Alternativa mais viável para produzir alimentos livres de agrotóxicos e transgênicos para todos dentro de uma perspectiva de proteção ao meio ambiente e criação de emprego e renda para pequenos agricultores, a ciência agroecológica é ignorada pelos meios de comunicação. O agronegócio, baseado na monocultura em grandes extensões de terra, com uso intensivo de insumos químicos e biotecnológicos, tem 95% do espaço nos meios de comunicação. Já a agroecologia fica com apenas 5%.
 
Os dados são da pesquisa 'A Agroecologia e a Mídia', realizada na pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Depois de ter constatado que o tema é abordado principalmente em sites de organizações dedicadas ao estudo da agroecologia, a pesquisadora Raquel Lucena de Paiva analisou oito sites jornalísticos de maior representatividade ou audiência e outros com perfil que ela considera “contra-hegemônico”. O recorte teve como objetivo analisar os veículos que não segmentados por tema, para observar a representação da agroecologia junto ao público não especializado ou envolvido com o assunto.
 
Raquel pesquisou sites do Brasil de Fato, Carta Maior, Rede Brasil Atual (RBA), Século Diário, Folha de S.Paulo, O Globo, Gazeta Online e Estado de Minas.
 
“Ao comparar a frequência com que as palavras ‘agroecologia’ e ‘agronegócio’ foram citadas nos sites pesquisados, verifiquei que, do total aferido, 95% das matérias foram relativas ao agronegócio e apenas 5% à agroecologia”, disse.
 
De acordo com ela, que tem graduação em Jornalismo, o chamado jornalismo hegemônico dá voz aos agentes institucionais ligados aos governos, empresas e universidades, enquanto as fontes populares se fazem presentes em ações dispersas, dissociadas de movimentos sociais.
 
“As disputas relacionadas à ocupação do território agrícola ocorrem em diversas arenas, entre elas, as disputas discursivas observadas na mídia. A análise da representação da agroecologia pela mídia tem revelado que, ao lado da relativa invisibilidade, o tema ainda é tratado como alternativo e até exótico. A gente percebe também a subordinação do conceito à dimensão econômica”, disse Raquel.
 
Os veículos que mais produzem conteúdo sobre o tema, por ordem, são Brasil de Fato, Carta Maior, Rede Brasil Atual (RBA) e Século Diário, do Espírito Santo. Nos dois primeiros, predominam artigos assinados por estudiosos e militantes no tema. No quesito reportagens, o destaque ficou para a RBA.
 
Para a pesquisadora, a ação em rede entre os produtores de conteúdo positivo para o movimento agroecológico e o jornalismo contra-hegemônico, como o exercido pela RBA, têm contribuído para a propagação de conceitos “fora da bolha” de informações compostas por adeptos da agroecologia.
 
Raquel, que vai continuar a pesquisa, apresentou seu trabalho nesta terça-feira (12), numa agenda de múltiplos eventos em sua área, que reúne em Brasília, de hoje a sexta-feira, o 6º Congresso Latino-americano de Agroecologia, o 10º Congresso Brasileiro de Agroecologia e o 5º Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno.
 
Na solenidade de abertura, pela manhã, a agroecologia foi destacada como alternativa para produção de alimentos limpos para todos em uma perspectiva ambiental e de promoção da cidadania, mas também como espaço de resistência ao avanço de políticas que retiram os direitos dos trabalhadores e de populações tradicionais. O desafio é chegar ao grande público consumidor alcançado pelas mídias comerciais.
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: MDA
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No dia 27 de setembro, às 15h, a Cáritas Brasileira lança, no alto do Corcovado, a campanha mundial “Compartilhe a Viagem”, dedicada à sensibilização e à informação sobre imigração e refúgio. O Cristo Redentor, que sempre recebe a todos de braços abertos, foi escolhido para ser o embaixador da campanha por ser um ícone do acolhimento, já que a proposta para a mobilização social tem o objetivo de promover a cultura do encontro, para abrir espaços e oportunidades aos imigrantes junto às comunidades locais.
 
