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Monsenhor Elia Volpi nos deixou no último dia 10 de setembro. 
 
Por muitos anos, Monsenhor Elia Volpi foi coordenador da Comissão Arquidiocesana de Ecumenismo, na Arquidiocese do Rio de Janeiro. 
 
Foi ele quem, em 2001, levou a dom Eugênio Sales o pedido das igrejas evangélicas para a organização do Conselho de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro.
 
Na época, Presbiterianos Unidos, Anglicanos, Luteranos e Metodistas, que já conheciam o monsenhor Elia por seu trabalho ecumênico, assinaram um documento, juntamente com várias comunidades Católicas, pedindo ao cardeal dom Eugênio Sales que apoiasse a organização de um Conselho Ecumênico no Rio de Janeiro. 
 
Monsenhor Elia foi um dos articuladores daquele movimento. Ele conseguiu a aprovação do arcebispo e o Conselho foi organizado em 2002, se tornando, em 2004, um organismo estadual.
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), representado por seu secretário executivo, pastor Ervino Schmidt, presidiu o culto de instalação do Conselho no Rio e deu posse à sua primeira diretoria, presidida por dom Felipo Santoro. 
 
Hoje, passados vinte anos, registramos nossa gratidão e prestamos uma singela homenagem para aquele que, quase sempre nos bastidores, de forma muito humilde e discreta, foi um grande impulsionador do diálogo ecumênico no Rio de Janeiro.
 
"Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor." (Mateus 25:23)
 

 
A Campanha Primavera para a Vida da CESE está na sua 21ª edição. O objetivo da ação é ampliar a articulação com as bases das Igrejas, disponibilizando estudos bíblico-teológicos inspirados em demandas sociais vivenciadas pela organização.
 
Em 2021, a campanha abordará o caminho da verdade como um princípio cristão que produz paz e justiça e denuncia os danos que a cultura de produzir e difundir “Fake News”, expressão sofisticada de expressar o termo "mentira", tem causado em nossa sociedade, de modo mais particular em nossas comunidades de fé. Tendo essa realidade em vista, o tema do ano é: Buscar a verdade: um compromisso de fé. "Guarda os teus lábios de falarem enganosamente, quem diz a verdade manifesta a justiça". Pv 12:17a.
 
Para marcar a data do lançamento, a CESE promoverá um seminário virtual no dia 22 de setembro, às 19h, no youtube da CESE. O seminário contará com a presença de Magali Cunha, jornalista e doutora em Ciências da Comunicação, coordenadora do Grupo de Pesquisa Comunicação e Religião da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM), membro da Associação Internacional em Mídia, Religião e Cultura e da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC) e editora – geral do Coletivo Bereia, primeiro coletivo jornalístico de checagens de fake news religioso do Brasil.
 
O evento também contará com a participação de pessoas de organizações ecumênicas e populares que retratarão como a mentira afetou suas vidas. A mediação será de Sônia Gomes Mota, diretora executiva da CESE e pastora da IPU, e de Bianca Daébs, assessora para ecumenismo e diálogo inter-religioso da CESE e pastora da IEAB. Na ocasião será feito o lançamento de uma publicação com reflexões bíblico-teológicas sobre o tema da campanha (que poderá ser baixado em: www.cese.org.br).
 
Histórico da Campanha
 
Realizada desde o ano 2000, a Campanha Primavera para a Vida aborda, a cada ano, um novo tema. A CESE oferece subsídios bíblicos e teológicos para que as igrejas trabalhem nas suas reuniões, encontros, catequeses, estudos bíblicos e escolas dominicais. A Campanha busca associar a temática da justiça, paz e integridade da criação a outros temas de interesse da sociedade.
 
Em sua primeira edição, trabalhou o tema “Vamos todos juntos semear justiça”. Na edição de 2002, refletiu sobre a necessidade de “Semear solidariedade e paz”. Em 2003, voltou-se para uma das carências que mais aflige o país e clamou por “Pão e paz”. Em 2004, buscou animar a juventude brasileira a se engajar na construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, com o tema “Juventude e paz”. E em 2005, exortou a sociedade a sonhar com uma “Cidade de paz”.
 
