Entidades reagiram nesta terça-feira (7) à declaração do general Antonio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições de 2018, que disse que o Brasil herdou "indolência" da cultura indígena e "malandragem" do africano.
 
A declaração foi dada durante um evento em Caxias do Sul (RS).
 
"Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador de Caxias do Sul), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas", afirmou Mourão, em trecho gravado pelo jornal "Pioneiro".
 
Por meio de nota, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) disse que repudia veementemente a declaração do general, e que ela alimenta o racismo. Segundo a entidade, a fala é injusta, injuriosa e criminosa, e deve ser investigada pelo Ministério Público Federal.
 
"Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país", diz o CIMI na nota.
 
Também por meio de nota, a ONG Educafro disse estar preocupada com a visão "equivocada" da participação do povo negro na construção do Brasil. Para a ONG, a fala do general Mourão é "ofensiva" à comunidade negra.
 
Por telefone, a presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Cármeno Dora de Freitas, disse que a fala do general caracteriza apologia ao racismo.
 
General Mourão
 
Após a repercussão de sua fala, Mourão disse por telefone que foi mal interpretado e que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa.
 
Afirmou ainda que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que "o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas".
 
Em nota divulgada nesta terça, o candidato a vice-presidente disse que, ao dar a declaração, se baseou em "estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade" e que o contexto da fala foi o da "herança cultural".
 
"Esse contexto trouxe heranças positivas e negativas, sem distinção de cor e raça, para todos os brasileiros", concluiu.
 
Bolsonaro
 
Questionado por jornalistas no plenário da Câmara, nesta terça-feira (7), sobre as declarações de Mourão, Bolsonaro afirmou:
 
"A mãe dele [do Mourão] é índia. O que é indolência? Capacidade de perdoar, é isso? Funcionário, vê aí, funcionário, o que é indolência... Aquele que perdoa, não é isso?"
 
Indagado sobre a possibilidade de a fala de Mourão prejudicá-lo como candidato a presidente, Bolsonaro disse: "Eu respondo pelos meus atos e ele responde pelos dele".
 
Leia a íntegra da nota do CIMI:
 
Nota do Cimi Sobre Declarações do General Hamilton Mourão
 
O CIMI – Conselho Indigenista Missionário repudia veementemente as declarações injuriosas e injustas aos povos indígenas e à população negra do Brasil proferidas pelo candidato a vice-presidente da república, General Hamilton Mourão, nesta segunda-feira, 06 de agosto. Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país.
 
As afirmações do General Mourão corroboram a posição manifestada em diversas ocasiões pelo candidato Jair Bolsonaro, já denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por racismo. O Cimi encaminhará uma Representação ao Ministério Público Federal (MPF) no intuito que sejam adotadas as providências cabíveis para averiguação sobre possível prática criminosa resultante das declarações do General Hamilton Mourão.
 
Conselho Indigenista Missionário
Brasília, DF, 07 de agosto de 2018
 
Fonte: G1 / CIMI
Foto: Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo

 
O burburinho dentro da Igreja de São Paulo, em Margate, cidade litorânea a 130 km de Londres, parece mais com o de uma cafeteria em horário de pico do que com uma missa. As pessoas conversam descontraidamente na nave central, a área que vai da porta até o altar, mas não estão sentadas em fileiras como costuma ser em uma igreja. As cadeiras formam pequenos grupos, e os copos de café estão por todas as partes.
 
Este é mais um encontro do pioneiro projeto "Ignite" (do inglês, inflamar ou incendiar), que prega o Evangelho em reuniões descontraídas e interativas e que, após dez anos de existência, será replicado em outras nove paróquias como parte do plano de renovação e reforma da Igreja Anglicana, anunciado em julho.
 
No mundo, segundo a Comunhão Anglicana, são 85 milhões de seguidores em 165 países, incluindo o Brasil.
 
Com o novo e ambicioso plano, a instituição pretende inaugurar cem novas igrejas na Inglaterra. Somente na Diocese da Cantuária serão investidos 887 mil euros (cerca de R$ 3,8 milhões) em novas igrejas-café. "É uma abordagem diferente da igreja 'mainstream', porque normalmente você vem como um membro da congregação, as coisas já estão feitas de antemão e você responde. No 'Ignite' você consegue se envolver muito mais, fazer perguntas", detalha Debbie Ellisdon, uma das lideranças do projeto.
 
