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A Igreja na Nigéria faz um forte apelo contra a violência anticristã vivida no país africano. Em um vídeo enviado à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre, o sacerdote nigeriano Joseph Bature Fidelis, denuncia a perseguição vivida pelos cristãos nigerianos. “Nós, cristãos na Nigéria, somos realmente perseguidos. Todos os dias nossos irmãos são mortos nas ruas”, afirmou.
 
Padre Fidelis manifestou sua dor e preocupação pelos cristãos de seu país e pelos quatro seminaristas do Seminário Maior Bom Pastor, em Kaduna, sequestrados, no último dia 8, por pessoas ainda não identificadas. Os seminaristas são Pius Kanwai, 19, Peter Umenukor, 23, Stephen Amos, 23, e Michael Nnadi, 18.
 
Segundo a Polícia local, o ataque durou cerca de meia hora. Os bandidos invadiram a casa de formação e tiveram acesso ao dormitório que abriga 268 estudantes.
 
EXECUÇÃO NO NATAL
 
A onda de violência teve início em 26 de dezembro de 2019, com a divulgação de um vídeo com a execução brutal de dez cristãos, reivindicada pelo Estado Islâmico da Província da África Ocidental.
 
“Desde então a situação se deteriorou”, denunciou Joseph, fazendo um forte apelo: “Peço ao governo da Itália, país onde estudei, e a todos os governos europeus para que pressionem o nosso governo a fazer algo para nos defender”.  
 
O sequestro de membros da Igreja com o objetivo de extorsão se tornou uma triste realidade na Nigéria, mesmo após a Conferência Episcopal local ter proibido o pagamento de resgates pela libertação de padres, religiosos e seminaristas sequestrados.
 
HITÓRICO DE MORTES
 
A Nigéria e outros países africanos têm sido palco de perseguições contra cristãos e assassinatos de religiosos. Segundo a Agência Fides, após oito anos consecutivos em que o número mais elevado de missionários assassinados foi registrado na América, a partir de 2018 tem sido a África a ocupar o primeiro lugar nesta classificação.
 
As agências humanitárias informam que somente na Nigéria pelo menos 30 mil civis foram mortos e 30 milhões foram deslocados desde o início da ofensiva jihadista em 2009.
 
‘AGENTES DAS TREVAS’
 
Após os assassinatos dos cristãos no Natal, o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, exortou a população a não cair na armadilha de se deixar dividir entre muçulmanos e cristãos por “assassinos de massa, sem consciência, sem Deus, que maculam o nome do Islã com suas atrocidades”. “Esses agentes das trevas são inimigos de nossa comum humanidade e não pouparão nenhuma vítima, sejam muçulmanos ou cristãos”, acrescentou o mandatário.
 
Os cristãos lamentaram várias vezes a falta de ação do governo local para garantir a segurança e prevenir a violência contínua e massacres anticristãos.
 
Segundo adre Fidelis, são necessários o apoio e a ação dos governos europeus. “Caso contrário, corremos o risco de extermínio. O nosso povo sofre muito. Por favor, ajude-nos. Não fiquem calados diante deste imenso extermínio que está ocorrendo em silêncio”, afirmou o Sacerdote.
 
APELO DO PAPA
 
O papa Francisco manifestou sua dor pelos “episódios de violência contra pessoas inocentes, entre as quais muitos cristãos perseguidos e mortos pela sua fidelidade ao Evangelho”. Durante seu discurso ao Corpo Diplomático, no dia 9, o Pontífice exortou a comunidade internacional a apoiar os esforços que estes países estão a fazer na luta para derrotar o flagelo do terrorismo, que está a cobrir de sangue partes cada vez mais extensas da África, bem como outras regiões do mundo.
 
“É necessário que se implementem estratégias que incluam intervenções não só no campo da segurança, mas também na redução da pobreza, na melhoria do sistema de saúde, no desenvolvimento e na assistência humanitária, na promoção da boa governança e dos direitos civis. Tais são os pilares para um real desenvolvimento social”, ressaltou Francisco.
 
Com informações de Vatican News, Agencia Fides e SIR
Foto: Christian Association of Nigeria

 
Tocados por tantos testemunhos e renovados pelo Espírito, voltamos enriquecidos para nossas famílias, comunidades e demais espaços de vida e trabalhos, depois da rica experiência ecumênica e inter-religiosa de acolhida, partilha, celebração, festa, encontro e compromisso, vivenciada no 33º Curso de Verão, de 08 a 16 de janeiro de 2020: ESPIRITUALIDADES NA CIDADE: POR UMA DIMENSÃO LIBERTADORA.
 
O Curso foi organizado pelo Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular – CESEEP, em parceria com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o Teatro da Universidade Católica (TUCA) e com o apoio e colaboração de outras pessoas, entidades, movimentos sociais, Igrejas, comunidades e famílias. Cada qual contribuiu, de forma generosa e gratuita, para a formação de lideranças pastorais e sociais num grande mutirão.
 
Neste ano, o curso reuniu 479 pessoas entre participantes (341), 06 assessores/as, 132 voluntários/as, dos quais 71 eram monitores/as e 61 integrantes das equipes de serviço. Eram pessoas de diferentes Igrejas cristãs, religiões e filosofias de vida que vieram de todas as regiões do Brasil, de outros países latino-americanos, da África e da Europa. Além delas, passaram pelo TUCA mais de 200 visitantes, que chegaram a cada dia para as atividades das manhãs.
 
Os momentos orantes e as palestras da parte da manhã no TUCA, assim como as celebrações de abertura e encerramento foram transmitidas ao vivo pela equipe de comunicação do Curso no canal do YouTube e tiveram mais de 16 mil visualizações. Houve ainda a divulgação de boletins diários e publicações (notícias, vídeos, fotos, áudios...) na página do Facebook, que alcançaram mais de 30 mil pessoas, bem como interações nos sites oficiais do CESEEP e do Curso, no Instagram, no Flickr, no Whatsapp e por E-mail.
 
Estiveram na abertura do evento e saudaram as/os participantes a Reitora da PUC, Professora Maria Amália Pie Abib Andery, o Pró-reitor de Cultura e Relações Comunitárias da PUC, Prof. Antônio Carlos Malheiros, membros da diretoria da CESEEP, a pastora luterana Haidi Jarschel, sua vice-presidente representando o Presidente, Pe. Benedito Ferraro, o prof. Wagner Lopes Sanchez, seu secretário, o Prof. Luiz Eduardo W. Wanderley, que por mais de vinte e cinco anos foi seu vice-presidente, além do Pe. José Oscar Beozzo, coordenador geral do CESEEP e de Cecília Bernardete Franco, coordenadora do Curso de Verão.
 
