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O Conselho das Igrejas do Oriente Médio (Middle East Council of Churches, MECC), apresentou, no fim de agosto, o novo site da organização: https://www.mecc.org. Com visual moderno, responsivo (adaptável aos dispositivos móveis) e uma navegabilidade bastante amigável, o espaço certamente se tornará um importante ponto de troca de informações relevantes para cristãos e cristãs residentes na região. 
 
O Conselho das Igrejas do Oriente Médio foi fundado em 1974, em Nicósia, e atualmente é sediado em Beirute, Líbano. Tem por objetivo facilitar a convergência das comunidades cristãs do Oriente Médio em temas de comum interesse e favorecer a superação de contraposições de natureza confessional.
 
A seguir, confira a matéria publicada pela Agência Fides:
 
“Em meio aos conflitos de nosso tempo, permanecem os sinais de esperança, e nós, como Igrejas, comunidades e fiéis, homens e mulheres, vemos a esperança e a vida que abrem caminho entre os seres humanos e as sociedades”.
 
Com essas palavras, a professora secretária geral do Conselho de Igrejas (Middle East Council of Churches, MECC), Souraya Bechealany, introduziu a apresentação do novo site (https://www.mecc.org/) desse organismo ecumênico intra-eclesial, indicado como um instrumento voltado a destacar "Espaços de fé e esperança".
 
As páginas que trazem notícias sobre as Igrejas do Oriente Médio e as iniciativas dos quatro departamentos em que o Conselho está articulado, dão testemunho "do belíssimo patrimônio do passado", abrindo-se assim às urgências do tempo presente.
 
A professora Souraya Bechealany, cristã maronita, ensina Teologia na Universidade Saint-Joseph de Beirute. Ela foi eleita secretária-geral do MECC em janeiro de 2018 e, juntamente com seus colaboradores, deu início a um processo de reestruturação dos departamentos do corpo eclesial.

 
Milhares de pessoas foram às ruas de todos os estados neste sábado (7). A 25ª edição do Grito dos Excluídos criticou as ações do atual governo contra a educação pública e a soberania nacional e denunciou o desmatamento na Amazônia. Entidades estudantis como a União Nacional dos Estudantes (UNE) se somaram aos atos na maior parte das capitais, em mais uma edição do chamado Tsunami da Educação.
 
Segundo a Central dos Movimentos Populares (CMP), 132 cidades participaram do Grito. O lema das mobilizações deste ano foi "Este sistema não vale: lutamos por justiça, direitos e liberdade".
 
Para além das denúncias tradicionais, como a desigualdade social, o desemprego e a restrição de direitos à maioria da população brasileira, as manifestações deste ano ganharam o apoio dos estudantes contra os desmontes educacionais.
 
O MEC divulgou esta semana que, em 2020, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) só terá metade do orçamento de 2019. Na proposta de orçamento para o ano que vem, a perda prevista para a pasta é de 9%. "O Estado precisa de ciência e de desenvolvimento para que toda sua população esteja bem, com dignidade", disse a pesquisadora Thamiris Oliveira, da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
 
Nicolas Nascimento, de 20 anos, participou do Grito dos Excluídos pela primeira vez. Para ele, as manifestações precisam barrar a retirada de direitos em curso no país. “Este 7 de setembro é um marco pra eles, que defendem tanto a bandeira do Brasil, mas, na verdade, só querem entregar as riquezas nacionais. O mais importante é, neste momento, a gente se mobilizar contra o governo, que está tirando cada vez mais direitos”, afirmou.
 
Outro assunto abordado na mobilização desse ano foi o desmatamento da Amazônia. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de queimadas na região triplicou em relação a agosto do ano passado, passando de 10.421 em 2018 para 30.901 em 2019.
 
CONIC 
 
A vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), Anita Wright, participou das mobilizações no Espírito Santo. Juntamente com movimentos sociais, representantes das juventudes e religiosos de Cariacica (ES), ela reforçou o coro daqueles e daquelas que, apesar de tudo, insistem em não perder a esperança... #GritoDosExcluídos2019
 
 
Com informações do Brasil de Fato
Foto1: Levante Popular da Juventude
Foto2 (montagem): Acervo pessoal / Anita Wright

 
Membros da Diretoria do CONIC estiveram reunidos em Brasília, no dia 4 de setembro, para um dia de bastante trabalho entre os diretores que saíram e os que chegaram – por ocasião da Assembleia Geral de maio. Um dos pontos da pauta foi justamente este: “Desafios para o CONIC: recomendações da diretoria que sai para a diretoria que chega”.
 
Durante o encontro, houve espaço para uma breve análise da Assembleia Geral, além de uma avaliação acerca dos trabalhos que têm sido tocados pela Secretaria Geral.
 
Outros assuntos tratados foram: parceria CESE e CONIC; superação da violência no Brasil – e como o CONIC pode contribuir; relato da Mesa de Diálogo sobre o Brasil, ocorrida no Conselho Mundial de Igrejas; o CONIC no Sínodo da Amazônia; Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021; planejamento interno e definição de prioridades, entre outros.
 
