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Para nos ajudar a orar, todos os anos o CMI convida um país para conduzir as meditações de toda oikouméne, conferindo à SOUC um caráter plural e multiétnico. Em 2016, nos unimos aos/às Irmãos/ãs da Letônia, uma nação com pouco mais de dois milhões de habitantes, localizada no Leste Europeu e com uma rica história de diversidade cultural e lutas por afirmação da identidade e dos direitos de seu povo. A preparação do texto se deu por uma comissão composta, majoritariamente, por católicos, luteranos, ortodoxos e batistas, reunidos em Riga, capital da Letônia.

O mais antigo batistério da Letônia remonta a São Meinhard (século XII) e hoje se situa bem no centro da catedral luterana de Riga, a capital do país. O local do batistério fala com eloquência do vínculo entre batismo e pregação, assim como do chamado a proclamar os altos feitos do Senhor, dirigidos a todos os batizados. Este chamado constitui o tema da SOUC 2016. Ele foi inspirado em dois versículos da primeira Carta de São Pedro, escolhidos, meditados e partilhados por membros de diversas Igrejas e organizações ecumênicas da Letônia.

CONHECENDO A LETÔNIA

A Letônia é como uma “ponte” entre as tradições católicas, protestantes e ortodoxas. Com mais frequência, e num número crescente de lugares, os/as cristãos/as de diferentes tradições se encontram para rezar juntos e para dar um testemunho conjunto. Esse “ecumenismo vivo” provém de experiências de cantos e orações em comum dos/ãs cristãos/ãs daquele país, que encontraram o caminho da unidade no processo de independência e redemocratização da nação, nos anos 1990.

O material para a SOUC deste ano reflete a diversidade religiosa daquele povo e seus inúmeros esforços no caminho para unidade, nos quais também está implicado o empenho pela paz e pela justiça na sociedade.

Neste sentido, a Letônia nos anima para que a Semana de Oração pela Unidade Cristã fortaleça a prece pela unidade e que ela encontre ressonância e ecoe na vida de todas as pessoas, especialmente daqueles/as que tocam o âmago da misericórdia de Deus, os/as pobres. Há muitos Irmãos/ãs nossos/as que sofrem diretamente a contradição das divisões provocadas e mantidas por uma sociedade desigual, excludente e em crescente intolerância religiosa. Que nossa oração comum seja um testemunho vivo de que o diálogo e o amor fraterno são os caminhos para a paz!

Imigração ontem e hoje: “De Perseguidos em nome da Fé a
Imigrantes” – a migração letã na Brasil

Um artigo do historiador Marcos Anderson Tedesco traz o estudo da migração de uma família de letos para o Brasil. Instalados no estado de Santa Catarina, essa migração deu-se pela perseguição religiosa no Império Russo. Muitas famílias saíram da Letônia em busca de paz, em um lugar que pudessem expressar sua confissão religiosa. O historiador ressalta que quando a Rússia conquistou a Letônia, o povo ficou submisso aos Czares. Eram desrespeitados em sua língua, religião, cultura e tradições. A liberdade religiosa era totalmente desrespeitada. Só era aceita a prática da ortodoxia russa.

As religiões como o Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã foram oprimidas. O uso da violência contra essas práticas religiosas tornou-se realidade. O interesse russo era impor uma só língua e uma só prática religiosa. As melhores oportunidades de emprego eram permitidas somente aos russos, sendo que aos outros, a possibilidade era de atividades humilhantes. Os russos se consideravam os últimos defensores da fé cristã.

No final do séc. XIX e primeira década do séc. XX muitos letões vieram para o Brasil. Estabeleceram-se no estado de Santa Catarina. A partir de 1893 foram constituídas entre Blumenau e Joinville seis colônias de imigrantes letões, batistas em sua maioria. As colônias situavam-se em Alto Guarani, conhecida como Massaranduba, Jacú-Açu, Linha Telegráfica, Bruedertal, Ponta Comprida e Zimmermann. A cidade mais antiga é Massaranduba, data de 1893, e iniciou-se com a vinda de cinco famílias de imigrantes. Era a quinta letã do Brasil. Saídos de Novgorod, dois anos após, mais treze famílias instalaram-se nessa colônia. Nesse tempo, alguns letões viviam nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 1900, fugidos da Rússia, chegaram ao Brasil importantes pastores batistas, entre eles Anss Araium, Jacob Inkis e Pedro Graudin.

