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A queima de incenso, prática popular em locais religiosos e em residências, pode causar câncer, segundo cientistas de Taiwan. Os pesquisadores descobriram a presença de diversos agentes cancerígenos na fumaça exalada pela queima do incenso.

Num templo budista mal ventilado de Taiwan, os cientistas detectaram níveis de um elemento químico - conhecido causador de câncer de pulmão - 40 vezes superiores aos encontrados em residências de fumantes.

incenso

Em entrevista à revista científica New Scientist, o chefe da pesquisa, doutor Ta Chang Lin, da Universidade Nacional Cheng Kung, de Taiwan, disse esperar que o incenso desse às pessoas "apenas conforto espiritual". Mas ele acrescentou que os estudos demonstraram "a existência de um grande potencial de risco. Não sabemos ainda sua extensão ou seriedade."

Amostras

A equipe chefiada pelo doutor Lin coletou amostras do ar no interior de um templo da cidade de Tainan e comparou-a com amostras coletadas no exterior do templo e também próximo a um movimentado cruzamento rodoviário.

No ar coletado no templo, os pesquisadores encontraram níveis elevados de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAH), pertencentes a um amplo grupo de agentes químicos cancerígenos, que são liberados na atmosfera pela queima de certas substâncias.

O nível de PAH no interior do templo foi 19 vezes maior do que o encontrado no lado de fora do prédio e um pouco acima do nível presente nas amostras colhidas no cruzamento.

No interior do templo, os pesquisadores encontraram também grandes quantidades de um PAH chamado benzopirene, que é considerado responsável pelo câncer causado nos fumantes.

Os níveis deste componente químico foram 45 vezes mais elevados no templo do que em residências de fumantes, e até 118 veses maiores do que em áreas fechadas, livres de qualquer fonte de combustão.

Pouca visibilidade

O doutor Lin disse que num dia de cerimônias religiosas especiais, quando a frequência nos templos é muito grande, a visibilidade no interior chega a ser reduzida por conta da fumaça intensa dos incensos.

Brad Timms, da Campanha de Pesquisa do Câncer, na Grã-Bretanha, disse que "sabemos, de pesquisas anteriores, que os operários expostos a PAHs correm maior risco de desenvolver câncer de pulmão e de bexiga, e estes elementos são também causadores de alguns tipos de câncer de pele e dos testículos."

Mas ele acrescentou que "o risco de se desenvolver câncer pela inalação da fumaça produzida pela queima de incensos dependerá do nível de PAHs liberados por este tipo de fonte e pelo tempo de exposição a eles."

Fonte: BBC Brasil
Foto: Flickr/Creative Commons/Peter Nijenhuis

No fim da adolescência, o italiano Gabriele Amorth já enfrentava inimigos perigosos. Natural de Módena, aderiu à Resistência e, em 1943, aos 18 anos, comandou um batalhão da Brigata Italia. A milícia, integrada por católicos, combatia os fascistas e nazistas que infestavam sua terra. Depois da Segunda Guerra Mundial, formou-se em direito para seguir a carreira do pai e do avô. Os embates nos tribunais, porém, não o atraíram por muito tempo. Resolveu trocá-los pela política e se tornou vice de Giulio Andreotti, que presidia a ala jovem da Democracia Cristã e, mais tarde, chegaria a ocupar o cargo de primeiro-ministro do país por sete vezes. As batalhas no Parlamento tampouco seguraram Amorth, que abandonou tudo para ingressar no seminário. Em 1954, virou padre pela ordem dos paulinos. Teve uma vida sacerdotal atarefada e, após três décadas, iniciou a luta em que mais se destacou. Por mandato do cardeal-vigário-geral Ugo Poletti, assumiu a função de exorcista da diocese romana – cujo bispo é o próprio papa – e passou a confrontar o maior dos adversários: Satanás.

123 despedida

Como combatente do nazifascismo, Amorth recebeu várias condecorações da República Italiana. Já como oponente de Belzebu, o que mais experimentou foi o desprezo, a incompreensão e a zombaria, inclusive de católicos. “Não apenas os exorcistas são poucos. Eles mal são tolerados (…) e raramente acham alguém disposto a lhes abrir a porta”, testemunhou o padre no primeiro livro que escreveu sobre o tema. Lançado em 1990, Um Exorcista Conta Sua História ascendeu à lista dos best-sellers na Europa e nos Estados Unidos. O sucesso animou o sacerdote a tratar do assunto em outros volumes, além de assinar uma longa bibliografia sobre a Virgem Maria e são Pio de Pietrelcina. Seu último livro, O Exorcista Explica o Mal e Suas Armadilhas, acaba de sair no Brasil pela editora Petra. Meses antes, em setembro, o Vaticano anunciou a morte do autor. Ele tinha 91 anos.

Todas as cerca de três mil dioceses espalhadas pelo planeta devem contar com ao menos um exorcista oficial. É difícil afirmar quantas realmente cumprem a determinação. Convicto da importância de sua missão, Amorth fundou a Associação Internacional de Exorcistas em 1990 e a comandou até o ano 2000. No entanto, uma parcela significativa dos fiéis preferiria que a Igreja tivesse deixado de lado a crença nos demônios e em sua própria autoridade para combatê-los. Muitos acreditam, inclusive, que isso já aconteceu, graças ao Concílio Vaticano II. Entre 1963 e 1965, o papa e os bispos do mundo inteiro se reuniram diversas vezes na capital italiana para refletir sobre os desafios da contemporaneidade. Parte dos católicos, incluindo clérigos, aderiu a uma interpretação que enxerga no concílio uma ruptura com a tradição. Dessa maneira, não falta quem leia as passagens do Evangelho que descrevem exorcismos e demônios como meros símbolos ou metáforas.

“Na ocasião, estava na sinagoga deles um homem possuído de um espírito impuro, que gritava dizendo: ‘Que queres de nós, Jesus Nazareno? Vieste para arruinar-nos? Sei quem tu és: o Santo de Deus.’ Jesus, porém, o conjurou severamente: ‘Cala-te e sai dele.’ Então o espírito impuro, sacudindo-o violentamente e soltando um grande grito, deixou-o.” O trecho, extraído do Evangelho de são Marcos, é explícito e não soa nada alegórico. Mesmo assim, para a mentalidade moderna, parece mais fácil entender o Diabo como “o mal” e não como “o Mau”.

