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“É tempo de lançar um apelo profético como testemunho da verdade. Somos convidados a permanecer apegados a nossa identidade oriental e a permanecer fiéis a nossa missão. Assumindo o cuidado do pequeno rebanho, nós Patriarcas orientais estamos aflitos ao assistir a hemorragia humana dos cristãos que abandonaram suas terras no Oriente Médio.”

É uma das passagens mais significativas do comunicado difundido esta sexta-feira pelo Conselho dos Patriarcas Católicos do Oriente ao término da sessão anual realizada em Dimane, no Líbano, sede de verão do Patriarcado maronita, e do qual participou o núncio apostólico no Líbano, Arcebispo Gabriele Giordano Caccia.

Numa sessão ecumênica estiveram presentes também os patriarcas greco-ortodoxo John Yazigi, sírio-ortodoxo Ignazio Efrem II, o catholicos da Igreja apostólica armênia Aram I e o presidente da comunidade evangélica na Síria e no Líbano, Salim Sahyouni.

“Permaneçamos radicados na terra dos pais e dos antepassados – é o apelo – esperando contra toda esperança num advir em que, como componentes de um patrimônio autêntico e específico, sejamos compreendidos como fontes de enriquecimento para nossas sociedades e para a Igreja universal no Oriente e no Ocidente.”

Os patriarcas exortam a não deixar de proclamar “a verdade na caridade, a legitimidade da separação entre estado e religião na constituição de nossas pátrias, a igualdade de todos face aos direitos e deveres, sem acepção de pertença religiosa ou comunitária”.

Na nota, reportada pelo jornal vaticano L’Osservatore Romano, o Conselho critica a comunidade internacional por assistir, uma após outra, por causa da insegurança e da emigração, a extinção das Igrejas orientais no Iraque, Síria, Palestina, Líbano, Egito, sem que a sua reação seja à altura da tragédia.

Eles dão conta de que, se esse estado de coisas continuar, se tratará de um verdadeiro “projeto de genocídio” e de uma “afronta à humanidade”.

Pedimos às Nações Unidas e aos países atingidos de modo direto pelos conflitos na região que acabem com as guerras, cujos objetivos se tornaram claros: destruir, matar, impelir ao êxodo, relançar as organizações terroristas, defender o espírito de intolerância e de conflito entre as religiões e as culturas.

A prossecução desta situação e a incapacidade de estabelecer uma paz justa, global e duradoura na região, assegurando o retorno dos refugiados e dos deslocados a suas casas com dignidade e na justiça, permanecerão como um estigma de vergonha para todo o Séc. XXI.

Os patriarcas católicos dirigem-se também ao Papa Francisco: “Somos uma nação com largas fronteiras, ou que atraem a atenção dos gigantes das finanças; somos um pequeno rebanho pacífico. Um pequeno rebanho que não conta com nenhum outro que Vossa Santidade para convidar os grandes que presidem os destinos do mundo”.

A mensagem coincide com a publicação de cifras eloquentes sobre a diminuição dos cristãos nos vários países do Oriente Próximo, em particular no Iraque, Síria e Terra Santa (onde representam somente 1,2% da população); na Síria, por causa da guerra deflagrada em 2011, o número deles caiu (de 250 mil para 100 mil, segundo estatísticas recentes). No Iraque os representantes da comunidade cristã estão tendo dificuldade para convencer a população da planície de Nínive a voltar para casa.

Fonte: RL/L’Osservatore Romano
Foto: Reprodução (Rádio Vaticano)

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Criado para reunir dados de incidentes sectários ocorridos no Egito desde 2013, o “Eshhad” usa um mapa online com informações detalhadas de ataques para denunciar cada um deles à ONU e já existe a ideia de levar a iniciativa ao Iraque e à Síria, para proporcionar mais liberdade religiosa ao Oriente Médio.
 
Para a diretora do “Eshhad” (que quer dizer testemunha em árabe), Amira Mikhail, o mapa torna as informações mais acessíveis.
 
“As estatísticas cansam um pouco as pessoas, mas o mapa nos dá uma imagem completamente diferente dos números. Faz a gente entender melhor onde e como ocorrem os problemas”, afirmou Mikhail à Agência Efe.
 
Usando diferentes cores, o mapa indica a natureza de cada incidente e a crença religiosa da pessoa ou grupo que sofreu a agressão ou a injustiça. Apesar de ser uma ferramenta de informação, o eshhad.timep.org não está disponível no Egito, onde as autoridades bloquearam mais de 100 sites independente de ONGs ou relacionadas ao Catar, por supostamente promover o terrorismo.
 
Mikhail contou que o “Eshhad” nasceu com o propósito de documentar a violência sectária e dar visibilidade a este fenômeno. Para ela, é muito complicado pensar que alguém tenha que mudar o seu pensamento ou religião por medo.
 
“Já vimos casos de pessoas que não têm nem mesmo o passaporte, outros tiveram suas casas ou propriedades incendiadas”, relatou a diretora do projeto, destacando que nem todas as vítimas querem, ou têm a possibilidade, de abandonar sua terra para fugir da opressão.
 
Mikhail destacou que, além de disponibilizar esses dados para o público em geral, quer reunir as informações e apresentar os dados à ONU, quando tratados internacionais que defendem os direitos das minorias religiosas ou étnicas estiverem sendo violados.
 
“Queremos que a ideia de liberdade de credo tenha mais peso na ONU”, ressaltou Mikhail, que mora nos Estados Unidos, mas vai com frequência ao Egito onde trabalha com uma equipe.
 
