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Declaração final da Conferência Global sobre a América Latina e o Caribe
27 a 29 de março de 2019 - Cidade da Guatemala
 
Somos mais de 50 representantes de 32 organizações de 21 países da América Latina e do Caribe, América do Norte e Europa convocados pela Ação Conjunta das Igrejas da ACT Aliança para discernir e discutir a situação complexa e volátil na América Latina e no Caribe, a intersecção com os processos políticos globais, bem como seu envolvimento nos direitos humanos, segurança, democracia, necessidades humanitárias e desenvolvimento sustentável.
 
A ACT Aliança é uma coalizão internacional de igrejas e organizações baseadas na fé que trabalham juntas em resposta humanitária, trabalho de desenvolvimento e incidência. No geral, os membros têm uma longa história de promoção da justiça social, dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável. Na Assembleia Geral da ACT Aliança, realizada em Uppsala, Suécia, no final de 2018, os membros da ACT da América Latina e do Caribe apresentaram seus compromissos para atuar conjuntamente [1] em situações políticas, econômicas, sociais e humanitárias, estas cada vez mais complexas.
 
Vemos que a região da América Latina e do Caribe enfrenta uma crise crescente com sérias implicações humanitárias e reações violentas aos direitos humanos e ao estado de direito. Desde junho de 2016, uma onda de eventos políticos negativos está afetando países como Venezuela, Brasil, Nicarágua, Guatemala, Honduras, Colômbia e Haiti. Estas se dão em um contexto de fortalecimento de setores políticos e grupos econômicos que promovem o conservadorismo, as políticas protecionistas e a intolerância contra imigrantes.
 
Este problema é agravado por uma invasão das indústrias extrativistas multinacionais e pelo impacto desigual provocado pelas mudanças climáticas. Essas empresas tiveram acesso injusto a bens comuns, como terra e água, sem proteção ambiental adequada ou tributação justa. Seus efeitos, aliados ao uso crescente de agroquímicos, são sentidos diretamente pelo meio ambiente e comunidades indígenas e camponesas. O impacto desigual das mudanças climáticas exacerba os processos de empobrecimento e migração de grandes setores da nossa população.
 
A violência política tem ceifado centenas de vidas. As execuções extrajudiciais, sumárias e arbitrárias se dirigem cada vez mais às pessoas defensoras dos Direitos Humanos, ativistas sociais e políticos progressistas, povos indígenas, afrodescendentes, mulheres e pessoas LGBTI. O racismo, a xenofobia, o ódio às pessoas empobrecidas, a homofobia e a misoginia estão aumentando em todos os níveis.
 
Estamos cientes de que parte dos conflitos e da violência que vivemos na América Latina e no Caribe, bem como em outras partes do mundo, se baseiam no desenvolvimento do fundamentalismo religioso. No entanto, entendemos que não há fundamentalismo religioso sem fundamentalismo político e econômico que se alimenta das desigualdades, injustiças e iniquidades. De fato, estão sendo desenvolvidas políticas discriminatórias a partir destes setores que ameaçam as convenções e acordos globais alcançados pela comunidade internacional.
 
Os membros da Aliança ACT, organizações ecumênicas e organizações baseadas na fé na América Latina e no Caribe, estão preocupados e afetados pela reação contra os direitos humanos e o estado de direito, a redução do espaço para a sociedade civil, a diminuição da liberdade de imprensa, o aumento da corrupção e a falta de transparência nos processos políticos.
 
A Quaresma nos faz recordar que é um momento particular de transformação pela ação divina que renova a vida. Testemunhamos a caminhada de Deus em nosso continente, de Sua palavra que se eleva profeticamente e nos transforma em esperança. Reconhecemos nas vidas e vozes de tantas mulheres e homens os sinais do Reino da Justiça, e na Sua morte e legado um apelo à ação pela dignidade. Aprendemos com os lutadores indígenas como Berta Cáceres de Honduras, das mulheres negras, como Marielle Franco do Brasil, de Alizon Mosquera, uma das centenas de defensores de direitos humanos mortos na Colômbia. Estamos retumbantes às vozes de milhares de pessoas na caravana dos migrantes na América Central, dos defensores ambientais da comunidade de Granadillas e das meninas vítimas do Lar Seguro Virgem da Assunção, na Guatemala.
 
A ação de Deus nos desloca, nos salva, nos exige perseverança e coragem para caminhar junto às lutas de nossos povos na construção de sociedades democráticas, na promoção da justiça econômica e socioambiental, na luta pela justiça de gênero e a justiça para as populações migrantes e deslocadas. A gravidade do sofrimento dos nossos povos nos impele a levantar nossa voz frente aos poderes políticos e econômicos que causam a injustiça e a desigualdade que afetam milhões de vidas.
 
