronomio 31:8)

Queridas hermanas y hermanos,

La Junta Directiva del CLAI, reunida en Lima, Perú, del 9 al 13 de abril, les saluda en el amor de nuestro Señor, que nos fortalece en medio de las dificultades y nos devuelve la esperanza frente a los dolores e incertidumbres que sobrevienen en un contexto de cambios como el que estamos viviendo.

Ante los desafíos para la vida y la esperanza de nuestra América Latina y el Caribe plena y diversa, recordamos que no estamos solos ni desamparados como dice el Deuteronomio. Por eso gritamos fe y esperanza para un mundo nuevo con vida plena para todos y todas.

Nuestra reunión ha coincidido con las elecciones presidenciales en Perú, y hemos podido escuchar los anhelos y preocupaciones del pueblo atravesado por situaciones que también afectan a otros países del continente como la homogeneización de la cultura, la fuerza de los medios masivos de comunicación utilizada por grupos de poder, nuevos avances en tratados de libre comercio, la promoción del endeudamiento, gobernantes ligados a grupos de poder económico, crecimiento de la violencia, las economías ilícitas y la corrupción.

Un tema que nos ha conmovido particularmente es la situación de fragilidad de nuestras democracias y el delicado momento que atraviesa Brasil, testimoniado con profunda preocupación por sus representantes en esta Junta. Vemos como luego de un tiempo de esperanza con gobiernos progresistas que sacaron de la pobreza a millones de personas surgen, uno tras otro, gobiernos neoliberales que los vuelven a sumergir en el dolor.

Estas situaciones que atentan contra la libertad y la vida plena y digna de nuestros pueblos nos llaman a trabajar por fortalecer nuestras democracias y en particular los distintos poderes del Estado. Es necesario construir nuevos pactos sociales sostenidos en la búsqueda de acuerdos y diálogos que busquen el Bien Común, fortalecidos en la confianza del Señor que marcha delante de nosotros y no nos desampara. Nos unimos a la esperanza del pueblo colombiano de lograr poner fin al conflicto armado que han vivido por más de 50 años. El CLAI invita a las iglesias y familia ecuménica a orar para que en Colombia se logre una paz que sea fruto de la justicia como enseña la Biblia.

De igual manera, nos sigue doliendo la situación de violencia que sufren nuestros pueblos en el continente generadas a partir de la desigualdad extrema que produce exclusión social, narcotráfico y crímenes de diversa índole sobre todo en la población más joven de Centroamérica particularmente.

Nos conmueven los tremendos efectos de la naturaleza que arrasan con pueblos enteros, muchos de ellos provocados por las acciones humanas de falta de respeto con la Tierra, “nuestra casa común” poniendo en primer plano, una vez más, el mercado y la ganancia. Como CLAI queremos caminar con las iglesias, organismos ecuménicos y sectores sociales en la búsqueda de alternativas que nos permitan ser buenos cuidadores de la creación de Dios. Oramos especialmente por Ecuador, Chile, Uruguay, Argentina, y Brasil que están atravesando situaciones dolorosas y llamamos a la solidaridad de todo el continente y a la de nuestros hermanos y hermanas de otras regiones para cuidar la vida en medio de estas catástrofes y para comprometernos en incidencia y acciones en favor de la vida del planeta.

Comprobamos que nuevos fundamentalismos atraviesan y dividen a nuestros pueblos impidiendo el diálogo y las búsquedas de acuerdos en favor de la vida. Animamos a todas las iglesias a trabajar en pos de animar el diálogo, los procesos de paz y de encuentro.

Las reuniones de la Junta Directiva son un espacio de compartir y de bendición que nos permite tener una muestra de la realidad de América Latina y el Caribe, y tenemos la posibilidad de escuchar acerca de los anhelos, esperanzas y alegrías, así como también de las tristezas, dolores y angustias que nuestra gente atraviesa, sintiéndonos más cercanos a cada persona, en especial de quienes más sufren en estas tierras. Los pasados han sido días de arduo y fructífero trabajo en la elaboración de un Plan Estratégico del CLAI para el período 2016-2020, así como de una nueva forma de funcionamiento administrativo y financiero. Con confianza esperamos que esta nueva estructura sirva de manera más eficiente al trabajo del CLAI.

