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No fim de janeiro, a oficial* do Exército de Salvação em Joinville (SC), Paula Mendes, esteve na Indonésia participando do Encontro de Líderes de Equipes de Emergência da organização. 
 
A atividade foi em Palu, na ilha de Sulawesi, Indonésia. O país é conhecido pela ampla diversidade cultural e religiosa. E apesar de alguns conflitos recentes, a nação tem conseguido reagir bem aos diversos tipos de fundamentalismos que tentam ameaçar o bem comum.
 
A seguir, confira o relato enviado por ela:
 
Com cerca de 250 milhões de habitantes, a Indonésia é o quarto país mais populoso do mundo. É também o maior país islâmico do planeta, com cerca de 84% da população identificando-se com muçulmana. 
 
Longe de ser um país tranquilo, o arquipélago com mais de 15 mil ilhas é também um local de constantes terremotos, tsunamis e até um raro fenômeno chamado liquefação, que é quando o solo muda de composição e se transforma em uma espécie de lama que engole casas, coisas e pessoas. 
 
Por ser o epicentro de vários abalos sísmicos, o local escolhido para sediar o Encontro de Líderes de Equipes de Emergência do Exército de Salvação foi a cidade de Palu, na ilha de Sulawesi. 
 
 
O grupo de 35 participantes se reúne a cada dois anos para compartilhar experiências e receber atualizações sobre os padrões globais de ajuda humanitária. 
 
São pessoas acostumadas a atuar após catástrofes como os terremotos no Japão e no Paquistão, os incêndios na Austrália, os tsunamis no Haiti, os furacões no Bahamas e até mesmo o intenso fluxo migratório de venezuelanos na fronteira do Brasil, que decretou estado de emergência em meados de 2018. 
 
Entre os vários relatos de sobreviventes indonésios, há sempre um misto de alegria e dor. Alegria por terem sobrevivido a um dos piores terremotos da história do país, um abalo sísmico de 7.5 de magnitude que num primeiro instante matou ao menos 2 mil pessoas e deixou outras 5 mil desaparecidas, dor por terem perdido filhos, cônjuges e amigos. 
 
Milhares de corpos sequer foram encontrados.   
 
Quando uma comunidade é destruída por um terremoto, além das casas, outros locais cruciais também são afetados e precisam ser reconstruídos a fim de se resgatar a identidade de um povo. Escolas, hospitais, lojas e centros religiosos fazem parte dos projetos de reconstrução. 
 
E então entra em cena a força de uma comunidade, a resiliência de seus moradores e a ação conjunta de variados grupos, incluindo agências internacionais de ajuda humanitária e o próprio governo. 
 
Em um momento como esse, não há tempo nem motivo para focar em diferenças religiosas, por exemplo. O bem-comum e a esperança falam mais alto. 
 
Os muçulmanos entendem isso quando ajudam os cristãos a reconstruírem suas igrejas. Os cristãos entendem isso quando ajudam os muçulmanos a reerguerem suas mesquitas. Recursos de um governo de maioria islâmica disponibilizados para a construção de templos e igrejas. Recursos de agências humanitárias cristãs disponibilizados para a distribuição de alimentos em comunidades muçulmanas e hindus. 
 
Ao menos na região de Sulawesi, há uma harmonia visível entre os vários grupos religiosos. As cinco chamadas à oração, feitas dos minaretes, são ouvidas por toda parte. Os cristãos, porém, gozam da liberdade de vivenciarem sua fé publicamente e não precisam se submeter às tradições islâmicas, como o uso da hijab. As igrejas são públicas e acessíveis. Assim como os templos hindus e budistas. 
 
O gongo da paz simboliza essa harmonia: um monumento posto no local mais alto da cidade, marcado com os principais símbolos religiosos do país: budismo, islamismo, cristianismo, hinduísmo e jainismo. 
 
Ao redor do monumento, uma cerca com silhuetas de pessoas de mãos dadas em volta de mesquitas, templos e igrejas. Um belo exemplo para aqueles que têm visto o estrago que a intolerância religiosa pode causar em diferentes países.  
 
A dor certamente nos ensina lições importantes. O bom seria não precisar dela para aprender.
 
A admiração por esse povo fica. O desejo que fica, também, é que a gente não precise passar por catástrofes tão assustadoras para percebermos que, independente de frequentarmos uma igreja, uma mesquita ou um templo, somo todos iguais. 
 
