fbpx

 
De um lado, promessas de desmatamento zero, reforma fiscal verde, cumprimento do Acordo de Paris e reconhecimento dos direitos da natureza na Constituição. De outro, propostas como acomodar o meio ambiente em uma pasta dedicada à agropecuária e acelerar licenças ambientais. Quando o tema é meio ambiente e clima, os programas dos sete principais candidatos à Presidência da República em 2018 são heterogêneos. O Observatório do Clima mapeou as propostas para o tema nos planos de governo de sete candidatos a presidente e produziu um resumo de como cada um se posiciona.
 
A mudança climática é o principal desafio ambiental e econômico a ser enfrentado pela humanidade, já que a elevação da temperatura global depende de um modelo de desenvolvimento que hoje é dominante e, e suas consequências afetam virtualmente todos os países. O ex-secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chegou a afirmar que este é o “desafio moral de nossa geração”.
 
Para saber como os presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas lidam com o assunto, resumimos as propostas para o clima nos programas de governo protocolados na Justiça Eleitoral por Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Jair Bolsonaro (PSL) João Amoêdo (NOVO), Fernando Haddad (PT) e Marina Silva (REDE).
 
 
Há candidatos que dedicam capítulos inteiros à questão em seus planos de governo – caso de Marina Silva, Haddad e Boulos. Os três planos trazem um contexto mais detalhado sobre desmatamento, matriz energética com baixa emissão de gases de efeito estufa e sobre com utilizar os recursos naturais como motores do desenvolvimento e inclusão social.
 
Aparecem menções sobre incorporar estratégias de tributação verde para incentivar tecnologias mais sustentáveis, revisão de carga tributária – o programa de Haddad fala em reduzir o custo fiscal  para investimentos verdes em 46,5%; Marina fala em “descarbonização” da estrutura tributária, com aperfeiçoamento da contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE, tributo que incide sobre combustíveis), de acordo com as emissões de carbono e, no médio prazo, incorporar uma taxa de carbono ao sistema de impostos, no contexto de uma ampla reforma tributária.
 
Boulos, por sua vez, propõe abandonar o uso de combustíveis fósseis, em uma transição energética que cederá lugar para as fontes eólica e solar, sem dar continuidade à construção de grandes hidrelétricas e ao projeto de Angra 3. Mas a decisão de banir os fósseis da matriz energética esbarra no pré-sal: o programa de Boulos fala na anulação dos leilões já realizados e invoca a retomada dos investimentos pela Petrobras, o que contradiz o objetivo inicial.
 
Apesar dos planos detalhados em relação aos tópicos relacionados às energias renováveis, os programas dos três candidatos apresentam poucas metas concretas de cumprimento dos objetivos – exceto para instalação de painéis fotovoltaicos, onde Marina fixa o objetivo de 1,5 milhão de telhados solares fotovoltaicos de pequeno e médio porte até 2022. O programa de Haddad propõe instalar kits de geração de energia solar em 500 mil residências por ano.
 
Metas para desmatamento
 
Quando se trata de mudanças de uso da terra, Boulos fala em zerar o desmatamento em todos os biomas nos próximos dez anos; Haddad diz que vai assumir compromisso com uma taxa zero de desmatamento líquido (compensar o desmatamento de novas áreas com o reflorestamento) até 2022; já Marina fala em “atingir o desmatamento zero no Brasil no menor prazo possível, com data limite em 2030”. Tanto Boulos quanto Marina estabelecem prazos que vão além do mandato presidencial de quatro anos, mas não afirmam se criarão decretos para fixá-los. Poucos programas especificam se estão falando de desmatamento em todos os biomas ou apenas na Amazônia.
 
Com um programa de governo mais enxuto, o candidato Ciro Gomes não chega a dedicar um capítulo ao tema meio ambiente/clima, mas o relaciona com sua política de desenvolvimento. O presidenciável do PDT afirma que “a maior parte dos conflitos observados na política de meio ambiente é fruto de uma oposição artificial entre dois conceitos interligados, a ecologia e a economia”, e afirma que seu governo tratará de desenvolvimento econômico, reindustrialização, agricultura e infraestrutura com olhar para a preservação ambiental. Seu plano de governo fala em ações para conter o desmatamento e cumprir metas climáticas até 2020, mas não fornece detalhes de quais ações serão feitas na prática para cumprir esses objetivos.
 
No espectro mais liberal, Alckmin e Amoêdo dedicam poucas linhas a meio ambiente e clima, prometendo honrar os compromissos assumidos no Acordo de Paris (sem detalhar metas e estratégias) e aplicar o Código Florestal (Lei 12.651/2012) como forma de harmonizar produção agrícola e conservação de florestas. Nenhuma proposta mais ousada para a área aparece no rol dos candidatos, que parecem confortáveis em cumprir as leis e compromissos que já existem.
 
Bolsonaro é o candidato que dedica menos atenção ao assunto: ambiente apenas aparece como um dos itens subordinados ao ministério que pretende criar, fundindo agropecuária e recursos naturais. Não há qualquer menção a clima, mudanças climáticas ou Acordo de Paris – embora o candidato do PSL tenha afirmado em entrevistas que, se eleito, retiraria o Brasil do compromisso por entendê-lo como uma ameaça à “soberania nacional”. Apenas na área de energia o candidato acena ao tema em seu plano, ao dizer que pretende estimular fontes renováveis como eólica e solar fotovoltaica, especialmente na região Nordeste. O candidato do PSL propõe reduzir o papel regulador e fiscalizador do Ministério do Meio Ambiente, reduzindo a pasta a uma instância subordinada ao novo ministério de agropecuária que pretende criar.
 
A maior parte dos presidenciáveis fala em envidar esforços para o cumprimento do Acordo Paris, mas sem a fixação de estratégias e metas claras. O acordo global, firmado em 2015 por 195 países junto às Nações Unidas com o objetivo de frear o aquecimento global, foi ratificado no ano seguinte pelo Brasil, o que significa que o país terá de cumprir os compromissos nele assumidos. Sair dele, como pretende o candidato do PSL, também não é uma alternativa simples – a ratificação foi aprovada pela Câmara dos Deputados e Senado, que teriam igualmente de aprovar a saída do país do compromisso.
 