Estamos cientes de que a busca pela superação da pobreza, da injustiça e da violência nos obriga a levar em conta a diversidade de temas e assuntos envolvidos na construção de soluções com propostas democráticas de solidariedade e de bem comum.
 
Vemos na voz e na ação pública da juventude, a criatividade e a potencialidade de uma voz profética diante da sociedade, dos governos e dos espaços multilaterais. Assumimos o compromisso de aprender com eles, de trabalhar em conjunto e de reforçar a sua participação e envolvimento nos processos decisórios.
 
Reconhecemos, a partir de nossa vocação ecumênica e inter-religiosa, que se torna necessário e urgente: ampliar nossas alianças com diferentes organizações religiosas e com a comunidade religiosa; Fortalecer diálogos efetivos com organizações de direitos humanos, movimentos sociais, incluindo o setor privado e agências governamentais e multilaterais, atuando conjuntamente com provocação, reflexão e diálogo para caminhar no ritmo das rápidas mudanças da realidade, que deixam até hoje os paradigmas vigentes pouco válidos.
 
Agradecemos com especial atenção o acompanhamento da presidenta da Comissão Interamericana de direitos humanos (CIDH) Esmeralda Arosemena de Troitiño, de Luis Pedernera Reyna, do Committee on the Rights of the Child, bem como a presença de representantes das Nações Unidas na análise dos desafios e possibilidades de uma maior interação contra os desafios que são apresentados e projetados na América Latina e no Caribe.
 
Assumimos o compromisso de:
 
  • Estabelecer uma articulação regional e global que acompanhe as crises políticas e sociais na região, com especial atenção às situações vivenciadas nos países da Venezuela, Brasil, Nicarágua, Guatemala, Honduras, Colômbia e Haiti.
  • Promover e apoiar a voz e as estratégias das igrejas e organizações baseadas na fé frente ao fechamento dos espaços da sociedade civil, influenciando aos organismos regionais e globais.
  • Acompanhar as comunidades em seus processos de acesso à justiça em nível territorial, apoiando suas demandas e reivindicações.
  • Fortalecer a ação conjunta com as agências e programas das Nações Unidas para promover iniciativas regionais e globais de Justiça de gênero e contra todas as formas de violência que transformem quadros jurídicos e eliminem leis discriminatórias.
  • Desafiar a impunidade e a redução do espaço da sociedade civil e assegurar às cidadãs e cidadãos, sujeitas e sujeitos de direitos, desmascarando práticas nocivas e corruptas.
  • Fortalecer os espaços internos da Aliança, como as comunidades de práticas de Justiça de gênero e outros, para gerar visões e ações conjuntas contra o fundamentalismo religioso e a injustiça.
  • Garantir que as lideranças dos direitos humanos e da natureza sejam protegidos.
  • Visibilizar e influenciar órgãos oficiais para que a institucionalidade funcione, contra a estigmatização, falta de acesso e a falta de atenção para com defensores de direitos.
  • Evidenciar as violações de direitos, a fim de alcançar as agências e governos em instâncias de direitos humanos, reforçando o diálogo com a CIDH, o sistema das Nações Unidas e as organizações nacionais e internacionais de justiça.
  • Facilitar a voz das crianças e dos jovens, para que sejam sujeitas e sujeitos plenos de seus direitos. A defesa das crianças e dos jovens deve basear-se na realidade da inequidade e das desigualdades em que este setor serve como justificação e segue sofrendo com as consequências da exclusão.
  • Neste tempo de Quaresma e da proximidade da Páscoa da Ressurreição temos na certeza da nossa fé, que a esperança é revitalizada no Jesus encarnado, a quem nos viramos em face de toda a desesperança para renovar a nossa vocação de Justiça e de amor. Jesus, “para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna” (João 6:68).
 
Cidade da Guatemala, 29 de março de 2019.
 
[1] https://actalliance.org/act-assembly/assembly/public-statement

 
Por Claudia Florentin
 
“El fundamentalismo avanza globalmente; lo que tenemos que tener claro como organizaciones basadas en la fe-OBFs- es que no somos solo destino de procesos gestados en otro lado, sino generadores de procesos que no son por la vida, sino que están buscando excluir a segmentos de la sociedad, buscando los intereses de una élite, intereses que no están en los paradigmas que tenemos como iglesias”, comenzó diciendo Rudelmar Bueno de Faria en la apertura de la Conferencia Global sobre América Latina y Caribe que organiza ACT Alianza en esta ciudad desde hoy (27/03) al viernes 29.
 