Somos conscientes de los desafíos y sabemos que juntos y juntas, en solidaridad y amor, podemos superar las dificultades como tantas veces lo hemos hecho a lo largo de la historia. Como cristianas y cristianos estamos seguros de que atentos a la voz de Dios y dispuestos a seguir su voluntad para con todas y todos, Dios está con nosotros y guiará la búsqueda de los cambios necesarios para que un nuevo mundo, en el que todas y todos disfruten del buen vivir y la vida plena.

Que el Señor de paz mismo les dé paz
siempre y en toda circunstancia.
Que el Señor esté con todos ustedes.
(2 Tes 3:16)

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Gratidão, penitência e esperança, são as “três notas” com as quais luteranos e católicos querem comemorar os 500 anos da Reforma de Martinho Lutero (1517-2017). Esta foi a avaliação do Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos, Cardeal Kurt Koch, ao pronunciar-se na manhã desta sexta-feira, 6, na conclusão do Simpósio Ecumênico Internacional Católico-luterano, promovido pelo Pontifício Ateneu Santo Anselmo, com o título “Sinais de perdão. Caminhos de conversão e práticas de penitência. Uma Reforma que interpela a todos”.

Gratidão e reconhecimento das culpas

A primeira palavra-chave é gratidão. “Em 2017 – observou o Cardeal – recordaremos não somente os quinhentos anos da Reforma, mas também cinquenta anos de intenso diálogo entre católicos e luteranos, graças ao qual fomos capazes de descobrir o quanto temos em comum”. A segunda palavra-chave é “reconhecimento das culpas e penitência”. Infelizmente a Reforma “nos recorda também a divisão na Igreja e as guerras brutais de religião dos séculos XVI e XVII, sobretudo a Guerra dos Trinta Anos, que transformou a Europa de então em um mar de sangue”. Trata-se de “um fardo pesado que herdamos do tempo da Reforma.

Ato público de penitência

Católicos e protestantes – afirmou o Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos – têm válidos motivos para lamentarem-se e para arrependerem-se dos mal-entendidos, das maldades e das feridas que provocamos uns aos outros durante os últimos 500 anos. Sem tal ato público de penitência, não pode existir uma verdadeira comemoração ecumênica da Reforma”.

Esperança

Mas a terceira palavra-chave é “esperança”: “Trata-se da esperança – explica o Cardeal Koch – de que uma comemoração comum da Reforma possa oferecer-nos a possibilidade de darmos ulteriores passos rumo à unidade tão desejada, sem ficarmos parados pelos resultados já conseguidos”.

Lutero queria renovação, não divisão

O augúrio final do Cardeal Koch é de que “no próximo ano, a comemoração da Reforma seja colocada sob uma boa estrela e ajude a dar ulteriores passos em direção àquela unidade pela qual Jesus rezou e a cujo serviço o próprio Lutero dedicou a sua obra, porque não a divisão, mas a renovação da Igreja era o que ele queria”. (JE)

Fonte: Rádio Vaticano

John Nduna

Frente ao contexto de turbulência social e política no Brasil e o risco de seu agravamento, a Aliança ACT, uma rede internacional que reúne 140 igrejas e organizações baseadas na fé, com atuação em mais de 100 países, pediu que sejam respeitados os princípios democráticos universais e os direitos humanos. A Aliança, que tem sede em Genebra, na Suíça, é representada no Brasil pelo Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil).

O texto original, em inglês, está disponível aqui.

O Conselho Executivo de ACT também solicitou que lideranças políticas e sociais renovem seu compromisso com a solução pacífica dos problemas, lembrando que a polarização ou a radicalização no país pode resultar em uma escalada da violência.

“Expressamos nossa profunda preocupação com a ameaça ao estado democrático de direito, uma vez que princípios democráticos são relevantes não apenas para brasileiras e brasileiros, mas para todas as pessoas no mundo", disse o secretário geral de ACT, John Nduna (foto acima), no dia 10 de maio. "Como Aliança ACT, pedimos aos atores políticos e sociais que assumam o compromisso de resolver o processo político por meio da promoção de um amplo diálogo, para superar a crise que o país enfrenta e para assegurar o mais profundo respeito à democracia como um valor universal".