*No Exército de Salvação, pastores e pastoras são denominados como “oficiais”
Fotos: Acervo pessoal

 
O programa Luz no Nordeste é uma iniciativa da Sociedade Bíblica do Brasil – SBB – que visa atender comunidades em situação de vulnerabilidade e risco social, realizando atividades sociais. De acordo com Emilene Araújo, gerente de Projetos Sociais da SBB, “o foco das ações do Luz no Nordeste é transformar vidas”.
 
A iniciativa, que está inserida no Programa Luz no Brasil, conta com a participação de 50 voluntários, além da equipe de colaboradores da SBB em Recife, e com um caminhão que percorre diversas cidades em Pernambuco.
 
“Promovemos palestras informativas, recreação infantil e atendimento de outras políticas sociais, como educação e saúde”, afirma Emilene.
 
Além de consultórios médicos usados para a prestação de serviços relacionados à saúde e higiene básica, o programa oferece o Mundo da Bíblia, um espaço de exposição de Bíblias e distribuição de materiais gratuitos para estudo.
 
De acordo com Emilene, esse meio dá condições para que seus agentes possam desenvolver estratégias diretamente onde vivem as pessoas. “A tecnologia social precisa chegar até às famílias e às comunidades, considerando que o grande desafio da inclusão não é apenas oferecer projetos e serviços, mas o de dar condições de acessos.”
 
Mais de 10 anos do Luz no Nordeste
 
O programa teve início em 2009. Para comemorar os dez anos de existência, ano passado, a SBB realizou um mutirão de serviços assistenciais, com exames, atendimentos clínicos, rodas de conversa, distribuição de cestas básicas, entre outras atividades.
 
Só em 2019 o programa atendeu 6.790 pessoas e realizou mais de 8.989 atendimentos. Para 2020, os planos são aumentar em 10% o número de atendimentos. Mas para isso são necessários mais voluntários, em diversas áreas, para o atendimento das famílias.
 
Para participar, basta entrar em contato com a Secretaria Regional da SBB em Recife, por meio do telefone (81) 3092-1900.
 
Sobre a SBB
 
A Sociedade Bíblica do Brasil, fundada em 1948, é uma organização beneficente, sem fins lucrativos, assistencial, educativa e cultural. Sua finalidade é divulgar a Bíblia e a sua mensagem, tornando-a relevante para todas as pessoas.
 
Com informações da Ultimato / SBB
Foto: Reprodução

 
Foi inaugurado em Nova Iguaçu-RJ, no dia 17/02, o primeiro Núcleo de Atendimento às Vítimas de Intolerância Religiosa (Navir) do Brasil. O espaço vai acolher vítimas de qualquer tipo de preconceito religioso, com atendimento psicológico, assistencial e orientações jurídicas, além de atuar na prevenção e combate a esse tipo de violação dos direitos humanos, principalmente em áreas onde há templos de matrizes africanas.
 
O Navir é localizado na Rua Terezinha Pinto, 297, 3° andar, no Centro do município. Resultado de uma parceria da Prefeitura de Nova Iguaçu com o Governo do Estado do Rio de Janeiro, vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h.
 
“O núcleo vai procurar atender todas as vítimas de intolerância religiosa não só de Nova Iguaçu, como de toda a Baixada. A proposta é que as pessoas possam procurar o núcleo ao sentirem que seus direitos foram violados quanto a questão religiosa”, afirmou a secretária de Assistência Social, Elaine Medeiros.
 
Com o Núcleo de Atendimento à Intolerância Religiosa funcionando, a ideia é criar um banco de dados de vítimas desse crime para que os casos sejam acompanhados com mais eficácia, assim como os boletins de ocorrências feitos em delegacias. O espaço terá um memorial para expor utensílios sagrados de templos destruídos, resgatando assim sua história.
 
“Sabemos do aumento de crimes relacionados à intolerância religiosa em todo o país e aqui em nosso estado não é diferente. Tínhamos que dar esse pontapé inicial aqui na Baixada. Podemos mostrar para o Brasil como podemos viver em harmonia, com tolerância e respeito para diminuir e combater esses crimes”, afirmou o subsecretário Estadual de Promoção, Defesa e Garantia dos Direitos Humanos, Thiago Miranda.
 
Para o defensor público de Nova Iguaçu, Antônio Carlos de Oliveira, será importante criar um protocolo de atuação para que os casos de violência sejam investigados pela Polícia Civil.
 