Interpelados pela dura realidade dos mais pobres e movidos por testemunhos proféticos e comoventes, acerca das espiritualidades na cidade, trazidos pelos assessores/as e por participantes nas tendas, assumimos compromissos em relação:
 
1. À REALIDADE ECONÔMICO-SOCIAL, ÀS MÍDIAS E À PARTICIPAÇÃO POPULAR
 
- Repensar a realidade em conjunto; escutar com sensibilidade e simpatia o clamor das pessoas em situação de exclusão nas periferias reais e existenciais; assumir suas causas, mesmo tendo dúvidas, e fortalecer a luta popular, no combate às desigualdades.
 
- Conhecer as raízes da crise brasileira e mundial a partir da leitura do modelo econômico vigente.
 
- Comprometer-se com a partilha dos bens materiais e com seu consumo consciente e sóbrio, em busca de maior igualdade e justiça social.
 
- Promover a reflexão acerca da consciência de classe, do consumismo, da propaganda comercial e ideológica, da influência da mídia e da importância da participação popular.
 
- Promover nas comunidades a prática da análise de conjuntura, a partir do enfoque da realidade sofrida das grandes maiorias e de um olhar atento às minorias e às suas demandas.
 
- Buscar a informação em mídias confiáveis; produzir e espalhar apenas conteúdos verdadeiros, com responsabilidade ética em relação à informação e educar-se para um exame crítico do que é veiculado nas redes sociais.
 
- Democratizar a comunicação e valorizar as mídias alternativas para uma leitura crítica no mundo da informação.
 
- Garantir espaços coletivos de escuta que gerem uma articulação comunitária em vista de projetos sociais voltados para pessoas mais vulneráveis.
 
- Estar atentos para a construção das alianças e parcerias nas próximas eleições.
 
- Manter o diálogo com todos e cultivar sementes do pensamento crítico.
 
2. À ESPIRITUALIDADE MILITANTE E ESPERANÇADORA
 
- Assumir o Pacto das Catacumbas pelo cuidado da Casa Comum na busca por uma convivência ecológica integral, com a natureza e os demais humanos.
 
- Trabalhar com as novas lideranças para se alcançar um olhar mais amplo da realidade social e do campo religioso e para acolher a rica diversidade de pertenças religiosas e de caminhos espirituais.
 
- Cultivar, numa atitude de respeito para com a diversidade, a escuta atenta da realidade e das pessoas, sabendo que tudo está interligado.
 
- Aproximar-se uns dos outros, dialogando mais com a sociedade e levar para as pessoas do nosso convívio a experiência de que é possível quebrar paradigmas frutos de preconceitos, discriminação e exclusão e manter viva a esperança.
 
- Desenvolver o diálogo ecumênico e inter-religioso e lutar pela causa do bem comum e do bem viver.
 
- Caminhar para uma mística libertadora, sustentável e perseverante, identificando as belezas que existem para além de nossas comunidades, construindo pontes e unindo linguagens.
 
- Organizar redes de assessoria para movimentos populares, no campo da espiritualidade e da militância.
 
- Através da noite escura da fé, manter a confiança no Amado, em solidariedade com todos que trilham esse caminho.
 
- Sair da nossa zona de conforto para abraçar a espiritualidade de Jesus: ecumênica, samaritana e Madalena.
 
Encerramos nossa jornada, dando graças pelo caminho percorrido, com os olhos já voltados para o 34º. Curso de Verão, de 07 a 15 de janeiro de 2021, com o tema, CUIDAR DA CASA COMUM: POR UMA CIDADE SUSTENTÁVEL.
 
São Paulo, 16 de janeiro de 2020

 
Nesta terça-feira, 21 de janeiro, igrejas, comunidades de fé, movimentos sociais e organizações da sociedade civil, em todo o Brasil, lembraram o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. A data coincidiu com a abertura do Fórum Social das Resistências, em Porto Alegre. Na cidade, a XII Marcha Estadual Pela Vida e Pela Liberdade Religiosa do RS contou com a presença de centenas de pessoas, de todas as fés. A mensagem era uma só: não podemos aceitar que a intolerância religiosa tome conta de nossas cidades, nossos corações.
 
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No Distrito Federal, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) abriu as portas da Diocese Anglicana de Brasília para um ato inter-religioso em memória às tantas vítimas de intolerância. Representantes de diversas religiões estavam presentes, incluindo povos de terreiro e indígenas. A IEAB é uma igreja-membro do CONIC e, ano após ano, tem destacada atuação em favor do diálogo ecumênico, inter-religioso e multicultural. 
 
 
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No Rio, uma vigília inter-religiosa também reuniu adeptos de várias comunidades religiosas. O tesoureiro do CONIC, Mayrinkellison Peres, participou. O momento contou com diversas atrações, incluindo o Festival Cultural Inter-Religioso Cantando A Gente Se Entende; participação das Escolas de Samba Acadêmicos do Grande Rio, Estação Primeira de Mangueira, da cantora Varda, do coro Bienas e Prim, do cantor gospel Kleber Lucas, entre outras atividades voltadas à conscientização de que uma sociedade só pode ser verdadeiramente próspera quando todos possuem direitos iguais, e isso inclui o direito de crer no que se quer, ou mesmo não crer em nada.
 
 
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Em Maceió, o Fórum de Diálogo Religioso de Alagoas e a Aliança de Batistas do Brasil (membro do CONIC), em parceria com a Igreja Batista do Pinheiro e da Alegria, organizaram um encontro sobre o tema. O evento foi aberto pra toda a comunidade local. 
 
Na avaliação do pastor Vando Oliveira, membro da Aliança de Batistas, é muito importante que as igrejas cristãs assumam essa luta de combate às intolerâncias “como forma até de retratação, sobretudo com os irmãos que professam alguma fé de matriz africana”, disse. Vando acrescentou que, neste dia, foi criado Fórum de Diálogo Inter-Religioso de Alagoas, que passará a reunir cristãos, judeus, budistas, espíritas, entre outros. 
 
 
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Na capital baiana, Salvador, uma das celebrações pelo Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa foi conduzida pela Yalorixá Jaciara de Oxum, diante do Busto de Mãe Gilda, nas margens da Lagoa do Abaté, junto ao povo Terreiro e com a presença da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Koinonia – Presença Ecumênica, Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs (CEBIC), Coletivo Mulheres Políticas Públicas e Sociedade (MUPPS) e representantes de várias comunidades , incluindo anglicanos, católicos e presbiterianos. O encontro reafirmou o respeito à diversidade religiosa e a Laicidade do Estado Brasileiro, que deve ser o garantidor da liberdade de Culto.
 
 
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A Igreja Anglicana de Santa Maria promoveu uma atividade ecumênica. Todas as representações religiosas de Santa Maria foram convidadas, passo importante na busca da consolidação de uma cultura da paz entre os diferentes credos presentes no município.
 