“Foi um encontro muito positivo, pois conseguimos traçar uma agenda conjunta de trabalho com base naquilo que se define como prioridade para o Conselho”, declarou o tesoureiro Mayrinkellison Peres. “Temos muito trabalho pela frente e, ao mesmo tempo, muita vontade de fazer, juntos e juntas, o melhor dentro da missão que nos foi confiada”, concluiu.

 
Antecipando-se aos 20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação, que se comemora no próximo dia 31 de outubro, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) realizou uma celebração ecumênica dia 4/9, na sede da Comunidade Evangélica de Confissão Luterana em Brasília.
 
Participaram da celebração líderes e representantes das igrejas Presbiteriana Unida, Episcopal Anglicana do Brasil, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Sírian Ortodoxa de Antioquia e Católica Apostólica Romana. O bispo auxiliar do Rio de Janeiro e secretário-geral da CNBB, dom Joel Portella, e o bispo de Cornélio Procópio (PR) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo, dom Manoel João Francisco, estavam presentes.
 
O pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e presidente do CONIC, Inácio Lemke, disse na acolhida que a celebração marca uma data importante que representa avanços para a proximidade entre Igrejas cristãs. Segundo o primeiro vice-presidente da IECLB, pastor Odair Airton Braun, convidado a fazer uma reflexão sobre a leitura do texto bíblico que inspirou a doutrina (Rm 3.21-31), a Declaração Conjunta é apenas um sinal de que quando se senta à mesa e dialoga é possível caminhar juntos e construir a unidade. A declaração conjunta, para ele, é um sinal de esperança. “Justificados em Cristo, é necessário que atuemos para defender a liberdade religiosa”, disse.
 
 
Em sua homilia, dom Joel Portella, disse que o apóstolo Paulo fez oposição entre a lei e a graça. “Se a lei separa, divide e segrega, a graça, traduzida para os dias de hoje como gratuidade, fraterniza, nos junta e nos torna irmãos”, disse. Dom Joel reforçou que a Declaração é um ponto de chegada mas também um ponto de partida a partir do qual é necessário avançar em torno de iniciativas comuns que promovem a unidade entre as igrejas.
 
No momento de ação de graças, várias iniciativas como as Campanhas da Fraternidade ecumênicas, realizadas desde 2000, a Semana de Oração pela Unidade Cristã, o reconhecimento mútuo do Batismo, o Conselho Nacional de Igrejas Cristas, entre outras, foram lembradas.
 
O presidente do CONIC comunicou ao grupo, ao final da celebração, sobre a próxima campanha da fraternidade ecumênica a ser realizada em 2021. Os bispos brasileiros, reunidos em sua 57ª Assembleia Geral, em Aparecida (SP), aprovaram a realização conjunta desta campanha.
 
 
Clique aqui para ver mais fotos.
 
Com informações da CNBB
Foto1: Ed-Cesar Pinto
Foto2: Anita W.
 

 
Uma conjunção de forças populares lotou, nesta quarta-feira (4), o maior auditório da Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), na abertura do Seminário em Defesa da Soberania Nacional e Popular. Organizado pelas Frentes Brasil Popular (FBP) e Povo sem Medo, o evento, com programação durante todo o dia, marca o lançamento da Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional, que congrega múltiplos atores, entre deputados, senadores, partidos políticos, movimentos populares, igrejas, ONG e outras instituições.
 
Com a participação de mais de 300 pessoas, entre elas a vice-presidente do CONIC, Anita Wright (foto acima), o lançamento teve como ponto alto a apresentação de um manifesto coletivo pela soberania nacional. O documento diz que "a nação está de joelhos" e reforça o combate ao neoliberalismo endossado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) e à política externa da gestão, marcada pela aproximação crescente entre Brasil e Estados Unidos, país comandado pelo líder de extrema direita Donald Trump.
 
O manifesto também ressalta a defesa do patrimônio nacional, com destaque para a Amazônia, os bancos públicos e estatais como Petrobras, Eletrobras e Casa da Moeda, hoje na mira do ministro da Economia, Paulo Guedes, e aliados.  
 
“Um Brasil soberano exige a garantia de proteção social à população. É o contrário do que assistimos hoje com a revogação dos direitos trabalhistas, a redução sistemática do salário real e a proposta aprovada pela Câmara dos Deputados que vai destruir o regime público de aposentadoria. Seremos verdadeiramente soberanos com a implementação de políticas públicas que gerem renda e emprego, combatam as desigualdades sociais e regionais e permitam um futuro melhor para toda a nação”, argumentou o ex-senador Roberto Requião, ao ler o documento.
 
Temas como inclusão social, preservação do meio ambiente, autodeterminação dos povos e fortalecimento da democracia também estão entre os interesses traçados pela nova frente, que pretende abraçar uma agenda de atividades junto a estados, municípios, escolas, igrejas e outros espaços para capilarizar o debate sobre os pontos que compõem o roteiro de lutas do grupo.
 
Os participantes também lembraram a valorização dos recursos naturais. Makota Celinha, representante das religiões de matriz africana, destacou que tais elementos ajudam a sustentar a vida do povo brasileiro e se relacionam diretamente com a temática da soberania.
 
