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- Sobre a missão da IECLB e o lugar de testemunho da fé.
- O samba enredo: sua mensagem, algumas afinidades e limites à luz da Bíblia e da confessionalidade luterana.
- A IECLB não participará do desfile como instituição. Reconhece múltiplos lugares como espaços de testemunho da fé em Cristo. Em todos temos um chamado ao zelo bíblico e confessional.
- Fortalecemo-nos como Igreja quando reconhecemos as muitas formas de testemunhar com convicção e fé o nome de Jesus Cristo.
 
“Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,” (João 10.14).
 
A IECLB tem como missão propagar o Evangelho de Jesus Cristo, estimular a sua vivência pessoal na família e na comunidade e promover a paz, a justiça e o amor na sociedade brasileira e no mundo (Art. 3º da Constituição da IECLB). Para dentro de quais espaços a IECLB é chamada a dar testemunho de Jesus Cristo? Em quais espaços ela está disposta a fazê-lo? Quem o fará?
 
Estas e outras perguntas muito nos ocupam ao longo da história e também no início de 2020. A motivação específica é a possibilidade de participação da IECLB no desfile de carnaval que o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira da Mangueira (Mangueira) promove neste ano na cidade do Rio de Janeiro. A Mangueira propõe em seu samba enredo falar de Jesus. Imagina ele nascido na periferia da cidade do Rio de Janeiro, no Morro da Mangueira, entre as pessoas da favela. Canta o “Jesus da gente”, ou seja, o Jesus de quem vive ali e sofre marginalização por cor de pele (negra), pela origem (indígena) ou por ser mulher. Conclui que este “Jesus da gente” também hoje morreria, vítima da intolerância e violência.
 
Três aspectos chamam a atenção no samba enredo: 1ª) a denúncia da difícil realidade de vida nas periferias da cidade, sobretudo no Morro da Mangueira; 2ª) a mensagem de fé que aponta para a presença de Jesus, por ser onipresente, neste contexto de periferia; 3ª) a mensagem política/econômica que clama por partilha e fala do “Messias de arma na mão”.
 
A mensagem do Jesus na periferia, identificado com a pessoa pobre, solidário às pessoas em sua realidade de vida, não é nova para as comunidades da IECLB. Também o tema da intolerância religiosa nos é precioso e reiterado no meio ecumênico ou na vivência inter-religiosa. Some-se a isto o histórico da IECLB de ser uma Igreja dialogal, aberta e que sabe dar razão da sua fé.
 
Visto a partir de uma perspectiva ampla, o samba enredo e os carros alegóricos da Mangueira não configuram ofensa para a fé cristã de confessionalidade luterana. Esta avaliação decorre da leitura do texto que fundamenta o samba enredo e do relato de ministros e ministra da IECLB que participaram de reunião na escola de samba e puderam ver as alegorias. Entretanto, não sejamos ingênuos: o samba carioca vive também de surpresas. Algo pode não ter sido mostrado, pode ser pensado posteriormente ou mesmo não ser percebido por quem lá esteve.
 
Olhando para detalhes do samba enredo, há questões críticas e afirmações que somente podem ser reconhecidas como hipóteses ou figuras de linguagem. A comparação de José a um desempregado é um exemplo. Em nenhum lugar da Bíblia se diz que José era desempregado, mas também não se diz que ele sempre tinha trabalho. No campo da suposição, José poderia ser um carpinteiro empregado ou desempregado. Na favela talvez viveria de bicos. A análise em detalhes encontrará incongruências sob a perspectiva bíblica ou confessional. Mas também em nossas vidas há contradições e há incoerências. Mesmo sendo pessoas batizadas e justificadas por Deus, não estamos livres da ambiguidade. Fazemos o bem, porém também praticamos o mal. Por consequência, resta a pergunta sobre como nossa vida e conduta são avaliadas por Deus e pelas pessoas.
 
Sob a perspectiva da fé cristã só podemos confirmar a frase “Nem messias de arma na mão”. Jesus Cristo, o Messias, não veio ao nosso encontro de arma na mão. Veio em forma de criança pobre, nasceu numa estrebaria de animais e teve como primeiro berço um coxo de animais (Lucas 2). Confrontado com uma situação de violência e com a possibilidade de uso do poder no momento de sua prisão, Jesus Cristo disse a um discípulo: guarde a sua espada (Mateus 26). No samba enredo, a referência à arma tem conotação política, uma vez que são conhecidos os gestos de arma e propostas de flexibilização da posse de armas. No ambiente de extrema polarização política reside aqui uma grande parte da tensão. Como a Igreja se posiciona? Por um lado, a Igreja defende a liberdade de expressão e reconhece que cada pessoa tem a liberdade de escolher o seu projeto político. Por outro lado, a Igreja afirma que a posse de armas não soluciona o problema da segurança pública. Arma não é instrumento pacificador. É mecanismo de morte. Mas também não podemos deixar de perguntar se a referência ao “punho cerrado” é representação adequada para uma proposta de paz ou referência política. Como Igreja também não compactuamos com fatos ocorridos em escolas de samba do Rio de Janeiro, tais como envolvimento com jogo do bicho e o tráfico de drogas. Da mesma forma, temos o cuidado de não “romantizar” o desfile do carnaval e achar que ele resolverá os problemas sociais.
 