A falsa impressão de que a doutrina católica sobre demônios mudou é bastante forte no Brasil. Em 2005, quando se publicou por aqui a tradução oficial do novo rito de exorcismo, promulgado por João Paulo II em 1998, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou assim o fato: “Há 40 anos, a Igreja começou a se desinteressar pelo velho ritual do exorcismo, com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II. Pois, quatro décadas adiante, ela ameaça retomar a prática. Vê-se obrigada a fazer isso em defesa própria, já que os pentecostais arrebanham cada vez mais adeptos esconjurando demônios.” Na verdade, o ritual nunca deixou de existir. O Código de Direito Canônico, que consolida as leis da Igreja, não só continua a prevê-lo como define quem pode desempenhar o papel de exorcista.

Há diferentes tipos de exorcismos. A simples renúncia à influência de Satã é um deles – cada pessoa batizada a faz quando recebe o sacramento e cada católico a renova na celebração da Páscoa. Já o chamado Grande Exorcismo consiste em expulsar o Diabo que se apossou concretamente de alguém. Os sintomas de possessão, conforme ensinou Amorth, variam muito. Fã de O Exorcista, o padre dizia que as reações da menina possuída no filme de 1973 se aproximam muito da realidade. No Ritual do Exorcismo e Outras Súplicas, o livro oficial da Igreja sobre o tema, consta o seguinte: “De acordo com a prática comprovada, consideram-se como sinais de possessão do Demônio dizer muitas palavras de língua desconhecida ou entender quem assim fala; revelar coisas distantes e ocultas; manifestar forças acima da sua idade ou condição natural. (…) Como, porém, os sinais desse gênero não são necessariamente atribuíveis ao Diabo, convém atentar para outros, sobretudo de ordem moral e espiritual, que também manifestam a intervenção diabólica, como a aversão veemente a Deus, ao Santíssimo Nome de Jesus, à Bem-Aventurada Virgem Maria e aos Santos, à Igreja, à palavra do Senhor, a objetos e ritos, especialmente sacramentais, e às imagens sagradas.”

Amorth calculava que realizou cerca de 70 mil exorcismos. Entretanto, só contabilizou 100 casos de possessão propriamente dita. Sempre mais sóbrio do que o pentecostalismo, o catolicismo não abdica da discrição quando se trata de expulsar Satanás. O novo rito de exorcismo preconizado pelo Vaticano recomenda que a prática não se confunda com “ação mágica ou supersticiosa”: “Tenha-se a precaução de não fazer dela um espetáculo para os presentes. Todos os meios de comunicação social estão excluídos durante a celebração do exorcismo, e também antes dessa celebração. Concluído o exorcismo, nem o exorcista nem os presentes devem divulgar qualquer notícia a seu respeito.”

Segundo a doutrina católica, os demônios são “pessoas”. E “pessoa”, na definição de Santo Tomás de Aquino, o mais importante teólogo da Igreja, “é uma substância racional” – ou tudo aquilo que existe em si mesmo (“substância”) e exibe tanto inteligência quanto vontade (“racional”). O azul, por exemplo, nem sequer é uma substância. É uma qualidade. Algo precisa existir para ser ou não azul. Já todos os seres humanos são “substâncias racionais” e, portanto, “pessoas”. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são as três “pessoas” de Deus. Os anjos também são “pessoas”. Existem em si, como criaturas puramente espirituais (sem corpo), e têm inteligência e vontade – a tal ponto que alguns, por orgulho, se recusaram a servir ao Senhor no Céu e acharam “melhor reinar no Inferno”, dando “adeus aos campos felizes onde a alegria sempre mora”, conforme escreveu o poeta inglês John Milton. Esses são os demônios. É contra eles que se praticam exorcismos.

Deve-se tomar cuidado, no entanto, para não confundir distúrbios mentais com possessões. O novo rito de exorcismo demarca bem os campos e preconiza que só se faça o esconjuro em alguém depois de esgotadas as hipóteses de males psiquiátricos. O padre Amorth não gostou dessa diretriz. “Sem praticar o exorcismo, é difícil certificar-se se há ou não necessidade dele”, argumentava. Na psiquiatria moderna, um dos métodos mais seguros de diagnóstico é o próprio remédio: se o antidepressivo curar, tratava-se de depressão. A mesma lógica valeria para a luta contra Satanás: se o exorcismo curar, tratava-se de possessão. Por isso, com autorização do bispo, Amorth sempre usou o ritual anterior à mudança, codificado em 1614.

O sacerdote não se acanhava em expressar suas convicções acerca da influência demoníaca no mundo de hoje. Em 2011, condenou a ioga, por levar “a um culto ao hinduísmo, e todas as religiões orientais se baseiam numa falsa crença, a da reencarnação”. Para Amorth, os livros e filmes de Harry Potter podem parecer inócuos, mas estimulam os leitores a acreditar em magia e bruxaria. Ele também não poupava o recorrente flerte do rock com o Diabo (vide o hit Simpathy for the Devil, dos Rolling Stones).

Ideias como essas o tornavam uma figura incômoda. Convidado para redigir o prefácio da edição americana de Um Exorcista Conta Sua História, o padre e psicólogo Benedict Groeschel cogitou recusar. “Embora eu tenha tido experiência com pessoas sofrendo do que estou convencido ter sido influências diabólicas, tenho dificuldades com a abordagem de Amorth”, acabou escrevendo. “Ele usa uma retórica estranha para a maioria de nós e até conceitos teológicos alheios a nosso modo de pensar, mas a mesma coisa pode ser dita dos relatos do Evangelho sobre a obra de nosso Salvador, livrando os ‘possuídos por maus espíritos.’”