O trabalho preciso e amplo. “É preciso focar em todas as minorias do Egito – que incluem cristãos, judeus, xiitas, sufis, bahais e ateus – e no caso da Síria e do Iraque, também é preciso levar em conta às minorias étnicas”, explicou.
 
O trabalho de documentação de “Eshhad” é importante porque a situação das minorias religiosas no Egito piorou muito neste ano, com o assassinato de “96 pessoas, entre elas 94 cristãos e dois sufis”.
 
Ao todo, foram quatro ataques contra três igrejas e um grupo de cristãos coptas, entre dezembro do ano passado e maio deste ano, e que foram reivindicados pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI).
 
Este é o pior dado que o projeto registrou nos últimos quatro anos, nos quais registrou mais de 500 incidentes de violência sectária em todo o Egito, a maioria contra cristãos.
 
Ishak Ibrahim, advogado na ONG Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais, declarou à Efe que é difícil oferecer um número global de ataques contra as minorias em todo o país, que “aumentaram devido aos recentes atentados contra cristãos e os seus locais de culto”.
 
Tanto Ibrahim quanto Mikhail destacam a província de Minya, ao sul do Cairo, e onde se concentra o maior número de cristãos no país, como o lugar com mais incidentes sectários.
 
Segundo o advogado, as autoridades não intervêm na maioria dos casos, o que faz com que os crimes fiquem impunes ou que aconteçam “castigos coletivos”.
 
“Se existe um problema entre um cristão e um muçulmano, os vizinhos transformam em alvo todos os cristãos que vivem no bairro, mesmo que não tenham nada que ver com o incidente em questão”, disse.
 
Ibrahim lembra também que não são apenas os coptas que sofrem discriminação, mas também os xiitas, que não podem praticar os seus rituais religiosos e contra os quais existe um “discurso instigador” por parte de instituições públicas.
 
Além disso, os muçulmanos sunitas – maioria no Egito – foram perseguidos pelo Estado, como a escritora Fatima Naoot e o apresentador de TV Islam Behery, que foram julgados “apenas por ter opiniões diferentes” sobre o islã.

Por EFE
Foto: Chris Hondros/Getty Images
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Entidades sindicais, pastorais sociais, movimentos populares, partidos políticos e organizações religiosas realizaram na noite da terça-feira (8) ato de lançamento da edição 2017 do Grito dos Excluídos no Distrito Federal. O evento, que ocorreu na Cúria Metropolitana de Brasília, dá início ao processo de mobilização que deve culminar em uma manifestação no Dia da Independência (7 de setembro), sob o lema “Por Direitos e Democracia a Luta é Todo Dia”. O mote diz respeito ao contexto nacional marcado pela imposição do programa de austeridade por meio do governo de Michel Temer (PMDB).

Pelas Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o frei Olávio Dotto lembrou o histórico do evento, apontando um dos objetivos do Grito é evidenciar as causas da exclusão social.

“O Grito tem uma história de 22 anos. É importante fazer a memória de seu surgimento. Era também um tempo difícil. Se decidiu ter um espaço permanente no qual se mostre o rosto dos excluídos. O grito não é só o Sete de Setembro, é todo processo que culmina nele”, afirmou.

Dotto também pediu unidade às forças populares: “Diante de tudo que estamos sofrendo, é tempo de caminharmos juntos”.

A pastora luterana Romi Benck, secretária-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), analisou o contexto no qual se insere a realização do Grito dos Excluídos esse anos:

“Nós não temos mais democracia. O que nós temos é o totalitarismo econômico e financeiro que quer decidir e comandar nossas vidas. Há um ano, se votava pela ruptura democrática em nome de Deus. Esse ano, votaram pela permanência [de Temer[ em nome da economia. É de se perguntar: que fé rege a posição dos parlamentares? É o deus mercado”.

Benck fez também um apelo para que as organizações presentes no lançamento cultivem entre a população a possibilidade de indignação.

“Deus exige misericórdia, não sacrifícios. Nós estamos cansadas dos sacrifícios diários que nos são impostos. Uma das grandes mensagens do Evangelho é a possibilidade de resistir ao totalitarismo. Nós vivemos em um país autoritário. É importante que nós falemos de desobediência. Nós precisamos redescobrir a liberdade”, declarou.

Representando os movimentos populares na mesa de abertura, Laura Lyrio, militante do Levante Popular da Juventude, apontou a importância da relação entre os setores progressistas das igrejas e as organizações políticas. Tal vínculo, para ela, “é a afirmação de que a luta popular e a luta pela vida é uma só”.

“O processo de golpe [a partir de 2016] é a radicalização da exclusão do povo do poder. Para superar esse cenário, é necessário formular um projeto nosso. O vínculo com a Igreja nos permite construir uma mensagem de esperança”, defendeu ela.

Fonte: Brasil de Fato
Foto: Reprodução

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O CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil realiza, entre 21 e 24 de agosto, sua XVII Assembleia Geral Ordinária (saiba mais clicando aqui). A ação contará com a participação de diretores, representantes das igrejas-membro do Conselho, além de membros fraternos, regionais e parceiros do CONIC pelo Brasil. Está programada para ocorrer, dentro da programação da Assembleia, o Seminário Relações Estado e Sociedade, nos dias 23 e 24, com o tema “A relação entre Estado e Organizações Religiosas: Filantropia e Imunidade”. O Seminário é uma parceria entre o CONIC e o Coletivo Inter-Religioso para a Relação Estado e Sociedade.