Segundo dom João José Costa, arcebispo de Aracaju (SE) e presidente da Cáritas Brasileira, o desejo é que em cada diocese, paróquia, comunidade, possa acontecer um momento de mobilização, de comunicação sobre o início da campanha. “Animamos à todos/as vocês a realizarem juntamente com as organizações parceiras, no dia 27 de setembro ou até o mês de dezembro de 2017, algum momento de lançamento da campanha na sua paróquia ou diocese”, diz o bispo em carta de lançamento da Campanha.
 
Com a iniciativa, a Cáritas deseja que essas pessoas se conheçam, troquem experiências, multipliquem saberes e compartilhem a vida de forma positiva. O Arcebispo Metropolitano da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta, representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), membros da Cáritas Brasileira e de entidades que atuam junto a imigrantes e refugiados são presenças confirmadas para a ocasião.
 
A campanha será lançada também pelo Papa Francisco, hoje pela manhã, durante a tradicional audiência geral de quarta-feira, quando o pontífice vai acolher imigrantes e ouvir suas histórias de vida. O Papa Francisco vem sendo o grande promotor da cultura do encontro, abraçada pela campanha.
 
Ele, que já havia expressado que considera a imigração forçada uma “tragédia humana”, nos ensina que “os imigrantes são nossos irmãos e irmãs em busca de uma vida melhor, longe da pobreza, da fome, da exploração e da injusta distribuição dos recursos do planeta, que devem ser compartilhados equitativamente por todos”.
 
Imigração e refúgio
 
É fato que existe uma crise migratória provocada pelas conjunturas política, econômica, social ou causada pelos fenômenos climáticos. É preciso dar um basta às diversas formas de violação dos direitos humanos que os imigrantes e refugiados sofrem.
 
Atualmente cerca de 230 milhões de pessoas atualmente vivem fora dos seus países de origem (migrantes internacionais). Segundo publicação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), no primeiro semestre de 2016, 3,2 milhões de pessoas foram forçadas a sair de seus locais de residência devido a conflitos ou a perseguições, das quais 1,5 milhão são refugiadas ou solicitantes de refúgio.
 
No Brasil, 9.552 pessoas, de 82 nacionalidades, já tiveram sua condição de refugiadas reconhecida. Desde o início do conflito na Síria, 3.772 pessoas desse país solicitaram refúgio em nosso País. Nos últimos meses há também um crescente número de solicitação de refúgio por cidadãos da Venezuela: apenas em 2016, 3.375 venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil, número que representa cerca de 33% das solicitações registradas no País no ano passado.
 
Para ajudar a impulsionar a campanha nas redes sociais basta o registro em foto de um gesto simbólico: braços abertos, como o Cristo Redentor, em sinal de acolhida aos imigrantes. A imagem deverá ser publicada no Facebook, no Twitter ou no Instagram, com as hashtags #sharejourney e #compartilheaviagem.
 
Sobre a Cáritas Brasileira
 
Com 60 anos de história no país, a Cáritas Brasileira é um organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que atua como uma rede solidária com mais de 15 mil agentes espalhados por todo o território nacional. É uma das 164 organizações membro da Rede Cáritas Internacional presentes no mundo.
 
Acesse aqui o Guia e outros materiais de divulgação da Campanha: www.caritas.org.br
 
Para mais informações, contate a assessoria de comunicação da Cáritas:
Jucelene Rocha – E-mail: comunicacao@caritas.org.br – Fone: (11) 98694-1616 / (61) 3322-0166)
 
Fonte: CNBB
Imagem: Divulgação
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O rabino Alon Goshen-Gottstein, fundador do Elijah Interfaith Institute e entusiasta do diálogo inter-religioso, propôs que judeus de todo mundo fizessem orações, na noite de Rosh Hashaná, ano novo judaico, em prol do povo Rohingya. A celebração judaica foi celebrada na última quarta-feira, 20 de agosto.
 
