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Instigados pela temática “Violência em nome de Deus? Em tempos de ódio, injustiça e indiferença, educar para a paz” bispos, padres, diáconos, religiosos e religiosas e leigos se reuniram no Centro de Convivência Mãe do Bom Conselho, de 31 de janeiro a 2 de fevereiro, em Jundiaí (SP) para a realização do Simpósio Ecumênico organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
 
O bispo de Cornélio Procópio (PR), dom Manoel João Francisco, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB saudou os convidados e presentes destacando que “em um mundo de pluralismo religioso frente a tanta intolerância as nossas reflexões devem se tornar atitudes, reconhecendo que todas as religiões têm seu valor e devem ser respeitadas”.
 
O professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Paraná, Luiz José Dietrich, aprofundou, com o grupo, a temática do encontro. Ele também é assessor nacional do Centro de Estudos Bíblicos (Cebi). Ele criticou sobre um “certo cristianismo” que está se instalando em muitas Igrejas e também em instâncias de poder nas cidades, estados e no país.
 
“É um cristianismo que em nome de Jesus promove o individualismo, a homofobia, o racismo, ataca os direitos humanos, defende o uso de armas, as execuções sumárias, demonstra enorme intolerância religiosa, cultural e moral”, afirmou.
 
Na avaliação do especialista, isso contradiz o Evangelho de Jesus de Nazaré, pois atribui a Jesus Cristo a teologia das pessoas que condenaram e apoiaram a sua própria morte. “É importante que conheçamos as passagens bíblicas que abordam a violência para podermos fazer uma leitura libertadora delas e também para termos uma palavra de Deus que seja promotora de justiça, amor e vida“, disse.
 
O pastor Rudolf Von Sinner, pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), professor de Teologia Sistemática e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Teologia da PUC Paraná, enfatizou que “a violência em geral, e contra determinadas comunidades ou pessoas religiosas em particular, exige uma mudança de postura de pessoas e igrejas cristãs”.
 
“Precisam inserir-se no espaço público junto com outras comunidades e organizações religiosas em pé de igualdade, lutando pela efetiva liberdade religiosa todos. Ancoradas na prática de Jesus e na crença num Deus dinâmico e relacional, é possível buscar a superação do ódio, injustiça e indiferença”, apontou.
 
O arcebispo de Feira de Santana (BA), dom Zanoni Demettino Castro, que também integra a Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo da CNBB e é o bispo referencial da Pastoral Afro-brasileira, ressaltou que a busca pela paz, pela reconciliação e resgate da humanidade é central no processo evangelizador.
 
“Vivemos num mundo plural, no entanto, nos deparamos com situações de preconceito e intolerância. Por que tanta violência? Como reagir à esta realidade? Sem dúvida o caminho passa pelo diálogo e pela hospitalidade, passa pela a concretude da vida de Jesus de Nazaré, que passou a vida fazendo o bem“, disse.
 
Inspirados pelo clima de oração, convivência e fraternidade o encontro foi encerrado com a avaliação e partilha de sugestões para os próximo Simpósio Ecumênico em 2021.
 
Para Amauri Dias, diácono católico e representante do CONIC-MG no evento, o momento foi importante para "pensar e rever falas, atitudes ou pensamentos que podem até não parecer, mas são violências em nome de Deus". "É preciso trabalhar desde o coração e mente pessoais, e depois no coletivo, em prol de uma cultura da paz", acrescentou.
 
Reunião do GREDIRE
 
Tratando da continuidade de seu planejamento, a reunião do Grupo de Reflexão para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso (GREDIRE), realizada no dia 31 de janeiro, teve como pauta a elaboração de novos materiais referenciais para o ecumenismo, diálogo das comissões bilaterais, partilha e demais encaminhamentos dos regionais para o ano de 2020.
 
Recordou-se que se aproxima a Campanha da Fraternidade Ecumênica, a ser realizada em 2021, com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (Ef. 2.14). A próxima reunião do GREDIRE está prevista para setembro, em Salvador (BA).
 
CNBB com informações e colaboração de Edoarda Scherer (CONIC-RS)

 
Em 4 de junho do ano passado, os EUA celebraram os 100 anos desde que seu Congresso aprovou a 19ª Emenda à Constituição, em 1919, garantindo às mulheres o direito de votar. Em meio a uma guerra mundial cataclísmica, a emenda não foi ratificada até 1920.
 
Muitas das mulheres que haviam pressionado por isso (a emenda foi introduzida pela primeira vez no Congresso em 1878), incluindo Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, já haviam morrido.
 
Nesse sentido, a fé desempenhou um papel fundamental na luta pelo sufrágio feminino. As convicções religiosas obrigaram muitos a fazer campanha em nome do direito ao voto das mulheres - e muitos a lutar duramente contra isso.
 
"A religião aparece pouco a pouco e de muitas maneiras diferentes", segundo a jornalista Elaine Weiss, autora de The woman's hour: The great fight to win the vote.
 
A batalha pelo direito do voto, segundo Weiss e outros especialistas, reuniu mulheres em um espectro de práticas religiosas, desde os “Quakers” até as mulheres ativas no movimento de santidade que viram a reforma social como um meio de testemunhar sua busca pela consagração.
 
