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Os dados sobre violência contra a mulher não param de impressionar: de 2017 para 2018, aumentaram tanto os casos de feminicídio quanto os de violência doméstica, aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A cada dois minutos uma mulher sofre violência em casa. Esse tipo de levantamento costuma levar em conta a raça e a escolaridade das vítimas, mas deixa de lado um aspecto importante da equação: a relação entre violência doméstica e a religião dessas mulheres.
 
Esse tipo de levantamento costuma levar em conta a raça e a escolaridade das vítimas, mas deixa de lado um aspecto importante da equação: a relação entre violência doméstica e a religião dessas mulheres.
 
Um dos poucos trabalhos sobre o tema foi desenvolvido pela teóloga Valéria Cristina Vilhena e publicado no livro "A igreja sem voz - análise de gênero da violência doméstica entre as mulheres evangélicas", de 2016. O estudo, feito na Casa Sofia, espaço de acolhida na cidade de São Paulo, mostra que 40% das mulheres vítimas de agressões físicas ou verbais dentro de casa se declaram evangélicas. No Brasil, os evangélicos correspondem a cerca de 30% da população.
 
A fim de lidar com essa realidade, 20 mulheres, entre pastoras e líderes evangélicas de diferentes congregações, no Espírito Santo, criaram um grupo de trabalho para debater o assunto nas instituições religiosas. O projeto foi abraçado pela vice-governadora do estado, Jaqueline Moraes.
 
O trabalho começou em março, mês da mulher. "Jaqueline convidou diversas instituições para debater o problema estrutural da violência contra a mulher. Conversando, percebemos a necessidade de falar sobre o tópico dentro da igreja", diz Andreia Bolzan, uma das integrantes do projeto e líder de célula da Igreja Batista Evangélica Vitória do Espírito Santo, que frequenta desde os sete anos.
 
"O propósito é conscientizar todos os envolvidos nesse tipo de situação: a vítima, o agressor e os filhos. É preciso discutir isso no âmbito religioso porque muitas vezes esses temas são tabus, e a negação de qualquer assunto impossibilita o tratamento." 
 
Perdoar ou denunciar?
 
Vergonha, medo de expor o agressor ou dificuldade em se sustentar financeiramente são alguns dos motivos que levam mulheres a não relatar violências que sofrem dentro dos lares. Na igreja, diz Andreia, soma-se a esses fatores a ideologia cristã do perdão. "É como se denunciar fosse algo desnecessário já que o perdão aconteceu. Como Cristo nos perdoa de todos os pecados, nós também temos que perdoar. Mas não é assim. Nós acreditamos no perdão, mas isso não significa que não existam consequências para os atos. Tem que agir. Há oração, mas também há ação. Confunde-se muito a questão humana com a espiritual."
 
É aí que o programa entra: para levar informação, por meio de conversas, palestras, sensibilização, vídeos e relatos das vítimas —canal poderoso de comunicação na igreja. Para isso, o grupo de trabalho auxiliará pastores e líderes locais a trabalhar o assunto. Ou seja, é um projeto conjunto, para que cada igreja se torne protagonista de mudança desse cenário na comunidade onde atua.
 
"O papel da igreja, assim como o de qualquer grupo social, é o de proteger a vítima, de trazer a consequência para o abusador, de educar os homens", diz Andreia. "Talvez a igreja não tenha estrutura para acolher a vítima, mas precisa saber para quem ligar ou para onde levar essa mulher que está passando por algo difícil."
 
O projeto-piloto será posto em prática entre outubro e novembro. A partir daí, as líderes farão os ajustes necessários para, em seguida, abrir a iniciativa para todas as igrejas interessadas em recebê-las.
 
Pastores mandam orar para que a situação melhore
 
Jaqueline Moraes, vice-governadora do Espírito Santo e evangélica há 30 anos, encampou a iniciativa das líderes religiosas.
 
