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Surgira uma séria disputa entre o cavalo e o javali; então, o cavalo foi a um caçador e pediu ajuda para se vingar. O caçador concordou, mas disse: ‘Se deseja derrotar o javali, você deve permitir que eu ponha esta peça de ferro entre as suas mandíbulas, para que possa guiá-lo com estas rédeas, e que coloque esta sela nas suas costas, para que possa me manter firme enquanto seguimos o inimigo’. O cavalo aceitou as condições e o caçador logo o selou e bridou. Assim, com a ajuda do caçador, o cavalo logo venceu o javali, e então disse: ‘Agora, desça e retire essas coisas da minha boca e das minhas costas’. ‘Não tão rápido, amigo’, disse o caçador. ‘Eu o tenho sob minhas rédeas e esporas, e por enquanto prefiro mantê-lo assim.’”
 
O javali, o cavalo e o caçador” — Fábulas de Esopo
 
 
Quando pensamos no declínio de uma democracia, é inevitável que o associemos à mudança de regime político um cenário caótico, protagonizado por homens armados e um pano de fundo de censura e supressão de liberdades individuais, como ocorreu no Brasil nas décadas de 1960 e 1970. No entanto, para Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, já não é assim que os regimes autoritários modernos serão (estão sendo) instaurados.
 
Como as democracias morrem analisa a queda de regimes democráticos por uma perspectiva comparativa, com ênfase na história política norte-americana, identificando características frequentes no modo de agir de autocratas, do establishment e da sociedade.
 
O livro encaminha uma reflexão central: “mesmo democracias bem estabelecidas, como a norte-americana, podem morrer?” A resposta é sim. A “recessão democrática” global é apontada como fato por diversos estudiosos, tendo se instaurado desde meados de 2000. Esse cenário parece pôr fim a uma tendência global de democratização que vinha se estabelecendo no mundo nos últimos 30 anos. Enquanto algumas nações veem escancarados os sinais de que a democracia está em colapso (como aquelas em que a ditadura se instaurou plena e forte ou aqueles governados por partidos de extrema direita), outras começam a emitir sinais de que algo está acontecendo – e o Brasil, ao que tudo indica, se encaixa na segunda categoria.
 
Os autores criticam a ideia de uma recessão democrática, listando diversos países nos quais a democracia está, teoricamente, intacta, entre eles o Brasil. No entanto, desde a publicação do livro em agosto de 2018, o Brasil vem passando por momentos de incerteza democrática. No início do ano, o próprio Levitsky, em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, declarou que “uma crise econômica terrível combinada com escândalos maciços de corrupção e altos níveis de violência e criminalidade” levaram à diminuição da satisfação dos brasileiros com o regime democrático, permitindo assim que um político com discurso antissistema tenha ascendido tão rapidamente. A eleição de Jair Bolsonaro nos leva a questionar se as demais democracias mencionadas como “intactas” pelos autores estão realmente protegidas.
 
O livro traça um paralelo entre diversos casos de declínio democrático, identificando semelhanças, como um cenário economicamente ou politicamente em crise e a cegueira da comunidade nacional – que só é capaz de perceber que algo está errado quando já não se pode mais voltar atrás. Talvez a face mais interessante da ascensão de um outsider para uma posição de liderança política seja o apoio dos governantes mais experientes. É natural que, em um país em crise, o surgimento de uma figura carismática, que desafia a velha ordem, pareça uma oportunidade de formar alianças para recuperar a confiança popular. E é nesse ponto que o (candidato a) tirano se apoia, levando o insider político a pensar que será capaz de recuperar o poder através da dominação do demagogo – como na fábula “O javali, o cavalo e o caçador” – mas as coisas nem sempre acontecem dessa forma e assim, em vez de assegurar que as grades de proteção da democracia se mantenham de pé, os políticos da velha ordem acabam contribuindo para a legitimação de um potencial ditador.
 
Levitsky e Ziblatt caracterizam ainda os autocratas em potencial e suas estratégias para centralizar o poder, salientando que nem todos começam como autoritários, podendo iniciar sua carreira democraticamente [leia neste dossiê artigo de Douglas Donin sobre a trajetória de Viktor Orbán]. No entanto, ao longo de sua trajetória, passam a usar artifícios para acumular mais poder, muitas vezes beirando a ilegalidade. Em seus discursos antissistema, prometem acabar com a corrupção ou mesmo aperfeiçoar a democracia; assim, sem alardes, transformam, aos poucos, estados democráticos em formas autoritárias de governo. Os sinais emitidos, sumarizados em uma tabela desenvolvida pelos autores, incluem a rejeição das regras democráticas, negação da legitimidade de seus oponentes, tolerância à violência e propensão a restringir liberdades civis, inclusive a mídia. Assim, candidatos que se encaixam em um ou mais desses critérios devem ser motivo de alerta.
 
Não são raros os exemplos de políticos que satisfazem tais condições. Levitsky e Ziblatt mencionam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preenche os quatro critérios estabelecidos. Mas Trump não é o único. A análise de declarações do presidente Jair Bolsonaro também indica que o excapitão do exército marca positivo para todos os quatro apontamentos:
 
1) Em 20 de setembro de 2018, pouco antes das eleições presidenciais, em entrevista à José Luiz Datena, Bolsonaro sugeriu que não aceitaria resultados diferentes de sua vitória nas urnas, ameaçando, assim, rejeitar as regras democráticas;
 
2) Uma vasta gama de juristas, políticos e analistas defende que a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi arquitetada para blindar Jair Bolsonaro, uma vez que se deu baseada em evidências controversas pelas mãos de um juiz que viria a ser ministro de Bolsonaro. Caso comprovado, trata-se de um caso de negação da legitimidade de seu principal oponente político. As suspeitas são reforçadas quando Bolsonaro considera prender jornalistas que divulgassem materiais reveladores de fraude e/ou manipulação por trás da prisão do ex-presidente Lula – o que nos leva ao próximo tópico;
 
3) Além das ameaças à mídia, ao fim do oitavo mês de mandato não faltam exemplos de que o presidente apoia a censura, como quando propôs a imposição de filtros à Ancine (que regulamenta e fiscaliza a produção audiovisual do país), sendo assim fortemente disposto a restringir as liberdades civis;
 
4) Durante a campanha (e após a eleição), o presidente demonstrou ser tolerante à violência por inúmeras vezes, registradas pelos órgãos de imprensa.
 
Ferramentas de defesa da democracia
 
Cabe ao país, como um todo, proteger seu sistema democrático da entrada de líderes extremistas. Para proteger a democracia é preciso assegurar que haja um equilíbrio entre o poder do presidente e de forças institucionais que a ele se equiparem, como o Congresso e o Supremo Tribunal. Para garantir isso, Levitsky e Ziblatt elencam as principais grades de proteção da democracia: (a) os partidos, que devem cuidar para que autoritários não cheguem ao poder e (b) as regras não escritas, que são normas informais que asseguram o cumprimento da Constituição (as regras escritas). Essa cultura democrática que viabiliza todo o resto consiste em: (a) tolerância mútua, pela qual os oponentes partidários devem respeitar tanto a existência quanto a ascensão temporária de adversários ao poder, enquanto eles cumprirem as regras democráticas e (b) a reserva institucional, que se baseia no princípio de que os líderes políticos não devem usar de má fé para driblar normas constitucionais. Tentativas de eximir-se de tais prescrições seriam, então, indicativos de tendências autoritárias.
 