O papa Francisco costuma falar clara e insistentemente do Demônio como uma “pessoa” e não como simples metáfora do mal. Por isso, credita-se a ele o renascimento do interesse pelo exorcismo na Igreja. Muitas dioceses que não dispunham de exorcistas passaram a dispor. Hoje a de Milão tem 12. Na de Roma, havia cinco. Atualmente, são dez. Metade das dioceses da Inglaterra e do País de Gales não possuíam nenhum e agora todas possuem. Esses dados foram divulgados em outubro, no mais recente congresso da Associação Internacional de Exorcistas. Presente ao encontro em Roma, o papa Francisco cumprimentou os cerca de 300 participantes pelo “belo trabalho”. Numa homilia de 2014, mostrou-se bem mais enfático: “Cuidado, o Diabo existe! Mesmo no século XXI, o Diabo existe. Não podemos ser ingênuos e devemos aprender com o Evangelho como lutar contra Satã.”

Fonte: piaui.folha.uol.com.br
Foto: Reprodução

Inspiração de filmes, livros, reality shows e motivo de curiosidade para muita gente, o povo amish usa carroças como meio de transporte, não tem aparelhos eletrônicos em casa e costura suas próprias roupas. Depois do casamento, os homens mantêm a barba comprida e raspam o bigode; já as mulheres jamais usam calças compridas. Entre eles, falam um dialeto alemão conhecido como “pennsylvania dutch” e chamam de “ingleses” quem não faz parte da sua comunidade. Só nos Estados Unidos estima-se que cerca de 280.000 pessoas vivam hoje de forma muito parecida com a do século XVIII, quando a primeira família amish chegou ao país vinda da Europa. A diferença é que, ao contrário do que se possa imaginar, eles não estão mais tão distantes das facilidades da vida moderna.

Amish

- Muita gente pensa que eles rejeitam completamente a tecnologia, mas isso não é verdade. Usam tecnologia de forma seletiva e decidem se o uso dela será benéfico ou não - afirma o americano Donald B. Kraybill, professor do Elizabethtown College, na Pensilvânia, e autor de 12 livros sobre o assunto, entre eles, “The Amish”, lançado em abril nos EUA.

Entre as maiores mudanças está a permissão do uso de computadores no ambiente de trabalho. Se os eletrônicos são terminantemente proibidos em casa, hoje são bem-vindos como ajuda profissional. Um amish não deve dirigir um carro, mas caronas não são recusadas. E se o propósito for uma viagem longa para uma carroça, ninguém será punido se conduzir um automóvel para a família ou amigos. Enquanto os Swartzentruber, grupo considerado mais conservador entre eles, não podem usar água aquecida, os da linha conhecida por Nova Ordem, aceitam eletricidade no entorno de casa e podem até tirar fotografias sem reclamar.

Fazer parte de uma rede social como o Facebook também não é algo improvável para os amish. Entre os 16 e 21 anos, os jovens ficam liberados para fazer atividades de um adolescente comum, como navegar pela internet. Durante esse período, que acaba com o batismo e um casamento, curtem a vida adoidado.

- Rumspringa significa algo como “correndo por aí” - explica Donald. - Alguns vão para uma cidade grande por alguns dias, vestem roupas “modernas”, bebem ou usam drogas. Ninguém consegue controlá-los durante esses anos.

Tema polêmico dentro e fora da comunidade, a Rumspringa foi retratada em uma série de TV chamada “Breaking Amish”, que foi lançada no ano passado e já está na segunda temporada. Esta foi apenas uma entre várias produções para televisão e cinema já feitas sobre eles. Muito antes, em 1985, Harrison Ford já revelava os costumes amish no filme “A testemunha”.

Sobre a obsessão americana pelo povo de hábitos tão peculiares e outros assuntos controversos como homossexualidade, Donald Kraybill falou em entrevista por telefone para o “Globo a Mais”.

Como explicar um aumento de 20% da população amish nos últimos cinco anos?

Há algumas formas para explicar isso. Uma delas é que eles têm famílias grandes, com seis a oito filhos. O número é muito maior do que a média americana. Há outros dados importantes que mostram que 85% das crianças participam da igreja amish e a maioria opta pelo casamento no início da juventude. Os amish têm cultura e símbolos próprios, e sabem muito bem quem são. E não vivem completamente isolados com muita gente pensa. Interagem com frequência também com as pessoas de fora da comunidade que chamam de “ingleses”. Por falarem um dialeto alemão, os amish consideram todo o resto “inglês”.

Do que vivem os amish?

A atividade econômica mudou demais nos últimos vinte anos. Muitos dos amish não são mais fazendeiros. De uns tempos para cá eles têm desenvolvido seus próprios negócios. São pequenos e têm, em média, até dez funcionários. Para que esses negócios sobrevivam eles sabem que precisam da tecnologia. Por isso, não é incomum que tenham um telefone ou até um computador no ambiente de trabalho.

Para um povo conhecido por viver longe da tecnologia essa é, sem dúvida, uma grande mudança, não?

Muita gente pensa que eles rejeitam completamente a tecnologia, mas isso não é verdade. Eles usam tecnologia de forma seletiva e decidem se o uso dela será benéfico para a comunidade ou não. Os amish não aceitam algumas delas, como a televisão, e também não querem ter computadores em casa. Por outro lado, usam tratores e operam instrumentos para fazer a própria mobília. Mas é claro que a tecnologia é sedutora e existe perigo nessa exposição crescente. Com o tempo, eles podem não conseguir mais ter controle.

Há um grupo de jovens amish que participam do Facebook. Eles pediram autorização para os pais para entrar na internet?

Diria que esses jovens são considerados rebeldes dentro da comunidade. Mas se você observar, os amigos deles no Facebook são amish também. Até na transgressão, o grupo continua sendo uma referência forte.

Entrar no Facebook é um sinal que esses jovens estão no período da Rumspringa, quando podem experimentar a vida longe da comunidade?

Sim. Aos 16 anos há um rito de passagem que dura até 20 ou 21 anos, quando eles são batizados. Rumspringa significa algo como “correndo por aí” e esse é um período importantíssimo dentro da cultura amish. Durante este tempo, os jovens podem sair sozinhos, com os amigos, jogar e ir à festas. Muitos deles continuam a usar as mesmas roupas e ficam perto da família. Mas nem todos mantêm o que eles consideram um bom comportamento. Estima-se que 20% deles se rebelam, como os que você mencionou que estão no Facebook. Alguns vão para uma cidade grande por alguns dias, vestem roupas “modernas”, bebem ou usam drogas. Ninguém consegue controlá-los durante esses anos. Mas passa. Depois que entram para a igreja, tudo volta a ser como era antes. Quem resolver seguir outro caminho, tem que se afastar.