 
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Em Goiânia, o Núcleo Inter-Religioso do estado se reuniu para lembrar que a unidade na diversidade ainda é possível: com respeito, fraternidade e disposição para escutar o outro. Ainda em 2019, as cidades campeãs de intolerância religiosa foram Natal, com 191 casos, seguida de São Paulo, com 91, e Rio de Janeiro, com 61. Porém, vale lembrar que, em 2018, uma pesquisa do então Ministério dos Direitos Humanos (MDH) revelou que Goiás liderava o ranking de intolerância religiosa.
 
 
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Em São Paulo, foi realizado um Ato e Celebração Inter-Religiosa na Igreja Betesda. A atividade foi articulada pela Frente Inter-Religiosa Dom Paulo Evaristo Arns, CONIC, Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Koinonia Presença Ecumênica, Evangélicas Pela Igualdade de Gênero e Rede FALE. 
 
Pessoas das mais diversas tradições estiveram reunidas para demarcar a importância da data, do 21 de janeiro, saudando também a memória de Mãe Gilda de Ogum, do Ilê Axé Abassá de Ogum, em Salvador, inspiração para a criação do Dia Nacional de Combate a Intolerância Religiosa. 
 
 
 
Manifesto Evangélico contra a Intolerância
 
Aproveitando a data, evangélicos lançaram um Manifesto contra todo tipo de intolerância. O documento, que pode ser assinado na plataforma Avaaz, assume “a defesa incondicional da liberdade religiosa de todas as pessoas” e se posiciona “contra toda forma de intimidação, discriminação, agressão verbal e violência física oriundas de pessoas e igrejas evangélicas”.
 
Clique aqui para ler a íntegra do Manifesto... e também assinar!
 
 

Começou neste sábado, 18 de janeiro, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) no hemisfério Norte. Por lá, o período tradicional para a SOUC é de 18 a 25 de janeiro, de modo a coincidir com o tempo das festas de São Pedro e São Paulo. No hemisfério Sul, as Igrejas celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes, que este ano será de 24 a 31 de maio.
 
A reflexão proposta para as igrejas de todo o mundo foi preparada por comunidades cristãs do de Malta, a partir do relato bíblico do naufrágio de Paulo (Atos 28).
 
Contexto
 
A história começa com Paulo sendo levado a Roma como prisioneiro (At 27:1). Paulo está preso, mas mesmo numa viagem que se torna perigosa, a missão de Deus continua através dele.
 
A narrativa é um clássico drama da humanidade. O relato informa que os passageiros do navio estão expostos às forças dos mares e das poderosas tempestades que se erguem ao seu redor. Essas forças os levam a um território desconhecido, onde estão perdidos e sem esperança. 
 
As 276 pessoas a bordo são divididas em grupos distintos. 
 
O centurião e seus soldados têm poder e autoridade, mas dependem da perícia e da experiência dos marinheiros. Embora todos estejam assustados e vulneráveis, os prisioneiros são os mais vulneráveis de todos. Suas vidas são consideradas dispensáveis, eles estão em risco de uma execução sumária (At 27:42). À medida em que a história se desenvolve, sob pressão e temendo por suas vidas, vemos desconfiança e suspeita ampliando as divisões entre os diferentes grupos.
 
Notavelmente, porém, Paulo se ergue como um centro de paz no tumulto. Ele sabe que sua vida não é governada por forças indiferentes ao seu destino, mas está segura nas mãos do Deus a quem ele pertence e serve (At 27,23). Por causa de sua fé, ele está confiante de que se erguerá diante do imperador em Roma. É a força da fé que encoraja Paulo a se erguer diante de seus companheiros de viagem e dar graças a Deus. Todos passam a ficar encorajados. Seguindo o exemplo de Paulo, eles partilham pão, unidos numa nova esperança e confiando em suas palavras.
 
Atualidade
 
“Hoje, muitas pessoas enfrentam terrores semelhantes, nesses mesmos mares. Os lugares mencionados no texto também fazem parte das histórias de migrantes de tempos modernos”, lê-se na reflexão, publicada em conjunto pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos (Santa Sé) e a Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas.
 
Oriente Médio
 
 
No último domingo, 19, cristãos sírios ortodoxos, bizantinos, católicos romanos, entre outros, se reuniram com lideranças de diversas igrejas cristãs, em Beirute, no Líbano, para a abertura da SOUC naquele país. A cerimônia foi presidida pelo SS Inácio Aphren II Karin, Sumo Pontífice da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), igreja-membro do CONIC, e por SB Mor Ignatius Youssef III, da Igreja Católica. A solenidade foi na Catedral Ortodoxa de Beirute.
 
Europa
 
 
No dia 18, sábado, jovens de diferentes igrejas cristãs fizeram uma Vigília Ecumênica na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, Portugal, e desafiaram as sociedades a “acolher com humanidade” quem “confia a vida” a outra pessoa e decide emigrar ou procurar refúgio.
 
CONIC com Agência Ecclesia / ISOA
Fotos: ISOA / Agência Ecclesia

 
O Fórum Social das Resistências inicia as atividades nesta terça-feira, 21 de janeiro, abordando temas como o racismo e o meio ambiente, além da tradicional marcha de abertura. Embora a caminhada que abre o Fórum Social das Resistências, um desdobramento do Fórum Social Mundial, esteja marcada para o final do dia, desde a tarde acontecem atividades do evento.
 
A primeira é o seminário dos povos de terreiro na defesa do Estado laico, contra o racismo religioso, contra o genocídio da juventude negra, o feminicídios e o desmonte das políticas públicas, marcado para às 13h, no plenário Ana Terra, da Câmara Municipal de Porto Alegre. Às 14h, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, acontece o debate sobre Direito Ambiental e Agroecologia: iniciativas parlamentares de resistências.
 
Na quarta-feira (22), a programação é mais extensa: ocorrerão dezenas de assembleias de convergência, que acontecerão em vários locais de Porto Alegre e outras cidades metropolitanas. O objetivo é elencar questões sobre determinados temas e encaminhá-las à Assembleia dos Povos (marcada para acontecer sexta-feira, 24).
 
Entre as assembleia de convergência, está a que vai abordar o assunto "Comunicação, as Mídias Livres e as Lutas por Democracia", às 10h, no auditório do Camp (Centro de Assessoria Multiprofissional); e a que vai tratar da "Resistência no Estado mínimo: Perda de direitos, possibilidades e economia solidária", às 16h, no auditório do Cpers Sindicato.
 
Imagem: Divulgação

A Aliança de Batistas do Brasil emitiu uma nota na última sexta-feira, 17 de janeiro, repudiando o discurso do ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim. "O discurso do agora ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim, contendo uma paráfrase do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels [foto abaixo], causou intensa reação na sociedade brasileira", inicia o texto. "O discurso goebelliano de Roberto Alvim foi não apenas intencional como representativo de um governo liderado por políticos que menosprezam as liberdades democráticas, a laicidade do estado e a pluralidade sociocultural", afirma a nota.
 
 
Leia a íntegra:
 
Nota Pública em Repúdio ao Discurso do ex-Secretário Especial de Cultura Roberto Alvim
 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, possuída de arrogância humana, poderia colocar a Palavra e a obra do Senhor a serviço de quaisquer desejos, propósitos e planos escolhidos arbitrariamente.
 