Adaptação à crise do clima
 
Uma preocupação verificada pelo OC é que, embora a mudança climática seja pouco mencionada na agenda política, seus efeitos já podem ser sentidos. O ano de 2017 foi considerado o mais quente da história, segundo a NOAA, agência americana dos oceanos e atmosfera. No Brasil, o agravamento de eventos extremos, como secas e inundações, também é realidade: 48,6% dos municípios sofreram com secas nos últimos quatro anos, segundo o IBGE. O litoral está vulnerável ao aumento do nível do mar: 18 das 42 regiões metropolitanas brasileiras se situam nas zonas costeiras, onde o mar poderá subir até 40 cm até 2050, no cenário mais pessimista. Rio de Janeiro, Santos, Recife, Fortaleza, Salvador e o Vale do Itajaí (SC) estão entre as regiões mais sujeitas a inundações e eventos extremos de clima. O clima também deve ter impacto em diferentes cultivares, incluindo soja, cana e café.
 
A vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas, porém, recebe pouco espaço nos programas de governo – Marina Silva fala em apoiar os municípios para que coloquem em prática planos de contingência e monitoramento de extremos climáticos, com o objetivo de prevenir e mitigar os impactos de desastres naturais (secas, alagamentos, enxurradas e deslizamentos). O plano de Haddad também fala em “resiliência urbana” para diminuição do risco de desastres, por meio de medidas que promovam a adaptação às mudanças climáticas. Cita ações como investimentos em defesa urbana, drenagem, controle e mitigação de riscos de enchentes, despoluição de rios, contenção de encostas em áreas de risco e fortalecimento de sistemas de monitoramento e alerta de desastres naturais. Os dois programas não elencam metas de adaptação para as cidades brasileiras mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
 
Apesar de a mudança climática ser tema crucial para planejar o desenvolvimento do país, porém, o tema tem recebido pouca atenção no debate eleitoral de 2018. Com o mapeamento de propostas que o OC oferece aqui, gostaríamos de incentivar que as equipes de campanha e a imprensa dêem a questão climática a importância que ela merece na corrida presidencial.
 
CLIQUE AQUI e veja as principais propostas dos candidatos à Presidência da República para os eixos clima, energia, desmatamento e agricultura.
 
Fonte: Observatório do Clima / Texto: Andrea Vialli
Imagem: Pixabay

 
O presidente do Conselho da Christian Aid (CAID) e ex-arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams, e a Diretora-Executiva da Christian Aid, Amanda Khozi Mukwashi, verão por si mesmos os efeitos devastadores das desigualdades do Brasil em uma viagem especial à América Latina e ao Caribe.
 
A visita acontece em um momento em que a Christian Aid convoca as comunidades de fé para a que se comprometam e se manifestem contra as questões sistêmicas que levam à desigualdade, discriminação e violência na região.
 
A viagem incluirá uma visita a uma ONG local, Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos,  com sede no centro da cidade de São Paulo, que trabalha com os grupos mais vulneráveis ​​da cidade. É uma organização enraizada na Teologia da Libertação e seu nome homenageia o padre espanhol Gaspar Garcia Laviana, assassinado durante as lutas populares na Nicarágua.
 
Em um mundo onde a linguagem da fé é às vezes usada para justificar políticas que excluem ao invés de acolher, que ignoram aqueles que vivem na pobreza extrema e que causam desigualdades que levam a níveis extremos de violência em comunidades ao redor do mundo, agora é a hora dos líderes religiosos recuperarem a sua sede de justiça e permanecer com aqueles que são oprimidos.
 
A visita a São Paulo acontece dias antes da participação do Dr. Williams e da Sra. Mukwashi no Fórum Inter-Religioso do G20 e no quarto Diálogo de Alto Nível sobre Ética e Economia, que acontece de 26 a 28 de setembro em Buenos Aires, Argentina.
 
A América Latina e o Caribe é uma região na qual as desigualdades baseadas em identidade, gênero, situação econômica ou localização geográfica são profundas e difundidas. O crescente impacto das mudanças climáticas e a situação política instável na região também exacerbam os desafios à redução da desigualdade estrutural.
 
Embora os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) tenham colocado firmemente a questão da desigualdade no centro do discurso de desenvolvimento, questões como a quantidade desproporcional de poder das multinacionais globais tornam ainda mais desafiador melhorar as vidas dessas comunidades na América Latina. e o Caribe - e também em muitas regiões do mundo - que enfrentam os desafios cotidianos dessas desigualdades.
 
Sarah Roure, representante da Christian Aid no Brasil, afirma: “Apesar de seu perfil crescente no cenário mundial, o Brasil continua sendo uma das sociedades mais desiguais do planeta, com apenas 1% da população detendo 13% da renda total do país. Estamos ansiosos para receber o Dr. Williams e nossa Diretora-Chefe Amanda Khozi Mukwashi na região para destacar a importancia da solidariedade internacional para com os mais marginalizados no Brasil.”
 
Com base nas conclusões do relatório da Christian Aid “O Escândalo da Desigualdade na América Latina e no Caribe”, a organização destaca que as mulheres são as que mais sofrem com as desigualdades na região. Elas são mais frequentemente vítimas de violência; os sistemas fiscais são enviesados contra elas; elas são os mais afetados pelas mudanças climáticas e têm menos oportunidades de encontrar trabalho decente.
 
“As múltiplas faces da desigualdade nas sociedades latino-americanas e caribenhas continuam sendo um ultraje, com as mulheres suportando o peso da discriminação”, disse Amanda Khozi Mukwashi. “Como uma organização baseada na fé, não podemos mais aceitar que as profundas e difusas desigualdades enfrentadas pelas sociedades latino-americanas e caribenhas sejam um fato da vida. Precisamos garantir que as instituições religiosas e outras organizações baseadas na fé não sejam cúmplices dos sistemas estruturais que afetam a vida das pessoas em situação de pobreza”.
 
O Dr. Rowan Williams afirmou: “A América Latina e o Caribe têm uma longa história de líderes religiosos, como Oscar Romero, que se manifestaram contra a pobreza, a opressão e a violência e pagaram o preço final. Deles é uma visão de um mundo radicalmente transformado e no qual cada um de nós é obrigado a falar quando vemos a subjugação de outro.
 
“Com mais de oito em cada dez pessoas no mundo se identificando com um grupo religioso, os líderes religiosos que compartilham uma visão de um mundo justo devem reconhecer o papel fundamental que desempenham na condenação da maneira como os pobres e marginalizados são tratados em suas comunidades e trabalhar incansavelmente para a restauração de relacionamentos justos”.
 