Os anos seguintes abraçaram as seguintes reflexões: “Mulheres e homens construindo cidades de paz” (2006); “Direitos e justiça para a paz” (2007); “Direitos e justiça: uma ação para crianças” (2008); “Direitos e justiça” (2009); “Justiça ambiental” (2010); “Direitos e justiça ambiental: cuidar de nossa casa comum” (2011); Justiça ambiental na perspectiva de direitos (2012); “Direitos humanos, desenvolvimento e justiça” (2013); O bem que você faz muita gente compartilha” (2014); “Eu respeito a diversidade religiosa e você?” (2015); “Direito à vida da juventude” (2016); “O clamor dos povos e da terra ferida: mineração aqui não!” (2017); Bem-aventuradas as vidas que defendem os direitos, a justiça e a paz” (2018); “Águas da resistência – ‘… porque tive sede e me deste de beber´ (Mt. 25,35b)” (2019). Em 2020, em decorrência da pandemia Covid-19, abordou o tema “As fomes do povo e as partilhas do reino de Deus em tempos de pandemia – ‘Porque tive fome, e me destes de comer’ (Mt 25.35a)”.

Com informações da CESE
Imagem: Reprodução

 
Nos últimos anos, vemos no Brasil um fenômeno bastante curioso: a extrema necessidade de encontrarmos ídolos que nos libertem da realidade. Isso é muito compreensível em um país com taxas de desemprego sempre galopantes; insegurança alimentar que ameaça milhares de pessoas; ascensão social quase impossível a quem não nasce numa família de classe média; índices de violência que se assemelham a países em estado de guerra, e poderíamos seguir com a lista. 
 
Essa busca por um ídolo perpassa todas as esferas da nossa sociedade. Do futebol temos a constante eleição de semideuses que, façam o que fizer, acabam justificados de tudo em função da “alegria” que proporcionam ao povo. Um exemplo disso foi o caso do goleiro Bruno. Condenado por um crime bárbaro – de ter sido o mandante do assassinato da mãe de seu filho –, ele ainda encontra apoio em uma legião de fãs. Fosse noutros tempos, ou noutras terras, além de ser condenado pela justiça, seria relegado ao mais absoluto ostracismo social.
 
Precisamos de ídolos que nos obliterem de uma realidade sofrida, dura, cheia de incertezas. Hoje temos um emprego. Amanhã, quem sabe como será? Os ídolos nos causam a sensação de que, quem sabe um dia, também poderemos alcançar a felicidade eterna, fama, dinheiro. Os ídolos representam a projeção perfeita de uma realidade fantasiada, que ajuda a enganar a dureza da vida. A devoção aos ídolos, algo muito atual com a ascensão das redes sociais, onde raramente há tristeza, alivia a dor e provoca a impressão que participamos da vida de quem alcançou o topo. Daí a ideia de que temos nossos “mitos salvadores”. Mesmo que tais mitos tenham pés de barro, são adorados e seguidos. 
 
Martinho Lutero dizia “ali onde colocas o teu coração, ali está o Teu Deus”. Este é o sentido da idolatria. Por isso, talvez, caiba a pergunta: o que temos no Brasil são pessoas devotas ao Deus da misericórdia, da paz com justiça, que exige que tenhamos responsabilidade com o bem comum ou temos uma legião de seguidores de ídolos? Onde está o coração das muitas pessoas devotas? Nem sempre está neste Deus que se faz humano entre nós. Por vezes, o coração está na devoção acrítica de pastores, pastoras, padres pops e afins. Pessoas com muita capacidade de retórica, com carisma e discurso audaz. São ídolos que arrastam multidões para seus abismos de poder.  Assim como no futebol, não importam o que façam: eles seguem incorruptíveis diante de seus devotos seguidores. Veja o caso da ex-deputada federal e autodenominada pastora, Flordelis. Condenada por ter mandado matar o próprio marido, segue sendo defendida em suas redes sociais por fiéis seguidores. 
 
A pessoa que segue um ídolo não consegue conceber a ideia de que o objeto de sua adoração possa falhar. Isso seria transformar a realidade idealizada em dor e frustração. É necessário defender a pessoa idolatrada de todas as ameaças de um “mundo corrompido”. Mesmo que o ídolo se apresente como ungido por Deus e mande usar armas, a incoerência não está no discurso do ídolo, mas na realidade corrompida. A violência, neste caso, pode ser um mal necessário para se alcançar a redenção. Varrer o mal para que os bons triunfem. 
 