Muitas defensoras do sufrágio feminino, incluindo ativistas como Lucretia Mott, emergiram do movimento abolicionista. Elas defendiam o sufrágio não apenas como questão de justiça divina, mas também de Direitos Humanos, disse Weiss.
 
Outras mulheres viam o direito de votar não apenas como uma questão política e social, mas também como uma questão moral – da mesma forma que as pessoas que se opunham.
 
"O movimento para ganhar votos acolheu muitos clérigos de ambos os lados, que usaram argumentos bíblicos para reforçar seu lado", disse Weiss, observando que muitas denominações, incluindo metodistas, presbiterianos e católicos, estavam divididos sobre a questão do sufrágio.
 
O sufrágio das mulheres também foi uma questão controversa para o clero judeu.
 
O rabino reformista Stephen Wise viajou pelo país dando palestras em apoio ao direito das mulheres de votar, de acordo com Weiss. Wise, que na época era rabino na Sinagoga Livre de Nova York, foi membro fundador da Liga dos Homens pelo Sufrágio Feminino e até gravou um disco para promover a questão.
 
"Ele tinha uma enorme rivalidade com um rabino [Joseph Silverman] do Temple Emanu-El, uma grande sinagoga em Manhattan", aponta Weiss. "Eles brigavam do púlpito sobre isso, cada um dando seu próprio toque religioso".
 
Um dos ícones do movimento sufragista foi Anna Howard Shaw, médica e pastora que se tornou presidente da Associação Nacional Americana de Sufrágio Feminino e a liderou de 1904 a 1915 (morreu em 1919, antes que a emenda fosse ratificada).
 
Erin Sears, uma aluna do segundo ano da Candler School of Theology e participante da Igreja Metodista Unida, disse que estudou Shaw enquanto estava na faculdade. Mas disse que nem sempre estava ciente de que a fé desempenhou um papel na luta pelo direito de voto.
 
"É muito importante que as mulheres saibam que outras mulheres acompanhavam por anos e anos sua luta para serem tratadas de forma justa. Como uma mulher que procura justiça, é muito encorajante e inspirador estar na linha das mulheres que colocam sua fé em ação", disse Sears. "É um testemunho de que a fé vai além dos templos e que estamos espalhadas pelo mundo".
 
Outras defensoras foram atraídas para a batalha pelo sufrágio feminino como parte do movimento de temperança - movimento social contra o consumo de bebidas alcoólicas - liderado pela educadora e reformadora social evangélica Frances Willard.
 
Em 1879, quando a metodista Willard se tornou presidente da União das Mulheres de Temperança Cristã, ela começou a alinhar a virtude doméstica com a mudança social, de acordo com a historiadora do Calvin College, Kristin Du Mez.
 
Para as mulheres afetadas pelo alcoolismo de seus maridos, incapazes de proteger seus próprios filhos, votar tornou-se um meio de adquirir poder político e fazer o bem ao mesmo tempo.
 
"Willard estrategicamente atrai cada vez mais mulheres para o ativismo pelos direitos das mulheres, de forma cautelosa e processual", disse Du Mez. "As esposas e mães precisavam votar. É um dever da boa mulher cristã votar. As pessoas precisam votar para proteger suas famílias".
 
No final do século XIX, disse Du Mez, o sufrágio tornou-se uma causa respeitável na qual as mulheres cristãs poderiam estar engajadas.
 
Ao mesmo tempo, aqueles que se opuseram à campanha de votação ampliaram sua própria retórica de fé, disse Weiss. Eles "usam a religião como um porrete para bater no movimento sufragista", disse Weiss. "Se as mulheres votarem, a saúde moral da nação estará em perigo", apontavam os opositores.
 
Usando argumentos baseados em textos bíblicos e acusando as sufragistas de serem imorais, os opositores disseram que a subserviência de Eva a Adão no Gênesis era divinamente ordenada.
 
As mulheres afro-americanas, como Frances Ellen Watkins Harper, Mary Church Terrell e Harriet Forten Purvis, também estavam profundamente envolvidas no sufrágio feminino, mas não eram tão conhecidas.
 
Como o abolicionismo, o voto foi enraizado na comunidade de fé negra e definido como sendo uma busca pela justiça racial, rejeitando a narrativa cristã de brancos escravagistas, explicou Kelly Brown Douglas, presbítera episcopal, reitora da Episcopal Divinity School da Union Theological Seminary.
 
Por outro lado, o papel das igrejas americanas brancas tem sido mais complicado: algumas vezes defendendo a justiça racial e, noutras oportunidades, os privilégios estruturais arraigados na sociedade.
 
O que pode ser colhido desse momento histórico?
 
Embora muita coisa tenha mudado desde a morte de Willard, no final do século 19, feministas cristãs como ela, que atraíram mulheres americanas "comuns" para um movimento social em expansão e as empoderaram, podem fornecer inspiração para aqueles que querem criar alianças entre feministas de fé e seculares.
 
Neste aspecto, qualquer agenda que exclua mulheres de fé, provavelmente, será menos bem-sucedida. "Acho que Frances Willard ficaria arrasada com a divisão entre a maior parte do cristianismo americano e o feminismo cristão. Isso causaria uma grande dor nela", disse Du Mez. 
 
Texto: Elizabeth Eisenstadt Evans (National Catholic Reporter)
Tradução: Ramón Lara
Foto: Reprodução

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), composto pela Aliança de Batistas do Brasil, Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida e Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia expressa seu desacordo à indicação do ex-missionário, Ricardo Lopes Dias, para chefiar a Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai.
 