— Declaração Teológica de Barmen, Igreja Confessante, 31/05/1934
 
O discurso do agora ex-Secretário Especial de Cultura, Roberto Alvim, contendo uma paráfrase do ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, causou intensa reação na sociedade brasileira, com diversos pronunciamentos de lideranças nacionais de partidos e dos poderes constituídos. Também as organizações judaicas, intelectuais, teólogos e artistas têm se manifestado pela surpresa causada por uma emulação tão aberta dos princípios e estética da propaganda cultural do Nazismo alemão.
 
A Aliança de Batistas do Brasil não pode se furtar de se posicionar neste momento, ao acompanhar o modo como o Governo Bolsonaro tem tratado especialmente as políticas públicas de Educação e Cultura, como parte de um projeto que expressa um viés autoritário e antagônico à pluralidade social e cultural que caracteriza o País, sem diálogo com a sociedade, submetendo-as ao controle autoritário do Estado, e enviesado pelo desprezo ao princípio republicano da laicidade. O permanente ataque a educadores renomados no país e no exterior, como a Paulo Freire, assim como a artistas, intelectuais e agentes culturais, censurando seus projetos, exposições e obras simplesmente por seu caráter crítico ou temático (como é o caso de filmes, peças de propaganda de autarquias e exposições com conteúdo LGBTI), são exemplos emblemáticos e denuncia que um projeto nazifascista está em curso.
 
Entendemos que a demissão do secretário Roberto Alvim ao longo do dia não se deveu por destoar do governo, de seus ministros e secretários, mas por ter a coragem de dizer com todas as letras e performar o vínculo ideológico com o nazifascismo, tendência que muitos da sociedade civil, incluindo lideranças no âmbito das igrejas e organizações cristãs, têm apontado como estruturante nas decisões e discursos da Presidência da República e de vários de seus ministros. O elogio à tortura e a torturadores, a defesa do período autoritário, o ataque e o desprezo pelo trabalho de jornalistas e órgãos da imprensa, assim como o apoio tácito e muitas vezes aberto à criminalização e assassinato de ativistas de direitos humanos e à lideranças ambientais e indígenas, demonstra que não há apreço pela democracia nesse governo, mas um projeto de poder que se estrutura pela negação dos valores constitucionais que permitiu que Jair Bolsonaro fosse alçado ao cargo máximo da nação. O discurso goebelliano de Roberto Alvim foi não apenas intencional como representativo de um governo liderado por políticos que menosprezam as liberdades democráticas, a laicidade do estado e a pluralidade sociocultural. Assim, não basta demitir Roberto Alvim, é preciso destituir essa ideologia nefasta que governa hoje o País.
 
Não nos passa despercebido também que no discurso de Roberto Alvim se faz uso de símbolos e se evoca uma retórica deslaicizante, já abundante e escandalosamente presente no discurso bolsonarista, de exaltar a prevalência da hegemonia cristã formada neste governo com o apoio de lideranças dos segmentos evangélicos e católicos, cuja presença no governo em diversos escalões escancara o projeto de poder e sede de influência de parcelas do evangelicalismo pentecostal e histórico, assim como de conservadores nas fileiras do catolicismo brasileiro.
 
Trazemos a memória da resistência evangélica de Dietrich Bonhoeffer, Martin Niemöller, Karl Barth e da Igreja Confessante na Alemanha Nazista para denunciar que a capitulação e mesmo o silêncio diante de tal afronta ao projeto do Evangelho de Jesus de Nazaré, para auferir privilégios e influência, no apoio a um extremismo ideológico de viés nacionalista e nazifascista que constrói inimigos e empenha-se em sua aniquilação, é demoníaco e constitui-se como parte de um projeto de hegemonia branca, colonial, racista e elitista fundados numa estrutura social que lutamos tão duramente para superar como sociedade brasileira. Rejeitamos a ideologia excludente propagada por esse governo e por seus apoiadores do campo evangélico e católico, seja os que compõem diretamente através de cargos no governo ou ainda em organizações da sociedade civil ou nas igrejas, de que a família, a nação ou a religião cristã tal qual defendida pelo bolsonarismo sejam a base para construir uma sociedade plural, laica, democrática e justa que todos os brasileiros e brasileiras almejamos e nos empenhamos para alcançar.
 
No espírito de oração, mas com firmeza, instamos a nossos irmãos e irmãs de todas as igrejas, confissões e denominações que resistam na esperança de que o Senhor abrirá um caminho no deserto (Is 43.19b), e que decidam firmemente a não permanecer em silêncio, denunciando a capitulação, pragmática ou ideológica, de lideranças religiosas ao projeto de poder do bolsonarismo, e através de nossa fé viva na ressurreição, fortaleçam o testemunho da Igreja que resiste, junto a todas as forças democráticas pela igualdade e vida plena, até que “corra a justiça e o direito como um rio” (Am 5.24).
 
Aliança de Batistas do Brasil, 17 de janeiro de 2020
 
*Esta nota foi elaborada pelo Observatório de Incidência Pública da Aliança de Batistas, uma iniciativa que visa dialogar com a realidade brasileira através de análises e posicionamentos que permitam a seus membros uma participação construtiva e transformadora nos diversos espaços em que a sociedade civil, em diálogo com o Poder Público, constrói políticas na direção de um estado democrático, justo e igualitário. É formado atualmente por Aletuza Leite, Flávio Conrado, Henrique Vieira, Odja Barros, Raimundo Barreto Jr. e Ronilso Pacheco.

 
Raoni Metuktire não quer guerra. Aos 89 anos, o cacique caiapó deseja apenas ser ouvido pelo presidente Jair Bolsonaro. Diante de mais de 600 lideranças reunidas ao longo de uma semana na aldeia Piaraçu, no Mato Grosso, Raoni reforça a mensagem que desejam enviar a Brasília: os indígenas querem paz e respeito ao modo de vida que escolheram.
 
"Índio tem que respeitar o branco, branco tem que respeitar o índio. Todos que vieram até aqui disseram que não querem a destruição, não querem garimpeiros, madeireiros nas nossas terras. Isso traz violência, nós não aceitamos isso", declarou à DW Brasil nesta quinta-feira (16/01), um dia antes do fim da reunião.
 
Idealizado pelo cacique há anos como um encontro de diferentes etnias, o evento às margens do rio Xingu, próximo à divisa com o Pará, ocorre num momento de tensão, em meio a intenções de grandes empreendimentos em territórios indígenas e arrendamento de suas terras manifestadas por Bolsonaro. Alguns projetos nesse sentido já circulam pelo Congresso.
 
Ao mesmo tempo, lideranças na Amazônia relatam o aumento das invasões a seus territórios, do garimpo ilegal e da violência. Durante as sessões de debates sobre mineração, desmatamento, queimadas e expansão da fronteira agrícola, participantes do encontro no Xingu reforçaram sua posição contrária a essas atividades dentro de seus territórios.
 
