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A Anistia Internacional afirmou neste domingo, 28 de outubro, reagindo à eleição de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão como presidente e vice-presidente do Brasil:
 
O presidente eleito fez campanha com uma agenda abertamente anti-direitos humanos e frequentemente fez declarações discriminatórias sobre diferentes grupos da sociedade. Sua eleição como presidente do Brasil representa um enorme risco para os povos indígenas e quilombolas, comunidades rurais tradicionais, pessoas LGBTI, jovens negros, mulheres, ativistas e organizações da sociedade civil, caso sua retórica seja transformada em política pública”, disse Erika Guevara-Rosas, Diretora da Anistia Internacional para as Américas.
 
As promessas de campanha de Bolsonaro incluem a flexibilização das leis de controle de armas e autorização prévia para policiais matarem em serviço. Essas propostas, se adotadas, agravariam o já terrível contexto de violência letal no Brasil, onde ocorrem 63 mil homicídios por ano, mais de 70% deles com armas de fogo, e onde a polícia comete cerca de 5 mil homicídios por ano, muitos dos quais são, na realidade, execuções extrajudiciais.
 
Além disso, Bolsonaro ameaçou os territórios de povos indígenas com a promessa de alterar os processos de demarcação de terras e autorizar grandes projetos de exploração de recursos naturais. Da mesma forma, também falou sobre flexibilizar os processos de licenciamento ambiental e criticou as agências de proteção ambiental do Brasil, colocando em risco o direito de todas as pessoas a um ambiente saudável.
 
Agora, com o processo eleitoral encerrado, enfrentamos o desafio de proteger os direitos humanos de todos no Brasil. A Anistia Internacional está ao lado de movimentos sociais, ONGs, ativistas e todos aqueles que defendem os direitos humanos, a fim de garantir que o futuro do Brasil traga mais direitos e menos repressão”, disse Erika Guevara-Rosas.
 
O Brasil tem uma das taxas de assassinatos de defensores e ativistas de direitos humanos mais altas do mundo, com dezenas de mortos todos os anos por defender os direitos que deveriam ser garantidos pelo Estado. Nesse contexto grave, as declarações do presidente eleito, sobre colocar um fim no ativismo e reprimir os movimentos sociais organizados, representam um alto risco aos direitos de liberdade de expressão e manifestação pacífica, garantidos pela legislação nacional e pelo direito internacional.
 
Bolsonaro e Mourão, ambos militares da reserva no Brasil, também defenderam publicamente crimes do Estado cometidos durante o antigo regime militar, incluindo a tortura. Isso aumenta a perspectiva de graves retrocessos em direitos humanos, desde o fim do regime militar e a adoção da Constituição Federal de 1988.
 
As instituições públicas brasileiras devem tomar medidas firmes e decisivas para proteger os direitos humanos e todos aqueles que defendem e se mobilizam pelos direitos no país. Essas instituições têm um papel fundamental a desempenhar na proteção do estado de direito e impedir que as propostas anunciadas se materializem”, afirmou Erika Guevara-Rosas.
 
A comunidade internacional permanecerá atenta para que o Estado brasileiro cumpra suas obrigações de proteger e garantir os direitos humanos.
 
Fonte: Anistia Internacional 
Foto: Reprodução / Beto Barata/PR

 
Se calarem a voz dos profetas, as pedras clamarão.” (Lucas 19:40)
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) manifesta total repúdio contra os recentes casos de cerceamento da liberdade de expressão ocorridos em universidades públicas e contra lideranças religiosas e defensores(as) dos direitos humanos.
 
Destacamos dois casos. O primeiro foi a ordem dada por uma juíza eleitoral determinando a retirada de uma faixa com os dizeres 'UFF Antifascista'. A faixa estava em um dos prédios da Universidade Federal Fluminense, estado do Rio, e precisou ser removida. Manifestar-se contra o fascismo é comprometer-se com as liberdades civis e com a democracia. Não aceitar totalitarismos é dever de todas as pessoas. O segundo caso foi a notificação recebida pelo bispo-auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, dom Limacêdo Antônio, pedindo que ele se abstenha de “fazer propaganda de qualquer natureza (direta ou indireta) em benefício de quaisquer dos candidatos em templos religiosos”. Em nota oficial, a Arquidiocese de Olinda e Recife afirma que em nenhum momento dom Limacêdo cita o nome de candidatos. Ainda de acordo com a nota da Arquidiocese, “durante toda sua homilia, dom Limacêdo defende os direitos humanos, o direito à vida e uma vida plena, segura e justa, livre de qualquer injustiça, conforme é ensinado no Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.”
 
Conclamamos que a sociedade brasileira, sobretudo as autoridades constituídas, mantenham o esforço e redobrem o comprometimento com a defesa da democracia e dos direitos fundamentais de todas as pessoas, tal como reza o Artigo 5° da Constituição Federal. 
 
Às lideranças religiosas, exortamos que assumam a sua missão de promover a paz, o diálogo e o amor, conforme os ensinamentos de Jesus Cristo. 
 