“Solo é vida, água é vida, e precisamos compartilhar tudo isso para sermos cidadãos. Defender isso é defender a democracia e um Estado forte. Precisamos organizar a resistência em torno disso. Queremos um país com novos sistemas sociais, onde democracia seja uma realidade, liberdade um direito e equidade um fato”, bradou.
 
Articulação
 
Surgida em meio ao contexto de turbulência política que cerca o governo Bolsonaro, o movimento em defesa da soberania nacional resulta de uma costura que envolve lideranças políticas e populares nacionais do campo progressista.
 
Os presidentes partidários Gleisi Hoffmann (PT) e Carlos Lupi (PDT); o porta-voz nacional da Rede, Pedro Ivo; o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB); e o líder do MTST Guilherme Boulos (Psol) celebraram a iniciativa e sublinharam que a aproximação seria mais um avanço na aglutinação das forças do campo.
 
“Isso é um bom caminho. O que pode mudar o curso da história que estamos vivendo é o povo na rua, e a proposta aqui é que possamos fazer atos nas ruas com o povo em cada uma das 27 unidades da Federação a partir de agora”, complementou o governador do Piauí, Wellington Dias (PT).
 
O lançamento atraiu também atores políticos como o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a ex-senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), petroleiros, professores, além de um leque de entidades que compõem as frentes organizadoras ou atuam como parcerias. Entre elas, estão CUT, FUP, MST, MTST, Cimi, Apib, Fenaj, MAB e MAM.
 
 
Horizonte
 
Como desdobramento do evento desta quarta, as entidades e lideranças envolvidas na Frente Popular e Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional já articulam um calendário de ações para divulgar as pautas que envolvem o movimento.
 
A composição de forças de diferentes matizes políticas que se aglutinam em torno da iniciativa é apontada pelos participantes do seminário desta quarta como o combustível necessário à continuidade da luta popular no Brasil.
 
“Nosso compromisso aqui é o de não perdermos a esperança”, ressaltou Anita Wright, vice-presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
Com informações do Brasil de Fato
Foto1: Divulgação - Jandira Feghali
Foto2: Reprodução da Rede Brasil Atual / Lula Marques

 
2019 foi ano de renovação na diretoria do CONIC. O pastor luterano Inácio Lemke, que era 1° Vice-Presidente na gestão anterior, assumiu a presidência. Além dele, há uma presbiteriana (Anita Sue Wright), um católico (José Bizon), um batista (Mayrinkellison Peres), além da anglicana Magda Guedes. Um time e tanto!
 
Dando continuidade à nossa série de artigos que apresentam cada um dos integrantes da nova diretoria, agora chegou a vez da reverenda Magda: O que ela pensa sobre o ecumenismo? Como foi ou tem sido a caminha dela com o próprio CONIC? Confira!
 
Biografia 
 
Magda Guedes nasceu em Sant’Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, fronteira com Uruguai. É clériga da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) desde 1996. Além da Teologia, a reverenda tem outra graduação: Pedagogia.
 
Foi Capelã da Escola Anglicana em Erechim (RS); desde sua ordenação atuou nas Dioceses anglicanas Sul-Ocidental (1996-2006), Paraná (2007-2010 ) e Brasília (2011 - março 2017). Atualmente reside na Diocese de Pelotas, onde, a partir de abril de 2017, abraçou a função de Pároca em duas Paróquias locais. Em 2018 aceitou outro desafio: a Secretaria Geral da IEAB.
 
O que você pensa sobre o Ecumenismo?
 
Ecumenismo é a oportunidade que temos de caminhar juntos, com outras denominações, sem perdermos a nossa identidade e procurando viver o “que sejamos um, para que o mundo creia” (Jo 17,21).
 
Estou na caminhada ecumênica desde muito cedo, pois iniciai participando de Grupos Ecumênicos ainda na minha juventude, e também coordenei alguns Grupos Regionais do CONIC em cidades onde residi como clériga, a partir do momento em que fui ordenada na IEAB. 
 
E sobre o CONIC?
 
O CONIC é uma instituição de grande importância na vida das igrejas cristãs, pois é o espaço onde podemos trabalhar juntos em diversos e emergentes temas de nossas realidades sociais e eclesiais, buscando sempre ser a voz profética nos diversos segmentos.
 
Já faz algum tempo que tenho caminhado com o CONIC em diversas Comissões e demais trabalhos; por exemplo, fiz parte do Conselho Fiscal até a última Assembleia, em maio deste ano (2019).
 
Fazer parte da atual diretoria é mais um desafio em meu ministério, pois temos o grande compromisso de seguir fortalecendo este Conselho, bem como a continuidade de todos os seus Projetos e Planejamentos.
 
(da esq. para a dir.: Bispa Marinez Bassotto, Rvda. Magda Guedes e Rvda. Dilce de Oliveira)
 
 

 
Quem visse na semana passada um grupo de indígenas dividindo peixes assados em folhas de bananeira numa aldeia à beira do rio Iriri, no sul do Pará, não poderia imaginar que, há algumas décadas, vários dos povos ali presentes viviam em guerra.
 