Muitos deles viajaram dias até a aldeia, localizada a 240 quilômetros de Peixoto de Azevedo, a maior cidade nas proximidades. É época de chuvas na Amazônia, quando fica mais difícil se deslocar pelas estradas de terra, que já estão numa situação e podem ficar intransitáveis.
 
Lucinha Tremembé, por exemplo, veio da aldeia Passagem Rasa, em Itarema, no Ceará. Formada em Serviço Social, ela faz parte do grupo de jovens responsável por escrever o documento que Raoni quer entregar a Bolsonaro.
 
Na lista de pedidos, indígenas fazem exigências de serviços de saúde, educação, políticas públicas voltadas às mulheres e jovens. No topo das preocupações está o principal motivo que os levou ao maior encontro de lideranças numa aldeia de que já se teve notícia: o direito à terra.
 
Terra e promessa de dinheiro
 
Em Brasília, um projeto de lei em fase de finalização dá carta branca a atividades econômicas em terras indígenas, como mineração, extração de petróleo e gás, construção de hidrelétricas, pecuária e cultivo de transgênicos. Embora o texto estipule a consulta aos indígenas, eles não teriam poder para barrar as decisões, e seriam compensados financeiramente pela exploração das terras.
 
Apesar da promessa de compensação, a proposta é ruim, avalia Raoni. "Todos os parentes disseram que nunca vão aceitar, que nunca irão receber esse dinheiro que querem pagar para explorar nossas terras. Se alguém oferecer dinheiro para destruir, para invadir, nós nunca aceitaremos, porque isso não é nossa tradição", disse à DW Brasil.
 
Ao afirmar que a compensação financeira pela exploração ajudará no combate à pobreza, Bolsonaro tem a intenção de confundir, opina Sonia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
 
"Bolsonaro diz que quer melhorar a qualidade de vida, que as pessoas tenham produção própria, mas, na verdade, o agronegócio com produção da soja não vai resolver esse problema", afirma. "A gente não quer nada disso porque já sabe as consequências do garimpo, das hidrelétricas, do agronegócio. É destruição", acrescenta a líder.
 
Sonia afirma também que é preciso pensar a economia indígena sob o ponto de vista dessas populações. "Queremos uma economia que garanta a soberania alimentar, com a diversidade de alimentos com a qual estamos acostumados", complementa.
 
Por outro lado, projetos do atual governo têm dividido comunidades. Valdete Kayabi, 32 anos, conta que na Terra Indígena Kayabi, espalhada por Mato Grosso e Pará, fazendeiros tentam seduzir lideranças com promessas de energia elétrica e estrada.
 
"Somos contra e viemos pedir ajuda a Raoni", diz Valdete. "Os mais velhos já brigaram muito por nosso território. Não podemos dar tudo de mão beijada para a terra ser ocupada por boi. Daqui a pouco, os fazendeiros vão proibir que a gente passe até pelo rio", argumenta.
 
Legislação e apoio
 
Megaron Txucarramae, de 79 anos, é um dos caciques que participam do encontro no Xingu. Ao lado de Raoni, ele atuou durante as consultas para a redação da Constituição Federal, em 1988, após décadas de Ditadura Militar.
 
"Tem uma lei do próprio homem branco que diz que não pode arrendar terra indígena, não ter madeireiro, garimpeiro. Será que Bolsonaro não vê essa lei e quer passar por cima dos outros?", questiona o cacique, se referindo ao artigo 231 da Constituição.
 
Márcio Santilli, que já foi presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), atuou como consultor dos indígenas naquela época. "Poucos falavam português, os indígenas estavam muito 'longe' do Brasil. Hoje é muito diferente. Além de muitos terem formação acadêmica, eles estão muito mobilizados", avalia.
 
Mais de trinta anos depois de terem seus direitos declarados na Constituição, indígenas buscam apoio político para manter as terras demarcadas. Durante o encontro na aldeia, Ângela Mendes, filha do seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988, propôs uma nova edição da chamada Aliança dos Povos da Floresta. Esta foi idealizada pelo próprio Chico Mendes nos anos 1980.
 
Poucos meses depois da morte de Mendes e da promulgação da Constituição, extrativistas e indígenas se encontraram pela primeira em Rio Branco, para defender os interesses comuns.
 
"Novamente, estamos todos sob ameaça grave de perder as terras. E muitas pessoas derramaram sangue em sua defesa, como meu próprio pai e muitas lideranças indígenas. Vamos resistir", afirmou.
 
Segundo o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Júlio Barbosa, o grupo deseja trabalhar em conjunto para combater as propostas de Bolsonaro. "Estamos pensando num segundo grande encontro da Aliança, 31 anos depois, para resistirmos juntos", ressalta.
 
Efeito na prática
 
O documento elaborado durante o encontro convocado por Raoni e que será enviado a Brasília pode pautar a Justiça, avalia Renan Sotto Mayor, secretário geral de articulação institucional da Defensoria Pública da União.
 
"Com o documento, as instituições podem ter mais clareza sobre a maneira como agir. As exigências deles [dos indígenas], que estão muito mobilizados, devem pressionar as instituições públicas", avalia Sotto Mayor.
 
Kokokange Metuktire, de 19 anos, está se preparando para assumir a linha de frente nessa batalha. Estudante de Direito na Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat), ela quer seguir os passos de Raoni.
 
"Ele é uma liderança muito forte porque luta por todos nós. É uma referência para todos, e os jovens devem seguir a luta dele", declara.
 
A escolha do curso superior foi estratégica. "Eu quero ter conhecimento das leis para defender os povos indígenas. Vejo que muitos estão preocupados com as ameaças do governo. A gente quer viver em paz, sem as ameaças da sociedade não indígena, com as nossas florestas, com os nossos rios, que mantêm a gente vivo e é a garantia da nossa sobrevivência."
 
DW Brasil
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Democracia, Direitos dos Povos e do Planeta: é o lema do Fórum Social das Resistências (FSR), a realizar-se de 21 a 25 de janeiro em Porto Alegre e Região Metropolitana, no Rio Grande do Sul.
 
O FSResistências soma-se a outras iniciativas que estão sendo articuladas no âmbito do Fórum Social Mundial (FSM), como o Fórum Social Panamazônico, que será realizado de 22 a 25 de março em Mocoa, Colômbia, o Fórum Social das Economias Transformadoras, que acontecerá de 25 a 28 de junho em Barcelona, Espanha, e o processo de articulação do próximo FSM, que acontecerá em janeiro de 2021 na cidade do México.
 
Hora de resistir. Hora de lutar. Hora de mobilizar-se. Hora de construir a unidade, de fazer o debate de um projeto de futuro e de reacender a paz e a esperança.
 