Este é o quinto evento anual de uma série de Fóruns inter-religiosos do G20 e o quarto Diálogo de Alto Nível sobre Ética e Economia, ambos realizados antes da 13ª Cúpula do G20, que acontecerá em Buenos Aires, em novembro.
 
Fonte: CAID

 
O Vaticano e a China anunciaram neste sábado (22/09) um acordo histórico que promete contribuir para o degelo das relações diplomáticas entre ambos, rompidas há quase 70 anos. O primeiro passo foi o reconhecimento por parte da Santa Sé de bispos nomeados pelo governo chinês.
 
Como parte do acordo, o papa Francisco aceitou neste sábado a nomeação de sete bispos chineses, entre os 60 indicados pelo regime do país nas últimas décadas sem o consentimento do Vaticano. Em outros países, é normalmente o pontífice quem nomeia os bispos locais.
 
Até então, a China vinha se recusando a aceitar que a nomeação viesse do Vaticano, uma vez que não reconhece o papa como chefe da Igreja Católica, enquanto a Santa Sé se negava a reconhecer que bispos fossem impostos pelo governo chinês, o que não ocorre em outros países.
 
Segundo um comunicado do Vaticano, os bispos chineses reconhecidos por Francisco são Giuseppe Guo Jincai, Giuseppe Huang Bingzhang, Paolo Lei Shiyin, Giuseppe Liu Xinhong, Giuseppe Ma Yinglin, Giuseppe Yue Fusheng e Vincenzo Zhan Silu.
 
"O papa Francisco deseja que, com as decisões tomadas, seja possível iniciar um novo caminho que permita superar as feridas do passado, realizando a plena comunhão de todos os católicos chineses", acrescenta a nota.
 
O acordo que trata da futura nomeação de bispos chineses, ainda provisório, foi assinado neste sábado em Pequim pelo subsecretário de relações do Vaticano com os Estados, Antoine Camilleri, e pelo vice-ministro do Exterior da China, Wang Chao.
 
O Vaticano não informou o conteúdo do acordo, mas fontes sugerem que, daqui em diante, é o papa quem terá a palavra final sobre a nomeação dos bispos, que serão, contudo, escolhidos com ajuda do governo em Pequim e seguindo algumas propostas do governo chinês.
 
Falando de Vilnius, na Lituânia, onde Francisco estava em visita, o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, indicou apenas que o acordo servirá como um modelo para futuras nomeações de bispos, que lideram os fiéis em suas diversas dioceses espalhadas pelo mundo.
 
Burke acrescentou que o pacto "não é político, mas pastoral, a fim de permitir que os fiéis tenham bispos que estejam em comunhão com Roma mas, ao mesmo tempo, sejam reconhecidos pelas autoridades chinesas".
 
Com o pacto, a China e o Vaticano resolvem seu principal motivo de conflito. Os dois Estados cortaram seus laços diplomáticos em 1951, dois anos depois de o líder Mao Tsé-tung ter estabelecido a República Popular da China.
 
À época, a Santa Sé excomungou dois bispos nomeados por Pequim, e as autoridades chinesas reagiram com a expulsão do núncio apostólico, que se assentou na ilha dissidente de Taiwan.
 
Desde então, o regime chinês só reconhece o catolicismo através de sua Igreja Patriótica Chinesa, desvinculada do Vaticano. Com o acordo deste sábado, espera-se que as duas Igrejas passem a ser uma só.
 
As tentativas de restaurar as relações bilaterais entre a China e o Vaticano foram retomadas com o pontificado de Francisco, tendo ambas as partes manifestado em diversas ocasiões vontade de melhorar seus laços.
 
Com informações da Deutsche Welle 
Foto: Reprodução

 
Cerca de 30 lideranças Kanamari das aldeias São Francisco, Parauá e Ponta Branca estiveram reunidas, nos dias 30 e 31 de agosto, no 3ºde Políticas Indigenistas, no município de Maraã/AM, para debater e intensificar a luta contra a violação de direitos, praticada historicamente aos povos indígenas. A denuncia do povo Kanamari é recorrente nos últimos anos, que reivindica providências para resolução dos problemas e reparação da violação de direitos junto às autoridades e órgãos competentes.
 
O projeto “Garantindo a defesa de direitos e a cidadania dos povos indígenas do médio rio Solimões e afluentes” apoia essa luta e contribui com o fortalecimento das capacidades indígenas e seu poder de incidência política. Pelo projeto, são realizadas diversas oficinas de formação, mutirões de defesa de direitos, encontros e reuniões de incidência política com o poder público, com debate e documentação das violações de direitos praticadas. Nesse contexto, discriminação, preconceitos, tratamentos hostis, falta de fiscalização em seus territórios e descasos por parte dos órgãos públicos foram identificados e denunciados.
 
A terceira edição do Fórum reuniu lideranças das aldeias que compartilham seus problemas e encaminham conjuntamente suas denúncias e reivindicações. Dessa forma, é possível registrar que as violações não são situações isoladas e sim resultados de políticas que desconsideram a realidade e as especificidades indígenas, pois desconsideram direitos, cultura e a própria vida indígena.
 
Na busca pelo diálogo com o poder público, foram convidados para o evento os órgãos que têm poder de resolução dos problemas. Apesar de o convite para o evento ter sido feito para diferentes secretarias e órgãos públicos locais responsáveis por políticas públicas indigenistas, em Maraã, apenas a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) e o Conselho Distrital de Saúde, estiveram representados. A representante da SEMSA, Gerente de Serviços em Saúde, Sra. Dilene Alves Machado, destacou que o evento foi uma boa oportunidade para a Secretaria falar às lideranças para que saibam do empenho da Secretaria na implementação das políticas de saúde indigenista: “A Secretaria de Saúde de Maraã realiza nos últimos anos planejamento e desenvolvimento de programas que atendam as necessidades específicas das populações indígenas. Ter a oportunidade de falar sobre esse assunto para as lideranças das aldeias é muito importante, porque podemos mostrar os esforços para que isso se torne realidade”.
 
Além do diálogo com essas autoridades, os indígenas tiveram a oportunidade de compartilhar suas participações nas atividades do projeto. A professora Dieice Corrêa, da aldeia São Francisco, falou sobre a importância de momentos como o Fórum para troca de conhecimentos na promoção do desenvolvimento de todos: “A gente tá aqui para aprender e temos aprendido muito. Sabemos o quanto nossos direitos estão sendo violados e vamos continuar lutando. O projeto tem feito isso por nós e, por isso, quero agradecer ao CIMI por ter feito esse projeto”.
 
