Na última quinta-feira, 28, véspera do dia dos Santos Pedro e Paulo – celebrado em 29 de junho – o Papa Francisco recebeu no Vaticano uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que tradicionalmente visita Roma na ocasião. 
 
“A vossa presença por ocasião da celebração em honra aos principais patronos da Igreja de Roma é sinal da crescente comunhão que liga a Igreja Católica e o Patriarcado Ecumênico”, disse o Papa na abertura de seu discurso aos presentes. 
 
Francisco lamentou o fato de que em tantas sociedades que tradicionalmente se diziam cristãs se assista a uma progressiva ofuscação da fé cristã. Realidades como o desprezo da dignidade da pessoa humana, a idolatria do dinheiro e a difusão da violência foram alguns dos exemplos elencados pelo Papa.
 
Nesse sentido, ele recordou e disse partilhar de uma recente fala do Patriarca Ecumênico Bartolomeu em recente visita a Roma. Na ocasião, o Patriarca afirmou que é inaceitável que formas alternativas de desenvolvimento e a força da solidariedade social e da justiça sejam ignoradas e caluniadas. “As nossas Igrejas podem criar novas possibilidades de transformação para o nosso mundo”, considerou Sua Santidade Bartolomeu. 
 
Para Francisco, é consolador constatar que essa convergência de visões se traduz em um concreto trabalho comum. Como exemplo, lembrou que nos últimos meses o Patriarcado Ecumênico e a Igreja Católica colaboraram em iniciativas referentes a temas importantes, como a luta contra formas modernas de escravidão, a defesa da criação e a busca da paz. 
 
Também nesse caminho ecumênico, significativo é o Patriarca Bartolomeu ter aceitado o convite de Francisco para ir a Bari, no sul da Itália, junto a outros líderes de igrejas para um encontro ecumênico de oração pelo Oriente Médio. O encontro será no próximo dia 7 de julho. 
 
“É meu desejo que se multipliquem as oportunidades em que nós católicos e ortodoxos, em todos os níveis, possamos trabalhar juntos, rezar juntos, anunciar juntos o único Evangelho de Jesus Cristo que recebemos da pregação apostólica, para experimentar sempre mais neste caminho comum a unidade que, por graça de Deus, já nos une”, concluiu Francisco. 
 
A troca de delegações já é uma tradição por ocasião da festa dos respectivos santos padroeiros: em 29 de junho em Roma para a celebração dos santos Pedro e Paulo e em 30 de novembro em Istambul para a celebração de Santo André, padroeiro da Igreja Ortodoxa. 
 
Na quarta-feira, 27, a delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla se encontrou com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. No dia 29 participou da Solene Celebração Eucarística presidida pelo Papa.
 
Fonte: Canção Nova
Foto: Pixabay

 
 
28 de novembro de 2011. Uma segunda-feira que ainda não terminou para muitos de nós: neste dia, o professor e vereador Marcelino Chiarello foi assassinado em sua casa, no bairro Santo Antônio, em Chapecó (SC). Um militante social, um defensor dos direitos humanos, um vereador comprometido com a ética e a justiça social. Com suas denúncias, investigações e discursos na tribuna da Câmara de Vereadores, Marcelino incomodou pessoas e famílias muito poderosas da nossa cidade.
 
Interferências ilegais nas investigações, intimidações, omissão de agentes públicos, ligações nunca investigadas, mensagens de celular apagadas misteriosamente, laudos não autorizados: assim, a tese do suicídio foi plantada e cravada nos autos. Após quatro laudos distintos (dois apontando suicídio; outros dois, homicídio), o caso foi arquivado pelo judiciário, a pedido do Ministério Público.
 
Mas o arquivamento não calou a pergunta que até hoje ecoa em muitos lares, mentes e rodas de conversa: quem matou e quem mandou matar Marcelino? Afinal, que interesses são esses capazes de manipular laudos, interferir nas investigações e varrer a apuração de um crime? Por que tanta insistência em nos convencer que Marcelino pôs fim à própria vida? 
 
Julgamento Popular
 
Na busca por essas respostas que o poder público foi incapaz de responder em quase sete anos, para dar luz a fatos ignorados pela Justiça brasileira e para apontar as diversas falhas e omissões que marcaram as investigações, é que, no dia 30 de junho, foi realizado o Julgamento Popular.
 
 
O Julgamento Popular é o ponto máximo de um conjunto de articulações sociais, denominada Tribunal Popular do Judiciário. Esse tipo de ação já foi feito no Maranhão e na Bahia, em casos de violação de direitos humanos e omissão do Estado; vai muito além dos dias do júri popular e permite que a sociedade reflita sobre a atuação do poder judiciário de forma geral.
 
Para isso, a realização de um Julgamento Popular segue algumas etapas. No caso Marcelino, há dois anos, muitos atos já vêm sendo desenvolvidos: oficinas de estudo sobre o caso e sobre o funcionamento do judiciário, vigílias, caminhadas, passeatas, participação em celebrações, como forma de recuperar a memória e a luta de Marcelino e contribuir para a construção de outro ponto de vista à história oficial.
 
Dois momentos
 
O próprio Julgamento ocorre em dois momentos diferentes. 
 