Assinala o professor que até 1909, Pedro Graudin era pastor da Igreja Batista da localidade de Jacu-Açu (atual Guaramirim), mas sua experiência se deu quando recebeu o dom da glossolalia e de profetizar, sem saber que eram dons. O fenômeno era desconhecido pela comunidade que, assustados, proibiram a entrada do pastor no templo. O pastor então, por alguns meses, passou assistir os cultos do lado de fora do templo, com o tempo, ele foi expulso da igreja.

Mais tarde, o pastor Pedro Graudin começou a celebrar os cultos em sua casa. As pessoas começaram a participar, causando uma divisão na Igreja Batista.

Em 1931, o Pastor André Bernardino, que tinha contato com os missionários suecos e fundadores da Assembleia de Deus, Daniel Berg e Gunnar Vingren, e mais dois outros irmãos, visitaram os Graudin. Por ocasião da visita foi realizado um culto que durou quase três dias. O Pastor André Bernardino e os dois outros irmãos voltaram para Itajaí maravilhados com essa experiência. Mais tarde, o Pastor André Bernardino casou-se com a filha de Pedro, Dzidra Graudin.

Segundo relato de Dzidra Graudin, a perseguição religiosa foi a responsável pela vinda de Pedro Graudin ao Brasil. O sentimento religioso e a fé moveram essas famílias de imigrantes durante toda a vida. A fé era, portanto, fundamental em suas vidas.

Conclui o professor Marcos Anderson Tedesco, que o relato das memórias, nos faz compreender quem somos. Rememorar é encontrar o sentido e a força para continuar!

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O responsável pela comunidade franciscana de Assis, na Itália, quer reunir os líderes religiosos de todo o mundo para um encontro de reflexão e oração pela paz, entre 18 e 20 de setembro. Num comunicado publicado pela Rádio Vaticano, frei Mauro Gambetti realça que diante do atual quadro de conflito que ensombra o mundo "não se pode responder com o silêncio".

"A terceira guerra mundial já está em marcha e a Europa, ferida e desafiada no seu coração, não pode mais permanecer à parte ou como mera observadora do que acontece no Oriente Médio, na África e em outros países aparentemente distantes. Não pode sequer limitar-se a atualizar programas e convenções de acolhimento a refugiados", frisou o franciscano.

Para o frei Mauro Gambetti, chegou a hora de "governos e cidadãos tomarem uma posição: esconderem-se como ratos ou darem a cara".

O encontro pela paz em Assis vai acontecer 30 anos depois do primeiro evento do gênero, promovido pelo Papa João Paulo II por ocasião da Guerra Fria e do conflito entre os Estados Unidos da América e da então União Soviética e vai incluir "dois dias de painéis de discussão e uma jornada de oração".

"Uma oração conjunta e uma palavra unânime, fruto de uma reflexão partilhada, é a resposta que queremos suscitar", salientou o frei Mauro Gambetti, acrescentando que além dos líderes religiosos, estão também convidados "políticos, representantes da ciência e da cultura, agentes de paz e todos os homens de boa vontade".

"Juntos veremos quais são os princípios reconhecidos por todas as religiões para a paz. Qual o contributo que a política, a ciência e a cultura em geral podem propor para um futuro marcado por uma sã convivência humana", apontou o religioso.

O líder da comunidade franciscana de Assis sustentou que "diante da violência furiosa, as religiões devem dar ao mundo uma mensagem convergente" e que "a política deve fazer o esforço de traçar uma rota rumo à justiça e à paz entre os povos, combinando cada projeto com a sustentabilidade ambiental".

Que deste encontro, concluiu o frei Mauro Gambetti, possam sair "diretrizes" para uma cada vez maior "integração de culturas".

Fonte: Agência Ecclesia
Foto: Reprodução

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Cerca de 40 pessoas foram assassinadas em uma nova atrocidade por parte de uma milícia armada no Estado de Enugu (Nigéria), de acordo com relatórios locais. Segundo sites de notícias, aproximadamente 500 criadores de gado fortemente armados cercaram sete aldeias na área do Nimbo.