O projeto “Garantindo a defesa de direitos e a cidadania dos povos indígenas do médio rio Solimões e afluentes”, é uma realização da Cáritas da Prelazia de Tefé e Conselho Indigenista Missionário (CIMI-Tefé), financiado pela União Europeia e CAFOD, Agência Católica para o Desenvolvimento Internacional.
 
Fonte: Cimi
Foto: Reprodução / Nelma Catulino

 
No último mês de agosto, a Monsanto foi condenada em San Francisco (EUA) a pagar uma indenização de US$ 289,25 milhões a um jardineiro que sofre de um câncer não-Hodgkins. Por unanimidade, os juízes da Corte Superior de São Francisco julgaram que o glifosato, o herbicida mais utilizado no mundo, contribuiu substancialmente para o aparecimento da doença e que, além disso, a multinacional sabia que havia tal risco, mas não o informou.
 
Pior do que isso, documentos requisitados pelo juiz, e que se tornaram públicos, os já famosos Monsanto Papers, indicam que a empresa promovia uma campanha intensa de mídia para desacreditar cientistas e agências de pesquisas que sugerissem que o glifosato pudesse contribuir para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.
 
Enquanto isso, no Brasil, o PL 6299/2002, chamado de Pacote do Veneno, já aprovado em uma Comissão Especial do Congresso, e que aguarda apenas o momento politicamente "mais propício" para ir ao Plenário, pretende modificar a forma como os agrotóxicos são autorizados no País, de maneira a facilitar o seu uso.
 
Uma comissão na qual o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) indicaria a maioria dos seus membros teria a função de avaliar seus riscos, substituindo assim a comissão atual, na qual os aspectos relativos à saúde e ao meio ambiente ficam a cargo a quem de direito, ou seja, da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), cabendo ao MAPA analisar apenas a eficácia agronômica dos agrotóxicos.
 
Outra modificação chocante do Pacote do Veneno é que, caso ele seja aprovado, não mais será considerado como critério para recusar a autorização de uso de um agrotóxico o fato de que ele seja cancerígeno, teratogênico ou mutagênico. Caberá a essa mesma comissão, escolhida pelo Ministro da Agricultura, julgar se esse ou aquele agrotóxico oferece "risco inaceitável à saúde", critério que, obviamente, carece de qualquer base científica.
 
O Brasil tem uma regulamentação extremamente permissiva, a ponto de liberar resíduos de glifosato 200 vezes maiores na soja e 5 mil vezes maiores na água do nosso país do que na União Europeia. O uso é tão despreocupado, e estimulado, que uma criança de 20 kg que ingere 100g de soja já consumiu 20% a mais de glifosato do que a legislação considera aceitável para a sua massa corporal. Se considerarmos os diversos outros impactos negativos, como a contaminação das águas e do solo, além dos diversos problemas de saúde já relacionados à substância, fica ainda mais claro que quem ganha é o setor produtivo de commodities para exportação, enquanto todo o resto da sociedade perde.
 
Portanto, estamos na contramão de uma tendência mundial, que restringe e torna cada vez mais rigorosos os processos de controle do uso de agrotóxicos. Em diferentes países no mundo, quando não são as agências de saúde ou de meio ambiente, fica a cargo da justiça defender os cidadãos e consumidores. Menos aqui.
 
No Brasil, especialmente em um Congresso no qual a chamada da bancada do agronegócio tem tanto poder, é possível que no apagar das luzes desse mandato, após as eleições de outubro, o Pacote do Veneno seja aprovado, apesar da forte oposição de cientistas, médicos, nutricionistas, consumidores, ambientalistas e defensores de uma alimentação saudável e ecológica.
 
Por Marijane Lisboa e Gleen Makuta, para o HuffPost Brasil
Foto: GETTY IMAGES
 
Marijane Lisboa é socióloga, professora da PUC-SP, membro do Conselho Diretor do Idec
(Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e do Conselho Deliberativo da AAO
(Associação de Agricultura Orgânica). Glenn Makuta é biólogo, articulador de rede do
Slow Food Brasil e membro do comitê gestor da Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável.

 
Em seu primeiro discurso após a terrível violência da qual foi vítima, o candidato Jair Bolsonaro questionou antecipadamente a lisura do processo eleitoral. Segundo ele, “a possibilidade de fraude no segundo turno, talvez no primeiro, é concreta". Ao sugerir que só reconhecerá a validade do pleito caso seja vitorioso, o candidato manifesta seu desapreço às regras mais elementares da democracia.
 
Seu candidato a vice General Hamilton Mourão insinuou recentemente que não descarta um autogolpe “com apoio das forças armadas” e sugeriu a substituição da Constituição de 1988 por uma carta que não seria elaborada por representantes eleitos pelos cidadãos.
 
Há poucos atos mais simbólicos do sentido da democracia do que o reconhecimento da derrota nas urnas e a legitimação do adversário eleito.
 
Não à toa, a imprensa costuma noticiar o telefonema de congratulação feito à candidatura vitoriosa pela preterida, no geral poucos minutos após a divulgação pela Justiça Eleitoral do resultado das urnas.
 
Não é de hoje que vivemos uma crise institucional. É dever de todas e todos -- lideranças políticas, imprensa, instituições de Justiça, cidadãs e cidadãos -- zelar pelas instituições e pela Constituição Federal. A cadeira de presidente da República caberá àquela ou àquele que o povo escolher. Aos demais, cabe reconhecer a vitória e seguir na luta política, democraticamente.
 
Nesse contexto, repudiamos as declarações dos candidatos Jair Bolsonaro e do General Hamilton Mourão e reafirmamos nosso compromisso com as regras democráticas, com a não-violência, discriminação ou intolerância de qualquer natureza, com os valores e fundamentos expressos na Constituição Federal, conquistados pela ação conjunta de milhares de homens e mulheres que vieram antes de nós.
 
Reiteramos, por fim, o compromisso de todos, conforme exposto no Pacto pela Democracia, em defender as instituições e práticas democráticas e produzir eleições limpas, diversas e com ampla participação em outubro, capazes de efetivamente representar a cidadania e fortalecer as bases de confiança e legitimidade no ambiente político.
 