Quando luta e morte exercem seu selvagem domínio ao nosso redor,
então somos chamados para levar o testemunho do amor e da paz de Deus,
não só por palavra e pensamento, mas também pelas nossas ações.
(Carta circular para os pastores da Igreja Confessante - Alemanha, 20 de setembro de 1939)
 
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 

 
Dizendo-se “preocupado com uma onda de rancor e ódio, de intolerância e desprezo, de violência e agressões”, em relação ao segundo tudo das eleições presidenciais, o bispo da Diocese de Volta Redonda e Barra do Piraí e bispo referencial para o ecumenismo na CNBB, dom Francisco Biasin, divulgou uma carta na noite desta quinta-feira (26). 
 
Mensagem ao Povo de Deus
 
Nesta hora de profunda responsabilidade humana e social, como cidadão, cristão e bispo, dirijo-me, afetuosamente, aos discípulos e discípulas de Jesus, e a todos os homens e mulheres de boa vontade. Nos últimos tempos, sobretudo em ocasião do pleito eleitoral, fomos atingidos, como poucas vezes em nossa história nacional, por uma onda de rancor e ódio, de intolerância e desprezo, de violência e agressões.
 
Vivemos dias de apreensão pelo que pode tornar-se o nosso país se a tortura, a pena de morte, a discriminação, o ódio, o preconceito, as armas e outras propostas contrárias ao Reino alcançarem os mais altos postos da República! A vida toda e a totalidade da vida estão ameaçadas. Não faz parte da tradição cristã uma defesa parcial e seletiva da vida, que ignore pessoas e grupos humanos, que decida os que devem viver ou morrer, que faça da natureza objeto de escusas negociações. Diante desse cenário, não podemos ficar indiferentes. Do contrário, num futuro próximo nossos filhos e filhas pobres, negros, favelados, homoafetivos, atingidos pela dependência das drogas, mulheres, operários, agricultores, indígenas, refugiados e outros grupos humanos, marginalizados pelo preconceito e pela arrogância, poderão ser tragicamente atingidos.
 
Por isso não tenho dúvidas em afirmar que votar conscientemente em candidatos que comunguem e propaguem tal mentalidade, é trair o evangelho de Jesus Cristo e crucificá-lo outra vez na vida dos pobres, dos excluídos e das minorias. Tudo estará perdido com o totalitarismo. Mas, tudo é possível reconstruir na liberdade e na participação popular.
 
A importância e a seriedade, próprias do momento eleitoral em que nos encontramos, devem interpelar a todos os que cultivam o sonho indígena da "terra sem males" e o anseio quilombola de um mundo sem exclusões. No entanto, a beleza dos nossos sonhos e anseios está em perigo.
 
Resta-nos a missão de rogar e contribuir, por meio de um voto consciente, maduro, responsável e crítico, com a construção de uma nação que seja mãe acolhedora, que seja terra fértil e gentil, que seja "casa comum" onde convivam as diversidades, as pluralidades, os muitos "Brasis". "Venha o teu Reino".

 
A tortura tem o poder maléfico de destruir vidas, sonhos, dignidade e esperança. A prática da tortura é uma maldade reservada para os desumanos amantes da barbárie, para os que destilam ódio. A tortura pertence aos que não amam a vida, pertence aos que, através da história, se tornaram inimigos do Cristo. 
 
Seja física ou psicológica, a tortura no Brasil deixou suas marcas nos corpos e nas mentes de muita gente que lutou, e continua lutando, por justiça e pela reconstrução da frágil democracia brasileira. A história nos conta que muitos militantes corajosos não resistiram aos horrores desse período sombrio e morreram. Outros estão vivos para contar suas histórias.
 
Vejamos um pequeno trecho do depoimento de Amelinha Teles, vítima de Tortura pelo Coronel Ustra do Doi-Codi no período da ditadura militar inaugurada em 1964:
 
“Eu fui espancada por ele [Coronel Ustra] ainda no pátio do Doi-Codi. Ele me deu um safanão com as costas da mão, me jogando no chão, e gritando ‘sua terrorista’. E gritou de uma forma a chamar todos os demais agentes, também torturadores, a me agarrarem e me arrastarem para uma sala de tortura. “Ele levar meus filhos para uma sala, onde eu me encontrava na cadeira do dragão [instrumento de tortura utilizado na ditadura militar parecido com uma cadeira em que a pessoa era colocada sentada e tinha os pulsos amarrados e sofria choques em diversas com fios elétricos atados em diversas partes do corpo] , nua, vomitada, urinada, e ele leva meus filhos para dentro da sala? O que é isto? Para mim, foi a pior tortura que eu passei. Meus filhos tinham 5 e 4 anos. Foi a pior tortura que eu passei.”
 
Seja qual for o discurso que exalta torturadores, tal discurso classifica o indivíduo como inimigo declarado de Jesus Cristo. Isto porque Jesus foi vítima de uns dos piores métodos de tortura de sua época: a flagelação romana. Nesta forma de tortura, se chicoteavam os inimigos com brutal violência. Outra forma de tortura enfrentada por Jesus foi a crucificação, procedimento que cravava os pés e mãos na madeira, o que caracterizava uma forma de morte lenta e dolorosa.
 