Dez casas foram destruídas por incêndios criminosos, carros e motos também foram destruídos, animais mortos e Igreja Internacional Cristo Santo também foi incendiada, segundo o site nigeriano de notícias 'Vanguard' relatou.

Vítima do ataque, o jovem Kingsley Ezugwu, falou à imprensa. "Eu estava saindo da casa quando ouvi um alarme da comunidade tocar. Eu estava indo com um amigo para saber qual o motivo daquele sinal. Então avistamos cerca de 40 pessoas portando armas sofisticadas e facões", relatou.

"Eles nos perseguiram, mataram o meu amigo e atiraram em mim várias vezes, mas erraram. Eles me alcançaram e me agrediram com os ​​facões, até que eu perdi a consciência".

Quando os atacantes perceberam que Kingsley ainda estava vivo, chamaram outros milicianos para acabar com ele. Mas o rapaz conseguiu se arrastar para longe e disse que recebeu a ajuda de um "bom samaritano" no hospital.

Muitos do que sobreviveram ao ataque fugiram das aldeias.

O porta-voz do governador, Rochas Okorocha, disse: "Nosso problema é que o que acontece neste país ganha uma coloração étnica, o que faz com que a solução para esse problema torne-se um pouco difícil".

De acordo com o Movimento Juvenil Igbo, mais de 700 nigerianos foram mortos nos últimos 10 meses, e o Governo Federal ainda não teria tomado medidas para deter os assassinatos.

O general Rabe Abubakar, porta-voz de defesa na Nigéria, disse ao site IBTimes que as forças de segurança estavam investigando os assassinatos. "As agências de segurança emitirão uma declaração em breve. As investigações estão em curso", disse ele.

Abukabar não conseguiu confirmar o número de mortos no mais recente ataque. Estima-se que entre 20 e 48 pessoas tenham morrido.

Com informações do Christian Today
Foto: Reuters

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Foi realizado, nos dias 22, 23 e 24 de abril, o 10º Encontro Nacional de Fé e Política. O evento reuniu cerca de 500 pessoas, entre lideranças, religiosos de diferentes igrejas, sociólogos, professores, militantes e estudantes vindos de todas as regiões do Brasil, na Universidade Federal de Campina Grande (PB).

A ação foi uma realização do Movimento Nacional de Fé e Política, em parceria com a Diocese local e a Cáritas. Houve momentos de plenárias e de grupos temáticos, além de palestras e painéis, com temas como “Entendendo as Crises”, “Águas da Solidariedade, Convivência com o Semiárido”, “Espiritualidade do Cuidado com a Vida” e “Sementes de Esperança”. Nos grupos temáticos, o participante pôde escolher uma das 22 opções, que traziam temáticas diversificadas, como Crise Climática, Juventude e Transformação Social, Protagonismo Popular, Democratização da Mídia, Crise do Modelo Partido Político, entre outros.

O CONIC esteve representado pelo leigo anglicano João Francisco dos Santos Esvael (Xico Esvael), responsável pelo regional do CONIC na Paraíba. A secretária-geral do Conselho, Romi Bencke, também esteve presente.

A seguir, confira a nota pública lançada por ocasião do evento.

Nota Pública

"Se também você compreendesse hoje
o caminho da Paz!" (Lc. 19, 42)

Nós, participantes do 10º Encontro Nacional de Fé e Política, viemos a público para afirmar nossa rejeição ao golpe que está sendo executado por forças antidemocráticas e antipopulares. Não aceitamos que essas forças tomem o governo federal contrariando a vontade nacional expressa nas eleições de 2014, assim como rejeitamos o modelo econômico baseado na restrição dos direitos trabalhistas, dos programas sociais e da soberania nacional.

A votação da Câmara Federal do dia 17 de abril foi uma fraude patrocinada por pessoas corruptas e pela grande mídia, porque ficou evidente não haver crime de responsabilidade cometido pela presidenta Dilma Rousseff. Repudiamos as declarações de deputados e deputadas que usaram o nome de Deus e citações da Bíblia para justificar seu apoio à ruptura constitucional.