O Seminário objetiva:

a) refletir sobre a presença religiosa no espaço público brasileiro e sua relação com o Estado;
b) debater, a partir do contexto religioso brasileiro, sobre as finalidades das organizações religiosas;
c) refletir sobre as tensões existentes na cooperação entre Estado e as Ações Sociais das Organizações Religiosas;
d) traçar caminhos de diálogo entre Estado, Organizações Religiosas e organizações da sociedade civil com vistas ao interesse público;
e) identificar desafios e mecanismo que conduzam para a melhoria da relação do Estado com as Organizações da Sociedade Civil.

A finalidade do Coletivo Inter-Religioso é atuar de forma organizada, com identidade própria, na relação cooperativa entre religiões e Estado; no diálogo e articulação permanente entre as instituições religiosas e o Governo, bem como com outros grupos já constituídos e que atuam na melhoria do ambiente regulatório por um Estado de Direitos.

Contextualização

A presença religiosa no espaço público brasileiro é diversa e manifesta-se de diferentes formas, cultos, ritos. Essa presença é uma das expressões da rica diversidade que constitui o Brasil como nação. Temos motivos para celebrar a pluralidade religiosa que se apresenta com vigor, em especial, quando imagina-se, que nessa liberdade de se apresentar, algumas tradições religiosas que até pouco tempo não eram reconhecidas como religião, podem finalmente ter reconhecidas a sua dignidade religiosa.

No entanto, como reação negativa a essa presença religiosa pública, cada vez mais plural, surgem também movimentos de afirmação de identidade, de negação e, por vezes, perseguição entre diferentes manifestações de fé. Nesse caso, as perseguições mais recorrentes são as sofridas pelas religiões de matriz africana, indígenas. No entanto, não são exceção as manifestações contrárias à tradição católica romana, protestantes, judaísmo, islamismo.

A Constituição Brasileira é relativamente generosa quando o assunto é religião. Ela garante a livre manifestação de cultos, facilita a abertura de templos e, apesar de afirmar a separação entre religião e estado, possibilita que possa ocorrer a cooperação entre religião e estado para o interesse público.

Este último aspecto de nossa constituição, tem provocado alguns debates interessantes sobre o tratamento tributário dado aos templos e às organizações religiosas. A justificativa para essa diferenciação fundamenta-se em algumas ocorrências de escândalos financeiros envolvendo lideranças religiosas.

Soma-se a essa discussão a possibilidade da extinção da Lei da Filantropia. Organizações religiosas, em especial, as de Assistência Social, que realizam trabalhos de significativo impacto social, podem ser afetadas. Em um contexto de gradativa fragilidade das políticas públicas, principalmente nas áreas da educação e da saúde, o fim da filantropia poderia dificultar ainda mais que pessoas pobres acessem serviços fundamentais.

Por fim, não se pode deixar de considerar algumas medidas jurídicas e alguns mecanismos utilizados que reprimem a expressão religiosa e que interferem diretamente na forma como tradições religiosas celebram seus ritos e realizam sua ação social.

Sabemos que os temas expostos são complexos e apresentam questões difíceis de serem abordadas. Entre as próprias organizações religiosas existem olhares diversos sobre cada uma destas questões.

Não têm sido raros os casos de desvios e ilícitos cometidos por autoridades e lideranças e organizações religiosas inclusive aquelas dedicadas à ação social de interesse público.

Observa-se também casos de falta de transparência sobre origens e utilização dos recursos financeiros arrecadados por organizações religiosas dos mais diferentes cultos.

Também nos perguntamos: O que caracterizaria uma organização religiosa? Seria possível estabelecer critérios para definir taxações tributárias?

É por isso que queremos olhar para estas questões e refletir sobre elas, a fim de contribuir para um diálogo propositivo.

Serviço:

O Seminário será no Instituto Bíblico - Endereço: Módulo F, SGAN 601 - Asa Norte, Brasília - DF, 70830-010, com início às 14h do dia 23/08 e término às 12h do dia 24/08.

Salientamos que a organização do evento assumirá somente as despesas com alimentação e infraestrutura. Quaisquer informações adicionais sobre o evento poderão ser obtidas por meio do endereço pastoral@anec.org.br.

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Dom Luiz Demétrio Valentini, bispo-emérito de Jales (SP), esteve em Brasília-DF, dias 31 de julho e 1º de agosto, para o encontro dos bispos da área social e os que integram a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Natural de São Valentim (RS), o religioso, que presidiu a Cáritas Brasileira por dois mandatos, concedeu entrevista ao Portal da CNBB sobre a crise brasileira. Para ele, o silêncio das ruas não é uma concordância tácita com o que está acontecendo, como alguns querem fazer acreditar. Pelo contrário, “é um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças e sinais concretos para recuperar o rumo da caminhada histórica do Brasil”.

De acordo com o bispo-emérito, o poder Judiciário e o Congresso Nacional estão instrumentalizados para salvar os seus próprios privilégios. “Não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação”, disse. Dom Demétrio disse que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos agora serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados.

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Segundo o bispo, “o trecho do cântico de Jeremias (Cântico Jr 14,17-21): “Até o profeta e o sacerdote perambulam pela terra sem saber o que se passa”, é uma descrição simbólica do que estamos vivendo no país. O religioso afirma que torna-se necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para que a cidadania brasileira reencontre os rumos do país. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao Portal da CNBB.

Portal CNBB – Como avalia a crise política brasileira?

Dom Demétrio – Certamente, estamos vivendo um momento difícil, todos reconhecem, no qual há uma perca da identidade do povo brasileiro. Se torna necessário ajudar o povo brasileiro a reencontrar sua identidade e destino históricos, sua feição cultural, sua tradição e fazer convergir todas estas realidades para recuperarmos um projeto de Nação. Estamos esquecendo nosso projeto de nação. Estamos sentindo novamente a necessidade de fazer, por exemplo, uma nova semana social brasileira para que a Igreja possa cumprir esta tarefa importante que tem de identificar e saber o que está acontecendo. Como diz o cântico de Jeremias: “Até o sacerdote e o profeta perambulam pela rua sem saber o que acontece”. É um pouco a descrição simbólica da realidade que estamos vivendo agora. A ausência de posicionamento revela de um lado um descrédito muito grande. Uma distância sempre crescente entre as estruturas sociais políticas e a vida do povo brasileiro. De tal modo que há um descrédito generalizado. Não é uma concordância tácita não, como alguns pretendem instrumentalizar este silêncio das ruas. É um sintoma preocupante de que não temos mais esperanças, sinais concretos de referências práticas para recuperar o rumo da nossa caminhada histórica do Brasil. Estamos vivendo um momento difícil que se caracteriza, sobretudo, pelo descrédito das instituições e por sua incapacidade em recuperar e superar a pecha sempre crescente da sua falta de legitimidade perante o povo brasileiro. Estamos vivendo um momento muito difícil no Brasil e precisamos nos rearticular, enquanto Pastorais Sociais da CNBB como um todo, e retomar nossa missão profética de questionar os equívocos que estão acontecendo, os erros praticados e projetar para frente um novo projeto de Brasil que queremos.

Portal CNBB – Como avalia os passos do Michel Temer depois do impeachment da presidenta Dilma Rousseff?

Dom Demétrio – Se há dificuldades de convergências em torno de um projeto de país por outro se criou uma convergência que assusta. Interesses que estão se consolidando e convergindo para que se instrumentalizem o Congresso Nacional e o poder judiciário para salvar os próprios privilégios. Há uma espécie de trama que está sendo orquestrada para que isto se torne invisível e leve o Congresso a retrocessos políticos como, por exemplo, o que estamos assistindo com a nova lei trabalhista aprovada e a nova a lei da previdência social que estão propondo. Existe um interesse do liberalismo econômico que está voltando com força, como se a solução do Brasil fosse voltarmos aos tempos da revolução industrial em que se confrontavam os pequenos contra os poderosos, sempre com desvantagem evidente para os pequenos. Agora estamos assistindo esta realidade em que os grandes interesses convergiram e o presidente que temos serve de instrumento da execução destes interesses escusos que não são publicados, mas que aos poucos precisamos identificar para nos posicionar diante da crise política que estamos vivendo.

Portal CNBB – Como avalia o papel que o judiciário está desempenhando neste contexto de crise?

Dom Demétrio – Infelizmente ele também padece de credibilidade. Poucos têm segurança em pensar no Supremo Tribunal Federal e em outras instâncias da Justiça Brasileira. Existe uma insegurança e uma mescla de ações e atitudes que são claramente partidárias. Por exemplo, não se pode permitir que ministros do Supremo Tribunal Federal façam do seu cargo uma opção política partidária a ser defendida publicamente. Isto diminui a legitimidade, a confiança e é perigoso para uma nação. Quando se perde a confiança no judiciário estamos no limite da credibilidade fundamental que é preciso que exista, minimamente, para se levar em frente um projeto de país. Então o próprio Judiciário precisaria se questionar e deixar de ter posicionamento partidário e voltar a cumprir sua missão de ser a instância capaz de discernir e fazer as ponderações necessárias e avaliar bem para tomar decisões com legitimidade. A falta de credibilidade do judiciário é mais um sintoma da crise que estamos vivendo.

Portal CNBB – Neste contexto de crise das instituições e da própria democracia no Brasil, qual deve ser o papel da Igreja?

Dom Demétrio – Precisamos retomar a intuição de uma Constituinte para de novo repropor um projeto de país. Neste sentido, a Igreja se sente próxima ao povo, e deve se tornar mais próxima ainda, para poder recolher e ajudar a articular. Falta articulação no país agora, falta uma mediação e não existem instâncias que têm credibilidade para fazer esta mediação. Penso que a Igreja pode propor e se apresentar, não como aquela que tem a solução, mas com quem estimula a cidadania brasileira a reencontrar os rumos do país. Penso que a Igreja não pode fechar os olhos e não se omitir, precisa enfrentar o desafio de compreender a realidade e perceber quais são os interesses que estão em jogo e não se deixar instrumentalizar. Existe um desafio bem concreto para a Igreja de voltar a assumir a causa do país para que a cidadania possa retomar a sua vigência, sua ação concreta e sua articulação em benefício de toda a nação brasileira.

Fonte: CNBB
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

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Há uma ecumenicidade latente nos corredores seminarísticos protestantes, cuja efervescência vai se diluindo na passagem para os corredores paroquiais.

Tento trabalhar uma percepção de Rubem Alves levantada no livro Dogmatismo e Tolerância, segundo a qual grande parte dos alunos e alunas formado(a)s nos seminários protestantes são liberais em seu tempo de formação teológica e quando vão paras as igrejas experimentam uma recaída conservadora.

Para Rubem a organização institucional do protestantismo é tal que inibe, na fonte, o fluxo de ideias novas. Essa mesma lógica explica o isolamento do pensamento teológico europeu, mantido sob rígida quarentena – em certo sentido, até hoje – nas igrejas do protestantismo histórico como as presbiterianas, da qual sou membro.

Inibe o fluxo do novo, as ânsias do Espírito, na forte expressão de Jether Pereira Ramalho, para quem o repertório de significantes ecumênicos é um dos mais lindos e inspiradores sinais dos tempos. É um processo, um movimento rico e desafiador que jamais poderá ser reduzido às suas expressões institucionalizadas, embora importantes e significativas. E não é monopólio de nenhum grupo e muito menos uma simples estratégia eclesiástica.

É, no limite, um processo de conversão e abertura às surpreendentes formas e lugares da presença e atuação da Ruah Javeh. Trata-se de uma atitude ecumênica que passa pelas camadas institucionais, mas vai além delas. Trata-se, como dizia um antigo folheto do CONIC, de um movimento de saída dos interlocutores do isolamento, da desconfiança, para uma atmosfera de mais simpatia, estima e respeito.

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Por isso Rubem Alves vai dizer no Dogmatismo e Tolerância, que “os fundamentos do ecumenismo” só possam advir a partir do colapso dos critérios institucionais e doutrinários na definição da comunidade cristã. Dado o perigo da redução do registro institucional como poder político da afirmação de uma ortodoxia, corre-se o risco perene de um ecumenismo reduzido a negociação entre corpos eclesiásticos.

Naquele momento Rubem referia-se ao impacto exercido pelas comunidades eclesiais de base, na segunda metade dos anos setenta, ecoando a afirmação do Pe Comblin que escrevera: Não se trata de modificar, nem de melhorar as instituições existentes: foi o que se fez nos últimos cinquenta anos sem resultado. Trata-se de substituir instituições obsoletas por outras mais adequadas à evolução contemporânea das metrópoles. (Comblin, in Alves, p.53)

Àquele momento, Rubem identificava dois discursos distintos que tentavam dar conta das ânsias do Espírito pela via das nascentes comunidades eclesiais de base. O primeiro seria o discurso da reforma, ou seja, as comunidades de base seriam expressões novas de uma realidade institucional eterna. O segundo discurso seria o da ruptura, que entende que a igreja só se preserva por um constante processo de morte e ressurreição das formas institucionais para que as marcas da comunidade cristã em seu dinamismo e potência criadoras possam advir.

Tais marcas dizem respeito a qualidade de vida que a comunidade crista é capaz de produzir no mundo: A marca do amor em sua abertura à concretude das relações humanas; a marca do perdão e não a performance dos débitos e créditos que alimenta a contabilidade do mal e reduz a igreja a um simples moralismo; a liberdade: a vida não é cópia de princípios morais abstratos e, por último, uma espécie de mundaneidade cristã: sal e luz nas dores, angustias e alegrias de um tempo.

Curioso, registrava Rubem Alves, que ambos, os corpos eclesiais e as comunidades, tenham os olhos voltados para os mesmos universos simbólicos. Mas, enquanto a instituição afirma as cristalizações que passado afirmou, a comunidade quer criar novas significações, reverberando uma dialética que já está presente na tradição biblica: Israel como Estado, de um lado, e o remanescente, a semente santa, de outro. O sacerdote, produzindo funcionalidades institucionais e o profeta apontando disfuncionalidades. O sacerdote privilegiando o que já é o profeta anelando o que está por vir.

Zwinglio Mota Dias tem afirmado com frequência que o ecumenismo espelha a dialética das instituições eclesiais que tendem a cristalizar e reproduzir experiencias passadas e os movimentos que surtem no interior procurando caminhos para a atualização da fé dada aos santos. (Mota Dias, 2017)

É interessante notar que todos os organismos ecumênicos nascidos desde a segunda metade do século passado brotaram do interior de diversos corpos eclesiásticos, como expressões das ânsias do Espírito. A CEB (Confederação Evangélica do Brasil), o CEI (Centro Ecumênico de Informação) que mais tarde faria nascer o CEDI (Centro Ecumênico de Documentação e Informação, a CESE (Coordenadoria Ecumênica do Serviço), o CEBI (Centro de Estudos bíblicos), o CESEP (Centro Ecumênico de Serviços à evangelização e Educação popular, o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) são alguns destes organismos.

E aqui chamo a atenção do CONIC como uma espécie e organismo borderline, não no sentido psicológico, obviamente, mas como um significante para expressar as ânsias do Espírito em sua dinâmica fronteiriça, corajosa; a vida na tensão criativa do avanço e recuo, da reforma e da ruptura, na tensa sustentação do embate entre o sacerdotal e o profético. Abra-se a página do CONIC na Rede e está lá estampada a polifonia boenhoeferiana: 1. Direitos humanos e democracia no Brasil – violações e retrocessos. 2. Igrejas reformadas assinam testemunho em Wittenberg...

No primeiro texto que escrevi para esta mesa eu faço um convite a trazermos à lume a história desses organismos ecumênicos, filhos rejeitados de diversas matrizes eclesiais. Que sonhos sonharam, que respostas históricas deram às ânsias do Espírito? Quais foram suas estratégias de sobrevivência e sua presença marginal nos sulcos protestantes. Como se apresentam hoje? Quais suas linhas de continuidade? Como se apresentam na cena ecumênica contemporânea?

A minha homenagem aos que ousaram e ousam caminhar nas bordas para serem fieis às ânsias do Espírito. Para esses, ficam alguns pontos do Sermão da Montanha do Ecumenismo e diálogo inter-religioso, segundo a pena do teólogo católico Paulo Cesar Botas. Tais pontos me vem à memória pelos seguintes fragmentos: Bem-Aventurado(a) sejas quando afrontares incompreensões de tua própria comunidade ou de outros por causa da tua fidelidade à Verdade / Bem aventurado(a)s sejas quando dialogares com outro como se estivesses a ouvir o próprio Deus / Bem aventurado(a) sejas quando confiares no outro, como confias em mim.
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Fontes bibliográficas:

Rubem Alves. Dogmatismo e tolerância. São Paulo: Loyola, 2004
José Ricardo Ramalho (org). Uma presença no tempo: a vida de Jether Ramalho. São Leopoldo: Oikos, 2010.
Zwinglio Mota Dias. Para a reinvenção do protestantismo reformado no Brasil. São Paulo: Fonte Editorial, 2017.

Texto: Edson Fernando de Almeida, professor do Seminário Batista do Rio de Janeiro
Foto: Reprodução da internet

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Neste domingo, dia 6 de agosto, a Igreja estará unida em oração pelos cristãos perseguidos em todo o mundo. A iniciativa do Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos é promovida pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) e mais uma vez recebe o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ainda participação de todas as paróquias do país.

A edição deste ano amplia as intenções de oração realizadas nas edições anteriores, que estavam voltadas para os grupos perseguidos no Oriente Médio. De acordo com a ACN, a mudança ocorre porque em alguns países da África, por exemplo, morrem mais pessoas por serem cristãos do que em qualquer outro lugar do mundo.

“A Igreja é uma grande comunhão, nós até chamamos de comunhão dos santos aqueles que pertencem a Cristo, que foram revestidos de Cristo. E manifestarmos através da nossa oração essa comunhão, essa caridade, significa sermos cada vez mais Igreja”, motiva o bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Steiner.

Pontuando a percepção de que a vivência da fé em determinados lugares do mundo presume o testemunho com o sangue, dom Leonardo afirma que todos os cristãos participam do martírio e da perseguição: “Participarmos deste dia de oração pelos cristãos perseguidos é mostrarmos também a nossa fé comum em Cristo Jesus”.

O membro da ACN-Brasil Rodrigo Arantes ressalta que desde a primeira edição do Dia de Oração a fundação recebe o apoio da CNBB. Ele conta que muitos frutos foram colhidos desde então e lembra que, a cada ano, a ACN traz uma personalidade de algum país onde os cristãos sofrem perseguição para dar seu testemunho no Brasil e de uma forma bem concreta na Assembleia Geral da CNBB. Neste ano, foi à Aparecida (SP) o bispo copta católico de Assiut, no Egito, dom Kyrillos Samaan, que falou aos bispos do Brasil sobre os cristãos perseguidos no seu país. “Dom Kyrillos ficou maravilhado ao saber como os cristãos brasileiros se dedicam a rezar pelos cristãos perseguidos do Egito e do mundo todo”, disse Rodrigo.

“É impressionante como, desde que esse Dia de Oração teve início com o apoio da CNBB, sinais de esperança têm aparecido: há alguns anos as estimativas é de que os cristãos no Iraque iriam desaparecer, hoje vemos a Planície de Nínive pacificada e os cristãos retornando e reconstruindo seus lares”, recorda, citando o local de onde foram expulsos mais de 100 mil cristãos na noite do dia 6 para o dia 7 de agosto de 2014 pelo Estado Islâmico.

Outra história “que não se explica sem considerar o poder da oração” foi o retorno de uma menina chamada Cristina que, com apenas 3 anos de idade, havia sido sequestrada pelos terroristas do EI no dia 6 de agosto de 2014 e foi devolvida à família sã e salva em junho 2017.

“Graças a essa iniciativa da ACN com o apoio da CNBB, os cristãos brasileiros não apenas passaram a saber o que acontece com aqueles que correm o risco de perderem suas vidas para viver sua fé como ainda podem rezar por eles e os encher de esperança por meio da oração”, afirma Rodrigo.

Para dom Leonardo, o testemunho dos cristãos perseguidos no Oriente Médio, na África e na Ásia, por exemplo, “nos ajuda a viver uma fé transparente, mais límpida, que realmente mostre a eternidade já encarnada, o reino de Deus já presente neste mundo, mas que será também um reino definitivo”. Aos brasileiros, de acordo com o bispo fica a mensagem de testemunhar a fé onde se vive. “Nós também temos intempéries, dificuldades, nós do Brasil temos corrupção, às vezes nos deixamos envolver por determinados elementos de corrupção”. Mesmo assim, o exemplo é para “sermos esse testemunho transparente e livre do evangelho”.

Ações locais

Em São Paulo (SP), haverá uma celebração na catedral da Sé, no domingo, dia 6, às 9h, presidida pelo arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer. Na ocasião, ACN-Brasil exibirá antes e depois da celebração, vídeos realizados nos países onde ocorrem perseguição religiosa, com imagens e relatos dos cristãos que conseguiram escapar e sobreviver aos ataques extremistas.

Já no Rio de Janeiro, será realizado no Cristo Redentor, às 17h, um momento de Oração pelos Cristãos Perseguidos, conduzido pelo arcebispo local, cardeal Orani João Tempesta. Esse evento contará com a presença de testemunhos daqueles que sofrem com a perseguição religiosa e o monumento será iluminado de vermelho para representar o sangue dos mártires de hoje.

Histórico

O Dia Internacional de Oração pelos Cristãos Perseguidos no Mundo ocorre anualmente no dia 6 de agosto em referência à mesma noite e madrugada de 7 de agosto de 2014, quando milhares de cristãos fugiram do norte do Iraque, expulsos pelos extremistas do grupo Estado Islâmico.

“Cerca de 100 mil cristãos, aterrorizados e em pânico, fugiram de suas casas sem nada, somente com as roupas do corpo, a pé, rumo às cidades curdas. Entre eles havia doentes, idosos, crianças e mulheres grávidas, precisando de água, comida, medicamentos e um lugar para ficar”, declarou na ocasião o patriarca Louis Raphael Sako, chefe da Igreja Católica Caldeia.

Assim que recebeu as primeiras informações na manhã do dia 7 de agosto, a ACN mobilizou os benfeitores e iniciou campanhas e projetos para socorrer materialmente e espiritualmente os perseguidos e refugiados. Desde então a Fundação Pontifícia realiza um dos maiores projetos de ajuda da sua história, direcionando esforços para alimento, abrigo e educação para os refugiados, ação que já resulta em mais de 2 mil projetos no Oriente Médio desde o início da crise.

Saiba mais

Segundo recente relatório da Catholic Near East Welfare Association (CNEWA) – agência criada pelo papa Paulo XI em 1926 para o apoio dos pobres – os cristãos médio-orientais que vivem entre Chipre, Egito, Iraque, Israel, Jordânia, Líbano, Cisjordânia, Gaza, Síria e Turquia são 14,5 milhões. O dado foi divulgado na primeira metade de 2017. Há sete anos, o número era de 200 mil pessoas a mais.

Dia Oração Cristãos cartaz

Fonte: CNBB
Imagens: Reprodução

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Entre os dias 21 e 24 de agosto de 2017, o CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil realiza a XVII Assembleia Geral Ordinária. O encontro, que será no Instituto Bíblico de Brasília, contará, no dia 22, com a realização de um seminário sobre “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI”.

A abordagem do tema é bastante oportuna, uma vez que em outubro deste ano, 2017, serão comemorados os 500 anos da Reforma Protestante, uma data emblemática não apenas para a história da Igreja no ocidente, mas também para a política, a economia e as artes.

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A história da Reforma não foi isenta de conflitos e violência. A intolerância religiosa foi uma de suas consequências. Parte dessas intolerâncias e preconceitos ainda não foram superados.

Nesse contexto, o movimento ecumênico desempenha papel fundamental no sentido de lembrar permanentemente que a essência do cristianismo não são os exclusivismos, mas a diversidade em torno de uma única fé: a fé em Jesus Cristo. O ecumenismo é importante para lembrar constantemente que precisamos ir além de uma Igreja autocentrada, de modo a assumir o testemunho profético que reivindica dignidade de vida para todas as pessoas.

Vale lembrar que o seminário “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI” pretende resgatar a importância da Reforma para a história das Igrejas, a fim de identificar os principais desafios e perspectivas apresentados por este evento para o movimento ecumênico do século XXI. Além disso, o seminário irá tentar resgatar a Reforma como um evento plural que teve a participação de mulheres e homens; identificar as rupturas e tensões presentes no âmbito do movimento da Reforma e as principais heranças teológicas da Reforma; analisar as principais perspectivas e desafios apresentados pela Reforma, em especial, sua compreensão de Igreja, relação Religião/Estado e valores como liberdade de consciência e liberdade religiosa e, finalmente, elaborar um documento conjunto com desafios para a ação pública do movimento ecumênico.

O tema será refletido a partir de três abordagens:

1) A herança da Reforma – abordagem histórica: Dra. Bianca Daebs
2) A Herança da Reforma – abordagem Teológica: Dr. Elias Wolff
3) A herança da Reforma – desafios e perspectivas para nossos tempos: Dr Rudolf Von Sinner

Serviço:
Seminário “As heranças da Reforma para o movimento ecumênico do século XXI”

Quando: 22 de agosto de 2017, a partir das 9h00.
Onde: Instituto Bíblico de Brasília - Av. L2 Norte, próximo aos anexos dos ministérios, quase em frente ao Serpro. O acesso é pela rua interna paralela a L2 Norte (acesse pela Via Embaixadas Norte).

Imagem: Lutero em 1529, por Lucas Cranach

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Os bispos que compõem a Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e os referenciais das Pastorais Sociais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicaram uma mensagem ao final do encontro realizado em Brasília, nos dias 31 de julho e 1º de agosto. Na ocasião, os prelados procuraram “luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade”.

“Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social”, lê-se no texto. Para os bispos, o governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, “falsamente justificada”.

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“Interpelados pelo Espírito do Senhor”, dizem no texto, os mebros da comissão e referenciais das Pastorais convidaram comunidades eclesiais, organismos do Povo de Deus e pessoas de boa vontade “a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira”.

O encontro aconteceu na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) e teve assessoria do padre José Oscar Beozzo. As reflexões foram inspiradas no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança). A partir da II Conferência do Episcopado Latino-americano e caribenho, realizada em Medelín, há 49 anos, foi feito um resgate da aplicação do texto conciliar no continente, “reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social”.

Leia a mensagem dos bispos na íntegra:

MENSAGEM DOS BISPOS DAS PASTORAIS SOCIAIS
“Eu vi… e ouvi o clamor do meu povo” (Ex 3,7)


Nós, Bispos da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora e Referenciais das Pastorais Sociais, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos em Brasília, na sede das Pontifícias Obras Missionárias, nos dias 31 de julho e 1º de agosto de 2017, procuramos luzes para a atuação da Igreja no Brasil frente aos novos desafios da nossa realidade, hoje.

Contando com a magnífica assessoria do Pe. José Oscar Beozzo, inspiramo-nos no Concílio Vaticano II, particularmente na Constituição Pastoral Gaudium et Spes (Alegria e Esperança), resgatando sua aplicação na América Latina e no Caribe, a partir da 2a. Conferência Episcopal deste Continente, em Medellín, cujo aniversário de 50 anos celebraremos em 2018, reavivando e atualizando suas intuições e compromissos fundamentais no contexto da atual transformação social.

Reconhecendo que não há realidade alguma, verdadeiramente humana, que não encontre eco no coração de Cristo (cf. Gaudium et Spes, nº 1), entendemos que a Igreja tem por missão pastoral atuar frente à globalidade da realidade, particularmente as situações que geram sofrimentos humanos, com a mesma compaixão de Jesus Cristo.

“Para levar a cabo esta missão, é dever da Igreja estar atenta a todo momento aos sinais dos tempos, e interpretá-los à luz do Evangelho; para que assim possa responder, de modo adaptado em cada geração, às eternas perguntas dos homens acerca do sentido da vida presente e futura, e da relação entre ambas. É, por isso, necessário conhecer e compreender o mundo em que vivemos, as suas esperanças e aspirações, e o seu carácter tantas vezes dramático” (Gaudium et Spes, nº 4).

Clamam aos céus, hoje, as muitas situações angustiantes do Brasil, entre as quais o desemprego colossal, o rompimento da ordem democrática e o desmonte da legislação trabalhista e social. O governo, em lugar de fortalecer o papel do Estado para atender as necessidades e os direitos dos mais fragilizados, favorece os interesses do grande capital, sobretudo financeiro especulativo, penalizando os mais pobres, por exemplo com a reforma da previdência, falsamente justificada.

Não seremos um país diferente sem superarmos a ingenuidade, a passividade e a indiferença. Urge-nos, portanto, como Igreja, realizar nossa missão pastoral em profunda comunhão, com coragem profética, promovendo e fortalecendo ações comuns com todos os setores democráticos deste país, em favor de novos rumos para a sociedade brasileira, fundados na dignidade humana de todos os cidadãos e cidadãs e no bem comum.

Interpelados pelo Espírito do Senhor, convidamos nossas comunidades eclesiais, os organismos do Povo de Deus e todas as pessoas de boa vontade a implementar ações que transformem em esperança as apatias e frustrações da sociedade brasileira, afinal, como diz o Papa Franscisco, o coração de Deus é e continuará incandescente por amor a seu povo (cf. Audiência Geral, 26 de abril de 2017). Assim, também, estejam, hoje e sempre, os nossos corações!

Que Nossa Senhora Aparecida, a quem expressamos nosso louvor especial neste Ano Mariano, nos inspire a revelar o rosto misericordioso de Deus, defensor da justiça em favor dos empobrecidos, sendo sinais e instrumentos da ação libertadora e humanizadora de Cristo, frente às novas formas de escravidão dos tempos atuais.

Brasília, 1º de agosto de 2017.

Dom Guilherme Antonio Werlang, Msf
Bispo de Ipameri/GO
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora

Fonte: CNBB
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi modificado

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A Rede Ecumênica da Juventude anunciou neste sábado (22) a composição de sua nova Facilitação Nacional Colegiada (FNC).

Após um período de (re)pensar a REJU e o jeito de se fazer o trabalho em Rede, o GT de Transição, composto por integrantes da REJU representando 4 regiões do país, propôs uma novidade metodológica – uma Facilitação Nacional Colegiada, com o intuito de fortalecer a horizontalidade e a participação democrática das juventudes que compõem a Rede.

As atribuições da Facilitação Nacional Colegiada passarão a ser exercidas pelas jovens Naiara Soares (BA), Thalia Schuh (SC) e pelo jovem Felipe Bernado (PE).

Naiara, 20 anos, é uma jovem candomblecista integrante da REJU Bahia e acredita que a nova FNC poderá “garantir uma mistura de ideias que fortalece a construção coletiva e mobilização” da Rede, além de potencializar a representatividade e autogestão. Diz ainda que sonha com uma REJU sem barreiras, que fale para os mais diversos públicos, podendo espalhar muito mais a sua mensagem de combate à todas as formas de intolerância.

Thalia, jovem de confissão luterana integrante da REJU Santa Catarina, tem 18 anos e afirma crer numa Facilitação fortalecida para o diálogo, visando somar e aproximar pessoas para o movimento ecumênico. “Quanto mais a diversidade e as diferentes realidades da Rede forem representadas, mais abrangente e impactante serão os diálogos e a nossa incidência”.

Felipe, protestante, tem 22 anos e faz parte da REJU Pernambuco. Ele conta que a Facilitação Nacional Colegiada será uma alternativa frente aos desafios de construir uma rede cada vez mais plural, com rostos, histórias, vivências e sagrados que se unam na luta por direitos e contra as intolerâncias. Felipe também acredita que a Rede precisa alcançar novos espaços. “Falo de periferias, guetos, espaços religiosos em contradição, inserção nas comunidades”.

A nova Facilitação Nacional Colegiada passa a articular a Rede nacional e será apresentada ao movimento ecumênico na próxima reunião anual do FE ACT Brasil (Fórum Ecumênico do Brasil, membro da ACT Aliança) em agosto.

A REJU se alegra com a conclusão de mais um processo construído coletivamente, e sonha com uma Rede mais diversa, com corpos, histórias, danças e sagrados que nos unam nas diferenças e semelhanças.

Entenda o processo:

a) Composição de um Grupo de Trabalho para acompanhar e encaminhar o processo de transição, com a tarefa de acolher as sugestões enviadas pel@s integrantes da rede, bem como colaborar na transição e outros encaminhamentos do processo de escolha da nova FNC;

b) O lançamento da metodologia de indicação em junho/2017, respeitando um período de acolhida das devolutivas das regionais em relação ao plano metodológico proposto;

c) Acolhida das indicações d@s integrantes da Rede para a composição da FNC em junho-julho/2017;

d) A escolha da FNC no Grupo de Trabalho, a partir das indicações e diálogos com @s indicad@s em julho/2017;

e) Transição para a nova Facilitação Nacional Colegiada e apresentação desta na reunião anual do FE ACT Brasil em julho-agosto/2017.

Fonte: Reju

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