Hay un plan para cambiar el estado de derechos humanos - la humanidad es corta en su memoria, parece que olvidamos porqué los creamos. Hay un proceso realineando fuerzas y en eso están las iglesias. Es una vergüenza que iglesias están calladas ante este proceso que promueve agendas que no son las nuestras. Jesús estaba siempre estuvo en el lado opuesto a las ideas principales de su época.
 
Tenemos problemas para entender los procesos que están sucediendo en la región, los paradigmas que tuvimos no son para siempre y tenemos muchas situaciones ante las que no podemos callar. Tenemos que tener espacios de diálogos y buscar la provocación- pro no contra-para provocar reflexión basada en la fe, diálogos y debates. Sino no avanzaremos y seguiremos siendo útiles a esos procesos. Ya estamos atrasados, hace 10 años teníamos señales pero no empezamos a tiempo, enfatizó.
 
Para ACT este encuentro es importantísimo, dijo. “No puede ser esta consulta una más, debe ser el punto de inflexión para cambiar la ruta de ACT. Tenemos que salir de la burbuja y asociarnos con quienes están promoviendo la dignidad y la inclusión. No podemos estar apoyados en estereotipos viejos, porque entonces los terminamos apoyando; ahora debemos ser críticos y no ser ingenuos al interés de los medios, por ejemplo”.
 
Esmeralda Arosemena, Presidenta de la Comisión Interamericana de Derechos Humanos, insistió en que los estados deben garantizar la gobernanza de un país, pero si, por ejemplo, el sistema judicial está permeado y no se desarrolla con los principios básicos habrá corrupción y no se podrá garantizar la gobernanza ni el ejercicio de los ddhh. “Si no tenemos institucionalidad ya sabemos lo que peligran los ddhh. Cuando estos peligran los movimientos sociales son quienes deben defenderlos.  Y los estados responden con hostigamientos y ataques”, dijo.
 
“Se están cerrando los espacios para los movimientos sociales y esto se produce por la misma razón ya que la fuerza que pueden tener para reclamar no les conviene a los estados, por eso debemos reclamar juntos y juntas por la participación. El informe 2018 identificó país por país en avances y retrocesos/desafíos; los estados se comprometen a cumplir y hay que hacer seguimiento. El seguimiento de estos procesos es parte de la tarea de las organizaciones de la sociedad civil”, enfatizó, invitando a las iglesias y ObFs a ser partes activas de esos seguimientos.
 
La situación de Honduras, con el asesinato de Berta Cáceres y otros lideres y defensoras, estuvo en agenda. Reina Rivera de ACT Honduras habló en extenso del sistema extractivista y los riesgos que traen los conflictos por la minería. “Nunca fue un momento tan letal para defender otro modo de vida. Tres países en Centroamérica: Nicaragua, Honduras y Guatemala están entre los países con más problemas de este tipo y Latinoamérica es la región con más muertes de defensores/as”, recordó.
 
Ruptura social, militarización, violencia de género y criminalización, negación del acceso a la justicia, desigualdad social, debilitamiento del estado de derechos son impactos del extractivismo, sin consulta a las comunidades y con graves efectos ambientales, resaltó.
 
No estábamos preparados para una situación tan compleja, dicen desde iglesias evangélicas en Nicaragua. La obispa luterana Victoria Cortez hizo un relato de las vivencias al seno de las comunidades de fe con la polarización que divide al país, sumergido en crisis socio política. “Estamos muy divididos, nuestra iglesia está en los dos lados; logramos no dividir la iglesia con mucho esfuerzo”, dice.
 
Ana Silvia Monzon, de FLACSO/Guatemala, se refirió al estado de derecho en el país. “Los estados no son solo normas, son  relaciones sociales permanentes donde hay relaciones de poder.  El estado son relaciones de poder que ponen a las mujeres en situaciones y roles de desigualdad, por eso hay brechas de género desde la concepción misma del estado, estando ausente la agenda de las mujeres. Estamos ante estados patriarcales que excluyen, son elitistas”, afirmó.
 
Supuestamente el estado se organiza para el bien común pero el bien común requiere ciudadanas y ciudadanos, sujetos y sujetas de derechos. Esto está limitado porque la construcción de ciudadanía está limitada por la educación, la familia con los modelos actuales –familias patriarcales- donde se reproducen las estructuras de poder. A los derechos hay que cuidarlos y defenderlos permanentemente, sobre todo lo sabemos las mujeres”, enfatiza.
 