Elogiar torturadores é torturar o Cristo novamente. É uma declaração desastrosa e desumana que caracteriza esses indivíduos como inimigos assassinos de Jesus, cooperadores de sua prisão, tortura e morte!
 
Os que hoje declaram abertamente o apoio ao candidato fascista, que tem como ídolo o coronel torturador Brilhante Ustra, negam o Cristo. Decidiram ficar do lado errado da história. Seguem pelo caminho mais sombrio de nossos dias, caminham de mãos dadas com o opressor.
 
Ao invés do amor, o ódio; ao invés da paz, a violência; ao invés da justiça, a opressão; ao invés da humanização, a barbárie entre o povo. O discurso fascista do candidato opressor encontrou terreno fértil em vários seguimentos religiosos do campo fundamentalista e neoconservador, campo que apoia a disseminação do ódio, da intolerância e do retorno da tortura. Como abutres famintos que rodeiam corpos, não estão preocupados com a matança dos índios, negros, camponeses, crianças, mulheres e LGBTQs. Querem mesmo é colaborar com o extermínio dos pobres, querem mesmo é a manutenção do poder e da glória para si.
 
Diante da conjuntura política e religiosa que vivemos hoje, o fascismo que estava escondido nos porões fétidos de nossa sociedade por décadas, agora revela-se de maneira brutal, marcada por horrores, violência e medo. O discurso de ódio do neofascismo, o apoio das elites brasileiras e de grande parte das lideranças religiosas demonstram a face obscura daqueles que sempre odiaram os pobres.
 
Contudo, segue a fé, a esperança e o amor! Segue a profecia, pois a utopia vive. Assim nos mostrou Jesus, que venceu a tortura e a morte. Em tempos de obscuridade, é preciso unir forças no poder e na direção do Espírito, na resistência e na luta pela vida, pela democracia, pela paz e pela justiça. Em tudo digo, vale a pena esperançar.
 
Texto: Marcos Aurélio dos Santos
Imagem: Pixabay

 
Na manhã desta quinta-feira (25), organizações da sociedade civil brasileira e internacionais enviaram um informe à Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) Michelle Bachelet e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA em que manifestam preocupação quanto à escalada de violência relacionada ao contexto das eleições presidenciais no Brasil e aos ataques feito pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL) aos movimentos sociais e ativismos.
 
“A expressão livre e plural está cerceada, gerando um clima de medo e intimidação. A violência tem tomado proporções preocupantes manifesta em discursos de ódio e ataques concretos, em sua maioria destinados a grupos minoritários (mulheres, população LGBTTI, população negra, povos indígenas, quilombolas e nordestinos/as)”, afirma o documento.
 
Além das denúncias de ameaças, agressões e assassinatos (foto acima: Romualdo Rosário da Costa foi morto a facadas, em Salvador, por motivação política), em decorrência de divergências de posicionamentos políticos, a maior parte promovida por apoiadores de Jair Bolsonaro, o informe discute como a disseminação de fake news e declarações as de Jair Bolsonaro e seus apoiadores contra o Estado democrático de direito põem em xeque a democracia brasileira e violam os compromissos de Direitos Humanos internacionalmente assumidos pelo Estado brasileiro.
 
O documento também apresenta um compilado de manifestações públicas do candidato do PSL que incentivam a violência, humilham minorias e legitimam práticas contrárias aos direitos humanos. Traz ainda declarações em que o político questiona a legitimidade das eleições e instituições brasileiras – afirmando que as urnas eletrônicas estariam sendo fraudadas por seu concorrente e que não se conformaria com resultado distinto de sua vitória, instaurando um clima de insegurança e medo.
 
Fake news
 
Outro ponto que se destaca no documento-denúncia é a difusão de notícias falsas e difamatórias no contexto eleitoral.  Para as organizações, as instituições brasileiras não têm respondido de forma diligente às denúncias referentes às declarações que violam direitos humanos, às agressões ocorridas por motivação política e à difusão de notícias falsas e difamatórias.
 
Pedidos
 
Como providências, são solicitados à ONU e à CIDH um pronunciamento público condenando a violência demonstrada nos diversos casos e um pedido de manifestação formal para que as instituições brasileiras garantam o direito à liberdade de associação e expressão política diante das ameaças ao Estado democrático de direito.
 
Foto: Reprodução

 
Como culminância de um processo de conversas apreciativas sobre a situação política e social do Brasil, CEBB se junta a outras instituições e lança carta aberta de valores.
 
Nos últimos dez dias, as sangas do CEBB de todo o Brasil têm promovido conversas apreciativas sobre a situação política do Brasil, buscando entender e aproveitar este momento para aprofundar nossa prática, individual e coletiva, do darma, bem como pensarmos juntos como podemos fazer para aliviar os sofrimentos e nos movermos gerando benefícios em todas as direções. As conversas culminaram em um encontro nacional das sangas, que produziu um documento-síntese com o título simbólico “Não temos inimigos”. Um ensinamento sobre como olhar a situação de forma profunda e lúcida, a partir da visão do darma.
 