Conclamamos as forças democráticas e populares a se manifestarem publicamente em defesa do Estado de Direito. Comprometemo-nos a nos unir a todos os movimentos e entidades do campo democrático participando da jornada contra o golpe no dia 1º de maio.

Neste momento difícil, seremos coerentes com os princípios éticos que devem guiar a ação política.

As águas da Solidariedade e as sementes da Esperança nos firmam nesse compromisso!

Campina Grande - PB, 24 de abril de 2016.

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Não é difícil perceber que a desunião entre as Igrejas cristãs é um escândalo que prejudica a própria pregação do evangelho. Quem vê, de fora, Igrejas em oposição fica com a triste impressão de que estamos disputando espaço em vez promover o projeto de Jesus. A união faz a força – diz o provérbio bem conhecido. Na mesma proporção a desunião produz fraqueza. Igrejas unidas terão mais condição de promover a paz e a justiça. Estarão, com seu próprio comportamento, gritando ao mundo que a reconciliação, o perdão, a retificação de caminhos são sempre possíveis, quando há abertura para a graça.  Mas, ainda que essa razão seja poderosa, temos outra ainda maior para buscar a unidade: Jesus pediu que os seus seguidores fossem um como ele e o Pai são um. Como ignorar tal desejo do Senhor?  A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um momento especial para colocarmos nas mãos da Trindade nossos esforços e dificuldades no caminho da busca do relacionamento fraterno de Igrejas, superando séculos de  uma história de enfrentamento mútuo.

- Clique aqui para acessar informações sobre a SOUC em 2016

Já o papa Leão XIII tinha pensado em fazer uma novena pela unidade, aproveitando a semana que vai do dia de Ascensão à festa de Pentecostes. Mais tarde a idéia foi muito divulgada por Lewis Thomas Wattson, um anglicano que se tornou católico romano. A proposta de data feita por Wattson  era outra: de 18 de janeiro (festa da cátedra de S. Pedro em Roma) a 25 de janeiro (festa de S. Paulo); estariam assim representados nos dois apóstolos estilos diferentes de vivência cristã.  Mas, de acordo com a mentalidade católica da época, pensava-se em unidade como retorno de todos os cristãos à Igreja com sede em Roma. Como era de se esperar, tal proposta não foi bem aceita por ortodoxos e evangélicos. Em 1926, o movimento Fé e Constituição, que mais tarde vai estar na origem da formação do Conselho Mundial de Igrejas, lançou um apelo para a realização de uma Semana de Oração pela Unidade, a ser feita nos dias que antecedem a festa de Pentecostes.

Um grande impulso veio também do sacerdote católico francês Paul Couturier a partir de 1935. Mas dessa vez, a proposta mostrava uma abertura da parte católica: não se tratava de um retorno ao catolicismo, mas da reunião fraterna de Igrejas, cada uma com a sua identidade. Pe. Couturier dizia: “Que chegue a unidade do Reino de Deus, tal como Cristo a quer e pelos meios que ele quiser!”  Essa atitude ficou mais fácil para os católicos depois do Concílio Vaticano II (1962-1965), que reconheceu valores nos então chamados “irmãos separados” e em suas Igrejas, afirmando que a fé comum em Cristo é princípio de comunhão e assumindo a proposta ecumênica que respeita a identidade religiosa do outro.

Para explicar o tipo de ecumenismo que queremos, hoje usamos muito a imagem dos raios de uma roda cujo centro é Jesus. As Igrejas, cada uma no seu raio, ao se aproximarem do centro, ficarão inevitavelmente mais próximas umas das outras. Não se pede conversão de uma Igreja para outra. O que se quer é o respeito e acolhida aos diferentes caminhos que conduzem à prática da unidade por amor e fidelidade a Jesus.

A partir de 1968, a Semana é preparada conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e pelo Conselho Mundial de Igrejas, representado por sua comissão de Fé e Constituição. A data pode variar: na Europa em geral a Semana se faz de 18 a 25 de janeiro. No Brasil, preferimos o período que fica entre Ascensão e Pentecostes.

A cada ano, um país prepara a Semana de Oração pela Unidade, escolhendo o tema e elaborando indicações gerais de textos, orações, reflexões. Aqui no Brasil, o texto é recebido pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) e adaptado ao nosso jeito de celebrar. 