El Rev. Pilar Cabrera, de la iglesia Luterana en Guatemala, desafió a provocar para generar una realidad que proteja y promueva el bienestar y la dignidad en un estado de derecho. La misión de la iglesia, en Jesús, es desenmascar las estructuras corruptas, con base en la paz, fruto de la justicia, justicia de género, con los pueblos indígenas, con la tierra, etc.
 
Luis Ernesto Pedernera Reyna, del Comité de Derechos del Niño, habló sobre la Convención de Derechos de la Niñez que ya cumple 30 años. “Hoy todavía nos preguntamos ¿cómo protegemos a la niñez sin violar sus derechos? Somos la región más desigual y más violenta del mundo y en ese contexto crecen nuestras infancias. La condición acá oscila en un movimiento pendular entre pobreza y criminalización. Hoy los datos son escandalosos. En Argentina 48% de la niñez está en la pobreza. Son los sujetos preferidos por los gobiernos para cargarles penas por crímenes: baja edad imputabilidad, más penas, etc.  Nos faltan datos lo que impide crear políticas públicas acordes a las necesidades. Otro problema es la violencia. La vida de nuestra niñez es “bio” y no “zoe”, es biológica no plena. Tenemos altas tasas de institucionalización, mientras hablamos de familias como núcleos de sociedad tenemos las más altas tasas de niñez institucionalizadas por pobreza y miseria. La migración y sus fenómenos es otro problema grave de la región con la trata, los abusos, que aparecen con ella”
 
Los derechos humanos no son la carta ganadora, se fundamentan guerras en nombre de ellos; son elementos para tensionar y hacer avanzar nuestra mirada que es pro ser humano.  La lucha por los derechos de la niñez es la lucha de todos los otros sectores, no hay que ser “ombliguista”, para no convertirnos en fundamentalistas de nuestras luchas; debemos avanzar las demás luchas para generar proyectos colectivos. Debemos tener en cuenta a la niñez defensora de derechos, de sus propios derechos, subrayó.
 
Adriana Quinones de ONU Mujeres Guatemala instó a promover narrativas nuevas que relean los textos religiosos, “es algo que tenemos en deuda aun. Queremos crear con las iglesias nuevas culturas de fe para la no violencia”, dijo, y “para eso estamos preparadas para trabajar con las organizaciones que tengan los mismos objetivos”.
 
Cerrando la jornada, la Comunidad de Justicia de Género de ACT, hizo una presentación sobre el estado de la situación de las mujeres en la región, atravesada por múltiples formas de violencias, instando a ACT ALC a tomar acciones concretas para la reflexión y la acción desde la fe, en base a consultas en cada territorio donde se mueven las organizaciones miembros de la plataforma.

 
Por Lucas P. Lazzaretti y Andrés Roberto Albertsen
 
El comunicado de la Nunciatura Apostólica con el que se anunció la rehabilitación de Ernesto Cardenal en sus funciones ministeriales y por lo tanto su reincorporación plena a la Iglesia Católica no pudo haber llegado en un momento más agónico. La suspensión fue aplicada en 1984 por el Papa Juan Pablo II y por el entonces Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe y futuro Papa, Joseph Ratzinger. Una suspensión que fue igualmente aplicada a otros propulsores latinoamericanos de la teología de la liberación, como Miguel D’Escoto, Fernando Cardenal y Leonardo Boff y que tuvo su adelanto en la censura y reprimenda que recibió de parte de Juan Pablo II en su visita a Nicaragua en 1983. Enorme el valor simbólico de la imagen de un sacerdote de rodillas viendo cómo se agita el dedo papal frente a su rostro.
 
 
El simbolismo de aquel momento se extiende hasta el presente y amplía los términos de una agonía en la que están en disputa dos posiciones muy difíciles de conciliar. Ernesto Cardenal fue suspendido en sus funciones ministeriales por su compromiso con la teología de la liberación, que creía que el verdadero cristianismo tenía que estar unido con el combate a la pobreza, la opresión política y la desigualdad social. Asociando al cristianismo con teorías marxistas y un compromiso político, la teología de la liberación surgió – ¡y sólo podría haber surgido! – en América Latina en la segunda mitad del siglo XX, cuando diversos países sufrían dictaduras orquestadas por intereses capitalistas e imperialistas. En la Nicaragua de Cardenal, la dictadura de la familia Somoza, con apoyo de Estados Unidos, se mantuvo en el poder por cerca de 40 años, hasta ser confrontada por la Revolución Popular Sandinista, de la que formaba parte Cardenal. Los partidarios de la teología de la liberación percibieron desde el principio algo muy simple: si la pobreza debe ser combatida, entonces los gobiernos que perpetúan y profundizan esta pobreza también deben ser combatidos, razón por la cual es preciso involucrarse e involucrar al pueblo. La victoria de la Revolución Sandinista en 1979, sin embargo, intensifica un problema fundamental. La guerra fría aún estaba vigente y la victoria de una revolución socialista en América Latina significaba una amenaza para los intereses de Estados Unidos.
 