Também estiveram presentes diversos representantes de religiões de matrizes africanas, evangélica e católicas, como o bispo diocesano dom Luciano Bergamin.
 
Sacerdote do candomblé angola, que fica no bairro Vila Nova há 34 anos, Roberto Braga acredita que o Navir vai estimular pessoas em fazer denúncias em casos de intolerância religiosa.
 
“Muitos terreiros foram invadidos e depredados. Esse núcleo é uma resposta da nossa luta. As pessoas vítimas de intolerância vão se sentir mais seguras e estimuladas a fazer as denúncias. Agora temos uma voz na Baixada. Já fui ameaçado e agora estou vendo um resultado positivo”, disse ele.
 
Em 2019, foram registrados 132 casos de intolerância religiosa no Estado do Rio. Destes, 15 foram em Nova Iguaçu, segundo informações da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social de Direitos Humanos. A Prefeitura de Nova Iguaçu tem feito acolhimento com apoio assistencial e jurídico, entretanto, o acompanhamento de boletins de ocorrência é da esfera policial.
 
Com informações do jornal O Dia
Foto: Reprodução

 
Egito inaugura museu para homenagear os 21 cristãos coptas decaptados por terroristas do Estado Islâmico (ISIS) em uma praia da Líbia, em 2015. O vídeo que mostra a execução em desses 21 homens, todos vestindo laranja, circulou o mundo e virou um símbolo do fanatismo perpetrado pelo ISIS.
 
O memorial foi construído em Al Our, que fica na província de Minya, e foi inaugurado no último dia 15 de fevereiro, também denominado como o Dia dos 21 Mártires Coptas.
 
Uma grande população de cristãos do Egito vive em Minya, onde parte dos mártires também eram residentes. O museu está localizado dentro de uma igreja copta, e foi totalmente financiada pelo governo egípcio.
 
O local inclui um panorama documental que descreve os detalhes do sequestro e da decapitação dos 21 homens.
 
São exposições sobre a vida das vítimas, desde o momento de seu sequestro, até o repatriamento de seus corpos para o Egito. 
 
Também há um santuário com seus restos mortais, bem como os caixões que seus corpos foram transportados da Líbia.
 
 
CONIC com agências
Foto: Divulgação

 
A Sociedade Religiosa dos Amigos, ou os Quakers [outras grafias: quacres, quáqueros], é um dos mais peculiares grupos religiosos originários da época conturbada do século XVII na Inglaterra. Em tempos de sectarismos político e religioso, emergiram das camadas populares de orientação puritana os chamado Sessenta Valentes, dentre eles o célebre George Fox (1624–1691).
 
Nunca formaram uma larga denominação religiosa, porém os Quakers se destacaram em ativismo social e nas ciências. Dentre as personalidades notáveis ligadas ao quakerismo contam-se as ativistas sociais Susan B. Anthony, Lucretia Mott e Elizabeth Fry, o químico John Dalton,  o presidente norte-americano Herbet Hoover, o diplomata e laureado pelo Nobel barão Philip Noel-Baker, o pioneiro da antropologia E.B.Tylor, o poeta Walt Whitman, a escultora britânico-brasileira Josephine Vasconcelos.
 
Pacifista, foi a única denominação religiosa a receber o prêmio Nobel, em 1947, por meio do Friends Service Council do Reino Unido e o American Friends Service Committee pelos trabalhos humanitários durante e após a Segunda Guerra. Hoje 300 mil Quakers vivem espalhados pelo Quênia, Reino Unido, Estados Unidos, Guatemala, Bolívia e poucos membros em outros países.
 
No Brasil a presença dos Quakers é ainda mais diminuta. Porém constitui uma interessante história.
 
No auge da repercussão do banimento do tráfico de escravos ao Brasil, a Sociedade Religiosa dos Amigos britânica enviou dois emissários para observar o estado da população escrava e o cumprimento da lei Eusébio de Queiroz em 1852. Os visitantes John Chandler [Candler] e Wilson Burgess encontram-se com o Imperador D.Pedro II, ministros de estado, o arcebispo de Salvador, juízes e deputados, comerciantes e fazendeiros. Visitaram minas, fazendas e a faculdade de Direito do Recife. O relatório Narrative of a Recent Visit to Brazil (1858) oferece uma interessante perspectiva do país no pouco tempo que aqui estiveram.
 