Para orientar os que vão viver a Semana, O CONIC prepara todos os anos, um livrinho com textos para as celebrações, reflexões, orações e estudos bíblicos dentro do tema. Há um cartaz para divulgar a Semana e um folheto para ser distribuído para as pessoas que participam da SOUC. Nesse material, são explicadas linhas fundamentais do ecumenismo que queremos.  O CONIC tem cinco Igrejas como membros plenos:  Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia. Outras Igrejas têm-se mostrado favoráveis ao diálogo e à proposta ecumênica. Elas são parceiras tanto na oração como na ação a favor da paz e do respeito entre igrejas e religiões. Existem experiências interessante de Igrejas que não assumiram oficialmente a proposta ecumênica, mas que participam da Semana de Oração pela unidade Cristã.  Essa disposição é sempre acolhida com alegria.

A Semana de Oração pela Unidade Cristã exige cuidado, delicadeza, respeito e abertura para conhecer e reconhecer o outro como irmão e irmã. Quando várias Igrejas oram juntas é preciso conversar antes, ver se o que vai ser feito não causa problemas à sensibilidade religiosa dos participantes. Todos devem se sentir à vontade. Se algum canto, gesto ou oração causa problema para alguma das Igrejas envolvidas, o mais sensato e caridoso é substituir por algo que seja de aceitação comum. O mesmo se dirá a respeito do local de reunião. Isso não é calar a própria identidade: é dar tempo ao tempo, deixar a confiança mútua crescer aos poucos e não pressupor que podemos consertar em uma semana o que levamos séculos estragando.

Existem também situações especiais. Imaginemos que, numa cidade muito pequena, não haja duas Igrejas que já queiram rezar juntas; é possível uma Igreja viver a Semana com seus próprios fiéis, educando-os para o amor e o respeito às diferentes tradições de fé.

O ecumenismo orienta para uma espiritualidade de acolhida, escuta, aproximação e respeito entre diferentes formas de viver a fé em Jesus Cristo. Isso é muito importante também para o convívio dentro da própria Igreja, na família e no trabalho. Todos e todas nós conhecemos e convivemos com pessoas com diferentes pertenças religiosas.

Pentecostes é uma festa que tem tudo a ver com ecumenismo: as pessoas, nesse dia, não passaram a falar, todas, a mesma língua, mas entenderam a pregação de Pedro cada uma do seu jeito. Elas se sentiram unidas por um Evangelho comum. Bom mesmo será se o espírito da Semana de Oração pela Unidade Cristã perdurar e dela nascerem outras iniciativas: grupos conjuntos de reflexão bíblica, festivais de música entre as Igrejas, ações de promoção social realizadas ecumenicamente... e o que mais o Espírito Santo inspirar.

Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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Integrantes do Fórum Ecumênico Brasil decidiram lançar, no dia 20 de abril, uma campanha em defesa da democracia e do Estado laico. A iniciativa é um repúdio ao uso do nome de Deus repetido por deputados e deputadas – dos mais diversos partidos, de Norte a Sul do país – para justificar “sim” na votação do impeachment de Dilma Rousseff, fato que representa claro atentado à laicidade que o Congresso deve ter.

Pois bem: a partir de uma visão crítica desse episódio, onde houve uma literal instrumentalização do nome de Deus e da Bíblia para justificar ações dentro do parlamento, qual seja, a admissibilidade ou não da deposição de uma presidente, a ideia é mobilizar pessoas de diferentes confissões religiosas para reafirmar a necessidade de que o Estado permaneça laico, de fato e de direito, de modo que credos religiosos (sejam eles quais forem) não sejam a razão pela qual vota este ou aquele político.

O nome da campanha é #NãoEmNomeDeDeus e defende que todo candidato tem o dever de representar a sociedade como um todo e não apenas grupo religioso ao qual ele pertence.

COMO A CAMPANHA SERÁ FEITA?

Ela será feita pelas redes sociais. Portanto, se você concorda com o mote dessa iniciativa, encaminhe sua foto para a equipe de comunicação da CESE (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.), usando a hashtag #NãoEmNomeDeDeus. Ela será postada na página da organização (www.facebook.com/cese1973). Se preferir, basta postar uma foto sua nas redes sociais com a descrição #NãoEmNomeDeDeus.