Assinam esta nota, as seguintes organizações:
 
Bancada Ativista
Brasil 2030
Bússola Eleitoral
Casa Fluminense
Centro de Liderança Pública
CIVI-CO
Conectas Direitos Humanos
Escola de Governo
Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Frente Favela Brasil
Fundação Avina
Fundação Cidadania Inteligente
Geledés - Instituto da Mulher Negra
ICS - Instituto Clima e Sociedade
INESC
Instituto Alana
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - Idec
Instituto Brasileiro da Diversidade - IBD
Instituto Construção
Instituto de Estudos da Religião - ISER
Instituto Ethos
Instituto Não Aceito Corrupção
Instituto Sou da Paz
Instituto Soma Brasil
Instituto Tecnologia e Equidade
Instituto Update
Instituto Vladimir Herzog
Jogo da Política
LabHacker
Mandato Cidadanista
Maria Farinha Filmes
Movimento Acredito
Movimento Agora!
Núcleo de Estudos de Direito Contemporâneo
Open Knowledge Brasil
Plataforma dos movimentos sociais pela reforma do sistema político
Quero Prévias
Rede Filantropia para a Justiça Social
Rede Justiça Criminal
Rede Nossa São Paulo
Tapera Taperá
Transparência Brasil
Transparência Partidária
Um Novo Congresso é Possível
Vote Nelas
 
Imagem: Plenarinho

 
O poder de persuasão dos líderes religiosos sobre os fiéis nestas eleições está preocupando a Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro. Uma força-tarefa de fiscais tem percorrido templos e igrejas, de todas as religiões, para fiscalizar, flagrar, coibir e multar o que já é chamado de abuso do poder religioso. O objetivo, segundo o procurador regional eleitoral, Sidney Madruga, é evitar desequilíbrio na disputa, garantindo isonomia a todos os candidatos.
 
"Dentro das prioridades, nestas eleições, está o combate ao abuso do poder religioso. Há um monitoramento para saber se o líder religioso está pedindo votos ou distribuindo kits para determinado candidato. Esta situação já foi caracterizada pelo TSE [Tribunal Superior Eleitoral] como abuso de poder econômico, já que não existe a figura do abuso de poder religioso. O uso indevido e irregular, da igreja ou do templo, não deixa de ter um reflexo econômico", destacou Madruga, conhecido no estado pelo rigor na denúncia de crimes eleitorais.
 
Segundo ele, os fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) estão atuando sem os coletes de identificação, com objetivo de juntar provas, que incluem fotos e filmagens. 
 
Um caso recente, flagrado pelos fiscais no final de agosto, ocorreu no Rio. "Panfletos estavam sendo distribuídos do lado de fora e, do lado de dentro, o pastor dizia que tinha um candidato, mas que não poderia falar quem era. Ele foi filmado. Isto configurou propaganda irregular, crime eleitoral". 
 
O procurador eleitoral explicou que o objetivo do endurecimento na fiscalização é evitar desequilíbrio no pleito. "É uma das nossas prioridades o combate ao abuso do poder religioso para garantir a competitividade entre os candidatos e a higidez [saúde] eleitoral, assim como o combate às fake news".
 
Para ele, ao favorecer um candidato, as igrejas provocam um desequilíbrio na competição, ao discriminar os demais. "Isto pode entrar inclusive no terreno da discriminação, ao favorecer um candidato com milhares de fiéis, excluindo os outros candidatos, que teriam a mesma chance, se não houvesse tal favorecimento. Proporciona vantagem para um determinado candidato e desvantagem aos outros. Isto deve ser combatido".
 
Madruga ressaltou que o endurecimento na fiscalização é direcionado a todas as religiões. 
 
Estado laico
 
O procurador eleitoral frisou a necessidade de se buscar a separação entre Estado e religião: "É importante que todos busquem a laicidade. Temos que garantir o protagonismo do eleitor. Todos os órgãos têm que estar envolvidos na garantia da laicidade, porque isto está na Constituição. Não podemos misturar religião com política, cada um tem o seu papel".
 
E advertiu: "O que nós esperamos é um comportamento de civilidade e cidadania dos líderes religiosos. No caso do Rio de Janeiro, a procuradoria eleitoral e a polícia estão de olho, fiscalizando as condutas irregulares com muito rigor. Essas pessoas que transgredirem a lei, em desrespeito ao processo democrático, tentando influenciar a vontade do eleitor, serão punidas, mediante a legislação eleitoral".
 
Madruga afirma não ter dúvidas de que as ações desenvolvidas por igrejas em apoio a candidatos sejam um esquema organizado, não apenas casos isolados. "Esta questão não é espontânea. Tem um direcionamento, uma ordem, de cima para baixo, toda uma artimanha política".
 
O valor das multas vai de R$ 5 mil a R$ 30 mil, para os responsáveis e os beneficiários, no caso os candidatos, que poderão ter o registro e o diploma cassados, se eleitos. Além das fiscalizações presenciais, nas igrejas, já está ocorrendo o monitoramento das redes sociais, programas de rádio e de televisão. Denúncias devem ser feitas ao TRE e à PRE.
 
TRE
 
No início da semana, o assunto foi abordado no TRE, durante reunião entre os juízes responsáveis pela fiscalização da propaganda eleitoral e representantes de instituições religiosas e advogados de partidos políticos. O objetivo foi fixar parâmetros a respeito das regras de campanha eleitoral em entidades religiosas e no seu entorno.
 
Um dos assuntos debatidos foi a proibição da veiculação de propaganda eleitoral em quaisquer instituições religiosas, nas imediações e abordando pessoas que comparecem aos cultos, segundo o coordenador da fiscalização, juiz Mauro Nicolau Junior.
 
Ele ressaltou que a realização de campanha em instituições religiosas, seja de forma verbal ou impressa, por meio de santinhos e folhetos, poderá ensejar a interdição da instituição, além de eventual aplicação de multa pela Justiça Eleitoral.
 
Foto: Pixabay

 
Uma palavra sintetiza a aula sobre nazismo que um grupo de brasileiros tentou dar aos próprios alemães na Internet: fremdschämen (vergonha alheia). O que era para ser um vídeo sobre como se ensina a história do nazismo, publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília e pelo Consulado Geral no Recife, se tornou um campo de guerra nas redes sociais.
 
