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Patriarcas cristãos tiveram um encontro, no início deste mês de agosto, no Mosteiro Mor Aphrem, em Maaret Saidnaya, zona rural de Damasco. Uma das igrejas-membro do CONIC, a Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA), esteve representada na atividade.
 
Ao fim do encontro, foi emitida uma declaração:
 
Declaração do Encontro dos Chefes das Igrejas Cristãs 
 
Após o convite de Sua Santidade Mor Inácio Aphrem II, Patriarca de Antioquia e todo o Oriente e Supremo Chefe da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, e com a participação de suas Beatitudes Patriarca João X, Patriarca Ortodoxo Grego de Antioquia e Todo o Oriente, e Patriarca Joseph Absi Patriarca católico-melquita de Antioquia e todo o Oriente, Alexandria e Jerusalém, os chefes das igrejas cristãs de Damasco reuniram-se no mosteiro de Mor Aphrem em Maarat Saydnaya - Síria, na presença de Sua Eminência Cardeal Mario Zenari, Núncio Apostólico em Síria. 
 
Os padres presentes discutiram a situação geral na região e os efeitos dos últimos anos de crise sobre os povos da região em geral, e os cristãos em particular cujo número está diminuindo em um ritmo alarmante devido à migração. 
 
Os cristãos são um componente essencial dos tecidos nacionais da região. Ao longo dos séculos, eles mantiveram presença contínua e desempenharam um modelo de cidadãos ativos que observam plenamente seus deveres e responsabilidades. Os participantes afirmaram a necessidade de permanecerem firmemente ligados à terra dos antepassados, apesar das terríveis circunstâncias, para que permaneçam o sal desta terra e sua luz. 
 
Eles rezaram pelo retorno seguro dos dois arcebispos raptados de Aleppo: Boulos Yaziji e Mor Gregorius Youhanna Ibrahim. No que diz respeito à situação na Síria, os pais aclamaram a vitória da liderança, do exército e do povo da Síria sobre o terrorismo, que visa enfraquecer e dividir a Síria; eles enfatizaram a unidade do povo sírio e sua solidariedade com seu estado e suas instituições legítimas. 
 
Destacaram a importância da participação de todos os componentes do povo sírio na elaboração de uma visão comum para o futuro de seu país, dentro de um Estado estabelecido sobre os fundamentos da democracia, o Estado de Direito, a cidadania igual e o respeito à diversidade. 
 
Eles também enfatizaram a unidade da Síria, seu povo e sua integridade territorial, do Golã Sírio à Jazira Síria. Sua Santidade, Bem-aventuranças e Eminências parabenizaram seus irmãos e irmãs muçulmanos por ocasião do Eid Al-Adha, e oraram pela paz na Síria para que todos os cidadãos sírios vivam em paz, segurança e prosperidade.
 
 
Fotos: ISOA

 
O dia 20 de fevereiro foi instituído pela ONU como o Dia Mundial da Justiça Social. A instituição da data tem como objetivo reconhecer e consolidar os esforços no domínio da erradicação da pobreza e no que se refere a promover o pleno emprego e o trabalho digno, a igualdade de gênero e o acesso ao bem-estar social e à justiça para todos. A campanha Renovar Nosso Mundo tem como fundamento bíblico viver na justiça e procurar a justiça. Acreditamos que é preciso renovar o jeito do mundo funcionar para que nenhuma pessoa mais seja oprimida pela pobreza. É preciso renovar a criação para que ela continue a cuidar da gente e renovar a esperança de cada pessoa para que elas também possam ter o suficiente.
 
Confira, a seguir, o artigo do pastor Elben César sobre a atuação profética de Amós – o agropecuarista que abriu o verbo contra a injustiça social praticada em Israel. Suas denúncias são precisas e frontais.
 
Agropecuarista põe a boca no trombone
 
Na metade do século sétimo antes de Cristo, um agropecuarista chamado Amós, nascido perto da cidade de Belém, abriu o verbo contra a berrante injustiça social que era praticada em Israel na época do rei Jeroboão (do ano 793 a 753 a.C.). Suas denúncias são precisas e frontais:
 
Vocês “vendem por prata o justo, e por um par de sandálias o pobre” (Am 2.6).1 Em outras palavras: Vocês recebem dinheiro por fora (suborno) para condenar o inocente e estão vendendo os pobres como escravos por não terem eles como pagar a dívida irrisória (“um par de sandálias”).
 