Cuando Juan Pablo II agita su dedo frente al rostro de Cardenal y cuando la suspensión es finalmente aplicada, no sólo se expone a la luz un debate teológico. Al mismo tiempo que suspende algunos sacerdotes, acusándolos de tener una militancia política, la Iglesia Católica asume una clara posición política en aquellos últimos años, momentos de la Unión Soviética.
 
Después de 35 años, la Iglesia Católica determina el fin de la suspensión de Ernesto Cardenal y no faltan pronunciamientos sobre el Comunicado de la Nunciatura Apostólica de Nicaragua. Tanto entre quienes están más directamente involucrados con las cuestiones internas de la Iglesia Católica como entre quienes observan las acciones eclesiásticas con cierta distancia se han visto pronunciamientos a favor o en contra de esta rehabilitación. Como es obvio, los sectores más conservadores de la Iglesia Católica, los mismos que suelen criticar al Papa Francisco por su posición supuestamente más social y “progresista,” consideran que el fin de esta suspensión es un absurdo. Esos sectores conservadores afirman que el padre nicaragüense nunca realizó un mea culpa ni declaró con vehemencia que se arrepentía de sus participaciones y posiciones políticas pasadas.
 
En suma, Cardenal nunca se disculpó por haber sido uno de los creadores y propagadores de la teología de la liberación, por haberse comprometido políticamente y por haberse acercado al socialismo y al comunismo y, por consiguiente, por haber sido lo que los conservadores consideran como una aberración: un “padre marxista.” Esta crítica propagada por lo que sería una “derecha católica,” formada por miembros del clero y por un determinado sector de los fieles, es al menos coherente con sus propias convicciones. Esta derecha conservadora, como toda “derecha conservadora,” se escuda en una supuesta apoliticidad para garantizar su propia posición política. La coherencia de esta derecha conservadora no sorprende. Era de esperar que reaccionara con dureza en contra de la rehabilitación de Cardenal.
 
Lo que es extraño y preocupante, sin embargo, es la reacción de representantes de ciertas “izquierdas,” sobre todo aquellas vinculadas con la teología de la liberación. Es extraño que no hayan reparado en el contenido del Comunicado de la Nunciatura Apostólica. Preocupante porque esta ausencia de percepción podría demostrar dos cosas: que esta izquierda se ha vuelto ingenua en sus relaciones con la realidad social y política, ignorando su propia posición, -y por lo tanto ignorante de su posición, o que se ha convertido en algo pasteurizado y domesticado, lo que significaría decir que ya no es más izquierda. Las celebraciones, felicitaciones y regocijos en torno a la rehabilitación de Cardenal no parecen percibir dos puntos fundamentales de lo que se expone en el Comunicado de la Nunciatura Apostólica: a) los términos y el contenido del mismo; y b) el momento en que el comunicado se produce.
 
En lo que se refiere al primer punto, hay que comprender lo que pasa en América Latina. En las últimas décadas, América Latina, tras haber dejado atrás la amenaza dictatorial y haber acogido la democracia, alcanzó cierta estabilidad en términos políticos. Esta estabilidad permitió que algunos países transitaran un camino que llevó a la elección de partidos de izquierda. La teología de la liberación tuvo cierta participación en este camino, como lo demuestra el caso brasileño, donde las comunidades eclesiales de base fueron fundamentales para la creación del Partido de los Trabajadores (PT), el cual fue elegido en 2002 y permaneció en el poder hasta el “golpe” legal de 2016. Venezuela, Chile, Argentina, Uruguay, Bolivia y Ecuador, entre otros, son otros ejemplos de que la izquierda venía ganando espacio, aunque muchas veces las realizaciones concretas de los gobiernos electos no representaron completamente un ideario de carácter social. Este “giro a la izquierda,” como lo definieron algunos expertos, perdió fuerza cuando comenzó a ser sustituida por un retorno de ideales conservadores y por la vuelta al poder de intereses neoliberales. En el caso específico de Nicaragua, el país de Cardenal, aunque no se produjo un retorno de la derecha, el régimen de Daniel Ortega se distanció en mucho de los ideales sociales propagados por la teología de la liberación y se encuentra en la posición decadente de todos los regímenes de este tipo: lucha para mantenerse en el poder a toda costa. En este nuevo escenario político y social, la teología de la liberación perdió espacio y tiene que enfrentarse a un adversario muy diferente al del que tenía enfrente en las décadas de 1960 y 1970. De cierta manera, el debilitamiento de la influencia de la izquierda en el juego político latinoamericano significó también el debilitamiento de la influencia de la teología de la liberación.
 