"Quando o projeto chegou até mim, me espantei com o fato de 40% de vítimas serem evangélicas. Ao procurar, descobri que não há um levantamento do tipo no Espírito Santo", diz a vice-governadora. "A violência dentro do ambiente evangélico começa sutil, no psicológico, que é difícil identificar. Ao conversar com o grupo, percebemos que alguns pastores mandam orar para que a situação melhore e não orientam a denunciar. E o ciclo da violência tem que ser quebrado no início para não chegar às vias finais." 
 
Como evangélica, a vice-governadora diz que a Bíblia é toda baseada em amor e qualquer texto que fale da entrega de um casal é baseado em respeito, embora exista quem interprete errado. "Não vamos mexer em nenhum preceito bíblico, vamos trabalhar a comunicação não violenta e conversar para quebrar os conceitos machistas reproduzidos por homens e mulheres", diz Jaqueline.
 
"Em uma conversa com homens, perguntei: 'Quem ajuda em casa?' Todos levantaram as mãos felizes. Rebati: 'Mas como vocês ajudam se fazem parte do lar? É obrigação de vocês também'. A igreja tem um papel fundamental nisso porque é uma célula da sociedade. Tem que trabalhar contra a desumanização e para a quebra de paradigmas."
 
Fonte: Universa Uol
Foto: Pixabay
Obs.: o título foi adaptado

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) enviou, por meio do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC), uma carta de apoio incondicional aos trabalhos do Sínodo sobre a Amazônia.
 
"Oramos para que as decisões que serão tomadas por este Sínodo contribuam para uma ação evangelizadora encarnada na realidade dos povos das Florestas e na afirmação de que a Casa Comum, em toda a sua diversidade, é uma expressão da graça amorosa do Deus da Criação", diz um trecho do documento.
 
A seguir, confira a íntegra:
 
SAUDAÇÃO ECUMÊNICA PARA O SÍNODO DA AMAZÔNIA
 
Queridos irmãos e irmãs reunidos no Sínodo da Amazônia,
 
Graça e paz!
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) expressa o seu apoio incondicional ao Sínodo da Amazônia, que acontece neste mês de outubro, no Vaticano. Alegramo-nos com vocês pela possibilidade de reunir a diversidade amazônica em um encontro cujo objetivo é discutir a presença evangelizadora da Igreja neste território e, ao mesmo tempo, realizar a denúncia profética das ameaças reais pelas quais passa esta imensa biodiversidade. Tais ameaças são a materialização da ambição humana pelo lucro, sem critérios. 
 
O anúncio é inerente à profecia. Portanto, oramos para que as decisões que serão tomadas por este Sínodo contribuam para uma ação evangelizadora encarnada na realidade dos povos das Florestas e na afirmação de que a Casa Comum, em toda a sua diversidade, é uma expressão da graça amorosa do Deus da Criação. Portanto, cabe a nós, pessoas batizadas, em irmandade com as diferentes tradições de fé presentes neste imenso território, nos deixarmos provocar por esta graça, reconhecendo que a força criativa de Deus transcende a capacidade humana de compreender a complexidade da vida presente no bioma amazônico. Talvez, a Amazônia seja o melhor testemunho de que a Casa do Pai é de muitas moradas (Jo 14.2). Ela é a morada de todos os seres vivos: árvores, rios, sementes, animais, seres humanos, águas...
 
O CONIC, a partir de seu testemunho ecumênico, participa em diferentes iniciativas que têm como objetivo o apoio ao Sínodo da Amazônia. Destacamos o movimento “Somos Amazônia”, impulsionado por Christian Aid com o apoio do Fórum Ecumênico ACT- Brasil que coletou a assinatura de mais de 130 igrejas e organizações ecumênicas da América Latina, que atenderam à convocação para a oração, ação e reconhecimento da urgência em assumir que o planeta corre riscos.
 
Junto com movimentos populares, intelectuais e artistas, reunidos na Escola Florestan Fernandes dialogamos sobre o Sínodo e saudamos a coragem do processo participativo e democrático de construção das propostas apresentadas no Instrumentum Laboris. 
 