Muitas pessoas e comunidades refletiram a possível participação da IECLB no desfile da Mangueira. Também o Sínodo Sudeste e a presidência da IECLB o fizeram. Houve longas conversas, visita ao pavilhão da Mangueira, conferência de ministras e ministros do Núcleo Rio de Janeiro, reunião da Diretoria do Sínodo, cartas, manifestações e preocupações saudáveis de cuidado com a expressão coletiva da fé e a edificação de comunidades. Todo este processo mostrou que não há consenso em torno do tema e por isso consideramos:
 
a) A participação no desfile carnavalesco levanta a pergunta pela compreensão do que é sagrado e profano. Reconhecemos que “sagrado” não é somente o espaço reservado de uma comunidade. Sagrado é o espaço ocupado por Deus. Sagrado está ali onde Cristo está e onde as pessoas o testemunham. Mesmo assim, a perspectiva da fé de quem entende o sagrado de forma diferente merece consideração e respeito.
 
b) O desfile não é proposição do Sínodo Sudeste, de suas comunidades ou da IECLB como instância nacional. É um convite que abre a possibilidade de nos unirmos a um evento cultural e festivo. Também isto não é novidade na IECLB. Em diversos momentos ministras, ministros e lideranças da IECLB marcam presença em solenidades públicas, em festas populares, em eventos culturais. Tais ocasiões são oportunidade de nos apresentarmos para a sociedade com uma mensagem cristã. No caso do desfile carnavalesco, a mensagem seria: nossa fé não exclui o povo da periferia e nós nos esforçamos para estar ali também com a vivência da paz, da justiça, do perdão, da vida e da salvação.
 
c) Reconhecemos virtudes no samba enredo e o direito de uma escola de samba se manifestar religiosa e politicamente. Mesmo assim, como instituições, a IECLB e o Sínodo Sudeste não indicarão representante para participação no desfile da Mangueira. Se alguém da IECLB decidir por participação, esta ocorrerá em caráter particular e oramos para que aconteça com zelo pela expressão coletiva da fé.
 
d) Todas as pessoas são chamadas para serem testemunhas de Jesus Cristo. Este chamado reafirmamos como IECLB. Compreendemos que todos os espaços são legítimos para a expressão da fé cristã por crermos que Cristo pode estar em todos os lugares. Por isso conclamamos cada pessoa a testemunhar Jesus Cristo neste carnaval, não importando onde, se em culto comunitário, em um retiro, em um bloco de rua ou na avenida do samba. Testemunhar significa dar expressão e forma da fé em Cristo. Significa dar expressão ao perdão, à vida plena e à salvação.
 
e) Somos uma igreja plural na expressão da fé e por isso as manifestações são plurais. Conviver na pluralidade já é, por si só, um belo testemunho da fé em Cristo. Por vezes temos falhado neste aspecto e as manifestações nas redes sociais atestam a falha. Por isso nos dirigimos aos grupos que formam a “IECLB virtual”. Também este é espaço de testemunho cristão, de respeito às pessoas, de edificação da “IECLB real”, esta que se reúne face a face em diversos espaços. A teologia luterana destaca que somos pessoas justas e pecadoras ao mesmo tempo. Todas as pessoas! Por isso, tenhamos cuidado ao apontar o dedo para supostos pecados das outras pessoas. Cada qual analise a sua vivência e deixe a Deus os julgamentos. Deus não necessita de promotoras ou promotores de acusação, mas nos chama para ser testemunhas que praticam o amor e a justiça. Há que se distinguir entre a necessária denúncia profética e a dispensável acusação moralista.
 
f) Por um lado, queremos ter ousadia na missão. Por outro lado, não queremos escandalizar. Somente o cuidado pastoral e o amor às pessoas podem dizer quando um ou outro precisam ser enfatizados. O cuidado pastoral e o exercício do amor também nos fazem perceber que não conseguimos criar unanimidade em torno do assunto. Esta não é a preocupação maior. A preocupação maior está com a expressão de respeito aos diferentes jeitos de testemunhar o nome de Jesus Cristo. Assim como o corpo de Cristo não é formado por um só membro, também o Cristo morto e ressuscitado não é plenamente testemunhado de uma só maneira. Nossa grande chance está no propósito de construir diferentes formas de testemunho da fé sem comprometer a unidade. Nossa grande chance está em reconhecer que o testemunho da fé em Cristo é exercido nas comunidades, mas que precisamos de aproximação com quem hoje ainda não alcançamos. Sem espaços de aproximação também será pequena a esperança de que novas possibilidades de anúncio da mensagem evangélica de paz, justiça, perdão, vida e salvação em Cristo se concretizem.
 