As rixas do passado – que quase levaram um desses grupos ao extermínio – foram abandonadas em nome de um objetivo maior: lutar contra o que eles consideram ameaças do governo Jair Bolsonaro à Amazônia.
 
A lista de preocupações inclui planos do governo para autorizar o arrendamento e a mineração em terras indígenas e atitudes que estariam incentivando invasões por garimpeiros e madeireiros em seus territórios, além da contaminação de rios locais por agrotóxicos.
 
Espécie de Assembleia Geral da ONU de povos da floresta xinguanos, o encontro que ocorreu na última semana na aldeia Kubenkokre, da Terra Indígena Menkragnoti, dos kayapós, reuniu representantes de 14 etnias indígenas e de quatro reservas ribeirinhas da bacia do Xingu.
 
A região, que ocupa partes do Pará e de Mato Grosso, tem área equivalente à do Rio Grande do Sul e é um dos últimos trechos preservados da Amazônia em sua porção oriental. Dados do boletim Sirad-X, porém, indicam que a região perdeu 68,9 mil hectares de floresta – equivalente à área de Salvador – entre janeiro e junho deste ano. O boletim é produzido pela Rede Xingu+, que organizou a assembleia e agrega 24 organizações ambientalistas e indígenas da região.
 
'Um só inimigo: o governo do Brasil'
 
"Hoje nós temos um só inimigo, que é o governo do Brasil, o presidente do Brasil, e as invasões de não indígenas", diz à BBC News Brasil Mudjire Kayapó, um dos líderes presentes. "Temos brigas internas, mas, para lutar contra este governo, a gente se junta", ele afirma.
 
A organização do encontro envolveu uma logística complexa. Indígenas deixaram suas aldeias rumo às cidades mais próximas, onde foram recolhidos por ônibus fretados.
 
Único veículo jornalístico não indígena a cobrir o evento, a BBC News Brasil iniciou a jornada em Sinop (MT). De lá, foram cerca de sete horas de ônibus pela BR-163 e outras sete numa estrada de terra em mata fechada até a aldeia, que tem cerca de 500 moradores.
 
 
Já no interior da terra indígena, uma vara de porcos-do-mato cruzou a pista à frente do ônibus. Avisados, caçadores kayapós foram ao local na manhã seguinte. Voltaram com três porcos, que acabaram assados e servidos aos visitantes junto com carne de paca.
 
O cardápio também oferecia arroz e feijão, incluídos para atender paladares mais sensíveis, além de peixes pescados no Iriri servidos em folhas de bananeira.
 
Os debates ocorreram na casa dos homens, construção no centro da aldeia, cercada por casas dispostas em um grande círculo. Conhecidas pelas delicadas pinturas corporais, as mulheres da aldeia raramente apareciam no encontro e passavam os dias entre as roças e suas casas – detalhe que gerou uma saia-justa com uma visitante ribeirinha.
 
Missão de paz
 
Povo indígena mais numeroso do Xingu, com cerca de 12 mil integrantes, os kayapós – que se autodenominam mebêngôkre – fizeram questão de sediar o evento, o primeiro encontro da Rede Xingu+, numa aldeia indígena (as três assembleias bienais anteriores foram em cidades).
 
Ao sediar a reunião, eles queriam selar de vez a paz com os vizinhos. "Não vamos repetir o passado, vamos ter união daqui para a frente", discursou Kadkure Kayapó, um dos caciques da aldeia.
 
Um dos resultados do evento foi a criação de um conselho entre as organizações participantes para unificar demandas e agilizar sua articulação política. Os kayapós também buscavam fortalecer alianças com outros grupos num momento em que o próprio povo está dividido.
 
Em duas das quatro terras indígenas da etnia, alguns líderes têm permitido a ação de garimpeiros e madeireiros. A situação é mais grave na Terra Indígena Kayapó, onde os rios Fresco e Branco foram contaminados por mercúrio e desfigurados por balsas e retroescavadeiras usadas pelos garimpeiros.
 
Em julho, uma reportagem da BBC News Brasil mostrou em imagens de satélite o avanço do garimpo na região desde o início do ano.
 
Assédio de garimpeiros
 
Para Doto Takakire, um dos anfitriões do evento, a proposta do governo de liberar a mineração em terras indígenas tornou alguns líderes mais suscetíveis ao assédio de garimpeiros, que oferecem dinheiro em troca da permissão para atuar nos territórios.
 
"Depois que eles (líderes indígenas) pegam o dinheiro fácil, viciam e não querem mais trabalhar. É algo humano: acontece com indígenas e não indígenas", afirma.
 
O garimpo é hoje proibido em terras indígenas. A liberação da atividade, tratada pelo governo Bolsonaro como prioritária, depende da aprovação de uma lei pelo Congresso.
 
Outra causa para o aumento do garimpo, segundo Takakire, foi a diminuição nas multas aplicadas pelo Ibama, órgão responsável por combater crimes ambientais em terras indígenas. Até o meio de agosto, o número de autuações do órgão caiu 30% em relação à média dos últimos três anos para o mesmo período.
 