Os motivos do desacordo residem nos seguintes fatos:
 
a) A concepção evangelizadora que acompanha uma política pública que deve ser isenta de toda e qualquer lógica religiosa. Povos indígenas têm um patrimônio cultural e espiritual próprios. É dever do Estado protegê-los e garantir a sua preservação;
 
b) O Artigo 231 da Constituição Federal garante total autonomia aos índios isolados, dando-lhes a liberdade de optarem por viver sem contato com outras culturas como forma de preservação de seu modo de vida. A lógica colonialista em relação aos povos indígenas necessita ser urgentemente superada. Como nação, temos uma dívida histórica imensurável para com estes povos. Não cabe a nós, brancos, cristãos, capitalistas, decidirmos sobre o destino destes povos;
 
c) A política da Funai, voltada para os índios isolados, é reconhecida como um exemplo pioneiro mundial. O caminho a ser tomado pelo Estado deveria ser o do aprimoramento desta política, não o seu desmonte. Nada deveria ser decidido sem um profundo diálogo com os profissionais técnicos e científicos que conhecem o tema;
 
d) Sabemos que a lógica que impera nessa decisão é a econômica. No entanto, o imperativo ético-cristão nos lembra que a economia jamais pode ser colocada acima do direito à existência dos povos. As últimas definições voltadas à política dos índios isolados são decisões idólatras, porque atendem aos interesses de grupos econômicos cujas ambições se voltam às riquezas das florestas e não à preservação da diversidade cultural que nos caracteriza enquanto povo.
 
É imperativo que o governo reavalie sua decisão. E que a futura pessoa indicada para a função seja alguém com experiência, de fato, na área indigenista, e conhecedora da política para índios isolados. 
 
Lembramos que grande parte dos direitos indígenas tem origem na Constituição Federal de 1988. O mandato de um presidente eleito não o autoriza destruir as políticas de Estado que se baseiam na referida Constituição. 
 
O CONIC acompanhará o caso de perto, fazendo coro com organizações como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).
 
CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Foto: Divulgação/Cimi
 

 
No ano passado, publicamos aqui uma notícia sobre o Centro Social Anglicano, mantido pela Diocese Anglicana de Brasília (DAB), e que beneficia centenas de crianças e adolescentes. Agora, eles querem ampliar essas ações. E o melhor disso tudo é que você pode contribuir! A seguir, confira o que eles publicaram na plataforma de financiamento coletivo Kickante, e ajude a tornar esse sonho uma realidade. #JuntosVamosMaisLonge #CentroSocialAnglicano
 
INTEGRIDADE, transforme este sonho em realidade
 
O Direito à personalidade é um dos fundamentos principais da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas - ONU, em 1948.
 
Esse direito relaciona-se essencialmente à formação da INTEGRIDADE do ser humano, que subdividida em suas dimensões física, moral e intelectual protege a personalidade da pessoa, preservando sua dignidade e individualidade, fomentando, ainda, sua inserção na sociedade de forma positiva.
 
O Centro Social Anglicano (CSA) promove a INTEGRIDADE de crianças e adolescentes do bairro Vila União, localizado em Pedregal, Novo Gama – GO e os afasta das eminentes situações de risco existentes na região por meio de atividades educacionais, tais como aulas de reforço escolar, informática, inglês e música, entre outros. Saiba mais.
 
Visando expandir suas ações em prol dos jovens atendidos, o CSA pretende dar início à implementação do projeto de construção da Área de Esportes e Criatividades Bom Pastor, um espaço destinado a práticas desportivas, à criatividade e ao lazer, localizado em frente ao Centro.
 
Com essa nova iniciativa, o CSA dará mais um importante passo na promoção da INTEGRIDADE dos jovens da Vila União e oferecerá à sociedade um exemplo de como formar cidadãos plenos, com perspectivas para conceber um futuro melhor.
 
Você pode fazer parte dessa construção!
 

 
Declaração da Federação Luterana Mundial
 
A Federação Luterana Mundial (FLM) expressa grande preocupação com o plano Paz para Prosperidade de Israel e Palestina, apresentado pela administração dos EUA nesta semana.
 
A paz duradoura é resultado do diálogo, negociação e cooperação entre partes conflitantes. A construção da paz exige respeitar e defender a dignidade do outro. A paz nunca pode ser imposta unilateralmente.
 
O plano ignora os princípios fundamentais do direito internacional e das convenções de direitos humanos, bem como inúmeras resoluções da Assembléia Geral da ONU e do Conselho de Segurança da ONU, estabelecendo um precedente perigoso para o futuro.
 
A FLM apela à comunidade internacional para:
 
- Renovar seu compromisso com o direito internacional e a cooperação e negociação multilateral, como a única maneira de salvaguardar a segurança e garantir uma paz duradoura;
 
- Tomar ações imediatas para reduzir o sofrimento humanitário na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, incluindo incentivar Israel a suspender o bloqueio a Gaza, garantir financiamento suficiente para a Agência de Ajuda e Obras das Nações Unidas e aumentar seu apoio aos hospitais de Jerusalém Oriental e outros programas humanitários devido aos severos cortes nos financiamentos dos EUA para a Cisjordânia e Gaza.
 