Como parte do movimento ecumênico, saibam que nosso Conselho de Igrejas caminha com vocês para que a igreja, enquanto povo de Deus em movimento, se torne cada vez mais defensora dos direitos humanos e das florestas. Somos parceiros no anúncio dos direitos territoriais dos povos indígenas, de quem temos muito que aprender, para avançarmos na perspectiva política do bem comum e do bem viver. Nosso testemunho público da fé em Jesus Cristo expressa-se também no apoio e na promoção da agroecologia, da agricultura familiar, camponesa, indígena, quilombola.
 
Por fim, manifestamos nossa gratidão por oportunizarem que o Conselho Amazônico de Igrejas (CAIC), nossa voz ecumênica na Amazônia, possa participar deste momento na qualidade de convidado-fraterno. Esta gratidão se concretiza no nosso compromisso de promover a fé em Jesus Cristo a partir do respeito à diversidade dos povos e deste imenso território vivo chamado Pan-Amazônia.
 
Ao Papa Francisco, nossa oração.
E aos irmãos e irmãs, nossa gratidão por sermos Um em Diversidade. 
 
CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL
 
 
 
 
English version:
 
ECUMENICAL SALUTATION TO THE SYNOD FOR THE AMAZON
 
Dear brothers and sisters gathered at the Synod for the Amazon,
 
Grace and Peace!
 
The National Council of Christin Churches in Brazil (CONIC) expresses its unconditional support the Synod for the Amazon, which is being held this October in the Vatican. We rejoice with you on the possibility of gathering the Amazonian diversity in a meeting whose purpose is to discuss the evangelizing presence of the Church in that territory, while we prophetically denounce the real threats faced by such immense biodiversity.  Those menaces are the realization of the human craving for profit without criteria. 
 
The announcement is inherent to the prophecy. We therefore pray for the decisions made in this Synod to contribute for an evangelizing action within the reality of the Forest Peoples, in the affirmation that our Common Home, in all its diversity, is an expression of the loving grace by Our Almighty God.  Hence, we the baptized people, in unity with the different traditions of faith in this enormous territory, are to let ourselves be led by that grace, acknowledging that God’s creative power transcend the human capacity to understand the complexity of life in the Amazon biome. Perhaps the Amazon is the best witness that Our Father’s House has many mansions (John 14:2). It is the dwelling of all living beings: trees, rivers, seeds, animals, human beings, waters…
 
From its ecumenical testimony, CONIC takes part in different initiatives that aim to support the Synod for the Amazon. We highlight the “We Are the Amazon” movement, which was promoted by the Christian Aid with the assistance of the Brazilian Ecumenical Forum (ACT) in the collection of signatures from more than 130 churches and ecumenical organizations in Latin America, answering to the call for prayer, action and acknowledgement in the urgency of recognizing the risks faced by our planet. 
 
Along with popular movements, scholars and artists, we met at the Florestan Fernandes School to discuss the Synod and we cheered the courage in the participatory, democratic process to draft the proposals presented in the Instrumentum Laboris. 
 
As part of the ecumenical movement, we affirm that our Council of Churches marches with you so that the Church, as the movement of God’s people, may be increasingly engaged in the defense of human rights and forest rights. We are partners in heralding the territorial rights of the indigenous peoples, from whom we have so much to learn, to advance in the political perspective of common good and good living. Our public testimony of the faith in Jesus Christ is also expressed in the support and promotion of agroecology, and family, peasant, indigenous and quilombola agriculture.
 
Lastly, we wish to express our gratitude for this opportunity that the Amazon Council of Churches (CAIC), our ecumenical voice in the Amazon, could take part in this moment as a fraternal guest. This gratitude is displayed in our commitment to promote the faith in Jesus Christ from the perspective of respect for the diversity of peoples and this immense living territory – the Pan-Amazon.
 
Our prayers for Pope Francis.
To our brothers and sisters, our gratitude for being One in Diversity. 
 