O livro enumera situações protagonizadas por uma dessas forças (ou pela ausência do bom uso das mesmas). Em alguns casos, foram capazes de combater a ascensão de autocratas ou a extrapolação constitucional dos mesmos ao tentar emitir leis, decretos ou quaisquer outros tipos de normas que beiravam a inconstitucionalidade. Um exemplo: em entrevista para a Globo News, Eloísa Machado, professora de direito constitucional da Fundação Getúlio Vargas, avalia que Bolsonaro fornece um exemplo de quebra da regra de reserva institucional ao tentar extravasar o poder regulamentar a ele concedido a fim de aprovar decretos referentes ao Estatuto do Desarmamento.
 
Cenário mais provável: guerras institucionais
 
No último capítulo, Levitsky e Ziblatt descrevem três possíveis cenários para o futuro dos Estados Unidos pós-Trump, que podem ser extrapolados para casos semelhantes, como o do Brasil. O primeiro seria o uma recuperação democrática causada pelo fracasso político do presidente em exercício, com a oposição de volta ao poder e a revogação de políticas extremistas; o segundo seria a permanência do autoritário no poder, com o estabelecimento de medidas que aumentem cada vez mais o poder a ele concedido através da quebra da reserva institucional; o terceiro – e, segundo os autores, mais provável cenário – é marcado por polarizações e por um distanciamento das normas políticas não escritas, levando a guerras institucionais.
 
A grande mensagem que o livro deixa nos serve de alerta: hoje, as democracias não morrem mais da noite para o dia; os autoritários não mais se apoderam do poder por meio de golpes ou do uso da força. A própria democracia está fadada ao fim se seu sistema de defesa não for suficientemente efetivo para afastar líderes extremistas do poder. Ela lentamente vai esmaecer, vítima de artifícios legais. Como escrevem os autores, o “retrocesso democrático hoje começa nas urnas”.
 
*Bianca Bosso cursa graduação em ciências biológicas na Unicamp.
 
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Steven Levitsky e Daniel Ziblatt
Editora: Zahar, 1ª edição
Número de páginas: 272
Preço: impresso R$ 64,90 | e-book R$ 44,90
 
Fonte: ComCiência - Revista Eletrônica de Jornalismo Científico
Foto: Reprodução

 
O CONIC atua, desde a década de 1980, na promoção do diálogo ecumênico e de uma cultura de paz. Neste tempo, conseguimos resultados muito importantes, entre os quis, a consolidação da Semana de Oração pela Unidade Cristã; a organização da Assembleia do Conselho Mundial de Igrejas em Porto Alegre; a promoção de cinco Campanhas da Fraternidade Ecumênica; a realização do Estatuto do Desarmamento em parceria com outras organizações e, nos últimos anos, campanhas e ações contra as várias formas de intolerância de modo a promover o testemunho cristão dialogal em um mundo multirreligioso.
 
Além disso, damos visibilidade a iniciativas que fortalecem o diálogo entre igrejas e religiões; promovemos simpósios, rodas de conversa e seminários para lideranças religiosas e leigas em todos os estados do Brasil; fortalecemos projetos de superação de intolerância, xenofobia e temas correlatos. Aqui, cabe destacar o projeto Imigrantes e refugiados: Desafios da Casa Comum, articulado com o Fórum Ecumênico ACT Brasil, subsidiando igrejas e comunidades de fé a respeito de temas como direitos humanos; entre outras frentes de atuação.
 
Mas para que tudo isso continue sendo uma realidade, precisamos do seu apoio.
 
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Nos últimos anos, o Paquistão tem visto crescer o número de casos de intolerância religiosa. E engana-se quem pensa que apenas cristãos são as vítimas. Muçulmanos considerados “moderados” por grupos extremistas seguem sendo a parcela da sociedade que mais sofre.
 
“Há muito mais ataques contra mesquitas do que contra igrejas”, explica o bispo de Hyderabad, dom Samson Shukardin. “Muçulmanos fundamentalistas matam outros muçulmanos considerados por eles como moderados”, completa.
 
Perseguição nas escolas
 
Shukardin também denuncia que a intolerância chegou nos colégios do país, fato que está obrigando pais de outras minorias religiosas a darem nomes islâmicos aos seus filhos. “Muitas minorias dão aos seus filhos nomes muçulmanos. Isso ocorre para que não se tornem possíveis alvos de discriminação nas escolas de ensino fundamental e médio, ou mesmo nas universidades”, explica dom Shukardin.
 
O prelado informou ainda que, de um modo geral, as minorias são consideradas infiéis e estão negativamente representadas nos livros escolares, o que só amplia a forma jocosa com que são tratados em alguns ambientes educacionais.
 
Para enfrentar o problelma, dom Shukardin enfatiza que é preciso melhorar e ampliar o acesso à educação no Paquistão, sobretudo para famílias que não possuem condições de custear os estudos de seus filhos. “A educação é fundamental para todas as nações que tentam transformar a sociedade”, afirmou.
 
Ajuda à Igreja que Sofre
 
No ano passado, a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre financiou mais de 60 projetos no Paquistão, incluindo construção de igrejas, capacitação de irmãs e outros religiosos, assim como ajuda de emergência. 
 
CONIC com agências
Foto: Unsplash

 
Entre os dias 29 de setembro e 1 de outubro, aconteceu em Foz do Iguaçu/PR o Simpósio Agrotóxicos e a Criação de Deus. O evento foi organizado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e pela Igreja Evangélica Luterana na Baviera (ELKB). Além da delegação bávara e dos representantes da Presidência, Secretaria Geral e do Conselho da Igreja, participaram também representantes dos sínodos da IECLB.
 
O primeiro dia do Simpósio foi marcado por contribuições da Igreja da Baviera. Hans-Martin Gloël, Secretário de Ecumenismo e Responsabilidade Global do Departamento de Ecumenismo e Vida Eclesiástica, discursou sobre o papel das Igrejas para a preservação da criação. Walter Schnell, Vice-Presidente do Concílio da ELKB e prefeito de uma cidade da Baviera, falou sobre utilização do solo e biodiversidade. Friederike Deeg, Secretária para América Latina da Mission EineWelt, apresentou a campanha Creation not for Sale e o tema bianual da ELKB, "A diversidade de Deus - Habitat para todas as criaturas".
 
No segundo dia, o Prof. Dr. Valdecir José Zonin e o Prof. Dr. Antônio Inácio Andrioli, ambos da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), falaram sobre a expansão do agronegócio e da monocultura, sobre a utilização de sementes transgênicas e de agrotóxicos no Brasil. Os professores apresentaram informações e dados significativos que possibilitaram ter uma visão geral do assunto. Questões relacionadas com a saúde humana e a biodiversidade foram também apresentadas. A partir das apresentações ficou evidente a necessidade de refletir mais sobre o assunto, especialmente considerando a nossa confissão de fé no Deus criador e a nossa responsabilidade de cuidar da Criação de Deus.
 
No terceiro dia, Jhony Alex Luchmann e Vilmar Saar falaram sobre iniciativas de produção e certificação de produtos da agroecologia coordenadas pelo CAPA (Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia). Falou-se sobre a importância da preservação das culturas locais, do comércio regional e da boa alimentação. A Campanha Comida boa na mesa, concebida pelo CAPA, é um exemplo do compromisso com a vida digna e com a Criação de Deus.
 
Consulta IECLB e Igreja Evangélica Luterana na Baviera
 
A cada dois anos acontece um encontro entre a IECLB e a  ELKB. O encontro, denominado de Consulta, ou Konsultation, tem por finalidade reforçar os laços de parceria e o trabalho conjunto das duas Igrejas. Neste ano, a Consulta aconteceu na cidade de Foz do Iguaçu/PR. Este ano, nos dias 27 e 28 de setembro foi realizada uma reunião restrita às delegações das duas igrejas. Participaram representantes da Presidência, Secretaria Geral e do Conselho da Igreja da IECLB. A delegação bávara era composta pelo Vice-Presidente do Concílio da Igreja da Baviera, por representantes do Departamento de Ecumenismo e Vida Eclesiástica e da Secretária de América Latina (Mission EineWelt). Nesta parte da consulta foram relatadas as prioridades nos últimos dois anos, refletiu-se sobre a situação atual, focos e desafios das duas igrejas. Também foram tratadas questões de pessoal e de formação, projetos missionários e acordos de parceria.
 