E, claro, os ídolos também estão na política. Eles estão lá, erigidos em seus altares, aguardando os sacrifícios exigidos para atender os seus devotos. Tais sacrifícios estão presentes na perseguição de tudo o que supostamente pode significar a porta de entrada para o mal: na atual realidade política, um dos sacrifícios exigidos é eliminar, a todo o custo, uma tal de ameaça comunista, ou então, acabar com uma “ideologia de gênero”, mesmo que não se tenha a mínima ideia do que ambas significam. 
 
Mas e quando o ídolo quebra, por que seus pés são de barro? Aí a pessoa idólatra pira. Para esta pessoa, é inadmissível que o “eleito” não seja tão perfeito e acima do bem e do mal quanto se acreditava. Há que arrumar culpados ou culpadas para a queda do ídolo. Nada pode derrubar e acabar com o ídolo. O mito permanece. Cria-se, aí, a figura do ídolo incompreendido, injustiçado, perseguido por quem não reconhece o que é o bem. Um ídolo não peca, não erra, não perde.
 
Superar a idolatria é bastante difícil. Enquanto a realidade for cruel, o ser humano apega-se a tábuas de salvação que criam realidades paralelas. Isso tem sido assim desde a Roma antiga. Por que haveria de ser diferente agora? Fato é que nem ídolos e nem mitos salvam nações. Não salvam, sequer, a eles próprios. E só sobrevivem enquanto as pessoas o reconhecem como tal. 
 
*Romi Márcia Bencke é pastora luterana e atual secretária-geral do CONIC.
 
Artigo publicado, originalmente, no Brasil de Fato DF
Imagem: Pixabay

 
De vez em quando conversamos com pessoas que, em nome da fé, argumentam que não irão tomar a vacina.
 
Influenciadas por uma visão triunfalista de Deus, buscam a todo custo impor a ideia de que "Deus vai nos proteger". Esquecem, porém, que a morte é parte da vida. E que a morte pode chegar por diversas vias, incluindo pela Covid-19. Elas esquecem, também, que o próprio Deus dotou o homem de inteligência (dom divino) para que este pudesse criar soluções aos problemas que enfrentamos. E as vacinas são um exemplo desse dom utilizado a serviço do bem.
 
"Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." (Tiago 4:17)
 
Para fortalecer os argumentos bíblicos pela vacina, a Diaconia criou cards muito legais (veja abaixo), que foram divulgados em suas redes sociais acompanhados do seguinte texto:
 
Os almoços de domingo agora vão ficar mais tranquilos: à luz da bíblia, você pode explicar para seu pai, sua mãe e outras pessoas porque os crentes devem se vacinar. Jesus veio para que tenhamos vida plena, e não morte! E é para viver a vida que o Senhor nos deu que temos de nos vacinar!
 
Veja os cards:
 
 
 
 
Se você gostou dos cards e compartilha dessas mesmas ideias, ajude-nos a divulgar.
 
Vamos juntos pela vacina, pela vida, pelo amor.
 
#vacinassalvamvidas
 
Com informações de Diaconia
Imagens: Reprodução

 
Por pastora Rosane Pletsch*
 
Em meu ministério pastoral, desde que iniciei, até hoje, percebo que há cada vez mais distanciamento com a realidade da morte.
 
Anos atrás, as pessoas eram cuidadas em casa e vinham a óbito em casa; muitas eram veladas em suas casas ou, então, na igreja. Passava-se a noite juntos. O sino, no caso da igreja luterana, batia avisando toda a comunidade circundante que alguém tinha falecido. Se era óbito de adulto ou criança, o sino era batido de forma diferente. No período do velório, as pessoas almoçavam na casa, havia grupos que ajudavam a preparar os alimentos. As pessoas enlutadas não ficavam sozinhas. A vizinhança se envolvia em todo o processo, até ajudava a família enlutada a fazer o serviço na lavoura, pois muitas vezes, já tinham passados semanas no hospital ou em casa mesmo, cuidando do doente. Todo o adoecer era acompanhado com momentos de oração e de visita. Era um apoio integral. Tudo isso é muito importante. Um conceito e uma práxis que devemos buscar atualizar.
 