Como interlocutores oficiais da Igreja neste caso indicamos o coordenador local do colégio de ministras e ministros e o Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste.
 
Que Deus estenda sua mão sobre nós e abençoe as possibilidades que se nos apresentam neste carnaval.
 
São Paulo, véspera do carnaval de 2020
A Diretoria do Conselho Sinodal
 
Porto Alegre, fevereiro de 2020
Presidência da IECLB
 
Nota: a Presidência da IECLB apoia os encaminhamentos feitos pelo Sínodo Sudeste e o posicionamento emitido pela sua Diretoria.

 
O papa Francisco publicou na última quarta-feira (12/02) a Exortação Apostólica “Querida Amazônia”, documento feito a partir da realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, realizado entre os dias 6 e 27 de outubro de 2019, no Vaticano. Veja os detalhes do documento aqui.
 
Em seguida, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) promoveram uma coletiva de imprensa sobre a Exortação Apostólica e os desdobramentos no Brasil. O evento foi realizado na sede da CNBB, em Brasília. Participaram da coletiva o arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, e o relator do Sínodo para a Amazônia, cardeal Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo. A coletiva está disponível no Facebook da CNBB @cnbbnacional.
 
O tema do Sínodo foi “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”. O objetivo traçado pelo papa Francisco foi “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”.
 
Durante o processo do Sínodo, religiosos e religiosas, leigos e leigas e representantes das populações tradicionais prepararam um documento com as reflexões sobre novos caminhos para a Igreja na Amazônia e para a ecologia integral, que foi encaminhado ao papa como ajuda à construção do texto final.
 
Do anúncio da realização do Sínodo pelo Santo Padre, em Porto Maldonado, no Peru, em janeiro de 2018 até o lançamento da Exortação “Querida Amazônia” um longo processo sinodal foi desenvolvido. Por isto, antes de conhecermos a Exortação é importante retomar todo caminho percorrido.
 
Fase de preparação e escuta sinodal
 
De junho 2018 a abril de 2019, foi desenvolvida, nos países que integram a região Pan-Amazônica (Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname), uma série de atividades como parte do processo de escutas pré-sinodais coordenado pela Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM). A escuta ouviu os povos amazônicos, com destaque para indígenas, ribeirinhos, quilombolas, mulheres, jovens, religiosos e religiosas.
 
Ao todo foram realizadas 57 assembleias, 21 fóruns nacionais, 17 fóruns temáticos e 179 rodas de conversa. No Brasil, foram 182 atividades. Ao todo, estima-se que 87 mil pessoas tenham sido ouvidas na fase de preparação. Como fruto desta escuta, a secretaria-executiva do Sínodo elaborou o Instrumentum Laboris (Instrumento de Trabalho) do Sínodo Amazônico, material de estudo dos bispos em preparação ao evento.
 
O papa convocou bispos dos 9  países que integram a Pan-Amazônia. O Brasil ficou com a maior delegação entre os participantes, sendo 58 bispos da região amazônica, além de outros nomes na cúpula do encontro como o cardeal brasileiro dom Claudio Hummes, relator-geral do sínodo. O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo, também participou. O pontífice convidou ainda cientistas, nomes ligados à Organização das Nações Unidas (ONU), representantes de igrejas evangélicas, de ONGs e povos indígenas.
 
Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica
 
Segundo relatório final, a celebração do Sínodo, realizado de 6 e 27 de outubro de 2019, no Vaticano, conseguiu destacar a integração da voz da Amazônia com a voz e o sentimento dos pastores participantes. Participaram da Assembleia Sinodal,  250 pessoas, sendo 184 bispos e 35 mulheres.
 
Segundo o documento final foi “foi uma nova experiência de escuta para discernir a voz do Espírito Santo que conduz a Igreja a novos caminhos de presença, evangelização e diálogo intercultural na Amazônia. A afirmação, que surgiu no processo preparatório, de que a Igreja era aliada do mundo amazônico, foi fortemente confirmada. A celebração termina com grande alegria e esperança de abraçar e praticar o novo paradigma da ecologia integral, o cuidado da “casa comum” e a defesa da Amazônia”.
 
Após a realização do Sínodo, que tem caráter consultivo, cabe sempre ao papa a decisão de escrever ou não uma Exortação Apostólica pós-sinodal. No documento, o Santo Padre expõe o seu parecer final sobre as sugestões dos participantes da reunião de bispos.
 
Comissão Pós-Sinodal
 
Os nomes dos 16 membros que integram a Comissão Pós-Sinodal, cuja tarefa é aplicar as indicações da Assembleia dos Bispos, foram divulgados pelo Vaticano dia 23 de novembro de 2019. Entre eles, constam quatro brasileiros: dom Alberto Taveira, arcebispo de Belém (PA), dom Erwin Kräutler, bispo emérito da prelazia do Xingu (PA) – agora diocese de Xingu-Altamira –, dom Cláudio Hummes, arcebispo emérito de São Paulo e dom Roque Paloschi, bispo de Porto Velho (RO).
 