De 29 de setembro a 1 de outubro foi a vez do Simpósio sobre agrotóxicos e a Criação de Deus.
 
Fonte: IECLB
Foto: Michael Martin

 
Mais de 100 organizações e movimentos sociais uniram-se em coalizão para declarar a não recomendação da candidatura do governo de Jair Bolsonaro ao Conselho de Direitos Humanos da ONU (triênio 2020-2022), por meio do Manifesto da Sociedade Civil Brasileira sobre a Candidatura do Brasil. O documento foi assinado pelo CONIC e enviado, em sete idiomas, a todos os governos, no dia 8 de outubro, terça-feira.
 
“As manifestações do governo brasileiro dando as razões de sua candidatura afrontam a tradição brasileira acumulada há décadas nas relações multilaterais e que sempre caminharam na defesa do universalismo dos direitos humanos. Elas não reconhecem os direitos humanos como proteção para todos e todas, pois se orientam pela defesa de que há ‘humanos do bem’, ‘humanos direitos’, para os quais seriam razoáveis os direitos humanos, e outros seres humanos, os ‘bandidos’ e aqueles/as que os apoiam, para quem não seriam os direitos humanos”, diz o documento.
 
Ainda, declara que “Posições deste tipo promovem a exclusão e o ataque a sujeitos como mulheres, LGBTIs, indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, negros e negras, juventude e outros e outras. Estas reiteradas manifestações, que também vão se convertendo em práticas do governo brasileiro, não são aceitáveis”.
 
Leia o Manifesto na íntegra:
 
Manifesto da Sociedade Civil Brasileira
sobre a candidatura do Brasil ao
Conselho de Direitos Humanos da ONU
 
As organizações da sociedade civil brasileira, apoiadas por várias organizações estrangeiras, regionais e internacionais, manifestam sua profunda e grave preocupação com a candidatura brasileira ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (CDH/ONU), para o triênio 2020-2022. Estas preocupações já foram por diversas vezes manifestas pela sociedade civil e são reiteradas em razão da posição que vem sendo assumida pelo governo brasileiro nos espaços das Nações Unidas, inclusive e particularmente reiteradas pelo próprio Presidente no seu pronunciamento na abertura da 74ª Assembleia Geral da ONU.
 
As manifestações do governo brasileiro dando as razões de sua candidatura afrontam a tradição brasileira acumulada há décadas nas relações multilaterais e que sempre caminharam na defesa do universalismo dos direitos humanos. Elas não reconhecem os direitos humanos como proteção para todos e todas pois se orientam pela defesa de que há “humanos do bem”, “humanos direitos”, para os quais seriam razoáveis os direitos humanos, e outros seres humanos, os “bandidos” e aqueles/as que os apoiam, para quem não seriam os direitos humanos.
 
Posições deste tipo promovem a exclusão e o ataque a sujeitos como mulheres, LGBTIs, indígenas, quilombolas, povos e comunidades tradicionais, negros e negras, juventude e outros e outras. Estas reiteradas manifestações, que também vão se convertendo em práticas do governo brasileiro não sã aceitáveis. Um governo que atua com sérias reservas, que promove ações que geram retrocessos na efetivação dos direitos e que seja anti-universalista não pode querer que a comunidade internacional acredite que tem efetiva disposição para se comprometer com a realização progressiva, universal, interdependente e indivisível de todos os direitos humanos para todas e todos.
 
As organizações signatárias repudiam as ações práticas resultantes dessas posições do governo brasileiro, como a glorificação de atrocidades, levando inclusive a ataques à Alta Comissária da ONU para Direitos Humanos; o desmantelamento do Mecanismo Nacional de Prevenção da Tortura, em violação ao Protocolo Facultativo da Convenção contra a Tortura da ONU; o desmonte dos conselhos de participação social; a orientação do Presidente da República à caserna para comemorar o Golpe de Estado de 1964 e a negação oficial do mesmo golpe; a negativa categórica de continuar o processo de demarcação dos territórios indígenas; o desrespeito e ataque a povos e comunidades tradicionais; o rechaço ao reconhecimento de gênero, mediante explicação de voto durante a 41ª Sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos; a agressão ao defensor de direitos Humanos Jean Wyllys, durante a 40ª sessão Ordinária do Conselho de Direitos Humanos; o retrocesso no combate ao trabalho análogo ao de escravo; incitação à violência contra povos e comunidades tradicionais, suas terras e territórios; sanção de leis de porte de armas para proprietários rurais e declarações que autorizam violências contra estas populações, incluindo sem terras, entre outras medidas.
 
Posições e ações deste tipo são incompatíveis com os objetivos do Conselho de Direitos Humanos, cujo trabalho deve ser orientado pela universalidade, imparcialidade, objetividade e não-seletividade, diálogo internacional construtivo e a cooperação com vistas a aprimorar a promoção e proteção de todos os direitos humanos, de acordo com o Artigo 4º da Resolução nº 60/251 da Assembleia Geral das Nações Unidas. A mesma Resolução, em seu artigo 9º, determina que os membros do Conselho de Direitos Humanos devem manter o mais alto nível de proteção e promoção dos Direitos Humanos. Isto significa que, para qualificar-se a um assento no Conselho de Direitos Humanos, um Estado candidato deve dar o exemplo e envidar os melhores esforços na promoção e proteção dos direitos humanos.
 
As organizações signatárias afirmam que o Estado brasileiro não reúne as condições mínimas para pleitear a renovação da sua candidatura ao Conselho de Direitos Humanos considerando os parâmetros da Resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas, razão pela qual não recomendam à comunidade internacional de Estados que vote no Brasil para uma das vagas do Grupo Regional da América Latina e do Caribe (Grulag) para o triênio 2020-2022. Ademais, as organizações da sociedade civil esperam que a comunidade internacional de Estados monitore mais de perto a situação dos direitos humanos no Brasil.
 