A cada reunião semanal, ela e o marido, o reverendo Patrick Ellisdon, recebem os participantes com café e uma refeição de cortesia. Cada um ganha uma etiqueta com nome, o que torna a abordagem mais próxima. São pessoas que vivem na região, uma das mais pobres do país. Algumas têm problemas com álcool, outras são moradoras de rua. 
 
Clique aqui e leia a matéria na íntegra.
 
Fonte: Uol
Foto: Reprodução

 
A prática de sacrificar animais para rituais é muito comum em algumas religiões. No entanto, este ritual realizado há milhares de anos poderá ter um fim sob a justificativa de que os animais são mortos de forma cruel. Para decidir a legalidade da sacralização – como é chamada a utilização de animais em celebrações religiosas, o Supremo Tribunal Federal (STF) realizará no dia 9 de agosto, em Brasília, o julgamento da ação interposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. Em todo o país, representantes de religiões de matriz afro criticam a proibição e alegam que se trata de preconceito e racismo contra um segmento. Na visão deles, o abate para fins de culto não fere a Declaração Universal dos Direitos dos Animais.
 
A candomblecista Raíssa Gomes explica que na sacralização são utilizados animais que fazem parte da cultura alimentar de matriz africana e também do Brasil, como galinha, caprinos e galinha d’angola, por exemplo. Segundo ela, há a utilização de animais porque eles estão inseridos na cultura alimentar. O ato de sacralização consiste em agradecer por aquele animal estar servindo ao consumo da comunidade e também dando sua energia vital (seu axé) para alimentar o axé daquela comunidade.
 
“Existe um erro comum de entender que os animais são mortos sem propósito e jogados fora, quando isso não é verdade. Muito dessa falta de conhecimento se deve ao racismo e ao fetiche criado em torno do candomblé, por ser uma religião de culto à ancestralidade africana e que chegou e se manteve até hoje com o esforço e dedicação de pessoas negras. Então, todo animal sacralizado tem suas partes utilizadas na alimentação da comunidade”, explica.
 
Raíssa esclarece ainda que, sobre o sofrimento animal, essa não é a preocupação de quem propõe essa proibição. “Senão, não teríamos, por exemplo, a grande indústria da carne, onde lá sim, os animais são assassinados brutalmente, sem qualquer respeito e compromisso com sua natureza, despreocupados com a origem do animal, mortos de qualquer maneira e levando muitas vezes ao desperdício, contaminação, etc. Proporcionalmente, a quantidade de animais abatidos no candomblé é muitíssimo inferior à quantidade animais que são abatidos e vendidos em frigoríficos e açougues mundo afora e essa não parece ser uma preocupação do estado”, chama atenção.
 
No candomblé, todo o ritual é pensado e executado de maneira a que aquele animal não sofra, pois é da carne que os religiosos irão se alimentar. “Em nossa visão, se alimentar de um produto de sofrimento é perpetuar esse sofrimento em nosso corpo, por isso não é oferecida uma galinha de frigorífico abatida para o orixá. Se todos voltássemos ao tempo em que ainda vivemos nos rituais do candomblé, e todo mundo tivesse suas galinhas no quintal, nosso consumo de carne e de outros alimentos seria mais consciente e conectado à natureza”, acredita.
 
Sobre animais que são vistos em vasilhas pelo meio da rua, Gomes assegura que isso não condiz com a religião que ela pratica. “O que oferecemos aos orixás é o que desejamos para nós. Oferecemos comidas, água, sementes, que simbolizam a prosperidade e o poder de cultivar o alimento, frutas, etc. O animal é uma parte importante deste culto, mas não é a única. O desconhecimento e o racismo é que fazem esse tipo de proibição ser cogitada e ninguém questionar os abatedouros e frigoríficos. E o peru de Natal, que é um animal oferecido em ritual religioso também? Mas ninguém julga violento, sofrimento animal, ou qualquer coisa do tipo um animal que muitas vezes nunca viu a luz do dia, ser alimentado 24 horas por dia, em tempo recorde para engordar rápido, morrer e ir para a mesa em um ritual religioso cristão. É para se pensar”, evidencia Raissa Gomes.
 
