A evangelização é um crime — tão grave quanto exploração sexual, venda de órgãos, turismo pornográfico e mendicância forçada, todos passíveis de sete a 12 anos de prisão na Bolívia, segundo o novo Código Penal do país.
 
Essa é, ao menos, a interpretação que grupos católicos e evangélicos vêm dando ao artigo 88 do texto, que inclui no pacote de crimes que tratam do tráfico de pessoas o "recrutamento para a participação em conflitos armados ou organizações religiosas ou cultos".
 
A relação entre o presidente Evo Morales e denominações cristãs, que nunca foi das melhores, degringolou com a aprovação, em setembro, de uma lei que legaliza o aborto antes de oito semanas de gestação e quando a mãe é estudante ou tem dependentes.
 
O caldo entornou de vez com o novo código, que entupiu ruas bolivianas com protestos de religiosos. O pastor paulista Antonio de Novais Santos participou de um deles na quarta-feira (17), na cidade de Cochabamba. Ele mantém por lá sua Iglesia La Vid (Igreja A Videira). "A lei coloca a evangelização, fazer proselitismo, que é o que nós fazemos com o intuito de melhorar a vida da pessoa, no mesmo patamar de escravizar e traficar pessoas. Como pode?", exclama.
 
Outro cisma: "Evo opta por ritos, feiticeiros incas em vez de chamar padres, pastores, de usar a Bíblia, para cerimônias oficiais", diz o pastor. Em 2016, o presidente irritou líderes cristãos ao participar de um ritual indígena aimará para invocar chuvas no combate à pior seca do país em 25 anos.
 
Para Santos, não é o único indício de que o presidente busca conflito com a cristandade. Em 2010, o Legislativo aprovou uma lei que respaldava um currículo escolar regionalizado, podendo incorporar "componentes de espiritualidade e cosmovisão indígena", como definiu à época o ministro da Educação.
 
No Censo de 2012, 58% se declaravam não indígenas, embora Morales diga que são bem menos — muitos temeriam o racismo e prefeririam esconder as raízes.
 
Boko Haram
 
Com os ânimos acirrados pela legislação penal sancionada em dezembro, inicia-se novo round entre governo e religiosos. Políticos alinhados a Morales apontam uma "guerra de mentiras" nas redes sociais. O artigo 88 serve, segundo o presidente do Senado, José Alberto Gonzales, de vacina contra um correlato latino ao Boko Haram, grupo fundamentalista da Nigéria.
 
Porta-voz do MAS, partido governista, David Ramos Mamani acusa a "oposição de direita", servil a "interesses internacionais do imperialismo", de inventar "uma perseguição a igrejas". O que de fato se mira, afirma, são "o sequestro de fiéis ou conversões forçadas, e isso não é novo, já estava em leis anteriores".
 
Papo furado, diz à reportagem Carlos Alarcón, advogado constitucionalista e ex-vice-ministro de Carlos Mesa (2003-05), que precedeu a atual Presidência. "É provável que a intenção real seja aniquilar todos os direitos e liberdades que impedem [Evo] de ter o controle total da sociedade boliviana, como as liberdades do pensamento, a consciência, a religião e a expressão."
 
Para Iván Lima, ex-ministro do Tribunal Supremo de Justiça boliviano, as igrejas sabem, no fundo, que o código não ameaça a evangelização. "Nossa Constituição protege amplamente a liberdade religiosa. O artigo 88 não pode ser lido isoladamente", diz.
 
"O que esses religiosos realmente querem, ao pleitearem a revogação de todo o Código Penal, é não permitir o abrandamento da legislação sobre o aborto", afirma.
 
O Brasil entrou na peleja via bancada evangélica da Câmara. Seu presidente, o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), enviou ofícios à embaixada da Bolívia e ao Itamaraty questionando o código "que vem consternando a população cristã não só do país, mas de todo o hemisfério".
 
O embaixador do país no Brasil, José Kinn Franco, lamentou, em resposta a Takayama, a ação daqueles que "usam a mentira como arma" e destacou que a maioria dos militantes do governista MAS "professa uma religião".
 
Igreja versus Evo
 
O arsenal de ilações, segundo o deputado Mamani, vem da "hierarquia eclesiástica boliviana, porta-voz da direita e com intenções políticas".
 
Influente no clero local, a Opus Dei, movimento católico, é uma das vozes mais críticas a Morales.
 
A Igreja Católica tem a preferência de três em cada quatro bolivianos, segundo o Pew Research Center.
 
O bispo Eugenio Scarpellini, da populosa El Alto, tachou de "hipócrita" a visita do presidente ao papa Francisco pouco após a aprovação do Código Penal. "Que ironia é isso ocorrer no dia em que o presidente está com o papa".
 
Morales não se fez de rogado. No mesmo dia, postou no Twitter: "Meu irmão Francisco, como sempre solidário, humano e integracionista". 
 
Fonte: Folha de S. Paulo
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"Bob era realmente um bom irmão, um filho de Deus, independentemente de como as pessoas o viam. Ele tinha o desejo de ser batizado há muito tempo, mas havia pessoas próximas que o controlavam e distraíam. Mesmo assim, ele vinha regularmente à igreja."
 
Esta versão de um inédito Bob Marley foi contada, em uma entrevista publicada pelo Gleaner’s Sunday Magazine, em 25 de novembro de 1984, por Abunda Yesehaq – um missionário ortodoxo etíope que chegou à Jamaica na década de 60 e se tornou um grande amigo de Marley, acompanhando o cantor jamaicano em sua conversão ao cristianismo ortodoxo e ao batismo.
 
A comoção de Bob e o batismo
 
Yesehaq viveu de perto o itinerário de aproximação da fé de Bob, que ocorreu alguns meses antes do seu desaparecimento. "Lembro-me de uma vez em que, enquanto eu estava celebrando a missa, olhei para Bob e seu rosto estava coberto de lágrimas."
 
"Muitas pessoas acham que ele recebeu o batismo porque sabia que estava morrendo, mas não foi assim. Ele foi batizado quando já não havia pressões sobre ele e, quando se batizou, abraçou sua família e choraram, choraram todos juntos durante mais de meia hora."
 
A luz da Trindade
 
O batismo aconteceu no dia 4 de novembro de 1980, na igreja etíope de Nova Iorque. Ele escolheu o nome de Berhane Selassie ("A luz da Trindade").
 
Cinco dias depois, Bob foi para um centro de tratamento na Alemanha, onde passou seu 36º aniversário. Três meses depois, em 11 de maio de 1981, faleceu em um hospital de Miami. O funeral, celebrado em 21 de maio de 1981, seguiu o rito ortodoxo, e ele foi sepultado junto à sua Bíblia e sua guitarra Gibson.
 
Ele não foi o único
 
A conversão de Marley acabou contagiando sua banda: Judy Mowatt, uma das cantoras que o acompanharam nas turnês, ficou impactada pelo seu gesto e, alguns anos mais tarde (fala-se de início da década de 90), converteu-se ao cristianismo pentecostal. Ela continua sendo uma das testemunhas oculares do itinerário de fé de Bob Marley.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Reprodução da Internet
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No dia 20 de janeiro de 2018 ficará marcado na história da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) como o Dia da Eleição da Primeira Bispa. O fato ocorreu na Segunda Sessão do Concílio da Diocese Anglicana da Amazônia (DAA) no qual elegeu no primeiro escrutínio a Reverenda Cônego Marinez R. Santos Bassotto. O processo de eleição na Igreja Episcopal ocorre com participação de delegações paroquiais do laicato e também do clero residente, possibilitando a escolha de pessoas cujo perfil venha agradar às pessoas que serão pastoreada pela bispa (o).
 
O Bispo João Câncio Peixoto fez o pronunciamento após a confirmação dos votos entre as duas pessoas candidatas: Reverenda Cônega Marinez (Diocese Meridional) e o Reverendíssimo Deão Silvio Freitas (Diocese Sul Ocidental).
 
A Bispa Eleita Marinez Bassotto é gaúcha, casada com Paulo Bassotto e mãe de duas filhas, Luisa e Laura. Atualmente é Pároca da Paróquia São Paulo/Diocese Meridional, é a atual Custódia do Livro de Oração Comum, membro da Comissão Nacional de Diaconia (CND) e Coordenadora do Grupo Executivo para CONFELIDER 2018. A Reverenda Marinez foi deã por vários mandatos da Catedral Nacional da Santíssima Trindade, em Porto Alegre/RS.
 
A Câmara Episcopal é composta pelos bispos diocesanos e pelos bispos coadjutores, no pleno exercício de seu ministério, e pelos bispos aposentados, sem direito de voto. Atualmente a Câmara é formado por 15 bispos homens, entre pessoas da ativa e aposentados.
 
O Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva que encontra-se em viagem pela África, declarou a Secretária Geral que “Certamente vivemos um momento especial de nossa Província com a eleição de nossa primeira bispa. Uma brisa que vem soprar sobre a Igreja e que certamente representa novos tempos e novo jeito de exercício deste ministério tão especial. A Diocese da Amazônia e a IEAB dão um passo decisivo na direção da equidade de gênero e por isso estamos muito felizes. Desde Gana elevo minhas orações pela nossa Província e pela bispa eleita Marinez e sua família. Agradeço ao Bispo João Peixoto pela direção abençoada desta sessão conciliar histórica”.
 
A Diocese Anglicana da Amazônia é uma unidade eclesiástica da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil que abrange os estados do Pará, Amapá, Roraima, Amazonas e Acre. Sua sé episcopal está na Catedral Anglicana de Santa Maria, localizada na Av. Serzedelo Corrêa, 514, Batista Campos, na cidade de Belém, no estado do Pará. Foi criada em 29 de julho de 2006, no 30º Sínodo-Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, realizado no período de 26 a 30 de julho de 2006, em Curitiba. No dia 15 de outubro de 2006, a Diocese Anglicana da Amazônia foi instalada solenemente, com a consagração da Catedral de Santa Maria e com a investidura e instalação de seu primeiro bispo Dom Saulo Maurício de Barros. Em 2017, Dom Saulo Barros anunciou sua resignação e que abriu  o processo eleitoral para a escolha de um (a) novo (a) pastor (a).
 
A eleição de uma mulher para o episcopado ocorre a mais de três décadas, desde a primeira ordenação feminina realizada em 1985. Desde então, a IEAB tem acolhido diversos eventos para marcar e  reforçar a importância do papel da mulher nos espaços de lideranças.
 
Fonte: IEAB
Imagem: Reprodução
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Nos últimos sete anos, mais de mil freiras têm desenvolvido um trabalho ousado para resgatar vítimas do tráfico de pessoas. Elas se infiltram em bordéis fingindo ser prostitutas e tentam ajudar mulheres que sejam mantidas à força nesses locais.
 
Além disso, as religiosas juntam dinheiro para “comprar” crianças vendidas como escravas, desenvolvem programas de prevenção em escolas e oferecem acompanhamento e proteção dentro das suas casas a mulheres resgatadas do tráfico.
 
Fundada em 2009 pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG), em colaboração com a União dos Superiores Gerais, Talitha Kum é a Rede Internacional da Vida Consagrada Contra o Tráfico de Pessoas. O nome da rede vem do Evangelho de Marcos. É a expressão usada por Jesus para reavivar a filha de Jairo, comumente traduzida do aramaico por: “Menina, eu te digo, levanta-te”.
 
Em 1998, a UISG formou um grupo de estudo sobre o tráfico de pessoas na Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação. Entre 2004 e 2008, foi desenvolvido, em colaboração com a Organização Internacional para as Migrações, um projeto de treinamento que levou à criação de várias redes regionais na Itália, Albânia, Nigéria, Romênia, Tailândia, República Dominicana, Brasil, Portugal, Filipinas e África do Sul. No ano seguinte, durante o primeiro encontro mundial dessas redes, foi feita a proposta de se criar a rede internacional, que coordena as redes locais distribuídas hoje por mais de 70 países.
 
O trabalho acontece de forma descentralizada, cabendo à coordenação internacional, com sede em Roma, a criação de novas redes locais e a promoção do intercâmbio entre elas, bem como o apoio a ações de incidência política a nível internacional. São as redes locais que têm por responsabilidade o acompanhamento e a proteção de pessoas resgatadas do tráfico, a formação e capacitação de agentes multiplicadores e a denúncia do tráfico e das suas causas.
 
No Brasil, faz parte da Talitha Kum a rede Um Grito pela Vida, da qual fazem parte cerca de 150 religiosas de diversas congregações.
 
Segundo a fundação Walk Free, o tráfico de pessoas movimenta cerca de 32 bilhões de dólares por ano e atinge mais de 35 milhões de pessoas no mundo todo, sendo um terço crianças. Entre as suas modalidades, contam-se entre outras o tráfico para fins de exploração sexual, o trabalho escravo, a remoção e o comércio ilegal de órgãos e o tráfico de crianças para adoção ilegal. De acordo com a ONU, 70% das vítimas são mulheres ou meninas.
 
O banqueiro John Studzinski, presidente da rede, lembra de alguns casos atendidos, como o de uma mulher trancada sem comida nem água por uma semana por não ter atingido a sua meta de doze clientes por dia e de outra forçada a fazer sexo com dez homens ao mesmo tempo. “Essas irmãs não confiam em ninguém”, disse Studzinski, em entrevista ao Yahoo! News. “Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero”.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Reprodução / Bigstock
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O dia 21 de janeiro é marcado como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Em virtude da data, anualmente a REJU promove a Campanha Visto Branco, com o objetivo de incitar reflexões e movimentos que impulsionem a caminhada conjunta em busca da liberdade de fé e contra qualquer forma de discriminação.
 
A data foi oficializada em 2007 através da Lei n.º 11.635, de 27 de dezembro, e referencia o dia da morte de Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador (BA). Nesta data, no ano de 2000, não tendo suportado os ataques de intolerância religiosa que vinha sofrendo por ser praticante de religião de matriz africana, Mãe Gilda faleceu de infarto.
 
Para a denúncia contra a intolerância, revestimos as dores com as cores da esperança:
 
A identidade visual da campanha deste ano traz o fundo ilustrado por um muro, representando a opressão e a segregação que se colocam no caminho da busca pela unidade. São apresentadas as camisas da Rede e uma moldura constituída por flores, representando a beleza e a grandeza da diversidade que nos cerca. Simbolizando ainda um ato de amor e remissão, a mão branca estendendo uma rosa vem no sentido de destacar o enfrentamento e combate ao extermínio da juventude negra, causado por mãos que apontam a dor e a violência.
 
Vestimos branco num ato de inconformidade e denúncia contra as violações dos direitos humanos e contra a intolerância religiosa. Casos como o de Mãe Gilda e de tantas outras e tantos outros nos fazem crer que ainda há um longo caminho de luta pela frente, cujo passo inicial deve sempre ser a mudança do comportamento individual, de modo que o coletivo seja construído com base nos valores e predisposição pessoais.
 
Que o significado desta data possa inspirar e engrandecer ações em prol dessa causa durante todo o ano. Que a diversidade seja (re)conhecida e respeitada para que dela possa ser constituído um mundo mais humanitário e que proporcione vida digna a todos e todas.
 
Pela liberdade de crer e não crer!
 
“Ser livre não é apenas se livrar das correntes que lhe prendem, mas viver sendo capaz de respeitar e engrandecer a liberdade dos outros.” (Nelson Mandela)
 
Considerando de extrema importância a efetivação de um Estado laico de fato e o fim das manifestações de intolerância, o tema da campanha objetiva evidenciar e fortalecer um dos eixos de atuação da Rede: Juventudes, estado laico e superação de intolerâncias.
 
As ameaças à liberdade se perpetuam ao longo dos anos e a luta por direitos é o único meio pelo qual é possível efetivar a unidade em torno de uma causa comum. Neste contexto, a palavra “luta” não faz referência a qualquer tipo de violência, pelo contrário, ela nos remete ao diálogo, cooperação, reafirmação de valores que promovem o bem comum e a necessidade do amor como imperativo.
 
Pelo fim do extermínio da juventude negra!
 
Eixo de atuação da REJU, o combate ao extermínio da juventude negra se torna em 2018 subtema da Campanha Visto Branco, a fim de promover o diálogo harmônico entre jovens das diversas profissões de fé. A juventude negra, em especial a periférica, enfrenta diariamente e historicamente um grande desafio que é a garantia de direitos e políticas públicas. Os espaços religiosos mais diversos estão em comunidades negras, as quais muitas vezes são o refúgio de muitos e muitas jovens que se unem pela cor da pele, pela violência impune do Estado, pela falta de oportunidades e pela falta de acesso a condições básicas de vida.
 
A luta diária por direitos esbarra sempre nas violências nas quais os jovens são as maiores vítimas. Segundo dados do Mapa da Violência, de 2016, pessoas com idade entre 15 e 29 anos tiveram as taxas de homicídio aumentadas de 19,6 em 2005 para 58% em 2016, a cada 100 mil jovens. Pessoas negras também morreram muito mais do que brancas. Morreram 37% mais pessoas negras do que brancas no Brasil em 2016 vítimas de violência. Entre 2005 e 2016, o número de homicídios de pessoas jovens brancas caiu 26,1%, enquanto o de pessoas jovens negras aumentou 46,9%. Diante dessa realidade, a juventude negra vem se articulando no enfrentamento das violências sofridas.
 
Neste contexto, a REJU vê a necessidade de unir forças e trabalhos no combate a violência contra a juventude negra, afinal, a bala que acerta o jovem negro e a jovem negra não questiona sobre a sua fé.
 
Junte-se a nós nessa luta!
 
Para integrar e fortalecer a Campanha Visto Branco, basta publicar uma foto nas redes sociais, em modo público, entre os dias 19 e 22 de janeiro, vestindo branco e utilizando as hashtags:
 
#VistoBranco
 
A Rede Ecumênica da Juventude deseja seu apoio para juntos e juntas dizermos NÃO à intolerância e SIM ao amor e ao respeito à diversidade.
 
Matemos o racismo e salvemos a liberdade!
 
Naiara Soares (candomblecista)
Thalia Jaqueline Schuh (luterana)
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O Papa Francisco reuniu-se, no dia 8 de janeiro, com o corpo diplomático junto à Santa Sé para os tradicionais votos de início de ano. O discurso aos embaixadores teve como fio condutor a defesa dos direitos humanos, a partir dos quais Francisco abordou alguns dramas mundiais e enfatizou a necessidade de diálogo e de paz.
 
A Declaração Universal dos Direitos do Homem foi o documento ao qual o Papa quis dedicar o encontro com os embaixadores. “Para a Santa Sé, falar de direitos humanos significa, antes de mais nada, repropor a centralidade da dignidade da pessoa, enquanto querida e criada por Deus à sua imagem e semelhança”, pontuou.
 
Francisco constata que, após 70 anos do documento – que se completam agora em 2018 – , muitos direitos fundamentais ainda são violados, primeiramente o direito à vida, à liberdade e à inviolabilidade de cada pessoa humana. Ele ressalta que esses direitos não são lesados apenas pela guerra ou violência, mas por formas mais sutis, como o descarte de crianças antes mesmo de nascer; ou dos idosos, considerados um peso; a violência contra a mulher, mesmo dentro da própria família, e o tráfico de pessoas. “Defender o direito à vida implica também trabalhar ativamente pela paz, reconhecida universalmente como um dos valores mais altos que se deve procurar e defender”, disse.
 
Apesar da necessidade do trabalho pela paz, o Santo Padre destacou que muitos conflitos continuam ocorrendo em vários lugares e os esforços em prol da paz parecem menos eficazes diante da lógica da guerra. Mas esse panorama não pode diminuir nem o desejo nem o compromisso em prol da paz, destaca o Pontífice, que voltou a denunciar no discurso a proliferação de armas. “A proliferação de armas agrava claramente as situações de conflito e implica enormes custos humanos e materiais, deteriorando assim o desenvolvimento e a busca duma paz duradoura”.
 
Realidades atuais
 
No discurso, o Papa lembra que a Santa Sé reitera a defesa de negociações, não de armas, para dirimir as controvérsias entre os povos. E nesse ponto do discurso, ele mencionou algumas realidades atuais.
 
“Nesta perspetiva, é de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”.
 
Francisco também fala da necessidade de continuar com as iniciativas de paz na Síria, a fim de encerrar o conflito que já perdura há anos e causou tanto sofrimento. Da mesma forma, ressalta a necessidade de diálogo no Iraque, bem como no Iêmen e Afeganistão. Ele faz uma menção particular às tensões recentes entre Israel e Palestina.
 
“A Santa Sé, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposições e convida a um esforço comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, o status quo de Jerusalém, cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos. Setenta anos de confrontos tornam extremamente urgente encontrar uma solução política que consinta a presença na região de dois Estados independentes dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”.
 
Francisco ressalta ainda a crise política e humanitária na Venezuela e os conflitos em muitas partes da África, especialmente no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e República Centro-Africana. Nesses lugares, o terrorismo, a proliferação de grupos armados e a exploração indiscriminada dos recursos ameaçam o direito à vida, explicou. E não passou despercebida a crise na Ucrânia. “O ano, que findou, ceifou novas vítimas no conflito que atormenta o país, continuando a infligir grandes sofrimentos à população, particularmente às famílias que moram nas áreas afetadas pela guerra e que perderam os seus entes queridos, não raro idosos e crianças”.
 
Defesa da família
 
O Pontífice quis dedicar uma parte de sua reflexão à família, ressaltando que, sobretudo no Ocidente, ela é considerada uma instituição superada. O Papa afirma que é urgente adotar políticas efetivas em apoio da família, considerando também que dela depende o futuro e o desenvolvimento dos Estados.
 
“Sem ela, de fato, não se podem construir sociedades capazes de enfrentar os desafios do futuro. E a falta de interesse pela família traz consigo outra consequência dramática – particularmente atual nalgumas regiões – que é a queda da natalidade. Vive-se um verdadeiro inverno demográfico! Isto é sinal de sociedades que sentem dificuldade em enfrentar os desafios do presente, tornando-se, por conseguinte, cada vez mais temerosas do futuro e acabando por se fechar em si mesmas”.
 
Migrações
 
Ao tocar no tema das migrações, o Papa lembra que a liberdade de movimento pertence aos direitos humanos fundamentais. Ele recorda o tema de sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2018, celebrado no último dia 1º: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz” para destacar uma vez mais a necessidade de acolhimento a essas pessoas.
 
O Santo Padre manifestou seu agradecimento ao empenho de tantos países na Ásia, na África e nas Américas, à Itália e outros Estados europeus, particularmente a Grécia e a Alemanha, em acolher migrantes e refugiados. “Não devemos esquecer que numerosos refugiados e migrantes procuram alcançar a Europa, porque sabem que nela podem encontrar paz e segurança, fruto aliás dum longo caminho que nasceu dos ideais dos Pais fundadores do projeto europeu depois da II Guerra Mundial”.
 
Outros direitos humanos e o cuidado da terra
 
Francisco também menciona na mensagem o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião, bem como a importância do direito ao trabalho. “Não há paz nem desenvolvimento, se o homem está privado da possibilidade de contribuir pessoalmente, através da sua atividade, para a edificação do bem comum”.
 
O Santo Padre observa que, em muitas partes do mundo, o trabalho ainda é escasso, com poucas oportunidades, em especial para os jovens. Além disso, há a problemática da perda do emprego, seja em virtude dos ciclos econômicos seja pelo avanço da tecnologia que traz cada vez mais novos maquinários que substituem o homem.
 
Concluindo o discurso, Francisco falou sobre a necessidade de cuidar da terra, enfrentando com esforço conjunto a responsabilidade de deixar às gerações futuras uma terra mais bela e habitável.
 
Com informações do Boletim da Santa Sé
Foto: Reprodução Reuters
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A consagração pessoal a Deus dentro de uma comunidade foi se desenvolvendo em dois ramos distintos na história do cristianismo: o oriental e o ocidental.
 
Surgiu primeiro o monaquismo oriental, que influenciou São Bento na fundação da vida monástica no Ocidente.
 