O comportamento dos jovens durante este período não seria consequência da maneira como são criados?

Eles não vivem isolados como se estivessem em uma caverna. Acompanham o que acontece no mundo através de jornais locais e, se têm um vizinho “inglês”, conversam com ele e trocam informações. Ao contrário do que se imagina, os amish estão abertos ao que acontece no mundo fora de comunidade mesmo sem assistir TV e sem estar conectado o dia todo.

E como assuntos como sexualidade e homossexualidade são tratados entre eles?

Os pais não costumam falar sobre sexualidade nem homossexualidade com os filhos. Mas existem, sim, gays amish. O problema é que não há espaço público para eles. Há alguns que casam e não assumem a sua condição sexual, mas quem tem uma identidade homossexual forte e não se adequa, acaba deixando a comunidade.

A cultura amish foi inspiração para muitos livros, filmes e reality shows. O que explica tanta obsessão pela cultura amish?

Acho que o fato deles serem diferentes já é um atrativo e tanto. Mas acredito que também tem o fato de o estilo de vida parecer simples, e a família estruturada e forte. Nos Estados Unidos, todo mundo fica estressado com a vida moderna e muitos costumam reclamar dos problemas da vida em família. Os amish têm um sentimento enorme de comunidade, uma identidade forte e aparentam ser felizes, mesmo não tendo as facilidades do mundo atual. Eles continuam se locomovendo em carroças e dividindo as estradas com os carros mais possantes. Quem vê a cena pensa: “Como pode isso?”.

Há registros de pessoas que foram aceitas e vivem com o povo amish?

Sim, mas isso não aconteceu muitas vezes. Sei que existem em torno de 50 pessoas que moram com os amish, mas o número é bem pequeno se pensarmos na população total. Muitos já tentaram morar com eles por seis meses ou um ano, mas muito antes disso acabaram descobrindo que não conseguiriam sobreviver sem uma televisão ou um carro. Desistem. Os amish são muito abertos e receptivos, mas para viver com eles é preciso também saber falar o dialeto deles, andar a cavalo e conseguir viver sem os eletrônicos. Ninguém consegue.

Fonte: O Globo
Obs.: Reportagem publicada originalmente no vespertino Globo a Mais
Imagem: Reprodução

O Calvinismo e o Arminianismo são dois sistemas teológicos que tentam explicar a relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana em relação à salvação. O Calvinismo recebeu este nome por causa de John Calvin (João Calvino), teólogo francês que viveu de 1509 a 1564. O Arminianismo recebeu este nome por causa de Jacobus Arminius, teólogo holandês que viveu de 1560 a 1609.

calvino arminio

Os dois sistemas podem ser resumidos em cinco pontos. O Calvinismo defende a “depravação total”, enquanto o Arminianismo defende a “depravação parcial”. Segundo a “depravação total”, cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, e por isso, os seres humanos são incapazes de vir a Deus por iniciativa própria. A “depravação parcial” defende que cada aspecto da humanidade está contaminado pelo pecado, mas não ao ponto de fazer que os homens sejam incapazes de colocar sua fé em Deus por iniciativa própria.

O Calvinismo defende a “eleição incondicional”, enquanto o Arminianismo defende a “eleição condicional”. A “eleição incondicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado inteiramente em Sua vontade, e não em nada que seja inerente à pessoa. A “eleição condicional” afirma que Deus elege pessoas para a salvação baseado em sua pré-ciência de quem crerá em Cristo para a salvação.

O Calvinismo defende a “expiação limitada”, e o Arminianismo defende a “expiação ilimitada”. Este, dos cinco pontos, é o mais polêmico. A “expiação limitada” é a crença de que Jesus morreu apenas pelos eleitos. A “expiação ilimitada” é a crença de que Jesus morreu por todos, mas que Sua morte não tem efeito enquanto a pessoa não crê.

O Calvinismo defende a “graça irresistível” e o Arminianismo, a “graça resistível”. A “graça irresistível” defende que quando Deus chama alguém para a salvação, esta pessoa inevitavelmente virá para a salvação. A “graça resistível” afirma que Deus chama a todos para a salvação, mas muitas pessoas resistem e rejeitam este chamado.

O Calvinismo defende a “perseverança dos santos”, enquanto o Arminianismo defende a “salvação condicional”. A “perseverança dos santos” se refere ao conceito de que a pessoa que é eleita por Deus irá perseverar em fé e nunca negará a Cristo ou se desviar Dele. A “salvação condicional” é a visão de que um crente em Cristo pode, por seu livre arbítrio, se desviar de Cristo e, assim, perder a salvação.

É interessante notar que na diversidade do Corpo de Cristo, há toda a sorte de mistura de Calvinismo e Arminianismo. Há quem apóie cinco pontos do Calvinismo e cinco pontos do Arminianismo, e ao mesmo tempo, há quem apóie apenas três pontos do Calvinismo e dois pontos do Arminianismo. Muitos crentes chegam a um tipo de mistura das duas visões.

Fonte: gotquestions.org
Imagem: Reprodução / Internet

No Brasil, há mais de 8 mil de refugiados registrados, e quase 30 mil aguardando pela aprovação do refúgio. Homens, mulheres, crianças, famílias inteiras que precisaram deixar para trás sua nação, familiares, e uma história de vida. Pessoas que têm que recomeçar a vida em outro país, sem conhecer ninguém.

Aproveitando o espírito natalino, a ONG Migraflix, em parceria com a agência NBS, criou o projeto "Meu Amigo Refugiado", que consiste em uma atitude muito simples, mas ao alcance de todos, reunir essas duas famílias em uma data especial, o Natal.

refugiados natal

A ideia é que as famílias brasileiras convidem os refugiados, que levarão um prato típico do seu país, para passar a ceia da véspera de Natal ou então o almoço do dia 25 em suas casas.