No último domingo, o CEBB deu um passo além, convidando diversas entidades religiosas e civis, movimentos sociais, líderes indígenas e representantes do poder público, para uma conversa aberta para convergir e reafirmar valores humanos e ambientais, que devem ser lembrados entre nós e a quaisquer governantes que assumam o poder pelos próximos quatro anos. O resultado, que vai muito além das eleições, é o fortalecimento de redes de compaixão, entre movimentos que já estão engajados a um longo tempo, de forma que possam sonhar e agir em conjunto.
 
O primeiro resultado desta rede foi uma “Carta Aberta sobre Valores Humanos e Ambientais no Brasil”, assinada por diversas instituições e que sintetiza o pensamento que queremos reforçar. Nas palavras do Lama Samten: “É muito importante entender que estabelecemos uma rede de ação permanente que na nossa visão, segue diretamente a inspiração de construção das terras puras, auto organização e reencantamento. Nossas ações em rede buscarão desenvolver as visões amplas, valores elevados e ações compassivas naturalmente presentes em cada organização.”
 
Segue abaixo o texto completo da carta. 
 
Carta Aberta sobre Valores Humanos e Ambientais no Brasil
 
Em 21 de Outubro de 2018, o Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB), na sua sede em Viamão, Rio Grande do Sul, convidou representantes de diferentes organizações religiosas, movimentos sociais, entidades não governamentais, representantes do poder público, lideranças indígenas e pessoas em geral, com a presença de cerca de 100 pessoas no local e 200 acompanhando virtualmente, para uma conversa aberta sobre a promoção dos valores humanos e ambientais no contexto político e social atual.
 
Acreditamos que, especialmente em tempos de acirramentos e tensões, é importante enfatizarmos a continuidade de diálogos abertos entre diferentes pessoas e setores da sociedade, a fim de constituir terreno comum entre as diferentes visões religiosas e não religiosas, filosóficas, científicas, políticas e sociais, que nos guiem à ação a partir de valores e princípios elevados. No movimento do CEBB, esse encontro constitui mais um capítulo de encontros abertos sobre cultura de paz, saúde, educação, auto organização, reencantamento e redes, que acontecem aqui desde o ano 2000.
 
A partir das conversas neste dia, convergimos em alguns valores fundamentais que acreditamos ser importante retomar e sustentar neste momento. Eles podem ser sumarizados nos seguintes pontos:
 
1. Vida humana sustentável e preciosa. Bem-estar físico, emocional e social. Redes humanas assentadas em compaixão, pacificação, valorização, respeito e lucidez.
2. Cultura de paz, em todos os níveis e em todos os lugares. Nos opomos a posturas autoritárias, sectárias, armamentistas e violentas nas disputas políticas e no convívio social. Que não seja uma paz de conivência silenciadora, mas a paz que nos permite falar e ouvir com abertura e interesse. Nos opomos a visões e não a pessoas; não temos inimigos.
3. Justiça social e liberdade. Acesso amplo às condições básicas (físicas, emocionais e sociais) de apoio à vida: infra-estrutura básica; alimentação de qualidade; saúde integrada e preventiva; segurança física e emocional; justiça ampla e restaurativa; educação que inclua o livre pensar, o respeito à diversidade, o mundo interno e as emoções; liberdade de movimento, pensamento e expressão.
4. Movimentos não sectários. Valorização das diferentes culturas e expressões que compõem nossa sociedade, incluindo os povos tradicionais, as expressões e modos de vida de matriz africana, as diferentes culturas e religiões, as mulheres, as diferentes expressões de gênero, sexualidade e afeto. Uma postura que vá além da tolerância: que inclua generosidade, respeito e um interesse genuíno por todos os humanos.
5. Proteção, apreciação e reconexão com o meio ambiente, a partir da consciência da interdependência entre toda a vida na Terra e da compreensão dos impactos de nossos movimentos nos diferentes grupos humanos, nos animais e vegetais, na terra, nas águas e na atmosfera. Socio-bio-diversidade; proteção dos ecossistemas; defesa de práticas agrícolas familiares, saudáveis, orgânicas, integradas ao meio ambiente e às culturas tradicionais.
6. Auto-organização e redes. Favorecimento da formação de redes baseadas em solidariedade, apoio mútuo e visões não sectárias de coletividade. Construção de espaços múltiplos de diálogo, de associações comunitárias, de fomento de projeto e de ações construídas coletivamente de forma horizontal e descentralizada.
7. Democracia participativa: participação mais ampla da sociedade em conselhos municipais, estaduais e federais. Comunicação pública mais ampla e transparente entre governos e sociedade civil. Mais espaços de abertura para que a inteligência das diferentes redes possa se traduzir em políticas públicas responsáveis e efetivas.
 
Fazemos coro a diversas outras instituições que, neste momento de acirramento político e de disputa eleitoral, relembram compromissos e aspectos que deveriam estar presentes em quaisquer grupos que governem o país e os estados pelos próximos anos. Acreditamos que os candidatos deveriam esclarecer suas posições diante desses valores humanos, sociais e ambientais, bem como suas proposições, metas concretas e indicadores que planejam para seus governos. Para além disso, reafirmamos nosso esforço contínuo, individual e em rede, para que a manifestação desses valores e princípios sejam ampliados e consolidados em nosso tecido social.
 