As raízes espirituais do monaquismo oriental remontam a São Paulo Eremita, no século III, e a Santo Antônio, o Grande, pouco tempo depois. Sua formalização, porém, ocorreu com São Basílio de Cesareia e São Pacômio, no século IV. Por volta do ano 357, São Basílio viajou para a Palestina, o Egito, a Síria e a Mesopotâmia a fim de estudar a vida dessas comunidades monásticas e descobrir o seu segredo da santidade.
 
Embora admirasse o ascetismo severo e a devota vida de oração que os eremitas viviam, São Basílio considerou que os mosteiros precisavam de equilíbrio. Ele então escreveu uma espécie de “regra” para governar o cotidiano dos monges e moderar o seu modo extremo de vida. Graças ao grande sucesso dessa regularização, São Basílio seria reconhecido, mais tarde, como o “pai do monaquismo oriental”.
 
Essa vida completamente dedicada a Deus tem muito a nos ensinar no século XXI. A sabedoria de São Basílio e dos Padres do Deserto influenciou inúmeros santos ao longo dos séculos e ainda hoje é altamente relevante.
 
Estas são quatro lições espirituais que podemos aprender do monasticismo oriental e aplicar em nossa vida de todos os dias:
 
1 – Ore sem cessar
 
São Basílio escreve:
 
“Devemos rezar sem cessar? É possível obedecer a tal mandamento? (…) A força da oração reside mais no propósito da nossa alma e nos atos de virtude que estendemos a cada parte e momento da nossa vida. ‘Seja que comais’, está escrito, ‘seja que bebais, ou o que quer que façais, tudo fazei para a glória de Deus’. Ao te sentares à mesa, reza. Ao levantares o pão, dá graças ao Criador (…) Ao vestires a túnica, dá graças ao Doador. Ao te envolveres no manto, sente um amor ainda maior por Deus, que, no verão e no inverno, provê nossas vestes convenientes, tanto para nos preservar a vida quanto para cobrir o que é impróprio à vista. Finda já o dia? Dá graças a Ele, que nos deu o sol para o nosso trabalho diário e nos fornece o fogo para iluminar a noite”.
 
Em essência: viva sempre em espírito de ação de graças, lembrando-se de Deus em todas as atividades. Assim viveremos a exortação de São Paulo a “rezar sem cessar”, pois não só com palavras sem faz oração!
 
2 – Renove a sua alma com um “deserto” semanal
 
Em uma carta a São Gregório Nazianzeno, São Basílio escreve:
 
“A quietude é o primeiro passo para a limpeza da alma. A solidão é de grande utilidade quando aplaca as paixões e dá lugar ao princípio de cortá-las da alma”.
 
Há uma razão pela qual Deus nos deu um dia semanal de descanso: precisamos não apenas descansar, mas renovar a alma e experimentar a quietude. Não fomos feitos para trabalhar sete dias por semana. Quando chega o domingo, faça dele um dia de descanso e quietude, de acordo com o seu estado de vida.
 
3 – Sirva aos pobres em todos os momentos
 
Os monges do deserto egípcio geralmente não viam muita gente, mas São Basílio recomendou aos seus monges que servissem aos pobres o máximo possível. Os monges fizeram isso com diligência, dando todas as suas posses aos pobres e continuando a apoiá-los mediante o seu trabalho em solidão.
 
São Basílio lembrava aos monges que o ato de retirar-se do mundo não os dispensava de servir aos outros, porque a sua fé cristã devia ser demonstrada no amor aos pobres.
 
4 – Jejue para desarraigar pecados particulares
 
Jejuar pode ser difícil, mas os padres do deserto viam no jejum um meio primordial de erradicar o pecado na vida de uma pessoa. Se o pecado deriva das nossas paixões, abster-nos da paixão corporal pela comida nos fortalece contra as outras paixões rebeladas.
 
São Basílio recomenda moderação no jejum, considerando que a saúde e os deveres são mais importantes do essa prática. Embora digno como todo meio espiritual, o jejum deve ser vivido com intenção reta, evitando o espírito de competição que se verificava, algumas vezes, nos primeiros mosteiros: sim, alguns monges “competiam” para ver quem se abstinha de comida durante mais tempo. É comum, aliás, que a soberba humana contamine práticas piedosas e as desvie do seu sentido autêntico, destruindo seus méritos.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Reprodução / Meister der Sophien-Kathedrale
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