Vocês “pisam a cabeça dos necessitados como pisam o pó da terra, e negam a justiça ao oprimido” (Am 2.7).
 
Vocês “não sabem agir com retidão” e “acumulam em seus palácios o que roubaram e saquearam” (Am 3.10).
 
“Vocês estão transformando o direito em amargura e atirando a justiça ao chão” (Am 5.7). Em outras palavras: Vocês estão corrompendo os tribunais, transformando-os em instrumento da injustiça.
 
“Vocês odeiam aquele que defende a justiça no tribunal e detestam aquele que fala a verdade” (Am 5.10). Em outras palavras: Vocês não se conformam com o trabalho dos reformadores sociais nem com o testemunho daquele que não faz uso da mentira.
 
“Vocês oprimem o pobre e o forçam a dar-lhes o trigo” (Am 5.11). Em outras palavras: Vocês fazem o que Faraó fez com seus pais — retiram dos trabalhadores braçais certos benefícios e exigem a mesma produção (Êx 5.6-9).
 
“Vocês oprimem o justo, recebem suborno e impedem que se faça justiça ao pobre nos tribunais” (Am 5.12). Em outras palavras: Vocês mesmos não praticam justiça nem deixam praticar aqueles que gostariam de fazê-lo (Mt 23.13).
 
“Vocês bebem vinho em grandes taças e se ungem com os mais finos óleos, mas não se entristecem com a ruína de José” (Am 6.6). Em outras palavras: Vocês usufruem do bom e do melhor, têm cada vez mais, e os outros passam fome e têm cada vez menos.
 
“Vocês transformaram o direito em veneno, e o fruto da justiça em amargura” (Am 6.12). Em outras palavras: Vocês estão de tal modo corrompidos que são capazes de fazer coisas absurdas, como lavrar os rochedos com uma junta de bois e transformar o fruto da justiça (paz, tranquilidade e confiança, segundo Isaías 32.17) em amargura. É o mesmo que transformar pão em pedra, vinho em água, ovo em serpente, santidade em perversão.
 
Vocês comercializam o trigo, “diminuindo a medida, aumentando o preço, enganando com balanças desonestas e… vendendo até palha com o trigo” (Am 8.5,6).
 
 
Nota: Conteúdo publicado originalmente na Revista Ultimato,
sob o título “Agropecuarista põe a boca no trombone”.
 
Foto: Reprodução

 
O governo da Suíça soa seu alerta diante da situação de direitos humanos no Brasil. Durante o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, diplomatas de Berna incluíram o caso brasileiro numa lista de países que mereceriam atenção. 
 
“Pedimos ao governo brasileiro reconhecer o papel positivo das organizações não-governamentais na proteção dos direitos humanos e a se engajar pelos direitos das minorias, em especial dos povos indígenas da Amazônia”, declarou a delegação suíça diante da plenária da ONU. 
 
Além do Brasil, os diplomatas de Berna também citaram situações preocupantes no Mali, Chade e Vietnã. 
 
O alerta vem em um momento em que diversas ongs e entidades internacionais apontam para os riscos de decisões do governo brasileiro relacionadas aos direitos humanos. 
 
A decisão do governo suíço em destacar o Brasil na ONU ainda ocorre semanas depois que o país recebeu o cacique Raoní. Em sua passagem por Genebra, o líder indígena brasileiro apelou para que as autoridades estrangeiras, entre elas a Suíça, pressionassem o governo brasileiro a garantir a proteção aos povos autóctones e à floresta.  
 
Ao longo dos últimos seis meses, a cidade de Genebra se transformou ainda em um ponto incontornável de ativistas, defensores de direitos humanos e ambientalistas brasileiros, preocupados com decisões tomadas pelo governo de Jair Bolsonaro.
 
Tortura
 
Outro suíço que está preocupado com a situação brasileira é Nils Melzer, atual relator especial da ONU para o combate à tortura. 
 
Nesta semana, em entrevista a swissinfo, ele cobrou o estado brasileiro diante da decisão do presidente Bolsonaro de exonerar os onze integrantes do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura.
 
O grupo criado em 2013 pelo governo federal tinha como objetivo monitorar violações de direitos humanos e prevenir a prática de tortura em instituições como penitenciárias. Sua criação responde a uma obrigação do estado brasileiro diante dos compromissos internacionais que assumiu. De acordo com o novo decreto do governo, porém, o grupo agora passa a ser formado apenas por participantes não remunerados, o que na prática desmonta a capacidade de atuação e a independência do órgão.
 