Vamos juntos fazer com que essa hashtag chegue aos trending topics de todas as mídias sociais Brasil afora.

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Membros do Fórum Ecumênico ACT Brasil estiveram reunidos, na última sexta-feira (15), com Pauliina Parhiala e Sushant Agarwal, diretora executiva e moderador de ACT Aliança, respectivamente. Buscando compartilhar com os visitantes as ações do fórum nacional, foram apresentadas as ações de incidência pública na defesa de direitos do Fórum Ecumênico ACT Brasil que também indicou a necessidade e importância do apoio de ACT Aliança para a internacionalização de causas. Pauliina Parhiala compartilhou sobre os processos de efetivação da Aliança nas diferentes regiões e sua visão estratégica.

As ações de luta pela democracia promovidas pelo movimento ecumênico frente à atual conjuntura brasileira foram apresentadas aos representantes da Aliança, que ressaltaram a importância da promoção do desenvolvimento transformador e da incidência pública para a garantia de direitos de grupos mais vulneráveis.

A reafirmação do Estado Laico foi pontuada por Sônia Mota, diretora executiva da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), como questão fundamental de enfrentamento à crescente onda de ódio no país. A articulação de estratégias que garantam a atuação do movimento ecumênico no Brasil neste sentido também foi considerada indispensável. Cibele Kuss, da Fundação Luterana de Diaconia, completou afirmando quão “necessário é pensar o que as organizações ecumênicas farão frente ao conservadorismo e ao fundamentalismo religioso”.

Pauliina Parhiala ressaltou que “os membros de ACT Aliança esperam que sejam realizadas mais ações de enfrentamento” ao cenário apresentado. Para isto apontou como ponto estratégico o fortalecimento do Fórum Ecumênico Sul Americano, que neste ano está no foco de trabalho do recém inaugurado escritório da Aliança em El Salvador.

Além disso, a força da sociedade civil organizada foi reconhecida pelos representantes da Aliança. “A partir desta reunião, está claro que temos muito que compartilhar”, disse a diretora executiva de ACT se referindo à atuação do movimento ecumênico brasileiro e latino americano.

“A reunião se desenrolou em espírito fraternal e de cooperação, o que possibilitou o diálogo franco sobre questões de membresia, de contribuição financeira, de políticas institucionais e de estratégias de fortalecimento das relações entre o secretariado de ACT e o Fórum Ecumênico ACT Brasil”, analisou Marilia Schüller, assessora de projetos de KOINONIA.

Foto: koinonia.org.br
Imagem: Reprodução

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A Fundação Luterana de Diaconia - FLD é uma organização da sociedade civil, com pertença religiosa, criada pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB. A FLD atua em Diaconia Transformadora, por motivação evangélica. Não atuamos em nome de Deus. A atuação se dá porque o amor de Deus nos faz conectar fé, história, teologia, religião, cultura e pensamento crítico para um testemunho plural e amoroso, sem proselitismo e fundamentalismo religioso, com profundo respeito às diversidades e ao Estado Laico. Em 2014, a FLD aprovou sua Política de Justiça de Gênero, afirmando e reiterando seu compromisso com processos de reflexão sobre religião e violências no enfrentamento das estruturas patriarcais.

O conteúdo religioso, proclamado pela quase maioria absoluta de deputadas e deputados dia 17 de abril de 2016, utilizando-se da religião cristã para justificar posições e atitudes desprovidas de análise política e repletas de violências, no contexto de votação do processo de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff, trouxe a público a relevância de um contínuo debate sobre o papel da religião na sociedade brasileira e, de forma estratégica, a responsabilidade de organizações confessionais e ecumênicas contribuírem com a reflexão teológica.

O que vimos e ouvimos domingo, para jamais esquecer, foi a mais completa alienação entre o ser humano e Deus, dita por muitos parlamentares que comprovadamente respondem a processos por atos de corrupção, que perseguem e vociferam todos os dias discursos criminosos de ódio contra comunidades afro-religiosas, povos indígenas, comunidades quilombolas, pessoas gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.

