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Entidades sindicais, pastorais sociais, movimentos populares, partidos políticos e organizações religiosas realizaram na noite da terça-feira (8) ato de lançamento da edição 2017 do Grito dos Excluídos no Distrito Federal. O evento, que ocorreu na Cúria Metropolitana de Brasília, dá início ao processo de mobilização que deve culminar em uma manifestação no Dia da Independência (7 de setembro), sob o lema “Por Direitos e Democracia a Luta é Todo Dia”. O mote diz respeito ao contexto nacional marcado pela imposição do programa de austeridade por meio do governo de Michel Temer (PMDB).

Pelas Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o frei Olávio Dotto lembrou o histórico do evento, apontando um dos objetivos do Grito é evidenciar as causas da exclusão social.

“O Grito tem uma história de 22 anos. É importante fazer a memória de seu surgimento. Era também um tempo difícil. Se decidiu ter um espaço permanente no qual se mostre o rosto dos excluídos. O grito não é só o Sete de Setembro, é todo processo que culmina nele”, afirmou.

Dotto também pediu unidade às forças populares: “Diante de tudo que estamos sofrendo, é tempo de caminharmos juntos”.

A pastora luterana Romi Benck, secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), analisou o contexto no qual se insere a realização do Grito dos Excluídos esse anos:

“Nós não temos mais democracia. O que nós temos é o totalitarismo econômico e financeiro que quer decidir e comandar nossas vidas. Há um ano, se votava pela ruptura democrática em nome de Deus. Esse ano, votaram pela permanência [de Temer[ em nome da economia. É de se perguntar: que fé rege a posição dos parlamentares? É o deus mercado”.

Benck fez também um apelo para que as organizações presentes no lançamento cultivem entre a população a possibilidade de indignação.

“Deus exige misericórdia, não sacrifícios. Nós estamos cansadas dos sacrifícios diários que nos são impostos. Uma das grandes mensagens do Evangelho é a possibilidade de resistir ao totalitarismo. Nós vivemos em um país autoritário. É importante que nós falemos de desobediência. Nós precisamos redescobrir a liberdade”, declarou.

Representando os movimentos populares na mesa de abertura, Laura Lyrio, militante do Levante Popular da Juventude, apontou a importância da relação entre os setores progressistas das igrejas e as organizações políticas. Tal vínculo, para ela, “é a afirmação de que a luta popular e a luta pela vida é uma só”.

“O processo de golpe [a partir de 2016] é a radicalização da exclusão do povo do poder. Para superar esse cenário, é necessário formular um projeto nosso. O vínculo com a Igreja nos permite construir uma mensagem de esperança”, defendeu ela.

Fonte: Brasil de Fato
Foto: Reprodução