O movimento ecumênico no Brasil, que inclui membros de ACT, tem desempenhado, historicamente, um papel fundamental no que se refere à defesa dos Direitos Humanos e dos processos democráticos.

“Nossa identidade ecumênica nos impulsiona a trabalhar pelo respeito à democracia, à diversidade religiosa, ao Estado de direito e aos direitos humanos", disse Nduna. "Por isso, reiteramos nosso apelo para a resolução do processo através do diálogo e de meios pacíficos."

A Aliança ACT é uma coalizão de mais de 140 igrejas e organizações baseadas na fé, que trabalham em mais de 100 países na promoção de mudanças positivas e sustentáveis na vida de pessoas vulneráveis, independente de expressão religiosa, gênero, orientação sexual, orientação política, etnia ou nacionalidade, respeitando os mais elevados códigos e padrões internacionais. É mantida por mais de 25 mil pessoas, que integram as equipes das organizações membro, e mobiliza cerca de U$ 1,5 bilhão no seu trabalho, nas áreas de ajuda humanitária, desenvolvimento e incidência.

Texto e foto: Aliança ACT

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Um incêndio de origem criminosa colocou em cinzas uma casa sagrada do povo Pankará, na Serra do Arapuá, município de Carnaubeira da Penha, sertão de Pernambuco. Na noite do último domingo, 1º de abril, indivíduos não identificados atearam fogo na estrutura feita de barro e palha localizada na aldeia Marrapé. Os Pankará perceberam a movimentação, mas não conseguiram conter as chamas a tempo. Os criminosos conseguiram fugir do local. O episódio se soma ao acirramento da violência contra os povos indígenas no Brasil em pouco mais de 30 dias. 

Lideranças indígenas do povo registraram a ocorrência na sede da Polícia Federal de Salgueiro, cidade vizinha à Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá. “Nossos rituais já vinham sendo atacados por pessoas familiares de quem já atacava nosso povo desde os antigos Pankará e que ainda estão dentro do território da gente”, explica a cacique Dorinha Pankará, que há alguns anos convive com ameaças.

O fogo queimou maracás, indumentárias, cachimbos e peças tradicionais do vasto acervo arqueológico do povo usadas nos rituais. “Acreditamos que o ataque envolve nossa demanda territorial. São famílias não-indígenas que não aceitam a demarcação e que nunca aceitaram que a gente é índio Pankará. Os velhos dessas famílias, antigamente, impediam nossos rituais”, diz a cacique.

Para os Pankará o incêndio guarda relação com os últimos ataques sofridos pelo povo; durante os rituais tradicionais, se tornou comum a ação de não-indígenas com pedradas nos pajés e a utilização de sons automotivos em alto volume para atrapalhar as práticas. “Dizem que é feitiçaria. Pra gente a história está se repetindo: querem nos impedir de ser o que somos”, afirma Dorinha.

Conforme as lideranças vêm defendendo nas reuniões internas do povo, apenas a demarcação da terra pode cessar tais ataques e as ameaças de morte sofridas pela cacique Dorinha. “Pedimos para o governo federal publicar o relatório circunstanciado da terra e fechar a demarcação. Hoje eu não posso andar com segurança pelo território e sair pra cidade. Os pajés estão sendo perseguidos. Nosso povo pede providências”, clama a cacique.

Venda de terras tradicionais

Como o relatório circunstanciado da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá não foi publicado, travando a demarcação do território, os ocupantes não-indígenas passaram a ameaçar os indígenas dizendo que as famílias compram as terras que ocupam ou serão expulsas à força. “Então estão obrigando os Pankará a comprar terras que lhes pertencem. Famílias indígenas que nunca saíram da sua terra, mesmo na época em eram proibidos de se dizerem Pankará ou fazer os rituais, estão comprando as terras para que não sofram violências”, explica Dorinha.