Em entrevista à BBC, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse que a redução no número de multas não indica um afrouxamento do combate a ilícitos. Segundo Salles, o Ibama tem buscado embasar mais suas autuações para que os infratores não consigam se livrar das cobranças, priorizando a qualidade e não a quantidade de multas.
 
Divisões causadas pelo garimpo
 
Líderes indígenas favoráveis ao garimpo não foram convidados para o encontro, decisão que foi questionada por alguns dos presentes.
 
"Aqui só temos parentes que lutamos pelo meio ambiente, pela terra, pela água, mas não tem nenhum parente que quer o agronegócio ou o garimpo nas aldeias. Vamos ficar só debatendo entre nós?", questionou Oé Kayapó, representante da Associação Floresta Protegida (AFP).
 
Ela cobrou dos participantes convencer os ausentes a abandonar atividades destrutivas. "Vamos continuar brigando pela preservação do território enquanto outros brigam para ter garimpo e arrendamento de terra? Isso nos enfraquece, não dá para continuar assim", afirma.
 
Organizadores disseram que os grupos divergentes não foram convidados para evitar conflitos.
 
Tramitam na Câmara dos Deputados propostas legislativas que permitiriam atividades agropecuárias de larga escala em terras indígenas.
 
Defensores das iniciativas, que também têm o respaldo do governo Bolsonaro, dizem que as medidas buscam garantir melhores condições de vida às comunidades.
 
Já indígenas contrários temem que as medidas abram o caminho para o arrendamento de suas terras para grandes produtores rurais, o que ameaçaria seus modos de vida.
 
Eles debateram no encontro alternativas econômicas ao agronegócio e à mineração. Foram compartilhadas experiências bem-sucedidas e dificuldades de iniciativas que buscam gerar renda sem derrubar a floresta, como o artesanato e o processamento de frutos nativos.
 
Tradução simultânea
 
O encontro, que durou três dias, reuniu etnias com vários idiomas distintos e teve duas línguas oficiais. Todas as falas em kayapó eram traduzidas para o português, e vice-versa.
 
Alguns visitantes compreendiam o kayapó por falarem idiomas do mesmo tronco linguístico, o macro-jê, enquanto os demais recorriam ao português, que a maioria dos grupos fala como segunda língua. Além dos múltiplos idiomas, ouviam-se os cantos de araras domesticadas, que vez ou outra pousavam sobre a casa dos homens.
 
O discurso que causou mais comoção foi feito por Bepto Xikrin, liderança da Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará.
 
Ele contou que, desde o início do ano, cerca de 400 garimpeiros e madeireiros estavam atuando no território. Bepto disse que as comunidades estavam assustadas e não sabiam como agir. De pronto, dois caciques kayapós se levantaram e prometeram enviar guerreiros para expulsar os invasores, recebendo aplausos de todos.
 
Outro momento simbólico foi a apresentação de cantos e danças dos convidados, no último dia. Para a primeira exibição, os kayapós convocaram representantes do povo panará: justamente um dos grupos com que eles guerrearam mais intensamente no passado.
 
Com os corpos pintados de jenipapo, os quatro panarás entoaram um canto gutural, saltando conforme o ritmo. Aplausos calorosos dos kayapós sugeriam que as rivalidades entre os grupos podem ter ficado para trás.
 
'Morreu todo mundo'
 
No relatório que embasou a demarcação da Terra Indígena Panará, a Funai diz que o primeiro embate entre os dois povos ocorreu em 1922, quando os kayapós atacaram uma aldeia panará. Os panarás contra-atacaram no ano seguinte, alimentando um ciclo de revides que se estenderia até 1968, quando um massacre alterou o equilíbrio de forças na região.
 
O antropólogo americano Stephan Schwartzman, que viveu entre os panarás, narrou o episódio num artigo de 1992. Ele diz que, antes do grande ataque de 1968, os kayapós já vinham usando armas de fogo obtidas dos brancos na guerra contra os panarás, que, ainda sem contato com o mundo exterior, respondiam com flechas.
 
Naquele ano, conta Schwartzman, os kayapós "fizeram questão de juntar o maior número possível de armas e munição, inclusive obtendo munição com o missionário que morava com eles na época". Os kayapós subiram o rio Iriri até a aldeia Sonkanasan, dos panarás, incendiando todas as casas e matando 26 pessoas.
 
Uma sobrevivente descreveu a chacina ao antropólogo. "Morreu todo mundo, meu pai e tios... Mataram meu marido... Mataram meu irmão mais velho, Peyati, meu filho Yosuri, meu irmão Kyotiswa, mataram minha mãe... Mataram meu sobrinho Nasu, era menino, mataram Sotare, que era adulto, mataram Kyititu... e o velho Kosu, mataram... Os Txurracamãe (kayapós) massacraram esse pessoal, por isso estou com raiva."
 
Os sobreviventes deixaram a aldeia e se embrenharam na mata. Anos depois, outra tragédia se abateu sobre o grupo quando o território panará foi cortado pela BR-163, uma das estradas com que a ditadura militar pretendia integrar a Amazônia ao resto do país.
 