“O que estou muito preocupado é com a retirada de recursos do Mecanismo de Prevenção da Tortura. Formalmente, isso ainda existe. Mas, ao retirar recursos num país da dimensão do Brasil, significa que não se pode trabalhar“, diz Melzer, que é professor de Direito Internacional na Universidade de Glasgow e chefe da Cátedra de Direitos Humanos na Geneva Academy of International Humanitarian Law and Human Rights. Ele também foi um dos delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. 
 
Segundo ele, relatores que já ocuparam o seu cargo no passado estiveram no Brasil e relataram situações alarmantes no que se refere à tortura nas prisões e maus-tratos. “Isso é ainda é parte do país hoje. Não vejo nenhuma indicação que não seja parte”. 
 
“Se você quer que a prevenção à tortura funcione, você precisa de um mecanismo bem financiado, independente e nacional”, disse Melzer. “Sem monitoramento, essa prevenção não funciona", insistiu. 
 
“Na prática, se não houver um controle, é como se o limite de velocidade fosse retirado das estradas”, explicou. “O que ocorre? Cada um vai dirigir em sua própria velocidade. Portanto, se não se tem monitoramento do combate a tortura, você terá a tortura, já que haverá impunidade”, alertou.
 
Melzer reconheceu que o conjunto de transformações adotadas no Brasil no setor de direitos humanos está levando a uma “mudança de paradigmas”. Para ele, ao esvaziar o mecanismo de combater à tortura, o Brasil revela que não está “levando  a questão do combate à tortura como algo simples”. 
 
Nas diferentes reuniões da ONU, o governo brasileiro tem insistido que seu compromisso com os direitos humanos se mantém intacto e, prova disso, é que o país é candidato para um novo mandato de dois anos no Conselho de Direitos Humanos da entidade.
 
A eleição ocorre em outubro, em Nova Iorque. 
 
Fonte: swissinfo.ch
Foto: Reprodução (Keystone / Sebastiao Moreira)

 
No período de 1º de setembro a 4 de outubro, cristãos de todo o mundo se unem para orar e cuidar da criação de Deus. Denominado de Tempo da Criação, essa comemoração global teve início em 1989, com o reconhecimento do Dia de Oração pela Criação, celebrado em 1º de setembro.
 
O Tempo da Criação é um convite a todos os cristãos para celebrarem a boa dádiva da criação, reconhecendo que ela foi entregue às pessoas como um presente, juntamente com a responsabilidade de proteger toda a biodiversidade da Terra. Neste período, a comunidade cristã é chamada a refletir sobre como habitar o planeta de forma mais sustentável e fazer ouvir sua voz na esfera pública.
 
No Brasil, a iniciativa é promovida pela campanha Renovar Nosso Mundo, em parceria com várias organizações, denominações e igrejas cristãs. A intenção é alcançar o maior número possível de igrejas evangélicas. Existem diversas formas de se envolver: organizar um culto temático, promover um tempo de oração ao ar livre, participar em alguma campanha, reunir um grupo para fazer a limpeza de um local público, adotar hábitos sustentáveis, compartilhar nas redes sociais os cartões de oração e os desafios diários preparados para o Tempo da Criação, entre outros.
 
Todas as orientações, recursos e ferramentas da campanha, com link para download, estão no Guia de Celebração, que oferece sugestões de liturgias, orientações sobre como organizar um tempo de oração, dicas de hinos, músicas e poemas, e uma tabela com textos bíblicos para criação de sermões, tudo voltado para a temática da criação. Também há um Guia Infantil, com conteúdo adaptado para trabalhar com crianças. (Acesse o Guia em anexo.)
 
O tema de 2019 é “A teia de vida: a biodiversidade como bênção de Deus”, baseando em Gênesis 9:12-13: “Deus disse: ‘Eis o sinal da aliança que eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras. Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre mim e a terra’.” De acordo com o comitê gestor do Tempo da Criação, esse tema foi escolhido porque ajuda a refletir sobre dois fatores essenciais acerca da criação: ela vem de Deus e a igreja tem um papel a desempenhar nela.
 
Por que proteger a biodiversidade
 
Hoje, a ação e o estilo de vida humanos estão destruindo a criação de Deus em um ritmo nunca visto antes. Houve um declínio de 60% nas populações selvagens em todo o mundo entre 1970 e 2014, de acordo com o Living Planet Report 2018. As razões são diversas: desmatamento, destruição de habitats, mudanças climáticas e poluição do solo, da água e do ar, incluindo a poluição de plástico nos oceanos.
 