Hoje, temos os hospitais onde as pessoas doentes são levadas, temos capela mortuária e pouca coisa ocorre em casa ou na igreja. Tudo é mais individualizado e distante da comunidade, dos grupos de apoio.
 
Com a pandemia da Covid-19, nem capela mortuária, nem casa. A pessoa falecida vai direto do leito do hospital para a sepultura. O ato é restrito à família e, às vezes, nem isso. Alguns familiares não viram nada, ou seja, não viram a pessoa falecer e nem viram o seu sepultamento. Este é o caso das pessoas que compõem o grupo de risco ou que estavam em isolamento ou até mesmo internadas também. Tem casos que até se tem dúvidas se a pessoa sepultada ali era, realmente, o seu familiar.
 
O acompanhamento nos casos de morte é feito através de muitos ritos, momentos de empatia, proximidade: o abraço, segurar na mão, o gesto de levar uma flor, compartilhar partes da história de vida da pessoa falecida, mencionar coisas boas que ela fez, ou deixou. Os familiares podem dizer algo, ou simplesmente ser presença. Não é a fala o mais importante nestas horas. Tudo isso são atitudes e gestos de amparo e de entrega. Todos estão ali choram juntos, recebem um abraço de solidariedade. No velório, quanto mais pessoas estão presentes, mais confortante é para as pessoas enlutadas. Muitas vezes me dizem: “Pastora eu nem sabia que meu pai (ou mãe) era tão querido assim. Viu quantas pessoas vieram ao velório?” Tudo isso é conforto. No cemitério ou na casa mortuária, orar juntos, cantar o hino preferido da pessoa falecida, colocá-la na terra, por sobre ela terra e flores... isso tudo é parte do ritual de entrega.  
 
Sabe-se que o corpo está ali, que tudo foi feito com amor e cuidado. Na pandemia, pouco ou quase nada disso pode ser feito. Mesmo nos casos em que o vírus não está mais ativo, o ritual é limitado em relação ao número de pessoas que podem participar. Tudo é feito a distância e até com medo.
 
A CULPA
 
Toda morte gera culpa. A gente sempre pensa que poderia ter feito algo melhor, que poderia ter dito isto ou aquilo. Na pandemia, este sentimento é maior, pois cuidar da pessoa que adoeceu é quase impossível para a família. Quando a família percebe, os sintomas estão ali, a pessoa interna, é intubada, enfim... todo esse processo. Não há mais tempo para dizer algo, para pedir perdão, para explicar algo. A separação é rápida e drástica. Tão importante quanto o ritual fúnebre é o acompanhamento pós sepultamento, quando tudo passou e o luto começa a ser elaborado. No atual momento, tal acompanhamento é muito difícil, pois se um familiar veio a óbito pela Covid-19, há o risco de a família também estar infectada. 
 
ORAÇÃO
 
Quero falar algo também do apelo pastoral, da oração, do pedido a Deus por cura. Está correto correr para os braços de Deus, pedir cura, depositar toda a nossa confiança em Deus. Quem, frente à proximidade da morte de uma pessoa querida, não grita a Deus. Mas eu também tenho visto uma visão meio triunfalista de Deus, e no fundo, uma negação da morte. É como se Deus, como todo poderoso, devesse e pudesse erradicar a morte. Que a morte precisa ser varrida da vida. Claro que Deus pode livrar da morte, mas nós também precisamos saber que a morte faz parte da vida. Ajuda mais, ao invés de um Deus triunfalista, ter a confiança de que também, ou melhor, principalmente, no sofrimento e na morte, Deus se faz presente. Isso não significa falta de fé, nem que Deus abandonou a pessoa. Mas é confiança em Deus, que é solidário, próximo, sensível.
 
*Rosane Pletsch é pastora na Paróquia Evangélica de Confissão Luterana de Maringá, Paraná. 
 
Imagem: Pixabay

 
Eu não, nós”, é o tema da 2ª Campanha para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, iniciativa das Irmãs Scalabrinianas em favor da acolhida compassiva às pessoas em situação de migração e refúgio, para celebrar a diversidade como bem necessário à paz e à fraternidade.
 
O tema é inspirado na mensagem do papa Francisco, intitulada “Rumo a um nós cada vez maior” e na sua Encíclica “Fratelli Tutti” que denuncia a tendência crescente do egoísmo, justificado pela necessidade de autoproteção em tempos de pandemia e em meio a outras crises que ameaçam a sociedade contemporânea.
 