A primeira etapa, que começou anteriormente, contou com plenárias populares nas escolas e comunidades de Chapecó e região, para que o maior número de pessoas conheça o caso, para esclarecer como funciona um júri popular e apurar mais casos de violação de direitos.
 
E no último dia 30, então, foi a vez o julgamento em si: apresentação da denúncia popular, depoimento das pessoas próximas e das testemunhas, abertura para considerações técnicas e fala do júri, com manifestação pública sobre o caso. O julgamento findou com um relato final que tem poder de sentença, com os encaminhamentos e desdobramentos necessários. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esteve presente nessa segunda etapa.
 
 
Nossas lutas
 
Marcelino lutou as nossas lutas, sonhou nossos sonhos, partilhou das nossas utopias, até o fim. Nestas terras de Condá, como tantos outros lutadores, este discípulo de Dom José Gomes tombou. Educador para além das salas de aula e companheiro em todos os sentidos que essa palavra carrega, Marcelino foi e sempre será um de nós. Suas lutas vivem em nós. Afinal, mais do que um crime sem resposta, o caso de Marcelino é um caso gravíssimo de violação dos direitos humanos e um retrato doloroso do quanto a Justiça brasileira serve a poucos.
 
Marcelino se recusou a desviar os olhos das injustiças e do sofrimento do povo, a engavetar as denúncias. Marcelino não se calou – por que nós deveríamos? Façamos juntos com que a pergunta que jamais silenciou – quem matou Marcelino? – finalmente comece a ter a resposta que tanto precisamos. A causa da justiça aguarda todos nós no próximo 30 de junho, em Chapecó.
 
Se nos calarmos, até as pedras gritarão: MARCELINO, PRESENTE!
 
Com informações do portal Desacato
Fotos: página do Facebook do Julgamento Popular

 
Percebendo que não podia mais se trabalhar com os pobres como costumava fazer em Buenos Aires, o recém-eleito Papa Francisco encontrou outro "padre de rua" para atuar em seu lugar. O cardeal designado é Konrad Krajewski, arcebispo da Esmolaria Apostólica.
 
Durante anos, este assistente polonês de São João Paulo II, e do Papa Bento XVI, percorreu as ruas de Roma oferecendo refeições e assistência, muitas vezes acompanhado por voluntários da Guarda Suíça.
 
"Meus braços foram encurtados", disse Francisco ao explicar por que o estava nomeando esmoleiro papal.
 
“Se pudermos fazer de meus braços mais longos com os teus, poderei tocar os pobres de Roma e da Itália. Eu não posso sair, mas você pode”, explicou o Papa.
 
Elevando-o ao Colégio dos Cardeais em 28 de junho, o Papa eleva a importância da Esmolaria Apostólica . Esta honra “é para os pobres e voluntários. Eu não posso aceitar nenhum crédito”, disse ao Vatican News o padre de 54 anos, no dia 20 de maio.
 
"Eu só fiz o que o Santo Padre queria", explicou, que era ser os olhos, ouvidos e mãos do Papa, procurando e oferecendo assistência direta aos necessitados, bem como conforto espiritual e orações. Toda manhã, ele lê pedidos de ajuda enviados pelo Papa com um comentário dizendo: "Você sabe o que deve fazer".
 
"E então eu tento pensar, o que Francisco faria se estivesse aqui?", disse ele à revista italiana, Il Mio Papa.
 
Como esmoleiro papal, o cardeal polonês distribui ajuda caritativa do Papa. Porém, ele elevou o trabalho a um nível totalmente novo, conseguindo um dormitório, chuveiros, uma barbearia e uma lavanderia perto do Vaticano para pessoas desabrigadas. Ele distribuiu 1.600 cartões telefônicos pré-pagos para refugiados que sobreviveram a uma viagem perigosa de barco até Lampedusa, para avisar suas famílias de que estavam em segurança. Ele também organizou excursões especiais para pessoas pobres e sem-teto aos Jardins do Vaticano, aos Museus do Vaticano e à Capela Sistina.
 
Receber o chapéu vermelho não deve fazer uma grande diferença em sua rotina diária, disse ele, ao Vatican Insider. Ele já tinha influência suficiente apenas sendo o esmoleiro do Papa. "Quando me dão doações para os pobres, confiam a mim porque confiam no Papa", falou o cardeal.
 
Krajewski afirmou que Francisco lhe disse para vender sua mesa quando foi contratado, pois seu trabalho não era esperar sentado, e sim sair à procura de pessoas necessitadas. O cardeal deu um passo adiante, abrindo seu apartamento por um tempo para uma família de refugiados sírios.
 
Segundo ele, Francisco o afirmou: "Você verá, eu te confiei a parte mais bonita de ser um padre”.
 
Nascido em Lodz, Polônia, em 25 de novembro de 1963, o cardeal designado estudou em seu país de origem e na Itália, onde se formou em Teologia e Liturgia Sagrada. Serviu como capelão de hospital em Roma antes de retornar a Lodz para ensinar Liturgia nos Seminários locais e se tornar prefeito do seminário diocesano.
 
Em 1998, ele retornou a Roma para trabalhar no escritório do Vaticano de celebrações litúrgicas e se tornar mestre de cerimônias litúrgicas de 1999 a 2013, quando podia ser visto ao lado de São João Paulo II e do Papa Bento, durante as missas Papais.
 