O testemunho bíblico nos mostra que a teia de vida – isto é, a biodiversidade – não importa apenas porque o bem-estar humano depende de ecossistemas estáveis e dos serviços que estes têm a nos oferecer, tais como água limpa, alimentos, oxigênio, roupas e controle climático, além de todos os “recursos” que usamos da natureza. A biodiversidade importa porque Deus dá valor a cada espécie criada e por uma questão de justiça. São os grupos mais pobres que mais dependem da saúde dos ecossistemas, e são eles os mais gravemente afetados pela degradação dos sistemas naturais que sustentam a vida.
 
Para mais informações, clique aqui.
 
Fonte: IECLB
Imagem: Reprodução

 
No mês de maio, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) ganhou uma nova diretoria que, pela primeira vez, passou a contar com a presença de um batista: Mayrinkellison Peres Wanderley. Paraibano com orgulho, ligado à Aliança de Batistas do Brasil, ele agora ocupa a tesouraria do Conselho.
 
Formação
 
Teólogo e mestre em Missiologia, Wanderley também tem formação em História e é bacharel em Direito. Além disso, possui especializações nas áreas de Direito Societário, Direito da Saúde e Gestão de Pessoas. Atualmente, encontra-se como mestrando em Direito da Regulação pela Fundação Getúlio Vargas e é professor de Ensino Religioso na rede estadual de educação do Rio de Janeiro.
 
Pastor batista desde 1999, o novo tesoureiro já atuou como coordenador de missões da Junta de Missões Mundiais da Convenção Batista Brasileira (2006-2013) e presidiu a Convenção Batista Norte-Rio-Grandense (1999-2006).
 
A seguir, confira a entrevista que fizemos com ele.
 
Pra você, o que é ecumenismo?
 
É a essência da religiosidade, a porta da tolerância e o desafio dos seres humanos em conviver com a espiritualidade de cada um de forma respeitosa. Deus é, em sua essência, plural. A divindade nos brinda com a diversidade para que possamos superar nossas diferenças pelo amor ao próximo, à natureza e a Deus. 
 
Como vê o papel do CONIC no fomento do diálogo entre igrejas cristãs?
 
Como braço do Conselho Mundial de Igrejas, o CONIC tem um papel preponderante na difusão da abertura de diálogo entre as religiões naquilo que mais intriga o ser humano: sua experiência com o Divino. A experiência espiritual é praticamente inata, e dentro de diferentes perspectivas religiosas, há que se ter um espaço para a conexão, a conversa, o despir-se da arbitrariedade de uma religião voltada para si mesma para a aprendizagem com o que é diferente. O CONIC é a expressão da alteridade.
 
Como você recebeu a sua eleição para a Diretoria do CONIC?
 
Com muita responsabilidade e temor pude representar a Aliança de Batistas do Brasil na Diretoria do CONIC. Por ser uma organização que tem conexões internacionais, o dever de mordomia deve ser redobrado e a prestação de contas deve ser não apenas ao próprio CONIC, mas a todos os que interagem no ambiente ecumênico.
 
Qual é, na sua opinião, o maior desafio do movimento ecumênico hoje?
 
Vencer a barreira entre os próprios cristãos. No momento, vemos cristãos que não se entendem dentro de uma mesma denominação. O pós-denominacionalismo não veio com roupagem de pluralidade, mas como isolamento de grupos que se sentem donos da verdade. Sem o reconhecimento verdadeiro e sincero de que somos diferentes e, mesmo assim, precisamos andar juntos, o simples discurso de que aceitamos o outro não passa de cinismo. É reconhecendo as diferenças que o ecumenismo cresce, não procurando não vê-las.
 
E para o CONIC, quais são os desafios que você vislumbra... e quais são as esperanças?
 
Vivemos tempos de intolerância em todos os níveis da sociedade: na família, no trabalho, nas organizações sociais, na política, no país. Não seria diferente no ambiente religioso. Aparentemente, o maior desafio é vencer os problemas domésticos. Dentre as igrejas-membro do CONIC deve haver um profundo e intencional trabalho de horizontalização das relações no sentido de diálogos e mais diálogos superarem diferenças seculares. Temas como a hospitalidade eucarística e o rebatismo devem ser revisitados, pois voltam à tona em algumas igrejas um fundamentalismo que não é saudável para o movimento ecumênico. Por outro lado, acredito que em tempos difíceis como o atual, aqueles que estão verdadeiramente comprometidos com a causa ecumênica, antes fragmentados em várias igrejas, tendem a encontrar-se e somar forças por um bem comum.
 