Documento final
 
O documento final, com 5 capítulos, reconhece a Amazônia como coração biológico, para a terra cada vez mais ameaçada. Aponta a importância da Amazônia para a distribuição das chuvas nas regiões da América do Sul e para os movimentos de ar ao redor do planeta. Aponta os riscos de desmatamento evidenciados pela comunidade científica que até então encontra-se no patamar em 17% o total da floresta Amazônica. Isto, segundo os cientistas, ameaça a sobrevivência de todo o ecossistema, colocando em perigo a biodiversidade e mudando o ciclo vital da água, para a sobrevivência da floresta tropical.
 
O documento, fruto do Sínodo, fala de um chamado à conversão integral (pastoral, cultural, ecológica e sinodal) que promove a criação de estruturas em harmonia com o cuidado da criação; uma conversão baseada na sinodalidade, que reconheça a interação de tudo que foi criado. Conversão que leve a ser uma Igreja em saída que entre no coração de todos os povos amazônicos.  Conhecer o Documento Final é importante para ver que propostas apresentadas e aprovadas pelos bispos no Sínodo serão acolhidas na Exortação “Querida Amazônia”.
 
Acesse aqui o documento final: http://www.sinodoamazonico.va
 
Fonte: CNBB
Imagem: Divulgação

 
Dizem que “as pessoas acreditam naquilo que elas querem acreditar”. Esta é, de fato, a condição de possibilidade das falsas notícias/informações. O ambiente propício para a disseminação desse vírus é a indisposição pela busca da verdade, a falta de autonomia de consciências individuais ou coletivas e, em perspectiva teológica, a maldade de muitos.
 
As chamadas Fake News não são simples mentiras ou equívocos de informações, mas são notícias falsificadas propositalmente, construídas com a finalidade de distorcer alguma informação e desacreditar algo, alguém, grupos, ideias etc. Outra característica delas é que são rasas, superficiais, mas são construídas e apresentadas com aparência de seriedade. São espalhadas, geralmente, em larga escala, pois, mesmo que se comprove que eram falsas elas já causaram danos, cumprindo sua principal finalidade. São novos meios de manipulação e dominação principalmente das massas e daqueles des-informados.
 
Na atualidade, as novas tecnologias da comunicação são o principal canal pelo qual as falsas informações são propagadas em todo o mundo. Verificar o tempo todo a veracidade daquilo que chega até nós tornou-se tarefa impossível de ser feita, por isso, não podemos espalhar precipitadamente. Resta-nos a constante suspeita e o esforço pela busca da verdade naquilo que queremos permitir nos influenciar, a fim de não nos tornarmos “massa de manobra” a projetos de poder de pessoas ou grupos que manipulam informações, até mesmo teológicas, em benefício próprio, isso nas redes sociais, nas comunidades, nas igrejas e onde haja ensino e informação.
 
Como cristãos, sabemos que um dos assuntos mais importantes na Bíblia é a questão da verdade, em todas as suas formas e expressões. Quem mais fala sobre ela é João em seu evangelho, ao apresentar Jesus como a fonte, o caminho e a razão da verdade. Na Bíblia toda, aliás, há uma defesa da verdade por meio dos relatos e narrativas. Por exemplo, no deserto, Corá, Datã e Abirão se levantaram contra Moisés requerendo a liderança com o argumento de que se todos eram santos porque somente Moisés e Arão poderiam liderar (Nm 16). Basearam seu movimento em suposições, e, sem a verificação da verdade, espalharam essa suposta informação entre o povo para conseguir apoio em seu levante. Convenceram, com isso, pessoas importantes na congregação: “varões de nome”. O questionamento parece fazer sentido, tem cara de verdade, mas quando verificado no conjunto da história do chamamento de Moisés, diríamos aos três:
 
– Vocês manipularam os fatos para conseguir poder sobre o povo, pois Moisés e Arão não foram chamados por serem santos, aliás, não o eram, não foi por mérito deles, mas porque Deus os escolheu! – Essa é a informação bíblica.
 
Os profetas tiveram que lidar constantemente com os falsos profetas, que pronunciavam falsas notícias com a intenção de autopromoção, principalmente para permanecerem na corte dos reis aproveitando seus privilégios. Não se constrangiam em enganar o povo e induzí-lo ao erro, mesmo que isso resultasse em sua destruição (Jr. 23.16-18). Eram como parasitas sustentados por falsos anúncios. Um dos casos mais famosos foi o de Jeremias com o profeta Hananias (Jr 28). Jeremias anunciou a destruição de Judá por causa de seus pecados de idolatria e injustiça, orientou a submissão ao rei da Babilônia como uma forma de “mal menor”. Hananias contradisse Jeremias substituindo seu anúncio por um falso anúncio, no qual Nabucodonor seria vencido em pouco tempo. Certamente que o povo preferiu uma “aparente” boa notícia a uma notícia terrível ainda que verdadeira. Judá foi tomada pelos babilônios, conforme predisse Jeremias, e essa é uma história que conhecemos bem.
 