Como nessa visita, a presença Quaker no Brasil seguiria esse parâmetros: expatriados e agentes de missões humanitárias permanecendo pouco tempo no país.
 
A herança mais longeva é a Congregação Unitarista de Pernambuco. Foi fundada por expatriados de língua inglesa no Recife dos anos 1930, formada por uma singular mescla entre o unitarismo e o quakerismo. Em seus tempos áureos, teve reuniões até em Brasília. Hoje se mantém com uma congregação regular em Pernambuco e mais alinhada ao cristianismo progressista dos Unitários-Universalistas que aos Quakers.
 
Depois da Segunda Guerra Mundial, empresários, funcionários de multinacionais, diplomatas, agentes humanitários e missionários (alguns Quakers mantém filiação dual com outras denominações) formaram reuniões domésticas no Rio e São Paulo. Um típico Quaker da Pennsylvânia, William Ravdin  descreve “Além de Mary , eu e dois Amigos ligados ao USAID, temos outro frequentador regular da Embaixada Japonesa, um protestante suíço que aprecia nosso silêncio, um brasileiro, um membro da Reunião Mensal de Zurique e poucos outros”.
 
Em São Paulo, o casal Archibald Mulford Woodruff (1941-2012)  e Linnis Cook, ele missionário presbiteriano e professor no Mackenzie, organizaram reuniões familiares desde os 1970. Ficaram no Brasil por 22 anos. Em 2009 a longa apoiadora desse grupo, a advogada e ativista social Linnis Cook, retornou aos Estados Unidos. Um grupo continua com reuniões esporádicas na Escola Graduada de São Paulo. A biblioteca do Swarthmore College na Pensilvânia mantém arquivos desses grupos.
 
Uma nota: as congregações locais são chamadas de Reuniões (Monthly Meetings) e os grupos maiores de Reuniões Anuais (como em “Ohio Yearly Meeting”). O culto Quakers é de dois tipos: cultos não programados, no qual os membros se reúnem em silêncio e só cantam, oram ou pregam conforme sentir inspirado pela Luz Interior; e o culto programado (na verdade, semi-programado), com um parâmetro fixo de hinos, leituras, orações e pregações. Organizacionalmente, há grupos com ministros regulares e outros sem ministros algum. Em comum, valorizam uma horizontalidade radical: todos — homens, mulheres, crianças, idosos, brancos, negros, — são iguais diante de Deus, resultando em um regime eclesiástico sem clero. No Brasil, os grupos de São Paulo e Rio parecem ter seguido em sua história um parâmetro mais aquém ao culto não programado e organização não pastoral.
 
Outro grupo e membros dispersos existem no estado de São Paulo. São de expatriados cuáqueros ou amigos bolivianos. No Altiplano da Bolívia um Quaker americano de etnia navajo, William Abel, distribuiu bíblias entre os aymarás em 1919. Como resultado, cerca de 35 mil Quakers, principalmente aymarás (mas com significantes membresia quéchua, mosetain, chimani e outros) vivem nesse país, organizados em cinco principais Reuniões Anuais: Iglesia Evangélica Misión Boliviana de Santidad Amigos (MBSA), Iglesia Evangélica Estrella de Belen (IEEB), Iglesia Evangélica Unión Boliviana Amigos (IEUBA), Iglesia Nacional Evangélica los Amigos (INELA) e Junta Anual de los Amigos Central (JALAC). Em São Paulo há reuniões mais ou menos regulares desde 2011, sob assistência da MBSA. Seguem uma linha evangélica-holiness de cultos programados e de ministério pastoral.
 
Além desses grupos, há a missão humanitária da América Friends Service – AFS – com sede no bairro da Aldeota, em Fortaleza, Ceará. Essa agência colabora com inciativas sociais brasileiras.
 
O quakerismo, ainda que pequeno numericamente, representa um relevante capítulo nas histórias das ações humanitárias e das migrações de língua inglesa e de bolivianos no Brasil.
 
Fonte: Ensaios e Notas - Artes, Humanidades e Ciências Sociais
Foto: © Alamy
Obs.: o título foi editado para melhor ajuste em nosso site

 
O papa Francisco concluiu sua série de audiências, na última sexta-feira (21/02), recebendo na Sala dos Papas, no Vaticano, uma delegação de jovens sacerdotes e monges das Igrejas ortodoxas orientais, em Roma estes dias numa visita de estudo.
 
Ao dar as boas-vindas, o Pontífice manifestou sua alegria pela visita e dirigiu, através dos presentes, uma saudação particular a meus “veneráveis e queridos Irmãos, Chefes das Igrejas ortodoxas orientais, disse.
 
Francisco ressaltou que uma visita é sempre uma troca de dons. Quando a Mãe de Deus visitou Isabel, partilhou com ela a alegria pelo dom que tinha recebido de Deus. “E Isabel, acolhendo a saudação de Maria que lhe fez saltar o menino em seu ventre, ficou repleta do dom do Espírito Santo e concedeu à prima a sua bênção”, ressaltou.
 
Partilhar os dons do Espírito Santo
 
“Como Maria e Isabel, as Igrejas trazem em si vários dons do Espírito, a partilhar pela alegria e o bem recíprocos. Desse modo – disse –, quando nós cristãos de diferentes Igrejas nos visitamos, encontrando-nos no amor do Senhor, temos a graça de partilhar esses dons.”
 
“Que possamos acolher o que o Espírito semeou no outro como um dom para nós. Nesse sentido, a visita de vocês não é somente uma ocasião para aprofundar o conhecimento da Igreja católica, mas é também para nós católicos uma oportunidade para acolher o dom do Espirito que está em vocês. A presença de vocês nos permite essa troca de dons e é motivo de alegria.”
 
Igrejas que marcaram no sangue a fé em Cristo
 
Citando o apóstolo Paulo, o Papa disse também ele agradecer a Deus pela graça concedida aos sacerdotes e monges da delegação em visita. “Tudo parte daí, do ver a graça, do reconhecer a obra gratuita de Deus, do crer que Ele é o protagonista do bem que está em nós.” Esta é beleza do olhar cristão sobre a vida. E é também a perspectiva na qual acolher o irmão, como o Apóstolo Paulo ensina, disse ainda, acrescentando:
 
“Portanto, sou grato por vocês, pela graça que acolheram na vida e em suas tradições, pelo sim do sacerdócio de vocês e da vida monástica, pelo testemunho dado pelas várias Igrejas ortodoxas orientais, Igrejas que marcaram no sangue a fé em Cristo e que continuam sendo sementes de fé e de esperança também em regiões marcadas, infelizmente, pela violência e pela guerra.”
 
Não hóspedes, mas irmãos
 
Antes de despedir-se, o Santo Padre fez votos de que eles tivessem tido uma experiência positiva da Igreja católica e da cidade de Roma e que tenham se sentido não hóspedes, mas irmãos.
 
“O Senhor encontra contentamento nisso, na fraternidade entre nós. Que a visita de vocês, e as que com a ajuda de Deus poderão se seguir, possam agradar e dar glória ao Senhor! Que a presença de vocês se torne uma pequena semente fecunda para fazer germinar a comunhão visível entre nós, aquela unidade plena que Jesus deseja ardentemente.”
 
Francisco concluiu renovando seu cordial agradecimento pela visita, assegurando suas orações por eles, confiando também as orações deles para si e seu ministério. Por fim, convidou-os a rezar juntos, cada um na própria língua, o Pai-Nosso.
 
Vatican News
Foto: Reprodução
 

 
Por Alexandre de Jesus dos Prazeres*
 
Por estes dias, recebi de um grupo de religiosos, recolhendo assinaturas, uma petição contrária ao samba-enredo da Mangueira que será entoado no sambódromo neste ano. O desconforto estaria sendo causado por trechos do samba como o seguinte: "Eu sou da Estação Primeira de Nazaré / Rosto negro, sangue índio, corpo de mulher / Moleque pelintra no buraco quente / Meu nome é Jesus da gente". O samba-enredo apresenta Jesus falando em primeira pessoa e se identificando com oprimidos e marginalizados pela sociedade: o negro, o índio, a mulher, o moleque pelintra, enfim os invisibilizados, os que sofrem.
 
Talvez nisto esteja uma das causas de incômodo, Jesus se identificando com quem não é benquisto nos ambientes nos quais, no geral, ricos são bajulados e pobres menosprezados. E ambientes religiosos não são isentos deste comportamento, principalmente onde é pregado que são abençoados por Deus os que possuem poder de consumo. Pois estas igrejas apresentam Deus como um deus de consumidores, que dizimam e frequentam cultos para obterem dez vezes mais condições para consumir. Quem não tem teto, roupas de grifes, carros, enfim prosperidade, não é abençoado por Deus. Como poderiam cogitar que Jesus estivesse na pele desta gente?
 
Quem sabe se outra causa de incômodo seja o fato do samba-enredo propor, sem pedir licença aos religiosos, sua própria cristologia. Os religiosos se sentem proprietários de Cristo, detentores dos direitos de elaborar discursos acerca dele, suas interpretações a seu respeito são as únicas aceitáveis. Neste sentido, o samba-enredo transgride, tira a cristologia dos templos e leva até ao sambódromo, remove-a das mãos dos teólogos de igreja e a põe nas mãos de uma mulher (a compositora Manu da Cuíca), ignora os empoeirados manuais de teologia e reescreve a cristologia como samba, expressão popular da cultura brasileira.
 
A tal petição elaborada pelos religiosos declara que "não há Carnaval em que a Face Sagrada de Cristo não seja ultrajada, agredida, sempre em nome da 'liberdade de expressão'", menciona também a mal-interpretada encenação ocorrida no Carnaval passado, "uma escola de samba de São Paulo fez um desfile em que Nosso Senhor era derrotado pelo demônio", todavia, os reais motivos do incômodo estão declarados nos termos seguintes: "Não é por acaso que um defensor desse samba afirmou que ele é o 'mais potente, o mais subversivo ... cartão de Natal das populações vulnerabilizadas' e 'voz dos povos subalternizados (indígenas, negros, mulheres, gays, trans, etc.)'"
 
Incomoda ainda o fato do samba-enredo fazer alusão àqueles que elevaram o transitório à condição de eterno. Refiro-me ao título do samba-enredo, A verdade vos fará livres, que alude a uma das expressões da campanha de 2018 do atual presidente do Brasil, citação de João 8.32, identificando propostas partidárias e programa de governo com a vontade divina, elevando o humano e terreno à condição de divino e celestial, igualando o produto da mente humana à expressão dos pensamentos e sentimentos de Deus. Assim o samba-enredo, ao identificar Jesus com os excluídos e em condições de abandono, denuncia o engano da fé destes religiosos num falso Messias em quem depositam esperança para transformar o futuro, os rumos históricos do país.
 
Incomoda o apelo feito aos excluídos, "Favela, pega a visão, não tem futuro sem partilha/Nem Messias de arma na mão". Apelo que convida a se praticar a solidariedade, o partir do pão, a partilha das dores e das alegrias, e a saber diferenciar o Cristo de braços abertos na cruz de um Messias de mão armada.
 
Há questões incômodas para os religiosos neste samba-enredo, mas não são as enumeradas por eles, são principalmente as que eles se recusam a enumerar, pois revela o quão diferentes de Cristo são, não querem reconhecer, como declarou Nietzsche, que "os fariseus mataram Cristo e se apossaram da sua Igreja".
 
*Reverendo da Igreja Presbiteriana Unida (IPU) de Aracaju-SE. Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Sergipe - UFS (2019). Mestre em Ciências da Religião (2013) e Bacharel em Teologia (2010) pela Universidade Católica de Pernambuco – UNICAP.

 
A Fundação Luterana de Diaconia, por meio do seu Programa de Pequenos Projetos (PPP), convida coletivos, redes, organizações da sociedade civil, movimentos sociais, e instituições diaconais a participarem dos Editais 2020.
 
As áreas de apoio são: Diaconia, Justiça de Gênero, Direitos das Juventudes, Justiça Socioambiental e Justiça Econômica. Por meio destes apoios, a FLD busca promover a justiça de gênero e a justiça socioambiental, fortalecendo os processos de governança e gestão participava, as articulações em redes e coletivos, e a incidência em políticas públicas.
 
Serão apoiadas propostas com valores entre R$ 8.000,00 (oito mil reais) e R$ 10.000,00 (dez mil reais) que atendam aos objetivos de cada edital e aos critérios de pré-seleção e avaliação de projetos.
 
Importante:
 
– Prazo para envio de projetos: 27 de março de 2020, às 23h59min, horário de Brasília/DF.
– O prazo para execução do projeto é de 9 meses – de junho de 2020 a fevereiro de 2021.
– Os projetos devem ser enviados por meio de formulário eletrônico, disponível no endereço https://projetos.fld.com.br/requerente/login.php

Fonte: FLD

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