Gostaria de acrescentar algo? Falar mais de você?
 
Sou casado e tenho um filho. Sou atualmente advogado e frequento no Rio de Janeiro a Igreja da Praia, que está em fase de revitalização. Minha vida cristã começou em lar plural: pai kardecista e mãe católica, aos 14 anos visitei uma Igreja Batista, quando decidi seguir o Evangelho. A partir daí, toda a vida foi envolvida com o trabalho missionário. Pelas visitas a diversos países, pude constatar que a diferença é a essência da vida. Desde as comunidades isoladas na Mongólia, até as tribos de pigmeus e os grupos andinos na América Latina, reconhecer que meus irmãos são diferentes e ao mesmo tempo pó do mesmo chão me ajudou a encarar a vida de outra forma: há muitas visões de mundo, mas somos todos moradores dessa grande casa comum, que é nosso planeta.
 

 
Julián Carrillo (foto acima) sabia que seria assassinado. Como seu cunhado, Santiago. E seu genro, Julián. Também como seus sobrinhos, Guadalupe e Alberto, e seu filho Víctor, que viu ser morto a tiros. Era só uma questão de tempo. Em dezembro de 2017, um grupo armado colocou fogo em sua casa. Conseguiu sair vivo, mas um ano depois não conseguiu escapar ao seu destino: foi abatido por um grupo de homens com armas de alto calibre, como se fosse um criminoso perigoso.
 
Mas o crime cometido por Carrillo e os cinco membros de sua família assassinados em dois anos no território indígena de Coloradas de la Virgen (Chihuahua, no norte do México) foi proteger as florestas da Sierra Madre. Protegê-las das novas concessões de mineração autorizadas pelo Governo; do corte ilegal de árvores e do crime organizado, que se apropria do território para plantar cannabis ou papoula.
 
Carrillo foi um dos 14 defensores da terra assassinados no país norte-americano no ano passado, de acordo com o último relatório da organização ambientalista Global Witness. O número revela que a situação quase não melhorou em relação ao ano anterior, quando 15 ativistas morreram. Também demonstra que os mecanismos de proteção oferecidos pelo Governo aos defensores e jornalistas em risco raramente funcionam. O protetor das florestas da Sierra Madre contava com esse mecanismo. De pouco lhe serviu.
 
Sua luta foi a continuação daquela empreendida por muitos outros líderes indígenas rarámuris que deram suas vidas para evitar o desmatamento de seus territórios. Porque, para essa etnia, a floresta é tudo: atrai a água, fornece alimentos, dá abrigo aos animais. Defendê-la está no seu DNA.
 
O assassinato mais célebre na comunidade foi o de Isidro Baldenegro, vencedor do Prêmio Goldman, conhecido como o Nobel da Ecologia. Ser um dos ativistas mais reconhecidos da América Latina não o impediu de ser cruelmente assassinado, também a tiros, em janeiro de 2017. Nem que a impunidade, a intimidação e a violência contra seus sucessores —entre eles Julián Carrillo— continuassem em Coloradas de la Virgen
 
A situação não é muito mais alentadora nos outros países da América Latina: em 2018 a região voltou a ser a mais letal do planeta para os defensores da terra, segundo a lista negra da ONG. A Colômbia ultrapassou o Brasil pela primeira vez como o país com mais assassinatos na região, com um total de 24 contra 20 no país governado por Jair Bolsonaro.
 
Mas a organização alerta que tudo indica que a situação no Brasil piorará. “Bolsonaro prometeu permitir a exploração das reservas indígenas com projetos de mineração, agricultura e infraestrutura. Desde o início do ano isso já provocou uma série de invasões de terras indígenas por usurpadores armados”.
 
O relatório "Inimigos do Estado?" faz um apelo especial em relação à situação na Guatemala, país em que os assassinatos aumentaram cinco vezes no ano passado. Se em 2017 morreram três defensores naquele país, no ano passado o número disparou para 16 devido a uma onda de violência ligada a projetos hidrelétricos em terras ancestrais.
 
Especificamente, a organização denuncia o assassinato dos irmãos Neri e Domingo Esteban Pedro, duas das cabeças com maior visibilidade do movimento indígena contra a usina hidrelétrica de San Andrés, que, segundo a Global Witness, está ligada à poderosa família Mata.
 