NATIONAL COUNCIL OF CHRISTIAN CHURCHES IN BRAZIL

 
Religiosos no Iraque estão agenciando meninas para atividades sexuais, revela uma investigação da BBC News Arabic (serviço árabe da BBC) sobre a prática xiita do "casamento temporário".
 
A investigação secreta acompanhou escritórios de casamentos dirigidos por clérigos perto de alguns dos santuários mais importantes do Iraque. E descobriu que a maioria dos clérigos procurados estava disposta a abrir caminho para esse tipo de "casamento" por períodos muito curtos, às vezes apenas uma hora, somente para permitir o sexo.
 
Alguns sinalizaram a possibilidade de encontros temporários com meninas de 9 anos. A reportagem indica que os clérigos agem como cafetões e dão bênção religiosa ao abuso sexual de crianças.
 
'Casamento prazeroso'
 
O casamento temporário ou por prazer - nikah mut'ah - é uma prática religiosa controversa usada pelos muçulmanos xiitas para firmar um casamento temporário, pagando uma quantia em dinheiro à mulher. Nos países de maioria sunita, o casamento chamado misyah cumpre uma função semelhante.
 
A prática surgiu supostamente para permitir que um homem se casasse enquanto viajava, mas hoje é usada para permitir que um homem e uma mulher tenham relações sexuais por um período limitado. Estudiosos muçulmanos se dividem a respeito - alguns dizem que ela legitima a prostituição; há também um debate sobre qual deveria ser a duração de um casamento do tipo.
 
Equipes iraquianas e britânicas da BBC conduziram a reportagem por 11 meses, filmando disfarçadamente clérigos, fazendo contato com mulheres exploradas sexualmente e conversando com homens que pagaram pelo serviço.
 
Após 15 anos de guerra, estima-se que 1 milhão de mulheres iraquianas tenham se tornado viúvas e muitas outras perderam suas casas. A equipe da BBC descobriu que muitas meninas e mulheres são levadas a aceitar o "casamento temporário" por causa da pobreza.
 
 
Sinal favorável para casamentos com meninas de 12 anos
 
A equipe encontrou indícios de que os casamentos temporários estão amplamente disponíveis em duas das áreas mais sagradas do Iraque.
 
Por exemplo, foram abordados dez clérigos em Khadimiya, Bagdá, um dos santuários mais importantes para os muçulmanos xiitas. Oito deles disseram que realizariam casamentos temporários; metade disse que poderia fazê-lo com uma menina de 12 ou 13 anos.
 
A equipe também abordou quatro clérigos em Karbala, o maior local de peregrinação xiita do mundo. Eles foram filmados com uma câmera secreta. Três deles disseram que forneceriam mulheres, e dois, meninas.
 
Sayyid Raad, um clérigo de Bagdá, disse ao repórter da BBC - disfarçado - que as leis islâmicas (sharia) não limitam o tempo do casamento prazeroso: "Um homem pode se casar com quantas mulheres quiser. Você pode se casar com uma garota por meia hora e, assim que acabar, imediatamente pode se casar com outra".
 
Perguntado se era aceitável ter um casamento temporário com uma criança, Raad respondeu: "Apenas tome cuidado para que ela não perca a virgindade".
 
"Você pode ter preliminares com ela, deitar com ela, tocar seu corpo, seus seios... Mas você não pode penetrá-la de frente. Mas o sexo anal, tudo bem", continuou.
 
Questionado sobre o que aconteceria se a garota se machucasse, o clérigo respondeu encolhendo os ombros: "É entre vocês dois se ela pode suportar a dor ou não."
 
Sheikh Salawi, um clérigo de Karbala, foi perguntado sob uma câmera secreta se uma menina de 12 anos seria aceitável para o mut'ah. "Sim, a partir dos nove anos... Não há problema algum. Segundo a sharia, não há problema", diz ele.
 
Como Raad, Salawi disse que o único problema era se a garota fosse virgem. As preliminares eram permitidas e o sexo anal apenas se a menor consentisse, ele aconselhou, antes de acrescentar: "Faça o que você deseja".
 