Organizações Signatárias
 
  • Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH)
  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
  • Movimento de Mulheres Camponesas (MMC)
  • Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)
  • Movimento Camponês Popular (MCP)
  • Movimento dos Atingidos pela Base Espacial de Alcântara (MABE)
  • Movimento Nacional de Cidadãs Positivas (MNCP)
  • Movimento Nacional Contra Corrupção e pela Democracia (MNCCD)
  • Marcha Mundial por Justiça Climática / Marcha Mundial do Clima
  • Central de Movimentos Populares (CMP)
  • Central Única dos Trabalhadores (CUT)
  • Central de Cooperativas Unisol Brasil
  • Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB)
  • Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil
  • Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
  • Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME)
  • Comissão Pastoral da Terra (CPT)
  • Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
  • Pastoral da Juventude do Brasil (PJ)
  • Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombola (CONAQ)
  • Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres (Cladem Brasil)
  • Fórum Ecumênico ACT-Brasil
  • Plataforma DhESCA Brasil
  • Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político
  • Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD)
  • Rede Brasileira de Conselhos (RBDC)
  • Rede Brasileira de Cooperação em Emergências (RBCE)
  • Rede Brasileira de Povos e Comunidades Tradicionais
  • Rede Brasileira de População e Desenvolvimento (Rebrapd)
  • Rede de Cooperação Amazônica (RCA)
  • Rede Democracia e Participação
  • Rede Eclesial Panamazônica (REPAM)
  • Rede Jubileu Sul Brasil
  • União Brasileira de Mulheres (UBM)
  • Coalizão Negra por Direitos
  • Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade (AFES)
  • Acesso Cidadania e Direitos Humanos (RS)
  • AfirmAção Rede de Cursinhos Populares (ES)
  • Amigos da Terra Brasil
  • Assessoria Popular Maria Felipa
  • Associação Abaô (SE)
  • Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)
  • Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT)
  • Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais (Abong)
  • Associação Brasileira de Reforma Agrária (ABRA)
  • Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME)
  • Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA)
  • Associação Brasileira para Ação Pelos Direitos das Pessoas Autistas (Abraça)
  • Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente (Amencar, RS)
  • Associação de Defesa dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Sergipe (Adhones)
  • Associação de Moradores do Morro da Caixa D’água (RJ)
  • Associação de Mulheres Unidas da Serra (AMUS, ES)
  • Associação de Conselheiros e Ex-Conselheiros da Criança e do Adolescente (RJ)
  • Associação dos Funcionários do Ipea (AfiIpe Sindical)
  • Associação dos Servidores do IBGE (AssIbge)
  • Associação dos Servidores do MPT e MPM (Asempt)
  • Associação Juízes para a Democracia (AJD)
  • Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA)
  • Associação Nacional Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-Graduação (Andhep)
  • Associação Quilombola Brejão dos Negros (SE)
  • Centro de Apoio aos Direitos Humanos (CADH, ES)
  • Centro de Cultura Negra (CCN) (MA)
  • Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS, CE)
  • Centro de Defesa de Direitos Humanos Elda Regina (PI)
  • Centro de Defesa de Direitos Humanos Heróis do Jenipapo (PI)
  • Centro de Defesa de Direitos Humanos Mandu Ladino (PI)
  • Centro de Defesa de Direitos Humanos Nenzinha Machado (PI)
  • Centro de Defesa de Direitos Humanos Teresinha Silva (PI)
  • Centro de Defesa Dom Helder Câmara (CE)
  • Centro de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (CEDECA Proame)
  • Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CE)
  • Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Serra (ES)
  • Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno de Marapé, ES
  • Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular (CDDHEP, AC)
  • Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marcos Passarini (MA)
  • Centro de Direitos Econômicos e Sociais (CDES Direitos Humanos, RS)
  • Centro de Direitos Humanos Blumenau (SC)
  • Centro de Direitos Humanos Brusque (SC)
  • Centro de Direitos Humanos de Araguaína (TO)
  • Centro de Direitos Humanos de Boa Vista do Ramos (AM)
  • Centro de Direitos Humanos de Cáceres (MT)
  • Centro de Direitos Humanos de Cristalândia (TO)
  • Centro de Direitos Humanos de Formoso do Araguaia (TO)
  • Centro de Direitos Humanos de Londrina (PR)
  • Centro de Direitos Humanos de Palmas (TO)
  • Centro de Direitos Humanos de Parintins (AM)
  • Centro de Direitos Humanos de Petrópolis (RJ)
  • Centro de Direitos Humanos de Porto Nacional (TO)
  • Centro de Direitos Humanos de Sarandi (PR)
  • Centro de Direitos Humanos e Educação Popular (CDHEP Campo Limpo SP)
  • Centro de Direitos Humanos e Memória Popular (CDHMP, RN)
  • Centro de Direitos Humanos Itajaí (SC)
  • Centro de Direitos Humanos Jaraguá do Sul (SC)
  • Centro de Direitos Humanos Lages (SC)
  • Centro de Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã-Y (MS)
  • Centro de Direitos Humanos Maria da Graça Brás de Joinville (SC)
  • Centro de Educação e Assessoramento Popular (CEAP)
  • Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa)
  • Centro de Estudos e Pesquisa em Direitos Humanos (CEPDH Caxias do Sul, RS)
  • Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Cultural (Cenarte, RN)
  • Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC)
  • Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfêmea)
  • Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos (SP)
  • Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileiro (Cenarab)
  • Centro Santo Dias de Direitos Humanos
  • Círculo Palmarino (ES)
  • Coletivo de Gays Mirindiba (PI)
  • Coletivo Feminino Plural (RS)
  • Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo (CDHPF, RS)
  • Comissão de Juventude Indígena de Pernambuco (Cojipe)
  • Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
  • Conectas Direitos Humanos
  • Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC)
  • Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE)
  • Criola
  • Cunhã Coletivo Feminista
  • Distrito Drag
  • Escola e Formação Quilombo dos Palmares (EQUIP)
  • Federação da Associação de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (Famerj)
  • Federação das Associações de Moradores de Arraial do Cabo (RJ)
  • Federação das Associações de Moradores de Saquarema (Famosa, RJ)
  • Federação das Favelas do Rio de Janeiro (Faferj, RJ)
  • Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)
  • Fórum de ONGs AIDS de São Paulo
  • Fórum de ONGs AIDS do Rio Grande do Sul
  • Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
  • Fundação Esperança Comunitária Beneficente (RJ)
  • Fundação Luterana de Diaconia (FLD)
  • Fundação Nereu Ramos (FINER, SC)
  • Fundação Rio Parnaíba (FURPA PI)
  • Geledes Instituto da Mulher Negra
  • GESTOS – Soropositividadade, Comunicação e Gênero Grupo Gayvota (MA)
  • Grupo Tortura Nunca Mais da Bahia (BA)
  • Inclui Mais (SP)
  • Instituto Braços – Centro de Defesa dos Direitos Humanos em Sergipe Instituto Brasil Central (IBRACE)
  • Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase)
  • Instituto Cigano do Brasil (ICB)
  • Instituto da Mulher Negra (PR)
  • Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos (IDDH)
  • Instituto de Direitos Humanos (IDH, MG)
  • Instituto de Direitos Humanos e Meio Ambiente (TO)
  • Instituto de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (IDhESCA, RS)
  • Instituto de Direitos Humanos, Económicos e Sociais (IDhES)
  • Instituto de Estudos da Religião (ISER Assessoria)
  • Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC)
  • Instituto de Pesquisa, Direitos e Movimentos Sociais (IPDMS)
  • Instituto Democracia e Responsabilidade (IDS)
  • Instituto Elimu (ES)
  • Instituto Universidade Popular (Unipop) (PA)
  • Instituto Vladmir Herzog (IVH)
  • Kairós (GO)
  • Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
  • Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP (Latesfip)
  • Liga Brasileira de Lésbicas (LBL)
  • Meu Voto Será Feminista
  • Mirim Brasil
  • Movimento de Mulheres do Campo e da Cidade do Pará (MMCC)
  • Movimento Estadual dos Direitos Humanos (TO)
  • Namunkurá Associação Xavante (NAX)
  • Núcleo de Direitos Humanos de Maués (AM)
  • Observatório Nacional de Justiça Socioambiental Luciano Mendes de Almeida (OLMA)
  • Organização de Direitos Humanos Projeto Legal (RJ)
  • Organização de Juventude Indígena Kaingang Nên ga (OJIK-NênGa) (PR)
  • Organização Indígena Tronco Velho Pankararu
  • Organização pelo Direito Humano à Alimentação e à Nutrição Adequadas (FIAN Brasil)
  • Pastoral Carcerária (SE)
  • Rede de Juventude Indígena (Rejuind)
  • RNP+ Brasil
  • Serviço de Paz (Serpaz, RS)
  • Serviço Interfranciscano de Justiça, Paz e Ecologia (Sintrajupe)
  • Sindicato dos Trabalhadores da Saúde, Trabalho e Previdência Social (Sindsprev, RJ)
  • Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Carreira de Ciência e Tecnologia (SindCT)
  • Sindicato Nacional dos Servidores do MPU – Seção SP (SindMPU/SP)
  • Sociedade Colatinense dos Direitos Humanos (ES)
  • Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)
  • Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH, PA)
  • SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia
  • Também ONG LGBTI Pelotas (RS)
  • Terra de Direitos
  • Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos (RS)
  • Uneafro Brasil – Rede de Articulação e Formação de Jovens e Adultos das Periferias
  • União de Negros pela Igualdade (RJ)
  • Viramundo (CE)
  • Coletivo Mangueiras
  • GT da Sociedade Civil para a Agenda 2030
  • ELO Ligação e Organização
  • Engajamundo
  • Conselho Federal de Psicologia (CFP)
  • Fórum Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (FOSAN-ES)
  • Associação Grupo Cultural Agentes de Pastoral Negros do Brasil (APNs)
  • Associação Grupo Cultural Modjumba-Axé (ES)
 