Estará todo mundo no Fórum Social das Resistências: movimentos sociais e populares, quilombolas, povos de matriz africana, indígenas, pastorais sociais de diferentes igrejas e religiões, movimento estudantil, Universidades e Institutos Federais, Economia Solidária, movimentos ambientais, juventudes, movimentos de mulheres, movimento negro, movimentos de educação popular, movimentos de saúde. Será um grande encontro de valores, ideias, experiências, práticas, conhecimento, visões de mundo. A favor da paz, da justiça social e ambiental, da democracia, dos direitos humanos e dos direitos de todos os seres vivos (Contatos e informações: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.www.forumsocialportoalegre.org.br).
 
A programação, em linhas gerais, será a seguinte: dia 21, Marcha de Abertura, com o tema: MARCHA PELA VIDA E LIBERDADE RELIGIOSA.
 
Dia 22 de janeiro: Assembleias de Convergências, com diferentes temas: Campanha contra o encarceramento e o genocídio das juventudes; comunicação e mídias livres; culturas de resistência; direitos sociais e reprodutivos, economia popular e solidária; diversidade, igualdade e direitos humanos. Economia popular e solidária; educação universal, democrática e libertadora; espiritualidade, religiosidade e transformação; estratégias de luta frente à nova agenda urbana; feminismos e liberdades; meio ambiente e culturas do Bem Viver; migrações; o futuro das democracias e participação popular; povos tradicionais, quilombolas, indígenas e ciganos; soberania e segurança alimentar e nutricional sustentável; trabalho, saúde, previdência e seguridade social. 
 
Dia 23: Diálogo e articulações. Grandes Mesas sobre os temas: Democracia, participação e poder popular; direitos dos povos, territórios e comunidades; direitos do planeta, justiça socioambiental.
 
Dia 24: Assembleia dos Povos e Territórios e Festival Social das Resistências.
 
25 e 26 de janeiro: Fórum social nas ruas e praças, com atividades culturais de ocupação da cidade de Porto Alegre, e reunião do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial.
 
Porto Alegre voltará a ser a cidade alegre, colorida, do Orçamento Participativo e dos Fóruns Socais Mundiais, num tempo em que predominam o ódio, a intolerância, as ameaças aos direitos, à liberdade e à democracia.
 
Um outro mundo é possível, urgente e necessário. 2020 será um ano duro, muito duro, que começou com possibilidade de guerra, com grandes incêndios na Austrália, com assassinatos de lideranças populares no Brasil, com continuidade dos golpes. 2020 do ultraneoliberalismo exacerbado, dos feminicídios em massa, da destruição da natureza, do fascismo em alta. Mas também poderá ser um ano, a começar pelo Fórum Social das Resistências, de não se soltar a mão de ninguém, de dizer não à barbárie, de dizer sim à vida.
 
Todo mundo está mais do que convidada/convidado a chegar na Porto Alegre do calor, da boa acolhida, da solidariedade, da paz, da convivência saudável, da partilha, da participação popular, da democracia.
 
Selvino Heck foi deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990); membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política; membro da direção do CAMP (Centro de Assessoria Multiprofissional); membro da Mesa Diretiva do CONSEA RS; membro da Coordenação do CEAAL Brasil (Conselho de Educação Popular da América Latina e Caribe).

 
Heinrich Bedford-Strohm, presidente do Conselho da Igreja Evangélica na Alemanha (Ekd), recebeu ameaças de morte por seus esforços em salvar as pessoas à deriva no Mediterrâneo. O bispo alemão, cidadão honorário de Palermo pelo seu empenho e da igreja alemã sobre as migrações, divulgou isso em uma entrevista ao jornal Augsburger Allgemeine; entrevista focada no papel das mídias sociais na interação social que, de acordo com Bedford-Strohm, devem ser caracterizadas por regras e normas claras no que diz respeito às mídias sociais, porque, caso contrário, elas se tornam um catalisador de violências comunicativas.
 
A reportagem é publicada por Riforma, 07-01-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.
 
As ameaças ao bispo provocaram uma onda de comentários, muitos de solidariedade, mas outros depreciativos. Bedford-Strohm disse estar surpreso com a solidariedade recebida, mas conseguiu ressaltar o quanto as ameaças recebidas via web fortalecem o discurso de necessária proteção dos usuários. “Infelizmente, essas ameaças são quase parte da normalidade de ser uma figura pública hoje. A brutalização da comunicação em geral continua sendo um importante problema público".
 
Vários políticos e artistas, por sua vez, já alvo de ameaças por seu empenho com a migração, mostraram solidariedade imediata. A ministra das Relações Exteriores Heiko Maas (Ssp) declarou no Twitter que seria intolerável se a humanidade e a compaixão levassem a ameaças de morte: "Devemos apoiar todos aqueles que são ameaçados por estarem empenhados em nossa sociedade". O político verde Cem Özdemir, por sua vez, condenou as ameaças: “Os radicais de direita tiraram a máscara. Eles fingem defender o Ocidente cristão e ameaçam de morte o bispo? É tudo muito estúpido. Os autores não querem defender os valores humanos, eles os desprezam. Solidariedade com Bedford-Strohm!”. O pianista judeu Igor Levit chamou o presidente do Conselho da Ekd de "pessoa verdadeira, que demonstrou coragem, coração e empatia".
 
Bedford-Strohm afirmou na entrevista que levou as ameaças "não muito a sério", apesar de serem "bastante específicas". Um porta-voz da Ekd confirmou que houve várias ameaças, incluindo uma carta recebida pelo escritório da igreja em 17 de setembro, contendo um pó branco inicialmente desconhecido. O bispo está envolvido há muito tempo em projetos de resgate marítimo. Por iniciativa da Ekd, foi formada a aliança "United 4 Rescue", a fim de enviar seu navio de resgate para o Mediterrâneo. Há anos opera no mare nostrum também o pequeno avião Moonbird, financiado pela Ekd, com o objetivo de monitorar o mar e intervir rapidamente quando necessário, em coordenação com as ONGs presentes.
 
IHU Unisinos
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Em 07 de janeiro de 1890, 130 anos atrás, passou a vigir o Decreto 119-A, que acaba com o regime do padroado e institui a separação Estado/igreja no Brasil.
 
Por quase quatrocentos anos, o Brasil, sob a égide dos seus processos de dominação e colonização, teve no controle e influência estabelecidos pela imposição religiosa, uma verdadeira simbiose entre o poder religioso e a governança, reproduzindo os modelos especialmente Europeus, havendo assim como em diversos outros países, o estabelecimento de verdadeira dominação dos assuntos e espaços do que modernamente chamamos de Estado, pelas imposições advindas também das concepções religiosas, o poder clerical e a igreja.
 
Neste período, vivenciamos desde o estabelecimento de pena capital para judeus, como disposto nos documentos primevos do arcebispado da Bahia de 1707, até a permissão posteriormente, da existência das igrejas protestantes históricas, contudo, sem que demonstrassem seus respectivos templos, considerando que a Constituição Imperial de 1824, permitia o culto doméstico ou particular para outras religiões que não a Católica Apostólica Romana.
 