“Na noite de Rosh Hashaná”, afirmou o rabino, “oferecerei uma oração para tratar da mais recente crise causada pela falta de compaixão. Lembrarei um dos povos mais perseguidos da Terra. Não possuem um país para chamar de seu. Não podem viajar livremente, nem conseguem empregos. Agora, estão encarando uma perseguição tamanha que vem sendo descrita pelas organizações internacionais como ‘limpeza étnica’, muito próximo de um genocídio. Estou falando do povo Rohingya”.
 
“As semelhanças com a história judaica são evidentes. Em tempos em que rezamos para que a sabedora e a compaixão divinas espalhem-se pelo mundo, lembrar o destino de um povo que sofre muito daquilo que já sofremos é mais do que necessário. Oferecer-lhe orações é o mínimo que podemos fazer, enquanto rezamos para curar o mundo inteiro”, concluiu Gottstein. 
 
Leia a prece no Times of Israel.
 
Com informações da CONIB (Confederação Israelita do Brasil)
Foto: Christophe Archambault / AFP
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“As tragédias da história judaica ensinaram aos cristãos os perigos da hostilidade contra quem consideramos diferente, enquanto a Sagrada Escritura comum de judeus e cristãos fala muitas vezes e de forma eloquente do amor de Deus e da proteção ao estrangeiro.”
 
É o que escreve o secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Olav Fykse Tveit, na mensagem para a festa de Rosh Hashanah, ano novo judeu, que teve início, nesta quarta-feira (20/09), e se concluirá nesta sexta, 22.
 
Segundo o jornal da Santa Sé, L'Osservatore Romano, o texto ressalta que essa festa caiu num momento difícil para a paz e a convivência entre os povos. 
 
Está em andamento a ‘Semana Mundial da Paz’ promovida pelo CMI e o Rev. Tveit fez um convite em prol da colaboração entre judeus e cristãos para a paz na Palestina e Israel. 
 
A iniciativa do CMI vive, nesta quinta-feira (21/09), o seu momento central com a celebração do Dia mundial de oração pela paz. 
 
O evento solicita as instituições religiosas e homens de fé a promoverem gestos, orações e atividades em todo o mundo por uma solução pacífica do conflito israelense-palestino, convencidos de que reacender e alimentar o fogo da esperança por uma convivência pacífica e reconciliada na Terra Santa é sempre possível.
 
“A Semana Mundial da Paz é uma ocasião para recordar ao mundo o conflito ainda sem solução entre Palestina e Israel, e manifestar solidariedade às pessoas em busca da paz.” 
 
Dentre as iniciativas programas para a Semana Mundial da Paz que se concluirá no próximo domingo, 24, a abertura da mostra “Doze rostos de esperança”, no Centro Ecumênico de Genebra. A exposição recolhe testemunhos de pessoas que sofrem cotidianamente as consequências da experiência dramática do conflito. 
 
A mostra, que também faz parte de uma campanha pela paz e a justiça na Terra Santa lançada pelo CMI nas redes sociais, foi realizada, em Beit Sahour, na Palestina, em junho passado, por ocasião de um encontro que reuniu dezenas de líderes cristãos e representantes de organizações religiosas comprometidas com a paz. 
 
“Este ano, oferece uma série de oportunidades para evidenciar a situação trágica na Terra Santa e conscientizar a opinião pública sobre as injustiças e sofrimentos que as pessoas sofreram durante esses cinquenta anos”, disse a responsável pelas comunicações do CMI, Marianne Ejdersten.
 
“Poder ouvir expressões de esperança da parte de pessoas que vivem na própria pele o conflito é mais um incentivo a não resignar-se à guerra. Nesse sentido, a mostra se insere na peregrinação pela justiça e a paz, promovida pelo CMI”, ressaltou ela. 
 