Casamento por telefone
 
Para testar os procedimentos que envolvem a prática com uma criança, o repórter descreveu para Sayyid Raad uma garota de 13 anos chamado "Shaimaa", com quem ele queria um casamento de prazer. Na realidade, a garota era interpretada por uma colega da BBC.
 
(Placas mostram escritórios de casamentos temporários em Kadhimiya — Foto: BBC)
 
Sayyid Raad não pediu para conhecê-la ou conversar com sua família. Sentado em um táxi com o repórter disfarçado, ele concordou em realizar o casamento por telefone.
 
Ele perguntou à garota: "Você concorda, Shaimaa, em me dar seu consentimento para casar com ele, que te pagará 150.000 dinares por um dia?".
 
No final, ele disse: "Agora vocês dois são casados ​​e é halal (permitido) estar juntos."
 
Ele cobrou ao repórter disfarçado US$ 200 (cerca de R$ 815) pelos poucos minutos da "cerimônia" e não demonstrou preocupação com o bem-estar da menina de 13 anos de idade.
 
Em outro episódio, o repórter disfarçado se recusou a seguir em frente com um casamento prazeroso, e então um clérigo sugeriu que ele poderia preferir uma garota na adolescência e se ofereceu para encontrá-la.
 
A equipe da BBC registrou ainda o testemunho de uma menor que alega ter sido espancada por um clérigo, o que foi confirmado por outras testemunhas.
 
Cobertura religiosa
 
Um homem casado que usa regularmente casamentos prazerosos para fazer sexo com estranhas fornecidas por clérigos disse à BBC: "Uma menina de 12 anos é apreciada porque ainda é 'fresca'. Ela será cara - US$ 500, US$ 700, US$ 800 (respectivamente cerca de R$ 2 mil, R$ 2,8 mil e R$ 3,2 mil) - e isso é apenas o que o clérigo pode ganhar."
 
Ele acredita que tem apoio religioso para seu comportamento: "Se um homem religioso diz que o casamento de prazer é halal, não conta como pecado".
 
Yanar Mohammed, ativista dos direitos das mulheres que administra uma rede de abrigos femininos em todo o Iraque, diz que as meninas estão sendo tratadas neste sistema como "mercadoria", e não seres humanos.
 
"Usar a 'mercadoria' de algumas maneiras é permitido, mas a virgindade é resguardada como uma grande venda a ser feita no futuro", diz, indicando que a "grande venda" significa casamento.
 
Quando a virgindade de uma menina já foi perdida, ela é vista como não casável e corre o risco de ser morta por sua própria família por representar uma desonra.
 
"São sempre as meninas e mulheres que pagam o preço", diz Yanar Mohammed.
 
Condenação
 
Ghaith Tamimi é um ex-clérigo xiita de alto escalão no Iraque que agora está exilado em Londres depois de opinar sobre o fundamentalismo.
 
Ele condenou os clérigos que usam o casamento por prazer para explorar mulheres e, em particular, aqueles que sancionam a prática com meninas muito jovens: "O que esse homem está dizendo é um crime que deve ser punido por lei (comentando as gravações)".
 
Alguns líderes religiosos xiitas iraquianos afirmam que a lei islâmica permite atos sexuais com crianças. Tamimi exige que os líderes xiitas condenem essas práticas.
 
Dois dos três clérigos filmados secretamente pela BBC News se descrevem como seguidores do aiatolá Sistani, uma das figuras mais importantes do islamismo xiita.
 
No entanto, em um comunicado à BBC, o aiatolá disse: "Se essas práticas estão acontecendo da maneira que vocês estão dizendo, nós as condenamos sem reservas. O casamento temporário não é permitido como uma forma de vender sexo de uma maneira que menospreze a dignidade e a humanidade das mulheres."
 
Um porta-voz do governo iraquiano declarou à BBC: "Se as mulheres não vão à polícia com suas queixas contra clérigos, é difícil para as autoridades agirem".
 