São mais de 70 ocupantes não-indígenas no interior da Terra Indígena Pankará, prevista com 15 mil hectares pelo Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação (RCID) da Terra Indígena Pankará da Serra do Arapuá (Portaria nº 413, de 24/03/2010) – entregue à Fundação Nacional do Índio (Funai) pelo Grupo de Trabalho em dezembro de 2014. Não é a primeira vez, entretanto, que as elites agrária e política atacam os Pankará, além das ameaças de morte sofridas sistematicamente pela cacique Dorinha.

No dia 17 de fevereiro de 2014, um projeto de mudança do nome da Unidade de Saúde Indígena Velho Anjucá, de responsabilidade do Ministério da Saúde, que atende ao povo Pankará da Serra do Arapuá, foi posto em votação pelo então presidente da Câmara de Vereadores de Carnaubeira da Penha, Jotanilton Cícero Bezerra (PSC), e aprovado por cinco votos a favor e quatro contra. Pela decisão dos vereadores municipais, a unidade de saúde Federal passaria a se chamar Nossa Senhora da Conceição.

“Percebemos que a tentativa é de atacar a nossa tradicionalidade, o que compõe o povo Pankará. Nunca aceitaram a nossa existência, mas os tempos mudaram e agora podemos nos dizer Pankará, temos direito à terra e de viver conforme nossas tradições, com nossa organização política própria. Nunca aceitaram isso. O tempo parece que não passou pra essas elites”, conclui a cacique Dorinha Pankará.

Resistência das gerações Pankará

O recente episódio envolvendo a violência contra o povo Pankará possui um desencadear histórico de subjugação dos povos indígenas no Sertão. O século XIX passou a ter uma documentação mais farta sobre a violência praticada contra os indígenas habitantes nas serras do Umã (povo Atikum) e Arapuá (povo Pankará). Período de crescente povoamento e da criação da Lei de Terras (Lei nº 601 de 18/09/1850), que legaliza o esbulho dos territórios indígenas para garantir a propriedade imobiliária. As terras do município de Floresta foram registradas, pela primeira vez, em 1858.

De acordo com mais de dez anos de pesquisa junto ao povo Pankará, a antropóloga Caroline Farias Mendonça Leal, professora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), afirma que em janeiro de 1866 Manoel Ferraz de Souza requereu uma área chamada Sítio da Penha – os Ferraz até hoje representam uma família poderosa no contexto de Carnaubeira da Penha. O delegado de polícia de Floresta escreve ao chefe de polícia de Pernambuco solicitando mais policiais para a Vila e a criação de três distritos – Vila, Caissara e Penha – para facilitar a captura dos indígenas resistentes. Penha viria a se emancipar como Carnaubeira da Penha.

Ao descrever a proposta de limites de cada distrito, ainda conforme a pesquisa da antropóloga, o delegado informou acerca do Sítio da Penha: “o da Penha onde existe uma pequena Capela cabeça de uma aldeia de índios que não existem”. Quanto aos subdelegados indicados para cada distrito, destacam-se novamente, para ocupar esse cargo público de autoridade policial, membros das famílias Ferraz, Gomes de Sá, Menezes – cujos descendentes até os dias atuais são envolvidos com as polícias locais.

Entre os anos de 1949 e 1958, sucessivas correspondências de lideranças Pankará e Atikum-Umã pleiteando o direito de posse das terras situadas na Serra Umã e Arapuá à 4ª Inspetoria Regional (IR4) e ao Conselho Diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI). Além de telegramas e ofícios, consta o Relatório de Viagem do antropólogo da Universidade de Berkeley Hohenthal Jr, produzido no ano de 1952 para o SPI, que dá grande ênfase às violências cometidas contra os índios, inclusive tendo-as presenciado (MI/SEDOC - Inspetorias Regionais, IR 4 Nordeste. Microfilme 152, fotogramas 1068-1069. RELATÓRIO, Recife, 21 jun. 1946).