Os corpos dos irmãos Esteban Pedro apareceram às margens do rio Yalwitz em dezembro de 2018, perto da hidrelétrica. Eles não eram os únicos membros da organização Resistência Pacífica da Microrregião de Ixquisis a sofrer as consequências de seu ativismo. Em outubro do mesmo ano, pelo menos seis deles já haviam sido feridos, atacados pela polícia durante uma manifestação.
 
Pela primeira vez o relatório também documenta como os Governos usam suas leis para criminalizar e intimidar os defensores. Por exemplo, destaca que dezenas de camponeses e estudantes foram presos na Nicarágua depois que em 2018 o Governo aprovou uma lei que ampliou a definição de terrorismo.
 
“Ao contrário dos assassinatos, essas ameaças mais sutis não se tornam manchetes na imprensa, razão pela qual são muito úteis para aqueles que buscam esmagar a dissidência”, diz a Global Witness. “Assim como os assassinatos, os indígenas estão na linha de frente do ataque dos sistemas judiciais de seus países”.
 
FILIPINAS, O PAÍS MAIS SANGRENTO
 
Em 2018, pelo menos 164 defensores do meio ambiente foram assassinados em todo o mundo, mais da metade deles na América Latina. As Filipinas foram o país mais sangrento, com 30 assassinatos, em grande parte vinculados ao agronegócio.
 
A maioria das mortes no mundo tinha relação com projetos de mineração e extrativismo, enquanto houve uma escalada entre aqueles que protegem a água: de quatro em 2017 para 17 um ano depois.
 
Fonte: El País
Fotos: Anistia Internacional / MARIANNE BERTRAND

 
Os pesquisadores Lucas Ferrante e Philip Fearnside, ambos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), publicaram o estudo Brazil’s new president and ‘ruralists’ threaten Amazonia’s environment, traditional peoples and the global climate (O novo presidente do Brasil e ‘ruralistas’ ameaçam o meio ambiente, povos tradicionais da Amazônia e o clima global, em português), disponibilizado pela revista Environmental Conservation, editada pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. “O trabalho apresenta uma extensa documentação do atual desmonte dos órgãos ambientais e indígenas no Brasil, assim como a política ambiental, incluindo os programas de fiscalização e licenciamento. Os impactos sobre a biodiversidade, as mudanças climáticas e os povos tradicionais são detalhados. O papel dos ruralistas é fundamental em influenciar o Presidente, em comandar ministérios e órgãos chaves no executivo, e em avançar uma chamada ‘agenda da morte’ no legislativo”, explicou Fearnside.
 
O artigo é baseado em publicações jornalísticas checadas pelos pesquisadores no Diário Oficial da União (DOU) e em declarações do presidente e dos ministros gravadas em vídeos. As atuais e possíveis consequências das ações do governo descritas no artigo são baseadas em artigos científicos compilados pelos pesquisadores.
 
O artigo esclarece que, desde que assumiu o cargo em 1º de janeiro de 2019 como o novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, tomou medidas e fez promessas que ameaçam a Amazônia e os povos tradicionais que a habitam, avançando com uma agenda com impactos ambientais que se estendem ao Brasil e ao mundo. “As ameaças à Amazônia representam um crime de lesa a pátria ao país, e temos que entender como isso se dá. A Amazônia exporta muito das chuvas que abastecem as regiões Sul e Sudeste do Brasil. Com o aumento do desmatamento as chuvas devem diminuir, afetando o abastecimento humano como o do sistema Cantareira, agricultura, produção animal e de biocombustíveis. Esta ação lesa pessoas e economia do país e, uma vez que temos informações suficientes para compreender este fenômeno e o governo continua suas ações sem evitar estes danos, ele deve ser responsabilizado. Eu gostaria de saber o que pensam os governadores do Sul e Sudeste se soubessem que os problemas de abastecimento de seus estados estão comprometidos frente as políticas do presidente. Cabe aos governadores de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do sul e Santa Catarina se manifestarem contra os aumentos dos índices de desmatamento da Amazônia, pois este desmatamento impactará diretamente estes estados”, afirma Ferrante.
 
“A ‘agenda da morte’ do atual governo tem avançado. Essa semana foi aprovada a MP867, que propõe estender até o final de 2020 a adesão de produtores rurais ao código florestal. Isso perdoa o desmatamento que nem aconteceu ainda, estimulando ações ilegais de desmatamento pelos produtores rurais. Esta é uma MP que por si só fere a constituição, pois estimula o crime. Neste caso a medida provisória tem de ser anulada. Nós precismos da ação do ministério publico, OAB e do senado federal para intervir na ‘agenda da morte’ do governo, pois além do dano ambiental enorme sobre o país, a imagem do agronegócio brasileiro está ruindo no mercado internacional”.
 