Organizações Apoiadoras
 
  • Alerte France Brésil
  • Asociación pro Derechos Humanos (APRODEH)
  • Associação para os Povos Ameaçados Suíça
  • Brasileiros Contra o Golpe em Latino América
  • Brazilian Left Front
  • Brazilians in Support
  • Cairo Institute for Human Rights Studies
  • Centre Europe-Tiers Monde CETIM (Suíça)
  • Centro de Derechos Humanos Miguel Agustín Pro Juárez (Centro Prodh)
  • Centro de Documentación en Derechos Humanos “Segundo Montes Mozo SJ” (CSMM)
  • Centro de Estudios Legales y Sociales (CELS)
  • Centro de Prevención, Tratamiento y Rehabilitación de Victimas de la Tortura y sus Familiares (CPTRT)
  • Centro de Promoción y Defensa de los Derechos Sexuales y Reproductivos (Promsex)
  • Centro de Promoción y Defensa de los Derechos Sexuales y Reproductivos (PERU)
  • Colectivo de Abogados “José Alvear Restrepo” – Colombia
  • Coletivo Boston Contra o Golpe
  • Coletivo Grito de Genebra
  • Coletivo por um Brasil Democrático – Los Angeles (CPBD-LA)
  • Comité de América Latina y el Caribe para la Defensa de los Derechos de las Mujeres (Cladem)
  • Comitê Liberezlula.org Paris
  • Comitê Lula Livre Barcelona
  • Corporación Caribe Afirmativo de Colômbia Corporación Centro de Apoyo Popular (CENTRAP)
  • Corporación Humanas – Centro Regional de Derechos Humanos y Justicia de Género (Chile)
  • Development Alternatives with Women for a New Era Due Process of Law Foundation
  • Ecomunnis A. C.
  • Escuela Mexicana de Política Consciente
  • Fédération Internationale por les Droits Humains (FIDH)
  • FIAN International
  • Fundación Murna Mack
  • Grupo de Resistência Internacional contra Tirania e Opressão (Coletivo Grito) IndustriALL Global Union
  • Iniciativa Mesoamericana de Defensoras de Derechos Humanos (IM-Defensoras) Instituto Internacional sobre Raza, Igualdad y Derechos Humanos (Race & Equality) Mulheres da Resistência no Exterior
  • Oficina en Washington para Asuntos Latinoamericanos (WOLA)
  • Oficina Jurídica Para la Mujer de Cochabamba
  • Proyecto sobre Organización, Desarrollo, Educación e Investigación (PODER)
  • Red de Educación Popular entre Mujeres de Latinoamerica y Caribe (REPEM) Robert F Kennedy Human Rights
  • Unrepresented Nations and Peoples Organization (UNPO)
  • World Organisation Against Torture (OMCT)
 
Com informações da FLD
Foto: Elma Okic/ONU

 
ACT Aliança respondeu ao pedido de ajuda humanitária emergencial do Fórum Ecumênico ACT-Brasil, através da CESE, para apoio a povos indígenas da Amazônia afetados pelos incêndios iniciados em agosto deste ano e que ainda estão ocorrendo naquela região.
 
O apoio é para equipar as brigadas indígenas de combate ao fogo, possibilitar a essas brigadas os meios para chegarem até os locais onde os focos de incêndio persistem, bem como para fiscalizar as áreas queimadas, que ficam vulneráveis a invasões. 
 
Alimentação e ações de incidência
 
A segurança alimentar das brigadas e das famílias que perderam suas roças e suas áreas de coleta e caça também faz parte das ações desta ajuda emergencial, que prevê a entrega de gêneros alimentícios a essa população. Outra ação será o apoio a ida de lideranças indígenas a Brasília para ações de incidência junto aos órgãos do governo e a sociedade civil.
 
Povos indígenas contemplados
 
Os povos indígenas que receberão o apoio são os Tenharim, da Terra Indígena Tenharim Marmelo, no sul do Amazonas; os Uru Eu Wau Wau, em Rondônia; e o Centro Haru Yuxibu dos Huni Kuin, no Acre. Para melhor garantir a rápida execução das ações previstas, a CESE está articulada com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e contará com a colaboração de parceiros na região, como o IEB, o COMIN e a Kanindé.
 
Com informações da CESE

 
Num clima de fé e esperança, os/as participantes da Missão Ecumênica pelas Águas do Cerrado da Bahia: “Das nascentes ao São Francisco, águas para a vida! ”, vivenciaram na manhã do último sábado 5 de outubro, um momento especial de mística, solidariedade e espiritualidade. Assim como as águas se juntam para tornar grandes rios, os missioneiros/as de representações de designações religiosas distintas (católicos/as, protestantes, candomblecistas, lideranças religiosas das populações tradicionais, entre outras confissões de fé) se uniram no Ginásio de Correntina (BA), com o único propósito “a defesa da vida”.
 
A iniciativa foi mais uma ação da missão que teve como objetivo unir vozes proféticas, denunciar as situações de violações de direitos, e levar uma mensagem de esperança para as comunidades e povos tradicionais do Cerrado. Para Ana Gualberto, assessora de Koinonia Presença Ecumênica e representante das religiões de matrizes africanas na missão, o tema da defesa das águas e das vidas dos povos se afina com o valor ambiental, cultural espiritual do Candomblé: “A água é símbolo de todas as religiões. Eu sou uma mulher de Oxum, que é a dona das águas doces. E minha mãe está muito triste e preocupada com toda essa situação. ” E completa: “ É de extrema importância que nós estejamos juntos/as, enquanto toda forma de religiosidade e com a sociedade civil, para que possamos nos expressar contra todas as formas de opressão. É impossível pensar nossa vida sem as águas, sem pensar na proteção na vida das pessoas e do meio ambiente.”.
 
 
Durante a celebração foram apresentadas: Esquete sobre as violações contra a mãe natureza, produzida pelos/as estudantes da Escola Anísia; Cruz Gerazeira, símbolo das Romarias do Cerrado e peregrinação dos povos, confeccionada por um grupo da comunidade de Salto, município de Correntina (BA); Depoimentos de pessoas das comunidades visitadas (Barreiras, São Desidério, Formosa do Rio Preto, Serra Dourada e Correntina); E estandartes representando a caminhada de pessoas que deixaram marcas e tombaram na luta (Eugênio Lyra, Zeca da Rosa, Isaias Cândido, Juvencina Barreto, Pe. André Berenos, Marilene Matos, Chico de Tomé e Maria de Lara).
 
Entre, cânticos, salmos e orações, as autoridades religiosas que estavam em missão deram testemunhos dos clamores ouvidos e relataram os anseios por justiça e paz. Houve partilha de fé e esperança, intercalando passagens bíblicas relacionadas aos mártires do Cerrado e do seu povo – Êxodo 3.7, 9 e 10; Tiago 5, 1-8; e Mt 5, 1-12.
 