No Novo Testamento sabemos que os líderes judeus espalharam “falsas verdades” sobre Jesus a fim de que ele fosse perseguido e preso, e conseguiram. Sabemos que eles ficavam o tempo todo à espreita de Jesus para “pegá-lo” em suas palavras, com a intenção de usá-las indevidamente para construir argumentos contra ele (Lc 11.53-54). Sabemos também que um dos grandes problemas da Igreja neotestamentária foram as calúnias levantadas sobre ela, que resultaram em perseguição e morte de muitos cristãos.
 
Podemos dizer que uma das pessoas que mais sofreu com as “falsas notícias” foi o apóstolo Paulo. Em todo o seu ministério ele teve que lidar com a perseguição dos chamados cristãos judaizantes, que não se conformavam com a abertura de seus ensinos e missão aos gentios, uma novidade difícil de aceitar para aquelas pessoas que, embora convertidas ao cristianismo, se entendiam como guardiãs das tradições judaicas (Gl 4.16; I Co 13.6; At 24.5-8). Disseminavam mentiras acerca de Paulo e seus ensinos (Gl 2:4). No caso dos gálatas, por exemplo, Paulo os acusou de acreditar com facilidade nas “falsas verdades” daqueles “falsos” cristãos sobre ele, não buscaram a verdade. Por causa disso, eles estavam se afastando do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo e da liberdade que os beneficiava diretamente como cristãos gentios.
 
Talvez possamos afirmar, de modo metafórico, que a mais desastrosa Fake News de toda a história da criação e que está na base histórico-teológica dessas ocorridas no contexto bíblico e mesmo daquelas que enfrentamos atualmente, conforme apontou o Pr. Caio Fábio no livro Síndrome de Lúcifer, foi aquela da serpente no Éden. Conforme o relato bíblico (Gn 1-3), Deus ordenou algo ao casal humano, mas a serpente tomou a ordenança verdadeira de Deus e substituiu-a por uma falsa informação, com a aparência de ser mais verdadeira do que a de Deus por causa das falsas informações que a baseava. Onde estão as bases da não verdade da serpente? – No interior da sua notícia falsa está o erro: Deus é Deus porque conhece e o humano somente é humano porque não conhece. A teologia aponta de diversas formas os danos dessa sedução da humanidade pela obtenção de um poder que nunca pertenceu a ela.
 
Um exemplo do mal das Fake News em nossos tempos, não desconsiderando seu principal lugar de afecção que é o espaço político (mas não é nossa intenção tratar disso agora, ao menos não diretamente), é a Teologia Latino-americana. Ela iniciou no final da década de 60 e, desde seu surgimento, tem sido alvo das mais criativas des-informações com a intenção de distorcer suas ideias e enfraquecê-la. Normalmente, as fontes dessas notícias falsas não conhecem a TLA, não se ocuparam com seu estudo criterioso ou verificação da sua práxis. Se apropriam de alguns pontos isolados de suas ideias (o que é o método das Fake News), reconstroem enunciados falsos sobre ela e espalham nos espaços de comunicação relacionando-a àquilo que se transformou em seus “moinhos de vento”: “ela é marxista”, “ela é liberal”, “ela é um mal”.
 
Normalmente, os profetas das Fake News contra a TLA se autopromoveram como guardiães da sã doutrina e, na realidade, combatem impiedosamente tudo o que é diferente daquilo que eles defendem. Eles a temem, não somente por causa da novidade que ela representa, o que por si só já os assusta, mas porque ela se apresenta como uma teologia contextualizada, que irrompeu da nossa cultura e condições sócio-históricas, e não se submete aos métodos por eles universalizados e sacralizados. São pessoas que, com raras exceções, nunca pisaram no chão que a TLA pisa e nem se permitiram tocar por sua poeira, como dos assentamentos de pessoas sem-terra ou sem-teto, aldeias indígenas, igrejas de periferia, comunidades quilombolas etc. Estão, geralmente, resguardados em seus gabinetes protegidos por livros de onde espalham falsas informações.
 
Neste caso, tais informações falsas são apresentadas com cara de verdades, maquiadas com um vocabulário teológico rebuscado ou com a veemência de quem entrega uma profecia, para convencer desavisados, aqueles que não se protegem com a suspeita e não estão preocupados com a busca pela verdade. A intenção é lançar propositalmente a dúvida.
 
Muitos se permitem induzir, porque em tempos de Fake News o que importa não é a verdade, mas o que mais se parece com ela, entretanto, que me seja favorável. A serpente do Gênesis continua fazendo sucesso com seu método da não verdade com cara de verdade, pelo plano de ocupar o lugar de Deus na vida dos humanos e, assim, controlar seus destinos.
 
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Regina Fernandes é teóloga, mestre em Teologia e Práxis, mestre em Missiologia. Pós-graduada em História e Cultura Afro-brasileira e Indígena. Autora dos livros - Introdução às Teologias Latino-americanas, Teologia Viva, Teologia da Igreja. Membro da equipe editorial da Editora Saber Criativo e docente na FLAM.
 
Fonte: Coletivo Bereia

 
Católicos e luteranos utilizando um mesmo espaço de culto? Como isso é possível? O relato que veremos a seguir mostra como isso aconteceu em Campo Limpo Paulista, estado de São Paulo. Ele foi partilhado pelo pastor Felipe Milani e, certamente, servirá de inspiração a muitos. Confira!
 
Coworking e Ecumenismo
 
Temos percebido cada vez mais a urgência da temática da sustentabilidade do mundo. No meio dos negócios, por exemplo, a expressão COWORKING é utilizada para designar o compartilhamento de espaço físico e recursos de escritório. É uma revolução. Cria-se, nesse meio, respeitando a independência do negócio de cada um, uma verdadeira comunidade colaborativa que compartilha não apenas espaço físico, mas valores, ideias e experiências.
 
O que isso tem a ver com a igreja? 
 
Em Campo Limpo Paulista, estado de São Paulo, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e a Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) firmaram uma espécie de 'coworking' também. Chamo isso de um ecumenismo sustentável. A comunidade Santo Antônio passou a ceder gentilmente seu espaço para que a IECLB pudesse realizar celebrações.
 
É o início, quem sabe, de uma comunidade colaborativa, que compartilha não apenas espaço físico, mas valores, ideias, experiências, serviço cristão, ainda que sejamos independentes institucionalmente.
 
Primeiro culto
 
O primeiro culto dentro da paróquia católica foi em julho do ano passado, e reuniu pessoas de diferentes denominações cristãs. Teve até membros de igrejas como Assembleia de Deus e Congregação Cristã, além de pessoas que não frequentam igrejas – talvez por curiosidade. 
 
A celebração focou na temática da unidade da igreja e a unidade do ser humano, tendo como acolhida a frase de Miguel de Cervantes: “Quando se sonha sozinho é apenas um sonho. Quando se sonha juntos é o começo da realidade.” Durante a prédica/homilia, foi lembrado o pensamento do papa João XXIII: ‘o que nos une é maior do que o que nos separa’.
 
De maneira concreta, essa unidade pôde ser vivenciada e percebida no momento da hospitalidade eucarística, onde se reconheceu que o desejo de Deus, em Cristo Jesus, é que todos e todas sejam um, assim como o Pai e o Filho são (Jo 17:21).
 
Diante de uma época em que a intolerância e o fundamentalismo religioso efervescem em grupos e movimentos, gerando violências diversas (a muitas vezes desnecessárias), testemunhos como esse servem como esperança e incentivo para que mais comunidades busquem aproximação e dialoguem sobre a importância da religião, qual seja, na busca de um mundo melhor.
 
Felipe Milani - Ministro da IECLB em Valinhos/SP
Foto: Reprodução
 

 
Em algumas das minhas conversas com pastores e líderes ao redor do mundo, eu ouço comentários a respeito de como “a situação do mundo está terrível e como as coisas estão piorando, mas tudo isso deve acontecer como sinal do fim dos tempos…!” Esse tipo de comentário sempre me perturba. Eu elevo essa indagação a Deus em minhas orações: Senhor, é possível que realmente haja mudança? É possível que sociedades e nações mudem?
 
Quando eu penso no meu próprio testemunho ou leio o testemunho de outras pessoas, eu fico maravilhada com o nível de mudança que é possível. Às vezes de forma lenta ao longo do tempo, e outras vezes de forma dramática e imediata.
 
Na série de webinars que fizemos com o Chris Wright há pouco tempo, ele falou sobre a história do Êxodo dos Israelitas do Egito e conversamos sobre a salvação coletiva. Imagina se Deus tivesse que resgatar uma pessoa por vez na hora de cruzar o Mar Vermelho! Também temos a história no Novo Testamento sobre um encontro com Jesus que levou a um lar inteiro escolhendo seguir a Cristo.
 
Todos concordamos que a mudança pessoal e a transformação pessoal é uma possibilidade e uma realidade. A pergunta é: nós acreditamos que a sociedade pode mudar?
 
Eu me lembro de uma questão levantada por uma das Expressões Nacionais da Miqueias, quando nós publicamos pela primeira vez a nossa declaração de visão, que diz: “Comunidades vivendo a vida em toda sua plenitude, livre da pobreza, da injustiça e do conflito.” Eles me desafiaram dizendo que essa declaração era muito utópica. De certo modo, eu concordo: a sociedade nunca será perfeita até que Cristo volte. A nossa visão nos aponta para essa esperança a fim de que possamos focar as nossas energias na construção dessa realidade. A pergunta é: as coisas podem mudar hoje e se tornarem melhores do que elas são? Os nossos esforços fazem alguma diferença e vale a pena dedicar a nossa vida para isso?
 