Ele foi nomeado arcebispo da Esmolaria Apostólica em agosto de 2013 e consagrado bispo no mês seguinte, adotando a palavra latina relativa a “misericórdia” como lema.
 
Disse aos jornalistas no final de novembro de 2013 que havia sido um dos quatro homens que vestiram São João Paulo depois de sua morte, em preparação para seu enterro.
 
“Talvez seja por isso que nunca me dediquei a rezar intensamente por sua beatificação, pois já havia começado a participar”, disse ele, falando de seu compatriota, a quem serviu durante sete anos.
 
Ex-esquiador recreativo e nadador na Polônia, o cardeal disse que também tentou imitar São João Paulo com uma forte vida de oração para estar perto de Deus. Ele celebra missa no túmulo do falecido Papa uma vez por semana, além de rezar o rosário e ouvir confissões todos os dias em uma Igreja próxima, dedicada à Divina Misericórdia.
 
Segundo ele, Francisco o aconselhou a nunca parar de ouvir confissões, porque isso também é uma espécie de esmola.
 
Apesar de estar sempre no meio de tudo - entregar comida ou sacos de dormir, visitar os enfermos e famílias em crise -, Krajewski disse que prefere ficar fora do radar e evitar entrevistas.
 
"Eu gostaria de ficar escondido, sem nenhum tumulto. A pobreza é algo sério, e não está lá para gerar publicidade", falou o cardeal à revista católica Famiglia Cristiana em 2014, explicando por que estava recusando um pedido de entrevista.
 
Mas o que ele não esconde é a sua fé. "É útil para a Igreja quando não escondemos Deus e O revelamos com nosso estilo de vida. Fazer o bem é contagioso”, ressaltou Krajewski.
 
Fonte: IHU Unisinos/Catholic News Service
Texto: Carol Glatz. Tradução: Victor D. Thiesen
Foto: facebook.com/episkopatpolski

 
 
No Brasil, acredita-se que a cada 100 pessoas presas, 18% são provenientes de outro país, quando o dado oficial é de apenas 0,4%. Assim como acredita-se que o percentual de garotas entre 15 e 19 anos que dão à luz anualmente é de 48%, mas na realidade é de 6,7%.
 
As comparações são da pesquisa “Os Perigos da Percepção”, realizada pelo Instituto Ipsos Mori, que mede do Índice de Percepção Equivocada. Dentre 38 nações, os brasileiros são a segunda maior população com uma percepção do contexto da sociedade diferente da realidade do País.
 
Segundo Danilo Cersosimo, diretor da Ipsos Public Affairs, o deslocamento da realidade a partir da percepção está relacionado à desigualdade no acesso à formação educacional e cultural. “Quando observamos os itens da pesquisa, como população carcerária, imigração e gravidez entre jovens, vemos que a população não se apropria desses temas”, afirma Cersosimo, cuja análise também aponta a falta de acesso à informação como um dos pontos estruturantes deste quadro.
 
“Existe uma questão crônica de falta de debate, que deveria começar na escola para formar pessoas com mais senso crítico. Qual modelo de sociedade estamos formando? Quais ferramentas o Brasil está provendo para seus cidadãos?”, questiona.
 
Para realizar a pesquisa, entre setembro e outubro de 2017, mais de 29 mil pessoas ao redor do mundo responderam a perguntas sobre dados da realidade, posteriormente comparados aos números oficiais. Ainda que as perguntas fossem diferentes em 2016, naquele ano o Brasil alcançou a posição do sexto lugar.
 
“A mudança de perguntas é uma maneira de tornar a pesquisa dinâmica de um ano para o outro. Mas a lógica é a mesma: testar a percepção em relação à realidade, até porque nem todos os dados mudam anualmente. Existem informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) que serão atualizadas daqui a dez anos”.
 
Cersosimo explica que o perigo maior da percepção equivocada é o “tornar-se um cidadão vulnerável a qualquer tipo de discurso e informação que não necessariamente seja correta”, ainda mais em um contexto de novas tecnologias.
 
“Os Perigos da Percepção”
 
Segundo a pesquisa, no Brasil acredita-se que num universo de 100 pessoas do sexo feminino, entre 15 e 24 anos, 24% cometeram suicídio. O dado oficial é 4,3%. Quando analisadas pessoas do sexo masculino, a percepção sobe para 25% e o número real desce para 3,3%.
 
Quando do assunto é acesso a itens eletrônicos. Os brasileiros têm a percepção de que, num universo de 100 pessoas, 47% possuem smartphones. Quando na realidade, o dado oficial cai para 38%.
 
Quanto a homicídios, 76% dos entrevistados acreditam que atualmente a taxa é maior do que no ano 2000. No entanto, o percentual é igual ao daquele ano.
 
"Em todos os 38 países analisados, cada população erra muito em sua percepção. Temos percepção mais equivocada em relação ao que é amplamente discutido pela mídia, como mortes por terrorismo, taxas de homicídios, imigração e gravidez de adolescentes", afirmou Bobby Duffy, diretor de pesquisas do instituto, em entrevista à Folha de S. Paulo.
 
Na mesma esteira de percepção da realidade, uma pesquisa realizada pela Oxfam e o Instituto DataFolha mostra que para 46% dos brasileiros é necessário ter uma renda de pelo menos 20 mil reais para fazer parte dos 10% mais ricos do País. Quando o valor oficial é de apenas três salários mínimos, 2.811 reais.
 