Em sua página na internet, a Fundação Cultural Palmares (FCP) se solidariza com os povos de terreiro em sua luta pelo reconhecimento legal de seus ritos sagrados. “Os povos de terreiro apresentam um forte envolvimento com a natureza e com a preservação do meio ambiente. A proibição do sacrifício tem sim sido mais usada como manifestação de intolerância religiosa e racismo, perseguindo-se as crenças de matriz africana, do que como uma preocupação real com os animais”, diz a Fundação.
 
Ação 
 
O recurso foi interposto pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul contra decisão do Tribunal de Justiça estadual (TJ-RS) que validou a Lei gaúcha 12.131/2004, que permite o sacrifício de animais destinados à alimentação nos cultos das religiões africanas.
 
Fonte: Jornal da Cidade (JC) / Grecy Andrade
Foto: Pixabay

 
"O tempo é o dom mais precioso que Deus nos concede todos os dias e devemos saber usá-lo. Os cristãos devem santificar o seu tempo".
 
Com um anúncio surpresa justamente nas redes sociais, o patriarca copta-ortodoxo Tawadros II decidiu cancelar seu perfil na página do facebook. A notícia foi divulgada pela mídia oficial egípcia.
 
Segundo o patriarca, "ocupar-se com mídias sociais é uma perda de tempo, tornou-se um desperdício de vida". E para isso - lê na mensagem publicada em árabe na página "Pope Tawadros II" - vou encerrar a minha página no facebook. Saúdo nossos irmãos, nossos filhos, aqueles que adotarem a mesma postura no respeito à decisão de minha Santa Igreja".
 
A notícia vem depois da morte em circunstâncias ainda ignoradas do bispo copta-ortodoxo Epiphanius, abade do Mosteiro de São Macário, o Grande (Dayr Abu Maqar), encontrado morto dentro do monastério na madrugada do último domingo. O religioso foi morto enquanto se dirigia para a capela para rezar o Ofício da manhã.
 
Um mês para contas serem enecerradas
 
Nos últimos dias, Tawadros convidou monges e freiras da Igreja Copta Ortodoxa, sem exceção, a encerrarem no prazo de um mês as contas pessoais e eventuais blogs por eles administrados nas redes sociais, como Facebook e Twitter.
 
Dentro desse prazo, eles terão que despedir-se destas formas de comunicação consideradas “impróprias para a vida monástica”, se não quiserem incorrer em penalidades canônicas.
 
É esta - informa o site do jornal "La Stampa" - a disposição destinada a provocar mais clamor entre as 12 regras ratificadas pelo patriarca Tawadros II, para todos aqueles que vivem no estado monástica na Igreja copta.
 
A morte violenta do Abade fez com que o patriarca acelerasse uma profunda reflexão e mudança de direção em relação a isto na Igreja Copta Ortodoxa.
 
As novas disposições para os monges coptas foram formuladas pelo Comitê para os mosteiros e a vida monástica do Sínodo copta, convocado pelo Patriarca e com a participação de dezenove bispos e superiores de mosteiros.
 
As medidas visam preservar a vida monástica em seu tradicional estado de condição afastado do frenesi mundano, marcado por momentos de oração, trabalho e silêncio. É por isso que é pedido aos monges para se retirarem das redes sociais.
 
Após as disposições ratificadas pelo patriarca, também outros membros da hierarquia copta, como o bispo Raphael, anunciaram o fechamento de suas contas pessoais e blogs.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução / ANSA

  
Nesta sexta, dia 3 de agosto, uma comitiva brasileira foi recebida pelo Papa Francisco, para entregar documentos denunciando violações de Direitos Humanos no país. O grupo esteve integrado por Marinete Silva, mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada em março deste ano e que ainda aguarda justiça; a jurista Carol Proner, que levou ao Papa os livros A Resistência Internacional ao Golpe de 2016 e Comentários a uma Sentença Anunciada - o Processo Lula; Paulo Sérgio Pinheiro, ex-ministro de Direitos Humanos e ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade; e a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia, pastora Cibele Kuss, representando o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), que entregou o documento Intolerância e Violência Religiosa no Brasil e a publicação Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora.
 