"Já que o Natal é uma época de união, queremos aproveitar para aproximar você dessas pessoas. Conheça aqui algumas dessas milhares de histórias. Quem sabe você não encontra um convidado especial para o seu Natal?", assinala o site da iniciativa.

A campanha foi lançada no último dia 05 e já conta com 15 refugiados cadastrados. A ONG espera aumentar esse número, já que é possível que refugiados também se cadastrem no site, assim como as famílias brasileiras.

O interessado poderá acessar o endereço www.meuamigorefugiado.com.br e escolher um convidado.

Se você conhece algum refugiado na sua cidade, pode também fazer o convite espontaneamente e fazer uma boa ação nesse Natal, além de poder conhecer uma cultura e partilhar experiências de vida. 

Com informações do portal A12
Obs.: o título foi adaptado
Foto: Reprodução

O Brasil tem um dos mais injustos sistemas tributários do mundo e uma das mais altas desigualdades socioeconômicas entre todos os países, onde os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os mais pobres, criando uma das maiores concentrações de renda e patrimônio do planeta. Essa relação direta entre tributação injusta e desigualdade e concentração de renda e patrimônio é investigada pelo pesquisador Evilásio Salvador no estudo Perfil da Desigualdade e da Injustiça Tributária, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com apoio da Oxfam Brasil, Christian Aid e Pão Para o Mundo.

Foram considerados os quesitos de sexo, rendimentos em salário mínimo e Unidades da Federação. O texto busca identificar o efeito concentrador de renda e riqueza, a partir das informações sobre os rendimentos e de bens e direitos informados à Receita Federal pelos declarantes de IR no período de 2008 a 2014, referentes às informações dos anos-calendário de 2007 a 2013.

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Os dados da Receita Federal analisados para o estudo revelam, por exemplo, que do total de R$ 5,8 trilhões de patrimônio informados ao Fisco em 2013 (não se considera aqui a sonegação), 41,56% pertenciam a apenas 726.725 pessoas, com rendimentos acima de 40 salários mínimos. Isto é, 0,36% da população brasileira detém um patrimônio equivalente a 45,54% do PIB do Brasil e com baixíssima tributação. Considera-se, ainda, que essa concentração de renda e patrimônio está praticamente em cinco estados da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, agravando ainda mais as desigualdades regionais do país.

O Brasil tem um dos mais injustos sistemas tributários do mundo e uma das mais altas desigualdades socioeconômicas entre todos os países, onde os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os mais pobres, criando uma das maiores concentrações de renda e patrimônio do planeta. Essa relação direta entre tributação injusta e desigualdade e concentração de renda e patrimônio é investigada pelo pesquisador Evilásio Salvador no estudo Perfil da Desigualdade e da Injustiça Tributária, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) com apoio da Oxfam Brasil, Christian Aid e Pão Para o Mundo.

Foram considerados os quesitos de sexo, rendimentos em salário mínimo e Unidades da Federação. O texto busca identificar o efeito concentrador de renda e riqueza, a partir das informações sobre os rendimentos e de bens e direitos informados à Receita Federal pelos declarantes de IR no período de 2008 a 2014, referentes às informações dos anos-calendário de 2007 a 2013.

Os dados da Receita Federal analisados para o estudo revelam, por exemplo, que do total de R$ 5,8 trilhões de patrimônio informados ao Fisco em 2013 (não se considera aqui a sonegação), 41,56% pertenciam a apenas 726.725 pessoas, com rendimentos acima de 40 salários mínimos. Isto é, 0,36% da população brasileira detém um patrimônio equivalente a 45,54% do PIB do Brasil e com baixíssima tributação. Considera-se, ainda, que essa concentração de renda e patrimônio está praticamente em cinco estados da federação: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, agravando ainda mais as desigualdades regionais do país.

Clique aqui para baixar o estudo completo (arquivo PDF). 

Os dados da Receita Federal são fartos para revelar uma casta de privilegiados no país, com elevados rendimentos e riquezas que não são tributados adequadamente e, muitas vezes, sequer sofrem qualquer incidência de Imposto de Renda.

Os dados divulgados pela Receita Federal confirmam a injustiça no sistema tributário brasileiro, conforme o Inesc havia alertado. Um dos mais graves é o fato de que a tributação sobre a renda no Brasil não alcança todos os rendimentos tributáveis de pessoas físicas. A legislação atual não submete à tabela progressiva do IR os rendimentos de capital e de outras rendas da economia, que são tributados com alíquotas inferiores à do Imposto de Renda incidente sobre a renda do trabalho. Em destaque, a não existência do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre os lucros e dividendos, além do instituto legal (mas excêntrico) dos “juros sobre capital pró- prio”, o que permite uma redução da base tributária do IR e da CSLL. Esses rendi- mentos são tributados a 15% de forma exclusiva, não necessitando o beneficiário de fazer qualquer ajuste na Declaração Anual do IR.

Essas modificações beneficiam e privilegiam os mais ricos no Brasil, pois os 71.440 declarantes hiper-ricos, que tinham renda acima de 160 SM, em 2013, praticamente não possuíam rendimentos tributáveis, pois 65,80% de sua renda tinha origem em rendimentos isentos e não tributáveis.

Outro agravante é a perda da progressividade do IR, pois – a partir da faixa de rendimentos de 40 a 80 salários mínimos – o imposto começa a perder a sua progressi- vidade. De forma que os contribuintes com rendimentos acima de 40 salários mínimos passam a pagar proporcionalmente menos IR do que os contribuintes das faixas salariais inferiores.

Com isso, as propostas para a reforma tributária que o Inesc já apresentou na agenda pública brasileira estão na ordem do dia. Neste sentido, é necessário revogar algumas das alterações realizadas na legislação tributária infraconstitucional após 1996, que sepultaram a isonomia tributária no Brasil, com o favorecimento da renda do capital em detrimento da renda do trabalho. Dentre essas mudanças destacam-se: 1) o fim da possibilidade de remunerar com juros o capital próprio das empresas, reduzindo-lhes o Imposto de Renda e a CSLL; e 2) o fim da isenção de IR à distribuição dos lucros e dividendos na remessa de lucros e dividendos ao exterior e nas aplicações financeiras de investidores estrangeiros no Brasil.

Outra medida fundamental seria a implementação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), previsto na Constituição e não regulamentado até hoje. É uma oportunidade para a prática da justiça tributária, por aplicar corretamente o princípio constitucional da capacidade contributiva, "onerando o patrimônio dos mais ricos no país", conforme afirma Evilásio no estudo, que advoga ainda a introdução da progressividade no Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação de quaisquer Bens ou Direitos (IT-CDM). Outras medidas apontadas como importantes são a tributação maior para bens supérfluos e menor para produtos essenciais para a população.

Uma proposta de reforma tributária no Brasil deveria ser pautada pela retomada dos princípios de equidade, de progressividade e da capacidade contributiva no caminho da justiça fiscal e social, priorizando a redistribuição de renda. As tributações de renda e do patrimônio nunca ocuparam lugar de destaque na agenda nacional e nos projetos de reforma tributária após a Constituição de 1988. Assim, é mais do que oportuna a recuperação dos princípios constitucionais basilares da justiça fiscal (equidade, capacidade contributiva e progressividade).

A tributação é um dos melhores instrumentos de erradicação da pobreza e da redução das desigualdades sociais, que constituem objetivos essenciais da República esculpidos na Constituição Federal de 1988.

O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) vem apontando que o sistema tributário brasileiro tem operado no sentido da maior concentração de renda no país. O estudo As implicações do sistema tributário brasileiro nas desigualdades de renda, produzido pelo Inesc em 2014, demonstrou as implicações negativas do sistema tributário brasileiro sobre as desigualdades no país, destacadamente no agravamento das distâncias entre pobres e ricos, mulheres e homens, negros e brancos. A metodologia adotada naquele estudo valeu-se dos micro- dados da PNAD/2011, pois inexistiam dados oficiais que permitissem dimensionar de forma direta o impacto da regressividade dos tributos nas desigualdades de gênero e raça.

Uma das questões inerentes à questão tributária no Brasil é a irrisória tributação do patrimônio: somente 1,40% do PIB, o que equivale a 4,18% da arrecadação tributária realizada em 2011. Nos principais países capitalistas, os tributos sobre o patrimônio representam mais de 10% da arrecadação tributária, como, por exemplo, no Canadá (10%), no Japão (10,3%), na Coreia (11,8%), na Grã-Bretanha (11,9%) e nos EUA (12,15%).

A questão da tributação sobre o patrimônio vem sendo fortemente pautada pelo debate internacional, com a publicação da obra de Thomas Piketty, traduzida em português como “O Capital no Século XXI”.8 Piketty, a partir da análise de dados tributários, demonstra – com vasta evidência empírica – um aumento espetacular da desigualdade de renda das principais economias mundiais. O autor faz um apelo, especialmente, por impostos sobre a riqueza, se possível em es- cala mundial, a fim de restringir o crescente poder da riqueza hereditária.

Fonte: INESC
Imagem: Reprodução

Nos dias 14 e 15 de dezembro, ocorreram as reuniões da diretoria e do Conselho Curador do CONIC, esse último, composto pelos presidentes das igrejas-membro que integram o Conselho. Na reunião de diretoria, ocorrida no dia 14, vários assuntos foram abordados, entre eles, a atual situação do país e os impactos das medidas que fragilizam os direitos sociais. Também foram analisadas as repressões policiais ocorridas nas manifestações de 29 de novembro e 13 de dezembro.

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A reunião do Conselho Curador ocorreu no dia 15. Também nessa reunião analisou-se o contexto brasileiro e o papel das igrejas em um contexto em que o Estado segue as regras do mercado, desconsiderando as necessidades básicas da população. Mereceu destaque na reflexão o papel que o CONIC tem a desempenhar nessa conjuntura. Chegou-se à conclusão de que é tarefa do CONIC manter-se como um espaço aberto e de diálogo e que cabe o CONIC desempenhar um papel para a superação das intolerâncias, em especial a religiosa.

Outro ponto abordado nas duas reuniões foi a próxima Assembleia do Conselho, prevista para acontecer entre 4 e 6 de abril, na cidade de Porto Alegre (RS).

Diante das análises realizadas, a diretoria do CONIC aprovou a ‘Nota pastoral sobre a violência ocorrida nas manifestações contra a PEC 55/2016’. O documento critica, entre outras coisas, o aumento da repressão policial contra manifestantes civis. “No entanto, maior perplexidade nos causa a repressão que os movimentos populares têm sofrido ao se manifestarem contrários às medidas adotadas. Os relatos e os vídeos divulgados das manifestações de 29 de novembro e de 13 de dezembro demonstram claramente os excessos cometidos por policiais. Manifestar-se é um direito garantido pela Constituição Federal”, diz um dos trechos do documento.

Leia na íntegra:

Nota pastoral sobre a violência ocorrida nas manifestações contra a PEC 55/2016

A diretoria do CONIC, reunida no dia 14 de dezembro de 2016, refletiu sobre os desafios apresentados pela atual conjuntura brasileira. Compreende-se que o cenário atual projeta o aprofundamento das desigualdades sociais. As medidas aprovadas, como a PEC 55/2016 que atinge, de maneira especial, as áreas da saúde, educação, assistência social e congela o aumento real do salário mínimo, afetarão principalmente as pessoas mais vulneráveis da sociedade. A Reforma da Previdência é outra medida que pode afetar as pessoas mais pobres. Chama-nos a atenção que medidas que atingem diretamente a vida de milhões de pessoas não são discutidas com a sociedade brasileira.

No entanto, maior perplexidade nos causa a repressão que os movimentos populares têm sofrido ao se manifestarem contrários às medidas adotadas. Os relatos e os vídeos divulgados das manifestações de 29 de novembro e de 13 de dezembro demonstram claramente os excessos cometidos por policiais. Manifestar-se é um direito garantido pela Constituição Federal. É importante que as pessoas se mobilizem quando decisões que afetam suas vidas são tomadas. Em um Estado Democrático de Direito é necessário garantir a livre manifestação.

Sabemos que em alguns casos ocorreram excessos por parte de manifestantes. Tais atitudes também não são aceitáveis, mesmo quando elas são reações à violência sofrida.

Como Conselho Nacional de Igrejas defendemos o diálogo e a paz e conclamamos o Estado que garanta o livre direito de manifestação e debate. O exercício da cidadania é necessário neste contexto em que decisões graves têm sido tomadas em nome da recuperação econômica do país. Queremos que o país tenha um desenvolvimento sustentável, de modo que a desigualdade não se aprofunde.

“A obra da justiça serra a paz; o empenho da justiça, calma e segurança para sempre” ( Is 32.17).

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) expressa pesar pelo falecimento do cardeal dom Paulo Evaristo Arns, ocorrido hoje, 14 de dezembro de 2016.

Dom Paulo conduziu sua vida e ministério orientado por valores ecumênicos como o do diálogo, da ação conjunta entre as igrejas e religiões em favor dos direitos humanos, da paz e da justiça.

Nos tempos difíceis de ditadura, dom Paulo, junto com o reverendo presbiteriano Jaime Wright e outras lideranças religiosas, foram profetas ao denunciar as torturas que ocorriam nos porões da ditadura.

A Deus, temos que agradecer pela vida e pelo testemunho deixados por dom Paulo.

Aos irmãos e irmãs da Igreja Católica Apostólica Romana, nossa solidariedade e oração para que a esperança na ressurreição os conforte.

Que o testemunho e a vida de dom Paulo nos inspirem a reafirmar o diálogo, os direitos humanos e a denúncia de tudo o que agride a dignidade humana e impede a justiça como dimensão do Evangelho.

Brasília, 14 de dezembro de 2016

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC

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Imagem: G1.globo.com

Dos dias 17 a 20 de novembro, o CONIC realizou, em São Paulo (SP), o encontro 'Mulheres: Direitos e justiça - Compromisso Ecumênico'. A ação, que contou com apoio do Dia Mundial de Oração/DMO e do Movimento Lado a Lado, foi motivada por três perspectivas: fazer memória da história da participação das mulheres no movimento ecumênico, refletir sobre o que foi feito e o que não feito pelas mulheres em suas comunidades religiosas e propor ações a fim de promover a igualdade entre homens e mulheres nas comunidades de fé e na sociedade.

Durante esses três dias, as participantes elaboraram uma carta expondo temas que precisam de redobrada atenção por parte da sociedade brasileira. O objetivo foi identificar, na atual conjuntura política e religiosa do Brasil, graves retrocessos no que se refere aos direitos humanos, em especial das mulheres. No documento, que pode ser lido logo abaixo, alguns pontos são destacados, entre eles: desmonte do estado de bem-estar social e a ruptura democrática no Brasil; a simbiose entre fundamentalismo financeiro e religioso; a invisibilização da produção teológica das mulheres.

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Confira:

Carta final do encontro ‘Mulheres: Direitos e justiça - Compromisso Ecumênico’

Nós, mulheres das igrejas Sirian Ortodoxa de Antioquia, Presbiteriana Unida do Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Católica Apostólica Romana e Aliança de Batistas do Brasil de movimentos sociais e organismos ecumênicos, entre os quais: Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo,Movimento de Mulheres Camponesas, Coordenadoria Ecumênica de Serviço, Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria, Fundação Luterana de Diaconia, PROFEC, Centro de Estudos e Resgate da Cultura Cigana, Rede Ecumênica da Juventude, Centro de Estudos Bíblicos, reunidas no Encontro “Mulheres – direitos e justiça: um compromisso ecumênico”, em São Paulo, nos dias 17 a 20 de novembro de 2016, promovido pelo CONIC, com o apoio do Dia Mundial de Oração e do Movimento Lado a Lado, identificamos, na atual conjuntura política e religiosa do Brasil, graves retrocessos no que se refere aos direitos humanos, em especial das mulheres.

A violência contra a presidenta Dilma Rousseff legitimou e aprofundou a violência contra as mulheres. Um dos primeiros atos do governo atual foi a extinção do Ministério dos Direitos Humanos, Mulheres e Igualdade Racial. Identificamos papel ativo de algumas lideranças religiosas de diferentes Igrejas e parlamentares assumidamente religiosos nesse processo de desmonte do Estado Democrático de Direito, num claro desrespeito à Constituição Federal de 1988, que garante a separação entre Estado e religião.O discurso religioso fundamentalista esvazia a democracia e instaura a simbiose entre os fundamentalismos financeiro e religioso. Faz parte dessa simbiose a aliança judiciária-midiática.

O desmonte do estado de bem-estar social está alicerçado na concepção de que qualquer política pública é um gasto desnecessário. Portanto, a vida das pessoas pobres é descartável. É isso o que pretende a PEC 55/2016.

Para justificar a eliminação das políticas públicas são fabricados novos medos e novos demônios, entre os quais, a ameaça do movimento feminista e LGBT, materializada através do temor da perspectiva de gênero; o racismo, que além do ódio contra as pessoas negras e indígenas, manifesta-se também como intolerância religiosa; a xenofobia contra pessoas imigrantes e refugiadas.

Foi nessa conjuntura que resgatamos a história das mulheres no movimento ecumênico latino-americano. Constatamos que os registros sobre a presença das mulheres no movimento ecumênico são frágeis e, muitas vezes, inexistentes. Diagnosticamos a invisibilização da produção teológica das mulheres. Ficou evidente, que na última década, ocorreram retrocessos nas diferentes igrejas, entre eles: o clericalismo; violências religiosas contra as minorias; ausência de profecias; fortalecimento de pregações afirmadoras da submissão e obediência das mulheres, perseguição e silenciamento de mulheres leigas e ordenadas comprometidas com a Teologia Feminista.

A presença de Glória Ulloa, presidenta para a América Latina do Conselho Mundial de Igrejas que se posicionou afirmando que a violência contra as mulheres é pecado nos fortalece e nos anima para a caminhada de um ecumenismo de direitos e justiça.

Motivadas pelo Programa Peregrinação por Justiça e Paz do CMI nós, mulheres participantes desse Encontro, conclamamos as Igrejas a se comprometerem com ações concretas em favor de uma democracia plural, dialógica e garantidora de políticas públicas para todas as pessoas.

Conclamamos também o Conselho Mundial de Igrejas a se posicionar sobre a ruptura democrática ocorrida em nosso país, fortalecendo a voz profética das Igrejas e organismos ecumênicos que não silenciam frente ao desmonte do Estado Democrático de Direito.

A ruptura da democracia, o desmonte do Estado Democrático de Direito, através da PEC 55/2016 impõe a lógica de enriquecimento das pessoas mais ricas e exclusão das mais pobres. No entanto, nós mulheres ecumênicas, queremos viver a partir do programa de Lc 1.51b-53, que afirma: “ dispersa as pessoas soberbas, derruba as poderosas, eleva as humildes, enche de bens as famintas e despede as ricas de mãos vazias”.

Em sororidade dizemos: Deus da Vida, conduze-nos à justiça e à paz.

São Paulo, 20 de novembro de 2016.

Dia da Consciência Negra
16 Dias de Ativismo para a Superação da Violência contra as Mulheres

Passados seis meses do ato de violência que consumou a deposição da presidenta Dilma Rousseff e deu posse a um presidente sem voto, o país vê agravados todos os problemas econômicos e sociais, e caminha para o caos e a convulsão. Todos os campos da economia estão deteriorados, a começar pelo setor industrial, o mais sensível às crises econômicas, que, entre nós, já transita da recessão para a depressão.

O PIB encolheu 2,9%, numa sequência de dez meses consecutivos de queda, e fecharemos o ano com uma retração econômica de 3,4%. Os investimentos caíram 29% e o BNDES reduziu seu desembolso em 35%. Nenhum setor da economia está respondendo aos paliativos governamentais. Segundo a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE), o desemprego em dezembro é de 12%, e tende a continuar em alta. Hoje estão desempregadas 12 milhões de pessoas e a indústria paulista trabalha com nova leva 150 mil desempregados em 2017.

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Paralelamente o governo aposta na desnacionalização da economia e investe de forma criminosa na desestruturação da indústria petrolífera brasileira e um de seus alvos é a Petrobras, patrimônio de nossa nacionalidade.

A federação se esfacela com a falência de estados e municípios, com todas as suas consequências como a maior deterioração dos serviços públicos, notadamente de saúde, educação e segurança publica, além do atraso dos salários de seus servidores. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro, três dos Estados mais ricos da federação, já declararam ‘situação de calamidade financeira’.

Em vez de enfrentar os problemas encontrados - resultado de séculos de depredação capitalista – o governo ilegítimo os aprofunda e leva o país a uma grave crise política, ao ponto mesmo da degradação institucional e da falência administrativa. Em meio a um estado de acefalia, está instalada uma crise de Poderes, que prenuncia o esgotamento da ordem política fundada com a Constituição de 1988. Avança um estado de exceção, antipopular, antinacional e antidemocrático, que restringe direitos de defesa, ameaça lideranças politicas, dirigentes de movimentos populares e o presidente Lula. O processo democrático, conquistado com tanta luta pela resistência popular à ditadura militar, está ameaçado. Cumpre nos preparar para construção da nova ordem, democrática e popular.

Parte de nossa luta deve estar voltada para a formulação de um Projeto de Brasil que se anteponha ao quadro atual, retomando o desenvolvimento, a distribuição de renda, o combate às desigualdades sociais, a defesa da economia nacional e a defesa da democracia. Esse Projeto de Brasil deve ser o resultado de amplo debate nas bases sociais, de sorte que dele possa participar o maior numero de brasileiros.

Confiamos na capacidade de luta da classe trabalhadora brasileira, para, por meio das suas centrais sindicais, organizar a resistência aos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários, construindo a greve geral.

Em toda e qualquer hipótese, a alternativa que se coloca para o povo braseiro é sua presença nas ruas. Foi a mobilização popular que em plena ditadura, conquistou a Anistia; foi a presença de nosso povo nas ruas que construiu a campanha das Diretas Já e assegurou a convocação da Constituinte.

Somente a unidade das forças progressistas e populares, pode resistir aos ataques à democracia e ao mesmo tempo construir força política para implementar um programa de desenvolvimento econômico, social e politico; somente nossa unidade pode enfrentar e derrotar o atual governo e as forças econômicas do atraso que o controlam. Só o voto popular pode superar essa crise politico-institucional e apontar para uma nova ordem politico social no interesse da Nação, do povo e da democracia, viabilizando as reformas estruturais no pais.

A FBP avalia, em um balanço de suas atividades, que cumpriu o papel a que se destinara na sua criação, reunindo reflexão e práxis, mas se destacando em seu papel de aglutinação das forças de resistência ao golpe e agora ao governo Temer. Diante dos desafios interpostos pela conjuntura, a FPB convida todos os brasileiros a se integrarem no processo de construção da II Conferência Nacional a realizar-se no próximo ano.

Bandeiras Políticas:

1. Contra o Golpe, Fora Temer e Diretas Já.

2. Nenhum direito a menos.

a) Em defesa do emprego, saúde, educação dos salários;

b) Em defesa dos direitos sociais (com protagonismo: LGBT, mulheres, negros e negras);

c) contra: PEC 55, Reforma da Previdência e Terceirizações;

3. Em defesa das liberdades democráticas e contra o Estado de Exceção.

a) Contra os abusos do judiciário e do Ministério Público;

b) Contra a criminalização dos movimentos e da luta popular;

c) Contra o genocídio da juventude negra;

d) Contra o avanço do conservadorismo;

e) Pelo Direito do Lula ser candidato a presidente.

4. Por uma Reforma Política, que amplie a participação e a democracia popular e propagandear a Constituinte como um horizonte estratégico.

5. Defesa da soberania.

a) Defesa das estatais e bancos públicos, contra a privatizações;

b) Defesa das riquezas nacionais em especial a terra, petróleo a energia elétrica, minérios, água e biodiversidade.

Fonte: Frente Brasil Popular
Foto: Lidyane Ponciano/Sind-UTE MG e CUT Minas