A situação dramática e ainda sem solução do conflito que envolve os povos da Terra Santa foi também o cerne de um documento redigido, em junho passado, pelo comitê executivo do CMI há cinquenta anos da “Guerra dos seis dias”. O texto lamenta o falimento contínuo das partes na busca de uma paz justa.
 
Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Antony McAulay / Shutterstock
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Recém-chegados à Alemanha, sobretudo de Irã e Afeganistão, estão se convertendo do islã ao cristianismo, apesar dos riscos de virarem párias entre compatriotas. Conversão pode ser meio de evitar deportação.
 
Gottfried Martens, pastor da Igreja Protestante da Trindade em Berlim, já batizou 1.200 refugiados. Ele começou em 2008 com dois iranianos, que depois levaram um conhecido para também ser batizado. Ao longo dos anos, mais e mais imigrantes expressaram o desejo de mudar de religião.
 
Hoje, a congregação de Martens é bem conhecida em Berlim: centenas comparecem aos sermões, dados em alemão e persa. Os convertidos iranianos e afegãos são originalmente da fé islâmica. Muitos deles são recém-chegados que foram apresentados à congregação por outros cristãos convertidos.
 
"Muitos também estavam em congregações domiciliares privadas no Irã ou foram tocados pela fé cristã durante seu trajeto de fuga", conta Martens. "Tivemos que nos mudar para outra igreja, porque não havia espaço suficiente. O ponto alto foi quando a rota dos Bálcãs foi fechada."
 
Durante o auge da crise dos refugiados, no início de 2016, havia cerca de 250 participantes em cursos de pré-batismo na Igreja da Trindade. Geralmente, o pastor ensina somente a cerca de 30 pessoas por curso.
 
Certificado em três meses
 
Todos que Martens batizou são refugiados que falam persa ou algum dialeto da língua. "Para essas pessoas é muito importante que nossa congregação seja bilíngue", explica. Alguns deles estão à espera de uma decisão em seus processos de permanência na Alemanha, enquanto outros tiveram seus pedidos de refúgio rejeitados.
 
Eles passam três meses nos cursos preparatórios e, em seguida, passam por um teste no qual precisam dizer a Martens suas razões pessoais por trás da conversão. "Houve cerca de 300 pessoas que tivemos que rejeitar", disse.
 
A maioria dos membros convertidos da congregação vive em acomodações de refugiados. "Eles contam a outras pessoas de seus países sobre a congregação e, em seguida, novas pessoas chegam", lembra o pastor, para quem os refugiados são uma bênção. "Depois de tudo o que passaram, estou muito grato por eles confiarem em Deus e se juntarem à nossa congregação."
 
As chamadas igrejas nacionais, que incluem as igrejas católicas romanas e protestantes na Alemanha, também estão registrando um grande número de batismos. Embora as conversões não sejam registradas separadamente, "houve nos últimos anos um notável aumento nos batismos de refugiados", diz Carsten Split, da Igreja Evangélica na Alemanha (EKD).
 
O número de batismos protestantes de pessoas com mais de 14 anos aumentou de cerca de 17 mil em 2014 para 178.408 em 2015. O número de batismos em igrejas organizadas independentemente, como a Igreja da Trindade, não é registrado. A congregação pentecostal persa Alfa e Ômega em Hamburgo também é muito popular entre refugiados de origem iraniana e afegã. No dia da Ascensão do ano passado, o pastor Albert Babajan realizou um batismo público em massa de 80 refugiados no parque da cidade.
 
Riscos da conversão
 
A conversão em si, no entanto, traz muitos riscos. Os convertidos ao cristianismo estão expostos a hostilidades – no Irã e no Afeganistão enfrentam perseguição religiosa. Em alguns casos, eles podem ser punidos com a pena de morte. Nos últimos anos tem havido mais e mais relatos sobre convertidos sendo atacados na Alemanha. O pastor Martens diz que os convertidos já não podem viver em seus abrigos sem serem incomodados por outros.
 