Perfil
 
A pesquisa foi realizada online, o que limita o alcance do estudo à percepção da população com acesso à Internet no País. De acordo com a Pnad do IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o Brasil alcançou 102,1 milhões de pessoas na Internet. Essa amostragem tende a ser urbana, estar mais presente em capitais e regiões metropolitanas. No entanto, “isso não significa que não tenham sido contempladas cidades do interior”, afirma Cersosimo.
 
Os números representam “o público conectado, ou seja, da classe A e B majoritariamente. É uma população, digamos, com um perfil de mais acesso à informação, o que é contraditório se olharmos para a posição do Brasil no ranking”.
 
Fonte: Carta Capital
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 
 
 
Depois de quatro tentativas, a bancada ruralista da Câmara dos Deputados aprovou, em comissão especial, nesta segunda-feira (25), relatório favorável ao chamado PL do Veneno. O projeto esvazia a atuação dos órgãos de saúde e do meio ambiente no controle e na regulação do uso agrotóxicos no país, delegando ao Ministério da Agricultura uma série de ações que são, hoje, exercidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Ibama.
 
Na prática, agrotóxicos com características cancerígenas, mutagênicas, que causam malformação no feto, dano ao aparelho reprodutor, desregulação endócrina ou que prejudicam o meio ambiente poderão ser utilizados nas lavouras brasileiras. Além disso, ao permitir o registro automático de produtos, poderemos ter, no mercado nacional, agrotóxicos que não passaram por qualquer avaliação quanto à eficiência agronômica, aos impactos na saúde dos consumidores e dos trabalhadores rurais e aos efeitos no meio ambiente.
 
Na contramão de todos os países desenvolvidos, que se preocupam cada vez mais com a questão da sustentabilidade, a aprovação do relatório do deputado Luiz Nishimori (PR-PR) representa um grave retrocesso nas políticas públicas brasileiras de proteção da saúde e do meio ambiente, no que se refere ao uso de agrotóxicos, uma verdadeira farra do veneno. É evidente que os agrotóxicos não possuem uma interface exclusiva com a agricultura. O uso desses produtos gera impactos e possui riscos para a saúde a para o meio ambiente.
 
O limiar entre os benefícios do manejo adequado de um agrotóxico, que pode eliminar determinada praga da lavoura, e os riscos do uso incorreto desse mesmo agrotóxico, que pode matar um ser humano e comprometer completamente todo um ecossistema, por exemplo, é muito estreito. Por isso, a atual legislação sobre agrotóxicos prevê uma atuação conjunta e articulada dos órgãos de agricultura, da saúde e do meio ambiente.
 
Pelas regras atuais, um novo agrotóxico só pode entrar no mercado brasileiro se for eficaz no controle de uma determinada praga, se não causar prejuízos ao meio ambiente e se não deixar resíduos capazes de afetar a saúde da população nos alimentos. Esses produtos também devem poder ser manipulados pelos trabalhadores rurais, mesmo que com uso de equipamentos de proteção individual, sem afetar a saúde dos mesmos.
 
Tais condições configuram-se como medidas protetivas fundamentais para que os agrotóxicos sejam utilizados na lavoura brasileira de maneira segura, sem comprometer a saúde dos consumidores e dos próprios trabalhadores do campo. Isso porque, não há dúvidas dos efeitos nocivos que o uso inadequado de agrotóxicos pode gerar na saúde humana, tanto no que diz respeito aos efeitos crônicos que o consumo de pequenas doses de resíduos de agrotóxicos durante um período de tempo prolongado pode gerar nos consumidores, quanto no tocante aos efeitos agudos, que acometem principalmente os trabalhadores e as trabalhadoras, vítimas de intoxicação no manejo desses produtos.
 
Sem a preocupação com o impacto que os agrotóxicos podem gerar na saúde das pessoas e no próprio meio ambiente, os desdobramentos do uso desses produtos para toda sociedade podem ser devastadores. O próprio Instituto Nacional do Câncer já se posicionou, em 2016, contra o uso de agrotóxicos e recomendou a redução do emprego desses produtos nas plantações, em razão de que a exposição aos agrotóxicos está relacionada ao desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
 
Nunca é demais relembrar pesquisa da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) que, entre 2007 e 2014, avaliou os impactos dos agrotóxicos sobre a saúde humana e o meio ambiente, no município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Dentre outros resultados alarmantes, a pesquisa revelou a contaminação de 56% das amostras de chuva recolhidas no pátio das escolas e de 25% das amostras de ar, também nos pátios das escolas e constatou, ainda, a contaminação com resíduos de agrotóxicos de 100% das amostras de leite materno de 62 mães que pariram e amamentaram, no referido município, em 2010.
 
Mesmo que a bancada ruralista não se dê conta, o PL do veneno também pode ter efeitos nocivos para a própria agricultura brasileira, um dos mais modernos, avançados e importantes segmentos da economia nacional, responsável por 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2017. Não é novidade o uso da justificativa de barreiras sanitárias como instrumentos de disputas comerciais, inclusive em razão da contaminação de produtos por agrotóxicos, para que países adotem medidas protecionistas e restrinjam a importação de alimentos de outros países, com a imposição de barreiras comerciais.
 