O ambiente pré-republicano, que dentre todo o seu contexto, trazia em seu bojo a inspiração nos ideais da república americana, contribuiu para o avanço, mesmo antes de nossa primeira constituição republicana, da proposição de instituição da separação Estado/igreja, advinda com o citado Decreto.
 
Tal necessária separação, veio se consolidar em nossa primeira Carta Republicana, permanecendo desde então, sempre insculpida  enquanto princípio.
 
Devemos reconhecer que esta separação por meio de norma, foi e ainda o é, objeto de permanente atenção e embates, para que a observância deste princípio da laicidade, não venha se tornar letra morta.
 
Podemos dizer que a laicidade se constitui numa contínua e ininterrupta luta, para que os interesses das estruturas religiosas ou de atores que as evocam, não venham se apoderar das instâncias estatais, de maneira que se perguntassem se realmente o Brasil é  um Estado laico, responderíamos que sim, mas lembrando que, esta, ao longo do tempo, sempre sofreu ameaças, mesmo o Estado tendo se adequado para sob a necessidade de também atender a outro princípio consagrado no texto constitucional, o da liberdade de crença, instituído um modelo de relação pluriconfessional, baseada na defesa e garantia de direitos do pleno exercício da fé, através da recepção deste direito em suas normas infraconstitucionais, coadunado com a devida separação dos distintos espaços estatais e religiosos.
 
As tensões representadas pelos processos que buscavam manter alguma influência por parte da religião ao Estado, sempre estiveram presentes, tendo adquirido nos últimos trinta e cinco, quarenta anos, novas formas, as quais poderíamos considerar, tem se consolidado, a partir da mudança do panorama religioso nacional, com a diminuição da massa de católicos e crescimento de perspectivas cristãs de confissão evangélica, nos modelos do televangelismo norte-americano, em seu início, mas que ganharam feições e modelos próprios no Brasil, já sendo inclusive exportados.
 
O avanço de setores cristãos evangélicos se consolidou tendo por base uma ânsia por espaços de poder político e econômico, aliado a interesses pessoais, demonstrando almejar uma substituição da influência religiosa católica romana no conjunto da sociedade, por novas versões do cristianismo.
 
Envolto nestes processos, não podemos deixar de expressar que também ao longo do tempo ocorreram influências e ingerências geopolíticas que atuaram junto a setores religiosos com interesses que se sobrepunham as questiúnculas locais, dos atores e grupos, para atuarem e interferirem em níveis e projetos maiores, que em verdade, colaboraram ou fortaleceram interesses comuns.
 
Assim, destacamos neste amplo processo, o indiscutível avanço de setores religiosos junto às instâncias do Estado, a começar pela ocupação de espaços nas esferas legislativas, posteriormente ampliadas para os espaços do poder executivo, com incidência ainda junto às estruturas de justiça, em clara e indiscutível afronta à laicidade.
 
No legislativo, o advento de “bancadas religiosas”; no executivo, alcaides “consagrando suas cidades à Deus” e “expulsando potestades demoníacas”; atuando nos sistemas de justiça, o advento de “associações de juristas evangélicos, católicos, espíritas”, todos com vistas a atuarem no sentido de impor suas crenças e valores a um conjunto social que sequer coaduna com suas respectivas visões de mundo, reinstituindo no país a influência religiosa nos assuntos do Estado.
 
Estes exemplos preocupantes, levaram ao estabelecimento no campo social, de pautas morais, que em verdade se manifestam através do ataque a direitos civis, humanos, constitucionais e legais, de segmentos amplos da sociedade como mulheres, lgbts, indígenas, outros religiosos, como seguidores de matriz africana, ateus, agnósticos, etc, ou seja, uma onda moderna de situações análogas já ocorridas historicamente.
 
A questão nevrálgica é que estas pautas atuais passaram a ser expressas dentro dos espaços estatais, dentre os quais, especialmente no campo legislativo, onde as crenças e “pecados” pertencentes ao universo destes grupos, tentam ser impostas ao conjunto da sociedade como norma geral a todos, algo inadmissível e indiscutivelmente atentatório a um Estado laico.
 
Os resultados eleitorais de 2018, vieram agravar sobremaneira este quadro, na medida que somado a perspectivas de extremo conservadorismo, há a utilização da religião como elemento de liga, de união entre estas forças, aprofundando um discurso e reforçando a adesão as pautas comuns a estes grupos ou lideranças religiosas, assim como no passado, evocando “batalhas espirituais” contra tudo e qualquer coisa que represente pensamento crítico e laico.
 
No ano de 2019, pudemos vislumbrar o estabelecimento, como jamais visto modernamente, de um agravamento deste nefasto quadro de aprofundamento de uma interferência explícita no Estado por parte da religião, onde representantes estatais passam a reverberar sem nenhum constrangimento, discursos “religiosos”, advogando que “a religião a partir deste momento, passaria a ter o espaço que lhe foi negado”, evocando ideologias com viés fundamentalista cristão, baseada em visões de grupos e setores de um cristianismo evangélico que insistem em querer se colocar como porta-voz dos cristãos; algo inconcebível e impossível, mas que ampliam absurdamente sua força, num ápice do que viera sendo construído ao longo do tempo.
 
Ressaltamos que embora haja uma maior expressão da atuação dos que se dizem “evangélicos”, estes não estão sós, pois outros segmentos do cristianismo, especialmente da esfera católica e espírita, tem cerrado fileiras nas mesmas pautas, promovendo um “diálogo” ecumênico em favor do obscurantismo, mas sem perceberem que serão tragados à frente, pela força de uma hegemonia “evangélica”, a qual não admite perspectivas religiosas que não sejam as suas próprias.
 
Assim, se já não bastassem agentes públicos de alto escalão, declararem-se “terrivelmente evangélicos”; outros atacarem a ciência e o pensamento científico; diplomata dizer que “ a liberdade religiosa também precisa incluir a possibilidade de converter aqueles que não têm religião”; ocupante da presidência dizer que “vai colocar no Supremo Tribunal Federal, ministro evangélico”, temos agora, cultos no Palácio do Planalto com centenas de pastores promovendo louvores.
 
Para agravar ainda mais a situação, na esfera internacional, surge um movimento do governo americano, precisamente com os auspícios do ocupante da presidência de lá, denominado “Iniciativa pela Liberdade Religiosa”, que sob uma pregação de defesa de pautas como a denúncia da perseguição a cristãos pelo mundo, defesa da liberdade religiosa, a defesa de valores judaico-cristãos; os quais evocam que seriam os responsáveis pelos avanços no campo dos direitos humanos e dos princípios democráticos; a proteção da família  e seus valores e uma necessária presença religiosa junto aos espaços estatais, já promoveu três grandes encontros com representantes de governos, quando não autoritários, de extrema-direita ou ultraconservadores, realizados na Hungria, Estados Unidos e Colômbia, proposta esta que faz parte de uma agenda geopolítica de ocupação de espaços e difusão de visões pró-conservadoras e de defesa de ideários alinhados as agendas americanas, reproduzindo outras iniciativas e ações historicamente já realizadas com objetivos afins.
 