Fonte: BBC

 
Diversas lideranças religiosas participaram de um encontro na Catedral da Sé, região central de São Paulo (SP), para declarar solidariedade ao Sínodo da Amazônia, que ocorrerá entre os dias 6 e 27 de outubro no Vaticano. Durante o ato, que aconteceu na noite da última segunda-feira (30), dom Claudio Hummes afirmou que, juntos, precisamos "pensar as grandes causas da humanidade". Mais adiante, ele explicou que o "Sínodo não é fechado, não é exclusivo, ele é inclusivo”.
 
Apoio ao Sínodo 
 
Arcebispo cardeal da Arquidiocese de São Paulo, dom Odilo Sherer, falou sobre a disposição de diversos setores para debater as questões ligadas ao meio ambiente. “Esse interesse pela Amazônia já significa muita coisa. Algo está acontecendo com o povo brasileiro, com nossas consciências, com os governos.” 
 
O Sheik Al Bukai desejou "que o Sínodo da Amazônia seja uma luz que ilumine os corações dos governantes." Para o pastor Ariovaldo Ramos, o encontro no Vaticano pode indicar um caminho para a crise ambiental. “Quando o Criador colocou o homem no planeta, nos deu a tarefa de governar o planeta. Falhamos, mas há sempre esperança, o Sínodo é a esperança. Que tenha sucesso.” 
 
Sacerdotisa do Candomblé, Adriana de Nanã lembrou que sua religião mantém uma relação estreita com a natureza. “Nossos orixás estão na natureza, na água, no ar, na terra”, declarou a religiosa. Também estiveram presentes no ato o rabino Alexandre Leone, o monge budista Ryozan e o professor kardecista Afonso Moreira Jr.
 
Com informações do Brasil de Fato
Foto: Luciney Martins/O São Paulo

 
Lembro bem de ter ouvido, algumas vezes, comentários de vizinhos – sempre homens – com meus pais, de que as filhas deveriam ir à escola “somente para aprender a assinar o nome” e as operações básicas da matemática, “para não escrever bilhetes para namorados”. Mas isso era no interior do Brasil, no final dos anos 1970, dito num contexto de país marcado por grandes contingentes de semi e de analfabetismo.
 
Inacreditável que essa resistência à liberdade das mulheres e reconhecimento pleno do óbvio – sua igualdade ontológica e moral – perdure e se renove, como temos visto. O vídeo amplamente circulado nesta semana de um magnata da comunicação no Brasil, dublê de bispo, atualiza, constrangedoramente, esse assunto que já era estapafúrdio nos anos 1970!
 
Para manter a dominação machista sobre mulheres – e os homens seguirem sentindo-se ‘machos’ – elas deveriam estudar apenas até o Ensino Médio! (sic).
 
A tentativa de manter essa cultura desumana (e antievangélica, para quem é cristão!), não funcionou, neste tópico pelo menos, porque as mulheres têm ido à luta. Pesquisa do IBGE (2018) revela que, na faixa dos 25 anos ou mais, mulheres com formação universitária perfazem 16,9%, enquanto os homens, 13,5%. “Quando se distingue de acordo com a cor da pele, esse índice se mantém mais alto para as mulheres, sejam elas brancas ou negras. Enquanto 20,7% dos homens brancos têm o ensino superior completo, 23,5% das mulheres brancas têm esse nível. Entre os negros e pardos, 7% dos homens têm o superior, contra 10,4% das mulheres” (O Globo, 7/3/18, com base na pesquisa do IBGE).
 
A gangorra de desigualdade se inverte quando o item é remuneração. Aí os homens mantêm sua dominação perversa e desonesta. Segundo a mesma pesquisa, mulheres ganham 23,5% a menos que os homens. O salário médio deles no Brasil é R$ 2.234, e o delas é R$ 1.764.
 
Em relação à dominação machista, esta não tem muita alteração no recorte nível de escolaridade, renda e adesão religiosa. De certa forma, a perspectiva do Bispo Macedo, de uma igreja cuja membresia é marcada por classes populares, não difere substancialmente de uma denominação protestante histórica e dona de Universidade, como a presbiteriana. Esta não permite que mulheres sejam pastoras nem exerçam liderança presbiteral.
 