A teologia também está em disputa, infelizmente. Falamos de teologia do lugar de quem faz a opção pela diaconia transformadora, afirmadora e defensora de direitos para toda a Criação.

É urgente resgatar e afirmar o pensamento teológico protestante. Este pensamento dialogou com a filosofia, com sociologia da religião, com a razão crítica e com a perspectiva profética de interpretação histórico crítico dos textos bíblicos.

Paul Tillich é um pensador que nos chama à razão e ao amor. Ele diz: “Mas também você quer saber que se pode fazer para receber o Espírito, se ele, de fato for auto-autenticador. Essa pergunta não pode ser respondida, pois se eu conseguisse respondê-la, então eu estaria lhe ensinando um método para obrigar Deus a fazer a sua vontade. Mas Deus destruiria um tal método da mesma maneira como destrói nossa auto-justificação moral. A única resposta consiste em permanecermos abertos aos impactos da vida -que podem vir de outras pessoas, da leitura da Bíblia, do culto, ou de atos de amor - por meio dos quais Deus age sobre nós. Podemos experimentar o Espírito escutando e esperando; mais do que isso não se pode fazer. Não existe nenhum método válido para forçar a vontade de Deus”.

Deus não é objeto de autojustificação moral. Foi público e notório o abuso intencional do nome de Deus no dia 17 de abril de 2016. O Brasil não é uma nação cristã. É um país de muitas diversidades. O Estado brasileiro é laico e democrático. A FLD repudia todas as manifestações contrárias à democracia e às diversidades. Por uma vida sem violências!

Porto Alegre/RS, 21 de abril de 2016.

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No último domingo, 17 de abril, vivemos um verdadeiro ataque ao Estado laico. É lastimável que mais de uma centena de deputados e deputadas tenham feito uso do nome de Deus ou justificar com os votos que recebeu de alguma Igreja, para votar SIM ou NÃO pela abertura do processo de Impeachment.

Neste contexto, nós, pessoas jovens luteranas, reafirmamos: “A IECLB faz parte da tradição protestante que se empenha pela separação de religião e Estado. Preconiza a defesa do Estado laico. A IECLB incentiva sempre a participação em partidos políticos como canais institucionais que expressam valores e ideologias presentes na sociedade brasileira. Condena vícios nefastos presentes na cultura política brasileira. Dentre eles, destaca-se o clientelismo, o coronelismo e a defesa de interesses meramente corporativos e pessoais. Por isso, para a IECLB, o assédio às pessoas identificadas com a fé evangélica por parte de candidatos/as e a tentativa de transformá-las em um curral eleitoral representam um grande desserviço à democracia. […] Com base nessa visão, torna-se CONDENÁVEL o uso e abuso de símbolos religiosos ou mesmo o nome de Deus como forma de sensibilização para ganhar o voto das pessoas” (Carta Pastoral – Eleições 2014).

Entre nessa campanha pelo Estado laico e poste uma foto com as hashtags e reafirme seu compromisso com a laicidade do Brasil.

#NãoEmMeuNome

#NãoEmNomeDeDeus

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As referências à religião e a Deus nos discursos de parte dos deputados que decidiram, no domingo (17), pela abertura de processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff incomodaram religiosos. Em defesa da separação entre a fé e a representação política, líderes de várias entidades criticaram as citações e disseram que os posicionamentos violam o Estado laico.

Durante a justificativa de voto, os parlamentares usaram a palavra "Deus" 59 vezes, quase o mesmo número de vezes que a palavra "corrupção", citada 65 vezes. Menções aos evangélicos aparecem dez vezes, enquanto a palavra "família" surgiu 136, de acordo com a transcrição dos discursos, no site da Câmara dos Deputados. A votação foi aberta pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, evangélico, com os dizeres: "Que Deus esteja protegendo esta Nação".

Para o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), composto pelas igrejas Evangélica de Confissão Luterana, Episcopal Anglicana do Brasil, Metodista e Católica, que havia se manifestado contra o impeachment, assim como a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ligada à Igreja Católica, as menções não surpreenderam. A presidenta da entidade, a pastora Romi Bencke, disse que as citações distorcem o sentido das religiões. "Não concordamos com essa relação complexa e complicada entre religião e política representativa", afirmou.

