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Pesquisadores da Universidade de Tubinga e do Instituto Max Planck para Ciência da História Humana, na Alemanha, conseguiram identificar a origem étnica de parte dos egípcios antigos. De acordo com uma análise realizada com mais de 90 DNAs de múmias, a maioria dos egípcios era parente de povos que viveram na região do Oriente Médio, como a Palestina, Mesopotâmia e Arábia Saudita. Foi a primeria vez que uma extração de genoma utilizando os últimos recursos tecnológicos foi realizada com sucesso em múmias de mais de 2.000 anos de idade.

Após as descobertas genéticas surpreendentes, outros questionamentos estão surgindo sobre o tempo em que essas pessoas mumificadas viveram e o que mais será possível provar a partir destas pesquisas. Outros especialistas afirmam que tais descobertas podem ajudar a comprovar cientificamente o relato bíblico sobre a origem dos egípcios.

"O estudo concluiu que os restos preservados encontrados em Abusir-el Meleq, no Médio Egito, eram parentes genéticos mais próximos das populações do Neolítico e da Idade do Bronze dos países orientais mais próximos. Os egípcios modernos, em comparação, atualmente compartilham muito mais DNA com as populações subsaarianas", informou a CNN.

Biblicamente, o que isto significa?

De acordo com site 'Christian Post', alguns especialistas acreditam que a evidência do DNA dessas múmias pode reforçar a narrativa bíblica que afirma que a primeira dinastia egípcia surgiu através do filho de Noé, Cam (ou Cão, como está algumas versões).

Em Gênesis 10: 5-6 está escrito: "Por estes foram repartidas as ilhas dos gentios nas suas terras, cada qual segundo a sua língua, segundo as suas famílias, entre as suas nações. E os filhos de Cão são: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã".

Essas novas descobertas se encaixam na Teoria da Corrida Dinástica, defendida pelo arqueólogo David Rohl. A teoria de Rohl é que os antigos egípcios chegaram ao mar da Mesopotâmia, conquistaram o Vale do Nilo e estabeleceram as primeiras dinastias egípcias. Isso está em contradição direta com a teoria anterior, de que os primeiros governantes egípcios e grande parte da população chegaram por uma rota terrestre da África.

Trabalho faraônico

Na maioria das múmias, os cientistas utilizaram o DNA mitocondrial — aquele presente nas mitocôndrias das células — para a análise, já que essa estrutura tende a ser preservada por mais tempo. No caso de um dos corpos, no entanto, os pesquisadores conseguiram mapear carcterísticas específicas como a pele clara, os olhos escuros e uma possível intolerânica à lactose.

Desde 1980 os especialistas tentam retirar o código genético das múmias encontradas, mas só há pouco tempo atrás a tecnologia necessária para isso começou a aparecer. Os cientistas pretendem, no futuro, analisar melhor as múmias enterradas mais ao sul do país, próximos à fronteira do Sudão. Os arqueólogos acreditam que nessas áreas existiram habitantes com descendência comum a de outros povos africanos.

CONIC com informações da Revista Galileu e do portal Guia-me
Foto: Discovery Channel via Getty Images