Para responder de forma simples, sim. Por que? Porque é a vontade e o propósito de Deus. A Bíblia claramente nos chama para demonstrar o novo Reino, a nova humanidade – e sermos os modelos dela, testemunhas dela e vivermos ela. Deus descreve uma comunidade transformada e nos chama para sermos embaixadores e sacerdotes desse Reino, para que o mundo veja, conheça e siga a Cristo. A história nos mostra pessoas que fizeram isso e conquistaram mudanças incríveis (Wilbeforce, Martin Luther King, Wangari Muaathai e Florence Nightingale são alguns exemplos).
 
Mateus 5:13-16 é aquela passagem conhecida onde Jesus fala que devemos ser sal da terra e luz do mundo. Isto é um chamado para sermos instrumentos de mudança no mundo, e não fora do mundo. Sal é usado para limpar e preservar; luz é usada para afastar as trevas. Isso só pode acontecer no mundo, e não fora do mundo; só pode acontecer na praça pública. Sermos sal e luz é um mandamento dado por Jesus para sermos um povo que influencia a sociedade em direção à boa mudança. O nosso estilo de vida distinto deve mostrar um claro contraste para que as pessoas saibam a diferença que Jesus faz na vida de uma pessoa.
 
Quando eu penso sobre as questões que afligem o mundo, em nossos países e comunidades, eu não consigo fugir da pergunta: será que igreja tem sido sal e luz no mundo, na comunidade, na praça pública, de modo que afasta a escuridão e permite que o sal limpe trate do apodrecimento de nossos valores nacionais e das nossas abordagens?
 
Oremos para que Deus nos capacite para manifestar esse novo Reino que Jesus inaugurou, não apenas em nossos ambientes eclesiásticos, mas também na praça pública. Sejamos ousados o suficiente para sermos o sal e a luz que influência os nossos sistemas de saúde, educação e justiça, e os setores de segurança alimentar. Juntos vamos acreditar na possibilidade de acabar com o desemprego e com a pobreza. Sejamos pessoas de paz e de reconciliação, e sejamos pioneiros no cuidado com a criação. Por que? Porque isso é a vontade de Deus.
 
Sheryl Haw é diretora Internacional da Miqueias Global
Imagem: Reprodução (Renas)

 
Neste mês de fevereiro, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em sua carta pastoral, lembrou os 75 anos do fim da II Guerra Mundial e os nefastos efeitos da mesma. “Um dos fatos marcantes de 1945 foi a libertação das pessoas aprisionadas em Auschwitz, o maior campo de concentração do regime nazista. Somente ali foram mortas mais de um milhão de pessoas”, inicia o documento, que também faz um importante alerta: “Ideologias são um conjunto de ideias, valores e normas. Não são necessariamente malignas, mas algumas são opressoras e podem mascarar sua maldade usando o nome de Deus.”
 
Leia a íntegra:
 
CARTA PASTORAL DA PRESIDÊNCIA DA IECLB
Fevereiro – 2020
 
Deus comprou vocês por um preço; portanto, não se tornem escravos de seres humanos
(1 Coríntios 7.23).
 
Em 2020, lembramos 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Um dos fatos marcantes de 1945 foi a libertação das pessoas aprisionadas em Auschwitz, o maior campo de concentração do regime nazista. Somente ali foram mortas mais de um milhão de pessoas. A maioria era judia e nem foi registrada como prisioneira, mas assassinada em câmaras de gás logo após a chegada. Os corpos eram incinerados em enormes fornos. Auschwitz tinha capacidade para cremar até 4.700 corpos por dia.
 
As pessoas aprisionadas e assassinadas nos campos de concentração foram trazidas de diversos lugares da Europa, amontoadas em comboios de trem.  Eram mulheres e homens, pessoas idosas, jovens e crianças, vítimas de uma ideologia perversa. Tal ideologia se caracterizava pela ideia de supremacia da pessoa branca, pelo nacionalismo, pelo ódio ao povo judeu, por intolerância e violência. O regime nazista exercia controle social através do militarismo e de grupos paramilitares, da censura e da propaganda. Por muito tempo conseguiu acobertar seus terríveis crimes. Os portões dos campos de concentração ostentavam a frase “o trabalho liberta”, mas esses campos eram verdadeiras indústrias de escravidão e morte.
 
Ideologias são um conjunto de ideias, valores e normas. Não são necessariamente malignas, mas algumas são opressoras e podem mascarar sua maldade usando o nome de Deus. Nas palavras de Jesus, são como falsos profetas, que se apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes (Mateus 7.15). Hitler sabia muito bem usar a linguagem religiosa. Talvez por isto conseguiu o apoio de uma considerável parcela da população cristã na Alemanha. Também no Brasil havia pessoas de comunidades cristãs que se identificavam com o nazismo. Com inquietação e tristeza, percebemos que ainda há pessoas que defendem ideias semelhantes.
 