O azedume dos fazendeiros e políticos da região com os indígenas doi constatado in loco por Hohenthal Jr.: “Nessa zona do interior do Nordeste, pelos menos, parece que não há justiça brasileira para os pobres; essa é um privilégio só para os ricos e granfinos. O que me desgosta é o seguinte: estes Neo-brasileiros que dizem ser “donos” das terras disputadas, permitem os índios fazer todo o trabalho inicial de lavrar e melhorar um sitio. Construindo casas, plantando arvores frutíferas, etc.; e depois, quando o sitio esta em boas condições o negam perante o índio, e dizem: ‘Agora, é nosso! Saia dahi, ou lhe matamos!’ E o índio sai, para começar de novo o seu trabalho penoso e triste” (MI/SEDOC - Inspetorias Regionais, IR 4 Nordeste. Microfilme 379, fotogramas 814-817. RELATÓRIO, California, 14 jul. 1952).

Para a antropóloga e professora da Unilab, esse período hostil e de violência é muito presente na memória dos mais velhos. São inúmeros os relatos sobre as proibições da prática do ritual, as “noites de fuga” para dançar o Toré escondido “dos brancos”, a violência física contra algumas lideranças. Entre as várias violências, há dois episódios que marcaram muito a memória dos Pankará: a proibição de acessar água e a queima da casa de Luiz Limeira. Os filhos de Luiz Limeira relataram, com muito constrangimento, o episódio em que os invasores da terra indígena os proibiram de ter acesso à água e seu pai viajou ao Recife em busca de solução junto ao SPI.

“Os Limeira num bebem água nem no Gonçalo, nem em canto nenhum em cima da serra. Se quiser é no rio, vá beber água no rio São Francisco! Aí pronto, nós voltamos debaixo de patada, aí apareceram os parentes da minha mãe, e nós bebíamos água lá da aldeia Ladeira. Também o finado Filomeno disse: olhe, venham beber aqui na Taperinha. Só quem deu água foram os parentes de minha mãe e Cirano Menês. Quando pai foi para Recife, para resolver esse negócio dessa proibição, nós ficamos bebendo água só da Ladeira e da Taperinha. Foi quando pai chegou em Recife e contou a historia: “eu moro lá na Cacaria e estamos proibidos de beber água nos caldeirão, tinha uns caldeirão cheio d’água lá. Caldeirão de Roque, de Augusto, tudo cheio d’água, mas o branco empatou da gente beber água”. Lembro também que tinha um pé de água que meu pai fez e os brancos mandaram quebrar o pé de água pra escorrer a água pra gente não beber”, relatou Manoel Limeira para a dissertação de mestrado da antropóloga.

Luiz Limeira acabou banido da Serra do Arapuá e morreu no sertão da Bahia. Luiz Limeira é o avô da cacique Dorinha. Na década de 1970, descendentes de outras famílias Pankará se deslocaram para a Serra Umã, e outras famílias permaneceram na Serra do Arapuá sob a condição de rendeiros, meeiros e, em período mais recente, de pequenos proprietários de alguns lotes de terra, como é o caso dos Limeira, Caxiado e Rosa. Os Pankará deslocavam-se com frequência aos terreiros de Toré na Serra Umã, para junto com os Atikum “fazer a brincadeira” que só apenas em tais terreiros era permitido. Hoje são algumas das dezenas de histórias contadas pelos mais velhos e documentos oficiais.

O pajé Pedro Limeira, filho de Luiz Limeira e pai da cacique Dorinha, afirmou, durante mobilização dos povos indígenas no Palácio do Planalto, em Brasília (2013), que “os Pankará saíram de trás da pedra e pra lá não voltam mais não”.

Assessoria de Comunicação - Cimi
Foto: Povo Pankará (divulgação)

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Durante a Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, Brasil e Alemanha apresentaram o desafio para as juventudes, por meio de um concurso de música com o tema “direito e justiça”. Diferentes coletivos de juventude do país se propuseram ao desafio. Nosso agradecimento a todas e todos que participaram!

Confira os selecionados:

Larisssa Pirolla (melodia e interpretação) e Sandson Rotterdan (composição) - da Rede Ecumênica da Juventude - REJU

Título da Canção: Não dá desse jeito
Link de acesso da música: www.youtube.com/watch?v=0yHAUVexff4

Fabio Lahass, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB

Título da Canção: Nosso lar
Link de acesso da música: www.youtube.com/watch?v=kA6iiWrIO48

OsAgentes (Jasf e Lucios Senna), do Monitoramento Jovem de Políticas Públicas - MJPOP

Título da Canção: Proliferou o amor
Link de acesso da música: www.youtube.com/watch?v=2jD0611mZnQ

Os jovens selecionados terão sua composição gravada em estúdio e ganharão uma cesta de alimentos da economia solidária! As músicas serão reunidas em uma playlist e o álbum será disponibilizado online.