"Atualmente, temos cinco pessoas que foram atacadas. Uma perdeu alguns dentes, e outra tem uma ferida que teve de ser suturada", afirma. As autoridades, de acordo com Martens, não reagiram. Ele diz que a maioria dos seguranças está do lado dos agressores, e mesmo que a polícia esteja envolvida "ela não olha a questão a fundo".
 
Alguns convertidos, afirma o pastor, saem escondidos das casas de refugiados para assistir aos cultos da igreja e escondem seus colares cristãos que receberam após o batismo. Um refugiado convertido que foi atacado e apresentou uma queixa, em seguida, recebeu dez queixas de outros moradores alegando que ele agrediu mulheres muçulmanas. As denúncias foram inventadas e serviram como uma forma de intimidá-lo.
 
A agressão contra convertidos não é algo novo, confirma o pastor, mas se tornou corriqueiro. Os ataques são realizados em parte por pessoas da mesma nacionalidade dos convertidos, mas também por "muçulmanos radicais de diferentes países". Embora ele saiba que a mudança de fé representa um perigo para os imigrantes, Martens segue com os batismos, assim como muitas outras igrejas na Alemanha.
 
Na imprensa alemã, há relatos de missionários promovendo conversões – inclusive dentro de apartamentos – como uma forma de os refugiados obterem melhores chances de ficar na Alemanha.
 
De acordo com a agência migratória alemã (Bamf), quando a conversão pode levar o refugiado a ser perseguido em seu país de origem, o caso tem de ser examinado mais a fundo.
 
"A conversão de um requerente de refúgio será considerada no pedido se for crível", disse o Bamf ao portal alemão Spiegel Online. As autoridades responsáveis no processo de permanência no país têm de julgar se a mudança de fé foi devido a convicções reais ou se foi feita por razões táticas. Alguns dos batizados pelo pastor Martens foram deportados.
 
Fonte: Deutsche Welle
Foto: Reprodução
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Durante as primeiras visitas, a delegação observou altos níveis de poluição agroquímica, diminuição dos recursos naturais, bem como impacto significativo sobre a saúde das comunidades tradicionais, resultado do monocultivo da soja.
 
A Caravana Matopiba, composta por especialistas em direitos humanos e desenvolvimento econômico e rural, avaliou que a grilagem de terras e a expansão das monoculturas de soja deixam um rastro de devastação ambiental generalizada, além de inúmeros impactos sociais nas comunidades da região.
 
Em todas as visitas, realizadas no período entre 6 a 11 de setembro, a Caravana testemunhou como o ambiente está danificado e o direito à alimentação, água e saúde das comunidades estão em risco.
 
A Caravana tem como objetivos verificar in loco os indícios de grilagem de terras por empresas nacionais e estrangeiras verificados em pesquisas prévias e as consequentes violações de direitos humanos decorrentes dessas grilagens. Um relatório preliminar com as recomendações serão partilhadas com as autoridades brasileiras, seguido por um relatório final até o final de 2017.
 
As histórias gravadas pela delegação nas comunidades de Melancias, Baixão Fechado, Sete Lagoas, Brejo das Meninas, Santa Fé, localizadas na região sul do estado do Piauí, são semelhantes. Os moradores sofrem com a diminuição do acesso à água, resultado do desmatamento e altos níveis de poluição por agrotóxicos que causam problemas graves de saúde. Segundo os relatos, o problema é desencadeado pela invasão de terras tradicionais por empresas, que não só muitas vezes falsificam títulos de terra, mas também são cúmplices de ameaças e intimidação contra as comunidades.
 
Líder da comunidade Melancias, o Sr. Juarez, disse aos observadores que os agrotóxicos usados nas plantações vão diretamente para o rio durante a estação chuvosa, o que torna impossível para eles usarem a água. Outra forma de contaminação por agrotóxicos relatada por Juarez vem por meio da pulverização de plantações com o uso de aviões. “Os agrotóxicos são trazidos para a comunidade pelo vento”. Todos este fatores, em conjunto com a seca recorrente, está levando ao agravamento das colheitas locais.
 