Conforme a este nuevo contexto, la teología de la liberación ya no es la amenaza de las décadas anteriores y el pasado de Cardenal se presenta como algo de valor histórico que, desgraciadamente, ya no puede actualizarse políticamente en el momento actual. Poner fin a su suspensión ahora puede ser visto como conveniente, pues se concede como una “benevolencia” totalmente inocua.
 
El segundo punto, sin embargo, es aún más emblemático. Los términos elegidos por la Nunciatura Apostólica en su comunicado siguen el patrón de todo discurso jurídico. Los dos párrafos que lo componen el Comunicado de la Nunciatura Apostólica son sucintos y están llenos de significado. El primer párrafo pone en claro la cuestión jerárquica: y aclara que, aunque hubo una petición por parte del propio Cardenal, fue el Papa Francisco quien “ha concedido con benevolencia la absolución de todas las censuras canónicas impuestas” al padre nicaragüense.
 
El segundo párrafo trata de fundamentar la decisión tomada. Primero, se deja en claro que la suspensión en el ejercicio del ministerio ocurrió debido a “la militancia política” de Cardenal. El hecho de que el Comunicado no explicite cuál es la especificidad de tal “militancia política” demuestra el juego de sombras operado por la decisión. Al operar en el ámbito de la generalidad, el Comunicado produce una falsa disociación entre la idea de “militancia política” y la práctica de la propia Iglesia Católica. Lo que allí se expresa es que la Iglesia Católica no tendría ninguna forma de militancia política, cuando en verdad lo que está implícito es que ciertas militancias políticas no son aceptadas, mientras que otras son perfectamente coherentes con la doctrina católica. Y esto viene de un Papa que continuamente se pronuncia en el límite entre lo político y lo eclesiástico.
 
El punto crucial, sin embargo, es lo que sigue: si Cardenal fue suspendido por su “militancia política,” entonces la razón por la que se pone fin a la suspensión sólo puede ser el cese en esa militancia. Y esto es precisamente lo que afirma el Comunicado en su última frase, cuando fundamenta que el levantamiento de la suspensión ocurre porque Cardenal supuestamente habría “abandonado desde muchos años todo compromiso político.” Una vez más, lo que está implícito aquí es que Cardenal supuestamente habría abandonado todo “compromiso político” contrario a la doctrina y a la ideología católica.
 
La pregunta que debería hacerse sobre las razones de tal fundamentación es muy simple: ¿se corresponden con a la realidad concreta? O en otras palabras: ¿Cardenal efectivamente abandonó todo compromiso político en el sentido de haber dado la espalda al ideal de la teología de la liberación? La respuesta no podría ser más directa: ¡no!
 
Es un hecho que Cardenal ha criticado a Daniel Ortega y al régimen que encabeza hoy, tan alejado de los ideales de la revolución sandinista. Pero esto no significa que haya abandonado su compromiso político. Significa, por el contrario, que ha mantenido su compromiso, pues la teología de la liberación no predicaba la sustitución de dictaduras de derecha por el establecimiento de dictaduras de izquierda, sino que pregonaba la sustitución de las dictaduras por una auténtica democracia. Los sectores más conservadores de la Iglesia Católica percibieron con razón que Cardenal nunca abandonó sus convicciones políticas y sus ideales sociales, y por ello han criticado el levantamiento de la suspensión.
 
Pero entonces, ¿qué significa fundamentar el término de la suspensión con tal argumento? Muy puntualmente: significa realizar contra Ernesto Cardenal una violencia simbólica. Significa realizar contra la teología de la liberación una violencia simbólica. Significa realizar contra todos los movimientos sociales una violencia simbólica. Al afirmar que Cardenal puede ser “readmitido al ejercicio del ministerio presbiteral” bajo estos términos, lo que hace el Comunicado es invalidar y aniquilar tanto la historia de militancia política del padre nicaragüense como la vigencia de sus ideales. Lo que viene como una absolución es, en verdad, la más profunda violencia que podría realizarse contra Cardenal. No se trata sólo de absolverlo ignorando su propia posición, sino que se trata de subsumirlo completamente en las determinaciones de la propia Iglesia Católica, aniquilando así el pasado de Cardenal y todo lo que su militancia representa.
 
Si las izquierdas -vinculadas o no con la teología de la liberación y la Iglesia Católica- celebran el Comunicado de la Nunciatura Apostólica sin percibir este punto crucial, entonces han perdido todo lo que les ha sido legado por los sacrificios y esfuerzos de la teología de la liberación. Si por ingenuidad o por una distorsionada decisión pragmática, las izquierdas no perciben las consecuencias de lo que se expresa en el comunicado de la Nunciatura Apostólica, entonces están reforzando una violencia simbólica que también se comete en contra de ellas mismas. Si son incapaces de comprender la realidad política en que se encuentran y de mirar con sospechas a un documento jurídico-político como es el Comunicado de la Nunciatura Apostólica en Nicaragua, las izquierdas parecen haber perdido toda razón de existir.
 
Y aunque se pueda argumentar que el Papa Francisco y sus acólitos habrían optado por estos términos justamente porque necesitaban encontrar una justificación que no despertara la reacción encolerizada de los sectores conservadores ni ofendiera la memoria del hoy Santo Juan Pablo II, esto no tiene ningún valor cuando se consideran los efectos y las consecuencias del Comunicado. Los sectores conservadores se manifestaron exactamente como se esperaba y, al final, el resultado es el de una profunda violencia simbólica. Además, de nada vale conjeturar fantasiosamente cuando algo se está manifestando de manera tan concreta. Ernesto Cardenal, un importante militante político de 94 años, ha sido violentado con la connivencia de las izquierdas que él ayudó a crear. Y esta violencia no podría haber venido en un momento más crítico.
 
Foto 1: Vatican News
Foto 2: La Prensa

 
Por Claudia Florentin
 
La Asociación Mundial de Comunicación Cristiana (WACC) está lanzando una nueva iniciativa de comunicación en la frontera de Venezuela y Colombia para mejorar el acceso a la información y el diálogo intercultural para los migrantes y sus comunidades de acogida. 
 
La iniciativa, “Entre Parceros y Panas: Red de periodistas ciudadanos y ciudadanas venezolanos/as y colombianos/as que promueven el diálogo intercultural”, establecerá una red de periodistas en ambos lados de la frontera entre Colombia y Venezuela, así como en Bogotá, uno De los principales destinos para migrantes. Las actividades del proyecto comenzarán en febrero de 2019.
 
WACC, una organización internacional que promueve la comunicación como un derecho humano, esencial para la dignidad de las personas y la comunidad, trabajará con dos de sus miembros y socios de larga data en Colombia: Grupo COMUNICARTE y Fundación Comunicación Positiva. El Grupo COMUNICARTE es una organización de la sociedad civil cuyo trabajo emplea estrategias de comunicación para fortalecer el tejidosocial de las comunidades en todo el país, y Fundación Comunicación Positiva, es una organización dirigida por ciudadanos y ciudadanas que busca promover los derechos de comunicación de las comunidades que no tienen acceso a los sistemas tradicionales. medios de comunicación.
 
Aproximadamente 1,032,000 migrantes venezolanos/as residen en Colombia, la mayoría (90%) de los cuales llegaron al país en los últimos dos años, según El País. Según el informe de 2018 del Banco Mundial, esa cifra puede aumentar a 4,000,000 de personas para el 2021 si la situación económica y política en Venezuela continúa deteriorándose. Este flujo de migración presenta varios desafíos desde una perspectiva de comunicación e información, como el acceso limitado a información relevante, información errónea rampante, acceso limitado a plataformas de comunicación y la existencia de estereotipos negativos que contribuyen a una cultura de desconfianza y, en algunos casos, discriminación contra los migrantes.
 
Los y las periodistas que recibirán capacitación y acompañamiento especializado, incluirán reporteros de 20 estaciones de radio comunitarias o universitarias: seis en el lado venezolano de la frontera, seis en el lado colombiano y ocho en Bogotá.
 
El contenido se difundirá estratégicamente a través de estaciones de radio comunitarias y universitarias, así como a través de plataformas digitales y eventos públicos a nivel comunitario. El uso combinado de varias plataformas de comunicación permitirá a la red llegar a la mayor cantidad posible de migrantes y comunidades anfitrionas en las áreas geográficas de implementación.
 
La audiencia potencial de contenido producido por la red, que no toma en cuenta los canales en línea, es de 8.5 millones de personas en Bogotá y 2.5 millones de personas en las regiones fronterizas. Gracias a una asociación con el Instituto Radiofónico Fe y Alegría, una red de transmisión jesuita, el proyecto espera alcanzar una audiencia potencial adicional de 4 millones en Venezuela.
 