Viamão, 21 de Outubro de 2018
 
 
Subscrevem este documento:
 
Centro de Estudos Budistas Bodisatva (CEBB)
Instituto Caminho do Meio (ICM)
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
Fórum Nacional Permanente do Ensino Religioso (FONAPER)
Instituto de Estudos da Religião (ISER)
Iniciativa das Religiões Unidas (URI)
Observatório Transdisciplinar das Religiões de Recife
Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (AGAPAN)
Via Zen — Associação Zen-budista do Rio Grande do Sul
Instituto ZEN Maitreya
Tekoá Anhetenguá (Guarani)
Assentamento Filhos de Sepé:
Grupo ‘Mulheres da Terra’,
Grupos de Certificação Orgânica ‘Vandana Shiva’ e ‘Adão Pretto’
 
Fonte: CEBB
Foto: Reprodução

 
Reunidos entre os dias 23 e 24 de outubro na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF), os bispos que integram o Conselho Episcopal Pastoral (CONSEP) da entidade emitiram uma Nota sobre o segundo turno das Eleições 2018. No documento, os bispos reforçam que as eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social.  Os bispos exortam a que se deponham as armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Abaixo, a íntegra do documento.
 
NOTA DA CNBB
 
Por ocasião do segundo turno das eleições de 2018
 
Jesus Cristo é a nossa paz! (cf. Ef 2,14)
 
O Brasil volta às urnas para eleger seu novo presidente e, em alguns Estados e no Distrito Federal, seu governador. Fiel à sua missão evangelizadora, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de seu Conselho Episcopal Pastoral (Consep), reunido em Brasília-DF, nos dias 23 e 24 de outubro, vem ratificar sua posição e orientações a respeito deste importante momento para o País.
 
Eleições são ocasião de exercício da democracia que requer dos candidatos propostas e projetos que apontem para a construção de uma sociedade em que reinem a justiça e a paz social. Cabe à população julgar, na liberdade de sua consciência, o projeto que melhor responda aos princípios do bem comum, da dignidade da pessoa humana, do combate à sonegação e à corrupção, do respeito às instituições do Estado democrático de direito e da observância da Constituição Federal.
 
Na missão de pastores e profetas, nós, bispos católicos, ao assumirmos posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, o fazemos, não por ideologia, mas por exigência do Evangelho que nos manda amar e servir a todos, preferencialmente aos pobres. Por isso, “a Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada” (CNBB – Mensagem ao Povo de Deus – 19 de abril de 2018). Inúmeros são os testemunhos de bispos que, na história do país, se doaram e se doam no serviço da Igreja em favor de uma sociedade democrática, justa e fraterna.
 
A CNBB reafirma seu compromisso, sobretudo através do diálogo, de colaborar na busca do bem comum com as instituições sociais e aqueles que, respaldados pelo voto popular, forem eleitos para governar o País.
 
Exortamos a que se deponham armas de ódio e de vingança que têm gerado um clima de violência, estimulado por notícias falsas, discursos e posturas radicais, que colocam em risco as bases democráticas da sociedade brasileira. Toda atitude que incita à divisão, à discriminação, à intolerância e à violência, deve ser superada. Revistamo-nos, portanto, do amor e da reconciliação, e trilhemos o caminho da paz!
 
Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, invocamos a bênção de Deus para o povo brasileiro.
 
Brasília-DF, 24 de outubro de 2018
 
Dom Murilo S. R. Krieger
Arcebispo de São Salvador
Presidente da CNBB em exercício
 
Dom Guilherme Antônio Werlang
Bispo de Lajes
Vice-Presidente da CNBB em exercício
 
Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBB
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
Desde 23 de maio, Dom Sergio de Deus Borges, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Região Santana, também exerce a missão de Administrador Apostólico da Eparquia Greco-Melquita Nossa Senhora do Paraíso, cuja sede está localizada na Capital Paulista. Ele foi nomeado pelo Papa Francisco após a transferência do então Eparca, Dom Joseph Gébara, para a Arquieparquia de Petra e Filadélfia, na Jordânia. A principal tarefa de Dom Sergio é ajudar o clero e os fiéis na revitalização pastoral e administrativa da Eparquia até que seja nomeado um novo Eparca.
 
Instituída em 26 de maio de 1972, pelo Beato Paulo VI, essa Eparquia é uma circunscrição eclesiástica de rito oriental, equivalente a uma diocese, cujo território abrange todo o Brasil. Sua missão é acompanhar e reunir os fiéis de origem sírio- -libanesa e seus descendentes que vivem no Brasil e desejam cultivar suas raízes e identidade culturais. 
 
IGREJA ORIENTAL
 
Para entender melhor o que é Igreja Católica Greco-Melquita, é preciso saber que ela é uma das 24 igrejas autônomas que constituem a Igreja Católica no mundo, em plena comunhão com o Romano Pontífice, o Papa. 
 