Segundo Romi, uma das preocupações dos cristãos é com o uso da religião para justificar posicionamento em questões controversas. A fé, esclareceu, pode contribuir, com uma cultura de paz, com a promoção do diálogo e com o fortalecimento das diversidades. Porém, advertiu, "Tem uma faceta de perpetuar violência", quando descontextualizada. "Infelizmente, vimos que os parlamentares que se pronunciaram em nome de Deus, ao longo do mandato, se manifestam contra mulheres, defendem a agenda do agronegócio e assim por diante. Nos preocupa bastante o fato de Deus ser invocado na defesa de pautas conservadoras – é ruim adjetivar, mas é a primeira palavra que me ocorre – e de serem colocadas citações bíblicas descontextualizadas. Não aceitamos isso e eu acho que é urgente refletir sobre o papel da religião na sociedade".

O teólogo Leonardo Boff, que já foi sacerdote da Igreja Católica, expoente da Teologia da Libertação no Brasil e hoje é escritor, também criticou o discurso religioso dos parlamentares que, na sua opinião, colocaram em segundo plano os motivos para o pedido de impeachment, as pedaladas fiscais e a abertura de créditos suplementares pelo governo de Dilma.

Golpe de 64

Em seu blog na internet, Boff disse que os argumentos apresentados se assemelharam aos da campanha da sociedade que culminou com o golpe militar em 1964, quando as marchas da religião, da família e de Deus contra a corrupção surgiram. Ele destacou o papel de parlamentares da bancada evangélica que usaram o nome de Deus inadequadamente.

"Dezenas de parlamentares da bancada evangélica fizeram claramente discursos de tom religioso e invocando o nome de Deus. E todos, sem exceção, votaram pelo impedimento. Poucas vezes se ofendeu tanto o segundo mandamento da lei de Deus que proíbe usar o santo nome de Deus em vão", afirmou. O teólogo também criticou aqueles que citaram suas famílias.

O Interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, entidade que reúne representantes de várias religiões, o babalawó Ivanir dos Santos, comentou que os deputados transformaram o que deveria ser uma decisão política, neutra, em um ato messiânico. "As pessoas têm tentado fazer uma atuação messiânica, voltada a uma orientação religiosa, que não leva em conta a diversidade da sociedade, ao justificar ações no Congresso Nacional", disse.

Ele alertou para os riscos de as convicções morais e religiosas, na política, serem usadas para atacar religiões com menos fiéis, como é o caso do candomblé e da umbanda.

"Parte das pessoas que falaram em Deus e religião, e que agora ganham mais força, persegue religiões de matriz africana", denunciou. "A nossa preocupação é com as casas irresponsavelmente associadas ao diabo e incendiadas, as de candomblé, e com a educação sobre a África e a cultura afro-brasileira, onde dizem que queremos ensinar macumba".

Budistas

Os budistas acreditam que os deputados misturaram religião e interesses particulares. O líder do Templo Hoshoji, no Rio, o monge Jyunsho Yoshikawa, se disse incomodado e lembrou que os representantes deveriam ter mais cuidado. "Não foi agradável ouvir os discursos em nome de Deus, como se representassem Deus e como se Deus estivesse falando ou decidindo", advertiu. "Religião e política não se misturam. Política envolve interesses pessoais".

O monge afirmou que, como seres humanos, os políticos são "imperfeitos", e lamentou que o Congresso seja uma pequena mostra disso ."É preciso olhar no espelho. Tudo que vimos é o que a sociedade é. Se teve citação despropositada de Deus, um xingando o outro de 'bicha', se teve cusparada ou defesa do regime militar é porque nossa sociedade é assim. Não adianta querer melhorar a política se nós não buscamos nos tornar pessoas melhores", disse Jyunsho, em relação ao episódio em que o deputado Jean Willys (PSOL) cuspiu em Jair Bolsonaro (PP).

Da mesma forma pensam ateus e agnósticos, aqueles que não acreditam em Deus ou qualquer outra divindade. O presidente da Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, Daniel Sottomaior, também questionou a postura de deputados, evangélicos principalmente. Para ele, a falta de compreensão sobre um Estado Laico, neutro, fere a liberdade da população.

Com informações da Agência Brasil