A publicação também expõe eventos recentes que ameaçam a Amazônia e seus povos, incluindo as proposta de abolir “as reservas legais e a abertura de unidades de conservação e terras indígenas à mineração, agricultura e pecuária”. De acordo com Ferrante, as ações de Bolsonaro têm estimulado conflitos por toda a Amazônia: “houve o ataque à terra indígena dos Uru-Eu-Wau-Wau, onde até as crianças foram ameaçadas por grileiros que afirmaram que, com Bolsonaro como presidente, os indígenas não tinham mais direitos sobre suas terras.
 
Ferrante lembra que o artigo 225 de nossa constituição diz que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. “Nossos resultados, assim como os índices de desmatamento divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), indicam que as ações do governo têm infringido a Constituição, pois vulnerabilizam muitas pessoas pelos impactos ambientais e sociais gerados pelo desmantelamento das políticas públicas ambientais”, pondera ele.
 
Como resposta ao problema, Ferrante sugere que seja “instaurada uma CPI ambiental para averiguar as ações conjuntas do atual ministro do meio ambiente e da ministra da agricultura, pois existe um alinhamento para enfraquecer a legislação ambiental, que consequentemente causa danos a população e a própria produção agrícola do país, além de estimular conflitos de terra e trabalho escravo”. Ele chama a atenção que, recentemente, o próprio presidente defendeu que sejam revistos os critérios da classificação do trabalho escravo. “Nossos resultados indicaram que as áreas com maior concentração de trabalho escravo, mortes de ambientalistas e conflitos de terra estão no arco do desmatamento amazônico. Através das novas medidas deste governo, grandes empreendimentos e o avanço do desmatamento para agricultura e pecuária na Amazônia aumentam estas mazelas sociais que devem avançar para o meio da Amazônia”, alertou.
 
Os autores sugerem ainda que atores internacionais como entidades financiadoras, empresas e países que importam soja, carne e minerais brasileiros “comecem a avaliar o risco de investimento em projetos que causam desmatamento e conflitos de terra, contribuindo assim para o aquecimento global e para a violação dos direitos humanos”. Para Fearnside, “a publicação deste artigo em uma conceituada revista referenciada serve para embasar uma discussão necessária sobre as responsabilidades e posições apropriadas de agências no Brasil (como o BNDES), e também entre os diferentes financiadores internacionais e os países e empresas que importam produtos do agronegócio brasileiro”.
 
Uma tradução em português do artigo foi publicada no site Amazônia Real, disponível aqui.
 
Fonte: O Eco
Foto: PAULO WHITAKER / Agência O Globo

 
Um amplo conjunto de entidades e organizações representativas do povo brasileiro convoca em caráter de urgência profissionais da educação, dirigentes sindicais, juristas, cientistas, estudantes, parlamentares, religiosos/as, lideranças de movimentos sociais e populares e todas as pessoas interessadas na defesa e na preservação de nosso patrimônio público, de nossas riquezas naturais, da indústria nacional e da autonomia das pesquisas científicas voltados ao desenvolvimento nacional a se somarem nos dias 4 e 5 de setembro ao Ato e Seminário pela Soberania Nacional e Popular, que acontecerá no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos/as Deputados/as, em Brasília. 
 
Buscamos analisar os riscos e ameaças à Soberania Nacional que surgem a partir da estratégia governamental de privatização de empresas públicas, de mercantilização de serviços públicos (educação, saúde e seguridade) e de entrega de riquezas naturais em especial, os minérios, o petróleo, o bioma amazônico, a água e territórios aos interesses de países ou corporações estrangeiras. Queremos analisar também como essa estratégia de governo impacta na educação, na produção de conhecimento científico nacional e na desestruturação do setor industrial brasileiro.
 
Entendemos que o patrimônio público nacional e tudo o que está sobre ou sob o solo pertence ao povo brasileiro. Assim, não cabe a um governo, eleito para um mandato de quatro anos, desnacionalizar e desestruturar políticas e empresas públicas construídas ao longo de décadas por cidadãos e cidadãs brasileiras.
 
As empresas públicas brasileiras são rentáveis, geram milhares de empregos e são responsáveis por estimular a atividade econômica de amplos setores da economia nacional. Seus resultados contribuem financeiramente para a sustentação do maior sistema público de saúde do mundo - o SUS e para a educação pública, entre outras políticas públicas.
 