A maior e mais conhecida delas é a ocidental, a Igreja Católica Apostólica Romana, também chamada de Igreja Latina, de rito romano. As demais têm sua origem no Oriente Médio e seguem os diversos ritos orientais. 
 
Todas as 24 igrejas são sui iuris, isto é, autônomas para legislar a respeito de seu rito e da sua disciplina, com exceção às matérias dogmáticas, que são universais e comuns a todas e garantem a unidade de fé, formando uma única Igreja Católica sob o pastoreio do Santo Padre que a todas preside na caridade.
 
Internamente, as igrejas orientais são governadas por um patriarca ou arcebispo-maior e por seu sínodo que o elege e submete seu nome à aprovação do Papa. No caso da Igreja Greco-Melquita, o atual Patriarca é Youssef I Absi, eleito em 21 de junho de 2017. 
 
HISTÓRIA
 
Criada em Antioquia, a Igreja Greco- -Melquita é a mais antiga Igreja enquanto instituição no mundo e é a única entre as orientais que não é uma Igreja nacional, pois seu patriarcado envolve três sés apostólicas: Antioquia, Jerusalém e Alexandria. 
 
O nome Melquita vem de mèlek, que é a raiz siríaca para palavras como “rei”, “real” e “reino”. Isso se deve ao fato de todos aqueles que ficaram ao lado do imperador bizantino Marciano no Concílio de Calcedônia, no ano 451, defendendo a fé nas duas naturezas de Cristo, terem sido apelidados de “reais” pelos monofisistas, aqueles que não aceitaram esse dogma. 
 
Já o termo “greco” é atribuído ao idioma oficial do Império Romano, falado pela maioria dos cristãos. Isso também influenciou o rito adotado pelos Melquitas, conhecido como bizantino, cuja Divina Liturgia foi escrita por São João Crisóstomo e São Basílio de Cesareia. Atualmente, o idioma oficial da liturgia do melquitas é o Árabe, mas também há orações em Grego e no idioma do país onde se celebra a liturgia, no caso do Brasil, o Português. 
 
CATÓLICA
 
Embora tenham os mesmos ritos e origens, a Igreja Greco-Melquita é plenamente católica, enquanto que sua “igreja irmã”, a Ortodoxa Antioquina, está separada da comunhão com Roma e possui hierarquia própria. 
 
A origem dessa história remete aos séculos IV e V, quando as cinco primeiras Igrejas apostólicas receberam o título de patriarcados, dando origem à chamada pentarquia: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém. Na pentarquia, o Bispo de Roma, sucessor de São Pedro, tinha o primado de honra entre os demais patriarcas, sendo o primus inter pares (o primeiro entre os iguais) na ordem de precedência das Igrejas.
 
Em 1054, aconteceu o famoso “Grande Cisma” entre as igrejas do Ocidente e do Oriente, resultante de um longo processo motivado por questões políticas, culturais, eclesiásticas e doutrinais. Assim, as Igrejas dos quatro patriarcados orientais que se separaram denominaram-se ortodoxas. Apesar do Cisma, muitas comunidades orientais não manifestaram total rompimento com Roma, embora o Patriarcado de Constantinopla, que passou a ter o primado de honra entre os ortodoxos, exercia uma forte influência sobre as igrejas do Oriente para manterem-se separadas do Ocidente. 
 
Em 1724, após a morte do Patriarca de Antioquia Atanásio III Dabbas, foi eleito o Patriarca Cirilo Tanás, que era favorável à comunhão com Roma. Em oposição a essa eleição, o Patriarca de Constantinopla nomeou um patriarca com posicionamento contrário à comunhão, Silvestre, o que originou duas linhas de sucessão patriarcal: a católica e a ortodoxa. Esse movimento de união dos Melquitas com à Sé de Pedro foi bastante motivado pela presença dos missionários católicos europeus – jesuítas, franciscanos, capuchinhos e carmelitas – na região. 
 
NO BRASIL
 
Os primeiros cristãos greco-melquitas imigraram para o Brasil entre os anos de 1869 e 1890, e foram genericamente chamados de “turcos”, pelo fato de seus passaportes terem sido fornecidos pelo Império Otomano. Com o crescimento dos imigrantes, a Igreja Católica Greco- -Melquita começou a se preocupar com os seus fiéis na diáspora e, em 1939, enviou ao Rio de Janeiro seu o primeiro Pároco, o Arquimandrita (equivalente a Monsenhor) sírio Elias Couéter, que, durante muitos anos, foi o único sacerdote melquita no País. 
 
Em 1946, Dom Jaime de Barros Câmara, então Arcebispo do Rio de Janeiro, erigiu a primeira paróquia Greco-Melquita do Brasil, dedicada a São Basílio. Depois de o Patriarca Maximos IV insistir junto à Santa Sé para que existisse uma disciplina eclesiástica adequada para a sua Igreja na diáspora, em 1951, o Papa Pio XII instituiu um Ordinariado para os fiéis católicos de rito orientais no Brasil, tendo como Ordinário Dom Jaime Câmara, que nomeou o Arquimandrita Couéter como Vigário-Geral para os Greco-Melquitas, função que exerceu até ser nomeado, em 1972, bispo e primeiro Eparca da recém- -criada Eparquia Nossa Senhora do Paraíso, cuja sede foi fixada na paróquia de mesmo nome, elevada a catedral, no bairro do Paraíso. 
 