Para tirá-los do caminho e evitar conflitos ainda mais graves, o governo enviara à região uma missão chefiada pelos irmãos Cláudio e Orlando Villas Boas, que já tinham contatado vários grupos indígenas Brasil afora.
 
Tentativas infrutíferas de contato duraram vários anos, até que, em 1972, enquanto os operários se aproximavam da aldeia panará, uma epidemia de gripe se espalhou pela comunidade. "Morreram tantas pessoas que os sobreviventes não foram suficientes ou não tinham força suficiente para enterrá-las, e os urubus comeram os mortos apodrecendo no chão", narra Schwartzman.
 
Famintos e doentes, os cerca de 200 remanescentes foram levados para o Parque Indígena do Xingu, ao sul. Em 1997, os panarás conseguiram regressar a uma parte de seu território original às margens da BR-163. Desde então, com a demarcação da área, a população do grupo triplicou.
 
Aliança contra os brancos e Bolsonaro
 
Dois líderes panarás presentes disseram à BBC que os conflitos com os kayapós foram superados.
 
"Nós matamos os kayapó, os kayapó nos mataram, nós brigamos com os kayabi, mas não sabíamos ainda o que estava acontecendo sobre o branco, não sabíamos dessa ameaça ainda", diz Sinku Panará em sua língua, traduzido por João Paulo Denófrio, doutorando em Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
 
"Então esfriamos a cabeça, nos reconciliamos, voltamos a conversar uns com os outros e não vamos mais brigar. Porque existe um interesse comum para que lutemos juntos, para que os não indígenas não matem a todos nós", ele afirma. Sinku diz que a vitória de Bolsonaro encorajou uma aproximação ainda maior entre grupos indígenas que eram inimigos.
 
"Os outros presidentes tinham uma preocupação um pouco maior com as nossas terras (...). Este que chegou agora (Bolsonaro), ele não está preocupado com isso, ele está preocupado em acabar com o que a gente tem e acabar com a gente. Por isso estou com o coração cheio, por isso estamos conversando uns com os outros."
 
Sinku diz estar preocupado "com as árvores, com a água, com o peixe, com os não indígenas que querem entrar na nossa terra em busca dessas coisas". "Não quero estragar a água com garimpo, com mineração, não quero matar os peixes. Por isso que vim aqui: para fazer esta fala."
 
Vários outros líderes expressaram receios semelhantes. Grupos que habitam áreas no sul da bacia, em Mato Grosso, disseram temer a contaminação dos rios por agrotóxicos usados em fazendas vizinhas.
 
"A soja está muito em cima do nosso limite (territorial)", diz Winti Khisetje, um dos líderes da Terra Indígena Wawi. Ele diz que têm aumentado os casos de gripe, febre e coceiras na comunidade, o que ele atribui a agrotóxicos aplicados na região.
 
Segundo a ONG Greenpeace, nos sete primeiros meses de 2019, o Ministério da Agricultura liberou 290 novos tipos de agrotóxico. É o número mais alto para este período do ano em pelo menos uma década.
 
O Ministério da Agricultura diz que a liberação de mais agrotóxicos não tem provocado aumento no consumo. "Com a liberação de mais moléculas, o produtor vem usando menos, porque está usando produtos melhores", disse em julho a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.
 
Tema que dominou o noticiário nacional na semana do encontro, as queimadas na Amazônia não estiveram entre os assuntos principais do evento - em parte porque a maioria dos incêndios na região tem ocorrido fora de terras indígenas e reservas extrativistas. Nessas áreas, as matas estão mais preservadas e, portanto, menos sujeitas à expansão do fogo.
 
Indígenas e ribeirinhos
 
O encontro também serviu para aproximar os kayapós e os demais indígenas xinguanos de outra população com que se estranhavam no passado: os ribeirinhos.
 
Uma das representantes do grupo era a pescadora Rita Cavalcante da Silva, de 47 anos, que visitava uma terra indígena pela primeira vez.
 
"Eu imaginava, mas não tinha dimensão do que era realmente uma terra indígena. É muito bonito, muito organizado, muito tradicional", ela disse à BBC.
 
Moradora das margens do lago formado pela hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA), Silva afirmou que ribeirinhos e indígenas têm culturas parecidas.
 
"Vivemos do rio, temos aquele contato com a terra, necessitamos de estar na terra, sobrevivemos do peixe, da mata. Isso criou vínculos fortes entre as duas populações", afirma.
 
Outra ribeirinha presente, Liliane Ferreira, 26 anos, da Reserva Extrativista Rio Iriri, diz que temia indígenas na infância.
 
Como muitos ribeirinhos, Ferreira tem sangue nordestino, bisneta de maranhenses que migraram para a Amazônia para trabalhar como seringueiros. Ela diz ter crescido ouvindo a avó contar histórias de índios que raptavam mulheres e crianças ribeirinhas.
 
"Uma vez ela estava caçando tatu e tentaram pegar ela", conta Ferreira. "Quando diziam 'tem índio solto aí', eu ficava com medo."
 