De um lado, brasileiros que não acreditam no holocausto e garantem que o nazismo era uma ideologia de esquerda, contestavam a história divulgada pelo Governo alemão. Do outro, brasileiros envergonhados pediam desculpas pelos comentários exaltados. E no meio, a embaixada alemã tenta equilibrar os ânimos e corrigir os néscios: "O holocausto é um fato histórico, com provas e testemunhas que podem ser encontradas em muitos lugares da Europa", publicou em resposta a um internauta que afirmou que  o "holofraude está com os dias contados".
 
No vídeo institucional, a Alemanha explica que desde cedo as crianças são ensinadas confrontar os horrores do holocausto, como parte do pensamento de conhecer e preservar a história para não repeti-la. No país é crime negar o holocausto, exibir símbolos nazistas, fazer a saudação "Heil Hitler". O vídeo deixa claro que o nazismo é uma ideologia da extrema direita. "Devemos nos opor aos extremistas de direita, não devemos ignorar, temos que mostrar nossa cara contra neonazistas e antissemitas", afirma no vídeo Heiko Mass, ministro das Relações Exteriores.
 
Muitos internautas contestaram o ministro: "Extremistas de direita? O partido de Hitler não se chamava Partido dos Trabalhadores Socialistas? Onde tem extrema direita?", perguntou um internauta, em relação ao Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), que ficou ativo no país entre 1920 e 1945. O partido de Hitler misturava uma cultura paramilitar racista, populista, antissemita e anti-marxista, algo como "contra tudo o que está aí" e " ou pelos verdadeiros alemães "de bem".
 
Houve quem tentasse explicar onde estava o erro da embaixada: "Não é só pelo nome do partido. É uma concentração de poder no Estado. A esquerda (comunismo/socialismo) acredita em poder centralizado no governo para a construção de uma sociedade melhor. A direita acredita na descentralização desse poder, por isso advoga um poder maior ao indivíduo e não ao coletivo (...)". Isto é, como Hitler centralizava o poder, logo, ele não poderia ser de direita, segundo esse internauta.
 
Enquanto alguns tentavam ver o lado positivo da iniciativa e marcavam amigos para tentar provar que o nazismo é, sim, de direita - "(...) se o Consulado alemão explicando que o nazismo é de extrema direita não te convencer, não sei o que mais poderá", escreveu um internauta. Outros até ameaçaram a embaixada: "[Vocês] perderam uma enorme chance de ficar de boca fechada. Mas não se preocupem. Estou compartilhando este post na Alemanha. Vamos ver o que irão dizer!"
 
Damaris Jenner, responsável para assuntos de imprensa na embaixada, explica que a ideia era falar sobre como se ensina história na Alemanha. “Na semana em que pensamos em fazer esse vídeo, aconteceram as manifestações em Chemnitz e vários jornais brasileiros noticiaram”, diz ela. Os protestos foram realizados por militantes da extrema direita desde o final de agosto contra a morte de um alemão, supostamente esfaqueado por dois imigrantes, e que terminaram em atos de violência.
 
“Achamos que seria interessante ligar esses dois assuntos para mostrar essa discussão na Alemanha”, afirma Jenner. Mas a reação dos internautas surpreendeu. “Não imaginávamos que repercutiria dessa forma”, diz. “Nosso vídeos costumam ser bem assistidos, mas esse foi excepcional”. Até o fechamento desta reportagem, o vídeo tinha mais de 630.000 visualizações na página da embaixada. Jenner diz que, além da audiência alta, fez diferença o engajamento dos usuários. "Geralmente tem menos debate”, diz. Ela afirma que alguns comentários foram respondidos “de forma cordial” pela própria embaixada ou pelos consulados que replicaram o vídeo, mas que em muitos casos os próprios usuários responderam uns aos outros.
 
Apesar da polêmica e de alguns comentários pouco cordiais de usuários, a embaixada não pretende retirar do ar a publicação. “Isso é um assunto importante em muitos países atualmente”, diz Jenner, sobre a temática levantada pelo vídeo. “Mas as reações daqui são devido a situação política do Brasil”, afirma. Desde as jornadas de junho de 2013, o país vive um clima acirrado de polarização política. Grupos alinhados ao pensamento da direita se uniram em torno do impeachment da petista Dilma Rousseff. Enquanto grupos de esquerda acusavam os adversários de golpe. Neste cenário, a defesa falaciosa de que o nazismo seria um movimento de esquerda se tornou comum entre militantes da direita nas redes sociais.
 
Na escola, os alemães começam a aprender sobre o nazismo quando têm  entre 13 anos e 15 anos. E no Brasil também. "Os alunos da rede pública estudam este tema em História em dois momentos do ciclo básico: no nono ano do ciclo fundamental e no terceiro ano do ensino médio", afirma o professor de história da rede pública de São Paulo Danilo Oliveira. A diferença é que, enquanto na Alemanha a história do Terceiro Reich está nas ruas, no turismo e nas memórias das famílias, no Brasil, as lembranças do passado de influência nazista vão sendo apagadas pelo desinteresse sobre o tema.
 
É o que aconteceu com a Fazenda Cruzeiro do Sul, em Paranapanema, interior do Estado, onde funcionou na década de 1930 uma colônia nazista. A história da fazenda ganhou destaque a partir do trabalho do historiador Sydney Aguilar que descobriu como 50 meninos órfãos do Rio de Janeiro foram escravizados por dez anos a ponto de terem sido privados até mesmo de seu nome, eles só ganhavam números. Essa história foi contada no filme Menino 23, lançado em 2016. O prédio da sede, construído com tijolos com o desenho da suástica, já não existe mais. O proprietário começou a demolir a estrutura em 2012, e terminou em 2016. E só restou à Procuradoria Geral do Estado processar o dono.
 
O professor Oliveira admite que o nível de informação dos brasileiros sobre grandes temas da humanidade, como o nazismo, pode piorar nos próximos anos. Isso porque a diferença entre as ideologias de direita e esquerda são mais aprofundadas nas disciplinas de história e sociologia no ensino médio, que deixarão de ser obrigatórias se a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para esta etapa de estudos for aprovada. Por enquanto, como disse um internauta, "brasileiros questionando a embaixada alemã sobre nazismo é 8 a 1 para Alemanha". Mas pelo andar das coisas, esse placar ainda tem potencial para crescer muito.
 
Fonte: El País
Foto: Reprodução / GETTY | EPV


O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) alertou, na última sexta-feira (14), na Suíça, para o risco de genocídio de diversos povos indígenas no Brasil, durante a 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). A denúncia reitera, inclusive, o caótico cenário enfrentado por esses povos frente às políticas anti-indígenas aplicadas no país, em específico nos últimos dois anos.

O alerta do Cimi é um pedido de providência contra as violações praticadas aos povos indígenas, que correm risco de total extinção, como é o caso de grupos isolados, se nenhuma providência efetiva de defesa seja adotada. Os dados apresentados pela entidade revelam o massacre às comunidades, tendo em vista que no último século a população indígena passou de 4% para apenas 0,4% no Brasil, segundo senso de 1872 e 2010, respectivamente.

Para Flávio Vicente Machado, missionário do Cimi que acompanha a delegação, este dado censitário é revelador, porque no primeiro censo de 1872, as populações indígenas correspondentes a 4%, cerca de 384 mil pessoas, eram aquelas que perfaziam os convívios populacionais, no entorno das paróquias, unidade populacional utilizada há época para a pesquisa. “Isto é, não contabilizou, obviamente, a grande maioria dos povos que estavam massivamente isolados nas florestas. No entanto, já no censo de 2010, não só houve uma quantidade enorme de povos contatados nos últimos 138 anos, mas se consolida o elemento da autodeclararão. E é este o dado aterrador porque não chegam a 0,4% (817 mil) da população brasileira. É obvio que existe uma série de fatores relacionados a estes dados gerais, no entanto, quando comparamos os dados absolutos é aterrorizante, por exemplo, constatar que em 1991, quando os indígenas são novamente incluídos no Censo, pois foram excluídos durante 120 anos, a população à época era de 294 mil pessoas. Portanto, quase 100 mil a menos que há 120 anos. A grosso modo, o Brasil assassinou quase mil indígenas por ano, entre 1872 a 1991”, ainda que nasciam crianças há uma alta taxa de natalidade e mais povos tinham seus territórios invadidos, principalmente na Amazônia brasileira.

Segundo o representante do Cimi, Paulo Lugon Arantes, o discurso político de ódio no país, um dos 14 fatores de risco de genocídio, tem legitimado e alimentado uma série de ataques violentos contra povos indígenas. “A taxa de homicídios da população Guarani e Kaiowá em Dourados é de 88 por 100.000 habitantes, quase um triplo da taxa total brasileira. Seguindo a metodologia estabelecida pelo Escritório de Prevenção de Genocídio da ONU, o caso Guarani e Kaiowá se encaixa em 7 fatores e 16 indicadores, de acordo com a análise de risco de crimes de atrocidades que submetemos ao seu escritório”.

Na declaração, o Cimi também ressaltou a recomendação da Comissão Nacional da Verdade no Brasil, acerca da criação de uma comissão da verdade específica para investigar os massacres contra populações indígenas, demarcação dos territórios, reconhecimento oficial estatal das violações estatais, como formas de reparação e não repetição. O representante do Cimi pontuou também a identificação, por parte dessa Comissão, de políticas específicas e deliberadas, praticadas pelo regime militar, de extermínio dos povos indígenas e práticas horríveis, a exemplo do desfile público de indígenas submetidos à tortura.

Em caráter inédito, a liderança da Aty Guasu, Grande Assembleia dos Guarani e Kaiowá, Leila Rocha Guarani Nhandeva, entregou um estudo com as análises dos fatores de risco, apontando mais de 30 indicadores de genocídio ou crimes atrozes, ao assessor especial do secretário-geral da ONU sobre a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng. O documento, com 160 páginas, foi produzido a pedido da Aty Guasu – Grande Assembleia Guarani e Kaiowá -, do Cimi e Ministério Público Federal – MPF, pelas Clínicas de Direitos Humanos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos – RS, da Cardoso School of Law – Yeshiva University NYc, contando ainda com apoio de pesquisadores da Universidade Federal da Grande Dourados – UFGD.

No marco dos 70 anos da Convenção para a prevenção e a repressão do crime de genocídio, Cimi pede a tipificação do crime de Etnocídio

A manifestação do Cimi contra as violações de direitos indígenas foi iniciada no dia 13, durante o Painel comemorativo do 70º aniversário da convenção na 39ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que contou com a participação da nova Alta-comissária para os direitos humanos da ONU, Sra. Michelle Bachelet, o Assessor Especial do Secretário Geral da Onu para prevenção do Crime de Genocídio Sr. Adama Dieng, o Ministro de relações exteriores Armênio, Sr. Zohrab Mnatsakanyan, e a juíza da Corte Penal Internacional, Sra. Kimberly Prost.

O pedido protocolado no sistema do conselho pede a tipificação do crime de etnocídio praticado contra os povos indígenas e originárias, com foco na situação dos povos em isolamento voluntário, considerados os grupos mais ameaçados do planeta. O etnocídio relatado, corresponde ao ato de destruir qualquer traço remanescente de uma cultura, seja material, como símbolos ou obras artísticas que possuem representação cultural, seja imaterial, como uma língua ou uma crença religiosa.

Evento paralelo à 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU

Também na tarde desta sexta-feira (14), foi realizado um evento paralelo à 39ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU para destacar o quadro agudo de violações de direitos humanos. Foi ressaltado no contexto da política de desmonte baseada em uma perspectiva de austeridade e de ruptura do Estado Democrático de Direito pelo qual passa o Brasil. O evento foi proposto por Terra de Direitos, Plataforma de Direitos Humanos – Dhesca Brasil e Cimi, com apoio da Justiça Global e FIAN Brasil.

Programação

Nesta semana o debate em defesa dos povos indígenas também integra o evento paralelo “Entre o Brasil e a Venezuela: a situação dos direitos humanos dos povos Warao e E’ñepa”. A liderança da Aty Guasu, Leila Rocha, fará parte do evento, no dia 20, como painelista. Em solidariedade aos povos indígenas Warao e E’ñepa, cuja migração da Venezuela ao Brasil vem se intensificando nos últimos anos, Leila partilhará a realidade vivenciada pela população Guarani, que tem seu território originário atravessado pelas fronteiras entre Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina.

Além disso, a programação também prevê painel sobre a situação dos povos indígenas no mundo, bem como o diálogo interativo entre a relatora especial para os Povos Indígenas e o Mecanismo de peritos do qual a Yamada faz parte e preside.
 
Fonte: Cimi
Foto: Cimi


O voto é, ao mesmo tempo, um direito individual e uma manifestação de desejo comunitário. Por meio dele, expressamos nossas aspirações para o nosso País, Estado e Cidade. Quando olhamos o voto a partir de nossa perspectiva cristã, podemos encará-lo como expressão da paz, da justiça e da verdade que buscamos como princípios do Reino de Deus. Os candidatos e candidatas que os recebem devem, sob a nossa análise, ser pessoas capazes de realizar a defesa intransigente da dignidade da pessoa humana, da preservação de toda a criação, da transformação de nossa sociedade para melhor e da garantia de direitos em todos os segmentos sociais, com maior ênfase sobre as pessoas menos favorecidas e, portanto, mais necessitadas, representadas pela categoria bíblica dos órfãos, estrangeiros e viúvas. Cada voto é o acolhi­mento de ideias, programas partidários, alianças e pessoas. Por isso propomos, de modo prático, algu­mas orientações para o povo metodista no exercício de sua cidadania. Para isso, usaremos a sabedoria de sete provérbios bíblicos para nossa reflexão.

1. Mais vale o bom nome do que muitas riquezas (Provérbios 22.1)

Conheça a vida e o caráter de quem se apresenta como candidato(a). Precisamos analisar as princi­pais linhas de ação e compromissos do partido e a natureza das alianças estabelecidas para cumprimento do programa. “Candidatos [e candidatas] que a cada eleição se apresentam de maneira diferente, fruto de estratégias de marketing e alianças comprometedoras não são dignos(as) de nosso apoio. De igual modo, ninguém deve receber nosso voto simplesmente por expressar uma religiosidade evangélica. Antes, devemos recordar que ‘a fé, se não tiver obras, por si só estará morta’ (Tg 2.1)” [Carta Pastoral sobre as eleições, 2010].

2. Ao que cuida em fazer o mal, mestre de intrigas lhe chamarão (Provérbios 24.8)

Estas eleições se caracterizarão por uma grande briga por espaço nas redes sociais. Para desquali­ficarem-se mutuamente e, principalmente, afetar o grupo das pessoas indecisas quanto ao voto, certamente que muitos candidatos e candidatas, e até mesmo pessoas que lhes são simpatizantes, recorrerão ao expediente das famosas fake news (notícias falsas). Não se deixe levar por intrigas nem contribua para que elas se espalhem. Evite compartilhar notícias sem checar as fontes e muito cuidado com vídeos, que podem ser completamente editados. Nada disso contribui para a democracia. Compartilhe informações consistentes sobre os(as) candidatos(as), que permitam a percepção de sua coerência política, sua integridade ética e moral, sua capacidade de dialogar com a sociedade e sua sensibilidade aos problemas e demandas sociais.

3. O que anda em integridade será salvo (Provérbios 28.18)

“Exerça um voto ético, comprometido com o Rei­no de Deus, pois a vontade soberana do Senhor deve ser vista e sentida na vida de todos os seres humanos. E ainda, o voto ético não se destina a políticos des­comprometidos, e sim aos que são ‘sal da terra e luz do mundo’. Ele não é vendido ou trocado por bens materiais, mas ‘traz vida em abundância’. Não se deixa levar pelas aparências, e sim, fortalece a verdade que liberta. Ele é consciente e traz à memória o que nos pode dar esperança de uma sociedade cidadã” [Carta Pastoral sobre as eleições, 2010].

4. Informa-se o justo das causas dos pobres, mas o perverso de nada disso quer saber (Provérbios 29.7)

Se você pensa em votar em candidatos(as) que já exerceram mandatos anteriores, procure conhecer profundamente a maneira como atuaram em situ­ações determinantes, na aprovação de projetos nos diversos níveis e, conforme sua análise, conclua quais devem ou não ser reeleitos(as).

5. Muitos buscam o favor daquele que governa, mas o que confia no Senhor está seguro (Provérbios 29.26)

Escolha candidatos e candidatas cujos valores e histórico de vida se aproximem àqueles que o Evangelho de Cristo aponta como características da boa autoridade e da promoção da justiça. Nosso discernimento precisa ser exercido com seriedade para escolher quem melhor corresponda à nossa esperança de um país mais justo, com crescimento e desenvolvimento para todas as pessoas, especial­mente quem mais precisa. Coloque-se em atitude de oração durante o tempo das eleições. Esta é uma ação humana, mas certamente Deus quer nos inspirar nas melhores escolhas. A responsabilidade pelo país que construímos é nossa, mas Deus deseja abençoar nossa nação e pode fazer isso nos inspirando não apenas no voto, mas nas ações cidadãs de cada dia.

6. Sem lenha, o fogo se apaga; e, não havendo maldizente, cessa a contenda (Provérbios 26.20)

Tanto o corpo pastoral quanto os membros das igrejas possuem o direito à opinião e à livre manifes­tação de suas preferências quanto a candidatos(as) e partidos. É um direito constitucional, inclusive. No entanto, o exercício deste direito deve respeitar a máxima bíblica do amor e do respeito entre irmãos e irmãs. A lei assegura que as igrejas não podem ser espaço de promoção de candidatos nem currais eleitorais. Portanto, o púlpito está vedado à propaganda política de qualquer candidato(a), embora outros espaços de debates possam ser abertos, desde que respeitem a variedade das posições existentes, sempre no espírito democrático de ouvir posicionamentos diferentes. As redes sociais de pastores e pastoras e de metodistas não expressam o pensamento da denominação como um todo. Ocorrendo em paz, o debate poderá nos ajudar não apenas no voto, mas no crescimento da consciência cidadã e democrática.

7. Praticar a justiça é alegria para o justo (Provérbios 21.15)

A despeito de descrédito ou desconfianças que alguém possa ter em relação à política partidária, a busca de uma sociedade mais justa, mais solidária, requer perseverança e continuidade histórica na luta por tais ideais. Assim, entendemos que o exer­cício do voto é uma das garantias permanentes da construção de um Estado democrático de direito. Portanto, recomendamos aos irmãos e irmãs não deixarem de votar, e que não anulem seu voto!

Nós, bispos e bispas da Igreja Metodista, reafir­mamos nossa fé no Reino de Deus e na sua justiça, pela qual cremos que o poder do Espírito Santo nos dará, a nós, metodistas, visão aguçada e coração quebrantado para exercermos, como Igreja, nossa ação política neste ano eleitoral, de modo a exaltar e engrandecer Àquele que governa eternamente.

Ó Deus, dá aos que governam os teus juízos, e a tua justiça aos filhos dos que governam. (Salmo 72.1)
 
Fonte: Igreja Metodista
Foto: Reprodução