Nesse sentido, por ocasião do 107º Dia Mundial do Migrante e Refugiado, o papa reforça o convite a não pensarmos nos migrantes e nos refugiados como os “outros”, mas trabalhar na construção do “nós cada vez maior” e apontar caminhos comuns. Unidos em um único abraço na diversidade de seres humanos devemos cuidar da Casa Comum como nosso habitat natural que nos faz todos irmãos e irmãs.
 
A programação prevê atividades online devido à pandemia. Possíveis atividades presenciais devem obedecer às normas sanitárias de sua cidade.
 
Organização
 
A Campanha é uma iniciativa da Assessoria de Imprensa Scalabriniana e conta com uma Equipe interconfessional, intercongregacional, composta por padres, religiosas, pessoas em situação de migração e refúgio, jornalistas e artistas.
 
Quem pode participar
 
A organização da Campanha convida a todas as pessoas de boa vontade a participarem ativamente, promovendo algum evento em suas Redes Sociais e espaços: grupos religiosos diversos, ONG’s, movimentos, pastorais, grupos, juventudes, artistas, “ rumo a um nós cada vez maior”.
 
Material da Campanha
 
Os materiais de apoio da Campanha incluem: texto-base, artes para redes sociais, vídeos, podcasts, camisetas e manual, entre outros. Todos podem ser acessados neste link: www.missionariascalabrinianas.org.br. Baixe, compartilhe, divulgue e participe!
 
 
Com informações das Irmãs Scalabrinianas
Imagem: Divulgação

 
O arcebispo de Belo Horizonte (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Walmor Oliveira de Azevedo divulgou nesta sexta-feira, 3 de setembro, um vídeo por ocasião do próximo Dia da Pátria, 7 de setembro. De acordo com o presidente da CNBB, a data deve inspirar em cada brasileiro o reconhecimento de que todos são irmãos, inclusive daqueles com quem não se concorda.
 
Essa verdade, segundo do Walmor, precisa ser contemplada e ajudar no reconfiguramento da interioridade de cada um frente a um contexto no qual o Brasil está sendo contaminado pela raiva e pela intolerância. De acordo com o arcebispo de Belo Horizonte, em nome de ideologias muitos dedicam-se à ofensas, chegando ao absurdo de defender o armamento da população.
 
“Quem se diz cristão ou cristã deve ser agente da Paz e a paz não se constrói com armas. Somos todos irmãos. Esta verdade é sublinhada pelo Papa Francisco na carta encíclica Fratelli Tutti”, disse.
 
Os ensinamentos da Fratelli Tutti, aponta dom Walmor, devem também inspirar cuidados com os que sofrem. “A fome é realidade de quase 20 milhões de brasileiros. Aquele pai que não tem alimento a oferecer para o próprio filho é seu irmão. Nosso irmão. Do mesmo modo, a criança e a mulher feridas pela miséria são suas irmãs, nossos irmãos e irmãs”, afirmou no vídeo.
 
De acordo com o presidente da CNBB, os católicos e cristãos não podem ficar indiferentes à realidade que mistura desemprego e alta inflação, num contexto agravado pela pandemia, situação que acentua as exclusões sociais. A saída, de acordo com o arcebispo, está na urgência em implementar políticas públicas para a retomada da economia e a inclusão dos mais pobres no mercado de trabalho.
 
Povos originários e a Casa Comum
 
O presidente da CNBB afirma que os olhares precisam voltar-se para os povos que estão mais sofrendo, como os indígenas, povos originários.
 
“Nossa pátria não começa com a colonização europeia. Nossas raízes estão nas matas e florestas, num sinal claro nos ensinando que a nossa relação com planeta deve ser pautada pela harmonia. Os povos indígenas, historicamente perseguidos e dizimados, enfrentam graves ameaças do poder econômico extrativista  e ganancioso que tudo faz para exaurir nossos recursos naturais”, disse.
 
O presidente da CNBB dedica um parte da mensagem ao cuidado com a Casa Comum (meio ambiente). Dom Walmor reforça o alerta dos cientistas brasileiros sobre a gradativa queda nos mananciais de água potável no Brasil. “A exploração desmedida e irracional do solo, com a derrubada de florestas, está levando à escassez de água em nossas torneiras. Não podemos deixar que o Brasil, reconhecimento internacionalmente por ser rico em recursos naturais, seja devastado e torne-se uma terra arrasada”, exortou.
 