Ela afirma que a desconfiança se dissipou conforme passou a lutar ao lado de indígenas por causas comuns. Mas isso não a impediu de cutucar os anfitriões kayapós ao notar a fraca presença feminina no encontro.
 
"Eu perguntei: 'vem cá, por que suas mulheres não participam das reuniões?' Eles disseram que não pode, que só pode se os maridos permitirem. Achei curioso, porque, entre os ribeirinhos, nós estamos lá metidas no meio, não queremos sair da frente", diz Ferreira.
 
No fim do evento, quando os kayapós convocaram os demais participantes a se agrupar para gravar um vídeo, Ferreira titubeou. Primeiro ficou dentro da casa dos homens, até ser chamada insistentemente pelos indígenas e outros ribeirinhos.
 
No fim, juntou-se ao grupo e até acompanhou a dança kayapó na festa de encerramento, que se esticaria até tarde da noite, agora com forró nordestino do repertório ribeirinho.
 
Fonte: BBC Brasil
Fotos: Reprodução (Lucas Landau/Rede Xingu)

 
A Christian Aid realiza, nos dias 5 e 6 de setembro, um seminário que debaterá o tema “Injustiças e Desigualdades no Brasil Hoje: desafios teológicos e respostas de fé”. A ideia do evento não é só abordar os problemas, mas também pensar alternativas que nascem com movimentos sociais, teólogos e teólogas.
 
A seguir, leia o release da Christina Aid na íntegra:
 
Injustiças e Desigualdades no Brasil Hoje: desafios teológicos e respostas de fé
 
As queimadas recentes na Amazônia escancararam para o mundo as atrocidades sendo cometidas no Brasil hoje. Conflitos ambientais, ataques aos defensores de direitos humanos, aumento da violência e da desigualdade serão temas abordados no seminário “Injustiças e desigualdades no Brasil hoje: desafios teológicos e respostas de fé” nos próximos dias 5 e 6 de setembro em São Paulo. Organizado pela Christian Aid , o evento será um espaço de debate movimentos sociais e teologos para buscar  inovadoras respostas ecumênicas ao retrocesso de direitos e controle dos recursos naturais no Brasil. 
 
Este encontro é parte de uma iniciativa para reforçar o trabalho das organizações baseadas na fé em sua atuação pela justiça social, pensando em qual teologia apoia uma ação frente as desigualdades no país. No dia 5 de setembro, Dia da Amazônia, receberemos representantes da Rede Pan-Amazônica (REPAM), do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e da Open Society Foundation, para debater com a teóloga da Christian Aid Nancy Cardoso sobre as respostas proféticas diante da crescente injustiça e desigualdades.
 
No dia 6 de setembro, nomes como o do Pastor Ricardo Gondim, Fabio Py, Yuri Orozco, Fellipe dos Anjos, Bianca Daebs, representantes do CONIC, Frente dos Evangelicos pelo Estado de Direito, MAB, MST, SOF, Koinonia estarão em dialogando sobre acesso à água, território e recursos naturais, violência e autoritarismo, agregando as perspectivas dos movimentos às respostas teológicas atuais. 
 
O encontro é aberto ao público, mediante inscrições prévias, e acontecerá na Paróquia Santíssima Trindade - IEAB (Praça Olavo Bilac, 63 - Campos Elíseos).
 
Confira a programação completa e faça sua inscrição no link abaixo. 
 
 
Christian Aid é a agência oficial de 41 igrejas protestantes do Reino Unido e na Irlanda, que acredita que o mundo pode mudar para um mundo sem pobreza e desigualdades. Na América Latina, apoia iniciativas como desenvolvimento sustentável, justiça de gênero e direitos dos povos indígenas.

 
Com uma carta aberta para a toda sociedade em que convocam a todos para a sintonia com o Sínodo e o cuidado com a Amazônia, termina o encontro dos bispos e lideranças da Igreja da Amazônia. Realizado no Centro de Espiritualidade Monte Tabor, da Arquidiocese de Belém, o evento teve como objetivo o estudo e preparação dos padres sinodais para a grande assembleia em outubro, no Vaticano. Cerca de 120 pessoas, entre padres, bispos, leigas e leigos e religiosos estiveram no encontro que começou na última quarta-feira (28).
 
Coordenado pelo Cardeal Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal Especial para Amazônia/CEA da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB, da Rede Eclesial e relator nomeado para o Sínodo, juntamente com Dom Davi Martinez de Aguirre Guiné, bispo de Puerto Maldonado, no Peru, e Padre Michael Czerny, subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados para o Serviço de Desenvolvimento Integral Humano do Vaticano, nomeados secretários do Sínodo para a Amazônia, as atividades ao longo dos três dias oportunizaram aos participantes o estudo do Documento de Trabalho do Sínodo por meio de palestras, orações e grupos de trabalho.
 