Por isso, convocamos todas as pessoas, partidos e organizações a participarem deste Ato Seminário, onde buscaremos identificar as ameaças mais iminentes à soberania nacional e popular, projetar o Brasil que queremos e traçar uma agenda unitária de mobilização institucional e popular.
 
É pelo Brasil. É por todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil não está à venda! Diga não às privatizações! 
 
SERVIÇO
 
Ato e Seminário pela Soberania Nacional e Popular
4 e 5 de setembro de 2019
Auditório Nereu Ramos
Câmara - Brasíia - DF
 
 
Foto: Rodolfo Stuckert / Acervo Câmara dos Deputados

 
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT) realiza, no dia 12 de agosto, das 14h às 17h30, o Seminário Testemunho Ecumênico por Justiça.
 
O evento será em Brasília e contará com duas mesas de reflexões:
 
Mesa 1 
Aspectos históricos dos princípios do Movimento Ecumênico em relação às liberdades laicas. 
 
Mesa 2
Princípios bíblicos da Justiça - Olhar sobre as liberdades laicas.
 
Participarão do encontro Haidi Jarschel, pastora da IECLB, doutora em História Cultural pela UNICAMP, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo; e Lauri Wirth, doutor em Teologia pela Universidade de Heidelberg e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo.
 
A entrada é franca!
 
Local: Brasília Imperial Hotel - SHS, Qd 3, Bl H.
Data e Hora: 12 de agosto, 14h às 17h30.
 
Confira o convite:
 

 
Com o lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”, Brasília vai receber nos dias 13 e 14 de agosto mais uma edição das Marcha das Margaridas. O evento é a maior ação organizada na América Latina por mulheres do campo, da floresta e das águas.
 
A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), idealizadora da ação, tem realizado oficinas com as mulheres do campo e organizações parceiras. O evento contará com 10 eixos de diálogo, como soberania alimentar e energética, trabalho, renda e autonomia econômica.
 
Mazé Moraes, coordenadora da marcha, destacou ainda a luta pela conservação da sócio-biodiversidade e o combate à violência contra a mulher. “Esses são alguns dos temas importantes, ainda mais nesse momento que vivenciamos em que corremos risco de perder os bens comuns, como a nossa água nossa terra”, disse ao repórter Uélson Kalinovski, da TVT.
 
A marcha reúne, a cada quatro anos, trabalhadoras rurais de todo o país nas ruas da capital federal para denunciar retrocessos e reivindicar direitos. Para a edição 2019, são esperadas aproximadamente 100 mil mulheres. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, a “reforma” da Previdência, será um dos principais temas levantados durante a marcha.
 
“A Contag segue mobilizada com as suas estratégias. O debate no Congresso ainda não finalizou, então nossos estados e os municípios seguem fazendo audiências públicas. A análise geral é de que a reforma em tramitação ainda continua muito perversa e prejudicial a toda a classe trabalhadora”, afirmou Edjane Rodrigues, da Secretaria de Políticas Sociais.
 
Para o presidente da Contag, Aristides Santos, são mobilizações como a marcha que fazem a diferença na luta. Ele citou a manutenção das regras atuais de aposentadoria para trabalhadores do campo como exemplo. “É fruto dessa mobilização que nós conseguimos manter as regras gerais para os trabalhadores rurais. A idade para aposentadoria e o tempo de contribuição ficaram mantidas para os rurais, além de barrarmos outras propostas do governo”, acrescentou.
 
A Marcha das Margaridas é realizada desde 2000 e acontece sempre em Brasília, no dia 12 de agosto ou em períodos próximos da data, que marca a morte da trabalhadora rural e líder sindicalista Margarida Maria Alves. Ela foi assassinada em 1983 quando lutava pelos direitos dos trabalhadores na Paraíba. A primeira edição, em 2000, reuniu cerca de 20 mil agricultoras, quilombolas, indígenas, pescadoras e extrativistas.
 
A edição da Marcha das Margaridas deste ano recebeu pela primeira vez financiamento coletivo para “captar recursos complementares”, segundo a (Contag). Para as militantes de São Paulo, doações estão sendo captadas pela plataforma Benfeitoria. A meta é arrecadar um total de 24 mil reais. A cada R$ 20 doados, apoiadores recebem contrapartida, como livros, camisetas e até uma cesta com produtos agroecológicos cultivados por agricultores do Vale do Ribeira (essa exclusivamente para apoiadores de São Paulo).
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL