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Organizações religiosas e da sociedade civil repudiaram as declarações do deputado Eduardo Bolsonaro sobre a possibilidade um novo AI-5 (saiba o que foi o AI-5 clicando aqui). O filho do presidente afirmou à jornalista Leda Nagle que, se a esquerda radicalizasse, uma das respostas do governo poderia ser “via um novo AI-5”. Depois, disse que “talvez tenha sido infeliz” na afirmação.
 
A seguir, leia as notas publicadas pela Aliança Cristã Evangélica Brasileira e pelo Pacto pela Democracia.
 
Nota da Aliança Cristã Evangélica Brasileira:
 
Aliança Cristã Evangélica Brasileira
se manifesta a respeito das vozes que se levantam
em oposição às garantias constitucionais da liberdade
 
Diante das afrontas explícitas às instituições democráticas - verbalizadas por quem tem o mandato para trabalhar pela preservação das mesmas - em flagrante provocação e com sugestão de ruptura institucional no ambiente político-social brasileiro, a Aliança Cristã Evangélica Brasileira vem publicamente manifestar indignação e repúdio a essa e a qualquer voz que se levante em oposição às garantias constitucionais da liberdade de homens e mulheres conscientes e independentes. A Aliança Cristã Evangélica Brasileira se posiciona ainda mais atenta às forças antidemocráticas que, porventura, insistam em se organizar para levar adiante projetos de poder de natureza autoritária e vil, independente do viés ideológico.
 
Reafirmamos nosso absoluto apreço pelo fortalecimento de um ambiente democrático, onde o povo brasileiro tenha total liberdade para expressão de seu potencial para a vida e pleno exercício de sua vocação.
 
Aliança Cristã Evangélica Brasileira
 
 
Nota do Pacto pela Democracia:
 
AI-5 NUNCA MAIS!
 
O desprezo pela democracia e seus princípios fundamentais se manifesta em declaração recente de Eduardo Bolsonaro. O deputado federal eleito por São Paulo afirmou que a reedição do Ato Institucional nº 5 seria um dispositivo do qual lançaria mão a fim de conter um possível cenário de "radicalização da esquerda no Brasil".
 
Em 1968, o AI-5 institucionalizou a repressão e agravou severamente atos de censura, perseguição a oponentes políticos, prisões, torturas e execuções, além de ter determinado o fechamento do Congresso Nacional e Assembleias Estaduais. Foi o decreto responsável por minar as liberdades democráticas, resultando em 20 mil vítimas de tortura, mais de 400 mortes e desaparecimentos, sete mil pessoas exiladas e 800 prisões por razões políticas.
 
Ameaçar a ruptura da institucionalidade democrática, promover o avanço de medidas autoritárias e incentivar o apelo à barbárie, ainda que em cenário hipotético, é inadmissível em uma sociedade democrática. Essa atitude deve ser rechaçada e punida de forma rigorosa pelo conjunto dos cidadãos e cidadãs, atores políticos e instituições que zelam pelo Estado Democrático de Direito e acreditam que só há construção possível dentro da democracia.
 
Declarações dessa natureza por parte de lideranças políticas do governo federal ecoam desde o início do ano. Além disso, a recente afirmação dá sequência ao histórico de desapreço à democracia e elogios a períodos autoritários da história brasileira pelo Presidente da República.
 
Diferentemente do que diz Eduardo Bolsonaro, um país forte pressupõe um Estado democrático, instituições sólidas e indivíduos livres.
 
As organizações subscritas abaixo manifestam profundo repúdio e exortam democratas das mais diversas identidades políticas a expressarem igualmente seu rechaço a essa ameaça antidemocrática.
 
Abong - Associação Brasileira Organizações Não Governamentais
Ação Educativa
Artigo 19
Atados
Agenda Pública
Bancada Ativista
BrCidades
Casa Fluminense 
CEMAP/Interludium - Centro de Documentação do Movimento Operário
CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
Centro de Promoção da Saúde - CEDAPS
Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC)
Cidade Escola Aprendiz
Coletivo Brasil Vivo
Conectas Direitos Humanos
Delibera Brasil
Departamento Jurídico XI de Agosto
Educafro
Engajamundo
Fórum do Amanhã
Fundação Avina
Fundação Tide Setúbal
Frente Favela Brasil
Geledés - Instituto da Mulher Negra
GESTOS- Soropositividade, Comunicação e Gênero
Goianas na Urna
Grupo de Trabalho da Sociedade Civil para Agenda 2030 – GTSC A2030
Imargem
Intervozes
Instituto Alana
Instituto Alziras
Instituto Construção
Instituto de Defesa do Direito de Defesa - IDDD
Instituto de Desenvolvimento Sustentável Baiano - IDSB
Instituto Ethos
Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial
Instituto de Estudos Socioeconômicos - Inesc
Instituto Democracia e Sustentabilidade - IDS
Instituto Physis
Instituto Sou da Paz
Instituto Terra, Trabalho e Cidadania - ITTC
Instituto Update
Instituto Vladimir Herzog 
Intervozes
Justiça Global
Livres
Legisla Brasil
Mapa Educação
Move Social
Movimento Nossa BH 
Movimento Acredito
Ocupa Política
Oxfam Brasil
Pacto Organizações Regenerativas
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político 
Pulso Público
Política! Eu me importo e Participo
ponteAponte
Raiz Cidadanista
Rede Conhecimento Social 
Rede Justiça Criminal
Rubens Naves, Santos Jr
Szazi, Bechara, Storto, Reicher e Figueirêdo Lopes Advogados 
TETO Brasil
Transparência Capixaba
Transparência Partidária
Uneafro
Vote Nelas
WWF Brasil
342Artes
342Amazônia
 
Imagem: Reprodução / Pacto pela Democracia

 
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) precisa de apoio e solidariedade para a construção da Jornada dos Atingidos/as pelos Crimes da Vale em Mariana (MG) e Brumadinho (MG). São 4 anos do crime em Mariana (5 de novembro de 2019) e 1 ano do crime em Brumadinho (25 de janeiro de 2020). Foram centenas de vidas ceifadas e a destruição de duas bacias hidrográficas. Crimes contra a humanidade.
 
Neste período, para marcar as datas dos crimes, continuar fazendo as denúncias das violações dos Direitos Humanos, exigir justiça e fortalecer a organização dos atingidos/as, o MAB está organizando ações coletivas, as quais precisam muito de ajuda na divulgação e participação. 
 
São elas:
 
1. Campanha para construção da casa - www.catarse.me/opovoconstroi 
 
No marco dos 4 anos do crime da Vale em Mariana (Bacia do Rio Doce), a Samarco (VALE e BHP) pouco resolveu na reparação dos direitos dos atingidos. Assim, o MAB definiu, como um ato simbólico, construir uma casa em mutirão com ajuda de muitas mãos. Ajude na divulgação ou contribua. Participe!
 
2. Jornada – que conta com uma programação bem extensa:
 
 
3. Seminário Internacional 
 
Juntamente com um conjunto de entidades e organizações parceiras, será realizado um seminário de caráter internacional para apresentar um balanço da situação atual. Os participantes serão convidados a pensar, conjuntamente, em ações na defesa dos direitos e segurança das populações atingidas.
 
MAB nas mídias sociais
 
Você pode acompanhar atualizações destas e outras ações do MAB nas mídias sociais:
 
 
Foto 1: Victor Moriyama/Greenpeace
Foto 2 (imagem): MAB

 
Mensagem da Presidência da IECLB para o Dia da Reforma e
celebração dos 20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação
Outubro/2019
 
Em maio de 1505, um jovem chamado Martim Lutero entrou para a Faculdade de Direito da cidade de Erfurt, na Alemanha. Talvez sonhava com uma carreira brilhante e com ótimas oportunidades profissionais. Pouco tempo depois, largou o sonho e procurou um mosteiro para se tornar monge. O que teria levado a esta decisão? Diz a história que a surpreendente mudança foi consequência de um raio. Lutero estava caminhando quando foi surpreendido por uma tempestade. Um raio caiu perto de onde estava e ele invocou a padroeira dos necessitados, dizendo: “Ajuda-me, santa Ana, e serei monge”.
 
Lutero buscava, de todas as formas, agradar a Deus e encontrar paz de espírito. Tinha muito medo do diabo e do inferno. Apesar da leitura da Bíblia, dos jejuns e das orações, era consumido pelo temor do castigo divino. Procurava viver de forma correta e exemplar, mas a sua consciência o atormentava. A sua vida era um tremendo pesadelo. Este sofrimento é expresso no hino: Das profundezas clamo a ti; Senhor, meu Deus, ó escuta! Ó, vê a culpa em que caí, meu fraquejar na luta! Pois, se julgares, meu Senhor, os atos do homem pecador, quem ante a ti subsiste?
 
Quem pode subsistir? Quem pode escapar do castigo divino? Na visão de Lutero, ninguém podia! Lutero compreendia Deus como um ser terrível, que punia em vida e condenava após a morte. Desde criança, ele aprendeu a se sentir intimidado com a figura de um Cristo ameaçador, tão ameaçador quanto o diabo. No convento, ele iniciou uma longa jornada de vivência da fé que mudou a sua compreensão de Deus e os rumos da Igreja Cristã. Lutero finalmente entendeu que Deus não quer a condenação, mas a salvação. Por meio de Jesus Cristo, Deus perdoa e nos dá a sua justiça. É isto o que chamamos de “justificação”.
 
Justificação é a justiça que Deus nos dá. Esta oferta de Deus acontece sem merecimento da nossa parte. Pelos nossos méritos, nada conseguimos. É pelos méritos de Cristo que Deus perdoa e dá salvação. Quando Lutero compreendeu isto, a sua vida mudou e ele se sentiu libertado pela graça de Deus.
 
A doutrina da justificação foi decisiva para iniciar um movimento que chamamos de Reforma Luterana. Com a Reforma, a Igreja passou por grande transformação. A Reforma permitiu redescobrir o Evangelho, a Boa Notícia do amor de Deus, mas também surgiram divisões e conflitos que duraram séculos.
 
Em outubro deste ano, celebramos 20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, assinada pela Igreja Católica e pela Federação Luterana Mundial. Assim como Lutero passou pelo sofrimento e compreendeu a justiça de Deus, as Igrejas conseguiram passar do conflito para a comunhão. Igrejas de tradição Luterana e Igreja Católica reconhecem em conjunto o amor de Deus na obra de Jesus Cristo.
 
Neste momento especial, lembramos que Jesus é dádiva de Deus em favor de nós. É o raio de liberdade e esperança que ilumina a escuridão. Esta luz de Cristo nos impulsiona a buscar transformação. Vamos transformar o ódio em amor. Vamos promover a paz, a justiça, o diálogo. Vamos cuidar da criação divina. Vamos procurar fazer o bem a todas as pessoas, especialmente às mais necessitadas. Que Deus nos anime a celebrar em comunhão e a viver de modo digno a justificação.
 
Pa. Sílvia Genz
Pastora Presidente
 
P. Odair Braun
Pastor 1º Vice-Presidente
 
P. Dr. Mauro Souza
Pastor 2º Vice-Presidente
 
Fonte: IECLB
Imagem: Reprodução

 
Ainda vivemos em uma sociedade colonial? O que é decolonialidade e interculturalidade? Como deve ser a atuação profissional com os povos indígenas? Esses foram alguns questionamentos que permearam o Seminário de Formação Interna 2019 do COMIN. Com o tema “(De)colonialidades: que atuação queremos?”, o encontro aconteceu nos dias 22 e 23 de outubro, em Porto Alegre (RS), e contou com a assessoria de Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó, Edson Kayapó e Rodrigo Mariano.
 
No primeiro dia, após uma dinâmica de apresentação, em que as participantes e os participantes do encontro desenharam flechas nos crachás umas das outras e uns dos outros – simbolizando o objetivo do seminário apontar para uma determinada direção –, o grupo circulou por diferentes estações de percepção que fizeram refletir sobre o processo colonizador imposto aos povos indígenas, os preconceitos sofridos diariamente por pessoas indígenas e como as culturas dos povos indígenas contribuíram e contribuem no cotidiano e costumes das pessoas não indígenas.
 
Durante o restante do dia, a assessoria debateu os temas “Na história, nas pessoas, no direito... onde sentimos o colonial?” e “Colonialidade, colonialismo, decolonialidade... afinal, o que se quer dizer?” – momento em que foram apresentados os conceitos de “colonização”, “colonialismo”, “colonialidade” e “interculturalidade”, além dos principais pesquisadores sobre o assunto, mitos construídos pela modernidade eurocêntrica em relação aos povos indígenas e alternativas teóricas para a libertação dos povos subalternizados.
 
 
Rodrigo Mariano, indígena Guarani Mbya da comunidade Tekoa Ka’aguy Porã, Terra Indígena Guarita (Erval Seco/RS), e estudante do curso de Direito na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ressaltou que a colonialidade ainda existe e se manifesta de diversas formas. “Nesses 519 anos, fomos colônia e continuamos sendo, principalmente em relação aos povos indígenas. Genocídio, extermínio, outras culturas querendo se impor na tentativa de nos inserir em outra lógica: foram várias tentativas de apagar toda a nossa existência e conhecimentos tradicionais”, disse.
 
Como exemplo de colonialidade nos dias atuais, o estudante trouxe a vivência de estar em um espaço universitário, ocupado majoritariamente por pessoas não indígenas. “Querem colonizar também nosso pensamento, como se existisse apenas uma forma de pensar. Somos impedidos de levar para os cursos a nossa visão como povo indígena, não há abertura para outras discussões na academia”, reiterou. Edson Kayapó, liderança e ativista do movimento indígena e docente no Instituto Federal da Bahia (IFBA) campus Porto Seguro e no Programa de Pós-Graduação em Ensino e Relações Étnico-Raciais da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), lembrou que a história do Brasil foi e é ensinada através de uma visão colonial. “O que conhecemos sobre o país é uma versão hegemônica criada dentro da academia, a qual afirma que tudo começou em 1500 e apenas são lembrados nomes de homens brancos. Não se considera a diversidade linguística e de povos indígenas que aqui viviam. Mas, como dizem nossos ancestrais, sempre estivemos aqui, estamos e estaremos”, ressaltou.
 
Rodrigo afirmou que é preciso superar os parâmetros coloniais a partir da vivência daquelas e daqueles que sempre estiveram em posição de submissão. “Aos poucos, se começa a perceber que é necessária outra atuação em relação aos povos indígenas: não de assistência, mas que legitime as crenças e culturas dos povos”, ressaltou. Para ele, a articulação dos povos indígenas foi muito importante para obter conquistas significativas, como o artigo 231 da Constituição Federal de 1988 – o qual rompeu com a lógica da tutela indígena e reconheceu a organização social, os costumes, línguas, crenças e tradições dos povos indígenas, além do direito originário sobre as terras que tradicionalmente ocupam.
 
Reiterando o pensamento, Edson disse acreditar que é possível superar a visão eurocêntrica e o padrão hegemônico imposto pela colonialidade através de um diálogo intercultural que seja crítico. “Estamos aqui desde tempos imemoriais. Esse é o momento de audibilidade e visibilidade dos grupos que estão silenciados, mas é preciso que ele aconteça com protagonismo e um novo posicionamento político e acadêmico. Vejo uma possibilidade potencial de avançarmos em termos políticos com nossas alianças que dá otimismo e força. Não basta constatar que somos diversos, é preciso repensar o caminho”, frisou. O líder indígena sinalizou que os povos originários estão cada vez mais fortalecidos, apenas da atual conjuntura: “Passamos no dia a dia por preconceitos das formas mais diversas. Mas nosso povo está aumentando e as línguas estão sendo fortalecidas”.
 
Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó, escritora e ativista dos movimentos das mulheres e dos direitos dos povos indígenas, lembrou que a interculturalidade sempre ocorreu entre os diferentes povos indígenas e ainda é muito presente. “A presença colonizadora foi muito depois, já tínhamos relações. A palavra interculturalidade surgiu depois, mas é muito antiga para nós”, disse. Para ela, a prática decolonial deve partir da sociedade não indígena. “Decolonialidade já fazemos há séculos, por isso quem deve fazê-la agora não são os indígenas e sim quem colonizou. A sociedade está decadente e seguirá assim enquanto não ouvir os povos indígenas e nós nos propomos a um diálogo respeitoso, coerente e cheio de amor”, garantiu.
 
A assessora do encontro afirmou que a forma violenta com que trataram e ainda tratam os povos indígenas faz com que esses povos tenham dificuldade de se enxergarem como pessoas brasileiras. “Sempre foi nos podada a voz. Não nos apoderamos da bandeira do Estado porque ele é muito opressor. Somos seres exportadores de paz e poderíamos ter vivido com os colonizadores com tranquilidade, se não fosse a forma como eles chegaram”, disse.
 
Por uma atuação não colonial
 
O segundo dia do seminário foi dedicado para se pensar que tipo de atuação o grupo FLD-COMIN-CAPA quer ter em relação aos povos indígenas. Inicialmente, para representar a perda de território e a violência que os povos indígenas sofreram e sofrem com o colonialismo, o grupo simbolizou a invasão dos povos europeus em 1500 com uma dinâmica. Através de um desenho do mapa do Brasil colocado no chão, primeiramente as pessoas indígenas pisaram em cima de onde seriam seus territórios e, aos poucos, as pessoas não indígenas foram chegando e ocupando espaços no mapa. O grupo refletiu, então, que hoje há formas tão perversas de colonialismo quanto antigamente.
 
Logo após, as participantes e os participantes do encontro dividiram-se em grupos liderados pela assessoria do evento para tratar sobre atuação com povos indígenas. Os temas dos grupos foram: “Sustentabilidade? Auto determinação, cidadania e direitos” com Aline, “Formação com indígenas e movimento indígena” com Rodrigo e “Produção de material para não indígenas” com Edson.
 
Ao retornarem para socializar as discussões, o grupo que tratou sobre auto determinação, cidadania e direitos frisou a necessidade de se pensar em instrumentos estratégicos para ocupar os espaços públicos e a importância das pessoas indígenas serem protagonistas e terem a espiritualidade e ancestralidade como bases. Também disseram sobre repensar a ideia de sustentabilidade, já que esta é uma palavra que vem da lógica desenvolvimentista e de um não real envolvimento, e que a agroecologia deve respeitar a soberania alimentar.
 
O grupo que discutiu sobre formação indígena afirmou que é preciso que se reconheça as mulheres como lideranças, que se faça formação com a juventude e que haja protagonismo indígena nos espaços. Essas formações, de acordo com o grupo, devem ser construídas com muito diálogo e trabalho em conjunto, facilitando a compreensão do direito para se pensar instrumentos e estratégias. Por fim, o grupo que tratou da produção de materiais mostrou que as formações com docentes e parcerias com universidades são muito importantes para a visibilidade dos povos indígenas e que a elaboração de materiais deve fugir de uma lógica vitimista, romântica e trágica, levando sempre em conta o protagonismo indígena, a diversidade de povos e a ideia de que existe uma história indígena antes de 1500.
 
Fonte: COMIN
Fotos: Reprodução / COMIN

 
Temos a alegria de divulgar o Edital de Convocação para a Assembleia Geral Ordinária (AGO) do regional do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs em Minas Gerais (CONIC-MG), a ser realizada no próximo 14/12/2019, em Belo Horizonte, na 2ª Igreja Presbiteriana Unida (IPU).
 
Pedimos atenção especial para o prazo para nomeação de delegadas e delegados ou mesmo de participantes na condição de ouvintes. Esse prazo encerra no dia 13/12/2019, conforme previsto no estatuto do CONIC-MG.
 
Clique aqui para ler o Edital.
  

 
Foi encerrado neste domingo, 27 de outubro, o Sínodo dos Bispos para a região Pan-amazônica. O documento final do foi votado e aprovado no sábado (26). Na votação, os padres sinodais aprovaram, quase por unanimidade, todos os 120 parágrafos do texto.
 
Dividido em cinco capítulos, o texto pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal.
 
Dentre tantos temas apresentados estão a Igreja com rosto indígena, migrante, jovem, um chamado à conversão integral, um diálogo ecumênico, a importância dos valores culturais dos povos amazônicos, a dimensão socioambiental da evangelização, um Igreja ministerial e novos ministérios, além da presença e vez da mulher e muitas outras propostas.
 
"Peçamos a Jesus que nos cure de criticar e queixar dos outros, de desprezar seja quem for: são coisas que desagradam a Deus", disse Francisco na homilia de encerramento do Sínodo (clique aqui para ler seu discurso na íntegra).
 
Sobre o documento:
 
Capítulo I – Conversão integral
 
O Documento exorta desde o início a uma “verdadeira conversão integral”, com uma vida simples e sóbria, no estilo de São Francisco de Assis, comprometida em relaciona-se harmoniosamente com a “Casa comum”, obra criativa de Deus. Essa conversão levará a Igreja a ser em saída, para entrar no coração de todos os povos amazônicos. De fato, a Amazônia tem uma voz que é uma mensagem da vida e se expressa através de uma realidade multiétnica e multicultural, representada pelos rostos variados que a habitam. “Bom viver” e “fazer bem” é o estilo de vida dos povos amazônicos, ou seja, viver em harmonia consigo mesmo, com os seres humanos e com o ser supremo, numa única intercomunicação entre todo o cosmo, a fim de forjar um projeto de vida plena para todos.
 
As dores da Amazônia: o grito da terra e o grito dos pobres
 
Todavia, o texto não reprime as muitas dores e violências que hoje ferem e deformam a Amazônia, ameaçando sua vida: a privatização de bens naturais; modelos de produções predatórias; desmatamento que atinge 17% de toda a região; a poluição das indústrias extrativistas; mudanças climáticas; narcotráfico; alcoolismo; tráfico de seres humanos; a criminalização de líderes e defensores do território; grupos armados ilegais. É extensa a página amarga sobre migração, que na Amazônia articula-se em três níveis: mobilidade de grupos indígenas em territórios de circulação tradicional; deslocamento forçado de populações indígenas; migração internacional e refugiados. Para todos esses grupos, é necessário um cuidado pastoral transfronteiriço capaz de incluir o direito à livre circulação. O problema da migração, lê-se, deve ser enfrentado de maneira coordenada pelas Igrejas de fronteira. Além disso, um trabalho pastoral permanente deve ser pensado para os migrantes vítimas do tráfico de pessoas. O Documento sinodal convida a prestar atenção ao deslocamento forçado de famílias indígenas nos centros urbanos, sublinhando como esse fenômeno requer uma “pastoral conjunta nas periferias”. Daí a exortação à criação de equipes missionárias que, em coordenação com as paróquias, cuidem desse aspecto, oferecendo liturgias inculturadas e favorecendo a integração dessas comunidades nas cidades.
 
Capítulo II - Conversão pastoral
 
A referência à natureza missionária da Igreja também é central: a missão não é algo opcional, lembra o texto, porque a Igreja é missão e a ação missionária é o paradigma de toda obra da Igreja. Na Amazônia, ela deve ser “samaritana”, ou seja, ir ao encontro de todos; “Madalena”, ou seja, amada e reconciliada para anunciar com alegria o Cristo ressuscitado; “Mariana”, ou seja, geradora de filhos para a fé e “inculturada” entre os povos a que serve. É importante passar de uma pastoral “de visita” a uma pastoral “de presença permanente” e, para isso, o Documento sinodal sugere que as Congregações religiosas do mundo estabeleçam pelo menos um posto missionário em um dos países da Amazônia.
 
O sacrifício dos missionários mártires
 
O Sínodo não esquece os muitos missionários que deram a vida para transmitir o Evangelho na Amazônia, cujas páginas mais gloriosas foram escritas pelos mártires. Ao mesmo tempo, o Documento lembra que o anúncio de Cristo na região realizou-se muitas vezes em conivência com os poderes opressores das populações. Por esse motivo, hoje a Igreja tem “a oportunidade histórica” de se distanciar das novas potências colonizadoras, ouvindo os povos amazônicos e exercendo sua atividade profética “de forma transparente”.
 
Diálogo ecumênico e inter-religioso
 
Nesse contexto, foi dada grande importância ao diálogo ecumênico e inter-religioso: “Caminho indispensável da evangelização na Amazônia”, afirma o texto sinodal, ele deve partir, no primeiro caso, da centralidade da Palavra de Deus para iniciar verdadeiros caminhos de comunhão. No âmbito inter-religioso, o Documento incentiva um maior conhecimento das religiões indígenas e dos cultos afrodescendentes, a fim de que cristãos e não cristãos possam agir juntos em defesa da Casa comum. Por esse motivo, são propostos momentos de encontro, estudo e diálogo entre as Igrejas na Amazônia e os seguidores das religiões indígenas.
 
Urgência de uma pastoral indígena e de um ministério juvenil
 
O Documento também recorda a urgência de uma pastoral indígena que tenha um lugar específico na Igreja: é necessário criar ou manter, de fato, “uma opção preferencial pelas populações indígenas”, dando também maior impulso missionário às vocações autóctones, porque a Amazônia também deve ser evangelizada pelos amazônicos. Depois, dar espaço aos jovens amazônicos, com suas luzes e sombras. Divididos entre tradição e inovação, imersos numa intenda crise de valores, vítimas de realidades tristes como a pobreza, violência, desemprego, novas formas de escravidão e dificuldade de acesso à educação, muitas vezes acabam na prisão ou em mortos por suicídio. E, no entanto, os jovens amazônicos têm os mesmos sonhos e as mesmas esperanças que os outros jovens do mundo e da Igreja. Chamada a ser uma presença profética, deve acompanhá-los em seu caminho, para impedir que sua identidade e sua autoestima sejam prejudicadas ou destruídas. Em particular, o Documento sugere “um renovado e ousado ministério juvenil”, com uma pastoral sempre ativa e centrada em Jesus. De fato, os jovens, lugar teológico e profetas da esperança, querem ser protagonistas e a Igreja na Amazônica quer reconhecer o seu espaço. Por isso, o convite a promover novas formas de evangelização também através das mídias sociais e ajudar os jovens indígenas a alcançar uma interculturalidade saudável.
 
Pastoral urbana e as famílias
 
O texto conclusivo do Sínodo se detém no tema da pastoral urbana, com um foco particular nas famílias: nas periferias da cidade, elas sofrem pobreza, desemprego, falta de moradia, além de vários problemas de saúde. Torna-se, portanto, necessário defender o direito de todos à cidade como desfrute justo dos princípios de sustentabilidade, democracia e justiça social. É preciso lutar, lê-se no texto, a fim de que os direitos fundamentais básicos sejam garantidos nas “favelas” e nas “villas misérias”. Central deve ser também o estabelecimento de um “ministério de acolhimento” para uma solidariedade fraterna com migrantes, refugiados e sem-teto que vivem no contexto urbano. Nesse âmbito, uma ajuda válida vem das Comunidades Eclesiais de Base, “um presente de Deus para as Igrejas locais da Amazônia”. Ao mesmo tempo, as políticas públicas são convidadas a melhorar a qualidade de vida nas áreas rurais, a fim de evitar a transferência descontrolada de pessoas para a cidade.
 
Capítulo III: Conversão cultural
 
A inculturação e a interculturalidade são instrumentos importantes, prossegue o Documento, para alcançar uma conversão cultural que leva o cristão a ir ao encontro do outro para aprender com ele. Os povos amazônicos, de fato, com seus “perfumes antigos” que contrastam o desespero que reina no continente e com seus valores de reciprocidade, solidariedade e senso de comunidade, oferecem ensinamentos de vida e uma visão integrada da realidade, capaz de entender que toda a criação está interligada e, portanto, garantir uma gestão sustentável. A Igreja compromete-se a ser aliada das populações indígenas, reitera o texto sinodal, sobretudo para denunciar os ataques perpetrados contra suas vidas, os projetos de desenvolvimento predatórios etnocidas e ecocidas e a criminalização dos movimentos sociais.
 
Defender a terra é defender a vida
 
“A defesa da terra”, lê-se no documento, “não tem outro objetivo a não ser a defesa da vida” e se baseia no princípio evangélico da defesa da dignidade humana. Portanto, devemos respeitar os direitos à autodeterminação, à delimitação dos territórios e à consulta prévia, livre e informada dos povos indígenas. Um ponto específico é dedicado às populações indígenas em isolamento voluntário (Piav) ou em Isolamento e contato inicial (Piaci) que hoje, na Amazônia, somam cerca de 130 unidades e são muitas vezes vítimas de limpeza étnica: a Igreja deve empreender dois tipos de ação, pastoral e outra “de pressão”, para que os Estados protejam os direitos e a inviolabilidade dos territórios dessas populações.
 
Teologia indígena e piedade popular
 
Na perspectiva da inculturação, isto é, da encarnação do Evangelho nas culturas indígenas, é dado espaço à teologia indígena e à piedade popular, cujas expressões devem ser valorizadas, acompanhadas, promovidas e às vezes "purificadas", pois são momentos privilegiados de evangelização que devem conduzir ao encontro com Cristo. O anúncio do Evangelho, de fato, não é um processo de destruição, mas de crescimento e consolidação daquela semeadura Verbos presente nas culturas. Daí a clara rejeição de uma "evangelização colonial" e do "proselitismo", em favor de um anúncio inculturado que promova uma Igreja de rosto amazônico, em pleno respeito e igualdade com a história, a cultura e o estilo de vida das populações locais. A este respeito, o Documento sinodal propõe que os centros de pesquisa da Igreja estudem e recolham as tradições, as línguas, as crenças e as aspirações dos povos indígenas, encorajando o trabalho educativo a partir da sua própria identidade e cultura.
 
Criar uma Rede de Comunicação Eclesial Panamazônica
 
Também na área da saúde - continua o Documento - este projeto educativo deverá promover o conhecimento ancestral da medicina tradicional de cada cultura. Ao mesmo tempo, a Igreja se compromete a oferecer assistência de saúde lá onde o Estado não chega. Há também um forte apelo a uma educação à solidariedade, baseada na consciência de uma origem comum e de um futuro partilhado por todos, assim como a uma cultura da comunicação que promova o diálogo, o encontro e o cuidado da "casa comum". Concretamente, o texto sinodal sugere a criação de uma Rede de comunicação eclesial pan-amazônica, de uma rede escolar de educação bilíngue e de novas formas de educação também à distância.
 
Capítulo IV - Conversão ecológica
 
Diante de "uma crise social e ambiental sem precedentes", o Sínodo apela a uma Igreja amazônica capaz de promover uma ecologia integral e uma conversão ecológica segundo a qual "tudo está intimamente conectado".
 
Ecologia integral, único caminho possível
 
A esperança é que, reconhecendo "as feridas causadas pelo ser humano" ao território, sejam procurados "modelos de desenvolvimento justo e solidário". Isto traduz-se numa atitude que colega o cuidado pastoral da natureza à justiça para com as pessoas mais pobres e desfavorecidas da terra. A ecologia integral não deve ser entendida como um caminho extra que a Igreja pode escolher para o futuro, mas como a única forma possível para salvar a região do extrativismo predatório, do derramamento de sangue inocente e da criminalização dos defensores da Amazônia. A Igreja, como "parte de uma solidariedade internacional", deve promover o papel central do bioma amazônico para o equilíbrio do planeta e encorajar a comunidade internacional a fornecer novos recursos econômicos para sua proteção, fortalecendo os instrumentos da Convenção-Quadro sobre Mudança Climática.
 
Defesa dos direitos humanos é uma necessidade de fé
 
Defender e promover os direitos humanos, além de ser um dever político e uma tarefa social, é uma exigência de fé. Diante deste dever cristão, o Documento denuncia a violação dos direitos humanos e a destruição extrativista; assume e apoia, também em aliança com outras Igrejas, as campanhas de desinvestimento das empresas extrativistas que causam danos sociais e ecológicos à Amazônia; propõe uma transição energética radical e a busca de alternativas; propõe também o desenvolvimento de programas de formação para o cuidado da "casa comum". Pede-se aos Estados que deixem de considerar a região como uma dispensa inesgotável, ao mesmo tempo que apelam a um "novo paradigma de desenvolvimento sustentável" socialmente inclusivo que combine conhecimentos científicos e tradicionais. Os critérios comerciais, é a recomendação, não devem estar acima dos critérios ambientais e dos direitos humanos.
 
Igreja aliada das comunidades amazônicas
 
O apelo é à responsabilidade: todos somos chamados à custódia da obra de Deus. Os protagonistas do cuidado, proteção e defesa dos povos são as próprias comunidades amazônicas. A Igreja é sua aliada, caminha com eles, sem impor um modo particular de agir, reconhecendo a sabedoria dos povos sobre a biodiversidade contra todas as formas de biopirataria. Pede-se que os agentes pastorais e os ministros ordenados sejam formados a esta sensibilidade socioambiental, seguindo o exemplo dos mártires da Amazônia. A ideia é criar ministérios para o cuidado da casa comum.
 
Defesa da vida
 
O Documento reafirma o empenho da Igreja em defender a vida "desde a concepção até o seu fim" e em promover o diálogo intercultural e ecumênico para conter as estruturas de morte, pecado, violência e injustiça. Conversão ecológica e defesa da vida na Amazônia se traduzem para a Igreja em um chamado a "desaprender, aprender e reaprender para superar qualquer tendência a assumir modelos coloniais que tenham causado danos no passado".
 
Pecado ecológico e direito à água potável
 
Proposta a definição de "pecado ecológico" como "ação ou omissão contra Deus, contra o próximo, a comunidade, o meio ambiente", as futuras gerações e a virtude da justiça. Para reparar a dívida ecológica que os países têm com a Amazônia, sugere-se a criação de um fundo mundial para as comunidades amazônicas, a fim de protegê-las do desejo predatório das empresas nacionais e multinacionais. O Sínodo recorda "a necessidade urgente de desenvolver políticas energéticas que reduzam drasticamente as emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros gases ligados à mudança climática", promove as energias limpas e chama a atenção para o acesso à água potável, ao direito humano básico e condições para o exercício de outros direitos humanos. Proteger a terra significa incentivar a reutilização e a reciclagem, reduzir o uso de combustíveis fósseis e plásticos, mudar hábitos alimentares como o consumo excessivo de carne e peixe, adotar estilos de vida sóbrios, plantar árvores. Neste contexto, está incluída a proposta de um Observatório Social Pastoral Amazônico que trabalhe em sinergia com CELAM, CLAR, CARITAS, REPAM, episcopados, igrejas locais, universidades católicas e atores não eclesiais. Também foi proposta a criação de um escritório amazônico dentro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
 
Capítulo V – Novos caminhos de conversão sinodal
 
Superar o clericalismo e as imposições arbitrárias, reforçar uma cultura do diálogo, da escuta e do discernimento espiritual, responder aos desafios pastorais. São essas as características sobre as quais se deve fundar uma conversão sinodal à qual a Igreja é chamada para avançar em harmonia, sob o impulso do Espírito vivificante e com audácia evangélica.
 
Sinodalidade, ministerialidade, papel ativo dos leigos e vida consagrada
 
O desafio é interpretar à luz do Espírito Santo os sinais dos tempos e identificar o caminho a seguir a serviço do desenho de Deus. As formas de exercício da sinodalidade são várias e deverão ser descentralizadas, atentas aos processos locais, sem enfraquecer o elo com as Igrejas irmãs e com a Igreja universal. Sinodalidade se traduz, em continuidade com o Concílio Vaticano II, em corresponsabilidade e ministerialidade de todos, participação dos leigos, homens e mulheres, considerados “atores privilegiados”. A participação do laicato, seja na consulta, seja na tomada de decisões na vida e missão da Igreja – explica o Documento Final – deve ser reforçada e ampliada a partir da promoção e concessão de “ministérios a homens e mulheres de modo équo”. Evitando personalismos, talvez com encargos em rodízios, “o bispo pode confiar, com um mandato com prazo determinado, na ausência de sacerdotes, o exercício do cuidado pastoral das comunidades a uma pessoa não imbuída do caráter sacerdotal, que seja membro da própria comunidade”. A responsabilidade desta última, especifica-se, permanecerá a cargo do sacerdote. O Sínodo aposta ainda numa vida consagrada com rosto amazônico, a partir de um reforço das vocações autóctones: entre as propostas, se destaca o caminhar junto aos pobres e excluídos. Pede-se ainda que a formação seja centralizada na interculturalidade, inculturação e diálogo entre as espiritualidades e as cosmovisões amazônicas.
 
A hora da mulher
 
O Documento dedica amplo espaço à presença e à hora das mulheres. Como sugere a sabedoria dos povos ancestrais, a mãe terra tem um rosto feminino e no mundo indígena as mulheres são “uma presença viva e responsável na promoção humana”. O Sínodo pede que a voz das mulheres seja ouvida, que sejam consultadas, participem de modo mais incisivo na tomada de decisões, contribuam para a sinodalidade eclesial, assumam com maior força sua liderança dentro da Igreja, nos conselhos pastorais ou “também nas instâncias de governo”. Protagonistas e custódias da criação e da casa comum, as mulheres são com frequência “vítimas de violência física, moral e religiosa, inclusive de feminicídio”. O texto reitera o empenho da Igreja em defesa dos seus direitos, de modo especial em relação às mulheres migrantes. Enquanto isso, se reconhece a “ministerialidade” confiada por Jesus à mulher e se auspicia uma “revisão do Motu Proprio Ministeria quædam de São Paulo VI, para que também as mulheres adequadamente formadas e preparadas possam receber os ministérios do leitorado e do acolitato, entre outros que podem ser desempenhados”. No específico, nesses contextos em que as comunidades católicas são guiadas por mulheres, se pede a criação do “ministério instituído de mulher dirigente de comunidade”. O Sínodo evidencia que de inúmeras consultas na Amazônia foi solicitado “o diaconato permanente para as mulheres”, tema muito presente durante os trabalhos no Vaticano. O desejo dos participantes da Assembleia é compartilhar experiências e reflexões emergidas até agora com a “Comissão de estudo sobre o diaconato das mulheres”, criada em 2016 pelo Papa Francisco e “aguardar seus resultados”.
 
Diaconato permanente
 
Foram definidos como urgentes a promoção, a formação e o apoio aos diáconos permanentes. O diácono, sob a autoridade do bispo, está a serviço da comunidade e deve hoje promover a ecologia integral, o desenvolvimento humano, a pastoral social e o serviço a quem se encontra em situações de vulnerabilidade e pobreza, configurando-o a Cristo. Portanto, é importante insistir numa formação permanente, marcada pelo estudo acadêmico e prática pastoral, na qual sejam envolvidos também esposas e filhos do candidato. O currículo formativo, explica o Sínodo, deverá incluir temas que favoreçam o diálogo ecumênico, inter-religioso, intercultural, a história da Igreja na Amazônia, a afetividade e a sexualidade, a cosmovisão indígena e a ecologia integral. A equipe dos formadores será composta por ministros ordenados e leigos. Deve ser encorajada a formação de futuros diáconos permanentes nas comunidades que habitam às margens dos rios indígenas.
 
Formação dos sacerdotes
 
A formação dos sacerdotes deve ser inculturada: a exigência é preparar pastores que vivam o Evangelho, conheçam as leis canônicas, sejam compassivos como Jesus: próximos às pessoas, capazes de escuta, de curar e consolar, sem buscar se impor, manifestando a ternura do Pai. Também no âmbito da formação ao sacerdócio, se auspicia a inclusão de disciplinas como a ecologia integral, a ecoteologia, a teologia da criação, as teologias indígenas, a espiritualidade ecológica, a história da Igreja na Amazônia, a antropologia cultural amazônica. O Sínodo recomenda que os centros de formação sejam preferencialmente inseridos na realidade amazônica e que seja oferecida a jovens não amazônicos a oportunidade de participar de sua formação na Amazônia.
 
Participação à Eucaristia e ordenações sacerdotais
 
Para a comunidade cristã, é central a participação à Eucaristia. E mesmo assim – destaca o Sínodo – muitas comunidades eclesiais do território amazônico têm enormes dificuldades em ter acesso a ela. Podem passar meses e até mesmo anos para que um sacerdote volte a uma comunidade para celebrar a missa ou oferecer os sacramentos da reconciliação e da unção dos enfermos. Reforçando o apreço pelo celibato como dom de Deus na medida em que permite ao presbítero dedicar-se plenamente ao serviço da comunidade e renovando a oração “para que haja muitas vocações” que vivem o celibato, mesmo que “esta disciplina não seja requisitada pela própria natureza do sacerdócio” e considerando a vasta extensão do território amazônico e a escassez de ministros ordenados, o Documento final propõe “estabelecer critérios e regras por parte da autoridade competente, para ordenar sacerdotes homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterado, permitindo ter uma família legitimamente constituída e estável, para promover a vida da comunidade cristã através da pregação da Palavra e da celebração dos sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica”. Deve-se especificar que “a propósito, alguns se expressaram a favor de uma abordagem universal ao argumento”.
 
Organismo eclesial regional pós-sinodal e Universidade Amazônica
 
O Sínodo propõe projetar novamente a organização das Igrejas locais de um ponto de vista pan-amazônico, redimensionando as vastas áreas geográficas da diocese, reagrupando Igrejas particulares presentes na mesma região e criando um Fundo amazônico para a promoção da evangelização a fim de enfrentar o “custo da Amazônia”. Nesta ótica, se insere a ideia de criar um Organismo eclesial regional pós-sinodal, articulado com a Repam e o Celam, a fim de assumir muitas das propostas que emergiram no Sínodo. Em âmbito formativo, se invoca a instituição de uma Universidade Católica Amazônica baseada na pesquisa interdisciplinar, na inculturação e no diálogo intercultural e fundada principalmente na Sagrada Escritura, no respeito dos costumes e das tradições das populações indígenas.
 
Rito amazônico
 
Para responder de modo autenticamente católico ao pedido das comunidades amazônicas de adaptar a liturgia valorizando a visão do mundo, as tradições, os símbolos e os ritos originários, se pede a este Organismo da Igreja na Amazônia de constituir uma comissão competente para estudar a elaboração de um rito amazônico que “expresse o patrimônio litúrgico, teológico, disciplinar e espiritual da Amazônia”. Este se acrescentaria aos 23 ritos já presentes na Igreja Católica, enriquecendo a obra de evangelização, a capacidade de expressar a fé numa cultura própria, o sentido de descentralização e de colegialidade que a Igreja Católica pode expressar. Também se faz a hipótese de acompanhar os ritos eclesiais com o modo com os quais os povos cuidam do território e se relacionam com as suas águas. Por fim, com a finalidade de favorecer o processo de inculturação da fé, o Sínodo expressa a urgência de formar comitês para a tradução e a elaboração de textos bíblicos e litúrgicos nas línguas dos diferentes locais, “preservando a matéria dos sacramentos e adaptando-os à forma, sem perder de vista o essencial”. Também deve ser encorajado em nível litúrgico a música e o canto. No final do Documento, se invoca a proteção da Virgem da Amazônia, Mãe da Amazônia, venerada com vários títulos em toda a região.
 
Com informações da Vatican News
Foto: Reprodução

 

 
O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) instaurou procedimento para investigar mensagens de cunho discriminatório religioso emitida pela Logos Hope - Livraria Flutuante, considerada a maior livraria flutuante do mundo, que chegou a Salvador, nesta quinta-feira (24).
 
A organização fez uma publicação nas redes sociais pedindo orações aos seguidores ao anunciar uma viagem da embarcação para Salvador. A postagem foi feita na última terça (22). No texto, a organização justifica os pedidos de oração relatando que a "cidade é conhecida pela crença das pessoas em espíritos e demônios".
 
A Good Books for All Ships (GBA Ships), responsável pelo navio, será notificada com recomendação para retirada da mensagem de todas as redes sociais e para prestar esclarecimentos no prazo de três dias.
 
A seguir, confira a nota do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC):
 
“Na casa de meu Pai há muitas moradas.” (Jo 14,2)
 
Nós, Igrejas membros do Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), temos a alegria de nos reconhecermos como participantes do Corpo de Cristo em terras baianas e, em específico, soteropolitanas. Sendo, pois, agraciados(as) em poder viver em tão bela terra, de um povo lutador, belo e acolhedor, nos sentimos indignados(as) com mais um ato de racismo religioso dirigido a nossas irmãs e irmãos baianos de religião de matriz africana.
 
O crime de racismo foi cometido pela assim intitulada “organização cristã OM Ships International”, que é a responsável pelo empreendimento comercial do navio “Logos Hope”, que, segundo foi noticiado, teria pedido orações antes de aportar em nossa Baía de Todos os Santos, pois esta seria uma cidade “conhecida pela crença do povo em espíritos e demônios”. Covardemente, certamente por temerem as repercussões financeiras e outras, o grupo retirou sua postagem, mas o crime já tinha sido flagrado e estampado em diversos meios de comunicação.
 
Nós do CEBIC reiteramos nosso repúdio a esse crime de racismo religioso e, mesmo não tendo ligações com a mencionada organização, humildemente pedimos desculpas a todas e todos os baianos(as), a todas e todos os religiosos(as) de matriz africana por mais esta agressão. Afirmamos isto ao reconhecer que, no passado, o cristianismo, ao qual pertencemos, também foi promotor de injúrias e ofensas contra pessoas e espaços religiosos de Candomblé, Umbanda etc. Nossos antepassados já traziam essa estranha acusação de que essas religiões seriam “do Diabo” e de que as pessoas que a praticassem estariam “possuídas de demônios”. As igrejas filiadas ao CEBIC têm forte compromisso com a promoção da Diversidade Religiosa, com a denúncia e combate ao racismo, bem como com a busca por reparação, mas reconhecemos que ainda há muitas igrejas que fazem uso indevido do santo nome do Cristo para camuflar seu racismo que repudiamos. Entendemos que estas igrejas cometem blasfêmia, pois Jesus de Nazaré anunciou que a forma verdadeira de se amar a Deus é amar ao próximo como a si mesmo.
 
Por fim, serve como triste metáfora do presente-passado: mais uma vez os “demônios” chegam a essas terras de navio. Há quinhentos anos, os “demônios” vieram de Portugal “para roubar, matar e destruir” os povos desta terra. Mais uma vez, as estruturas do sectarismo e do ódio – que certamente não vêm de Deus, nem do céu – se aproximam de nosso porto. Nós, moradores(as) da Cidade do Salvador, não iremos juntar-nos a quem espalha ódio, dor e morte. Ficamos, entre nós, celebrando as belezas de ser e viver nesta terra.
 
Salvador, 26/10/2019.
 
Assinam pelo CEBIC:
 
Igreja Batista Nazareth
Igreja Presbiteriana Unida
Igreja Evangélica de Confissão Luterana
Comunidade de Jesus
Igreja Católica Apostólica Romana
Igreja da Trindade
Coordenadoria Ecumênica de Serviço
Centro de Estudos Bíblicos
Comunidade Cristã Inclusiva do Salvador
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Igreja Presbiteriana Independente de Fazenda Grande, Salvador- BA
Igreja Ortodoxa Bielorrússia Eslava no Estrangeiro
 
Apoiam a Nota:
 
Rede FALE
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito – Núcleo Salvador
Educafro SP
Comunidade Batista de São Gonçalo RJ
Movimento Negro Evangélico Brasil
FEACT Brasil
Paz e Esperança Brasil
 
Lead: CONIC com agências
Nota: CEBIC
Foto: Marina Silva/CORREIO

 
Nas últimas semanas, organizações do movimento ecumênico, entre elas a CESE, estiveram presentes em comunidades indígenas da Amazônia afetadas pelos incêndios, com o objetivo de levar ajuda humanitária emergencial, através do Fórum Ecumênico ACT-Brasil. A ação foi apoiada pela Aliança ACT com o intuito de equipar as brigadas indígenas de combate ao fogo, possibilitar a essas brigadas os meios para fiscalizar as áreas queimadas vulneráveis a invasões, além de socorrer as famílias com alimentos e água potável.
 
Os primeiros povos indígenas que receberam o apoio foram os Tenharim, da Terra Indígena Tenharim Marmelo, no sul do Amazonas; e o Centro de Cultura indígena Huwã Karu Yuxibu, dos Huni Kuin, situado na Rodovia AC 90, KM 36, no ramal da Goiabeira Via História Encantada, no Acre.
 
A Terra Indígena Tenharim Marmelos está localizada na divisa com o estado de Rondônia. O território tem uma área de 498 mil hectares e, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai), mais de 500 indígenas vivem na área. De acordo com a reportagem da Revista Piauí, divulgada em 24 de setembro, o fogo das queimadas dos meses de agosto e setembro abrangeu quilômetros de campos amazônicos e bolsões de cerrado na floresta tropical e já é considerado o maior da história. A área destruída pelo fogo faz parte das reservas de caça e coleta do povo Tenharim, que conta com uma brigada indígena composta por 29 membros, entre os quais uma mulher, formados e coordenados pelo programa PrevFogo do Ibama.
 
Os Tenharim receberam o apoio da Aliança ACT para a segurança alimentar das famílias, com aquisição de alimentos e água, e para reforço da brigada indígena de combate ao fogo, com equipamentos, utensílios e combustível para deslocamentos de vigilância da área e de prevenção a novos focos de incêndio. Importante ressaltar o trabalho de prevenção que a brigada indígena realiza, que inclui a manutenção de um viveiro e distribuição de mudas para reflorestamento para todas as aldeias daquele território. A brigada tem um importante papel educativo no controle das queimadas dos roçados e atuou de forma decisiva no enfrentamento ao incêndio. Os equipamentos entregues irão facilitar muito o trabalho preventivo e de combate ao fogo, conforme as palavras de Amauri Tenharim, chefe da brigada, emocionado ao afirmar que um soprador, por exemplo, faz o trabalho de quatro homens no momento do combate. O atendimento aos Tenharim foi feito em estreita colaboração com o parceiro local da CESE, o IEB.
 
A segunda ajuda humanitária foi para o Centro Huwã Karu Yuxibu, do povo indígena Huni Kuin, localizado dentro de uma Área de Proteção Ambiental – APA do Igarapé São Francisco.  O projeto do Centro existe desde agosto de 2015 e tem o objetivo de fortalecer a identidade cultural daquele povo, especialmente dos jovens indígenas que vão para a cidade e ficam distantes de suas terras originais. Em entrevista à Agência Pública, o cacique Mapu Huni Kuin informou que as chamas destruíram mais de 50% da área que abriga o Centro Huwã Karu Yuxibu, o qual ocupa um terreno de 10 hectares onde moram sete famílias. Cinco desses dez hectares foram destruídos pelo fogo, uma área que corresponde a cinco campos de futebol. Foram queimados a maior parte do roçado, o parque de medicinas tradicionais, árvores frutíferas e madeiras de lei. Como consequência do fogo, o poço que abastecia a comunidade secou e a falta d´água foi dramática. A ajuda de ACT chegou em excelente momento, colaborando para minimizar o problema da água e da alimentação. O Centro é um espaço indígena rodeado de fazendas e chama a atenção o fato de que o fogo só aconteceu na área dos Huni Kuin. O parceiro da CESE nessa articulação local foi o Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN).
 
Os Apurinã de Valparaíso também foram atendidos. O território deles está em processo de autodemarcação. Essa área fica próxima à cidade de Boca do Acre, no sul do Amazonas, e nela vivem 37 famílias indígenas, que tiveram seus roçados parcialmente queimados, perdendo também algumas casas. A situação naquela área é de grande tensão por causa do não reconhecimento, por parte dos fazendeiros, do direito dos Apurinã ao território. O apoio de ACT, através da CESE em parceria com o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), destinou alimentos e ajuda para que as famílias possam reconstruir suas moradias.
 
Outros povos que serão atendidos por esta iniciativa são os Uru Eu Wau Wau, em Rondônia, e as seis brigadas indígenas do Maranhão, onde o fogo destruiu extensas áreas. O trabalho das brigadas indígenas de incêndio não para quando o incêndio termina, pois há uma atuação constante na prevenção, na educação ambiental, no controle das queimadas, na vigilância das áreas e no reflorestamento.
 
A CESE acompanhou de perto todo o processo de apoio a essas populações tradicionais. Sônia Mota, diretora executiva, e Mara Vanessa Dutra, assessora de projetos e formação, estiveram presentes nas visitas para prestar solidariedade e apoio às comunidades atingidas pelo fogo, vítimas de uma situação descontrolada de incêndio em toda a Amazônia que chamou a atenção de todo o mundo para o descaso com que as questões ambientais estão sendo tratadas no Brasil.
 
Fonte: CESE
 

 
Daniel Lima é membro da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Ele atua nas áreas de comunicação e espiritualidade na diocese de Manaus. Ele e sua comunidade realizam um trabalho em parceria com a associação de mulheres indígenas do Alto Rio Negro, com um serviço pastoral realizado na periferia da capital. Em entrevista ao Dom Total, ele fala da sua experiência como ‘delegado fraterno’, um participante da sínodo que é membro de uma outra confissão cristã, e é considerado um “convidado especial do pontífice”.
 
Em todos os sínodos, os membros de outras tradições cristãs são chamados a participar ativamente do evento. No Sínodo da Amazônia são seis delegados fraternos, entre os quais três brasileiros. Confira a entrevista 
 
Você, como membro de outra confissão cristã, um “delegado fraterno”, como tem acompanhado essas reuniões?
 
Eu tenho acompanhado com o coração aberto e com o desejo de partilhar experiências. Creio que o convite que o papa nos fez é um pouco para isso, para partilharmos experiências. As nossas igrejas têm muitas coisas semelhantes. São muito parecidas pastoralmente e isso nos ajuda a refletir melhor. Principalmente agora, neste momento que estamos vivendo, em meio a essa crise climática, unimos as nossas forças para dar uma resposta frente a esses desafios.
 
Os bispos relataram uma certa dificuldade com as igrejas pentecostais que atuam na região amazônica. Você que provém de uma confissão cristã que está em total diálogo com a Igreja Católica, como vê isso?
 
Acredito que há sim uma possibilidade do diálogo. É claro, existem grupos dentro do pentecostalismo ou do neopentecostalismo que não se abrem ao diálogo. Mas já conseguimos ver, nesse tempo, algumas pessoas mais instruídas que estão muito abertas, que vivem mais profundamente a sua experiência de fé dentro do pentecostalismo e que estão muito disponíveis ao diálogo. O fundamentalismo é um dos elementos que fecham a possibilidade do diálogo. Inclusive, temos a presença do pastor Moab, da Assembleia de Deus, que está participando ativamente do sínodo. É o momento de aproveitarmos essa fase para crescermos juntos. Na Amazônia, há um grande número de igrejas pentecostais, como em todo o Brasil. Porém, na região, de um modo especial, elas são mais fortes, pois lá é um dos berços do pentecostalismo no Brasil. Tudo começou em Belém (PA), diga-se. Isso, para nós, é um desafio: buscar esse diálogo na medida do possível, evitando imposições e dialogando de maneira bilateral, nunca unilateral. A experiência do sínodo nos convida a isso. Muito se fala da palavra ‘diálogo’ no sínodo. E acredito que é possível. É mais fácil o diálogo entre católicos e anglicanos, porque fazemos parte de igrejas de tradição apostólica. Isso facilita, mas eu não vejo que é impossível dialogar com pentecostais.
 
O que você leva para a sua missão depois desse sínodo?
 
Levo para a minha vida, não somente para a minha comunidade anglicana de Manaus, mas também para minha vida como ser humano, como pessoa, essa experiência de antes de trilhar novos caminhos, traçar metas, planejar e vislumbrar para, dessa forma, caminhar bem. A experiência do sínodo é esta: o sínodo é um convite à transformação, à conversão, um convite para caminharmos juntos. Hoje em dia, não é mais possível caminharmos sozinhos. As exigências são urgentes. Principalmente, as emergências climáticas, que afetam diretamente a vida, tanto da pessoa humana quanto do planeta. A experiência do sínodo me ensinou isto: ver, julgar e agir. É um ver com olhos misericordiosos. É um julgar com o coração cheio de amor. E agir com as mãos plenas de justiça e verdade. O sínodo traz isso para minha vida. Volto para Manaus com muita esperança, com muito desejo de trabalharmos juntos e muito aberto às possibilidades de diálogo. É uma experiência riquíssima. É essa unidade que fará de nós pessoas capazes de construir o Reino de Deus aqui nesta terra. O Senhor nos chama e nos envia neste momento final do sínodo. Com Ele, transformar todas as coisas, todas as realidades. E, com Ele, fazer novas todas as coisas. Trilhar novos caminhos e buscar novas respostas.
 
Fonte: Dom Total / Por Mirticeli Medeiros
Foto: Reprodução
 

 
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 25 de outubro, a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) cobrou das autoridades um posicionamento mais claro acerca do aparecimento de óleo nas praias do litoral nordestino. No documento, a entidade manifesta solidariedade com “os (as) mais de 150 mil pescadores, pescadoras e marisqueiras artesanais” que estão sofrendo por conta de mais um desastre ambiental.
 
Leia a nota:
 
ÁGUAS DA RESISTÊNCIA:
AS MANCHAS DE ÓLEO CHEGARAM ÀS ÁGUAS DO NORDESTE
DENUNCIANDO O DESCASO COM A NOSSA CASA COMUM
 
A CESE se solidariza com os (as) mais de 150 mil pescadores, pescadoras e marisqueiras artesanais que sofrem com mais uma tragédia ambiental causada pelas manchas de óleo, de origem ainda desconhecida, que assolaram 2.100km do litoral nordestino e se une a outras vozes que exigem:
 
  • Retomada das esferas de controle, monitoramento e fiscalização ambiental extintos pelo atual governo;
  • Atuação efetiva dos órgãos públicos para impedir que a chegada do óleo contamine outras áreas litorâneas, ilhas e manguezais;
  • Apuração das responsabilidades, punição dos culpados e as devidas reparações socioambientais e
  • Indenização de milhares de pescadores (as) e marisqueiras que já estão com suas atividades interrompidas há mais de 30 dias, sem possibilidade de venda de seus pescados e mariscos.
 
Assim, a CESE reafirma seu compromisso com os direitos na sua integralidade, com o desenvolvimento sustentável e a justiça socioambiental e se coloca em solidariedade aos movimentos e organizações sociais que estão atuando nas áreas afetadas recolhendo o material, denunciando o descaso do governo federal e levando apoio e orientação às populações atingidas.
 
CESE – Coordenadoria Ecumênica de Serviço
25 de outubro de 2019