Exercício da cidadania e superação da crise
 
Dom Walmor enalteceu a importância do dia 7 de Setembro como caminho para contribuir para o exercício qualificado da cidadania. Na mensagem, o arcebispo defende que a participação cidadã na política, reivindicando direitos, com liberdade, está diretamente relacionada com o fortalecimento das instituições que sustentam a Democracia.
 
“Não se deixe convencer por quem agride os poderes Legislativo e Judiciário. A existência de três poderes impede a existência de totalitarismos”, disse. Dom Walmor defende que não é possível aceitar, independentemente das convicções político-partidárias de cada um, agressões aos pilares que sustentam a democracia. Agredir, eliminar, hostilizar, ignorar ou excluir, segundo o arcebispo, são verbos que não combinam com um sistema democrático.
 
No próximo 7 de setembro, dom Walmor fez um pedido aos brasileiros: “respeite a vida e a de seu semelhante. (…) a intolerância nos distância da Justiça e da Paz e afasta-nos de Deus. Somos todos irmãos. No dia da Pátria, 7 de setembro, rezemos para que o Brasil encontre um caminho para superar as suas crises. Rezemos também pelas vítimas da Covid-19 “, reforçou.
 
Dom Walmor encerra o vídeo recordando o trecho de uma mensagem do Papa Francisco: “O bem não é conquista mas uma construção permanente, demandando a nossa dedicação a cada dia”.
 
Clique aqui e leia a íntegra da mensagem da CNBB.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
“Eu vi, a opressão do meu povo no Egito e ouvi-o clamar sob os golpes
dos chefes da corveia. Sim, eu conheço seus sofrimentos”. (Ex 3.7) 
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), soma-se às vozes de lideranças e instituições democráticas que expressam preocupação com o contexto polarizado e belicoso planejado para ocorrer no Dia da Independência. Referendamos a iniciativa do Conselho Nacional de Direitos Humanos que solicitou à Organização das Nações Unidas e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos o acompanhamento das manifestações do dia 07 de setembro com o objetivo de relatar violações aos direitos humanos das pessoas e organizações que defendem a democracia. Da mesma forma, destacamos o alerta e a preocupação de personalidades acadêmicas e políticas internacionais das consequências dos atos antidemocráticos. 
 
Expressamos nosso total repúdio às lideranças religiosas que se valem de seu carisma para inflar as polarizações e colocar o povo contra o povo. A vocação religiosa exige compromisso com a paz e a justiça, conforme expresso em Mateus 5. A aliança entre religião e poder historicamente desencadeou profundos processos de violência. As lideranças religiosas que invocam a fé para justificar e convocar a utilização de armas e insuflar conflitos sociais devem assumir este posicionamento em seu nome e não em nome de Deus. 
 
Há mais de seis anos o Brasil está econômica e socialmente estagnado. As desigualdades sociais são aprofundadas, enfrentamos uma pandemia que matou quase 600 mil pessoas até agora, por total falta de comprometimento das instituições que deveriam zelar pela vida e pela saúde da população. É urgente garantir políticas públicas para atender as pessoas que ficaram com sequelas da COVID-19, bem como, o apoio aos órfãos e órfãs da pandemia. É também urgente fazer o país voltar a crescer. O PIB brasileiro teve uma média de crescimento negativo de -1% nestes últimos seis anos (2015-2020). Este resultado se reflete no aumento do desemprego, que atinge 14,4 milhões de pessoas. A estagnação econômica se combina na pior das inflações, o aumento do preço dos alimentos, que, em julho deste ano, comprometeu aproximadamente 62,95% do salário-mínimo líquido. A título de comparação, nos seis anos anteriores, entre 2009 e 2014, o PIB brasileiro cresceu em média 2.8%, o que é muito pouco considerando um país que não consegue sair da condição de país de renda média há mais de 40 anos.  
 
Na cidade de Brasília, em frente ao STF, diariamente, acompanhamos as peregrinações e os rituais dos povos indígenas, que vivem a tensão entre garantir o seu direito ao território ou perdê-lo. Nossos problemas são o enfrentamento ao racismo estrutural, à falta de soberania, à ausência de segurança alimentar, camuflada pela polarização entre comprar fuzil ou feijão.
 
