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CONIC e outras dezenas de entidades lançam campanha pró-democracia

 
Foi lançada na última segunda-feira, 29 de junho, em nível nacional, a campanha Brasil pela Democracia e pela Vida. O lançamento contou com a participação de mais de 70 entidades comprometidas com o Estado Democrático de Direito, entre elas, o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a ABI (Associação Brasileira de Imprensa) e o MNDH (Movimento Nacional de Direitos Humanos) – confira a lista completa aqui
 
De acordo com o coletivo de entidades, a campanha busca “congregar todos e todas que compreendem como indispensável a defesa da paz” e da democracia brasileira. No documento de lançamento, também reforça a importância de que é necessário assegurar, fortalecer e expandir os ainda insuficientes espaços de participação e intervenção social. “É a reunião de esforços para proteger a vida, favorecendo a solidariedade, a cooperação, a articulação e a coordenação entre governos, instituições, organizações, movimentos e cidadãos e cidadãs”.
 
A campanha, que até agora (1° de julho/2020) conta com a adesão de 76 instituições, foi uma iniciativa da OAB, ABI, SBPC, Centrais Sindicais, Comissão Arns e Pacto pela Democracia. A participação do CONIC se dará em várias frentes, entre elas, por meio da veiculação de materiais midiáticos, produção de artigos e matérias, e demais ações que forem propostas ao longo da caminhada.
 
Para entender melhor a importância de um organismo ecumênico, que é o caso do CONIC, fazer parte desse tipo de mobilização, conversamos com a secretária-geral do Conselho, pastora Romi Bencke.
 
 
Pastora Romi, qual a sua opinião sobre a posição do CONIC na campanha?
 
Romi Bencke: A posição do CONIC em relação à Campanha é que todos os esforços precisam ser dedicados para que a democracia se aprofunde cada vez mais. É no sistema democrático, que não é um processo acabado, mas em permanente transformação, que podemos fortalecer as pluralidades de sujeitos e de culturas. É na democracia que a diversidade religiosa pode ser respeitada. Nossa democracia é imperfeita, como todas as demais. Há muitas coisas que precisamos discutir em profundidade para estarmos dispostos e dispostas a superar. Entre elas eu cito o racismo, tanto indígena quanto em relação às pessoas negras. A desigualdade econômica é outro aspecto. No entanto, a partir do momento em que a democracia é fragilizada, o que se aprofunda são as perspectivas racistas, de combate ao inimigo ou à inimiga, e as posturas que tripudiam vidas.
 
Por que é importante que um organismo ecumênico participe?
 
Romi Bencke: É importante que um organismo ecumênico faça parte de uma campanha Pela Democracia e pela Vida, em primeiro lugar, por causa do nosso testemunho público de que a fé em Jesus Cristo é contrária a toda a forma de violência e de totalitarismos. 
 
Tudo o que nega a vida é contrário à fé em Jesus Cristo. Por exemplo, o racismo, as diferentes formas de preconceito, a exploração sem limites da natureza, a privatização dos recursos naturais, a intolerância religiosa, a cultura do ódio. Em segundo lugar, porque o ecumenismo tem um princípio que é a unidade na diversidade. Este é um princípio democrático, uma vez que não persegue a diversidade, mas reconhece nela um ambiente fundamental para a coexistência. Todos e todas somos um, mas valorizando a diversidade que é inerente à Criação.
 
Qual impacto você acha que uma ação como essa pode ter na sociedade?
 
Romi Bencke: Creio que uma ação como esta pode contribuir para que as pessoas reflitam sobre onde chegamos como País. Nós nos perdemos. Nosso tecido social está diluído. 
 
No contexto da pandemia, além das mortes provocadas pela Covid-19, ocorreram outras mortes evitáveis, como aquelas provocadas pelo racismo, pela cultura patriarcal... e parece que nada disso mais nos mobiliza. É como se estivéssemos vivendo um realidade paralela. O sofrimento do outro não compadece mais. 
 
Sabemos que as campanhas, sozinhas, não são capazes de transformar uma realidade, mas elas têm o papel fundamental de nos convidar para conversar sobre o que está nos dividindo, nos tornando inimigos e inimigas umas das outras e uns dos outros. É uma campanha que nos convida ao diálogo, a olharmos para nossa história colonialista, racista, patriarcal. A campanha nos chama também a encararmos as violências que estruturam o nosso País. Mais do que nunca, precisamos nos perguntar: será que queremos seguir assim?
 
Acesse www.brasilpelademocracia.org.br e veja como você pode somar forças conosco.