Seguimos motivados pelas canções, registro da Campanha da Fraternidade Ecumênica que deixa o contínuo debate sobre o cuidado da Casa Comum, tema que não se esgota, assim como a busca incessante pela garantias de direitos e o exercício diário da prática ecumênica que deve estar em constante diálogo com as juventudes.

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Todos os anos, desde 1908, cristãos de diversas denominações dedicam um tempo para refletir e celebrar a Unidade das Igrejas. É a chamada Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC). No hemisfério Norte, a SOUC é celebrada em janeiro, entre as festas de São Pedro e São Paulo. Já no hemisfério Sul, as Igrejas celebram nos dias que antecedem a Festa de Pentecostes, neste ano de 8 a 15 de maio.

A SOUC possui um tema único, que é traduzido para todos os países e adaptado de acordo com a realidade local. Em 2016 o tema é: “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (1Pd 2.9) e foi produzido pelas Igrejas da Letônia.

Para falar um pouco mais da SOUC, do tema e como as comunidades podem se preparar para celebrar em unidade, a Província Franciscana da Imaculada Conceição, através da Frente de Evangelização da Comunicação, produziu uma série de reportagens, em 10 episódios, disponibilizados pela RCR (Rede Católica de Rádio) e pelo Soundcloud.

O objetivo é informar e provocar o ouvinte a refletir sobre o tema da unidade dos cristãos, e fornecer subsídios para que as comunidades possam se organizar em suas cidades e iniciar ou fortalecer a relação com outras denominações cristãs, valorizando aquilo que os une enquanto seguidores de Cristo.

O material teve produção de Érika Augusto e locução de Frei Gustavo Medella.

Acompanhe os 10 episódios e os entrevistados:

1. Origem e finalidade da SOUC e como ela chegou no Brasil Entrevistada: Pastora Luterana Romi Marcia Bencke – Secretária Geral do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs).

2. O tema e as formas de participação Entrevistada: Pastora Luterana Lusmarina Campos Garcia – Presidente do CONIC no Rio de Janeiro.

3. Atitudes que nos levam à Unidade Entrevistado: Padre Bizon – Diretor da Casa da Reconciliação e responsável da Pastoral do diálogo ecumênico e inter-religioso da Arquidiocese de São Paulo.

4. Materiais disponíveis para a preparação Entrevistada: Irmã Raquel Colet - MOVEC - Movimento Ecumênico de Curitiba.

5. O espírito profético dos cristãos Entrevistado: Pastor Luterano Inácio Lemke – Presidente do Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão em Santa Catarina (CIER).

6. A Unidade e os Direitos Humanos Entrevistado: Padre Julio Lancellotti - Vigário Episcopal para o Povo de rua na Arquidiocese de São Paulo.

7. A Unidade e a tolerância Entrevistado: Padre Luís Corrêa, sj – Jesuíta, Historiador e professor da PUCRJ.

8. O momento político atual Entrevistado: Presb. Wertson Brasil de Souza - Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.

9. O diálogo interreligioso Entrevistado: P. Dr. Nestor Paulo Friedrich - presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana do Brasil (IECLB).

10. O cuidado com a criação Entrevistado: Dom Flavio Irala – Bispo anglicano, presidente do CONIC.

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“Não abuse do nome do Senhor, seu Deus,
porque o Senhor não considerará inocente quem abusar do seu nome”

Manifestação da Coordenação Nacional da PPL – Pastoral Popular Luterana

A Pastoral Popular Luterana, reafirmando seu compromisso histórico com a democracia e com os valores do Reino anunciado por Jesus Cristo e diante da situação política atual, sente-se convocada a se manifestar.

As fundamentações dos votos de deputados e deputadas que levaram à decisão majoritária na Câmara Federal sobre a admissibilidade da abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma, no domingo, 17/04, revelou que as posições políticas de deputados/as evangélicos/as devem ser olhadas com muita preocupação. Ficou claro o fato de que um determinado fundamentalismo religioso ameaça cada vez mais a democracia brasileira, conquistada com tantas lutas sociais. É disso que se trata e a PPL quer vir a público denunciar um modo equivocado de fazer política e de se posicionar politicamente.

Sobriamente e antes de manifestar o seu voto, um deputado questionou se o uso do nome de Deus não estava sendo tomado em vão. Não consta que este senhor estivesse ali para defender qualquer comunidade religiosa. O que se viu no domingo foi um espetáculo da insensatez, do uso descarado do microfone e da TV para falar a eleitores distantes e desinformados sobre um assunto que a maioria nem tratou com a seriedade que merece em um país com mais de 200 milhões de habitantes e com mais de 140 milhões de eleitores. O uso do nome de Deus no domingo – na verdade – foi uma franca desobediência ao segundo mandamento da lei judaica, assumido com os demais na doutrina cristã. Além de tomar o nome de Deus em vão, a referência a uma divindade num espaço político leva à confusão entre Religião e Política, entre a manifestação da fé e o difícil exercício do governo democrático de uma sociedade. Quando isto acontece, rompemos com o princípio de laicidade do Estado, que é a garantia da liberdade religiosa para as pessoas e comunidades de fé, mas também para quem não professa fé alguma. Tal princípio foi conquistado com muitas lutas, e ele consta da Constituição Federal Brasileira de 1988, hoje ameaçada em muitos de seus artigos pela onda de retrocessos já em curso e que se antevê no futuro próximo, a continuar o que se viu no domingo à noite.

Outro grande perigo que as tendências fundamentalistas evangélicas apresentam é a instrumentalização da religião pela política, a partir de um uso manipulado de textos bíblicos fora de seu contexto e em franca contradição com aspectos centrais da mensagem de Jesus. Quando as religiões perdem a sua transcendência, elas se transformam em política. O pior é que a ação política em questão é das mais mesquinhas e clientelistas que se tem visto na história da democracia do Brasil, sem qualquer fundamento legal, crítico e cidadão. É isto o que se pôde ver na manifestação de votos de muitos/as dos/as deputados e deputadas. Tendências religiosas que se mascaram em partidos políticos, desvirtuando o sentido da política em nome de um suposto deus, que nada mais é do que ídolo, na verdade conspiram contra o regime democrático e envergonham a nação. É o que se viu em grandes jornais do exterior no dia 18/4, estupefatos com o que aconteceu no Brasil. O absurdo político chega ao ponto de um deputado que é homem réu no Supremo Tribunal Federal por corrupção, o Sr. Eduardo Cunha, que mentiu na Câmara escondendo suas contas nos bancos da Suíça, ser quem presidiu uma sessão histórica em que se votava pela admissibilidade da abertura do processo de impeachment da Presidenta Dilma – contra quem não há uma acusação sequer de corrupção – e, quando do seu voto, disse: “que deus tenha misericórdia dessa Nação”, fazendo, também, uso pervertido do nome de Deus.

Assim, estamos correndo o risco de distorcer a política e a própria religião. Ambas perdem a sua especificidade numa zona cinzenta onde interesses não manifestos escondem projetos contra a democracia. Junto com o uso falso do nome de Deus, tivemos de ouvir um deputado defender a Ditadura de 1964 e elogiar um coronel muito conhecido pelas torturas que praticou contra presos/as políticos/as nos anos duros da repressão militar. Os princípios cristãos condenam firmemente as pautas defendidas por tal discurso. Que mais haveremos de ouvir nos próximos meses? Que atitudes devemos tomar diante desses fatos, antes que seja tarde?