O documento Intolerância e Violência Religiosa no Brasil afirma que em um contexto de absoluta incerteza em relação aos rumos da democracia brasileira, o Brasil vive situações cada vez mais graves de violações de Direitos. “As perseguições à espiritualidade afro-brasileira e indígena, por meio da crescente destruição de Terreiros e de Casas de Reza, e o próprio assassinato de Marielle, são apenas alguns exemplos da violência que atravessa o país, em toda sua extensão, e isso precisa ser denunciado internacionalmente”, disse Cibele.
 
O fundamentalismo neo pentecostal e seu ultra-conservadorismo têm resultado em uma extrema violência cultural e simbólica, a partir do interesse em aumentar a “conversão” de mulheres e homens negros. “Templos da religião afro-brasileira são continuamente destruídos, lideranças religiosas são obrigadas a abandonarem suas casas, seus templos, e estão acontecendo assassinatos em ‘nome de Deus’”. 
 
O mesmo se passa em comunidades indígenas, como a dos Guarani Kaiowá, que, na tentativa de preservarem sua religião tradicional, têm sofrido varias formas de pressão, caracterizadas como intolerancia religiosa. “É uma política de genocidio”, afirmou Cibele. A submissão do Estado ao agronegócio mantém milhares de pessoas confinadas em reservas, nas quais a sobrevivencia física e cultural é insustentável. 
 
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT), juntamente com o CONIC e organizações parceiras, têm denunciado de forma contundente a situação. Uma das ações são as missões ecumênicas, realizadas desde 2015. A I Missão Ecumênica ocorreu no Mato Grosso do Sul, e desde então outros locais foram visitados, entre os quais Pau D´Arco, no Pará, e comunidades Kaingang e Guarani, no interior do Rio Grande do Sul. A participação é de representações de igrejas, organismos ecumênicos e inter-religiosos, organizações da sociedade civil e defensoras e defensores de direitos humanos.
 
Texto: Comunicação FLD
Foto: Reprodução

 
Uma nota divulgada este ano durante a 56ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizada em abril, em Aparecida (SP) demonstrou a preocupação da entidade com a atual situação do país em vista especialmente do período eleitoral que se aproxima, momento que de acordo com o texto serve para “garantir o fortalecimento da democracia e o exercício da cidadania da população brasileira”. A nota foi o pano de fundo para um programa especial sobre as eleições 2018 que chega à tela das emissoras católicas de televisão nos próximos dias.
 
O programa especial “Igreja no Brasil” mostra como as eleições têm sentido particularmente importante e promissor. Constituem-se, na atual conjuntura, um passo importante para que o país reafirme a normalidade democrática, supere a crise vigente, garanta a independência e a autonomia dos três poderes constitutivos – Executivo, Legislativo e Judiciário. A produção, de autoria da assessoria de imprensa da CNBB, é baseada em relatos de bispos e padres que procuram em suas falas conduzir a consciência e o coração tanto de candidatos quanto de eleitores para além de ideologias e interesses particulares.
 
Um dos entrevistados do programa é o arcebispo de Brasília e presidente da CNBB, cardeal Sergio da Rocha. Ele exorta a população brasileira a abandonar os caminhos de intolerância, do desânimo e do desencanto com a política. “Quem quer contribuir para a construção de uma sociedade justa, fraterna, pacífica não pode recorrer à violência ou à agressividade nas suas posições ou nas suas manifestações políticas”, afirma. O presidente da CNBB também alerta para o cuidado com as Fake News, presentes já nesse período eleitoral. “O Cristão deve sempre buscar a verdade, não se deixar levar por notícias falsas, por informações que muitas vezes acabam até destruindo as pessoas”, comenta.
 
A produção reúne ainda relatos sobre um cenário desolador: a corrupção. Segundo o arcebispo de Salvador e vice-presidente da CNBB, dom Murilo Krieger, o ato é um verdadeiro câncer social. “O que a gente nota é que com essa disseminação de notícias sobre a corrupção começou a nascer um descrédito do povo sobre a própria política, não só sobre os políticos, o que já é grave! E alguns grupos já começam até a pensar em um autoritarismo, num regime ditatorial, achando que com isso tudo será resolvido e a experiência e a história nos mostram que quanto maior é a força que um governo tem em pouco tempo, maior é a corrupção”, diz.
 