No passado, o próprio suco de laranja brasileiro, que possui cerca de 80% do mercado mundial, já foi vítima de barreiras comerciais pelas autoridades sanitárias dos Estados Unidos. À época, as autoridades norte-americanas questionavam a presença, em nosso suco de laranja, de resíduos do agrotóxico cihexatina, que, depois, veio a ser retirado do mercado brasileiro pela Anvisa, em razão dos efeitos nocivos do referido agrotóxico para a saúde humana.
 
Os produtores rurais têm todo direito de questionar a demora das autoridades federais na análise para a liberação de novos agrotóxicos, muitas vezes inovadores, no mercado nacional. Mas, é preciso pontuar que os registros desses produtos, uma vez concedidos, têm prazo eterno, não precisando de qualquer tipo de renovação, como ocorre para outros produtos sujeitos à vigilância sanitária, como medicamentos e cosméticos.
 
Ademais, a solução para essa morosidade não está no completo esvaziamento da competência regulatória de órgãos fundamentais para o bom funcionamento da sociedade, especialmente quando tratamos da saúde das pessoas. O caminho passa pela melhoria dos procedimentos regulatórios, melhoria na gestão e pelo fortalecimento dessas instituições, com a ampliação e a capacitação do corpo de servidores públicos.
 
O PL do Veneno ainda tem um longo caminho a percorrer antes de virar lei, com a votação no plenário da Câmara dos Deputados, a tramitação no Senado Federal, a sanção presidencial e a própria judicialização do tema, que certamente ocorrerá se mantidas as diretrizes atuais. Por isso, é imprescindível um debate qualificado e um posicionando claro e público do Governo Federal, que tem preferido a conveniência do silêncio, na mediação da pauta e na total preservação da atuação dos órgãos da saúde e do meio ambiente no controle dos agrotóxicos utilizados no Brasil.
 
Ainda que a bancada ruralista e a indústria dos agrotóxicos queiram colocar a saúde da alface acima da saúde dos nossos filhos, o PL do Veneno é um desastre completo. Da forma que está, além de cruel, o projeto ameaça a saúde da população, dos nossos filhos, dos trabalhadores rurais, do meio ambiente e da própria agricultura. A farra do veneno é um retrocesso inaceitável, que só será derrotada com forte participação e mobilização da sociedade civil. forte participação e mobilização da sociedade civil, para que a sociedade brasileira enfrente os poderosos interesses da bancada ruralista e das multinacionais dos agrotóxicos.
 
Fonte: Diário do Centro do Mundo
Foto:  Ángel Garcia / Greenpeace
Texto: Danilo Molina. Jornalista e servidor público de carreira, Danilo foi assessor da Casa Civil da Presidência da República, do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no governo Dilma Rousseff. Possui, ainda, pós-graduação em Assessoria em Comunicação Pública.

 
As Rodas de Conversa da 24º edição do Grito dos Excluídos e Excluídas já estão à disposição nos links abaixo. Neste material feito em rede, ou seja,a muitas mãos, há uma sugestão passo a passo de como promover reflexões, sentimentos e debates acerca do Grito dos (as) Excluídos (as) que este ano trata de Desigualdade gera violência. Basta de privilégios”.
 
“O Grito dos (as) Excluídos (as) é uma manifestação popular carregada de simbolismo. É um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos (as) excluídos (as) que brotam do chão e encontram em sua organização suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade”, destacam os autores das Rodas de Conversa.
 
Nessas páginas há um aporte para a dinamização do Grito dos (as) Excluídos (as) e da necessidade de influenciar a sociedade a debater o cenário social e político, as desigualdades sociais abissais do país e a identificar as pessoas como sujeitos de direitos e detentores de dignidade humana.
 
Este material é dedicado a grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos (as) excluídos (as) que brotam do chão e encontram em sua organização suficiente sensibilidade para dar-lhe forma e visibilidade. Nessas páginas há um tanto de dor e poesia, um convite à criatividade e a perseverança para fazer ecoar o grito dos mais excluídos e excluídas.
 
Acesse as Rodas de Conversa:
 
 
Fonte: Jubileu Sul
Imagem: Reprodução

 
O Pacote do Veneno foi aprovado nesta segunda-feira (25), por 18 votos a 9, na comissão especial criada para analisar os 29 projetos de lei apensados ao PL 6.299/02, que revoga a atual Lei dos Agrotóxicos. A votação ocorreu em sessão tumultuada, iniciada com mais de duas horas de atraso, com acesso proibido da população e até de assessores parlamentares. O argumento da presidenta da comissão, a ruralista Tereza Cristina (DEM-MS), foi a segurança.
 
O pacote foi votado depois de mais de três horas de obstruções e requerimentos apresentados por deputados do PT, PCdoB, Psol e PSB, na tentativa de retirada do substitutivo até que fossem realizados mais debates. Tensa do início ao fim, a sessão teve bate-boca e provocações por parte dos ruralistas em diversas ocasiões.  
 
Entre as principais mudanças propostas está o registro e autorização temporária. Ou seja, se em 24 meses o pedido de um novo agrotóxico não tiver sido analisado e aprovado no país, poderá ser usado desde que tenha sido aprovado em outros países. Isso causa grande preocupação de especialistas, porque entre essas substâncias podem estar aquelas com ingredientes causadores de câncer, malformações e outras alterações graves.
 
O pacote cria uma comissão formada por nomes indicados pelo Ministério da Agricultura para acelerar o processo de registro, a exemplo do que já acontece com os transgênicos, aprovados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Isso é preocupante por causa da falta de rigor na CTNBio, que aprova pedidos de novos organismos geneticamente modificados mesmo sem a apresentação de testes de segurança à saúde e ao meio ambiente. Além disso, tira a Anvisa e o Ibama do processo de avaliação e reavaliação dos agrotóxicos – o que os defensores do pacote negam.
 
A decisão da maioria da comissão, composta por ruralistas que argumentam somente a necessidade de mais rapidez na aprovação de "produtos mais modernos, já que no Brasil a liberação demora de 8 a 10 anos", contraria recomendações de cinco relatores da Organização das Nações Unidas (ONU), que enviou carta de alerta ao governo brasileiro. Para os relatores, o pacote ameaça direitos fundamentais do povo brasileiro, como os direitos à saúde, ao alimento e água segura e ao meio ambiente equilibrado.
 
Entidades nacionais de renome internacional, como o Instituto Nacional do Câncer (Inca) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), vinculados ao Ministério da Saúde, também publicaram nota de advertência. São contrários também a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Ibama, o Ministério Público Federal e Ministério Público do Trabalho, as maiores instâncias do controle social na área de saúde, meio ambiente, nutrição e direitos humanos e os cientistas brasileiros, por meio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entre mais de 270 entidades, associações e coletivos. 
 
Entre todas elas, há um consenso: o pacote vai aumentar a utilização de agrotóxicos no país, que é o maior consumidor mundial desses produtos desde 2008. E com isso haverá muito mais casos de contaminação ambiental, intoxicação dos trabalhadores na agricultura e das fábricas desses produtos e comida com muito mais veneno na mesa daqueles que não podem comprar alimentos orgânicos.
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução / Embrapa

 
A geração que nos sucede receberá um legado ameaçador, que são os graves problemas ambientais que afligem o nosso planeta. Muito embora devamos ser críticos em relação ao tom catastrófico e apocalíptico com que organizações ambientalistas costumam se pronunciar sobre o futuro do planeta e de seus habitantes, existe pouca dúvida de que a crise é, de fato, real. Poluição dos rios, dos mares e do ar, desmatamento, redução da camada de ozônio, não só a ameaça, mas a extinção de espécies animais, aquecimento global – são apenas alguns dos itens na pauta de ambientalistas, governos e religiosos. Essas preocupações têm a ver com a sobrevivência da raça humana num planeta cujas reservas estão sendo exauridas a passos largos.
 
Acredito que exista uma relação inseparável entre os conceitos de “cosmovisão” e “ecologia”. O primeiro, como Solano tem mostrado claramente em posts anteriores, é uma maneira peculiar de entender nossa relação com Deus, com o próximo e com o mundo; e o segundo é o estudo das interações dos seres vivos entre si e com o meio-ambiente. Em outras palavras, aquilo que acreditamos acerca de nós mesmos, de Deus e do mundo onde vivemos determinará nossas decisões quanto ao nosso planeta.
 
O Cristianismo tem promovido através dos séculos uma cosmovisão coerente e abrangente que tem interagido com a ciência e o progresso. Estudiosos têm reconhecido a necessidade de uma base religiosa na área da ecologia. “A ecologia humana é profundamente condicionada pelas crenças sobre nossa natureza e nosso destino – isto é, pela religião”. [1]
 
É um fato que encontramos entre os grandes poluidores do planeta alguns países que nasceram sob a égide do Cristianismo. Tal constatação não invalida os ensinamentos bíblicos sobre o cuidado com a natureza. No máximo, sugerem que esses ensinamentos não permearam suficientemente a cultura e a mentalidade dessas sociedades. Ou ainda, que os referenciais cristãos, que num passado distante foram adotados por elas, são agora rejeitados ou distorcidos, no todo ou em parte, em nome dos interesses econômicos.
 
Os seguintes pontos tirados da fé cristã reformada podem servir de base para a formação de uma mentalidade ecológica cristã.
 
1) O mundo foi criado por Deus. “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gênesis 1.1). O mundo é obra de suas mãos, mesmo que não saibamos, em termos científicos, a maneira pela qual a sua Palavra trouxe todas as coisas à existência. A origem divina de tudo o que existe não significa que nosso planeta é uma extensão de Deus ou muito menos que mereça nossa adoração. Significa que ele merece nosso respeito e nosso cuidado, como o lar que Deus preparou para nós e os demais seres vivos. Significa também que Deus é o soberano Senhor da criação, como disse Davi, rei de Israel, muito tempo atrás: “Ao Senhor pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam” (Salmo 24.1).
 
2) O mundo foi criado bom. “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gênesis 1.31a). “Muito bom” é o veredito do Criador sobre a natureza. Ela foi declarada boa tanto pelo seu valor intrínseco quanto por sua perfeita adequação às necessidades humanas. Isso difere da visão do antigo dualismo entre matéria e espírito, que equiparava a matéria à desordem. De acordo com essa visão, a matéria é má e pecaminosa. Perspectivas que têm uma visão negativa do mundo físico ou que o separam da sua origem transcendente dificilmente podem nos dar alguma esperança de achar soluções racionais e abrangentes para nossos problemas ambientais.
 
3) O mundo funciona de acordo com leis e princípios estabelecidos por Deus. A convicção fundamental da ciência é que o mundo funciona de acordo com leis e princípios regulares e constantes e, portanto, previsíveis. Essa base é dádiva da visão cristã de que o mundo foi criado de forma ordenada por um único Deus, um Deus de ordem, e não por vários deuses ambíguos, contraditórios, incoerentes e caprichosos, a partir da matéria caótica, como acreditam alguns. Foram cientistas com as convicções acima, no todo ou em parte, que lançaram as bases da moderna ciência e da tecnologia, como os astrônomos Kepler e Galileu, os químicos Paracelso e Van Helmont, os físicos Newton e Boyle e os biólogos Ray, Lineu e Cuvier, para citar alguns. Somente com esses referenciais podemos entender o funcionamento do meio-ambiente, do mundo e seus recursos, perceber os desastres que estamos causando por violarmos essas leis e prever soluções.
 
4) O ser humano é único. De acordo com o Cristianismo, o ser humano foi criado por Deus juntamente com a natureza e os demais seres vivos. Nesse sentido, é parte integrante dela. Todavia, ele foi feito de forma única, à imagem e semelhança de Deus, o que o distingue do restante da criação. A imagem de Deus implica, entre outras coisas, que o ser humano foi dotado de inteligência e, portanto, pode interpretar as leis do mundo e prover os meios de preservá-lo. Em algumas cosmovisões o ser humano, a natureza e Deus estão em níveis idênticos e fazem parte de uma mesma substância, o que torna impossível ao ser humano transcender a natureza para poder analisá-la, dominá-la e ajudá-la.
 
5) O ser humano é mordomo da criação. “Tomou o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar” (Gênesis 2.15). Deus o colocou no mundo como seu gerente e lhe deu alguns mandatos: cuidar da criação, de onde tiraria seu sustento, protegê-la e preservá-la, conhecê-la, estudá-la, para assim conhecer melhor a si mesmo e a Deus. O ser humano é o mordomo de Deus. Não é o soberano senhor, dono e déspota, mas o responsável diante de Deus pelo emprego correto dos recursos naturais, pelo seu próprio desenvolvimento de forma sustentável e pela preservação dos demais seres vivos.
 
6) Vivemos num mundo afetado pelo pecado. De acordo com a Bíblia, quando o ser humano colocado no jardim se revoltou contra o Criador, precipitou no caos a si mesmo e a criação pela qual era responsável. “Maldita é a terra por tua causa” (Gênesis 3.17) foi a sentença do Criador ao ser humano, agora sujeito à morte, a retornar ao pó de onde fora tirado. Tensões se estabeleceram entre Deus e o ser humano, entre o ser humano e seus semelhantes, e entre o ser humano e a natureza. A crise que vivemos hoje se deve a estas tensões:
 
- Separado espiritualmente de Deus, o ser humano perdeu a referência da sua existência e da relação criatura-Criador. Essa última perda, em especial, afetou profundamente a sua maneira de ver o mundo, que ele ora agride e exaure, ora venera e teme como a um deus.
 
- Vivendo em tensão emocional em relação aos seus semelhantes, o indivíduo dedica-se a buscar seus próprios interesses, mesmo que à custa do próximo. A exploração egoísta e desenfreada dos recursos naturais é feita sem levar em consideração que os mesmos faltarão à próxima geração.
 
- Em tensão com a natureza, o ser humano a explora, agride e exaure, em nome do poder, do lucro e do progresso. O meio ambiente é para ele somente um bem de consumo.
 
Diante do exposto, entendemos que os problemas ambientais são primeiramente de origem moral e espiritual. Entendemos ainda que a solução passa pela transformação interior das pessoas, uma mudança de mentalidade com relação a Deus, ao próximo e à natureza. Em suma, é esse o apelo e o chamado do Evangelho.
 
Uma abordagem ecológica que tenha os fundamentos acima como referência poderá escapar dos extremos de algumas perspectivas populares:
 
1) Uma visão mística, em que o ser humano não mais é entendido como mordomo de Deus encarregado de cuidar, desenvolver e usar a natureza com sabedoria. Ao contrário, é entendido como servo dela, com a obrigação de preservá-la, como se ela fosse sagrada e como se o ser humano devesse manter uma atitude de adoração para com ela. Essa visão impede o uso inteligente e racional dos recursos naturais, a busca de soluções para os graves problemas humanos e o desenvolvimento do ser humano em geral.
 
2) Uma visão sentimentalista da natureza, que tem como ideal a vida rural. Por mais atraente que tal visão seja, ela não faz justiça à vocação e à responsabilidade do ser humano. O progresso do ser humano, conforme a Bíblia, é do jardim para cidade, e não necessariamente de volta para o campo. Essa visão, à semelhança da anterior, impede que o ser humano explore com sabedoria e responsabilidade os enormes recursos naturais à sua disposição e que podem promover seu progresso e bem-estar, e isso sem a depredação da natureza.
 