‘A NOSSA EPARQUIA NÃO PODE DEIXAR DE EXISTIR´
 
Com a transferência de Dom Gébara, quinto Eparca melquita no Brasil, e sem contar com um Colégio de Consultores para eleger um Administrador Eparquial dentre seus padres até a nomeação de um novo pastor, a Santa Sé nomeou Dom Sergio para acompanhar essa comunidade oriental e ajudar a organizá-la.
 
“A Igreja Greco-Mequita tem uma tradição litúrgica e pastoral muito rica e bela que eu não conhecia. Mergulhar neste modo de ser Igreja está sendo uma riqueza para mim, porque estou tendo a oportunidade de conhecer e viver uma perspectiva nova na compreensão e vivência da Divina Liturgia, da pastoral e da relação entre os leigos e o clero. Também levo para a Eparquia nossa experiência pastoral, estruturas de governo da Igreja e os caminhos de corresponsabilidade entre os leigos e o clero em vista da evangelização e da vivência da fé na realidade do Brasil”, afirmou Dom Sergio ao O SÃO PAULO. 
 
Desde que assumiu a função, Dom Sergio começou a se reunir com o clero e com os fiéis de São Paulo e das outras paróquias para entender mais a situação. Além da Catedral, a Eparquia tem paróquias no Rio de Janeiro, Juiz de Fora (MG), Fortaleza (CE) e Taubaté (SP). 
 
A primeira grande medida foi a constituição do Colégio de Consultores e do Conselho de Assuntos Econômicos do governo da Eparquia. Foram nomeados: Monsenhor Joaquim José Stein, Chanceler; Philip Fouad Louka, Vigário Geral Delegado; e Padre Ziad Alkhoury, Ecônomo. 
 
O Administrador Apostólico também se reuniu com o Conselho Greco-Melquita, entidade constituída de fiéis leigos responsável pela gestão do patrimônio da Eparquia. Ao contrário do que acontece nas dioceses latinas, o patrimônio da Eparquia, inclusive os templos, não está em nome da Igreja, mas desse conselho. “Estamos dialogando em vista de uma parceria mais proativa em favor da Comunidade Greco-Melquita”, afirmou Dom Sergio. 
 
MANTER VIVA A CULTURA
 
Nascido na Síria, Padre Ziad está há 15 anos no Brasil. Ele descreveu que o grande desafio pastoral da Eparquia é ir ao encontro dos fiéis que estão dispersos pelo País. “Hoje existe um grande número de fiéis de origem sírio-libanesa no Brasil, mas nem todos eles moram próximos das nossas igrejas. Muitos acabam se adaptando às igrejas latinas próximas de suas casas, uma vez que são católicos. No entanto, nas grandes festas, como Natal e Páscoa, essas pessoas vêm participar de nossas celebrações, pois sentem saudade das liturgias”, relatou. 
 
Por essas razões, os greco-melquitas não conseguem contabilizar quantos fiéis existem hoje na Eparquia. “Em São Paulo, que é uma cidade imensa, nós temos apenas a nossa catedral. Isso dificulta que eles participem das nossas celebrações”, completou o Padre. 
 
Há, ainda, a procura por fiéis latinos interessados em conhecer o rito bizantino e participar das liturgias, sobretudo durante a semana. Por se tratar de uma Igreja Católica, não há necessidade de alguma licença ou autorização para participar de um rito oriental. Contudo, quando procurados por pessoas que desejam “mudar de rito”, os padres melquitas a orientam a permanecer em sua tradição. “A pessoa pode participar do rito bizantino e continuar fiel na sua Igreja de origem”, explicou Padre Ziad.
 
ACOLHIDA AOS IRMÃOS
 
Nos últimos anos, a Igreja Greco-Melquita no Brasil tem vivido uma nova experiência migratória causada pela guerra civil na Síria. “Nós abrimos a nossa casa e recebemos aproximadamente 40 famílias da Síria. Muitas dessas pessoas chegaram ao aeroporto, não sabiam para onde ir, se informaram sobre o nome da Igreja e chegaram aqui”, informou o Padre Ziad. 
 
Essas famílias recebiam hospedagem até conseguirem se adaptar ao idioma, encontrar moradia e emprego. A Eparquia também promoveu uma campanha de doações de roupas e alimentos para esses e outros migrantes sírios. 
 
Experiências como a da acolhida dos migrantes sírios justificam a permanência da Igreja Greco-Melquita no Brasil, pois sua principal missão é manter viva a fé, a cultura e a identidade de um povo que deixou sua terra em busca de uma vida melhor. 
 