Com aproximadamente 20 minutos de duração, o especial “Eleições 2018: Compromisso e Esperança” também revela a atuação da Igreja no Brasil na formação política dos cristãos leigos e leigas. Um exemplo da ação social da Igreja neste sentido é o Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara – Cefep, um serviço que busca fomentar um pensamento social cristão e a formar lideranças inseridas na política no Brasil em diferentes formas e níveis, como é o caso das Escolas de Fé e Política. “Nós entendemos que o Curso de Fé e Política tem esse compromisso de ajudar a fazer as pessoas a entenderem que as transformações se dão na medida em que nós participamos de maneira consciente”, afirma o bispo de Juína e presidente do regional Oeste 2 da CNBB, dom Neri José Tondello.
 
A mudança não pode partir somente de ações da Igreja ou de pequenas iniciativas isoladas. O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner diz que é preciso que os políticos tomem consciência e, mais importante ainda, é que cada cidadão e cidadã acompanhe a política de perto. “A política é o bem comum, é o cuidado do bem comum, então nós que exercemos a nossa função cidadã, nós queremos também agir politicamente, isto é, queremos agir na justiça. Mas, especialmente aos políticos que tem como vocação a política, nós desejamos que tenham esse cuidado para termos um Brasil muito melhor, mais equilibrado, mais fraterno, mais espelho do Reino de Deus”, disse.
 
O programa “Igreja no Brasil” é da CNBB, com roteiro, edição e produção da equipe de assessoria de imprensa da entidade. Vai ao ar a partir do dia 15 de agosto, nas principais emissoras católicas de televisão: Rede Vida, Aparecida, Canção Nova, Evangelizar, Horizonte, Imaculada Conceição,  Nazaré, Século 21.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
O papa Francisco adotou uma medida histórica nesta quinta-feira, 2, ao modificar o Catecismo da Igreja Católica - guia para os católicos em vários assuntos, como sexo e sacramento - para declarar "inadmissível" a pena de morte e incluir um compromisso de luta contra ela em todo o mundo.
 
"A Igreja ensina, à luz do Evangelho, que a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e a dignidade da pessoa, e se compromete com determinação por sua abolição em todo o mundo", afirmou o pontífice em uma audiência concedida ao secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, Luis Ladaria Ferrer.
 
Com a medida, o pontífice modifica o artigo 2.267 do Catecismo, o livro que contém a explicação da doutrina da Igreja Católica. A modificação será explicada por meio de uma carta a todos os bispos, escrita pelo Ladaria.
 
O novo texto explica que "durante muito tempo o recurso à pena de morte por parte da autoridade legítima, depois do devido processo, foi considerado uma resposta apropriada à gravidade de alguns delitos e um meio admissível, embora extremo, para tutela do bem comum". 
 
Mas o novo artigo do Catecismo afirma que "hoje está cada vez mais viva a consciência de que a dignidade da pessoa não se perde nem sequer depois de ter cometido crimes muito graves". "Além disso, foram implementados sistemas de detenção mais eficazes, que garantem a necessária defesa dos cidadãos, mas que, ao mesmo tempo, não tiram do réu a possibilidade de redimir-se definitivamente."
 
O papa já havia se posicionado outras vezes contra a pena de morte, que, segundo ele, jamais se justifica, por mais atroz que seja o crime cometido. A atenção aos presos sempre foi um pilar de sua vocação sacerdotal. Em quase todos as suas viagens visitou penitenciárias para oferecer palavras de solidariedade e esperança e ainda mantém contato com um grupo de presos na Argentina a quem auxiliava quando era arcebispo de Buenos Aires.
 
Francisco anunciou sua intenção de modificar a posição da Igreja sobre a pena de morte em outubro, quando a publicação do Catecismo completou 25 anos. O texto, promulgado por João Paulo II, é um guia para os católicos em vários assuntos, desde os sacramentos até o sexo.
 
Na cerimônia do ano passado, Francisco já havia dito que a pena de morte é contrária ao Evangelho e equivale a tirar voluntariamente uma vida humana, que "sempre é sagrada aos olhos do criador". Também reconheceu que, no passado, este "recurso extremo e desumano" era admitido até nos Estados Papais. Mas disse que a Santa Sé se equivocou ao admitir uma mentalidade "mais legalista que cristã" e que agora reconhecia seu erro.
 