Ao final da atividade, Dom Alberto Taveira, arcebispo metropolitano de Belém, agradeceu a todos a participação na atividade. O Cardeal Cláudio Hummes lembrou os bispos do compromisso e responsabilidade que têm na assembleia em Roma, em outubro. “Vamos com coragem e paixão”, afirmou o Cardeal. Dom Mário Antônio, vice-presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lembrou os participantes sobre a essência do Sínodo: “Quando se quer chegar rápido, se anda sozinho. Quando se quer chegar longe, vamos juntos”, destacou Dom Mário. E completou: “Que o pós-Sínodo seja Amazônico e grandioso, não pelo tamanho, mas pela intensidade e profundidade”, finalizou.
 
Sobre o encontro
 
Para Dom Zenildo Pereira, da Prelazia de Borba/AM, a atividade possibilitou o encontro e o reencontro dos pastores e lideranças de toda a Amazônia brasileira, numa celebração e comunhão de tudo o que foi realizado na caminhada em preparação ao Sínodo. “Os sonhos, as angústias e as urgências pastorais para, à luz do Espírito Santo, encontrar caminhos novos para isso”, disse Dom Zenildo avaliando positivamente a atividade de Belém.
 
A atividade de estudos foi a última oportunidade de encontro da Igreja da Amazônia antes do Sínodo, em outubro. Para Dom Antônio de Assis, bispo auxiliar de Belém, foi uma atividade muito fraterna, profunda, num clima de grande liberdade, de sinceridade, de autenticidades na apresentação dos diversos temas que envolve a vida pastoral da Igreja. “Nós não tomamos decisões, foi uma experiência de discernimento, de apresentação de diversos horizontes e preocupações e eu creio que nós ganhamos com esse processo de crescimento, de estudo, de envolvimento e de maior convicção sobre a necessidade desse evento tão importante”, destacou Dom Antônio sobre a preparação para o Sínodo.
 
Dom Sebastião Lima Duarte, bispo de Caxias/MA lembrou da particularidade do encontro de Belém, que antecipa a ida dos padres sinodais para Roma. “Foi um momento bom para nos debruçarmos sobre o Documento de Trabalho, diferente do que estávamos fazendo nas dioceses e prelazias, com uma leitura coletiva e a possibilidade de trocas de ideias e de afunilar as propostas para levarmos ao Sínodo”, pontuou o bispo de Caxias/MA.
 
Lideranças leigas, religiosas e padres também participaram do encontro. Margarida Chaves, das pastorais sociais da diocese de Imperatriz/MA esteve na atividade e destacou a importância da voz do povo junto aos bispos nesse último momento de preparação, antes do Sínodo. “As nossas propostas, de fato, vão para o Sínodo e esperamos que os bispos discutam sobre elas. O Sínodo vai trazer, sim, novos horizontes para o nosso trabalho pastoral, principalmente considerando a questão da ecologia integral, da participação das mulheres e o reconhecimento dos povos indígenas enquanto atores da própria caminhada pastoral”, enfatizou Margarida.
 
O pastor luterano Inácio Lemke, presidente do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), participou de todo o encontro. Para ele, pensar a Amazônia e o processo de evangelização no território é algo que precisa ser feito coletivamente. “O CONIC espera que se firme mais ainda esse compromisso ecumênico na região”, destacou o pastor sobre a expectativa em relação aos resultados do Sínodo para a Amazônia.
 
Compromisso reafirmado
 
Na carta elaborada pelos participantes do encontro, bispos e lideranças reafirmaram o compromisso com a defesa e cuidado com a vida dos povos e de toda a floresta. “Defendemos vigorosamente a Amazônia, que abrange quase 60% do nosso Brasil. A soberania brasileira sobre essa parte da Amazônia é para nós inquestionável”, afirmam na carta.
 
No texto, há também uma manifestação da preocupação da Igreja para com a degradação do meio ambiente. “Ficamos angustiados e denunciamos o envenenamento de rios e lagos, a poluição do ar pela fumaça que causa perigosa intoxicação, especialmente das crianças, a pesca predatória, a invasão de terras indígenas por mineradoras, garimpos e madeireiras, o comércio ilegal de produtos da biodiversidade”, denunciam na carta.
 
 
Fonte: Repam
Foto: Reprodução

 
O que cem anos atrás parecia algo impensável na Irlanda do Norte poderá se tornar realidade em pouco tempo: o número de católicos deve ultrapassar o de protestantes em 2021. Historicamente, os católicos lutaram pela independência da Irlanda, enquanto os protestantes – a maior parte presbiterianos – se congregaram no norte da ilha, optando por manter os laços com o Reino Unido.
 
Segundo o último censo, realizado em 2011, os protestantes superavam os católicos em 3%. Os números mais recentes mostram que em todas as faixas etárias os católicos superam os protestantes, exceto entre os maiores de 60 anos. Já entre as crianças em idade escolar, a diferença é maior: 51% delas são católicas e 37% protestantes.
 
Segundo o doutor Paul Nolan, que estuda tendências sociais da Irlanda do Norte, isso não significa que o país deva se preparar para novos anseios de independência do Reino Unido. As disputas religiosas foram, por muito tempo, parte da história da Irlanda do Norte, que incluíram enfrentamentos entre católicos e protestantes entre as décadas de 1960 e 1990.
 
CONIC com agências
Foto: Catedral de São Patrício, Irlanda do Norte