Na sequência, o ofertório das potencialidades do Cerrado foi distribuído ao público. Os/as participantes puderam apreciar não só as bandeiras de lutas dos movimentos e organizações presentes, mas também os alimentos da agricultura camponesa como beijú, rapadura e melaço. “Umas das formas de resistências dos povos do Cerrado é a sua riqueza na produção de alimentos, orientado por uma agricultura com garantia de autonomia e comida saudável para toda população. Além disso, ofertamos também nossas bandeiras de lutas, nossas forças e nossas condutas”, pontuou Albetânia Santos da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
 
 
Cumprindo como prática de apresentar um documento oficial ao final de cada Missão Ecumênica, a celebração foi encerrada com a leitura da Carta de Compromisso das igrejas e dos organismos ecumênicos com as comunidades e povos originários da habitam a região oeste da Bahia. Para ler a carta, clique aqui!
 
Após a celebração, os/as participantes seguiram em caminhada pelas ruas de Correntina. Segurando faixas, cartazes e potes barro com água, os/as manifestantes chamavam atenção pelo modelo de produção do agronegócio que grila territórios, seca rios, mata o Cerrado e expropria populações. Esse ato é fruto de várias ações que as comunidades locais têm realizado nos últimos anos no município em defesa do bioma e pelos rios da região do Corrente. “Estamos ocupando as ruas também para agradecer por tudo que nós temos no Cerrado, que é a nossa sobrevivência. Sem o nosso Cerrado, nós não temos condições de lutar. ”, afirmou uma das guardiãs do bioma.
 
Ao final da mobilização, movimentos sociais, organizações populares, comunidades e povos tradicionais, estudante e moradores/as abraçaram o Rio Corrente em um gesto de respeito e gratidão. “SÃO FRANCISCO VIVE! TERRA, ÁGUA, RIO E POVO”.
 
MISSÃO ECUMÊNICA – OESTE BAIANO
 
Com realização do Fórum Ecumênico ACT Brasil e sob coordenação da CESE, a Missão Ecumênica pelas Águas dos Cerrados da Bahia no oeste do Estado contou com as seguintes parcerias: Comissão Pastoral da Terra-CPT; Instituto Padre André; Coletivo dos Fundos e Fechos de Pasto do Oeste da Bahia; Associação de Advogados/as de Trabalhadores/as Rurais – AATR; Pastoral da Juventude do Meio Popular – PJMP; Pastoral do Meio Ambiente – PMA; Agência 10envolvimento; Movimento de Atingidos por Barragem-MAB; Escola Família Agrícola Pe. André – EFAPA; Movimento de Mulheres Unidas na Caminhada-MMUC; Conselho Indigenista Missionário – CIMI; Campanha Nacional em Defesa do Cerrado: Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida; Koinonia – Presença Ecumênica; Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC; Fundação de Desenvolvimento Integrado do São Francisco-FUNDIFRAN; Associação Ambientalista Corrente Verde; Processo de Articulação e Diálogo-PAD; ACEFARCA, Articulação no Semiárido Brasileiro – ASA, Cáritas Regional Nordeste3 e Ministério Público da Bahia. 
 
A ação foi apoiada pelas agências internacionais HEKS/EPER; Christian Aid; Brot für die Welt e Misereor.
 
Fonte: CESE
Fotos: Thomas Bauer

 
Os dados sobre violência contra a mulher não param de impressionar: de 2017 para 2018, aumentaram tanto os casos de feminicídio quanto os de violência doméstica, aponta o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A cada dois minutos uma mulher sofre violência em casa. Esse tipo de levantamento costuma levar em conta a raça e a escolaridade das vítimas, mas deixa de lado um aspecto importante da equação: a relação entre violência doméstica e a religião dessas mulheres.
 
Esse tipo de levantamento costuma levar em conta a raça e a escolaridade das vítimas, mas deixa de lado um aspecto importante da equação: a relação entre violência doméstica e a religião dessas mulheres.
 
Um dos poucos trabalhos sobre o tema foi desenvolvido pela teóloga Valéria Cristina Vilhena e publicado no livro "A igreja sem voz - análise de gênero da violência doméstica entre as mulheres evangélicas", de 2016. O estudo, feito na Casa Sofia, espaço de acolhida na cidade de São Paulo, mostra que 40% das mulheres vítimas de agressões físicas ou verbais dentro de casa se declaram evangélicas. No Brasil, os evangélicos correspondem a cerca de 30% da população.
 
A fim de lidar com essa realidade, 20 mulheres, entre pastoras e líderes evangélicas de diferentes congregações, no Espírito Santo, criaram um grupo de trabalho para debater o assunto nas instituições religiosas. O projeto foi abraçado pela vice-governadora do estado, Jaqueline Moraes.
 
O trabalho começou em março, mês da mulher. "Jaqueline convidou diversas instituições para debater o problema estrutural da violência contra a mulher. Conversando, percebemos a necessidade de falar sobre o tópico dentro da igreja", diz Andreia Bolzan, uma das integrantes do projeto e líder de célula da Igreja Batista Evangélica Vitória do Espírito Santo, que frequenta desde os sete anos.
 
"O propósito é conscientizar todos os envolvidos nesse tipo de situação: a vítima, o agressor e os filhos. É preciso discutir isso no âmbito religioso porque muitas vezes esses temas são tabus, e a negação de qualquer assunto impossibilita o tratamento." 
 
Perdoar ou denunciar?
 
Vergonha, medo de expor o agressor ou dificuldade em se sustentar financeiramente são alguns dos motivos que levam mulheres a não relatar violências que sofrem dentro dos lares. Na igreja, diz Andreia, soma-se a esses fatores a ideologia cristã do perdão. "É como se denunciar fosse algo desnecessário já que o perdão aconteceu. Como Cristo nos perdoa de todos os pecados, nós também temos que perdoar. Mas não é assim. Nós acreditamos no perdão, mas isso não significa que não existam consequências para os atos. Tem que agir. Há oração, mas também há ação. Confunde-se muito a questão humana com a espiritual."
 
É aí que o programa entra: para levar informação, por meio de conversas, palestras, sensibilização, vídeos e relatos das vítimas —canal poderoso de comunicação na igreja. Para isso, o grupo de trabalho auxiliará pastores e líderes locais a trabalhar o assunto. Ou seja, é um projeto conjunto, para que cada igreja se torne protagonista de mudança desse cenário na comunidade onde atua.
 
"O papel da igreja, assim como o de qualquer grupo social, é o de proteger a vítima, de trazer a consequência para o abusador, de educar os homens", diz Andreia. "Talvez a igreja não tenha estrutura para acolher a vítima, mas precisa saber para quem ligar ou para onde levar essa mulher que está passando por algo difícil."
 
O projeto-piloto será posto em prática entre outubro e novembro. A partir daí, as líderes farão os ajustes necessários para, em seguida, abrir a iniciativa para todas as igrejas interessadas em recebê-las.
 
Pastores mandam orar para que a situação melhore
 
Jaqueline Moraes, vice-governadora do Espírito Santo e evangélica há 30 anos, encampou a iniciativa das líderes religiosas.
 
"Quando o projeto chegou até mim, me espantei com o fato de 40% de vítimas serem evangélicas. Ao procurar, descobri que não há um levantamento do tipo no Espírito Santo", diz a vice-governadora. "A violência dentro do ambiente evangélico começa sutil, no psicológico, que é difícil identificar. Ao conversar com o grupo, percebemos que alguns pastores mandam orar para que a situação melhore e não orientam a denunciar. E o ciclo da violência tem que ser quebrado no início para não chegar às vias finais." 
 
Como evangélica, a vice-governadora diz que a Bíblia é toda baseada em amor e qualquer texto que fale da entrega de um casal é baseado em respeito, embora exista quem interprete errado. "Não vamos mexer em nenhum preceito bíblico, vamos trabalhar a comunicação não violenta e conversar para quebrar os conceitos machistas reproduzidos por homens e mulheres", diz Jaqueline.
 
"Em uma conversa com homens, perguntei: 'Quem ajuda em casa?' Todos levantaram as mãos felizes. Rebati: 'Mas como vocês ajudam se fazem parte do lar? É obrigação de vocês também'. A igreja tem um papel fundamental nisso porque é uma célula da sociedade. Tem que trabalhar contra a desumanização e para a quebra de paradigmas."
 
Fonte: Universa Uol
Foto: Pixabay
Obs.: o título foi adaptado

 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) enviou, por meio do Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs (CAIC), uma carta de apoio incondicional aos trabalhos do Sínodo sobre a Amazônia.
 
"Oramos para que as decisões que serão tomadas por este Sínodo contribuam para uma ação evangelizadora encarnada na realidade dos povos das Florestas e na afirmação de que a Casa Comum, em toda a sua diversidade, é uma expressão da graça amorosa do Deus da Criação", diz um trecho do documento.
 
A seguir, confira a íntegra:
 
SAUDAÇÃO ECUMÊNICA PARA O SÍNODO DA AMAZÔNIA
 
Queridos irmãos e irmãs reunidos no Sínodo da Amazônia,
 
Graça e paz!
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) expressa o seu apoio incondicional ao Sínodo da Amazônia, que acontece neste mês de outubro, no Vaticano. Alegramo-nos com vocês pela possibilidade de reunir a diversidade amazônica em um encontro cujo objetivo é discutir a presença evangelizadora da Igreja neste território e, ao mesmo tempo, realizar a denúncia profética das ameaças reais pelas quais passa esta imensa biodiversidade. Tais ameaças são a materialização da ambição humana pelo lucro, sem critérios. 
 
O anúncio é inerente à profecia. Portanto, oramos para que as decisões que serão tomadas por este Sínodo contribuam para uma ação evangelizadora encarnada na realidade dos povos das Florestas e na afirmação de que a Casa Comum, em toda a sua diversidade, é uma expressão da graça amorosa do Deus da Criação. Portanto, cabe a nós, pessoas batizadas, em irmandade com as diferentes tradições de fé presentes neste imenso território, nos deixarmos provocar por esta graça, reconhecendo que a força criativa de Deus transcende a capacidade humana de compreender a complexidade da vida presente no bioma amazônico. Talvez, a Amazônia seja o melhor testemunho de que a Casa do Pai é de muitas moradas (Jo 14.2). Ela é a morada de todos os seres vivos: árvores, rios, sementes, animais, seres humanos, águas...
 
O CONIC, a partir de seu testemunho ecumênico, participa em diferentes iniciativas que têm como objetivo o apoio ao Sínodo da Amazônia. Destacamos o movimento “Somos Amazônia”, impulsionado por Christian Aid com o apoio do Fórum Ecumênico ACT- Brasil que coletou a assinatura de mais de 130 igrejas e organizações ecumênicas da América Latina, que atenderam à convocação para a oração, ação e reconhecimento da urgência em assumir que o planeta corre riscos.
 
Junto com movimentos populares, intelectuais e artistas, reunidos na Escola Florestan Fernandes dialogamos sobre o Sínodo e saudamos a coragem do processo participativo e democrático de construção das propostas apresentadas no Instrumentum Laboris. 
 
Como parte do movimento ecumênico, saibam que nosso Conselho de Igrejas caminha com vocês para que a igreja, enquanto povo de Deus em movimento, se torne cada vez mais defensora dos direitos humanos e das florestas. Somos parceiros no anúncio dos direitos territoriais dos povos indígenas, de quem temos muito que aprender, para avançarmos na perspectiva política do bem comum e do bem viver. Nosso testemunho público da fé em Jesus Cristo expressa-se também no apoio e na promoção da agroecologia, da agricultura familiar, camponesa, indígena, quilombola.
 
Por fim, manifestamos nossa gratidão por oportunizarem que o Conselho Amazônico de Igrejas (CAIC), nossa voz ecumênica na Amazônia, possa participar deste momento na qualidade de convidado-fraterno. Esta gratidão se concretiza no nosso compromisso de promover a fé em Jesus Cristo a partir do respeito à diversidade dos povos e deste imenso território vivo chamado Pan-Amazônia.
 
Ao Papa Francisco, nossa oração.
E aos irmãos e irmãs, nossa gratidão por sermos Um em Diversidade. 
 
CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL
 
 
 
 
English version:
 
ECUMENICAL SALUTATION TO THE SYNOD FOR THE AMAZON
 
Dear brothers and sisters gathered at the Synod for the Amazon,
 
Grace and Peace!
 
The National Council of Christin Churches in Brazil (CONIC) expresses its unconditional support the Synod for the Amazon, which is being held this October in the Vatican. We rejoice with you on the possibility of gathering the Amazonian diversity in a meeting whose purpose is to discuss the evangelizing presence of the Church in that territory, while we prophetically denounce the real threats faced by such immense biodiversity.  Those menaces are the realization of the human craving for profit without criteria. 
 
The announcement is inherent to the prophecy. We therefore pray for the decisions made in this Synod to contribute for an evangelizing action within the reality of the Forest Peoples, in the affirmation that our Common Home, in all its diversity, is an expression of the loving grace by Our Almighty God.  Hence, we the baptized people, in unity with the different traditions of faith in this enormous territory, are to let ourselves be led by that grace, acknowledging that God’s creative power transcend the human capacity to understand the complexity of life in the Amazon biome. Perhaps the Amazon is the best witness that Our Father’s House has many mansions (John 14:2). It is the dwelling of all living beings: trees, rivers, seeds, animals, human beings, waters…
 
From its ecumenical testimony, CONIC takes part in different initiatives that aim to support the Synod for the Amazon. We highlight the “We Are the Amazon” movement, which was promoted by the Christian Aid with the assistance of the Brazilian Ecumenical Forum (ACT) in the collection of signatures from more than 130 churches and ecumenical organizations in Latin America, answering to the call for prayer, action and acknowledgement in the urgency of recognizing the risks faced by our planet. 
 
Along with popular movements, scholars and artists, we met at the Florestan Fernandes School to discuss the Synod and we cheered the courage in the participatory, democratic process to draft the proposals presented in the Instrumentum Laboris. 
 
As part of the ecumenical movement, we affirm that our Council of Churches marches with you so that the Church, as the movement of God’s people, may be increasingly engaged in the defense of human rights and forest rights. We are partners in heralding the territorial rights of the indigenous peoples, from whom we have so much to learn, to advance in the political perspective of common good and good living. Our public testimony of the faith in Jesus Christ is also expressed in the support and promotion of agroecology, and family, peasant, indigenous and quilombola agriculture.
 
Lastly, we wish to express our gratitude for this opportunity that the Amazon Council of Churches (CAIC), our ecumenical voice in the Amazon, could take part in this moment as a fraternal guest. This gratitude is displayed in our commitment to promote the faith in Jesus Christ from the perspective of respect for the diversity of peoples and this immense living territory – the Pan-Amazon.
 
Our prayers for Pope Francis.
To our brothers and sisters, our gratitude for being One in Diversity. 
 
NATIONAL COUNCIL OF CHRISTIAN CHURCHES IN BRAZIL

 
Religiosos no Iraque estão agenciando meninas para atividades sexuais, revela uma investigação da BBC News Arabic (serviço árabe da BBC) sobre a prática xiita do "casamento temporário".
 