“A nossa Eparquia não pode deixar de existir, não podemos fechá-la, pois ela não é só nossa. Temos que nos empenhar para deixar uma herança para aqueles que virão e darão continuidade a essa missão”, enfatizou Padre Ziad. Ele reconheceu que a Eparquia não cresceu, mas estagnou-se e não acompanhou o ritmo do crescimento e expansão de seus fiéis pelo País. “Nosso desafio é ir ao encontro desses irmãos”, completou.
 
Padre Ziad afirmou que Dom Sergio tem feito uma “revolução” na Eparquia. “Ele está sendo muito bem quisto pela comunidade. As pessoas até comentam que gostariam que ele fique conosco. É uma pessoa simpática, humilde e muito próxima”. 
 
A acolhida também foi sentida por Dom Sergio. “Chamou-me a atenção e me comoveu a atitude de acolhida por parte da Comunidade Melquita. Quando eu era seminarista, tive contato com os textos espirituais dos padres da Igreja no Oriente e me alegra que hoje estou celebrando e vivenciando deste manancial de espiritualidade”, relatou. Ainda segundo ele, mesmo sendo um bispo latino à frente da Igreja oriental, consegue ver nas pessoas abertura e desejo de contribuir no caminho que a Eparquia deverá percorrer em busca de sua revitalização pastoral.
 
Fonte: O São Paulo
Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

 
Entre janeiro e a primeira quinzena de outubro deste ano, auditores-fiscais do Ministério do Trabalho encontraram 1.246 pessoas em situações análogas à escravidão. Comparado ao registro do ano passado (645), o número  é 93% maior.
 
O estado que registrou o maior número de trabalhadores em situação análoga à escravidão foi Minas Gerais (754), seguido do Pará (129) e Mato Grosso (128). As atividades em que mais se encontraram pessoas trabalhando nestas condições foram a criação de bovinos, o cultivo de café e a produção florestal (plantio de florestas).
 
No decorrer das operações, realizadas em 159 estabelecimentos, 651 trabalhadores foram formalizados, 601 guias de seguro-desemprego foram emitidas e R$ 1,7 milhão em verbas rescisórias foi pago aos resgatados. No meio urbano, os fiscais encontraram trabalhadores nas situações mais degradantes (869); já no âmbito rural, foram 377 casos identificados.
 
Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), avalia que o crescimento do número de trabalhadores encontrados em situação de escravidão moderna corresponde à eficiência das ações de combate a essa prática.
 
Para aqueles que desejarem saber mais informações sobre o combate ao trabalho análogo à escravidão, a ferramenta Radar disponibiliza resultados consolidados da inspeção do trabalho no Brasil. Além disso, a ferramenta também possui informações sobre o combate à informalidade, sonegação de FGTS, inserção de aprendizes e pessoas com deficiência no mercado de trabalho, entre outras informações.
 
Caso você saiba algo sobre pessoas que trabalham nestasem condições ilegais, as denúncias podem ser feitas nas unidades do Ministério do Trabalho em todo o país e também pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100).
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Sérgio Carvalho/MTE

 
No Brasil, vivemos em um Estado laico e queremos garantir a laicidade do Estado porque ela garante respeito à diversidade cultural e religiosa, assegura igualdade de direitos e não legitima privilégios específicos para uma determinada tradição religiosa. Mas isso não significa que as pessoas são impedidas de se denominarem desta ou daquela tradição religiosa, nem tampouco que não tenham o direito de seguir os princípios de sua fé. A laicidade do Estado, na verdade, assegura o direito a cada pessoa de expressar aquilo que crê, mas isso não lhe dá o direito de ser intolerante ou violenta com quem pensa diferente, isso não lhe dá o direito de discriminar, menosprezar ou agredir outras pessoas, ou mesmo outras tradições religiosas diferentes da sua.
 
Estamos vivendo em nosso Brasil tempos difíceis, tempos de dúvida e angústia com a polarização política. Estamos sofrendo com intolerâncias e violências de toda ordem. Há um clima de ódio e rancor que paira no ar.
 
Como cristãos e cristãs, temos o direito – e até o dever – de votar e exercer nossas escolhas de forma consciente, mas não é adequado e nem tampouco coerente com os princípios cristãos justificar ou reforçar atitudes violentas usando a Bíblia ou usando o Nome de Deus. Que Deus é esse que acreditamos? Que Deus é esse que desejamos esteja sobre todos e todas?
 
O Deus que está acima de todos e todas é o Deus da unidade, e não o “deus” da uniformidade; é o Deus da inclusão e do respeito, e não o “deus” do sectarismo violento; é o Deus que criou a riqueza da diversidade e viu que tudo era muito Bom! (Gênesis 1:31) E não um tirano ditador armado de fuzil e carregado até os dentes de munição.
 
Penso que esse “deus” tão apregoado e alardeado aos quatro ventos por aí em nossos tempos atuais tem mais a ver conosco do que com os princípios do Evangelho. Precisamos, portanto, ter o cuidado de não emprestar para Deus ideias e conceitos que em nada dizem respeito ao seu Reino de Amor, de Justiça e de Paz.
 
Que Deus nos ajude!
 
Marinez Bassotto é bispa anglicana (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil)