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O Conselho Mundial de Igrejas (CMI) e a Conferência de Igrejas de Toda a África (All Africa Conference of Churches, ou AACC) estão conclamando jovens africanos a participar de um concurso de redação para a publicação regional africana sobre a Peregrinação de Justiça e Paz. As duas organizações convidam africanos do continente e da diáspora, de até 35 anos de idade, a enviar seus textos. O prazo é 15 de outubro de 2019.
 
A Peregrinação de Justiça e Paz é o resultado de um chamado da 10ª Assembleia do CMI, realizada em 2013, conclamando igrejas de todos os lugares a caminhar juntos, olha para sua vida e jornada de fé comuns, e se unir a outros para celebrar a vida e dar passos concretos em direção a transformação da injustiça e da violência. O tema principal da peregrinação é acompanhado por três dimensões: celebrar a vida juntos, explorar as feridas e participar de ações transformadoras.
 
As redações devem refletir as tradições, os contextos e as perspectivas da igreja do(a) autor(a) em relação a qualquer um dos quatro temas intimamente inter-relacionados da peregrinação: verdade e trauma (construção da paz); terra e deslocamento (justiça econômica, justiça ecológica e migração); justiça de gênero e justiça racial (dignidade humana). A redação deve ter cerca de 5.000 palavras, incluindo notas e bibliografia. As redações enviadas serão analisadas pelos funcionários africanos do CMI e da AACC.
 
Até doze artigos serão incluídos na obra “A África Pela Qual Oramos em uma Peregrinação de Justiça e Paz” (título provisório), a publicação regional da África para a Peregrinação de Justiça e Paz, e consistirão de parte dos trabalhos regionais coletados para exposição na 11ª Assembleia do CMI em Karlsruhe (Alemanha) em 2021.
 
Além disso, os(as) autores(as) de quatro submissões selecionadas (uma para cada tema) serão convidados(as) a participar de diálogos ecumênicos abordando os quatro temas da 11ª Assembleia do CMI.
 
As redações podem ser escritas em inglês, francês ou português.
 
Fonte: CMI
Foto: Marcelo Schneider/CMI

 
As igrejas do Brasil precisam trabalhar mais unidas do que nunca para enfrentar a cultura da violência e as questões ambientais do país. Esta foi a mensagem dos participantes de uma mesa redonda ecumênica sobre o Brasil convocada pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em Genebra no dia 26 de agosto.
 
O encontro reuniu representantes de igrejas e organizações ecumênicas do Brasil e líderes do Conselho Mundial de Igrejas, da Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas, da Federação Luterana Mundial e da ACT Alliance.
 
O Secretário Geral do CMI, Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, afirmou que o CMI vem acompanhando com crescente preocupação os eventos recentes relacionados ao meio ambiente, a conservação do Estado de Direito e os direitos humanos no país, assim como seus impactos sobre os Povos Indígenas e outras comunidades vulneráveis no Brasil.
 
A mesa redonda foi convocada como uma oportunidade para ouvir análises e entender as respostas dadas pelos líderes religiosos brasileiros, e também para reafirmar o compromisso do CMI e dos outros organismos religiosos internacionais presentes de intensificar o monitoramento e o apoio prestados às igrejas do Brasil em seus esforços para enfrentar esses desafios.
 
 
“Vamos trabalhar juntos para usar nossa voz pela justiça e pela paz. Acreditamos no poder do amor de Cristo em todo o mundo, cuidando de toda a criação de Deus”, disse Tveit. "Esse amor pode trazer reconciliação e união de formas que não vemos no momento".
 
Os participantes da discussão concordaram que uma das questões prioritárias que as igrejas precisam enfrentar com voz comum é a cultura cada vez mais prevalente de violência no Brasil. Mesmo o cristianismo é frequentemente apresentado “com uma cara violenta”, compartilhou a Pastora Romi Márcia Bencke, Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil (CONIC). “Temos a coragem de dizer que o Cristianismo é contra a violência? Precisamos dizê-lo; caso contrário, temos um problema com o significado da fé Cristã como tal”, disse Bencke.
 
Tendo em vista o número recorde de incêndios na floresta amazônica brasileira este ano, preocupações ambientais foram outro tópico de destaque no encontro. Além do significado vital da Amazônia no contexto das mudanças climáticas globais, também é importante considerar o impacto da biodiversidade e o crescente sofrimento dos povos indígenas que perdem seus lares e meios de subsistência tradicionais com a destruição do habitat da floresta. “Os incêndios na região amazônica devem ser tratados como uma crise nacional e internacional”, disse o Rev. Dr. Olav Fykse Tveit.
 
O Bispo Manoel João Francisco, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, compartilhou que um Sínodo sobre a Amazônia será convocado pelo Papa Francisco em outubro reunindo bispos de nove países da região amazônica.
 
“Esta não é uma questão política, mas sim uma questão episcopal, porque somos chamados a cuidar das pessoas afetadas”, disse o Bispo Francisco, que espera que o próximo Sínodo traga ideias e propostas para atender às necessidades das pessoas na região amazônica.
 
Fotos: Ivars Kupcis/CMI
Obs.: O título foi adaptado

 
É regra: todos os anos, a Igreja Católica envia uma mensagem aos muçulmanos pelo mês do Ramadã, outra aos budistas pela festa do Vesakh e uma terceira aos hindus pela festa do Deepavali. Quem assina os textos é o presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, o organismo da Cúria Romana dedicado às relações da Igreja Católica com outras religiões.
 
Em outra sala do mesmo prédio, na Via della Conciliazione, número 5, em Roma, outro organismo da Cúria tem, entre outras, a tarefa de coordenar comissões de diálogo bilateral com ortodoxos, luteranos, batistas, anglicanos, metodistas e menonitas. É o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
 
Esses dois organismos – ou dicastérios, como são chamados organismos da Cúria Romana como esses – têm missões diferentes. Um faz diálogo inter-religioso e o outro faz ecumenismo. Embora essas duas realidades tenham a ver com diálogo, compreensão, amizade e tolerância, não são sinônimas: os interlocutores são diferentes, e os objetivos também.
 
A confusão entre os termos costuma ser consequência de uma confusão anterior: falar de religiões, no plural, quando queremos na verdade nos referir às diferentes denominações cristãs. O cristianismo é uma só religião. Portanto, o diálogo entre luteranos e católicos ou entre anglicanos e ortodoxos não é inter-religioso. Essas relações são chamadas de ecumênicas.
 
Objetivos 
 
Os proponentes do diálogo inter-religioso não têm como objetivo a fusão entre as religiões ou qualquer coisa parecida: o objetivo do diálogo é a busca de compreensão mútua entre as religiões e a sua cooperação em vista da paz e da justiça. O objetivo do ecumenismo é caminhar pela unidade visível, de testemunho comum, entre cristãos (mais adiante será explicado em que sentido tal unidade é entendida).
 
O Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fundado em 1948 e que reúne hoje 350 igrejas, se define como “uma comunidade de igrejas a caminho da unidade visível em uma fé e uma comunhão eucarística”.
 
Do ponto de vista da Igreja Católica – que não é membro pleno do CMI –, o mais importante documento eclesial sobre o assunto – o decreto Unitatis redintegratio, do Concílio Vaticano II (1962-1965) – afirma que um dos principais propósitos do concílio foi “promover a restauração da unidade entre todos os cristãos”.
 
Bento XVI, por exemplo, defendeu que “a meta do ecumenismo é a unidade visível entre os cristãos divididos” – e no início do seu pontificado, em 2005, disse assumir “como compromisso primário o de trabalhar sem poupar energias na reconstituição da plena e visível unidade de todos os seguidores de Cristo” e estar “disposto a fazer tudo o que estiver em seu poder para promover a fundamental causa do ecumenismo”.
 
De fato, a passagem bíblica que é mais comumente relacionada com o ecumenismo é um trecho da oração de Jesus ao Pai durante a última ceia no Evangelho de João (17, 21): “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, Pai, és em mim e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. A unidade, assim, fica relacionada com a credibilidade do testemunho cristão.
 
Unidade como?
 
Para a maior parte das igrejas envolvidas com o ecumenismo, essa plena unidade não significa bater tudo no liquidificador para dar origem a uma nova igreja unificada. Também não significa incorporar ou submeter umas igrejas a outras, nem “converter” todos os cristãos a uma das igrejas existentes.
 
A título de exemplo, o papa Francisco já deixou claro que a unidade entre os cristãos não é “uniformidade” nem “absorção”. “Procurar suprimir tal diversidade significa ir contra o Espírito Santo, que age enriquecendo a comunidade dos crentes com uma variedade de dons”, afirmou, dizendo ainda que “a unidade dos cristãos não comporta um ecumenismo ‘de marcha atrás’, pelo qual se deveria renegar a própria história de fé; nem sequer tolera o proselitismo, que aliás é um veneno para o caminho ecumênico”.
 
O patriarca ecumênico[1] de Constantinopla Bartolomeu I, por sua vez, ressaltou: “Na medida em que uma igreja reconhece que outra igreja é uma fonte de graça santa e um guia que conduz à salvação, os esforços destinados a afastar os fiéis de uma igreja para que eles possam se unir a outra são inaceitáveis, sendo inconsistentes com o reconhecimento acima mencionado. Cada igreja local não é concorrente das outras igrejas locais, mas é um só corpo com elas e deseja a vida de unidade em Cristo, a restauração do que foi perturbado no passado e não a absorção da outra”.
 
No âmbito ecumênico, é comum usar a expressão “diversidade reconciliada” para falar desse modelo. A Federação Luterana Mundial o descreve como “um caminho para a unidade que não implica automaticamente a rendição de tradições confessionais e identidades confessionais” e em que “não há nenhum encobrimento sobre as diferenças. Tampouco as diferenças são simplesmente preservadas e mantidas inalteradas. Pelo contrário, elas perdem seu caráter divisivo e se reconciliam entre si”.
 
Assim, a unidade plena entre os cristãos respeitará a diversidade interna do cristianismo – e será grata pelo mútuo enriquecimento que ela possibilita.
 
[1] Nesse título, “ecumênico” tem outro significado, mais literal e também mais parecido com aquele que aparece na expressão “concílio ecumênico”. “Ecumenismo” vem do grego οἰκουμένη (oikouméne), que quer dizer “terra habitada”. No título do patriarca de Constantinopla, indica que ele é o primaz da comunhão ortodoxa. Embora cada uma das 14 igrejas ortodoxas seja autônoma, o patriarca de Constantinopla ocupa honorificamente a primeira posição entre os hierarcas de cada uma delas. Na ideia de concílio ecumênico, está a noção de uma assembleia que reúne bispos do mundo todo.
 
Artigo originalmente publicado pela Gazeta do Povo, com adaptações
Fotos: Reprodução

 
Em 2019 celebramos os 20 anos da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação (JDDJ). O documento foi assinado em 31 de outubro de 1999 em Augusta (Alemanha) por representantes da Federação Luterana Mundial (FLM) e da Igreja Católica Romana; posteriormente foi adotada pelo Conselho Metodista Mundial (2006), pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas (2017) e pela Comunhão Anglicana (2017). 
 
No dia 4 de setembro, o CONIC organizará uma Celebração Ecumênica na Comunidade Evangélica de Confissão Luterana de Brasília para comemorar esses 20 anos da Declaração - vide convite:
 
 
A seguir, confira a entrevista com o pastor Martin Junge, atual secretário-geral da FLM, sobre a importância da Declaração para a caminhada ecumênica mundo afora.
 
Qual é o conteúdo e a importância da Declaração Conjunta sobre Justificação pela Fé?
 
A Declaração Conjunta recompôs a maior controvérsia teológica que dividiu por séculos católicos e luteranos, no que diz respeito à doutrina da justificação pela graça através da fé. É claro que também houveram outros fatores políticos, econômicos e sociais que levaram à divisão do cristianismo ocidental no século XVI. No entanto, a questão de como a salvação alcance os seres humanos através de Jesus Cristo foi aquela em torno da qual a divisão foi mais claramente delineada. Com a JDDJ, luteranos e católicos encontraram uma base consensual e retiraram as condenações com as quais se acusaram reciprocamente no passado. Podemos afirmar que a JDDJ é um marco na jornada rumo à unidade dos cristãos.
 
No discurso que você proferiu durante a celebração ecumênica, também falou sobre o método de diálogo usado para redigir a JDDJ, o "consenso diferenciado". O que é isso?
 
O "consenso diferenciado" é um método de diálogo que permite definir um sólido consenso de base, sem, contudo, silenciar ou ignorar as diferenças que ainda subsistem. A JDDJ expressa o consenso de católicos e luteranos em torno de "verdades de base", cuja afirmação nos permite dizer que as condenações do passado não podem ser aplicadas ao atual ensino das duas confissões sobre a doutrina da justificação. Ao mesmo tempo, a JDDJ evidencia o que ainda divide as duas confissões sobre o mesmo tema, sem que isso comprometa o consenso alcançado. Quanto mais estivermos conscientes da amplitude da base comum sobre a qual repousa a nossa fé cristã, tanto mais é possível enfrentar a diversidade do outro como um desafio à nossa própria identidade e ao nosso modo de ser igreja.
 
Na sua opinião, vinte anos depois, quais são os resultados mais importantes alcançados por este documento?
 
Acredito que nenhum dos que assinaram há vinte anos imaginaria a incrível força motriz deste documento. Sem a JDDJ, por exemplo, nunca teria sido possível continuar o diálogo até a redação, em 2013, do documento "Do conflito à comunhão", no qual católicos e luteranos olham para sua história passada para deixar para trás os conflitos e progredir no caminho da unidade. Sem a JDDJnunca teríamos chegado à Comemoração conjunta dos 500 anos da Reforma Protestante, que viu junto em Lund (Suécia), em 2016, o Papa Francisco e os expoentes da FLM. No entanto, não é só isso, mas muito mais.
 
O que?
 
O fato de que este documento, nascido em 1999 como texto bilateral, hoje se tornou um documento multilateral que constitui a base teológica para o diálogo e testemunho comum de católicos, luteranos, metodistas, reformados e anglicanos. Essas cinco denominações cristãs se reuniram em março passado na Universidade de Notre Dame (EUA) para redigir uma declaração em que reafirmam "as verdades de base sobre a doutrina da justificação contida na JDDJ, enfatizando como a mensagem da graça de Deus é mais que é urgente e necessária no mundo em que vivemos”. Tenho esperança que os frutos que a JDDJ nos permitirá colher ainda sejam muitos.
 
CONIC com informações da IHU Unisinos/Riforma

 
Em maio deste ano, o CONIC ganhou uma nova diretoria. Com a mudança nos quadros de comando do Conselho, quem assumiu a presidência foi o Pr. Inácio Lemke. Esse catarinense de Jaraguá do Sul, casado com Margit Elfriede Lemke, com quem tem dois filhos, Thobias e Mathias, ficará à frente do CONIC até 2022.
 
Inácio é formado em Teologia pela Faculdade de Teologia – FACTEOL, atual EST, em São Leopoldo / RS, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB, (1974 a 1980); entre janeiro a dezembro de 1977 foi estudante intercambista no Evang. Luth. Missions und Diasporaseminar em Neuendettelsau, Alemanha.
 
A seguir, confira o relato que ele escreveu especialmente para o nosso site! 
 
“Em 1981 fui enviado pela IECLB, juntamente com uma equipe de trabalho, integrada por enfermeira, médico, técnico agrícola e minha esposa, para a Região de Rolim de Moura, RO. Como Pastor, coube-me a missão de coordenar a equipe, além da responsabilidade dos trabalhos pastorais junto às famílias luteranas, era acolher os migrantes que estavam procurando novo espaço de vida.
 
As caravanas de migrantes eram constituídas em sua maioria por pessoas pobres, muito pobres, vindo sobre tudo dos Estados do Nordeste, do Sudeste (Espírito Santo e Minas Gerais e São Paulo) e do Sul (Paraná).
 
A casa pastoral tornou-se rapidamente uma casa de convivência, para a equipe de trabalho, bem como para estagiárias, estagiários; também uma casa de acolhida e passagem para pessoas que precisavam de cuidados de saúde, gestantes, pessoas acometidas de malária ou outras doenças típicas da Região Amazônica. Acolhíamos as pessoas que aguardavam vagas nos hospitais, ou as que esperavam para retornar às moradas que muitas vezes eram alcançadas após longas caminhas pelas linhas e picadas.
 
A casa também era espaço de troca de experiência e sonhos com os dois Padres Espiritanos irlandeses e três Irmãs Combonianas, duas italianas e uma brasileira. A realidade local, com seus desafios que muitas vezes pareciam insuperáveis, nos uniam e fortaleciam nossos sonhos, transformando-os em realidades de gestos de solidariedade. Partilhávamos alegrias comuns, vendo as famílias receberem seus lotes de terra, cultivar, plantar e colherem os frutos dos seus trabalhos. Também acompanhamos a fundação dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, a criação das Associações de Ajuda Mútua e outras melhorias.
 
Outro referencial em minha caminhada de igreja ecumênica foi o trabalho junto à Comissão Pastoral da Terra – CPT. Em Rondônia, a CPT nasce a partir da necessidade social de abandono em que se encontravam a população local. Já em 1978 surge a CPT/RO em harmonia ecumênica, envolvendo leigos/as e clérigos/as da IECLB e Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR). Por uma decisão coletiva de lideranças, acompanhei os trabalhos da CPT/RO. Em 1985 fui eleito Vice-Presidente da CPT Nacional, juntamente com o Bispo Dom José Gomes, de Chapecó/SC. Tempo abençoado pela convivência ecumênica prática.
 
Em 1987 a CPT/RO solicita minha cedência junto à IECLB para assumir a coordenação regional de Rondônia, bem como acompanhar o Grande Regional Noroeste do Brasil que integrava os Estados do Acre, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia e Roraima. Assim, pude conhecer a realidade amazônica nua e crua com as suas grandes diferenças etnoculturais. Assessorar e acompanhar as pessoas, os movimentos e grupos em suas diferenças eram desafio diário. Anunciar e levar esperança junto aos mais pobres era uma das metas na convivência. Ao mesmo tempo em que experimentava muita alegria neste trabalho, também aumentavam os riscos e as ameaças constantes. Assim, em março de 1992, minha família e eu aceitamos o desafio de aceitar um convite que veio da Igreja Evangélica Luterana da Baviera, Alemanha, onde fui incluído numa equipe de trabalho no Kirchlicher Endwicklungsdienst – KED – Bayern. 
 
1992, lembrando os 500 Anos da Conquista das Américas, quando na Europa se levanta a pergunta: “quem descobre ou conquista quem”? – Na instituição trabalhamos o tema através de uma exposição de painéis com textos, fotografias, gráficos, vídeos e filmes, com o título “O BRASIL – Eu ouvi o clamor do meu povo”. 
 
Cooperei com trabalhos no KED Bayern até setembro de 1999, quando construí muitas pontes entre comunidades, grupos e ONG na Alemanha, Europa, Brasil, América Latina. Tive a oportunidade fazer uma viagem de serviço para Moçambique... sempre tecendo ligações solidárias entre iniciativas religiosas, políticas ou grupos autônomos. Alguns destes contatos persistem até os dias atuais.
 
Retornando ao Brasil, novamente assumi trabalhos pastorais em Minas Gerais, Teófilo Otoni (outubro de 1999 a abril de 2001) e em Santa Catarina, Rio das Antas (2001 a dezembro de 2009). Em 2010 fui eleito para Pastor Sinodal no Sínodo Norte Catarinense, cargo que exerci até final de 2018. No período de 2014 a 2018 também fui eleito em Concílio para o exercício de Pastor 2º Vice-Presidente da IECLB.
 
Assim que cheguei em Santa Catarina passei a acompanhar os trabalhos do Conselho de Igrejas para Estudos e Reflexão – CIER e, assim, também fui me envolvendo com o CONIC. Na gestão passada, exerci a Vice-Presidência juntamente com Dom Flávio Irala, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB).
 
Viver o ecumenismo hoje para mim é encontrar o outro, a outra pessoa ou instituição pelo caminho, descobrir o que nos une, mas ao mesmo tempo respeitar as nossas diferenças. Para isso é preciso desenvolver um grande sentimento de amor pelo outro/outra sem impor condições pré-estabelecidas. Um sentimento de “vamos caminhar juntos”, sem já de antemão impor nossas regras. Vamos encontrar um caminho comum de convivência.
 
Penso que o CONIC deve proporcionar espaços de diálogo e estar aberto para receber também outras igrejas cristãs que queiram caminhar juntas. Assumir o compromisso que Jesus de Nazaré ensina na caminhada com seus discípulos e discípulas. Sobretudo a prática do amor junto às pessoas mais pobres e excluídas: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu os amei” (Ev. Jo. 13.34). Como representantes de igrejas comprometidas com o evangelho de Jesus Cristo não podemos entrar na onda do ódio, da destruição da criação que Deus nos confia como filhas e filhos a seu serviço nesta terra. Cabe-nos, sim, denunciar toda violência que é praticada, seja contra humanos, seja contra a criação. 
 
Ser presidente do CONIC foi e sempre será de muita responsabilidade diante das igrejas-membro, diante dos nossos parceiros, diante da sociedade e, sobretudo, de Deus. Recebi essa eleição com temor e tremor, consciente da responsabilidade. Diante de toda conjuntura que envolve o país hoje é preciso denunciar o mal com todas as suas mazelas e anunciar a esperança aos desalentados novamente. E é nesse sentido que o CONIC sente-se desafiado a não perder o equilíbrio, diante de tudo que vimos e ouvimos, não podemos nos calar. Precisamos ser a voz que pode fazer a diferença neste deserto que, por hora, passa o povo brasileiro; uma voz compromissada com a vida e vida em abundância para todos e todas (Ev. Jo. 10.10).
 
Para me equilibrar, cultivo como hobby um pequeno quintal, com horta, flores, árvores com liberdade de pássaros. É um pequeno espaço acolhedor para a diversidade da vida e pessoas diferentes. 
 
Onde fica isso? Em Pomerode, SC.
 
Caso alguém queira conhecer, será bem-vindo. E sempre sem preconceitos.
 

 
A defesa da soberania nacional é tema da série de seminários que acontecem nos dias 4 e 5 de setembro, na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento, organizado pela Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, vai debater questões relativas ao patrimônio público, à produção científica e às riquezas naturais.
 
Um ato político na abertura do seminário lançará a Frente Parlamentar e Popular em Defesa da Soberania Nacional. No encerramento, haverá a divulgação do Manifesto em Defesa da Soberania Nacional.
 
Para os dois dias estão previstos os debates Desenvolvimento Econômico e Soberania Nacional; Privatizações: Bancos, Correios, Previdência, Eletrobrás e Petrobrás; Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água; e Ciência Tecnologia e Educação.
 
O evento acontece no Auditório Nereu Ramos e é aberto a todos os interessados.
 
Confira abaixo a programação completa:
 
4 de setembro
9h - Ato político em defesa da soberania nacional
11h30 - Desenvolvimento Econômico e Soberania Nacional 
14h30 - Privatizações: Bancos, Previdência, Correios, Eletrobrás e Petrobrás 
 
5 de setembro
9h - Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água
10h30 - Ciência Tecnologia e Educação
14h - Aprovação do Manifesto em Defesa da Soberania Nacional
Encaminhamentos práticos para a construção de um Movimento Nacional em Defesa da Soberania Nacional
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Reprodução / CUT

 
Os incêndios que especialmente nos últimos dias têm consumido parte da vegtação natural da Amazônia são causa de preocupação para a Presidência do Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam), que emitiu uma nota a respeito nesta quinta-feira, 22.
 
Com o título “Levantamos nossa voz pela Amazônia”, a nota é assinada pelos membros da Presidência do Celam:  Monsenhor Héctor Miguel Cabrejos Vidarte (Presidente),  Cardeal Odilo Pedro Scherer (Primeiro Vice-Presidente), Cardeal Leopoldo José Brenes (Segundo Vice-Presidente), Monsenhor Rogelio Cabrera López (Presidente do Conselho de Assuntos Econômicos) e Monsenhor Juan Carlos Cárdenas Toro (Secretário Geral).
 
Confira:
 
LEVANTAMOS NOSSA VOZ PELA AMAZÔNIA
 
Conscientes dos terríveis incêndios que consomem grandes proporções da flora e fauna do Alasca, Groenlândia, Sibéria, Ilhas Canárias, e, particularmente, na Amazônia, nós, bispos da América Latina e Caribe, queremos expressar nossa preocupação com a gravidade dessa tragédia que não só é de impacto local, nem mesmo regional, mas de proporções planetárias.
 
A esperança pela proximidade do Sínodo Amazônico, convocado pelo Papa Francisco, está manchada pela dor dessa tragédia natural. Aos irmãos povos indígenas que habitam este amado território, expressamos toda a nossa proximidade  e nos unimos às suas vozes para gritar ao mundo por solidariedade e por atenção imediata para acabar com essa devastação.
 
O Instrumento de Trabalho do Sínodo já adverte profeticamente: "Na floresta amazônica, de vital importância para o planeta, uma crise profunda foi desencadeada por uma prolongada intervenção humana, onde predomina uma ‘cultura do descarte’ (LS 16) e mentalidade extrativista. A Amazônia é uma região de rica biodiversidade, multiétnica, multicultural e multirreligiosa, espelho de toda a humanidade que, em defesa da vida, exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, Estados e da Igreja. Essa realidade vai além do campo estritamente eclesiástico da Amazônia, porque se concentra na Igreja universal e também no futuro de todo o planeta” (Instrumentum laboris para o Sínodo da Amazônia, preâmbulo).
 
É urgente que os governos dos países amazônicos, especialmente Brasil e Bolívia, as Nações Unidas e a Comunidade Internacional adotem medidas sérias para salvar os pulmões do mundo. O que acontece com a Amazônia não é apenas uma questão local, mas de alcance global. Se a Amazônia sofre, o mundo sofre.
 
Lembrando as palavras do Papa Francisco, gostaríamos de “pedir, por favor, a todos os que ocupam posições de responsabilidade no campo econômico, político e social, todos os homens e mulheres de boa vontade: [que] sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiães do outro, do meio ambiente; não deixemos que. os sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo” (Homilia do início do ministério Petrino, 19 de março de 2013)
 
Monsenhor Héctor Miguel Cabrejos Vidarte, OFM
Arcebispo de Trujilo, Peru - Presidente do Celam
 
Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo, Brasil – Primeiro Vice-Presidente do Celam
 
Cardeal Leopoldo José Brenes
Arcebispo de Managuaá, Nicarágua – Segundo Vice-Presidente do Celam
 
Monsenhor Rogelio Cabrera López
Arcebispo de Monterrey, México - Presidente do Conselho de Assuntos Econômicos do Celam
 
Monsenhor Juan Carlos Cárdenas Toro
Bispo Auxiliar de Cali, Colômbia - Secretário Geral do Celam

 
Organizações do movimento ecumênico manifestaram, nesta quinta-feira, 22 de agosto, preocupação com a explosão de queimadas em território amazônico. A nota, assinada pelo Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil), traz um dado alarmante: "houve um aumento superior a 80% no número de incêndios florestais no Brasil, entre 1º de janeiro e 19 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passadoelas". 
 
Em outro trecho, o FE-ACT Brasil, do qual o CONIC faz parte, reitera que o compromisso ecumênico "é a proteção da sociobiodiversidade da Criação e a defesa das organizações da sociedade civil e movimentos sociais, que repudiam este projeto político de morte".
 
Leia o documento na íntegra:
 
Brasil, a Casa Comum em chamas
 
A Criação aguarda ansiosamente a manifestação das filhas e dos filhos de Deus.
Com a esperança de ser ela também libertada do cativeiro da corrupção.
Romanos 8.19;21
 
O Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE-ACT Brasil) une-se a todas organizações ambientais, movimentos sociais, povos e comunidades tradicionais para expressar sua dor e sua extrema preocupação frente à política ambiental do atual governo, cujo resultado concreto é o aprofundamento do processo de devastação, visível nas extensas queimadas na região Amazônica, em níveis alarmantes.
 
Conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), houve um aumento superior a 80% no número de incêndios florestais no Brasil, entre 1º de janeiro e 19 de agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Frente a isso, de maneira leviana e irresponsável, o presidente do país alega que as queimadas seriam “ação criminosa” de “ongueiros” para chamar a atenção contra o governo brasileiro e “a sua pessoa”.
 
A declaração do presidente não surpreende, pois uma de suas estratégias tem sido a criminalização das organizações da sociedade civil que defendem os direitos socioambientais, deslegitimando e buscando mecanismos para impedir a atuação destas organizações. Esta postura fica expressa no pronunciamento do presidente, ao dizer que: “A questão da queimada, no meu entender, pode ter sido potencializada por ONGs, pois perderam dinheiro.”
 
Sustentado em fundamentalismos religioso e econômico, fake news, opiniões irresponsáveis e de contestação a evidências científicas, em poucos meses, já temos um cenário socioambiental catastrófico: flexibilização da legislação ambiental, adesão irresponsável e incondicional aos interesses de mineradoras e do agronegócio, liberação sem critérios de centenas de agrotóxicos, aumento dos conflitos no campo, desmantelamento do sistema nacional de Unidades de Conservação e da fiscalização ambiental, desterritorialização e violação de direitos de povos indígenas e de povos e comunidades tradicionais, cortes no orçamento de áreas estratégicas e desrespeito a acordos internacionais e à política climática.
 
Em reação às pressões da sociedade civil e de pesquisadores e pesquisadoras que há anos atuam com pautas socioambientais, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que tudo não passa de “sensacionalismo”.
 
Defendemos a soberania nacional e os direitos da terra, com suas florestas, rios e animais, povos e comunidade tradicionais.
 
Nosso testemunho ecumênico é a proteção da sociobiodiversidade da Criação e a defesa das organizações da sociedade civil e movimentos sociais, que repudiam este projeto político de morte.
 
Fórum Ecumênico ACT Brasil
22 de agosto de 2019
 
A seguir, confira a nota em Inglês ou Espanhol.
 
 

 
"A escalada arriscada de posições e atitudes assumidas pela presidência da República nas últimas semanas, aliada à revelação de uma rede de corrupção e fraudes envolvendo membros do Judiciário, fez acender, até em quem outrora apoiou o projeto político de Jair Bolsonaro, uma luz de alerta quanto aos caminhos que estão sendo trilhados pelo país". Assim começa a nota escrita por movimentos sociais pedindo a cassação da chapa do presidente Jair Bolsonaro.
 
"Se o impeachment não é um caminho a se considerar, há um outro bastante razoável: o julgamento de diversas ações ainda do processo eleitoral, especialmente as que versam sobre abuso do poder econômico que poderiam resultar na cassação da chapa, considerando que a chapa é una e indivisível – o que provocaria a posse temporária do presidente da Câmara", continua o posicionamento, que é assinado pela Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político.
 
Leia a íntegra:
 
Posicionamento da Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político diante da conjuntura atual
 
A escalada arriscada de posições e atitudes assumidas pela presidência da República nas últimas semanas, aliada à revelação de uma rede de corrupção e fraudes envolvendo membros do Judiciário, fez acender, até em quem outrora apoiou o projeto político de Jair Bolsonaro, uma luz de alerta quanto aos caminhos que estão sendo trilhados pelo país.
 
Ante a gravidade das denúncias que envolvem os procedimentos adotados por promotores e juízes à frente da Operação Lava Jato, os tradicionais aliados da mídia hegemônica, alguns militares e representantes do sistema financeiro entraram em ação para desacreditar os diálogos revelados. Estes apontam evidências de que a Lava Jato não respeitou o sistema legal brasileiro, violando a Constituição, o Código da Magistratura e o Código da Lei Penal. A seriedade destas denúncias exige uma resposta efetiva do Estado à sociedade brasileira.
 
Nas redes sociais e em debates, algumas pessoas começaram a levantar a possibilidade de impedimento do presidente por crimes de responsabilidade. Também no âmbito da Plataforma dos Movimentos Sociais Pela Reforma do Sistema Político refletimos sobre esta alternativa.
 
Compreendemos que o impedimento do presidente Jair Bolsonaro não resolve o sério processo de fragilização do sistema democrático, aprofundado nos últimos anos. É necessário analisar o papel do presidente Jair Bolsonaro em um contexto maior de disputas geopolíticas e de uma agressiva política de implementação de um projeto ultraneoliberal. Isso significa que o impedimento não resolve as questões estruturais que ameaçam a nossa soberania e democracia. A saída de Jair Bolsonaro apenas viabilizaria que seu lugar fosse ocupado por alguém um pouco mais cauteloso nos pronunciamentos públicos e no respeito aos ritos do cargo.
 
Não é de agora que as limitações do sistema político se manifestam em nosso país, e entendemos que qualquer saída efetiva só se dará em médio/longo prazo, por envolver rupturas profundas com nosso passado colonialista e autoritário. Sem ampliarmos a participação da sociedade nos processos decisórios, inclusive com a conquista de representação plurirracial e pluriétnica nas instâncias políticas, a democracia não se consolida.
 
Contudo, avaliamos que, paralelamente à construção cotidiana de novos paradigmas de democracia, é também preciso responder ao cenário preocupante que se apresenta. Não podemos assistir placidamente ao processo em curso de ameaça à soberania do país, ao total desmonte das políticas socioambientais, à retirada de mais direitos, além de episódios cada vez mais frequentes de recrudescimento da violência contra as chamadas minorias e ataques constantes do Estado à liberdade de expressão. 
 
As eleições de 2018, segundo a revelação das mensagens secretas feitas pelo The Intercept Brasil, foram fraudadas: o candidato com mais chance de ganhar foi afastado por um processo eivado de irregularidades, sem provas, pelo qual foi condenado e preso. A operação Lava Jato, longe de ser uma iniciativa para acabar com a corrupção no Brasil, perseguiu o PT e suas lideranças, em articulação com a grande mídia, criando a narrativa da “maior história de corrupção do país”. Foi a base para a campanha pelo impedimento da presidenta Dilma e a condenação de Lula.
 
Se o impeachment não é um caminho a se considerar, há um outro bastante razoável: o julgamento de diversas ações ainda do processo eleitoral, especialmente as que versam sobre abuso do poder econômico que poderiam resultar na cassação da chapa, considerando que a chapa é una e indivisível – o que provocaria a posse temporária do presidente da Câmara e novas eleições seriam convocadas, se isto ocorrer ainda antes do cumprimento de dois anos de mandato. Estes processos são AIJEs, Ações de Investigação Judicial Eleitoral, e dependem, portanto, de investigação. Matéria recente do jornal a Folha de S. Paulo relata que eles se encontram parados, enquanto outros mais recentes já andaram rapidamente.
 
Isto, porém, depende da celeridade da Justiça Eleitoral, que ainda vem julgando prefeitos eleitos em 2016 e não pode fugir de suas responsabilidades com os destinos do país, diante de tantos abusos e irregularidades, cassando a chapa como um todo e convocando novas eleições. Com a palavra, portanto, a Justiça Eleitoral. Para além disso, como acreditamos que um mandato não pertence apenas a quem foi eleito ou mesmo a quem o elegeu, mas a todos os eleitores, pensamos que possam ser adotados mecanismos como recall ou mandatos revogatórios: os eleitores podem tirar o eleito se não cumprir o prometido ou cometer atrocidades com o mandato.
 
Nós cobraremos e pressionaremos para que o país retome os seus rumos e se livre de qualquer viés autoritário que ameace o nosso ainda frágil Estado Democrático de Direito, e que a nossa democracia seja de fato construída livremente pelo povo!
 
Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político
 
Foto: Adriano Machado/Reuters

 
Com muito pesar, manifestamos nosso repúdio aos crimes de ódio cometidos contra três jovens músicos bolivianos da banda ‘Súper Explosión’ em pleno fim de tarde de domingo último (18/08/2019) que resultaram no assassinato de dois deles, Santiago Rodrigues e Roger Lipa Chambi – e ferimento de um terceiro que felizmente encontra-se fora de perigo. 
 
Obviamente estamos bastante preocupadas com essas demonstrações de violência xenofóbica, muito provavelmente incentivadas por ações recentes do Estado brasileiro, como a portaria 666, a proposta de emenda ao projeto de lei 1928/2019 do Senado Federal e as recentes expulsões de refugiados, as quais visam ampliar o controle migratório, por meio de uma ótica de criminalização das pessoas em mobilidade. 
 
Enxergamos que esta tragédia é resultado desse inadvertido incitamento ao ódio e preconceito, dois artistas jovens que após seu rotineiro ensaio de domingo realizado no espaço público próximo a uma escola dentro de um bairro com expressiva presença e contribuição de trabalhadores migrantes, conversavam sem fazer mal a ninguém usufruindo de seu merecido horário de lazer perderam suas vidas claramente pelo simples fato de existirem. 
 
Não podemos deixar esses crimes impunes, nos solidarizamos com os familiares e com nossas comunidades imigrantes, refugiadas e apátridas que sentem de perto o medo, porém demandamos firmemente investigação e apuração do ocorrido e prisão dos assassinos. 
 
Assinam:
 
Pela Frente de Mulheres Imigrantes e Refugiadas:
- Coletivo Sí, Yo Puedo
- Rede de Mulheres Imigrantes Lésbicas e Bissexuais
- Colectivo Feminista de Argentinxs em São Paulo
- Equipe de Base Warmis - Convergência das Culturas
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs - CONIC
 
Presença da América Latina - PAL
 
Associação de Residentes Bolivianos - ADRB
 
Comitê de Migrações e Deslocamentos (da Associação Brasileira de Antropologia - ABA)
 
Centro de Apoio e Pastoral do Imigrante - CAMI
 
Centro de Estudos de Migrações Internacionais, IFCH/ UNICAMP - CEMI
 
Sarau das Américas
 
Movimento Humanista Internacional
 
Lakitas Sinchi Warmis
 
África do Coração
 
ProMigra