No Brasil, como “plus” deste movimento, desde agosto de 2019, aqui chegou o “Ministério Capitólio”, proposta que no governo Trump, tem desenvolvido na Casa Branca, reuniões de estudos bíblicos com participação das mais altas autoridades daquele governo, que no Brasil, pretende atuar junto a agentes públicos no sentido de que “as políticas públicas sejam orientadas ou coadunadas com os princípios bíblicos”.
 
Então, para não enveredarmos numa maior discussão sobre o panorama global, que também tem seus desafios com a ampliação de conservadorismos excludentes, neofascistas e até neonazistas em alguns casos, também com a utilização do espectro religioso, mas nos atendo ao Brasil, o quadro de retrocessos civilizatórios está posto, tendo diversos atores, áreas, organismos, sendo atacados, desestruturados, inviabilizados, através de ações distintas, onde por exemplo, a educação, que está sob ataque ferrenho, não só no que tange ao ensino superior, mas também na esfera do ensino fundamental, aliando-se interesses econômicos privados que querem galgar espaços com a diminuição da educação pública com a inclusão de pautas obscurantistas de negação da ciência, da história, da sociologia, da filosofia, da liberdade de cátedra, do método científico e do pensamento crítico, se constituindo num dos cenários onde a utilização destas “pautas religiosas” se coadunam e convergem para interesses outros, se constituindo em uma das ferramentas de atuação para estes fins escusos.
 
Estes mesmos embates foram e estão sendo observados nos ataques aos conselhos e colegiados de participação popular, que orientavam, propunham e atuavam na construção de políticas públicas na esfera nacional, no sentido de diminuir, extinguir ou tolher suas respectivas atuações, quando não aparelha-las, também no campo da televisão pública, agora novamente na educação com relação aos conteúdos dos livros técnicos, dentre outros exemplos.
 
O que nos preocupa é perceber que em muitos espaços, especialmente nas esferas públicas, dos entes públicos, muitos estão achando natural a imposição de discursos, modos, visões, práticas, associações, baseadas nestas influências religiosos, como se estas não fossem atentatórias ao princípio constitucional da laicidade, da separação Estado/igreja, aos princípios democráticos, e isso é perigoso, pois parece estar se estabelecendo no meio social um certo consenso que a religião não pode ser sujeita à crítica, que a ela tudo é permitido, que questionar estas ações e procedimentos ilegais seria ser  “contra Deus”, indagando acusativamente, “quem pode ser contra Deus?”.
 
Também está posto que é continuo este processo de avanço, apropriação do Estado por “influências” religiosas, que se manifesta especialmente através de barganhas políticas, onde os votos dos religiosos promovem a alçada ao poder  de representantes destes ideários, que se retroalimentam continuamente, onde temos como exemplos, além das “bancadas religiosas” nos diversos espaços legislativos, entes dos executivos como prefeituras, comandadas por grupos religiosos, onde uma certa igreja televisiva destas existentes, possui farta influência em mais de 500 prefeituras pelo país afora.
 
Neste sentido, o exemplo da proposição de um novo partido neofascista no país, expressa a clareza desta grave situação, quando vemos a bancada evangélica do Congresso Nacional, vir hipotecar apoio a nova legenda; claro, em troca de ministérios; mas com o compromisso de amealhar 5 milhões de filiados, algo abjeto que demonstra o grau de promiscuidade existente, onde se reproduzem o que antigamente no Nordeste ocorria com os coronéis e seus “currais eleitorais”.
 
Então, vemos que tudo se encaixa, se coaduna, pois quanto mais um povo ignorante, alienado, desinformado, alheio à realidade, sem condições de ter visões críticas, sem pensar, sendo comandados por um “poder divino”, melhor será para os que usam a religião para fins que jamais esta deveria atuar.
 
Assim, quando o Brasil celebrou a separação Estado/igreja, em 07 de janeiro, ao mesmo tempo que percebemos as graves ameaças à laicidade, afora tudo o que foi exposto, através de falas como “Deus acima de tudo”; “a igreja é quem pode salvar o Brasil”; “os pastores tem maior interesse na evangelização de índios”; “vamos ganhar o Brasil pra Jesus”, “a Bíblia e não a Constituição deve nos guiar” ou ainda, “agora é: menino veste azul e menina veste rosa”, temos que redobrar esforços para contrapor a este retorno à difusão de pensamentos tão obtusos, ignorantes e concepções medievais, cônscios que uma sociedade plural e respaldada pelos desejos democráticos, não pode coadunar com visões que desconhecem o outro, através de concepções de mundo e valores excludentes, preconceituosos, que promovem a dissenção, a intolerância, o ódio, que tentam se impor por meio do estabelecimento de uma teocracia velada ou disfarçada de legalidade.
 
Somente um Estado laico e democrático, garante o respeito e o direito de todos e todas a uma existência livre para a diversidade de crenças e convicções.
 
 
Elianildo da Silva Nascimento é advogado, atuou ativamente desde 2003 na construção e formulação das primeiras ações e iniciativas governamentais no âmbito federal junto à então, Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, no campo da promoção dos Direitos Humanos para a diversidade religiosa, tendo como espectro o combate à intolerância religiosa e a defesa da laicidade. Participou da proposição, construção e atuação do extinto Comitê Nacional de Respeito à Diversidade Religiosa – CNRDR, em seus três colegiados, de 2011 à 2019. Atua desde 1991 na organização e coordenação do Encontro da Nova Consciência (Campina Grande/PB). Foi secretário-executivo do Centro de Referência de Direitos Humanos para a Diversidade Religiosa – CRDHDR, desenvolvendo nacionalmente as primeiras ações governamentais de promoção dos DHs para a diversidade religiosa (2009/2011), visitando os estados e organizando atividades, seminários e visitas institucionais para a construção de fóruns e comitês de diversidade religiosa. Esteve no MDH – Ministério dos Direitos Humanos como Consultor do PNUD, junto à Assessoria de Diversidade Religiosa, no desenvolvimento de ações voltadas a estas políticas. Também trabalhou na construção do Comitê Distrital de Diversidade Religiosa – CDDR (DF), coordenando seu primeiro colegiado (2017/2019) e estando na coordenação do atual. Atuou e colaborou na construção e formalização dos Comitês de Diversidade Religiosa de Tocantins e Minas Gerais e diversos fóruns inter-religiosos nos estados. Está envolvido com a United Religions Iniciative – URI desde 1997, na coordenação da URI Brasília desde 2004.
 
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Cremos na pluralidade de ideias. A opinião do autor não necessariamente representa a posição do CONIC