A FLM convida suas igrejas-membro para:
 
- Orar e advogar pela paz com justiça na Terra Santa;
 
- Lembrar e apoiar a igreja-membro da FLM e seu povo, a Igreja Luterana Evangélica na Jordânia e na Terra Santa;
 
- Lembrar e apoiar os ministérios da FLM na Terra Santa e as pessoas que ela atende através do Hospital Augusta Victoria e dos Centros de Treinamento Vocacional.
 
Arcebispo Dr. Panti Filibus Musa
Presidente da Federação Luterana Mundial
 
Rev. Dr. Martin Junge
Secretário Geral da Federação Luterana Mundial
 
Foto: IRIN / Shabtai Gold

 
O Instituto de Pesquisa Ecumênica de Estrasburgo, França, anunciou a criação do Prêmio Harding Meyer em Ecumenismo, homenageando um teólogo cujo trabalho contribuiu e ainda contribui para o fortalecimento das relações entre igrejas em todo o mundo.
 
O prêmio, de 3.000 euros, será concedido a cada dois anos a um autor ou autora cuja obra seja dedicada ao diálogo entre confissões cristãs. Isso inclui teses de doutorado, teses de habilitação e trabalhos teológicos. Para saber mais, clique aqui
 
Com o anúncio do prêmio, a diretora do Instituto de Estrasburgo, professora Jennifer Wasmuth (foto), sublinhou: “Esperamos incentivar os pesquisadores e as pesquisadoras em todo o mundo a continuar trabalhando em questões ecumênicas relevantes para as igrejas da comunhão luterana e além dela”.
 
Com a sua criação, o instituto da Federação Luterana Mundial (FLM) presta homenagem a Harding Meyer (1928-2018) como uma força orientadora intelectual e pioneira que abriu e construiu uma nova base nos recentes desenvolvimentos ecumênicos.
 
O prêmio inaugural e os prêmios semestrais subsequentes serão apresentados durante a primeira semana de julho para coincidir com o Seminário Ecumênico Internacional organizado pelo instituto a cada ano.
 
Professor Harding Meyer
 
Dr. Harding Meyer foi professor de teologia sistemática na Faculdade de Teologia da IECLB na década de 1960 por um período de 4 anos e ajudou a formar toda uma geração de pastores da IECLB que o recordam com gratidão e admiração, antes de regressar para a Europa.
 
Meyer foi professor no Instituto de Estrasburgo de 1971 até sua aposentadoria em 1994, e atuou como diretor entre 1981 e 1988. Antes de ingressar na área de ensino no Instituto, trabalhou no então Departamento de Teologia da FLM, com responsabilidade pelas relações ecumênicas. Ele era pastor ordenado da Igreja Evangélica Luterana de Hannover, na Alemanha.
 
O envolvimento ecumênico de Meyer está intimamente ligado ao início do diálogo internacional luterano-católico e ao desenvolvimento da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (DCDJ). De 1967 a 1994, foi conselheiro teológico da Comissão Luterana-Católica Romana sobre a Unidade, que lidera o diálogo. Ele também participou de outros grupos de trabalho ecumênicos e foi autor ou coeditor de vários relatórios e publicações da FLM sobre as relações entre católicos e luteranos.
 
Agradecendo à família de Meyer por disponibilizar o prêmio em dinheiro, Wasmuth disse que o trabalho do instituto permanece altamente comprometido com seu legado. “A visão ecumênica de Harding Meyer de ‘unidade na diversidade reconciliada’ ainda está nos orientando hoje”.
 
IECLB / LWF
Imagem: LWF/Albin Hillert

 
No final da penúltima semana de janeiro de 2020, choveu significativamente em várias regiões de Minas Gerais. Em 24 horas choveu 171,8 milímetros, chuva mansa, mas constante. Houve uma enorme mobilização da grande imprensa e de poderes públicos municipais de muitos municípios no sentido de alertar a população de que estava chegando uma grande chuva que poderia causar inundações, deslizamentos e pôr em risco a vida das pessoas. 
 
Em Belo Horizonte, a defesa civil anunciou alerta de risco geológico e chegou-se a pedir insistentemente para as pessoas ficarem em casa dia 24 de janeiro. Muitas avenidas foram interditadas. Segundo a Defesa Civil do Governo de Minas Gerais, em Boletim de 28/01, com o título “Mortes causadas pelas chuvas em MG”, em alguns dias de chuva, 28.893 pessoas foram desalojadas, 4.397 desabrigadas, 65 feridas, 52 foram mortas e mais de 10 estão desaparecidas. Em Belo Horizonte, entre os 13 mortos, uma mãe e três crianças. Em Ibirité uma mãe foi encontrada morta e nos seus braços um bebê também morto.
 
Diante dos deslizamentos de terra, das inundações provocadas pelas chuvas, de quase 14 mil desalojados, de mais de 3 mil desabrigados, de 12 pessoas feridas e mais de 40 pessoas mortas – sem contar 19 pessoas desaparecidas –, primeiro, expressamos nossa solidariedade e conclamamos a quem puder se somar ao mutirão de apoio para ajudar as milhares de famílias atingidas e muitas golpeadas a reconquistar o mínimo necessário para erguer a cabeça e retomar a vida. Entretanto, para que a mentira não continue cobrindo as causas mais profundas da ‘sexta-feira da paixão’ que se abate sobre o povo com cada vez mais frequência, precisamos dizer em alto e bom som a verdade, cientes de que a verdade dói, mas liberta. 
 
É mentira a manchete divulgada pela Defesa Civil – “Mortes causadas pelas chuvas em MG”. 
 
É nojento ouvir jornalistas na grande imprensa dizerem: “a chuva está castigando…”. “A chuva está causando estragos…” Diante dos mortos, das vítimas e de milhares de desabrigados aparentemente pelas chuvas, é imoral e covarde ouvir prefeitos dando uma de Pilatos, tentando se eximir de suas responsabilidades, afirmando que “foi uma tragédia ambiental natural”, “Cada um deve cuidar da sua casa”, “Invadiram áreas de riscos. Eles são os culpados”. Fazer esse tipo de afirmação é apunhalar quem já foi golpeado, é transformar a vítima em algoz. É injustiça que clama aos céus.
 
Não é a chuva e nem Deus que devem ser condenados. Colocar a culpa na chuva e em Deus é encobrir o real escamoteamento a verdade, é criar uma cortina de fumaça que ofusca a realidade beneficiando somente os adoradores do capitalismo – grandes empresários da cidade e do campo, políticos profissionais [...] e ingênuos sustentadores da engrenagem mortífera que continua a trucidar vidas em progressão geométrica em uma sociedade cada vez mais desigual.
 
Na Bíblia se fala de chuva mais de cem vezes. A chuva é benfazeja, cai sobre justos e injustos, diz o evangelho de Mateus (Mateus 5,45). A chuva é reflexo da bondade de Deus, que é um mistério de infinito amor. Deus rega com a chuva a terra que deu como herança ao seu povo (I Reis 8,36). “Mandarei chuva no tempo certo e será uma chuva abençoada” (Ezequiel 34,26), profetiza Ezequiel consolando o povo em tempos de imperialismo e de exílio, em tempos de escassez de chuva. A sabedoria do povo da Bíblia reconhece que Deus, solidário e libertador, “por meio da chuva, alimenta os povos, dando-lhes comida abundante” (Jó 36,31). Até no dilúvio, a chuva é vista como purificadora (Cf. Gênesis 6 a 9). Sob o imperialismo dos faraós no Egito, a chuva de granizo é vista como uma praga que fustiga os opressores, ao mesmo tempo em que é uma dádiva de Deus que liberta da opressão (Cf. Gênesis 9 e 10).
 
A chuva não castiga, não desaloja, não desabriga e nem mata ninguém. Quem está em casa com boa estrutura, construída sobre terra firme, pode dormir tranquilo, porque a casa não cairá com as chuvas. 
 
Sempre recordo que 50 anos atrás, quando eu era criança, no noroeste de Minas Gerais, “chovia uma semana, duas semanas, às vezes, até um mês sem parar”. Não morria praticamente ninguém. Nas Décadas de 1970, a maior parte do povo vivia no campo e podia construir as casas longe das margens dos rios que ficavam inundadas. Atualmente, só em Belo Horizonte, há mais de 200 rios e córregos sepultados com asfalto, após serem envenenados com esgoto in natura.
 
A irmã chuva apenas revela uma injustiça socioeconômica e política existente. Quem desaloja, desabriga, fere e mata em última instância é a tremenda injustiça agrária e socioambiental reinante na sociedade capitalista. Dizer que “a chuva castiga” é mentira, é reducionismo que esconde o maior responsável por tanta dor e tanto pranto: o sistema capitalista e a classe dominante, que descartam as pessoas e as condenam a sobreviverem em encostas e áreas de risco. Soma-se a tudo isto a falta de planejamento urbano e social das prefeituras, que deveriam investir de forma contundente na elaboração de Plano Diretor e de zoneamento para as cidades de forma participativa e comunitária, buscando construir cidades justas economicamente, solidária socialmente e sustentável ecologicamente. Sem uma gestão socioambiental, os municípios continuarão destruindo as matas ciliares de rios e desmatando as suas encostas, fragilizando o solo, causando deslizamentos e assoreamentos, que tendem a ser cada vez mais trágicos.
 
 Quem é atingido quando a chuva chega em um volume maior, salvo exceções, são as famílias que tiveram seus direitos humanos fundamentais – direito à terra, à moradia, ao trabalho, à educação, a um salário justo, ao meio ambiente equilibrado e à dignidade – desrespeitados pelo capitalismo neoliberal e por pessoas que adoram o deus capital, o maior ídolo da atualidade.
 
Segundo o Comitê sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU em seu Comentário 4, todas as pessoas têm o direito a uma moradia SEGURA E ADEQUADA, abaixo especificada:
 
  • Segurança da posse: a moradia não é adequada se os seus ocupantes não têm um grau de segurança de posse que garanta a proteção legal contra despejos forçados, perseguição e outras ameaças.
  • Disponibilidade de serviços, materiais, instalações e infraestrutura: a moradia não é adequada, se os seus ocupantes não têm água potável, saneamento básico, energia para cozinhar, aquecimento, iluminação, armazenamento de alimentos ou coleta de lixo.
  • Economicidade: a moradia não é adequada, se o seu custo ameaça ou compromete o exercício de outros direitos humanos dos ocupantes.
  • Habitabilidade: a moradia não é adequada se não garantir a segurança física e estrutural proporcionando um espaço adequado, bem como proteção contra o frio, umidade, calor, chuva, vento, outras ameaças à saúde.
  • Acessibilidade: a moradia não é adequada se as necessidades específicas dos grupos desfavorecidos e marginalizados não são levadas em conta.
  • Localização: a moradia não é adequada se for isolada de oportunidades de emprego, serviços de saúde, escolas, creches e outras instalações sociais ou, se localizados em áreas poluídas ou perigosas.
  • Adequação cultural: a moradia não é adequada se não respeitar e levar em conta a expressão da identidade cultural (UNITED NATIONS, 1991).
 
Portanto, quem desaloja, desabriga e mata não é a chuva, não é Deus, mas é a injustiça social reproduzida cotidianamente no Brasil, que gera uma tremenda desigualdade social e empurra milhões para sobreviver em áreas de risco geológico. Quem construiu um barraco em área de risco geológico antes foi empurrado para risco social.
 
Logo, gratidão eterna à irmã chuva que gera vida e ao Deus da vida, mas ira santa e rebeldia diante do sistema capitalista e seus executivos que de fato desabrigam, golpeiam e matam. É hilariante ouvir um prefeito ‘lavar as mãos’ sujas de sangue e dizer que “cada um deve cuidar de sua casa”. Autoridades políticas só podem dizer isso após construírem moradia digna – SEGURA e ADEQUADA – para 7 milhões de famílias que estão sem moradia no Brasil. Enfim, após fazerem reforma agrária e reforma urbana. Em Belo Horizonte e Região Metropolitana, onde mais vidas foram ceifadas (13 em Belo Horizonte, 6 em Betim, 5 em Ibirité e 2 em Contagem) há um déficit habitacional acima de 150 mil moradias. Além de fertilizar a terra e recarregar as nascentes e mananciais, a irmã chuva está gritando por políticas públicas sérias e idôneas, tais como política agrária e política de moradia popular adequada para todos/as.
 
Artigo escrito pelo frei Gilvander Moreira
Foto: Luidgi Carvalho/Estadão Conteúdo
 
Obs.: As ideias aqui apresentadas não necessariamente refletem a posição do CONIC
 

 
Até que ponto se pode ir num processo de neurose coletiva? Uma prova de que paranoias podem atingir um grau inimaginável foi posta no dia 6 de maio de 1939. 
 
Para afinar seu discurso com a ideologia nazista vigente na Alemanha de Hitler, há 80 anos a igreja luterana fundou o Instituto para “Desjudaização” (Entjudungsinstitut). 
 
Sua tarefa seria eliminar qualquer traço judeu da igreja. O instituto baniu os textos do Antigo Testamento e referências à fé judaica da Bíblia, lançando, em 1940, a bíblia “Mensagem de Deus”. 
 
O uso do “Hallelluja” foi banido da liturgia e dos cantos de um hinário adaptado, que foi publicado logo depois, junto com um Catecismo “higienizado” de todas as referências ao mundo judeu. 
 
Do hinário original foi mantido, sem nenhum retoque, somente 4,4% dos hinos. E todo este plano de “limpeza” da fé luterana aconteceu na casa de Lutero, o famoso Castelo de Wartburg, em Eisenach, onde o “Entjudungsinstitut” foi fundado e mantido até 1945. 
 
A absurda entidade foi fundada por nada menos do que onze igrejas luteranas territoriais de toda a Alemanha. Oitenta anos depois, uma exposição em Eisenach faz o “mea culpa” desta loucura fascista da igreja luterana. “Wir sind in die Irre gegangen...” diz o monumento inaugurado diante da Wartburg. “Nós fomos às raias da loucura...” é a tradução mais adequada. 
 
 
Que Deus nos proteja de repetir tamanhos desatinos!
 
Clovis Lindner é pastor luterano, comunicador, e um entusiasta do Movimento Ecumênico
 
 

 
Notícia publicada pelo site de notícias Gospel+, em 7 de dezembro passado, afirma que uma decisão tomada pelo governo das Filipinas incluiu o Conselho Nacional de Igrejas das Filipinas (NCCP, sigla em inglês) na lista de “organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais”.
 
Gospel+ se baseia em notícia publicada pelo site de notícias Evangelical Focus, que afirma que o NCCP foi informado da decisão pelo major-general Reuben Basiao, vice-chefe de gabinete de inteligência das Forças Armadas das Filipinas, em 5 de novembro. A matéria informa também que, em nota, o NCCP pediu ao governo filipino uma revisão da decisão, a qual a entidade disse ser incompatível com o trabalho do grupo. Segundo o Evangelical Focus, uma vez que o NCCP foi classificado como grupo terrorista, seus membros podem ser autuados, acusados de crime contra o Estado e outras violações, tendo suas liberdades ameaçadas até por discordâncias no âmbito político-administrativo.
 
Bereia checou a informação. De fato, no site do NCCP consta uma declaração sobre o caso, publicada em 6 de novembro, que confirma que o conselho de igrejas “foi uma das várias organizações humanitárias e de serviço da lista [de ‘organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais (CTG)’] apresentada pelo Major-General Reuben Basiao, Vice-Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas das Filipinas durante a reunião do comitê da Câmara, em 5 de novembro”.
 
Corrigindo a informação do Gospel+ de que a decisão do governo filipino “colocou em alerta um grupo de igrejas evangélicas do país, pertencente ao Conselho Nacional de Igrejas (NCCP)”, todas as igrejas-membro do NCCP (nove protestantes e uma católica não-romana), por meio de seus representantes, assinaram a declaração que 'rejeita a inclusão infundada e sem base de seu nome na lista de ‘organizações de frente de grupos terroristas comunistas locais (CTG)’ pelo Departamento de Defesa Nacional (DND)”.
 
O organismo ecumênico das Filipinas denuncia que a acusação é “uma afronta ao trabalho e ministério do NCCP, suas igrejas membros, membros associados e parceiros locais e internacionais” e também a classifica como “extremamente alarmante e perigosa”. O documento pede “respeitosamente ao governo que reveja e revise seriamente as acusações infundadas e se envolva na construção da paz, começando com o reatamento das negociações de paz com a Frente Democrática Nacional das Filipinas”. Veja aqui a declaração completa.
 
O NCCP recebeu documentos de apoio de igrejas e organismos ecumênicos de todo o mundo como o Conselho Mundial de Igrejas, e a Aliança Ação Conjunta das Igrejas/ACT Alliance (vinculada ao Conselho Mundial de Igrejas), a Conferência Cristã da Ásia, o Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e várias outras igrejas nacionais da Europa, da Ásia, da Oceania e da América do Norte.
 
O bispo da Diocese Episcopal da Filipinas Central, Rex Reyes, ex-Secretário Geral do NCCP, emitiu uma declaração, apoiada pela Igreja Episcopal do país, chamando a ação do governo filipino de “irresponsável e maliciosa”. Na declaração, o bispo Rex Reyes afirma que o NCCP nunca se envolveu em atos ocultos e se opôs à lei marcial e à violação dos direitos humanos que têm vigorado no país. Ele disse: “Os esforços pioneiros do NCCP por paz e justiça neste país também são um livro aberto. Tenho orgulho de dizer que, entre os conselhos das igrejas em todo o mundo, o NCCP ainda é considerado uma formação ecumênica vibrante, duradoura, líder e reconhecida. Isso ocorre porque o NCCP vê sua vida e seu trabalho da perspectiva dos vulneráveis, oprimidos e marginalizados.”
 
O bispo Reyes destacou a corrupção na alta liderança do país e disse: “Não há nada errado quando os cristãos apontam que há tanta corrupção… O que está errado, se não totalmente subversivo, é quando uma mentalidade que mata, persegue e xinga suprime aqueles que defendem oposição e ativismo de princípios. Deve-se saber como a oposição e o ativismo de princípios tornaram este mundo mais pacífico e justo. … O que é certo é defender os direitos humanos, a justiça e a paz. Eu estou com o NCCP”.
 
Uma parte da matéria do site Evangelical Focus, que não foi utilizada pelo Gospel+, confirma a denúncia do Bispo Reyes. A matéria destaca que, em junho de 2019, o governo filipino rejeitou o pedido das Nações Unidas de uma investigação sobre violações dos direitos humanos no país, resultante das políticas do governo contra o tráfico de drogas, argumentando que era uma “interferência”. Segundo dados oficiais, 5.300 suspeitos foram mortos pela polícia desde 2016, quando Rodrigo Duterte assumiu a Presidência da República. Mas, segundo os defensores dos direitos humanos, o número seria três vezes maior.
 
Na declaração oficial de 6 de novembro, o NCCP afirmou: “nos últimos dias, testemunhamos ataques contra organizações da sociedade civil que são críticas às políticas e programas do governo. Houve ataques, prisões ilegais e difamação. Antes disso, é claro, houve até assassinatos de ativistas e defensores dos direitos humanos. (…) O NCCP considera essas medidas como tentativas desesperadas das autoridades de criminalizar a oposição e armar a lei contra o povo”.
 
O Conselho Nacional de Igrejas das Filipinas
 
O NCCP é uma organização ecumênica formada por nove igrejas protestantes e uma católica não-romana – A Igreja Católica Apostólica, a Convenção de Igrejas Batistas das Filipinas, a Igreja Episcopal nas Filipinas, a Igreja Evangélica Metodista nas Ilhas Filipinas, a Igreja Filipina Independente, a Igreja Unida Ecumênica, a Igreja Luterana nas Filipinas, o Exército da Salvação, a Igreja Unida de Cristo nas Filipinas, a Igreja Metodista Unida.
 
Fundado em 1963, o NCCP afirma suas bases na missão de Cristo, e no oferecimento às igrejas oportunidades de testemunho comum como resposta conjunta às necessidades e preocupações das pessoas. O NCCP declara-se comprometido com a unidade e a reconciliação e a promoção e proteção dos direitos humanos, por isso trabalha com igrejas e comunidades, independentemente de sua religião ou crenças, a fim de fornecer ajuda humanitária digna e outros serviços sociais para as pessoas, especialmente para irmãs e irmãos considerados minorias.
 
Em sua declaração contra a acusação de “terrorismo” pelo governo filipino, o NCCP teme que tal situação possa atrasar ou até impedir a prestação de serviços tão necessários às comunidades marginalizadas, especialmente em meio a desastres.
 
O caso no contexto filipino
 
Em seu compromisso com a informação coerente e responsável, Bereia acrescenta que o caso do NCCP se dá no contexto da grave situação que envolve o atual governo das Filipinas.  Desde a posse de Rodrigo Duterte, em 2016, o país enfrenta extenso número de execuções sumárias de suspeitos de crimes e repressão política a opositores. A situação vem sendo acompanhada internacionalmente pela ONU e por organizações de defesa de direitos humanos, incluindo várias instituições cristãs, que têm pressionado o governo a uma mudança de atitude.
 
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Um ano após a tragédia em Brumadinho, a manhã deste sábado (25) começou com homenagens aos 272 mortos na ruptura da barragem situada em Minas Gerais. Cerca de 300 pessoas, entre moradores locais, familiares e autoridades mineiras, inauguraram o memorial das vítimas, que foi instalado próximo a barragem do Córrego do Feijão.
 
Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da gigante mineradora Vale rompeu, próximo ao meio dia, provocando uma catástrofe por causa do impacto dos 12 milhões de metros cúbicos de lama repletos de resíduos de minérios.
 
Em meio às lágrimas, milhares de pessoas fizeram um minuto de silêncio pelas vítimas às 12h28, horário exato em que ocorreu a ruptura, na entrada de Brumadinho. No local, foram exibidas várias fotos dos falecidos na tragédia e centenas de balões vermelhos e brancos foram soltos, simbolicamente subindo em direção ao céu.
 
Pouco antes, ao chegar à entrada da cidade, os que prestavam homenagens penduraram no local uma grande faixa na qual estava escrita: "365 dias de sofrimento e impunidade". As marcas da tragédia continuam muito visíveis nas imediações de Brumadinho. Nesse espaço, os bombeiros mantêm incessantes buscas pelos 11 desaparecidos durante o incidente.
 
Diante de um cenário repleto de casas abandonadas, que resultou em uma população desalojada, soma-se o drama dos pescadores e pequenos agricultores que foram obrigados a interromper as suas atividades por causa da contaminação das águas dos rios Paraopeba e Alto do São Francisco, vitais para as suas atividades e para a região.
 
"Ao pecador, o perdão, mas a quem cometeu o crime, a pena"
 
“A mineração é uma atividade necessária, em Minas Gerais ela é uma das principais fontes de emprego. No entanto, a mineração de alto risco é criminosa. As empresas mineradoras têm tecnologia para diminuir radicalmente os riscos ambientais e humanos, mas não aplica essa tecnologia porque ela é mais cara. A presença das igrejas ecumênicas em Minas Gerais (através do CONIC-MG) tem demandado do governo estadual a aprovação de leis de mineração que exigem das empresas mineradoras o investimento em segurança. Os mares de lama, que tivemos em Mariana (2015) e em Brumadinho (2019) não devem acontecer nunca mais”, declarou o pastor Nilton Giese, da comunidade luterana (IECLB) de Belo Horizonte.
 
“Nós sofremos como Igreja o impacto da ganância pelo lucro, pelo dinheiro”, disse dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, acrescentando que a Igreja está “trabalhando do ponto de vista jurídico estrutural, organizacional, de conscientização, levando junto nossa presença amorosa e solidária e o nosso empenho por um novo tempo e por uma nova ordem”.
 
O arcebispo de Belo Horizonte também afirmou que Brumadinho “significa para nós lições a serem aprendidas, compromisso com o novo tempo. Fácil não é [...]. No entanto, esperamos do Ministério Público que se posiciona nesta direção: a condenação dos responsáveis. É preciso, ao pecador, o perdão, mas a quem cometeu o crime, a pena”.
 
Lembrar para não esquecer
 
Em Salvador (BA), a Igreja Batista Nazareth organizou uma celebração, em parceria com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), pela memória das vítimas e solidariedade aos familiares. “Cada ação ou omissão nossa permite que as coisas sejam feitas de um jeito ou de outro. Se você vê uma situação de injustiça e fica calado diante dela, está sendo conivente com aquilo. Será que Deus legitima a ganância e o desejo desenfreado de lucro de umas poucas pessoas? Ao contrário, nós conhecemos um Deus que se incomoda com a injustiça”, lembrou o pastor Joel Jeferino em sua mensagem aos participantes, convidando todos e todas a estarem atentos para aquilo que depõe contra a vontade de Deus “em nome do poder e da opressão”. 
 
 
Marcha
 
Mais de 350 atingidos e atingidas organizados com o MAB percorreram cerca de 300 quilômetros em caravana, com ato de largada iniciado no dia 20 de janeiro.  A caravana, que durou seis dias, começou pelo município de Pompéu, no interior do estado, e chegou até a região metropolitana de Belo Horizonte, passando por Juatuba, Citrolândia, São Joaquim de Bicas e Betim. No sábado (25), data em que a tragédia completou um ano, houve atos e atividades de homenagem às vítimas durante todo o dia no Córrego do Feijão (comunidade onde houve o rompimento) e no centro da cidade de Brumadinho.
 
Projeto de Lei 2788\19
 
No final do ano passado foi aprovado pela Câmara Federal o Projeto de Lei 2788\19, que institui a Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens – PNAB para garantir os direitos dos atingidos a reparação integral, indenização e auxilio emergencial no caso de desastres. O PL ainda precisa ser aprovado no Senado e regulamentado.
 
CONIC com Dom Total, CESE, IECLB, CNBB e Igreja Batista Nazareth (Salvador-BA)
Fotos: CNBB (1) e Igreja Batista Nazareth (2)