A investigação secreta acompanhou escritórios de casamentos dirigidos por clérigos perto de alguns dos santuários mais importantes do Iraque. E descobriu que a maioria dos clérigos procurados estava disposta a abrir caminho para esse tipo de "casamento" por períodos muito curtos, às vezes apenas uma hora, somente para permitir o sexo.
 
Alguns sinalizaram a possibilidade de encontros temporários com meninas de 9 anos. A reportagem indica que os clérigos agem como cafetões e dão bênção religiosa ao abuso sexual de crianças.
 
'Casamento prazeroso'
 
O casamento temporário ou por prazer - nikah mut'ah - é uma prática religiosa controversa usada pelos muçulmanos xiitas para firmar um casamento temporário, pagando uma quantia em dinheiro à mulher. Nos países de maioria sunita, o casamento chamado misyah cumpre uma função semelhante.
 
A prática surgiu supostamente para permitir que um homem se casasse enquanto viajava, mas hoje é usada para permitir que um homem e uma mulher tenham relações sexuais por um período limitado. Estudiosos muçulmanos se dividem a respeito - alguns dizem que ela legitima a prostituição; há também um debate sobre qual deveria ser a duração de um casamento do tipo.
 
Equipes iraquianas e britânicas da BBC conduziram a reportagem por 11 meses, filmando disfarçadamente clérigos, fazendo contato com mulheres exploradas sexualmente e conversando com homens que pagaram pelo serviço.
 
Após 15 anos de guerra, estima-se que 1 milhão de mulheres iraquianas tenham se tornado viúvas e muitas outras perderam suas casas. A equipe da BBC descobriu que muitas meninas e mulheres são levadas a aceitar o "casamento temporário" por causa da pobreza.
 
 
Sinal favorável para casamentos com meninas de 12 anos
 
A equipe encontrou indícios de que os casamentos temporários estão amplamente disponíveis em duas das áreas mais sagradas do Iraque.
 
Por exemplo, foram abordados dez clérigos em Khadimiya, Bagdá, um dos santuários mais importantes para os muçulmanos xiitas. Oito deles disseram que realizariam casamentos temporários; metade disse que poderia fazê-lo com uma menina de 12 ou 13 anos.
 
A equipe também abordou quatro clérigos em Karbala, o maior local de peregrinação xiita do mundo. Eles foram filmados com uma câmera secreta. Três deles disseram que forneceriam mulheres, e dois, meninas.
 
Sayyid Raad, um clérigo de Bagdá, disse ao repórter da BBC - disfarçado - que as leis islâmicas (sharia) não limitam o tempo do casamento prazeroso: "Um homem pode se casar com quantas mulheres quiser. Você pode se casar com uma garota por meia hora e, assim que acabar, imediatamente pode se casar com outra".
 
Perguntado se era aceitável ter um casamento temporário com uma criança, Raad respondeu: "Apenas tome cuidado para que ela não perca a virgindade".
 
"Você pode ter preliminares com ela, deitar com ela, tocar seu corpo, seus seios... Mas você não pode penetrá-la de frente. Mas o sexo anal, tudo bem", continuou.
 
Questionado sobre o que aconteceria se a garota se machucasse, o clérigo respondeu encolhendo os ombros: "É entre vocês dois se ela pode suportar a dor ou não."
 
Sheikh Salawi, um clérigo de Karbala, foi perguntado sob uma câmera secreta se uma menina de 12 anos seria aceitável para o mut'ah. "Sim, a partir dos nove anos... Não há problema algum. Segundo a sharia, não há problema", diz ele.
 
Como Raad, Salawi disse que o único problema era se a garota fosse virgem. As preliminares eram permitidas e o sexo anal apenas se a menor consentisse, ele aconselhou, antes de acrescentar: "Faça o que você deseja".
 
Casamento por telefone
 
Para testar os procedimentos que envolvem a prática com uma criança, o repórter descreveu para Sayyid Raad uma garota de 13 anos chamado "Shaimaa", com quem ele queria um casamento de prazer. Na realidade, a garota era interpretada por uma colega da BBC.
 
(Placas mostram escritórios de casamentos temporários em Kadhimiya — Foto: BBC)
 
Sayyid Raad não pediu para conhecê-la ou conversar com sua família. Sentado em um táxi com o repórter disfarçado, ele concordou em realizar o casamento por telefone.
 
Ele perguntou à garota: "Você concorda, Shaimaa, em me dar seu consentimento para casar com ele, que te pagará 150.000 dinares por um dia?".
 
No final, ele disse: "Agora vocês dois são casados ​​e é halal (permitido) estar juntos."
 
Ele cobrou ao repórter disfarçado US$ 200 (cerca de R$ 815) pelos poucos minutos da "cerimônia" e não demonstrou preocupação com o bem-estar da menina de 13 anos de idade.
 
Em outro episódio, o repórter disfarçado se recusou a seguir em frente com um casamento prazeroso, e então um clérigo sugeriu que ele poderia preferir uma garota na adolescência e se ofereceu para encontrá-la.
 
A equipe da BBC registrou ainda o testemunho de uma menor que alega ter sido espancada por um clérigo, o que foi confirmado por outras testemunhas.
 
Cobertura religiosa
 
Um homem casado que usa regularmente casamentos prazerosos para fazer sexo com estranhas fornecidas por clérigos disse à BBC: "Uma menina de 12 anos é apreciada porque ainda é 'fresca'. Ela será cara - US$ 500, US$ 700, US$ 800 (respectivamente cerca de R$ 2 mil, R$ 2,8 mil e R$ 3,2 mil) - e isso é apenas o que o clérigo pode ganhar."
 
Ele acredita que tem apoio religioso para seu comportamento: "Se um homem religioso diz que o casamento de prazer é halal, não conta como pecado".
 
Yanar Mohammed, ativista dos direitos das mulheres que administra uma rede de abrigos femininos em todo o Iraque, diz que as meninas estão sendo tratadas neste sistema como "mercadoria", e não seres humanos.
 
"Usar a 'mercadoria' de algumas maneiras é permitido, mas a virgindade é resguardada como uma grande venda a ser feita no futuro", diz, indicando que a "grande venda" significa casamento.
 
Quando a virgindade de uma menina já foi perdida, ela é vista como não casável e corre o risco de ser morta por sua própria família por representar uma desonra.
 
"São sempre as meninas e mulheres que pagam o preço", diz Yanar Mohammed.
 
Condenação
 
Ghaith Tamimi é um ex-clérigo xiita de alto escalão no Iraque que agora está exilado em Londres depois de opinar sobre o fundamentalismo.
 
Ele condenou os clérigos que usam o casamento por prazer para explorar mulheres e, em particular, aqueles que sancionam a prática com meninas muito jovens: "O que esse homem está dizendo é um crime que deve ser punido por lei (comentando as gravações)".
 
Alguns líderes religiosos xiitas iraquianos afirmam que a lei islâmica permite atos sexuais com crianças. Tamimi exige que os líderes xiitas condenem essas práticas.
 
Dois dos três clérigos filmados secretamente pela BBC News se descrevem como seguidores do aiatolá Sistani, uma das figuras mais importantes do islamismo xiita.
 
No entanto, em um comunicado à BBC, o aiatolá disse: "Se essas práticas estão acontecendo da maneira que vocês estão dizendo, nós as condenamos sem reservas. O casamento temporário não é permitido como uma forma de vender sexo de uma maneira que menospreze a dignidade e a humanidade das mulheres."
 
Um porta-voz do governo iraquiano declarou à BBC: "Se as mulheres não vão à polícia com suas queixas contra clérigos, é difícil para as autoridades agirem".
 
Fonte: BBC