O texto oficial entrará em vigor, como preveem as normas, após a publicação pelo diário oficial L'Osservatore Romano e na Ata Apostólica Sedis. 
 
Como é ao redor do mundo
 
Em seu relatório divulgado em abril deste ano, a Anistia Internacional destacou que 106 países já haviam abolido a pena de morte na lei para todos os delitos e 142 tinham acabado com ela nas legislações ou na prática.
 
Também apontou redução nas execuções para 993 em 23 países - o que representa queda de 4% em relação a 2016 e de 39% em comparação com 2015, ano em que foram registradas 1.634 execuções, o número mais alto já anotado desde 1989.
 
A organização também constatou menos condenações à morte, um total de 2.591 em 53 países, "queda considerável" diante das 3.117 sentenças de 2016. No ano passado, havia pelo menos 21.919 pessoas em todo o mundo condenadas à pena de morte.
 
Com informações da AFP e EFE
Foto: Maurizio Brambatti / EFE

 
Realizou-se de 17 a 24 de julho passado em Kligenthal, na França, o último encontro da quinta fase de diálogo da Comissão luterano-católica de estudo sobre a unidade. Promovida pela Federação Luterana Mundial (FLM) e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, esta fase de diálogo foi completada após nove anos de trabalho.
 
Encontro dedicado à relação entre Batismo e comunhão eclesial
 
Baseando-se nos documentos precedentes acerca do Batismo, a Doutrina da Justificação, a Eucaristia, o ministério e a apostolicidade da Igreja, este último encontro foi dedicado à relação entre Batismo e comunhão eclesial. 
 
Superar a divisão da mesa eucarística
 
Uma pergunta que pede uma resposta a partir dos compromissos expressos pelo então presidente da Federação Luterana Mundial, Munib Younan, e pelo Papa Francisco na Suécia, em 2016 (foto acima), por ocasião da abertura dos 500 anos da Reforma, é a que diz respeito à "divisão" da mesa da Ceia do Senhor – sobretudo em referência aos casais interconfessionais.
 
O relatório será agora recebido pela Federação Luterana Mundial e pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e será publicado nos primeiros meses de 2019.
 
Comissão produziu documentos de grande relevância ecumênica
 
A Comissão luterano-católica – atualmente copresidida pelo bispo luterano finlandês Eero Huovinen e pelo bispo católico britânico William Kenney – foi instituída em 1967 e, ao longo dos anos, produziu documentos de grande relevância, como a “Declaração conjunta sobre a Doutrina da Justificação para a fé”, assinada em 31 de outubro de 1999 em Augsburg, na Alemanha, e “Do conflito à comunhão” de 2013 que definiu a possibilidade de uma celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma protestante.
 
Com informações da Vatican News
Foto: Reprodução

 
Após realizar uma visita espiritual ao Ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pastor Inácio vem sofrendo ataques de membros da IECLB, inclusive com abaixo-assinados com pesadas críticas à sua ação.
 
Considerando que o Ex-Presidente Lula é mantido em cárcere na condição de preso político, por conta de tramas de um judiciário corrompido e partidário aliado ao golpe vivido no país e observando os preceitos cristãos que: “escolher fazer o que é certo nem sempre é fácil, mas, é o melhor caminho” (Romanos 2: 6-8), o CEBI entende que a atitude de compaixão do Pastor Inácio é imprescindível neste momento delicado da história do Brasil, na qual o ódio e a ira se propagam como rastilho de pólvora, principalmente pelas mídias e redes sociais.
 
Pastor Inácio tem uma história de mais de quatro décadas de luta ao lado dos mais desfavorecidos da sociedade e trabalha na construção de um mundo mais justo e solidário. Merece todo apoio, pois, nada mais fez do que seguir sua fé em Jesus Cristo e agir de acordo com o Evangelho.
 
PS: A presente declaração foi emitida pela coordenação do CEBI-SC. A Direção Nacional do CEBI e a coordenação do Fórum de Igrejas e Organismos Ecumênicos do Brasil (FE-ACT) subscrevem a presente nota, manifestando seu total apoio ao Pastor Lemke e exigindo que se restabeleça a democracia no país.
 
Fonte: CEBI
Foto: Reprodução

 
Entrevista com Juliana Gonçalves, repórter do Brasil de Fato, e atuante na construção da Marcha de Mulheres Negras de São Paulo e da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA).
 
Como está o momento para as mulheres negras hoje?
 
A gente vive num momento obscuro, de falta de democracia, de recrudescimento do racismo, de retrocessos em políticas publicas. Aqui em São Paulo, por exemplo, a Casa da Mulher Brasileira*, que deveria inclusive, atender muitos casos de violência, e em termos de saúde integral da mulher, é um projeto que ficou parado, desde que o Dória assumiu. As políticas para as mulheres foram sucateadas e desmontadas.
 
Então, as violências não aparecem apenas nesse microcosmo de uma relação afetiva, doméstica. A violência transborda isso, e hoje vivemos violências vindas do estado. Quando nossos corpos não são respeitados, quando nos é negado o direito ao aborto legal e seguro, quando encarceram mais facilmente os corpos negros. E o encarceramento de mulheres subiu quase 400%, e delas sabe-se que 70% são mulheres negras. Então as violências são múltiplas, e muitas delas, são justamente, desmontes de políticas que poderiam nos tirar dessa situação de vulnerabilidade que vivemos hoje.
 
Porque é importante ter agendas nacionais como o Julho das Pretas?
 
São importantes em muitos níveis, e a gente considera, muitas vezes, em caráter pedagógico, porque vivemos em um país que nunca será o bastante falar sobre racismo, transfobia, lesbofobia, machismo.
 
Por exemplo, neste julho das pretas nós tivemos diversas atividades, no Brasil todo, rodas de conversa, festa com o jongo, Cordão Tereza de Benguela, saraus, e etc. Uma oportunidade de mulheres negras se encontrarem e se fortalecerem, colocando na agenda pública alguns temas específicos em relação à negritude, racismo e questões de gênero.
 
Nossa sociedade é estruturada de forma racista e patriarcal, e no Brasil, racismo e a questão de gênero estruturam o capitalismo. E a mulher negra está na base dessa pirâmide, se movimentando pra conseguir ter qualquer lugar nessa sociedade.
 
E essas atividades e conversas são importantes tanto com mulheres que já iniciaram na militância quanto com mulheres que estão começando a militar, porque precisamos colocar todo mundo no mesmo nível de compreensão. É preciso que nos fortaleçamos juntas primeiro para depois partirmos para o combate a essas estruturas discriminatórias que existem hoje.
 
O que você achou da criação do Dia Marielle Franco Contra o Genocídio da Mulher Negra, no Rio de Janeiro?
 
É claro que é muito simbólico criar esse dia contra o genocídio da mulher negra, mas nesse sentido acho que é bom pontuar que o genocídio é do povo negro. Infelizmente morrem homens e mulheres, vítimas da vulnerabilidade do lugar onde moram, vítimas da violência que é produto das desigualdades sociais. Então considero uma medida mais simbólica do que significativa.
 
É até contraditório pensar que na cidade onde tem o dia contra o genocídio da mulher negra é a cidade que passa por forte intervenção militar, federal, que sitia os moradores com a presença do exército. Pra mim isso também é genocídio.
 
A presença militarizada no Rio de Janeiro pelas UPPs e agora pela intervenção, são sintomas do genocídio que vivemos. Que esse dia não seja apenas um dia simbólico e que as estruturas de fato sejam movidas para o combate a esse genocídio.
 
Claro que a gente enquadra a morte da Marielle nesse genocídio, porque o corpo negro, feminino ou masculino é muito mais vulnerável a essas violências. É muito menos protegido pelo estado e pela sociedade como um todo. Quem se importa com a dor do corpo negro, né?
 
Então é importante que isso não seja só uma efeméride, mas que isso fundamente políticas públicas para o combate efetivo. O começo disso seria livrar as mulheres negras e a população dos morros da presença desses militares que sitiam a vida dessas pessoas.
 
*A Casa da Mulher Brasileira é um projeto do governo federal presente em algumas cidades, que integra em seus espaços serviços especializados para diversos tipos de violência contra as mulheres, acolhimento, triagem a alojamento, passando por apoio psicossocial, delegacia, Juizado, Ministério e Defensoria Públicos, promoção de autonomia econômica e cuidado das crianças. Em São Paulo, por conta de uma parceria, a administração é da prefeitura.
 
Fonte: Natália Blanco/ KOINONIA
Foto: Pixabay