Urge uma agenda política e econômica soberana para construir saídas coletivas para o nosso desenvolvimento econômico, inclusivo e sustentável. Este debate é essencial para um projeto de nação. O Brasil é um grande exemplo de que a soma entre riqueza e desigualdade tem como resultado a pobreza. Investimentos sociais na saúde e educação não são gastos e nem desperdício, mas talvez um dos investimentos mais rentáveis. Estudo do Banco Mundial de 2018 aponta que os retornos obtidos com os investimentos em educação são altos. Para cada R$ 100,00 reais investidos pelo Estado em educação há um retorno estimado de R$ 110,00.
 
Neste sentido, a maior autocrítica que as elites brasileiras podem fazer é contribuir para a construção de um projeto de nação voltado para o fortalecimento de educação e de saúde públicas e universais, crescimento econômico, redução das desigualdades e ambientalmente sustentável.
 
Os movimentos sociais, populares, indígenas, ambientais, de mulheres e negros há muitos anos indicam alternativas para sairmos do círculo vicioso que nos leva sempre ao mesmo lugar: concentração de riqueza e luxo para as elites em detrimento do desemprego, da destruição ambiental, do racismo e da fome. 
 
Vislumbrar esperança para o Brasil, necessariamente exige o que profetizava o profeta Amós: que o justo não seja vendido por dinheiro, que o indigente, não seja vendido por um par de sandálias, que a cabeça dos fracos não seja esmagada no pó da terra e que a vida das pessoas oprimidas não se torne impossível (Am 2.6-8).
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
 
 
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Outras igrejas históricas que também já se posicionaram contundentemente:
 
 

 
A Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, em fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo e de modo coerente com sua história, reafirma seu compromisso com a construção de uma sociedade justa e com a defesa da democracia, em que haja “vida e vida em plenitude”.
 
Assumimos como uma de nossas principais responsabilidades: “8. Fazer a proclamação profética incessante dos princípios éticos e sociais do evangelho de modo que sejam denunciados todos os erros dos poderes públicos, sejam de omissão ou comissão, que resultem em ameaças ou obstáculos à paz social ou tendam à destruição da nossa estrutura democrática (Pronunciamento Social, 10/09/1978).”
 
Esclarecemos que o campo evangélico, protestante ou reformado é bastante diversificado em nosso país, por isso registramos que ninguém pode se apresentar como uma liderança que representa a voz de todo povo evangélico e que lideranças fundamentalistas e midiáticas não nos representam.
 
Defendemos que a liberdade de expressão, um pilar democrático, não pode ser usada como permissão para desrespeitar, ameaçar, agredir, incitar crimes ou praticá-los, seja contra pessoas, seja contra instituições basilares como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal.  Vale ressaltar que não apoiamos visões armamentistas e violentas como solução para os problemas de nossa sociedade. Acreditamos que “o fruto da justiça será a paz. De fato, o trabalho da justiça resultará em tranquilidade e segurança permanentes” (Is 32.17).
 
Ao incentivar nossos (as) eclesianos (as) ao exercício de uma cidadania responsável, nossa recomendação é que se comportem como pessoas livres, “não usando a liberdade como desculpa para o mal, mas como servos(as) de Deus” (I Pd 2.16).
 
Deste modo, conclamamos irmãos e irmãs a não participarem dos atos convocados para o dia 7 de setembro (Dia da Independência do Brasil), mas que orem e colaborem pela preservação e aperfeiçoamento de nosso regime democrático, pela superação da pandemia e deste momento de duras dificuldades para nosso povo, marcado por insegurança alimentar, crescente desemprego, inflação, violência. Não esqueçamos, como bem expressou o Rev. João Dias, que “a injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus”.
 
Que Deus abençoe nosso país e nos conduza por veredas de misericórdia e solidariedade, justiça e concórdia, fé e esperança. Amém.
 
Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (CC-IPU 2020-2023)
Rev. José Roberto da Silva Cavalcante – Moderador
Rev. Wilson Lords Torres – Vice Moderador
Presb. José Augusto Amorim Cunha Júnior – 1º Secretário
Rev. Francisco Benedito Leite – 2º Secretário
Presbª. Cristiane Correia Monteiro – Tesoureira

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