Um regime cruel e diabólico como o nazismo não nasce de um dia para o outro. A perseguição a pessoas judias iniciou aos poucos. A ideia de uma “raça superior” foi se expandindo passo a passo. Por isto é preciso atenção a sintomas que se manifestam. Neste sentido, a palavra bíblica para o mês de fevereiro é um chamado para vigiar. Deus nos comprou por um preço: o sangue de Jesus. Não podemos nos deixar influenciar e escravizar por ideologias malignas, que atentam contra a dignidade da vida e da criação de Deus. 
 
Considerar que uma pessoa negra ou indígena não é gente, ou não evoluiu o suficiente, revela preconceito e a malícia da supremacia de um ser humano sobre outro. O racismo, a discriminação, a hostilidade em relação a pessoas estrangeiras e migrantes, a destruição do meio ambiente, são igualmente sinais graves.
 
Não podemos esquecer ou negar a crueldade do nazismo e de outros sistemas totalitários. Não temos responsabilidade pelo que aconteceu no passado, mas temos o dever de evitar que novas bestialidades sejam geradas. É necessário também pedir perdão por qualquer envolvimento da Igreja em atrocidades. A partir do Evangelho de Jesus Cristo, repudiamos toda forma de opressão e escravidão. Deus nos chama para viver o amor, praticar misericórdia, buscar equidade e promover a paz.
 
Ainda o antigo nos tortura, o peso de maus dias dá amargura.
Senhor, dá a nossas almas acuadas a salvação à qual são preparadas.
Por bons poderes muito bem guardados, confiantes esperamos o que há de vir.
Deus é conosco sempre noite e dia. Assim é certa hoje sua alegria.
(Hino de Dietrich Bonhoeffer, Pastor Luterano, preso em campo de concentração e morto pelo regime nazista)
 
Saudações em Cristo,
 
Pa. Sílvia Beatrice Genz
Pastora Presidente
 
P. Odair Airton Braun
Pastor 1º Vice-Presidente
 
P. Dr. Mauro Batista de Souza
Pastor 2º Vice-Presidente

 
Após a realização do Primates’ Meeting (Encontro de Primazes) na Jordânia, em janeiro deste ano, líderes da Comunhão Anglicana emitiram um Comunicado com um resumo de como foi o encontro. No texto, as lideranças agradecem a acolhida local, o apoio prático para a realização da reunião, e também fazem apontamentos importantes no âmbito da Comunhão Anglicana. 
 
O documento descreve, por exemplo, situações concretas e desafiantes para a Igreja mundo afora, como a desapropriação do Edwardes College pelo governo de Khyber Pakhtunkhwa, no Paquistão. "Trata-se de uma fundação cristã com mais de um século e instamos o governo a dialogar com a Diocese de Peshawar, Igreja do Paquistão, com vistas a restituir a administração do Colégio às autoridades da Igreja". 
 
A salvaguarda de crianças e adultos vulneráveis também entrou na pauta. "O fato de ocorrer abuso no passado e no presente é motivo de dor e arrependimento constantes. Ouvimos um relatório sobre o progresso dos trabalhos da Comissão por uma Igreja Segura. Nos arrependemos daqueles momentos em que a Igreja foi e tem sido culpada e falhou em proteger aquelas pessoas confiadas aos seus cuidados. Reafirmamos nosso compromisso de ouvir e trabalhar com todos os sobreviventes de abuso e a nossa determinação em proporcionar um ambiente seguro em nossas igrejas".
 
"Ao longo de nossa reunião estávamos muito conscientes da presença do Espírito Santo nos chamando para estarmos juntos, caminharmos juntos e permanecermos juntos. Agradecemos profundamente as orações daqueles que em todo o mundo oraram por nós durante esta reunião e recomendamos a nós mesmos, nossas províncias e a Comunhão Anglicana ao cuidado e orientação de Deus Todo-Poderoso", conclui o texto oficial.
 
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Foto: ACNS

 
O lançamento da publicação “Vozes proféticas no Brasil: por uma teologia da transformação” envia luz à importância de renovação teológica frente aos desafios do Brasil atual. Resultado de um seminário com representantes de igrejas, movimentos sociais e teólogos, realizado ano passado em São Paulo, a publicação apresenta perspectivas inovadoras para as questões de concentração de riqueza, violência e autoritarismo, recursos naturais e alternativas para a libertação. 
 
Os artigos são assinados por teólogos e teólogas que assumem posições que nos provocam a deslocar convicções e produzir novas sínteses, entre os quais, Nancy Cardoso, Ricardo Gondim, Bianca Daebs, Fellipe dos Anjos, Yuri Orozco, Fabio Py e Ronilso Pacheco. 
 
Produzida pela organização ecumênica internacional Christian Aid, a publicação oferece uma contribuição para o diálogo urgente e necessário entre movimentos sociais, ONGs e a teologia, ajudando a fortalecer as vozes que profetizam contra a injustiça e as desigualdades. Esperamos que igrejas e organizações baseadas na fé tenham novas ferramentas para a discussão coletiva. 
 
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Boa leitura!