Conta-se que na Alemanha governada por Adolf Hitler e já em plena perseguição de judeus, ciganos, pessoas com deficiência mental e homossexuais, o Pastor Martin Niemöller teria dito o seguinte: “Quando os nazistas buscaram os comunistas, eu silenciei; afinal, eu não era comunista. Quando eles trancafiaram os socialdemocratas, eu me calei, já que eu não era socialdemocrata. Quando vieram atrás dos sindicalistas, eu não protestei, pois não era um sindicalista. Quando eles vieram recolher os judeus, também não protestei, visto que também não era judeu. Quando vieram me buscar, não havia mais ninguém para protestar” (Revista Novolhar, jan-março, 2016).

Felizmente Deus é Deus e não se deixa manipular em sua liberdade absoluta. Quem o usa como cabo eleitoral se equivoca seguindo um ídolo, frutos de seus desejos e projetos pessoais. Além do mais, o uso em vão do nome de Deus revela hipocrisia e incompetência política. A dimensão sagrada da política em favor das pessoas excluídas e das políticas públicas ameaçadas não depende de discurso religioso.

Parafraseando o teólogo alemão Wilhelm Brandt, a mensagem fundamental de Jesus não depende do sucesso do momento e não é desmentida pelo insucesso. Só políticos ilegítimos buscam legitimidade religiosa.

Por fim, deverá fazer parte dos movimentos de rua que certamente tomarão as cidades brasileiras nos próximos meses estabelecer claramente a distinção feita por Jesus diante da moeda do império romano: dar a César o que é de César, mas a Deus o que é de Deus. A imagem de César exigia obediência absoluta ao político, o que é uma distorção da sua tarefa pública de governar para o bem da sociedade. Por isto é que – para a PPL – o uso manipulado da linguagem religiosa na política (grotesca como se viu!) é um desserviço à causa do evangelho. Daí a necessidade de distinguir bem as duas linguagens para o bem da liberdade democrática, ameaçada por políticos que ousam esconder sua incompetência com o apelo à divindade como cabo eleitoral, fazendo dela um ídolo da opressão.

Pela paz e pela democracia, por um Estado laico. Por uma Igreja profética e samaritana, animada pelo anúncio do profeta Amós (5.24) de que também na sociedade brasileira “haja tanta justiça como as águas de uma enchente e que a honestidade seja como um rio que não para de correr.”

Coordenação Nacional da PPL

Foto: charge de Latuff

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O Acampamento Sinodal da Juventude Evangélica foi realizado nos dias 16 e 17 de abril na Chácara do Lar Padilha, interior de Taquara. Organizado pelos jovens e pastores da Coordenação Sinodal da Juventude Evangélica (COSIJE), o evento reuniu grupos de várias comunidades do sínodo. O tema discutido teve como título (In)Tolerância e foi trabalhado com a assessoria do secretário adjunto para Missão e Diaconia da IECLB, Pastor Altemir Labes. Os jovens conheceram e debateram, com dinâmicas, as questões Intolerância Religiosa e Ecumenismo.

O cronograma foi bem diferenciado. Na manhã de sábado foi feito a introdução do tema com dinâmicas e os jovens foram desafiados a escrever uma carta dirigida às comunidades do Sínodo Nordeste Gaúcho. A carta, cujo texto está abaixo, teve como objetivo dar visibilidade à vontade dos jovens pela superação da intolerância religiosa.

A pastora sinodal Tânia Cristina Weimer, em sua meditação de abertura, falou sobre a importância de não vivermos isolados, em ilhas, mas convivermos uns com os outros.

À tarde, juntamente com os jovens do Lar Padilha, os participantes fizeram uma trilha de três horas, resultando em muita lama e muitos tombos. A caminhada proporcionou a oportunidade de observar melhor a natureza do local, com direito a banho de rio.

De noite, houve uma retomada ao estudo, com a apresentação de diversos casos de intolerância religiosa. O secretário adjunto, pastor Labes, também apresentou o vídeoEstado Laico: é a gente que faz, da Rede Ecumênica da Juventude (REJU). Depois de encerradas todas as atividades, os jovens reuniam-se ao redor de uma fogueira para cantar músicas e conversar.

No sábado, foi celebrado um culto, juntamente à comunidade local e, após, foi realizada uma visita ao Lar Padilha, para conhecer o local, o trabalho que é realizado lá e as situações de vulnerabilidade social vivenciadas pelas pessoas acolhidas.