Esta iniciativa cuenta con el apoyo generoso de la Iglesia Evangélica Luterana en América (ELCA) miembro de la Alianza ACT.
 
Más allá de un mayor acceso a la información por parte de las comunidades de migrantes y de acogida, este nuevo proyecto contribuirá al desarrollo de una narrativa alternativa de la migración, basada en los derechos humanos y el diálogo intercultural, para facilitar la integración de los y las migrantes y promover la coexistencia pacífica con las comunidades de acogida.
 
Para obtener más información o para brindar su apoyo a esta iniciativa, comuníquese con Lorenzo Vargas a Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
 
 
Las palabras pana y parcero/a son palabras de argot ampliamente utilizadas en Venezuela y Colombia, respectivamente, para referirse a amigos cercanos. Por lo tanto, la traducción más cercana del nombre del proyecto en inglés sería “Entre amigos cercanos: Red de periodistas ciudadanos venezolanos y colombianos que promueven el diálogo intercultural”.

 
Por Claudia Florentin
 
Unas 40 personas representantes de la Iglesia Presbiteriana (EUA) y de la Iglesia Presbiteriana de Colombia, que hacen parte de la Red de Misión de Colombia, se reunieron en Bogotá los días 1 y 2 de febrero de 2019. Escuchando los testimonios del incremento de la violencia en Colombia y la situación que se vive en Venezuela emitieron un llamado al diálogo y a no usar las armas para solucionar conflictos.
 
Aquí la carta completa:
 
“Bienaventuradas las personas que hacen la paz porque ellas serán llamadas hijos e hijas de Dios” Mat. 5:3
 
Las personas representantes de la Iglesia Presbiteriana (EUA) y de la Iglesia Presbiteriana de Colombia, que hacen parte de la Red de Misión de Colombia reunidas en Bogotá los días 1 y 2 de febrero de 2019, escuchamos los testimonios del incremento de la violencia en Colombia y la situación que se vive en Venezuela. Ante esta realidad, oramos por la paz de Colombia y por una salida pacífica a la situación que se vive Venezuela.
 
Escuchando los pedidos de las iglesias hermanas de ambos países, rechazamos todo intento de solucionar por la vía armada o intervención militar externa los conflictos que viven ambos países. Oramos a Dios y pedimos a nuestros gobiernos que solucionen estos conflictos por medio del diálogo y la vía diplomática.
 
Nos mantendremos en oración, en solidaridad, prestos a incidir ante nuestros gobiernos y llamamos a todas nuestras iglesias para anunciar el evangelio de paz y reconciliación que nos anunció Jesús.
 
Bogotá 02 de febrero de 2019
Red de Misión de la Iglesia Presbiteriana (EUA) y la Iglesia Presbiteriana de Colombia

 
Por Claudia Florentin
 
El Consejo Latinoamericano de Iglesias-CLAI, hizo pública una carta enviada a Andrés Manuel López Obrador, Presidente de México, y a Tabaré Vázquez, Presidente de la República Oriental del Uruguay, donde manifiestan apoyo a la iniciativa de diálogo a realizarse en Montevideo, sobre la situación de la República Bolivariana de Venezuela y a la medida de no intervencionismo. El apoyo del CLAI fue celebrado por el Gobierno de Uruguay que lo ha publicado en su web oficial.
 
“Celebramos con expectativa la Conferencia Internacional promovida y auspiciada por los gobiernos de las repúblicas de México y Oriental del Uruguay que se celebrará en la ciudad de Montevideo el próximo 7 de febrero -al que ya han adherido otros países- con la intención de sentar las bases para establecer un mecanismo de diálogo que con la inclusión y participación plena de todos los actores venezolanos, coadyuve a devolver la paz, la estabilidad y el desarrollo en el país suramericano y
caribeño”, afirman.
 
Acompañamos la decisión de no intervención adoptada por vuestros países, acción que decididamente contribuye al respeto entre los países y a la construcción de la paz con justicia en el mundo. A la vez nos hacemos disponibles para lo que podamos ser útiles en el proceso de diálogo y pedimos a Dios que guíe las acciones de vuestros gobiernos y les dé fortaleza y discernimiento para la toma de decisiones.
 
La misiva está firmada por el presidente del Consejo, Jorge Zijlstra Arduin, y el secretario de la junta directiva de este organismo, David Cela Heffel, y remitida este domingo 3 desde San Juan de Puerto Rico.
 
Aquí puede bajarse la carta completa en PDF.
 
Foto: REUTERS / Manaure Quintero