“Como plantar e colher se não tem água?”, relata uma das mulheres da comunidade de Brejo das Meninas, que prefere não ser identificada.
 
Intimidações
 
Um dos destaques da delegação internacional, é de que a presença de grandes produtores, grileiros e milícias pode ser sentida em toda a região. Os membros da comunidade são constantemente intimidados e forçados a deixar suas terras, que são vendidas por preços muito baixos. Um grande número de famílias locais acabam de se mudar para as favelas das grandes cidades onde eles são obrigados a viver à margem da sociedade. A delegação se deparou com o caso da comunidade de Sete Lagoas, que recentemente relatou 10 casos de intimidação contra uma empresa que organiza a ‘segurança’ para os grileiros. Apesar de uma decisão judicial em favor dos moradores, as ameaças continuam.
 
Audiências Públicas
 
Os depoimentos das comunidades e as observações e recomendações da Caravana Matopiba serão o tema de audiências públicas em Bom Jesus (PI), Teresina (PI)  e Brasília, realizadas nos dias 11, 13 e 14 de setembro, respectivamente. As audiências são realizadas em parceria com o Ministério Público Federal.
 
Fonte Fian
Foto: Rosilene Miliotti / FASE

 
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Milhares de pessoas participaram no último domingo (17) de um ato contra a intolerância religiosa, na Praia de Copacabana, na zona Sul da cidade no Rio de Janeiro. O ato, organizado pelas organizações não governamentais Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR) e Centro de Articulação de Populações Marginalizadas (Ceap), reuniu principalmente fiéis de religiões de matriz afro-brasileira, mas também representantes de igrejas cristãs, da comunidade judaica e de diferentes religiões (fé bahá'í, wicca, islamismo, espiritismo, budismo, hinduísmo, hare krishna, entre outras).
 
Esta foi a décima edição da Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, realizada poucos dias depois da divulgação de vídeos em que aparecem criminosos, supostamente cristãos, ameaçando lideranças de religiões afro-brasileiras e obrigando-os a destruir seus terreiros, localizados em comunidades carentes do Rio de Janeiro.
 
O babalawô Ivanir dos Santos lembrou que a primeira caminhada, em 2008, foi realizada justamente por causa de um episódio em que traficantes ameaçavam os terreiros em favelas controladas por eles.
 
“Nesse período, o que houve foi uma omissão [das autoridades]. Não houve nenhuma investigação para prender os responsáveis. Mas o importante é que a manifestação traz muita indignação, mas estamos pedindo paz. Somos um povo de paz, apesar de sermos agredidos nas ruas, nossas casas serem queimadas, nosso sagrado ser destruído, tudo o que pedimos é paz”, disse o líder religioso.
 
Para a pastora luterana luterana Lusmarina Campos, a atitude de cristãos que agridem ou ameaçam outras religiões não é cristã. “Essa não é a perspectiva de Cristo. Não é a perspectiva dos evangelhos. Jesus diz que temos que aprender a amar uns aos outros. A lei maior do Cristo é a lei do amor”, lembrou a pastora.
 
O secretário nacional de Políticas de Igualdade Racial, Juvenal Araújo, informou que o governo federal está acompanhando de perto os desdobramentos desses recentes casos de intolerância religiosa. Desde a última sexta-feira (15), ele se reuniu com o procurador-geral de Justiça do Rio, José Eduardo Gussem, e com representantes das secretarias estaduais de Segurança e Direitos Humanos.
 
Com informações da Agência Brasil
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
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NOTA DO FÓRUM PERMANENTE DE NEGRITUDE DA 
ALIANÇA DE BATISTAS DO BRASIL
 
A Aliança de Batistas do Brasil vem a público manifestar seu repúdio aos atos de intolerância religiosa que têm sido praticados contra lideranças de terreiros de matrizes africanas, ocorridos recentemente no estado do Rio de Janeiro, mas que sabemos se tratar de uma prática histórica e recorrente em todo o país. Repudiamos esses bárbaros atos não somente por que se configuram enquanto crimes de ódio, mas por que defendemos o respeito e a liberdade religiosa para todas as pessoas e, por isso, buscamos “Celebrar a diversidade da vida e da humanidade em todas as suas formas, respeitando as diferenças e promovendo o diálogo”, tal qual consta no estatuto que rege a nossa instituição.
 