3) Uma visão antropocêntrica, que coloca o ser humano no centro e recorre a soluções tecnológicas para a crise ecológica que, além de serem extremamente caras, acabam mantendo a atitude de desprezo para com o meio-ambiente. Essa visão tende a agravar a crise e a lançar o ser humano cegamente no caminho da autodestruição.
 
Cremos que a fé cristã-reformada provê as premissas epistemológicas, morais, espirituais e éticas para que possamos lutar pelo meio ambiente e em prol do nosso planeta, fazendo ecologia de forma coerente e integral.
 
[1] Lynn White Jr., “The Historical Roots of Our Ecological Crisis”, In: Science, vol. 155, pp. 1203-1207, 10 de março de 1967.
 
Texto originalmente publicado no blog do autor
Foto: Pixabay

 
Pope Francis joined the general secretary of the World Council of Churches (WCC) and the moderator of its Central Committee at an ecumenical meeting during his landmark 21 June visit to the WCC to celebrate its 70th anniversary at an ecumenical meeting in Geneva.
 
WCC general secretary Rev. Dr Olav Fykse Tveit said, “This day is a landmark. We will not stop here. We will continue, we can do much more together for those who need us.”
 
The Pope began the visit by joining in prayers in the chapel of the Ecumenical Centre in Geneva after flying in from Rome and then visiting the Ecumenical Institute at Bossey, which is involved with theological formation.
 
In the afternoon Pope Francis again visited the Ecumenical Centre, where the WCC does much of its work. There he spoke along with Tveit and Dr Agnes Abuom, moderator of the Central Committee, an important WCC governing body.
 
“Here I would like to reaffirm that the Catholic Church acknowledges the special importance of the work carried out by the Faith and Order Commission and desires to keep contributing to that work through the participation of highly qualified theologians,” said Pope Francis.
 
“The quest of Faith and Order for a common vision of the church, together with its work of studying moral and ethical issues, touch areas crucial for the future of ecumenism.”
 
The Pope cited the active Catholic presence in the Commission on World Mission and Evangelism; collaboration with the Office for Interreligious Dialogue and Cooperation, most recently on the important theme of education for peace; and the joint preparation of texts for the Week of Prayer for Christian Unity.
 
Bossey Ecumenical Institute
 
“I also value the essential role played by the Bossey Ecumenical Institute in the training of future pastoral and academic leaders in many Christian churches and confessions worldwide,” said the Pope.
 
Tveit, in his address, said the papal visit to the WCC has shown how divisions, distance, and conflicts can be overcome as a sign of hope.
 
“Let us make it possible for the next generations to create new expressions of unity, justice, and peace – as we share more and more together,” said Tveit.
 
He said the visit shows “that it is possible to overcome divisions and distance, as well as deep conflicts caused by different traditions and convictions of faith.
 
“There are several ways from conflict to communion. And of course, we have not yet overcome all differences and divisions. Therefore we pray together that the Holy Spirit will guide us and unite us as we move on,” said Tveit.
 
50 years of cooperation
 
Pope Francis’ visit is the cornerstone of the ecumenical commemoration of the WCC's 70th anniversary and marks 50 years of cooperation with the Roman Catholic Church in the quest for Christian unity.
 
The theme of the visit is an “Ecumenical Pilgrimage - Walking, Praying and Working Together” and the meeting began with a prayer service at the Ecumenical Centre chapel.
 
“Your Holiness, your visit is a sign of this hope we share. It is a milestone in the relations among the churches. We are here as representatives of different churches and traditions from all over the world,” said the general secretary.
 
In 2017, Roman Catholic and Protestant Lutherans jointly commemorated the 500th anniversary of the Reformation which split a major part of Christianity apart when Martin Luther led protests over practices by the church that reverberated for centuries. Geneva was an important city in the Reformation.
 
But 500 years before that, the Great Schism of 1054, when the Greek Orthodox Church officially split with the Catholic Church, had also split Christianity.
 
Tveit noted, “By walking, praying and working together during these last 70 years, we have learned much about what it means to be a fellowship of churches.
 
“That is also how the relationship has developed between the WCC and the Roman Catholic Church after more than 50 years of cooperation.”
 
He explained that the profile of the work of the WCC and many of our partners today is “being together on a Pilgrimage of Justice and Peace.”
 
Tveit said the WCC and the Catholic Church work together for joint peace initiatives in many places in the world as they address the situation of refugees along with issues of economic justice and dealing with poverty.
 
“We work hard together to combat climate change and other threats to our environment. We promote inter-faith dialogues and initiatives for peace. We mobilize together for the Sustainable Development Goals. We prepare the annual prayers for Christian unity together.”
 
Moderator Abuom spoke on the fruits of cooperation with the Roman Catholic Church in “many concrete situations”.
 
“Let me just highlight how important it is that Christian churches look at each other as one, in South Sudan, how critical joint action for justice and peace is for the peace process in Colombia; how powerful it is to pray and work together for the reunification process in the Korean Peninsula; how much a concerted action is needed in Burundi and the Democratic Republic of Congo,” said Abuom.
 
She told Pope Francis his visit at the Ecumenical Centre in Geneva shows that the “churches’ commitment to unity for the sake of all humanity and all of God’s creation is alive and strong,” said the moderator, who is a Kenyan Anglican.
 
Fonte: WCC/CMI
Photo: Albin Hillert/WCC