Mais um dado da complexidade do mundo real: Pesquisa qualitativa de doutoramento do Robson Costa mostra comparativamente que mulheres de classe popular nas Assembleias de Deus têm mais autonomia de gênero do que suas irmãs na Igreja Presbiteriana do Brasil. (Mulheres evangélicas e práticas religiosas – Uma análise comparativa na perspectiva de gênero, PPGSS-UFRJ, 2013).
 
Enfim, enquanto homens ricos ou nem tanto, com formação média ou mesmo com pós-graduação, de igreja nova e sem lastro doutrinário ou de denominação com forte tradição teológica comungam da misoginia, Jesus tem outra posição e postura. Estes sacerdotes religiosos, que afirmam seguir Jesus e mesmo Paulo, agem na contramão e contradição à Cristo e ao apóstolo (Gl 3.28). Usam, às vezes, argumentos adocicados para falar acerca das mulheres, mas suas palavras encobrem – ou revelam – perspectiva de controle ou suposta dominação sobre elas.
 
Jesus, que é Deus, tem postura diferente, antagônica. Ele reconhece o direito das mulheres à educação. Ele gasta tempo na formação, qualificada, com Maria, em Betânia. Um rabino nunca se aproximaria nem dedicaria tempo à educação de uma mulher, mas ele, Filho de Deus, dá um curso de graduação, não para Lázaro (que poderia ter acesso a um rabi), mas à sua irmã. Quebra de paradigma, pois pessoas são mais importantes do que regras.
 
Jesus, que é Deus, e está acima da IURD e do Supremo Concílio, inclusive do Vaticano e do Papa, dá um curso de pós-graduação teológica para a Mulher Samaritana!
 
Jesus, que é Deus, aprende também com mulheres, como ele mesmo demonstra no episódio com a mulher siro-fenícia.
 
Jesus, ressurreto, comissiona uma mulher, Maria Madalena, à maior tarefa apostólica: Anunciar a homens e mulheres que Ele está vivo. E veio dar vida, por igual, para todos e todas!
 
*Clemir Fernandes é Teólogo (STBS), mestre em Sociologia (UERJ) e doutor em Ciências Sociais (UERJ); é pesquisador do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e membro da Igreja Batista Marapendi, Rio de Janeiro.
 
Foto: Reprodução

 
Ben Kwashi, arcebispo anglicano da província interna de Jos e bispo de Jos, compartilhou sua história em um novo livro sobre a vida “na linha de frente” no norte da Nigéria. O livro, escrito por Andrew Boyd, foi intitulado Neither Bomb nor Bullet: Benjamin Kwashi, Archbishop on the Front Line (“Nem Bomba nem Bala: Benjamin Kwashi, Arcebispo na Linha de Frente”). O livro mostra a vida do arcebispo desde a infância, a entrada no exército nigeriano, seu encontro com Deus e como sua fé cristã colocou ele e sua família em risco de perseguições por extremistas.
 
O arcebispo, cuja casa fica em Jos, na Nigéria – uma área cercada por militantes armados que lutam para criar um estado islâmico radical – enfrentou três ataques gravíssimos à sua vida. Até sua casa já foi incendiada. Mas nada conseguiu silenciar o arcebispo.
 
Uma figura carismática e influente, Ben Kwashi continuou a pedir aos cristãos que resistissem ao que considera um genocídio virtual causado por extremistas tentando expulsar todos os não-muçulmanos do norte da Nigéria.
 
Nos últimos 30 anos, ele sofreu outros horríveis episódios de violências nas mãos de extremistas. Nem sua esposa, Gloria, ficou de fora. Certa ocasião, ela foi violentamente atacada e agredida enquanto ele estava fora. Gloria foi encontrada semi-consciente e parcialmente cega.
 
Vale a pena a leitura!
 
Com informações da Agência de Notícias Anglicanas
Foto: Reprodução