Desse modo, ao defendermos e celebrarmos a diversidade da vida, para além do direito à liberdade religiosa, reconhecemos os terreiros de matrizes africanas, sobretudo, os terreiros de candomblé, como instituições seculares voltadas para a luta e a resistência do povo negro no Brasil, preservando um riquíssimo legado cultural que tem o seu valor historicamente invisibilizado devido ao racismo institucional e, mais especificamente, ao racismo religioso, consequência direta do criminoso sistema escravagista brasileiro. 
 
É também nosso dever reconhecer e denunciar que a perseguição e “demonização” dos cultos afro-brasileiros, outrora praticada pelo braço armado do Estado, a polícia, atualmente é orquestrada, incentivada e praticada, estrategicamente definida através de um projeto político de poder, por lideranças evangélicas de diferentes denominações, que se utilizam dos púlpitos, de canais de comunicação diversos e de assentos, principalmente, no poder legislativo, em âmbito, municipal, estadual e federal em diferentes regiões e com grande avanço pelo território brasileiro. Sim, são essas as pessoas que verdadeiramente têm as mãos sujas do sangue físico e simbólico derramado pelas pessoas adeptas das religiões afro-brasileiras. Nós, da Aliança de Batistas do Brasil, não coadunamos, sob hipótese alguma, com esses discursos criminosos!! 
 
Assim, nos irmanamos na dor, mas, também na luta com as pessoas que têm a sua prática religiosa firmada nos cultos de matrizes africanas e apelamos às instâncias governamentais por decisões contundentes, marcadas por ações que protejam de forma eficaz o direito dessas irmãs e irmãos realizarem seus cultos e práticas publicamente, reparando também, dessa maneira, danos históricos e atuais intencionalmente perpetrados contra o povo negro no Brasil.
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“Mesmo que eu tenha o dom da profecia, o saber de todos os mistérios e de todo o conhecimento,
mesmo que tenha a fé mais total, a que transporta montanhas, se me falta o amor, nada sou.”
(1 Co. 13.2b)
 
Na semana passada, acompanhamos pelas redes sociais e também jornais várias notícias sobre a destruição de terreiros, espaços sagrados para as religiões de matriz africana. De acordo com as informações, líderes religiosos dessas tradições foram forçados a destruir seus símbolos, identificados como “coisa do demônio”. As ações foram perpetradas por grupos armados com cassetetes e armas de fogo.
 
A responsabilidade pelos ataques foi creditada a chefes do tráfico de drogas que estariam vinculados a igrejas evangélicas. A pretexto de realizar uma “faxina espiritual” dos morros do Rio de Janeiro, recorreram a práticas de crime de intolerância religiosa para ampliar seu território, verdadeiro motivo de suas ações.
 
Para o CONIC, além de identificar e responsabilizar quem realiza tais atos de violência, é necessário que se realize uma profunda discussão sobre o papel da religião na sociedade brasileira. Como igrejas que dialogam ecumenicamente, não podemos aceitar nenhum tipo de intolerância e violência em nome da fé em Jesus Cristo. Cremos que essa fé nos conduz para o encontro com o outro, como fruto do amor ao próximo.
 
Não podemos ignorar que a perseguição contra comunidades religiosas afro-brasileiras se manifesta de diferentes maneiras. O relatório Direitos Humanos e Estado Laico da Plataforma de Direitos Humanos DHESCA (2016) aponta casos em que foram negados atendimentos na rede pública de saúde para pessoas que portavam o colar que identifica um Orixá. Crianças também têm sofrido discriminação nas escolas por causa da sua fé.
 
É lamentável que anos de pregação demonizando os adeptos da Umbanda e do Candomblé tenham produzido o pior dos mundos: a manifestação de um cristianismo leniente com o narcotráfico e agressivo contra os adeptos de outra religião. O fundamentalismo religioso não pode ser reconhecido como prática do Evangelho. Jesus nos desafia para a prática do amor e condena a promoção do ódio, conforme está escrito nos Evangelhos.
 
Assim sendo, nos colocamos ao lado do povo de terreiro para dizer não à intolerância. Reconhecemos que essas iniciativas criminosas não são coerentes com o Evangelho e violam a Constituição.
 
Queremos expressar a nossa solidariedade, o nosso amor fraternal e sororal a todas as comunidades religiosas afro-brasileiras, comprometendo-nos com a denúncia dos atos de intolerância, promovendo o diálogo para a superação dos preconceitos e reafirmando o estado laico como uma condição essencial para a promoção do respeito entre as religiões.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Foto: SRZD/Divulgação
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O sultão Hamengku Buwono tocou l'othok-othok (instrumento da tradição de Java) na abertura oficial da Jornada da Juventude Asiática, revelando bem o espírito do evento, que por uma semana reuniu, na cidade de Yogyakarta, na Indonésia, milhares de jovens de 22 nações do continente asiático.
 
O sultão, que é chefe civil e líder religioso da Província Yogyakarta, deu apoio ao encontro católico, cedendo gratuitamente um grande centro de convenções para receber os diversos eventos programados para a semana, como encontros, seminários, catequeses, performances teatrais e musicais, experiências de oração e reflexão, tudo girando em torno da multiculturalidade e da harmonia entre culturas e religiões diversas.
 
O foco da “JMJ asiática” – como é conhecida – é “Viver juntos o Evangelho na Ásia multicultural”. O evento foi realizado entre 30 de julho e 6 de agosto.
 
Exemplo de convivência em uma realidade multicultural
 
O arcebispo de Jacarta e presidente dos bispos indonésios, dom Ignazio Suharyo, falou ao Vatican Insider sobre a realidade multicultural do país.
 
“A Indonésia é um país por natureza pluralista e multicultural, com mais de 3 mil grupos étnicos e 11 mil línguas locais. O país, por meio de seus jovens, pode ensinar aos outros países asiáticos o pluralismo e a serena convivência entre homens e religiões. Os nossos jovens aqui oferecem um exemplo de unidade, encarnando a ‘unidade na diversidade’, que é o lema da Nação. Mas é uma abordagem que pode e deve ser exportada para todas as realidades asiáticas”.
 
Yogyakarta, em particular, é considerada como uma “micro-Indonésia”, pelo seu inato pluralismo cultural religioso. Tem mais de 60 universidades estatais e privadas, colégios e academias, recebendo jovens de todas as nações.
 
A cidade também é peculiar por ser a única província indonésia ainda governada por um sultão pré-colonial, que está à frente de uma espécie de mini-teocracia, desde quando seu pai, há cinquenta anos, contribuiu com a luta para a independência dos holandeses e mais tarde aceitou a fazer parte da República da Indonésia.
 
Jornada com profundo significado inter-religioso
 
Assim, esta cidade plural, fecunda em ideias e iniciativas multiculturais, recebeu a Jornada, com seus dois mil jovens, 52 bispos e três cardeais e 158 sacerdotes.
 
Neste interim, a JMJ asiática foi caracterizada por um profundo significado inter-religioso. No país com maior número de muçulmanos no mundo, de fato, os jovens muçulmanos também tomaram parte na programação e foram até mesmo envolvidos nos eventos pelo comitê organizador.
 
Apoio governamental
 
O governo não apenas cedeu o local que recebe os eventos, mas através do Ministério para os Assuntos Religiosos, o Ministério do Turismo e o Ministério para os Jovens e o Esporte, deu apoio financeiro e político.
 
Com informações da Rádio Vaticano
Foto: Reprodução
 
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